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Profa Susana Ortiz Costa 1 Profa Susana Ortiz Costa São alimentos largamente utilizados na alimentação humana desde milênios por sua facilidade de cultivo, conservação, alto valor calórico e baixo preço. São sementes ou grãos comestíveis de gramíneas de cultivo. • Principais cereais • Arroz • Trigo • Milho • Aveia • Centeio • Cevada • Triticale (trigo + centeio) 2 3 4 5 ▪ Grãos: ▪ alimentos concentrados; ▪ fácil conservação (desde preservados da umidade); ▪ Variedade ( diferentes terrenos): garantem grande quantidade de nutrientes por superfície semeada. ▪ Composição: 1º Hidratos de carbono e proteínas e; 2º Vitaminas, minerais e fibras (menor grau). 3º Lipídeos: pequenas quantidades (consumidos inteiro). ▪ Em geral, carecem de lisina e triptofano (facilmente suplementados por pequenas quantidades de carnes, ovo e leite). ▪ Igualmente, carecem de cálcio, ferro e vitaminas em especial. ▪ São alimentos de baixo preço. ▪ Sabor suave e fácil digestão e absorção Profa Susana Ortiz Costa 6 Profa Susana Ortiz Costa 7 Profa Susana Ortiz Costa ESTRUTURA DO GRÃO DE CEREAL • CAMADA ENVOLTÓRIA (FARELO OU CASCA) → de fácil remoção - 8 a 17% do grão → ricas em vitaminas, minerais e fibras, quase carente de amido • ENDOSPERMA ou AMÊNDOA FARINHOSA → muito rico em amido e proteínas que formam o glúten = 63 a 87% • GÉRMEN localiza-se na extremidade → muito rico em vitamina E e do complexo B. 8 Profa Susana Ortiz Costa COMPOSIÇÃO QUÍMICA DAS PARTES DO GRÃO DE TRIGO (%) Cinzas Proteína bruta Lipídeo Fibra bruta Celulose Amido Pericarpo 3,4 6,9 0,8 23,9 27,0 - Células aleurônicas 10,9 31,7 9,1 6,6 5,3 - Gérmen 5,8 34,0 27,6 2,4 - - Endosperma 0,6 12,6 1,6 0,3 0,3 80,4 Fonte: Belitz, H.D. & Grosch, W. Química de Los Alimentos, 2ª Ed. Editorial Acríbia, S.A. Zaragoza, Espanha, 1997. 9 Profa Susana Ortiz Costa FRAÇÕES DOS DISTINTOS CEREAIS (valores médios em % do peso) Farelo (CASCA) Gérmen Endosperma Trigo 15,0 2,0 83,0 Milho 7,2 11,0 81,8 Aveia 8,0 2,0 70,0 Arroz 8,0 2,0 70,0 Milho ceroso 7,9 9,8 82,3 Fonte: Belitz, H.D. & Grosch, W. Química de Los Alimentos, 2ª Ed. Editorial Acríbia, S.A. Zaragoza, Espanha, 1997. 10 Profa Susana Ortiz Costa 11 ▪ Os princípios nutritivos nos cereais não se distribuem de forma homogênea. ▪ A industrialização e a manufatura tornam as diferenças mais evidentes. ▪ Pericarpo: 2º setor em proteínas, lipídeos, tiamina, riboflavina (apenas superado pelo germe). 1º em fibras, minerais e niacina. Profa Susana Ortiz Costa 12 Profa Susana Ortiz Costa CEREAIS → AMIDO ✓ O amido é produzido em grande quantidade nas folhas dos vegetais como forma de armazenar temporariamente os produtos da fotossíntese; ✓ Como reserva permanente de alimento para a planta, o amido ocorre nas sementes, bem como na medula, nos raios medulares e no córtex de caules e raízes de plantas; ✓ Constitui de 50% a 65% do peso das sementes de cereais secos, e até 80% da substância seca dos tubérculos. ✓Se apresenta na forma de amilose (cadeia linear) e amilopectina (cadeia ramificada). 13 Profa Susana Ortiz Costa ✓ Amido = glicídio que se apresenta em forma granulada de cor branca e sem sabor. Não se dissolve em água, mas se dispersa. O amido é hidrofílico → absorve água inchando-se CEREAIS → AMIDO ✓ O amido ocorre em grânulos (ou grãos) que têm estrias típicas. Estas, aliadas ao tamanho e à forma dos grânulos, são mais ou menos específicas de cada espécie de planta, e podem servir de meio de identificação microscópica da origem botânica do amido. 14 Composição dos cereais Carboidratos AMILOSE AMILOPECTINA Solubilidade variável em água Insolúvel Mais viscosa Menos viscosa Facilita formação de gel Não forma gel Retrograda Estável Cadeia linear Cadeia ramificada *Gelatinização, retrogradação... 15 Profa Susana Ortiz Costa GLICÍDEOS A degradação de amido é paulatina. AMIDO DEXTRINAS ERITRODEXTRINAS ACRODEXTRINAS MALTOSE GLICOSE A glicose é um açúcar redutor. 16 ▪ Enzimas: alfa-amilases e beta-amilases. ▪ Encontrada nos grãos, principalmente zona do germe (elemento de reserva energética e 1º precisa ser digerido). ▪ No processo de digestão, as enzimas estão presentes na saliva e pâncreas (liberadas no intestino delgado). ▪ Ataque enzimático mais fácil quando o amido foi previamente cozido. ▪ Cada grânulo absorve 20 x o seu peso em água – enzimas facilmente transportadas até o interior das uniões glicosídicas. Alfa-amilases amilopectina → oligossacarídeos (4 maltoses) + maltose livre + glicose. ▪ Beta-amilase hidrólise das cadeias laterais da amilopectina (permanecem grandes núcleos de dextrinas). ▪ No intestino ação das maltases hidrólise em maltoses. Profa Susana Ortiz Costa 17 ▪ Também ocorre sob altas temperaturas e pressões de várias atmosferas, em meio ácido (HCL). Ex.: Xaropes de glicose. ▪ Xaropes de glicose → pode-se frear a hidrólise em etapas intermediárias. Contém além de glicose, diversas dextrinas e maltose. Principal matéria-prima é o amido de milho. ▪ Classificação: - Xaropes de baixa conversão: 33 a 38% do conteúdo total sendo glicose. Maior quantidade de amido. Maior poder de reter água e poder ligante. Utilização: caramelo e confeito mole (menor sabor doce). - Xaropes de média conversão: 38 a 45% do conteúdo total sendo glicose. - Xaropes de alta conversão: mais de 50% do conteúdo total sendo glicose. ▪ Féculas: amidos (quando de cereais) → provêm da separação da porção amilácea do milho ou sorgo. Profa Susana Ortiz Costa 18 ▪ Apesar de em pequenas quantidades são importantes na utilização de farinhas em processo de fermentação e como indicadores bromatológicos do grau de extração (indica o teor percentual em que se aproveitou o grão). ▪ Região próxima ao germe: existem mono, di e trissacarídeos (Glicose, maltose e sacarose, rafinose – quantidades variam em 1 a 2%), aumentados quando o grão é exposto à altas % de umidade ou colheita em tempos de chuva. ▪ Esses podem resultar em produtos de panificação com alta capacidade fermentativa e produção de CO2. Profa Susana Ortiz Costa 19 ▪ Grande variedade entre os cereais. ▪Maior variedade se são utilizadas farinhas refinadas. ▪ Farelo – celulose (função intestinal). lignina (colesterol). ▪O conteúdo das fibras nos cereais é ~2% com exceção da aveia que contém 5x mais. Profa Susana Ortiz Costa 20 ▪ Os cereais têm em torno de 10% de proteínas em sua composição. ▪ Existem diferentes tipos de proteínas nos cereais, porém as que predominam são: PROLAMINAS E GLUTELINAS. ▪ Os dois tipos têm valor biológico limitado quando comparado aos alimentos de origem animal como albuminas e globulinas. ▪ O valor biológico limitado é devido a presença de aminoácidos limitantes. ▪ O valor biológico da proteína é a proporção de N absorvido e retido pelo organismo para reparação e manutenção dos tecidos. Profa Susana Ortiz Costa 21 ▪ As proteína dos cereais e dos vegetais são de baixo valor biológico (exceto soja). ▪ Carne, leite, ovos e pescados possuem proteínas de alto valor biológico. ▪ Proteínas de alto valor biológico contém todos os aminoácidos essenciais em quantidade satisfatória. ▪ Aminoácidos essenciais: Lisina (Lys), Triptofano (Trp), Leucina (Leu), Isoleucina (Ile), Fenilalanina (Phe), Metionina (Met), Valina (Val), Treonina (Tre), Histidina (Hys) e arginina (Arg)→ somente na infância. ▪ Tirosina (Tyr) é produzida a partir da Fenilalanina e a cisteína (Cys) a partir da metionina são considerados aminoácidos semi-essenciais. ▪ Não temos reservatórios de proteínas. Profa Susana Ortiz Costa 22 ▪ Aminoácidos não-essenciais: ácido aspártico (Asp), ácido glutâmico (Glu), asparagina (Asn), glutamina (Gln), alanina (Ala), glicina (Gly), prolina (Pro) , serina (Ser). ▪ Aminoácido limitante: aminoácidos essenciais presentes em quantidade menor que as necessidades do organismo. Exemplo: ➢Trigo aa limitante = lisina ➢Leguminosas aa limitante = aas sulforados (metionina + cistina). ➢Treonina e Triptofano 2º aa limitante nos