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HIGIENE E LEGISLAÇÃO - SISTEMAS DE SEGURANÇA ALIMENTAR PROFESSORES Dra. Laura Adriane de Moraes Pinto Me. Fernanda de Oliveira Tavares ACESSE AQUI O SEU LIVRO NA VERSÃO DIGITAL! https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/20308 EXPEDIENTE C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância. PINTO, Laura Adriane de Mo- raes; TAVARES, Fernanda de Oliveira. SistemasHigiene e Legislação - de Segurança Alimentar Laura Adriane de Moraes Pinto; Fernanda de Oliveira Tavares Maringá - PR.: UniCesumar, 2023 176 p. “Graduação - EaD”. 1. Higiene 2. Legislação 3. Alimentação. EaD. I. Título. FICHA CATALOGRÁFICA NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4Jd. Aclimação - Cep 87050-900 | Maringá - Paraná www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 Coordenador(a) de Conteúdo Maria Fernanda Francelin Carvalho Projeto Gráfico e Capa Arthur Cantareli, Jhonny Coelho e Thayla Guimarães Editoração Andreza Diniz Design Educacional Bárbara Neves Revisão Textual Nágela Neves da Costal Ilustração Bruno Pardinho Fotos Shutterstock CDD - 22 ed. 363.8 CIP - NBR 12899 - AACR/2 ISBN 978-65-5615-045-1 Impresso por: Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679 DIREÇÃO UNICESUMAR NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria de Cursos Híbridos Fabricio Ricardo Lazilha Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Head de Graduação Marcia de Souza Head de Metodologias Ativas Thuinie Medeiros Vilela Daros Head de Tecnologia e Planejamento Educacional Tania C. Yoshie Fukushima Head de Recursos Digitais e Multimídias Franklin Portela Correia Gerência de Planejamento e Design Educacional Jislaine Cristina da Silva Gerência de Produção Digital Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Recursos Educacionais Digitais Daniel Fuverki Hey Supervisora de Design Educacional e Curadoria Yasminn T. Tavares Zagonel Supervisora de Produção Digital Daniele Correia Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi BOAS-VINDAS Neste mundo globalizado e dinâmico, nós tra- balhamos com princípios éticos e profissiona- lismo, não somente para oferecer educação de qualidade, como, acima de tudo, gerar a con- versão integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em 4 pilares: intelectual, profis- sional, emocional e espiritual. Assim, iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil, nos quatro campi presenciais (Maringá, Londrina, Curitiba e Ponta Grossa) e em mais de 500 polos de educação a distância espalhados por todos os estados do Brasil e, também, no exterior, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Por ano, pro- duzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares. Somos reconhe- cidos pelo MEC como uma instituição de exce- lência, com IGC 4 por sete anos consecutivos e estamos entre os 10 maiores grupos educa- cionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos edu- cadores soluções inteligentes para as neces- sidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter, pelo menos, três virtudes: inovação, coragem e compromis- so com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ati- vas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Reitor Wilson de Matos Silva Tudo isso para honrarmos a nossa mis- são, que é promover a educação de qua- lidade nas diferentes áreas do conheci- mento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. P R O F I S S I O N A LT R A J E T Ó R I A Dra. Laura Adriane de Moraes Pinto Pós- doutoranda pelo Programa de Ciência Animal da Universidade Federal do Pa- raná, Setor Palotina (2019-2020). Doutora em Ciência de Alimentos pelo Programa de Pós-graduação em Ciência de Alimentos da Universidade Estadual de Maringá (2016-2019). Mestre em Ciência de Alimentos pelo Programa de Pós-graduação em Ciência de Alimentos da Universidade Estadual de Maringá (2014-2016). Engenheira de Alimentos pela Universidade Estadual de Maringá (2009-2013). http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4467357U4 Me. Fernanda de Oliveira Tavares Doutoranda em Engenharia Química pela Universidade Estadual de Maringá (2016). Mestre em Engenharia Química (2014-2016), pela Universidade Estadual de Maringá. Especialista em Segurança do Trabalho (2013-2015). Graduada em Engenheira de Alimentos (2009-2013) e Engenharia Química (2015-2018) pela Universidade estadual de Maringá. Atualmente, desenvolve estudos com ênfase em métodos alternativos para a remediação de água e solos contaminados por metais pesados. http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4325096J8 A P R E S E N TA Ç Ã O D A D I S C I P L I N A HIGIENE E LEGISLAÇÃO - SISTEMAS DE SEGURANÇA ALIMENTAR Ao cursar esta disciplina, você se familiarizará com os principais conceitos relativos à higiene e à legis- lação de alimentos, voltados para os sistemas de segurança alimentar; terá conhecimentos básicos sobre a importância da segurança alimentar e todos os processos e condutas relativos à produção de alimentos seguros, que constituirão a base conceitual de que você precisará para seu curso de graduação. Você estudará, desse modo, a Higiene e Legislação- Sistemas de Segurança Alimentar, sob diferentes perspectivas, apresentadas ao longo das cinco unidades. Na Unidade 1, você conhecerá os conceitos básicos de Higiene e Legislação - sistemas de segurança alimentar na manipulação de alimentos. Você aprenderá a diferença entre segurança alimentar e alimentos seguros, sua importância e o impacto na cadeia de produção de alimentos. Na Unidade 2, você será apresentado à segurança de alimentos, em que conceitos fundamentais poderão ser compreendidos. Adicionalmente, a produção de alimentos seguros terá grande en- foque e as medidas de controles fundamentais, que contribuem para garantia da segurança de alimentos, serão apresentadas. Na Unidade 3, você poderá conhecer a Gestão da Qualidade e as ferramentas que auxiliam na ob- tenção da qualidade e segurança dos alimentos, amplamente utilizadas na indústria. Dessa forma, você poderá compreender importantes conceitos em relação às Boas Práticas de Fabricação (BPF) e Boas Práticas Higiênicas (BPH); aos Programas de autocontroles (PAC´s), Procedimento Padrão de Higiene Operacional (PPHO); além de conhecimentos relacionados ao Procedimento Operacional Padrão (POP). Adicionalmente, você poderá compreender a importância e como devem ser feitos os controles dos registros documentais referentes a tais atividades. Na Unidade 4, você continuará a aprender outros conceitos relacionados às Ferramentas de Geren- ciamento de Segurança Alimentar. Para tanto, será abordada a Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), os padrões ISO (9000; 14000 e 22000) e as normativas FSSC 22000 e a BRC. Por fim, na Unidade 5, você conhecerá os aspectos relevantes à segurança na produção de ali- mentos, as principais considerações sobre o controle sanitário dos alimentos, sua importância e relevância no processo de produção de alimentos seguros. Além disso, conhecerá quem são os órgãos regulamentadores dos alimentos e a importância dos rótulos. Esperamos que este material possa trazer a você, caro(a) aluno(a), conhecimentos significativos sobre higiene e legislação de alimentos bem como sua importância para a sociedade. Tenham um excelente estudo! ÍCONES Sabe aquela palavra ou aquele termo que você não conhece? Esteele- mento ajudará você a conceituá-la(o) melhor da maneira mais simples. conceituando No fim da unidade, o tema em estudo aparecerá de forma resumida para ajudar você a fixar e a memorizar melhor os conceitos aprendidos. quadro-resumo Neste elemento, você fará uma pausa para conhecer um pouco mais sobre o assunto em estudo e aprenderá novos conceitos. explorando ideias Ao longo do livro, você será convidado(a) a refletir, questionar e transformar. Aproveite este momento! pensando juntos Enquanto estuda, você encontrará conteúdos relevantes online e aprenderá de maneira interativa usando a tecno- logia a seu favor. conecte-se Quando identificar o ícone de QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar Experience para ter acesso aos conteúdos online. O download do aplicativo está disponível nas plataformas: Google Play App Store CONTEÚDO PROGRAMÁTICO UNIDADE 01 UNIDADE 02 UNIDADE 03 UNIDADE 05 UNIDADE 04 FECHAMENTO INTRODUÇÃO À HIGIENE DE ALIMENTOS 8 INDICADORES DE SEGURANÇA E QUALIDADE DOS ALIMENTOS 34 64 SEGURANÇAS DOS ALIMENTOS: CONTROLES FUNDAMENTAIS 90 GERENCIAMENTO E FERRAMENTAS DA QUALIDADE PARA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS SEGUROS 124 SEGURANÇA NA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS 159 CONCLUSÃO GERAL 1 INTRODUÇÃO À HIGIENE de alimentos PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • O que são alimentos seguros • Produção de alimentos seguros no contexto de segurança alimentar • Perigos em alimentos • Análise de risco na produção de alimentos • Cuidado na manipulação dos alimentos. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Reconhecer o que são alimentos seguros e como eles são produzidos • Apresentar os conceitos de segurança alimentar e segurança de alimentos • Caracterizar o que são e quais os tipos de perigos em alimentos • Contextualizar como se dá a avaliação dos riscos na produção de alimentos seguros, englobando desde a cadeia até a distribuição dos produtos • Reconhecer os principais cuidados para a manipulação segura dos alimentos. PROFESSORES Dra. Laura Adriane de Moraes Pinto Me. Fernanda de Oliveira Tavares INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno! Seja bem-vindo(a) à primeira unidade de estudos da disciplina de Higiene e Legislação: sistemas de segurança alimentar. Nesta, aprenderemos como acontece a dinâmica da produção de alimentos seguros. Atualmente, estamos rodeados por uma série de informações sobre a im- portância da alimentação e suas consequências na saúde, mas, ainda, assim, existem muitas dúvidas a respeito da segurança dos alimentos que consumi- mos, como: será que os alimentos processados são nutritivos? São realmente seguros e livres de contaminação? Os aditivos usados nos alimentos não fazem mal à saúde? O que fazer para ter uma alimentação saudável e segura? A cada nova notícia sobre alimentação, uma série de dúvidas surge. Por isso, é com grande prazer que compartilho com você alguns conhecimentos sobre como promover a produção de alimentos seguros. Desse modo, ini- cialmente, apresentaremos a você os conceitos de alimentos seguros e como eles são produzidos. Você terá uma visão panorâmica da importância de alimentos seguros, no contexto de segurança alimentar, e aprenderá a dife- renciar alimento seguro de segurança alimentar. Você, também, aprenderá a identificar o que são, como ocorrem e como evitar os perigos em alimentos. Observará, também, os conceitos e a importância do gerenciamento de riscos na cadeia de alimentos, pontuando seus aspectos relevantes. Ao final desta unidade, você conhecerá os cuidados básicos para a ma- nipulação dos alimentos, esses conceitos são fundamentais para quando você estudar as ferramentas da qualidade. Espero que você esteja prepara- do(a) para iniciarmos este estudo de tamanha importância. Bons estudos! U N ID A D E 1 10 1 O QUE SÃO ALIMENTOS seguros Prezado(a) aluno(a), iniciamos nossos estudos em higiene e legislação, com o foco em segurança alimentar. Nesta unidade, você aprenderá um pouco sobre como se dá a produção de alimentos seguros, no contexto da segurança alimentar; quais são os perigos associados aos alimentos; quais os riscos a que se expõem os alimentos, durante sua produção. Nesta unidade, você, também, prenderá alguns dos principais cuidados que devem ser tomados durante a produção de alimentos. Preparado(a) para começar? Então, vamos lá! Importância da produção de alimentos seguros O alimento, além de uma necessidade fisiológica, é, também, uma fonte de expe- riência afetiva e de prazer, por isso, seus consumidores tornam-se, cada vez mais, exigentes em relação à sua expectativa, ao adquirir um produto (ORMENESE et al., 2009). Desse modo, em função das crescentes exigências por parte dos consu- midores, a preocupação com a segurança dos alimentos tem sido cada vez maior. A segurança do produto tornou-se um requisito comercial, já que oferecer alimentos seguros é um fator determinante para as empresas que desejam per- manecer e prosperar no mercado (BENEVIDES; LOVATTI, 2004). Trabalhar para garantir a qualidade do alimento oferecido, buscando evitar para que não U N IC ES U M A R 11 Alimento Seguro é aquele que não causa nenhuma espécie de dano à saúde e/ou à inte- gridade do consumidor. (Christianne de Vasconcelos Affonso Jaqueline Girnos Sonati) pensando juntos ocorram contaminações, durante o processamento, é uma preocupação diária do segmento alimentício (ROUGEMONT, 2007). Ano a ano, em todo o mundo, o número de casos e a gravidade de doenças transmitidas por alimentos cresce significativamente, contribuindo para o aumen- to considerável do interesse em relação à segurança alimentar (PRATTI et al., 2015). Dessa forma, hoje, garantir a segurança dos alimentos é uma preocupação crescente dos fabricantes para proteção dos consumidores (COELHO, [2019]). Mas, de fato, o que seriam alimentos seguros? Esta é uma pergunta frequente e provoca diferentes interpretações. Os consumidores podem entender e consi- derar que alimento seguro seja o alimento com risco igual a zero. Os produtores de alimentos, por sua vez, consideram alimento seguro como alimento com risco aceitável, uma vez que o risco zero é impraticável (FORSYTHE, 2002). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária define que um alimento seguro é aquele que não contém substâncias ou agentes nocivos em quantidades que possam vir a causar males ou danos à saúde do consumidor (ANVISA, [2019]). Então, de forma geral, podemos dizer que alimentos seguros são os produtos pro- duzidos, conservados, armazenados, transportados, em condições que garantam o controle de perigos e agentes que possam causar riscos ou danos à saúde do consumidor (MONTINI, 2017, on-line)1. De acordo com a FAO (1998), para que a produção de alimentos seguros ocorra, é necessária uma abordagem preventiva e sistemática, direcionada aos possíveis perigos que possam ocorrer durante o processo produtivo, como con- trole na fonte, controle do desenvolvimento e do processamento dos produtos. Necessita-se também, de boas práticas sanitárias, durante toda a produção, desde a recepção da matéria prima até a expedição do alimento, e sistemas de garantia da qualidade ao invés, somente, de inspeção e testes no produto final (FAO, 1998). Produzir um alimento seguro é um dos pré-requisitos essenciais em qualquer empresa do setor alimentício. A falta de segurança, muitas vezes, acarreta uma série de danos materiais e prejuízos financeiros, além de danos e injúrias incal- culáveis à saúde do consumidor (ROQUE; CASTRO, [2019]). U N ID A D E 1 12 A produção de alimentos seguros contribui, diretamente, para a minimização da ocorrência de doenças transmitidas pelos alimentos (DTAs), uma vez que a proli- feração de microrganismos são, em sua maioria, decorrentes de falhas durante os processos produtivos, como refrigeração inadequada, preparo do alimento com am- plo intervalo antes do consumo (maior que doze horas),insuficiente processamento térmico, manipuladoresem não conformidade de saúde, higienização incorreta, contaminação cruzada, entre outros (CARDOSO; SOUZA; SANTOS, 2005). Assim, podemos dizer que a produção de alimentos seguros é responsabili- dade de todos os envolvidos (Figura 1), direta ou indiretamente, no processo de produção, percorrendo desde os produtores da matéria-prima, passando pelos operadores, que têm contato direto com a manipulação, pelo corpo executivo da indústria, transportadores, até chegar ao consumidor final (FORSYTHE, 2002). Figura 1 - Cadeia produtiva de alimentos / Fonte: adaptado de Dubugras; Pérez-Gutiérrez (2008). Benefícios dos alimentos seguros Os alimentos seguros trazem, também, uma série de benefícios e ganhos, tanto para as indústrias como para os consumidores, os quais podemos citar: ■ Garantia de comprar um alimento dentro do padrão e inócuo. ■ Credibilidade dos consumidores. ■ Aumento da confiança dos clientes e consumidores. ■ Diferencial de mercado. A seguir, veremos aspectos relevantes para a produção de alimentos com segurança. U N IC ES U M A R 13 Caro(a) aluno(a), na aula anterior, você aprendeu os conceitos sobre alimentos seguros e sua importância, tanto para saúde como para a economia. Agora, nesta aula, entende- remos a importância de se garantir a segurança dos alimentos nas cadeias produtivas. Segurança alimentar versus segurança de alimentos Nas últimas décadas, a necessidade de redução de desperdícios; atenção às novas legislações e normativas bem como a busca pela satisfação dos consumidores levaram as empresas do segmento alimentício a se preocuparem com a qualidade dos produtos que chegam à mesa do consumidor (EMBRAPA, [2020], on-line)2. É fato, a melhoria e manutenção das condições higiênico-sanitárias, durante o processamento de alimentos, constituem-se como um requisito essencial para o su- cesso da atividade (MONTINI, 2017). Conhecer a higiene industrial é fundamental, uma vez que a indústria de alimentos visa a processos e ambientes seguros e livres de contaminações, por toda a unidade fabril, na busca de promover a excelência da qualidade do produto final ofertado ao consumidor (COELHO, [2019]). Oferecer segurança alimentar e segurança de alimentos é fundamental. Apa- rentemente, os dois termos parecem se referir a mesma coisa, não é mesmo? Entretanto, mesmo sendo muito parecidos e até intimamente relacionados, esses vocábulos representam conceitos distintos. Nesse sentido, é importante conhe- cermos a definição correta de cada um desses termos (Figura 2). 2 PRODUÇÃO DE ALIMENTOS SEGUROS no contexto de segurança alimentar U N ID A D E 1 14 Figura 2 - Diferenças entre Segurança alimentar e Segurança de alimentos / Fonte: adaptado de Food Safety System (2019, on-line)3. O conceito “segurança alimentar” (Food security) nasceu na Europa, decorrente da devastação causada pela Primeira Guerra Mundial, diante da incapacidade de os países produzirem seus alimentos, frente ao fenômeno da fome, agravado pela guerra. Mais tarde, na Segunda Guerra Mundial, com vários países destruídos e sem condições de cultivo dos próprios alimentos, as questões relativas à segu- rança alimentar tornaram-se críticas, e, ao final do conflito, em 1945, criou-se a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura – FAO. A partir deste momento, a segurança alimentar passou a ser trabalhada como uma estratégia global que leva em conta três aspectos principais: quantidade, qualidade e regularidade no acesso aos alimentos, a fim de assegurar o direito fundamental da alimentação (EMBRAPA, [2020], on-line)2. A Lei brasileira de Segurança Alimentar e Nutricional diz que: “ a segurança alimentar consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essen- ciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis (EMBRAPA, [2020], on-line)2. SEGURANÇA ALIMENTAR:SEGURANÇA DE ALIMENTOS: Conceito Objetivo Tem como intenção, de não causar danos à saúde do consumidor, garantindo a inocuidade do alimento. Evitar danos à saúde do consumidor. Garantir o direito ao acesso a alimentos de qualidade, em quantidade su�ciente de modo permanente à todas as pessoas. Erradicar a fome e a desnutrição. U N IC ES U M A R 15 Nesse sentido, podemos dizer que a segurança alimentar se refere a um conjun- to de ações intersetoriais (empresas privadas, sociedade e governo), que visam garantir o acesso de todas as pessoas aos alimentos, em quantidade suficiente e de qualidade, além disso, objetiva estabelecer práticas alimentares que permitam promover a saúde, de forma, economicamente, viável e, socialmente, sustentável, respeitando a diversidade cultural (BELIK, 2003). Inicialmente, a fome e a capacidade de produção de alimentos foram as mo- tivações iniciais. A modificação dos hábitos de vida, porém, nas últimas déca- das, permitiu a integração de novas pautas, como as doenças associadas à má alimentação e à obesidade (PLATAFORMA DE BOAS PRÁTICAS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, [2020], on-line)4. Como vimos, a segurança alimentar é um conceito bastante abrangente, não se limita aos envolvidos na cadeia alimentícia, mas alcança toda a sociedade impac- tada por ela. A segurança alimentar também, enfatiza a importância dos aspectos alimentar e nutricional; valoriza os hábitos alimentares adequados; considera o acesso e a disponibilidade em termos de suficiência, continuidade e preços está- veis e compatíveis com o poder aquisitivo da população; leva, também, em conta o aspecto da sustentabilidade ecológica, social e econômica do sistema alimentar, ressaltando a importância da segurança alimentar e nutricional como uma prerro- gativa básica para a condição de cidadania (MENEZES, [2020], on-line)5. A Segurança de alimentos (Food safety), por sua vez, refere-se ao conjunto de condições e práticas necessárias durante a produção, o processamento, es- tocagem, distribuição de alimentos para preservar a sua qualidade e prevenir a contaminação e a veiculação de doenças (CARDOSO; SOUZA; SANTOS, 2005). Ela é, portanto, consequência do controle de todas as etapas da cadeia produtiva, desde o campo até a mesa do consumidor, visando à garantia da qualidade dos alimentos que chegam ao consumidor. Isso significa uma garantia de que os ali- mentos produzidos são saudáveis, sem a presença de contaminantes químicos, físicos e biológicos e não causam danos à saúde ou integridade do consumidor. U N ID A D E 1 16 Caro(a) aluno(a), agora que você compreendeu a importância da segurança alimen- tar e dos alimentos para a cadeia produtiva e para os consumidores e seus aspectos relevantes, abordaremos os perigos que estão expostos os alimentos. Vamos começar? Tipos de perigos em alimentos A análise do risco, durante a produção de alimentos, tornou-se “mais importante do que nunca” devido aos novos padrões de consumo e expansão dos mercados que cada dia mais visam alimentos inócuos e de qualidade (DUBUGRAS; PÉRE- Z-GUTIÉRREZ, 2008). A principal forma de fornecer alimentos seguros é evitar a presença de perigos. Nesse sentido, o conceito de perigos é de extrema importân- cia para garantia de um alimento seguro (FOOD INGREDIENTS BRASIL, 2019). Mas o que são perigos na produção de alimentos? O Codex Alimentarius define perigo como sendo um agente (biológico, químico ou físico) ou algu- ma propriedade inerente ao próprio alimento, com potencial de causar efeito prejudicial à saúde do consumidor. Os perigos são, também, conhecidos como contaminantes (ROUGEMONT, 2007). A Comissão Internacional de Especificações Microbiológicas para Alimen- tos (ICMSF, 1978), por sua vez, classifica como uma contaminação inaceitável, crescimento ou sobrevivência de bactérias que presente no alimento, que possam afetar a segurançae a qualidade do alimento, ou, ainda, a produção de substâncias, 3 PERIGOS EM ALIMENTOS U N IC ES U M A R 17 como toxinas, enzimas ou metabólitos bacterianos que possam causar danos à saúde do consumidor (NEOPROSPECTA, 2017, on-line)6. Podemos notar que a definição apresentada pela ICMSF diferente da Códex, pois, aquela considera, também, a decomposição bacteriana como um perigo. Outro con- ceito importante relacionado à segurança alimentar diz respeito ao risco. Este é defi- nido como a probabilidade da ocorrência de um perigo em um processo de produção, fragilizando a segurança do alimento (DUBUGRAS; PÉREZ-GUTIÉRREZ, 2008). Os perigos podem entrar em qualquer etapa da produção do alimento e, provavelmente, resultará em deterioração ou dano à saúde do consumidor. Além disso, os perigos podem ser classificados de acordo com a severidade do dano causado à saúde, ou seja, severidade alta, moderada ou baixa (ORMENESE et al., 2008). A Tabela 1, contém um resumo dos perigos associados aos alimentos. Tabela 1 - Perigos associados aos alimentos Fonte: adaptado de Food Ingredients Brasil (2019, on-line). Perigos biológicos Entre os três tipos de perigos, o perigo biológico é o que representa maior risco à segurança dos alimentos, ele se divide em macrobiológicos e microbiológicos. Os macrobiológicos são caracterizados pela presença de moscas ou outros inse- tos, que colocam em risco a inocuidade do produto. Os perigos microbiológicos se caracterizam, principalmente, pela presença de bactérias patogénicas e seus metabólitos, pelos vírus e os parasitas (QUALI, [2020], on-line)7. Estes microrganismos ocorrem, naturalmente, no ambiente, onde os alimentos são produzidos. Muitos deles podem ser controlados por práticas adequadas de U N ID A D E 1 18 Aflatoxinas e ocratoxina A em alimentos e riscos para a saúde humana Na atualidade, em todo o mundo a exposição humana à micotoxinas, por meio do consu- mo de alimento contaminado, é questão de saúde pública. A contaminação dos alimentos pode ocorrer em diversos momentos, no campo, antes e após a colheita, e durante o transporte e armazenamento do produto. Dessa forma, programas de monitoramento dos níveis de contaminação de alimentos por micotoxinas são essenciais para estabelecer prioridades, em ações de vigilância sanitária. Fonte: adaptado de Caldas; Silva e Oliveira (2002). explorando Ideias manipulação e armazenamento (higiene, controle de temperatura e tempo). Como perigos biológicos, podemos citar, ainda, as bactérias, os fungos, os vírus, as toxinas microbianas e os parasitas patogênicos, dentre outros (QUALI, [2020], on-line)7. Souza (2020), descreve que os principais fatores de risco, relativos aos perigos microbiológicos, comumente, descritos: ■ Cuidados de higiene pessoal deficientes. ■ Cuidados de higiene na manipulação não suficientes. ■ Binômio tempo/ temperatura inadequados. ■ Práticas que favoreçam as contaminações cruzadas. ■ Higienização inadequada de equipamentos, instalações e utensílios. ■ Controle de pragas inadequado. Perigos químicos Os perigos de origem química referem-se aos contaminantes de origem química, seus resíduos ou produtos de degradação apresentam-se em níveis inaceitáveis nos alimentos. Como perigos químicos podemos citar: os agroquímicos, antibió- ticos, promotores de crescimento, aditivos alimentares tóxicos, tintas, material de limpeza e outros produtos de origem química. Quanto aos fatores de risco dessas substâncias, Souza ([2020]) destaca: ■ Práticas que favoreçam a contaminação cruzada, por exemplo, armazena- mento de produtos de limpeza e alimentícios no mesmo local. ■ Procedimentos de limpeza inadequados. ■ Descumprimento dos protocolos de limpeza e a desinfecção propostos no plano de higienização. U N IC ES U M A R 19 ■ Instalações mal projetadas que favoreçam a permanência de resíduos químicos. ■ Resíduos de compostos químicos, como pesticidas, medicamentos vete- rinários, aditivos, contaminantes ambientais etc. ■ Migração de substâncias químicas das embalagens e da armazenagem inadequada. O perigo químico pode estar presente no alimento, deve, porém, apresentar-se em níveis que não provoquem males à saúde do consumidor e nem lhe causem danos (MENEZES, 2019). Perigos físicos Os perigos físicos podem ter uma série de origens, mas, normalmente, resul- tam de uma contaminação acidental em produtos alimentícios por falhas ou má manipulação, por exemplo, durante falhas na conservação dos alimentos, falhas na higiene dos manipuladores, falta de manutenção dos equipamentos e outros materiais que entram em contato com o alimento, durante o processo produtivo, também pela inexistência ou ineficácia dos planos de higienização e de contro- le de pragas (QUALI, [2020], online)7. São classificados como perigos físicos a presença de fragmentos, como os resquícios de vidro, metal e madeira ou objetos que possam causar algum dano à integridade física. Assim, relativo aos perigos físicos, Souza (2019) relata que os principais fa- tores de risco são: ■ Precariedade em infraestrutura, equipamentos e utensílios. ■ Mau estado de limpeza e conservação de equipamentos, utensílios e ins- talações. ■ Presença de objetos estranhos à atividade nas instalações. Apesar de, na maioria das vezes, os perigos físicos serem responsáveis por causarem, apenas, injúria ao consumidor, certos perigos físicos, quando ingeridos inadvertida- mente, podem ter sério impacto na saúde dos consumidores (ORMENESE et al., 2009). Caso sejam identificados perigos no processo é importante que uma análise de causas seja feita para se determinar a origem, se a contaminação é proveniente da ma- téria-prima ou se resulta de práticas incorretas, durante o processamento. Esta identi- ficação é fundamental para que uma nova contaminação não ocorra (BELIK, 2003). U N ID A D E 1 20 Prezado(a) aluno(a), nossos estudos, até aqui, mostraram-nos a importância da higiene na produção de alimentos seguros, uma vez que o cuidado na manipu- lação é essencial para garantir e manter os alimentos longe dos perigos e, assim, evitar que o alimento se torna um potencial risco ao consumidor. Infelizmente, garantir um alimento seguro nem sempre é fácil, requer uma série de cuidados e atenção, refletindo isso, vamos, agora, entender um pouco como se gerencia o risco na produção de alimentos. Entendendo a análise de risco De acordo com a abordagem atual da segurança de alimentos, o controle de qualidade e a inocuidade devem ser realizados em toda cadeia, desde a matéria prima até o consumidor final (DUBUGRAS; PÉREZ-GUTIÉRREZ, 2008). Tra- dicionalmente, a segurança dos alimentos é avaliada por mio de testes realizados em amostras coletadas, aleatoriamente, durante o processo de produção, uma vez que a avaliação de 100% do lote é inviável, tanto em termos econômicos como devido aos aspectos destrutivos das análises, inviabilizando uma certeza absoluta. Entretanto, baseado nos resultados obtidos neste corpo amostral, são tomadas as decisões de aceite ou rejeição dos lotes produzidos (ROQUE; CASTRO, [2019]). Para auxiliar na tomada de decisão e mitigar perdas, uma série de metodologias foram desenvolvidas, com destaque para a Análise de Risco, que sugere buscar in- 4 ANÁLISE DE RISCO NA PRODUÇÃO de alimentos U N IC ES U M A R 21 formações, quanto aos perigos existentes no processamento, transferindo-os para um sistema de apoio a tomada de decisão da empresa. Isso para que as medidas cabíveis sejam tomadas a fim de evitar os efeitos dos perigos nos alimentos. Essa análise é subdividida em avaliação, gerenciamento e comunicação de riscos, fazendo com que as decisões de aceitação ou rejeição dos lotes não se restrinjam, apenas, a testes laboratoriais, mas uma potente ferramenta que visa garantir a segurança alimentar (ROQUE; CASTRO, [2019]), veja a Figura 3. Figura 3 - Esquema geral do processo de análise de risco Fonte: adaptado de DUBUGRAS;PÉREZ-GUTIÉRREZ (2008). O gerenciamento do risco é um processo estruturado, interativo e contínuo, com- posto de três componentes: a avaliação do risco, o gerenciamento do risco e a comunicação do risco (Figura 4). Figura 4 - Estrutura do gerenciamento do risco Fonte: adaptado de Dubugras; Pérez-Gutiérrez (2008). U N ID A D E 1 22 A análise de risco é uma ferramenta de extrema importância na produção de alimentos seguros, já que ela identifica um potencial problema, avalia a probabilidade de sua ocor- rência, seu impacto e sugere medidas para solucioná-lo. (Maria Thereza Bonilha Dubugras e Enrique Pérez-Gutiérrez) pensando juntos A avaliação dos perigos é algo de extrema importância. Para cada perigo identifi- cado, ele deve ser avaliado de acordo com sua severidade, que é a magnitude de um perigo, ou seja, o grau de efeitos adversos que esse perigo pode causar, classificado em alto (dano elevado à vida), médio (dano grave ou crônico) ou baixo (dano mo- derado ou leve). Deve-se considerar, também, o seu risco, isto é, a probabilidade de ocorrência de um perigo, este pode ser alto (muito frequente), médio (frequente) ou baixo (pouco frequente) (DUBUGRAS; PÉREZ-GUTIÉRREZ, 2008). Assim, a análise de risco possibilita o estabelecimento de diretrizes para o ge- renciamento da produção de alimentos com segurança. Por meio de sua apli- cação, são identificados os pontos que deverão ser controlados, permitindo o gerenciamento eficiente dos riscos (DUBUGRAS; PÉREZ-GUTIÉRREZ, 2008). O conhecimento e reconhecimento dos perigos, além de auxiliar na identificação, prioriza a importância e a nocividade de cada perigo e contribui para manuten- ção da qualidade do produto, garantindo que ele esteja adequado para o consumo. U N IC ES U M A R 23 Caro(a) aluno(a), ao longo dessa unidade, falamos sobre a importância de se pro- duzir alimentos seguros e inócuos, uma vez que os perigos alimentícios podem se tornar potenciais veículos de danos à saúde do consumidor. Vimos que o ge- renciamento dos riscos se mostra uma ferramenta de controle e monitoramento dos alimentos e, portanto, de grande auxílio para a manutenção da segurança. Observamos, também, que as práticas de higiene são fundamentais, por isso, elas serão, nesta aula, nosso foco. Qual a importância da manipulação de alimentos? O cuidado na manipulação dos alimentos é essencial para a manutenção da qualidade do alimento e a segurança da saúde do consumidor, uma vez que a ocorrência de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs), nos últimos anos, aumentaram de modo significativo. Uma das principais causas para a sua alta incidência é o consumo de alimentos contaminados, consumidos em estabeleci- mentos de alimentação (SILVA et al., 2015). As DTAs são responsáveis por causar uma série de sintomas, os mais comuns são: náuseas, vômitos, diarreia e febre, e, dependendo de sua gravidade, pode levar a óbito. Dessa forma, as Boas Práticas de Manipulação dos Alimentos, em estabelecimentos produtores de alimentos, são fundamentais para diminuir a contaminação dos alimentos, a fim de garantir a saúde dos consumidores (AFFONSO; SONATI, [2019]). 