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21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topic=2 1/38 Tópico 02 Nutrição aplicada ao esporte - UP Necessidades Energéticas e Gasto energético 1. Introdução Todo movimento que realizamos em nosso dia a dia eleva o gasto energético. Assim, seja nas diferentes atividades físicas, que representam todo movimento corporal que não é programado ou sistematizado, seja nos exercícios físicos, que são atividades físicas planejadas e que têm um objetivo com sua execução, há elevação do gasto energético em relação ao repouso. Entender como as diferentes atividades físicas interferem no gasto energético e saber como estimar a necessidade energética é fundamental para a correta prescrição dietética, de modo a atender às demandas corporais de indivíduos que executam diferentes níveis de atividades físicas. Assim, neste tópico vamos abordar os distintos aspectos sobre o gasto energético, incluindo as diferentes formas de estimá-lo, como as diversas atividades físicas elevam o gasto energético e como estimar o gasto energético basal, em repouso e total. 2. Gasto Energético Humano O uso de energia durante a contração da fibra muscular não pode ser medido diretamente. No entanto, durante o repouso e o exercício, muitos métodos laboratoriais indiretos podem ser usados para calcular o gasto de energia de todo o corpo (McARDLE. W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011). 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topic=2 2/38 Todos os processos metabólicos do corpo geram calor. Portanto, a taxa na qual células, tecidos e até mesmo o corpo inteiro produzem calor define operacionalmente a taxa do metabolismo energético. A caloria representa a unidade básica de medição de calor e o termo calorimetria define a medição da transferência de calor. A calorimetria pode ser realizada de forma direta ou indireta (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L. 2011). 2.1 Calorimetria Direta Apenas cerca de 40% da energia liberada durante o metabolismo da glicose e da gordura é usada para a produção de ATP (adenosina trifosfato, a “moeda energética” das células). Os 60% restantes serão convertidos em calor, portanto, uma maneira de avaliar a velocidade e a produção de energia é medir a produção de calor do corpo. Essa técnica é chamada de calorimetria direta (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2021). Um calorímetro humano mede diretamente a taxa corporal de metabolismo energético (produção de calor). No calorímetro de 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topic=2 3/38 Atwater-Rosa, uma fina lâmina de fios de cobre reveste a parede interna à qual estão presos os permutadores de calor suspensos e pelos quais passa a água fria. A água esfriada para 2°C flui rapidamente, absorvendo o calor irradiado pelo indivíduo durante o exercício. Enquanto o indivíduo repousa, a água mais quente flui mais lentamente. No ciclo ergômetro original mostrado no esquema, a roda de trás entra em contato com o eixo de um gerador que aciona uma lâmpada incandescente. Nas versões subsequentes dos ergômetros, parte da roda de trás consiste em cobre. A roda girava através do campo de um eletromagneto e produz uma corrente elétrica que permitia determinar a potência. O calorímetro é uma câmara fechada isolada que pode medir diretamente a taxa de metabolismo de energia do corpo (produção de calor). A parede da câmara contém tubos de cobre pelos quais a água passa. No interior, o calor gerado pelo corpo humano irradia para a parede e aquece a água (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011). A variação na temperatura da água bem como as modificações nas temperaturas do ar que entra e sai da câmara são registradas. Essas mudanças são causadas pelo calor gerado pelo corpo e, utilizando os valores registrados, o metabolismo do indivíduo pode ser calculado (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011). Calorímetros são equipamentos caros para construir e usar e produzem resultados muito lentamente. A única vantagem real dos calorímetros é que eles podem medir diretamente o calor, mas existem algumas desvantagens descritas a seguir (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011). Embora o calorímetro possa medir com precisão o consumo de energia de todo o corpo, ele não consegue acompanhar as mudanças rápidas no consumo de energia. Portanto, embora a calorimetria direta possa ser usada para medir o metabolismo em repouso e o gasto energético durante o exercício aeróbico em estado estável de longo prazo, o metabolismo energético na maioria das situações de exercício não pode ser aferido 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topic=2 4/38 adequadamente usando a calorimetria direta (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). Em segundo lugar, um equipamento de exercício, como uma esteira ergométrica elétrica, também libera calor que deve ser considerado nos cálculos. Além disso, nem todo calor é liberado pelo organismo e parte do calor é armazenado, fazendo com que a temperatura corporal aumente. Finalmente, o suor afeta os valores medidos e as constantes usadas no cálculo do calor (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). Portanto, esse método é raramente usado hoje porque é mais fácil e barato medir o consumo de energia avaliando a troca de oxigênio e dióxido de carbono que ocorre durante a respiração celular (calorimetria indireta). 