cereais. ▪ Para aumentar o valor biológico das proteínas do trigo e leguminosas: misturas em s proporções de farinhas dos dois tipos de grãos ou consumidos juntos. Ex.: Arroz + Feijão = complementação (MET e LYS) Profa Susana Ortiz Costa 23 Cereais Proteínas Trigo Gliadina e glutenina Arroz Glutelina Milho Zeína Cevada Hordeína e glutenina Aveia Globulina e avenina Centeio Secalina 24 ▪ É importante considerar as duas proteínas predominantes do trigo: glutenina e gliadina ▪ A glutenina é uma glutelina e a gliadina uma prolamina. ▪ O glúten é formado pela união destas duas proteínas pela a adição de água e força de cisalhamento e tensão da farinha. ▪ O glúten é um complexo protéico que pode ser encontrado no trigo, no centeio, na cevada, na aveia (controverso). Profa Susana Ortiz Costa FORMAÇÃO DO GLÚTEN 25 ▪ Principais propriedades: Elasticidade e resistência a extensão. ▪ A presença de glúten é fundamental para o crescimento da massa, pois apresenta uma rede protéica na qual as moléculas de CO2 são mantidas. Profa Susana Ortiz Costa • Gliadina é a fração tóxica (doença celíaca) • Difere com o tipo de cereal: secalina(centeio) hordeína (cevada) e avenina (aveia) 26 Profa Susana Ortiz Costa ▪ Enteropatia do glúten 1os sintomas a partir do 7º mês de vida. ▪ Doença autoimune do intestinos, afeta as vilosidades comprometendo a absorção de nutrientes e o estado nutricional. ▪ As pessoas apresentam antígenos a alguns dos peptídeos da fração de gliadina do glúten. ▪ Quem apresenta esta doença precisa excluir o glúten da alimentação durante toda a vida. ▪ O glúten é uma proteína que está presente nos seguintes alimentos: trigo, aveia, centeio, cevada e malte. ▪ Se o dano for recorrente pode levar ao quadro de câncer. 27 Profa Susana Ortiz Costa ▪ Gorduras → Presentes: 1º no germen e 2º pericarpo (principalmente camada hialina). ▪ Endosperma → menor conteúdo de lipídeos ou isento. Ex.: Féculas (farinhas de baixo grau de extração rica em amido). ➢Féculas quando o amido é extraído de tubérculo (debaixo da terra). Ex.: Fécula de batata, de mandioca, de cará. ➢Quando o amido é retirado do grânulo ou alimento dado em cima da terra recebe a nomenclatura de amido. Ex.: Amido de milho. ▪ Com exceção dos cereais integrais e a aveia → não são considerados fontes importantes de gordura. ▪ A gordura presente é suscetível a rancificação e devido ao alto grau de insaturação dos glicerídeos. ▪ No grão inteiro, principalmente no gérmen, as gorduras são protegidas deste processo pelos tocoferóis. ▪ Germe de trigo e aveia → ricos em tocoferóis. 28 Profa Susana Ortiz Costa ▪ Mais rico nos farelos e em seguida no gérmen. ▪ Destacam-se fósforo e potássio. Pequenas quantidades de Cálcio e Ferro (baixo aproveitamento comparado às carnes). ▪ Escassa quantidade de sódio. ▪ A natureza dos solo cultivado também influencia podendo conter diversos tipos: S, Mg, Cl, Si (abundante no farelo), Zn, Mn, Cu. 29 Profa Susana Ortiz Costa ▪ Grãos integrais → vitaminas do complexo B (parte do farelo e do germe). ▪ Alimentação à base de arroz polido → prevalência de Beribéri (doença por carência de vit.B1). ▪ Alimentação baseada em milho→ prevalência de Pelagra (doença por carência de niacina). ▪ Causa: provavelmente por presença de antivitamina, ou baixa quantidade de triptofano (precursor da niacina), ou por excesso de treonina (aa intervém no metabolismo de Trp). ▪ Vitaminas lipossolúveis: tocoferóis unidos às frações lipídicas. Caroteno somente no milho amarelo. 30 Profa Susana Ortiz Costa ▪ Fitato ou ác. fítico (classe dos taninos) → presente no reino vegetal e não somente nos cereais (farelo). ▪ O ác. fítico é um ácido hexafosfórico repleto de cargas negativas capaz de ligar aos minerais com cargas positivas (Ca+2, Fe+2, Cu+2, Zn+2, Co+2, N+2) e formar quelatos → impede absorção → eliminados nas fezes. Cu+2 > Zn+2 > Co+2 > Mn+2 > Fe+2 e Fe+3 > Ca+2 31 Profa Susana Ortiz Costa ▪ Fe+2 oxidado em Fe+3 (ganha e-) . ▪ Ácido fítico se liga ao Fe+2 → não forma (RLs) → < Risco de câncer e DCV Fe+2 → Radicais Livres (RLs) → danos celulares > Risco de câncer 32 Profa Susana Ortiz Costa ▪ Taninos: Compostos fenólicos que compreendem uma classe de substâncias. ▪ Menor capacidade de formar quelatos com minerais do que os fitatos. ▪ Principal efeito é a capacidade de se complexar as ptns dos alimentos → dificulta ação das enzimas → digestão. 33 Profa Susana Ortiz Costa TRIGO ✓ Se classifica em dois tipos principais: DURO e MOLE ✓ TRIGO MOLE: pouco glúten → ideal para preparo de massas, biscoitos e bolos. ✓ TRIGO DURO: muito glúten → ideal para preparo de pães → Mais elástica e mais resistente ao estiramento. De grande importância na panificação devido a presença de GLÚTEN. CLASSIFICAÇÃO DO TRIGO DE ACORDO COM O TEOR DE PROTEINAS TRIGO % PROTEÍINAS INDICAÇÃO DE USO DURUM 13,5-15% Massas DURO 12,0-13,0% Pães MOLE 7,5-10,0% Biscoitos e bolos 34 Profa Susana Ortiz Costa FARINHA INTEGRAL → 100% do grão; FARINHA SEMI-INTEGRAL → 80 a 90% do grão (remoção de farelo e gérmen); FARINHA BRANCA → 73% do grão (grão mole) → destinados a produtos leves, macios e para crescimento. TRIGO ✓ O farelo antigamente era destinado à alimentação de animais. Atualmente, com a valorização da alimentação rica em fibras, está sendo utilizado como ingrediente de pães, biscoitos, bolos e etc. 35 36 Profa Susana Ortiz Costa 37 38 Cereais - Arroz Arroz • Grãos provenientes da espécies Oryza sativa (IN nº06/2009). • Um dos alimentos base da alimentação do brasileiro. • Uso culinário diversificado: farinhas para bolos, mingau e doces, bebidas (aguardente e saquê) • Principais tipos de arroz: polido, parboilizado, instantâneo, integral, selvagem, arbóreo, etc. 39 40 Arroz polido (“branco”) • Grãos curtos e redondos tendem a empapar quando coccionados, por isso normalmente são usados para arroz doce e culinária oriental Arroz parboilizado (“arroz amarelo”) • Grãos médios e alongados não empapa tanto, usado em receitas salgadas • Submetido a cozimento sob pressão no beneficiamento • Nutrientes presentes no farelo migram para o centro do grão • grãos cozidos ficam menos viscosos, mais soltos e resistentes à desintegração. 41 42 Processamento do Arroz Arroz Polido 43 Parbolilização 44 Profa Susana Ortiz Costa ARROZ Branco Parboilizado Integral 45 46 Profa Susana Ortiz CostaMILHO ✓ O fubá tem menos glúten → não é indicado para preparo de pães fermentado, utiliza-se misturas de farinhas. ✓ A maisena contém apenas o endosperma; ✓ Resultados melhores para o espessamento que farinha de trigo; ✓ Alimentação infantil Os grãos destinados ao preparo de pipoca apresentam características modificadas quanto à umidade (13 a 15%) e endosperma (duro e córneo). Quando submetido ao calor seco com gordura quente, a água interna transforma-se em vapor ocasionando o rompimento da celulose → EXPLOSÃO DO GRÃO. Industrialmente é utilizado calor seco juntamente com a trituração e esmagamento do grão para a fabricação de cereais pré-cozidos → CORNFLAKES, FARINHA DEXTRINIZADA Zea mays Variedades de milho são usados em diferentes preparações (ex.: pipoca e canjica) Pode ser consumido cozido na espiga, em conserva, em preparações doces e salgadas (pamonha, creme de milho, tortas) 47 48 49 CEVADA ✓ Usada há mais tempo que o trigo ✓ Matéria prima da cerveja, uísque, vodca, missô, etc. ✓ Pode ser usada como mingau 50 ▪ Farinha é resultante da trituração do grão com a casca (coloração escura e alto teor nutritivo). ▪ Possui baixo teor de glúten, por isso deve-se misturar um pouco de farinha de trigo para preparar o pão de centeio 51 52 53 ✓ O gênero Avena compreende várias espécies silvestres, daninhas e cultivadas, distribuídasem seis continentes. ✓ 95% da produção destinada à alimentação de animais. ✓ Possui > concentração de lipídeos de todos os cereais. Ótima fonte de fibras, possui Ca, Fe, Vitaminas do complexo B. ✓ Forma glúten (em menor quantidade) ✓ Os carboidratos totais variam entre 60,4% e 71,3%. 54