5 CUIDADOS NA MANIPULAÇÃO dos alimentos U N ID A D E 1 24 As Boas Práticas de Fabricação (BPFs) e os Procedimentos Operacionais Pa- drão (POPs) abrangem um conjunto de medidas que devem ser adotadas pelas indústrias de alimentos para garantir a qualidade dos produtos alimentícios (Fi- gura 5). Essas práticas consolidam-se como a base para a implementação de sis- temas de gerenciamento da qualidade, como análise de perigos e pontos críticos de controle (APPCC). Estes métodos promovem a segurança, durante o processa- mento, por meio do monitoramento dos riscos na produção, desde a obtenção da matéria-prima, processamento, distribuição até o consumo do produto acabado. O tipo de controle e as ferramentas aplicadas dependerão de uma série de fatores, como o tipo de alimento, tamanho da empresa, tipo do processo, entre outros (SILVEIRA; GRANADA; MONKS, 2016). Posteriormente, veremos mais, criteriosamente, como ocorre o gerenciamento dessas ferramentas. Figura 5 - Pirâmide da segurança de alimentos Fonte: adaptado de Universidade de Nebraska ([2020], on-line)8. Agora que sabemos da importância das práticas de higiene, veremos, a seguir, alguns conceitos básicos de higiene que devem ser seguidos ao se manipular alimentos. A proliferação de microrganismos é decorrente de falhas no processo de pro- dução, como refrigeração inadequada, preparo do alimento com amplo intervalo antes do consumo (maior que doze horas), utilização de produtos sem origem certificada, entre outros (CARDOSO; SOUZA; SANTOS, 2005). Desse modo, a higienização adequada dos alimentos, dos manipuladores de alimentos, das ins- talações e utensílios utilizados para manipular os alimentos é importante para se evitar as contaminações. Além disso, alguns cuidados são, também, importantes para reduzir o desperdício e perda nutricional, durante o processamento. U N IC ES U M A R 25 Das enfermidades de origem alimentar causadas por microrganismos patogênicos, cerca de 60% têm como responsáveis a má higiene dos manipuladores. (Giselle Onuki) pensando juntos É importante que as grandes cadeias de fornecimento alimentar, desde a produção até ao consumidor, sejam mantidas seguras, com produtos de boa qualidade e apropriados para consumo. (Food and Agriculture Organization of the United Nations) pensando juntos A recepção das matérias-primas, dos ingredientes e das embalagens deve ser rea- lizada em área protegida e limpa e evitar a entrada de produtos de má qualidade, visando à redução de problemas no produto acabado. Deve-se, também, verificar as condições de higiene do veículo de transporte, o estado da embalagem, prazos de validade, temperatura do transporte, e qualquer material danificado ou con- taminado deve ser rejeitado (BAPTISTA; ANTUNES, 2005). As instalações, equipamentos e utensílios devem ser higienizados com fre- quência, para que os alimentos sejam preparados em condições adequadas de higiene. Mesmo que a matéria prima seja recebida em ótimas condições de qua- lidade, a falta de higiene das instalações ou falta de higiene pessoal pode acarre- tar a contaminação dos alimentos, colocando em risco a saúde do consumidor. A água utilizada na produção dos alimentos e na higienização das instalações deve apresentar características de água potável, adequada para consumo humano (BAPTISTA; ANTUNES, 2005). Os estabelecimentos devem implementar um plano de controle de pragas, com produtos autorizados e que sejam capazes de prevenir o aparecimento nas ins- talações. Os resíduos devem ser, devidamente, acondicionados e removidos das áreas de preparação dos alimentos (BAPTISTA; ANTUNES, 2005). https://consultoradealimentos.com.br/author/giselle-onuki/ U N ID A D E 1 26 A capacitação dos manipuladores faz toda a diferença para a higiene e manipulação de alimentos A conscientização do manipulador contribui para um alimento mais seguro, do ponto de vista microbiológico. Promover a educação do manipulador, fazendo-o conhecer como os microrganismos, potencialmente veiculadores de doenças de origem alimentar, atuam no hospedeiro humano e o que deve ser feito para impedir e ter alimentos seguros, do ponto de vista microbiológico, é fundamental. Isso contribui para a manipulação adequada dos alimentos e maximizar a segurança no manuseio de alimentos. Fonte: adaptado de Onuki (2018, on-line)9. explorando Ideias O manipulador dentro do processo de produção de alimentos é uma variável importante, pois, se ele não estiver em condições de saúde, pode ser veículo de contaminação dos alimentos, prejudicar a qualidade sanitária dos produtos e transmitir doenças aos consumidores. Assim, o controle da saúde dos manipu- ladores é de extrema importância e deve ser realizado de acordo com a legisla- ção específica. Quando apresentarem lesões e/ou sintomas de enfermidadesque possam comprometer a qualidade higiênico-sanitária dos alimentos, devem ser afastados da atividade. Assim, tanto a higiene pessoal como sua conduta, duran- te a manipulação dos alimentos, devem ser, frequentemente, supervisionados (ONUKI, 2018, on-line)9. U N IC ES U M A R 27 CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao fim da primeira unidade e você já possui uma bagagem consi- derável de conhecimentos a respeito da importância da higiene na segurança alimentar. Vamos, então, retomar e estabelecer conexões entre tudo o que foi estudado nesta unidade. Ao longo da unidade, concentramo-nos nos conceitos básicos de higiene, durante a manipulação de alimentos. Inicialmente, aprendemos o que são os ali- mentos seguros, sua importância no contexto da produção de alimentos e como a higiene impacta na cadeia de produção de alimentos. Em interface, conhecemos a origem do termo segurança alimentar, a sua distinção em relação a segurança de alimentos e outras abordagens acerca do tema. Em seguida, apresentamos aspectos relevantes para a produção de alimentos, conhecemos o que são perigos, sua importância na produção de alimentos e como gerir a análise e o gerenciamento do risco. Estudamos, também, como de- vem ser manipulados os alimentos, garantindo a higiene, segurança e inocuidade dos alimentos que chegam ao consumidor. A proposta desta unidade consistiu, portanto, em servir de embasamento para estudos posteriores. Nas unidades, a seguir, estudaremos, aprofundadamente, os aspectos relevantes para a higiene e segurança dos alimentos. Espero você lá! 28 na prática 1. Segundo as boas práticas de fabricação, o que é alimento seguro? a) É aquele que não contém nenhum agente ou substância nociva que possa causar agravos à saúde ou dano ao consumidor. b) É aquele que está estéril, livre da presença de qualquer microrganismo. c) É aquele que está livre de qualquer perigo de origem microbiológica. d) É aquele que não contém agentes ou substâncias nocivas em quantidades que possam causar agravos à saúde ou dano ao consumidor. e) É aquele de se encontra livre de qualquer contaminação física, química e estéril microbiologicamente. 2. Sobre os perigos em alimentos, analise as afirmativas a seguir: I - Os perigos podem ser macrobiológicos, caracterizados pela presença de micror- ganismos patogênicos no alimento, ou microbiológicos, a presença de partes de insetos no alimento. II - Perigo é definido como a probabilidade da ocorrência de um risco em um pro- cesso de produção, fragilizando a segurança do alimento. III - Os perigos podem entrar em qualquer etapa da produção do alimento, que provavelmente resultará em deterioração ou danos à saúde do consumidor. IV - Os perigos podem, também, ser classificados de acordo com a severidade do dano causado à saúde, isto é, severidade alta, moderada ou baixa. V - Entre os três tipos de perigos, o perigo químico é o que representa maior risco à segurança dos alimentos. Assinale a alternativa correta: a) Apenas, I e II estão corretas. b) Apenas, II e III estão corretas. c) Apenas, I está correta. d) Apenas, I, II e IV estão corretas. e) Todas as alternativas estão corretas. 29 na prática 3. Sobre higiene na produção de alimentos, assinale verdadeiro (V) ou falso (F): ( ) Alimento seguro é aquele que não causa danos à saúde e à integridade do consumidor. ( ) Condições higiênico-sanitárias satisfatórias, durante o processamento de ali- mentos, constituem-se como um requisito essencial para o sucesso da atividade. ( ) O binômio tempo/ temperatura inadequado é fator de risco, relativo aos perigos físicos. Assinale a sequência correta: a) V, V e F. b) F, F e V. c) V, F e V. d) F, F e F. e) V, V e V. 4. Sobre os cuidados na manipulação dos alimentos, assinale verdadeiro (V) ou falso (F). ( ) Contribui para manutenção da qualidade do alimento e para manutenção da segurança da saúde do consumidor, uma vez que as Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs) podem ocorrer pela sua negligência. ( ) O manipulador, dentro do processo de produção de alimentos, não é uma va- riável importante, já que ele não interfere, diretamente, na qualidade sanitária do produto final. ( ) As Boas Práticas de Manipulação dos Alimentos, em estabelecimentos produto- res de alimentos, são fundamentais para diminuir a contaminação dos alimentos. Assinale a sequência correta: a) F, F e F. b) F, V e V. c) V, F e V. d) V, V e V e) F, F e V. 30 na prática 5. A respeito da segurança alimentar, analise as afirmativas a seguir e, depois, assinale a resposta correta. a) O conceito “segurança alimentar” (Food safety) nasceu na Europa, durante a Pri- meira Guerra Mundial. b) Tem a intenção de não causar danos à saúde do consumidor. c) Visa garantir que os processos de produção de alimentos sejam seguros. d) É um conjunto de ações governamentais que visam garantir a realização do di- reito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade. e) Conta três aspectos principais: quantidade, qualidade e regularidade no acesso aos alimentos, para assegurar o direito fundamental da alimentação. 31 aprimore-se DIA MUNDIAL DE LAVAR AS MÃOS Para a prevenção de doenças transmissíveis, água e sabão nunca são demais! O processo de lavagem das mãos é tão importante, que existe até uma data dedicada a isso: o Dia Mundial de Lavar as Mãos, lembrado sempre no dia 15 de outubro. A data é usada por governos e organizações sanitárias para conscientizar a população da impor- tância da lavagem das mãos e fazer com que essa prática faça parte do cotidiano de todos. A música composta por Arnaldo Antunes, que foi sucesso nos anos 80 no programa infantil Castelo Ra-Tim-Bum “A doença vai embora junto com a sujeira. Verme, bacté- ria, mando embora embaixo da torneira”, faz um alerta importante para as crianças e adultos sobre importância da higienização das mãos. Além disso, lavar as mãos ajuda na prevenção de doenças como herpes, gripe e outras viroses, água e sabão nunca são demais. Sendo o ato de lavar as mãos reconhe- cido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos principais instrumentos contra epidemias. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), cerca de 41% das mor- tes de recém-nascidos podem ser evitadas pelo simples ato de higienizar as mãos. Para higienizar as mãos, o ideal é água e sabão, porque a água sozinha, neste caso, não é o suficiente para eliminar vírus e bactérias. A recomendação é de sempre lavar as mãos: antes e após o preparo de alimentos; antes de comer e após tratar qualquer machucado, principalmente em crianças; antes e depois de entrar em contato com pessoas doentes e Sempre depois de usar o banheiro. E você, sabe lavar as mãos? Veja um passo a passo: • Usar sabão ou detergente; • Esfregar as palmas das mãos; • Esfregar todos os dedos e os espaços entre os dedos; • Esfregar as pontas dos dedos e as unhas; • Retirar o sabão com água e enxugar bem. Fonte Ministério da Saúde (2018, on-line)10. 32 eu recomendo! Nação Fast Food - Uma Rede de Corrupção Ano: 2006 Sinopse: Nação Fast Food conta a história de um executivo de uma grande cadeia de restaurantes de fast food, que investiga a razão pela qual havia elevados índices de coliformes fecais na carne usada nos hambúrgueres fornecidos à sua empresa. Para saber o que está havendo, infiltra-se no abatedouro. filme O vídeo OMS: Cinco chaves para uma alimentação mais segura é uma mensagem global da Organização Mundial da Saúde, com a finalidade de informar todas as pessoas, ao redor do mundo, o que elas deveriam saber para prevenir doenças causadas por alimentos e melhorar sua saúde, incentivando boas práticas de ma- nipulação de alimentos nos lares. https://www.youtube.com/watch?v=4487VycN9sE conecte-se anotações 2 INDICADORES DE SEGURANÇA E QUALIDADE dos alimentos PROFESSORES Dra. Laura Adriane de Moraes PintoMe. Fernanda de Oliveira Tavares PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • A segurança alimentar e os ali- mentos seguros • Produção de alimentos • Conceitos e aspectos de importância, previstos na legisla- ção para o processamento de alimentos • Água: elemento essencial no processamento de alimentos • Higiene industrial e segurança alimentar. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Retomar, brevemente, os conceitos referentes à segurança alimentar e aos alimentos seguros • Co- nhecer os principais aspectos referentes à garantia de um alimento seguro • Conhecer os pontos de relevância dos conceitos e os aspectos de importância, previstos na legislação, para produção e mani- pulação de alimentos • Compreender a importância da qualidade da água na produção de alimentos seguros • Conhecer os tipos de higienização mais aplicados dentro da produção de alimentos. INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), na unidade anterior, você pôde adquirir importantes conhecimentos em relação à produção de alimentos seguros, uma vez que os alimentos apresentam uma estreita relação com a saúde do consumidor. Nesta unidade, num primeiro momento, você poderá retomar parte do conteúdo, anteriormente, estudado em relação aos alimentos seguros e a presença dos principais contaminantes, de modo a perceber que a qua- lidade e a segurança dos alimentos estão, intimamente, ligadas à higiene, nos processos, durante a cadeia de produção do alimento, na manipulação, no transporte e no armazenamento. Neste momento do curso, você será capaz de compreender que um dos maiores perigos a que os alimentos estão expostos incide no ataque micro- biano. Assim, as condições higiênico-sanitárias dos alimentos podem ser determinadas a partir da utilização de indicadores da qualidade e de segu- rança, sendo possível inferir informações importantes a respeito do alimento. Aqui, você poderá suscitar os conhecimentos adquiridos na disciplina de Microbiologia e Toxicologia de alimentos, os indicadores de qualidade e de segurança dos alimentos e os critérios microbiológicos para avaliação da qualidade dos alimentos. Esses conceitos lhe permitirá o correto julgamento de um produto no que tange à presença de determinados microrganismos. Nesta unidade, por fim, observaremos os controles fundamentais que contribuem para garantia da segurança de alimentos. Aproveite para re- lacionar os conhecimentos, aqui, apresentados com tudo o que você já estudou. Bons estudos! U N ID A D E 2 36 1 A SEGURANÇA ALIMENTAR e os alimentos seguros Prezado(a) aluno(a), na unidade anterior você pôde aprender um pouco sobre a produção de alimentos seguros, no contexto da segurança alimentar, bem como os perigos associados aos alimentos. Nesta unidade, abordaremos brevemente o contexto da segurança alimentar e dos alimentos seguros, além das principais causas de contaminação de alimentos, a fim de que, posteriormente, possamos avançar em nosso conhecimento e adquirir importantes informações sobre os indicadores de qualidade e de segurança dos alimentos. Será objetivo, ainda, desta unidade, apresentar algumas das principais doenças veiculadas pelos alimentos e o estabelecimento de critérios microbiológicos, associados à aceitabilidade dos mesmos. Preparado(a) para começar? Então, vamos lá! A Segurança Alimentar Atualmente, a indústria alimentícia busca o êxito no desenvolvimento de seus produtos, de maneira a propiciar a satisfação do consumidor, da empresa e dos órgãos fiscalizadores. Quanto ao consumidor, este busca a qualidade dos alimen- tos e exige que eles sejam seguros para consumo. Desse modo, a qualidade é uma característica peculiar de cada cliente, pois cada pessoa aprecia e valoriza um determinado atributo. A segurança do alimento, no entanto, está associada ao não U N IC ES U M A R 37 oferecimento de risco a saúde e a ausência de falsificações, adulterações e defeitos do produto. As empresas alimentícias, por sua vez, desejam a obtenção da máxima rentabilidade de seus processos industriais e cumprimento dos requisitos legais, de forma a satisfazer a sociedade como um todo. Por fim, os órgãos fiscalizadores possuem a função de exigir das empresas o fornecimento de produtos seguros, de acordo com códigos e leis pré-estabelecidas (SOUSA, 2006). De maneira geral, os alimentos apresentam uma estreita relação com a saúde do consumidor, por isso, deve receber grande atenção. Nesse sentido, a qualidade e a higiene, nos processos, durante a produção do alimento, manipulação, trans- porte e armazenamento, exige rigorosos cuidados a fim de se garantir que não ocorra qualquer tipo de contaminação que possa ser prejudicial à saúde (FOOD INGREDIENTS BRASIL, 2012). Neste contexto, entende-se que a Segurança Alimentar atua como um conjun- to de normas que se estende desde a produção do alimento até seu transporte e ar- mazenamento, tendo como principal objetivo a padronização das características físico-químicas, microbiológicas e sensoriais, às quais o alimento é adequado ao consumo, atendendo, assim, não só aos anseios dos consumidores como também as necessidades comerciais e sanitárias (FOOD INGREDIENTS BRASIL, 2008). Alimentos Seguros De acordo com a Food Ingredients Brasil (2012), a produção de alimentos com risco igual a zero é impraticável, devido à elevada quantidade de produtos ali- mentícios a serem produzidos e a complexidade de sua distribuição. Os alimentos, porém, deverão ser produzidos dentro de uma faixa de risco aceitável, em que as ocorrências das doenças transmitidas por eles sejam reduzidas ou nulas. A produção de alimentos seguros é uma tarefa árdua, pois, além da popu- lação de consumidores ser bastante diversificada e apresentar vários graus de sensibilidades, é requerido, ainda, a ampla utilização de procedimentos básicos, associados ao controle do desenvolvimento e do processo dos produtos, práticas de higiene durante todas as etapas de produção, distribuição, estocagem e venda Você já parou para pensar que a ingestão de alimentos de aspectos, visivelmente, normais podem consistir em um risco à saúde? Pense nisso! pensando juntos U N ID A D E 2 38 do alimento. Estas atividades exigem cuidados especiais, envolvendo não só o ambiente de trabalho mas também com os alimentos propriamente ditos, como os manipuladores de alimentos, as instalações sanitárias, entre outros (ALVES; UENO, 2010; FOOD INGREDIENTS BRASIL, 2012). Assim, pode-se definir como alimento seguro aquele cuja sua composição não cause perigo à saúde, ou seja, livre de qualquer contaminante ou possuir concentração abaixo do limite de risco (SOUSA, 2006). Ainda, de acordo com o autor, um alimento pode apresentar riscos em função de sua manipulação inadequada, utilização de matérias primas contaminadas, desenvolvimento de microrganismos, utilização de aditivos químicos, adição acidental de produtos químicos, degradação de nutrientes, entre outros fatores. U N IC ES U M A R 39 Nesta aula, você será apresentado(a) aos aspectos relevantes para a produção de alimentos seguros e terá uma visão panorâmica da importância do controle, durante todo o processo produtivo. Vamos começar? O que se deve monitorar durante a produção de alimentos? O aspecto segurança do produto é sempre um fator determinante, quando se refere à qualidade, para a indústria de alimentos, pois qualquer problema pode comprometer a saúde do consumidor. Conhecer os conceitos fundamentais para a qualidade e o cumprimento da legislação sanitária vigente é fundamental para um controle de qualidade eficaz. Ter conhecimento aprofundado sobre o proces- so e cada uma de suas etapas e como devem ser realizadas e monitoradas é a peça chave para oferecer ao consumidor alimentos seguros (STOLARSKI et al., 2015). Qualquer alimento pode ser contaminado durante a sua produção, preparação, armazenamento, exposição e venda. No caso da contaminação por microrganismos, esta pode ocasionar alteraçõesque podem degradar a qualidade dos produtos e, posteriormente, seu tempo de prateleira. No caso dos microrganismos patogénicos, eles podem provocar alterações na saúde dos consumidores e manipuladores de alimentos, transmitindo doenças, mais conhecidas como DTAs (doenças transmi- 2 A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS U N ID A D E 2 40 Você sabia que a falta de cuidados com a segurança no processamento de alimentos, pre- judica a qualidade do produto final, além de colocar em risco a saúde dos consumidores? Percebeu, agora, a importância do monitoramento na produção de alimentos? Pense nisso! pensando juntos tidas por alimentos). Além disso, os alimentos podem, ainda, ser contaminados por agentes físicos, como fios de cabelos, partes de insetos etc.. e por agentes químicos, como resquícios de produtos de limpeza (STOLARSKI et al. 2015). Deste modo, é necessário assegurar a higiene durante todo o processo pro- dutivo, por meio da implementação de programas de Boas Práticas de Higiene e Segurança de Alimentos, sendo este um pré-requisito essencial para a imple- mentação de um sistema de segurança alimentar. Os programas de gestão de segurança de alimentos foram desenvolvidos para auxiliar na tarefa de diminuir a frequência ou, até mesmo, eliminar as contaminações alimentares e suas fontes. Desses, merece destaque as Boas Práticas de Fabricação (BPFs) e Análise de Peri- gos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), que serão vistos, aprofundadamente, mais adiante em nosso material. Para que um processo seja eficiente e inócuo, ele necessita seguir uma série de procedimentos. Como processos que precisam de atenção, podemos destacar o controle das atividades e boas práticas, durante os processos de produção, pro- cessamento e manipulação dos produtos. Outro ponto importante é o controle preventivo das ações, com verificações periódicas em alguns pontos para moni- toramento de diversas áreas, como: ■ Controle da água para consumo, ou seja, qualidade da água. ■ Controle de pragas. ■ Controle da saúde dos manipuladores. ■ Controle de matérias primas e fornecedores. ■ Regras para visitantes. ■ Estrutura física do prédio, da edificação e das instalações. ■ Higiene pessoal, ambiental e dos alimentos. ■ Controle das operações. Os procedimentos de controle devem ser simples e tem por objetivo a segurança do produto final. O controle, durante todo o processo produtivo, é de fundamental importância para a garantia da qualidade e da segurança do produto final. U N IC ES U M A R 41 3 CONCEITOS E ASPECTOS DE IMPORTÂNCIA PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO para o processamento de alimentos O monitoramento ideal deve fornecer informação a tempo para permitir qualquer ajuste no processo, propiciando uma margem de segurança, permitindo tempo extra para ajus- tar o processo antes que se exceda o limite crítico. Fonte: STOLARSKI et al. (2015). explorando Ideias Caro(a) aluno(a), na aula anterior, você conheceu os conceitos fundamentais para a qualidade e o cumprimento da legislação sanitária vigente, que devem ser monitorados durante o processamento de alimentos. Nesta aula, veremos que a RDC 216 de 2004 é o Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação, esta resolução foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), com o objetivo de aprimorar as ações de controle sanitário na área de alimentos e proteção à saúde da população. Você conferirá, neste momento, os conceitos e aspectos de importância, previstos na legislação para o processamento de alimentos, aprender um pouco mais sobre alguns pontos do processo e entender sua relevância no cotidiano das indústrias e manipuladores de alimentos. U N ID A D E 2 42 A localização de um estabelecimento, onde ocorra o processamento de alimen- tos, deve-se localizar em uma área que não apresente riscos às condições gerais de higiene e sanidade, como contaminação ou infestação por pragas urbanas. As instalações destinadas, tanto ao armazenamento de matérias primas como para processamento de alimentos e estoque de produtos acabados, devem sempre ser mantidas limpas e organizadas. Além disso, devem ser dispostos de maneira que propiciem a sua fácil manutenção e limpeza. Os pátios, também, devem ser manti- dos limpos, sem presença de entulhos e totalmente pavimentados (BRASIL, 2004). Tudo que estiver envolvido no processamento de alimentos deve estar e ser mantido dentro de condições higiênico-sanitárias, adequadas para sua utilização. A área de processamento deve ser clara, preferencialmente, branca, as paredes e os tetos devem ser lisos, laváveis, impermeáveis e construídos de forma que não ocorram acúmulos de poeira e contaminação e não possuir aberturas, para evitar a entrada de insetos e roedores, pássaros e demais pragas. A área de preparação do alimento deve ser higienizada, imediatamente, após o término do trabalho e quantas vezes forem necessárias para manutenção do ambiente (BRASIL, 2004). Toda e qualquer substância deve estar regularizada pelo Ministério da Saúde. A diluição, o tempo de contato e modo de uso/aplicação dos produtos saneantes devem obedecer às instruções recomendadas pelo fabricante. Produtos de caráter odorizante e ou desodorante não devem ser usadas dentro das áreas destinadas ao armazenamento e preparo dos alimentos. Além disso, precauções devem ser tomadas para impedir a contaminação dos alimentos por produtos saneantes, pela suspensão de partículas e pela formação de aerossóis dos produtos utiliza- dos nos processos de higienização. Os produtos saneantes utilizados devem ser identificados e guardados em local reservado para essa finalidade. A higienização, desse modo, deve ser realizada de maneira que garanta a minimização do risco de contaminação e feita por operadores capacitados para tal função. Se não forem realizadas, rotineiramente, devem ser registradas (BRASIL, 2004). U N IC ES U M A R 43 Você sabia que a publicação da RDC 216 de 2004 foi um marco na legislação de alimentos? Esta resolução foi responsável por estabelecer padrões de ordem nacional para padronização dos processos, tanto de fiscalização como de produção, envolvendo produtos alimentícios. pensando juntos As caixas de gordura devem ser periodicamente limpas, tendo seu conteúdo descartado segundo disposto em legislação específica (BRASIL, 2004). Os uten- sílios, por sua vez, devem ser mantidos separados em relação à sua utilização, assim, por exemplo, os utensílios que forem destinados a higienização de insta- lações devem ser mantidos separados dos utensílios usados na cozinha, os quais entram em contato direto com os alimentos. Além disso, esses objetos devem ser apropriados e estar em bom estado de conservação para a atividade; estarem sempre higienizados e em acondicionados em local adequado (BRASIL, 2004). Cabe, ainda, destacar, segundo a Lei, que os funcionários devem utilizar unifor- mes apropriados e diferenciados de acordo com sua função (BRASIL, 2004). U N ID A D E 2 44 4 ÁGUA: ELEMENTO ESSENCIAL NO PROCESSAMENTO de alimentos Prezado(a) aluno(a), após a compreensão da importância do monitoramento e dos conceitos e aspectos de importância, previstos na legislação, faz-se necessário abordar um dos aspectos de maior relevância para o segmento alimentício: a água. Vamos começar? Importância da água Todos os setores da sociedade necessitam de água, ela é um recurso de grande impor- tância. Não se pode pensar em segurança alimentar dissociada da segurança hídrica, uma vez que, para produzir um alimento, uma quantidade significativa de água deve ser mobilizada (RODRIGUES, 2019, on-line)11. Na Tabela 1, encontram-se ilustrados alguns exemplos de produtos e a quantidade de água necessária para sua produção. PRODUTO CONSUMO MÉDIO Alface A média global do consumo hídrico da alface é 240 litros por quilo. O número pode variar de acordo com o país de produção e o tipo de plantio. U N IC ES U M A R 45 PRODUTO CONSUMOMÉDIO Arroz O arroz com casca, na forma como é colhido, gera um consu- mo hídrico de 1670 litros por quilo. O número é ainda maior para o grão, já descascado: 2500 litros de água por quilo. Banana Para produzir uma banana (200g), são gastos 160 litros de água. A média global é de 790 litros por quilo. Batata A produção de 1 quilo de batata exige o gasto de cerca de 290 litros de água. As batatas chips demandam ainda mais: 1040 litros por quilo. Carne bovina A média global de consumo para a carne bovina é a maior entre os animais de corte, sendo 15400 litros por quilo. A maior parte relaciona-se à alimentação do animal, e a quan- tidade varia de acordo com o seu modo de criação e raça. Carne suína A média global de consumo para a produção de carne de porco é 5990 litros por quilo. Cerveja (de cevada) O consumo hídrico da cevada é 1420 litros por quilo. Consi- derando a quantidade de cevada maltada, utilizada na pro- dução de cerveja, são gastos 298 litros de água para cada litro da bebida alcoólica, sem contar os outros ingredientes. Chocolate O consumo do chocolate é relacionado, principalmente, ao cacau e leva em conta a quantidade média de pasta e manteiga desse fruto, além do açúcar adicionado. Assim, a produção de 1 quilo de chocolate demanda cerca de 17 mil litros de água. U N ID A D E 2 46 PRODUTO CONSUMO MÉDIO Frango Cada quilo de carne de frango consome 4330 litros de água, uma quantidade alta, mas menor do que o gasto ge- rado pela carne de porco, boi, ovelha ou cabra. Laranja Na produção de uma laranja (150g), são utilizados 80 litros de água. São 560 litros por quilo. Tabela 1 - Consumo médio de água na produção de alimento Fonte: adaptado de Hoekstra ([2019]). A água é componente essencial na indústria de alimentos, ela está presente em diversas operações, podendo ser usada como veículo para aquecimento, resfria- mento, limpeza e sanitização de equipamentos, como um ingrediente ou veículo para incorporar ingredientes aos alimentos (LEITE et al., 2003). Desse modo, ter uma água de boa qualidade é essencial e, por isso, toda água envolvida nos processos de produção de alimentos deve ser potável. Considera-se água potável aquela que atende aos padrões físico-químicos e microbiológicos (DIDIER, 2017, on-line)12. A seguir serão descritos alguns pontos relevantes para qualidade da água no processamento de alimentos, segundo a RDC 216 de 2004. ■ A água utilizada na indústria de alimentos deve ser potável, estar atestada semestralmente mediante laudos laboratoriais, sem prejuízo de outras exigências previstas em legislação específica. ■ O gelo para deve ser fabricado a partir de água potável, mantido em con- dição higiênico-sanitária para evitar qualquer tipo de contaminação. ■ O vapor deve ser produzido a partir de água potável, quando utilizado em contato direto com alimentos ou com superfícies que entrem em contato com alimentos. ■ O reservatório de água deve ser constituído por materiais que não com- prometam a qualidade da água, ser livre de rachaduras, vazamentos, in- filtrações, descascamentos, dentre outros defeitos, e mantido segundo as condições de higiene e conservação. O reservatório de água deve ser higienizado, periodicamente, em um intervalo máximo de seis meses, e esta ação mantida nos registros da operação. U N IC ES U M A R 47 A utilização da água da chuva para fins de uso não potável apresenta-se como uma fer- ramenta mitigadora dos problemas ocasionados pela escassez e má utilização destes re- cursos, proporcionando o aumento da oferta de água e garantindo sua economia da água potável disponível. Fonte: Botari e Prado (2018). explorando Ideias Você sabia que a água é um recurso de grande importância para todos os setores da so- ciedade? Você já parou para pensar que o uso da água deve ser coordenado e planejado de maneira para que haja a melhor gestão possível dos recursos hídricos, garantindo, assim, que esteja sempre disponível e apto para utilização. Pense nisso! pensando juntos Consequências da água imprópria para consumo A água imprópria na produção de alimentos pode causar série de consequências, desde alterações no produto final, como perda das características nutricionais, modificações dos padrões sensoriais até a ocorrência de intoxicações e infecções alimentares (STOLARSKI et al., 2015). Por isso, o controle de qualidade da água deve ser monitorado, garantindo a redução de efeitos indesejáveis nas instalações. Minerais como o cálcio e o magnésio influenciam na dureza da água, provocando danos em equipamentos e utensílios, como corrosão e incrustações de partículas sedimentares, que possibilitam riscos de contaminação. Conforme o Manual de Higienização na Indústria Alimentar ([2019]), isso expõe a saúde do consumidor e afeta a ação dos detergentes na limpeza, aumentando o custo da produção. Outro aspecto importante da qualidade da água, de acordo com o Manual de Higienização na Indústria Alimentar ([2019]), são as doenças, uma vez que muitas delas podem ser provenientes de alimentos, geralmente, provocadas por bactérias, parasitas, agentes químicos, bolores, vírus e substâncias tóxicas, pre- sentes na água não tratada. Desse modo, o controle da qualidade da água deve ser estabelecido na indústria de alimentos, acatando aos critérios da regulamentação vigente, para assegurar a quali- dade e inocuidade dos produtos que chegam ao consumidor (CRUZ, 2016, on-line)13. U N ID A D E 2 48 5 HIGIENE INSUTRIAL E SEGURANÇA alimentar Caro(a) aluno(a), agora que você compreendeu a importância do monitoramen- to, os aspectos relevantes nos processos abordados pela legislação e a importância da água para a os processamentos de alimentos, discutiremos como deve ser realizada a higiene nos processos. Vamos começar? Aplicação da higiene e segurança de alimentos na indústria Dentro da cadeia de processamento de alimentos, a manutenção das condições higiênico-sanitárias é requisito essencial para o sucesso da atividade, uma vez que a higiene correta visa a criar um ambiente seguro e livre de contaminações, em toda a unidade fabril, auxiliando, de forma direta, na excelência da qualidade do produto final ofertado ao consumidor (STOLARSKI, et al. 2015). Conhecer o procedimento técnico correto para o processo de higienização possibilita diminuir, a níveis seguros, a carga microbiana; aumentar a produção de produtos seguros dentro das condições higiênico-sanitárias e melhorar a qualida- de nutricional e sensorial (FOOD INGREDIENTS BRASIL, [2020], on-line)14. O conhecimento da legislação, portanto, é um pré-requisito na implementação do protocolo de limpeza, uma vez que existem requisitos específicos que devem ser U N IC ES U M A R 49 atendidos, contribuindo para um trabalho mais seguro (por atender as normas de segurança alimentar e, tecnicamente, diminuir os riscos de contaminação), tanto para os consumidores quando colaboradores, planejado (para ter con- fiança nas decisões a serem encaminhadas, a partir de informações obtidas pela legislação), econômico (ter ações bem dirigidas e instalações adequadas, equi- pamentos com funcionamento dentro de padrões exigidos e outras medidas que evitem investimentos com despesas duplas) e jurídico (atender, de forma mais direta, às fiscalizações dos órgãos de controle) (SILVA et al. 2010). Conceitos básicos de higienização O conhecimento dos conceitos de higienização é fundamental para o enten- dimento de suas etapas. Estas descrevemos a seguir, de acordo com Manual de Higienização na Indústria Alimentar ([2019]): Limpeza: é a remoção de substâncias orgânicas e/ ou minerais, indesejáveis ao alimento. Ela pode ser: terra, poeira, gordura ou outras sujidades percebidas a olho nu. Desinfecção: é o processo em que, por meio de agentes químicos e/ou físicos, ocorre a eliminação dos microrganismos de potencial patogênico. Sanitização: é processo que permite a diminuição do número de microrganismospresentes nas superfícies, por meio da utilização de agentes químicos e/ou físicos. Higienização: conjunto de ações, isto é, limpeza, sanitização e/ou desinfecção em um único processo. Uma higienização correta deve proporcionar a eliminação, tanto quanto possível, dos microrganismos presentes nas superfícies e atmosfera dos equipamentos, utensílios e ambiente. Desse modo, as etapas da operação de higienização podem esquematizar-se conforme descrito na Tabela 2. U N ID A D E 2 50 ETAPA AÇÃO Enxaguamento Aplicação de água para remoção das sujidades maiores. Limpeza Remoção de sujidades pela aplicação de detergente. Enxaguamento Remoção do detergente com água corrente. Desinfecção (L+D) Destruição de bactérias pela aplicação de desinfe- tante ou calor. Enxaguamento (L+D) Remoção com água corrente do desinfetante. Secagem Remoção do excesso de água. Tabela 2 - Etapas da Limpeza (L) e da Limpeza + Desinfecção (L+D) / Fonte: adaptada do Manual de Higienização na Indústria Alimentar ([2019]). Fatores que devem ser avaliados para se determinar o tipo de higienização: • Tipo de superfície a ser limpa. • Tipo de sujidade a ser removida. • Escolha do produto adequado à superfície e à sujidade. • Determinar a dosagem do produto. • Analisar a necessidade de outras variáveis para auxiliar o processo de limpeza, como ação mecânica, temperatura e tempo. • Determinar a frequência da limpeza/higienização (STOLARSKI et al., 2015). Ao se determinar o método de limpeza correto, além da manutenção higiêni- co-sanitária, no processo, garante-se a preservação das instalações, utensílios, equipamentos e a preservação do meio ambiente, uma vez que os materiais serão utilizados sem excessos e terão sua destinação correta (STOLARSKI et al. 2015). Métodos de Higienização Veremos, brevemente, a seguir, alguns dos métodos de limpeza mais usados para desinfecção no processamento de alimentos. U N IC ES U M A R 51 Limpeza manual: é a limpeza mais usual, em que os operadores fazem a limpeza, manualmente, usando água e detergente com o auxílio de equipamentos e complementos básicos, como escovas, raspadores, mangueiras. Esse tipo de lim- peza, pouco sofisticada, necessita de muita mão-de-obra e requer muita atenção, pois pode levar a resultados variáveis, segundo o Manual De Higienização Na Indústria Alimentar ([2019]). Imersão: a imersão pode feita com ou sem agitação, geralmente, é utilizada para a lavagem de equipamentos desmontáveis, formas, caixas e outros utensílios. Este método de limpeza, de acordo com o Manual de Higienização na Indústria Alimentar ([2019]), utiliza, geralmente, água quente e/ou detergente. Alta pressão: estes equipamentos podem ser portáteis ou fixos, dependendo do volume e necessidade da operação. As unidades portáteis, geralmente, são menores; possuem compartimento para mistura dos componentes e capacidade de bombea- mento de 40 a 75 L/min, pressão de 41.5 Kg/cm2. As unidades fixas trabalham com bombeamento de 55 a 475 L/min, contudo, se ele se der por meio de pistão ou de uma turbina, a capacidade aumenta para 300 L/min e 475 L/min, respectivamente. Espuma e gel: este método trabalha por meio da pulverização da espuma ou gel nas superfícies das instalações e posterior retirada com auxílio de jatos de água. Limpeza de equipamentos e circuitos fechados: conhecido como sistema de limpeza CIP, referenciado pelas iniciais da designação inglesa “Cleaning In Place”, consiste numa instalação específica para higienização em circuito fechado. Nesses sistemas, a higienização se faz de uma maneira automática (circuitos fixos) ou manual (circuitos móveis), diretamente, nas tubulações. Segundo o Manual de Higienização na Indústria Alimentar ([2019], p.24), “estes tipos de sistemas apresentam um custo de instalação muito elevado e só se justificam para empresas de grandes dimensões”. Produtos utilizados para higienização Conforme abordado, anteriormente, a higienização envolve etapas de limpeza e sa- nitização de superfícies, ambientes, equipamentos e utensílios. No processo de lim- peza, resíduos orgânicos e minerais aderidos à superfície são removidos, enquanto que, no processo de sanitização, ocorre a redução/eliminação de microrganismos patogênicos e deteriorantes, a níveis considerados aceitáveis (ANDRADE, 2008). U N ID A D E 2 52 Para promoção da limpeza, as soluções podem ser aplicadas de diversas for- mas: manualmente, por imersão, em espumas, em gel, entre outras formas. Os principais grupos de detergentes são representados pelos agentes ácidos, substân- cias alcalinas, fosfatos, agentes complexantes e tensoativos (ANDRADE, 2008). No entanto, segundo o Manual de Higienização na Indústria Alimentar ([2019]) e Silva et al. (2010), a fim de se complementar o processo de higienização, no que tange à redução e/ ou eliminação da carga microbiana, a sanitização se faz necessária. Para tanto, diversos produtos químicos podem ser utilizados. De acordo com Andrade (2008), o processo de sanitização é capaz de im- pedir o metabolismo celular, ocasionar lesões irreversíveis às células, ocasionar alteração da pressão osmótica, além de outros efeitos. Para o êxito dos agentes sanitizantes, fatores, como características das superfícies, temperatura, tempo, pH, concentração do agente e outros, devem ser levados em consideração. Além disso, segundo Silva et al. (2010), um bom agente sanitizante deverá apresentar algumas características básicas, conforme apresentamos a seguir: ■ Capacidade de reduzir e eliminar microrganismos. ■ Não ser corrosivo ao material. ■ Não ter efeito residual ao alimento. ■ Ser lavável e atóxico. ■ Ser fácil de dosar. ■ Ser hidrossolúvel. ■ Não ser irritante a pele. De acordo com o sanitizante escolhido, torna-se possível reduzir, eficientemente, o número de microrganismos (bactéria, fungo, vírus) para níveis aceitáveis. Os principais agentes sanitizantes utilizados abordamos a seguir. Cloro e compostos de cloro Dentre os principais compostos de cloro utilizados para promover a sanitização no âmbito da indústria de alimentos, destaca-se o hipoclorito (de cálcio e/ou de sódio). Esta substância, de forma geral, apresenta ação eficaz para redução/eliminação de bactérias, esporos, vírus e fungos. Além disso, segundo o Manual de Higienização na U N IC ES U M A R 53 Indústria Alimentar ([2019]) e Silva et al. (2010), pode ser utilizada em superfícies de contato com alimentos, apresentam baixo custo e, quando usada em concentra- ções adequadas, não conferem sabores residuais ao alimento. Para promoção da sanitização, recomenda-se o uso de concentrações de cloro livre entre 50 e 200mg.L-1, durante um tempo de exposição que pode variar entre 3 a 20 minutos de exposição ao agente sanitizante, conforme nos esclarece segun- do o Manual de Higienização na Indústria Alimentar ([2019]), Vanetti (2000) e Oliveira et al. (2003). Alguns pontos relevantes a serem considerados são que determinados com- postos clorados se mostram ineficientes, na presença de alguns compostos orgâ- nicos, e apresentam redução da eficiência de sua ação, quando expostos à elevadas temperaturas. De acordo com o Manual de Higienização na Indústria Alimentar ([2019]) e Silva et al. (2010), adicionalmente, soluções demasiadamente concen- tradas podem ocasionar efeito corrosivo em alguns materiais. Compostos de iodo Os iodóforos podem apresentar ação bactericida, viricida e fungicida, porém sua ação é pouco eficaz para esporos bacterianos e para os vírus. Tais compostos são mais eficazes sob condições ácidas (pH inferior a 4), por isso, podem ser utilizados em combinação com outros agentes de limpeza, necessitando de pouco tempo de contato com as superfícies para promover a eliminação de um amplo espectro de microrganismos. Isso nos certifica o Manual de Higienização na Indústria Alimen- tar ([2019]), Silva et al. (2010), Andrade (2008) e Santana (2016, on-line)15. As soluções sanitizantes, desse modo, de acordocom os autores, devem conter concentrações entre 25-50 mg. L-1 de iodo ativo; não é aconselhável, porém, seu uso em áreas de manipulação de alimentos, uma vez que esses podem propiciar sabores e odores indesejáveis aos alimentos. Nesse sentido, em relação aos incon- venientes encontrados, ao escolher o uso de compostos iodóforos para promoção da sanitização, destacam-se a inativação em presença de resíduos alimentares e sujidades, efeito corrosivo, desenvolvimento de manchas em alguns tipos de materiais e a importância de seu enxaguamento diante disso. U N ID A D E 2 54 A qualidade da água é um fator determinante para uma higienização efetiva, ela deve estar dentro dos padrões de potabilidade. Além disso, deve também atender aos padrões de dureza, que se referem a presença de sais inorgânicos (cloretos de cálcio e de magné- sio, sulfatos e bicarbonatos). Uma água com dureza excessiva, isto é, com excesso de sais inorgânicos, reduz a eficácia de alguns detergentes e desinfetantes, além de contribuir para a formação de incrustações nos equipamentos. Fonte: Manual de Higienização na Indústria Alimentar ([2019]). explorando Ideias Compostos de amônio quaternário Esses compostos apresentam ação eficiente a bactérias gram positivas e aos fun- gos, apresentam, porém, baixa eficiência contra vírus e bactérias gram negativas, além de ser ineficiente para os esporos, de acordo com o Manual de Higienização na Indústria Alimentar ([2019]). Dessa forma, as soluções preparadas a partir destes compostos deverão ter concentração entre 200 a 1200 mg.L-1 e aplicados em meio neutro ou alcalino. Em adição ao que já foi exposto, os compostos de amônio quaternário são considerados atóxicos e apresentam baixa atividade corrosiva, por isso, podem ser utilizados para sanitização de superfícies pelo método de imersão, aspersão e/ou manual. Eles, no entanto, tendem a permanecer nas superfícies, sendo necessário o seu enxague no final do processo de sanitização (SILVA et al., 2010). Ácido peracético O ácido peracético é bastante eficaz como agente bactericida, esporicida, fungi- cida e viricida (ANDRADE, 2008). Ele pode ser utilizado na sanitização de sis- tema CIP, imersão e aspersão. Quando diluído, pode ser aplicado em superfícies compostas de materiais, por exemplo, aço, inox, plásticos, borrachas e metais sem trazer prejuízos. No entanto, se for aplicado concentrado, poderá acarretar efeito corrosivo ao aço e em metais (SILVA et al., 2010). Além disso, estudo promovido por Srebernich (2007) apontou ser ideal a utilização dessa substância a 80 ppm por 5 minutos para que ocorra êxito, no processo de sanitização. U N IC ES U M A R 55 Você sabia que a contaminação cruzada também na limpeza das instalações? A sequên- cia de limpeza e desinfecção deve ser realizada das áreas menos contaminadas para as áreas mais contaminadas, garantindo assim, uma produção segura livre de contaminação cruzada. Pense nisso! Fonte: Manual de Higienização na Indústria Alimentar ([2019]). pensando juntos Avaliação da Eficácia da Higienização Para se garantir que a higienização seja efetiva, a avaliação da eficácia da higie- nização deve ser mensurada, avaliando-se o estado final das superfícies, relati- vamente a um ou mais dos seguintes critérios, de acordo com Manual de Higie- nização na Indústria Alimentar ([2019]): 1. Superfície livre de resíduos: estará livre quando toda a sujidade e resí- duos presentes tiverem sido removidos. 2. Superfície livre de químicos: é considerada livre de químicos, somente, quando todo e qualquer resíduo de produtos de limpeza e/ou desinfecção tiver sido, completamente, removido por enxaguamento. 3. Superfície aceitável do ponto de vista microbiológico: tem-se uma super- fície aceitável do ponto de vista microbiológico quando a superfície apresentar o número de microrganismos reduzido ao nível aceitável pela legislação. Além disso, é importante salientar que, independentemente do método utilizado, a higienização tem como finalidade confirmar se o sistema de limpeza utilizado permite atingir resultados microbiológicos aceitáveis e garantir que ele seja efe- tivo para o processo. Desenho Sanitário dos Equipamentos Caro(a) aluno(a), ao longo desta unidade, falamos sobre a necessidade de se mo- nitorar as atividades durante o processamento, a importância do cumprimento da legislação bem como a importância da água e da higienização para o pro- cessamento. Vimos, também, que as práticas de higiene são fundamentais para a qualidade e segurança, por isso, para finalizar, neste momento, conheceremos como melhorá-las com a utilização do desenho sanitário. U N ID A D E 2 56 Uma das premissas básicas das indústrias do segmento alimentício é garantir a segurança de seus produtos. Como ponto fundamental para o cumprimento das exigências higiênico-sanitárias, as condições de trabalho devem ser adequadas, buscando sempre manter as plantas, os processos e equipamentos projetados de forma higiênica. Isso contribui para a manutenção e minimização dos riscos de contaminação, durante o processo produtivo, e, consequentemente, a preservação da saúde do consumidor (ALLES; DUTRA, 2011). O design higiênico visa a eliminar ou minimizar os riscos de contaminação, infecção, doenças ou danos à saúde e/ou integridade do consumidor. Seu prin- cipal objetivo é identificar equipamentos e parte estrutural das instalações sus- ceptíveis ao acúmulo residual, buscando prevenir a contaminação dos produtos, originada durante o processamento e/ou envase (FROTA, 2013, on-line)16. O design inadequado pode dificultar a limpeza do equipamento e permitir que resíduos sejam retidos em fendas, ranhuras e áreas mortas, contaminando as bateladas seguintes. Além disso, esses resíduos contribuem para a proliferação de microrganismos, entrada e abrigo de pragas, incrustações e desenvolvimento de biofilmes (FOOD SAFETY BRAZIL, 2019, on-line)17. Design higiênico É considerado design higiênico de um equipamento quando este incorpora, com caráter preventivo, características que reduzem ou eliminam o risco de se tornar uma fonte de contaminação, seja direta, seja indireta, para os alimentos (EURO- PEAN HYGIENIC ENGINEERING & DESIGN GROUP, 2002). Uma pequena rachadura pode parecer inofensiva, mas o que parece pouco visível para nós é como um Grand Canyon para microrganismos. Assim, juntas, soldas fracas, interfaces metal-metal e plástico-metal são locais perfeitos para a proliferação de microrganismos e o desenvolvimento de biofilme, fazendo com que essa área se torne um nicho de crescimento, desenvolva e crie um ponto de contaminação (FOOD SAFETY BRAZIL, 2019, on-line)17. Nós vimos que os equipamentos destinados ao processamento de alimen- tos devem possuir desenho sanitário para evitar propiciar contaminações. Mas como devemos fazer isso? Em conjunto com práticas higiênicas de segurança de alimentos, o design higiênico é um dos fatores fundamentais na obtenção de alimentos seguros, este leva em consideração fatores como: U N IC ES U M A R 57 Você sabia que os equipamentos designados à fabricação de alimentos têm um design específico? Os equipamentos devem incorporar características que diminuam ou elimi- nem o risco deste se constituir uma fonte de contaminação. Percebeu como o desenho sanitário é importante ?! Pense nisso! (Food Safety Brazil) pensando juntos ■ Localização e projeto da estrutural das instalações. ■ Escolha dos materiais destinados à construção e ao acabamento de su- perfícies. ■ Separação das áreas de trabalho para controle de perigos. ■ Determinação do fluxo de materiais e produtos durante os processos. ■ Monitoramento do fluxo de pessoas. ■ Design das instalações e equipamentos utilizados nos processos. ■ Projetos de serviços para equipamentos e utilidades (água, ar, vapor, ele- tricidade etc.). ■ As superfícies devem ser higienizáveis. Para maquinário e/ou equipamento desmontável, o design deve garantir quepartes desmontáveis sejam removíveis com facilidade e que as áreas relevantes sejam acessí- veis para higienização e inspeção. Quando o equipamento for passível de limpeza CIP, este deve permitir fácil acesso à inspeção, após a higienização (ALLES; DUTRA, 2011). As principais normas de segurança de alimentos descrevem atenção aos equipa- mentos e materiais que entram em contato com matéria-prima; produtos em proces- so e produto acabado, visto que esses podem se tornar potenciais fontes de perigos. A norma ISO 22000, por exemplo, estabelece não apenas a necessidade de descrever os equipamentos mas também a descrição do que estes são constituídos, para se fazer a condução da análise de perigos (FOOD SAFETY BRAZIL, 2019, on-line)17. Ter as instalações, equipamentos, ferramentas e utensílios com desenho sanitário são de extrema importância para que esses não transfiram corpos estranhos, substâncias químicas ou microrganismos aos produtos. Além disso, pode ajudar as empresas a economizar, uma vez que, minimizando as ocorrências da não conformidade, os reprocessos, recalls e outras despesas associadas à perda e ao desperdício de alimentos são, também, minimizados (FROTA, 2013, on-line)16. U N ID A D E 2 58 CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), chegamos ao fim da segunda unidade, nela, você conheceu alguns dos controles fundamentais para a garantia da segurança de alimentos. Sua jornada teve início nas instalações físicas, equipamentos e utensílios, em que abordamos a importância do monitoramento dos processos de produção de ali- mento e os requisitos a serem atendidos para o funcionamento de um ambiente de produção e processamento de alimentos adequado. Nesta unidade, também, pudemos compreender a necessidade e a impor- tância da água para a indústria do segmento alimentício, além de conhecer os aspectos relevantes para sua qualidade no processo de produção de alimentos. Em seguida, aprendemos como diferenciar as etapas envolvidas na higienização e a importância de se seguir as etapas corretamente, uma vez que esse ponto é de fundamental relevância para a efetividade e eficiência do processo. Vimos quais os tipos e produtos comumente aplicados nas indústrias alimentícias para a higienização das instalações e utensílios. Por fim, para encerrarmos a unidade, discutimos o desenho sanitário e en- tendemos a sua importância e necessidade de aplicação no contexto fabril. Vimos que o desenho sanitário é um fator de extrema importância para manutenção da qualidade e segurança dos alimentos produzidos pela indústria. Em síntese, essa unidade teve por objetivo apresentar a segurança de alimen- tos, envolvendo os conceitos fundamentais, e os aspectos que a compõem. O conhecimento da estrutura, do funcionamento e a importância desses compo- nentes servirão como base para o desenvolvimento dos conteúdos nas próximas unidades. Desse modo, na unidade seguinte, conheceremos como são feitos o gerenciamento e as ferramentas da qualidade para produção de alimentos segu- ros, nas indústrias de alimentos e serviços de alimentação, bem como a qual sua importância para o segmento alimentício. 59 na prática 1. Quanto às etapas de higienização, assinale a alternativa correta. O processo de higienização deve obrigatoriamente conter as etapas de: a) Desinfecção + Limpeza. b) Sanitização + Desinfecção. c) Enxaguamento + Secagem. d) Secagem + Desinfecção. e) Sanitização + Secagem. 2. Analise as afirmações sobre higiene na indústria. I - Os programas de monitoramento dispensam as verificações periódicas e os controles dos pontos críticos, durante o processamento. II - O design higiênico visa a eliminar ou a minimizar os riscos de contaminação, infecção, doenças ou danos à saúde e/ou integridade do consumidor. III - O vapor deve ser produzido a partir de água potável, quando utilizado em con- tato direto com alimentos ou com superfícies que entrem em contato com ali- mentos. IV - A água com dureza excessiva reduz a eficácia de alguns detergentes e desin- fetantes. Assinale a alternativa correta: a) Apenas, I e II estão corretas. b) Apenas, II e III estão corretas. c) Apenas, I está correta. d) Apenas, II, III e IV estão corretas. e) Todas as alternativas estão corretas. 60 na prática 3. Analise as afirmações e assinale verdadeiro (V) ou falso (F): ( ) Os programas de Boas Práticas de Fabricação (BPFs) e análise de perigos e pontos críticos de controle (APPCC) servem para auxiliar no monitoramento das contaminações alimentares e suas fonte. ( ) A área de processamento deve ser clara, preferencialmente, branca; as paredes e os tetos devem possuir relevos e rugosidades, serem laváveis e impermeáveis. ( ) Ao se determinar o método de limpeza correto, além da manutenção higiêni- co-sanitária, no processo, garante-se, também, a preservação das instalações, utensílios e equipamentos. Assinale a alternativa correta: a) V, V e V. b) F, V e F. c) V, V e F. d) F, V e V. e) V, F e V. 4. Sobre a segurança de alimentos: controles fundamentais, assinale verdadeiro (V) ou falso (F): ( ) O design higiênico de um equipamento visa reduzir ou eliminar características que possam causar risco de contaminação, seja direta, seja indiretamente, dos alimentos. ( ) Uma superfície aceitável, do ponto de vista microbiológico, é quando se apresenta estéril. ( ) Os funcionários devem utilizar uniformes apropriados, padronizados de manei- ra única, independente da função. Assinale a sequência correta: a) V, V e F. b) V, F e F. c) V, F e V. d) F, F e F. e) V, V e V. 61 na prática 5. A respeito do monitoramento no processamento de alimentos, assinale a resposta correta. a) O alimento pode ser contaminado, somente, no processo de produção e pre- paração. b) Ter conhecimento superficial sobre o processo é suficiente para se fazer um controle eficiente. c) A contaminação por microrganismos patogênicos é capaz de provocar altera- ções (superficiais ou profunda) nos produtos, diminuindo a sua qualidade e o seu tempo de conservação, porém não causam nenhum dano ao consumidor. d) Os programas de gestão de segurança de alimentos foram desenvolvidos para auxiliar os processos e gerenciamento das contaminações alimentares e suas fontes. e) Quando se tem programas de gestão não é necessário nenhum monitoramento periódico. 62 aprimore-se O QUE É ATOMIZAÇÃO E PARA QUE SERVE? Quando o assunto é controle de pragas, em algum momento você já deve ter ouvido a palavra atomização, mas o que é e para que serve? Significado de atomização: fragmentação de um corpo em unidades diminutas. A atomização é a aplicação de um produto químico para controle de insetos em geral, rasteiros ou voadores através da transformação de uma calda inseticida em micropartículas, ou seja, microscópicas gotas. O processo de atomização ocorre através de um equipamento que produz uma corrente de ar de alta velocidade. O inseticida é introduzido dentro do recipiente, a pressão negativa formada por essa alta corrente de ar arrasta a calda inseticida para um bico de cisalhamento respon- sável por formar gotas de aproximadamente 50 a 100 µm. Essas gotas são dispara- das no ar em forma de uma névoa fina. Sua ação é instantânea, pois as partículas se agregam nas superfícies de forma homogênea atingindo todo o ambiente alvo. O grande diferencial é que os atomizadores possuem um longo alcance chegan- do até a 12 metros de distância, são amplamente utilizados na agricultura e podem ser utilizados internamente e externamente na empresa. A atomização é recomen- dada para áreas com grandes alturas, como prédios, depósitos, galpões, pois é uma técnica similar à pulverização líquida, mas com um grande poder de alcance por meio de um “jato líquido”. Qualquer inseto que tenha contato com a área após apli- cação passará a sofrer o efeito do inseticida e será eliminado. Existem diversos tipos de atomizadores (mecânicos, hidráulicos) e o objetivo é o mesmo: fracionara calda inseticida em gotas que ficarão suspensas no ambiente. Fonte: Pontes (2019, on-line)18. 63 eu recomendo! Limpeza e Sanitização na Indústria de Alimentos (Volume 4) Autor: Arnaldo Yoshiteru Kuaye Editora: Atheneu Sinopse: o livro Limpeza e Sanitização na Indústria de alimentos apresenta aos leitores um conjunto de ações para a manutenção da qualidade e a segurança dos alimentos. A obra ilustra as cres- centes exigências das agências reguladoras de controle de ali- mentos e das atuais demandas de produtores, industrializadores e consumidores. livro 3 SEGURANÇAS DOS ALIMENTOS: controles fundamentais PROFESSORES Dra. Laura Adriane de Moraes Pinto Me. Fernanda de Oliveira Tavares PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Gerenciamento e ferramentas para produção de alimentos • Boas Práticas de Fabricação (BPF) • Procedimentos Operacionais • Entender como se deve proceder em relação aos registros documentais. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Entender o que é a Gestão da Qualidade e para que servem as ferramentas da qualidade • Conhecer o que são e a importância das Boas Práticas de Fabricação (BPF) • Conhecer e entender o que são e para que servem os procedimentos operacionais padronizados, adotados pelas indústrias e processadores de alimentos • Registros documentais.. INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a), iniciamos, neste momento, a terceira unidade. Aqui, conheceremos como se dá a gestão da qualidade, as boas práticas de fa- bricação (BPF), os procedimentos operacionais padronizados de higiene e a importâncias dos registros documentais. Você aprendeu na unidade anterior sobre a segurança de alimentos, conceitos estes fundamentais, que servirão como base para o desenvolvimento dos conteúdos desta unidade. Então, vamos conhecer os temas que vamos estudar em nossa unidade?! Nossa unidade, iniciaremos com os aspectos mais relevantes do geren- ciamento da qualidade, conhecendo o que é e quais as suas ferramentas habitualmente utilizadas no controle da qualidade dos alimentos. Segui- remos nossos estudos e discutiremos a importância das boas práticas de fabricação no âmbito dos alimentos, conhecendo suas diretrizes e como se dá sua implementação no segmento de alimentos. Depois, conheceremos o que são e para que servem os procedimentos de operacionais padro- nizados, adotados pelas indústrias e processadores de alimentos, vendo a importância de sua participação na produção de alimentos. A unidade se encerra com a discussão da importância e de como devem ser feitos os registros documentais bem como a sua relevância para todo o processo produtivo de alimentos. Nessa unidade, portanto, discutiremos os conceitos fundamentais que serão usados em outras unidades mais a adiante, aproveite, também, para relacionar os conhecimentos aqui apresentados com tudo o que você já estudou até aqui. Bons estudos! U N ID A D E 3 66 1 GERENCIAMENTO E FERRAMENTAS para a produção de alimentos Caro(a) aluno(a), você já parou para pensar o que é o gerenciamento e as ferra- mentas da qualidade para a produção de alimentos? Pensou sobre a sua impor- tância? Caso, ainda, não tenha parado para pensar sobre isso, você, a partir de agora, poderá ampliar o seu conhecimento diante deste contexto. Está prepara- do(a)? Então, vamos lá! Gestão da Qualidade e para que servem as ferramentas da qualidade Frente ao elevado desenvolvimento tecnológico e à crescente necessidade de segurança em alimentos, intensificou-se a preocupação no que se refere à quali- dade dos alimentos. Diante deste contexto, a implantação de sistemas de gestão da qualidade e a certificação, no Brasil, ocorreram em função das exigências do mercado externo (PERETTI; ARAÚJO, 2010). Segundo Berthier (2007), empre- sas que se preocupam com a qualidade e segurança de seus produtos, prospectam para si uma reação em cadeia, obtendo, portanto, o aumento da competitividade, diminuição de retrabalho, desperdícios e, consequentemente, redução de custos. O conceito de qualidade é extremamente amplo, porém, além de atender a satis- fação do consumidor em relação aos atributos de sabor, aparência, preço, entre outros, U N IC ES U M A R 67 a ingestão do alimento deverá consistir em um ato seguro (BERTHIER, 2007). O quesito segurança, por sua vez, incide na proteção e preservação da saúde humana, frente aos possíveis riscos e perigos acarretados pela ingestão de alimentos. Estes não devem causar dano ao consumidor, quando preparado e consumido, de acordo com o seu uso intencional. Dessa forma, a segurança do alimento contará com o gerenciamento dos riscos e perigos (BERTHIER, 2007; PERETTI; ARAÚJO, 2010). Apesar das indústrias e dos órgãos reguladores almejarem a produção e os sistemas de processamento que garantam a segurança dos alimentos, a isenção de riscos é impraticável (FOOD INGREDIENTS BRASIL, 2008). Assim, a gestão de riscos consistirá em determinar “como” e “em até que nível” a exposição ao risco deverá ser gerenciada, pois o conhecimento sobre o risco e seus efeitos à saúde é essencial para a segurança da saúde pública, enquanto que a gestão de perigos envolverá “o quê” necessita ser gerenciado para garantir a saúde do consumidor (PERETTI; ARAÚJO, 2010). Dessa forma, as ações que visam o alcance da segu- rança alimentar, necessitam ser aplicadas à toda a cadeia de produção do alimen- to, até o consumidor, requerendo-se, para tanto, a integração das ferramentas da qualidade, de modo a facilitar a comunicação dos distribuidores de alimentos e autoridades reguladoras (FOOD INGREDIENTS BRASIL, 2008). Diante deste contexto, em 1963, o Codex Alimentarius, um fórum interna- cional de normalização de alimentos estabelecido pela Food and Agriculture Organization (FAO) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS), estabele- ceu diretrizes, visando aos aspectos higiênicos-sanitários dos alimentos, com a finalidade de proteger a saúde pública e assegurar as práticas equitativas no comércio (BERTHIER, 2007). Segundo Forsythe (2002), a segurança microbio- lógica dos alimentos poderá ser assegurada pelo controle dos fornecedores, pelo desenvolvimento adequado do produto, controle de processo e pela aplicação das ferramentas de qualidade, em geral. Sendo assim, pode-se dizer que os fato- res de segurança alimentar necessitam ser aplicados à toda a cadeia alimentícia, havendo uma grande necessidade da integração das ferramentas de qualidade. As ferramentas de gestão da qualidade são criadas e implantadas, visando, prin- cipalmente, à produção de alimentos seguros. Desse modo, atender às expectativas e anseios dos consumidores, contempla as exigências de comercialização, propor- ciona a diminuição de custos, redução de perdas, otimização da produção, entre outros benefícios (BERTHIER, 2007; FOOD INGREDIENTS BRASIL, 2008). Segundo o Ofício Circular n.º 07 DILEI/CGI/DIPOA/2009 do Ministério da Agricultura, Pecuária e abastecimento, passou-se a sugerir um conjunto unificado U N ID A D E 3 68 de observações para auditorias de produtos de origem animal, fazendo com que os programas relativos a qualidade, como as Boas Práticas de Fabricação (BPF), Pro- cedimentos-padrão de Higiene Operacional (PPHO) e Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) que já eram cobrados, passassem, agora, a fazer parte de Programas de Autocontrole (PACs). Com a mudança, todos os nove pontos abor- dados no Procedimentos-padrão de Higiene Operacional (PPHO), tornaram-se elementos de inspeção e Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), juntamente a alguns novos itens a serem controlados (CRUZ, 2019, on-line)19. Assim, podemos definir PACs como um conjunto de boas práticas, utilizadas nas diversas áreas funcionais da empresa para obter, de forma eficaz e duradoura, a qualidade pretendida para um produto. Dessa forma, podemos dizer que os PACs são ferramentas de gerenciamento, voltadas para a qualidade de todo o processo e,portanto, devem contemplar todos os segmentos. Atualmente, são uma exigência na inspeção de produtos de origem animal, sendo ferramenta fundamental para o auxílio das atividades de inspeção (AMARAL, 2010). Manual dos Programas de Autocontrole (Manual dos PACs) Em 2017, a nova norma Interna DIPOA/SDA n.º 01 foi publicada, modifican- do a maneira de utilização dos PACs descrita no Ofício Circular n.º 07/2009, mencionado anteriormente. Os elementos de inspeção foram mantidos, porém reorganizados e passaram a ser chamados de elementos de controle. Além disso, a nova norma aprovou a adoção de manuais de procedimentos e modelos de formulários a serem utilizados pelos estabelecimentos de produtos de origem animal, registrados (SIF) ou relacionados junto ao DIPOA/DAS. Agora, passam a estabelecer as frequências e as amostragens mínimas que devem ser utilizadas para os processos de inspeção e fiscalização, in loco ou documental, dos auto- controles implantados nos estabelecimentos (CRUZ, 2019, on-line)19. O manual do programa de autocontrole foi estruturado, com o intuito de atribuir à empresa a responsabilidade de controlar todo o processo, por meio da descrição, implantação, monitoramento e verificação de todo o programa de autocontrole (CRUZ, 2019, on-line)19. Ele é um documento que deve ser ela- borado pelos responsáveis técnicos e prescrever os programas usados para o controle da qualidade e segurança dos produtos, que devem incluir medidas U N IC ES U M A R 69 de Boas Práticas de Fabricação, Procedimentos Padrão de Higiene Operacional (PPHO) e os Procedimentos Operacional Padrão (POP), o sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), entre outras ferramentas de gerenciamento (SANTA CATARINA, 2019). Figura 1 - Programa de autocontrole / Fonte: Tavares ([2020]). Dentre as principais ferramentas disponíveis, utilizadas para produção e serviços de alimentos, destacam-se as Boas Práticas de Fabricação (BPF), os Procedimen- tos Padrão de Higiene Operacional (PPHO) e os Procedimentos Operacional Padrão (POP), o sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), Gerenciamento da Qualidade (série da ISO 9000), Gerenciamento da Qualidade Total (TQM), entre outras (FORSYTHE, 2002; FOOD INGRE- DIENTS BRASIL, 2008; PERETTI; ARAÚJO, 2010). Berthier (2007) afirma que as BPF e o sistema APPCC são ferramentas, amplamente, recomendadas por órgãos fiscalizadores, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVI- SA) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e muito utilizadas em toda a cadeia produtiva de alimentos (BERTHIER, 2007). Desse modo, o manual dos Programas de autocontrole - PACs devem abordar, levando conta sua aplicabilidade no contexto da empresa, os seguintes tópicos: • Manutenção das instalações e equipamentos industriais. • Vestiários e sanitários. • Iluminação. • Ventilação. • Água de abastecimento. U N ID A D E 3 70 • Águas residuais. • Controle integrado de pragas. • Limpeza e Sanitização. • Higiene, hábitos higiênicos, treinamentos e saúde dos operários. • Procedimentos Sanitários das Operações. • Controle da matéria-prima, ingredientes e material de embalagem. • Controle de temperaturas. • Calibração e aferição de instrumentos de controle de processo. • Avaliação do Programa de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Con- trole (APPCC). • Controles Laboratoriais e Análises. • Controle de Formulação de produtos fabricados. Certificação dos produtos exportados (CRUZ, 2019, on-line)19. No documen- to, devem contar, também, as informações relativas à Identificação completa da empresa, classificação do estabelecimento e nome do responsável legal e do res- ponsável técnico. Cada um dos programas de autocontrole - PACs deve apresen- tar também: a descrição e os objetivos dos procedimentos, monitoramento das ações, ações preventivas e corretivas a serem tomadas, incluindo a destinação de produtos, quando for o caso, ações de verificação documental, referências, quando aplicável e o quadro com controle de revisões/versões com data (SANTA CATARINA, 2019). Os PACs, devem estar de acordo com os estabelecimentos e se adequar aos mercados a serem atingidos. Mais recentemente, em fevereiro de 2019, no seminário Boas Práticas de Fa- bricação e Autocontrole, promovido pelo MAPA e organizado pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) que ocorreu em Brasília, discutiu-se medidas para for- talecimento do uso de ferramentas para melhoria do autocontrole e as práticas de fabricação. Como resultado, a Portaria 24, assinada pela SDA em 21 de fevereiro de 2019, foi publicada com o objetivo de discutir a respeito das atividades necessárias para revisão e modernização dos procedimentos, formalizando, assim, o início das atividades do Comitê Técnico Permanente de Autocontrole (CRUZ, 2019, on-line)19. É fato que a legislação nacional está em constante modificação em relação às normas específicas do setor de alimentos e no que se refere aos programas de qua- lidade e à segurança alimentar. Diante deste contexto, as seções posteriores deste capítulo abordarão os pontos mais relevantes das Boas práticas de fabricação, dos procedimentos operacionais padrão e como efetuar os registros documentais que estão atualmente vigentes. Vamos começar? U N IC ES U M A R 71 Conforme discutimos, anteriormente, a qualidade higiênico-sanitária dos ali- mentos é um fator de segurança alimentar, já que alimentos contaminados podem veicular doenças como consequência do preparo, manipulação e acondiciona- mento inadequado de tais alimentos (COSTA et al., 2012). Dessa forma, todos os estabelecimentos ligados ao ramo alimentício deverão obedecer às exigências e padrões previstos na legislação vigente, baseando-se, principalmente, em Boas Práticas de Fabricação e de Higiene (DEVIDES; MAFEI; CATANOZI, 2014). Mas, afinal, você já parou para pensar o que são as Boas Práticas de Fabricação e de Higiene? Que tal entendermos juntos estes conceitos? Então, vamos lá? Importância das Boas Práticas de Fabricação (BPF) na cadeia produtiva de alimentos De acordo com Forsythe (2002), as Boas Práticas de Fabricação (BPF) abordam um conjunto de princípios, procedimentos e meios fundamentais que propiciam a produção de alimentos com qualidade, enquanto que as Boas Práticas de Higie- ne (BPH) descrevem medidas básicas de higiene, que deverão ser adotadas pelos estabelecimentos. Ainda, segundo o autor, de maneira geral, as BPF e de BPH abordam instalações que favoreçam a higiene; a utilização higiênica e apropria- da de máquinas; procedimentos adequados de limpeza e desinfecção; práticas 2 BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO (BPF) U N ID A D E 3 72 Você sabia que, no Brasil, existem diversos registros de doenças e, até mesmo, óbitos relacionados à ingestão de alimentos? Percebeu, agora, a importância dos alimentos se- guros? Pense nisso! pensando juntos higiênicas e de segurança alimentar, que envolvem a matéria-prima e cada etapa do processo, higiene do pessoal, entre outros fatores. Boas Práticas de Fabricação (BPF) A qualidade e a segurança dos alimentos poderão ser atingidas, por meio da implantação de programas, que visem essas práticas, dentre as quais destaca-se o Programa de Boas Práticas de Fabricação (BPF). As Boas práticas de Fabrica- ção consistem em um conjunto de medidas a serem adotadas pelas indústrias alimentícias com o intuito de garantir a qualidade sanitária, a integridade e a conformidade dos alimentos com os regulamentos técnicos. Para tanto, segundo Machado (2012), conta com um conjunto de princípios e regras ao se manipular alimentos que se estende desde as matérias-primas até o produto final obtido. Ainda, de acordo com a autora, as BPF fundamentam-se nas práticas de exclusão, redução e/ ou inibição de qualquer tipo de perigo ao alimento. No Brasil, as BPF são regidas por normativas e legislações, tanto no âmbito federal como estadual e municipal. Em 1993, publicou-sea Portaria n. 1428, de 26 de novembro de 1993, do Ministério da Saúde. Ela estabeleceu as diretrizes para a adoção de Boas Práticas de Fabricação (BPF) e da Análise dos Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC). Em 1997, as BPF tornaram-se obrigatórias para a produção industrial de alimentos, a partir da publicação da Portaria n. 326, de 30 de junho de 1997, do Ministério da Saúde, e da Portaria n. 368, de 4 de setembro de 1997, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que regulamenta as condições higiênico-sanitárias e as Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Industrializadores de Alimentos. Posteriormente, outros decretos, resoluções e normativas foram publicadas, a fim de estabelecer os procedimentos de BPF. À exemplo disso, têm-se as seguintes resoluções: U N IC ES U M A R 73 1. Resolução n. 275, de 21 de outubro de 2002, da Agência Nacional de Vigi- lância Sanitária (ANVISA): Dispõe sobre o Regulamento Técnico de Pro- cedimentos Operacionais Padronizados, aplicados aos Estabelecimentos Produtores/ Industrializadores de Alimentos e a Lista de Verificação das Boas Práticas de Fabricação em Estabelecimentos Produtores/ Industria- lizadores de Alimentos. 2. Resolução n. 10, de 22 de maio de 2003, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA): Instituiu o Programa Genérico de Procedimento Padrão de Higiene Operacional (PPHO), a ser utilizado nos Estabelecimentos de Leite e Derivados que funcionam sob o regime de Inspeção Federal, como etapa preliminar e essencial dos Programas de Segurança Alimentar do tipo APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle). 3. Resolução n. 216, de 15 de setembro de 2004, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA): Dispõe sobre Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação. Esta resolução, no entanto, passou por alterações e, agora, vigora a Resolução da diretoria colegiada, Resolução n. 52, de 29 de setembro de 2014. Principais elementos considerados nas Boas Práticas de Fabricação (BPF) Conceitua-se as Boas Práticas de Fabricação (BPF) como medidas necessárias, asseguradas pelos serviços de alimentação, a fim de garantir a qualidade e integri- dade do produto, seguindo padrões sanitários, conforme regulamentos técnicos (BRASIL, 2014). De acordo com Machado (2012), as Boas Práticas de Fabricação (BPF) podem ser divididas em seis elementos, conforme apresentamos a seguir. O primeiro elemento refere-se à fábrica (ambiente interno) e às imediações (ambiente externo). O ambiente interno, deverá ser administrado de modo a preve- nir contaminações do produto alimentício, enquanto que o meio ambiente externo deverá ser mantido livre de pragas, além dos resíduos serem apropriadamente iso- lados e removidos do local. Por fim, é necessário ainda que o local de produção e ou serviço, seja projetado de maneira a facilitar e propiciar as condições sanitárias ideais de processamento, embalagem e acondicionamento (MACHADO, 2012). http://www.fooddesign.com.br/arquivos/legislacao/Resolucao%20RDC%20216_15%20setembro%202004.pdf http://www.fooddesign.com.br/arquivos/legislacao/Resolucao%20RDC%20216_15%20setembro%202004.pdf U N ID A D E 3 74 O segundo elemento refere-se ao pessoal, sendo este elemento considerado o mais importante, uma vez que as BPF são de responsabilidade de todos os colaboradores, por isso, devem engajar-se para o êxito das BPF, uma vez que o planejamento, a implantação, o controle e a manutenção efetiva dependem destes profissionais. Para tanto, a empresa deverá fornecer um treinamento prévio aos seus colaboradores, abordando a manipulação de alimentos, programas de saúde e higiene pessoal, entre outros temas, capazes de contribuir para que se alcance a qualidade do alimento. Além disso, tais treinamentos deverão ser realizados periodicamente (MACHADO, 2012). O terceiro elemento refere-se à limpeza e à sanitização de instalações, equi- pamentos e utensílios, de forma a mantê-los apropriados para uso. Assim, pro- cedimentos de limpeza e sanitização (estabelecimento do produto químico a ser utilizado, qual a concentração e em qual frequência serão realizados) deverão ser elaborados de forma padronizada, além de serem documentados e fielmente obedecidos (MACHADO, 2012). O quarto elemento refere-se aos equipamentos, instalações e utensílios. Estes deverão ser adequados à planta de processamento, além de serem de fácil pro- cesso de higienização. Diante desse contexto, as instalações deverão ser dotadas de paredes e pisos de cores claras e de fácil drenagem de água; os equipamen- tos deverão ser instalados de forma a evitar contaminações cruzadas e receber manutenção e calibração de maneira preventiva, visando a minimizar riscos à segurança do alimento (MACHADO, 2012). O quinto elemento refere-se aos processos e controles, que incluem os dispo- sitivos manuais e automáticos para controle de atributos e parâmetros, além de procedimentos utilizados para controle destes dispositivos (MACHADO, 2012). Por fim, o sexto elemento, refere-se ao elemento de armazenamento e distribui- ção dos produtos alimentícios. O armazenamento deverá ser realizado em local apropriado, de forma a proteger a sua integridade e qualidade, enquanto que a distribuição deverá estar livre de ameaças de pragas e poluição ambiental (MA- CHADO, 2012). De acordo com AKUTSU et al. (2005), a aplicação destas normas engloba tudo o que é relacionado aos processos de produção do alimento, desde utensílios e materiais utilizados até a distribuição do produto final. U N IC ES U M A R 75 Manual de Boas Práticas de Fabricação O manual é um documento de grande importância para empresas do ramo de alimentação. Nele, devem conter os processos e atividades reais realizadas na empresa, as informações sobre a parte estrutural e sanitária do local, como são realizados procedimentos de higienização de matéria-prima, equipamentos, e do estabelecimento, abastecimento de água, controle de pragas e vetores, higiene e saúde dos manipuladores. Todos estes requisitos visam a estabelecer a segurança e qualidade do produto, além de promover a segurança alimentar do consumidor e estar de acordo com os padrões da legislação vigente, a Resolução n. 216, de 15 de setembro de 2004 (PERETTI; ARAÚJO, 2010). A Resolução n. 216, também, estabelece, de forma obrigatória, a criação de Procedimentos Operacionais Padronizados, documentos que organizam de for- ma descritiva etapas que devem ser seguidas em operações de manipulação de alimentos. Outra especificação da normativa refere-se aos registros, estes devem estar de acordo com o conceito do Manual e POPS (MACHADO, 2012). Com relação aos Procedimentos Operacionais Padronizados, é necessária a implementação de, pelo menos, um material referente a cada item, a saber: um sobre processos de higienização das instalações, equipamentos e móveis, um so- bre higienização do reservatório de água, um sobre controle de vetores e pragas urbanas e outro sobre a higienização e saúde do manipulador (BRASIL, 2004), que veremos com mais detalhes a seguir. O Manual de boas práticas de fabricação é um material único e seus princí- pios devem seguir a realidade de cada local em que é elaborado. Dessa forma, ele é uma ferramenta individual, que segue sua estrutura de acordo com o funciona- mento e os procedimentos executados pela empresa. Outro ponto relevante é que o manual esteja ao alcance da equipe e que ela esteja apta a aplicar os conceitos oferecidos por esse instrumento (VERGARA, 2016). A elaboração do Manual é de competência de um responsável técnico, capacitado, que possua habilitação para trabalhar no setor de produção de alimentos (SILVA et al. 2015). Normalmente, esta prática é realizada por especialistas na área de controle de qualidade de alimentos, ou seja, os responsáveis técnicos pelo manual (CHAVES et al., 2006). Sendo assim, o passo inicial para a implantação do Programa de Boas Práticas de Fabricaçãoe a construção do seu manual é avaliar as atuais condições da empresa e, a partir deste ponto, definir as decisões a serem tomadas, tanto nos as- pectos físico-estruturais como processos e comportamentais (CHAVES et al. 2006). U N ID A D E 3 76 Agora que você adquiriu conhecimentos sobre as BPF, podemos abordar e com- preender os procedimentos operacionais, em espacial, os Procedimentos de Higiene Operacional (PPHO) e o Procedimento Operacional Padrão (POP), adotados pela indústria alimentícia. Vamos começar? Procedimento Padrão de Higiene Operacional (PPHO) De acordo com a Resolução n. 10, de 22 de maio de 2003, do Ministério da Agri- cultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o Procedimento Padrão de Higiene Operacional (PPHO) constitue-se como uma extensão do Regulamento Técnico sobre as Condições Higiênico-sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Elaboradores/Industrializadores de Alimentos, aprovado pela Portaria n. 368/97. O Plano PPHO é um compromisso da empresa com a higiene e consiste em procedimentos descritos, implantados e monitorizados, que defi- nem o estabelecimento de ações rotineiras na indústria, visam à eliminação e/ ou redução de contaminação (direta ou cruzada) e à não adulteração do produto, preservando, dessa maneira, sua qualidade e integridade, por meio da higiene. Dessa forma, recomenda-se a adoção de programas de monitorização, registros, ações corretivas e aplicação constante de check-lists (BRASIL, 2003). 3 PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS U N IC ES U M A R 77 POP x PAC Procedimento Operacional Padrão ou mais conhecido como POP se refere à descrição de procedimentos por meio de instruções, técnicas e operações, visando à proteção do produto final e da segurança dos manipuladores. O Programa de Autocontrole ou PAC, por sua vez, refere-se a programas descritos, utilizados como instrumento para o geren- ciamento de todo o processo, visando à qualidade. Fonte: adaptado de Santa Catarina (2019). explorando Ideias O plano PPHO é estruturado, a partir de 9 pontos básicos, a saber: segurança da água, higiene das superfícies de contato com o produto, prevenção da contaminação cruzada, higiene pessoal dos colaboradores, proteção contra contaminação do produ- to, identificação e estocagem adequadas de substâncias químicas e de agentes tóxicos, saúde dos colaboradores, controle integrado de pragas e registros (BRASIL, 2003). Procedimentos Operacionais Padronizados (POP) Na Resolução n. 275, de 21 de outubro de 2002, é apresentado um regulamento para os Procedimentos Operacionais Padronizados (POP), aplicados aos estabelecimen- tos produtores/industrializadores de alimentos. Ainda, de acordo com essa Reso- lução, os POPs são procedimentos escritos, objetivamente, e de forma sequencial, afim de estabelecer ações rotineiras e específicas para a produção, armazenamento e transporte de alimentos (BRASIL, 2002). Dessa forma, recomenda-se o desenvol- vimento, a implementação e a manutenção de cada POP para os seguintes casos vinculados a produção de alimentos: higienização das instalações, equipamentos, móveis e utensílios, controle da potabilidade da água, higiene e saúde dos manipula- dores, manejo dos resíduos, manutenção preventiva e calibração de equipamentos, controle integrado de vetores e pragas urbanas, seleção das matérias-primas, ingre- dientes e embalagens, programa de rastreabilidade e recolhimento de alimentos. Os POPs deverão ser aprovados, datados e assinados pelo responsável técnico, operacional e legal. Além disso, a frequência das operações, o nome ou o cargo/ função do responsável pela execução deverão estar especificados em cada POP (BRASIL, 2002). Agora que você foi capaz de compreender o que são os POPs e para que estes servem de fato, poderemos conhecê-los mais detalhadamente. Preparados(as)? Então, vamos começar! U N ID A D E 3 78 Abrangência dos principais POPs A seguir, breve detalhamento dos principais POPs, relacionados à manipulação e produção de alimentos. Higienização das instalações, equipamentos, móveis e utensílios: 1 Controle da potabilidade da água:2 Higiene e saúde dos manipuladores: 3 nesse POP, são estabelecidos procedimentos em relação aos hábitos higiênicos e ao uso de uniformes, exames laboratoriais, uso do equipamento de proteção individual (EPI), como luvas, máscaras, óculos, aventais, entre outros (ARAÚJO et al., 2018). Manejo dos resíduos: 4 U N IC ES U M A R 79 Manutenção preventiva e calibração de equipamentos: 5 nesse caso, o POP de manutenção e calibração de equipamentos deverão descrever os procedimentos referentes à manutenção e calibração de cada um dos equipamentos e instru- mentos envolvidos no processo produtivo, destacando- se, ainda, a frequência em que esse procedimento deverá ser realizado e o responsável em executar esta tarefa (BRASIL, 2007). Controle integrado de vetores e pragas urbanas: 6 Seleção das matérias-primas, ingredientes e embalagens: 7 Programa de rastreabilidade e recolhimento de alimentos: 8 U N ID A D E 3 80 Agora que você compreendeu as BPF, os procedimentos operacionais e a impor- tância da gestão dos registros documentais para a produção de alimentos seguros, podemos iniciar a compreensão de outras ferramentas, que visam à produção de alimentos seguros. Vamos começar? Espero que esteja preparado(a)! Importância dos registros documentais Considerando as exigências de mercado e das legislações, todas as Indústrias pro- dutoras de alimentos, como sugere o Programa de Autocontrole (PAC), devem estabelecer rotinas de fiscalização interna, como parte do controle de qualidade, bem como a fiscalização in loco pelos órgãos de inspeção, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária por meio de auditorias (PEREIRA et al., 2015). Os órgãos fiscalizadores auditam as empresas, por meio de documentos contemplados nas normativas mencionadas, usados como ferramentas de avaliação, a fim de observar se os procedimentos estão ou não de acordo com o previsto (PEREIRA et al., 2015). As auditorias utilizam duas ferramentas básicas: (I) Análise documental, esta faz a avaliação e o monitoramento dos documentos, quanto ao preenchimento/ registro, e (II) Análise in loco, que averigua a veracidade das informações des- critas nos documentos. Tanto o monitoramento documental quanto a análise in loco devem contemplar as informações: 4 REGISTROS DOCUMENTAIS U N IC ES U M A R 81 ■ Objeto monitorado ou verificado. ■ Como foi realizado o seu monitoramento/verificação. ■ Quem realizou o monitoramento/ verificação. ■ Periodicidade dos monitoramentos/ verificações (AMARAL, 2010). Segundo a legislação brasileira, todos os elementos descritos no programa de controle devem ser verificados in loco, pelo menos uma vez por ano, pelo Servi- ço Oficial. O registro das não conformidades nos formulários documentais não isenta a empresa de adoção de outras ações fiscais ou administrativas, quando couberem (AMARAL, 2010). Os registros documentais são o meio pelo qual as empresas comprovam a implantação de um sistema de gestão, servem como con- firmação de que as ações planejadas acontecem de fato, garantindo que o sistema de gestão não seja, apenas, descrição de procedimentos, mas esteja, efetivamente, atuante (PAULA, [2020], on-line)20. Desse modo, esses registros precisam ser alocados, sempre, em local protegi- do, com uma identificação clara para facilitar sua busca, quando assim precisar, mesmo que de forma digital; eles devem, sempre, estar bem identificados e sepa- rados para facilitar seu acesso em caso de ocorrer em uma auditoria, fiscalização, reclamação de cliente ou, até mesmo, diante de uma não conformidade interna (PAULA, [2020], on-line)20. Já conhecemos a importância dos registros, mas como devemos fazer o re- gistro de um documento? O primeiro passo de nosso registro é definir qual será a periodicidade dos documentos e onde deverão ser guardados, protegidos e identificados,de forma que, caso necessitem ser consultados, estejam de fácil acesso. Além disso, definir códigos e monitorar as revisões dos formulários é fundamental para manter a organização dos registros. Não podemos nos esque- cer que todo formulário não é, apenas, um registro, mas é, acima de tudo, um documento (PAULA, [2020], on-line)20. Vale destacar que todos os envolvidos no processo devem estar cientes e trei- nados para o correto preenchimento do documento, uma vez que, geralmente, esse tipo de registro é preenchido, manualmente, pelos colaboradores (PAULA, [2020], on-line)20. A seguir, temos um exemplo de tabela utilizada para registro, que serve como guia para proceder o armazenamento e recolhimento dos regis- tros (PAULA, [2020], on-line)20. U N ID A D E 3 82 SE TO R CO RR ES PO N D EN TE – E X: S IS TE M A D E G ES TÃ O D A Q U AL ID AD E Id en tifi ca çã o do R eg is tr o Lo ca l d e Ar m az en a- m en to Fo rm a de pr ot eç ão Re cu pe ra çã o Te m po d e re te nç ão D es ca rt e em a rm az e- na m en to D es ca rt e fin al Có di go Tí tu lo FR - S G Q - 01 At a de re un iã o. Co m pu ta - do r- S er vi - do r, Pa st a SG Q . Pa st a em se rv id or co m s en ha , be ck up d iá - rio e a ce ss o re st rit o a TI e co la bo ra do - re s SG Q . O rd en ad o po r d at a de en tr ad a. D oi s an os . D oi s an os em p as ta de a rq ui vo m or to , e m se rv id or co m b ek up di ár io . El im in aç ão do s er vi do r (s hi t d el ), de po is d e qu at ro an os . Tabela 1 - Modelo de documento de verificação para armazenamento e recolhimento dos registros / Fonte: adaptado de Paula ([2020], on-line)20. U N IC ES U M A R 83 ■ Nas colunas de identificação de registro devem ser inseridas as identifi- cações referentes ao documento que serviu de registro. ■ O campo local de armazenamento deverá indicar onde o registro fica guardado. Aqui, é interessante ser o mais específico possível, se o arma- zenamento ocorrer no sistema, é importante mencionar se o armazena- mento ocorre em um servidor, nuvem ou qualquer outra forma. ■ A proteção é o tipo de estratégia usada para proteger os registros, pode ser na forma de senhas, armários com chave etc. ■ A recuperação é como os registros devem ser ordenados, se por datas ou de alguma forma que facilite a sua busca depois. ■ O tempo de retenção, por sua vez, diz respeito ao período pelo qual os registros ficarão armazenados. O período de armazenamento dependerá do tipo de registro, mas de maneira geral, é comum que estes sejam arma- zenados durante o mesmo tempo de validade dos produtos da empresa. ■ O descarte em armazenamento é o descarte inicial, em que os registros ainda ficam passíveis de resgate, caso necessite. ■ E, por fim, o descarte final é o processo pelo qual os documentos são, completamente, eliminados dos registros, não sendo mais possível seu resgate. Assim, a definição desse tempo é muito importante. A partir destas definições, é possível o gerenciamento dos registros documentais, contudo é necessário, sempre, fazer a conferência do andamento dos registros, evitan- do, assim, o armazenamento desnecessário de arquivos (PAULA, [2020], on-line)20. U N ID A D E 3 84 CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), chegamos ao fim da terceira unidade, nela, conhecemos a se- gurança dos alimentos e os conceitos fundamentais para garantia da segurança de alimentos. Inicialmente, observamos o que é a Gestão da Qualidade, a sua relevância para a produção de alimentos seguros e as ferramentas da qualidade. Na sequência, entendemos como se faz o gerenciamento e qual a sua im- portância no âmbito das legislações. Ficamos a par de algumas das legislações vigentes para alimentos e aprendemos como essas se inserem no contexto legal. Conhecemos o que são os programas de autocontrole e, mais adiante, vimos com mais detalhes seus componentes. Fomos, também, apresentados ao que são e a importância das Boas Práticas de Fabricação (BPF) para a produção e mani- pulação de alimentos. Além disso, conhecemos e entendemos o que são e para que servem os Procedimentos de operacionais padronizados, adotados pelas indústrias e processadores de alimentos Por fim, terminamos nossa unidade, aprendendo como devem ser feitos os registros documentais e qual sua importância na produção de alimentos seguros, como se fazer um registro e quais etapas merecem atenção prioritária durante o processo. Na unidade seguinte, continuaremos nossa descoberta e descobriremos como é feito o gerenciamento e quais as ferramentas da qualidade usadas pelo segmento alimentício. 85 na prática 1. Sobre as boas práticas de fabricação, assinale verdadeiro (V) ou falso (F): ( ) As normas abordadas pelo Manual de Boas práticas de fabricação englobam apenas a produção dos alimentos, excluindo armazenamento e distribuição do produto final. ( ) As Boas práticas de Fabricação possuem o intuito, apenas, de garantir que os alimentos estejam em conformidade com os regulamentos técnicos. ( ) A elaboração do Manual é de competência de um responsável técnico e capaci- tado, que possua habilitação para trabalhar no setor de produção de alimentos. Assinale a sequência correta: a) V, V e F. b) V, F e F. c) F, F e V. d) F, V e F. e) V, V e V. 2. O procedimento Operacional Padrão (POP) consiste em um procedimento escrito de forma objetiva que estabelece instruções sequenciais para a realização de de- terminadas operações. Dentre os diversos procedimentos escritos, vinculados à produção de alimentos, cite ao menos cinco. 3. No que consiste as Boas Práticas de Fabricação? 4. Qual a diferença entre o Procedimento Operacional Padrão (POP) e o Programa de Autocontrole (PAC)? 5. Cite quais são os pontos que o manual dos Programas de autocontrole - PACs deve abranger prioritariamente. 86 aprimore-se SALA LIMPA: IMPORTÂNCIA DA LIMPEZA NA INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA A operação “Carne Fraca” comandada pela Polícia Federal, abriu um amplo debate sobre a segurança alimentar no Brasil. Embora os cuidados com a higiene, a con- servação e a manipulação dos alimentos não seja algo novo, a venda de carne adul- terada por frigoríficos fez com a população fique mais atenta aos rótulos e a proce- dência dos alimentos. Mas o que é a segurança alimentar? Para que os alimentos cheguem ao mercado e possam ser consumidos de forma sau- dável, é preciso afastar uma série de riscos, que podem ter origem biológica, química ou física. Fungos, bactérias, vírus, pedaços de metal, plástico ou cacos de vidro, pre- sença de componentes como metais pesados, agrotóxicos, antibióticos e hormônios podem colocar em risco a saúde humana. Por esse motivo, a segurança alimentar estabelece uma série de normas específicas, voltadas à produção, transporte e arma- zenamento de alimentos visando mantê-los adequados ao consumo. De certa forma, a maior parte dessas regras é internacionalizada para que atenda não somente às condições sanitárias, mais também as comerciais que envolvem a alimentação. Normas Para garantir a implementação da segurança alimentar no mundo, uma série de normas são aplicadas pela indústria. Algumas das principais são: • HACCP: O sistema APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle), que vem da sigla original em inglês HACCP (Harzad Analisys and Critical Control Points), teve sua origem na década de 1950 na Grã Bretanha. Trata-se de uma das principais normas de segurança alimentar que dispõe sobre todas as etapas do processo de produção industrial. 87 aprimore-se • BRC para a segurança de alimentos: A Norma Global BRC para Segurança de Alimentos – publicada originalmente em 1998 - está, agora, em sua sétima versão. A norma é voltada aos fabricantes de alimentos e contém requisitos para um sistemade Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle de acordo com o Codex Alimen- tarius, um sistema de gestão de qualidade e controle documentado de normas, pro- dutos, processos e pessoas do ambiente fabril. • FSMA- Food Safety Modernization Act: O Food Safety Modernization Act - FSMA (Lei de Modernização da Segurança de Alimentos, em tradução livre) do FDA é uma lei assinada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em 04 de janeiro de 2011, que também vem sendo utilizada com referência pela indústria mundial. Segurança alimentar: uma questão dinâmica na indústria Mesmo que a indústria e os órgãos reguladores trabalhem para que a produção e o processamento garantam alimentos saudáveis e seguros, a inexistência de riscos é praticamente uma utopia. Por isso, é preciso encarar a implementação da seguran- ça alimentar como um processo dinâmico, que envolve não apenas toda a cadeia de produção, como, também, fornecedores, agricultores e até consumidores. A crescente preocupação com a segurança alimentar vem gerando novas meto- dologias de fiscalização, visando sempre à prevenção. Por isso, é preciso estar aten- to e implementando constantes mudanças para atender as normas de regulação e promover uma relação de confiança com o consumidor. E aí, depois que conhecer um pouco mais das medidas de segurança alimentar, quais você considera imprescindível para a indústria? Fonte: Fispal Tecdigital (2019, on-line)21. 88 eu recomendo! Manual de Segurança Alimentar: Boas Práticas para os Serviços de Alimentação Autor: Clever Jucene Editora: Rúbio Sinopse: o Manual de Segurança Alimentar: Boas Práticas para os Serviços de Alimentação traz uma série de conteúdos com o objetivo de atualizar e harmonizar o leitor com as exigências da legislação atual, ampliando seu contato com as exigências da legislação. livro Manual de BPF, POP e Registros em estabelecimentos alimentícios Autor: Clever Jucene Editora: Rúbio Sinopse: : o livro “Manual de BPF, POP e Registros em estabele- cimentos alimentícios” apresenta a legislação sanitária, aplicável aos estabelecimentos alimentícios vigente. Apresenta, também, quais as exigências a serem cumpridas para que seja garantida a produção e o fornecimento de alimentos de maneira segura, tanto pelas indústrias alimentícias quanto pelos serviços de alimentação, englobando diversos aspectos do processo de manipulação e preparo de alimentos. livro Secretaria de Estado da Educação do Paraná e a Superintendência de Desenvolvi- mento Educacional: POP 5 - Coleta de amostras de alimentos. O vídeo da Secretaria de Estado da Educação do Paraná e a Superintendência de De- senvolvimento Educacional, por meio da Coordenação de Alimentação e Nutrição Es- colar, trazem informações de como deve ser realizada a coleta de amostras, seguindo as recomendações do procedimento padrão operacional descrito na legislação. https://www.youtube.com/watch?v=6uEWmBJLd5U conecte-se anotações 4 GERENCIAMENTO E FERRAMENTAS DA QUALIDADE para produção de alimentos seguros PROFESSORES Dra. Laura Adriane de Moraes Pinto Me. Fernanda de Oliveira Tavares PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Análise dos Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) • Sistemas de Gerenciamento: Série ISO • Normativas para Certificação de Sistemas de Segurança de Alimentos. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Conhecer o sistema de Análise dos Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC). Entender os princí- pios envolvidos nesse sistema e sua importância na produção de alimentos • Conhecer as normativas da série ISO (9000, 14000 e 22000) e os requisitos mínimos a serem adotados para obtenção da certifi- cação. Entender a importância de tais normativas para a produção de alimentos seguros e satisfação de clientes • Conhecer as normativas FSSC 220000 e a BRC para a certificação da segurança de alimentos. Entender os requisitos mínimos a serem adotados para obtenção da certificação. Compreender os benefícios trazidos diante da certificação. INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), na Unidade 1, abordamos os conhecimentos relacio- nados à produção de alimentos seguros. Foi possível obter uma visão pa- norâmica da importância de se produzir esses alimentos, no contexto da segurança alimentar; como evitar os perigos em alimentos e quais são os cuidados básicos envolvidos na sua manipulação. Na Unidade 2, abordamos conceitos importantes sobre o controle dos perigos ao se manipular alimentos; conhecemos os principais fatores a serem controlados para garantia de um alimento seguro, por exemplo, a importância da qualidade da água na produção de alimentos. Pudemos, também, conhecer os principais tipos de higienização aplicados na produ- ção de alimentos e compreender, ainda, a importância do desenho sanitário dentro das instalações. Na Unidade 3, adquirimos conhecimentos importantes sobre a Gestão da Qualidade e as ferramentas da qualidade; abordamos conceitos relevan- tes em relação às Boas Práticas de Fabricação (BPF), Boas Práticas Higiêni- cas (BPH), Programas de autocontroles (PAC´s), Procedimento Padrão de Higiene Operacional (PPHO) e Procedimento Operacional Padrão (POP). Nesta Unidade, abordaremos conceitos de extrema importância, atre- lados às Ferramentas de Gerenciamento de Segurança Alimentar. Assim, você será capaz de compreender de forma mais aprofundada a Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), conhecer os Sistemas de Qualidade em serviços de alimentação, as séries de padrões ISO (9000; 14000 e 22000), as normativas FSSC 22000 e BRC. Estas visam à certifi- cação de sistemas de segurança de alimentos. Preparado para iniciarmos nosso estudo? Vamos lá? Bons estudos! U N ID A D E 4 92 1 ANÁLISE DOS PERIGOS E PONTOS CRÍTICOS de controle (APPCC) A qualidade higiênico-sanitária é um fator de extrema importância para a segu- rança alimentar, pois os alimentos contaminados podem ser veículos de doenças. Por esse motivo, há a necessidade constante de aperfeiçoamento das ações de con- trole sanitário (AKUTSU et al., 2005). Para tanto, o Ministério da Saúde, dentro de suas competências, elaborou algumas portarias, consideradas como programas de garantia da qualidade, que tem por objetivo o estabelecimento de orientações e critérios para o monitoramento de cada etapa de produção do alimento. Nesse sentido, diversas ferramentas de gestão da qualidade podem ser amplamente utili- zadas, destacando-se as Boas Práticas de Fabricação (BPF), que vimos na unidade anterior e o Sistema de Análise dos Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), que abordaremos, detalhadamente, nessa aula (OLIVEIRA; COSTA, 2017). A utilização do sistema APPCC requer o uso simultâneo de ferramentas. Diante disso, as BPF são consideradas medidas referenciais à produção de normas regu- lamentadoras para a segurança dos alimentos e pré-requisito fundamental para a implantação do sistema de APPCC (AKUTSU et al., 2005). O sistema APPCC, por sua vez, adotado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) fundamenta-se em sete princípios básicos, que serão vistos mais adiante, conforme o modelo elaborado pelo Codex Alimentarius (2001). Segundo Oliveira e Costa (2017) esses princípios deverão ser, integralmente, respeitados, porém é aceitável uma flexibilização desta ferramenta em função de particularidades de cada empresa. U N IC ES U M A R 93 As Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA’s), geralmente, relacionam-se à ingestão de água ou alimentos contaminados. Os principais sintomas associados as DTA’s são náu- seas, vômitos e/ou diarreia. No Brasil, no ano de 2018, houve a notificação de 503 casos de surtos de DTA, com envol- vimento de 6.803 pessoas doentes. Deste número de pessoas, 731 foram hospitalizados e 9 óbitos foram registrados. Dentre os agentes etiológicos identificados como responsá- veispelos surtos confirmados laboratorialmente (80 surtos), destaca-se a Escherichia coli, representando um percentual de 27,5% dos surtos. Dos alimentos suspeitos identifica- dos, a água foi a principal responsável. Fonte: Brasil (2018). explorando Ideias Afinal, o que é o sistema APPCC e para o que ele serve? Estes questionamentos serão abordados ao longo dessa aula, de forma detalhada. Espero que você, ca- ro(a) aluno(a), esteja preparado para iniciarmos mais esta abordagem. Vamos lá? Definição da Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) Para melhor entendermos o APPCC, devemos relembrar o que são os perigos e a quais perigos os alimentos estão expostos. De acordo com Forsythe (2002) e Quintino e Rodolpho (2018), o perigo pode ser definido como qualquer agente biológico, químico ou físico presente nos alimentos, capaz de torná-lo impróprio ao consumo humano, pois pode ocasionar perda da qualidade e integridade do alimento, além dos efeitos adversos à saúde. Ainda, segundo os autores, um exem- plo de perigo biológico são os microrganismos, em geral, principalmente, aqueles considerados como patogênicos. Os químicos, por sua vez, poderiam ser citados os compostos e substâncias químicas, como venenos e metais, entre outros, eles podem ser encontrados na linha de produção ou no ambiente. Por fim, como perigo físico, poderíamos citar a presença de materiais estranhos ao produto, por exemplo, fio de cabelo, pedaços de papelão, entre outros. Agora que relembramos os perigos aos quais os alimentos encontram-se expostos, poderemos iniciar um estudo mais aprofundado sobre o APPCC, então, vamos lá! A Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) é um método sistemático, embasado na aplicação de princípios técnicos e científicos de pre- U N ID A D E 4 94 venção, que tem por finalidade garantir a inocuidade, desde aos processos de produção até o consumo dos alimentos. Este método permite uma avaliação sistemática que visa à identificação dos perigos e avalia a sua probabilidade de ocorrência, garantindo, assim, a segurança do alimento. Trata-se de um método iterativo, focado na prevenção de ocorrências e não, apenas, em testes de produto final. Porém, para o sucesso de sua implantação, requer-se comprometimento e envolvimento, tanto da alta gerência como da força de trabalho de todos os co- laboradores (FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001; FORSYTHE, 2002). De acordo com Telles (2018), o APPCC baseia-se em um campo da engenha- ria, conhecido por análise de falhas. Ao tomar como base observações prévias de uma dada etapa do processo, ele determina os possíveis problemas, suas prováveis causas e efeitos e, posteriormente, é possível estabelecer medidas de controle pre- ventiva. Ainda, segundo a autora, o APPCC é uma ferramenta de gerenciamento contínua da segurança do alimento, capaz de oferecer, de forma lógica e eficiente, o controle de perigos. Os princípios do APPCC, por sua vez, são aplicáveis a toda e qualquer atividade relacionada à produção alimentícia, no entanto um plano APPCC deverá ser elaborado, especificamente, para cada produto desenvolvido. O Codex Alimentarius, por sua vez, estabeleceu diretrizes para implantação do sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle. Essas diretrizes sãos referências para o atendimento das exigências internacionais de inocuidade de alimentos, trata-se de doze etapas associadas à implantação e aplicação do sistema APPCC. Destas, cinco são ditas preliminares e as sete etapas restantes, comumente conhecidas como princípios para a implantação do APPCC. Agora, você poderá conhecer cada uma delas com maiores detalhes. Vamos começar? Etapas preliminares do APPCC De acordo com o Codex, as cinco etapas preliminares necessárias para a implan- tação do sistema APPCC são: U N IC ES U M A R 95 Criação de uma equipe multidisciplinar: 1 é desejável o conhecimento técnico sobre o produto e o processo de produção do alimento. Isso pode ser alcançado por meio de uma equipe multidisciplinar. Em locais em que esses conhecimentos não estão disponíveis, busca-se por meio de aconselhamento de um pro�ssional habilitado (FORSYTHE, 2002). Além disso, o líder da equipe deverá passar por treinamentos (FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001). Descrição do produto: 2 deverá ser realizada uma descrição completa do produto que envolve desde a sua com- posição química e física até a sua validade, tipo de embalagem e condições de armazena- mento, entre outros fatores de suma importância para manter a inocuidade do alimento (FORSYTHE, 2002; TELLES, 2018). Descrição e identi�cação do uso pretendido: 3 de acordo com Forsythe (2002), o uso pretendido está atrelado ao uso esperado a que venha ter o produto em questão. A descrição do uso remete às informações, por exemplo, se o produto necessita passar por cocção ou se deve ser consumido gelado (TELLES, 2018), enquanto que a identi�cação refere-se o observação do público-alvo a qual o produto se destinará, ou seja, público de maneira geral ou um grupo particular e segmen- tado (adultos, crianças, bebês, enfermos, entre outros) (FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001). Elaboração de um �uxograma: 4 um �uxograma descritivo envolve todas as etapas do processo produtivo do alimente. Ele deverá ser construído sem negligenciar nenhuma etapa, que possa vir a ameaçar a segurança do alimento, e fornecer um esboço do processo produtivo, realçando a local- ização dos potenciais perigos (FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001). Con�rmação do �uxograma no local de processamento do alimento: 5 após a construção do �uxograma operacional, torna-se necessário a inspeção no local, para avaliar a concordância das operações descritas com o que de fato foi representado, por meio do �uxograma. Nesta etapa, é possível assegurar que o processo tenha sido identi�cado corretamente, caso contrário, ajustes serão necessários e realizados (FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001; TELLES, 2018). U N ID A D E 4 96 Os sete princípios envolvidos na implantação do sistema APPCC Após a realização das cinco etapas preliminares, conforme abordado anterior- mente, inicia-se a implementação do plano APPCC, com base nos sete princípios estabelecidos pelo Codex Alimentarius. Que tal conhecermos estes princípios de forma detalhada? Então, vamos começar? 1. Análise de perigos: os potenciais perigos deverão ser listados, analisa- dos e controlados, levando-se em consideração cada etapa do proces- so, descrita no fluxograma, desde as matérias-primas até o momento do consumo, além de considerar a probabilidade de ocorrência e severidade que possam causar à saúde. É válido salientar, ainda, que o perigo é re- sultante de falhas ou variações significativas no processo, enquanto que a severidade é considerada uma consequência dessas falhas ou variações. A identificação dos perigos conta com a experiência de membros da equi- pe, informações científicas e legislações vigentes, sendo os perigos, devi- damente, documentados e registrados (FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001; QUINTINO; RODOLPHO, 2018). De acordo com Telles (2018), deverá ser realizada uma análise de forma correta, pois a existência de erros, no ato da identificação dos perigos, poderá resultar em falhas no sistema de segurança dos alimentos. Assim, de acordo com Figueiredo e Costa Neto (2001) e Forsythe (2002), a análise do risco deverá levar em consideração os seguintes fatores: ■ A probabilidade de ocorrência do perigo, trata-se de é um risco, por isso, deve ser analisado quanto ao grau de importância para a saúde, no caso, determinando sua severidade e os efeitos adversos à saúde. ■ Avaliação qualitativa e quantitativa da presença do perigo, pois o conhecimento do perigo, isto é, sua origem, biológica, física e química, é essencial para o estabelecimento de medidas que visem a preveni-los. Desse modo, eles podem ser eliminados ou reduzidos a limites aceitáveis. Em casos de perigos biológicos, a capacidade de multiplicação e sobrevi-vência dos microrganismos deverá ser analisada. ■ Produção ou permanência dos perigos nos alimentos, neste caso, as medidas de controle deverão ser listadas. U N IC ES U M A R 97 2. Identificar os Pontos Críticos de Controle (PCC): a etapa de identi- ficação dos Pontos Críticos de Controle abrange qualquer etapa presente no fluxograma de produção, em que é possível aplicar medidas preventi- vas de controle aos perigos presentes. Além disso, para que seja conside- rado como um PCC, é essencial que se possa evitar, eliminar ou reduzir um perigo em níveis aceitáveis (TELLES, 2018). De acordo com Forsythe (2002), um PCC necessita ser quantificável, de forma que os limites e o monitoramento sejam mensurados e possam ser aplicados aos princípios seguintes, três e quatro. Os PCCs podem, ainda, ser subdivididos em duas categorias. Na categoria denominada de PCC1, encontram-se os PCCs primários, capazes de eliminar os perigos, enquanto que os PCC2 apresentam capacidade de apenas reduzir tais perigos. É válido salientar que um PCC não deverá ser confundido com um Ponto de Controle (PC). De acordo com a NBR ISO 22000:2006 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2006), os pontos de controle (PC) são pontos con- trolados, ao longo do processo, ou equipamento e visam à prevenção de desvios, enquanto o PCC refere-se a uma etapa essencial de controle que deverá ser apli- cada para prevenção, eliminação ou redução dos perigos em um limite aceitável, garantindo, assim, a segurança dos alimentos. Um processo poderá conter ou não PCCs, sendo de suma importância que, para cada perigo identificado, exista uma etapa de controle no processo. Nesse caso, é muito comum a utilização de árvores decisórias para a determinação de PCC (FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001; TELLES, 2018). A Portaria n. 46 do MAPA, de 10 de fevereiro de 1998 (BRASIL, 1998), descreve os principais ques- tionamentos a serem utilizados na aplicação da árvore decisória para a identifi- cação dos PCCs, conforme segue: ■ Existem medidas preventivas para o controle dos PCCs identificados? ■ A aplicação dessa etapa foi desenvolvida, especialmente, visando à eli- minação ou redução da ocorrência de um perigo em um nível aceitável? ■ O perigo identificado poderia ocorrer em níveis indesejáveis? ■ Existe uma etapa subsequente que poderá eliminar ou reduzir o perigo em níveis aceitáveis? U N ID A D E 4 98 3. Estabelecimento de limites críticos para cada PCC: os limites críticos estão associados à aceitação ou rejeição de um produto, separando, assim, os produtos seguros dos inseguros, pois, caso um limite crítico seja exce- dido, os produtos afetados são considerados potencialmente inseguros (ABNT, 2006). Para ponto crítico, deverá ser estabelecido um limite crítico para as medidas de controle dos PCCs, baseados em legislações, literatura científica, uso pretendido pelo consumidor, normas internas da empresa e outros dados relevantes. Além disso, tais limites críticos de controle deverão ser de fácil e rápida mensuração e permitir uma clara avaliação do controle do PCC (FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001; QUINTINO; RODOLPHO (2018); TELLES, 2002). 4. Estabelecer o monitoramento do PCC: o monitoramento dos pontos críticos de controle é estabelecido, visando a demonstrar que o ponto crítico está sob controle (ABNT, 2006). De acordo com Forsythe (2002), o monitoramento consiste em medir ou observar, de forma esquematizada, um PCC em relação aos seus limites críticos estabelecidos. Desse modo, os procedimentos de monitoramento deverão ser estabelecidos e ser ca- pazes de detectar perdas de controle do PCC, fornecendo informações em tempo hábil para correção da medida de controle. Além disso, Quintino e Rodolpho (2018), em seu trabalho, ressaltam a importância de, em tais procedimentos, estabelecer, de forma clara e objetiva, o que deverá ser monitorado; a sequência em que o monitoramento deverá ser realizado; o plano de amostragem a ser utilizado e os limites críticos estabelecidos bem como o responsável apto para a aplicação de técnicas e métodos estabelecidos (QUINTINO; RODOLPHO, 2018). Os métodos de controle deverão ser suficientemente rápidos para serem consi- derados efetivos. Assim, o sistema de monitoramento deverá permitir, sempre que possível, que ajustes sejam feitos antes que os limites críticos sejam excedi- dos. Diante deste contexto, medidas físicas e químicas são preferíveis aos testes microbiológicos por serem rápidas e por refletirem a condição microbiológica do produto (FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001). Dentre as principais formas de monitoramento, destacam-se a observação contínua e a utilização de ins- trumentos específicos de medidas, avaliação sensorial e análises laboratoriais (QUINTINO; RODOLPHO, 2018). U N IC ES U M A R 99 5. Estabelecimento de ações corretivas em casos de desvios: de acordo com Quintino e Rodolpho (2018), a ação corretiva visa a eliminar uma situação indesejável ou a causa de uma não conformidade detectada, as- sim, quando for constatado um desvio nos limites críticos estabelecidos, essas deverão ser aplicadas imediatamente. As ações corretivas deverão ser estabelecidas para cada um dos PCCs identificados no APPCC, ou seja, o que será feito com o produto considerado fora de controle e o porquê os PCCs estavam fora de controle. Poderão ser estabelecidos uma ou mais, se preciso, ações corretivas para a eliminação do perigo em um PCC. Dentre tais medidas, incluem-se uma nova calibração de equipamentos, reprocesso e rejeito de matéria-prima. Essas ações devem assegurar a identificação da causa da não conformidade, retomada do controle do PCC e a prevenção de uma provável re- corrência da (BRASIL, 1998; FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001; TELLES, 2018). 6. Estabelecimento de um procedimento de verificação: a verificação propicia a avaliação da efetividade das ações corretivas e do funciona- mento do APPCC como um todo (QUINTINO; RODOLPHO, 2018). Para tanto, métodos, procedimentos e testes de verificação poderão ser utilizados (FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001; TELLES, 2018). Os procedimentos de verificação auxiliarão na confirmação do controle dos PCCs, relacionados à segurança de alimentos. É possível realizar o julgamento se os PCCs estão ou não dentro dos níveis aceitáveis, em relação aos limites críticos estabelecidos, e refletir sobre as medidas de controle, observando a eficaz do monitoramento, das ações corretivas e dos registros. Nessa etapa, normas, revisão de limites críticos, aferição da calibração de equipamentos e instrumentos e análises, em geral, são observadas, visando averiguar se os princípios do sistema APPCC são cumpridos corretamente. Ao término da etapa de verificação, os resultados obtidos são registrados e comunicados à equipe de segurança de alimentos, a fim de serem analisados. Caso os dados coletados, na etapa de verificação, não estejam em conformidade com o planejado, será necessária a adoção de ações, visando o alcance da conformidade (BRASIL, 1998; 2006). Forsythe (2002) ressalta, ainda, que a verificação deverá ser conduzida, roti- neiramente, ou diante das seguintes situações: preocupação emergente sobre a segurança do produto; quando os alimentos forem veículos diretos de doenças alimentares; para confirmação de funcionamento do APPCC diante de modifi- cações e, por fim, para avaliar se o sistema APPCC requer alguma modificação. U N ID A D E 4 100 7. Estabelecimento de procedimentos de arquivamento de documentos e ma- nutenção de registros: todos os procedimentos do sistema APPCC deverão ser documentados, inclusive os registros das atividades de monitoramento dos PCCs e as ações corretivas promovidas devido aos desvios. Esses acar- retam modificações no sistema APPCC, por isso, o correto preenchimento dos registros é de grande importância para o funcionamento do sistema APPCC, e, portanto, devem ser mantidos para acompanhamento e revisões subsequentes (FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001;BARRETO, J. et al., 2013). Quintino e Rodolpho (2018) ressalta, ainda, que tais registros, reali- zados por meio de formulários, gráficos ou tabelas, deverão ser mantidos em arquivamento por no mínimo dois anos, após o vencimento do produto. Exemplo da aplicação do APPCC em uma indústria de biscoitos A seguir, apresenta-se um estudo de caso proposto no trabalho de Figueiredo e Costa Neto (2001) acerca da implantação do método APPCC para que você, caro(a) aluno(a), possa melhor compreender este assunto. Vamos lá? Uma determinada fábrica de biscoitos contou com uma equipe de trabalho, composta por quatro pessoas para implementação do sistema APPCC e das BPF. Uma das pessoas pertencia ao setor de fabricação e possuía conhecimento práti- co de todas as etapas de fabricação, relacionadas aos biscoitos. Duas das pessoas que formavam a equipe eram do setor de embalagens, conheciam muito bem os problemas específicos da área de empacotamento e possuíam conhecimentos de informática. Por fim, o quarto integrante da equipe de trabalho era o líder de pro- jeto, que apesar de não conhecer, especificamente, o processo de fabricação dos bis- coitos, possuía embasamento teórico, noções associadas à implantação do sistema APPCC e exercia a função integradora e empreendedora. Anteriormente ao início dos trabalhos, o líder de projeto ministrou um treinamento para que seu grupo pudesse conhecer o método APPCC e os conceitos das BPF e, posteriormente, o grupo de trabalho, dotado do apoio do setor de recursos humanos, promoveu o treinamento ao restante dos colaboradores da empresa, ao mesmo tempo em que se iniciava o desenvolvimento dos trabalhos (FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001). U N IC ES U M A R 101 De acordo com Figueiredo e Costa Neto (2001), dentre as atividades de traba- lho, realizadas inicialmente, destacam-se as visitas do grupo ao local do processo de fabricação, a fim de conhecer as etapas de produção; observações detalhadas destes locais com o intuito de identificar os possíveis perigos de contaminação, contando com a participação dos colaboradores destes setores; análise dos pe- rigos incidentes na fabricação, de modo a identificar quais destes perigos po- deriam ser eliminados ou minimizados pelo uso das BPF e elaboração de um procedimento detalhado de BPF, que poderia atuar nos pontos críticos, conforme apresentado no Quadro 1. Nº da BPF Localização do PCC Perigo (que se pretende elimi- nar ou reduzir) Descrição do BPF 01 Equipamento de mistura da massa Fio de cabelo Usar touca na cabeça, co- brindo todo o cabelo, e blusa de manga comprida. 02 Equipamento de mistura da massa Papel/ papelão Ao abrir o saco de matéria- -prima, observar para não rasgar o saco e cair pedaço de papel/papelão na massa. 03 Lona transportadora de massa crua Fio de algodão Observar se a lona descostu- ra ou solta fios na lateral, em seguida, fazer o reparo. 04 .. ... ... 05 ... ... ... Quadro 1 - Boas Práticas e os Pontos Críticos de Controle / Fonte: Figueiredo e Costa Neto (2001). Posteriormente a elaboração das BPF, deverá ser aplicada a árvore decisória (Fi- gura 1). Esta objetiva avaliar se o risco de contaminação persiste ou não, após a aplicação das BPFs, em que três possíveis situações poderão ser obtidas como respostas: não eram PCC, eram PCC ou necessitavam de modificação. U N ID A D E 4 102 Figura 1 - Árvore decisória para identificação dos PCCs Fonte: adaptado de Figueiredo e Costa Neto (2001). Os laboratórios técnicos e de gestão da qualidade auxiliaram o grupo de traba- lho, conferindo-lhes informações conceituais referentes aos pontos levantados e sugestões de alguns perigos que deveriam ser analisados. Por fim, após identificar corretamente todos os PCCs, eles deverão ser listados em uma tabela, contendo as informações necessárias para o seu controle, conforme disposto no Quadro 2: U N IC ES U M A R 103 N º d o PC C Lo ca liz aç ão do P CC Ve ri fic aç ão Q ue m O nd e Q ua nd o Co m o N or m a M ed id a Co rr et iv a Re gi st ro 01 Ím ã do re - ce bi m en to de g or du ra O pe ra do r de re ce bi - m en to Tu bu la çã o de re ce bi - m en to d e go rd ur a no té rr eo . U m a ve z po r di a In sp eç ão vi su al Au sê nc ia d e pa rt íc ul as m et ál ic as de ta m an ho su pe rio r a 2c m . Li m pa r o ím ã co m pa no li m po , i ns pe ci o- na r a b ar re ira m et ál ic a se gu in te a e ss e po nt o e en vi ar o m at er ia l en co nt ra do p ar a o la bo ra tó rio p ar a es te en tr ar e m c on ta to c om fo rn ec ed or es . Fo rm ul ár io 01 02 D et ec to r de m et al d a em ba la ge m O pe ra do r de e m ba la - ge m Lo na tr an s- po rt ad or a de b is co ito s, na s aí da d o tú ne l d e re s- fr ia m en to . A ca da du as ho ra s Pa ss ar co rp o de pr ov a co m pa rt íc ul a m et ál ic a de 1, 5m m d e di âm et ro . Ac io na r o de te ct or de m et al e re je ita r o co rp o de pr ov a. Bl oq ue ar a p ro du çã o, de sd e as ú lti m as d ua s ho ra s at é o m om en to qu e o fu nc io na m en - to d o de te ct or d e m et al e st ej a co rr et o, e ch am ar o té cn ic o pa ra aj us ta r o e qu ip am en to . Fo rm ul ár io 02 03 ... ... ... ... ... ... ... ... 