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Tópico 10 Nutrição Aplicada ao Esporte Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico 1. Introdução É comum nos depararmos com diversos veículos de mídia sugerindo dietas diferentes, por exemplo, ao ler uma revista ou acessar suas redes sociais, você pode ter visto uma dieta específica sendo indicada, com diferentes possíveis benefícios associados à prática desta dieta. É importante considerar o impacto sobre a ingestão de nutrientes que o seguimento destas dietas trará, pois podem estar relacionadas à ingestão excessiva ou baixa de nutrientes, favorecendo o risco de doenças. Além disto, as pessoas que eventualmente seguem estas dietas podem ter algum tipo de doença, como obesidade, hipertensão arterial sistêmica ou diabetes, e somado a isto, podem praticar exercícios físicos. Isso cria um cenário complexo de interação entre a fisiopatologia da doença e demandas nutricionais geradas pela doença e também pela prática esportiva. Assim, neste tópico vamos abordar assuntos que vão desde a composição das dietas encontradas em revistas, passando pelas intervenções dietéticas com baixa quantidade de carboidratos, jejum intermitente, dieta isenta de glúten, e encerraremos com considerações sobre doenças, exercícios e nutrição. 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-a… 1/48 2. Intervenções Nutricionais DIETAS DE REVISTA As revistas não científicas são uma das formas de divulgação de dietas para objetivos como o emagrecimento. Assim, uma parcela que consome o conteúdo vinculado nestas revistas pode se submeter às dietas propostas em diferentes revistas, e assim ficar vulnerável às consequências do consumo destas dietas (MARANGONI; MANIGLIA, 2017). Ao analisar a composição nutricional das dietas constantes em revistas, foi observado que a maioria das dietas apresentava falta de equilíbrio entre a oferta dos macronutrientes, e grandes variações na quantidade calórica (SILVA et al., 2014). Além disso, outros autores observaram inadequações, em diferentes dietas, quanto à quantidade de cálcio, ferro e zinco, com grandes variações de tiamina e inadequações dos macronutrientes e valor calórico (MARANGONI; MANIGLIA, 2017). LOW CARB As dietas com baixo teor de carboidratos (low carb) têm sido utilizadas como estratégias para a redução de peso. Além disso, Confira mais sobre as dietas de emagrecimento disponíveis em revistas no artigo “Análise nutricional das dietas de emagrecimento veiculadas por revistas de circulação nacional”. Disponível no link: http://www.rbone.com.br/index.php/rbone/articl e/view/309/304 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-a… 2/48 http://www.rbone.com.br/index.php/rbone/article/view/309/304 http://www.rbone.com.br/index.php/rbone/article/view/309/304 as dietas low carb têm sido estudadas por sua ação em indivíduos em diferentes contextos de saúde, por exemplo, doenças crônicas não transmissíveis, como a diabetes. Mesmo com o número crescente de publicações, não há um consenso sobre o que define uma dieta com baixo teor de carboidratos. As dietas com restrição de carboidrato podem ser classificadas como (OH et al., 2021): Muito baixo teor de carboidratos (menos de 10% de carboidratos) ou 20-50 g / dia Baixo teor de carboidratos (menos de 26% de carboidratos) ou menos de 130 g / dia Carboidrato moderado (26% – 44%) Alto teor de carboidratos (45% ou mais) As dietas com menores quantidades de carboidratos se baseiam na proposta de que a redução da insulina, um hormônio anabólico, tem efeito positivo sobre o metabolismo, incluindo sobre o funcionamento cardiovascular, levando à perda de peso de maneira mais rápida nos primeiros meses em relação a outras dietas com maiores quantidades de carboidrato (OH et al., 2021). Uma hipótese de que as abordagens com baixo teor de carboidratos produzem rápida perda de peso, em comparação com outras dietas, baseia-se na ideia de que as gorduras e as proteínas aumentam a saciedade e produzem menores flutuações da glicemia (EBBELING et al., 2012; EBBELING et al., 2018; OH et al., 2021). Esse aumento na saciedade e menor impacto sobre a glicemia reduz a fome e a ingestão geral de alimentos, favorecendo que ocorra o déficit calórico. Além disso, outra hipótese afirma que as dietas com baixo teor de carboidratos podem produzir uma elevação do metabolismo, em relação às dietas com alto teor de carboidratos. Parece haver uma elevação no gasto de 200 a 300 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-a… 3/48 calorias queimadas a mais, em comparação com uma dieta isocalórica rica em carboidratos. No entanto, essas teorias permanecem controversas (HALL et al., 2015; OH et al., 2021). A dieta cetogênica, um tipo de dieta com baixíssimo teor de carboidratos, merece menção. As dietas cetogênicas restringem os carboidratos para induzir a cetose nutricional e normalmente limitam os carboidratos a 20-50 gramas por dia. Restringir carboidratos para menos de 50 gramas induz depleção de glicogênio e produção de cetonas a partir da mobilização de gordura armazenada no tecido adiposo (OH et al., 2021). A cetose nutricional produz corpos cetônicos (acetoacetato, acetona e beta-hidroxibutirato) que são medidos através da dosagem de cetonas séricas ou urinárias. A cetose nutricional geralmente aumenta as cetonas séricas para 1 mmol/L a 7 mmol/L, mas não produz acidose metabólica. Diferente disso, a cetoacidose diabética, por definição, inclui acidose metabólica, hiperglicemia e cetonas séricas geralmente acima de 20 mmol/L (OH et al., 2021). Cetose A cetose nutricional pode ser induzida na dieta cetônica e em qualquer momento em que a carga de carboidratos seja limitada a menos de 10% da ingestão de macronutrientes ou 20 a 50 g/dia de carboidratos. No entanto, não há evidências de que uma ingestão muito baixa de carboidratos produza cetoacidose metabólica e permaneça segura em pacientes, mesmo com diabetes tipo 2. Embora tenha havido casos de cetoacidose diabética (CAD) com o uso de fármacos inibidores de SGLT2 junto à dieta cetogênica em pacientes com diabetes tipo 2, não está claro se a abordagem com baixo teor de carboidratos pode aumentar o risco de CAD com o uso de SGLT2. No entanto, a 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-a… 4/48 recomendação é de cautela em relação à combinação de dieta cetogênica mais inibidores de SGLT2 (OH et al., 2021). Mortalidade e segurança cardiovascular Existem estudos ligando dietas com baixo teor de carboidratos ao aumento da mortalidade; como resultado destes estudos, temos um risco aumentado de mortalidade com uma ingestão de carboidratos inferior a 40%. No entanto, o recente estudo prospectivo de epidemiologia urbana rural (PURE), um grande estudo prospectivo de nutrição, envolvendo mais de 135.000 participantes em todo o mundo, encontrou uma relação entre o aumento da mortalidade e a ingestão elevada de carboidratos, e a menor mortalidade associada à maior ingestão de gordura. Até que estudos randomizados de longo prazo possam ser realizados, o efeito de longo prazo não é claro (OH et al., 2021). Resposta lipídica A incorporação de mais gordura e proteína em resposta à redução dos carboidratos na dieta levou a preocupações sobre o efeito da dieta baixa em carboidratos40/48 HA: hipertensão arterial; PA: pressão arterial; PAS: pressão arterial sistólica; PAD: pressão arterial diastólica. Portanto, questiona-se qual tipo ou combinação de intervenções pode melhorar a redução do HT. Uma das intervenções bem documentadas que comprovadamente reduzem a pressão arterial é o treinamento de força (TF), que foi revisado para definir a carga de treinamento ideal, como o número de séries, repetições e intervalos de descanso durante o treinamento. Um dos efeitos do TF é causar a quebra de uma grande quantidade de proteína muscular e, em seguida, a síntese de proteínas, o que aumentará o metabolismo basal, de modo que geralmente é acompanhado por mudanças nas necessidades nutricionais (JURIK; STASTNY, 2019). Muitos estudos têm mostrado que diferentes planos e estratégias nutricionais podem levar à redução da pressão arterial não medicamentosa, e muitas estratégias exigem muito dos hábitos alimentares dos pacientes. Uma forma de alterar facilmente a 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 41/48 ingestão alimentar com o uso de suplementos alimentares tem efeito sinérgico com a aplicação de TF (JURIK; STASTNY, 2019). Pressão arterial reduzida pela intervenção dietética Abordagens baseadas na nutrição são recomendadas como terapia de primeira linha para a prevenção de HT, onde a AHA recomenda um programa específico chamado de dieta DASH (abordagem dietética para a hipertensão) para tratar e prevenir HT. Além disso, alguns componentes dos alimentos, como álcool, sódio, açúcar simples e gordura saturada, mostraram aumentar a pressão arterial. Além disso, para a redução da HT, a perda de peso é essencial, o que demonstrou reduzir a PA em indivíduos hipertensos e pré-hipertensos acima do peso (JURIK; STASTNY, 2019). Suplementação A cafeína é um estimulante do sistema nervoso central cujos efeitos fisiológicos para aumentar o desempenho esportivo são extensos, mas às vezes conflitantes ou contraditórios. Foi demonstrado que a suplementação de cafeína diminui a sensação de fadiga e promove o humor e as respostas perceptivas durante qualquer exercício, incluindo TF (JURIK; STASTNY, 2019). É relatado que a PAS e a PAD aumentam após a ingestão de cafeína devido aos efeitos vasoconstritores da cafeína. No entanto, alguns estudos relataram resultados mistos em relação à ingestão de cafeína e o impacto sobre a pressão arterial (PA) (JURIK; STASTNY, 2019). A suplementação de cafeína não pode ser recomendada em indivíduos com HT porque não só aumenta a PA de repouso, 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 42/48 mas também mantém a PA em um nível alto após o final do treino. Portanto, o efeito hipotensor do TF é perdido. Por esse motivo, não podemos recomendar cafeína para indivíduos com HT ou pré-hipertensão, embora a cafeína favoreça a redução de gordura corporal, aumente o desempenho esportivo e retarde a fadiga (JURIK; STASTNY, 2019). A L-citrulina é um precursor da L-arginina, um substrato do óxido nítrico sintase, na produção de óxido nítrico. Deficiências no fornecimento de L-arginina têm sido fortemente implicadas em doenças cardiovasculares, como HT, aterosclerose, doença vascular diabética, hiper-homocisteinemia, insuficiência cardíaca (JURIK; STASTNY, 2019). O uso da L-citrulina diminuiu a PA em indivíduos que realizam TF ou não. Ambas as combinações levaram a uma redução, mas resultados ligeiramente melhores foram alcançados com a realização do TF, evidenciando que o TF desempenha um papel principal em todo o processo de hipotensão (JURIK; STASTNY, 2019). 3. Conclusão Confira mais sobre o tratamento da hipertensão nas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. Disponível no link: https://adad56f4-85f5-461a-ad4d- 33669b541a69.usrfiles.com/ugd/adad56_951a57abb60 a4205928d6da79f0d572d.pdf 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 43/48 https://adad56f4-85f5-461a-ad4d-33669b541a69.usrfiles.com/ugd/adad56_951a57abb60a4205928d6da79f0d572d.pdf https://adad56f4-85f5-461a-ad4d-33669b541a69.usrfiles.com/ugd/adad56_951a57abb60a4205928d6da79f0d572d.pdf https://adad56f4-85f5-461a-ad4d-33669b541a69.usrfiles.com/ugd/adad56_951a57abb60a4205928d6da79f0d572d.pdf https://adad56f4-85f5-461a-ad4d-33669b541a69.usrfiles.com/ugd/adad56_951a57abb60a4205928d6da79f0d572d.pdf https://adad56f4-85f5-461a-ad4d-33669b541a69.usrfiles.com/ugd/adad56_951a57abb60a4205928d6da79f0d572d.pdf Este tópico procurou demonstrar quais são as consequências nutricionais das dietas de revista. Vimos também sobre dietas com restrição de carboidrato, jejum intermitente e dieta isenta de glúten. Além disto, buscou-se abordar as condutas dietéticas a serem realizadas na obesidade, diabetes e hipertensão, e realização da prática esportiva. Estes assuntos são de fundamental importância para o entendimento das consequências do seguimento de diferentes dietas e como as doenças se correlacionam com os exercícios físicos. 4. Referências BIESEK, S.; ALVES, L. A.; GUERRA, I. Estratégias de Nutrição e Suplementação no Esporte. Editora Manole, 2015. 9788520448502. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978852044 8502/. DONG TA, SANDESARA PB, DHINDSA DS, MEHTA A, ARNESON LC, DOLLAR AL, TAUB PR, SPERLING LS. Intermittent Fasting: A Heart Healthy Dietary Pattern? Am J Med. 2020 Aug;133(8):901-907. doi: 10.1016/j.amjmed.2020.03.030. Epub 2020 Apr 21. PMID: 32330491; PMCID: PMC7415631. 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Péssimo Ruim Normal Bom Excelente Deixe aqui seu comentário Enviar 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 48/48 https://www.youtube.com/watch?v=aEwIFmW-Bs0 https://www.youtube.com/watch?v=aEwIFmW-Bs0sobre os lipídios, especificamente, sobre o colesterol LDL. Revisões sistemáticas recentes sobre o efeito das dietas com baixo teor de carboidratos sobre o LDL demonstram um possível aumento pequeno no LDL, mas uma redução favorável de triglicerídeos e um aumento no colesterol HDL (GJULADIN-HELLON et al., 2019; LU et al., 2018; OH et al., 2021). Função renal 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-a… 5/48 Com uma ingestão potencialmente maior de proteína em dietas com baixo teor de carboidratos, uma preocupação é o impacto sobre a função renal. Analisando o contexto de atletas que, dependendo de objetivos específicos, ingerem maiores quantidades de proteína para otimizar a síntese de proteína muscular (1,6 g/ kg/dia) em geral, não há dados que associem a alta carga proteica à piora da função renal em pessoas com rins normais. Para aqueles com doença renal crônica, uma dieta com baixo ou muito baixo teor de proteínas pode ser recomendada para prevenir maior deterioração renal (OH et al., 2021). Significância clínica As dietas low carb têm sido estudadas por seus efeitos na redução de peso em pessoas com excesso de peso e doenças como diabetes mellitus tipo 2 e esteatose hepática. Já as dietas cetogênicas têm sido empregadas no tratamento da convulsão (OH et al., 2021). Perda de peso Em geral, as dietas low carb conduzem à perda de peso rápida. Inicialmente, a redução de peso é devido à eliminação de água corporal, já a redução da quantidade de gordura corporal ocorre com o seguimento destas dietas por mais tempo. Quando o emagrecimento causado pelas dietas com restrição de carboidrato é comparado com o causado por outros tipos de dietas, é observado que após um ano o emagrecimento causado pelas diferentes dietas é semelhante (OH et al., 2021). 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-a… 6/48 Diabetes tipo 2 O controle da ingestão de carboidratos é importante para o controle glicêmico no diabetes mellitus, independentemente do tipo. Nesse sentido, foi observado que as dietas com restrição de carboidratos, incluindo a dieta cetogênica, têm efeito positivo no controle glicêmico, reduzindo os níveis séricos de hemoglobina glicada, levando à menor demanda de medicamentos hipoglicemiantes orais e de insulina para a manutenção de níveis adequados de glicose (OH et al., 2021). Fatores de risco cardiovascular Como mencionado acima, o efeito das dietas com baixo teor de carboidratos sobre os fatores de risco cardiovascular continua a ser controverso. Enquanto alguns estudos demonstraram um aumento no colesterol LDL com dietas de baixo teor de carboidratos, outros mostraram mudanças insignificantes. No entanto, outros marcadores metabólicos, como a redução dos triglicerídeos e aumentos no HDL, foram demonstrados com dietas de baixo teor de carboidratos (OH et al., 2021). Confira mais sobre o impacto de diferentes dietas sobre o emagrecimento no artigo “Efficacy and safety of low and very low carbohydrate diets for type 2 diabetes remission: systematic review and meta-analysis of published and unpublished randomized trial data”. Disponível no link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7 804828/ 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-a… 7/48 https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7804828/ https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7804828/ JEJUM O jejum é uma prática que envolve a restrição da ingestão de alimentos ou bebidas por um período. O jejum tem sido praticado por uma variedade de razões, que vão desde dietas, passando por crenças religiosas até exames médicos. Variações do jejum têm sido estudadas por sua capacidade de melhorar os aspectos fisiológicos relacionados à saúde, como a sensibilidade à insulina, pressão arterial, lipídios aterogênicos, gordura corporal e inflamação. Os resultados mostram uma variedade de adaptações metabólicas e fisiológicas que ocorrem com o jejum. De uma perspectiva geral, isso inclui as mudanças nas vias metabólicas utilizadas para criar energia para o corpo (SANVICTORES et al., 2021). Ação celular O jejum envolve uma mudança radical na fisiologia celular e no metabolismo. A glicose no sangue normalmente fornece ao corpo energia suficiente por meio da glicólise. Durante o jejum, a Confira mais sobre a dieta low carb no vídeo “Dieta Low Carb, a solução para emagrecer?”. Clicando no link: Dieta Low Carb, a solução para emagrecer?Dieta Low Carb, a solução para emagrecer? 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-a… 8/48 https://www.youtube.com/watch?v=cA_AB4EM1lA manutenção dos níveis de glicose no sangue depende inicialmente dos estoques de glicogênio no fígado e no músculo esquelético. O glicogênio é formado por cadeias de monossacarídeos polimerizados de glicose que são usados como energia pelo processo de glicogenólise. A maior parte do glicogênio é armazenada no fígado, que tem o maior papel na manutenção da glicose sanguínea durante as primeiras 24 horas de um jejum (SANVICTORES et al, 2021). Após um jejum de cerca de 24 horas, os estoques de glicogênio são esgotados, fazendo com que o corpo utilize os estoques de energia do tecido adiposo e das reservas de proteína. A mudança no metabolismo que segue a depleção de glicogênio depende principalmente do metabolismo dos estoques de triglicerídeos no tecido adiposo. Os triglicerídeos são separados em ácidos graxos livres e glicerol, que o fígado, respectivamente, converte em corpos cetônicos e glicose. Corpos cetônicos são feitos de ácidos graxos livres através do processo de cetogênese. Esses corpos cetônicos viajam pelo corpo e são reconvertidos em acetil-CoA nos tecidos que requerem energia (SANVICTORES et al, 2021). Além do catabolismo adiposo, o catabolismo de proteínas, por meio do processo de gliconeogênese, ocorre simultaneamente em tempos de jejum. A gliconeogênese produz glicose a partir de aminoácidos decompostos em vários tecidos, incluindo os músculos (SANVICTORES et al., 2021). JEJUM INTERMITENTE Um dos regimes de jejum mais estudados é conhecido como jejum intermitente, que envolve a restrição da ingestão calórica durante um determinado período continuamente. Exemplos de regimes de jejum incluem restrição de calorias por 1 dia inteiro 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-a… 9/48 da semana ou 2 dias não consecutivos, também conhecida como dieta “5:2” (PATTERSON; SEARS, 2017). Estudos em humanos de jejum intermitente demonstram resultados promissores na proteção contra a síndrome metabólica e outras doenças relacionadas ao estilo de vida, incluindo diabetes e doenças cardiovasculares (PATTERSON; SEARS, 2017). Sistemas envolvidos O órgão primariamente afetado pelo jejum é o pâncreas. Durante os períodos de baixa glicose plasmática, o pâncreas liberará mais glucagon das células alfa encontradas nas ilhotas de Langerhans. O glucagon afetará principalmente o fígado, uma vez que armazena a maior parte do glicogênio no corpo. O músculo esquelético também é afetado pelo glucagon, mas em menor grau, uma vez que o músculo esquelético contém uma baixa concentraçãode glicogênio. Depois que os estoques de glicogênio hepático se esgotam, o corpo usa tecido adiposo e proteína para obter energia. O fígado tem papel ativo no metabolismo das gorduras por ser o principal oxidante dos triglicerídeos. Em versões mais extremas de jejum, quanso as fontes de gordura foram gastas, o corpo quebra o músculo esquelético para obter energia. O catabolismo do músculo esquelético fornece ao corpo aminoácidos que podem ser metabolizados. No entanto, esse processo também leva a uma redução da massa muscular (PATTERSON, SEARS, 2017). Significância clínica O jejum não é importante apenas para indivíduos sadios, mas também tem potencial para ser usado como um tratamento para 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 10/48 algumas doenças em humanos. Por exemplo, existe evidência que o jejum intermitente, combinado com a dieta cetogênica, pode ser implementado com sucesso em pacientes pediátricos com epilepsia. No entanto, a literatura atual sobre o assunto ainda é limitada e estudos ainda precisam ser realizados para mostrar a real eficácia clínica do jejum como tratamento para distúrbios neurológicos humanos. Dados recentes também sugerem que ensaios clínicos maiores são necessários para investigar mais detalhadamente a eficácia dos regimes de jejum prescritos para o tratamento de estilo de vida crônico e doenças relacionadas à obesidade, visto que a maioria dos estudos relacionados ao jejum como tratamento de doenças foi baseada em modelos animais (DONG et al., 2020). GLÚTEN FREE O glúten é uma glicoproteína composta por dois componentes: gliadina e glutenina. As gluteninas ocorrem em duas formas, as frações de alto e baixo peso molecular, enquanto as gliadinas Confira mais sobre o treino em jejum no vídeo “ATIVIDADE FÍSICA em JEJUM INTERMITENTE: Funciona?”. Clicando no link: 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 11/48 existem como três formas estruturais, α-, ω- e γ-gliadinas (MELINI; MELINI, 2019). As gluteninas e gliadinas sofrem digestão parcial no trato gastrointestinal superior, resultando na formação de vários peptídeos resistentes à digestão por proteases gastrointestinais (MELINI; MELINI, 2019). O glúten é um componente da dieta regular da maioria dos países ocidentais, encontrado no trigo, na cevada, no centeio e, em menor proporção, na aveia. Além disso, o glúten foi adicionado aos alimentos processados para melhorar a textura e aumentar o volume (MELINI; MELINI, 2019). O trigo tornou-se muito procurado em relação a outros cereais principalmente devido à farinha com propriedades derivadas do glúten, como a elasticidade, resultando em um pão leve e de mastigação ideal. Além disso, o trigo e os produtos à base de trigo contribuem substancialmente para a ingestão alimentar de proteínas, fibra dietética, minerais (especialmente ferro, zinco e selênio), vitaminas, fitoquímicos e energia (MELINI; MELINI, 2019). No entanto, na última década, o glúten foi popularmente estigmatizado e, como resultado, as dietas livres de glúten têm se tornado cada vez mais prevalentes em pacientes sem um diagnóstico de alterações relacionadas ao consumo de glúten (MELINI; MELINI, 2019). A dieta sem glúten confere benefícios a pacientes afetados pela síndrome do intestino irritável (SII), com sensibilidade ao glúten não celíaca (NCGS) e algumas manifestações neurológicas, mas não há evidências fortes para uma indicação estrita de uma dieta sem glúten em doenças endocrinológicas, psiquiátricas e reumatológicas ou para melhorar o desempenho em esportes de elite (MELINI; MELINI, 2019). 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 12/48 Dieta livre de glúten e performance atlética O conceito de desempenho no esporte também abrange aspectos relacionados ao bem-estar individual que são influenciados pela ingestão alimentar e crenças que, em última análise, podem fornecer uma vantagem competitiva. Uma das crenças vigentes em alguns atletas sem problemas relacionados, é que a retirada do glúten conferiria melhorias no desempenho. Essa crença também é incentivada por afirmações comerciais que relacionam dietas sem glúten com saúde aprimorada (MELINI; MELINI, 2019). Uma pesquisa relata que cerca de 41% dos atletas relatam aderir a uma dieta sem glúten, percentual que é quatro vezes maior do que o percentual de pessoas que efetivamente têm problemas relacionados com glúten na população em geral. Muitos atletas não celíacos acreditam que evitar o glúten melhora o bem-estar gastrointestinal e reduz a inflamação, apesar do fato de que ainda existem dados limitados para apoiar qualquer um desses benefícios (MELINI; MELINI, 2019). Existem várias associações plausíveis entre exercícios baseados em resistência e permeabilidade gastrointestinal, em que uma dieta sem glúten pode ser benéfica. Além disso, os atletas eliminam o glúten para promover a perda de peso ou melhorar a composição corporal para o esporte, embora não haja evidências Confira mais sobre as doenças relacionadas ao consumo de glúten no artigo “Doenças relacionadas ao glúten”. Disponível no link: https://www.medicina.ufmg.br/gastroped/wp- content/uploads/sites/58/2017/12/doencas- relacionadas-ao-gluten-20-12-2017.pdf 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 13/48 https://www.medicina.ufmg.br/gastroped/wp-content/uploads/sites/58/2017/12/doencas-relacionadas-ao-gluten-20-12-2017.pdf https://www.medicina.ufmg.br/gastroped/wp-content/uploads/sites/58/2017/12/doencas-relacionadas-ao-gluten-20-12-2017.pdf https://www.medicina.ufmg.br/gastroped/wp-content/uploads/sites/58/2017/12/doencas-relacionadas-ao-gluten-20-12-2017.pdf para apoiar isso, e, de forma controversa, na DC após uma dieta sem glúten, há um risco aumentado de obesidade que está associado ao aumento de absorção de nutrientes e ingestão de produtos sem glúten com alto teor de gordura e açúcar (MELINI; MELINI, 2019). É discutível se uma dieta sem glúten equivale a mudanças dietéticas resultando em uma dieta mais saudável ou menos saudável, ou se outros hábitos dietéticos são subsequentemente modificados, resultando em melhoria ou piora dos comportamentos alimentares. A discussão sobre esta dieta traz a questão da adequação dietética e nutricional e a questão do risco de restrição calórica desnecessária, conforme descrito em outras dietas que causam a restrição através da exclusão de grupos alimentares (MELINI; MELINI, 2019). Atletas não celíacos que aderem a uma dieta sem glúten o fazem em graus variados, desde a eliminação periódica do glúten, eliminação 1 a 2 semanas antes da competição ou até conduzem a exclusão geral. Embora as taxas de adesão variem, sugere-se uma maior atenção na dieta resultante a eliminação de produtos que contenham glúten. A conversão para uma dieta sem glúten resulta plausivelmente em alguns atletas aumentando sua consciência de uma alimentação saudável e balanceada, melhorando a ingestão de frutas e vegetais e grãos inteiros e diminuindo as seleções de alimentos processados (MELINI; MELINI, 2019). A proliferação do mercado de produtos alimentícios sem glúten resulta em um aumento tanto de produtos sem glúten, bem como a produção de pseudocereais mais ricos em nutrientes, como amaranto, trigo sarraceno e quinoa, substituindoa farinha de milho e arroz. Essas substituições poderiam reduzir o risco de baixo consumo de fontes dietéticas de vitaminas B e ferro que são importantes para o metabolismo e adaptações atléticas. A análise da capacidade de uma dieta sem glúten para suportar as 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 14/48 demandas de energia atlética não foi realizada, portanto, não se sabe se a restrição alimentar associada a esta dieta compromete a disponibilidade de energia. No entanto, as implicações dos fatores de confusão, incluindo os riscos de restrição alimentar desnecessária, carga financeira, disponibilidade de alimentos e implicações psicossociais enfatizam a necessidade de avaliações adicionais (MELINI; MELINI, 2019). DOENÇAS, EXERCÍCIO E NUTRIÇÃO OBESIDADE Nas últimas décadas, as taxas de obesidade aumentaram drasticamente, tornando-se um dos maiores problemas de saúde pública e uma das doenças crônicas não transmissíveis de crescimento mais rápido no mundo (BIESEK et al., 2015). Embora a obesidade seja geralmente definida como um simples resultado do balanço energético positivo, ela agora é considerada uma doença multifatorial que envolve uma série de fatores fisiológicos, genéticos, comportamentais e ambientais. Os mecanismos inatos que regulam o metabolismo e os processos fisiológicos estão no centro da fisiopatologia. Em casos raros, a Já pensou sobre o efeito das dietas com restrição do consumo de proteína de fontes animais sobre as respostas a treinos resistidos? Para se aprofundar nesta questão, leia o artigo High-Protein Plant-Based Diet Versus a Protein-Matched Omnivorous Diet to Support Resistance Training Adaptations: A Comparison Between Habitual Vegans and Omnivores, disponível no link: encurtador.com.br/dyDFZ 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 15/48 http://encurtador.com.br/dyDFZ obesidade é causada por um único defeito genético. Geralmente se manifesta em indivíduos com múltiplos genes, cada um dos quais pouco contribui para o processo de deposição de gordura corporal e, quando combinados em um ambiente favorável, podem levar a ganho de peso significativo (BIESEK et al., 2015). IMC Classificação Obesidade/Grau Risco de doença 18,5 – 24,9 Eutrófico Normal 25 – 29,9 Sobrepeso ou pré- obeso Pouco elevado 30 – 34,9 Obesidade I Elevado 35 – 39,9 Obesidade II Muito elevado ≥ 40 Obesidade grave III Muitíssimo elevado Classificação internacional da obesidade segundo o índice de massa corporal (IMC) e risco de doença (Organização Mundial da Saúde) que divide a adiposidade em graus ou classes. DISTRIBUIÇÃO DE GORDURA CORPORAL A obesidade tem sido historicamente associada a um risco aumentado de morte por doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e diabetes. Também é um fator de risco para muitas doenças, como osteoartrite, doença pulmonar obstrutiva e certos tipos de câncer (BIESEK et al., 2015). Na obesidade moderada, a distribuição de gordura é um indicador muito mais importante do que o índice de massa corporal (IMC). A obesidade central ou visceral, também 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 16/48 conhecida como androide, está mais associada ao aumento do risco de morte, diabetes, aterosclerose, hipertensão e dislipidemia do que a obesidade gluteofemoral (também conhecida como obesidade ginóide) elevada (BIESEK et al., 2015). Vários estudos têm demonstrado que a obesidade visceral está relacionada à intolerância à glicose, resistência à insulina e a consequente hiperinsulinemia compensatória, triglicerídeos plasmáticos elevados e distúrbios do metabolismo das lipoproteínas. Portanto, existe uma estreita correlação entre gordura visceral, resistência à insulina e risco de doença cardiovascular. A obesidade visceral também é um fator de risco para o desenvolvimento da síndrome metabólica, síndrome na qual a resistência à insulina é o elo entre a obesidade visceral, a intolerância à glicose, a hipertensão arterial e a dislipidemia. Microalbuminúria, ácido úrico elevado e coagulopatia também podem ser adicionadas ao quadro relacionado à obesidade visceral (BIESEK et al., 2015). Interações multifatoriais que influenciam o desenvolvimento da obesidade 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 17/48 Portanto, o tecido adiposo intra-abdominal ajuda a alterar o metabolismo dos ácidos graxos e as características pró- inflamatórias, levando a alterações na resistência à insulina e no metabolismo da glicose (BIESEK et al, 2015). Existe a hipótese (que não exclui a contribuição do mecanismo acima) de que, quando o consumo energético ultrapassa o gasto, o acúmulo excessivo de gordura intra-abdominal pode ser devido à menor capacidade de o tecido adiposo subcutâneo ser utilizado como reserva energética. Devido à baixa capacidade de armazenamento do tecido adiposo subcutâneo, aumenta o acúmulo de gordura no fígado, músculo esquelético, coração e células β pancreáticas, fenômeno denominado deposição ectópica de gordura (BIESEK et al., 2015). Os adipócitos do tecido adiposo visceral têm maior atividade lipolítica e estão relacionados a anormalidades endócrinas envolvendo hormônios esteróides, hormônios de crescimento e insulina, aumentando assim a suscetibilidade à síndrome metabólica (BIESEK et al., 2015). O tecido adiposo visceral é considerado o tecido mais ativo metabolicamente por ser mais sensível à lipólise dos receptores β-adrenérgicos pelas catecolaminas. As catecolaminas são reguladores eficazes da lipólise no tecido adiposo, estimulando os receptores β-adrenérgicos (β1, β2 e β3). Elas podem aumentar a atividade da lipase sensível ao hormônio (LHS) e inibir a lipase lipoproteica (LPL) e os receptores (BIESEK et al, 2015). RESISTÊNCIA A INSULINA E DISLIPIDEMIA A resistência à insulina (RI) é definida como a capacidade da insulina plasmática (sob concentração normal) de promover totalmente o influxo de glicose celular, inibir a produção de glicose hepática e inibir a produção de lipoproteína de densidade 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 18/48 muito baixa (VLDL) das células de gordura (BIESEK et al., 2015). No caso da resistência periférica à insulina, o tecido adiposo hidrolisa os triglicerídeos, aumentando a liberação de ácidos graxos livres não esterificados (AGL) na circulação. Como o tecido adiposo visceral está conectado ao fígado (via sistema portal), esses ácidos graxos são transportados para o fígado, onde estimulam a síntese de triglicerídeos, que se combinam na forma de colesterol de lipoproteína de densidade muito baixa. Além dos efeitos no fígado, o aumento do fluxo de AGL também pode reduzir a utilização de glicose muscular e aumentar a secreção de insulina estimulada por glicose, levando ainda mais ao estado hiperinsulinêmico e resistência à insulina (BIESEK et al, 2015). A hipertrigliceridemia leva a uma diminuição dos níveis de lipoproteína de alta densidade (HDL) e a um aumento de lipoproteína de baixa densidade (LDL) pequena e densa por meio da ação da proteína de transferência de éster de colesterol (CETP). A CETPé uma enzima responsável pela troca de ésteres de colesterol e triglicerídeos entre as lipoproteínas plasmáticas. Em humanos, a principal fonte dessa enzima é o tecido adiposo, portanto, com a obesidade, a expressão e a atividade da CETP aumentam (BIESEK et al., 2015). No plasma, a CETP catalisa a transferência de triglicerídeos de VLDL para HDL para trocar ésteres de colesterila, produzindo partículas de HDL ricas em triglicerídeos. Esses triglicerídeos de lipoproteína de alta densidade são hidrolisados pela lipase hepática para produzir partículas menores, e algumas moléculas são perdidas de sua superfície, incluindo a apolipoproteína A-I (apoA-I), que é degradada pelos rins. Da mesma forma, a colisão intravascular entre VLDL e LDL permite que os triglicerídeos em VLDL sejam trocados por ésteres de colesterol em LDL, que 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 19/48 produzem partículas de LDL pequenas e densas após a ação