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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE - CCS NUTRIÇÃO - TÉCNICA DIETÉTICA I PROFESSORA: MARIA CECÍLIA OLIVEIRA RELATÓRIO 3: PRÁTICA DE CEREAIS EVELLYN BRAGA LEANDRO ISABELE ALVES FERREIRA RACHEL ELIZABETE NASCIMENTO SERPA Fortaleza, 2022 1. INTRODUÇÃO Segundo Philippi (2014), os cereais fazem parte da alimentação de diversas pessoas pelo mundo, eles são alimentos de origem vegetal compostos por grãos, e os principais são: trigo, arroz, milho, cevada, centeio, triticale e aveia. Os cereais possuem um ótimo rendimento, baixo custo, alto valor nutricional, são de fácil conservação e transporte, e podem ser preparados de várias maneiras (PHILIPPI, 2014). Eles são fontes de carboidratos, proteínas e vitaminas como tiamina, riboflavina e niacina, já os cereais integrais, além de todos esses nutrientes, possuem um maior teor de tiamina e são ricos em fibras e minerais, porém os cereais são deficientes em aminoácidos, lisina, treonina e triptofano, mas essa deficiência pode ser compensada com a ingestão e combinação adequada de alimentos (PHILIPPI, 2014). Os cereais são os um dos principais ingredientes utilizados em várias preparações matinais e suas formas de processamento podem resultar em uma maior ou menor retenção de nutrientes (DOMENE, 2018). Diante disso, foi realizada uma aula prática de cereais com o objetivo de avaliar o método de cocção de diferentes tipos de arroz, quanto ao seu rendimento, tempo de cocção e maciez, analisar o efeito da concentração da farinha, da adição de açúcar e ingredientes ácidos na formação e consistência do gel de amido e calcular o percentual de glúten na farinha de trigo. 2. METODOLOGIA ● EXPERIMENTO 1: MÉTODOS DE COCÇÃO DE ARROZ Objetivo: Avaliar o método de cocção de diferentes tipos de arroz, quanto ao rendimento, tempo de cocção e maciez. Materiais: arroz agulhinha, arroz parboilizado, arroz integral, óleo, sal, cebola, alho e margarina. Método: Dividir cada tipo de arroz (Agulhinha, Parboilizado e Integral) em amostras de 100g cada. A) MÉTODO POR EBULIÇÃO 1. Reservar três panelas com capacidade de 1 litro. Para o arroz agulhinha colocar inicialmente 250 mL de água, para o parboilizado 350 mL e para o integral 450 mL de água. Mantenha uma chaleira com água fervente para adicionar mais água, caso seja necessário. 2. Colocar cada tipo de arroz (Agulhinha, Parboilizado e Integral), já lavados na água em ebulição com sal. Mexer e deixar cozinhar em fogo baixo até absorver toda água e o grão ficar macio. 3. Marcar o tempo de cocção e acrescentar mais água fervente se necessário anotando o volume utilizado em cada amostra. 4. Quando cada arroz estiver cozido, retire-os do fogo, acrescente 3 g de margarina mexendo com um garfo e deixe na panela tampada por mais 5 minutos. 5. Pesar cada tipo de arroz cozido e reservar para avaliação, conforme os critérios de Avaliação do Quadro 02. 6. Pesar a amostra utilizando as medidas caseiras no Quadro 03. B) MÉTODO REFOGADO 1. Reservar uma panela com capacidade de 1 litro e refogar no óleo não muito quente a cebola picada e o alho amassado. 2. Escolher e lavar o arroz polido, adicionar ao refogado, mexer com colher de altileno até que comece a aderir ao fundo da panela, para destrinização uniforme dos grãos. Cobrir com água fervente (2:1, água: arroz, v,v), adicionar o sal, misturar, tampar e após fervura baixar o fogo, deixar a tampa da panela entreaberta. 3. Quando o arroz estiver macio, desligue a chama e deixe em repouso por 5 minutos com a panela tampada. 4. Pesar e reservar para avaliação anotando os resultados no Quadro 01 conforme os critérios de Avaliação do Quadro 02. ● EXPERIMENTO 2: GELATINIZAÇÃO DO AMIDO Objetivos: 1) Observar o efeito da concentração da farinha na formação do gel. 2) Observar o efeito da adição de açúcar e ingredientes ácidos na formação do gel. Materiais: farinha de trigo, amido de milho, açúcar, vinagre e água. Método: 1. Separar 06 panelas pequenas com capacidade de 1 litro e numera-las. 2. Nas panelas de N0 1 e 2 colocar respectivamente 200 mL de uma solução de farinha de trigo a 5% e na outra panela a 10%. 