04 ... ... ... ... ... ... ... ... Quadro 2 - Informações importantes a respeito dos PPCs / Fonte: Figueiredo e Costa Neto (2001). U N ID A D E 4 104 Devido ao biscoito apresentar baixa atividade de água, ele não oferece boas condições para o desenvolvimento de microrganismos, então, percebeu-se que aproximadamente 90% dos pontos críticos de controle indicados se correlacio- naram à presença de corpos estranhos, estando entre as modificações sugeridas, a instalação de peneiras detectores de metais, ímãs e filtros. Assim, o controle dos PCC garantirá a eliminação ou a diminuição da presença de contaminação física e das BPF (FIGUEIREDO; COSTA NETO; 2001). Para o sucesso da implantação do sistema APPCC é fundamental que os colabora- dores realizem o controle sistematizado das etapas de fabricação indicadas como PPCs e, visando sensibilizar os colaboradores da fábrica, sugere-se a utilização de relatos de consumidores que tiveram algum tipo de problema com a segurança do produto e de exemplos, fazendo a correlação entre a casa do trabalhador e o ambiente de trabalho, em treinamentos. Além disso, é necessário que aqueles que trabalham nas funções de gerência sirvam de exemplo para todos, pois as atitudes e os comportamentos dessas pessoas são bastante observados (FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001). Ao término da implementação do sistema de APPCC, um grande volume de documentação é gerado e, portanto, rotineiramente, revisado (a cada 2 meses no início). Tal fato se deve a alguns pontos que, monitorados, podem apresentar necessidade de ajustes nos seus limites de controle. Posteriormente, tal atualiza- ção da documentação poderá ser realizada uma vez por ano. Por fim, devido à implementação do sistema APPCC e das BPFs na empresa de biscoitos, após dois anos de sua implantação, já havia apresentado um decréscimo de 25% nas queixas dos consumidores por corpos estranhos (FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001). U N IC ES U M A R 105 Importância e vantagens da implantação do sistema APPCC O termo “alimento seguro” remete grande importância para a saúde pública e para o comércio internacional. Conforme mencionado anteriormente, a implantação do APPCC, na indústria de alimentos, ocasionará um comportamento preventivo frente aos perigos, capaz de garantir um produto livre de contaminantes a partir do controle de pontos críticos e adoção de medidascorretivas e preventivas para eliminação dos perigos existentes (FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001). De acordo com TELLES (2018), a implantação do APPCC, de forma adequa- da, propicia o maior controle da indústria, reduzindo a necessidade de inspeções e testes no produto final, além de facilitar o cumprimento de exigências legais. Dentre outras vantagens atreladas à implantação do APPCC, destacam-se a maior garantia da segurança dos alimentos; diminuição dos custos associados à repro- cesso e perdas; promoção do aumento da credibilidade da empresa, pois uma empresa certificada poderá melhorar sua imagem, tanto no mercado nacional como no internacional, propiciar o aumento da confiabilidade dos consumidores e garantir sua sobrevivência no mercado; promoção do aumento da competitivi- dade do produto no mercado, devido a sua qualidade (FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001; VERGARA, 2015; DURELLO, 2016). Em vista de tudo que foi apresentado nessa aula, você percebeu como a pro- dução de alimentos requer cuidados? Percebeu a importância de tais ferramentas para a garantia da qualidade dos alimentos? Agora, você será capaz de conhecer uma outra ferramenta de grande importância. Está preparado(a)? Então, vamos lá! U N ID A D E 4 106 2 SISTEMAS DE GERENCIAMENTO: série ISO Prezado(a) aluno(a), ao longo dessa Unidade, você pôde adquirir importantes co- nhecimentos sobre a APPCC e relembrar conceitos importantes vistos anterior- mente. Nessa seção, falaremos sobre a série ISO, que se constitui em ferramentas, extremamente, úteis para a produção de alimentos seguros. Preparados(as) para avançarmos em nossos conhecimentos? Então, vamos lá! Gerenciamento da Qualidade: Série Iso 9000 No ano de 1987, a International Organization for Standardization (ISO), uma organização não governamental, publicou os padrões da série ISO 9000, que era compreendida por cinco normas (de ISO 9000 a ISO 9004), originalmente, idealizadas para a indústria, em que sua implementação envolve todos os níveis hierárquicos de uma organização empresarial. A ISO 9001 refere-se ao sistema de qualidade, sendo o padrão mais abrangente e completo, que acaba por incluir as ISO 9002 e a ISO 9003 (FORSYTHE, 2002; MACHADO, 2012). U N IC ES U M A R 107 A sigla “ISO” faz referência a uma palavra grega que significa “igualdade” e tem como propósito promover normas e padrões mundiais de maneira a facili- tar o comércio internacional. A ISO conta com 160 países membros, no Brasil, é representada pela ABNT (FOOD INGREDIENTS BRASIL, 2008). Segundo a Food Ingredients Brasil (2008), atualmente, a ISO 9000 é uma série composta de quatro normas internacionais que visam àGestão da Qualidade e Garantia da Qualidade, conforme apresentado a seguir. Na NBR ISO 9000:2015 (ABNT, 2015) aborda-se o Sistema de Gestão da Qualidade (Fundamentos e Vocabulário). Esse documento contém todos os ter- mos e definições utilizados na ABNT NBR ISO 9001, constituindo-se como um documento complementar para ajudar o desenvolvimento de um sistema de gestão da qualidade eficaz. Na ABNT NBR ISO 9001, discute-se, também, o Sis- tema de Gestão da Qualidade (Requisitos), que explica os requisitos essenciais para obtenção da certificação. Já a ABNT NBR ISO 9004 aborda a Gestão para o Sucesso Sustentado de uma Organização (uma abordagem de Gestão da Qua- lidade) e fornece diretrizes para implantar o Sistema de Gestão da Qualidade, incluindo orientações para alcançar o sucesso contínuo com o seu sistema de gestão da qualidade, contribuindo para a satisfação dos clientes da organização e outras partes interessadas. Por fim, a ABNT NBR ISO 19011 dá orientações para a realização de auditorias internas e externas da norma ABNT NBR ISO 9001 (FOOD INGREDIENTS BRASIL, 2008; ABNT, 2015). A família ISO 9000 baseia-se, fortemente, em documentos e registros da qualidade, devendo essas documentações estarem disponíveis de forma fácil e rápida. É válido, ainda, ressaltar que a certificação ISSO não define que o pro- duto de tal organização seja de melhor qualidade, mas garante que o produto ou serviço seja desenvolvido de forma padronizada. Assim, a gestão da qualidade só será plena se for estabelecido um ciclo exímio de medições, análises e ações de melhoria (MACHADO, 2012). U N ID A D E 4 108 ISO 90001 Agora que você compreendeu o que são as normas da série ISO 9000, uma aten- ção especial poderá ser dada a ISO 9001, pois o entendimento, em relação aos seus princípios e sua estruturação, é de suma importância. A NBR ISO 9001 (ABNT, 2015) baseia-se nos sete princípios de gestão da qualidade. O primeiro princípio consiste no foco ao cliente, atendê-lo e man- ter a confiança dos clientes é fundamental para a gestão da qualidade. O segundo princípio consiste na liderança, este quesito é de suma importância para que se alcance um direcionamento ou missão unificada, de forma que todos na empresa entendam o objetivo. O terceiro princípio diz respeito ao engajamento das pessoas, uma equipe competente, dedicada e qualificada poderá gerar valor aos clientes mais facilmente. O quarto princípio consiste em uma abordagem de processo, pois assegurar que as pessoas estejam fami- liarizadas com os processos da empresa pode propiciar o melhoramento de sua eficiência. O quinto e o sexto princípio incidem na melhoria e nas deci- sões pautadas em evidências, respectivamente. Por fim, o último princípio da Gestão da qualidade consiste na Gestão de relacionamento, pois identificar as importantes partes interessadas, como os fornecedores, e estabelecer um plano para administrá-los levarão ao sucesso contínuo da empresa. A NBR ISO 9001 (ABNT, 2015) é estruturada por diversas seções, as quais abor- dam-se uma série de requisitos, por exemplo, uma breve introdução e escopo da norma, contexto da organização, liderança, planejamento, apoio, operação, avalia- ção de desempenho e melhoria. Dentre os diversos benefícios trazidos pelo Sistema de Gestão da Qualidade segundo NBR ISO 9001:2015 (ABNT, 2015), destacam-se: avaliação do enquadramento de sua empresa em um contexto geral, isso permitirá uma definição dos objetivos da empresa, de forma clara, e a identificação de novas oportunidades de negócios; colocação dos clientes em primeiro lugar, podendo resultar em expansão de mercado; execução do trabalho de maneira eficiente, le- vando ao aumento da produtividade e da eficiência; atendimento aos requisitos legais e regulamentares; auxílio na identificação de riscos associados à sua empresa. U N IC ES U M A R 109 Importância da série ISO 9000 para o sistema APPCC O sucesso das indústrias e os serviços de alimentos que buscam por alimentos se- guros se complementam por meio da utilização da série ISO 9000 e do sistema APPCC. Desse modo, a ISO 9000 serve de suporte para a implementação do sistema APPCC. O sistema APPCC é utilizado para identificar os pontos críticos de controle, visando à garantia de um alimento seguro, enquanto que a ISO 9000 é utilizada para controlar e monitorar aspectos críticos para a qualidade e para sua implantação. A empresa, por sua vez, deverá definir quais atividades afetam a qualidade do pro- duto, definindo, portanto, os procedimentos, instruções e técnicas que devem ser utilizadas para o controle dessas atividades (FIGUEIREDO; COSTA NETO, 2001). Ainda de acordo com Figueiredo e Costa Neto (2001), o excesso de docu- mentação é um dos grandes problemas associados aos sistemas APPCC e ISO 9000, os autores, porém, destacam que a inclusão do APPCC, como apoio ao sis- tema de qualidade da norma ISO 9000, é uma boa alternativa para as indústrias alimentícias, uma vez que o sistema APPCC poderá ser incorporado ao sistema ISO 9000 e certificado como parte dele. Importância da ISO 9000 para o Gerenciamento da Qualidade Total A Gestão da Qualidade Total (Total Quality Management-TQM) é composta por estágios, como o planejamento, a organização, o controle e a liderança e consiste em uma estratégia administrativaque visa a criação da consciência da qualidade, ao longo de toda a organização, além de estender-se a seus parceiros de negócio de maneira geral. O TQM tem sido definido como uma atividade de melhoria contínua, na qual todos reconhecem sua responsabilidade pela produção de ali- mentos seguros e qualidade, incluindo a satisfação do consumidor. O TQM e os sistemas de qualidade apresentam filosofia, cultura e outras disciplinas necessárias para o alcance dos objetivos gerenciais, relacionados à qualidade, sendo a série ISO 9000 amplamente utilizada como um ponto de partida inicial para o projeto de programas TQM e para o gerenciamento do sistema APPCC (FORSYTHE, 2002; FOOD INGREDIENTS BRASIL, 2008). U N ID A D E 4 110 Gerenciamento Ambiental (Iso 14000) como promotor da satisfação do cliente A elaboração da ISO 14000 se deu de maneira semelhante a ISO 9000, em que a certi- ficação de uma empresa em relação ao Sistema de Gerenciamento Ambiental (SGA) é baseado na ISO 14001. Para tanto, é necessário que a empresa atenda às exigências quanto à sua política ambiental, dotando de procedimentos que permitam identi- ficar, conhecer, administrar e controlar os resíduos oriundos de seu processamento, atendendo às exigências legais (MACHADO, 2012). Uma forma esquematizada de um modelo de sistema de gestão ambiental é apresentada por meio da Figura 2. Figura 2 - Modelo de Gestão Ambiental para atendimento da normativa ISO 14001 Fonte: adaptado de ABNT (2004). Adicionalmente, de acordo com a NBR ISO 14001 (ABNT, 2004), esta normativa po- derá ser aplicada a qualquer organização que deseje estabelecer, implementar e manter um sistema da gestão ambiental; assegurar de sua conformidade com política ambien- tal estabelecida pela organização; realizar autoavaliação ou autodeclaração; buscar confirmação de sua autodeclaração e obtenção de registro/certificação, por meio de uma organização externa. Dentre os benefícios de utilizar a ISO 14001, destacam-se: a U N IC ES U M A R 111 redução do custo de gestão de resíduos, economia no consumo de energia e materiais, melhoria da imagem da empresa frente aos órgãos reguladores, clientes e público. Gerenciamento da Segurança de alimentos (ISO 22000) Prevenir, eliminar e controlar os riscos alimentares, desde a produção do alimento até o seu consumo, são funções básicas da gestão da segurança dos alimentos, e como tais riscos podem ser introduzidos a qualquer momento ao longo dos processos, es- forços combinados entre as empresas constituintes da cadeia de suprimentos, no que tange ao controle de tais riscos, deverão ser realizados (FERREIRA, 2018, on-line)22. Assim, devido a necessidade de padronização de normas que visassem a ga- rantia da qualidade e segurança dos alimentos, frente à população mundial, a International Organization for Standardization (ISO) resolveu elaborar uma normativa que fosse aceita mundialmente, que além de garantir a segurança dos alimentos, evitaria barreiras comerciais, criou-se, então, a ISO 22000 que esta- belece os Sistemas de Gestão da Segurança de Alimentos-Requisitos para qualquer organização na cadeia produtiva de alimentos (MACHADO, 2012). A ISO 22000 (ABNT, 2019) é, portanto, uma norma internacional auditável, elaborada pela ISO e submetida para avaliação dos países membros por meio de um comitê específico (sendo representado no Brasil pela Associação Nacional de Normas Técnicas - ABNT). Essa norma pode ser aplicada a produtores diretos de alimentos ou a produtores que participam, indiretamente, da produção. Além disso, tal normativa pode ser aplicada à todas as organizações que almejam a implemen- tação de sistemas que visem produtos seguros, independentemente de seu porte. Da série ISO 22000, duas normas são utilizadas para a obtenção da certi- ficação das indústrias de alimentos, as quais não são reconhecidas pela Global Food Safety Initiative (GFSI) como um modelo de certificação do Sistema de Gestão de Segurança dos Alimentos, mas são utilizadas por modelos aprovados. A primeira delas trata-se da Norma ABNT NBR ISO 22000:2019 (ABNT, 2019), que estabelece os requisitos para implementação do sistema de gestão da segu- rança dos alimentos, e a segunda faz referência a uma especificação técnica (TS), a ABNT ISO/TS 22002-1:2012 (ABNT, 2012), que estabelece os programas de pré-requisitos (PPR) para auxiliar o controle dos perigos associados à segurança de alimentos para processamento industrial de alimentos. U N ID A D E 4 112 A ABNT NBR ISO 22000: 2019 (ABNT, 2019) especifica requisitos que per- mitem à organização planejar, implementar, operar, manter e atualizar o sistema de gestão da segurança de alimentos; avaliar os requisitos do cliente e mostrar conformidade com os requisitos estatutários e regulamentares; assegurar que a organização está em conformidade com sua política; obter certificação ou registro de seu sistema de gestão da segurança de alimentos por organização externa. A ABNT ISO/TS 22002-1:2012 (ABNT, 2012), por sua vez, contém os princípios para os programas de pré-requisitos (PPR) no que se refere à construção e layout das instalações, disposição das instalações, espaço de trabalho e equipamentos, descarte de resíduos, medidas de prevenção contra a contaminação cruzada, hi- giene pessoal e das instalações, reprocessamento e armazenamento, entre outros diversos princípios a serem apontados. O maior benefício da norma ISO 22000 incide no oferecimento de uma es- trutura única para as empresas, em qualquer parte do mundo, para a implantação do sistema APPCC, integrando os princípios do sistema APPCC e as etapas de aplicação desenvolvidas pela Comissão do Codex Alimentarius. A análise de perigos é a palavra chave para um sistema de gestão da segurança de alimentos eficaz, em que durante a análise de perigos, a organização deverá determinar a estratégia a ser usada para assegurar o controle destes. Além disso, os funcionários necessitarão receber treinamentos sobre as boas práticas de fabricação, pois são pré-requisitos para a implantação do APPCC; necessário, também, a implantação das boas práticas de fabricação, do APPCC e a criação de um Sistema de Ges- tão da Qualidade e Segurança do Alimento, para atendimento a esta normativa (ABNT, 2006; MACHADO, 2012). Requisitos para a Implantação da ISO 220000 De acordo com a NBR ISSO 22000:2019 (ABNT, 2019), algumas etapas são re- queridas para o sucesso da implantação da ISO 22000. A seguir, essas encontram- -se resumidamente apresentadas: 1. Definição da equipe de segurança de alimentos. 2. Estabelecimento dos Programas de Pré-Requisito (PPRs), por exemplo, programas para a higienização das mãos, atividades de limpeza a serem executadas, controle de pragas, dentre outros programas. U N IC ES U M A R 113 3. Estabelecimento de instruções de trabalho e de comunicação, visando ao efetivo monitoramento e verificação dos PPRs. 4. Estabelecimento das especificações para todas a matérias-primas e pro- dutos finais. 5. Verificação da linha de produção pela equipe estabelecida, indicando assim os riscos (químicos, físicos, biológicos) potenciais à segurança de alimentos encontrados, em que todos os riscos deverão ser listados e ava- liados. É válido, ainda, destacar que todos os riscos listados deverão ser documentados, para que, assim, possam ser implementadas as medidas de controle cabíveis. 6. Definição da metodologia de avaliação dos perigos e estabelecimento do nível para sua aceitabilidade, além do estabelecimento de medida de controle para manutenção do risco abaixo do limite aceitável. Torna-se necessário, ainda, salientar que a Alta Direção deverá validar a medida de controle antes mesmo da equipe aplicá-la, uma vez que toda e quaisquer decisões operacionais devem estar alinhadas às estratégias da organização. 7. O controle de medidas poderá ser realizado por meio do PPRs e de um Plano de APPCC. Após a implementação das medidas de controle, a equi- pedeverá manter os registros e verificá-los regularmente. Além disso, a organização deverá revisar, atualizar e melhorar o seu sistema de gestão de segurança de alimentos sempre que necessário. 8. Após a implementação do sistema de segurança dos Alimentos na orga- nização, torna-se necessária a avaliação, para observar se ele funcionar adequadamente. Para tanto, auditorias internas se fazem necessárias para que ocorra a validação da implantação e o funcionamento do SGSA. Des- se modo, a organização se beneficiará com a implantação do sistema e, consequentemente, com a produção de produtos seguros e de qualidade. Caro(a) aluno(a), após o amplo conhecimento sobre o Sistema de Segurança de Alimentos disposto na ISO 22000, você poderá aprender um pouco mais sobre normativas criadas para a certificação do sistema de segurança de alimentos, reco- nhecidos pelo GFSI. Então, prepare-se para começarmos a próxima aula, vamos lá? U N ID A D E 4 114 A certificação de uma empresa pode estar relacionada ao atendimento de espe- cificações legais ou à ação voluntária da empresa em obter a certificação, visando, dessa forma, a alcançar maior visibilidade no cenário mundial e, consequentemente, a confiança por parte de seus clientes. Para tanto, torna-se de suma importância que a empresa leve alguns pontos em consideração ao escolher a norma adequada que irá seguir para estabelecimento de seu Sistema de Gestão de Segurança dos Alimentos (NEVES et al., 2014). Ainda, de acordo com Neves et al. (2014), dentre as questões relevantes, na decisão em avançar com o processo de certificação do Sistema de Gestão, destacam-se: definição dos produtos fabricados pela empresa, o público alvo de tais produtos, situação atual do Sistema de Gestão de Segurança dos Alimentos instalado na empresa, alcance de extensão atual da empresa e definição dos mercados a serem atingidos (principalmente, no que diz respeito à exportação), certificações almejadas pelos clientes em relação a empresa e observar quais certi- ficações são atendidas pelas empresas concorrentes do mesmo ramo. Assim, torna-se de extrema importância o conhecimento de algumas opções de certificações disponíveis, a fim de que seja possível avaliar o custo benefício entre as opções existentes, em que, dentre as quais, existe grande destaque ao cumprimento da série ISO (havendo grande destaque a ISO 22000 no que tange aos Sistema de Gestão de Segurança dos Alimentos), para que se alcance a cer- tificação da empresa, havendo destaque à FSSC 22000 e a BRC, conforme será abordado com maiores detalhes a seguir. 3 NORMATIVAS PARA CERTIFICAÇÃO DE sistemas de segurança de alimentos U N IC ES U M A R 115 BRC Global Standard for Food Safety O BRC Food Standard for Food Safety é uma norma global, criada em 1998 por uma associação comercial, denominada por British Retail Consortium (BRC), a fim de estabelecer altos padrões para empresas do setor alimentar, visando a garantir a segurança, tanto de produtos quanto de embalagens. Atualmente, essa norma encon- tra-se em sua oitava edição (BRC, 2018). Ela é uma referência para a garantia da Se- gurança dos Alimentos e os princípios estabelecidos pelo Codex Alimentarius, além de abordar os requisitos específicos associados ao sistema de gestão da qualidade (SGQ), em que uma série de padrões globais são estabelecidos (NEVES et al., 2014). O BRC Food Standard é um esquema reconhecido pela Global Food Safety Initiative (GFSI), usado a nível mundial com certificações em mais de 100 países. É válido ressaltar, ainda, que o GFSI não cria padrões, mas endossa as organi- zações padrões, conhecidas como Organizações do Programa de Certificação (proprietários do esquema). O fato de uma empresa possuir a certificação BRC retrata uma ação voluntária da mesma e seu empenho em mostrar a seus clien- tes o cumprimento dos requisitos de segurança, na produção de alimentos. Essa certificação terá durabilidade de até um ano e, posteriormente, deverá passar por novas auditorias para que seja recertificada (NEVES et al., 2014; SPINK, 2019). Resumidamente, pode-se dizer que o BRC Food Standard (BRC, 2018) tem por finalidade: (1) fortalecer a empresa frente às exigências e mudanças do mer- cado internacional, contando, para tanto, com o comprometimento da gestão; (2) assegurar que os programas de segurança de alimentos e o sistema de gestão da qualidade sejam, eficientemente, mantidos dentro da organização, realizando-se para tanto auditorias; (3) promover maior transparência a todas dentro da cadeia de suprimentos; (4) garantir a redução ou, até mesmo, a extinção dos índices de recall, principalmente, no que tange as embalagens e rotulagens; (5) desenvolver sistemas integrados para processos, embalagens e alimentos, que visem à redução do risco de fraude; (6) propiciar o maior alcance da rastreabilidade para toda a cadeia de suprimentos envolvida. Dentre os principais benefícios trazidos pela implantação e certificação da nor- mativa BRC:2018 (BRC, 2018), pode-se destacar o reconhecimento internacional da empresa, tornando-a mais competitiva e possibilitando sua operação em di- versos países; melhoria de processos e serviços e, consequentemente, a redução de custos; evidenciar o compromisso da empresa e o envolvimento dos colaboradores e permitir a integração com outras normas (como a ISO 9001 e APPCC). U N ID A D E 4 116 Requisitos para implantação da norma BRC O planejamento organizacional traz consigo a vantagem de promover um maior preparo das empresas frente a certificação. Para tanto, o estabelecimento de al- guns pontos e seu cumprimento se faz necessário para a implantação da norma BRC, dentre os quais, destacam-se (BRC; 2018): 1. Comprometimento da administração para efetiva implantação da BRC, garantindo o fornecimento de recursos adequados para atendimento de melhorias e a comunicação eficaz dentro da empresa. 2. Promoção de treinamentos e a supervisão dos colaboradores. 3. Plano de segurança alimentar desenvolvido, implementado e documen- tado, baseando-se normalmente no sistema APPCC. 4. Estabelecimento das exigências relacionadas ao Sistema de gestão de se- gurança e qualidade do produto, incluindo-se, ainda, os requisitos para o controle de documentos, auditorias internas, gestão de produtos que não estão em conformidade e recalls. 5. Padronização de operações, em que a empresa deve assegurar a entrega de produtos e serviços de forma segura. Além disso, o BRC traz consigo condições específicas para a estrutura física da instituição (design e layout, por exemplo). 6. Controle de processos e produtos, em que, para tanto, faz-se necessário o estabelecimento de uma metodologia bem estruturada que permita o conhecimento e o controle de todo o processo e do produto, permitindo, assim, uma melhor organização das atividades a serem executadas pela empresa, propiciando não só o cumprimento dos aspectos legais como também o atendimento das expectativas dos clientes. 7. Implementação de medidas corretivas às não conformidades identificadas durante a auditoria, atentando-se às prováveis causas de ocorrência para que seja possível elaborar um plano de ação eficaz. Segundo Spink (2019), a frequência em que ocorre às auditorias interna deverá ser estabelecida, levando-se em consideração a atividade e o desempenho da auditoria ante- rior. Além disso, o escopo da auditoria interna deverá incluir, no mínimo, o HACCP ou plano de segurança alimentar e as atividades para implementar os programas de pré-requisito, os planos de defesa e prevenção de fraudes alimentares e os procedimentos para atingir o padrão estabelecido. https://blog.ifope.com.br/appcc-nas-industrias-de-produtos-de-origem-animal/ https://blog.ifope.com.br/appcc-nas-industrias-de-produtos-de-origem-animal/ https://blog.ifope.com.br/recolhimento-e-recall/ U N IC ES U M A R 117 Norma Food Safety System Certification 22000 (FSSC 22000) O FSSC 22000, reconhecido pelo Global Food SafetyInitiative (GFSI), é um es- quema dos sistemas de gestão da segurança dos alimentos, passível de certificação internacional. A fundação Food Safety System Certification foi o órgão responsável pelo seu desenvolvimento no ano de 2004 (NEVES et al., 2014). No momento de seu surgimento, o FSSC 22000 reunia os conceitos estabelecidos na ISO 22000 e nos PAS 220, acrescidos de requisitos complementares, aceitos pelo GFSI para a certificação FSSC, em indústrias de alimentos. A FSSC 22000 foi atualizada e, hoje, encontra-se na sua versão 5. Atualmente, a certificação FSSC 22000 baseia-se, além dos requisitos complementares, nas normas ISO 22000 e ISO/TS 220002-1 (NEVES et al., 2014; FSSC 2000, 2019; FOOD SAFETY, 2019, on-line)23. Requisitos para a implantação da FSSC 22000 Para obtenção da certificação FSSC 22000, torna-se necessário identificar e im- plementar a ISO 22000 bem como as especificações técnicas de PPR aplicável ao segmento da organização (ISO TS 22002, Processamento industrial de alimentos, ISO TS 22002-2, Catering, ISO TS 22002-3, Agricultura, ISO TS 22002-4, Fabri- cantes de embalagens de alimentos) (FROTA, 2015, on-line)24. Posteriormente, os requisitos adicionais que componentes do esquema FSSC 22000 deverão ser implementados. Dentre os principais requisitos adicionais a serem implantados a fim de obter-se a certificação FSSC 2200, destacam-se: 1. Especificação de Serviços que podem apresentar um impacto na seguran- ça de alimentos, por isso, deverão ter seus requisitos claramente descritos, documentos e gerenciados em conformidade com os requisitos da espe- cificação técnica de referência para PPR. 2. A empresa deverá possuir um procedimento documentado e implemen- tado, referenciando a defesa de alimentos (food defense), a fim de identi- ficar e avaliar as potenciais ameaças, o desenvolvimento e a implementa- ção de um plano, que contenham medidas de mitigação de ameaças aos processos e produtos, no âmbito SGSA da organização. 3. A empresa deverá possuir, ainda, um procedimento documentado que faz referência a mitigação de fraudes alimentares (food fraud), visando, assim, U N ID A D E 4 118 Caro(a) aluno(a), você sabe a diferença entre a ISO 22000 e a FSSC 22000? A ISO 22000:2005 estabelece os requisitos para o sistema de gestão da segurança de alimentos. Para tanto, quatro elementos chaves são considerados, a saber: os Programas de Pré Requisitos, o sis- tema APPCC, a comunicação e o Sistema de Gestão. Esta norma, não foi reconhecida pelo GSFI, dentre outras razões, pelo fato de possuir os requisitos genéricos e por não pormeno- rizar os programas de pré-requisitos a serem implementados na organização. Assim, a implementação de um esquema de qualidade e segurança de alimentos, reco- nhecido pelo GFSI, passou a ser de fundamental importância para que os requisitos dos clientes fossem atendidos, originando-se dessa forma a certificação FSSC 22000, no ano de 2009. A FSSC 220000 é composta pela ISO 22000 adicionada de especificações técnicas que detalham os programas de pré-requisitos a serem implementados, juntamente com alguns requisitos adicionais. Fonte: adaptado de Frota (2014, on-line)25. explorando Ideias à identificação e avaliação das potenciais ameaças de vulnerabilidades, o desenvolvimento e implementação de um plano que contenha medidas de mitigação de tais vulnerabilidades. 4. A empresa deverá conter um plano de gestão de alergênicos documenta- do, incluindo a avaliação de risco e as medidas de controle, que possam reduzir ou eliminar o seu risco. 5. Possuir procedimento documentado que vise a evitar a contaminação a partir do ambiente de fabricação. 6. Considera qualquer requisito legal aplicável (controle de substâncias proi- bidas, por exemplo). 7. Assegurar que o produto possa ser transportado e entregue sob condições que minimizem o potencial para a contaminação, entre outros diversos requisitos. 8. Por fim, o próximo passo requerido consiste em solicitar uma auditoria ao organismo certificador. Tais auditorias, anunciadas (mas não agendadas), deverão ser conduzidas em conformidade com os requisitos do GFSI. O certificado FSSC 22000 poderá ter uma validade de até três anos (NEVES et al., 2014; FROTA, 2015, on-line)24. Prezado(a) aluno(a), chegamos ao final de mais uma unidade. Espero que tenha gostado do conteúdo abordado e que esteja preparado(a) para darmos conti- nuidade a outros assuntos de extrema importância, referentes à segurança dos alimentos. Vamos lá? U N IC ES U M A R 119 CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), na Unidade 1, você adquiriu conhecimentos relacionados à pro- dução de alimentos seguros. Na Unidade 3, aprendemos os conceitos importantes, relacionados ao controle dos perigos ao se manipular alimentos, os principais tipos de higienização aplicados à produção de alimentos e a importância do desenho sanitário dentro das instalações. Na Unidade 3, abordamos conhecimentos im- portantes sobre a gestão e as ferramentas da qualidade, como as Boas Práticas de Fabricação (BPF), Boas Práticas Higiênicas (BPH), Programas de autocontroles (PAC´s), Procedimento Padrão de Higiene Operacional (PPHO) e o Procedimento Operacional Padrão (POP). E, nesta unidade, foi possível compreender o gerencia- mento e as ferramentas da qualidade para a produção de alimentos seguros bem como as principais certificações adotadas internacionalmente. Para tanto, vimos que a Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) é um método sistemático e tem por finalidade garantir a inocuidade da produção e o consumo de alimentos. Tal método é centrado na prevenção de ocorrências de perigos e, para seu sucesso, requer-se o comprometimento e envolvimento de todas as forças de trabalho. Estudamos, ainda, a série ISO 9000, atualmente, composta de quatro normas internacionais que visam a “Gestão da Qualidade e a Garantia da Qualidade. Es- tudado, também, brevemente, a ISO 14000, que está atrelada à Gestão Ambiental, e a ISO 22000 que faz referência ao Sistema de gestão de segurança dos alimentos. Além disso, foi possível compreender as normativas FSSC 22000 e BRC que visam à certificação de sistemas de segurança de alimentos. Por fim, ao término dessa unidade, compreendemos que um bom sistema de gerenciamento de qualidade e segurança dos alimentos permitirá a produção de alimentos mais seguros e a satisfação dos clientes. 120 na prática 1. “De acordo com o Codex Alimentatius, a implementação do APPCC requer a reali- zação de 5 etapas ditas preliminares e, após a realização dessas etapas, inicia-se a implementação do plano APPCC, com base nos sete princípios estabelecidos pelo Codex”. Com base no excerto, assinale a alternativa que apresenta uma das etapas que antecedem a implantação do plano APPCC. a) Análise de Perigo. b) Criação de uma equipe multidisciplinar. c) Estabelecimento de Registro. d) Monitoramento dos Pontos Críticos de Controle (PCC). e) Determinação dos Pontos Críticos de Controle (PCC). 2. Quais os principais benefícios apresentados pela certificação FSSC 22000 e pela BRC? 3. Quais as principais diferenças existentes entre a ISO 22000 e a FSSC 22000? 4. Qual o objetivo de uma empresa, quando decide implantar o sistema APPCC? 5. A implementação do sistema APPCC requer que doze etapas sejam executadas, das quais cinco são preliminares e sete estão vinculadas à implantação do plano APPCC, propriamente dito. Liste as 12 etapas envolvidas no processo de implantação do APPCC. 121 aprimore-se COMPARAÇÃO DAS BOAS PRÁTICAS ENTRE RESTAURANTES COMERCIAIS DA REGIÃO CENTRAL E REGIÃO SUL DA CIDADE DE SÃO PAULO (SP). No Brasil, estima-se que, de cada cinco refeições, uma é feita fora de casa; na Euro- pa, duas em cada seis; e, nos EUA, uma em cada duas. Esses números indicam que ainda pode haver um grande aumento e desenvolvimento dos estabelecimentos que produzem alimentos para consumo imediato no país (ARAÚJO, 2002). O Comitê da Organização Mundial daSaúde e a Organização das Nações Unidas para Alimen- tação e Agricultura (WHO/FAO) admitem que doenças oriundas de alimentos conta- minados seja, provavelmente, o maior problema de saúde no mundo contemporâ- neo. Os principais problemas são consequências do reaquecimento e refrigeração inadequados e da preparação de alimentos com muita antecedência, aumentando o tempo de espera (WEINGOLD; GUZEWICH; FUDALA, 1994). Foram notificados à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, entre 1999 e 2009, 6.672 surtos causados por alimentos contaminados, com o aco- metimento de 128.954 pessoas e registro de 82 óbitos, sendo que as regiões Sul e Sudeste foram as que mais notificaram, uma vez que a notificação está diretamente relacionada ao conhecimento da população para comunicar o evento, à sensibilida- de dos profissionais de saúde e, principalmente, à implantação dessa vigilância nos municípios (BRASIL, 2009). Segundo Braite de Oliveira (2013), de 2008 a 2010, foram notificados 1.831 surtos de DTA no estado de São Paulo, variando de 374 em 2008 a 863 em 2010, com um total de 33.534 casos, nove óbitos e letalidade de 0,02%. A necessidade de aperfeiçoamento das ações de controle sanitário na área de alimentos levou o Ministério da Saúde (MS) e a Agência Nacional de Vigilância Sa- nitária (ANVISA) (BRASIL, 1993, 1997, 2002, 2004) a elaborarem portarias que esta- belecem orientações necessárias para inspeção sanitária, por meio da verificação do sistema APPCC da empresa produtora e de serviços de alimentos e os aspectos 122 aprimore-se que devem ser levados em conta para a aplicação das BP. As Boas Práticas (BPs) são normas de procedimentos a fim de atingir um determinado padrão de identidade e qualidade de um produto e/ou serviço na área de alimentos, incluindo-se bebidas, utensílios e materiais em contato com alimentos (ANVISA, 2005), visando à promo- ção e à certificação da qualidade e da segurança do alimento (TOMICH et al., 2005). Seus princípios são pré-requisitos para implantação do sistema de análise de pe- rigos e pontos críticos de controle (APPCC), no qual ocorre o controle de cada etapa do processamento. Atua visando à redução de riscos de ocorrência de microrganis- mos através do controle dos procedimentos em pontos críticos específicos durante a produção de alimentos (CASTRO; SCHIMIDT; LEITÃO, 2002). Melhorias nos méto- dos de processamento dos alimentos, como a adoção e aplicação de programas de BPs, e a educação dos responsáveis pelo fornecimento de alimentos, com certeza reduziria a incidência das doenças transmitidas por alimentos. É essencial que se conheçam as causas das doenças, agentes bacterianos, locais onde os incidentes ocorrem e os fatores que contribuem para os incidentes. Muitas práticas inadequa- das que ocorrem durante o processamento permitem as contaminações, a sobrevi- vência e a multiplicação de microrganismos patogênicos. Um estudo desses fatores fornece dados que podem ser utilizados na educação das pessoas envolvidas na produção de alimentos (HOBBS; ROBERTS, 1999; FORSYTHE, 2000). De acordo com o Codex Alimentarius (2001), é direito do consumidor adquirir alimentos seguros ao consumo. A garantia da qualidade e da segurança na alimen- tação é direito dos consumidores em todo o mundo. Por isso, cada vez mais, as organizações públicas e as empresas do setor de alimentos têm buscado assegurar a qualidade de seus produtos e serviços. Fonte: Spinelli et al. (2014, p. 119- 129). 123 eu recomendo! Boas Práticas de Fabricação (BPF) para restaurantes, lanchonetes e outros serviços de alimentação. Autor: José B. p. Chaves, Flávia C. C. Assis, Nágia B. M. Pinto, Pris- cila S. Sabaini Editora: UFV Sinopse: a obra abordada as diretrizes para elaboração e imple- mentação de Boas Práticas de Fabricação (BPF) em restaurantes, lanchonetes e outros serviços de alimentação, ofertados ao público, visando, as- sim, assegurar as condições higiênico-sanitárias do alimento preparado e servido. Os autores apresenta, também, neste livr,o a maneira adequada e segura para a manipulação, preparo, acondicionamento, transporte, distribuição e exposição dos alimentos para o consumo humano. livro Por meio do primeiro link você poderá obter conhecimentos sobre as BPH, PPHO e APCC, além de exemplos práticos sobre sua aplicação. Esperamos que este ma- terial possa contribuir para os seus estudos. Em relação ao segundo link, você poderá aprender um pouco mais sobre a BRC, como o padrão BRC FOOD SAFETY SYSTEM está organizado, sua importância e os benefícios trazidos por ele. https://www.crq4.org.br/sms/files/file/BPF2009_crqiv.pdf https://www.belge.com/pt/belgelendirme/spesifik/brc-food-gida-guvenlik-sistemi/ conecte-se 5 SEGURANÇA NA PRODUÇÃO de alimentos PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Controle sanitário de alimentos • Codex Alimentarius • Agências de segurança alimentar • Importância da rotulagem e a produção de produtos artesanais. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Entender a importância do controle sanitário de alimentos • Conhecer a importância do Programa Codex Alimentarius para o segmento de produção de alimentos • Conhecer os órgãos e os programas regulamentadores das normativa para alimentos • Conhecer a importância e o impacto dos rótulos em produtos alimentícios, como é sua legislação e as generalidades que envolvem a produção de produtos artesanais. PROFESSORES Dra. Laura Adriane de Moraes Pinto Me. Fernanda de Oliveira Tavares INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a), iniciamos, aqui, a quinta unidade, nossa abordagem será mais técnica do que nas unidades anteriores. O foco, agora, será conhe- cer as referências sanitárias para a regulamentação de alimentos. Até agora, você observou as etapas relevantes do processo de produção de alimentos seguros, além de conceitos importantes sobre o controle dos perigos, ao se manipular alimentos, e a importância da utilização das Ferramentas de Gerenciamento de Segurança Alimentar. A partir de agora, todos esses conhecimentos serão necessários para que você compreenda como é feita a regulamentação para a distribuição de alimentos e como elas contribuíram para o avanço global da produção de alimentos. Iniciaremos esta unidade com o entendimento dos aspectos do contro- le sanitário de alimentos, enfatizando a importância da conscientização e das responsabilidades dos envolvidos no processo de produção de alimen- tos. Na sequência, conheceremos o programa Codex alimentarius. Este dita os padrões, diretrizes e códigos de práticas internacionais de alimentos, que irão contribuir para a segurança, qualidade e justiça do comércio in- ternacional de alimentos. Depois, identificaremos as agências de segurança alimentar, vendo a importância de sua participação no mercado global de alimentos. A unidade se encerrará com a importância da rotulagem de alimentos, sua atuação e principais generalidades sobre a produção de produtos artesanais. Portanto, neste momento, seu olhar precisa ser mais técnico e voltado para o futuro. Bons estudos! U N ID A D E 5 126 1 CONTROLE SANITÁRIO de alimentos Prezado(a) aluno(a), nesta unidade discutiremos a segurança na produção de ali- mentos, voltada para os aspectos relevantes das regulamentações. Abordaremos, brevemente, a importância do controle sanitário, com foco na segurança alimentar. Conheceremos o Programa Codex Alimentarius, as principais agências reguladoras para alimentos no mundo e no Brasil, a fim de que, posteriormente, possamos avan- çar em nosso conhecimento e adquirir importantes informações sobre a rotulagem de alimentos. Será, ainda, objetivo desta unidade, apresentar algumas das principais tendências de alimentação. Preparado(a) para começar? Então, vamos lá! Conscientização e responsabilidades no controle sanitário O controle sanitário é definido como qualquer procedimento que tenha por fi- nalidade melhorar ahigiene do processo de produção alimentício e atribuir a ele segurança (CAMARGO, 2008). Segundo a Anvisa (2005), os alimentos devem atender a procedimentos de higiene com o objetivo evitar a ocorrência de doen- ças, provocadas pelo consumo de alimentos contaminados. Desse modo, eles devem ser obedecidos em todas as etapas, desde a obtenção da matéria prima até a venda para o consumidor. Sendo assim, o conhecimento da responsabilidade U N IC ES U M A R 127 2 CODEX ALIMENTARIUS dos envolvidos dentro das atividades relacionadas aos processos é determinante para o seu sucesso e primordial para a garantia de um produto seguro. O conhe- cimento insuficiente de qualquer um pode apresentar uma ameaça potencial à segurança dos alimentos e a sua inadequação para o consumo. Como vimos, anteriormente, uma série de avaliações periódicas e acompa- nhamento dos processos devem ser monitorados para garantir a eficácia. Além disso, programas de capacitação e de instrução, também devem ser adotados, visando a melhorar os processos. Entretanto a comercialização de alimentos ne- cessita estabelecer padrões comuns a todos. Esses são estabelecidos mediantes as legislações e normativas previstas pelos órgãos responsáveis. Quem, porém, são esses órgãos que regulamentam as leis para alimentos? A seguir conheceremos quem faz as leis e normas que seguimos para manutenção da qualidade dos ali- mentos e a proteção da saúde do consumidor. Caro(a) aluno(a), todos os dias, você se alimenta, não é mesmo? Você já parou para pensar que os alimentos que chegam a você precisam estar nos padrões de quali- dade e segurança alimentar e em conformidade com as legislações? Quem, porém, faz a regulamentação da distribuição de alimentos no mundo inteiro? Já parou para pensar sobre a sua importância? Caso, ainda, não pensou sobre esses pontos, você, agora, conhecerá como esse processo acontece. Está preparado(a)? Então, vamos lá! Sabemos que o comércio de alimentos existe há milhares de anos, ao longo do século, o que antes era vendido e consumido, localmente, passou a se expandir para U N ID A D E 5 128 Você sabia que, ao adotar as diretrizes do Codex Alimentarius, os governos protegem a segurança alimentar de seus consumidores? Você já pensou na importância que o Codex tem na segurança alimentar de uma população?! Pense nisso! pensando juntos uma infinidade de novos lugares, fazendo com que a quantidade de alimentos comer- cializados, internacionalmente, crescesse exponencialmente (MARTINELLI, 2003). Com o aumento do trânsito de alimentos, houve a necessidade de se esta- belecer normas e ações fiscalizadoras para garantir a segurança alimentar dos consumidores. Diante dessa necessidade, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS), criou, em 1963, o Codex Alimentarius, visando a estabelecer nor- mas, diretrizes e códigos de práticas internacionais de alimentos que contribuem para a segurança, qualidade e justiça do comércio internacional de alimentos, incluindo diretrizes e guias sobre boas práticas nos processos alimentícios e cri- térios para avaliação de segurança e eficácia desses. Assim, podemos dizer que o Codex Alimentarius é uma coleção de padrões alimentares, adotados internacionalmente, e textos relacionados, apresentados de maneira uniforme que visam a proteger a saúde dos consumidores e garantir práticas justas no comércio de alimentos. A publicação do Codex Alimentarius tem como objetivo orientar e promover a elaboração e o estabelecimento de de- finições e requisitos para alimentos, a fim de auxiliar na harmonização e facilitar o comércio internacional (FAO, 2019, on-line)26. Os principais objetivos dos Codex são: • Proteger a saúde dos consumidores. • Garantir práticas leais de comércio entre os países. O Codex Alimentarius é ponto de referência para todos envolvidos na cadeia de produção de alimentos, a saber: produtores, processadores e consumidores, segui- do, também, pelas agências de segurança alimentar nacionais e pelo comércio de alimentos de todo o mundo (CODEX ALIMENTARIUS, 2001). Atualmente, 187 países membros e a União Europeia participam do Codex Alimentarius, além de 238 observadores (57 organizações intergovernamentais, 165 organizações não governamentais e 16 organizações das Nações Unidas). U N IC ES U M A R 129 Embora as diretrizes adotadas pelo Codex não sejam vinculantes no contexto das legislações alimentares nacionais e que sua aplicação seja voluntária pelos membros, em geral, elas são utilizadas como base de referência para as legislações dos países. Os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) deram- -se por meio da Resolução 39/248, de 1985, das Nações Unidas. Essa Resolução incentiva as legislações nacionais adequar-se as normas internacionais. Assim, sempre que possível, os governos, ao formular suas políticas públicas e planos nacionais relacionados a alimentos e alimentação, devem adotar as normas e dire- trizes do Codex Alimentarius. Além disso, essas normas descritas pelo Codex são, muitas vezes, usadas a fim de auxiliar a harmonização e facilitar o comércio inter- nacional, contribuindo para resolução e dissolução de controvérsias, garantindo que todos tenham acesso ao alimento de forma justa (FAO, 2019, on-line)26. Divisões do Codex Alimentarius A direção do Codex Alimentarius é estruturada por três órgãos: ■ Comissão do Codex Alimentarius, órgão máximo do Programa, com- posto de todos os países participantes, em que se aprova as normas Codex. ■ Secretaria FAO/OMS, que fornece o apoio operacional à Comissão e seus órgãos auxiliares para a elaboração das normas que serão usadas. ■ Comitê Executivo, que implementa as decisões da Comissão e atua em seu nome nos períodos entre suas reuniões. Esses órgãos, também, dividem-se entre os comitês, sendo horizontais (assunto gerais), de produtos e coordenadores regionais, e as forças tarefas intergoverna- mentais. Além disso, conta com comitês permanentes ou consultas ad hoc de órgãos subsidiários de especialistas, organizados pela FAO e pela OMS (FAO, 2019, on-line)26. A estrutura do Codex Alimentarius e os comitês ativos, em 2019, encontram-se listados no Quadro 1. Comissão do Codex Alimentarius CAC Comissão do Codex Alimentarius Comitê Executivo CCEXEC Comitê Executivo da Comissão do Codex Alimentarius U N ID A D E 5 130 Comissão do Codex Alimentarius Comitês de assuntos gerais CCCF Comitê do Codex de Contaminantes em Alimentos CCFA Comitê do Codex de Aditivos Alimentares Ativo CCFH Comitê do Codex de Higiene Alimentar CCFICS Comitê do Codex sobre Sistemas de Inspeção e Certifi- cação de Importação e Exportação de Alimentos CCFL Comitê do Codex sobre Rotulagem de Alimentos CCGP Comissão de Princípios Gerais do Codex CCMAS Comitê de Métodos de Análise e Amostragem do Codex CCNFSDU Comitê de Nutrição e Alimentos do Codex para usos dietéticos especiais CCPR Comitê do Codex sobre Resíduos de Pesticidas CCRVDF Comitê do Codex sobre Resíduos de Medicamentos Veterinários em Alimentos Comitês de commodities CCCPL Comitê do Codex de Cereais, Leguminosas e Legumi- nosas CCFFV Comitê do Codex de frutas e legumes frescos CCFO Comitê do Codex sobre gorduras e óleos CCPFV Comitê do Codex de frutas e legumes processados CCSCH Comissão do Codex de Especiarias e Ervas Culinárias Forças-tarefa intergovernamentais ad hoc TFAMR Força-tarefa intergovernamental ad hoc do Codex sobre resistência antimicrobiana U N IC ES U M A R 131 Comissão do Codex Alimentarius Comitês Coordenadores da FAO / OMS CCAFRICA Comitê de Coordenação FAO / OMS para a África Ativo CCASIA Comitê de Coordenação da FAO / OMS para a Ásia CCEURO Comitê de Coordenação da FAO / OMS para a Europa CCLAC Comitê de Coordenação da FAO / OMS para a América Latina e o Caribe CCNASWP Comitê de Coordenação da FAO / OMS para América do Norte e Sudoeste do Pacífico CCNE ComitêCoordenador da FAO / OMS para o Oriente Médio Quadro 1 - Estrutura do Codex Alimentarius / Fonte: FAO (2019, on-line)26. Dentre os diversos órgãos constituintes do Codex, os órgãos subsidiários de es- pecialistas FAO/OMS merecem destaque dentro da estrutura. Esses grupos de assessoramento da Comissão do Codex Alimentarius são formados por uma série de profissionais interdisciplinares de notória relevância, entre as áreas de conhe- cimento afetas, que se embasam em princípios, devidamente, estabelecidos em Análise de Risco. Eles são responsáveis pela avaliação das demandadas emitidas pelos comitês do Codex, exercendo papel essencial nas decisões de gerencia- mento de riscos, as quais servem de base para as normas aplicadas pelo Codex (ANVISA, 2016). Como exemplo, podemos citar os três órgãos permanentes: ■ Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives (JECFA): faz a avaliação de risco da utilização de aditivos alimentares, contaminantes, toxinas de ocorrência natural e resíduos de medicamentos veterinários em alimentos. ■ Joint FAO/WHO Meeting on Pesticide Residues (JMPR): faz a ava- liação de risco do uso de pesticidas e estabelece os limites máximos de resíduo em alimentos. ■ Joint FAO/WHO Expert Meetings on Microbiological Risk Assess- ment (JEMRA): avalia o risco de microrganismos patogênicos relevantes em alimentos. U N ID A D E 5 132 O Codex se baseia em conhecimentos científicos para criação de suas normas. Para tanto, utiliza-se as avaliações dos organismos de especialistas da FAO, e da OMS são consultados sobre os novos temas que surgirem. Os alimentos derivados da biotecnologia são um exemplo. A comercialização e a liberação desses demandaram uma série de consultas de especialistas de várias áreas para assessorar e contribuir com estabelecimento da norma. Fonte: Martinelli (2003). explorando Ideias Importância do Codex Alimentarius Com a expansão em todo mundo do comércio de alimentos, cresceram, também, as oportunidades potenciais para expansão da produtividade e da economia dos países. Junto ao aumento do comércio entre nações, em decorrência do maior trânsito de produtos aumentou, tem-se a probabilidade de doenças a serem pas- sadas e disseminadas entre os países. Dessa forma, as normas e os regulamentos, desenvolvidos pelo Codex, traz segurança e proteção à saúde dos consumidores. O Codex, também, apresenta oportunidades para intercâmbio de informações entre os países membros, contribuindo para o desenvolvimento e intercâmbio de novas tecnologias (MARTINELLI, 2003). O aumento das exigências dos consumidores por alimentos nutricionalmente melhores, seguros e que represente menos impactos ao meio ambiente tem emi- tido reflexos diretos no cenário internacional de normalização de alimentos. A Organização Mundial do Comércio destaca o crescente interesse e a participação dos países nas reuniões do Codex, fortalecendo, assim, o papel do Codex, no âmbito mundial. U N IC ES U M A R 133 Caro(a) aluno(a), você já pensou quem são e o que fazem os órgãos fiscalizadores de alimentos? Quais são os agentes fiscalizadores, no Brasil, e qual é o papel de cada um deles? Nesta aula, vamos conhecer um pouco de quem são e como atuam os órgãos fiscalizadores de alimentos. Vamos lá? A segurança alimentar está intimamente ligada ao direito e à proteção da saúde de todo indivíduo. Em razão disso, é de competência dos governos estabelecer nor- mas de regulação sanitária que dizem respeito à produção, conservação, manejo e distribuição de alimentos. Dessa forma, por meio de normativas, resoluções e leis, as agências reguladoras estabelecem normas e diretrizes para o cumprimento efetivo do dever constitucional e impor limites e padrões, a fim de que os consumidores tenham acesso a alimentos com qualidade (SZRAJER, [2020], on-line)27. Normas de regulação sanitária nos âmbitos inter- nacionais e nacionais Quais, porém, são os órgãos fiscalizadores de alimentos e o que eles representam? Ao se pensar em normas de segurança alimentar no âmbito internacional, temos como destaque a OMS (Organização Mundial da Saúde) e na FAO (Organização para Ali- mentação e Agricultura). Essas duas agências são importantes órgãos de fiscalização e regulamentação de alimentos. As duas organizações criaram uma comissão para 3 AGÊNCIAS DE SEGURANÇA alimentar https://alanszr.jusbrasil.com.br/ https://alanszr.jusbrasil.com.br/ U N ID A D E 5 134 o estudo de padrões mínimos de segurança alimentar. As regras mundiais, usadas para determinar como devem ser a produção e conservação de alimentos a serem comercializados, são criadas por comissões que atuam nas organizações. Posterior- mente, os estados criam e definem as suas próprias diretrizes, como podemos citar o Codex Alimentarius, visto na aula anterior (SZRAJER, [2020], on-line)27. Outro órgão de relevância para o setor alimentício é o Food and Drug Adminis- tration (FDA), uma agência federal do departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. Essa agência reguladora possui um amplo escopo de atribuições, suas responsabilidades, no âmbito dos alimentos, têm por objetivo proteger a saúde pública, assegurando que os alimentos (com exceção das carne bovina, aves e ovos) sejam seguros, saudáveis, sanitários e, devidamente, rotulados (LEITE, 2018, on-line)28. No Brasil, o processo de fiscalização de alimentos é realizado por uma série de setores e profissionais, permeando desde a análises feitas por equipes de controle de qualidade da própria indústria até a vigilância feita pelos órgãos públicos. Destacam-se o Ministério da Agricultura (MAPA), Vigilância Sanitária e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). A seguir, falaremos mais detalha- damente sobre o papel de cada um desses órgãos governamentais, acompanhe. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) é o responsável pela gestão de políticas de estímulo ao agro- negócio e fomento à agropecuária do país. Ele busca garantir a segurança higiênico-sa- nitária da produção, tanto nacional como a destinada à exportação. Assim, a fiscalização das indústrias, exclusivamente, de produtos de origem animal, como carnes, pescados, leite e derivados, ovos, mel, abatedouros (com a inspeção de cada animal morto, an- tes do início da produção), bebidas em geral, vegetais e derivados, cabe ao MAPA. A chamada Vigilância Sanitária é a união dos poderes, em nível estadual e mu- nicipal, que se destinam a cuidar da saúde da população, buscando evitar que seja afetada negativamente. Ela é responsável por gerenciar a integridade dos serviços e produtos, buscando prevenir e combater o risco sanitário. Atua na fiscalização, em geral, desde as matérias primas para alimentos (todos os tipos), alimentos processados, além de todos elementos que possam estar envolvidos, https://alanszr.jusbrasil.com.br/ http://www.rgnutri.com.br/2018/04/06/anvisa-anuncia-que-pretende-restringir-ou-ate-banir-a-utilizacao-de-gordura-trans/ U N IC ES U M A R 135 de forma direta ou indireta, na produção de alimentos. Vale ressaltar que cabe à Vigilância Sanitária o controle de todos os produtos presente no mercado. Desse modo, mesmo que um alimento seja de origem animal (como manteiga ou leite que é de competência do MAPA), quando ele estiver alocado no mercado, sua fiscalização cabe a Vigilância Sanitária (RG NUTRI, [2020], on-line)29. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem como objetivo principal garantir a segurança e a qualidade de alimentos. Ela é o órgão responsável por estabe- lecer normas e padrões de qualidade e identidade dos alimentos, atuando também na coordenação, supervisão e controle das atividades de registro, inspeção, fiscalização e controle de riscos das atividades envolvidas no setor alimentício, nacionais ou im- portados. Pelo controle da Anvisa passam, também, os aditivos alimentares, resíduos de agrotóxicos, medicamentos veterinários e limites de contaminantes orgânicos. Temos,também, a Delegacia de Polícia de Defesa do Consumidor (DECON), um órgão da estrutura da polícia civil, que assegura o direito do consumidor, in- vestigando e reprimindo infrações penais, entre elas, podemos citar, publicidade enganosa, venda de produtos impróprios para consumo, como alimentos fora do prazo de validade e fraudes contra os consumidores (DIONÍSIO, 2016, on-line)30. O PROCON, por sua vez, é órgão do Poder Executivo municipal ou estadual, des- tinado à proteção e defesa dos direitos e interesses dos consumidores. Atuando no âmbito nacional, ele faz o acompanhamento e a fiscalização das relações de consu- mo, ocorridas entre fornecedores e consumidores (DIONÍSIO, 2016, on-line)30. As normas, resoluções e leis sanitárias, portanto, têm grande força normativa e delimita regras a serem seguidas, contribuindo para alimentos com mais qualidade e, acima de tudo, com segurança garantida para os consumidores. Fiscalização de alimentos Os órgãos de fiscalização têm como função primordial garantir a segurança ali- mentar da população, evidenciando irregularidades que possam comprometer a saúde do consumidor final. As fiscalizações podem ocorrer pelos seguintes motivos: • Visitas de fiscalização de rotina. • Por denúncia em relação à empresa. • Ação em conjunto dos órgãos fiscalizadores, quanto a um ponto deter- minado. U N ID A D E 5 136 Você sabia que as informações contidas no rótulo e na sua disposição são de extrema im- portância?! As informações devem estar em locais específicos, com tamanho e tipologia de letras determinados pelo Inmetro, assim, o consumidor pode analisar o produto de maneira clara para tomar sua decisão de compra. Fonte: Anvisa (2005). explorando Ideias Prezado(a) aluno(a), nesta aula, falamos sobre a importância da segurança para a produção de alimentos seguros. Além disso, entenderemos a importância do Codex Alimentarius e conheceremos as principais autoridades que regulam os alimentos. Para finalizar nossa jornada pela higiene e legislação de alimentos, observaremos a importância da informação em relação à rotulagem de alimentos e quais são os pontos relevantes na produção de alimentos artesanais, foco dessa aula. O rótulo é o elemento responsável por auxiliar a comunicação entre o produto e os consumidores, deve auxiliar a compreensão e a decisão de compra, aumen- tando a eficiência do mercado e o bem-estar do consumidor (MACHADO et al., 2006). Ele se define como a descrição destinada a informar todos aqueles que o utilizam acerca das propriedades nutricionais de um alimento. A rotulagem é um direito assegurado pelo Código de Defesa do Consumidor, por isso, as informa- ções fornecidas devem ser claras, com especificações de quantidade, composição e qualidade corretas bem como os riscos que o alimento possa apresentar a de- terminadas populações (CAVADA et al., 2012). 4 IMPORTÂNCIA DA ROTULAGEM DOS ALIMENTOS E A produção de produtos naturais U N IC ES U M A R 137 No Brasil, quem estabelece as normas para a rotulagem dos alimentos é a Anvisa. As regras estabelecem que alguma informações são itens obrigatórios, como lista de ingredientes, prazo de validade, informações nutricionais e medida casei- ra como fatias, xícaras, colheres etc. A declaração da presença de determinados ingredientes, como conservantes, lactose, glúten e diversos outros, usados na composição de alimentos são, especialmente, importantes, uma vez que podem ser um risco para pessoas com algum tipo de alergia ou intolerância aos ingre- dientes (ANVISA, 2019). As regras para rotulagem não se restringem apenas ao conteúdo nutricional, elas incluem, também, como a informação é veiculado ao consumidor. Palavras e informações falsas ou que induzam ao erro são proibidas. Segundo a RDC n. 259/02 da Anvisa, todo e qualquer alimento pronto que seja embalado na ausência do consumidor, deve apresentar em seu rótulo uma lista de informações mandatórias, entre elas, sua origem e identificação do fabricante bem como sua denominação de venda, lote, validade, conteúdo líquido, lista de ingre- dientes e instruções de preparo (quando aplicável) ou uso. Além dessa, há uma série de outras normas e regulamentos que assegurem informações aos consumidores, como a RDC n. 360/03 que estabelece a obrigatoriedade da rotulagem nutricional; Lei n. 10.674/03 que determina a declaração da presença de glúten; a RDC n. 136/17 que faz alusão à declaração da presença de lactose e a RDC n. 26/15 que determina a informação da presença de alergênicos (ANDRADE, 2019, on-line)31. Segundo o Manual de Orientação às Indústrias de Alimentos (BRASIL, 2005), alguns produtos estão dispensados da rotulagem nutricional obrigatória, a saber: • As águas minerais e demais águas destinadas ao consumo humano. • As bebidas alcoólicas. • Aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia. • As especiarias, como pimenta do reino, cominho, noz moscada, canela e outros. • Os vinagres. • O sal (cloreto de sódio). • Café, erva mate, chá e outras ervas, sem adição de outros ingredientes. • Os alimentos preparados e embalados em restaurantes e estabeleci- mentos comerciais, prontos para o consumo, como sanduíches emba- lados, sobremesas ou saladas de frutas e outras semelhantes. • Os produtos fracionados nos pontos de venda a varejo, comercializados como pré-medidos. http://portal.anvisa.gov.br/documents/506590/5489607/Informa%C3%A7%C3%A3o+nutricional+obrigat%C3%B3ria/4244c518-f40a-4552-a104-5280516ce7c2?t=1557326272808 U N ID A D E 5 138 • Alimentos fatiados, como queijos, presuntos, salames, mortadelas, entre outros. • Frutas, vegetais e carnes in natura, refrigerados ou congelados. Em casos especiais, quando a embalagem é muito pequena (com superfície visível menor que 100 cm²), ela é dispensada, exceto se forem produtos light ou diet. Principais pontos a se prestar atenção na rotulagem O rótulo precisa transmitir ao consumidor as informações fidedignas do produto, dessa forma, algumas informações são fundamentais, como: • Lista de ingredientes presente no produto Os ingredientes devem ser apresentados em ordem decrescente em relação à quan- tidade presente no produto, ou seja, os itens presentes em maior quantidade devem aparecer primeiro. Dessa lista, estão dispensados os alimentos de ingrediente único, como açúcar, café, farinha de mandioca, leite, vinagre, entre outros (BRASIL, 2005). • Lote de fabricação e prazo de validade Produtos que apresentam prazo de validade inferior a três meses devem trazer o dia, o mês e o ano de validade, já para os demais produtos, apenas, o mês e o ano (BRASIL, 2005). • Informação sobre a presença de alergênicos A inserção de informações sobre a presença de componentes alergênicos é obri- gatória, no rótulo dos alimentos (BRASIL, 2005). A obrigatoriedade, antes somen- te para a presença ou não de glúten como forma de controle da doença celíaca, passou para outros componentes, uma vez que cerca de 90% das alergias são causadas por outros componentes, tais como: ■ Peixes. ■ Crustáceos (frutos do mar). ■ Soja. ■ Trigo. U N IC ES U M A R 139 ■ Amendoim. ■ Ovo. ■ Leite. ■ Oleaginosas (amêndoas, castanhas, nozes) (GOULART, 2018, on-line)32. A informação da presença de alergênicos é fundamental para garantir uma boa co- municação com a população, uma vez que a caso algum indivíduo que possua alergia entre em contato com o componente a ele alergênico pode apresentar desde vermelhi- dão no local até choque anafilático, em casos mais graves (GOULART, 2018, on-line)32. • Denominação do produto segundo a Anvisa Os produtos devem apresentar, em seu rótulo, a designação de venda (que nada mais é que a informação que representa como o produto é definido), de acordo com estudo técnico da legislação brasileira (BRASIL, 2005). Um exemplo: uma emba- lagem de azeite de Oliva deve, assim, conter essa denominação. Para este produto, porém, existem diversas variações (virgem, extra virgem etc.), o termo deve ser descritocom sua descrição principal e complemento: Azeite de Oliva Extra Virgem. • Informar o conteúdo líquido (peso ou volume) Deve estar expresso em massa (gramas ou quilos) ou em volume (ml, litros). No caso de produtos em conservas, é necessário, também, informar a massa do conteúdo drenado (BRASIL, 2005). • Informação nutricional obrigatória para o produto A presença da tabela nutricional é obrigatória, na maioria dos casos, mesmo para os que não tenham essa obrigatoriedade (BRASIL, 2005). • Informações nutricionais complementares Estas são as informações relacionadas aos atributos específicos presentes no alimento, como exemplo, podemos citar os alimentos com teor reduzido de açúcares, de gordura ou determinado nutriente, alimentos diet e light etc. (BRASIL, 2005). A seguir, encon- tra-se ilustrado um exemplo da disposição das informações obrigatórias do rótulo: U N ID A D E 5 140 Figura 1 - Identificação obrigatória dos rótulos / Fonte: Pereira (2016). Informação nutricional obrigatória Popularmente chamada de tabela nutricional, ela deve apresentar informações sobre todos os nutrientes presente nos alimentos e seus respectivos valores ener- géticos. Deve, obrigatoriamente, apresentar os seguintes itens: U N IC ES U M A R 141 ■ Valor Energético Em Kcal E Kj. ■ Carboidratos. ■ Proteínas. ■ Gorduras Totais. ■ Gorduras Saturadas. ■ Gorduras Trans. ■ Fibra Alimentar. ■ Sódio (MACHADO, 2015). Todos os itens apresentados devem estar discriminados em quantidade por por- ção e %VD, sendo porção apresentada em grama ou mililitro e sua respectiva medida caseira (copo, colher de sopa, fatias, unidades etc.). Caso apresente outros minerais e vitaminas com pelo menos 5% do VD (valor diário), estes poderão ser apresentados na tabela nutricional. A seguir, veremos alguns exemplos de apresentação da informação nutricional nos rótulos. Figura 2 - Modelo de Tabela nutricional Horizontal / Fonte: Anvisa (2005). https://www.promtec.com.br/como-calcular-e-montar-a-tabela-nutricional-de-um-produto/ U N ID A D E 5 142 Figura 3 - Modelo de Tabela nutricional vertical / Fonte: Anvisa (2005). Modelo Linear Segundo a Anvisa, no modelo linear, as informações são todas colocadas em forma de texto: Informação Nutricional: Porção ___ g ou m (medida caseira); Valor energéti- co___ Kcal =___kJ (___%VD); Carboidratos ___g (___%VD); Proteínas ___g (___%VD); Gorduras totais ___g (___%VD); Gorduras saturadas___g (___%VD); Gorduras trans___g (VD não estabelecido); Fibra alimentar ___g (___%VD); Sódio ___mg (___%VD). *% Valores Diários com base em uma dieta de 2.000 kcal ou 8.400 kJ. Seus valores diários podem ser maiores ou menores dependendo de suas necessidades energéticas. Quadro 2 - Modelo linear / Fonte: Brasil (2005). U N IC ES U M A R 143 Modelo Simplificado A tabela nutricional, na forma de modelo simplificado, pode ser usada quando um produto apresentar um ou mais nutrientes em quantidades não significativas, podendo também ser substituído pela frase “Não contém quantidade(s) signi- ficativa(s) de___ (nome(s) do(s) nutrientes(s))”. A seguir temos um exemplo de rotulagem simplificada (BRASIL, 2005). Figura 4 - Modelo Simplificado / Fonte: Goulart (2018, on-line)32. Produção de Produtos Artesanais Você sabia que o salame, a geleia e o queijo que você compra na barraquinha da feira do seu bairro e os industrializados que você adquire nos supermercados são alimentos sujeitos às normas sanitárias? Como vimos até aqui, no Brasil, existe uma série de legislações para a regulamentação da produção e comercialização de alimentos, e para os produtos artesanais, não seria diferente. Independentemente da escala de produção e o tipo de processo utilizado para fabricação, artesanal ou industrial, existem regras para legalizar a produção e comercialização de ali- mentos (ANDRADE, 2019, on-line)31. U N ID A D E 5 144 A RDC n. 275/02 dispõe sobre Procedimentos Operacionais Padronizados (POPs) demanda- dos aos estabelecimentos que produzem/ processam alimentos. A RDC n. 216/04 visa garan- tir as condições higiênico sanitárias do alimento preparado, por meio do estabelecimento de procedimentos de Boas Práticas para serviços de alimentação, que incluam manipulação e preparo, distribuição, exposição à venda e entrega de alimentos preparados ao consumo, por exemplo, lanchonetes, padarias, restaurantes, entre outros estabelecimentos. Fonte: Andrade (2020). explorando Ideias Segundo o Dicionário Brasileiro da Língua portuguesa, Artesanal é definido como: feito de forma rústica ou por processos tradicionais, individuais e manuais, em oposição à produção industrial. Dessa forma, podemos dizer que alimento arte- sanal é aquele produzido por meio de “técnicas caseiras”, utilizando-se de baixa tec- nificação dos utensílios e estrutura para sua