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21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topi… 1/43 Tópico 03 Nutrição Aplicada ao Esporte Metabolismo energético no exercício físico e esporte 1. Introdução O corpo humano utiliza diferentes formas para produzir a energia empregada nas diferentes atividades físicas que realizamos diariamente. Independentemente da via metabólica, o objetivo é a manutenção de ATP, que é uma forma de energia química utilizada pelo corpo humano para gerar trabalho, que, no caso dos exercícios físicos, representa energia para a contração muscular (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). Por mais que as vias tenham o mesmo objetivo, a utilização de cada uma é variável, conforme o contexto de realização do exercício físico. Isso leva ao corpo humano necessitar de diferentes proporções de macronutrientes com base no tipo de exercício executado (PITHON-CURI, 2017) Os macronutrientes são utilizados como substratos energéticos nas vias metabólicas de produção de energia. Logo, conhecer a utilização das vias metabólicas conforme o contexto de execução dos exercícios é fundamental para prescrever corretamente os macronutrientes de forma a atender as demandas metabólicas com eficiência (PITHON-CURI, 2017). Assim, neste tópico, vamos abordar as diferentes vias metabólicas de produção de energia e como o exercício físico interfere no uso destas. Além disso, abordaremos o maior consumo de oxigênio que perdura após o término da execução do exercício físico. 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topi… 2/43 2. A adenosina trifosfato como fonte de energia A fonte de energia direta para a contração muscular é o composto de fosfato de alta energia o trifosfato de adenosina (ATP). Mesmo que o ATP não seja a única molécula transportadora de energia nas células musculares, é a mais importante (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). O ATP é formado a partir de uma molécula de adenosina, composta por adenina e ribose, unida a três fosfatos, por isto trifosfato (conforme representado na imagem 1), sendo cada fosfato constituído por átomos de fósforo e de oxigênio. A síntese de ATP ocorre a partir da combinação da adenosina difosfato (ADP) a um fosfato inorgânico (Pi) e requer energia. Parte dessa energia é armazenada na ligação química que conecta a ADP junto ao Pi (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). Quando a enzima ATPase quebra uma ligação da adenosina com o fosfato, a energia é liberada e pode ser usada para realização da contração muscular. Como resultado da quebra do ATP, é formada a adenosina difosfato (ADP) e o Pi fica livre, conforme representado abaixo (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018): 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topi… 3/43 Estrutura do ATP, a moeda corrente energética que aciona todas as formas de trabalho biológico. O ATP é chamado de doador de energia universal e permite que a energia liberada na digestão dos alimentos esteja em uma forma útil para ser utilizada por todas as células. Em geral, as células contêm pouco ATP tendo de produzi-lo continuamente para suprir a utilização e assim ter um estoque constante. Somente na atividade física extrema a concentração de ATP no músculo estriado esquelético reduz (McARDLE; KATCH; KATCH, 2011). 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topi… 4/43 Ter uma quantidade limitada de ATP é i, mecanismo útil para regular o metabolismo energético. Com pouco ATP, as concentrações de ATP, ADP, adenosina monofosfato (AMP) e Pi rapidamente são modificadas em resposta ao uso de ATP, rompendo o equilíbrio entre ATP, ADP, AMP e Pi (McARDLE; KATCH; KATCH, 2011). O desequilíbrio leva à degradação de diferentes compostos, como glicose, ácidos graxos e fosfocreatina, que contêm energia armazenada para produzir o ATP a partir do ADP. Com isso, o movimento muscular ativa rapidamente vários sistemas, como ATP-fosfocrreatina, glicólise anaeróbica e sistema oxidativo, que aumentarão a transferência de energia, de maneira proporcional à intensidade do movimento. Por exemplo, a transferência de energia aumenta cerca de quatro vezes na transição da posição sentada em uma cadeira para uma caminhada lenta. E, ao passar de uma caminhada lenta para uma corrida rápida (sprint), a transferência de energia é acelerada em cerca de 120 vezes nos músculos ativos (McARDLE; KATCH; KATCH, 2011). A transferência de energia e a resultante manutenção do suprimento contínuo de ATP ocorre por diferentes vias metabólicas, que contém reações que ocorrem no citoplasma da célula ou nas mitocôndrias. Por exemplo, no citoplasma ocorrem as vias para de síntese de ATP a partir da degradação anaeróbica de creatina fosfato e glicose. Já na mitocôndria, as vias metabólicas levam a geração aeróbica de ATP, através do ciclo do ácido cítrico e da cadeia respiratória através da membrana interna (McARDLE; KATCH; KATCH, 2011). 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topi… 5/43 Assim, as células musculares podem sintetizar ATP através de uma via ou com o uso da combinação de três vias metabólicas: 1. Formação de ATP por quebra de fosfocreatina (FC). 2. Formação de ATP via degradação de glicose ou glicogênio (denominada glicólise). 3. Formação oxidativa de ATP. É valido destacar que a produção de ATP por meio da FC e via glicólise não utiliza oxigênio, sendo, assim, chamadas de vias anaeróbias. Já a formação oxidativa de ATP utiliza oxigênio, sendo assim chamada de aeróbia ou de metabolismo aeróbio (McARDLE; KATCH; KATCH, 2011). Em adição a isso, é interessante destacar que o rendimento energético total da degradação da glicose via glicólise anaeróbica e via sistema oxidativo é de 38 ATP. Conforme descrito a seguir: 2 ATP: formados após a entrada de glicose na célula, até a geração de piruvato, na glicólise anaeróbia. 