3. Nas panelas de N0 3 e 4 colocar respectivamente 200 mL de uma solução de maizena a 5%,e na outra panela a 10%. 4. Na panela de N0 5 colocar 200 mL de uma solução de maisena a 10% acrescido de 5% de ácido (vinagre). 5. Na panela de N0 6 colocar uma solução de maisena a 10% acrescido de 20% de açúcar. 6. Levar cada panela ao fogo em chama baixa, mexendo constante e suavemente até que ocorra a gelatinização do amido. Anotar a temperatura de gelatinização do amido. 7. Retirar do fogo e colocar em recipiente rotulado. 8. Avaliar a consistência dos diferentes géis e a ação do ácido e do açúcar na formação do mesmo. 9. Anotar os resultados no Quadro 04 para Avaliação. ● EXPERIMENTO 3: TESTE PARA GLÚTEN Objetivo: Calcular o percentual de glúten na farinha de trigo testada. Materiais: farinha de trigo e água Método: 1. Misturar a farinha de trigo com 100 mL de água ou mais de modo que forme uma massa elástica com formato de uma bola. 2. Sovar a massa por 5 minutos, colocar em um recipiente, cobrir com a água e deixar descansar por 5 minutos. 3. Lavar a massa cuidadosamente em água corrente, com o auxílio de uma peneira, até que a água de lavagem fique límpida. 4. Prensar bem para retirar todo o excesso de água, pesar e calcular o % de glúten da farinha. 5. Levar ao forno para assar. Pesar novamente e anotar os resultados no Quadro 05. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO. EXPERIMENTO 1: MÉTODO DE COCÇÃO DE ARROZ Tabela 3 - Avaliação dos métodos de cocção, rendimento, tempo de cocção e maciez Tipo de Arroz e Método Peso Líquido (PL) Peso Cozido (g) Índice de Cocção (I.C.) Água Utilizada (mL) Tempo de Cocção Maciez Agulhinha por Ebulição 100 231 2,31 250 9 min e 56 s 2 Agulhinha Refogado 100 279 2,79 250 11 min e 32 s 1 Parboilizado por Ebulição 100 238 2,38 350 16 min 3 s 2 Integral por Ebulição 100 270 2,70 500 32 min 2 Tabela 4 - Medidas Caseiras Tipo de Arroz Medidas caseiras Agulhinha (g) Parboilizado (g) Integral (g) 1 Colher de sopa rasa 10 10 13 1 Colher de Sopa cheia 18 19 20 1 Colher para Arroz (servir) 49 51 57 A parte da higienização dos grãos com água em é orientada para proceder com a remoção de defensivos e partículas de amido produzidas no processo de refino. Com isso facilita que não haja uma gelatinização excessiva, mas sem que haja uma grande permanência do grão em contato com a água, para que não hidrate em excesso e haja interferência na consistência do arroz. O arroz parboilizado não utiliza a dextrinização, por já ter modificado o amido externo do endosperma no tratamento de parboilização. O resultado de seu preparo são grãos mais soltos e firmes. O arroz parboilizado é mais vantajoso que o arroz por ser mais nutritivo e gerar um rendimento maior. O arroz do tipo agulhinha, teve sua camada de aleurona removida durante o processo de abrasão, tornando-o de fácil gelatinização, isso se dá pelo fato desse arroz ser polido. Para evitar o amolecimento excessivo do grão deve ser cozido em menor tempo ou passar pelo processo de dextrinização. Para a preparação do arroz refogado se utilizou a dextrinização do grão através do calor seco, para diminuir a fração de amilose e aumentar a amilopectina presentes no amido, foi utilizado o óleo pré aquecido. Os amidos tratados permitem que os grãos não sofram gelatinização com a presença da água do cozimento, isso resulta em um arroz com aspecto mais solto e mais aceitável. Cada tipo de arroz possui um período certo de cozimento dos grãos e precisa de uma quantidade diferente de água. Após os grãos terem passado por diferentes tipos de cocção, se pode concluir que o melhor resultado por o método refogado, onde o grão apresentou uma boa maciez, e um melhor rendimento e avaliação sensorial se comparado com os outros métodos. Já o arroz integral por ebulição apresentou um bom rendimento. EXPERIMENTO 2: GELATINIZAÇÃO DO AMIDO Quadro 04 - Avaliação da consistênciado gel de diferentes tipos de farinhas em diferentes concentrações e a ação do ácido e do açúcar na formação do gel. Variável / Farinhas 5% 10% 10% com 20% de açúcar 10% com 5% de vinagre Consistência da Farinha de trigo 1 2 - - Consistência da Maizena 2 3 3 3 Quadro dos critérios para avaliação Nº de Pontos Avaliação 1 2 3 Consistência Fluida Pastosa Consistente No experimento 2, em que busca avaliar a consistência do gel de diferentes tipos de farinhas em diferentes concentrações e a ação do ácido e do açúcar na formação do gel. Foram feitas 6 amostras, em que as duas primeiras amostras utilizaram a farinha de trigo e a terceira a Maizena. Separadas em panelas, a 1° e 2° amostras utilizaram, respectivamente, 10g de farinha de trigo em 190mL de água e 20g de farinha em 180mL de água medidas com o auxílio de um Becker. Em seguida, as amostras foram levadas ao fogo depois de serem mexidas para que a farinha se dissolva na água a fim de evitar bolores no resultado final. Em fogo baixo e sendo mexida em uniforme e constante pelos membros da equipe, as duas amostras levaram em média 4 minutos até elas chegarem no ponto exato. A amostra 1, por possuir pequena quantidade de soluto comparado ao líquido utilizado, ficou em uma consistência fluída com uma cor mais esbranquiçada. A amostra 2 obteve uma consistência pastosa comparada com a amostra 1 que utilizou 10g a menos de diferença de farinha de trigo, e quanto mais soluto/farinha for utilizado, mais pastosa a amostra irá ficar. Já na amostra 3, em que foi utilizado 10g de Maizena em 190mL de água, foi a amostra que passou pelo o processo de gelificação mais rápido, ficando apenas por 2 minutos em fogo baixo até chegar ao ponto exato de ebulição. Essa amostra obteve consistência pastosa e a cor translúcida. Na panela 4 foram adicionados 20 gramas de maizena em uma quantidade de 180ml de água, com o auxílio de um becker para medir de forma mais exata e precisa a quantidade de água, assim como foi feito em todas as outras panelas. Após isso, foi necessário mexer até a maizena dissolver na água e por fim foi levado ao fogão em fogo baixo. O tempo necessário até começar a ferver foram de exatos 5 minutos, atingindo uma textura bem consistente, fator que está relacionado com a quantidade do soluto utilizado, quanto mais maizena foi colocada nos recipientes, mais consistente ficou o resultado. Em seguida, foram adicionados 20 gramas de maizena, 10 ml de vinagre e exatos 170 ml de água em uma 5ª panela, para avaliar a consistência final após a ação resultante do acréscimo do vinagre na amostra. Após dissolver as soluções na água com a ajuda da colher de madeira, a panela 5 foi levada ao fogão e ficou durante apenas 3 minutos em fogo baixo até chegar ao ponto certo, atingindo uma forma bem consistente. Entre todas as outras concentrações, essa foi a que chegou a sua consistência em um período mais curto. Isso se dá pela reação dos componentes presentes dentro do vinagre em contato com o amido. E, por fim, na panela 6 foram despejadas 20 gramas de maizena, 40g de açúcar, e depois de ser medida de forma precisa, foram adicionadas 140ml de água. Após isso, foi preciso o auxílio de uma colher de madeira para misturar os solutos com a água e evitar o embolamento. Em seguida, a mistura foi levada ao fogo por exatamente 5 minutos até ferver e atingir uma textura bem consistente, até mais se comparada com as outras 5 amostras. Isso se dá pela reação entre o amido e o açúcar, que possui um poder gelificante. A ação do açúcar deve-se ao fato dele inibir a hidratação dos grânulos de amido, competindo assim pela água presente. EXPERIMENTO 3: TESTE PARA GLÚTEN Tabela 9 - Resultados da Extração do Glúten da Farinha de Trigo Peso Inicial (g) Glúten Cru (g) Glúten Cozido (g) 200 38 32 Exercício 1: Munguzá Tabela 10 - Materiais e suas quantidades utilizadas no Exercício 1 Material Quantidade Milho Branco em Grão 500 g Coco Ralado 1 pacote (50 g) Leite 2 medidas (latinha) Sal 2 g Leite de Coco 1 vidro (200 mL) Cravo de Índia 8 unidades Leite Condensado 1 lata (395 g) Água 1,500 L Modo de preparo e cocção 1. Deixar o milho de molho de um dia para o outro (1:1; v:v) e cozinhar em panela de pressão com 1 e 1/2 litro de água por 30 minutos. 