da lipase hepática (BIESEK et al., 2015). LDL pequeno e denso tem maior probabilidade de causar aterosclerose do que a mesma quantidade de LDL grande, porque é mais suscetível à oxidação e mais fácil de penetrar na matriz extracelular da parede arterial. Portanto, a incapacidade das células de gordura de armazenar triglicerídeos na resistência à insulina é o primeiro passo que leva à dislipidemia característica da RI (BIESEK et al., 2015). TECIDO ADIPOSO, INFLAMAÇÃO E RESISTÊNCIA A INSULINA As substâncias produzidas e secretadas pelo tecido adiposo são chamadas de adipocinas ou adipocitoquinas. Estes incluem fator de necrose tumoral alfa (TNF- α), leptina, inibidor do ativador do plasminogênio 1 (PAI-1), interleucina 6 (IL-6), resistina e angiotensinogênio. Em indivíduos obesos, os níveis séricos de várias adipocinas pró-inflamatórias são elevados e o tecido adiposo visceral produz mais adipocinas do que o tecido adiposo subcutâneo. Além disso, na obesidade, ocorre infiltração de macrófagos no tecido adiposo, o que ajuda a gerar características pró-inflamatórias nesses indivíduos. Pacientes com obesidade visceral apresentam níveis mais elevados de proteína C reativa no plasma (um marcador inflamatório que prediz o risco de infarto do miocárdio) (BIESEK et al., 2015). Algumas adipocinas podem afetar a ação da insulina. Essas incluem leptina, adiponectina e TNF-α, que desempenham um papel importante na sensibilidade periférica à insulina. Duas citocinas importantes que têm efeitos parácrinos no metabolismo das células de gordura e nas funções endócrinas são o TNF, a IL-6. O TNF é uma citocina pró-inflamatória que atua diretamente nas células adiposas e está relacionada à 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 20/48 resistência à insulina. É mais expresso no tecido adiposo de roedores obesos e humanos, e diminui à medida que o peso corporal e a gordura corporal diminuem. Seus efeitos incluem a redução da sensibilidade à insulina, diminuindo a secreção de adiponectina e a expressão do transportador de glicose 4 (GLUT4) e inibindo a fosforilação da tirosina do receptor de insulina, resultando em defeitos na via de sinalização (BIESEK et al., 2015). A concentração elevada de IL-6 pode predizer o desenvolvimento de diabetes tipo 2 e infarto do miocárdio. A IL- 6 desempenha um papel importante no metabolismo de lipídios e glicose: inibe os efeitos da LPL, estimula a lipólise e a oxidação de ácidos graxos e reduz a concentração de leptina (BIESEK et al., 2015). Em humanos, a leptina livre aumenta com o aumento do IMC. No entanto, os níveis circulantes de leptina de um grupo de indivíduos com o mesmo IMC podem diferir consideravelmente, indicando que hormônios e fatores nutricionais também são responsáveis por sua regulação (BIESEK et al., 2015). No sistema nervoso central, a leptina induz uma diminuição da atividade do apetite e a ativação de neurônios anorexígenos. Além disso, a leptina estimula a atividade da 5“-deiodinase, aumenta a conversão periférica da tiroxina (T4) em triiodotironina (T3), tem efeito termogênico e reduz a eficiência metabólica da fosforilação oxidativa, que ajuda a aumentar ácidos graxos oxidados e glicose (BIESEK et al., 2015). Embora os indivíduos obesos tenham níveis circulantes mais elevados de leptina, eles podem ser resistentes aos efeitos anoréxicos desse hormônio. O aumento de citocinas inflamatórias, como TNF-α e IL-6, promove o aumento da expressão neuronal do inibidor da sinalização de citocinas 3, bloqueando a sinalização intracelular da leptina (BIESEK et al., 2015). 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 21/48 A adiponectina é uma proteína sintetizada e secretada pelo tecido adiposo. Embora a adiponectina seja produzida principalmente pelo tecido adiposo, seu nível plasmático está negativamente correlacionado com o IMC e positivamente correlacionado com o tamanho das células de gordura. A adiponectina tem propriedades anti-aterosclerose e anti- inflamatórias: aumenta a sensibilidade à insulina e a oxidação de ácidos graxos, reduz os níveis de triglicerídeos plasmáticos e melhora o metabolismo da glicose (BIESEK et al., 2015). DISFUNÇÃO MITOCONDRIAL A disfunção mitocondrial é uma situação em que a mitocôndria não consegue produzir energia de forma eficiente por meio da oxidação de substratos energéticos, e pode ser um dos fatores no aparecimento e manutenção do excesso de tecido adiposo (BIESEK et al., 2015). Para a obesidade, o metabolismo energético pode ser prejudicado por uma variedade de fatores, incluindo redução da oxidação de gordura e maior dependência da glicose como substrato energético; acúmulo ectópico de gordura no músculo esquelético, fígado e outras células e concentração basal de trifosfato de adenosina (ATP) baixa. Além disso, em comparação com pessoas eutróficas, as mitocôndrias de pessoas obesas apresentam diferenças nos marcadores enzimáticos do metabolismo energético, o que favorece o desenvolvimento da obesidade e dificulta a perda de peso (BIESEK et al., 2015). A disfunção mitocondrial pode levar diretamente ao aumento do estresse oxidativo. A menor oxidação de ácidos graxos aumenta a síntese de triglicerídeos e a deposição de gordura ectópica, o que prejudica a função celular e gera estresse oxidativo ao aumentar a formação de ceramidas, produtos de peroxidação lipídica, citocinas e espécies reativas de oxigênio (ROS). Geralmente, 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 22/48 menos de 5% do oxigênio capturado pela mitocôndria produz espécies reativas de oxigênio e nitrogênio. Com a disfunção mitocondrial, o aumento dessas moléculas pode causar danos à estrutura celular, danos às membranas celulares, ácidos nucléicos e proteínas, principalmente aqueles envolvidos na fosforilação oxidativa. O acúmulo de ácidos graxos no citoplasma ativa a β-oxidação nos peroxissomos e a oxidação ômega nos microssomas. Essas reações aumentam a produção de ROS, ceramidas e citocinas pró-inflamatórias, formando um círculo vicioso de estresse oxidativo e disfunção mitocondrial (BIESEK et al., 2015). Portanto, nutrientes que podem melhorar a função mitocondrial podem ter um efeito benéfico em indivíduos com metabolismo alterado dessas organelas. Alguns nutrientes têm sido estudados porque podemter efeitos protetores contra o estresse oxidativo e melhorar a função mitocondrial associada ao envelhecimento. (BIESEK et al., 2015) 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 23/48 Disfunção mitocondrial no músculo esquelético e consequências metabólicas. A oxidação mitocondrial de lipídios defeituosa pode provocar mudanças sistêmicas que relacionam a obesidade ao diabetes tipo 2 e comorbidades cardiovasculares. Menor síntese de trifosfato de adenosina (ATP), sinalizada pela ativação da proteína cinase ativada por monofosfato de adenosina (AMPK) é um estímulo ao sistema nervoso central para reduzir o gasto energético e aumentar o consumo alimentar. O acúmulo de ácidos graxos (AG) e espécies reativas de oxigênio (ERO) estimula a inflamação crônica, incluindo ativação de macrófagos, produção de fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), interleucina- 6 (IL-6), fibrinogênio e proteína C reativa, que causam maiores danos mitocondriais. Estes mediadores inflamatórios, aliados a baixos níveis de adiponectina, contribuem para aterogênese e maior risco de doenças, como infarto e falência cardíaca. Níveis elevados de ácidos graxos livres aumentam a resistência à insulina. O aumento dos níveis de glicose pode resultar em glicotoxicidade e disfunção das células β pancreáticas, levando à intolerância à glicose e ao diabetes melito tipo 2. Ainda, o prejuízo da oxidação lipídica reduz a capacidade de realizar atividade física. Confira mais sobre o tratamento da obesidade no arquivo “Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Sobrepeso e Obesidade em adultos”. Disponível no link: https://www.cfn.org.br/wp- content/uploads/2020/11/20201113_Relatorio_PCDT_ 567_Sobrepeso_e_Obesidade_em_adultos.pdf 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 24/48 https://www.cfn.org.br/wp-content/uploads/2020/11/20201113_Relatorio_PCDT_567_Sobrepeso_e_Obesidade_em_adultos.pdf https://www.cfn.org.br/wp-content/uploads/2020/11/20201113_Relatorio_PCDT_567_Sobrepeso_e_Obesidade_em_adultos.pdf https://www.cfn.org.br/wp-content/uploads/2020/11/20201113_Relatorio_PCDT_567_Sobrepeso_e_Obesidade_em_adultos.pdf DIABETES Entre os fatores biológicos inalteráveis associados à etiologia do diabetes mellitus tipo 2 (DM2) estão as fortes influências genéticas e o envelhecimento. Por outro lado, o desenvolvimento de resistência à insulina, hiperinsulinemia e intolerância à glicose está relacionado a fatores variáveis, ou seja, os indivíduos podem se beneficiar muito com mudanças no estilo de vida e nos hábitos alimentares (McARDLE et al., 2016). Critérios laboratoriais para diagnóstico de normoglicemia, pré- diabetes e DM. O tratamento do diabetes inclui educação, modificações no estilo de vida e, se necessário, o uso de medicamentos. As modificações no estilo de vida que podem reduzir o risco de DM2 incluem restrição moderada de energia, controle da ingestão de gordura saturada e exercícios leves, como caminhar por 30 minutos 5 vezes por semana. Vários estudos avaliaram o efeito das mudanças no estilo de vida na progressão do DM2 e 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 25/48 encontraram uma redução de 58% do risco em indivíduos de alto risco. O uso de metformina reduziu o risco em 31% e, portanto, teve um efeito menor em comparação com as mudanças no estilo de vida. Vários nutrientes e manobras dietéticas específicas são avaliados para prevenir diabetes ou aliviar disfunções atuais. À medida que o conhecimento sobre a fisiologia do exercício aumenta em indivíduos saudáveis e diabéticos, seu papel no tratamento do diabetes se torna cada vez melhor e mais definido (McARDLE et al., 2016). O diabetes mellitus é uma síndrome multietiológica caracterizada por hiperglicemia crônica resultante da secreção insuficiente de insulina e/ou diminuição da resposta tecidual à insulina, ou uma combinação de ambas. O DM pode apresentar sintomas característicos, como poliúria, polidipsia, perda de peso, às vezes polifagia e visão turva (McARDLE et al., 2016). O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é caracterizado por uma deficiência completa de insulina. Na maioria dos casos, isso se deve principalmente à destruição seletiva de uma grande proporção das células β das ilhotas pancreáticas de Langerhans, mediada pelo sistema imunológico e por marcadores genéticos. Apenas 5 a 10% dos pacientes diabéticos têm DM1. A doença se desenvolve com mais frequência na infância ou adolescência e não está relacionada à obesidade. Pessoas com DM1 são propensas à cetoacidose diabética, caracterizada por hiperglicemia e cetonemia (PASCHOAL, 2014). O DM2 é caracterizado por excesso de produção hepática de glicose, diminuição da secreção de insulina e resistência à insulina. A resistência à insulina geralmente antecede o DM2 em muitos anos e está presente em uma grande proporção da população. Isso se deve à interação da predisposição genética com fatores de risco comportamentais e ambientais. Ao contrário do DM1, a cetoacidose é rara no DM2. No entanto, os 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 26/48 pacientes com DM2 provavelmente desenvolverão um estado não ceto de hiperglicemia (PASCHOAL, 2014). DM2 é a categoria mais comum. Sua etiologia está principalmente associada à resistência à ação da insulina e resposta compensatória insuficiente à secreção hormonal. Na intolerância à glicose (pré-diabetes), o processo patológico pode causar alterações funcionais prejudiciais em vários tecidos-alvo sem sintomas clínicos. A obesidade central ou abdominal está associada à resistência à insulina e geralmente é considerada um importante sinal clínico de alterações metabólicas (PASCHOAL, 2014). EXERCÍCIO FÍSICO E DIABETES MELITO TIPO 1 Antes do advento da insulina, desidratação severa, cetose e complicações musculares impediam os pacientes com DM1 de praticar atividades físicas mais vigorosas. Atualmente, graças à insulinoterapia, esses diabéticos podem levar uma vida normal e realizar exercícios físicos diários, o que pode ser constatado por muitos atletas profissionais e olímpicos (PASCHOAL, 2014). Porém, para obter os benefícios da atividade física, eles devem ser adaptados metabolicamente às necessidades energéticas do trabalho muscular. Confira mais sobre a diabetes nas “Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes”. Disponível no link: http://www.saude.ba.gov.br/wp- content/uploads/2020/02/Diretrizes-Sociedade- Brasileira-de-Diabetes-2019-2020.pdf 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 27/48 http://www.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2020/02/Diretrizes-Sociedade-Brasileira-de-Diabetes-2019-2020.pdf http://www.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2020/02/Diretrizes-Sociedade-Brasileira-de-Diabetes-2019-2020.pdf http://www.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2020/02/Diretrizes-Sociedade-Brasileira-de-Diabetes-2019-2020.pdf Hipoglicemia induzida pelo exercício Como as pessoas com DM1 são fisiologicamente incapazes de reduzir a insulina circulante, a menos que a administração seja reduzida durante o exercício, as pessoas com DM1 apresentam risco aumentado de hipoglicemia (PASCHOAL,2014). Devido à diminuição da resposta do sistema nervoso simpático, os pacientes diabéticos podem desenvolver hipoglicemia secundária ao exercício. A neuropatia autonômica leva a uma diminuição na resposta contrarregulatória à diminuição dos níveis de glicose. Quando esses pacientes não apresentam sintomas durante a hipoglicemia, esse resultado pode ser exacerbado. Pacientes estritamente controlados apresentam níveis mais baixos de açúcar no sangue antes que a adrenalina e outros mecanismos contrarreguladores sejam ativados, aumentando o risco de hipoglicemia causada por exercícios intensos (PASCHOAL, 2014). A absorção de insulina aplicada pela via intradérmica pode aumentar durante o exercício das partes do corpo que recebem aplicações de insulina. Essa observação é mais relevante se a insulina de ação curta for administrada alguns minutos antes do exercício. Esse resultado é um resultado secundário da ativação mecânica dos músculos, que aumenta a absorção de insulina. Portanto, se a insulina for aplicada antes do exercício, a escolha do local de aplicação é muito importante (PASCHOAL, 2014). Hipoglicemia pós-exercício Não ocorre apenas a hipoglicemia durante o exercício. Isso pode ocorrer de 6 a 15 horas após o término da atividade física e permanecer por até 24 horas após o exercício de longa duração. 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 28/48 Isso ocorre porque a captação periférica de glicose e a síntese de glicogênio de grupos musculares previamente exercitados aumentam. Após o exercício, o glicogênio não consegue compensar a ingestão e a redução do açúcar no sangue. O que precisa ser acrescentado é que a sensibilidade à insulina aumenta após o exercício, então a absorção de glicose pelos músculos aumenta (PASCHOAL, 2014). Hiperglicemia induzida pelo exercício O exercício moderado pode causar ou retardar a hipoglicemia aguda em pacientes com DM1. Por outro lado, durante exercícios de alta intensidade (VO2 máx> 80%), pacientes com DM1 podem apresentar hiperglicemia (PASCHOAL, 2014). Pessoas saudáveis também podem apresentar hiperglicemia após exercícios extenuantes, mas como a resposta à insulina não mudou, os níveis de açúcar no sangue logo voltarão ao normal. Nessas pessoas, os exercícios de alta intensidade aumentam a produção de glicose no fígado, secundariamente a um aumento da adrenalina e de outros hormônios contrarreguladores, o que leva a uma diminuição significativa da secreção de insulina (PASCHOAL, 2014). O músculo usa suas próprias reservas de glicogênio para obter uma parte importante de sua energia. Com o final do exercício, a secreção de insulina também pode aumentar e o aumento subsequente na captação periférica de glicose normalizará os níveis de açúcar no sangue (PASCHOAL, 2014). Porém, no DM1, não há regulação da insulina durante o exercício de alta intensidade. Como reflexo, a hiperglicemia pode ser mantida no pós-exercício (PASCHOAL, 2014). 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 29/48 Sobre a prescrição de exercício para indivíduos insulinizados, a Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda: Cetose induzida pelo exercício O exercício físico em qualquer intensidade pode causar hiperglicemia em pacientes diabéticos com desequilíbrio metabólico e aumentar a formação de corpos cetônicos. Na ausência de insulina, o exercício reduz gravemente a utilização de glicose periférica, aumenta a lipólise e estimula a produção de glicose no fígado e a cetose. Essas reações combinadas ocasionam um aumento contínuo dos níveis de glicose, o que leva à deterioração do estado metabólico e ao desenvolvimento acelerado da cetose. Portanto, antes de se envolver em atividades físicas extenuantes, os pacientes diabéticos deverão verificar o nível de glicose no sangue e o nível de corpos cetônicos na urina. Se o açúcar no sangue for superior a 250 mg/dl, verifique as cetonas no sangue ou na urina. Nesse caso, é recomendável descansar e injetar insulina (PASCHOAL, 2014). ESTRATÉGIAS NUTRICIONAIS PARA A PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA COM DIABETES MELITO TIPO 1 “Diferentemente do exercício aeróbio, o exercício resistido pode aumentar a glicemia durante a sua execução, determinando um menor risco de hipoglicemia tanto agudamente quanto pós-exercício em comparação ao exercício aeróbio. Por isso, antecipar o exercício resistido em relação ao treino aeróbio pode ser uma estratégia para minimizar o risco de hipoglicemia em pacientes insulinizados. Convém lembrar que a individualização do plano de exercício é fundamental para o sucesso terapêutico.”