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Tópico 07
Nutrição Aplicada ao Esporte
Necessidades nutricionais e
suplementação de lipídios para o
exercício e esporte
1. Introdução
Os lipídios e carboidratos são os substratos mais utilizados como
fontes de energia pelo organismo nas atividades esportivas. As
duas fontes são oxidadas ao mesmo tempo, no entanto. a relação
de energia fornecida por cada matriz depende do tipo,
intensidade e duração da atividade física, bem como do nível de
aptidão física do praticante e das características da dieta adotada
(BIESEK, S.: ALVES, L. A: GERRA, 1.: 2010).
A gordura é o principal combustível para exercícios de
intensidade leve à moderada, é um combustível metabólico
valioso para os músculos durante os exercícios de resistência e
desempenha muitas funções importantes no corpo, embora não
forneça explosões rápidas de energia necessária para a
velocidade (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
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Estimativas gerais do uso de energia durante vários tipos de
atividade física. Em relação aos treinos de halterofilismo, o uso
de carboidrato pode ser maior, e o de gordura menor se o
treino for intenso e feito em ritmo rápido (por exemplo: treino
em circuitos). O uso de gordura costuma ser maior, porque os
períodos de repouso e de atividades feitas com equipamentos
compõem a maior parte do treino de halterofilismo.
Quanto mais eficiente um atleta se torna em seu respectivo
esporte, mais fácil é operar em uma intensidade menor,
mantendo o nível de trabalho ou mantendo a mesma velocidade
(eficiência metabólica) (McARDLE, W.; KATCH, F.: KATCH, V.
L.. 2011).
O objetivo deste capítulo é conceituar a respeito das
necessidades nutricionais e suplementação de lipídios com foco
em praticantes de exercício e esporte, desde a sua definição,
classificação, função e metabolismo às recomendações de
consumo e seu impacto como recurso de eficiência energética e
promoção da saúde.
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2. Conceituação e classificação
De maneira geral, os lipídeos são moléculas orgânicas
caracterizadas por serem insolúveis em meio aquoso. Em um
contexto energético, as gorduras e os lipídeos constituem 9
kcal/g, repercutindo em um ambiente nutricional onde
pequenas quantidades de alimentos que contém gordura
fornecem uma quantidade maior de energia (McARDLE. W.;
KATCH, F.; KATCH, V. L.. 2018).
Segundo a definição da ANVISA, os lipídeos são biomoléculas
compostas por C, H e 0. sendo solúveis em solventes orgânicos.
Possuem grande variedade de formas estruturais e estão
presentes em todos os tecidos do corpo. São representados
principalmente por: Ácidos graxos livres (AGL), Triglicerídeos
(TG), Fosfolipideos (FL), Colesterol livre (CL), Colesterol
esterificado (CE).
C n I-I2n 02
Fórmula geral: (n° c:4 a 36)
Quimicamente, a fração lipidica básica dos triglicerideos e dos
fosfolipideos é de ácidos graxos, que são longas cadeias de ácidos
orgânicos de hidrocarbono. Embora o colesterol não contenha
ácidos graxos, seu núcleo esterol é sintetizado pela degradação
de produtos das moléculas de ácidos graxos, o que dá a ele
muitas propriedades físicas e químicas de outras substâncias
lipidicas (BIESEK, S.: ALVES, L. A; GERRA, I.: 2010).
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A presença ou ausência de duplas ligações entre os átomos de
carbono constitui a maior diferença estrutural entre os ácidos graxos
saturados e insaturados. “R” representa a fração glicerol da molécula
de triglicerideo.
Os triglicerideos são utilizados no corpo, principalmente, para
fornecer energia para os vários processos metabólicos. uma
função compartilhada quase que igualmente com os
carboidratos. Alguns lipídeos, especialmente o colesterol,
fosfolipideos e derivados desses compostos são utilizados por
todo o corpo para realizar outras funções intracelulares
(BIESEK, S.: ALVES, L. A; GERRA, I.: 2010).
Os lipídeos podem ser classificados como simples, compostos e
derivados. A classe dos lipídeos simples consiste principalmente
em triglicerideos, que são a gordura mais abundante no corpo e
compõem a principal maneira de armazenamento de gordura
nas células adiposas. São compostos por gorduras e ceras, sendo
as gorduras fortemente representadas pelos ésteres de ácidos
graxos com glicerol, que são unidos por uma ligação éster
(BIESEK, S.: ALVES, L. GERRA, I.: 2010).
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Durante o processo de síntese dos triglicerídeos, em que o
glicerol e os ácidos graxos são combinados, são formadas três
moléculas de água. No processo contrário de hidrólise, em que a
molécula de gordura é quebrada pela ação da lipase, três
moléculas de água serão utilizadas (McARDLE. W.: KATCH, F.;
KATCH, V. L., 2011).