2.2 Calorimetria indireta Basicamente, todas as reações para liberar energia no corpo humano dependem do uso de oxigênio. Medir o consumo de oxigênio (O ) e a liberação de dióxido de carbono (CO ) de uma pessoa durante o exercício físico fornece uma estimativa indireta, mas altamente precisa do consumo de energia. Na imagem 2, está representado o consumo de oxigênio de nadadores com diferentes níveis de treinamento em diferentes tipos de nado (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). 2 2 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topic=2 5/38 A. Consumo de oxigênio em relação à velocidade da natação para nado de peito, crawl e nado de costas em indivíduos que representam três níveis de aptidão. B. Consumo de oxigênio de dois nadadores (treinado e elite) durante três braçadas competitivas. O consumo de oxigênio é representado como volume de oxigênio, em litros, consumido por minuto (VO (l/min)). Na calorimetria indireta, a troca dos gases respiratórios é determinada medindo o volume de O e CO que entra e sai dos pulmões durante um período de tempo. Além disso, quando comparada com a calorimetria direta, a calorimetria indireta continua sendo mais simples e de menor custo (COCATE, P. G. et al., 2009). Como o O é removido do ar inspirado pelos alvéolos e o CO é adicionado ao ar nos alvéolos, a concentração de O no ar expirado é menor que a concentração inspirada e a concentração de CO no ar expirado é maior do que a inspirada ar (COCATE, P. G. et al., 2009). As diferenças de concentrações de O e CO , entre o ar inspirado e o expirado, informam quanto O foi absorvido e quanto CO 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topic=2 6/38 está sendo produzido pelo corpo. Assim,a análise do volume de ar inspirado e expirado durante determinado intervalo de tempo e a análise da composição do ar expirado e inspirado proporcionam uma maneira prática de medir o consumo de oxigênio e posteriormente inferir o gasto energético. Comumente, os valores são representados como oxigênio consumido (VO ) por minuto e dióxido de carbono produzido (VCO ) por minuto. Na imagem 3 é representada a relação entre a velocidade de caminhada e corrida e o consumo de oxigênio e gasto energético. Podemos ver que, com a elevação da velocidade, o gasto calórico e o VO se elevam em resposta ao exercício, apresentando elevações equivalentes (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). Relação entre velocidade da caminhada e velocidade da corrida e consumo de oxigênio (A) e gasto energético (B) em meninos (N = 47) e meninas (N = 35) adolescentes. A linha branca representa a curva de melhor aptidão para a caminhada: a linha laranja representa a curva de melhor aptidão para a corrida. Os resultados fornecidos pelo método de calorimetria indireta são comparáveis aos medidos diretamente por um calorímetro direto. O dispositivo que permite a aplicação de calorimetria indireta no exercício físico é chamado de espirômetro (Imagem 4) e deve conter sensores para medir não somente o volume do 2 2 2 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topic=2 7/38 ar inspirado, mas também as concentrações de O e de CO (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011). Sistemas portáteis de coleta metabólica utilizam o que há de mais recente na tecnologia dos microcomputadores. Células analisadoras de oxigênio e de dióxido de carbono estão acopladas a um contador de microfluxo altamente sensível, medindo a captação de oxigênio pelo método do circuito aberto durante diferentes atividades como (A) patinação, (B) corrida e (C) ciclismo. 2.2.1 Quociente respiratório (QR) A transformação total dos átomos de carbono e hidrogênio de uma molécula em CO e água não demanda as mesmas quantidades de oxigênio no organismo. Portanto, a quantidade de CO gerada em relação ao O utilizado é influenciada pelo tipo de substrato metabolizado (seja carboidrato, lipídios ou proteína) (MCARDLE, William D.; KATCH, Frank I.; KATCH, Victor L., 2021). 2 2 2 2 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topic=2 8/38 Como vimos, a calorimetria indireta mede a quantidade de CO liberado e de O2 consumido, e a relação entre estes dois valores é conhecida como índice de troca respiratória (R), também chamado de quociente respiratório (QR), que é o parâmetro que descreve essa taxa de intercâmbio gasoso decorrente do metabolismo, definindo-a da seguinte maneira (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018; MCARDLE, William D.; KATCH, Frank I.; KATCH, Victor L., 2021): Exemplificando: a glicose (C H O ) contém seis átomos de carbono. Durante a utilização dessa substância como substrato energético, 6 moléculas de oxigênio são utilizadas para produzir 6 moléculas de CO , 6 moléculas de 0 e 32 moléculas de ATP. Assim, quando se determina quanto de CO é liberado em comparação com o O consumido, verifica-se que o QR é igual a 1 (McARDLE, W.; KATCH. F.; KATCH, V. L., 2018): Por outro lado, os ácidos graxos têm muito mais carbono e hidrogênio do que a glicose, mas menos oxigênio. Portanto, em comparação com a combustão de moléculas de carboidratos, sua combustão requer mais oxigênio. Isso significa que o valor do QR para a gordura é menor que o do carboidrato, por exemplo, o QR do ácido palmítico (C₁₆H₃₂O₂) é de 0,70, como demostra a seguinte equação (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018): 2 6 12 6 2 2 2 2 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topic=2 9/38 O valor geral de 0,82 caracteriza o QR para proteína. Durante o processo metabólico de geração de energia, as proteínas não passam exclusivamente por oxidação para se transformarem em CO e água. Após a desaminação dos aminoácidos no fígado, seu esqueleto de carbono (cetoácido) restante é oxidado, então, em CO e água, a fim de produzir energia. A proteínas necessitam de um maior suprimento de oxigênio em comparação com a quantidade de dióxido de carbono gerada pelos cetoácidos de cadeia curta (McARDLE, William D.; KATCH, Frank I.; KATCH, Victor L., 2016). Apesar da falta de precisão, muitas vezes estima-se que o gasto calórico do exercício é de cerca de 5 kcal por litro de O . Portanto, uma pessoa que se exercita com um consumo de oxigénio de 2,0 litros por minuto consumirá aproximadamente 10 kcal de energia por minuto (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). 