produção (ANDRADE, 2019, on-line)31. Normas para a fabricação de alimentos sempre existiram, como o Decreto-Lei n. 986/69, que, em seu Artigo 46, prevê aos estabelecimentos ou qualquer tipo de instalação em que se processa, embala, transporta e comercializa alimentos deve possuir licença de funcionamento, emitida pela autoridade sanitária competen- te (municipal, estadual ou federal). Além disso, qualquer estabelecimento que produz alimentos deve estar regularizado junto ao órgão sanitário competente e obedecer às normas de Boas Práticas de Fabricação (BPF), como a Portaria n. 326/97, que estabelece os requisitos gerais de higiene e de boas práticas de fabri- cação para alimentos produzidos/fabricados, destinados a consumo humano. Atualmente, no Brasil, o sistema de inspeção de produtos de origem animal e ve- getal vigente é o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (SUASA), idealizado para ser organizado de forma unificada, em que a União (por meio do Mapa) coordena o sistema, sendo a Central e Superior. Os estados e Distrito Federal atuam como instância Intermediária e os municípios, como instância Local, por meio de adesão voluntária. O objetivo deste novo sistema é garantir a saúde dos animais e a sanidade dos vegetais à idoneidade dos serviços e insumos, buscando assegurar a identidade, qualidade e segurança higiênico-sanitária e tecnológica dos produtos finais, destinados ao consumo. A Figura 5 ilustra a organização do SUASA: U N IC ES U M A R 145 Figura 5 - Esquema organizacional do SUASA / Fonte: adaptado de Abujamra (2019, on-line)33. Em nosso estudo, vamos nos ater apenas às duas primeiras subdivisões, pois refere-se aos órgãos atuantes na fiscalização dos produtos artesanais de origem vegetal e animal. Então, conheceremos um pouco de suas atribuições. O Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA) tem como objetivo harmonizar e padronizar os procedimentos de inspeção dos produtos de origem animal, visando a trazer os seguintes benefícios: ■ Harmonizar e padronizar os procedimentos de inspeção no território nacional. ■ Ampliar a comercialização de produtos de origem animal. ■ Garantir a inocuidade dos produtos de origem animal comercializados. ■ Contribuir com a saúde pública e a segurança alimentar. ■ Promover o desenvolvimento e a inclusão social, em todas as regiões do Brasil (ABUJAMRA, 2019, on-line)33. Mesmo o SISBI- POA sendo o órgão, em âmbito nacional, não se trata de um serviço de inspeção, ele é um sistema, semelhante ao SUS, com a diferença que no SUS é de adesão obrigatória dos municípios e, em tese, é de adesão voluntária. Assim, quem inspeciona os produtos de origem animal são: U N ID A D E 5 146 ■ Serviço de Inspeção Federal (SIF): é competente pela realização da ins- peção e fiscalização de estabelecimentos de produtos de origem animal, seja de comércio interestadual, seja internacional (ADAPAR, 2019, on-line)34. Figura 6 - Selo de Inspeção Federal / Fonte: Adapar (2019, on-line)34. ■ Serviço de inspeção Estadual: no caso do Estado do Paraná, SIP/POA é o responsável pela fiscalizaçãoe inspeção dos estabelecimentos que reali- zam o comércio intermunicipal (ADAPAR, 2019, on-line)34. Figura 7 - Selo SIP/POA / Fonte: Adapar (2019, on-line)34. ■ Serviço de Inspeção Municipal (SIM): responsável pela fiscalização e inspeção dos estabelecimentos que realizam o comércio, exclusivamente, dentro do município (ADAPAR, 2019, on-line)34. O Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI/POA) é equivalente aos Serviços de Inspeções estaduais e municipais. Os produtos com este selo podem ser comercializados, somente, dentro do país (ADAPAR, 2020) U N IC ES U M A R 147 Figura 8 - Selo SISBI /Fonte: Adapar (2019, on-line)34. Já a SISBI-POV, ainda, depende de regulamentação. De acordo com o Decreto n. 5.741/2006, o MAPA é quem definirá a regulamentação de forma individual ou coletiva, a agricultores familiares e equivalentes ou a produtores rurais sobre instalações destinadas à produção de bebidas. A Equivalência dos Serviços Os Estados, Distrito Federal e Municípios podem aderir e integrar os Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos de Origem Animal e Vegetal. Ao se falar de produtos artesanais, não podemos nos esquecer também do Sistema Unificado de Atenção à Agroindústria Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (SUSAF). Como o SISBI, ele é um programa de aderência voluntária, desenvolvido para aumentar as parcerias da sociedade com órgãos de Estado, visando à preservação e promo- ção da segurança alimentar, permitindo, assim, que os produtos inspecionados possam ser comercializados em todo o estado. A unificação dos serviços de inspeção, portanto, deve-se adequar à padro- nização de seus processos e procedimentos de inspeção e fiscalização, visando: ■ À adequação das inspeções e fiscalizações, em todas as fases das cadeias produtivas, melhorando sua eficácia. ■ À inexistência de quaisquer conflitos de interesse dos agentes de fiscalização. ■ À Infraestrutura e equipamentos adequados para a realização de testes e controles oficiais com segurança e efetividade. ■ À previsão dos poderes legais para efetuar as inspeções e fiscalizações. ■ À realização de ações de educação sanitária e de combate à clandestinidade. U N ID A D E 5 148 A Instrução Normativa n. 36/2011 dispõe os procedimentos necessários para a adesão ao SISBI-POA e os requisitos necessários para a obtenção da equivalência dos serviços em âmbito estadual, do DF e municipais, a saber: ■ Possuir infraestrutura administrativa. ■ Zelar pela inocuidade e qualidade dos Produtos de origem animal. ■ Prevenção e combate à Fraude Econômica e à clandestinidade. ■ Controle Ambiental. O Selo Arte Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária e Abastecimento, o Selo Arte, inicialmente, será aplicado a produtos lácteos, especialmente, queijos. Novas eta- pas, porém, deverão, aos poucos, abranger novos produtos de origem animal, tais como: produtos cárneos (embutidos, defumados, linguiças), pescados e seus produtos derivados (defumados, anchovados) e produtos oriundos de abelhas (mel, geleia real, própolis e cera) (MAPA, 2020). A Lei do Selo Arte, aprovada em 2018, modifica a legislação de 1950, dispon- do de normativas para a inspeção industrial e sanitária dos produtos de origem animal. Assim, o Decreto n. 9.918/19 regulamenta o Art. 10-A, da Lei n. 1.283/50, incluído pela Lei n. 13.680/18, dispõe: Fonte: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (2019). Com a mudança, a comercialização interestadual de produtos alimentícios ar- tesanais, produzidos por métodos tradicionais ou regionais com características próprias, passa a ser permitida. Anteriormente, a comercialização de tais produtos limitava-se apenas ao município ou estado em que o alimento foi produzido e inspecionado. Com a nova regulamentação do Selo Arte, os produtos poderão ser vendidos em todo território brasileiro (ANVISA, 2020). Mas, agora, com o selo, de quem é responsabilidade para fiscalizar esses produtos? http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/Lei/L13680.htm U N IC ES U M A R 149 A inspeção e a fiscalização sanitária dos produtos artesanais serão feitas pe- los estados em consórcios de municípios e o Distrito Federal. Essas entidades serão responsáveis tanto pela concessão do Selo Arte e atualização do Cadastro Nacional de Produtos Artesanais como pela fiscalização dos produtos, estabele- cimentos de produção e cumprimentos das normas e regulamentos sanitários dos produtos alimentícios de origem animal, produzidos de forma artesanal. Os comércios varejista e atacadista, por sua vez, serão fiscalizados pelos órgãos de saúde pública dos estados e do Distrito Federal (ANVISA, 2020). O quadro a seguir ilustra as competências de cada um dos órgãos fiscaliza- dores do Selo Arte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) • Estabelecer, em normas técnicas complementares, as boas práticas agropecuária e de fabricação para produtos artesanais. • Realizar procedimentos de verificação da conformidade da concessão do selo ARTE. • Fomentar a educação sanitária e a qualificação técnica em boas práticas agropecuárias, na produção artesanal e na fa- bricação de produtos artesanais. • Criar e fazer a gestão de Cadastro Nacional de Produtos Artesanais. • Auditar os produtos alimentícios de origem animal produ- zidos de forma artesanal que tiverem o selo ARTE. • Elaborar guias orientadores de boas práticas agropecuá- rias na produção artesanal e na fabricação de produtos ar- tesanais. Órgãos de Agricultura dos Estados e do Distrito Federal • Conceder o selo ARTE. • Fiscalizar os produtos artesanais que tenham obtido o selo ARTE. • Elaborar normativos que caracterizem e garantam a ino- cuidades do alimento artesanal. • Fornecer e atualizar as informações do Cadastro Nacional de Produtos Artesanais. Produtor Artesanal • Garantir a identidade, a qualidade e a segurança do produ- to alimentício artesanal. Quadro 3 - Órgãos fiscalizadores e suas competências no Selo Arte / Fonte: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (2019). U N ID A D E 5 150 Até agora aprendemos o que é o Selo Arte, quais são os órgãos fiscalizadores e suas competências, mas quais são os principais requisitos para um produto alimentício de origem animal, produzido de forma artesanal, receber esse selo? Segundo o Decreto n. 9.918/19, para ser concedido o Selo Arte aos produtos alimentícios de origem animal produzidos de forma artesanal, estes não devem atender apenas a forma rústica de preparo mas também a outros conceitos, tais como: ■ Especificidade regional, em que poderá haver a delimitação geográfica da área de produção. ■ As matérias-primas utilizadas na produção dos produtos artesanais de origem animal devem ser beneficiadas na propriedade, onde a unidade de processamento estiver localizada ou devem possuir origem determinada. ■ Todos os processos, mesmo que artesanais, devem atendem às boas prá- ticas agropecuárias e de fabricação na produção artesanal. ■ Todas as técnicas e utensílios adotados, durante o processamento, que in- fluenciam ou determinam a qualidade e a natureza do produto final devem ser, predominantemente, manuais, independentemente da fase do processo produtivo, e feito, prioritariamente, a partir de receita tradicional. ■ O produto final deve ser genuíno, mantendo as características tradicionais do produto; podem ser culturais ou regionais e permitir a variabilidade sensorial entre os lotes de produtos (ANVISA, 2020). Veja, na figura a seguir, a ilustração da logo- marca do Selo Arte, utilizada nos produtos de origem animal, produzidos artesanalmente. A regulamentação o Selo Arte permitiu a desburocratização da produção e a venda de alimentos de origem animal, produzi- dos artesanalmente, além da legalização da comercialização interestadual de produtos alimentícios produzidos de forma artesanal. Queijos artesanais e embutidos de origem animal amplamente conhecidos, como a Carnede Sol de Montanha e o queijo da Serra da Canastra, passaram a ser co- mercializados em todo o território nacional (ANVISA, 2020). Acima de tudo, o selo é garantia de segurança para o consumidor, uma vez que além de respeitar Figura 9 - Selo ARTE Fonte: Didier (2019, on-line)35. https://alimentusconsultoria.com.br/author/dafnedidier/ https://alimentusconsultoria.com.br/author/dafnedidier/ U N IC ES U M A R 151 as características e métodos tradicionais de produção, assegura a qualidade e os padrões de boas práticas de fabricação dos produtos e padrões sanitários. Além disso, ele traz uma série de benefícios aos produtores, conforme a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (2019): ■ Reconhecimento e permissão de comercialização em todo o território nacional. ■ Garantia da inocuidade (não ser prejudicial) dos produtos comercializa- dos, garantindo que estes sejam produzidos dentro das normas sanitárias. ■ Impulsionamento da produção e comercialização dos produtos de ma- nufatura artesanal. ■ Valorização dos produtos e da agricultura familiar. Alimento Artesanal, como e quem pode fabricar? Como vimos, existe uma série de legislações em diferentes âmbitos, contudo al- gumas generalidades são adotadas pela maioria delas. Que alimentos podem ser artesanais? Existe uma infinidade de alimentos que podem ser preparados de ma- neira artesanal, dentre eles, podemos citar diversas categorias de produtos, como: queijos, pães, bolos, geleias, embutidos, defumados, fermentados, doces em massa, biscoitos e bolachas, alimentos congelados, balas, bombons e similares, cafés, ce- reais e derivados, chás, erva mate, composto de erva mate, preparações e produtos para tempero a base de sal, frutas e vegetais dessecados, frutas em conserva, gela- dos comestíveis, pastas e patês, produtos de coco, salgadinhos, entre muitos outros (LATORRE, [2020]). Quem pode produzir esses alimentos artesanais? Podemos dizer que o produtor de alimento artesanal, tanto de origem animal como de origem vegetal, pode ser uma pessoa física, um produtor rural ou pessoa jurídica com faturamento bru- to anual definido para microempresa, com licença de funcionamento, concedida pelo órgão de Vigilância Sanitária Municipal ou Estadual (LATORRE, [2020]). Vale lembrar que, mesmo que sejam alimentos artesanais, vimos que eles precisam, as- sim como os industrializados, estar de acordo com as normas higiênico-sanitárias. Mesmo que ele seja comercializado diretamente ao consumidor, necessita de local apropriado para sua manipulação e deve possuir a Licença de Funcionamento, emitida pelo órgão de Vigilância Sanitária competente (LATORRE, [2020]). U N ID A D E 5 152 ndependentemente do porte da indústria, a rotulagem de alimentos adequada é uma obrigação da empresa. Além disso, um bom rótulo é determinante para chamar a atenção do consumidor no ponto de venda e, consequentemente, estimular as vendas do produto. Fonte: Fispa tecdigital (2018, on-line)36. explorando Ideias Os alimentos artesanais também necessitam de rótulos, com todas as informações descritas anteriormente. Junto ao rótulo, os produtos devem apresentar Selo de identidade, como é o caso do Selo Arte, (LATORRE, [2020]). CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), nas unidades anteriores, você adquiriu conhecimentos essen- ciais sobre os alimentos seguros e o seu modo de produção; compreendeu a im- portância dos indicadores de qualidade e a segurança dos alimentos, os critérios microbiológicos e as doenças de origem alimentar; aprendeu, também, alguns controles fundamentais para a garantia da segurança de alimentos, o gerencia- mento e as ferramentas da qualidade para produção de alimentos seguros. Por fim, na Unidade 5, você conheceu os aspectos relevantes da segurança na produção de alimentos; observou as principais considerações sobre o controle sanitário dos alimentos, sua importância e relevância no processo de produção de alimentos seguros. Na sequência, você conheceu o Codex Alimentarius; aprendeu como se dá sua estrutura e as divisões, como são determinados seus padrões, diretrizes e códigos de práticas internacionais de alimentos, que contribuirão para a segurança, qualidade e justiça do comércio internacional de alimentos e sua importância para o cenário de produção de alimentos. Mais adiante, você viu quem são as agências de segurança alimentar, quais os órgãos que regulamentam a produção e comercialização de alimentos no mundo e, também, no país, e re- conheceu a importância da participação delas no mercado global de alimentos. Para finalizar nossa jornada pela higiene e legislação de alimentos, a unidade se encerra com a importância da rotulagem de alimentos, sua atuação e principais generalidades, em que conhecemos a importância da informação em relação à rotulagem de alimentos. Todos os temas abordados, nesta unidade, foram de extrema relevância para a produção de alimentos, porém, sutilmente, aborda- dos, aqui. Desse modo, caso você deseje aprofundar seus conhecimentos, estão disponíveis algumas sugestões de materiais complementares. 153 na prática 1. Baseado no que vimos nessa unidade, discorra sobre a finalidade dos rótulos. 2. Analise as afirmações a seguir a respeito das agências de segurança: I - O FDA tem como objetivo proteger a saúde pública, assegurando que os ali- mentos (com exceção das carne bovina, aves e ovos) sejam seguros, saudáveis, sanitários e, devidamente, rotulados. II - OMS (Organização Mundial da Saúde) e na FAO (Organização para Alimentação e Agricultura) buscam, por meio de comissões, criar regras mundiais para a produção e conservação de alimentos a serem comercializados em estabeleci- mentos comerciais, a fim de que os estados sigam as legislações impostas por ele, sem nenhuma autonomia. III - No Brasil, o processo de fiscalização de alimentos se dá, apenas, por pelos ór- gãos públicos, com destaque para o Ministério da Agricultura (MAPA), Vigilância Sanitária e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Assinale a alternativa correta: a) Apenas, I e II estão corretas. b) Apenas, II e III estão corretas. c) Apenas, I está correta. d) Apenas, I e III estão corretas. e) Todas as alternativas estão corretas. 3. A respeito da segurança na produção de alimentos, assinale a resposta correta. a) A aplicação das diretrizes adotadas pelo Codex é obrigatória aos países mem- bros. b) A Vigilância Sanitária atua no controle de todos os produtos presentes no mer- cado, mas, se o produto for de origem animal (como manteiga ou leite que é de competência do MAPA), ele é dispensado da fiscalização da Vigilância Sanitária. c) A inserção de informações sobre a presença de componentes alergênicos é obri- gatória no rótulo dos alimentos, apenas, para indicação da presença de glúten. d) O rótulo é o elemento responsável por auxiliar a comunicação, entre o produto e os consumidores, a compreensão e a decisão de compra, aumentando a efi- ciência do mercado e o bem-estar do consumidor. http://www.rgnutri.com.br/2018/04/06/anvisa-anuncia-que-pretende-restringir-ou-ate-banir-a-utilizacao-de-gordura-trans/ 154 na prática 4. Considere as afirmativas a seguir: ( ) O controle sanitário tem a finalidade de melhorar a higiene do processo de produção alimentício e atribuir a ele segurança. ( ) Os produtos fracionados e alimentos fatiados necessitam de rotulagem. ( ) Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives (JECFA) faz a avaliação de risco da utilização de aditivos alimentares, contaminantes, toxinas de ocorrência natural. 5. Quais são os principais objetivos do Codex Alimentarius? 6. A respeito da produção de alimentos artesanais, assinale a resposta correta: a) O Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária- SUASA é um sistema de adesão obrigatório por todos os estados do Brasil. b) O Selo Arte é a certificação para os produtos de origem vegetal. c) O órgão responsável pela concessão do Selo Arte é o MAPA. d) Serviço de InspeçãoFederal (SIF) é quem faz a fiscalização de estabelecimentos de produtos de origem animal, os quais realizam o comércio no âmbito interes- tadual ou internacional e) O Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI/POA) é equivalente aos Serviços de Inspeções internacionais. 155 aprimore-se TENDÊNCIAS DA ALIMENTAÇÃO De acordo com o Brasil Food Trends 2020 (2010), projeto nacional que pesquisou o futuro do mercado alimentício nacional, “tendência” pode ser definida como a pro- pensão dos indivíduos em modificar hábitos já estabelecidos. A ação é resultado dos amplos e complexos movimentos econômicos, sociais, culturais e políticos que se traduzem em constante influência na vida das pessoas. Jumar Pedreira, o primeiro painelista do evento, refere-se a “megatendências” como sendo grandes mudanças sociais, econômicas, políticas e/ ou tecnológicas, que se formam lentamente e, uma vez estabelecidas, exercem influência por longo tempo. É interessante observar- -se que, independentemente do termo, ambos apresentam ideias muito próximas quanto às expectativas dos consumidores do Brasil e do mundo em relação à sua alimentação. O Brasil Food Trends 2020 chegou a suas conclusões após a análise de relatórios estratégicos produzidos por institutos de referência internacional e con- seguiu agrupar as tendências para o ramo de alimentação em cinco categorias: Sen- sorialidade e Prazer; Saudabilidade e Bem-estar; Conveniência e Praticidade; Con- fiabilidade e Qualidade e Sustentabilidade e Ética. Coincidência ou comprovação de que estas tendências já se estabeleceram sem mesmo as pessoas se darem conta, percebe-se que os cinco agrupamentos, com pequenas alterações, compõem os cin- co eixos temáticos do SSA4. As tendências de “sensorialidade e prazer” levam a uma valorização das artes culinárias e experiências gastronômicas, criando o interesse pela harmonização de alimentos e bebidas, por novas texturas e sabores, com uma disseminação de receitas regionais e valorização da cultura na alimentação. Uma mensagem neste sentido foi apresentada pela chef baiana Tereza Paim, que, em seu restaurante na Praia do Forte, desenvolve uma culinária regional, explorando os sabores e saberes da raiz da cozinha brasileira com influências de outras culturas do mundo. Ela ainda dedica parte de seu tempo ao desenvolvimento de insumos regionais, ajudando os produtores a melhorar seus produtos na origem, que são extremamente valorizados em suas receitas. Numa tentativa de junção desta ten- dência com a de “conveniência e praticidade”, motivada, principalmente, pelo ritmo de vida nos centros urbanos e pelas mudanças verificadas na estrutura tradicional 156 aprimore-se das famílias, que estimulam a demanda por produtos que permitem a economia de tempo e esforços dos consumidores, foi criada a empresa “Organic Baby”. Seu conceito busca o desenvolvimento de alimentos infantis, prontos para o consumo, preparados a partir de produtos frescos, totalmente livres de agrotóxicos seguin- do técnicas de preparo inovadoras e com alto destaque para a higiene, propondo cardápios baseados nas fases de crescimento e com composições inusitadas, tais como moranga com couve e gema de ovo, para bebês de nove meses, ou risoto de quinua, com espinafre, frango e cenoura, para maiores de 12 meses. A tendência de “saudabilidade e bem-estar”, originada por fatores, tais como o envelhecimento das populações e as descobertas científicas que vinculam determinadas dietas às doen- ças, acaba por influenciar a busca de um estilo de vida mais saudável, que é aborda- da mais aprofundadamente no eixo sobre “Alimentos funcionais ou inovadores”. A tendência “sustentabilidade e ética” tem provocado o surgimento de consumidores preocupados com o meio ambiente, também interessados na possibilidade de con- tribuir para causas sociais ou auxiliar pequenas comunidades agrícolas, por meio da compra de produtos alimentícios. A última tendência, “confiabilidade e qualidade”, refere-se a consumidores mais conscientes e informados, que demandam produtos seguros e de qualidade atestada, valorizando a garantia de origem e os selos de qualidade, obtidos a partir de boas práticas de fabricação e controle de riscos. Fonte: Nitzke, J. A. (2012, p.3-4). 157 eu recomendo! Vigilância Sanitária: Tópicos Sobre Legislação e Análise de Alimentos Autor: Ligia Bicudo de Almeida-Muradian e Marilene de Vuono Camargo Editora: Guanabara Koogan Sinopse: nesta obra, as autoras abordam como se deu a evolução da legislação brasileira e sua contextualização no panorama inter- nacional, além de discorrer sobre os vários aspectos do registro de alimentos in- dustrializado e o controle de qualidade, conduzido sob os pontos de vista da meto- dologia envolvida na análise de cada um dos tipos clássicos de alimentos, no Brasil. livro Alimentos e bebidas: Rotulagem de alimentos Autor: Alan Tavella Editora: Senai Sinopse: este livro visa a contribuir para o entendimento sobre as informações existentes nos rótulos, além de apresentar aos pro- fissionais de saúde e empreendedores as legislações vigentes, re- lacionadas à rotulagem de alimentos. São abordados os principais conceitos do seu âmbito e legislações, os tipos de rótulos e embalagens, informa- ções obrigatórias e algumas exigências específicas para determinados produtos, rotulagem nutricional e de alimentos para fins especiais, critérios para descrição de nutrientes essenciais, suplementos e demais tipos de alimentos. livro 158 eu recomendo! Fed Up Ano: 2014 Sinopse: Fed Up é um documentário que nos coloca para repen- sar sobre o consumo exagerado do açúcar. O filme investiga e revela as mentiras escondidas por trás dos rótulos de “light” e os "açúcares escondidos", presentes nos alimentos processados. Além disso, o filme apresenta a importância da atuação dos go- vernos em relação às legislações do segmento alimentício. filme 159 eu recomendo! 159 conclusão geral conclusão geral Prezado(a) aluno(a), nosso conteúdo se encerra por aqui. Os principais tópicos so- bre Higiene e Legislação - Sistemas de Segurança Alimentar e pontos de relevância para esta área do conhecimento foram apresentados, ao longo das cinco unidades contidas neste livro. Na Unidade 1, apresentou-se um breve conceito sobre os alimentos seguros e como se dá a produção desses alimentos no contexto de segurança alimentar. Des- se modo, você, caro (a) aluno (a), pôde compreender os perigos e a importância do cuidado na manipulação dos alimentos. Na Unidade 2, você aprendeu importantes conceitos relacionados à segurança alimentar e à produção de alimentos seguros e foi capaz de entender as medidas de controles fundamentais que contribuem para garantia da segurança de alimentos. Isso inclui, dentre outras medidas, o conhecimento sobre os tipos de higienização aplicados na indústria e a importância do desenho sanitário dentro das instalações. Na Unidade 3, você conheceu, de forma mais aprofundada, as Boas Práticas de Fabricação (BPF) e Boas Práticas Higiênicas (BPH), os Programas de autocontroles (PAC´s), os Procedimento Padrão de Higiene Operacional (PPHO) e Procedimento Operacional Padrão (POP). Nessa unidade, você, ainda, compreendeu um pouco mais sobre o controle dos registros documentais referentes a tais atividades. Na Unidade 4, aprendeu a Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), os padrões ISO (9000; 14000 e 22000), as normativas FSSC 22000 e a BRC, observando, assim, a importância de se produzir alimentos com qualidade e segu- rança, além de propiciar a satisfação de clientes. Por fim, encerramos nossos estudos na Unidade 5, discutindo as principais con- siderações sobre o controle sanitário dos alimentos, sua importância e relevância no processo de produção de alimentos seguros. Por fim, você conheceu os principais órgãos regulamentadores para alimentos e a importância dosrótulos dos alimentos. Esperamos que você tenha construído uma base sólida e consistente sobre Hi- giene e Legislação - Sistemas de segurança alimentar e que, por meio do conteúdo visto até aqui, você tenha desenvolvido conhecimentos significativos sobre a produ- ção de alimentos seguros e sua importância para a sociedade e o meio ambiente. Grande abraço! referências 160 ABNT. ABNT ISO/TS 22002-1: programa de pré-requisitos na segurança dos alimentos. Parte 1: Processamento industrial de alimentos. Rio de Janeiro, 2006. ABNT. NBR ISO 14001: sistemas da gestão ambiental - requisitos com orientações para uso. Rio de Janeiro, 2004. ABNT. NBR ISO 22000: sistemas de gestão da segurança de alimentos - requisitos para qual- quer organização na cadeia produtiva de alimentos. Rio de Janeiro, 2006. ABNT. NBR ISO 22000: sistemas de gestão da segurança de alimentos – requisitos para qual- quer organização na cadeia produtiva de alimentos. Rio de Janeiro, 2019. ABNT. 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D. 2. B. 3. A. 4. C. 5. E. UNIDADE 2 1. A. 2. D. 3. E. 4. B. 5. D. UNIDADE 3 1. C. 2. Higienização das instalações, equipa- mentos, móveis e utensílios; controle da potabilidade da água; higiene e saúde dos manipuladores; manejo dos resí- duos; manutenção preventiva e calibra- ção de equipamentos; controle integra- do de vetores e pragas urbanas; seleção das matérias-primas, ingredientes e embalagens, programa de recolhimen- to de alimentos. 3. Conjunto de normas e procedimentos aplicados à indústria de alimentos, vi- sando a garantir a produção de alimen- tos com qualidade e segurança. 4. Procedimento Operacional Padrão (POP) são instruções detalhadas sobre técnicas e operações realizadas rotinei- ramente com intuito de garantir aos produtos alimentícios a inocuidade e a segurança dos manipuladores. Os Pro- gramas de Autocontrole (PAC), por sua vez, são programas descritos pelo esta- belecimento com o objetivo de esclare- cer a forma de garantir o cumprimen- to das BPFs, além de outros controles necessários para cada tipo de estabe- lecimento. Os PACs são instrumentos utilizados para o gerenciamento dos processos de produção, visando à qua- lidade. 5. O Manual de Pacs deve abranger os se- guintes pontos: 1. Manutenção das instalações e equi- pamentos industriais. 2. Vestiários e sanitários. 3. Iluminação. 4. Ventilação. 5. Água de abastecimento. 6. Águas residuais. 7. Controle integrado de pragas. 8. Limpeza e Sanitização. 9. Higiene, hábitos higiênicos, treina- mentos e saúde dos operários. 10. Procedimentos Sanitários das Ope- rações. 11. Controle da matéria-prima, ingre- dientes e material de embalagem. gabarito 173 12. Controle de temperaturas. 13. Calibração e aferição de instrumen- tos de controle de processo. 14. Avaliação do Programa de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Con- trole (APPCC). 15. Controles Laboratoriais e Análises. 16. Controle de Formulação de produ- tos fabricados. 17. Certificação dos produtos exporta- dos. UNIDADE 4 1. B 2. Dentre os principais benefícios apre- sentados pela certificação da normati- va BRC:2018 (BRC, 2018) e FSSC 22000 (FSSC, 2019), pode-se destacar o reco- nhecimento internacional da empresa, torna-a mais competitiva e possibilita sua operação em diversos países; me- lhora os processos e serviços e, conse- quentemente, a redução de custos; evi- dencia o compromisso da empresae o envolvimento dos colaboradores e per- mite a integração com outras normas (como a ISO 9001 e APPCC). 3. A ISO 22000:2018 estabelece os requi- sitos para o sistema de gestão da segu- rança de alimentos, considerando para tanto quatro elementos chaves, a saber: os Programas de Pré Requisitos, o sis- tema APPCC, a comunicação e o Siste- ma de Gestão. Essa norma, porém, não foi reconhecida pelo GSFI, por possuir requisitos muito genéricos e por não pormenorizar os programas de pré-re- quisitos. A FSSC 22000, por sua vez, é uma normativa que preza o sistema de qualidade e segurança de alimentos re- conhecido pelo GFSI, para tanto, é com- posta pela ISO 22000 adicionada de especificações técnicas que detalham os programas de pré-requisitos a serem implementados e alguns requisitos adi- cionais. 4. O sistema de APPCC tem como objeti- vo identificar, monitorar e controlar os perigos relacionados com a contami- nação. É um sistema de controle que aborda a segurança do alimento por meio de análise e controle dos riscos físicos, químicos e biológicos, desde a produção da matéria-prima, suprimen- to e manuseio até a fabricação, distri- buição e consumo do produto acabado. 5. As 12 etapas envolvidas na implantação do APPCC são: Formação da Equipe, Descrição do Produto, Identificação da Intenção de Uso, Construção do Fluxo- grama de Processo e Confirmação in loco do Fluxograma, Listagem de to- dos os potenciais perigos Condução da Análise de Perigos, considerando-se Medidas de Controle, Determinação dos PCC’s, Estabelecimento de Limites Críticos para cada PCC, Estabelecimen- to de Sistema de Monitoramento para cada PCC, Estabelecimento de Ações Corretivas, Estabelecimento de Proce- dimentos de Verificação e Estabeleci- mento de Documentação e Manuten- ção de Registros. gabarito 174 UNIDADE 5 1. O rótulo é o elemento responsável por auxiliar a comunicação, entre o produto e os consumidores, a compreensão e a decisão de compra, aumentando a efi- ciência do mercado e o bem-estar do consumido 2. C. 3. D. 4. C. 5. Os principais objetivos do Codex Ali- mentarius são proteger a saúde dos consumidores e garantir práticas leais de comércio entre os países. 6. D. anotações anotações _GoBack INTRODUÇÃO À HIGIENE de alimentos INDICADORES DE segurança e qualidade dos alimentos SEGURANÇAS DOS alimentos: controles fundamentais GERENCIAMENTO E FERRAMENTAS da QUALIDADE para produção de alimentos seguros segurança na produção de alimentos conclusão geral _1lqwbl9qmmc _1q4ka1ynh4hh _luva2v64d07h _i7nzc4hoc0ls _u6pi8agppsy7 _rbp9zevkqngp _70a37esoc3yg _q3t5gvlavqwg _z6u0l32lk6l0 _xa4yb3nh1baq _GoBack _sriziktbp71l _fuby4i1gds8k _GoBack _prqp34m41xm1 _e1f1yawh0q22 _wirda8jve0ai _6o8dvyto7zlz _srhdqewb4rca _1rz6187l6ah6 _4scg806ni1yl _ezu9nqhxx7p1 _9zv0ckw6mb5c _buetjnm46pgw _GoBack _hkylwpe47bmi _5yecqmhbzrl _GoBack _Hlk39584394 _Hlk40120371 _GoBack U01.pdf _GoBack INTRODUÇÃO À HIGIENE de alimentos INDICADORES DE segurança e qualidade dos alimentos SEGURANÇAS DOS alimentos: controles fundamentais GERENCIAMENTO E FERRAMENTAS da QUALIDADE para produção de alimentos seguros segurança na produção de alimentos conclusão geral Botão 1: