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ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO PARA O CUIDADO Lina Sant Anna Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer as vitaminas, os minerais e suas fontes alimentares. � Enumerar os principais agravos à saúde causados pelo consumo deficiente de vitaminas e minerais. � Descrever os benefícios da correta hidratação corporal. Introdução Vitaminas e minerais são chamados de micronutrientes porque o orga- nismo necessita deles em quantidades menores do que as dos macronu- trientes (e carboidratos, proteínas e gorduras).As vitaminas e os minerais não fornecem energia (calorias) para o corpo, mas são importantes por ajudarem a liberar energia de carboidratos, proteínas e gorduras. Além disso, desempenham muitas outras funções importantes no corpo, como a manutenção da saúde dos olhos e da pele e a ação antioxidante para proteger as células contra danos. Contribuem, ainda, para a reprodução e para o crescimento saudáveis, para o fortalecimento dos ossos e para a coagulação sanguínea normal. Diferentes vitaminas e minerais são encontrados em alimentos como legumes, frutas, leguminosas, oleaginosas, laticínios, carnes e ovos. Ao nos alimentarmos com uma variedade que inclua todos os grupos ali- mentares, temos uma dieta rica nesses nutrientes. A água é outra substância de vital importância para os seres vivos. Ela representa mais da metade do peso corporal total de uma pessoa e participa de várias funções importantes, como transportadora de substâncias, como lubrificante, como solvente e como reguladora da temperatura corporal. Vitaminas, minerais e suas fontes alimentares Vitaminas As vitaminas são um grupo de compostos orgânicos que possuem, em sua composição, carbono, hidrogênio, oxigênio e, ocasionalmente, também nitro- gênio. São consideradas micronutrientes por serem necessárias em pequenas quantidades pelo organismo. Em compensação, também são pequenas as quantidades de vitaminas encontradas nos alimentos. Salvo poucas exceções, elas não são sintetizadas pelo ser humano em quantidades adequadas. Por isso, é necessário adquiri-las por meio do consumo alimentar. Elas são fundamentais para o crescimento, para o desenvolvimento e para a manutenção do organismo. Sua ausência ou subutilização pode causar sérios malefícios à saúde. As vitaminas são orgânicas, nutrientes essenciais exigidos em quantidades mínimas para executar funções específicas que promovem o crescimento, a reprodução ou a manutenção da saúde e da vida. Vita significa vida e Amina significa que contém nitrogênio (as primeiras vitaminas que foram descobertas continham nitrogênio). De acordo com Whitney e Rolfes (2008), as vitaminas são usualmente classificadas em dois grandes grupos, com base na sua solubilidade: as lipos- solúveis e as hidrossolúveis. Vitaminas lipossolúveis � São moléculas apolares, ou seja, hidrofóbicas, que requerem bile para a digestão. � São liberadas, absorvidas e transportadas com os lipídeos da dieta e, para tanto, precisam ligar-se a lipoproteínas. � Podem ser armazenadas no fígado e no tecido adiposo e, por esse motivo, o consumo excessivo pode ser tóxico. � O corpo mantém concentrações dessas vitaminas no sangue, recu- perando-as conforme sua necessidade, de modo que o consumo das mesmas pode ser menor que o de vitaminas hidrossolúveis. Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água2 � Seu excesso é excretado nas fezes. � Fazem parte desse grupo as vitaminas A, D, E, K. Vitaminas hidrossolúveis � São moléculas hidrofílicas. � Quando absorvidas, se deslocam diretamente para o sangue e movem- -se livremente. � Não são armazenadas no organismo, pois os rins, ao monitorarem o sangue, detectam e removem pequenos excessos de vitaminas hidrossolúveis. � Seu excesso é excretado na urina. � Fazem parte desse grupo as vitaminas do complexo B e a vitamina C. A seguir vamos estudar as vitaminas e suas fontes alimentares, começando com o grupo das lipossolúveis e terminando com as hidrossolúveis. Vitamina A A vitamina A se apresenta como vitamina A pré-formada (retinol), que está pronta para ser utilizada pelo organismo, ou pró-vitamina A (carotenoides), que pode se transformar em vitamina A conforme a necessidade do organismo. Suas principais funções incluem (HAUSCHILD; SCHIEFE; THIEME, 2015): � auxílio à visão, prevenindo a cegueira noturna; � participação na síntese de proteína e na diferenciação celular (e, assim, na manutenção da saúde da pele e dos tecidos epiteliais); � auxílio na reprodução e no crescimento; � prevenção de doenças cardiovasculares e do câncer, especialmente os de pele, pulmões, bexiga e mama. As fontes alimentares de vitamina A pré-formada (retinol) são os alimentos de origem animal como vísceras (principalmente fígado), gemas de ovos, leite integral e seus derivados (manteiga e queijo). A pró-vitamina A (carotenoides) é encontrada em frutas e legumes amarelos e alaranjados, tais como manga, mamão, cajá, goiaba vermelha, abóbora e cenoura, entre outros. 3Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água Vitamina D A função essencial da vitamina D é manter concentrações de cálcio e fósforo no sangue e auxiliar no crescimento ósseo. Por muitos pesquisadores, ela é considerada um hormônio que atua juntamente com o hormônio da paratireoide, regulando o cálcio sanguíneo para que quantidades adequadas desse mineral sejam fornecidas a todas as células. Outras funções incluem (HAUSCHILD; SCHIEFE; THIEME, 2015): � garantir o crescimento adequado de células da pele, do colo, da próstata, ovários e mamas; � regular a pressão arterial; � prevenir a osteomalácia e a osteoporose. Além disso, pode ser valiosa no tratamento de diversas doenças, inclusive os distúrbios autoimunes e o câncer. As fontes alimentares incluem óleo de fígado de bacalhau, gema de ovo, miúdos, leite e iogurtes fortificados. Sua maior fonte, porém, são os raios solares, já que o corpo pode sintetizá-la com ajuda da luz do sol, a partir de um precursor que o organismo produz, derivado do colesterol. Vitamina E A vitamina E é um antioxidante lipossolúvel e um dos principais defensores do corpo contra as reações adversas dos radicais livres. Cada vez mais, evidências sugerem que a vitamina E pode reduzir o risco de doenças cardíacas, prote- gendo as lipoproteínas de baixa densidade (LDL) contra a oxidação lipídica. Suas fontes alimentares incluem óleos e sementes, grãos e oleaginosas. Algumas vitaminas atuam como antioxidantes, ajudando a proteger o corpo contra a instabilidade dos radicais livres que são fragmentos de moléculas instáveis com um ou mais elétrons não pareados. As vitaminas antioxidantes doam elétrons para os radicais livres, estabilizando-os. As principais vitaminas antioxidantes são, além da vitamina E, a vitamina C e os carotenoides (pró-vitamina A). Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água4 Vitamina K A vitamina K atua principalmente na coagulação sanguínea, situação em que sua presença pode ser a diferença entre a vida e a morte. Além disso, também participa da ativação de proteínas nos ossos, rins e músculos, dando a esses órgãos capacidade de ligação ao cálcio. Uma ingestão insuficiente de vitamina K está ligada a maiores taxas de fraturas ósseas. Como a vitamina D, a vitamina K também pode ser obtida de fontes não alimentares. As bactérias do trato gastrintestinal, por exemplo, fazem a síntese desta vitamina à medida que o corpo pode absorvê-la. As fontes alimentares incluem as hortaliças de cor verde escura como espinafre, couve, brócolis. O trato gastrointestinal do recém-nascido carece de uma quantidade su- ficiente de bactérias para produzir vitamina K em níveis que permitam a coagulação sanguínea eficaz. Por isso, a vitamina K é administrada como rotina pouco depois do parto (PENTEADO, 2003). Tiamina (B1) Já no campo das vitaminas hidrossolúveis,passamos a estudar a tiamina, substância do complexo B, usada pelo organismo para ajudar a liberar energia dos carboidratos, entre outras finalidades. Além de desempenhar papéis essen- ciais no metabolismo de energia das células, a tiamina ocupa lugar especial na formação das membranas das células nervosas. Consequentemente, processos em nervos e em seus tecidos responsivos (os músculos) dependem muito da tiamina (PENTEADO, 2003). Suas principais fontes alimentares são cereais integrais, bisteca de porco e gérmen de trigo. Riboflavina (B2) As formas coenzimáticas de riboflavina participam de diversas vias metabó- licas geradoras de energia. O metabolismo de algumas vitaminas e minerais também requer riboflavina. Além disso, em virtude de sua ligação com a atividade de determinadas enzimas, a riboflavina tem papel antioxidante no corpo (HAUSCHILD; SCHIEFE; THIEME, 2015). A riboflavina pode ser encontrada no fígado, levedo de cerveja, leite e iogurte. 5Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água Niacina (B3) As formas de coenzima da niacina participam de inúmeras reações metabólicas. Elas são fundamentais nas reações de transferência de energia, especialmente no metabolismo de glicose, gordura e álcool. Quando administrada farma- cologicamente, tem o potencial de reduzir colesterol, triglicerídeos e LDL – colesterol (HAUSCHILD; SCHIEFE; THIEME, 2015). As fontes alimentares são feijão, frango, porco e peixes como merluza e cação. Ácido pantotênico (B5) Assim como as outras vitaminas do complexo B, o ácido pantotênico ajuda a liberar energia de carboidratos, gorduras e proteínas. O ácido pantotênico é um componente da coenzima A, que está envolvida em mais de cem estágios diferentes nas sínteses de lipídeos, neurotransmissores, hormônios esteroides e hemoglobina. Também é importante para a metabolização de drogas pelo fígado e para a síntese de hormônios e colesterol (PENTEADO, 2003; HAUSCHILD; SCHIEFE; THIEME, 2015). Suas fontes alimentares são fígado e rins, frango, peixes, trigo, gema de ovo, leite e brócolis. Cereais integrais também são boas fontes, porém o refinamento pode resultar em perdas de 35 a 75% desta vitamina. Piridoxina (B6) A vitamina B6 é necessária para a atividade de muitas enzimas envolvidas no metabolismo de macronutrientes, em particular no metabolismo de proteínas e aminoácidos. Outras funções incluem (HAUSCHILD; SCHIEFE; THIEME, 2015): � síntese de diversos neurotransmissores como serotonina e endorfina; � síntese de hemoglobina e sua função de transporte de oxigênio das hemácias; � síntese de leucócitos que têm um papel fundamental no sistema imune; � pesquisas recentes sugerem influência no desempenho cognitivo e na atividade do hormônio esteroide; Ao contrário das demais vitaminas hidrossolúveis, a vitamina B6 é exten- sivamente armazenada nos músculos. Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água6 As principais fontes de piridoxina incluem fígado e bife de boi, atum, salmão e batata. Ácido fólico (B9) Um papel essencial do ácido fólico ou folato é proporcionar ou receber com- postos de carbono simples. Nesse papel, as coenzimas ajudam a formar DNA e metabolizam diversos aminoácidos e seus derivados. Pesquisas confirmam a importância do consumo do folato por gestantes para a redução de riscos de defeitos no tubo neural em fetos. Outra função importante do ácido fólico no corpo é decompor a homociste- ína. Sem folato, a homocisteína se acumula, o que parece aumentar a formação de coágulos no sangue e a deterioração da parede da artéria. Há também pesquisas em andamento sobre o elo entre o folato e proteção contra o câncer (WHITNEY; ROLFES, 2008; HAUSCHILD; SCHIEFE; THIEME, 2015). As fontes de ácido fólico incluem lentilha, fígado, amendoim, grão de bico, espinafre. Acesse o link e saiba mais sobre a importância do ácido fólico na prevenção dos defeitos do tubo neural em fetos. https://goo.gl/kSZRp4 Cobalamina (B12) A cobalamina participa de uma variedade de processos celulares como (WAR- DLAW; SMITH, 2013; HAUSCHILD; SCHIEFE; THIEME, 2015): � manutenção do metabolismo de folato; � manutenção das bainhas mielínicas que isolam os neurônios uns dos outros; � regeneração do aminoácido metionina; 7Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água � sintetização do DNA e RNA, que dependem tanto do folato como da vitamina B12; � manutenção do invólucro que envolve e protege as fibras nervosas e promoção de seu crescimento normal; � a atividade celular e o metabolismo dos ossos. Todos os compostos da vitamina B12 são sintetizados por bactérias, fungos e outros organismos inferiores no intestino. Além disso, está presente em alimentos de origem animal como fígado, ostras e sardinha. Biotina Em sua forma coenzimática, a biotina auxilia no metabolismo de gorduras e carboidratos. Também ajuda na adição de dióxido de carbono a outros com- postos. Ao fazê-lo, promove a síntese de glicose e ácidos graxos, além de ajudar a decompor determinados aminoácidos (HAUSCHILD; SCHIEFE; THIEME, 2015). As fontes de biotina são amendoim, avelã, amêndoas e ovo cozido. Vitamina C (ácido ascórbico) A vitamina C é encontrada em todos os tecidos vivos e a maioria dos animais (mas não os humanos) a sintetizam a partir do açúcar simples glicose. A função mais bem entendida da vitamina C é seu papel como antioxidante. Essa vitamina pode operar como um varredor de radicais livres, além de auxiliar na reativação da vitamina E oxidada, para que possa ser reutilizada. Outras funções incluem: � absorção de ferro, ao manter o mineral em sua forma mais absorvível; � participação no sistema imune, em especial para a atividade de deter- minadas células imunes; � produção de hormônios, incluindo a tiroxina, que regula a taxa de metabolismo; � formação de colágeno. Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água8 A vitamina C pode ser encontrada em alimentos cítricos como acerola, goiaba, mamão, caju, laranja e também na couve e pimentão (WARDLAW; SMITH, 2013). Colina É o último acréscimo à lista de nutrientes essenciais. A colina faz parte da acetilcolina, um neurotransmissor associado à atenção, à aprendizagem e à memória, ao controle muscular e a muitas outras funções. Por fim, a colina também participa em alguns aspectos do metabolismo da homocisteína (WAR- DLAW; SMITH, 2013). As fontes de colina incluem as oleaginosas como nozes e amêndoas, ovo, bacalhau e frango. Minerais Os minerais, ao contrário das vitaminas, são compostos inorgânicos, que ocorrem na natureza e estão presentes na água, no solo e nas rochas, sendo absorvidos pelas raízes das plantas e, assim, consumidos por muitos animais. Os seres humanos, portanto, consomem minerais tanto de fontes vegetais e animais. Os alimentos de origem animal, no entanto, geralmente oferecem um conteúdo mais alto de minerais que os de origem vegetal. Além disso, os minerais presentes em carnes, leite e derivados e ovos possuem maior biodisponibilidade do que os encontrados nas leguminosas e vegetais. Os minerais representam cerca de quatro por cento do peso corporal to- tal e desempenham um importante papel na promoção do crescimento e na manutenção da saúde. A seguir serão descritos alguns minerais e suas fontes alimentares. Os minerais são absorvidos no intestino delgado e o volume de absorção depende de alguns fatores como a saúde do tecido, a forma do alimento ingerido e as necessidades corporais. 9Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água Sódio (Na) O sódio ajuda a manter o equilíbrio ácido-base, sendo essencial para a trans- missão de impulsos nervosos e para a contração muscular. O sódio está presente no sal de cozinha e também em alimentos industria- lizados, visto que é utilizado como conservador em muitos desses produtos. Potássio (K) O potássio executa muitas das funções do sódio, como equilíbrio hídrico e transmissão de impulsos nervosos. Entretanto, opera dentro e não fora dascélulas. Durante a transmissão de impulsos nervosos e a contração muscular, o potássio e o sódio trocam brevemente de posição através da membrana celular. O controle da distribuição do potássio é de alta prioridade para o corpo, pois influencia em muitos aspectos da homeostase, incluindo o batimento cardíaco estável (MANN; TRUSWELL, 2011). As fontes de potássio incluem frutos do mar, banana, laranja, pêssego e uva passa. Cálcio (Ca) Todas as células precisam de cálcio, porém mais de 99% do cálcio no corpo é usado para fortalecer ossos e dentes. O cálcio é importante também em diversos outros processos. É essencial à coagulação sanguínea, à contração muscular, à transmissão de impulsos nervosos, à secreção de hormônios e à ativação de algumas reações enzimáticas (MANN; TRUSWELL, 2011). As principais fontes de cálcio são o leite e seus derivados, mas ele tam- bém está presente em alimentos de origem vegetal como couve, brócolis e oleaginosas. Fósforo (P) O fósforo faz parte do DNA e RNA e, portanto, é necessário para o crescimento e metabolismo energético. Os lipídeos que contêm fósforo como parte de suas estruturas (fosfolipídeos) ajudam a transportar outros lipídeos no sangue (WARDLAW; SMITH, 2013). Embora nenhuma doença esteja atualmente associada a uma ingestão inadequada de fósforo, uma deficiência pode contribuir para a perda óssea em mulheres idosas. Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água10 O fósforo está presente em ovos, peixes, grãos integrais, carnes, aves e laticínios. Magnésio (Mg) O magnésio é importante para a função dos nervos e do coração e ajuda em muitas reações enzimáticas. Age em todas as células dos tecidos moles, nas quais cria parte do mecanismo produtor de proteínas, sendo necessário para o metabolismo energético. Como o cálcio, o magnésio está envolvido nas contrações musculares e na coagulação do sangue (o cálcio promove os processos, ao passo que o magnésio os inibe). Além disso, ajuda a prevenir cáries ao preservar cálcio no esmalte dos dentes. Como muitos outros nutrientes, o magnésio auxilia o funcionamento normal do sistema imunológico (PENTEADO, 2003). O magnésio está presente em vegetais folhosos verde escuros, cacau e cereais integrais. Ferro (Fe) O ferro faz parte da hemoglobina, nas hemácias do sangue, e da mioglobina, nas células musculares. Além disso, o ferro é parte de muitas enzimas, algumas proteínas e compostos que as células utilizam para produzir energia. Também é necessário para a função do cérebro e do sistema imune, além de contribuir para a desintoxicação de agentes no fígado e para a saúde óssea. Também é requerido pelas enzimas envolvidas na produção de aminoácidos, colágeno, hormônios e neurotransmissores (WARDLAW; SMITH, 2013) O ferro não heme, que é considerado o menos biodisponível, está presente em alimentos de origem vegetal como farinha de soja, feijão, lentilha, chocolate meio amargo. Já o ferro heme, que é o mais biodisponível, está presente no fígado e outras vísceras, carnes bovina, suína e de frango. Zinco (Zn) A ingestão adequada de zinco é necessária para sustentar muitas funções corporais, como (PENTEADO, 2003; WARDLAW; SMITH, 2013): � síntese e função do DNA; � metabolismo proteico, cicatrização de feridas e crescimento; 11Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água � função imunológica (ingestões acima da RDA não proporcionam qual- quer benefício extra à função imunológica); � desenvolvimento de órgãos sexuais e de ossos; � armazenagem, liberação e função da insulina; � estrutura e função da membrana celular; � antioxidante indireto como componente de dois tipos de superóxido dismutase, enzima que ajuda na prevenção do dano oxidativo às células. Outras possíveis funções do zinco são retardar a progressão da degeneração macular do olho e reduzir o risco de desenvolver algumas formas de câncer. Além disso, estabiliza as membranas celulares ajudando no fortalecimento de sua defesa contra os ataques dos radicais livres. É essencial para a percepção normal do paladar, para a cicatrização de feridas, para a produção de espermatozoides e para o desenvolvimento fetal. O zinco está presente em alimentos como fígado, cogumelo, frutos do mar, soja, espinafre e carne. Iodo (I) A glândula tireoide acumula e reserva ativamente iodo da corrente sanguínea para sustentar a síntese dos hormônios da tireoide. Sintetizados usando iodo e o aminoácido tirosina, esses hormônios ajudam a regular a taxa metabólica e a promover o crescimento e o desenvolvimento do corpo inteiro, sobretudo o do cérebro (WARDLAW; SMITH, 2013). As fontes de iodo incluem peixes de água salgada e sal iodado. Manganês (Mn) O manganês é necessário por fazer parte de enzimas relacionadas ao metabo- lismo dos macronutrientes. As metaloenzimas contendo manganês também auxiliam na formação dos ossos. Age, ainda, como antioxidante, pois participa da enzima superóxido dismutase que auxilia a combater os efeitos dos radicais livres no organismo (MANN; TRUSWELL, 2011; WARDLAW; SMITH, 2013). As fontes desse mineral incluem banana, gema de ovo, vegetais folhosos verde escuros, fígado, soja e café. Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água12 Consumo deficiente de vitaminas e minerais A exigência dietética de um micronutriente é definida como um nível de ingestão que atende a critérios específicos para verificar deficiências ou ex- cessos. Esses critérios consideram uma gama de efeitos biológicos desses nutrientes no organismo. Quando os micronutrientes não são consumidos em quantidades adequadas, uma variedade de sintomas indesejáveis pode se desenvolver, incluindo problemas de digestão, problemas de pele, crescimento ósseo defeituoso ou deficiente, problemas de humor e até demência. Alguns fatores colocam os indivíduos em maior risco de deficiência como os listados a seguir. � Envelhecimento: à medida que as pessoas envelhecem, as dietas fre- quentemente deixam de ser equilibradas, pois as pessoas eliminam grupos de alimentos da sua rotina alimentar, ou porque não possuem apetite normal ou porque não conseguem tolerar alguns alimentos. � Intolerâncias ou doenças que afetam a absorção de nutrientes: essas doenças afetam o intestino delgado, onde ocorre a absorção, ou o pân- creas, que produz enzimas para digerir os alimentos. � Dietas restritivas para perda de peso: quanto mais grupos de alimentos são excluídos da alimentação, maiores são as chances de deficiência em certos micronutrientes. � Alcoolismo: alcoólatras possuem menor poder de absorção intestinal e muitas vezes deixam de se alimentar para ingerir bebidas. � Doenças que aceleram o metabolismo: pacientes com câncer, AIDS e queimaduras possuem maiores necessidades de determinados nutrientes. � Situações fisiológicas específicas: gestantes e nutrizes necessitam de maior quantidade de micronutrientes para satisfazer suas necessidades e as do feto ou lactente. As doses diárias recomendadas variam dependendo da idade, gênero e condição fisiológica, mas acredita-se que mais de dois bilhões de pessoas em todo o mundo não recebam o suficiente de pelo menos um nutriente essencial. 13Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água As recomendações de vitaminas e minerais para os indivíduos são determinadas pela ingestão dietética de referência ou dietary reference intakes (DRIs). Essas recomendações são valores de referência de ingestão de nutrientes e devem ser utilizadas para planejar e avaliar dietas para pessoas saudáveis. Elas incluem tanto as recomendações de ingestão como os limites superiores para não ocorrer toxicidade (COZZOLINO; COLLI, 2001). A seguir serão discutidos os principais agravos à saúde causados pelo consumo deficiente de vitaminas e minerais. Sinais e sintomas de deficiência Nesta seção, listaremos os principais sinais e sintomas de deficiência das diferentes vitaminas no organismo. Vitamina A (WARDLAW; SMITH, 2013; HAUSCHILD; SCHIEFE;THIEME, 2015) A Organização Mundial da Saúde estima que a deficiência de vitamina A ocorra em 39 países, incluindo o Brasil, afetando crianças (17%) e gestantes (12%). Os principais sintomas da deficiência são: � cegueira noturna; � pele e cabelos ressecados; � conjuntivite recorrente; olhos infectados e ulcerados; daltonismo; � degeneração macular; � acne; � cumes nas unhas. Vitamina D (HAUSCHILD; SCHIEFE; THIEME, 2015) � Ossos doloridos e baixa densidade mineral óssea; fraqueza muscular. � Osteoporose (ossos porosos e quebradiços). � Osteomalacia (amolecimento do osso). � Raquitismo (grave doença deformante que provoca arqueamento das pernas, flexão da coluna e falta de tônus muscular). Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água14 A Figura 1 mostra uma pessoa com raquitismo. Figura 1. Indivíduo com raquitismo, deficiência de vitamina D. Fonte: Wardlaw e Smith (2013). Vitamina E (HAUSCHILD; SCHIEFE; THIEME, 2015) � Problemas oculares, como retinopatia e catarata. � Problemas de pele, como acne, bolhas, tecido cicatricial, estrias. � Anemia leve. � Problemas de fertilidade. � Anormalidades da função cerebral. 15Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água Vitamina K (PENTEADO, 2003) � Facilidade de contusões. � Sangramentos, aumento do fluxo menstrual, sangue na urina ou nas fezes. � Baixa densidade mineral óssea, osteoporose. � Doença hemorrágica do recém-nascido, se o mesmo não receber a dose profilática após o nascimento. Vitamina C (WARDLAW; SMITH, 2013) � Pele seca, cabelo quebradiço. � Sangramento nas gengivas e nariz, gengivite, perda dos dentes. � Cicatrização deficiente. � Imunidade deficiente — gripes e resfriados recorrentes. � Fraqueza muscular. � Fadiga. Vitaminas do complexo B (WHITNEY; ROLFES, 2008; WARDLAW; SMITH, 2013; HAUSCHILD; SCHIEFE; THIEME, 2015) � Vitamina B1: beribéri, que afeta o sistema cardiovascular, nervoso e muscular. O indivíduo com deficiência sofre com reflexos exagerados, fraqueza dos membros inferiores, aumento do tamanho do coração, dificuldade de respiração, confusão mental. � Vitamina B2: arriboflavinose, que causa vermelhidão, lábios inchados e rachados, dermatite, estomatite, formação de veias na córnea. � Vitamina B3: pelagra, doença associada à pobreza com sintomas co- nhecidos como 3D (dermatite, diarreia, demência). Também causa aumento da pigmentação e espessamento da pele, vômitos, apatia, fadiga, depressão e perda de memória. A Figura 2 mostra um caso de pelagra. � Vitamina B5: dificuldade no crescimento, anorexia, tontura e debili- dade muscular (a deficiência é muito rara e ocorre apenas em casos de desnutrição severa). � Vitamina B6: irritabilidade, depressão e confusão mental, inflamação da língua e úlceras na boca, além de convulsões (a ocorrência de deficiência é rara, afetando especialmente vítimas de alcoolismo). Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água16 � Vitamina B9 (folato): anemia megaloblástica, defeitos do tubo neural (DTN) em fetos. � Vitamina B12: afeta de 10 a 15% de pessoas acima de 60 anos, já que este grupo frequentemente apresenta má absorção intestinal dessa vitamina. Também ocorre deficiência em pacientes pós cirurgia bariátrica (64%). Causa anemia megaloblástica (com extrema palidez) dificuldade de deambulação, desorientação e demência (neuropatia). Figura 2. Indivíduos com pelagra, deficiência de vitamina B3. Fonte: Wardlaw e Smith (2013). Cálcio (PENTEADO, 2003) � Cãibras musculares. � Fadiga. � Perda de cabelo, unhas quebradiças, pelo ressacada. � Osteopenia. � Osteoporose. 17Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água Ferro (PENTEADO, 2003) � Anemia ferropriva, com os sintomas característicos, tais como cansaço e fadiga, falta de ar, tontura, dores de cabeça, falta de apetite, palidez, frieza nas mãos e pés. Magnésio (WHITNEY; ROLFES, 2008) � Contrações musculares e cãibras. � Ritmos cardíacos anormais. � Dormência e formigamento nos dedos e pés. � Síndrome da perna inquieta. � Fadiga. � Tiques ou espasmos das pálpebras. � Ondas de calor. � Ansiedade / estresse. � Pressão alta. Zinco (PENTEADO, 2003) � Baixa imunidade. � Gripes e resfriados recorrentes. � Diarreia. � Cabelo quebradiço, frágil e fino. � Acne, eczema e outros problemas de pele. � Úlceras e manchas brancas nas unhas. � Caspa. � Tiques e espasmos das pálpebras. Iodo (PENTEADO, 2003) � Aumento da glândula tireoide (bócio). � Pressão na traqueia, com decorrente dificuldade de respiração. � Cretinismo: déficit de crescimento e deficiência intelectual. Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água18 Para conhecer a recomendação de vitaminas e minerais para todas as faixas etárias, acesse o link a seguir, que contém as Dietary Reference Intake (DRIs) traduzidas para o português. https://goo.gl/Vbu4jM Hidratação corporal A água é um nutriente essencial, mais importante para a vida que qualquer outro. A cada dia, o corpo necessita mais de água do que de qualquer outro nutriente. Só é possível sobreviver sem água por poucos dias, ao passo que a deficiência de outros nutrientes pode levar semanas, meses e até anos para trazer prejuízos à saúde. A água é o principal constituinte do corpo humano, representando de 50 a 60% do peso corporal de um adulto. A quantidade de água no organismo varia em função do tecido adiposo, da idade e do gênero como mostramos a seguir (WARDLAW; SMITH, 2003). � Tecido adiposo: o conteúdo de água do tecido adiposo é inferior ao de qualquer outro tecido. Quanto maior o conteúdo de gordura corporal menor o conteúdo de água. � Idade: à medida em que a pessoa envelhece, a porcentagem de peso corporal total representada pela água diminui gradualmente. Em recém- -nascidos, a água ocupa até 75% do peso corporal. � Gênero: as mulheres. em geral, tem uma porcentagem menor de água no organismo, devido a uma maior quantidade de tecido adiposo sub- cutâneo. O fluido corporal total de um homem é de aproximadamente 63% do seu peso e, nas mulheres, é de 55%. A água entra e sai das células pelas suas membranas. Quando a água está no interior das células, faz parte do líquido intracelular, que corresponde a 63% de toda a água do corpo. Quando está fora da célula ou na corrente sanguínea, faz parte do líquido extracelular, que corresponde a 37% de toda a água do corpo. Fazem parte do líquido extracelular o líquido intersticial, como as lágrimas, o líquido sinovial, o gastrointestinal e o ocular. 19Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água As membranas celulares são permeáveis à água, de maneira que ela e os eletrólitos circulam continuamente entre os líquidos corporais. O corpo equilibra a quantidade de água nos compartimentos intra e extraceulares ao controlar o movimento e a concentração de íons, que são minerais com cargas elétricas, e portanto, chamados de eletrólitos. A água é atraída para íons como sódio, potássio, cloro, fosfato, magnésio e cálcio. Ao controlar a movimentação de íons para dentro e para fora dos compartimentos celulares, o corpo mantem a quantidade adequada de água em cada compartimento usando um processo chamado osmose (WHITNEY; ROLFES, 2008). Íons positivos como sódio e potássio acabam se emparelhando com íons negativos como cloro e fosfato. A manutenção do volume de líquido intracelular normalmente depende das concentrações intracelulares de potássio e fosfato. Já o volume de líquido extracelular depende das concentrações extracelulares de sódio e potássio (WARDLAW; SMITH, 2013). Funções da água A água está envolvida em quase todas as funções do corpo humano. A vida, como a conhecemos , não poderia existir sem a água. Algumas de suas funções mais conhecidas estão descritas a seguir. � Age como solvente, tanto de substâncias inorgânicas como de muitas moléculas celulares. � É essencial para os processos fisiológicos de digestão, absorção e excreção. � Participa nos processos de transporte desubstâncias como nutrientes, oxigênio, gás carbônico, ureia, creatinina. � Age como lubrificante, estando presente em regiões onde existem atritos, como nas articulações, entre os ossos e entre órgãos. Também é particularmente importante na termorregulação corporal e para os desempenhos físico e cognitivo. O consumo regular de água está associado Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água20 a menores taxas de mortalidade por doença cardiovascular em indivíduos com idade avançada. Uma boa hidratação pode reduzir o risco de desenvolver pedras no rim porque mantém uma urina mais diluída, dissolvendo os minerais que possam se acumular para formar as pedras. Além disso, a água é considerada parte essencial do manejo dietético de diabetes porque limita o desenvolvimento de cetoacidose diabética durante deficiência de insulina no diabetes tipo 1, ajudando a manter mais estáveis os níveis de açúcar no sangue (WILLETT, 2002). A ingestão adequada de fluidos tem sido associada a benefícios gastroin- testinais como menor taxa de constipação e menor uso de laxantes. Também foi visto que o consumo regular de água pode reduzir o risco de câncer de bexiga em homens, infecções do trato urinário, doenças dentárias e possui benefícios em doenças broncopulmonares (NISSENSOHN et al., 2015). Equilíbrio hídrico Para manter uma quantidade constante de água no corpo, é necessário que o organismo elimine a mesma quantidade de água que foi ingerida e produzida pelo metabolismo. Essa constância é fundamental para a homeostase hídrica. A água corporal provém de duas fontes: � Da ingestão em forma de líquido, ou contida nos alimentos – cerca de 2000 mL/dia. � Da síntese de água no corpo, em decorrência do metabolismo celular – cerca de 200 mL/dia (WHITNEY; ROLFES, 2008). A ingestão de água é muito variável entre diferentes pessoas, devido aos hábitos individuais, e também por parte da mesma pessoa em momentos diferentes, devido ao clima e à prática de atividades físicas, por exemplo. Sua ingestão é controlada pela sede. A sede serve como sinal para ingerir água, pois informa que o corpo está desidratando. Esse mecanismo pode, entretanto, não corresponder à perda hídrica real durante o exercício ou uma doença prolongada, assim como na velhice. Por isso, nessas condições, deve haver um monitoramento cuidadoso do nível hídrico. Crianças que apresentam febre, vômitos, diarreia e aumento da sudorese também precisam ingerir mais líquidos, com a reposição dos eletrólitos para não correrem o risco de desidratação. 21Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água É preciso ficar atento aos sinais de desidratação. Os efeitos da falta de água no corpo são (WHITNEY; ROLFES, 2008): � Com perda de 0,5 a dois por cento de peso corpóreo, faz com que a pessoa sinta sede, fadiga, fraqueza, desconforto e perda de apetite. � Com perda de três a quatro por cento de peso corpóreo, o indivíduo apresenta prejuízo no desempenho físico, boca seca, redução da quan- tidade de urina, pele avermelhada, impaciência, apatia. � Com perda de cinco a seis por cento de peso corpóreo, há dificuldade de concentração, tontura, respiração difícil, dor de cabeça, prejuízo da regulação da temperatura. � Com perda de sete a 10 por cento de peso corpóreo, o indivíduo sofre com delírio, insônia, espasmos musculares, exaustão e colapso. Uma das principais causas da desidratação é a diarreia, que pode provocar a perda de até dois por cento do peso de um indivíduo em apenas um dia. Crianças facilmente se desidratam por causa das altas temperaturas, que causam suor excessivo. Acesse o link para saber mais sobre o tratamento da diarreia. https://goo.gl/ped05V Em adultos, a desidratação pode ser decorrente da prática de exercício físico em indivíduos não aclimatados e do uso abusivo de laxantes e diuréticos, entre outros. O tratamento da desidratação envolve a determinação de sua causa (como diarreia ou redução da ingestão de líquidos) e a reposição dos líquidos perdidos — seja via oral ou intravenosa. A maioria dos pacientes recebe líquidos hipotônicos, hipossódicos, como soro glicosado a 5%. Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água22 Fontes de água e recomendação do consumo de água diário Para manter o equilíbrio hídrico, o consumo de água deve ser igual ao das suas perdas. Em média, um adulto do sexo masculino necessita de 3,7 litros e do sexo feminino necessita de 2,7 litros de água por dia. Já os lactentes de 7 a 12 meses precisam de 0,8 litros de água por dia (FOOD AND NUTRITION BOARD, 2005). Como reconhecimento da importância da água para a saúde, a Sociedade Espanhola de Nutrição Comunitária desenvolveu a Pirâmide para uma Hi- dratação Saudável que traz, de forma ilustrada, informações sobre os tipos de bebidas e sobre a frequência com que devem ser ingeridas. A pirâmide está demonstrada na Figura 3. Figura 3. Pirâmide da boa hidratação Fonte: Sociedad Española de Nutrición Comunitaria (2016). 23Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água A Pirâmide da Hidratação Saudável está estruturada da seguinte maneira: � Na base da pirâmide, estão as águas minerais com baixo teor de sal ou água da torneira. A água é a única bebida que não contém gordura, calorias, açúcar ou cafeína. Deve ser ingerida de forma diária, sendo recomendado o consumo de oito a 10 copos por dia. � Na segunda etapa, estão as águas minerais, chás ou cafés sem açúcar e refrescos leves. Essas bebidas devem ser ingeridas de forma diária para complementar a recomendação de oito a 10 copos por dia. � Na terceira etapa, estão os sucos de frutas, sucos vegetais, caldos, leite, cerveja sem álcool, derivados de leite sem açúcar, chá ou café com açúcar e bebidas para atletas. Essas bebidas devem ser ingeridas de forma diária para complementar a recomendação de oito a 10 copos por dia, porém deve-se evitar a ingestão de muito açúcar; � No ápice, estão as bebidas com açúcar ou frutose, carbonatadas ou não. O consumo deve ser ocasional. Quanto às bebidas alcoólicas, não foram incluídas na pirâmide porque não são úteis para a hidratação e devem ser consumidas com moderação. Sem dúvida, a água é a bebida preferencial, fortemente indicada na alimentação saudável. Para assegurar o consumo adequado de líquidos, sugerimos seguir as orientações listadas abaixo. � Ter uma garrafa de água sempre à mão. � Beber água sempre que tiver sede. � Beber um copo de água antes das refeições. � Comer muitas frutas e vegetais com alto teor de água por dia. � Beber líquidos extras, de preferência sem açúcar. � Evitar o álcool e as bebidas com cafeína, tais como chá preto, café e bebidas à base de cola. � Usar aplicativos que avisam quando é o momento de ingerir água. Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água24 COZZOLINO, S. M.; COLLI, C. Novas recomendações de nutrientes interpretação e utilização. In: INTERNATIONAL LIFE SCIENCES INSTITUTE. Usos e aplicações das “die- tary reference Intakes”: DRIs. São Paulo: International Life Sciences Institute do Brasil; Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição, 2001. p. 4-15. Disponível em: . Acesso em: 8 out. 2018. FOOD AND NUTRITION BOARD. Dietary references intakes for water, potassium, sodium, chloride, and sulfate. Washington: The National Academy Press, 2005. 617 p. Disponível em: . Acesso em: 8 out. 2018. HAUSCHILD, D. B.; SCHIEFE, M. E. M.; THIEME, R. D. Vitaminas, minerais e eletrólitos: aspectos fisiológicos, nutricionais e dietéticos. Rio de Janeiro: Rubio, 2015. 344 p. MANN, J.; TRUSWELL, S. Nutrição humana. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. 2 v. NISSENSOHN, M. et al. Valoración de la ingesta de bebidas y del estado de hidratación. Revista Española de Nutrición Comunitaria, Madrid, v. 21, supl. 1, p. 58-65,2015. Disponível em: . Acesso em: 8 out. 2018. PENTEADO, M. V. C. Vitaminas: aspectos nutricionais, bioquímicos, clínicos e analíticos. Barueri: Manole, 2003. 600 p. SOCIEDAD ESPAÑOLA DE NUTRICIÓN COMUNITARIA. Pirámide de hidratación saludable. Barcelona, 2016. Disponível em: . Acesso em: 8 out. 2018. WARDLAW, G. M.; SMITH, A. M. Nutrição contemporânea. 8 ed. Porto Alegre: AMGH; Artmed, 2013. 768 p. WHITNEY, E., ROLFES, S. R. Nutrição: tradução da 10. edição norte-americana. São Paulo: Cengage Learning, 2008. 2 v. WILLETT, W. C. Coma, beba e seja saudável. 3. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2002. 309 p. Leituras recomendadas DOVERA, T. M. D. S. Nutrição aplicada ao curso de enfermagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 232 p. FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION; WORLD HEALTH ORGANIZATION. Vitamin and mineral requirements in human nutrition: report of a joint FAO/WHO expert consul- tation. 2. ed. Bangkok, 1998. 341 p. Disponível em: . Acesso em: 8 out. 2018. PADOVANI, R. M. et al. Dietary reference intakes: aplicabilidade das tabelas em estu- dos nutricionais. Revista de Nutrição, Campinas, v. 19, n. 6, p. 741-760, nov.-dez. 2006. Disponível em: . Acesso em: 8 out. 2018. Macro e micronutrientes: vitaminas, minerais e água26 Conteúdo: