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Fazemos parte do Claretiano - Rede de Educação NUTRIÇÃO E DIETÉTICA Meu nome é Fabíola Rainato Gabriel de Melo. Sou nutricionista e apaixo- nada pela minha profissão. Sou graduada em Nutrição pela Universidade de Ribeirão Preto (2003), especialista em Nutrição pela USP/RP, mestre e doutora em Investigação Biomédica pela Faculdade de Medicina de Ribei- rão Preto (2006). Tenho experiência na área de Nutrição Clínica e Saúde Pú- blica, atuando, principalmente, nos seguintes temas: Síndrome de Down, demências, absorção de nutrientes, avaliação nutricional, composição cor- poral, metabolismo basal, educação nutricional, dietas enterais, geriatria e nutrição esportiva. Na área clínica, atuo desde 2003. Sou docente desde 2008, ministrando diversas disciplinas, dentre elas, Nutrição e Dietética, Nutrição Esportiva, Nutrição nas Diferentes Fases da Vida etc. Em 2012, passei a atuar como coordenadora do curso de Nutrição do Claretiano – Centro Universitário de Batatais e, atualmen- te, sou coordenadora, também, da Pós-Graduação em Nutrição Estética e Esportiva, Nutrição nas Diferentes Fases da Vida e Dietoterapia Avançada, Gestão da Qualidade e Controle Higiênico Sanitário de Alimentos. É com muito carinho que preparei este material de estudos, pois o conhecimento guardado só “alimenta” quem o detém; no entanto, o conhecimento colocado a disposição do bem comum se transforma em sabedoria e “sustenta” uma multidão. Bons estudos. Desde já, manifesto minha satisfação em dividir com você minha experiência pro- fissional, colocando-me à disposição para o que for necessário. E-mail: nutricao@claretiano.edu.br Claretiano – Centro Universitário Rua Dom Bosco, 466 - Bairro: Castelo – Batatais SP – CEP 14.300-000 cead@claretiano.edu.br Fone: (16) 3660-1777 – Fax: (16) 3660-1780 – 0800 941 0006 claretiano.edu.br/batatais Meu nome é Sérvio Antônio Bucioli. Graduei-me em Educação Física (Li- cenciatura Plena) no Claretiano. Sou mestre em Biociências pela Facul- dade de Medicina da Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto (FMRP/ USP), onde desenvolvi pesquisas em Nutrologia sobre danos causados pelo exercício excessivo e a ação de vitaminas antioxidantes na prevenção dos efeitos oxidativos causados ao DNA. Atualmente, faço parte do corpo docente do Claretiano, ministrando, nos cursos presenciais, as disciplinas de Medidas e Avaliações da Atividade Motora, Preparação Física Despor- tiva, Cinesiologia, Biomecânica, Estratégias Nutricionais e Suplementação Esportiva. Na Pós-Graduação, leciono as disciplinas de Estudos Avançados em Educação Física e Saúde, Didática e Prática do Condicionamento Físico em Academias e Trei- namento Personalizado, Fisiologia do Exercício, Fisiopatologias, Populações Especiais e Saúde, Treinamento Juvenil – Aprendizagem e Desenvolvimento Motor, Planejamento e Periodização do Treinamento Esportivo e Suplementação Nutricional voltada ao Esporte e à Estética. Nos cursos a distância, ministro as disciplinas de Atividade Física na Terceira Idade e Preparação Física Geral. E-mail: pratiquesporte@yahoo.com.br Meu nome é Joyce Beatriz da Silva. Sou graduada em Nutrição pelo Cla- retiano – Centro Universitário de Batatais, pós-graduada em Educação Física e Fisiopatologia em Populações Especiais pela mesma Instituição, na qual trabalho como Docente e supervisora de estágio na área de Nu- trição Clínica. Mestranda pelo Departamento de Ginecologia e obstetrícia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – FMRP – USP. E-mail: nutricao.casi@claretiano.edu.br Fabíola Rainato Gabriel de Melo Sérvio Antônio Bucioli Joyce Beatriz da Silva Batatais Claretiano 2018 NUTRIÇÃO E DIETÉTICA © Ação Educacional Claretiana, 2018 – Batatais (SP) Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, a transmissão total ou parcial por qualquer forma e/ou qualquer meio (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação e distribuição na web), ou o arquivamento em qualquer sistema de banco de dados sem a permissão por escrito do autor e da Ação Educacional Claretiana. CORPO TÉCNICO EDITORIAL DO MATERIAL DIDÁTICO MEDIACIONAL Coordenador de Material Didático Mediacional: J. Alves Preparação: Aline de Fátima Guedes • Camila Maria Nardi Matos • Carolina de Andrade Baviera • Cátia Aparecida Ribeiro • Dandara Louise Vieira Matavelli • Elaine Aparecida de Lima Moraes • Josiane Marchiori Martins • Lidiane Maria Magalini • Luciana A. Mani Adami • Luciana dos Santos Sançana de Melo • Patrícia Alves Veronez Montera • Raquel Baptista Meneses Frata • Simone Rodrigues de Oliveira Revisão: Eduardo Henrique Marinheiro • Filipi Andrade de Deus Silveira • Rafael Antonio Morotti • Rodrigo Ferreira Daverni • Vanessa Vergani Machado Projeto gráfico, diagramação e capa: Bruno do Carmo Bulgarelli • Joice Cristina Micai • Lúcia Maria de Sousa Ferrão • Luis Antônio Guimarães Toloi • Raphael Fantacini de Oliveira • Tamires Botta Murakami Videoaula: André Luís Menari Pereira • Bruna Giovanaz • Marilene Baviera • Renan de Omote Cardoso Bibliotecária: Ana Carolina Guimarães – CRB7: 64/11 DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 612.3 M485n Melo, Fabíola Rainato Gabriel de Nutrição e diética / Fabíola Rainato Gabriel de Melo, Sérvio Antônio Bucioli, Joyce Beatriz da Silva – Batatais, SP : Claretiano, 2018. 138 p. ISBN: 978-85-8377-561-4 1. Segurança e vigilância nutricional. 2. História da alimentação e sua relação interdisciplinar. 3. Noções de nutrição humana e alimentação. I. Bucioli, Sérvio Antônio. II. Silva, Joyce Beatriz da. III. Nutrição e diética. CDD 612.3 CDD 658.151 INFORMAÇÕES GERAIS Cursos: Graduação Título: Nutrição e Dietética Versão: dez./2018 Formato: 15x21 cm Páginas: 140 páginas SUMÁRIO CONTEÚDO INTRODUTÓRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 13 2. GLOSSÁRIO DE CONCEITOS ............................................................................ 16 3. ESQUEMA DOS CONCEITOS-CHAVE ............................................................... 19 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 20 5. E-REFERÊNCIA .................................................................................................. 20 UNIDADE 1 – NUTRIÇÃO HUMANA 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 23 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA ............................................................. 25 2.1. CARBOIDRATOS ....................................................................................... 25 2.2. PROTEÍNAS ............................................................................................... 34 2.3. LIPÍDIOS ................................................................................................... 39 2.4. VITAMINAS E MINERAIS ......................................................................... 44 2.5. FIBRAS ALIMENTARES ............................................................................. 49 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR ................................................................ 52 3.1. NUTRIÇÃO HUMANA ..............................................................................52 3.2. ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO DE CARÊNCIAS DE MICRONUTRIENTES ................................................................................. 54 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ....................................................................... 54 5. CONSIDERAÇÕES ............................................................................................. 58 6. E-REFERÊNCIAS ................................................................................................ 58 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 59 UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 63 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA ............................................................. 64 2.1. RECOMENDAÇÕES PARA UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL.................. 64 2.2. REFEIÇÕES SAUDÁVEIS POR REGIÕES DO BRASIL ................................ 67 2.3. PIRÂMIDE ALIMENTAR ........................................................................... 78 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR ................................................................ 84 3.1. SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL ........................................... 84 3.2. NOVO GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA ................ 86 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ....................................................................... 87 5. CONSIDERAÇÕES ............................................................................................. 87 6. E-REFERÊNCIAS ................................................................................................ 88 7. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ......................................................................... 90 UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 95 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA ............................................................. 96 2.1. ALIMENTOS FUNCIONAIS ....................................................................... 96 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR ................................................................ 113 3.1. SUSTENTABILIDADE ALIMENTAR E EDUCAÇÃO AMBIENTAL ............... 113 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ....................................................................... 115 5. CONSIDERAÇÕES ............................................................................................. 116 6. E-REFERÊNCIAS ................................................................................................ 117 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 117 UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 121 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA ............................................................. 121 2.1. DIETA, REGIME OU REEDUCAÇÃO ALIMENTAR ................................... 121 2.2. DIETAS DA MODA .................................................................................... 126 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR ................................................................ 138 3.1. RESPONSABILIDADE DO PROFISSIONAL NA ELABORAÇÃO DA DIETA 138 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ....................................................................... 139 5. CONSIDERAÇÕES ............................................................................................. 140 6. E-REFERÊNCIAS ................................................................................................ 140 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 140 9 CONTEÚDO INTRODUTÓRIO Conteúdo Considerando que o profissional da área da saúde, quando necessário, deve atuar em políticas e programas de educação, segurança e vigilância nutricio- nal, alimentar e sanitária, visando à promoção da saúde em âmbito local, regional e nacional, a obra aborda a história da alimentação e sua relação interdisciplinar; noções de nutrição humana e alimentação; importância da alimentação; conhecimento da composição dos alimentos e a compreensão deles para promoção de saúde e a prevenção das doenças; análise das dietas para entendimento de seus pontos positivos e críticos; sustentabilidade ali- mentar e educação ambiental; e política nacional de alimentação e nutrição. Bibliografia Básica COZZOLINO, S. M. F.Biodisponibilidade de nutrientes. 3. ed. Barueri: Editora Manole, 2005. COZZOLINO, S.M.F.; COMINETTO,C.Bases bioquímicas e fisológicas da Nutrição. 1. ed. Barueri: Manole, 2013. OLIVEIRA, J. E. D.; MARCHINI, J. S.Ciências nutricionais: aprendendo a aprender. 2. ed. São Paulo: Sarvier, 2008. Bibliografia Complementar CARNEIRO, H.Comida e sociedade: uma história da alimentação 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. NÓBREGA, F.J.O que você quer saber sobre Nutrição. 2. ed. Barueri: Manole, 2014. PHILIPPI, S.T. G.Tabela de composição de alimentos. 3. ed. Barueri: Manole, 2012. MAHAN, L. K; ESCOTT-STUMP, S.Krause –Alimentos, nutrição & dietoterapia. 11. ed. São Paulo: Roca, 2005. 10 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA CONTEÚDO INTRODUTÓRIO VITOLO, M. R.Nutrição: da gestação à adolescência. 1. ed. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso Editores, 2003. E-referências BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_ populacao_brasileira_2ed.pdf>. Acesso em: 19 mar. 2018. ______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica.Matriz de ações de alimentação e nutrição na atenção básica de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/matriz_alimentacao_nutricao.pdf>. Acesso em: 19 mar. 2018. PADOVANI, R. M. et al. Dietary reference intakes: aplicabilidade das tabelas em estudos nutricionais. Revista de Nutrição, Campinas, v. 19, n.6, p. 741-760, nov./ dez. 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid =S1415-52732006000600010>. Acesso em:19 mar. 2018. PIMENTEL, V. R.M. et al. Alimentação e nutrição no contexto da atenção básica e da promoção da saúde: a importância de um diálogo. Demetra, v. 8, n. 3, p. 487-498, 2013. Disponível em: <http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/demetra/article/ download/5632/7109>. Acesso em: 19 mar. 2018. SANTANA, H. M. M.; MAYER, M. B.; CAMARGO, K. G. Avaliação da adequação nutricional das dietas para emagrecimento veiculadas pela internet. ConScientiae Saúde, São Paulo, v. 2, n. 1, p.99-104, jul. 2003. Disponível em: <http://www.redalyc. org/articulo.oa?id=92900215>. Acesso em: 19 mar. 2018. VIEIRA, C. Ações de alimentação e nutrição na atenção básica em saúde: institucionalização e desafios.2011. Disponível em: <ecos-redenutri.bvs.br/tiki- download_file.php?fileId=756>. Acesso em: 19 mar. 2018. 11© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA CONTEÚDO INTRODUTÓRIO 12 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA CONTEÚDO INTRODUTÓRIO É importante saber Esta obra está dividida, para fins didáticos, em duas partes: Conteúdo Básico de Referência (CBR): é o referencial teórico e prático que deverá ser assimilado para aquisição das competências, habilidades e atitudes necessárias à prática profissional. Portanto, no CBR, estão condensados os principais conceitos, os princípios, os postulados, as teses, as regras, os procedimentos e o fundamento ontológico (o que é?) e etiológico (qual sua origem?) referentes a um campo de saber. Conteúdo DigitalIntegrador (CDI): são conteúdos preexistentes, previamente se- lecionados nas Bibliotecas Virtuais Universitárias conveniadas ou disponibilizados em sites acadêmicos confiáveis. É chamado "Conteúdo Digital Integrador" porque é imprescindível para o aprofundamento do Conteúdo Básico de Referência. Juntos, não apenas privilegiam a convergência de mídias (vídeos complementares) e a leitu- ra de "navegação" (hipertexto), como também garantem a abrangência, a densidade e a profundidade dos temas estudados. Portanto, são conteúdos de estudo obrigató- rios, para efeito de avaliação. 13© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA CONTEÚDO INTRODUTÓRIO 1. INTRODUÇÃO Sejam bem-vindos ao estudo de Nutrição e Dietética! O profissional da área da saúde, quando necessário, deve atuar em políticas e programas de educação, segurança e vigilância nutri- cional, alimentar e sanitária, visando à promoção da saúde em âmbito local, regional e nacional. Com isso em mente, esta obra aborda a história da alimentação e sua relação interdisciplinar; noções de nutrição humana e alimentação; a importância da ali- mentação; conhecimento da composição dos alimentos e a com- preensão dos alimentos para promoção de saúde e a prevenção das doenças; análise das dietas para entendimento dos pontos positivos e pontos críticos; sustentabilidade alimentar e educa- ção ambiental; e política nacional de alimentação e nutrição. Esta obra tem como objetivo permitir ao leitor conhecer a composição nutricional dos alimentos (carboidrato, proteína, lipídeo, vitaminas e minerais), como contribuição para a atua- ção do profissional da área da saúde; conhecer os alimentos e suas propriedades nutricionais para prevenção de doenças em benefício da pessoa humana; compreender e analisar as dietas da moda e seus pontos críticos para fins da atuação profissional ética e comprometida na área da saúde; perceber a articulação do comprometimento da sustentabilidade alimentar em prol do cuidado do meio ambiente; conhecer a política nacional brasi- leira alimentar e nutricional para fins de ações educacionais, de segurança e vigilância nutricional, alimentar e sanitária, articu- lando-a com a atuação profissional na área da saúde. Define-se como Nutrição “a ciência que por meio de pro- cessos o organismo recebe, utiliza e elimina os nutrientes inge- ridos” (OLIVEIRA, 2003, p. 5). O profissional de saúde tem como funções a promoção da recuperação da saúde e a prevenção de 14 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA CONTEÚDO INTRODUTÓRIO doenças. No caso da Nutrição, essas funções se dão por meio da educação alimentar, que permite ao indivíduo consumir alimen- tos de qualidade em quantidade adequadas, sem restrição de grupos alimentares, sendo indicada a todas as faixas etárias, in- dependentemente do objetivo que se queira alcançar: emagre- cimento, ganho de peso, adequação a diferentes fases da vida (gestação, nutriz, criança, adolescente, adulto e idoso) e doenças específicas. As orientações devem ser personalizadas e individuali- zadas, preconizando sempre uma alimentação saudável. Uma alimentação equilibrada, balanceada e associada à prática de atividades físicas auxilia no retardamento do envelhecimento, melhora a autoestima, diminui a gordura corporal, aumenta a massa magra (músculos), previne doenças, reduz a ansiedade, tem efeitos na aceleração do metabolismo e melhora a imagem corporal. Mahan e Favano (2005) definem a nutrição como sendo todo o processo biológico que o ser humano utiliza para dar con- tinuidade à realização das funções vitais, como correr, andar, respirar, trabalhar, entre outros. A nutrição proporciona energia para desempenhar todas as atividades no dia a dia. King define a Nutrição como a ciência do alimento, dos nutrientes e de outras substâncias nele contidas, sua ação, inter-relação e balanço, em relação à saúde e à doença e aos processos pelos quais o organis- mo ingere, absorve, transporta, utiliza e excreta as substâncias alimentares. A nutrição compreende 3 fases: • Alimentação: compreende desde o momento em que se escolhe um alimento até sua absorção pelas vilo- 15© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA CONTEÚDO INTRODUTÓRIO sidades intestinais. Compreende: seleção, obtenção, preparo culinário, ingestão, digestão e absorção. • Metabolismo: inicia-se a partir da absorção dos nu- trientes até o momento em que o organismo os utili- za como fonte de energia, para materiais constituin- tes das células ou para depositá-los como reserva. • Excreção: compreende a eliminação de parte do ma- terial utilizado e do material não utilizado. Essa elimi- nação se efetua por meio do tubo digestivo, dos rins, da pele e dos pulmões. Dietética é a ciência e a arte de alimentar corretamente pessoas e coletividades sadias. Consiste na aplicação da ciên- cia da Nutrição no planejamento e na preparação de refeições adequadas. A Dietoterapia é a faceta da Dietética dedicada a cuidar da alimentação de pessoas ou coletividades enfermas. A alimentação é um processo voluntário e consciente pelo qual o ser humano obtém produtos para seu consumo. A nutrição é in- voluntária, inconsciente e abrange toda uma série de processos que se realizam independentemente da vontade do indivíduo. Alimentos são o material que o organismo recebe para satisfa- zer suas necessidades de manutenção, crescimento, trabalho e restauração de tecidos. Nutrientes são todas as substâncias quí- micas indispensáveis à saúde e à atividade do organismo e estão contidos nos alimentos. São os seguintes: 1) Glícides (glicídios,hidratos de carbono, carboidratos). 2) Lípides (lipídios, gorduras). 3) Proteínas. 4) Minerais (cálcio, ferro, fósforo, iodo, magnésio, etc.). 16 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA CONTEÚDO INTRODUTÓRIO 5) Vitaminas. 6) Água. Desejamos que este estudo possa trazer-lhe contribuições frutíferas para sua formação acadêmica e profissional. 2. GLOSSÁRIO DE CONCEITOS O Glossário de Conceitos permite uma consulta rápida e precisa das definições conceituais, possibilitando um bom domí- nio dos termos técnico-científicos utilizados na área de conheci- mento dos temas tratados. 1) Absorção: transporte ou passagem de nutrientes, por diferentes mecanismos, através da mucosa gastrintes- tinal (OLIVEIRA; MARCHINI, 2008). 2) Ácidos graxos: ácidos resultantes da hidrólise de lipí- dios (OLIVEIRA;MARCHINI, 2008). 3) Ácidos graxos de cadeia média: ácidos que possuem de oito a dez carbonos. Dão origem a triglicerídeos de cadeia média, que não necessitam sofrer digestão normal das gorduras (formação de quilomícrons e pe- netração no sistema linfático)(OLIVEIRA;MARCHINI, 2008). 4) Ácidos graxos livres: a determinação de ácidos graxos livres é dada pela porcentagem (em peso) de ácidos graxos livre sem relação a um ácido graxo específico, resultando da liberação de triglicerídeos sujeitos à ran- cidez linfática (OLIVEIRA; MARCHINI, 2008). 5) Açúcares: sacarídeos, carboidratos, glicídios. Os açúcares, principalmente a glicose, formam a prin- 17© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA CONTEÚDO INTRODUTÓRIO cipal fonte de energia, por oxidação do organismo (OLIVEIRA;MARCHINI, 2008). 