2.2.2 Limitações da calorimetria indireta: Embora a calorimetria indireta seja um instrumento importante, ela também tem suas limitações. O cálculo da troca gasosa assume que o conteúdo de O no corpo humano permanece constante, e a troca de CO nos pulmões é proporcional ao CO liberado pelas células. Em relação ao oxigênio, a afirmação se baseia no fato de que, mesmo com muito trabalho, o sangue 2 2 2 2 2 2 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 10/38 arterial fica quase totalmente saturado de oxigénio (cerca de 98%) (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). Além disso, pode-se presumir com precisão que o O retirado do ar que uma pessoa respira é diretamente proporcional à absorção promovida por suas células. No entanto, a troca de CO não é muito constante. O reservatório de CO no corpo é grande e pode ser facilmente alterado pela respiração profunda ou exercícios de alta intensidade (McARDLE, W.: KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). Assim, a quantidade de CO liberada nos pulmões pode não ser representativa do dióxido de carbono que está sendo produzido nos tecidos. Logo, os cálculos que estimam a utilização de carboidratos e gorduras como substrato energético com base em medições de gás parecem ser válidos apenas em repouso ou exercício em velocidade constante (McARDLE, W.; KATCH, F.: KATCH, V. L., 2018). O uso de QR também pode causar imprecisões, visto que a proteína não será completamente oxidada no corpo, porque o nitrogênio não pode ser oxidado. Isso torna impossível calcular o uso de proteína do corpo humano com base em QR. Acreditava- se que a proteína consome muito pouca energia durante o exercício. No entanto, em exercícios que duram várias horas, em alguns casos, a proteína pode consumir até 5% da energia total (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011). Conforme o uso de carboidratos aumenta, o valor de QR se aproxima de 1. Esse aumento no valor do QR até 1 reflete as demandas por glicose sanguínea e pelo glicogênio muscular, e pode indicar somente que mais CO está sendo descarregado do sangue, devido à maior quantidade que está sendo produzida pelos músculos (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). 2 2 2 2 2 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topic… 11/38 O que pode ser observado quando se atinge o estado de exaustão ou um estado próximo a isso, é que ocorre acúmulo de lactato no sangue. Nestas situações o corpo tenta reverter essa acidificação por meio da liberação de mais CO , formado a partir da metabolização do lactato, e aumenta a produção de CO (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018).Como resultado, o excesso de CO se difunde do sangue e entra nos pulmões, onde é exalado, aumentando assim a quantidade de CO liberada. Portanto, um valor de QR próximo a 1 pode não estimar com precisão o tipo de combustível que o músculo está usando (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). Outra complicação é que a produção de glicose com base na glioconeogênese resulta em um QR inferior a 0,70. Portanto, se a energia for obtida desse processo, o cálculo da oxidação dos carboidratos com base no valor QR será subestimado (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). . 2.3 Estimativa do gasto energético utilizando a água duplamente marcada A água duplamente marcada fornece uma maneira útil de estimar o consumo de energia em condições livres e sem restrições. Este método tem alta precisão técnica, portanto, a água duplamente marcada pode ser usada como um padrão de verificação para outros métodos. No entanto, esta tecnologia não pode estimar com precisão o gasto de energia individual e, portanto, não pode fornecer refinamento suficiente, mas é adequada para estimativa de grupo (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2016). Para realização dessa técnica, “o indivíduo consome água com uma concentração conhecida das formas pesadas não radioativas dos isótopos estáveis do hidrogênio ( H, ou deutério) e do 2 2 2 2 2 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 12/38 oxigênio ( O, ou oxigênio-18) – daí o termo água duplamente marcada. Os isótopos são distribuídos em todos os fluidos corporais” (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2016). O hidrogênio marcado deixa o corpo humano na forma de água no suor, na urina e no vapor d’água do pulmão, enquanto o oxigênio marcado deixa o corpo humano na forma de água ou dióxido de carbono. O dióxido de carbono é produzido durante a oxidação de macronutrientes no metabolismo energético (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2016). O espectrômetro de massa determina a diferença entre a eliminação dos dois isótopos em relação aos níveis normais no corpo humano. Este procedimento pode medir com precisão as misturas de isótopos estáveis eliminados e estimar a produção total de dióxido de carbono durante o período de avaliação (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2016). Os isótopos ingeridos requerem cerca de cinco horas para serem distribuídos por toda a água corporal. Assim, são coletadas amostras de urina ou de saliva e então é feita a medida da quantidade de isótopos nestas amostras, diariamente ou semanalmente, ao longo da duração do estudo, em geral de duas ou três semanas (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2016). 18 ARTIGO Confira sobre a aplicabilidade da água duplamente marcada na avaliação do gasto energético no artigo “Estudo do gasto energético por meio da água duplamente marcada: fundamentos, utilização e aplicações”. 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 13/38 A diminuição gradual da concentração dos dois isótopos na amostra permite o cálculo da taxa de produção de dióxido de carbono e da estimativa do gasto energético. Os principais problemas desse método incluem o custo da água duplamente marcada e o custo da análise dos dois isótopos. 3. Taxa metabólica basal e de repouso A velocidade na qual o corpo utiliza a energia é chamada de taxa metabólica. Com frequência, as estimativas do gasto energético durante o repouso e durante o exercício baseiam-se na medição do consumo de oxigênio corporal e de quanto isto representa em calorias. Uma medida padronizada do gasto energético é a taxa de metabolismo basal (TMB), que é a quantidade referente ao gasto energético de um indivíduo parado, na posição deitada, medida imediatamente após um sono de pelo menos 8h e com um jejum de pelo menos 12h (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). A TMB reflete a energia mínima necessária para realizar as funções fisiológicas básicas do corpo humano. Considerando que o músculo possui alta atividade metabólica, a TMB está diretamente relacionada à massa livre de gordura (MLG) no organismo (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). Assim, quanto maior a MLG, maior o total de calorias consumidas em um dia. Considerando que a quantidade de MLG em mulheres costuma ser menor que a dos homens, a TMB das Clique aqui. https://www.scielo.br/j/rn/a/dnP6jrdXSzpcpM4tRJVnPSr/?format=pdf&lang=pt 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 14/38 mulheres geralmente é menor que a dos homens com o mesmo peso (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). A área de superfície corporal também afeta a TMB. Quanto maior for a área de superfície do corpo, maior será a perda de calor pela pele. Como resultado, a maior área de superfície corporal eleva a TMB devido à necessidade de mais energia para manter a temperatura corporal (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). Outros fatores que também interferem na TMB são: Idade: com o passar dos anos, a TMB diminuiu gradualmente, geralmente devido a uma diminuição da MLG. Temperatura corporal: a TMB aumenta com o aumento da temperatura. Estresse psicológico: o estresse aumenta a atividade do sistema nervoso simpático, aumentando assim a TMB. Hormônios: o aumento na liberação de tiroxina na tireoide e a liberação de adrenalina pela suprarrenal aumentam a TMB. A taxa metabólica de repouso (TMR) é outra medida do gasto energético também utilizada, que é obtida quando as condições para mensuração da TMB não são observadas, como a realização do jejum e descanso prévio à medida do consumo de oxigénio. Sendo assim, a taxa metabólica de repouso é cerca de 5 a 10% maior que a taxa metabólica basal (FARINATTI, P. T.V., 2003). 3.1 Estimativa do gasto energético diário de repouso a partir do peso, estatura e idade Como vimos, existem diferenças individuais que interferem no gasto energético em repouso. Assim, através dos experimentos conduzidos por Harris e Benedict, foi elaborado outro método 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 15/38 para estimativa do gasto energético diário de repouso de homens e mulheres, através de equações preditivas que consideram o peso, a estatura e a idade como variáveis (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). Mulheres: TMR (kcal): 655 + (9,6 x peso, kg) + (1,85 x estatura, cm) – (4,7 x idade, anos) Homens: TMR (kcal) = 66,0 + (13,7 x peso, kg) + (5,0 x estatura, cm) – (6,8 x idade, anos). Vamos a um exemplo de utilização da fórmula: Mulher Dados: Peso = 62,7 kg; Estatura = 172,5 cm; Idade = 22 anos. TMR = 655 + (9,6 x massa corporal, kg) + (1,85 x estatura, cm) – (4,7 x idade, anos) GEDR = 655 + (9,6 x 62,7) + (1,85 x 172,5) – (4,7 x 22) TMR = 655 + 601,92 + 319,13 – 103,4 GEDR = 1.472,6 Kcal Existem diversos métodos equacionais para se estimar o TMB, que utilizam diferentes parâmetros. A equação de Cunningham (1980), mais utilizada em atletas e desportistas, adota a massa livre de gordura para o cálculo: TMR = 500 + (22 X Massa Livre de Gordura (kg)) ARTIGO 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 16/38 No entanto, em pessoas com a massa magra menor, o uso dessa equação não é o mais adequado, uma vez que se utiliza apenas a massa livre de gorduracomo parâmetro. Assim, é importante avaliar qual equação mais se aproxima da população a ser estudada, a fim de se aproximar da TMR do indivíduo e conseguir o resultado mais próximo do real (SOUZA, M.L.R., 2018). 4. Gasto Energético Total Além do gasto energético de repouso, outros fatores constituem o gasto energético diário total, como o efeito térmico dos alimentos e o efeito térmico da atividade física. Cada um desses representa um percentual do gasto total diário, conforme representado na imagem abaixo: Confira sobre a aplicabilidade da calorimetria indireta na avaliação do gasto energético de repouso de ciclistas em comparação com equações preditivas no artigo “Taxa metabólica de repouso de ciclistas estimada por equações e obtida por calorimetria indireta”. Clique aqui. https://www.scielo.br/j/rbme/a/QhwrBrcS8zNL8pHKnkYCMBq/?format=pdf&lang=pt 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 17/38 Componentes do gasto energético diário total. 4.1 Efeito térmico do alimento De modo geral, o consumo alimentar eleva o metabolismo energético, sendo que a termogênese induzida pela dieta, também denominada como efeito térmico do alimento (ETA), abrange dois processos. Primeiro, a termogênese obrigatória resulta da energia necessária para digerir, absorver e assimilar os nutrientes presentes nos alimentos (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011); segundo, a termogênese facultativa ocorre através da presença de substâncias nos alimentos que levam à ativação do sistema nervoso simpático e resulta em ação estimulante, elevando a taxa metabólica (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). O efeito térmico dos alimentos em geral alcança sua intensidade máxima em 1 hora após a refeição e existe variação de sua intensidade entre diferentes indivíduos. Em geral, a magnitude do efeito térmico dos alimentos varia entre 10 e 30% da energia alimentar ingerida, conforme a quantidade e o tipo do alimento consumido (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 18/38 A proteína é considerada o macronutriente com maior poder termogênico (cerca de 20 a 30%), seguida pelos carboidratos (5 a 10%) e depois os lipídios (0 a 3%). Entre as razões que justificam as proteínas como mais termogênicas, estão o aumento da síntese proteica, o gasto de ATP para a síntese de ligações peptídicas, além da associação com outros elementos (CARVALHO, G. L., 2015). Por exemplo, o efeito térmico causado pelo consumo de uma refeição rica em proteína leva a um efeito térmico de quase 25% do valor calórico total da refeição. Esse grande efeito térmico resulta principalmente da ativação dos processos digestivos. Além de também incluir a energia extra necessária ao fígado para absorver e sintetizar proteínas e desaminar aminoácidos e convertê-los em glicose ou triglicerídeos (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011). Outras situações também levam à variabilidade do ETA. Pessoas com sobrepeso geralmente apresentam uma resposta térmica mais baixa à ingestão de alimentos, o que contribui para o acúmulo excessivo de gordura corporal. Em pessoas bem treinadas, que realizam exercícios aeróbicos, a magnitude do efeito ETA também é menor do que em pessoas não treinadas (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). Neste último caso, o menor ETA reflete provavelmente uma adaptação destinada a poupar calorias e que tem por finalidade conservar energia e glicogênio durante os períodos de maior atividade física. Assim, para a pessoa fisicamente ativa, o ETA representa apenas uma pequena parte do gasto energético diário, em comparação com a energia despendida por meio das atividades físicas regulares (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011). 4.2 Efeito térmico da atividade física 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 19/38 Em uma situação típica, o exercício físico é responsável por 15% a 30% do gasto diário de energia de uma pessoa. Não há dúvida de que o exercício físico tem um impacto mais profundo no consumo de energia humano. Atletas de elite quase dobraram seu consumo diário de energia após 3 a 4 horas de treinamento intensivo. A maioria das pessoas consegue manter uma taxa metabólica 10 vezes maior do que o valor de repouso, durante o exercício contínuo (como caminhada rápida, corrida, escalada, ciclismo e natação) (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). A atividade física pode ser classificada de acordo com seu gasto energético, o qual varia em relação à intensidade e à duração do exercício. Por exemplo, duas pessoas com a mesma habilidade podem correr na mesma velocidade, mas uma pessoa pode percorrer o dobro da distância da outra. Nesse contexto, a duração do exercício passa a ser o fator mais relevante na categorização da intensidade do exercício físico. (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). 5. Estimativa do gasto energético diário utilizando os equivalentes metabólicos da tarefa Os equivalentes metabólicos da tarefa (METs) são entendidos como equivalentes da taxa metabólica de repouso e representam o quanto o gasto energético se elevou em comparação ao repouso (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018) O valor de 1 MET é igual o consumo de oxigênio em repouso, ou cerca de 250 ml/min para um homem de tamanho médio e 200 ml/min para uma mulher de tamanho médio. Já uma atividade física realizada a 2 METs requer duas vezes o metabolismo de repouso, ou seja, cerca de 500 ml/min para um homem. E seguindo a proporção, 3 METs são iguais a três vezes o valor de 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 20/38 repouso, e assim por diante (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). O MET também é representado pela relação da quantidade de oxigênio que é consumida por quilo de peso por minuto, sendo 1 MET igual a 3,5 ml/kg/min (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2018). Todas as atividades são classificadas de acordo com sua intensidade e duração. Em função disso, determina a intensidade das atividades físicas: atividades físicas leves, moderadas, vigorosas. Atividades leves correspondem, por exemplo, a escovar os dentes, arrumar a cama. Atividades moderadas, a dançar, caminhar; e vigorosas, a praticar algum esporte (FARINATTI, 2003). Utilizando a elevação no consumo de oxigênio como parâmetro para análise do gasto energético, as atividades físicas podem ser classificadas de acordo com os METs que geram. Assim, METs até 3,9 são classificados como leves, de 4,0 a 5,9 são classificados como moderados, de 6,0 a 7,9 são classificados como pesados, de 8,0 a 9.9 muito pesados e maior ou igual a 10,0 como demasiadamente pesados (McARDLE, W.: KATCH. F.; KATCH. V. L., 2018). Utilizando o METs e os tempos que um indivíduo exerceu cada atividade física em seu dia é possível estimar o valor calórico gasto para executar a atividade física e estimar o valor calórico total diário gasto, utilizando a fórmula abaixo: Gasto energético da atividade física = MET da atividade física x Peso (kg) x Duração (h) Vamos a um exemplo: Qual seria a estimativa do gasto energético de uma mulher com 65kg para caminhar por uma 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 21/38 hora? Primeiracoisa que deve ser feita é buscar o valor do MET da caminhada no compêndio de atividades físicas de 2011 (FARINATTI, 2003), que no caso é 3,5. Após isto, lançamos com os demais dados na fórmula, ficando assim: Gasto energético da atividade física = 3.5 x 65 x 1 = 227,5 Kcal Chegando ao gasto energético de 227,5 Kcal para uma hora de caminhada. Lembrando que o cálculo do tempo deve ser em horas. Ou seja: caso o indivíduo realize a atividade por mais ou menos de 1 hora, deve-se fazer a conversão para horas com uma simples regra de três. Veja o exemplo: Qual seria a estimativa do gasto energético de um homem com 80kg para caminhar por 45 minutos? MET caminhada = 3.5 Tempo em horas: 1 hora ——– 60min X ————– 45min à X = 0,75 horas G.E. caminhada = 3,5 x 80 x 0,75 = 210 Kcal GASTO ENERGÉTICO Assista a esse vídeo demonstrando uma outra forma de calcular o Gasto Energético com o Exercício, a partir dos METs e a informação do VO2max. 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 22/38 Outra aplicação dos METs é permitir estimar o gasto energético diário total. Isto pode ser realizado ao somarmos as estimativas de calorias gastas para cada atividade física que uma pessoa executa ao longo do dia, chegando assim a uma estimativa do gasto energético diário total. Vamos ver na tabela abaixo como fica o gasto energético diário da mesma mulher com 65 kg, utilizando os METs: Tabela: METs de atividades do cotidiano Atividade física Tempo de execução MET da atividade física Gasto energético da atividade física (kcal) Dormir 8 horas 1 520 Trabalhar (sentado, escritório, em frente ao computador) 8 horas 1,3 676 Correr na rua (intensidade média- alta, sem inclinação) 1 horas 9,8 637 Consumir refeições 2 horas 1,5 195 Caminhar ao longo do dia (baixa intensidade) 1 horas 2 130 Assistir séries (em frente ao 3 horas 1,3 253,5 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 23/38 computador, sentado) Tarefas domésticas 1 hora 1 65,0 Caminhar para a escola 30 min 1 32,5 Total diário 24 horas – 2509 Os passos para obter o valor calórico de cada atividade foram os mesmos dos executados no exemplo da mulher de 65kg que caminha por uma hora. Primeiro, buscamos o MET de cada atividade física no compêndio e, depois, lançamos na fórmula que correlaciona o MET, o peso corporal do indivíduo e o tempo de execução de cada atividade. Em seguida, somamos os valores calóricos para realização de todas as atividades. É valido relatar que a estimativa do gasto energético é utilizada para a determinação do balanço energético, conforme representado na imagem 6. Em casos em que é consumida através da alimentação a mesma quantidade de calorias gastas, o balanço será isoenergético, o que é fundamental para a manutenção do peso e garantia de suprimento das necessidades energéticas sem ganho nem ARTIGO Baixe o compêndio de atividades físicas e confira os METs das diferentes atividades físicas, clicando no link abaixo. Clique Aqui https://cdn-links.lww.com/permalink/mss/a/mss_43_8_2011_06_13_ainsworth_202093_sdc1.pdf 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 24/38 redução de massa corporal (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011). No entanto, em situações em que o consumo de calorias é diferente do gasto, o balaço energético pode ser positivo ou negativo. Quando o balanço energético é positivo, ocorre o maior consumo de calorias em relação ao que é gasto, o que possibilita o acúmulo de massa corporal e o ganho ponderal (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011). Tipos de balanço energético. Em situações em que o balanço energético é negativo, ocorre menor consumo de calorias em relação ao que é gasto, gerando um cenário favorável à redução da massa corporal e perda ponderal (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011). 6. Estimativa da Necessidade Energética do Atleta Para que um atleta tenha performance máxima, é importante que suas necessidades energéticas sejam atendidas a partir da alimentação. Uma ingestão adequada é fundamental, pois suporta a função corporal ideal, determina a capacidade de ingestão de macronutrientes e micronutrientes e auxilia na 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 25/38 manipulação da composição corporal (Nutrition and Athletic Performance, 2016). Os requerimentos energéticos do atleta irão variar ao longo do ano de acordo com as mudanças no volume e intensidade de treinamento, pois dependem do ciclo de treinamento e competição periodizado e variam de dia para dia. Além disso, outros fatores podem contribuir para um aumento da necessidade energética, como exposição ao calor ou frio, medo, stress, exposição a altitudes elevadas, injúrias físicas, uso de drogas e medicamentos, ciclo menstrual entre outros. Por outro lado, alguns fatores também podem contribuir para redução da necessidade energética (como redução da massa livre de gordura e envelhecimento) (Nutrition and Athletic Performance, 2016). De acordo com o posicionamento do American College of Sports Medicine (2016), o balanço energético ocorre quando a ingestão total de energia é igual ao Gasto Energético Total (GET), que por sua vez consiste na soma da taxa metabólica basal (TMB), o Efeito Térmico dos Alimentos (ETA) e o Efeito Térmico da Atividade Física (ETAF). Ou seja: GET = TMB + ETAF + ETA Vale reforçar que por Atividade Física (AF) consideram-se todas as atividades diárias realizadas, que têm um gasto energético além da TMB (como caminhar, subir escadas, trabalhar…), além do gasto com exercícios físicos mais precisamente: ETAF = Gasto com Exercícios Físicos Planejados (GEE) + Atividade Física Espontânea + Termogênese da atividade sem exercício (NEAT – Non-Exercise Activity Thermogenesis) O ETAF pode ser estimado a partir do Nível de Atividade Física (NAF) (Tabela 2 ou pelos METs, como citado anteriormente. Dado que atletas realizam outras atividades diárias que demandam energia, além da modalidade esportiva que praticam, 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 26/38 ao calcular o GET, multiplica-se o NAF à TMB, sendo que o NAF irá representar as atividades diárias daquele indivíduo, e soma-se a este valor o GEE calculado a partir do METs. Apesar de ser possível usar apenas o NAF, quando se trata de atletas esse fator pode subestimar as necessidades energéticas reais do atleta (BISEK, ALVES E GUERRA, 2015). Desse modo, para calcular as necessidades energéticas do atleta, levando em consideração as orientações do ACSM, considera-se o seguinte cálculo: GET = (TMB x NAF) + GEE + ETA Onde: TMB pode ser calculada a partir de fórmulas específicas, como Cunningham (1984) ou Harris e Benedict (1984), ou outra fórmula específica para a modalidade; ETA representa 10% do GET calculado ARTIGO Veja as recomendações da ACSM 2016. Clique Aqui https://journals.lww.com/acsm-msse/fulltext/2016/03000/nutrition_and_athletic_performance.25.aspx 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi…27/38 Classificação do estilo de vida em relação ao nível de atividade física (NAF) Os cálculos para o GET devem ser feitos separadamente para cada dia da semana, de acordo com os exercícios praticados naquele dia – especialmente quando se trata de atletas, que realizam atividades diferentes, com duração e intensidade diferentes a cada dia da semana, a fim de melhorar a performance esportiva. Assim, ao fazer uma prescrição dietética, seria necessário atender às necessidades de cada dia da semana de acordo com a sua demanda. Exemplo: 1. Atleta, homem, 25 anos, 85Kg, 1.80m. Segue o seguinte esquema de treinos semanais: 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 28/38 Calcular a TMB Fórmula Harris e Bennedict, sexo masculino, 18-29 anos TMB = 66 + (13,8 x P(kg)) + (5,0 x A(cm)) – (6,8 x I) TMB = 66 + (13,8 x 85) + (5,0 x 180) – (6,8 x 25) TMB = 66 + 1173 + 900 – 170 TMB = 1.969 Kcal Definir Atividades Diárias (ou FAF) AD = 1,4 – atividades diárias simples (“sedentário”, fora a prática de exercícios). Atleta passa maior parte do dia em treino, considere não fazer atividades muito desgastantes fora do horário do treino. Estabelecer o gasto energético com as atividades físicas pelos METs Fórmula G.E. exercício: MET x Peso(Kg) x T(h) 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 29/38 *Calcular o G.E. com exercícios separadamente por dia, já que em cada dia da semana há um esforço físico diferente Segunda e Quinta-feira – MET Pedal: 7,5 (código 01015 – bicycling, general) G.E. Pedal = 7,5 x 85 x 2 = 1.275 Kcal – MET Natação: 4,0 (Código 15140 coaching, football, soccer, basketball, baseball, swimming, etc.) G.E. Natação = 4 x 85 x 1 = 340 Kcal Somatório G.E. segunda e quinta: 1275 + 340 = 1615 Kcal Terça, Quarta e Sexta-feira – MET Corrida 8Km/h: 8,3 (código 12030 – running, 5 mph) G.E. Corrida = 8,3 x 85 x 1,5 = 1.058,25 Kcal – MET Musculação: 3,5 (código 02054 – resistance (weight) training, multiple exercises, 8-15 repetitions at varied resistance) G.E. Musculação = 3,5 x 85 x 1 = 297,5 Kcal Somatório G.E. terça, quarta e quinta: 1.058,25 + 297,5 = 1.355,75 Kcal Caixa de Texto *A tabela dos METs de 2011 traz as informações de velocidade na unidade milha/hora (mph). Como no 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 30/38 Brasil a unidade padrão é Km/h, é necessário fazer a conversão, seguindo o seguinte cálculo: Sábado – MET Pedal: 7,5 (código 01015 – bicycling, general) G.E. Pedal = 7,5 x 85 x 2 = 1275 Kcal – MET Corrida 8Km/h: 8,3 (código 12030 – running, 5 mph (12 min/mile)) G.E. Corrida = 8,3 x 85 x 1 = 705,5 Kcal – MET Natação: 4,0 (Código 15140 coaching, football, soccer, basketball, baseball, swimming, etc) G.E. Natação = 4 x 85 x 0,67 = 227,8 Kcal Somatório G.E. sábado: 1275 + 705,5 + 227,8 = 2.208,3 Kcal Calcular GET Segunda e Quinta-feira GET = (TMB x AD) + G.E. exercícios + ETA (10%) GET = (1.969 x 1,4) + 1615 + 10% GET = 2.756,6+1615 + 10% GET = 4.371,6 + 10% GET = 4.808,76 à 4.809 Kcal Terças, Quarta e Sexta-feira GET = (TMB x AD) + G.E. exercícios + ETA (10%) 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 31/38 Por outro lado, para praticantes de exercícios físicos não atletas ou com intensidade/frequência mais baixas, pode ser realizada uma média do GEE na semana (ou seja, multiplica-se o MET daquele exercício pelo número de vezes que ele pratica na semana e divide-se por 7), que será somada à “TMB x FAF”. 7. Economia de Movimento GET = (1.969 x 1,4) + 1.355,75 + 10% GET = 2.756,6+1.355,75 + 10% GET = 4.112,35 + 10% GET = 4.523,585 à 4.524 Kcal Sábado GET = (TMB x AD) + G.E. exercícios + ETA (10%) GET = (1.969 x 1,4) + 2.208,3 + 10% GET = 2.756,6+2.208,3 + 10% GET = 4.964,9 + 10% GET = 5.461,39 à 5.461 Kcal Domingo GET = (TMB x AD) + ETA (10%) GET = (1.969 x 1,4) + 10% GET = 2.756,6 + 10% GET = 3.032,26 à 3032 Kcal 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 32/38 À medida que os indivíduos se tornam melhores na prática de um exercício físico, suas necessidades de energia diminuem. De certa forma, podemos dizer que essa pessoa se tornou mais econômica (FARINATTI, P. T.V., 2003). No entanto, a economia desse movimento só foi estudada em velocidades relativamente baixas, por exemplo, em velocidades de 10 a 19 km/h. Pode-se supor que a economia de corredores de longa distância em testes de velocidade é menor do que aqueles que treinam especificamente para corridas curtas e rápidas (KENNEY, W. L.; WILMORE, J.H.; COSTILL, D.L., 2013). Em outros eventos esportivos, a economia dos esportes pode afetar ainda mais o desempenho. Por exemplo, parte da energia consumida durante a natação é usada para sustentar o corpo na superfície da água e gerar a força necessária para superar a resistência ao movimento da água. Embora a energia necessária para nadar dependa do tamanho e da flutuabilidade do corpo, a aplicação eficiente de força contra a água é o principal fator que determina a economia da natação (KENNEY, W. L.; WILMORE, J.H.; COSTILL, D.L., 2013). 8. Capacidade máxima para o exercício aeróbio A capacidade máxima para o exercício aeróbico ocorre quando um praticante de uma atividade física aeróbia atinge o limite máximo de consumo de oxigênio (VO ) por minuto, o que é chamado de VO max, conforme representado na imagem 5. O VO máx é considerado como a melhor medida isolada de resistência cardiorrespiratória e aptidão aeróbia (KENNEY, W. L.; WILMORE, J.H.; COSTILL, D.L., 2013). 2 2 2 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 33/38 Relação entre intensidade do exercício (velocidade de corrida) e consumo de oxigênio, ilustrando o volume de oxigênio máximo consumido em um minuto (VO2max) em um homem treinado e em um não treinado. Perceba que ao atingir do VO2max a velocidade se eleva, mas o consumo de oxigênio não acompanha esta elevação Embora seja sugerido que o VO max possa predizer bem o desempenho em eventos que exijam mais resistência, não se pode prever o vencedor de uma maratona com base no VO max medido em laboratório (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011). Isso mostra que embora um VO max relativamente alto seja um atributo necessário para atletas de resistência, um bom desempenho depende de mais coisas do que apenas um VO2max elevado (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011). Além disto, o VO max aumenta com o treinamento físico apenas durante um período de 8 a 12 semanas e, em seguida, se estabiliza em um platô, apesar de a elevação da intensidade do treinamento ser cada vez maior (KENNEY, W. L.; WILMORE, J.H.; COSTILL, D.L., 2013). 2 2 2 2 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 34/38 Mesmo que o VO2max não seja elevado continuamente, os atletas continuam a melhorar seu desempenho em exercícios de resistência, o que leva a crer que esses indivíduos desenvolvem uma capacidadede competir em um porcentual mais alto de seu VO2max (KENNEY, W. L.; WILMORE, J.H.; COSTILL, D.L., 2013). Por exemplo, em média os corredores podem completar uma maratona de 42 km em um ritmo que esteja em torno de 75 a 80% de seu VO2max. Com o desenvolvimento de uma capacidade mais elevada de desempenho em exercícios de resistência, os corredores podem manter percentuais mais elevados, como 86% de seu VO2max (McARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L., 2011). 9. Conclusão Este tópico procurou demonstrar quais são as formas de avaliar o gasto energético do corpo humano, bem como descrever os tipos de balanço energético. Vimos também como ocorre a avaliação do gasto energético através da calorimetria, água duplamente marcada, equações preditivas e METs. Além disso, ARTIGO Confira a avaliação do VO2 máximo em atletas de futebol no artigo “Consumo máximo de oxigênio (VO max) em atletas de futebol profissional de diferentes posições de jogo”. Clique aqui 2 http://www.rbff.com.br/index.php/rbff/article/view/445 21/02/2024, 20:32 Necessidades Energéticas e Gasto energético https://ceadgraduacao.uvv.br/conteudo.php?aula=necessidades-energeticas-e-gasto-energetico-2&dcp=nutricao-aplicada-ao-esporte-up&topi… 35/38 buscou-se abordar a economia do gasto energético que pode ocorrer em um movimento e os aspectos relacionados à avaliação da capacidade máxima aeróbica. Estes assuntos são de fundamental importância para o entendimento de como devem ser realizadas e interpretadas as estimativas do gasto energético e constituem um ponto fundamental para a adequação calórica da prescrição dietética. 10. Referências AINSWORTH, B. E.; HASKELL, W. L.; HERRMANN, S. D.; MECKES, N.; BASSETT JR., D. R.; TUDOR-LOCKE, C.; GREER, J. L.; VEZINA, J.; WHITT-GLOVER, M. C.; LEON, A. S. Compendium of Physical Activities: A Second Update of Codes and MET Values. Medicine & Science in Sports & Exercise, v. 43, n. 8, p. 1575-1581, ago. 2011. DOI: 10.1249/MSS.0b013e31821ece12. BARBALHO, M. de S. M.; NÓVOA, H. J. D. de; AMARAL, J. C. Consumo máximo de oxigênio (VO²) em atletas de futebol profissional de diferentes posições de jogo. Revista Brasileira de Futsal e Futebol, 9(32), 2017. BIESEK, S.; ALVES, L. A.; GUERRA, I. Estratégias de Nutrição e Suplementação no Esporte. Editora Manole, 2015. CARVALHO, G. L. de. Termogênese induzida pela dieta: revisão. 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