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Nos ácidos graxos saturados, a cadeia de carbonos não apresenta
ligações duplas. Eles são encontrados principalmente em
produtos animais, como carne bovina, cordeiro, porco, frango e
gema de ovo, e em laticínios, tais como creme de leite, leite,
manteiga e queijo. Nos vegetais, os ácidos graxos saturados são
encontrados nos óleos de coco e de palma, gordura vegetal e
margarina hidrogenada. Também é possível encontrar
quantidades abundantes de ácidos graxos em produtos
processados, como bolos, tortas e biscoitos (McARDLE, W.;
KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
Os ácidos graxos insaturados são caracterizados por conter uma
ou mais ligações duplas ao longo da cadeia principal de carbono.
No ácido graxo monoinsaturado (óleo de canola, azeite de oliva),
a cadeia de carbonos apresenta uma ligação dupla. Já nos ácidos
graxos poli-insaturados (óleos de cártamo, girassol, soja e
milho), a cadeia de carbonos apresenta duas ou mais ligações
duplas (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L.. 2011).
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A presença ou a ausência de ligações duplas entre os
átomos de carbono é a principal diferença estrutural
entre ácidos graxos saturados ou insaturados. A. O ácido
graxo saturado ácido palmitico não conta com ligações
duplas em sua cadeia de carbono e contém a
quantidade máxima de átomos de hidrogénio. Sem
ligações duplas. as três cadeias de ácido graxo saturado
se encaixam mais intimamente e formam uma gordura
“dura”.
B. As três ligações duplas do ácido linoleico, um ácido
graxo insaturado, reduzem a quantidade de átomos de
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hidrogênio na cadeia de carbono. A inserção de ligações
duplas na cadeia de carbono evita a associação próxima
dos ácidos graxos, produzindo umagordura “mais mole”
ou um óleo.
Os lipídeos derivados são formados a partir dos lipídios simples,
compostos e possuem anéis de hidrocarbonetos. Incluem ácidos
graxos, glicerol, esteroides, aldeídos graxos, corpos cetônicos,
vitaminas lipossoltiveis, micronutrientes e hormônios
(McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
O colesterol existe apenas no tecido animal e é o lipídio derivado
mais conhecido. Apesar de não conter ácidos graxos, possui
algumas propriedades físicas e químicas dos lipídios: do ponto
de vista alimentar, o colesterol é considerado um lipídio. O
colesterol, encontrado amplamente na membrana plasmática de
todas as células, é obtido tanto pela dieta (colesterol exógeno)
quanto pela síntese celular (colesterol endógeno) (McARDLE,
W.; KATCH. F.; KATCH, V. L., 2011).
A estrutura química do colesterol fornece a base para a síntese
de todos os compostos esteroides no corpo (como sais biliares,
vitamina D, hormônios sexuais e hormônios do córtex adrenal)
(McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
No que se refere ao colesterol, existe uma grande crença
popular sobre
o consumo de ovo (mais especificamente, da gema) e os
níveis elevados
de colesterol plasmático. Confira mais sobre associações
da ingestão de ovos e colesterol no artigo “Ovo:
Conceitos, análises e controvérsias na saúde humana”.
Clique aqui

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http://ve.scielo.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-06222006000400001
A terceira classe é a dos lipídeos complexos, compostos a partir
de uma molécula de triglicerídeo associada a outras substâncias
químicas: estes representam cerca de 10% da gordura corporal.
Abrangem, além de ácidos graxos e álcool (substâncias presentes
na classe dos lipídeos simples), outros grupamentos. Assim, os
lipídeos complexos podem ser divididos em fosfolipídios,
glicolipideos (glicosfingolipideos) e lipoproteínas (McARDLE,
W.; KATCH. F.: KATCH, V. L., 2011).
Os fosfolipidios possuem a habilidade de interagir tanto com
água como com os lipídios, modulando os movimentos de
líquidos através das membranas celulares. Na sua composição.
possuem uma ou mais moléculas de ácidos graxos combinadas
com um grupo contendo fósforo e com uma base nitrogenada
(BIESEK. S.: ALVES, L. A; GERRA, I.: 2010).
Os fosfolipidios desempenham um papel significativo na
coagulação sanguínea e dão integridade estrutural para a bainha
de isolamento que recobre as fibras nervosas lipoproteínas
(McARDLE, W.; KATCH. F.; KATCH, V. L., 2011).
Os glicolipideos também são classificados como lipídios
compostos e possuem os ácidos graxos ligados a carboidrato e
nitrogénio. Já as lipoproteínas possuem solubilidade em água,
sendo utilizados como principal meio de transporte de lipídeos
no sangue lipoproteínas (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V.
L.. 2011).
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Interação geral do colesterol dietético com as lipoproteínas e
seu transporte entre intestino delgado, fígado e tecidos
periféricos.