6) Adenosina trifosfato: atua no metabolismo celular, na contração muscular e na síntese dos hormônios adrenocorticais. Os dois últimos pela denominada li- gação fosfato, rica em energia, que, na hidrólise, forma energia para a atividade muscular (OLIVEIRA; MARCHI- NI, 2008). Adenosina trifisfoto ou simplesmente ATP, é um nucleotídeo responsável pelo armazenamento de energia em suas ligações químicas. 7) Adipócito: célula de armazenamento de gordura (OLI- VEIRA; MARCHINI, 2008). 8) Albumina: refere-se, de forma genérica, a qualquer proteína que é solúvel em água, moderadamente so- lúvel em soluções salinas, e que sofre desnaturação com o calor. Proteínas dessa classe são encontradasno plasma, e diferem das outras proteínas plasmáticas porque não são glicosiladas. Substâncias que contêm albuminas, como a clara do ovo, são designadas por albuminoides(OLIVEIRA; MARCHINI, 2008). 9) Alimentação: ação de proporcionar ou receber ali- mentos (OLIVEIRA; MARCHINI, 2008). 10) Alimento: do ponto de vista fisiológico, é um material nutritivo que é recebido por um organismo e que sa- tisfaz suas necessidades de manutenção, crescimento, trabalho e restauração dos tecidos; do ponto de vis- ta psicológico, é um material biológico que um indiví- duo ou grupo de indivíduos considera apropriado para cumprir as funções descritas e que habitualmente se 18 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA CONTEÚDO INTRODUTÓRIO consome com esses fins e, às vezes, por motivos so- ciais ou de outro tipo (OLIVEIRA; MARCHINI, 2008). 11) Constipação: síndrome do retardamento da evacua- ção fecal de qualquer etiologia; os intestinos são es- vaziados em intervalos espaçados e com dificuldade (prisão de ventre)(OLIVEIRA; MARCHINI, 2008). 12) Digestão: processo realizado em vários segmentos do tubo digestório, no qual os alimentos são desinte- grados por fenômenos mecânicos da digestão –mas- tigação, deglutição e movimentos peristálticos. Os fenômenos químicos e enzimáticos da digestão são constituídos por insalivação, quimificação e quilifica- ção (OLIVEIRA; MARCHINI, 2008). 13) Flatulência: formação de gases em excesso no intesti- no e no estômago (OLIVEIRA; MARCHINI, 2008). 14) Insulina: hormônio produzido nas ilhotas de Lan- gerhans, células do pâncreas. Promove a absorção da glicose circulante na corrente sanguínea pelas células presentes nos músculos e no tecido adiposo (ANAD, 2012). 15) Macronutrientes: São nutrientes necessários ao orga- nismo diariamente e em grandes quantidades. Cons- tituem a maior parte na dieta. Fornecem energia e componentes fundamentais para o crescimento e ma- nutenção do corpo. Fazem parte deste grupo carboi- dratos, proteínas e gorduras. 16) Micronutrientes: nutriente necessário ao organismo em pequenas quantidades (em miligramas ou micro- gramas) em relação aos macronutrientes (OLIVEIRA; MARCHINI, 2008). 19© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA CONTEÚDO INTRODUTÓRIO 17) Ovoalbumina: albumina da clara do ovo (OLIVEIRA;MARCHINI, 2008). 18) Raquitismo: resulta de transtorno de metabolismo fosfocálcicos devido à carência de vitamina D, às ve- zes ligada à insuficiência de exposição solar (OLIVEIRA; MARCHINI, 2008). 19) Saturação: propriedade das soluções que indica a capa- cidade das mesmas em suportar quantidades crescen- tes de solutos, mantendo-se homogêneas(OLIVEIRA; MARCHINI, 2008). 20) Solução insaturada: solução que ainda tem capacida- de de diluir soluto, sem precipitar excessos(OLIVEIRA; MARCHINI, 2008). 21) Solução saturada: aquela em que o soluto chegou à quantidade máxima; qualquer adição de soluto vai ser precipitada, não dissolvida (OLIVEIRA; MARCHINI, 2008). 3. ESQUEMA DOS CONCEITOS-CHAVE O Esquema a seguir possibilita uma visão geral dos concei- tos mais importantes deste estudo. 20 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA CONTEÚDO INTRODUTÓRIO Figura 1 Esquema dos conceitos-chave de Nutrição e Dietética. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COZZOLINO, S. M. F.Biodisponibilidade de nutrientes. 3. ed. Barueri: Manole, 2005 COZZOLINO, S.M.F.; COMINETTO,C.Bases bioquímicas e fisológicas da Nutrição. 1. ed. Barueri: Manole, 2013. MAHAN, L. K.; FAVANO, A. Krause: alimentos, nutrição e dietoterapia. 11. ed. São Paulo: Roca, 2005. OLIVEIRA, J. E. D.; MARCHINI, J. S.Ciências nutricionais: aprendendo a aprender. 2. ed. São Paulo: Sarvier, 2008. 5. E-REFERÊNCIA ANAD – ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE ATENÇÃO AO DIABETES. Conceito de insulina. Disponível em: <http://www.anad.org.br/institucional/Conceitos.asp>. Acesso em: 12 dez. 2012. 21 UNIDADE 1 NUTRIÇÃO HUMANA Objetivos • Conhecer a composição nutricional dos alimentos (carboidrato, proteína, lipídeo, vitaminas e minerais). • Conhecer a política nacional brasileira alimentar e nutricional para fins de ações educacionais, segurança e vigilância nutricional, alimentar e sanitá- ria, articulando-a com a atuação profissional na área da saúde. • Analisar como o estudo dos nutrientes pode contribuir na formação profissional. Conteúdos • Noções de nutrição humana e alimentação. • História da alimentação e sua relação interdisciplinar. • Alimentação. • Nutrientes. • Nutrição. • Principais nutrientes: Carboidrato, Proteína, Lipídeo, Vitaminas e Minerais. Orientações para o estudo da unidade Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir: 1) Tenha sempre à mão o significado dos conceitos explicitados no Glossário e suas ligações pelo Esquema de Conceitos-chave, para o estudo de todas as unidades destaobra. Isso poderá facilitar a aprendizagem. 22 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA 2) Lembre-se de que os macronutrientes e os micronutrientes são funda- mentais para uma boa nutrição. Pesquise em livros ou na internet a im- portância desses nutrientes associados ao esporte e disponibilize tal in- formação para seus colegas no Fórum. Afinal, você é o protagonista do processo educativo. 3) Reflita sobre a questão: estou tendo uma alimentação balanceada? 4) Leia os livros da bibliografia indicada, para que você amplie seus horizon- tes teóricos. Coteje-os com o material didático e discuta esta unidade com seus colegas e com o tutor. 23© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA 1. INTRODUÇÃO Vamos começar refletindo sobre a seguinte afirmação de Hipócrates (c.460-377 a.C.): Se pudermos dar a cada indivíduo a quantidade exata de nu- trientes e de exercício, que não seja insuficiente nem excessiva, teremos encontrado o caminho mais seguro para a saúde (POR- TAL EDUCAÇÃO, 2012). Hipócrates defendia uma abordagem racional, em relação à saúde, que não se baseava em oráculos nem em intervenções divinas. Sua abordagem, baseada no raciocínio indutivo, criou a ciência da Medicina. E, sendo Hipócrates o pai da Medicina, ocupa um lugar especial no campo da Nutrição Aplicada ao Exercício. Mas, o que é Nutrição? Nutrição é a ciência que estuda a composição dos alimen- tos, as necessidades nutricionais de cada indivíduo, além de to- dos os processos metabólicos (digestão, absorção e metabolis- mo) que o alimento sofre. É o alicerce para o desempenho físico, além de proporcionar o combustível para o trabalho biológico e as substâncias químicas para a extração e o uso da energia po- tencial dos alimentos. A Nutrição busca uma boa alimentação que se reflete em todo o organismo. E o que são os nutrientes? Os nutrientes são substâncias encontradas nos alimentos. Exemplos: proteínas, carboidratos, gorduras (lipídios), vitaminas, minerais e fibras. São divididos em macro e micronutrientes. Os nutrientes representados por carboidratos, proteínas e lipídios são proporcionais à energia necessária para preservar as funções corporais durante o repouso e o exercício físico. Esses 24 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA nutrientes são denominados macronutrientes, pois mantêm a integridade estrutural e funcional do organismo. Eles são neces- sários em maior quantidade e também existem nos alimentos em maior proporção. Além dos macronutrientes, são necessários os micronu- trientes (vitaminas e minerais), que regulam efetivamente to- dos os processos metabólicos. Eles são necessários em menor quantidade, mas, apesar disso, não desempenham papel menos importante. Os nutrientes desempenham basicamente três grandes funções: energética, construtora e reguladora. Vejamos cada uma delas: • Função energética: os carboidratos e os lipídios forne- cem a energia necessária a todos os processos do orga- nismo (por exemplo, andar,estudar, respirar etc.). • Função construtora ou plástica: alguns nutrientes ser- vem para “construir” as estruturas do nosso corpo, tais como as proteínas (para os músculos) e alguns minerais (por exemplo, o cálcio para os ossos e dentes). • Função reguladora: as fibras, a água, as vitaminas e os minerais regulam e ativam as reações que ocorrem no organismo (por exemplo, a atividade intestinal). Uma alimentação saudável apresenta todos os nutrientes que o organismo necessita. Uma alimentação equilibrada requer regularidade de tem- po entre as refeições e variedade de alimentos. Manter uma ali- mentação balanceada é fundamental para o bom funcionamen- to do organismo e para ter uma vida saudável. 25© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma su- cinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão integral, é necessário o aprofundamento pelo estudo do Conteú- do Digital Integrador. 2.1. CARBOIDRATOS Os carboidratos desempenham funções importantes rela- cionadas ao metabolismo energético e ao desempenho nos exer- cícios. Eles são conhecidos como “hidratos de carbono”. Forne- cem 4 kcal/g, sendo considerados fonte primária de energia para o organismo. Esses macronutrientes fornecem energia para o cérebro, a medula óssea, os nervos periféricos e as células vermelhas do sangue. A molécula de glicose contém energia térmica, que é liberada pelas células mitocondriais, sendo convertida em liga- ções altamente energéticas de fosfato na molécula de ATP (ade- nosinatrifosfato), no processo de respiração celular. O ATP cor- responde a um verdadeiro “armazém da energia solar”, a qual é conservada pelo processo biológico. Os carboidratos funcionam como o combustível energético principal durante o exercício de alta intensidade. Classificação dos carboidratos Os carboidratos são classificados em monossacarídeos, dissacarídeos, oligossacarídeos e polissacarídeos. Vejamos as características deles no Quadro 1. 26 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA Quadro 1 Classificação dos carboidratos. TIPOS DE CARBOIDRATOS COMPONENTES FONTES ALIMENTARES MONOSSACARÍDEOS Glicose “Açúcar” do corpo, hidrólise da sacarose, lactose e maltose. Frutose Frutas, sucos e mel. Galactose Leite e derivados. DISSACARÍDEOS Sacarose Açúcar refinado, açúcar mascavo e mel. Lactose Leite e derivados. Maltose Beterraba, cereais e sementes. OLIGOSSACARÍDEOS Maltodextrina Derivados do milho e da mandioca. Frutooligossacarídeos, rafinose e estaquiose Feijão, grão-de-bico, ervilha e lentilha. POLISSACARÍDEOS Amido Milho, cereais, pães, massas, batata, feijão, ervilha e raízes. Não amido (fibras) Verduras, frutas, legumes e cereais integrais. Fonte: Frizzo (2008). Monossacarídeos “Mono” significa “um” e “sacarídeos”,“açúcar”. Monossa- carídeos, portanto, são açúcares simples, como glicose, frutose, galactose, compostos por um único tipo de sacarídeo. Eles não necessitam sofrer nenhuma transformação para serem absorvi- dos pelo organismo. Os animais não são capazes de sintetizar os carboidratos a partir de substratos não energéticos, sendo necessário obtê-los 27© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA por meio da alimentação. Dessa forma, os animais tornam-se de- pendentes dos vegetais para a obtenção de energia, pois estes são autossuficientes na produção de seus próprios carboidratos. Vamos agora estudar cada um dos monossacarídeos: • Glicose: é o açúcar básico, o maior açúcar encontrado no organismo e o mais amplamente distribuído na na- tureza. Também chamado de grape sugar, açúcar de amido, xarope de milho e dextrose (nome comercial). É armazenada em forma de glicogênio no músculo e no fígado. • Frutose: é encontrada nas frutas, no mel e no xarope de milho (presente nas bebidas leves, contém altas con- centrações de frutose). A cetona na estrutura caracteri- za a frutose. A ligação da frutose com a glicose constitui o mel. • Galactose: produzida a partir da lactose (açúcar do lei- te) durante o processo digestivo, por meio da hidrólise; raramente é encontrada livre na natureza. Assim que a galactose é absorvida no organismo, transforma-se em glicose. Dissacarídeos Os dissacarídeos são muito comuns em nossa alimentação. São formados pela combinação de dois monossacarídeos. São chamados de açúcares duplos, ou seja, carboidratos que, por hi- drólise, formam duas moléculas de monossacarídeos iguais ou diferentes, mas sempre um deles é a glicose. 28 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA Os três dissacarídeos mais importantes fisiologicamente são: sacarose, lactose e maltose, conforme você pode visualizar no Quadro 2. Quadro 2 Dissacarídeos: composição e fonte. DISSACARÍDEOS COMPOSIÇÃO FONTE Maltose Glicose + Glicose Cereais Sacarose Glicose + Frutose Cana-de-açúcar Lactose Glicose + Galactose Leite Vejamos cada um em detalhe: • Sacarose: é o açúcar da cana-de-açúcar, que pode con- ter de 14% a 24% de sacarose. É o mais comum dos dissacarídeos, sendo formado por meio da junção de frutose e glicose. A sacarose contribui com, aproxima- damente, de 30% a 40% do total das calorias referentes aos carboidratos da nossa dieta. • Maltose: consiste na formação de duas moléculas de glicose, combinando-se com uma ligação alfa. Conhe- cida também como açúcar do malte e da cevada, é for- mada pela hidrólise (quebra) de polímeros de amido de cereais e tubérculos. É pouco encontrada na alimenta- ção, sendo mais consumida por meio da sua adição em produtos alimentares. Os grãos em germinação são a nossa maior fonte de maltose. Durante a germinação, os grãos de amido rompem-se, e a maltose é formada. Pode ser também formada por fermentação. • Lactose: principal carboidrato presente no leite. Du- rante a infância, a lactose é facilmente hidrolisada pela lactase; entretanto muitos grupos étnicos perdem essa habilidade, desenvolvendo a intolerância à lactose. 29© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA • A fabricação de queijos se dá por meio da transforma- ção da lactose em ácido láctico, separando o coalho do soro. A proteína caseína é a principal composição do coalho, que é extraído do leite. Após a extração, o lei- te “azeda”. Nos queijos, a quantidade de carboidratos é pouca ou quase nenhuma, apesar de haver grande quantidade de carboidratos no leite (lactose). Oligossacarídeos Os oligossacarídeos são carboidratos que apresentam de 3 a 10 moléculas de carbono, incluindo os tri e tetrassacarídeos, assim como rafinose, estaquiose, maltodextrinas, pirodextrinas, fruto oligossacarídeos (FOS) e galacto oligossacarídeos (GOS), que resultam da hidrólise do amido. São digeridos e absorvidos no trato gastrointestinal humano. Os oligossacarídeos estão presentes nas regiões distais do trato gastrintestinal, promovendo substratos aos processos fer- mentativos e ao crescimento de micro-organismos que fazem parte da microbiota intestinal. Polissacarídeos Os polissacarídeos são conhecidos também como amido ou carboidratos complexos, por conterem muitas unidades de monossacarídeos –na maior parte, glicose. É possível que apre- sentem mais de 3.000 unidades. Podem ser ou não absorvidos, como ocorre com as fibras. Em grande parte dos vegetais, há a transformação da gli- cose em amido durante o amadurecimento deles. Por isso, a er- vilha e o milho, quando jovens, são “doces”. Já nas frutas, como 30 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA banana e pêssego, a transformação do amido em açúcar só se dá quando estão amadurecidas. Após serem absorvidos, os carboidratos são transporta- dos ao fígado, onde há a conversão da frutose e da galactose em glicose. Parteda glicose absorvida chega à corrente sanguínea periférica, sendo reconhecida pelos receptores pancreáticos, o que aumenta a secreção de insulina pelas células β, reduzindo a secreção de glucagon. As mudanças hormonais afetam todo o metabolismo, au- mentando a absorção de glicose pelo fígado, pelas células mus- culares e pelos tecidos adiposos. Em razão do seu estado hidra- tado, o armazenamento do glicogênio no fígado e no músculo é pequeno. É muito importante lembrar que os carboidratos consumi- dos além das necessidades serão convertidos e armazenados em forma de gordura, devido à limitada capacidade de armazena- mento como carboidrato. Um assunto muito atual é a troca do açúcar comum por adoçantes. O consumo de adoçantes em pequenas quantidades proporciona alto poder adoçante, mas não permite o alcance da resposta fisiológica mediada pelos neurotransmissores no cére- bro, que produzem à saciedade induzida pelo açúcar. Assim, o aumento da ingestão de lipídios deve ser considerado para que a saciedade seja alcançada. Alguns adoçantes possuem compostos sintéticos, como sa- carina, acessulfame K, ciclamato e aspartame. Já outros adoçan- tes contêm compostos naturais, como estévia (gênero Stevia), xi- litol, manitol e sorbitol. Há também o fruto oligossacarídeo (FOS) ou oligo frutose, encontrado em produtos de origem vegetal. 31© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA Embora seja um adoçante, deve ser consumido com moderação mesmo pelos diabéticos. Observe o Quadro 3, que apresenta a função e as fontes dos polissacarídeos. Quadro 3 Funções e fontes dos polissacarídeos. POLISSACARÍDEOS FUNÇÃO E FONTE Glicogênio Açúcar de reserva energética de animais e fungos. Amido Açúcar de reserva energética de vegetais e algas. Celulose Função estrutural. Compõe a parede celular das células vegetais e algas. Quitina Função estrutural. Compõe a parede celular de fungos e o exoesqueleto de artrópodes. Ácido hialurônico Função estrutural. Cimento celular em células animais. Vejamos, a seguir, detalhes sobre o amido. Amido O amido é um polissacarídeo formado por dois polímeros: • amilose: uma longa cadeia não ramificada de glicose. A maioria dos amidos contém de 15% a 35% de amilose; • amilopectina: é um polímero grande, altamente ramificado. O amido não é doce, sendo limitada a sua solubilidade em água. Ele se torna pastoso em água quente e, nas plantas, arma- zena energia. 32 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA Todo amido é potencialmente digerido pela ação da enzi- ma α-amilase. Porém, certos fatores reduzem a taxa em que ele é hidrolisado e absorvido, afetando a taxa de glicose no sangue, após uma refeição. Os tipos de amido são: • Amido rapidamente digerível (ARD): quando, ao ser submetido à incubação com amilase pancreática e ami- loglicosidase em uma temperatura de 37 °C, o amido converte-se em glicose em 20 minutos. Exemplos: ali- mentos como pães e batatas. • Amido lentamente digerível (ALD): ocorre, estando sob as mesmas condições descritas no caso do ARD, ao ser convertido em glicose em 120 minutos, sendo digerido completamente. Exemplos: alimentos industrializados, como massas. • Amido resistente (AR): quando resiste à ação das en- zimas digestivas e permanece disponível para ação da microflora no intestino grosso. Exemplos: fibras. Fontes dos carboidratos Veja, no Quadro 4, as principais fontes de carboidratos. Quadro 4 Principais fontes de carboidratos (monossacarídeos, dissacarídeos e polissacarídeos). MONOSSACARÍDEOS E DISSACARÍDEOS POLISSACARÍDEOS Frutas, milho, xarope de milho, mel, açú- car branco, farinha branca, alimentos açu- carados(por exemplo, as balas). Verduras, legumes, tubérculos, grãos, frutas, sementes, entre outros alimentos. 33© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA Observe, a seguir, os nomes genéricos dados pelo número de carbonos (C) na terminação “ose”: 1) 3 carbonos – trioses; 2) 4 carbonos – tetroses; 3) 5 carbonos – pentoses; 4) 6 carbonos – hexoses; 5) 7 carbonos – heptoses. Funções dos carboidratos As principais funções dos carboidratos são as seguintes: 1) São fonte de energia. 2) São reserva de glicogênio (função energética). 3) Possibilitam ação poupadora de energia (os carboi- dratos regulam o metabolismo proteico, impedindo que as proteínas sejam utilizadas para a obtenção de energia). 4) Possuem efeito anticetogênico (os carboidratos estão relacionados ao metabolismo de gorduras, ou seja, a quantidade de carboidratos presente determina como as gorduras podem ser quebradas para suprir uma fonte de energia imediata, favorecendo a formação de cetonas). 5) São substrato energético essencial para o sistema ner- voso central. 6) Seu consumo está relacionado diretamente ao humor e à memória. 34 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA 2.2. PROTEÍNAS As proteínas são macronutrientes muito abundantes nos seres vivos. Somente a água é mais abundante do que as proteí- nas. Contêm em sua estrutura, basicamente, carbono, hidrogê- nio, oxigênio, nitrogênio. Cada 1 g de proteína fornece 4 kcal/g. As proteínas são macromoléculas cuja unidade estrutural são os aminoácidos (Aa). Cada tipo de proteína tem uma sequên- cia única de aminoácidos. Alguns aminoácidos ligam-se uns aos outros para formar uma proteína, por meio de ligação peptídica, como exemplificado a seguir: • 2 Aa por uma ligação peptídica = dipeptídeo; • 3 Aa por duas ligações peptídicas = tripeptídeo; • 4 e 5 Aa = tetra e pentapeptídeo. Os aminoácidos foram descobertos em 1806. O primeiro a ser descoberto foi a asparagina. Em 1938, foi descoberto o úl- timo aminoácido, a treonina. Os nomes dados a eles podem ser triviais ou comuns, alguns podem ser derivados da fonte a partir da qual foram isolados. Por exemplo: o aminoácido asparagina foi isolado do aspargo; o glutamato, do glúten de trigo; a tiro- sina, do queijo (do grego “tyros”, que significa “queijo”). A glici- na, derivada do grego “glycos”, tem como significado a palavra “doce”, apresentando sabor adocicado. Apesar de existirem muitos aminoácidos na natureza (mais de 300), apenas 20 compõem as proteínas. Cada um deles apre- senta uma cadeia lateral diferente, que é ligada ao átomo do car- bono α. 35© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA Distribuição dos aminoácidos Um homem de 70 kg contém 11 kg de proteínas, distribuí- das da seguinte maneira: • 43% no sistema musculoesquelético. • 15% no sangue e na pele. • 10% nos tecidos e nas vísceras. • O restante no cérebro, no intestino, no coração e nos ossos. A origem das proteínas pode ser endógena, isto é, elas po- dem ser derivadas da degradação de células proteicas do próprio organismo, ou exógena, provenientes da alimentação. Estrutura das proteínas A estrutura das proteínas é dividida em: 1) Primária:é a cadeia de aminoácidos. 2) Secundária:é a disposição espacial que adquire a “es- pinha dorsal” da cadeia polipeptídica. As pontes de hi- drogênio e as pontes dissulfeto são ligações importan- tes para o dobramento das proteínas. 3) Terciária:resulta de dobras na estrutura da proteína, provocadas por interações entre os radicais dos ami- noácidos. Refere-se ao modo pelo qual duas ou mais cadeias polipeptídicas interagem. Cada uma das ca- deias apresenta os três níveis estruturais citados (pri- mária, secundária e terciária). Essa estrutura é man- tida principalmente por ligações iônicas, pontes de hidrogênio e interações do tipo hidrofóbico. 36 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA 4) Quaternária: “é a união de várias estruturas terciárias que assumem formas espaciais bem definidas” (FOGA- ÇA, 2015). Classificação dos aminoácidos e proteínas Os aminoácidos são classificados como:• Dispensáveis (não essenciais): aminoácidos que podem ser sintetizados no organismo. • Os aminoácidos alanina, ácido aspártico, asparagina, ácido glutâmico e serina são considerados dispensá- veis, pois dependem de outros aminoácidos para serem sintetizados pelo organismo, ou de outros metabólitos complexos nitrogenados. • Indispensáveis (essenciais): aminoácidos cuja cadeia carbônica não pode ser sintetizada no organismo ou não é sintetizada em quantidades suficientes (histidina, isoleucina, leucina, lisina, metionina etc.). • Condicionalmente indispensáveis: em alguma fase da vida ou em determinadas condições clínicas, esses ami- noácidos têm sua síntese limitada, devido às condições fisiopatológicas especiais e/ou são sintetizados a partir de outros aminoácidos. Por exemplo: arginina, cisteína, glutamina, glicina, prolina e tirosina. As proteínas são classificadas como: • Completas: teor equilibrado de aminoácidos. São en- contradas nas carnes, nos ovos, no leite e derivados. • Parcialmente incompletas: deficiência de um ou mais aminoácidos essenciais. Exemplos: arroz e feijão. 37© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA • Incompletas: não têm os aminoácidos essenciais. Exem- plo: gelatina. Observe, no Quadro 5, a quantidade de proteínas de cada alimento. Quadro 5 Quantidade de proteínas em 100 g de alimento. Bife de vaca = 23 g de proteínas Bife de peito de peru = 26,4 g Coxa de frango = 28,6 g Atum em lata = 23,5 g Omelete com 5 ovos = 30,0 g Divisão das proteínas, de acordo com sua estrutura As proteínas podem ser simples, fibrosas ou conjugadas. Nas proteínas simples, a hidrólise fornece apenas aminoácidos (veja o Quadro 6). Quadro 6 Proteínas simples. GLOBULARES • Prolaminas: zeína (milho), gliadina (trigo), hordeína (cevada). • Gluteninas: glutenina (trigo), orizanina (arroz). •Albuminas: soroalbumina (sangue), ovoalbumina (ovo), lactoalbumina (leite). • Hormonais: insulina, hormônio do crescimento e prolactina. • Enzimas: hidrolases, oxidases, ligases, liases, transferases etc. 38 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA FIBROSAS • Colágenos: tecidos conjuntivos e cartilaginosos. • Queratinas: em formações epidérmicas – pelos e unhas. • Elastinas: tendões e vasos sanguíneos. • Fibrinas: bicho-da-seda, aranhas e insetos. As proteínas conjugadas são as que fornecem aminoáci- dos e outros compostos (veja o Quadro 7). Quadro 7 Proteínas conjugadas. Glicoproteínas • Ribonuclease. • Mucoproteínas. • Anticorpos. • Hormônio luteinizante. Lipoproteínas • LDL, HDL, VLDL (transportam lipídios no sangue). Nucleoproteínas • Nucleossomas da cromatina. • Ribossomas. Cromoproteínas • Hemoglobina, hemocianina, mioglobina, que transportam oxigênio. • Citocromos, que transportam elétrons. Funções das proteínas As proteínas são importantes, pois atuam na formação e na renovação dos tecidos e também no crescimento. As proteínas estruturais são as que compõem a pele, os cabelos e os ossos. A queratina e o colágeno são duas proteínas estruturais muito importantes na formação e na reconstrução dos tecidos. 39© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA As proteínas de movimento são as responsáveis pela con- tração e distensão dos músculos. As proteínas de transporte são as que carregam os fluidos orgânicos e as moléculas através das membranas, assim como a hemoglobina. As proteínas hormo- nais ajudam na regulação dos hormônios do nosso organismo, como é o caso da insulina. As proteínas de proteção são as que combatem as doenças, sendo produzidas para evitar que os an- tígenos (substâncias estranhas) apareçam no nosso organismo. E, por último, citamos as proteínas nutritivas ou de re- serva, que são encontradas nos alimentos. Os recém-nascidos precisam ingerir a caseína, que pode ser obtida no leite. Já a ovoalbumina (presente nos ovos) não é importante para os recém-nascidos, mas para os atletas que procuram o ganho de massa muscular, conhecida também como “massa magra”. 2.3. LIPÍDIOS Os lipídios são macronutrientes caracterizados pela insolu- bilidade em água e alta solubilidade em solventes orgânicos, tais como éter, éter de petróleo, clorofórmio, benzeno, acetona etc. Suas propriedades físicas refletem a natureza hidrofóbica das suas estruturas químicas ediferem uns dos outros em razão das suas composições químicas e propriedades físicas. Cada grama de lipídio fornece 9 kcal quando oxidado, di- ferentemente dos carboidratos e das proteínas, que fornecem 4 kcal. São fontes de ácidos graxos essenciais. O consumo excessivo de gorduras e óleos contribui para o aparecimento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como doenças cardiovasculares, diabetes mellitus e obesidade. O organismo tem uma capacidade ilimitada de armazenar gor- 40 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA duras, que são armazenadas em todos os tecidos, predominando no tecido adiposo branco e marrom. Fontes de lipídios Os lipídios são encontrados nos óleos, nas gorduras, na margarina e na manteiga. Funções dos lipídios Os lipídios são importantes na nossa alimentação, apre- sentando as seguintes funções em nosso organismo: 1) Fornecimento da maior quantidade de calorias por grama. 2) Transporte de vitaminas lipossolúveis (vitaminas: A, D, E, K). 3) Melhora da palatabilidade dos alimentos. 4) Diminuição do volume da alimentação. 5) Aumento do tempo de digestão. 6) Fornecimento de ácidos graxos essenciais. 7) Isolamento térmico. 8) Proteção de órgãos vitais. 9) Impulso de transmissão nervosa. 10) Metabolismo celular. Classificação dos lipídios Os lipídios são classificados da seguinte maneira: 41© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA • Lipídios simples: gorduras neutras (mono, di e tri- glicerídeos); ceras (ésteres do esterol e ésteres não esteroidais). • Lipídios compostos: fosfolipídios (ácidos fosfatídicos, le- citinas, cefalinas etc.); glicolipídios; lipoproteínas. Lipídios derivados: álcoois (incluindo esteróis e hidrocarbonetos); Tamanho da cadeia dos lipídios As cadeias de lipídios existem nos seguintes tamanhos: • Ácidos Graxos de Cadeia Curta–AGCC: menos de 6 carbonos. • Ácidos Graxos de Cadeia Média– AGCM: de 6 a 12 carbonos. • Ácidos Graxos de Cadeia Longa– AGCL:14 ou mais carbonos. Saturação dos lipídios Considerando a saturação dos lipídeos, eles podem ser con- siderados saturados ou insaturados. Dentro desta última catego- ria, ainda há divisões, como monoinsaturados e poli-insaturados. Os ácidos graxos são chamados de ácidos monocarboxíli- cos porque são formados por uma cadeia hidrocarbonada satu- rada. Essa cadeia contém todas as valências ligadas ao átomo de hidrogênio. O par de átomos de carbono tem, na sua maioria, cadeia linear. O peso molecular depende do tamanho da cadeia hi- drocarbonada e também do ponto de fusão e insolubilidade, o 42 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA que influencia o grau de saturação dessas cadeias das gorduras animais. Os ácidos graxos mais comuns encontrados na gordura animal são o esteárico e o palmítico. Devemos lembrar que o excesso de carboidratos ingeridos é transformado rapidamente em triglicerídeos e armazenado no tecido adiposo. A maior par- te dessa transformação se dá no fígado; o restante ocorre nos adipócitos. Os ácidos graxos estão mais presentes nas carnes gordas, na banha, na manteiga animal, na palma, no cacau, nos laticínios e no coco. Devemos consumir menos de 10% de gorduras totais do total da ingestão de calorias por dia, uma vez que o consumo elevado de ácidos graxos altera o colesterol total e a LDL (do in- glês Low Density Lipoproteins, ou Lipoproteínas de Baixa Densi- dade), que é vista como o mau colesterol.Os ácidos graxos insa- turados apresentam uma ou mais ligações duplas e dois átomos de hidrogênio. Nesse grupo, incluímos os monoinsaturados e os poli-insaturados (denominados dessa maneira em razão da sua estrutura química). Os ácidos graxos monoinsaturados são encontrados no azeite de oliva, na canola, no açaí, no abacate e em algumas fru- tas oleaginosas. Já os poli-insaturados estão presentes nos óleos vegetais (milho, soja, canola, açafrão, algodão, gergelim, entre outros), nas frutas oleaginosas (avelãs, castanhas, nozes etc.). Esse último grupo tem ação anti-inflamatória nas células vas- culares, sendo composto por ácidos graxos essenciais. O nosso corpo não é capaz de produzi-los, apresentando a função impor- tante de transportar gorduras e manter a integridade das mem- branas das células. 43© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA Um detalhe importante que não podemos deixar de citar sobre os lipídios, principalmente sobre os ácidos graxos insatu- rados (poli-insaturados), é a presença dos ômega-3 e 6, que são os ácidos linoleico e linolênico, respectivamente. São encontra- dos na linhaça, nos óleos de peixe, na canola, no gergelim e nas sementes de abóbora, que são alimentos importantíssimos, pois ajudam a reduzir o colesterol total e a controlar a LDL, conheci- do como “mau colesterol”, e a HDL (do inglês High Density Lipo- proteins, ou Lipoproteínas De Alta Densidade), conhecida como “bom colesterol”. Resumo –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Gorduras saturadas Por que a gordura saturada é tão prejudicial? Porque aumenta o LDL, o risco de doenças coronarianas e também a predis- posição ao diabetes. Fontes de gorduras saturadas: carne vermelha, leite integral, manteiga, frituras. Gorduras mono e poli-insaturadas Monoinsaturadas (ômega-9): • Aumentam o HDL e diminui o LDL. Fontes de gorduras monoinsaturadas: azeite, abacate e castanhas. Poli-insaturadas (ômega-3 e ômega-6): • Auxiliam na redução e controle dos níveis de colesterol no sangue, embora reduzam o HDL e também o LDL. a) Poli-insaturadas (ômega-3): Fontes de ômega-3: canola, óleo de linhaça, além dos peixes de água profun- da, tais como salmão, atum, arenque e sardinha. b) Poli-insaturadas (ômega-6): Fontes de ômega-6: óleos e margarinas. Ácidos graxos trans 44 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA • Aumentam o LDL e diminuem o HDL. Fontes dos ácidos graxos trans: sorvetes, bolachas recheadas etc. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 2.4. VITAMINAS E MINERAIS As vitaminas e os minerais são conhecidos como micro- nutrientes, sendo essenciais para o nosso organismo. São subs- tâncias complexas encontradas em pequenas quantidades nos alimentos. As vitaminas são classificadas de acordo com sua solubili- dade, sendo divididas em dois grupos: • Lipossolúveis: A, D, E, K. Essas vitaminas são absorvidas junto à gordura e seu excesso no organismo causa toxici- dade, pois, ao se acumularem, alcançam níveis tóxicos. • Hidrossolúveis: vitamina C e as do complexo B – tiami- na (B1), riboflavina (B2), niacina e nicotinamida (B3), ácido pantotênico (B5), piridoxina (B6), biotina (B7 ou B8), ácido fólico (B9) e cobalamina (B12). As vitaminas do complexo B e a vitamina C são hidrossolúveis (solúveis em água) e atuam como reguladoras das funções meta- bólicas. Como as vitaminas do complexo B exercem pa- pel fundamental no metabolismo energético para o de- sempenho físico, sua deficiência pode prejudicá-lo. Veja, nos esquemas das Figuras 1, 2 e 3 a seguir, os benefícios das vitaminas em nosso organismo. 45© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA Fonte: Biesek, Alves e Guerra (2010, n.p.). Figura 1 A ação das vitaminas lipossolúveis no organismo humano. Fonte: Biesek, Alves e Guerra (2010, n.p.). Figura 2 A ação das vitaminas hidrossolúveis no organismo humano (a). 46 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA (B7 ou B8) (B9) Fonte: adaptado de Biesek, Alves e Guerra (2010, n.p.). Figura 3 A ação das vitaminas hidrossolúveis no organismo humano (b). Embora as vitaminas do complexo B sejam importantes para a produção adequada de energia, a construção e o reparo do tecido muscular, os estudos referentes à suplementação não têm apresentado resultados promissores. A suplementação apresenta efeito benéfico somente quando: 1) A ingestão de micronutrientes é menor do que a recomendação. 2) A absorção de micronutrientes é insuficiente. 3) Na presença de atividade física de elevada intensida- de e longa duração, com perdas pela urina e pelo suor (avaliação por meio de exames bioquímicos). É importante destacar que a suplementação múltipla, com vários nutrientes ingeridos em uma única dose, pode tra- zer prejuízos quanto à biodisponibilidade de um dos elementos consumidos. (B5) 47© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA Minerais Os minerais são indispensáveis ao organismo, pois atuam na regulação do metabolismo corporal, incluindo os processos- -chave no aproveitamento de energia e rendimento físico. Atuam também como coenzimas, capacitando o organismo a exercer adequadamente suas funções enzimáticas e as reações celulares de produção de energia, crescimento e cura. São divididos em: • macrominerais: cálcio, magnésio, sódio, potássio, fósforo. • oligoelementos: boro, cromo, cobre, iodo, ferro, man- ganês, molibdênio, selênio, enxofre, vanádio e zinco. Veja, nos esquemas das Figuras 4, 5 e 6, as funções que os minerais desempenham em nosso organismo. Fonte: adaptado de Biesek, Alves e Guerra (2010, n.p.). Figura 4 Os minerais cálcio, ferro e magnésio. 48 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA Zinco É vital na formação ós- sea, importante para o paladar e o olfato; é co- fator de várias enzimas corporais e tem ação antioxidante (Cu-Zn SOD), assegura níveis corporais de vitamina E e aumenta a absorção de vitamina A. Cobre Participa do metabolismo proteico, da oxidação da vitamina C e da formação da hemoglobina. Facilita a absorção do ferro, necessário para a síntese de RNA e o aproveitamento do O2 pela célula, essen- cial na mielinização das células nervosas. Selênio Auxilia na defesa do organismo contra metais pesados e radicais livres, pois é constituinte es- sencial de várias enzimas relacionadas aos meca- nismos antioxidantes. Cromo Influencia o metabolismo de carboidratos e lipídios e atua diretamente sobre os receptores de insulina. Fonte: adaptado de Biesek, Alves e Guerra (2010, n.p.). Figura 5 Os minerais cobre, cromo, selênio e zinco. Boro Influencia o metabolis- mo ósseo, dos hormô- nios da tireoide e regula a permeabilidade da membrana celular. Manganês Participa de ativa- ções enzimáticas, da formação do colágeno, da síntese de ureia, do metabolismo de carboi- dratos e lipídios e da síntese do colesterol e dos hormônios sexuais. Fonte: adaptado de Biesek, Alves e Guerra (2010, n.p.). Figura 6 Os minerais boro e manganês. O nutricionista deve realizar uma completa avaliação nu- tricional, para verificar a necessidade da prescrição de micronu- trientes antioxidantes de forma suplementar. Leia, a seguir, um resumo sobre os efeitos de alguns mine- rais no organismo humano: 49© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA Efeitos de alguns minerais no organismo humano ––––––– Cálcio: indispensável na formação e na manutenção dos ossos. Importante para a coagulação sanguínea e os movimentos musculares. Fontes: leite e seus derivados; oleaginosas (como amêndoas e castanhas); chocolate; feijão branco; peixes e mariscos (nesses alimentos, a absorção é bem limitada). Cobre: age na formação da hemoglobina, que são as células vermelhas do sangue. É importante também no metabolismo energéticoe na manutenção das estruturas ósseas e vasculares. Fontes: castanhas-do-brasil (castanhas-do-pará), cacau, fígado, ostras, lenti- lhas, bananas, damasco, batatas e espinafre. Ferro: fundamental na formação da hemoglobina, célula que é responsável pelo transporte de oxigênio para todas as células. Fontes: fígado, carnes, leguminosas, ovos e leites enriquecidos. Fósforo: importante na formação e na manutenção da estrutura óssea. Auxilia no desenvolvimento dos dentes e dos músculos. Combate o raquitismo como cálcio e a vitamina D. Fontes: carnes, miúdos, peixes, ovos, leguminosas, queijos e cereais integrais. Iodo: importantíssimo no funcionamento da glândula tireoide. Ajuda no acúmu- lo de gordura nos tecidos e melhora o funcionamento do cérebro. Fontes: sal iodado, algas, agrião, alcachofra, alface, alho, cebola, cenoura, ervilha, aspargo, tomate e frutos do mar. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 2.5. FIBRAS ALIMENTARES As fibras alimentares são as partes dos vegetais não digeri- das pelas enzimas digestivas do homem, sendo constituídas pela soma de polissacarídeos e lignina. Promovem efeitos fisiológicos 50 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA benéficos, como laxação e/ou atenuação do colesterol e/ou ate- nuação da glicose sanguínea. São classificadas quanto a sua solubilidade em água em fi- bras solúveis e insolúveis. As solúveis são compostas por pecti- nas, beta-glicanas, gomas, mucilagens e algumas hemiceluloses. Retardam o esvaziamento gástrico, a absorção da glicose e redu- zem o colesterol no soro sanguíneo. Os componentes presentes nas fibras insolúveis são lignina, pectinas insolúveis, celulose e hemiceluloses. Esse tipo de fibras acelera o trânsito intestinal, aumentando o volume e o peso das fezes e reduzindo o risco de doenças do trato gastrointestinal. A discriminação a seguir permite a identificação de quais alimentos podemos consumir em caso de constipação, para me- lhorar o trânsito intestinal, ou, em caso de diarreia, para diminuir a frequência de evacuações. Componentes das fibras alimentares Podemos destacar os seguintes componentes das fibras alimentares: 1) Celulose: é encontrada nas frutas com cascas, na fari- nha de trigo, nos farelos e nas sementes. Características: retenção de água nas fezes; aumento do volume e peso das fezes, favorecendo o peristaltis- mo dos cólons e a diminuição do tempo de trânsito co- lônico; aumento do número de evacuações; insolubili- dade em meio alcalino e solubilidade em meio ácido. 2) Hemicelulose: está presente nos grãos de cereais, no farelo de trigo, na soja e no centeio. 51© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA Características: aumenta o volume e o peso das fezes, favorecendo o peristaltismo dos cólons e a diminuição do tempo de trânsito colônico; aumenta o número de evacuações; a maioria é solúvel em água. 3) Pectina: as cascas são ricas em pectinas, por exemplo, as das maçãs, das batatas, dos vegetais, dos legumes e das frutas cítricas. Características: alta capacidade hidrofílica; retardo do esvaziamento gástrico; redução da concentração plas- mática de colesterol; solubilidade em água; aumento da excreção de ácidos biliares, proporcionando subs- trato fermentável para as bactérias do cólon. 4) Gomas: são encontradas no farelo de aveia, na farinha de aveia e no farelo de cevada. Características: têm alta capacidade hidrofílica; retar- dam o esvaziamento gástrico, proporcionando subs- trato fermentável para as bactérias do cólon; reduzem a concentração plasmática de colesterol; melhoram a tolerância à glicose e são solúveis em água. 5) Mucilagens: estão presentes nas sementes e nas algas (ágar-ágar). Características: capacidade gelificante, ou seja, for- mam um gel que arrasta os poluentes, as gorduras e os metais contidos nos alimentos; conseguem fixar os ácidos biliares; retardam o tempo de esvaziamento gástrico, dificultando os picos glicêmicos e proporcio- nando substrato fermentável para as bactérias do có- lon; reduzem o colesterol. 6) Lignina: é encontrada nos grãos integrais, nas ervilhas e nos aspargos. A lignina não é um carboidrato. 52 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA Características: resistência à ação de enzimas e bacté- rias; auxilia na fixação dos ácidos biliares e é insolúvel em meio ácido. Antes de realizar as questões autoavaliativas propostas no Tópico 4, você deve assistir aos vídeos indicados no Tópi- co 3. 2, para compreender melhor alguns assuntos abordados nesta unidade. Vídeo complementar ––––––––––––––––––––––––––––––– Neste momento, é fundamental que você assista ao vídeo complementar. • Para assistir ao vídeo pela Sala de Aula Virtual, clique no ícone Videoaula, localizado na barra superior. Em seguida, selecione o nível de seu curso (Graduação), a categoria (Disciplinar) e o tipo de vídeo. Por fim, clique no nome da disciplina para abrir a lista de vídeos. • Para assistir ao vídeo pelo seu CD, clique no botão “Vídeos” e selecione: Nutrição e Dietética – Vídeos Complementares 1 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR O Conteúdo Digital Integrador representa uma condição necessária e indispensável para você compreender integralmen- te os conteúdos apresentados nesta unidade. 3.1. NUTRIÇÃO HUMANA Para a fixação dos conteúdos apresentados, é importante lembrar que Nutrição é a ciência que estuda a composição dos alimentos, as necessidades nutricionais de cada indivíduo, além de todos os processos metabólicos (digestão, absorção e meta- bolismo) por que o alimento passa. É o alicerce para o um bom 53© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA desempenho físico, além de proporcionar o combustível para o trabalho biológico e as substâncias químicas para a extração e o uso da energia potencial dos alimentos. Nutrição e uma boa alimentação se refletem em todo organismo. Uma boa nutrição precede a saúde. Aprofunde-senos textos das referências indicadas a seguir, sobre calorias, macronutrientes e micronutrientes. • SEYFFARTH, A. S. Os alimentos: calorias, macronutrien- tes e micronutrientes. In: SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Manual de Nutrição – Manual do Profis- sional. São Paulo; Salvador: SBD/CRN 5, 2006-2007,p. 5-8 Disponível em: <http://crn5.org.br/wp-content/ uploads/2013/05/Manual-Calorias-Macronutrientes-e- -Micronutrientes.pdf>. Acesso em: 6 mar. 2018. • MAFRA, D.; COZZOLINO, S. M. F. Importância do zinco na nutrição humana. Revista de Nutrição, Campinas, v. 17, n. 1, p. 79-87, jan./mar. 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&- pid=S1415-52732004000100009&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 6 mar. 2018. • MARTIN, C. A. et al. Ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 e ômega-6: importância e ocorrência em ali- mentos. Revista de Nutrição, Campinas, v. 19, n. 6, p. 761-770, nov./dez. 2006. Disponível em: <http://www. scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415- -52732006000600011&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 6 mar. 2018. 54 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA 3.2. ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO DE CARÊNCIAS DE MICRO� NUTRIENTES Estimados alunos, reflitam com os cursos indicados a se- guir, dedicadosàpolítica nacional brasileira alimentar e nutri- cional para fins de ações educacionais, segurança e vigilância nutricional, alimentar e sanitária, articulando-a com a atuação profissional na área da saúde. • Faça o curso da Rede Nutri sobre: Estratégias para pre- venção de carências de micronutrientes no Brasil. Dis- ponível em: <http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-index. php?page=cursos_off>. Acesso em: 04 dez. 2017. • Faça o curso da Rede Nutri sobre: Estratégia de fortifi- cação da alimentação infantil com micronutrientes em pó– NutriSUS. Disponível em: <http://ecos-redenutri. bvs.br/tiki-index.php?page=cursos_off>. Acesso em: 04 dez. 2017. 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para você testar o seu desempenho. Se encontrar dificuldades em responder às questões a seguir, você deverá revisar os conteú- dos estudados para sanar as suas dúvidas. 1) No intervalo de uma aula, os alunos conversavam sobre o jantar do dia anterior e cada um comentou sobre o tipo de alimento que havia ingerido. Veja, a seguir, o que cada um comeu. João comeu pão, arroz, feijão, ovo e bife. Maria comeu um sanduíche de pão com presunto, queijo e molho de mostarda. 55© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA Pedro comeu batatas fritas, cebolas e salsicha. Paulo comeu legumes cozidos, carne cozida, arroz e feijão. José comeu bife, queijo e alface e tomou leite de soja. Após refletir sobre as alternativas dadas, responda ao que se pede. 1. 1. Na dieta de João, os alimentos construtores são: (I) Arroz e feijão. (II) Arroz e bife. (III) Ovo e bife. (IV) Feijão e ovo. 1. 2. Qual dieta contém, de forma mais equilibrada, os três tipos de nu- trientes essenciais? (I) A dieta de Maria. (II) A dieta de Pedro. (III) A dieta de José. (IV) A dieta de Paulo. 1. 3. A dieta que apresenta mais alimentos energéticos é: (I) Adieta de Maria. (II) A dieta de Pedro. (III) A dieta de José. (IV) A dieta de João. 1. 4. Na dieta de Pedro, os alimentos energéticos são: (I) Batatas fritas e salsicha. (II) Pão e batatas fritas. (III) Salsicha e pão. (IV) Cebola e salsicha. 56 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA Assinale a alternativa que corresponde à resposta correta. I, IV, II, III. I, II, III, IV. III, IV, IV, I. III, IV, I, IV. II, I, III, IV. 2) O homem necessita continuamente de aporte energético, obtido de dife- rentes nutrientes. Sobre os nutrientes que fazem parte de uma alimenta- ção adequada, analise as afirmativas: I. Os hidratos de carbono devem participar com o menor percentual de energia. II. Os ácidos graxos são importantes no transporte das vitaminas lipossolúveis. III. Os aminoácidos são essenciais para a construção e a manutenção de tecidos. IV. As vitaminas, os minerais e a água são fontes indispensáveis de energia. Estão corretas as afirmativas: a) I, III e IV, apenas. b) I e II, apenas. c) III e IV, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III, apenas. 3) No planejamento de uma alimentação equilibrada, diversos fatores de- vem ser considerados, dentre eles, as leis da Nutrição. Analise as leis da- das a seguir: I. Lei da quantidade: a alimentação deve atender às necessidades nutri- cionais do indivíduo ou grupo populacional. 57© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA II. Lei da qualidade: a alimentação deve ser composta por todos os grupos de alimentos. III. Lei da harmonia: a alimentação deve manter uma relação de proporção entre as quantidades de nutrientes. IV. Lei da adequação: a alimentação deve ser adequada ao estado fisioló- gico do indivíduo ou grupo populacional. Estão corretamente enunciadas as leis: a) I, II e III, apenas. b) III e IV, apenas. c) II e III, apenas. d) I, II, III e IV. e) I, II e IV, apenas. 4) São alimentos com proteína de alto valor biológico: a) Ovo, queijo, trigo, feijão e soja. b) Ovo, leite, peixe, carne e aves. c) Milho, soja, leite, trigo e arroz. d) Leite, feijão, ovo, arroz e carne. e) Carne, feijão, trigo e soja. 5) Quanto às necessidades do organismo, é correto afirmar que ele precisa de: a) Vitamina K, para proteção da visão e do olfato. b) Gorduras, para o fornecimento de calor e energia e para o peristaltismo. c) Minerais, essencialmente para os ossos e os dentes. d) Vitaminas, para a regulação das funções corpóreas e para o crescimento. e) Proteínas, para a construção e a reparação dos tecidos corpóreos. Gabarito Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões au- toavaliativas propostas: 58 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA 1) c. 2) d. 3) c. 4) b. 5) e. 5. CONSIDERAÇÕES Pode-se concluir que a construção de hábitos saudáveis age como um fator preventivo para doenças futuras. Como evi- denciado durante a Unidade 1, existe uma ligação direta entre saúde, nutrição e bem-estar físico e mental de qualquer ser hu- mano e em qualquer faixa etária; portanto, a mudança alimentar deve acontecer para evitar as doenças crônico-degenerativas, minimizando com isso as doenças do século, como a obesidade, que têm causado grandes problemas à população de todas as idades e de todo mundo. Há muitos anos, já disse um sábio filó- sofo, chamado Hipócrates: “que teu alimento seja teu remédio e que teu remédio seja teu alimento”. 6. E-REFERÊNCIAS Sites pesquisados AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION. Position of the American Dietetic Association, Dietitians of Canada, and the American College of Sports Medicine: Nutrition and Athletic Performance. Journal American Dietetic Association,v. 109, n. 3, p. 509- 527, mar. 2009. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/ S0002822309000066>.Acesso em: 8 mar. 2018. FAO – FOOD AND AGRICULTE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS.Carbohydrates in human nutrition. FAO Food and Nutrition, Roma, n. 66, abr. 1997. Disponível em: <http://www.fao.org/docrep/w8079e/w8079e00.htm#Contents>. Acesso em: 8 mar. 2018. 59© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 1 – NUTRIÇAO HUMANA FOGAÇA, J. R. V. Estruturas das proteínas. Brasil Escola. Disponível em: <http://www. brasilescola.com/quimica/estruturas-das-proteinas.htm>. Acesso em: 5 mar. 2018. FRIZZO, R. O que comer antes, durante e após uma partida. Revista Tênis, São Paulo: Inner Editora, ed. 58, 30 jul. 2008. Disponível em: <http://revistatenis.uol.com.br/ artigo/o-que-comer-antes-durante-e-apos-uma-partida_1101.html>. Acesso em: 5 mar. 2018. NESTLÉ. Enciclopédia de Nutrição – Vitaminas e minerais. 2015. Disponível em: <http://www.nestle.com.br/site/cozinha/enciclopedia/gerais/vitaminas-e-minerais/ diferencas.aspx>. Acesso em: 30 nov. 2015. PORTAL EDUCAÇÃO. Marketing nutricional. 2012. Disponível em: <http://www. portaleducacao.com.br/Artigo/Imprimir/18286>. Acesso em: 25 nov. 2015. SICHIERI, R. et al. Recomendações de alimentação e nutrição saudável para a população brasileira. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, São Paulo, v.44, n.3, p. 227-232, jun. 2000. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0004-27302000000300007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt>. Acesso em: 8 mar. 2018. SÓ NUTRIÇÃO. Fibras alimentares. Disponível em: <http://www.sonutricao.com.br/ conteudo/macronutrientes/p7.php>. Acesso em: 8 mar. 2018. UERJ – UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Hospital das Clínicas. Prova para técnico em Nutrição e Dietética. Disponível em: <https://www.qconcursos. com/questoes-de-concursos/provas/srh-2015-uerj-tecnico-em-nutricao-e-dietetica>. Acesso em: 8 mar. 2018. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BIESEK, S.; ALVES, L. A.; GUERRA, I. Estratégias de nutrição e suplementação noesporte. Barueri: Manole, 2010. GUTKOSKI, L. C.; TROMBETTA, C. Avaliação dos teores de fibra alimentar e de beta-glicanas em cultivares de aveia (Avena sativa L). Revista Ciência e Tecnologia deAlimentos, Campinas, v. 19, n. 3, set./dez. 1999. OLIVEIRA, J. E. D.; MARCHINI, J. S. Ciências nutricionais: aprendendo a aprender. São Paulo: Sarvier, 2008. © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 61 SELEÇÃO ALIMENTAR Objetivos • Selecionar os alimentos de forma adequada, seguindo as recomendações nutricionais. • Perceber a articulação entre a sustentabilidade alimentar e o cuidado com o meio ambiente. • Conhecer a política nacional brasileira alimentar e nutricionalpara fins de ações educacionais, de segurança e vigilância nutricional, alimentar e sani- tária, articulando-a com a atuação profissional na área da saúde. Conteúdos • Seleção adequada de alimentos. • Recomendações e necessidades de macronutrientes e micronutrientes para pessoas saudáveis. Orientações para o estudo da unidade Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir: 1) Reflita sobre a questão: minha alimentação diária atende às quatro leis da Nutrição? 2) Utilize um caderno de anotações para registraras dúvidas e ideias que fo- rem surgindo conforme o desenvolvimento desta unidade. UNIDADE 2 62 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR 3) Se encontrar dificuldade, não desanime! Não se esqueça de aces- sar a Sala de Aula Virtual. Interaja! Dessa maneira, você ampliará seus conhecimentos. 4) Para fixar os conteúdos desta unidade, recomendamos a releitura dos tex- tos deste material, com o objetivo de comparar e aprofundar os pontos de destaque. 63© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR 1. INTRODUÇÃO A alimentação saudável e a boa nutrição são essenciais para o crescimento e desenvolvimento dos seres humanos, uma vez que proporcionam ao organismo energia e nutrientes neces- sários para o bom desempenho de suas funções e para a manu- tenção de um bom estado de saúde. A alimentação saudável deve ser planejada com alimentos de todos os grupos alimentares, de forma nutricionalmente ade- quada e segura quanto ao aspecto higiênico e sanitário. Ela deve fornecer todos os nutrientes: água, carboidratos, proteínas, gor- duras, vitaminas, fibras e minerais. O perfil alimentar, nutricional e o estilo de vida da popu- lação, no Brasil e em outros países, têm se modificado devido às influências negativas da industrialização e urbanização. Frente às transformações no perfil alimentar, os guias alimentares tor- naram-se ferramentas importantes de educação e informação, com o intuito de fornecer recomendações para escolhas alimen- tares saudáveis e para consumo adequado dos diferentes tipos de alimentos. O acesso a informações confiáveis contribui para que as pessoas ampliem sua autonomia para fazer escolhas alimenta- res (BRASIL, 2014). No Brasil, as propostas mais utilizadas como guias alimentares são do Ministério da Saúde, representadas pelo Guia alimentar para a população brasileira (BRASIL, 2014) e a Pirâmide alimentar adaptada para a população brasileira da pesquisadora da Universidade de São Paulo, Sônia Tuncunduva Philippi (PHILIPPI, 2013). Vamos iniciar explicando o que significa uma alimentação balanceada. Para tanto, seguiremos as orientações do Guia ali- 64 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR mentar para a população brasileira (BRASIL, 2014), elaborado pelo Ministério da Saúde. 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma su- cinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão integral, é necessário o aprofundamento pelo estudo do Conteú- do Digital Integrador. 2.1. RECOMENDAÇÕES PARA UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL Para termos uma alimentação saudável e maximizarmos a saúde e o bem-estar, devemos seguir quatro recomendações gerais: 1) Fazer de alimentos in natura ou minimamente proces- sados a base da alimentação. 2) Ao temperar e cozinhar, utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar com moderação. 3) Cozinhar alimentos e convertê-los em preparações culinárias. 4) Limitar o uso de produtos prontos para consumo. A adoção dessas recomendações garante proteção contra as deficiências nutricionais e a obesidade, além de outras doen- ças crônicas. Veremos, a seguir,essas recomendações de maneira mais detalhada, conforme o Guia alimentar para a população brasi- leira(BRASIL, 2014). 65© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR Primeira recomendação: fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação. Os alimentos devem ser consumidos em grande variedade e os de predominância são os de origem vegetal. “Variedade” significa alimentos de todos os tipos, incluindo grãos, verduras, legumes, tubérculos, frutas, castanhas, nozes, cogumelos, água, leite, ovos, carnes, peixes e água, conforme demonstra a Figura 1. Figura 1 Variedade de alimentos. Segunda recomendação: ao temperar e cozinhar,utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar com moderação. Veja a Figura 2: Figura 2 O uso de óleos, gorduras, sal e açúcar. Terceira recomendação: cozinhar os alimentos e convertê-los em preparações culinárias. Cozinhe os alimentos e crie preparações culinárias, a fim de garantir uma alimentação saborosa e balanceada. 66 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR Quarta recomendação: moderada utilização de produtos ali- mentícios prontos para consumo (processados). Evite a utilização de produtos alimentícios processados ou consuma-os em pequenas quantidades junto de refeições à base de alimentos in natura e como ingredientes de preparações culinárias pouco processadas. Figura 3 Produtos processados para consumo. Devemos limitar o consumo de produtos processados, como os da Figura 3, porque as técnicas e os métodos utilizados para processar os produtos os tornam nutricionalmente dese- quilibrados, pois o sal, o açúcar e o óleo penetram nos alimentos, aumentando o teor desses nutrientes. O consumo de tais nu- trientes está associado ao aparecimento de doenças cardiovas- culares, diabetes e outras doenças crônicas. Com relação a esse assunto, cabe mencionar também os produtos ultraprocessados. São formulações industriais de várias substâncias derivadas diretamente de alimentos como óleos, fa- rinhas, amidos e açúcares, ou obtidas por processamento adicio- nal de alimentos. A maioria dos ingredientes dos produtos ultraprocessados corresponde a aditivos que têm como função estender a durabi- lidade dos produtos e dotá-los de propriedades sensoriais (cor, aroma, sabor, textura) extremamente atraentes. 67© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR Devemos destacar que as técnicas de manufatura incluem a extrusão, a moldagem e o pré-processamento por fritura ou cozimento. Os produtos ultraprocessados são extremamente durá- veis e hiperpalatáveis. São usualmente consumidos com outros produtos prontos para consumo, na forma de lanches ou como substitutos de refeições compostas de alimentos. Exemplos: gor- duras, açúcar, salsichas e outros embutidos, biscoitos, geleias, sorvetes, chocolates, molhos, sopas enlatadas ou desidratadas, cereais açucarados para o desjejum matinal, misturas para bolo, barras energéticas, macarrão, temperos instantâneos, gulosei- mas e “salgadinhos” em geral, refrescos, refrigerantes, bebidas lácteas açucaradas, bebidas energéticas, produtos congelados e prontos para aquecimento, tais como massas, pizzas, hambúr- gueres e extratos de carne de frango ou peixe empanado (tipo nuggets). Veja a regra de ouro do Guia alimentar para a população brasileira (BRASIL, 2014, p. 135): “Prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados”. 2.2. REFEIÇÕES SAUDÁVEIS POR REGIÕES DO BRASIL Para entendermos melhor este tópico, vamos conferir o comentário elaborado pelo Portal Brasil (2014): Gastronomia brasileira –––––––––––––––––––––––––––––– Ao longo de mais de 500 anos de história, a culinária brasileira é resultante de uma grande mistura de tradições, ingredientes e alimentos que foram introdu- zidos não só pela população nativa indígena como por todas as correntes de imigração que ocorreram no período. Cada região do país tem sua peculiari- 68 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR dade gastronômica e sua culinária adaptada ao climae à geografia. O próprio descobrimento do Brasil remete à culinária, já que as caravelas portuguesas desembarcaram aqui em 1500 enquanto navegavam em busca das Índias e de suas especiarias. Devido às diferenças de clima, relevo, tipos de solo e vege- tação e dos povos habitantes de uma mesma região, é muito difícil estabelecer um prato típico brasileiro. A unanimidade nacional é, talvez, o arroz e o feijão, cujo preparo varia conforme a região. No entanto, a mistura de dois ingredien- tes tão comuns na mesa do brasileiro, apesar de característica, ainda não é suficiente para resumir toda a complexidade e a riqueza da culinária nacional. Região Norte Influências:A forte presença indígena mesclada com a imigração europeia di- ferencia a gastronomia do Norte de qualquer outra encontrada no país. É con- siderada por muitos o maior exemplo de culinária tipicamente nacional. Ape- sar de suas raízes amazônicas, a cozinha regional sofreu influência forte de imigrantes portugueses logo no início da colonização. Depois, com o ciclo da borracha, outros povos chegaram e deixaram seus traços na culinária, como é o caso de libaneses, japoneses, italianos e até mesmo os próprios nordestinos que migraram para a região nesse mesmo período. Principais ingredientes: mandioca, cupuaçu, açaí, pirarucu, urucum (açafrão brasileiro), jambu, guaraná, tucunaré, castanha-do-pará. Pratos típicos: pato no tucupi, caruru, tacacá, maniçoba. Região Nordeste Influências:A diversidade climática (tropical na costa e semiárido no interior) tem reflexos diretos na culinária nordestina. Desde o litoral de Pernambuco até o da Bahia, a presença africana se nota mais forte devido aos resquícios da escravidão durante o ciclo da cana. Já em Alagoas, os frutos do mar são mais recorrentes devido às suas diversas lagoas costeiras. No Maranhão, a influência portuguesa é ainda mais forte que nos demais estados da região, e o consumo de temperos picantes, muito comum no litoral, é menor. No sertão nordestino, o próprio clima favorece o consumo de carnes, sobretudo a carne- -de-sol e os pratos feitos com raízes. A culinária das comemorações juninas também é típica do interior. Principais ingredientes:azeite de dendê, mandioca, leite de coco, gengibre, milho, graviola, camarão, caranguejo. Pratos típicos:acarajé, vatapá, caranguejada, buchada, paçoca, tapioca, sa- rapatel, cuscuz, cocada. 69© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR Região Centro-Oeste Influências:A culinária da região é altamente influenciada pela pecuária, uma das principais atividades econômicas do território, daí a grande preferência da população do Centro-Oeste por carnes bovina, caprina e suína. Os ciclos de imigração também trouxeram a culinária africana, portuguesa, italiana e síria. E a forte presença indígena liderou a preferência regional por raízes. Ao norte do estado, a proximidade com o Pará refletiu diretamente no preparo de alguns pratos, principalmente os que são feitos com carne-de-sol e pequi. O Mato Grosso do Sul, no entanto, sofreu forte influência da culinária latino-americana, sobretudo nos ensopados de peixe. Devido à diversidade da fauna pantaneira, carnes exóticas e peixes típicos da região, como o pacu, o pintado e o dourado também fazem parte do cardápio local. Principais ingredientes:pequi, mandioca, carne-seca, erva-mate, milho. Pratos típicos:arroz com pequi, picadinho com quiabo, sopa paraguaia, em- padão goiano, caldo de piranha, vaca atolada. Região Sudeste Influências:Até o século XIX, a cozinha do Sudeste era essencialmente in- fluenciada pelas origens portuguesas, indígenas e africanas. Alimentos sim- ples, como raízes, carnes, grãos e vegetais foram disseminados por todo o território do Sudeste, o que fez com que a gastronomia de cada estado se tornasse bastante similar em ingredientes e no preparo dos alimentos. A exce- ção é a culinária capixaba, que, por sua proximidade com o Nordeste e grande área litorânea, tem uma forte presença de peixes e frutos do mar nos pratos do dia a dia. Após a chegada de imigrantes japoneses, libaneses, sírios, italianos e espanhóis, a diversidade gastronômica, sobretudo em São Paulo, aumentou. No estado, a culinária internacional mais integrada com a culinária típica pau- lista é a italiana. Principais ingredientes:arroz, feijão, ovo, carnes, massas, palmito, mandio- ca, banana, batatas, polvilho. Pratos típicos:tutu de feijão, virado à paulista, moqueca capixaba, feijoada, picadinho paulista, pão de queijo. Região Sul Influências:A mistura étnica ocorrida na região Sul resultou em uma culinária completamente diferente do resto do país, com a presença ainda mais forte da cozinha italiana, alemã, além das já presentes portuguesa e espanhola. O churrasco, principal prato do Rio Grande do Sul, resultou de um fato histó- rico. Para catequizar os índios da região na época da colonização, os padres 70 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR jesuítas introduziram a criação de gado e deixaram o rebanho sob a respon- sabilidade dos nativos. Com a chegada dos tropeiros paulistas e mineiros, que escravizaram os índios, o gado permaneceu solto pelos campos e se espalhou pelo sul do território, pois não havia predadores. Daí a abundância de pastos e a tradição do churrasco gaúcho. Com a chegada dos italianos, as massas, a polenta e o frango foram integrados ao hábito alimentar regional. Já a influên- cia alemã ficou restrita às colônias no interior do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. O Paraná, apesar da forte influência italiana, conta com uma pre- sença também significativa da culinária indígena, sobretudo de raízes e grãos. Principais ingredientes:carne bovina e ovina, farinha de milho, erva-mate. Pratos típicos:barreado, churrasco, galeto, sopa de capeletti, arroz carreteiro, sopa catarinense (PORTAL BRASIL, 2014). –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– A seguir, serão mostrados exemplos de pratos e refeições saudáveis por regiões do Brasil. Observe, nas Figuras de 4 a 18, que todos os pratos apresentam um alimento de cada grupo (construtor, energético e regulador). Comecemos com a região Norte: Figura 4 Café da manhã: café com leite, tapioca e banana. 71© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR Figura 5 Almoço: alface e tomate, arroz, feijão, berinjela recheada e suco natural de cupuaçu. Figura 6 Jantar: salada de folhas, arroz, feijão, ovo de galinha cozido e maçã. 72 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR Passemos agora à região Sul: Figura 7 Café da manhã: suco de laranja, pão francês com manteiga e mamão. Figura 8 Almoço: alface, arroz, lentilha, pernil suíno assado com batatas, repolho refogado e abacaxi. 73© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR Figura 9 Jantar: salada de folhas, macarrão e galeto assado. Em seguida, veremos exemplos da região Centro-Oeste: Figura 10 Café da manhã: café com leite, bolo de mandioca, queijo e mamão. 74 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR Figura 11 Almoço: salada de tomate, arroz, feijão, bife grelhado e salada de frutas. Figura 12 Jantar: arroz, feijão e carne moída com legumes. 75© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR Passemos agora à região Sudeste: Figura 13 Café da manhã: café com leite, pão de queijo e mamão. Figura 14 Almoço: arroz, feijão, angu de milho, abóbora com quiabo e mamão. 76 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR Figura 15 Jantar: alface e tomate, arroz, feijão, omelete e mandioca na salada de folhas. Por fim, temos a região Nordeste: Figura 16 Café da manhã: leite, cuscuz, ovo de galinha e banana. 77© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR Figura 17 Almoço: alface, tomate, feijão, farinha de mandioca, peixe ensopado e cocada.Figura 18 Jantar: arroz, feijão, peito de frango grelhado, abóbora com quiabo e compota de jenipapo. 78 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR Conforme pode ser observado, o conjunto das refeições principais exemplificadas nessas figuras mostra possibilidades de combinação de alimentos. Com a combinação de variedades de feijões, cereais, raízes, tubérculos, legumes, verduras, frutas, castanhas, leite, carnes e ovos, é possível selecionar e criar outras refeições e cardápios saudáveis, diversificados e saborosos. 2.3. PIRÂMIDE ALIMENTAR A Pirâmide Alimentar é um guia para orientar e ajudar na seleção de todos os grupos de alimentos. Auxilia as pessoas a planejar suas refeições diárias de maneira adequada e variada, visando promover saúde e hábitos alimentares saudáveis (PHI- LIPPI, 2008). A pirâmide alimentar adaptada para a população brasileira (PHILIPPI et al., 1999), publicada em 1999, evoluiu para a atual, com valor energético recomendado de 2.000 quilocalo- rias (kcal) (Figura 1). Essa mudança surgiu após a nova recomen- dação energética média diária para a população brasileira feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2005 (PHILIPPI, 2013). Observe a pirâmide na Figura 19: 79© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR Fonte: Philippi (2013). Figura 19Pirâmide alimentar adaptada. A pirâmide alimentar defende os princípios básicos de uma alimentação saudável, a qual deve ter variedade, equilíbrio e moderação: • Variedade: fornecer uma ampla seleção de alimentos diariamente. Não há um alimento completo que for- 80 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR neça todos os nutrientes necessários a uma boa nu- trição e consequente manutenção da saúde. Uma ali- mentação variada inclui alimentos de todos os grupos da pirâmide,que, juntos, atenderão às recomendações nutricionais. • Equilíbrio: buscar uma alimentação equilibrada, que incorpore diariamente quantidade adequada e porções recomendadas dos diferentes grupos alimentares, pro- vendo calorias e nutrientes necessários. • Moderação: controlar o consumo dos alimentos do gru- po das gorduras e açúcares, sal e quantidade de calorias (USDA, 1992; CUPPARI, 2005; BRASIL, 2014). Os alimentos estão distribuídos na pirâmide alimentar em oito grupos e quatro níveis. Cada grupo possui a quantidade de porções de alimentos a serem consumidos diariamente, a qual varia de acordo com a necessidade individual. Os alimentos que estão na base da pirâmide devem ser consumidos em maior quantidade e os que estão no topo, em menor quantidade (GO- MES, TEIXEIRA, 2016; PHILIPPI, 2013). Exemplos de cardápios de 1.600, 2.200 e 2.800kcal/dia podem ser visualizados nos anexos 1, 2 e 3 do artigo “Pirâmide alimentar adaptada: guia para escolha dos alimentos”, de Phi- lippi et al. (1999), publicado na Revista de Nutrição. Já as listas de substituição constam nos anexos 4, 5 e 6 do mesmo artigo. Segue, no Quadro 1, um exemplo de cardápio. 81© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR Quadro 1 Exemplo de cardápio. Café da manhã 1 porção do grupo do arroz; 1 porção do grupo do leite e 1 porção do grupo das frutas. Exemplo: pão integral, café com leite, banana. Almoço e Jantar 1 porção do grupo do arroz; 1 porção do grupo das verduras e legumes; 1 porção do grupo das frutas; 1 porção do grupo dos feijões e oleaginosas; e 1 porção do grupo das carnes e ovos. Exemplo: arroz com feijão, 1 bife, salada de alface e tomate, cenoura crua picada, salada de fruta. Lanches e outras refeições intermediárias 1 porção do grupo do arroz; 1 porção do grupo do leite ou 1 porção do grupo das frutas. Exemplo: iogurte, fruta, pães. Uso moderado dos grupos de óleos e gorduras e dos açúcares e doces (escolher en- tre um doce ou uma bebida adoçada por dia). Fonte: Philippi (2013). A alimentação deve ser composta por de 4 a 6 refeições diárias, distribuídas em três refeições principais (café da manhã, almoço, jantar) e em até três lanches intermediários (manhã, tarde e noite). Ao compor a refeição principal, pode-se considerar a par- ticipação de uma preparação básica, por exemplo, arroz com feijão ou massa (ou outro alimento do grupo do arroz), e outro alimento do grupo dos feijões (feijão, lentilha, grão-de-bico ou soja). 82 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR As preparações básicas são acrescidas de acompanhamen- tos, que devem ser: • Carne, peixe, frango ou ovos em suas diferentes formas de preparo (cozidos, assados, grelhados e outras). • Verduras e/ou legumes cozidos, refogados, grelhados, cozidos no vapor, servidos em temperatura quente. • Verduras e/ou legumes crus ou cozidos, servidos em temperatura fria (CUPPARI, 2005; PHILIPPI, 2013; BRA- SIL, 2014). Pautamos a nossa discussão sobre a seleção alimentar no Guia alimentar para a população brasileira (BRASIL, 2014) e no referido artigo de Philippi et al. (1999). Por meio deles, verifica- mos que dos alimentos que consumimos retiramos os nutrientes necessários para manter nossas funções vitais e para o exercício físico. A alimentação nutricionalmente adequada à quantidade de trabalho deve ser compreendida pelos atletas de alto ren- dimento como o ponto de partida para obter o desempenho máximo. O corpo humano necessita de mais de 50 nutrientes dife- rentes para funcionar adequadamente, com crescimento e de- senvolvimento de todos os tecidos, processos de regulação me- tabólica, fornecimento de energia etc. No Quadro 2, podemos observar os principais nutrientes fornecidos por grupo de alimentos. 83© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR Quadro 2 Principais nutrientes fornecidos por grupos de alimentos. GRUPOS PRINCIPAIS NUTRIENTES Pães, arroz, outros cereais e massas Carboidratos complexos, vitaminas do complexo B, fibras. Vegetais Vitaminas A e C, ácido fólico, ferro e fibras. Frutas Vitaminas A e C, ácido fólico, potássio e fibras. Leite, iogurte e queijos Proteínas, vitaminas A e D e cálcio. Carnes, aves, ovos, feijões e nozes Proteínas, vitaminas do complexo B, ferro e zinco. Gorduras e óleos Ácidos graxos essenciais, vitamina E. Fonte: Biesek, Alves e Guerra (2010, n. p.). Não restam dúvidas de que as mudanças alimentares ade- quadas exercem influências positivas na saúde. Seja um educa- dor e mude hábitos alimentares. Vídeo complementar ––––––––––––––––––––––––––––––– Neste momento, é fundamental que você assista ao vídeo complementar. • Para assistir ao vídeo pela Sala de Aula Virtual, clique no ícone Videoaula, localizado na barra superior. Em seguida, selecione o nível de seu curso (Graduação), a categoria (Disciplinar) e o tipo de vídeo. Por fim, clique no nome da disciplina para abrir a lista de vídeos. • Para assistir ao vídeo pelo seu CD, clique no botão “Vídeos” e selecione: Nutrição e Dietética – Vídeos Complementares 2. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 84 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR O Conteúdo Digital Integrador representa uma condição necessária e indispensável para você compreender integralmen- te os conteúdos apresentados nesta unidade. 3.1. SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL A pirâmide alimentar brasileira e o Guia alimentar para a população brasileira estão baseados no conceito de seguran- ça alimentar e nutricional e em práticas alimentares saudáveis. Deve-se garantir a todos os indivíduos condições de acesso aos chamados alimentos básicos, com qualidade, em quantidade su- ficiente, de modo permanente e sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais que contribuam com uma exis- tência digna em um contexto de desenvolvimento integral e sau- dável. A pirâmide alimentar noprocesso de educação alimentar e nutricional apresenta-se como um guia eficaz para o cumpri- mento dessas recomendações. Para expandir seus conhecimentos nesse assunto, consulte os materiais indicados: • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimen- tar para a população brasileira. 2. ed. Brasília: Ministé- rio da Saúde, 2014. Disponível em: <http://portalsaude. saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/Guia-Ali- mentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 8 mar. 2018. • BATISTA FILHO, M.; RISSIN, A. A transição nutricional no Brasil: tendências regionais e temporais. Cadernos 85© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 19,supl. 1, p. S181- -S191, 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X20030 00700019&lng=en&nrm=iso&tlng=pt>. Acesso em: 12 mar. 2018. • BRASIL. Ministério da Saúde: Departamento de Atenção Básica. Guias Alimentares. Disponível em:<http://dab. saude.gov.br/portaldab/ape_promocao_da_saude. php?conteudo=guias>. Acesso em: 12 mar. 2018. • GOMES, H. M. S.; TEIXEIRA, E. M. B. Pirâmide alimentar: guia para alimentação saudável. Boletim Técnico IFTM, Uberaba, ano 2, n. 3, p.10-15, set./dez. 2016. Disponível em: <editora.iftm.edu.br/index.php/boletimiftm/arti- cle/download/193/93>. Acesso em: 12 mar. 2018. • LAMOUNIER, M. O que são guias alimentares? Dispo- nível em <http://www.anutricionista.com/o-que-sao- -guias-alimentares.html> Acesso em:12 mar. 2018. • PHILIPPI, S. T. et al. Pirâmide alimentar adaptada: guia para escolha dos alimentos. Revista de Nutri- ção, Campinas, v. 12, n. 1, p. 65-80, jan./abr. 1999. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S1415- 52731999000100006>. Acesso em: 8 mar. 2018. • PHILIPPI, S. T. Redesenho da pirâmide alimentar brasi- leira para uma alimentação saudável.2013. Disponível em:<http://doczz.com.br/doc/106083/redesenho-da- -pir%C3%A2mide-alimentar-brasileira-para-uma-ali- me...>. Acesso em: 8 maio 2018. 86 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR 3.2. NOVO GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA Estimados alunos, reflitam com os cursos indicados a se- guir sobre a política nacional brasileira alimentar e nutricional para fins de ações educacionais, de segurança e vigilância nutri- cional, alimentar e sanitária, articulando-a com a atuação profis- sional na área da saúde. Além disso, assistam ao vídeo sobre o novo guia alimentar para a população brasileira, indicado a seguir: • MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Você conhece o Guia Alimentar para a População Brasilei- ra?2017. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=64ul7-PFxIA>. Acesso em: 8 maio 2018. • Faça o curso da Rede Nutri sobre: Guia Alimentar para a População Brasileira: novos princípios e recomenda- ções. Disponível em: <http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki- -index.php?page=cursos_off. Acesso em: 4 Dez. 2017. • Faça o curso da Rede Nutri sobre: Guia Alimentar para a População Brasileira: novos princípios e recomenda- ções. Disponível em: <http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki- -index.php?page=cursos_off. Acesso em: 4 dez. 2017. • Faça o curso da Rede Nutri sobre: Vigilância Alimen- tar e Nutricional: contribuições para organização do cuidado nos serviços de Atenção Básica à Saúde Dis- ponível em: <http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-index. php?page=cursos_off. Acesso em: 4 dez. 2017. • Faça o curso da Rede Nutri sobre: Vigilância Alimentar e Nutricional: Introdução à Política Nacional de Alimenta- ção e Nutrição – PNAN Disponível em: <http://ecos-re- 87© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR denutri.bvs.br/tiki-index.php?page=cursos_off. Acesso em: 4 dez. 2017. 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para você testar o seu desempenho. Se encontrar dificuldades em responder às questões a seguir, você deverá revisar os conteú- dos estudados para sanar as suas dúvidas. 1) Quais foram os principais conteúdos estudados nesta unidade? 2) Como os conhecimentos construídos nesta unidade podem ser aplicados à prática profissional? 3) Ficou com dúvidas? Quais? Como eliminá-las? 4) Você precisa continuar pesquisando sobre o assunto abordado nesta uni- dade? Por quê? 5. CONSIDERAÇÕES Nesta unidade, você pôde compreender que a ingestão de macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídios) e de micro- nutrientes (vitaminas e minerais) deve ser ajustada de acordo com as necessidades nutricionais. Deve, portanto, haver equilí- brio na oferta de macronutrientes. Na próxima unidade, você conhecerá sobre os guias ali- mentares que buscam definir o que é uma alimentação saudável, o que é preciso consumir para atingir uma alimentação ideal e os problemas causados decorrentes de uma alimentação errada e deficiente em nutrientes. 88 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR 6. E-REFERÊNCIAS Lista de figuras Figura 1 Variedade de alimentos.Adaptada das imagens disponíveis em: <http:// portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/Guia-Alimentar-para-a- pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 8 mar. 2018. Figura 2 O uso deóleos, gorduras, sal e açúcar. Adaptada das imagens disponíveis em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/Guia-Alimentar- para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 8mar. 2018. Figura 3 Produtos processados para consumo.Adaptada das imagens disponíveis em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/Guia-Alimentar- para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 8 mar. 2018. Figura 4 Café da manhã: café com leite, tapioca e banana. Disponível em: <http:// portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/Guia-Alimentar-para-a- pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 8 mar. 2018. Figura 5 Almoço: alface e tomate, arroz, feijão, berinjela recheada e suco natural de cupuaçu. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/ novembro/05/Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 8 mar. 2018. Figura 6 Jantar: salada de folhas, arroz, feijão, ovo de galinha cozido e maçã. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/ Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 8 mar. 2018. Figura 7 Café da manhã: suco de laranja, pão francês com manteiga e mamão. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/ Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 8 mar. 2018. Figura 8 Almoço: alface, arroz, lentilha, pernil suíno assado com batatas, repolho refogado e abacaxi. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/ pdf/2014/novembro/05/Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet. pdf>. Acesso em: 8 mar. 2018. Figura 9 Jantar: salada de folhas, macarrão e galeto assado. Disponível em: <http:// portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/Guia-Alimentar-para-a- pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 8 mar. 2018. 89© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR Figura 10 Café da manhã: café com leite, bolo de mandioca, queijo e mamão. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/ Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 8 mar. 2018. Figura 11 Almoço: salada de tomate, arroz, feijão, bife grelhado e salada de frutas. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/ Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 8 mar. 2018. Figura 12 Jantar: arroz, feijão e carne moída com legumes. Disponível em: <http:// portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 8 mar. 2018. Figura 13 Café da manhã: café com leite, pão de queijo e mamão. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/Guia-Alimentar- para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 9 mar. 2018. Figura 14 Almoço: arroz, feijão, angu de milho, abóbora com quiabo e mamão. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/ Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 9 mar. 2018. Figura 15 Jantar: alface e tomate, arroz, feijão, omelete e mandioca na salada de folhas. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/ Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 9 mar. 2018. Figura 16 Café da manhã: leite, cuscuz, ovo de galinha e banana. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/Guia-Alimentar- para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 9 mar. 2018. Figura 17 Almoço: alface, tomate, feijão, farinha de mandioca, peixe ensopado e cocada. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/ novembro/05/Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 9 mar. 2018. Figura 18 Jantar: arroz, feijão, peito de frango grelhado, abóbora com quiabo e compota de jenipapo. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/ pdf/2014/novembro/05/Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet. pdf>. Acesso em: 9 mar. 2018. Figura 19 Pirâmide alimentar adaptada. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/ S1415-52731999000100006>. Acesso em: 25 set. 2015. 90 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR Sites pesquisados AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION. Position of the American Dietetic Association, Dietitians of Canada, and the American College of Sports Medicine: Nutrition and Athletic Performance. Journal American Dietetic Association, v. 109, n. 3, p. 509- 527, mar. 2009. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/ S0002822309000066>.Acesso em: 8 mar. 2018. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/ novembro/05/Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf>. Acesso em: 8 mar. 2018. HERNANDEZ, A. J.; NAHAS, R. M. (Eds.). Modificações dietéticas, reposição hídrica, suplementos alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, Niterói, v. 15, n. 3, supl. 0, mar./abr. 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=s1517- 86922009000400001&script=sci_arttext&tlng=pt>. Acesso em: 13 mar. 2018. PHILIPPI, S. T. et al. Pirâmide alimentar adaptada: guia para escolha dos alimentos. Revista de Nutrição, Campinas, v. 12, n. 1, p. 65-80, jan./abr. 1999. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S1415-52731999000100006>. Acesso em: 8 mar. 2018. PHILIPPI, S. T. Redesenho da pirâmide alimentar brasileira para uma alimentação saudável.2013. Disponível em <http://www.piramidealimentar.inf.br/pdf/ESTUDO_ CIENTIFICO_PIRAMIDE_pt.pdf>. Acesso em: 12 de agosto de 2016. PORTAL BRASIL. Gastronomia. 2014. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/ cultura/2009/10/gastronomia>. Acesso em: 8 mar. 2018. 7. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA BIESEK, S.; ALVES, L. A.; GUERRA, I. Estratégias de nutrição e suplementação noesporte. 2. ed. Barueri: Manole, 2010. CUPPARI, L. Guia de nutrição: nutrição clinica no adulto. 2. ed. Barueri, SP: Manole, 2005. GOMES, H. M. S.; TEIXEIRA, E. M. B. Pirâmide alimentar: guia para alimentação saudável. Boletim Técnico IFTM, Uberaba, ano 2, n. 3, p.10-15, set./dez. 2016. PHILIPPI, S. T. Pirâmide dos alimentos. Fundamentosbásicos da nutrição. Barueri: Manole, 2008. 91© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 2 – SELEÇÃO ALIMENTAR USDA – UNITED STATES DEPARTAMENT OF AGRICULTURE. United States Departament of Health and Human Services. The Food Guide Pyramid. Home and Garden Bulletin, Washington (DC): US Government Printing Office, v. 252, 1992. 93 ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS Objetivo • Conhecer os alimentos e suas propriedades nutricio- nais para prevenção de doenças em benefício da pes- soa humana. Conteúdos • Conhecimento sobre a composição dos alimentos e seu uso para promoção de saúde e prevenção de doenças. • Tabela de composição dos alimentos. • Alimentação e promoção de saúde (diabetes, obesi- dade, hipertensão arterial, hipercolesterolemia, hi- pertrigliceridemia e doenças cardiovasculares). • Alimentos funcionais. • Nutracêuticos. • Sustentabilidade alimentar e educação ambiental Orientações para o estudo da unidade Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que você leia as orientações a seguir: UNIDADE 3 94 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS 1) Utilize o Esquema de Conceitos-chave para o estudo de todas as unidades deste Caderno de Referência de Conteúdo. Isso poderá facilitar sua apren- dizagem e seu desempenho. 2) Faça anotações de todas as suas dúvidas, não deixe nenhuma para trás e tente solucioná-las por meio do nosso sistema de interatividade ou dire- tamente com o seu tutor. 3) Recomendamos a leitura, por várias vezes, dos textos deste material para fixar seus conteúdos. Para isso, realize pequenos apontamentos, com a finalidade de comparar e aprofundar pontos de destaque, utilizando-se das fontes aqui elencadas e que já indicamos como indispensáveis para o seu estudo. 4) Fique atento a todo o conteúdo desta unidade, na qual você encontrará conceitos importantes para a sua aprendizagem. 5) Volte às unidades anteriores para entender e recordar os conceitos pro- postos. Consulte sempre o Glossário quando surgirem ideias que ainda não foram completamente assimiladas. 95© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS 1. INTRODUÇÃO Já trabalhamos, nas duas unidades anteriores, os macro- nutrientes e micronutrientes. Além deles, você viu também quais os melhores caminhos para uma alimentação saudável, conheceu e aprendeu sobre como utilizar a pirâmide alimentar e o Guia alimentar para a população brasileira. Nesta unidade, vamos tratar da promoção da saúde por meio de alimentos que são utilizados como preventivos, que é o caso dos funcionais e nutracêuticos. Para iniciar esta unidade, não poderíamos deixar de falar sobre o que é a promoção da saúde. Ela é a capacitação de pes- soas e comunidades para modificar as ações da saúde em bene- fício da busca pela qualidade de vida. A definição da Organização Pan-americana de Saúde/Organização Mundial de Saúde OPAS/ OMS para promoção da saúde seria a seguinte: [...]a soma das ações da população, dos serviços de saúde, das autoridades sanitárias e de outros setores sociais e produtivos, dirigidas ao desenvolvimento das melhores condições de saúde individual e coletiva. O principal documento, pós “Declaração de Alma-Ata” (1978), com essas recomendações surgiu na Primeira Conferência In- ternacional Sobre Promoção da Saúde realizada em novembro de 1986 em Ottawa, no Canadá, onde a promoção da saúde foi definida como: o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, in- cluindo uma maior participação no controle desse processo. Para atingir um estado de completo bem-estar físico, mental e social, os indivíduos e grupos devem saber identificar aspi- rações, satisfazer necessidades e modificar favoravelmente o meio ambiente. A saúde deve ser vista como um recurso para a vida,e não como objetivo de viver. Nesse sentido, a saúde é um conceito positivo, que enfatiza os recursos sociais e pessoais, bem como as capacidades físicas. Assim, a promoção da saú- 96 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS de não é responsabilidade exclusiva do setor saúde e vai, para além de um estilo de vida saudável, na direção de um bem- -estar global(CARTA DE OTTAWA, 2012). 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma su- cinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão integral, é necessário o aprofundamento pelo estudo do Conteú- do Digital Integrador. 2.1. ALIMENTOS FUNCIONAIS Começaremos este tópico contando a você um pouco so- bre a história dos alimentos funcionais. Na década de 1980, por meio de um programa governa- mental no Japão, iniciaram-se os estudos sobre alimentos fun- cionais. Sabe-se que no Japão a população apresenta taxa de mortalidade pequena e expectativa de vida alta, pois eles têm como objetivo uma alimentação adequada,visando à qualidade de vida. Os alimentos denominados funcionais vieram para me- lhorar ainda mais essa expectativa de vida. Alguns povos e países apresentam baixa incidência de doenças, como os esquimós,que têm uma alimentação à base de peixes e frutos do mar, excelentes fontes de ômega 3 e 6 e ricos em ácidos graxos poli-insaturados.Essa população tem bai- xo índice de problemas cardíacos, assim como os franceses, que consomem o vinho tinto. Devido ao consumo de soja, que con- tém fitoestrógenos, poucos orientais são acometidos pelo cân- cer de mama. Todos esses povos são consumidores de frutas e 97© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS verduras, o que também resulta em uma redução de doenças cardiovasculares e câncer. Surge então uma ampla variedade de alimentos que pro- porcionam benefícios à saúde, prevenindo ou tratando doenças. São os chamados nutracêuticos, nutrientes isolados dos alimen- tos funcionais, que são encontrados na forma de sopas, dietas específicas industrializadas, cápsulas e produtos herbais. Os nutracêuticos são divididos em fibras dietéticas, ácidos graxos poli-insaturados, proteínas, peptídeos, aminoácidos ou cetoácidos, minerais, vitaminas antioxidantes e outros, como glutationa e selênio. Definição Os alimentos, para serem considerados como funcionais, devem apresentar propriedades benéficas além das nutricio- nais básicas que todos os alimentos apresentam. Têm a capaci- dade de prevenir doenças crônicas não transmissíveis e regular as funções do nosso organismo; o seu consumo pode ser reali- zado em uma dieta convencional, sendo ingerido, pelo menos, mais de três vezes na semana para poder ser considerado como preventivo. De acordo Barreto (2009, p. 15), os alimentos funcionais apresentam as seguintes características: Devem ser alimentos convencionais consumidos na dieta normal. Devem ser constituídos por componentes naturais, algumas vezes em elevadas concentrações, ou presentes em alimentos que não supriram esses componentes. 98 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS Devem ter efeitos positivos, além de seu valor básico nutritivo, que possam aumentar o bem-estar e a saúde e/ou reduzir o ris- co de ocorrência de doenças, aumentando a qualidade de vida. A alegação de propriedade funcional dever ter embasamento científico. Pode ser um alimento em que a bioatividade de um ou mais componentes tenha sido modificada. Classificação Alimentos funcionais podem ser classificados em quatro categorias principais: 1) Os que apresentam benefícios para a saúde em rela- ção a outros similares, como é o caso das hortaliças que são cultivadas por meio de técnicas adequadas. 2) Aqueles que tenham sofrido alguma modificação, como é o caso da redução do teor de gordura ou acrés- cimo (enriquecimento) de antioxidantes. 3) Aqueles que contenham ingredientes especificamente acrescentados, como fibras e organismos probióticos. 4) Os produzidos por biotecnologia ou outros métodos diferenciados. Quando as aves são submetidas a uma dieta especial, com ração rica em nutrientes, obtém-se ovos enriquecidos com ácidos graxos poli-insaturados do tipo ômega 3. Apresentam ômega 3 em sua compo- sição, mas não têm as taxas de colesterol reduzidas e auxiliarão na diminuição dos níveis de colesterol devi- do ao ômega 3 constante no ovo. 99© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS Princípios ativos Encontrados em maior quantidade nos alimentos funcio- nais, são substâncias químicas consideradas preservadoras da saúde,auxiliando na prevenção de doenças. Você conhece alguma receita que utiliza alimentos funcio- nais? Se você não conhece, que tal pesquisar uma receita prática e diferente? No final desta unidade, você conhecerá algumas re- ceitas que serão muito úteis no dia a dia. Vejamos, a seguir,quais são os princípios ativos que fazem parte dos alimentos funcionais; pense em como será importante para você conhecer esses alimentos e orientar seus clientes so- bre seu uso. Carotenoides É o grupo de pigmentos responsáveis pelas colorações vermelha, laranja e amarela dos alimentos, sendo solúveis em gordura. Têm função antioxidante nos humanos, e poucos são convertidos pelo organismo na forma ativa da vitamina A, que é o retinol, sendo chamados de provitamina A. O alfa e o betacaroteno têm atividade de provitamina A, enquanto a luteína, o licopeno e a zeaxantina têm atividade an- tioxidante. Estes atuam na redução do risco de câncer, principal- mente de próstata, mama e pulmões. Os carotenoides são en- contrados no tomate, na laranja, na cenoura e no milho. O licopeno e o betacaroteno são carotenoides da mesma família, estando presentes na cenoura. O licopeno é responsável pela coloração vermelha do tomate e seus derivados e também de outros frutos, como melancia e goiaba, e sua principal carac- terística é atuar como um poderoso antioxidante no organismo, 100 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS exercendo a função no combate de doenças degenerativas.Já o betacaroteno é a maior fonte de carotenoides existentes na natureza. São os pigmentos, que vão do amarelo ao vermelho, presentes generalizadamente entre as plantas. Esse carotenoide pode se transformar em vitamina A no organismo, trazendo di- versos benefícios, como manutenção do bom funcionamento do sistema imunológico e dos olhos. O betacaroteno é considerado a mais eficaz e abundante provitamina A nos alimentos. As prin- cipais fontes de betacaroteno são: cenoura, abóbora, mamão, pêssego, nectarina e manga. Fitoesteróis Têm a função de baixar os níveis de colesterol.São esteróis encontrados nas plantas, e menos de 5% deles são absorvidos pelo organismo humano.Espera-se, assim, que esses compostos tenham menos efeitos colaterais do que as drogas utilizadas para reduzir os níveis de colesterol,as quais são totalmente absorvi- das pelo organismo. Um alimento considerado como uma boa fonte de fitoeste- roides é a soja. Uma xícara (chá) de grão de soja contém, aproxi- madamente, 150 mg de fitoestrógenos. Outros alimentos, como óleos vegetais, sementes, nozes, algumas frutas e vegetais, tam- bém são boas fontes de fitoesteróis. Flavonoides Prolongame potencializam o efeito da vitamina C no or- ganismo, auxiliando na sua absorção e manutenção. Problemas nas articulações, como artrite, tendinite e gota, são combatidos 101© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS pelos bioflavonoides devido à sua ação anti-inflamatória, aliada à sua ação reparadorado colágeno. Podem auxiliar na prevenção das doenças cardiovascula- res, pois atuam no relaxamento dos músculos do sistema cardio- vascular, reduzindo a pressão arterial e melhorando a circulação em geral. Encontramos flavonoides na polpa de frutas cítricas, no damasco, na cereja, na uva e em vegetais como brócolis, couve, tomate, berinjela, entre outros. Isoflavonas São encontradas principalmente na soja. Sua estrutura quí- mica e sua funcionalidade são parecidas com as da molécula de estradiol, um hormônio natural responsável pelo funcionamento dos tecidos no corpo da mulher.Auxilia nos sintomas da meno- pausa, diminui os riscos de câncer de útero, mama e próstata, bem como as complicações do diabetes. Resveratrol Muito comumente encontrado nas cascas de uvas verme- lhas e roxas e também na amora, framboesa e amendoim. É mui- to utilizado na medicina oriental para o tratamento de doenças cardiovasculares e hepáticas. Glicosinolatos Auxiliam na diminuição dos riscos de câncer, principalmen- te de bexiga e mama, e atuam no auxílio da desintoxicação do 102 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS fígado. Alimentos como brócolis, palmito, repolho, couve-flor, rabanete e alcaparras têm maior concentração de glicosinolatos. Ácido fenólico Pode ser encontrado em alimentos como tomate, agrião, morango, salsa e frutas cítricas.Auxilia no aumento da absorção de nutrientes devido à sua atividade antioxidante interagir com os radicais livres. Catequinas São compostos encontrados em alimentos como uva, vi- nho tinto, chá-verde, morango, cacau. Inibem o aparecimento de coágulos sanguíneos, auxiliam na redução do colesterol e tam- bém diminuem o risco de doenças como o câncer. Ácidos graxos ômega 3 Fazem parte dos ácidos graxos considerados essenciais. São considerados assim, pois são necessários ao nosso orga- nismo, porém não são produzidos por ele; o não consumo de alimentos com ácidos graxos ômega 3pode trazer sérias conse- quências à saúde. São poli-insaturados do tipo ômega 3e agem como anti-inflamatórios naturais, com ação preventiva em pro- blemas como artrite, cefaleias e asma. Diminuem os níveis de colesterol e triglicérides. A retina ocular, para manter uma visão saudável, evitando o aumento da circulação dos vasos sanguí- neos e a quebra ou a destruição dos vasos, necessita de ômega 3. As maiores fontes de ômega 3 são os peixes de águas frias e profundas, oleaginosas e óleo de linhaça, ovos enriquecidos e leite fortificado. 103© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS Ácidos graxos ômega 6 São representados pelo ácido linoleico e seus derivados; não são produzidos pelo nosso organismo, mas também são um ácido graxo essencial poli-insaturado, encontrado com abundân- cia nos tecidos humanos. O déficit de ômega 6 pode ocasionar queda de cabelo, sede constante, frequentes infecções, cicatriza- ção dificultada, entre outros problemas. Existem vários tipos diferentes de ácidos graxos ômega 6. A maioria é proveniente da dieta, como o ácido linoleico, por exemplo, sendo encontrado especialmente em azeites vegetais (girassol, milho, soja, etc.) e em alimentos que os contenham, como as conservas em azeite, entre outros. Prebióticos São derivados das fibras alimentares dos carboidratos não digeríveis pelo nosso organismo e são resistentes à ação das en- zimas. Os prebióticos são utilizados para multiplicação e cresci- mento das bactérias boas, protegendo o organismo contra subs- tâncias patógenas. Eles ainda auxiliam na prevenção de diarreias e constipação intestinal, estimulam o funcionamento intestinal adequado, mantêm a flora intestinal saudável, facilitam a eli- minação do excesso de glicose e de substâncias tóxicas. Estão presentes em alimentos como a cebola, alho, tomate, banana, cereais integrais como a cevada, aveia e trigo. Probióticos É um complemento microbiano vivo que melhora o balanço de micróbios no intestino hospedeiro. Os probióticos são alimen- tos ou suplementos que auxiliam na colonização das mucosas do 104 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS hospedeiro. As bactérias e as leveduras são as mais estudadas; são vendidos em forma de preparação ou de micro-organismos vivos. São encontrados sob a forma de pó ou cápsulas, iogurte e leites fermentados. Auxiliam na redução de vários problemas intestinais, diabetesmellitus, obesidade e problemas cardiovas- culares, além de terem efeito sobre a intolerância à lactose e a alergia alimentar. Os alimentos funcionais e sua função Agora que você já conhece todos os princípios ativos que estão presentes nos alimentos funcionais, passaremos a descre- ver todos os alimentos funcionais e sua função. Vamos lá? 1) Abacate: rico em ácidos graxos monoinsaturados, con- tém carotenoides e é indicado na prevenção e no tra- tamento de doenças cardiovasculares.Em dietas para emagrecimento, deve ser evitado pelo alto teor de gorduras. O abacate apresenta maior concentração de proteínas se comparado a outras frutas. 2) Abacaxi: rico em fibras, tem função diurética e antioxi- dante e é estimulador da sensação de saciedade. 3) Abóbora: indispensável à saúde dos olhos, rica em ca- rotenoides– os precursores da vitamina A –, contém cálcio, que fortalece os ossos e os dentes. 4) Alho: com efeito analgésico, antioxidante, antisséptico, anti-inflamatório, anticoagulante e diurético, ajuda no combate da bactéria Helicobater pylori, causadora de gastrite, úlcera e até mesmo de câncer gástrico,devido à sua ação estimulante do sistema imunológico. Auxi- 105© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS lia na formação de coágulos, prevenindo derrames e infartos. 5) Amendoim: rico em vitamina E e potássio. 6) Aveia: auxilia na prevenção do câncer e no combate ao colesterol; é rica em cálcio, ferro, vitaminas do comple- xo B, proteínas e ácidos graxos insaturados. 7) Azeite de oliva: consumido cru em molhos e saladas, contém alta dosagem de ácido linoleico e ômega 3, co- nhecido também por auxiliar no combate as doenças cardiovasculares. 8) Banana: apesar de ser rica em açúcar, não possui gor- duras; é rica em fósforo, ferro, potássio, cálcio, vitami- nas A, C, B1 e B2. 9) Berinjela: de grande importância na construção dos ossos, músculos e coagulação sanguínea; é rica em vi- tamina B5, ajuda a proteger a pele, auxilia no sistema nervoso e também no digestivo. 10) Brócolis:de baixo valor calórico e rico em antioxidan- tes. Quanto menor for seu tempo de cozimento, mais preservados serão seus nutrientes. Auxilia na redução do colesterol e na prevenção de doenças inflamatórias, prevenindo o câncer e reduzindo a pressão arterial. 11) Castanha-do-brasil (castanha-do-pará):auxiliar na prevenção de doenças degenerativas, contém vitami- na E e selênio. Tem efeito antioxidante, atuando na prevenção de doenças cardíacas e na melhora do sis- tema imunológico. 12) Cebola: rica em substâncias antioxidantes que ajudam a prevenir úlcera e câncer. Contém adenosina, uma 106 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS substância que age como relaxante, combatendo do- res musculares. 13) Cenoura: dotada de poderosos agentes antioxidantes, como o alfa e o betacaroteno. Fonte de carotenoide, precursor de vitamina A, que atua na preservação da visão, na proteção da pele e das mucosas. 14) Cereais integrais: A frequência no consumo leva à for- mação de glicose, sendo de grande importância para pacientes diabéticos. Mas seu consumo exagerado pode causar ganho de peso. Os cereais são ricos em fibras que auxiliam no trânsito intestinal,que deve ser acompanhado de muito líquido. 15) Chá verde: instrumental no combate à obesidade e na redução do LDL (mau colesterol).Auxilia na redução da leptina, uma substância que favorece o ganho de peso e diminui a ação das bactérias que causam cáries den- tárias.Tem ação antioxidante. 16) Couve-flor: também com ação antioxidante, sendo rica em fibras e pobre em calorias.Também é rica em cálcio, fósforo, zinco, ferro, iodo, cobre e sais minerais. 17) Espinafre: fonte de vitamina A e B, além de cálcio e fósforo. Contém uma grande quantidade de ferro, que é responsável pela formação das hemácias sanguíneas e pelo transporte de oxigênio para os tecidos. Esses nutrientes ainda são responsáveis pela função de pro- teger a visão, a pele e as mucosas e também pelo for- talecimento de dentes e ossos. 18) Gergelim: dotado de propriedades tão positivas quan- to o azeite de oliva, atua na prevenção de doenças car- diovasculares, pois age como antioxidante devido ao 107© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS seu conteúdo em ácidos graxos insaturados, rico em potássio, cálcio e vitamina E. 19) Iogurte: dotado de bifidobactérias, micro-organismos que equilibram a microbiota intestinal e previnemo crescimento de micro-organismos patogênicos causa- dores de doenças, o iogurte é um probiótico imuno- modulador. É uma importante fonte de proteínas, cál- cio, zinco, vitamina A e vitaminas do complexo B. 20) Laranja: rica em vitamina C, é um importante agente antioxidante.Contém grande quantidade de vitamina B1, betacaroteno, cálcio e fósforo. Um composto im- portante que está presente na laranja é a luteína, que auxilia na saúde da visão. 21) Limão: também rico em vitamina C, atua no processo de cicatrização e auxilia no combate de infecções, de pequenas hemorragias e da aterosclerose. 22) Maçã:dotada de alto teor de potássio, age como pro- tetora do coração e agiliza a eliminação de sódio ex- cedente no organismo, facilitando, assim, a redução de inchaço (edemas). Retarda a glicose, reduz o LDL, conhecido como mau colesterol, e oferece, ainda, fla- vonoides com grande poder antioxidante. 