2. Destampar a panela, verificar se o grão está macio para só então acrescentar o cravo, o leite e deixar cozinhar com panela destampada, em fogo baixo, mexendo de vez em quando para que os grãos não preguem nem queime o leite, conforme Figura 3. 3. Por último acrescentar o sal, o leite condensado, o leite de côco e o côco ralado. 4. Deixar cozinhar até intensificar o sabor desses últimos ingredientes. No experimento houve a manipulação com a farinha de trigo e o cálculo do percentual de glúten existente na farinha de trigo testada. quanto menor o teor de glúten presente no trigo “mole” mais as massas ficaram com aspecto gelatinoso e com concentração mais adequada para molhos e bolos. FICHA TÉCNICA DO MUNGUNZÁ FICHA TÉCNICA PREPARAÇÃO: Mugunzá PESO TOTAL DA PREPARAÇÃO: 2, 827 Nº PORÇÕES: 18 ALIMENTOS QUANTIDADE Per Capita Líquido (g) F.C Per Capita Bruto (g) Total dos Ingredientes (g) Milho branco 28g - 28 500 Leite condensado 22g - 22 395 Leite 33 - 33 596 Côco ralado 2,8 - 2,8 50 Leite de côco 13,9 - 13,9 250 Cravo da Índia QNT. sufi - QF 8 UNID. TEMPO DE PREPARO: 1 hora TEMPO DE COCÇÃO: 45 min FATOR DE COCÇÃO: PESO DA PORÇÃO: 150 g MÉTODO DE PREPARO 1- Deixar o milho de molho de um dia para o outro (1:1; v:v) e cozinhar em panela de pressão com 1 e 1/2 litro de água por 30 minutos 2- Destampar a panela, verificar se o grão está macio para só então acrescentar o cravo, o leite e deixar cozinhar com panela destampada, em fogo baixo, mexendo de vez em quando para que os grãos não preguem nem queime o leite. 3- Por último acrescentar o sal, o leite condensado, o leite de côco e o côco ralado. 4- Deixar cozinhar até intensificar o sabor desses últimos ingredientes. 4. CONCLUSÃO Portanto, através dessa aula prática, foi possível observar que a ação do vinagre e do açúcar na formação do gel de amido resultou em uma preparação bem mais consistente se comparado às outras, devido aos componentes do vinagre e ao poder gelificante do açúcar. Já nas preparações que utilizaram apenas água e farinha/maizena observou-se que quanto maior a concentração desses solutos na água, mais consistente tornava-se a preparação. Ademais, o experimento com o glúten mostrou a sua importância para a panificação, visto que quanto maior a proporção de glúten na farinha, melhor é sua qualidade para a fabricação de pães. E o experimento com os arrozes mostrou que ambos diferem em sabor, odor, tempo de cocção e no teor nutricional. Dessa forma, se faz necessário que o nutricionista conheça bem os alimentos e as suas propriedades, bem como os diferentes métodos de cocção e como ambos podem interferir nas preparações culinárias. 5. REFERÊNCIAS ● DOMENE, S. M. A. Técnica dietética: Teoria e aplicações. 2° edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan Ltda, 2018. ● PHILIPPI, Sonia. Nutrição e técnica e dietética. 3° edição. São Paulo: Manole Ltda, 2014. ● AG. Bragante. PROCESSO DE GELIFICAÇÃO EM ALIMENTOS. 2009. Disponível em:https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3275062/mod_resource/content/1/Braga nte2009%20Processo%20de%20Gelificação%20em%20Alimentos.pdf ● FRANCO, C,M.L., et al, Propriedades Gerais do Amido, V-1, Fundação Cargil, 2002. https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3275062/mod_resource/content/1/Bragante2009%20Processo%20de%20Gelifica%C3%A7%C3%A3o%20em%20Alimentos.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3275062/mod_resource/content/1/Bragante2009%20Processo%20de%20Gelifica%C3%A7%C3%A3o%20em%20Alimentos.pdf