CORPOS CETÔNICOS
Existem dois derivados lipidicos, o acetoacetato e o B-
hidroxibutirato, que são os
únicos substratos lipídicos solúveis circulantes, denominados
corpos cetônicos. Eles vêm da oxidação parcial de AGL no fígado
e podem ser usados, principalmente, quando há falta de
carboidratos, como substratos de energia por quase todos os
tecidos, como músculo esquelético, músculo cardíaco e cérebro
(McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
A utilização de corpos cetônicos por vários tecidos depende em
parte de suas concentrações séricas. Quando o suprimento de
carboidratos é insuficiente, a absorção das cetonas plasmáticas
pelo músculo cardíaco, rins e cérebro fornece uma fonte
alternativa de combustível para esses órgãos e ajuda a manter os
níveis de açúcar no sangue (McARDLE. W.; KATCH, F.; KATCH,
V. L.. 2011).
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3. Lipoproteínas
Os lipídeos em geral são moléculas orgânicas caracterizadas por
serem insolúveis em meio aquoso. Desta forma, não poderiam
circular livremente na corrente sanguínea. Sendo assim, o
transporte de lipídeos pelo corpo humano, desde a sua absorção,
ocorre por meio de sua respectiva associação a lipoproteínas
(LPs) (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
As lipoproteínas são descritas como macromoléculas de lipídeos
e proteínas que atuam transportando os lipídeos na circulação
linfática, interstício celular e sangue. Além disso, são originadas
no endotélio vascular, fígado e intestino, sendo compostas de
triacilglicerol, fosfolipídeo, colesterol e proteínas. A maior
diferença entre as lipoproteínas é a densidade apresentada por
cada uma delas (GENCER B, KRONENBERG F, STROES ES,
MACH F, 2017).
Em sua composição, as LPs são formadas por um núcleo
hidrofóbico, que permite o transporte de lipídeos em si, e uma
superfície hidrossolúvel na qual se inserem apolipoproteínas
(apoLP). O direcionamento metabólico das LPs ocorre
principalmente por meio da especificidade das apolipoproteínas
presentes em sua superfície (GENCER B, KRONENBERG F,
STROES ES, MACH F, 2017).
As LPs são classificadas em cinco tipos principais, de acordo com
sua composição de lipídeos e apoLP, o que, por sua vez, em
última instância, caracteriza essas partículas em composição,
densidade, carga elétrica, tamanho e conformação (GENCER B,
KRONENBERG F, STROES ES, MACH F, 2017).
QUILOMÍCRONS (QM): são as maiores lipoproteínas, com
densidade inferior a 1,006g/mL. Caracterizadas por realizar o
transporte de lipídeos provenientes da dieta do intestino até o
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fígado por meio da circulação linfática, no qual vale destacar o
elevado conteúdo de triglicerídeos (GENCER B, KRONENBERG
F, STROES ES, MACH F, 2017).
VERY LOW DENSITY LIPOPROTEIN (VLDL): um pouco
menores do que os QM, mas de densidade similar, as moléculas
de VLDL são sintetizadas no fígado e liberadas na corrente
sanguínea para respectiva distribuição de lipídeos pelo
organismo humano (GENCER B, KRONENBERG F, STROES
ES, MACH F, 2017).
INTERMEDIATE DENSITY LIPOPROTEIN (IDL): também
conhecidas como VLDL remanescente, as IDL constituem uma
classe de LPs de tamanho e densidade mediana, onde sua
composição apresenta maior teor de colesterol quando
comparada às anteriores (GENCER B, KRONENBERG F,
STROES ES, MACH F, 2017).
LOW DENSITY PROTEIN (LDL): popularmente conhecida
como “colesterol ruim” devido à sua função biológica de carrear
ésteres de colesterol para tecidos periféricos, a composição da
LDL é pobre em triglicerídeos e rica em colesterol. O
metabolismo da LDL se correlaciona com o desenvolvimento de
patologias cardiovasculares em que, por meio da oxidação da
molécula no epitélio vascular, tem-se o início patológico da
aterosclerose (GENCER B, KRONENBERG F, STROES ES,
MACH F, 2017).
HIGH DENSITY PROTEIN (HDL): em proporção menor, cerca
de 1/3 do colesterol total do plasma está presente em moléculas
de HDL, as quais, além de apresentarem menor tamanho, são
ricas em proteínas e com conteúdo lipídico relativamente menor.
Seu metabolismo está associado a características
cardioprotetoras (GENCER B, KRONENBERG F, STROESES,
MACH F, 2017).
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4. Omega 3
Os Ácidos graxos Ômega 3 (AG-W3) são grupos heterogêneos de
AG que apresentam uma ligação dupla entre o terceiro e quarto
átomo de carbono do grupo metila final. Os principais
representantes de AG-W3 em alimentos são o Ácido
eicosapentaenoico (EPA), Ácido docosahexaenoico (DHA) e
Ácido alfalinolênico (ALA) (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH,
V. L., 2011).
Os AG-W3 impactam positivamente o organismo humano de
diversas maneiras, sendo as principais: síntese de moléculas
anti-inflamatórias, efeito antioxidante, proteção cardiovascular,
interação positiva com a microbiota e efeito benéfico à saúde
neurológica. Entretanto, esses efeitos são dependentes da razão
entre AG-W3 e AG-W6, os quais apresentam papéis
concorrentes na produção de eicosanóides antiinflamátorios e
pró-inflamatórios (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L.,
2011).
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Teor de ácidos graxos saturados, monoinsaturados e poli-insaturados
em várias fontes de lipídios dietéticos.
No contexto esportivo, a ingestão de AGW3 está relacionada com
melhora da performance esportiva devido a: otimização da
recuperação muscular, melhora do ambiente pró-inflamatório
local produzido pelo dano muscular frente ao exercício físico,
aumento da força muscular por otimizar a função da placa
neuromuscular, devido ao aumento da fluidez da membrana e
sensibilidade à acetilcolina (neurotransmissor relacionado a
contração muscular) (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L.,
2011).
Fora isto, estudos realizados para avaliar os impactos do Ômega
3 na função imunológica de praticantes de atividade física
observaram que os AG-W3 são capazes de beneficiar o sistema
imunológico, prevenindo o desenvolvimento de infecções, um
ponto extremamente importante para o contexto esportivo. Isto
foi justificado pelo fato da incorporação de DHA e EPA na
membrana fosfolipídica promover maior atividade fagocitária e
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ainda diminuir a produção de eicosanóides derivados do ácido
araquidônico, que está relacionado ao aumento das respostas
inflamatórias (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
O consumo de Ômega 3 também ganha destaque em esportes de
endurance por ser um potente regulador da biogênese
mitocondrial, sendo um co-ativador do receptor gama ativado
por proliferador de perixossomo (PGC-1alfa). Além disso, o já
conhecido impacto positivo dos AG-W3 na saúde cardiovascular
demonstrou diminuir a frequência cardíaca e o consumo de
oxigênio durante o exercício físico. Desta forma, o
consumo/suplementação de Ômega 3 chama atenção no
contexto esportivo por seus benefícios à performance
(McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
Estudos demonstram que a dose de 1.2g de EPA e 1.35 de DHA
ao dia proporciona uma redução de fatores inflamatórios
significativos após o sexto mês de uso, como a redução nas
moléculas de adesão IL6, VCAM, TNF-α e selectina. Além de
outros fatores, como redução de pressão arterial, melhora a
redução de peso e a sensibilidade à insulina (DEROSA G,
CICERO AF, FOGARI E. et al, 2012).

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5. Função dos lipídeos
Os lipídios desempenham muitas funções estruturais,
metabólicas e energéticas importantes no corpo. Além do papel
mais conhecido, de fornecer energia ao organismo humano, os
lipídeos exercem diversas outras funções na fisiologia humana,
tais como: precursores da síntese de hormónios, vitaminas,
componentes da bile, estrutura da membrana celular. regulação
da função imune, isolamento térmico, proteção dos órgãos vitais,
sinalizadores bioquímicos, fosfolipideos e colesterol (BIESEK.
S.: ALVES, L. A; GERRA, I.;
2010).
Um grama de lipídeo tem a capacidade de fornecer 9 kcal, ou
seja, mais que o dobro da quantidade fornecida a partir de
carboidratos e proteínas ao organismo. Isso se deve à maior
disponibilidade de átomos de hidrogênio em sua estrutura
molecular. A energia fornecida através da oxidação desses
átomos de hidrogênio é utilizada nas funções corporais. não só
durante o repouso, mas também durante o exercício. sendo um
combustível ideal para a manutenção da
atividade física prolongada (BIESEK, S.: ALVES, L. A: GERRA,
I.; 2010).
As vitaminas lipossolúveis A, D, E e K são essenciais para a
viabilidade de muitos processos metabólicos e seu transporte no
organismo é feito através dos lipídios consumidos na dieta. A
redução a longo prazo na ingestão de lipídios pode interferir nos
níveis dessas vitaminas no corpo, levando a deficiências. Os
lipídios da dieta também promovem a absorção de precursores
da vitamina A, como no caso dos carotenoides presentes em
diversos vegetais (BIESEK. S.: ALVES, L. A: GERRA, 2010).
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Estoque corporal estimado de energia sob a forma de
carboidratos e lipídios em um homem de 80 kg  não atleta,
com 15% de gordura corporal que, em geral, apresentaria
menor proporção de gordura corporal e maior estoque de
glicogênio. A quantidade de proteína corporal não e´
mencionada; contudo, estima-se a quantidade de 10kg (40 mil
kcal) localizada, em maior parte, no músculo esquelético.
Você sabia?
O tecido adiposo é uma forma eficiente de o organismo
armazenar energia em um espaço relativamente
pequeno. Se toda energia extra fosse armazenada sob a
forma de glicogênio, o organismo normalmente seria em
torno de 2 vezes maior e mais pesado, uma vez que cada
grama de glicogênio armazenado acumula cerca de 2,7g
de água. A gordura, por sua vez, é armazenada de forma
concentrada. livre de água“ (BIESEK. S.: ALVES. L. A;

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6. Digestão metabolismo dos
lipídios
Antes de falarmos sobre o desenvolvimento do processo
digestivo nas diferentes fases do trato gastrointestinal, devemos
compreender alguns pontos sobre a digestão de lipídeos. O
principal representante dos lipídeos nos alimentos são os
triglicerídeos (TG). A estrutura básica dos TGs consiste em 3
moléculas de ácidos graxo associadas a uma molécula de glicerol.
Os TG, por sua vez, podem ser clivados por meio de enzimas
digestivas em Diacilglicerol e Monoacilglicerol (McARDLE, W.;
KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
Devido ao fato de as moléculas de lipídeos serem hidrofóbicas e,
assim, necessitarem tornar-se solúveis no meio aquoso da luz
intestinal, o processo de emulsificação de gorduras é um ponto
extremamente importante da digestão e absorção de lipídeos no
metabolismo humano. A emulsificação de gorduras ocorre por
meio da secreção de ácidos graxos biliares, acarretando na
formação de micelas (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L.,
2011).
São as micelas de gordura que são absorvidas pelo epitélio
intestinal.Por meio da associação com lipoproteínas conhecidas
como Quilomicróns, o transporte de lipídeos é feito do intestino
até o fígado (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
Apesar da crença que a digestão de lipídeos tem início apenas no
estômago, na boca, os TGs dos alimentos já começam a associar-
se com enzimas. A lipase lingual é uma das enzimas que
compõem a secreção salivar, a qual liga-se aos lipídeos da dieta.
GERRA, I. Estrátegias de Nutrição e Suplementação no
Esporte. Barueri, Sp. Manole, 2010).
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Entretanto, a lipase lingual só é eficiente nas condições de pH
 ácido do estômago (BIESEK, S.: ALVES, L. A; GERRA, I.; 2010).
No estômago, a digestão de lipídeos ocorre por meio da atividade
enzimática da lipase lingual e lipase gástrica. No entanto, até
esse momento, ocorreu apenas cerca de 10% da hidrólise de TGs
em monoscilglicerol e diacilglicerídeos. Ainda os produtos da
lipólise não ficam disponíveis para absorção devido ao baixo pH
luminal no estômago (BIESEK, S.: ALVES, L. A; GERRA, I.;
2010).
A digestão e absorção de lipídeos no intestinal variam de acordo
com a porção do intestino (duodeno, jejuno e íleo). No duodeno,
ainda há a predominância da atividade digestiva sobre lipídeos.
A absorção em si dos produtos da lipólise ocorre
significativamente no jejuno e íleo. Ainda, é no duodeno que o
pâncreas, por meio do Canal de Wirsung, secreta enzimas
pancreáticas, tais quais a lipase pancreática, fosfolipase 2 e
esterase não específica (BIESEK, S.: ALVES, L. A; GERRA, I.;
2010).
A atividade dos ácidos biliares, secretados em meio a bile pela
vesícula biliar, promove a emulsificação de gorduras, o que, por
sua vez, acarreta na formação de micelas.
As diversas enzimas descritas atuam na superfície das micelas de
gordura. No intestino, mais especificamente, nas vilosidades da
sua borda, as micelas são absorvidas por difusão. Nesse
processo, há a separação, em que a bile retorna ao fígado e os
triglicerídeos são sintetizados dentro das células epiteliais
intestinais a partir dos ácidos graxos e dos monoglicerídeos.
Além dos monoglicerídeos e AGL, é por meio das micelas de
gordura que fosfolipídios, colesterol, vitaminas lipossolúveis e
ácidos biliares são absorvidos (McARDLE, W.; KATCH, F.;
KATCH, V. L., 2011).
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Digestão dos lipídios dietéticos.
Os produtos da digestão de lipídeos são capazes de atravessar
facilmente as membranas celulares, uma vez que são
lipossolúveis. Nos enterócitos, a reesterificação de lipídeos e sua
respectiva associação com proteínas formam os quilomícrons.
Por sua vez, os quilomícrons são exocitados e absorvidos pela
circulação linfática. Por fim, a partir dos vasos linfáticos, os
quilomícrons acessam a circulação sanguínea portal quando
chegam ao fígado, onde serão metabolizados (McARDLE, W.;
KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
 A síntese e o armazenamento do triglicerídeo são especialidades
dos adipócitos. Com o estímulo da liberação dos ácidos graxos
dos adipócitos para a circulação sanguínea, pela lipase hormônio
sensível, eles são ligados à albumina plasmática para serem
transportados como AGL para os tecidos ativos. Já nos
músculos, há a liberação dos AGL do complexo albumina-AGL,
que passam, através da membrana plasmática, por difusão e/ou
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um sistema de transporte mediado por proteína (McARDLE, W.;
KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
Dentro da célula muscular, há duas possibilidades de utilização
dos AGL, que podem ser reesterificados formando triglicerídeos
intracelulares ou são ligados a proteínas intramusculares para
serem utilizados no metabolismo energético pela ação
da carnitina-acil-CoA transferase, na mitocôndria. Os ácidos
graxos de cadeia média ou curta não dependem da ação da
carnitina-acil-CoA transferase para serem transportados
(McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
Durante a lipólise, há a formação da molécula hidrossolúvel de
glicerol que entra na circulação. Ao chegar no fígado, o glicerol
age como um precursor gliconeogênico para a síntese de glicose.
Tal processo que é relativamente lento explica por que a
suplementação com glicerol contribui pouco como substrato
 energético durante o exercício (McARDLE, W.; KATCH, F.;
KATCH, V. L., 2011).
Confira sobre a suplementação de TCM no artigo “A
influência da suplementação de triglicerídeos de cadeia
média no desempenho em exercícios de ultra-
resistência”.
Clique aqui
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https://www.scielo.br/j/rbme/a/qdz3PHFkyHYX6K8T8zVrzTN/?lang=pt
Dinâmica da mobilização e do armazenamento de gorduras. A
lipase hormônio sensível estimula a degradação de
triglicerídios em seus componentes glicerol e ácidos graxos.
Após sua liberação a partir dos adipócitos, o sangue
transporta AGL ligados à albumina plasmática. A gordura
armazenada dentro da fibra muscular também é degradada
em glicerol e ácidos graxos para a geração de energia.
A utilização de gorduras para a geração de energia durante
exercícios leves e moderados varia de acordo com o fluxo
sanguíneo do tecido adiposo. Os hormônios epinefrina,
norepinefrina, glucagon e hormônio do crescimento ativam a
lipase hormônio-sensível, promovendo a lipólise e a mobilização
de AGL do tecido adiposo (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH,
V. L., 2011).
Confira sobre a suplementação de L-carnitina para
aumentar a oxidação de gorduras e perda de peso no
artigo “A suplementação de L-carnitina não promove

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Durante o exercício, o há o aumento dos níveis plasmáticos de
hormônios lipogênicos de modo que os ácidos graxos passam a
fornecer substrato de alta energia para os músculos ativos. Uma
pequena queda nos níveis de açúcar sanguíneos, acompanhada
por diminuição na liberação de insulina (que é um potente
inibidor da lipólise) e o aumento na liberação de glucagon pelo
pâncreas conforme o exercício progride resultam no aumento do
metabolismo das gorduras no exercício prolongado (McARDLE,
W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
Conforme o fluxo de sangue aumenta durante o exercício, o
tecido adiposo libera mais AGL para o músculo ativo. Dessa
maneira, quantidades cada vez maiores de gordura proveniente
do tecido adiposo participam do metabolismo
energético. Quando há o aumento da intensidade do exercício, a
liberação de AGL não consegue acompanhar, o que causa uma
diminuição dos níveis plasmáticos de AGL, aumentando o uso do
glicogênio muscular, com um grande aumento simultâneo na
oxidação dos triglicerídeos intramusculares (McARDLE, W.;
KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
Conforme o exercício se prolonga para durações com mais de 1
hora, a oxidação das gorduras aumenta gradualmente e ocorre a
depleção do glicogênio. Durante o final de um exercício
prolongado, com baixas reservas de glicogênio, os AGL
circulantes fornecem quase 80% da energia total necessária
(McARDLE,W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
7. Perfil Lipídico
alterações na taxa metabólica de repouso e na utilização
dos substratos energéticos em indivíduos ativos”.
Clique aqui
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https://www.scielo.br/j/abem/a/vqQFtNmw8PTwHDZQd935bzC/?lang=pt
O perfil lipídico é o conjunto de lipídeos séricos; é caracterizado
por lipoproteínas que estão associadas com o desenvolvimento
de patologias, principalmente do sistema cardiovascular
(BIESEK, S.: ALVES, L. A; GERRA, I.; 2010).
Alterações no perfil lipídico são conhecidas como dislipidemias,
as quais podem se manifestar por aumento ou diminuição de
colesterol e triglicerídeos. De maneira geral, as dislipidemias
podem ser classificadas em primárias, quando decorrentes de
alterações genéticas, ou secundárias, quando desencadeadas por
outras doenças, medicamentos ou fatores ambientais (BIESEK,
S.: ALVES, L. A; GERRA, I.; 2010).
Várias dislipidemias têm sua base genética identificada,
propiciando alvos terapêuticos potenciais.
Hipercolesterolemia familiar (HF): é uma doença autossômica
dominante, sendo umas das formas mais graves da doença. Na
forma heterozigótica, a concentração plasmática de colesterol é
duas vezes acima da faixa de referência para a população normal
e, na condição homozigótica, pode chegar a ser de 5 a 7 vezes
maior. A HF mais comum caracteriza-se por um defeito no
receptor do LDL, no apoB-lipoprotein receptor.
O combate à dislipidemia através de exercícios físicos
tem sido alvo de inúmeros estudos e debates científicos
em todo o mundo, que buscam relacionar as alterações e
os efeitos no perfil lipoprotéico (HDL-colesterol, LDL-
colesterol e subfrações) provocados pelos exercícios
físicos (tanto aeróbio quanto de força) em indivíduos
dislipidêmicos e normolipidêmicos, a fim de obter-se,
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PRINCIPAIS CAUSAS
Aumento do LDL –
C
AUMENTO DO TG
Diminuição do HDL
– C
Hipotiroidismo Síndrome metabólica
Síndrome
metabólica
Síndrome netrótica Excesso de álcool Sedentarismo
Hepatopatia Obesidade Tabagismo
Colestase Gravidez Diabetes Mellitus
Anorexia nervosa Hipotiroidismo Obesidade
Deficiência do
hormônio do
crescimento
Insuficiência renal Hipertrigliceridemia
Portifaria aguda Diuréticos  
  Betabloqueadores  
  Estrógenos  
 
Anticoncepcionais
orais
 
  Síndrome de Cushing  
  Diabetes Mellitus  
 
Síndrome de
imunodeficiência
adquirida
 
através embasamento científico, uma melhor conduta
profilática e terapêutica.
Confira mais sobre a relação entre as alterações da
HDL-colesterol, LDL-colesterol e o treinamento no
artigo “Efeitos dos exercícios físicos aeróbio e de força
nas lipoproteínas HDL, LDL e lipoproteína(a)”.
Clique aqui
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https://www.scielo.br/j/abc/a/tw8QGzghtYhSbdjNXbDkQky/?lang=pt
8. Necessidades nutricionais de
lipídios
A Dietary Guidelines for Americans de 2005 propõe que a
ingestão total de gorduras fique entre 20 e 35% das calorias
totais, o que significa 44 a 78g por dia para uma dieta de 2.000
kcal diárias. Recomenda-se a limitação de gorduras saturadas
menor que 10% da ingestão calórica total; colesterol menor ou
igual a 300 mg por dia; e ácidos graxos trans ao mais baixo nível
possível (WARDLA, G.M., SMITH, A. M. 2013).
As recomendações mais específicas sobre a ingestão de gorduras
são propostas pela American Heart Association (AHA), em que
são traçadas metas para uma dieta e hábitos de vida que
reduzam o risco cardiovascular na população em geral, que
incluem alimentação saudável, manutenção de um peso corporal
adequado e níveis desejáveis de colesterol sanguíneo, pressão
arterial e glicemia (WARDLA, G.M., SMITH, A. M , 2013).
Categoria  
Nivel de
colesterol
total
 
≥ 240 mg/dl
Colesterol sanguíneo elevado. Urna pessoa tom
esse nível apresenta mais do que o dobro do duo
de doença cardiovascular do que alguém com o
colesterol abaixo de 200 mg/dl
200 a 239
mg/dl
limítrofe alto
≤ 200 mg/dl
Nivel desejado, que pie o individuo em um risco
menor de doença cardiovascular. Níveis de
colesterol maior do que 200 mg/dl elevam esse
risco
Nivel de HDL-
colesterol
 
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Categoria  
 190 mg/dl
Muito elevado; terapia farmacológica para diminui
o nível sanguíneo de colesterol deve ser utilizada
mesmo que não haja presença de doença
cardiovascular ou de fatores de riscos
160 a 189
mg/dl
Elevado; terapia farmacológica para diminuir o
nível sanguíneo de colesterol deve ser utilizada
mesmo se não houver doença cardiovascular, mas
se estiverem presentes dois ou mais fatores de
risco
130 a 159
mg/dl
Limítrofe elevado; terapia farmacológica para
diminuir o nível sanguíneo de colesterol deve ser
utilizada se houver doença cardiovascular
103 a 129
mg/dl
Próximo ao ótimo; o médico pode considerar
terapia farmacológica para diminuir o nivel
sanguíneo de colesterol, além de modificações
dietéticas, se houver doença cardiovascular
é desidratado
(McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
Assim, o óleo de abacate possui o ponto de fumaça mais alto. Na
prática clínica, uma estratégia interessante é utilizar o azeite de
oliva de forma crua e o óleo de abacate para realizar cocção
(McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
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O azeite de oliva é extremamente interessante devido ao seu
potencial efeito modulador de estresse oxidativo e regulador de
função endotelial. No endotélio, o azeite de oliva possui um
potencial efeito de redução da adesão de linfócitos B e T,
agregação plaquetária, quimiocinas e citocinas, além da redução
de espécies reativas de oxigênio. Além disso, aumenta liberação
de óxido nítrico, um gás que atua diretamente no efeito de
vasodilatação (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
O óleo de abacate é rico em fitoesterois (cada grama de óleo
contém 3,3 a 4,5mg fitoesterois), leva à redução de LDL, é
anticancerígeno, anti-inflamatório, antiaterogênico e
antioxidante. Sabe-se hoje que os fitoesteróis possuem efeito
protetor em óleos aquecidos à temperatura de fritura
(McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
A ingestão de ácidos graxos saturados impacta na modulação de
perfis obesogênicos e pró-inflamatórios, além da
ativação/inibição do sistema imune com microrganismos
intestinais. Por esses fatores, a elevada ingestão de ácidos graxos
saturados induz um quadro de endotoxemia sistêmica,
aumentando o ambiente inflamatório do tecido adiposo branco
(McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
O consumo de gorduras saturadas não tem efeito direto no risco
de doença coronariana e de AVC, mas aumenta o risco
indiretamente devido às alterações no perfil lipídico. As
alterações no perfil lipídico ocorrem a nível de aumento de LDL,
triglicerídeos e redução de HDL, que promove o aumento de
formação de placas ateroscleróticas e maior risco doenças
cardiovasculares (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L.,
2011).
O ácido palmítico é o ácido graxo saturado mais presente na
dieta. Seu excesso, de maneira crônica, gera maior lipotoxicidade
de hepatócitos. Esse ambiente resulta em apoptose celular,
resistência insulínica e diabetes mellitus. Por outro lado, o ácido
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oleico (presente no azeite de oliva) reduz/neutraliza a
lipotoxicidade ocasionada pelo ácido palmítico (saturado)
através do mecanismo de redução do estresse no retículo
endoplasmático, diminuindo, assim, a apoptose celular
(McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
10. Conclusão
Assim como todos os outros macros e micronutrientes, os
lipídeos (nas devidas proporções) são nutrientes fundamentais
para a manutenção da boa saúde e para o desempenho esportivo
(BIESEK, S.: ALVES, L. A; GERRA, I.; 2010).
Os lipídeos são moléculas orgânicas caracterizadas por ser
insolúveis em meio aquoso. São representados principalmente
por: Ácidos graxos livres (AGL), Triglicerídeos (TG),
Fosfolipídeos (FL), Colesterol livre (CL) e Colesterol esterificado
(CE) (BIESEK, S.: ALVES, L. A; GERRA, I.; 2010).
Os lipídeos têm como função fornecer energia ao organismo
humano e ser precursores da síntese de hormônios e vitaminas,
componentes da bile, estrutura da membrana celular e
sinalizadores bioquímicos (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH,
V. L., 2011).
A gordura é utilizada como principal combustível para exercícios
de intensidade leve à moderada; é um combustível metabólico
valioso para os músculos em exercícios de resistência. Ela
desempenha muitas funções importantes no corpo, embora não
possa fornecer a rápida explosão de energia necessária para a
velocidade (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
Na prática clínica, a suplementação de ômega 3 é um aliado
extremamente interessante, com ação de redução da ansiedade,
melhora da cognição, redução de triglicerídeos e resistência à
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ação da insulina, além da melhora no ambiente da microbiota
intestinal (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011).
11. Referências
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S.; VANDUSSELDORP, T.; TAYLOR, L.; EARNEST, C.P.;
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body composition. Journal of InternationalSocietyof
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FERREIRA, A.M.D; BARBOSA, P.E.B; CEDDIA, R.B. A
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GENCER B, KRONENBERG F, STROES ES, MACH F.
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esporte e do exercício. 5ª ed. Barueri, SP : Manole, 2013.
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exercício: energia, nutrição e desempenho humano. 8ª ed., Rio
de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.
McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L. Nutrição para o
esporte e exercício. 4ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2011.
NOVELLO, D; FRANCESCHINI, P; QUINTILIANO, D.A; OST,
P.R. Ovo: Conceitos, análises e controvérsias na saúde humana.
ALAN, Caracas , v. 56, n. 4, p. 315-320, dic. 2006 .
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