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21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 1/23 Tópico 01 Nutrição Aplicada ao Esporte Estudo da Fisiologia Muscular 1. Introdução Ao longo de todo o dia nós continuamente nos movimentamos, seja realizando movimentos voluntariamente, como chutar uma bola ou pegar o celular, ou até mesmo de forma involuntária, como os movimentos da respiração e contração cardíaca. Independentemente do tipo de movimento, algum dos diferentes tipos de tecidos musculares é responsável por executar. Logo, estudar sobre o funcionamento dos músculos é buscar aprender sobre como os tecidos que os compõem dão base para a realização das nossas funções vitais, mas também permitem que nos movimentemos em busca de nossos objetivos (GUYTON; HALL, 2017). Assim, neste tópico vamos abordar assuntos que vão desde a composição dos músculos, sua estrutura, formas de ativação, contração e relaxamento, até seus tipos de fibras. 2. Tipos de Músculos No corpo humano existem três tipos de tecidos musculares, o músculo liso, o músculo estriado cardíaco e o músculo estriado esquelético. O músculo estriado cardíaco compõe o coração, sendo responsável pela movimentação de sangue pelo sistema circulatório. Já os músculos estriados esquelético estão ligados a ossos através de tendões e são responsáveis pela manutenção postural e movimentação corporal (GUYTON; HALL, 2017). 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 2/23 Os músculos esquelético e cardíaco são classificados como estriados, pois ao serem observados com o auxílio de um microscópio apresentam como característica um padrão alternado de faixas claras e escuras. A diferença entre eles é que as fibras do músculo cardíaco estriado, em geral, são menores que as fibras do músculo estriado esquelético (SILVERTHORN, 2017). O músculo liso recebe este nome por não apresentar o padrão com faixas claras e escuras. Isto ocorre porque este tipo de músculo tem um arranjo de proteínas contráteis menos desenvolvido que a musculatura estriada. O tecido muscular liso é encontrado nos órgãos e nas estruturas tubulares internas, como por exemplo no esôfago, estômago, intestinos, bexiga e os vasos sanguíneos (SILVERTHORN, 2017). Os músculos estriados esqueléticos, em geral, são músculos de contração voluntária devido a sua ativação pelo sistema nervoso somático, com exceções a situações como reflexos, em que a contração assume caráter involuntário. Assim, este tipo de músculo se contrai apenas em resposta ao sinal derivado de um neurônio motor somático, não se contraindo de maneira independente ou por influência de hormônios (SILVERTHORN, 2017). Os músculos liso e o estriado cardíaco são classificados como involuntários. Estes tipos musculares estão sob a ação de Confira imagens dos diferentes tipos de músculos no manual teórico e prático de histologia – capítulo 8: tecido muscular. Disponível no link: https://openaccess.blucher.com.br/download- pdf/431/21711 https://openaccess.blucher.com.br/download-pdf/431/21711 https://openaccess.blucher.com.br/download-pdf/431/21711 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 3/23 diferentes mecanismos de controle, como o proveniente da inervação do sistema nervoso autônomo (SILVERTHORN, 2017). Além disso, alguns tipos de músculos liso e cardíaco podem se contrair de forma espontânea, a forma de controle da atividade destes músculos é via ação do sistema endócrino, em que hormônios levam as modificações na função contrátil (GUYTON; HALL, 2017). Nos trechos seguintes, apresentaremos a organização das estruturas e os mecanismos contráteis do músculo estriado esquelético, que como vimos, tem funções relacionadas a movimentação corporal, sendo assim um tipo muscular importante na execução dos exercícios físicos. 3. Composição e Estrutura do Músculo Estriado Esquelético O principal constituinte do músculo estriado esquelético é a água, compondo cerca de 75% deste tecido. Em torno de 20% são proteínas e os 5% restantes são compostos por substâncias como fosfato, ureia, lactato, minerais, enzimas, aminoácidos, gorduras, carboidratos, íons, sódio, potássio e cloreto. Algumas das estruturas do músculo estriado esquelético são identificadas por termos diferentes dos que são usados na terminologia geral das células. Assim, a célula muscular é identificada como fibra muscular, a membrana plasmática como sarcolema, o citoplasma como sarcoplasma e o retículo endoplasmático como retículo sarcoplasmático. Em cada músculo esquelético existem milhares de fibras, que são longas, finas, multinucleadas