24 ATP: formados a partir do NADH. 4 x 2 x 3 = 24 4 (1 NADH originado na transferência de piruvato para a mitocôndria e 3 gerados no Ciclo de Krebs) x 2 (há 2 Ciclos de Krebs) x 3 (cada NADH gera energia para reconstituir 3 ATP, na cadeia respiratória) = 24. 4 ATP: formados a partir do FADH. 1 x 2 x 2 = 4 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topi… 6/43 1 (1 FADH gerado no Ciclo de Krebs) x 2 (há 2 Ciclos de Krebs) x 2 (cada FADH gera energia para reconstituir 2 ATP, na cadeia respiratória) = 4. 2 ATP: reconstituídos a nível de substrato, um em cada Ciclo de Krebs. 6 ATP: provenientes dos 2 NADH – formados na glicólise anaeróbia – arremessados pela lançadeira de elétrons do citoplasma para dentro da mitocôndria. Como cada NADH gera energia para reconstituir três ATP, na cadeia respiratória, formam-se seis ATP (GOBBI; BALBINOTTI, 2013) 3. Fosfocreatina O método mais simples e rápido, sem a utilização de oxigênio, para produzir ATP envolve a doação de um grupo fosfato da fosfocreatina ao ADP para, assim, formar ATP e creatina, em uma reação que é catalisada pela enzima creatina quinase, popularmente identificada como CK, conforme representado na imagem 2. A combinação do ATP e da FC disponível na célula é denominadasistema ATP-fosfocreatina ou “sistema do fosfogênio” (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). As células musculares armazenam pequenas quantidades de FC, o que faz com que a quantidade total de ATP que pode ser formada a partir da FC seja limitada. Assim, esse sistema fornece energia para contração muscular somente no início do exercício e durante o exercício de alta intensidade e curta duração. Após o uso dos estoques de FC, a formação de novo de PC só ocorre no período de recuperação muscular e utiliza ATP (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topi… 7/43 Em atletas, a importância do sistema ATP-fosfocreatina pode ser observada em exercícios intensos e de curta duração, como uma corrida de 50 m, salto em altura, e levantamento de peso. Essas atividades requerem apenas alguns segundos para serem concluídas, necessitando de um suprimento rápido de ATP, que é disponibilizado de forma importante pelo sistema ATP- fosfocreatina (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). Com a depleção da FC, existe tendência à limitação do rendimento em exercícios de alta intensidade e curta duração, sugerindo que a ingestão de maiores quantidades de creatina pode melhorar o estoque muscular de fosfocreatina e assim o desempenho nos exercícios de alta intensidade (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). No corpo humano, a creatina encontra-se na forma livre e fosforilada, de forma que as maiores concentrações se encontram nos músculos esqueléticos, cerca de 95% do conteúdo total de creatina (40% dizem respeito à creatina livre, e os outros 60 % creatina fosfato). Os 5% restantes repartem-se por outros tecidos dos órgãos como coração e fundamentalmente o cérebro, além de espermatozoides e retina. Dessa forma, o aumento de massa magra tem influência direta nos estoques de FC (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topi… 8/43 A energia liberada pela hidrólise (divisão) de PCr reúne ADP e Pi para formar ATP. Os aumentos transitórios do ADP na unidade contrátil do músculo durante o exercício desviam a reação catalisada pela creatinoquinase no sentido da hidrólise de PCr e da produção de ATP. 4. Glicolise anaeróbica Uma segunda via metabólica capaz de produzir ATP rapidamente sem o uso de oxigênio é a glicólise, que envolve a quebra de glicose ou glicogênio para formar duas moléculas de piruvato (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). Essa via metabólica é usada para transferir energia das ligações da glicose para assim formar ATP a partir do ADP e Pi, através de um processo que envolve uma série de reações enzimáticas (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&topi… 9/43 A glicólise ocorre no sarcoplasma da célula muscular e produz um ganho de duas moléculas de ATP e duas moléculas de piruvato ou lactato por molécula de glicose, conforme representado na imagem seguinte (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). Glicólise: uma série de dez reações químicas controladas enzimaticamente produz duas moléculas de piruvato a partir da degradação anaeróbica da glicose. O lactato é formado quando a oxidação de NADH não consegue acompanhar a sua formação na glicólise. NAD – nicotinamida adenina dinucleotídio. Da energia gerada na glicólise a maior parte não resulta em ressíntese de ATP, e sim dissipada na forma de calor, conforme figura 3 nas reações 7 e 10. Nesse caso a energia liberada através da glicose estimula a transferência direta dos grupos fosfato para quatro moléculas de ADP, produzindo quatro moléculas de ATP (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 10/43 Na fosforilação ao nível do substrato, a energia transferida do substrato para o ADP por fosforilação na glicólise rápida ocorre via ligações fosfato nas reações anaeróbicas (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). Durante a degradação completa da molécula de glicose em energia, apenas cerca de 5% do ATP total gerado é proveniente da glicólise rápida. São exemplos de atividades que dependem fundamentalmente do ATP gerado pela glicólise rápida os piques (sprints) no final de corridas de 1,6 km, a natação nas provas de 50 ou 100 m e as provas de atletismo até 200 m (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). Abaixo estão relacionados os três fatores regulam a glicólise e assim modulam quanto de ATP é produzida por esta via (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). 1. As concentrações das quatro enzimas que são chaves para o processo glicolítico: exoquinase, fosforilase, fosfofrutoquinase e piruvatoquinase. 2. Os níveis do substrato frutose 1,6-difosfato. 3. O oxigênio, que em grandes quantidades inibe a glicólise. A partir das reações enzimáticas, hidrogênios são removidos dos substratos e ficam disponíveis no sarcolema para serem ligados a moléculas transportadoras, como a nicotinamida adenina 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 11/43 dinucleotídio (NAD+), formando o NADH. Essa molécula transporta hidrogênio e seu elétron associado para serem usados posteriormente na geração de ATP na mitocôndria em outra via metabólica, através da cadeia transportadora de elétrons (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). Se não houver oxigênio disponível para ser utilizado na cadeia transportadora de elétrons, os hidrogênios presentes no NADH não serão utilizados e a concentração de NAD+ reduzirá. Assim, o piruvato se liga aos hidrogênios formando lactato, através da ação da enzima lactato desidrogenase (LDH), permitindo a manutenção dos níveis de NAD+ (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). Como resultado desse processo de produção de NAD+ a glicólise tem continuidade, mas também ocorre a maior formação de lactato (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). METABOLISMO DO LACTATO A oxidação do lactado formado ocorre nas fibras musculares estriadas esqueléticas, vizinhas ao seu local de formação, ou em tecidos mais distantes, tais como o coração ou músculos relacionados a respiração. O lactato também possui a função de precursor direto do glicogênio hepático (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 12/43 De maneira ideal, o lactato não se acumula devido a um ritmo de remoção que acompanha o ritmo de produção. Depois que o lactato é formado no músculo, ele pode seguir dois caminhos diferentes: 1. Difundir-se para o espaço intersticial e sangue para ser tamponado e removido do local de sua formação. 2. Proporcionar um substrato gliconeogênico para a síntese do glicogênio. Com isso, a glicólise anaeróbica continua fornecendo energia para a síntese do ATP. Entretanto, quando os níveis sanguíneos e muscular de lactato aumentam, e a formação de ATP não consegue acompanhar seu ritmo de utilização, então, a fadiga ocorre como resultado e reduz o desempenho nos exercícios (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). Em condições anaeróbicas, a maior acidez intracelular leva à fadiga, por causar a inativação de várias enzimas da transferência de energia e devido o prejuízona função das estruturas contráteis das fibras musculares (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). Contudo, o lactato não deve ser somente visto como algo ruim, mas também como uma fonte de energia química que se acumula com a atividade física intensa. Através do ciclo de Cori, o lactato liberado pelos músculos é utilizado para produzir glicose e assim reabastecer as reservas de glicogênio depletadas 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 13/43 pela atividade física, conforme representado na imagem seguinte (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). As reações bioquímicas do ciclo de Cori no fígado sintetizam glicose a partir do lactato liberado pelos músculos ativos. Durante exercícios extenuantes, quando o metabolismo aeróbico não consegue fornecer a energia necessária, o ciclo de Cori será realizado. Nele, o lactato é levado ao fígado pela corrente sanguínea, onde é reconvertido em piruvato pela lactato desidrogenase e convertido em glicose pela gliconeogênese (PITHON-CURI, 2017). O aumento de lactato na concentração sanguínea está relacionado com aumento da atividade glicolítica, porém, existe a possibilidade de elevação na concentração de lactato mesmo em condições predominantemente aeróbias (BENETTI; SANTOS; CARVALHO, 2000). 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 14/43 5. Sistema oxidativo O último sistema de produção de energia celular é o sistema oxidativo, sendo o que envolve mais reações. Nesse sistema, a fibra muscular utiliza a respiração celular para utilizar os substratos energéticos em um processo dependente de oxigênio, sendo assim um sistema aeróbico (POWERS; HOWLEY, 2017). As reações do sistema oxidativo ocorrem na mitocôndria e são divididas em três estágios. O estágio 1 é caracterizado pela formação da Acetil-Coa, a partir de diferentes substratos, o estágio 2 é caracterizado pelas reações do ciclo de Krebs, e o estágio 3 é caracterizado pelas reações da cadeia de transporte de elétrons, conforme representado na imagem abaixo (POWERS; HOWLEY, 2017). Confira sobre a produção de lactato no artigo “Cinética de lactato em diferentes intensidades de exercícios e concentrações de oxigênio”. Clique aqui https://www.scielo.br/pdf/rbme/v6n2/v6n2a04.pdf 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 15/43 Os três estágios das reações do sistema oxidativo. NAD – nicotinamida adenina dinucleotídio. FAD flavina adenina dinucleotídio. OXIDAÇÃO DE CARBOIDRATOS A produção oxidativa do ATP por meio de carboidratos ocorre a partir da glicólise e em seguida ocorrem outras duas etapas, o ciclo de Krebs e a cadeia de transporte de elétrons, conforme representado na imagem seguinte (POWERS; HOWLEY, 2017). É interessante destacar que a glicólise acima citada é o processo que descrevemos na via glicolítica anaeróbica. O processo de glicólise é o mesmo, independentemente de haver ou não oxigênio presente. A presença de oxigênio determina apenas o destino do piruvato, que é o produto final, o qual, na presença de oxigênio, é convertido em acetil coenzima A (acetil-CoA) abaixo (POWERS; HOWLEY, 2017). 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 16/43 A acetil-CoA entra no ciclo de Krebs, que é uma série complexa de reações químicas que permitem a completa oxidação da acetil-CoA. É importante lembrar que cada molécula de glicose utilizada na glicólise resulta em dois piruvatos, logo, duas acetil- CoA, que serão disponibilizadas para entrar no ciclo de Krebs e assim dar origem a moléculas de ATP e disponibilizar íons de hidrogênio abaixo (POWERS; HOWLEY, 2017). Depois que a glicose e o glicogênio foram reduzidos a piruvato, na presença de oxigênio, (a) o piruvato é catalisado em acetil coenzima A (acetil CoA), que pode entrar (b) no ciclo de Krebs, onde ocorre a fosforilação oxidativa. Então, o hidrogênio liberado durante o ciclo de Krebs se combina com coenzimas que transportam os íons hidrogênio até (c) a cadeia de transporte de elétrons. NAD – nicotinamida adenina dinucleotídio. FAD flavina adenina dinucleotídio. O ciclo de Krebs está acoplado a uma série de reações que ocorrem na cadeia de transporte de elétrons utilizando o hidrogênio. Assim, os hidrogênios liberados durante a glicólise, 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 17/43 durante a conversão de piruvato em acetil-CoA, e durante o ciclo de Krebs, são utilizados para sintetizar ATP (KENNEY; WILMORE; COSTILL, 2013). Após a liberação dos hidrogênios, eles são ligados a duas coenzimas a nicotinamida adenina dinucleotídio (NAD+) e a flavina adenina dinucleotí-dio (FAD), convertendo cada uma a sua forma reduzida, NADH e FADH2, respectivamente. A cada ciclo de Krebs, três moléculas de NADH e uma molécula de FADH2 são produzidas e transportam os átomos de hidrogênio, que são fontes de elétrons, para a cadeia de transporte de elétrons (KENNEY; WILMORE; COSTILL, 2013). Essa cadeia é formada por um grupo de proteínas mitocondriais localizadas na membrana mitocondrial interna e contém uma série de enzimas. Utilizando os hidrogênios presentes nas coenzimas NADH e FADH2, a cadeira transportadora de elétrons armazena íons de hidrogênio, contra o gradiente de concentração, entre as duas membranas mitocondriais (KENNEY; WILMORE; COSTILL, 2013). No último complexo da cadeia, ocorre a migração dos íons de hidrogênio para a membrana interna mitocondrial, a favor do gradiente de concentração. Assim, a energia derivada dessa passagem é utilizada pela ATP sintase, presente no último complexo da cadeia transportadora, para sintetizar ATP e, como resultado, a produção líquida é de 2,5 ATP para cada NADH, e 1,5 ATP para cada FADH (KENNEY; WILMORE; COSTILL, 2013). 2 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 18/43 A importância dos carboidratos como substrato energético para a contração dos músculos esqueléticos é amplamente reconhecida. Regular o suprimento de carboidratos durante exercícios prolongados e a recuperação após os exercícios é um grande desafio. O metabolismo dos carboidratos musculares não ocorre de forma isolada, requer integração entre os tecidos, bem como regulação com outros substratos importantes, como ácidos graxos e aminoácidos (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). As demandas energéticas do exercício demonstram que o carboidrato é o combustível preferido para exercícios com intensidades acima de 65% do VO2 máx. – níveis nos quais a maioria dos atletas treina e compete. A oxidação lipídica falha em fornecer trifosfato de adenosina (ATP) rápido o suficiente para suportar tais exercícios de alta intensidade (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). O glicogênio muscular e a glicose sanguínea fornecem cerca de metade da energia para exercícios de intensidade moderada (65% do VO2 máx.) E dois terços da energia para exercícios de alta intensidade (85% do VO2 máx.) Não é possível atender às exigências de ATP para exercícios de alta intensidade e de alta potência quando há o esgotamento desses carboidratos (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010).Confira mais sobre a síntese de ATP pela ATPase no vídeo “Síntese de ATP”. Clique aqui https://www.youtube.com/watch?v=JdjCzhAS2N8 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 19/43 OXIDAÇÃO DE GORDURAS A utilização de gordura também é importante para suprir as demandas energéticas musculares. O corpo humano tem em suas reservas de gordura grande capacidade de geração de energia, podendo fornecer ao menos 70.000 a 75.000 kcal, considerando a gordura armazenada no interior das fibras musculares e em células de gordura. Em comparação, as reservas de glicogênio podem fornecer somente 2.500 kcal de energia elétrons (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). Dentre as moléculas classificadas como gorduras, apenas os triglicerídeos são fontes importantes de energia. Os triglicerídeos são armazenados nos adipócitos, entre fibras musculares esqueléticas e no interior das fibras musculares elétrons (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). Para que seja utilizado na obtenção de energia, um triglicerídeo é quebrado a uma molécula de glicerol e três moléculas de ácidos graxos livres (AGL). Esse processo de quebra é chamado de lipólise, e é realizado por lipases elétrons (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). Diferentes substâncias estimulam a ação das lipases, como adrenalina, noradrenalina, glucagon e o hormônio do crescimento, levando à mobilização dos AGL a partir do tecido adiposo. As concentrações plasmáticas dessas substâncias que estimulam a ação das lipases aumentam durante o exercício, 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 20/43 para fornecer continuamente substrato aos músculos (BACURAU, 2006). Após liberados do glicerol, os AGL podem ir para corrente sanguínea e ser transportados de modo que cheguem aos músculos e penetrem nas fibras musculares. A velocidade de entrada nas fibras musculares é dependente do gradiente de concentração, assim a elevação da concentração sanguínea de AGL favorece o transporte deste para o interior das fibras elétrons (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). Para que os AGL sejam utilizados para a produção de energia, eles devem ser convertidos em acetil-CoA na mitocôndria, em um processo chamado betaoxidação. Lembrando que o acetil- CoA é o intermediário comum, ao qual os substratos são utilizados para sintetizar, utilizado no ciclo de Krebs para o metabolismo oxidativo elétrons (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). Em comparação com a oxidação de carboidratos, a oxidação de uma molécula de AGL depende de mais oxigênio, visto que a molécula de gordura contém uma quantidade consideravelmente maior de carbonos do que a glicose elétrons (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). A vantagem de haver mais carbono nos AGL do que na glicose é o fato de isso permitir a formação de mais acetil-CoA a partir da quebra de gordura, assim, mais moléculas de acetil-CoA ingressam no ciclo de Krebs e mais elétrons são enviados à 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 21/43 cadeia de transporte de elétrons (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). Quando há extrema escassez de carboidratos a energia precisa ser obtida pela quebra dos ácidos graxos, os corpos cetônicos são produzidos principalmente a partir de acetil-CoA na matriz mitocondrial das células hepáticas para suprir essa demanda. Esse processo pode levar a cetose persiste, em que a qualidade ácida dos líquidos corporais pode chegar a níveis potencialmente tóxicos (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). Os lipídios são a fonte de energia mais abundante para a atividade física. A capacidade de mobilizar e usar os lipídios armazenados durante o exercício pode contribuir para o desempenho do atleta. Os lipídios podem ser mobilizados das seguintes fontes: lipídios intramusculares, tecido adiposo, lipoproteínas séricas ou lipídios consumidos antes ou durante a atividade física. (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). Diversos fatores vão determinar a quantidade e as fonte de lipídios a serem utilizadas durante o exercício, tais como nível de treinamento, tipo de exercício, intensidade e duração da atividade, reservas disponíveis de lipídios intramusculares, capacidade de mobilizar e transportar ácidos graxos do tecido adiposo para células musculares, composição da refeição pré- treino, disponibilidade de glicogênio e quantidade de carboidratos e lipídios ingeridos durante a atividade (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). GLICEROL 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 22/43 Após o processo de lipólise, o glicerol disponibilizado é utilizado em reações anaeróbicas. Primeiramente, é convertido a 3- fosfogliceraldeído e, em sequência, essa molécula é degradada para piruvato, formando assim ATP. Os átomos de hidrogênio passam para o NAD+ e o piruvato é usado para produzir acetil- CoA que vai para o ciclo de Krebs o ácido cítrico oxida o piruvato. O glicerol proporciona também arcabouços de carbono para a síntese de glicose e este papel gliconeogênico é fundamental quando há esgotamento das reservas de glicogênio devido à restrição importante na ingestão de carboidratos ou atividade física prolongada. GORDURAS QUEIMAM EM UMA CHAMA DE CARBOIDRATOS Para que ocorra a degradação dos AGL, existe a dependência de certo nível de degradação dos carboidratos. Isso é devido ao fato de o acetil-CoA entrar no ciclo de Krebs via ligação com o oxaloacetato, formando, assim, o citrato. (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018) O oxaloacetato é produzido a partir do piruvato durante a degradação dos carboidratos. Assim, a depleção dos carboidratos diminui a produção de piruvato durante a glicólise e esta diminuição do piruvato reduz a formação de oxalacetato, retardando a atividade do ciclo de Krebs. Considerando isto é 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 23/43 dito que, “as gorduras queimam em uma chama de carboidratos” (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). OXIDAÇÃO DAS PROTEÍNAS Carboidratos e AGL são substratos preferenciais do organismo para geração de energia. Contudo, também são utilizados aminoácidos vindos das proteínas dietéticas e endógenas para gerar energia. Isto ocorre na gliconeogênese, em que alguns aminoácidos podem ser convertidos em glicose elétrons (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). Esse processo de conversão ocorre com a desaminação e leva à produção de intermediários, que são utilizados no processo de gliconeogênese como o piruvato, oxaloacetato ou malato, utilizados para síntese de glicose via o ciclo de Krebs. Como exemplo o piruvato é formado quando a alanina perde seu grupo amina e ganha um oxigênio elétrons (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). Além da possibilidade de serem utilizados para a produção de glicose, outros aminoácidos são cetogênicos, como a glicina, sendo utilizados para formar triglicerídeos ou são catabolizados para a obtenção de energia no ciclo de Krebs podendo ser convertidos em moléculas como ou acetil-CoA ou acetoacetato, para isto elétrons (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 24/43 No processode catabolismo dos aminoácidos, além de o nitrogênio liberado poder ser utilizado para sintetizar novos aminoácidos, ele pode ser convertido em ureia e excretado, principalmente pela urina. A conversão para ureia requer o uso do ATP, assim, energia é consumida no processamento de elétrons (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). O exercício tem um impacto significativo nos aminoácidos livres circulantes, mas as principais alterações no músculo e no plasma estão relacionadas a alguns aminoácidos específicos. Existem três fontes potenciais de aminoácidos que podem atuar como provedores de energia durante o exercício: proteína dietética, aminoácidos livres circulantes e proteína tecidual (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). É incomum que as proteínas dietéticas atuem diretamente no suprimento de aminoácidos para o metabolismo durante o exercício, uma vez que o consumo de alimentos à base de proteínas precedendo a competição é muito pequeno. Aliado a esse fato, observa-se que o sangue é parcialmente desviado das vísceras para o músculo esquelético durante o exercício, o que diminui a absorção de aminoácidos da dieta (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). Confira mais sobre o metabolismo de aminoácidos de cadeia ramificada no artigo “Aspectos atuais sobre aminoácidos de cadeia ramificada e exercício físico”. Clique aqui https://www.scielo.br/pdf/rbcf/v44n4/v44n4a04.pdf https://www.scielo.br/pdf/rbcf/v44n4/v44n4a04.pdf https://www.scielo.br/pdf/rbcf/v44n4/v44n4a04.pdf 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 25/43 6. Regulação do metabolismo energético A produção energética está vinculada a principalmente quantidade intracelular de ADP. Em situações de pequena disponibilidade de ADP para ser utilizado na síntese de ATP, os elétrons não passam pela cadeira respiratória e ocorre a menor ação das enzimas que são limitantes nas vias glicolíticas e oxidativas. Cada via tem ao menos uma enzima limitante, que é assim identificada pelo fato de controlar a velocidade das reações daquela via (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). Esses mecanismos de controle respiratório são importantes, pois qualquer aumento de ADP sinaliza a necessidade de reestabelecer os níveis de ATP. Assim, as concentrações de ADP funcionam como um mecanismo de retroalimentação celular que regula a necessidade de ativação das vias energéticas para manter o nível constante ou homeostático de ATP disponível (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). 7. Metabolismo energético no exercício físico Como vimos, as principais fontes de macronutrientes que fornecem energia para a produção de ATP são o glicogênio muscular e hepático; e os triglicerídeos dentro do tecido adiposo e do músculo. E, em um grau menor, os aminoácidos dentro do músculo esquelético doam esqueletos de carbono para serem processados no metabolismo energético (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 26/43 Como representado na figura 7, a ocorre importante variação na contribuição relativa de carboidratos, gorduras e proteínas para o metabolismo energético durante repouso e em diferentes intensidades de exercício (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). Contribuição dos macronutrientes carboidrato (verde), gordura (laranja) e proteína (amarelo) para o metabolismo de energia no repouso e durante exercícios de intensidades variadas. As fontes anaeróbicas (fosfocreatina e glisólise) proporcionam a maior parcela da energia utilizada em exercícios mais intensos e rápidos e durante momentos de resistência elevada. Já o sistema oxidativo proporciona maior parcela de contribuição energética em exercícios com intensidades menores e com maior tempo de duração (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). Em geral, inicialmente a fosfocreatina (FC) fornece uma fonte de energia imediata para a ação muscular e, após alguns segundos, 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 27/43 a via glicolítica gera uma proporção cada vez maior de ATP. Em um exercício de mais de 30 segundos, ocorre o aumento progressivo do uso de vias aeróbias, que são mais lentas, para produzir energia (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). Existem diversos fatores que influenciam as vias energéticas, como disponibilidade de oxigênio, intensidade e duração exercício Intensidade (inversamente proporcionais) e Contribuição de nutrientes fornecedores de energia (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). Algumas atividades físicas contam com a utilização predominante de um único sistema de transferência de energia. No entanto, a maioria das atividades físicas tem seu suprimento energético feito por mais de um sistema e, dependendo de da intensidade e duração, um sistema será mais requerido do que o outro (McARDLE; KATCH; KATCH, 2018). 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 28/43 Interrelação entre rotas metabólicas. Conforme imagem 8, apesar das vias de produção de energia ocorrem concomitantemente, de acordo com a duração da atividade física a rota metabólica principal muda. Nos primeiros 20 segundos, aproximadamente, há o predomínio da creatina fosfato, com uma contribuição significativa da glicólise anaeróbia. Após os 20 segundos, observa-se a diminuição da contribuição da creatina fosfato e o predomínio da glicólise anaeróbia. Já em atividades mais prolongadas, a partir de três minutos, há predominância do metabolismo sistema aeróbio e os sistemas sistema de creatina fosfato e glicolítico perdem importância (PITHON-CURI, 2017). UTILIZAÇÃO DE CARBOIDRATOS DURANTE O EXERCÍCIO 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 29/43 O fígado eleva consideravelmente a liberação de glicose para uso pelos músculos ativos, conforme o exercício vai de baixa para alta intensidade. Ao mesmo tempo, o glicogênio muscular age como a principal fonte energética de carboidratos durante os estágios iniciais do exercício e durante a elevação da intensidade do exercício (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). Comparado com o catabolismo de gorduras e proteínas, os carboidratos permanecem como a fonte energética preferencial no exercício aeróbico intenso, devido ao fato de também fornecerem ATP prontamente durante os processos oxidativos. Já nos exercícios com maior demanda anaeróbica, os carboidratos são os fornecedores preferenciais de ATP (BIESEK; ALVES; GUERRA, 20100). O fornecimento de carboidratos durante o exercício ajuda a regular a mobilização de gordura e seu uso para produção de energia. Como exemplo, o aumento da oxidação de carboidratos pela ingestão de carboidratos rapidamente absorvidos, como os carboidratos de alto índice glicêmico, antes do exercício reduz a oxidação muscular dos ácidos graxos de cadeia longa e a liberação AGL pelo tecido adiposo durante o exercício (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). Durante a prática de exercícios intensos, há uma grande liberação de hormônios como adrenalina, noradrenalina, e glucagon e em menor quantidade de insulina, estimulando o aumento da degradação do glicogênio no fígado e nos músculos. Nos minutos iniciais do exercício o glicogênio muscular 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to…30/43 armazenado passa a ser a principal fonte, uma vez que, a via oxidativa não consegue satisfazer as demandas energéticas (PITHON-CURI, 2017). Com a maior duração do exercício, a glicose proveniente do fígado aumenta sua contribuição como fonte energética. A glicose sanguínea, por exemplo, pode suprir 30% da energia total demandada pelos músculos, e a maior parte da energia é fornecida pelo glicogênio intramuscular (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). A degradação dos carboidratos predomina quando as vias oxidativas não satisfazem às demandas musculares, como ocorre no exercício anaeróbico intenso. Durante esse tipo de exercício, o maior uso dos carboidratos ocorre devido ao fato de que sua utilização para produção energética é duas vezes mais rápida do que a utilização das gorduras ou proteínas. Além disso, os carboidratos geram cerca de 6% a mais de energia por unidade de oxigênio utilizado, em comparação com a gordura (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). No exercício moderado e prolongado, o glicogênio muscular fornece a maioria da energia na transição do repouso para a execução do exercício. Durante os 20 minutos seguintes, o glicogênio hepático e muscular fornece entre 40 e 50% das necessidades energéticas. O restante provém da degradação das gorduras e um pequeno uso de proteínas (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 31/43 Conforme o exercício continua e as reservas de glicogênio muscular e hepático diminuem, a glicose sanguínea derivada do metabolismo hepático se torna a principal fonte de energia de carboidratos. Ainda assim, as gorduras fornecem um percentual cada vez maior do metabolismo energético total (BIESEK; ALVES; GUERRA, 2010). Por fim, a concentração plasmática de glicose cai devido ao fato de a geração de glicose hepática não conseguir acompanhar seu uso pelos músculos. Como exemplo, em cerca de 90 minutos de exercício extenuantes, a glicemia pode cair até níveis hipoglicêmicos, comoNa imagem abaixo podemos ver como a utilização de carboidratos e lipídios varia conforme a intensidade do exercício. Variação da utilização de lipídios e carboidratos como substrato energético de acordo com a intensidade medida em % do VO2máx. Conforme a intensidade do exercício aumenta, há um aumento progressivo da contribuição dos carboidratos como fonte de combustível. 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 36/43 UTILIZAÇÃO DE PROTEÍNAS DURANTE O EXERCÍCIO As proteínas são uma fonte limitada para síntese energética durante o exercício, visto que o papel essencial das proteínas é fornecer aminoácidos para a síntese tecidual e existe uma degradação mínima de proteínas durante o exercício de resistência (POWERS; HOWLEY, 2017). Em adição a isso, principalmente os aminoácidos de cadeia ramificada leucina, valina e isoleucina possuem maior participação na capacidade das proteínas serem utilizadas para sintetizar energia, devido ao fato de serem são oxidados no músculo esquelético, e não somente no fígado (BACURAU, 2006). Embora a degradação da proteína geralmente só aumente moderadamente com o exercício, a síntese de proteína muscular após o exercício aumenta significativamente. Por exemplo, dentro de quatro horas após o exercício aeróbio, a taxa de síntese de proteína muscular aumentou em 10% a 80% (BACURAU, 2006). Confira mais sobre a utilização dos carboidratos e lipídios durante o exercício físico no artigo “Regulação do metabolismo de glicose e ácido graxo no músculo esquelético durante exercício físico”. Clique aqui https://www.scielo.br/pdf/abem/v55n5/a02v55n5.pdf 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 37/43 8. Consumo de oxigênio durante o repouso, atividade física e recuperação Em repouso, quase todo o ATP requerido para manter as funções corporais é produzida por metabolismo aeróbio. O que leva os níveis de lactato a serem baixos (POWERS; HOWLEY, 2017). Em repouso, a necessidade energética de um indivíduo é relativamente baixa, sendo que um adulto que pesasse 70 kg, por exemplo, consumiria cerca de 0,25L de oxigênio/minuto. Esse consumo é traduzido em um consumo de oxigênio relativo de 3,5 mL de oxigênio por Kg de peso corporal por minuto (POWERS; HOWLEY, 2017). Durante a transição do repouso para exercícios leves ou moderados, o consumo de oxigênio aumenta rapidamente, geralmente atingindo um estado estacionário em 1 a 4 minutos. O fato de o consumo de oxigênio não aumentar imediatamente para um valor de estado estacionário significa que a energia anaeróbica contribui para a produção geral de ATP no início do exercício (POWERS; HOWLEY, 20177). O principal ponto a ser enfatizado em relação a produção de energia nas transições do repouso a realização de exercícios é a ativação dos diferentes sistemas energéticos. A energia necessária ao exercício não é fornecida pela simples ativação de uma via energética, e sim por uma mistura dos sistemas de síntese energética (BACURAU, 2006). 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 38/43 Em particular, o atraso no consumo de oxigênio no início do exercício é definido pelo termo déficit de oxigênio. Especificamente, o déficit de oxigênio é a diferença no consumo de oxigênio entre o primeiro minuto de exercício e o tempo equivalente após atingir um estado estável do consumo de oxigênio ser alcançado, conforme representado na imagem abaixo (POWERS; HOWLEY, 2017). Curso temporal do consumo de oxigênio (VO2) na transição do repouso para o exercício submáximo. Além disso, depois de um indivíduo encerrar um exercício físico, por exemplo, correr a uma velocidade confortável, a taxa metabólica não cai instantaneamente a partir do valor de estado estável para os valores de VO que um indivíduo apresenta em repouso. A taxa metabólica, logo, o consumo de oxigênio, continua alta por vários minutos imediatamente após o 2 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 39/43 exercício, conforme representado na imagem abaixo (POWERS; HOWLEY, 2017). Déficit de oxigênio e consumo excessivo de O2 pós-exercício (EPOC) durante o exercício moderado. O consumo elevado de oxigênio após o término do exercício é chamado de EPOC, que representa o consumo excessivo de oxigênio pós-exercício e tem um componente rápido e um componente lento. Em adição a isso, existem diferentes razões para acontecer o EPOC (POWERS; HOWLEY, 2017): 1. Parte do oxigênio consumido imediatamente após o exercício é usada para restaurar as reservas de fosfocreatina muscular. 2. Para restaurar as reservas de oxigênio no sangue e nos tecidos. 3. Para permitir a conversão hepática de lactato a glicose. 4. Devido ao fato de a frequência cardíaca e a respiração permanecerem elevadas, acima dos níveis de repouso, durante vários minutos após o exercício. 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 40/43 5. Devido à maior taxa metabólica ocasionada pela elevação da temperatura corporal. 6. Por conta de níveis elevados de hormônios. A restauração das reservas de fosfocreatina e suprimento de oxigênio musculares no músculo é concluída em dois a três minutos após o exercício, correspondendo ao componente rápido que mantem o EPOC. Os outros fatores, como a temperatura corporal elevada e hormônios circulantes, contribuem para o componente lento do EPOC ( POWERS; HOWLEY, 20177). 9. Conclusão Este tópico procurou demonstrar quais são as vias metabólicas envolvidas na produção de energia e a utilização das mesmas durante o exercício físico. Vimos também como ocorre o déficit de oxigênio e o EPOC. Esses assuntos são de fundamental importância para o entendimento de como o exercício físico modifica as vias metabólicas de produção de energia, de modo que permita entender quais macronutrientes são mais pertinentes de serem Confira mais sobre o EPOC no artigo “Efeito do consumo excessivo de oxigênio após exercício e da taxa metabólica de repouso no gasto energético”. Clique aqui https://www.scielo.br/pdf/rbme/v12n6/a18v12n6.pdf 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 41/43 prescritos em cada tipo de exercício físico, considerando sua intensidade e duração. 10. Referências BACURAU, R.F. Nutrição e suplementação espostiva, 4 ª ed. São Paulo, 2006. BENETTI, Magnus; SANTOS, Renato Targino dos; CARVALHO, Tales de. Cinética de lactato em diferentes intensidades de exercícios e concentrações de oxigênio. Rev Bras Med Esporte, Niterói , v. 6, n. 2, p. 50-56, Abr. 2000. BIESEK, S.: ALVES, L. A; GUERRA, I. Estrátegias de Nutrição e Suplementação no Esporte. Barueri, Sp. Manole, 2010. FOUREAUX, Giselle; PINTO, Kelerson Mauro de Castro; DAMASO, Ana. Efeito do consumo excessivo de oxigênio após exercício e da taxa metabólica de repouso no gasto energético. 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Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. PITHON-CURI, T. C. Fisiologia do Exercício.1ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. POWERS, S. K.; HOWLEY, E. T. Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao condicionamento e ao desempenho. 9. ed., Barueri, SP : Manole, 2017. ROGERO, Marcelo Macedo; TIRAPEGUI, Julio. Aspectos atuais sobre aminoácidos de cadeia ramificada e exercício físico. Rev. Bras. Cienc. Farm., São Paulo , v. 44, n. 4, p. 563-575, Dec. 2008. SILVEIRA, L. R.; PINHEIRO, C. H. J.; ZOPPI, C. C.; HIRABARA, S. M.; VITZEL, K. F.; BASSIT, R. A.; BARBOSA, M. R.; SAMPAIO, I. H.; MELO, I. H. P.; FIAMONCINI, J.; CARNEIRO, E. M.; CURI, R. Regulação do metabolismo de glicose e ácido graxo no músculo esquelético durante exercício físico. Arq Bras Endocrinol Metab. 2011;55/5. YouTube. (2010). Biocistron. Síntese de ATP. 3min45. Disponível em: . Parabéns, esta aula foi concluída! https://www.youtube.com/watch?v=JdjCzhAS2N8 https://www.youtube.com/watch?v=JdjCzhAS2N8 21/02/2024, 20:33 Metabolismo energético no exercício físico e esporte https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=metabolismo-energetico-no-exercicio-fisico-e-esporte&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte&to… 43/43 Mínimo de caracteres: 0/150 O que achou do conteúdo estudado? Péssimo Ruim Normal Bom Excelente Deixe aqui seu comentário Enviar