23) Mamão: composto por uma substância chamada pa- paína, facilita o sistema digestório, principalmente o intestinal, diminuindo a flatulência (gases)com ação laxativa.É rico em licopeno e carotenoides, que têm ação antioxidante. Oferece, ainda, sais minerais, como cálcio e potássio e as vitaminas A e C. 24) Manga: possuidora de alto teor de fibras com ação antioxidante, pois apresenta carotenoides e alto teor 108 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS de vitamina A e C. Seu consumo deve ser recomen- dado com moderação devido à sua alta concentração energética. 25) Maracujá: muito conhecido por ser um ótimo calman- te e relaxante, é rico em vitaminas C, B2, B5 e em mi- nerais, como ferro e magnésio, cálcio e fósforo. 26) Mel:seu consumo deve ser evitado por pessoas diabé- ticas devido à sua alta concentração de açúcar. Tem inú- meras propriedades funcionais, inclusive de fortalecer o sistema imunológico, além de ser anti-inflamatório, sedativo, expectorante e hipoalergênico. É composto por fósforo, zinco, vitaminas A, C, E e as do complexo B. 27) Melão: dotado de grande concentração de água, é rico em vitaminas A, C e do complexo B. 28) Nozes: instrumentais na prevenção de doenças como o mal de Alzheimer e cardiovasculares, são ricas em gorduras monoinsaturadas, vitamina E, cálcio, potás- sio, selênio, magnésio, zinco e fibras. 29) Pimenta: a capsaicina, princípio ativo da maioria das pimentas, garante o sabor ardente e o aroma. É um estimulador da corrente sanguínea. Aos consumidores natos, estudos mostram que a pimenta diminui a ocor- rência de infartos. 30) Repolho: dotado de glicosinolato, que auxilia na pre- venção do câncer de cólon, é fonte de vitamina C e fi- bras e tem efeito antioxidante graças ao sulforafeno. 31) Semente de linhaça: dotada de uma substância cha- mada lignana, que tem ação anticarcinogênica, é fonte de ácidos graxos do tipo ômega 3 e 6. Outros nutrien- tes, como as proteínas, e elevadas concentrações de 109© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS potássio são encontrados na linhaça, que auxilia no funcionamento do intestino, no equilíbrio dos hor- mônios femininos e ainda auxilia na regulação dos ní- veis de colesterol,quando adicionada a pães, bolos e biscoitos. 32) Soja: muito utilizada para diminuir os sintomas da me- nopausa e do climatério, pois contém isoflavonoides em grandes concentrações, auxilia, ainda, na preven- ção de câncer, aterosclerose e favorece a redução do LDL, o mau colesterol. É rica em fibras, ácido fólico, iodo, magnésio e potássio. 33) Tomate:conhecido pelo seu efeito contra o câncer de próstata e de mama, contém grande quantidade de licopeno. Para garantir seus benefícios, o tomate deve ser usado cozido, preferencialmente cozido em óleos,pois a concentração de licopeno aumenta em 2 a 3 vezes,facilitando sua absorção. 34) Ovo: considerado por algum tempo um grande vilão, era visto como o responsável pelo aumento do LDL, e consequentes isquemias e derrames. Atualmente a história é diferente. Rico em gorduras poli-insaturadas e ômega 3, reconhece-se hoje que auxilia na estimula- ção do HDL, considerado o bom colesterol. Para ges- tantes, crianças e jovens em crescimento, é uma exce- lente fonte nutricional, pois contém proteínas de alto valor biológico, ferro e vitamina E. 35) Uva: dotada de potente ação antioxidante devido à substância conhecida como resveratrol, auxilia na di- minuição da viscosidade do sangue. 110 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS Agora que você já conhece todos os alimentos funcionais, vejamos a relação dos nutracêuticos com a alimentação e seus benefícios, observando como os princípios ativos agem em nos- so organismo. Observe o Quadro 1. Quadro1 Benefícios dos nutracêuticos de acordo com os alimentos. Alimentos Componente ativo Benefícios Soja Isoflavona Prevenção e controle dos sintomas da osteoporose e câncer de mama e útero. Tomate e goiaba Licopeno Prevenção e controle do câncer de próstata, cólon, pâncreas e pul- mão; combate aos radicais livres; estimulação do sistema imune. Repolho, couve- -flor, couve-de- -bruxelas, brócolis e rabanete Glicosinolatos Prevenção e tratamento do câncer de mama. Linhaça Lignanas Prevenção e controle do câncer de mama e pulmão; estimula- ção do sistema imune; redução docolesterol. Alho e cebola Aleína Estimulação do sistema imune; re- dução de colesterol e triglicerídeos; combate aos radicais livres; anti- cancerígenos, anti-hipertensivos. Frutas cítricas Limonoides Prevenção e controle do câncer, es-timulação do sistema imunológico. Chá verde Polifenóis Prevenção do câncer e de doenças cardiovasculares. Uvas vermelho-es- curas e vinho tinto Resveratrol A n t i a t e r o g ê n i c o s , anticancerígenos. 111© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS Aveia, farelo de trigo e arroz. β-glucana Antiaterogênicos. Peixes e seus óleos. Ômega 3 Antiaterogênicos; estimulação do sistema imune; anti-hipertensivos; anticancerígenos. Probióticos (iogur- tes, leites fermen- tados etc.). Micro-organismos vivos Equilíbrio da flora intestinal, pre-venção do câncer de cólon. Prebióticos (partes não digeríveis de vegetais). Estímulo efetivo ao cres- cimento de bactérias no cólon. Equilíbrio da flora intestinal, pre- venção do câncer do cólon. Fonte: adaptado de Penteado (2018). Conhecendo melhor os alimentos funcionais,você precisa agora saber a forma de utilizá-los para que possam realmente fa- zer o efeito esperado. A seguir, listamos algumas receitas básicas com esses alimentos. Receitas com alimentos funcionais –––––––––––––––––––– Suco de mamão com laranja Ingredientes: 1 xícara (chá) de soja 4 unidades de laranja pera 1 unidade de mamão papaia com casca 4 colheres (sopa) de açúcar 4 xícaras (chá) de água Gelo a gosto Modo de preparo: Cozinhe a soja até que fique macia. Reserve. Esprema as laranjas e reserve o suco. Utilize a casca para outra preparação. Bata no liquidificador o mamão, o suco da laranja, a soja cozida, o açúcar e a água. Passe por uma peneira, adicione gelo e sirva a seguir. 112 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS Suco de trigo Ingredientes: 2 unidades de maracujá médio 2 unidades de cascas de maracujá ½ xícara (chá) de trigo em grãos 4 xícaras (chá) de água ½ xícara (chá) de suco de limão 2 colheres (sopa) de hortelã picada 5 colheres (sopa) de açúcar 5 xícaras (chá) de água gelada Modo de preparo: Descasque o maracujá, reserve a polpa e deixe as cascas (parte branca) de molho na véspera. Reserve. Escorra a água das cascas de maracujá e afer- vente-as em outra água até ficarem macias e sem sabor amargo. Escorra e reserve. Passe a polpa de maracujá pela peneira e reserve o suco. Cozinhe o trigo em grão com água até que fique macio. Reserve. Bata no liquidificador as cascas de maracujá, o suco do maracujá e o trigo com a água do cozimento, até formar um creme homogêneo. Acrescente o limão, a hortelã, o açúcar, a água e bata novamente. Sirva gelado. Suco maracujá com abacaxi – Maracaxi Ingredientes: 1 xícara (chá) de cascas de maracujá picadas 1 unidade de polpa de maracujá 4 colheres (sopa) de semente de linhaça 3 xícaras (chá) de abacaxi picado 1 xícara (chá) de agrião com talos 4 colheres (sopa) de açúcar 4 xícaras (chá) de água Modo de preparo: Deixe as cascas de maracujá (parte branca) de molho de um dia para o outro. Escorra e cozinhe até que fiquem macias. Reserve. Separe a polpa de mara- 113© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS cujá e reserve. Bata todos os ingredientes no liquidificador, exceto a linhaça triturada. Peneire e adicione a linhaça. Mexa e sirva a seguir. Vídeo complementar ––––––––––––––––––––––––––––––– Neste momento, é fundamental que você assista ao vídeo complementar. • Para assistir ao vídeo pela Sala de Aula Virtual, clique no ícone Videoaula, localizado na barra superior. Em seguida, selecione o nível de seu curso (Graduação), a categoria (Disciplinar) e o tipo de vídeo. Por fim, clique no nome da disciplina para abrir a lista de vídeos. • Para assistir ao vídeo pelo seu CD, clique no botão “Vídeos” e selecione: Nutrição e Dietética – Vídeos Complementares 3 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR O Conteúdo Digital Integrador representa uma condição necessária e indispensável para você compreender integralmen- te os conteúdos apresentados nesta unidade. 3.1. SUSTENTABILIDADE ALIMENTAR E EDUCAÇÃO AMBIEN� TAL A Educação Ambiental deveria funcionar como vetor da soberania alimentar, começando por questionar em nosso país hábitos nutricionais típicos de outros países, propagandeados por multinacionais, que se tornam cada vez mais febre em gran- des cidades, locais periurbanos e, mais recentemente, em zonas rurais. Leia o artigo indicado a seguir para saber mais sobre o assunto e refletir. • KORNIJEZUK, N. B. S.; ZANETI, I. C. B. B.; LARANJEI- RA, N.P. F. Educação ambiental, segurança alimentar e sustentabilidade: o caso de uma intervenção sócio- 114 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS -educativa na Bacia Hidrográfica do Alto São Bartolo- meu. Disponível em <http://www.unisul.br/wps/wcm/ connect/14056424-904d-4d8c-a3a8-6b08ab2f4201/ bacia-hidrografica-educacao-ambiental_extensao. pdf?MOD=AJPERES>. Acesso em: 14 mar. 2018. O foco do artigo foi a sustentabilidade alimentar, ou seja, o acesso universal e permanente aos alimentos em quantidade e qualidade adequadas à saúde do organismo humano e à conser- vação socioambiental. Além do artigo, indicamos uma série de vídeos que pode expandir seu conhecimento sobre o aproveitamento integral dos alimentos: • SESC SÃO PAULO. Receitas do Mesa Brasil. Disponível em: <https://www.youtube.com/playlist?list=PLtukD4KW- -eVLa6e-0KNPilhGGi4wxRETu>. Acesso em: 14 mar. 2018. Não basta alimentar-se corretamente sem pensar na edu- cação ambiental. E aproveitar integralmente os alimentos pode ser uma das opções. A seguir, indicamos receitas de aproveita- mento integral dos alimentos que podem ser visualizadas no ma- terial presente no site: • SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO. Departamento Nacional. Banco de alimentos e colheita urbana: apro- veitamento integral dos alimentos. Rio de Janeiro: Sesc/ DN, 2003.Disponível em: <http://mesabrasil.sescsp.org. br/media/1016/receitas_n2.pdf>. Acesso em: 8 maio 2018. 115© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para você testar seu desempenho. Se encontrar dificuldades em res- ponder às questões a seguir, você deverá revisar os conteúdos estudados para sanar as dúvidas. 1) Muitos benefícios advindos do uso de alimentos funcionais e imunomodu- ladores na prevenção e no tratamento de doenças têm sido relatados na literatura. Sobre o assunto, analise as afirmativas: I. Os óleos de peixe e o óleo mineral são excelentes fontes de ácidos graxos ômega 3. II. A glutamina é um aminoácido indispensável para a nutrição do enterócito. III. O óleo de oliva é uma fonte importante de ácidos graxos monoinsaturados. IV. Os leites fermentados podem contribuir na prevenção de doenças intestinais. Estão corretas as afirmativas: a) I, II e III, apenas. b) I e II, apenas. c) II, III e IV, apenas. d) I e III, apenas e) III e IV, apenas. 2) Em relação aos prebióticos e probióticos, analise as seguintes afirmativas: I. Os leites fermentados são utilizados em várias pesquisas clínicas com finalidade de prevenir complicações mórbidas. II. Os cereais integrais fornecem fibras e outras substâncias semelhan- tes que agem como substratos para as bactérias intestinais. III. Os pré e probióticos promovem uma relação simbiótica nos intesti- nos, proporcionando um ambiente mais saudável. 116 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS IV. Para exercer a função probiótica, as bactérias presentes nos produ- tos lácteos devem passar por um processo de pasteurização. Estão corretas as afirmativas a) I e II, apenas. b) II, III e IV, apenas. c) I, II e III, apenas. d) I e IV, apenas. e) II e III apenas. Gabarito Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões au- toavaliativas propostas: 1) c. 2) d. 5. CONSIDERAÇÕES Ao final de mais uma unidade, você conheceu a importân- cia dos alimentos funcionais para a prevenção da saúde, como é realizada sua classificação e quais seus princípios ativos, os quais são fundamentais para os alimentos serem considerados funcionais. Na Unidade 4, encerraremos a obra Nutrição e Dietética, na qual abordaremos o conhecimento sobre as dietas da moda, que são restritas e com poucos nutrientes. Atualmente, o surgimento de diversas dietas novas tem influenciado muito as dislipidemias e outras doenças associadas à obesidade, e a falta de atividade física tem aumentado o risco das doenças cardiovasculares. 117© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 3 – ALIMENTAÇÃO, PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS6. E-REFERÊNCIAS Sites consultados CARTA DE OTTAWA. Primeira conferência internacional sobre promoção da saúde. Disponível em: <http://www.mp.ba.gov.br/atuacao/cidadania/gesau/legislacao/ internacionais/carta_ottawa.pdf>. Acesso em: 17 dez. 2012. PENTEADO, F. Nutracêuticos:alimentos funcionais, nutracêuticos, fitoquímicos. Afinal o que é isso? Disponível em:<http://www.uepg.br/fitofar/dados/nutraceuticos.pdf>. Acesso em: 14 mar. 2018. SCHIMDT, A. Cosmecêuticos:ilusão ou realidade? Disponível em: <http://www. adrianaschmidt.com/cosmetologia.cosmeceuticos.ilusao.ou.realidade.2010.pdf>. Acesso em: 28 nov. 2012. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARRETO, A. P. M. Bases e princípios da nutrição funcional. In: DOLINSKY, M. Nutrição funcional. São Paulo: Roca, 2009. MONTEIRO, E. O; BAUMANN, L. S. A ciência do cosmecêutico: cosmético ou droga? Revista Brasileira de Medicina, n. 65, p. 22-25, ago. 2008. SALAZAR, L. Evaluación de efectividad en promoción de la salud. Guía de Evaluación Rápida, CEDETES, Cali, Colômbia:Universidad del Valle,2004. SESI – SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA. Divisão de Alimentação. Programa Alimente-se Bem do SESI – São Paulo. Alimentos Funcionais. São Paulo: Sesi, 2009. VASCONCELOS, M.G.; ARANTES, P.B.; OLIVEIRA, A.L. Gestão e cosmetologia.In: OLIVEIRA, A. L. et al. (Orgs.). Curso didático deestética. São Caetano do Sul: Yendis Editora, 2008.v. 2. © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 119 PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA Objetivos • Conhecer e identificar os pontos negativos e positivos das dietas da moda para a saúde. • Analisar cada dieta da moda em relação ao que é indicado para a alimentação. • Compreender e analisar as dietas da moda e seus pontos críticos para fins da atuação profissional ética e comprometida na área da saúde. Conteúdos • Diferença entre dieta, regime e reeducação alimentar. • Dietas da moda. • Prática de atividade física. Orientação para o estudo da unidade Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que você leia a orientação a seguir: 1) Estamos encerrando estaobra, mas gostaríamos que você se preparasse para a prática, podendo identificar e orientar os clientes que cometem er- ros na alimentação. Portanto, convidamos você a pesquisar sobre as mu- danças ocorridas nos hábitos alimentares nos últimos 50 anos; pesquise com seus avós, pais, irmãos, tios e descubra quais alimentos eles consu- miam e se existia algum tipo de dieta, regime ou reeducação alimentar. UNIDADE 4 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA 121© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA 1. INTRODUÇÃO Convidamos você a retomar as unidades trabalhadas para relembrar as leis da nutrição, esclarecendo, neste momento, to- das as dúvidas restantes. É importante mencionar que, na prática profissional, você deve atuar de forma a incentivar o seu pacien- te/cliente a adotar mudanças de hábitos alimentares, orientan- do-o de forma correta. Lembre-se de que o profissional deve ter ética e ser comprometido com a saúde. 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma su- cinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão integral, é necessário o aprofundamento pelo estudo do Conteú- do Digital Integrador. 2.1. DIETA, REGIME OU REEDUCAÇÃO ALIMENTAR Nesta unidade, você conhecerá a diferença entre dieta, regime e reeducação alimentar.Falaremos sobre as “dietas da moda”, chamadas assimporquesão muito usadas e divulgadas por pessoas públicas e celebridades, como artistas e modelos, que as compartilham nos meios de comunicação. Modificar hábitos alimentares requer esforço, disciplina, força de vontade, entusiasmo e muitos outros atributos que aju- dam a manter, de forma saudável e equilibrada, a alimentação. Aquilo de que muitas vezesnos esquecemos é que crenças, moti- vações e, principalmente,atitudes atribuídas à dieta dependerão do seu sucesso ou fracasso. Assim, o pensamento “o que a dieta nos proporciona é mais importante do que o quenós proporcio- 122 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA namos a ela” deveria ser revisto por todas as pessoas que estão na busca do corpo perfeito. Na verdade, o bom resultado depen- de daquilo que a pessoa está disposta a modificar. Em sua profissão, você encontrará diversos casos e, na maioria deles, perceberá alguém em busca do corpo perfeito e ideal.Você já parou para pensar como seria esse corpo? Gostaría- mos que você fizesse essa reflexão antes de continuar a leitura desta unidade. Pense, primeiramente, nestas questões: • O que você sente em relação ao seu corpo? • Qual imagem você tem dele? • Até que ponto vai a busca pelo corpo ideal? Essas perguntas ajudarão você a entender seus pacientes/ clientes na prática clínica, pois a mídia prega um modelo estético e de beleza do corpo “ideal”, esguio, sem as ditas “imperfeições”. A sociedade baseia-se na busca por esses padrões impostos pela mídia,que leva inúmeras pessoasa tomar atitudes que podem, mais tarde, levar a consequências graves, como os distúrbios de alimentação, tão discutidos na atualidade (anorexia e bulimia). Vale ressaltar que “a anorexia e a bulimia nervosa são transtornos alimentares caracterizados por um padrão de com- portamento alimentar altamente restritivo, gravemente pertur- bado” (WITT; SCHNEIDER, 2011), um controle excessivo do peso corporal e distúrbios da percepção do formato corporal. Essas síndromes têm origem multifatorial, acometem principalmente adolescentes e mulheres jovens em idade reprodutiva e apre- sentam importantes prevalências na população geral. Para quem quer emagrecer, é necessário haver um balan- ço energético negativo, ou seja, gastar mais energia e consumir menos calorias.AFigura 1demonstra, de duas formas diferentes, 123© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA como funciona o balanço energético: quando ele é positivo, es- tou ingerindo mais calorias e gastando poucas, o que possivel- mente me fará engordar; quando ele é negativo, estou ingerindo menos e gastando mais, que seria a maneira mais adequada para perder peso. De uma maneira geral, para a perda de peso ocorrer,são recomendadas dietas hipocalóricas saudáveis e, principalmente, balanceadas. Dietas muito restritivas, ou chamadas “dietas da moda”, que são as que veremos a seguir, não contribuem para as mudanças necessárias, as quais devem ocorrer de forma sau- dável e positiva por meio de uma mudança no comportamento alimentar. Observe a Figura 1. 124 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA Figura 1Balanço energético: ingestão e consumo de calorias. Você pode estar se perguntando qual a diferença entre die- ta, regime e reeducação alimentar. Você já havia pensado que pudesse haver alguma diferença entre os três? “Dieta” é uma palavra derivada do grego “diaita”, que sig- nifica “modo de vida” (CAMPADELLO; DINIZ, 2006). A dieta pode ser utilizada, de acordo com sua consistência e preparo, para es- tabelecer uma mudança nos hábitos alimentares e/ou para tratar 125© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA patologias. A dieta pode ser definida como branda, líquida, semi- líquida, pastosa, dependendo do tipo de doenças e gravidade. Regime, como o próprio nome diz, é algo duro, criterioso, imposto, uma restrição na alimentação da qual se espera um re- sultado rápido, sem preocupação com a saúde e com possíveis doenças que possam aparecer (BURREL, 2007). Como essa res- trição é por tempo determinado –logo depois as pessoas voltam a se alimentar como antes –, o corpo pode ativar o chamado “efeito sanfona”: processo de engordar logo depois de emagre- cer. Quandoa pessoa perde peso com dietas muitos restritas, em seguida pode recuperar o que perdeu e até mais um pouco. A restrição de alimentos pode ocasionar deficiência de nutrientes e levar o organismo a ter graves problemas de saúde, principal- mente anemia. A educação alimentar é a adoção de hábitos alimentares saudáveis que visa à qualidade de vida e à saúde, sem restringir os alimentos, podendo ser utilizada para perda ou manutenção do peso por pessoas saudáveis ou não (CAMPADELLO; DINIZ, 2006). Após essa breve explicação sobre ganho e gasto de energia e sobre as diferenças entre dietas, regimes e reeducação alimen- tar, você conhecerá as dietas mais usadas – chamadas “dietas da moda”. Pelo fato de causarem perda de peso muito rápido, não são as ideais. Elas podem provocar problemas no organis- mo, principalmente nos rins, já que a maioria delas exclui o car- boidrato e concentra em uma refeição diária somente proteínas, que, em excesso, sobrecarregam a função renal. 126 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA 2.2. DIETAS DA MODA A seguir, vamos listar algumas das dietas mais famosas, co- mentando alguns de seus princípios e problemas. Dieta do dr. Atkins Criada em 1970 pelo Dr. Robert Atkins, médico americano, restringe açúcares e carboidratos (como arroz, batata, pão, ma- carrão, derivados de grãos), aumentando o consumo de gordu- ras e proteínas. A recomendação é de refeições ricas em carnes vermelhas, ovos, maionese, creme de leite, alimentos ricos em gorduras e proteínas.A dieta é pobre em fibras, carboidratos, vi- taminas e minerais. Apesar de reduzir o apetite e ter uma rápida perda de peso, a ingestão desse tipo de dieta pode aumentar o coleste- rol no sangue –pela diminuição do HDL (colesterol bom) e au- mento do LDL (colesterol ruim) – e a disponibilidade a doenças cardiovasculares;e provocar também a sobrecarga renal devido ao alto consumo de proteínas, a retenção de líquidos (inchaço), o aumento da pressão arterial, mau hálito, náuseas e dor de cabeça. Dieta do Dr. Ornish O médico Americano Dean Ornish propõe uma dieta rica em grãos integrais, frutas e totalmente isenta de alimentos de origem animal. Carne vermelha, frango, peixes e todos os deriva- dos do leite são proibidos. A quantidade de gorduras é mínima, sendo a dieta à base de carboidratos e fibras. 127© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA O prazo máximo de seguimento da dieta é de um mês. A quantidade de calorias ingeridas e a necessidade calórica do in- divíduo influenciarão em quantos quilos serão perdidos. O dé- ficit de aminoácidos e ferro, nutrientes essenciais para o nosso organismo, pode causar anemia. As gorduras ausentes no corpo devido à dieta influenciam no funcionamento do intestino e na absorção das vitaminas A, D, E e K, consideradas lipossolúveis e que necessitam da gordura. Dieta Sugar Busters Dieta inspirada no título do filme Caça-Fantasmas (em in- glês, Ghostbusters),pois pretende “exterminar” os açúcares.O açúcar causa superprodução de insulina no organismo, e a pro- dução desta em excesso auxilia a diminuir o peso com mais fa- cilidade. A quantidade de insulina no corpo ajuda a diminuir o armazenamento de calorias em forma de gordura. Não se trata do açúcar presente nos doces, mas o das frutas, como banana, e de legumes, como a cenoura. Os níveis de serotonina, o neuro- transmissor que transmite ao cérebro a sensação de bem-estar, é regulado com a presença de quantidades moderadas de açúcar. Os criadores dessa dieta recomendam ingerir muita fibra vegetal, cereais e carnes magras; além disso, comer depois das 20horas é proibido.A ingestão de muito carboidrato refinado e açúcar aumenta os níveis de citocina no sangue, substância que contribui para o endurecimento das artérias; o aumento do con- sumo de frutas e verduras esmagaria a inflamação causada pelas citocinas. 128 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA Dieta de Beverly Hills Criada pela atriz americana Juzy Mazel, é focada na reação química dos alimentos para a perda de peso. É uma das dietas mais desbalanceadas que existem. Pobre em sais minerais e vita- minas, pode provocar diarreia. Nos dez primeiros dias, a propos- ta é de que a ingestão seja somente de frutas, como morango, maçã, melancia, melão e, principalmente, abacaxi, que possui a enzima bromelina, de ação altamente digestiva e auxiliadora na eliminação de líquidos pela urina – o que resultará na perda de peso. A dieta promete eliminar em 35 dias de 5 a 10 quilos. A maior parte do peso é perdida na primeira etapa, devido aos efeitos diuréticos das frutas. Essa primeira etapa tem efeito de- sintoxicante e antioxidante devido à presença de fibras e vitami- nas, mas o organismo fica deficiente de outros nutrientes essen- ciais, como proteínas e gorduras essenciais para a absorção de algumas vitaminas. Assim: A dieta é difícil de seguir, tem pouca aderência logo na primeira fase e uma desistência muito grande até o final. Isso porque de- pois de uma semana comendo apenas frutas, o organismo está deficiente. A pessoa se sente cansada e indisposta. Isso acon- tece porque as frutas não são ricas em proteínas, cereais ou minerais e também porque não trazem energia (EMAGRECER. MOBI, 2013). Dieta do tipo sanguíneo Uma dieta da moda bem conhecida é a que traz a proposta de uma alimentação específica para os portadores de cada tipo sanguíneo. Para indivíduos de sangue tipo O, a composição da 129© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA dieta deve ser por meio de frutos do mar e espinafre; para os de tipo A, legumes e verduras; e para de tipo AB, alimentos à base de leite. Segundo o criador dessa dieta, o americano Peter J. D’Adamo, o tipo do sangue revela o passado metabólico da pessoa (o mesmo do homem das cavernas) e a forma como o or- ganismo digere e utiliza os nutrientes da alimentação proposta. Peter J. D’Adamo escreveu, em 1998, o livro A dieta do tipo sanguíneo, que fez um grande sucesso. No Brasil, o médico Sér- gio Teixeira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), popularizou a dieta, lançando o livro A dieta que está no sangue (2002). Para os indivíduos portadores dos sangues de tipo O e B, o consumo de proteínas deve ser maior; já os portadores dos tipos A e AB devem consumir mais cereais. Por exemplo: 700 gra- mas de coelho grelhado com molho de iogurte, chicória e salsa, e ovos nevados como sobremesa seria uma dieta específica para indivíduos portadores do sangue Tipo O e B. Muitos especialistas encaram a dieta como piada, pois não existe nenhum embasa- mento científico que comprove seus efeitos. Cardápios prontos Outro tipo comum de dieta são as com refeições semipron- tas ou congeladas, de baixa caloria e cardápio repetitivo. O con- junto de refeições é para uma semana e seu custo é alto; em relação aos nutrientes, porém, costumam ser balanceados. Substitutos alimentares Muito comercializados atualmente, são compostos alimen- tares em forma de shakes, sopas e outros tipos como farinhas que 130 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA substituem uma refeição, com baixíssimo teor calórico;porém, não satisfazem o apetite e muito menos o paladar. Garantem rá- pida perda de peso, mas apresentam dificuldade de manutenção. Dieta da Lua Realizada durante 24 horas, com consumo exclusivo de lí- quidos a cada mudança de fase da Lua. Sucos, caldos e vitaminas são os únicos alimentos permitidos. Nos anos 1980, a dieta fez muito sucesso no Brasil. Suco de laranja ou caldo de carne com legumes são exemplos de refeições. A perda de peso vai depen- der dos alimentos escolhidos,pois a água facilita os processos de digestão e excreção. Existe o risco de engordar dependendo dos ingredientes escolhidos, principalmente se os alimentos forem calóricos. Não é um método que auxilia na perda de peso de for- ma saudável. Kit 7 Day Diet Composto por alimentos pré-cozidos colocados em saqui- nhos separados que devem ser misturados à água fervente nas refeições do café da manhã, almoço e jantar. O cardápio inclui legumes, risotos, massas e sopas. As três refeições contêm cerca de 800 calorias. O kit foi criado pela nutricionista americana Gary Smith e, no Brasil, foi lançado na Fórmula Indy, por Emerson Fit- tipaldi, no ano de 1998. O kit contém 21 refeições e tem o custo médio de R$200,00. Essa dieta tem baixa concentração energética, oferecendo um mínimo de 1.100 Kcal/dia para mulheres e 1.450 Kcal para os homens. A utilização do kit não deve ultrapassar mais de 16 se- 131© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA manas. É importante dizer que a drástica redução de peso pode provocar, também, graves problemas de saúde. Dieta do biótipo De acordo com essa dieta, cada pessoa é regida por um órgão vital, como pulmão, rins, fígado e coração; por isso, quem quiser seguir a dieta deve responder a um questionário sobre seus hábitos alimentares e cotidianos, como postura e pontua- lidade no trabalho. Para cada biótipo é oferecido um cardápio. Fundamentada na biotipologia, essa dieta, que mistura princípios da medicina praticada na China e na Índia, preconiza que todos os males podem ser curados pela alimentação. Devido aos poucos alimentos calóricos e à maior quantidade de fibras alimentares, a perda de peso é garantida, mas não garante au- sência de flacidez. E a baixa ingestão de proteínas pode levar ao enfraquecimento do sistema imunológico. Dieta dos Vigilantes do Peso Uma das mais conhecidas e ainda muito utilizada,essa dieta não restringe nenhum alimento, contanto que o indivíduo consiga respeitar as quantidades determinadas. O cardápio é composto por carnes, massas, doces e pães. As pessoas tornam- -se sócias e participam de reuniões e palestras, sendo estimula- das por depoimentos de “ex-gordinhas”. As proporções de car- boidratos, lipídios e gorduras devem ser respeitadas e seguidas. Uma dona de casa americana, depois de fracassar em di- versas dietas, em 1963, resolveu inventar o programa, que foi sendo aperfeiçoado por médicos, nutricionistas e psicólogos. 132 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA A dieta dos Vigilantes do Peso oferece refeições balancea- das com nutrientes necessários ao organismo. Prega a perda de peso lenta e gradual, sem tempo determinado para ser seguida, e conta com a orientação de nutricionistas e psicólogos. Dieta dos pontos Também ainda muito utilizada, é baseada no livro do mé- dico Alfredo Halpern, A dieta dos pontos (2004). Vários endocri- nologistas utilizam a dieta há alguns anos. Aqui, os pontos são a inversão do valor calórico dos alimentos. O consumo para mu- lheres é de 300 pontos por dia, já os homens têm 400 pontos para serem consumidos. Cada ponto equivale a 3,6 calorias, o que equivaleria, para as mulheres, 1.080 calorias e, para os ho- mens, 1.440 calorias/dia. As refeições são compostas por carboi- dratos, lipídios e proteínas. Essa dieta promete, em média, a perda de 3 a 4 quilos por mês. O cardápio pode ser composto, por exemplo, por duas co- lheres (sopa) de arroz e de palmito, por um pires de bacalhau, salada de agrião à vontade e uma colher (sobremesa) de doce de leite. É uma dieta equilibrada e não tem tempo determinando para ser seguida. O ideal é que a quantidade de peso perdido por mês não ultrapasse 4 quilos. Se a escolha dos alimentos não for correta, tornará a dieta inadequada e carente em nutrientes essenciais. Dieta da USP Durante duas semanas, uma heterodoxa combinação de alimentos deve ser consumida.O consumo de proteínas é alto e o 133© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA de carboidratos, bem restrito. Os alimentos mais frequentemen- te permitidos na dieta são: ovos, presunto e café sem açúcar. A dieta surgiu em 1996 e usa indevidamente o nome da Universidade de São Paulo. Por esse motivo, a Universidade criou um serviço de informações para orientar a população a respeito dos seus riscos. Um exemplo de refeição segundo essa dieta seria: um bife, salada de alface com salsão e dois ovos.A proposta dessa dieta proporciona rápida perda de peso, mas não tem combinação ne- nhuma de alimentos, apresenta carência de vitaminas A, B e C e eleva os níveis de ácido úrico. Dieta dos quatro dias A recomendação de alimentos pouco calóricos é a base dessa dieta, com a restrição praticamente de todos os carboidra- tos e o aumento de muita proteína durante quatro dias. Impor- tantes grupos alimentares são eliminados por completo nessa dieta, principalmente os laticínios e cereais. Não se sabe quem a inventou, mas costuma ser muito utilizada por bancárias, ae- romoças e donas de casa americanas. Margareth Danbrot trans- formou-a em livro, em 1985. No Brasil, a Dieta Maravilhosa de 4 dias ainda continua disponível nas livrarias. A promessa é perder até 5 quilos nos quatro dias. A pessoa deve voltar às suas refeições normais no quinto dia, ou mudar para uma dieta mais drástica. Os cardápios são compostos, por exemplo, de um bife grelhado, salada de alface com tomate sem molho e uma maçã. A falta de carboidratos diminui a sensação de saciedade, o que fará com que a pessoa procure por alimen- tos mais calóricos com maior frequência. 134 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA Sanavita Um suplemento alimentar em pó muito utilizado é o Sana- vita, rico em proteínas e fibras, com duração de 15 dias. A pre- paração tem 400 calorias, pode ser misturada a caldos ou lei- te, e sua composição é à base de soja, aveia, germe de trigo e castanhas de caju; não há adição de produtos químicos. A dieta deve ser complementada por saladas, frutas, torradas e alimen- tos sólidos. A nutricionista brasileira Jocelem Salgado e sua equipe da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo, são os criadores dessa dieta. Uma das críticas à essa proposta é a de que a utilização do suplemento pode difi- cultar sua adaptação e tornar as pessoas enjoadas do preparo após algumas semanas de uso. A perda de peso dependerá dos alimentos que as pessoas optarem para fazer o uso. Meta real Criado em meados dos anos 1990pela química Maria Eliza Zuccona, idealizadora da empresa Meta Real, esse é um progra- ma de reeducação de hábitos alimentares que prevê reuniões se- manais de autoajuda. A escolha do cardápio é feita com base em uma roda de alimentos que indica quantidades e combinações. Devem ser misturados ingredientes energéticos (carboidratos e gorduras), reguladores (frutas, legumes e verduras), construto- res (proteínas) e neutros (café, chá e temperos). O recomendado é que o indivíduo ingira 1.200 kcal/dia em três refeições diárias. Entre as dietas da moda, é considerada uma das mais ade- quadas, pois oferece cardápio saudável, com acompanhamento regular. No entanto, o valor calórico deveria ser individualizado, 135© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA pois nem todos consomem 1.200 kcal; muitas pessoas precisam de mais. Dieta da sopa É uma das mais utilizadas para perda de peso rápido; porém,pobre em nutrientes. A sopa de legumes é batida no li- quidificador, sendo o repolho o ingrediente predominante. É permitida durante uma semana nas três principais refeições. Contraindicada pelos especialistas, não se sabe quem foiseu inventor. Ainda assim tornou-se uma das dietas mais populares nos anos 1990, prometendo emagrecimento de 4 quilos por se- mana. Pode ser realizada, no máximo, por uma semana e repe- tida após 15 dias de alimentação normal. É importante destacar que seu uso excessivo pode provocar prisão de ventre, anemia e até mesmo desnutrição. Crudicismo Dieta de origem californiana que propõe que os alimen- tos sejam consumidos crus, como folhas, frutas e legumes. Não é permitida a ingestão de carnes, ovos e laticínios. Essa dieta é considerada adequada em fibras, vitaminas e minerais, mas é uma dieta monótona, com quantidades insuficientes de proteí- nas, cálcio, ferro e vitaminas do complexo B. Higienismo Doutrina que prega às pessoas uma alimentação saudável, com atividade física e contato harmonioso entre as pessoas, e o cumprimento das horas necessárias de sono. O objetivo é limpar o organismo, proporcionando bem-estar e qualidade de vida. 136 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA Nessa dieta, são cinco os princípios básicos de mudanças na alimentação: 1) consumo de 70% de alimentos crus; 2) eliminação de comidas que produzem toxinas; 3) respeito às etapas do processo digestivo; 4) combinação correta dos alimentos; 5) controle no consumo alimentar. Alguns alimentos ou combinações devem ser evitados, como frutas misturadas a outros alimentos. No caso de combi- nar proteína e carboidrato, recomenda-se que,após a ingestão de proteínas, dê-se um intervalo de quatro horas antes do con- sumo de outro alimento; no caso de carboidratos, esperar três horas. Não misturar na mesma refeição diferentes tipos de pro- teínas; os líquidos e sólidos também não devem ser misturados, e o consumo de líquidos deve ser feito 10 minutos antes de cada refeição ou duas horas após. A dieta é adequada em fibras, vitaminas e minerais e está inserida em um programa de qualidade de vida. Os seus pontos negativos são: monotonia dos alimentos, insuficiência de carboi- dratos complexos, podendo ocorrer deficiência de vitaminas do complexo B, ferro e proteínas de alto valor biológico, como a pre- sente no frango. Frugivorismo Compreende o consumo de frutas cruas e cozidas. Esse tipo de alimentação não implica a “morte da planta”; ela é ba- seada no princípio de que as frutas são uma dádiva da natureza e a constituição do mais perfeito alimento para o homem. A die- ta complementa-se com as proteínas e os lipídios provindos das 137© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA oleaginosas (amêndoas, avelãs, castanhas, nozes) e com os car- boidratos na forma de frutas (bananas, uvas, maçãs, peras etc.), além de ter uma boa adequação em fibras, vitaminas, minerais e gorduras monoinsaturadas. Assim como o higienismo, pode pro- vocar monotonia na alimentação, insuficiência de proteínas de alto valor biológico, cálcio, ferro e as vitaminas do complexo B. Dieta macrobiótica A combinação das refeições pelo princípio das proprieda- des do Yin e Yangdá origem a essa dieta, que incentiva o con- sumo de cereais integrais cultivados na própria região, legumes e soja fermentada, bem como preconiza a ausência do produto animal. O único adoçante usado na dieta macrobiótica é o xarope de malte ou cevada, além das frutas naturais. Os produtos vistos como nocivos são carnes dos vertebrados, laticínios, açúcar e a farinha refinada; os peixes são consumidos somente se o corpo estiver necessitando. Essa dieta também apresenta as mesmas deficiências do higienismo e do frugivorismo. Dieta Vegan Preconiza a exclusão de todos os alimentos de origem ani- mal, como leite e seus derivados, ovos, carnes, gorduras animais etc. O forte dessa dieta são alimentos como pães integrais, cre- me vegetal, geleia de frutas, produtos de soja, legumes, frutas, granola, aveia, massas integrais, arroz, feijão, cacau em pó, entre outros. 138 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA Antes de realizar as questões autoavaliativas propostas no Tópico 4, você deve assistir aos vídeos indicados no Tópi- co 3. 1 para compreender melhor alguns assuntos abordados nesta unidade. Vídeo complementar ––––––––––––––––––––––––––––––– Neste momento, é fundamental que você assista ao vídeo complementar. • Para assistir ao vídeo pela Sala de Aula Virtual, clique no ícone Videoaula, localizado na barra superior. Em seguida, selecione o nível de seu curso (Graduação), a categoria (Disciplinar) e o tipo de vídeo. Por fim, clique no nome da disciplina para abrir a lista de vídeos. • Para assistir ao vídeo pelo seu CD, clique no botão “Vídeos” e selecione: Nutrição e Dietética – Vídeos Complementares 4 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR O Conteúdo Digital Integrador representa uma condição necessária e indispensável para você compreender integralmen- te os conteúdos apresentados nesta unidade. 3.1. RESPONSABILIDADE DO PROFISSIONAL NA ELABORAÇÃO DA DIETA Indicamos que você assista três documentários: o primeiro é chamado Muito além do peso, que retrata a obesidade como a maior epidemia infantil da história. Lançado em 2012, o filme longa-metragem debate sobre a qualidade da alimentação das crianças e os efeitos da comunicação mercadológica de alimen- tos. O objetivo é sensibilizar e mobilizar a sociedade sobre os problemas do consumismo na infância. 139© NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA Também indicamos os documentários Super Size Mee Food Inc. Reflita sobre o papel do profissional de saúde e alimentação frente a esses problemas de saúde: • SUPER size me – A dieta do palhaço. Direção: Morgan Spurlock. 2004. Disponível em:<https://www.youtube. com/watch?v=W4m28PVklHA>. Acesso em: 16 mar. 2018. • FOOD, Inc. Direção: Robert Kenner. 2009. Disponí- vel em:<https://www.youtube.com/watch?v=smk2x- q2l3Ig>. Acesso em: 16 mar. 2018. Além disso, indicamos mais um vídeo para que você com- preenda a responsabilidade que o profissional tem ao elaborar uma dieta e entenda seu papel na promoção de uma alimenta- ção saudável do ponto vista mental e corporal: • ALVARENGA, M. Qual o papel do nutricionista? EuVe- jo, 2017. Disponível em:<https://www.youtube.com/ watch?v=4WFIKhYQMfM>. Acesso em: 16 mar. 2018. 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para você testar seu desempenho. Se encontrar dificuldades em res- ponder às questões a seguir, você deverá revisar os conteúdos estudados para sanar as dúvidas. 1) Porque estudar nutrição na profissão escolhida? 2) Qual a relação entre alimento e saúde? 3) O que aprendi neste estudo de Nutrição e Dietética será útil à prática profissional? 4) Será que, após este estudo, mudarei minha alimentação? 140 © NUTRIÇÃO E DIETÉTICA UNIDADE 4 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DAS DIETAS DA MODA 5. CONSIDERAÇÕES Chegamos ao final desta unidade; neste momento, você poderá contextualizar os conteúdos estudados com a sua prática profissional, reconhecendo a importância que os alimentos têm em nossa vida. 6. E-REFERÊNCIAS Lista de figura Figura 1 Balanço energético: ingestão e consumo de calorias. Disponível em: <http:// professorfabiobrasil.blogspot.com.br/2010/04/entenda-o-que-e-balanco-energetico. html>. Acesso em: 15 mar. 2018. Sites pesquisados EMAGRECER. MOBI. Dieta de Beverly Hills. Disponível em: <http://www.emagrecer. mobi/index.html>. Acesso em: 25 set. 2013. LEAL, I.; RAFANINI A. P. Dieta de Beverly Hills. Disponível em: <http://boaforma.uol. com.br/dietas/dieta-de-beverly-hills.htm>. Acesso em: 3 jan. 2013. WITT, J.S. G. Z.; SCHNEIDER, A. P.Nutrição Estética: valorização do corpo e da beleza atravésdo cuidado nutricional.Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro,v.16, n.9, p. 3909-3916, 2011. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S1413-81232011001000027&lng=en&nrm=iso&tlng=pt>. Acesso em:15 mar. 2018. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BURREL, D. A dieta que combina com você. Emagreça com sucesso. São Paulo: Arx, 2007. CAMPADELLO, P.; DINIZ, T. Terapia nutricional pela reeducação alimentar e atividade física. São Paulo: Madras, 2006.