e paralelas umas às outras, e tem a força da contração dirigida ao longo do seu eixo longitudinal. O 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 4/23 comprimento de cada fibra pode ser de alguns milímetros, como por exemplo nos músculos oculares, e chegar a quase 30cm nos grandes músculos antigravitacionais do membro inferior. Delimitando a superfície de cada fibra muscular está o sarcolema, que é uma membrana fina e elástica. As fibras são envolvidas por diferentes camadas de tecido conjuntivo. A primeira camada de revestimento é denominada endomísio. O conjunto de fibras mais o endomísio são revestidos por uma outra camada de tecido conjuntivo, o perimísio. Formando, assim, um feixe que compreende até 150 fibras e recebe o nome de fascículo muscular. O conjunto de vários fascículos musculares é revestido pelo epimísio, uma outra camada de tecido conjuntivo, também chamada de fáscia profunda, que forma uma bainha protetora. O epimísio se afunila nas extremidades distal e proximal do músculo e se une ao tecido intramuscular para formar o tecido conjuntivo dos tendões. Os tendões conectam ambas as extremidades do músculo estriado esquelético ao periósteo, a estrutura mais externa do osso, gerando a ancoragem necessária para os músculos 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 5/23 estriados esqueléticos gerarem tração nas áreas de ligação com os ossos (McARDLE et al, 2011). O sarcolema é constituído por uma membrana plasmática (plasmalema) e por uma membrana basal. A membrana plasmática é uma estrutura lipídica com duas camadas, que conduz a onda eletroquímica de despolarização sobre a superfície da fibra muscular. Já as proteínas, que são encontradas na membrana basal, bem como seus filamentos de fibrilas colágenas, fundem-se com as fibras de tecido conjuntivo do tendão (McARDLE et al, 2011). Entre as membranas basal e plasmática do sarcolema existem células-tronco miogênicas, também conhecidas como células satélites, que são empregadas no crescimento celular regenerativo, proporcionando adaptações aos exercícios físicos e na recuperação após uma lesão (McARDLE et al, 2011). No interior do sarcolema está o sarcoplasma, que contém enzimas, partículas de gordura e de glicogênio, mitocôndrias e núcleos (cerca de 250mm de comprimento da fibra) que contêm os genes (McARDLE et al, 2011). Ao longo da fibra muscular está o retículo sarcoplasmático, uma extensa rede de canais tubulares e vesículas que circunda as estruturas formadas pelas proteínas contráteis da fibra muscular. Na membrana do retículo sarcoplasmático são encontrados transportadores ativos, que removem o cálcio do sarcoplasma e o lançam no interior do retículo sarcoplasmático, gerando um acúmulo de cálcio no retículo (McARDLE et al, 2011). Associados ao retículo sarcoplasmáticoestão os túbulos T, que são invaginações do sarcolema que atuam proporcionando que a onda de despolarização possa propagar-se de forma mais rápida da superfície externa da fibra para seu meio interno, para assim 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 6/23 iniciar os processos que gerarão a contração muscular (McARDLE et al, 2011). Cada fibra muscular contém em seu interior milhares de miofibrilas que ocupam a maior parte do volume intracelular. As miofibrilas são compostas por proteínas contráteis e estruturais organizadas (McARDLE et al, 2011). As proteínas das miofibrilas incluem (McARDLE et al, 2011): A miosina, que forma os filamentos grossos; A actina, que forma os microfilamentos de actina, chamados de filamentos finos; As proteínas tropomiosina e troponina, que atuam regulando o processo de contração muscular; As duas proteínas estruturais ou acessórias, a titina e a nebulina, que são conhecidas pelo seu grande tamanho; A miosina é uma proteína com capacidade de gerar movimento. Existem diferentes isoformas de miosina nos diferentes tipos musculares, as quais influenciam a velocidade de contração muscular. A miosina é constituída por proteínas que se entrelaçam, gerando uma cauda e duas cabeças (McARDLE et al, 2011). As duas cabeças de miosina possuem regiões com capacidade móvel, em uma conformação que lembra uma dobradiça. Estas regiões permitem que haja a fixação da miosina na cadeia de actina e, posteriormente, ocorra o movimento. Cada cabeça de miosina possui uma cadeia proteica pesada e uma cadeia proteica leve. A cadeia pesada tem a capacidade de se ligar ao ATP e utilizar a energia da ligação para produzir o movimento. Assim, a cadeia pesada funciona como uma enzima que quebra o ATP, sendo considerada uma miosina-ATPase (McARDLE et al, 2011). 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 7/23 Um filamento grosso é feito por cerca de 250 moléculas de miosina. A organização das moléculas de miosina ocorre de modo que as cabeças fiquem na parte externa da extremidade do filamento grosso (McARDLE et al, 2011). Outra proteína que atua no processo de gerar movimento é a actina, que é constituinte dos filamentos finos presentes na fibra muscular. A actina é uma proteína globular, sendo identificada por actina G. Várias moléculas de actina G se unem, ou seja, formam um polímero na forma de um filamento chamado de actina F. Nos filamentos finos, dois polímeros de actina F estão enrolados um no outro (McARDLE et al, 2011). Os filamentos grossos e finos ficam dispostos em paralelo na fibra muscular. Cada actina G tem um único sítio de ligação à miosina e cada cabeça da miosina tem um sítio de ligação à actina, bem como um sítio de ligação ao ATP. Quando as cabeças da miosina, dos filamentos grossos, se ligam nas actinas G, dos filamentos finos, se forma o que é chamado de ligações cruzadas (McARDLE et al, 2011). Quando visto com o auxílio de um microscópio óptico, a organização dos filamentos grossos e finos em uma miofibrila, na fibra muscular, gera um padrão de bandas claras e escuras alternadas que se se repetem. Uma única repetição do padrão forma um sarcômero, a unidade contrátil da miofibrila, sendo que cada sarcômero é constituído por (McARDLE et al, 2011): Discos Z (também chamados de linhas Z): em sua formação o sarcômero possui dois discos Z com os filamentos presentes entre eles. Os discos Z são formados por proteínas que tem uma organização em ziguezague e servem como locais de ancoragem para os filamentos finos. Banda I: é a banda mais clara do sarcômero, identifica uma região ocupada somente por filamentos finos. Um disco Z atravessa verticalmente o centro de cada banda I, de modo 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 8/23 que cada metade de uma banda I faz parte da estrutura de um sarcômero diferente. Banda A: é a mais escura do sarcômero e engloba os filamentos grossos em todo o seu comprimento. Nas regiões laterais da banda A, filamentos grossos e finos estão se sobrepondo. Já no centro, a banda A é ocupado apenas por filamentos grossos. Zona H: é a região central da banda A, que é mais clara do que as porções laterais desta banda, devido a zona H ser ocupada apenas por filamentos grossos. Linha M: representa as proteínas que formam o local de ancoragem dos filamentos grossos, semelhante ao disco Z para os filamentos finos. Cada linha M divide uma banda A ao meio. Os filamentos grossos e finos (também chamados de delgados) são mantidos no lugar dentro da fibra muscular devido as suas ligações às proteínas do disco Z, no caso de filamentos finos, e as da linha M, no caso de filamentos grossos. Em adição a isto, ao analisar uma secção transversal de uma miofibrila, podemos ver que cada filamento fino é cercado por três filamentos grossos e cada filamento grosso é cercado por seis filamentos finos (McARDLE et al, 2011). 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 9/23 A fibra muscular possui miofibrilas que apresentam sarcômeros, as menores unidades contráteis. Cada sarcômero possui diferentes regiões, como bandas e linhas, as quais são representadas na imagem. A titina e a nebulina garantem o adequado alinhamento dos filamentos dentro de um sarcômero. A titina se estende desde um disco Z, até a linha M próxima, e possui duas funções: a primeira é a de estabilizar a posição dos filamentos contráteis e a segunda é fazer com que os músculos estriados retornem ao seu comprimento de repouso após uma contração, o que é feito devido a elasticidade da titina que conduz as proteínas contráteis a conformação de repouso. A nebulina auxilia no alinhamento dos filamentos finos no sarcômero (GUYTON; HALL, 2017). 4. Contração Muscular A contração muscular permite a geração de força para mover ou resistir a uma carga. A força causada pela contração muscular é chamada de tensão muscular. A contração muscular é um 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 10/23 processo ativo, ou seja, necessita de energia que é fornecida pelo ATP. O relaxamento é a liberação da tensão gerada durante a contração e um ciclo de contração e relaxamento é denominado abalo muscular (GUYTON; HALL, 2017). A contração muscular ocorre devido a uma sequência de eventos que resultam na ativação das proteínas contráteis das fibras musculares. A sequência começa com um potencial de ação por parte de um nervo motor. Após isto, as seguintes etapas ocorrem (GUYTON; HALL, 2017): 1. O potencial de ação no neurônio motor leva a liberação de acetilcolina pelo axônio terminal. A acetilcolina se difunde através da sinapse neuromuscular e se liga em seus receptores presentes no sarcolema. 