. (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2019, p.147). 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 30/48 Indivíduos recebendo terapia intensiva com insulina, seja por meio de múltiplas doses diárias ou por meio de bombas de infusão, devem ajustar a dose de insulina na dieta para a quantidade de carboidratos planejada para a refeição. Para isso, deve ser utilizado o método de contagem de carboidratos. Nesse caso, considerando o consumo total de carboidratos por refeição, sua distribuição deve atender às necessidades individuais previamente definidas para esse nutriente, associada ao histórico médico do indivíduo, sendo então determinado o consumo real de cada refeição (PASCHOAL, 2014). No método da lista equivalente, os alimentos são agrupados; cada alimento corresponde a 15 gramas de carboidratos, e são classificados em grupos de alimentos e porções. Neste método, recomenda-se a troca de alimentos pertencentes ao mesmo grupo, porém, a parte da fruta pode ser trocada pela parte do amido, pois esta parte fornece 15 gramas de carboidratos (PASCHOAL, 2014). Também pode ser assumido que 1 UI de insulina rápida ou ultrarrápida é suficiente para 15g ou substitutos de carboidratos. Para calcular a razão insulina/carboidrato, o peso corporal também pode ser usado como parâmetro. Esta coordenação entre a dose de insulina e a ingestão de carboidratos é essencial para atletas diabéticos porque oferece oportunidades para um planejamento mais flexível das refeições, cria condições mais favoráveis para um melhor controle de açúcar no sangue e garante a reserva original de glicose no músculo e no fígado (PASCHOAL, 2014). No método de cálculo de carboidratos em gramas, são adicionados os gramas de carboidratos de cada alimento em cada refeição. Portanto, de acordo com a preferência pessoal, cada refeição contém carboidratos pré-definidos, uma alimentação saudável é incentivada, e qualquer alimento pode ser utilizado (PASCHOAL, 2014). 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 31/48 Quando a terapia com insulina é um tratamento convencional, recomenda-se consumir a mesma quantidade de carboidratos em cada refeição. Nesse caso, a quantidade relativa desse macronutriente não é flexível. Permite apenas substituições, o que pode dificultar a prática de esportes e atividades físicas (PASCHOAL, 2014). O aumento do consumo de carboidratos e a redução da dosagem de insulina devem se basear nos níveis de açúcar no sangue antes e depois do exercício, no número de exercícios pessoais, refeições e lanches antes e depois do exercício e na intensidade e duração do exercício. Se houver exercício físico regular, haverá maior adaptação ao corpo.Dessa forma, não há necessidade de ingerir carboidratos adicionais. Três refeições podem ser usadas como parte de um plano de dieta e as doses de insulina devem ser ajustadas se necessário (PASCHOAL, 2014). Carboidratos Para o DM1, é importante otimizar a oferta de carboidratos durante o exercício, pois mantém as reservas de glicose muscular e hepática, evita o cansaço causado pelos esforços físicos, melhora o desempenho e previne hipoglicemia. As diferenças individuais de sensibilidade e as condições ambientais sob as quais os exercícios são realizados também devem ser consideradas. A oferta e o tipo de carboidratos dependem do tipo, intensidade e duração do exercício (PASCHOAL, 2014). Como todos sabemos, o cálculo é apenas uma estimativa da demanda real. A demanda de carboidratos depende de outros fatores, como aptidão física, nível de insulina no sangue e dieta consumida antes do exercício (PASCHOAL, 2014). A suplementação de carboidratos pode causar problemas estomacais. Portanto, devem ser ingeridos em pequenas 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 32/48 quantidades, o suficiente para manter o trabalho muscular antes e/ou após o exercício. Se a glicose for ingerida em bolus durante o exercício de alta intensidade, sua eficiência não será tão alta e o efeito não será tão bom quanto aquele obtido por exercícios de baixa ou média intensidade (PASCHOAL, 2014). Ingestão de carboidrato para o dia de treinamento Para pacientes não diabéticos que se exercitam por no máximo 1 hora por dia, uma ingestão diária de 5 a 6 g/kg de peso corporal de carboidratos é suficiente para restaurar o armazenamento de glicogênio. Essa precaução equivale a fornecer aproximadamente 60% do valor energético total dos carboidratos. Se você treinar por mais de 2 horas por dia, o suprimento de carboidratos pode chegar a 8 g/kg de peso corporal por dia. Este procedimento também pode ser usado para pacientes com DM com metabolismo bem controlado, embora estimativas tenham sido estabelecidas para pacientes não diabéticos (PASCHOAL, 2014). Ingestão de carboidrato antes do exercício Para melhorar a função física, é recomendado consumir carboidratos de 1 a 4 horas antes do exercício, ou fazer refeições 3 a 4 horas antes do exercício. Ao se exercitar pela manhã, devido ao jejum noturno, os níveis de glicogênio hepático e muscular podem estar baixos no início da atividade. Ao praticar mais tarde, deve-se fazê-lo de 3 a 4 horas antes da atividade. Após uma refeição e ao praticar atividades com carboidratos, uma pequena quantidade de proteína e baixo teor de gordura após a refeição (PASCHOAL, 2014). 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 33/48 Para exercícios não planejados, dependendo do nível de açúcar no sangue e do tratamento com insulina antes da atividade, a ingestão adicional de carboidratos pode ser necessária (PASCHOAL, 2014). O automonitoramento dos níveis de glicose no sangue ajudará a determinar se a ingestão de carboidratos precisa ser ajustada antes do exercício. Por exemplo, se o açúcar no sangue for inferior a 100 mg/dl, o risco de hipoglicemia aumentará. Portanto, você não pode iniciar atividades sem consumir carboidratos (PASCHOAL, 2014). Para prevenir reações adversas, os diabéticos devem consumir lanches com carboidratos antes e depois de exercícios de intensidade moderada de curta duração que duram cerca de 1 hora. 15 gramas de carboidratos podem ser suficientes para prevenir a hipoglicemia sem adicionar muitas calorias. Para atletas com DM, pode ser necessário adicionar carboidratos cerca de 20 minutos antes do exercício. 15 a 30 minutos antes e depois do exercício, um lanche simples com 15 gramas de carboidratos pode prevenir a hipoglicemia. De preferência, os carboidratos são derivados de biscoitos, frutas secas, barras de cereais e alimentos açucarados não são consumidos (PASCHOAL, 2014). Se você precisa de carboidratos antes e depois do exercício, sua ingestão dependerá do cronograma de atividades. De manhã, antes da injeção de insulina no café da manhã, o risco de hipoglicemia parece ser menor. Portanto, a hipoglicemia pode ser prevenida pela hiperglicemia. Nesse caso, o paciente diabético deve considerar a redução ou omissão de carboidratos com base no monitoramento de sua resposta ao exercício. Se você fizer este exercício no final da tarde, pode precisar consumir de 15 a 30 gramas de carboidratos para prevenir a hipoglicemia. Se você se exercita à noite ou depois do jantar, deve consumir carboidratos extras, se necessário. A atividade 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 34/48 física deve ser evitada neste horário, não só pelo risco de baixa de açúcar no sangue à noite, mas também pelo risco de alta de açúcar no sangue pela manhã (PASCHOAL, 2014). CHO: carboidratos. Pode ser necessário reduzir a dose de insulina antes e depois. Para tanto, existem várias diretrizes que podem ser utilizadas para orientar os ajustes necessários. De modo geral, diminuir a dose de insulina de ação curta em 30% a 50% pode reduzir o risco de hipoglicemia (PASCHOAL, 2014). Sem alterar a ingestão de carboidratos, é possível reduzir a dose de insulina na pílula alimentar antes da atividade física, principalmente para pacientes com sobrepeso. Em usuários de bombas de infusão de insulina, a redução temporária do basal (a insulina é usada para metabolizar a glicose hepática) é ativada. Portanto, somente quando o açúcar no sangue estiver abaixo do nível prescrito por esse método, é necessário ingerir alimentos com antecedência (PASCHOAL, 2014). Em atletas, para eventos de longa duração, o aumento das reservas de glicogênio é realizado por meio de tecnologia de supercompensação. Para pacientes com DM que usam essa 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 35/48 tecnologia, é necessário monitorar cuidadosamente os níveis de glicose no sangue e ajustar adequadamente a dose de insulina para manter o controle da glicose no sangue e atingir a meta do processo de supercompensação (PASCHOAL, 2014). Ingestão de carboidrato durante o exercício Em exercícios de média a alta intensidade e de longo prazo, a ingestão de carboidratos pode melhorar o desempenho atlético. Isso porque a oxidação e a disponibilidade da glicose são mantidas até o final do exercício, porém o glicogênio não é poupado. Durante o exercício, a ingestão de carboidratos é particularmente importante para atletas diabéticos. O exercício moderado (50% a 60% da captação máxima de oxigênio) aumenta a ingestão de glicose em 2 a 3 mg/kg/min, que é maior do que o normal. Por exemplo, uma pessoa de 70 kg precisa de 140 a 210 mg de glicose por minuto de exercício de intensidade moderada ou 8,4 a 12,6 gramas (10 a 15 gramas) de carboidratos por hora de exercício. Em exercícios de alta intensidade (80% a 100% do consumo máximo de oxigênio), a ingestão de glicose pode ser aumentada em 5 a 6 mg/kg/min do que o usual, dificultando a manutenção das atividades por muito tempo. Esse aumento da glicose justifica a recomendação de exercícios a cada 30 a 60 minutos (dependendo da atividade) em comparação ao exercício regular normal com suplementação de carboidratos (15 gramas) (PASCHOAL, 2014). Em encontros de longa duração, recomenda-seconsumir pelo menos 30 a 60 gramas de carboidratos por hora de atividade, alocá-los em intervalos de 15 a 30 minutos e ajustar a dose de insulina de forma adequada. Esta é uma boa forma de prevenir a hipoglicemia. Se a intensidade do exercício for moderada e a duração curta (menos de 45 minutos), é recomendável evitar alimentos extras durante o exercício. Avaliar a glicose no sangue 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 36/48 após o exercício ajudará a indicar se a ingestão adicional de carboidratos é necessária (PASCHOAL, 2014). Ingestão de carboidrato após o exercício Após o esgotamento do exercício físico, para criar condições mais favoráveis para restaurar o armazenamento de glicogênio muscular, 1,5g/kg de carboidratos deve ser ingerido meia hora após o exercício. Além disso, após 1 a 2 horas, a mesma quantidade deve ser consumida novamente. Neste momento, barras de cereais ou alimentos ricos em carboidratos são muito úteis. Para pessoas com diabetes, este guia é particularmente importante para prevenir a hipoglicemia após o exercício. O monitoramento da glicose no sangue a cada 1 a 2 horas ajuda a avaliar a resposta ao exercício e os ajustes necessários à alimentação e às doses de insulina (PASCHOAL, 2014). EXERCÍCIO FÍSICO E DIABETES MELITO TIPO 2 A prevalência de diabetes tipo 2 está relacionada à diminuição da atividade física e ao aumento da prevalência de obesidade. Portanto, a promoção da atividade física como uma parte importante da prevenção e do controle do diabetes tipo 2 deve ser considerada uma das principais prioridades (PASCHOAL, 2014). Deve-se reconhecer também que, à medida que a resistência à insulina progride para intolerância à glicose, progride-se para hiperglicemia com necessidade de uso de hipoglicemiantes orais e, finalmente, para hiperglicemia com necessidade do uso de insulina (PASCHOAL, 2014). Todos os pacientes com DM2 devem considerar complicações graves relacionadas ao exercício. A hipoglicemia induzida por 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 37/48 exercícios costuma ser o problema menos sério no DM2, mas o risco aumenta com o uso de insulina e hipoglicemiantes orais (PASCHOAL, 2014). CONSIDERAÇÕES NUTRICIONAIS PARA A PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA COM DIABETES MELITO TIPO 2 Pacientes com DM2 que podem ser bem controlados por ajustes dietéticos podem se exercitar sem nenhum cuidado adicional. Durante atividades leves a moderadas, os níveis de açúcar no sangue caem perto do normal, mas os níveis baixos de açúcar no sangue geralmente não são atingidos. Com os objetivos do tratamento em mente, essas recomendações são baseadas em um plano de dieta saudável e balanceada. Para manter o açúcar no sangue dentro da faixa normal, as refeições devem ser feitas 2 a 3 horas antes do exercício. Portanto, nenhum suplemento é necessário antes, durante ou após a atividade física (PASCHOAL, 2014). Geralmente, não é adequado para indivíduos tratados com insulina ou hipoglicemiantes orais, principalmente sulfonilureias, pois atuam nas células β pancreáticas, estimulam a secreção de insulina e podem causar hipoglicemia durante o exercício. Apesar de algumas diferenças, as estratégias propostas para o DM1 para prevenir a hipoglicemia podem ser aplicadas no tratamento da DM2 com insulinoterapia e/ou hipoglicemiantes orais (PASCHOAL, 2014). A principal estratégia nutricional dos praticantes de atividade física com DM2 é consumir alimentos suficientes de acordo com o índice glicêmico e carga glicêmica (CG), agregar alimentos funcionais e uma ingestão balanceada de suplementos nutricionais (PASCHOAL, 2014). 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 38/48 Índice glicêmico e carga glicêmica Alimentos com alto índice glicêmico produzem maiores concentrações plasmáticas de glicose e maiores necessidades de insulina. O aumento a longo prazo na demanda de insulina acabará por levar à insuficiência pancreática. Além disso, uma dieta que fornece concentrações mais altas de glicose no plasma, aumentando os radicais livres e os ácidos graxos livres circulantes, também pode reduzir a sensibilidade à insulina (PASCHOAL, 2014). Além disto, o consumo de alimentos com alto índice glicêmico pode acarretar a redução da glicemia via efeito rebote, que consiste na rápida e importante elevação da insulina em resposta à elevação da glicemia devido à absorção de carboidratos presentes nos alimentos de alto índice glicêmico. Essa situação pode ser piorada devido ao aumento da translocação de GLUT4 promovido pelo exercício, que acarreta a maior entrada de glicose na célula muscular (FARIA et al., 2011). Fibra alimentar O consumo de certas fibras reduz o risco de DM2, principalmente quando está relacionado ao índice glicêmico e à carga glicêmica (PASCHOAL, 2014). Por que a fibra dietética pode melhorar o controle do açúcar no sangue e aumentar a sensibilidade à insulina pode ser compreendido por meio de uma variedade de mecanismos. Diversas características são responsáveis por melhorar o controle do açúcar no sangue e aumentar a sensibilidade à insulina. Evidências experimentais mostram que o efeito da fibra, especialmente fibra fermentável, é obtido pela estimulação do peptídeo 1 semelhante ao glucagon (GLP-1). O GLP-1 reduz a taxa de esvaziamento gástrico, melhora a captação e disponibilidade de glicose nos tecidos periféricos, aumenta a captação de glicose, aumenta a disponibilidade de glicose 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-… 39/48 dependente de insulina, inibe a secreção de glucagon e reduz a produção de glicose no fígado. Devido aos vários resultados do GLP-1, quando uma dieta rica em fibras é consumida, ele pode reduzir a necessidade de insulina exógena em indivíduos com baixa tolerância à glicose. Os benefícios potenciais da fibra óptica para DM1 e DM2 são óbvios. No entanto, a redução do controle glicêmico do DM1 e dos eventos de hipoglicemia, a redução da hiperinsulinemia e dos lipídeos sanguíneos e a melhora do controle glicêmico do DM2 estão relacionados à ingestão de 50g/dia de fibra (PASCHOAL, 2014). Como parte do tratamento medicamentoso nutricional do DM, a adição de fibra dietética à dieta pode diminuir o colesterol e o colesterol da lipoproteína de baixa densidade, principalmente devido à ação dos ácidos graxos de cadeia curta, especialmente o propionato. O segundo benefício de uma dieta rica em fibras para o tratamento de doenças cardiovasculares inclui a redução da ingestão de energia, açúcar e gordura, sendo, portanto, uma mudança efetiva no tratamento da obesidade e da hipertrigliceridemia (PASCHOAL, 2014). HIPERTENSÃO Os métodos não farmacológicos de redução da hipertensão (HT) baseiam-se em mudanças no estilo de vida por meio de estratégias nutricionais e de exercícios. Diferentes intervenções de treinamento ou programas nutricionais podem reduzir a pressão arterial. Estratégias não medicamentosas são indicadas. Sua combinação tem se mostrado eficaz para outras melhorias na saúde, como perda de peso (JURIK; STASTNY, 2019). 14/06/2024, 11:10 Dietas da Moda e Doenças Crônica Degenerativas e Exercício Físico https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=dietas-da-moda-e-doencas-cronica-degenerativas-e-exercicio-fisico&dcp=nutricao-aplicada-…