2. A ação da acetilcolina leva a despolarização do sarcolema, ocorrendo inclusive a despolarização dos túbulos T. 3. A despolarização, inclusive do sistema de túbulos T, acarreta a liberação de cálcio pelas cisternas terminais do retículo sarcoplasmático. 4. A concentração de cálcio no sarcoplasma se eleva. O cálcio se liga ao complexo troponina-tropomiosina nos filamentos de actina. A ligação do cálcio ocorre, em específico, na troponina, o que faz com que a tropomiosina se desloque, deixando o sítio de ligação da actina G disponível para a ligação com a cabeça da miosina. 5. A cabeça da miosina se liga a actina G formando a ponte cruzada. Através do complexo formado ocorre a ativação da miosinaATPase, que quebra o ATP em ADP + P. A energia da reação produz a movimentação das pontes cruzadas através da ação da cabeça da miosina. 6. Após a movimentação, outra molécula de ATP liga-se à ponte cruzada de miosina, encerrando a conexão actina-miosina, fazendo com que a ponte cruzada se dissocie. Isso torna possível o deslizamento dos filamentos espessos e finos uns sobre os outros, gerando encurtamento da fibra muscular. 7. Quando a concentração de cálcio no sarcoplasma é mantida elevada devido a despolarização da membrana, ocorre a contínua ativação das pontes cruzadas, via manutenção da inibição da ação inibitória do complexo troponina-tropomiosina. 8. Quando o estímulo contrátil se encerra, a concentração de cálcio no sarcoplasma cai rapidamente devido o retorno do cálcio ao retículo sarcoplasmático, por meio do transporte ativo de cálcio. 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 11/23 9. A remoção de cálcio permite o retorno da ação inibitória do complexo troponina-tropomiosina, visto que, com a redução da concentração de cálcio no sarcoplasma, a ligação cálcio- troponina se desfaz e a tropomiosina volta a obstruir o sítio de ligação da actina, impedindo a ligação com a cabeça da miosina. Vale ressaltar que a obstrução do sítio de ligação da actina tem dois objetivos (SILVERTHORN, 2017): 1. Evitar a ligação entre as cabeças da miosina e os filamentos de actina. 2. Bloquear a ação da miosina ATPase para reduzir a quebra do ATP. Objetivos estes que levam ao relaxamento muscular, através do retorno dos filamentos finos e grossos para a sua conformação original. Nas fibras musculares, a tensão produzida durante a contração depende diretamente do comprimento de cada sarcômero antes do início da contração. Cada sarcômero se contrairá e se estiver no comprimento ideal (nem muito longo e nem muito curto), exercerá sua força máxima (GUYTON; HALL, 2017). Confira a representação gráfica de como ocorre a contração muscular disponível no vídeo “Contração muscular – dublado”. Clicando no link: 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 12/23 No nível molecular, o comprimento do sarcômero reflete o grau de sobreposição entre os filamentos grossos e finos. Se as fibras começam a se contrair com sarcômeros muito alongados, quase não há sobreposição entre os filamentos grossos e finos, portanto, quase não há sobreposição. Isso significa que no início da contração, quase não há interação entre os filamentos deslizantes e, portanto, quase nenhuma força é gerada (SILVERTHORN, 2017). No comprimento ideal do sarcômero, o filamento começará a encolher através das numerosas ligações cruzadas formadas entre os filamentos grossos e finos, de modo que a fibra gerará maior força (SILVERTHORN, 2017). Se o sarcômero for mais curto do que o comprimento ideal no início da contração, os filamentos finos e grossos irão se sobrepor demais antes do início da contração. Portanto, os filamentos grossos só serão capazes de mover os filamentos dentro de uma curta distância antes que os filamentos em cada extremidade do sarcômero comecem a se sobrepor. Essa sobreposição evita a formação de ligações, conforme representado na imagem abaixo (SILVERTHORN, 2017): 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 13/23 Para que ocorra a sobreposição ideal de filamentos grossos e finos, o sarcômero deve estar em seu comprimento ideal. Quanto o sarcômero é pouco estirado ou estirado em excesso, ocorre a redução da sobreposição dos filamentos finos e grossos e a redução da tensão desenvolvida. É importante observar que um único abalo não produzirá a força máxima que as fibras musculares podem desenvolver. É possível elevar a força da contração de uma única fibra muscular, aumentando a frequência dos potenciais de ação ao qual a fibra é sujeita (SILVERTHORN, 2017). Um potencial de ação muscular típico pode durar de 1 a 3 milissegundos, enquanto uma contração muscular pode durar 100 milissegundos. Se o intervalo entre os potenciais de ação sequenciais for longo, as fibras musculares terão tempo para relaxar completamente entre dois estímulos subsequentes (GUYTON; HALL, 2017). Se o intervalo de tempo entre os potenciais de ação for reduzido, as fibras musculares não terão tempo para relaxar 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 14/23 completamente entre dois estímulos subsequentes, resultando em contrações mais intensas. Esse processo é chamado de somação (GUYTON; HALL, 2017). Se o potencial de ação continuar a estimular as fibras musculares repetidamente por um curto tempo, o período de relaxamento entre as contrações diminuirá até que as fibras musculares atinjam o estado de contração máxima, identificado por tetania (GUYTON; HALL, 2017). Existem dois tipos de tetania, a incompleta e a completa. Na incompleta, a frequência de estimulação da fibra muscular não é máxima e, assim, a fibra relaxa levemente entre os estímulos. Já na tetania completa, a frequência de estimulação é alta, de modo que não haja tempo de a fibra relaxar, levando-a a atingir e manter a tensão máxima sustentada. Assim, a tensão gerada por uma única fibra muscular pode ser aumentada, mudando a frequência do potencial de ação que a estimula (GUYTON; HALL, 2017). Em um músculo esquelético, não somente a frequência de potência leva modificação na força de contração, o tipo e o número de unidades motoras também interfere na força de contração gerada. Sendo que uma unidade motora é constituída por um conjunto de fibras musculares inervadas por um mesmo moto neurônio (GUYTON; HALL, 2017). Os músculos são compostos por múltiplas unidades motoras de diferentes tipos. Essa diversidade permite ao músculo modular a força de contração, através da alteração de quais tipos de unidades motoras estão ativas e de quantas unidades motoras estão ativas (GUYTON; HALL, 2017). 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 15/23 Os neurônios motores inervam diferentes fibras musculares, como representado pelos moto neurônios acima, em verde e azul. Isso dá origem a diferentes unidades motoras, que são constituídas de um neurônio motor mais as fibras musculares ao qual este neurônio inerva. A força da contração do músculo esquelético pode ser aumentada adicionando mais unidades motoras. O recrutamento é controlado pelo sistema nervoso e executado em uma ordem padronizada (POWERS; HOWLEY, 2014). Um estímulo fraco direcionado a um conjunto de neurônios motores gerará o acionamento somente dos neurônios com os limiares de ativação mais baixos. Estes neurônios de baixo limiar controlam as fibras de contração lenta, que são resistentes à fadiga e geram menos força (POWERS; HOWLEY, 2014). Conforme a intensidade da estimulação em um grupo de neurônios motores aumenta, outros neurônios motores com limiares mais elevados serão acionados. Por sua vez, esses neurônios estimulam unidades motoras compostas por fibras 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 16/23 glicolíticas-oxidativas de contração rápida, que ainda possuem como característica maior resistência à fadiga. Como resultado, mais fibras musculares serão ativadas e maior será a força gerada (POWERS; HOWLEY, 2014). A medida que a estimulação aumenta para níveis mais altos,os neurônios motores somáticos com o limiar mais alto começam a serem ativados. Esses neurônios estimulam unidades motoras compostas de fibras glicolíticas de contração rápida. Nesse momento, a contração muscular está próxima de sua força máxima (POWERS; HOWLEY, 2014). Devido as diferenças na miosina e na formação de ligações, entre a miosina e actina, as fibras de contração rápida produzem maior força do que as fibras de contração lenta. No entanto, como as fibras de contração rápidas entram em fadiga mais rapidamente, é impossível manter a força máxima de contração muscular por muito tempo (POWERS; HOWLEY, 2014). Para que ocorram contrações musculares sustentadas é necessária uma sequência contínua de potenciais de ação do sistema nervoso central para o músculo. No entanto, como vimos, a elevação da frequência de estímulos direcionados a uma fibra muscular leva à somação das suas contrações. Assim, caso a Curiosidade: você pode observar o fato de as fibras de contração rápida entrarem em fadiga rapidamente. Para isso, cerre seu punho com o máximo de força que puder e mantenha pelo maior tempo que conseguir. Assim que as fibras forem ficando fadigadas você perderá a capacidade de manter o punho cerrado com o máximo de força. 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 17/23 fibra muscular for fatigável com maior facilidade, a somação causará fadiga, diminuindo a tensão muscular (GUYTON; HALL, 2017). Para o sistema nervoso evitar a fadiga durante as contrações sustentadas é realizado o recrutamento de unidades motoras de forma não simultânea, modulando a frequência de disparo dos neurônios motores, para que diferentes unidades motoras se revezem a fim de manter a tensão muscular. A alternância entre unidades motoras ativas permite que algumas unidades descansem entre as contrações, postergando assim a fadiga (GUYTON; HALL, 2017). No entanto, o recrutamento não simultâneo evita apenas a fadiga em contrações submáximas. No caso de contrações prolongadas de maior tensão, as unidades motoras individuais podem atingir o estado de tetania incompleta, em que as fibras musculares variam da contração ao relaxamento parcial. Geralmente, este ciclo não é percebido, porque as diferentes unidades motoras do músculo se contraem e relaxam em momentos brevemente diferentes (GUYTON; HALL, 2017). Assim, temos como resultado uma média entre contrações e relaxamentos de diferentes unidades motoras, que aparentam uma contração uniforme. No entanto, à medida que as diferentes unidades motoras começam a se cansar, os músculos não conseguem manter a tensão e a força de contração diminui gradativamente (GUYTON; HALL, 2017). 5. Tipos de Fibras Musculares Como vimos, o músculo estriado esquelético contém diferentes tipos de fibras com diferentes propriedades metabólicas e contráteis. Sendo composto por dois tipos principais de fibras: o tipo I e o tipo II, que se diferem, por exemplo, quanto aos 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 18/23 mecanismos que utilizam para a produção de ATP. A proporção de cada tipo de fibra muscular varia de um músculo para outro e entre indivíduos diferentes (McARDLE et al, 2016). As fibras do tipo II são fibras de contração rápida e exibem as características abaixo (McARDLE et al, 2011): 1. Grande capacidade para a transmissão de potenciais de ação. 2. Alta atividade de miosina ATPase. 3. Liberação e absorção rápida de cálcio pelo retículo sarcoplasmático. 4. Elevada taxa de renovação das pontes cruzadas. Esses quatro fatores determinam que esta fibra pode produzir energia rapidamente, de forma a alcançar movimentos musculares rápidos e com maior força. A velocidade de encurtamento e o desenvolvimento da tensão das fibras do tipo II são de três a cinco vezes maiores do que as das fibras do tipo I (McARDLE et al, 2011). As fibras do tipo II utilizam um sistema glicolítico rápido bem desenvolvido para gerar energia. A ativação destas fibras se encontram em atividades predominantemente anaeróbicas de elevada velocidade e em contrações musculares fortes, que usam quase que inteiramente o metabolismo anaeróbico para síntese de ATP (McARDLE et al, 2011). Assim, a ação das fibras de contração rápida é importante nos esportes com paradas e arranques ou com alterações de ritmo, como por exemplo basquete, futebol e polo aquático, atividades que demandam rápida entrega de energia (McARDLE et al, 2011). As fibras do tipo II são divididas em dois subtipos, a IIa e a IIx. A fibra do tipo IIa exibe encurtamento rápido e certa capacidade desenvolvida para a produção de energia a partir de fontes tanto aeróbicas, quanto anaeróbicas. Essas fibras são identificadas também como fibras rápidas-oxidativas-glicolíticas. Já a fibra do 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 19/23 tipo IIx possui o maior potencial anaeróbico e maior velocidade de contração que a fibra do tipo Iia (EGAN; ZIERATH, 2013). Fibras do tipo I são de contração lenta e geram energia, principalmente, pelo sistema aeróbico de transferência e possuem as características abaixo (McARDLE et al, 2011): 1. Baixa atividade de miosina ATPase. 2. Capacidade de liberação e recaptação do cálcio pelo retículo sarcoplasmático e velocidade de encurtamento lenta. 3. Capacidade glicolítica menos desenvolvida que as fibras de contração rápida. 4. Mitocôndrias grandes e numerosas. Essas características tornam as fibras de contração lenta altamente resistentes à fadiga e mais apropriadas para a atividade aeróbica prolongada. Estas fibras são chamadas lentas- oxidativas, ressaltando assim seu encurtamento lento e sua dependência do metabolismo oxidativo (McARDLE et al, 2011). As fibras de contração lenta contribuem durante esportes como corridas e natação de menor intensidade, mas também no basquete e futebol, que combinam vias de geração de energia aeróbica e anaeróbicas (McARDLE et al, 2011). Na tabela abaixo, podemos ver a comparação de diferentes características dos tipos de fibras musculares. Tabela 01 – Comparação de diferentes características dos tipos de fibras musculares Tipo I Tipo IIa Tipo IIx Velocidade de contração Mais lenta Intermediária Mais rápida Atividade da miosina- ATPase Lenta Rápida Rápida Diâmetro Pequeno Médio Grande Duração da contração Mais longa Curta Curta 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 20/23 Tipo I Tipo IIa Tipo IIx Atividade de captação do cálcio pelo retículo sarcoplasmático Moderada Alta Alta Resistência à fadiga Resistente Resistente Pouco resistente Metabolismo Oxidativo, aeróbico Glicolítico- oxidativo Glicolítico Densidade capilar Alta Média Baixa Mitocôndrias Numerosas Quantidade moderada Poucas É interessante destacar que certos padrões de distribuição, quanto aos tipos das fibras musculares, aparecem quando analisamos atletas de ponta. Os atletas de esportes que exigem resistência, como maratona e ciclismo de longas distâncias, têm maior quantidade de fibras de contração lenta nos principais músculos estriados esqueléticos ativados em sua modalidade Confira a representação gráfica sobre os tipos de fibras musculares, disponível no vídeo “O impacto das fibras musculares no seu treino”. Clicando no link: 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 21/23 esportiva. Por outro lado, no caso de atletas velocistas de elite, as fibras de contraçãorápida são predominantes nos músculos mais ativados (POWERS; HOWLEY, 2014). As diferenças entre o desempenho em modalidades esportivas e a composição de fibras musculares dizem respeito, principalmente, aos atletas de elite que se sobressaem. Mesmo nesse em relação aos tipos de fibras, não é o único fator que determina o desempenho, o sucesso é reflexo da combinação de sistemas que fundamentam a prática esportiva, como os fisiológicos, bioquímicos, neurológicos e biomecânicos (POWERS; HOWLEY, 2014). 6. Conclusão Este tópico procurou demonstrar quais são os tipos de tecido muscular presentes no corpo humano, bem como descrever a composição e estrutura do músculo estriado esquelético. Vimos também como ocorre a contração e relaxamento muscular, bem como os processos envolvidos na regulação da tensão gerada, Com base no que acabamos de ler, reflita considerando as perguntas abaixo: 1. Qual tipo de fibra o corredor velocista jamaicano Usain Bolt teria em maior quantidade nos músculos ativados para ter melhor rendimento na corrida de 100m? 2. Qual tipo de fibra o corredor maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima teria em maior quantidade nos músculos ativados para ter melhor rendimento em uma maratona? 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 22/23 como a somação e a tetania. Além disto, buscou-se discriminar os tipos de fibras que compões os músculos estriados esqueléticos e seu impacto na utilização de substratos energéticos. Estes assuntos são de fundamental importância para o entendimento do funcionamento muscular e constituem uma das bases para a adequada prescrição nutricional para praticantes de exercícios físicos. 7. Referências EGAN, B.; ZIERATH, J.R. Exercise Metabolism and the MolecularRegulation of Skeletal Muscle Adaptation. Cell Press, v. 17, fevereiro, 2013. GUYTON, A.C.; HALL J.E.– Tratado de Fisiologia Médica. Editora Elsevier. 13ª ed., 2017. McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. 8ª ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L. Nutrição para o esporte e exercício. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. Powers, S.K.; Howley, E.T. Fisiologia do Exercício – Teoria e Aplicação ao Condicionamento e ao. Desempenho – 8ª Edição, Manole, 2014. SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada, 7ª Edição, Artmed, 2017. 21/02/2024, 20:32 Estudo da Fisiologia Muscular https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=estudo-da-fisiologia-muscular&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topic=1 23/23 Parabéns, esta aula foi concluída! Mínimo de caracteres: 0/150 O que achou do conteúdo estudado? Péssimo Ruim Normal Bom Excelente Deixe aqui seu comentário Enviar