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NUTRIÇÃO E METABOLISMO Prof. Fabiano Kenji Haraguchi1 INTRODUÇÃO Nutrientes: macro e micronutrientes Alimentos x Nutrientes – ingerimos alimentos, que são fontes de nutrientes! Classes de nutrientes para a Nutrição Humana Classe Subclasse Exemplos Carboidratos Simples: monossacarídeos, dissacarídeos Complexos: oligossacarídeo polissacarídeos glicose, galactose e frutose) e (maltose, sacarose e lactose) amido, pectinas, celulose e gomas Proteínas Proteínas de fonte vegetal e animal Aminoácidos Lipídeos Ácidos graxos saturados, monoinsaturados, poliinsaturados Ácido palmítico e esteárico Oléico Linoleico, linolênico Minerais Minerais e eletrólitos Cálcio, fósforo… Vitaminas Lipossolúvel e Hirossolúvel ADEK Complexo B, Ácido ascórbico (vit. C) NUTRIENTES: São os constituintes dos alimentos necessários para manter as funções corporais normais, que suportam crescimento, desenvolvimento e manutenção do organismo. NUTRIENTES ESSENCIAIS: É aquele que o organismo considerado (normalmente, o humano) não é capaz de sintetizar, mas é requerido para o seu funcionamento. Exemplo: aminoácidos essenciais. NUTRIENTES NÃO ESSENCIAIS: São aqueles que são sintetizados pelo nosso organismo. NUTRIENTES CONDICIONALMENTE ESSENCIAIS: São nutrientes que em determinada situação tornam-se essenciais. Ex: aminoácido glutamina no câncer, sepse, trauma; aminoácido tirosina e cistina em prematuros. 4 QUAIS SÃO OS NUTRIENTES ESSENCIAIS? 5 Aminoácidos Fontes Alimentares Essenciais Não essenciais** Carne vermelha, aves, peixes, leite e derivados, ovos, leguminosas, nozes, castanhas, cereais. Valina* Triptofano Leucina* Isoleucina* Metionina Treonina Fenilalanina Lisina Histidina Prolina Glicina Serina Alanina Arginina Cisteína Glutamina Tirosina Ac Glutâmico Taurina *aminoácidos de cadeia ramificada **alguns aminiácidos não essenciais podem tornar-se essenciais em algumas condições clínicas (condicionalmente essenciais), ex: arginina, glutamina, taurina… Aminoácidos: valina, triptofano, leucina, isoleucina, metionina, treonina, fenilalanina, lisina, histidina Lipídeos: ácidos graxos linoléico e alfa linolênico. Minerais: Fósforo, magnésio, cálcio e ferro… Minerais traços: zinco,cobre, manganês, cromo, molibidênio e selênio… Eletrólitos: cloretos, sódio e potássio. Água 6 QUAIS SÃO OS NUTRIENTES ESSENCIAIS? NECESSIDADES X RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS Necessidades nutricionais são requisitos básicos que devem ser atendidos para suprir o funcionamento adequado do organismo e manter a homeostase do indivíduo. Recomendações nutricionais - nível contínuo de ingestão de nutrientes e energia objetivando atender às necessidades dos indivíduos da população 7 A determinação das necessidades nutricionais é praticamente impossível – variações intra e interindividual Recomendações nutricionais 1941 – RDA (Recommended Dietary Allowances) 1989 – 10ª ed. – última revisão 2002 – Novos valores de referência - DRI (Dietary Reference Intakes) 8 EAR (Necessidade média estimada) – é o valor de ingestão diária de um nutriente que se estima suprir as necessidades de 50% dos indivíduos saudáveis. Utilizado como base para estabelecer as RDAs. RDA (Ingestão dietética recomendada) – Suprir as necessidades da maioria (97 a 98%) dos indivíduos saudáveis. AI (ingestão adequada) – nível de ingestão de nutrientes a ser utilizado em substituição a RDA quando os estudos não permitiram estabelecer EAR/RDA ou em quantidades que parecem reduzir risco de doença, segundo observação experimental. UL (nível máximo de ingestão tolerável) – é o limite “máximo” de ingestão de nutrientes, sem observação de efeitos adversos a saúde, tolerável biologicamente. 9 O TRATO GASTROINTESTINAL Funções primárias e secundárias 10 11 12 Hormônio Local Estímulo Efeito Gastrina Estômago Peptídeos, a.a., cafeína Secreção de HCl e pepsinogênio Álcool ⤉ tônus do EEI Secretina Duodeno Ácido no I.D. ⤉ H2O e HCO3 - ⤉ enzimas digestivas, insulina CCK I.D. proximal Peptídeos, a.a., HCl ⤉ enzimas digestivas, contração da vesícula biliar, ⤈ esvaziamento gástrico, ⤉ motilidade GIP I.D. Glicose, lipídeos ⤉ insulina; ⤉ LPL GLP I.D Glicose, lipídeos Prolonga o esvaziamento gástrico; ⤉ secreção e a sensibilidade da insulina ; saciedade; Motilina Estômago, I.D. e I.G. Secreção biliar/pancreática Esvaziamento gástrico; motilidade G.I. HORMÔNIOS REGULADORES DA ATIVIDADE GASTROINTESTINAL METABOLISMO ENERGÉTICO Prof. Fabiano Kenji Haraguchi13 METABOLISMO ENERGÉTICO Processos pelos quais as células convertem a energia potencial proveniente dos alimentos em energia útil para o organismo (síntese e manutenção dos tecidos corpóreos, condução elétrica da atividade nervosa, trabalho mecânico do esforço muscular e produção de calor para manutenção da temperatura corpórea) 14 15 ENERGIA: é definida como a capacidade de realizar trabalho. A energia química potencial armazenada nos alimentos é liberada para o organismo quando o alimento é metabolizado, e deve ser fornecida regularmente para atingir as necessidades para a sobrevivência do corpo. CALORIA: É a unidade-padrão para medida de calor. Em Nutrição, a unidade de energia habitualmente utilizada é a quilocaloria (1000 calorias) – kcal. Por definição, kcal é a energia específica necessária para elevar 1L de água a temperatura de 1oC (14,5o - 15,5oC) Joule (J): unidade de energia em termos de trabalho mecânico. Usado na literatura sobre Nutrição 1kcal = 4,2kJ 16 De que forma a energia dos alimentos é utilizada pelas celulas do organismo? ATP (~40%) - Energia não digerível, fezes ou utilizadas pela flora (1-5%) - Urina, suor e células (~5%) - ETA (6-10%) - CALOR (45~50%) Como se determina o conteúdo calórico total ou a energia disponível em um alimento?? 17 Calorímetro ou bomba calorimétrica A quantidade de energia depende da composição de macronutrientes do alimento Proteína = 5,65kcal/g Lipídeos = 9,45kcal/g Carboidratos = 4,10kcal/g Álcool = 7,10kcal/g Entretanto, devemos considerar que: • Digestão e absorção • CHO = 98% • LIP = 95% • PROT = 92% (ampla variação) • CHO e LIP: são completamente oxidados a CO2 e H20 • PROT = NH2 (urina) 18 FATORES CHO LIP PROT - Combustão no calorímetro(kcal/g) 4,1 9,45 5,65 - Perda pela combustão incompleta de compostos nitrogenados(kcal/g) 0 0 -1,25 - Digestibilidade (%) 98 95 92 - Fator fisiológico final (kcal/g) 4 9 4 O balanço energético corporal é o equilíbrio entre o aporte de energia e a energia gasta. 19 - Balanço positivo: quando o aporte excede o gasto = depósitos de gordura - Balanço negativo: quando o aporte é menor que o gasto = perda de peso O aporte de energia é resultado do consumo de macronutrientes nos alimentos. Peso: reflete a adequação de energia, mais não é um indicador confiável da adequação de macronutrientes e micronutrientes. Necessiades de exames complementares Exame físico % de gordura Exames bioquímicos Inquéritos alimentares 20 EXTREMOS Obesidade 21 Desnutrição COMPONENTES DO GASTO ENERGÉTICO A energia é despendida pelo corpo humano na forma de: Gasto energético basal (GEB) Efeito térmico do alimento (ETA) Energia gasta pela atividade física (EGAF) Temogênese adaptativa (TA) Esses componentes compõe o GASTO ENERGÉTICO TOTAL (GET) GET = GEB + ETA + EGAF + TA 22 23 Gasto Energético Basal (GEB): É a quantidade mínima deenergia gasta que é compatível com a vida. Maior componentes do GET (60-75%) Reflete as necessidades energéticas em repouso, para sustentar as atividades metabólicas Condições: Paciente acordado Jejum de 10 a 12horas Ambiente termoneutro Completo repouso físico e mental Taxa metabólica basal (TMB): é medida logo pela manhã após satisfeita as condições do GEB. GEB = é a TMB extrapolada para 24hs – expressa em kcal/dia 24 GASTO ENERGÉTICO DE REPOUSO(GER): CONDIÇÕES: • Paciente acordado • 3 a 4 horas em jejum • Apenas 30 minutos em repouso • Ambiente termoneutro OBS: O GER COSTUMA SER 10% MAIS ELEVADO QUE O GEB DEVIDO À TERMOGÊNESE DO ALIMENTO E A INFLUÊNCIA DA ATIVIDADE FÍSICA MAIS RECENTE TAXA DE METABOLISMO DE REPOUSO (TMR): é medida em qualquer período do dia depois de satisfeitas as condições do GER. GER = TMR extrapolada para 24hs – expressa em kcal/dia 25 FATORES QUE AFETAM O GEB Massa Corporal: Relação direta. Quanto maior a massa corporal, maior o GEB. EX: 10Kg +120kcal Composição Coporal:O principal determinante de GER é a massa livre de gordura ou massa corpórea magra (MCM), já que é o tecido metabolicamente ativo no corpo. Massa magra O gasto energético varia conforme os diferentes tecidos 26 Ossos, tendões, ligamentos Tecido magro: músculo esquelético e órgãos 27 FATORES QUE AFETAM O GEB Idade: Correlação negativa do GEB com a idade. Motivos: Utilização de energia para a deposição de tecidos durante o crescimento. 1º mês de vida: 35% da energia 12 meses: 3% Fase de estirão: 4% A perda de MCM com o envelhecimento está associada ao declínio no GEB. Essa alteração na composição corpórea pode ser atenuada pelo exercício. 28 Gênero: As diferenças sexuais na taxa metabólica são primariamente atribuíveis às diferenças no tamanho e composição corpóreos. As mulheres, que geralmente possuem mais gordura em proporção ao músculo do que os homens, têm taxas metabólicas ao redor de 5 a 10% menores do que as dos homens de mesmo peso e altura. A TMB, calculada em base a massa corporal total, é aproximadamente 10% inferior em mulheres (0,9 Kcal/Kg/h) que em homens (1,0 kcal/Kg/h), refletindo o maior percentual de gordura nas mulheres (25%) que nos homens (15%) de mesma idade. 29 Clima: A TMR também é afetada pelos extremos na temperatura ambiente. Utilização de Drogas: relaxante muscular, sedativos entre outras Fatores Patológicos: As febres aumentam a taxa metabólica em torno de 13% para cada grau acima de 37°C. Estado Hormonal: O estado hormonal pode ter impacto sobre a taxa metabólica, particularmente em distúrbios endócrinos tais como hipertireoidismo e hipotireoidismo, quando o gasto de energia é aumentado ou diminuído, respectivamente. Gestação e Lactação: aumento do Metabolismo Basal 30 EFEITO TERMOGÊNICO DO ALIMENTO (ETA) É o aumento do gasto de energia associado ao consumo de alimentos. É responsável por aproximadamente 10% do gasto energético total Representa a energia necessária para digerir, absorver e metabolizar nutrientes, inclusive a síntese e armazenamento de proteínas, gorduras e carboidratos. A medição do ETA é apropriado apenas para fins de pesquisa Fatores que afetam a ETA: composição de nutrientes, tamanho da refeião, ativação simpática induzida pela refeição, idade, composição corporal. 31 ENERGIA GASTA EM ATIVIDADE FÍSICA (EGAF) Varia conforme o tamanho corporal e a eficiência dos hábitos individuais do movimento. Grande variabilidade pacientes acamados/atletas idade, peso e sexo Inclui: Atividades voluntárias Atividades involuntárias(calafrios, agitação, controle postural) 32 ATIVIDADE FÍSICA Qualquer movimento corporal, produzido por contraçao muscular, que tenha como resultado final maior dispêndio de energia (ACMS) O segundo componente do consumo energético é a atividade física. A atividade física aumenta o gasto energético durante a após a sua realização: EPOC (excess pos-exercise oxigen consumption) logo após (ainda elevado, cai drasticamente) horas após (pouco acima do GEB) Determinação bastante complexa 33 34 TERMOGÊNESE ADAPTATIVA(TA) Termogênese adaptativa ou facultativa: Refere-se às alterações que podem ocorrer no gasto metabólico devido às influencias do meio ambiente, tais como mudança quantitativa e qualitativa da dieta; exercícios intensos; fármacos; alterações hormonais (ciclo menstrual p.ex.). É o “excesso” de energia gasta além da termogênese obrigatória e acredita-se que seja atribuída a insuficiência metabólica do sistema estimulado pela atividade nervosa simpática. Objetiva restaurar o balanço energético e prevenção das reservas energéticas do indivíduo 35 MÉTODOS PARA AVALIAR O GASTO ENERGÉTICO Calorimetria direta Calorimetria Indireta Espirometria Água duplamente marcada 36 CALORIMETRIA DIRETA Calorimetria direta: Mede a quantidade de calor produzida por um indivíduo situado dentro de uma câmara isolada, hermeticamente fechada. O calor gerado pelo indivíduo é absorvido pela água em circulação em uma serpentina. Calcula- se a quantidade de calor medindo-se a elevação da temperatura de água. Desvantagens: alto custo; dificil operação; não fornece o tipo de combustível oxidado. Inviável para estudos epidemiológicos e prática clínica 37 CALORIMETRIA INDIRETA Estima o gasto energético determinando o consumo de oxigênio em um dado período. Utiliza-se o espirômetro o Cada L de O2 consumido libera 5kcal o Ex: 10min; consumo: 2L de O2/min 10min x 2L de O2/min x 5kcal/L O2 = 100kcal o Entretanto a energia liberada por L de O2 consumido varia conforme o substrato utilizado! CHO = 5,047kcal/L O2 LIP = 4,686kcal/L O2 38 Calorimetria indireta A quantidade de CO2 produzida em relação ao O2 consumido varia de acordo com o nutriente metabolizado. Essa relação chama-se quociente respiratório (QR) QR = CO2 produzido/O2 consumido Carboidratos: QR=1 1 C6H12O6 + 6O2 6CO2 + 6H20 = 6CO2/6O2 = 1,0 Lipídeos: QR= 0,696 1 C16H32O2 + 23O2 23CO2 + 16H20 = 16CO2/23O2 ~0,7 E as proteínas?? Deve-se determinar a excreção urinária de nitrogênio! 1g Nitrogênio ~6,25g de proteína 1g de proteína ~4kcal QR não proteico 40 Calorimetria indireta Vantagens Mobilidade, custo Bom para medir TMR Acessível para medir atividades físicas gerais Ótima correlação com a calorimetria direta Desvantagens Desconfortável Aparelhos caros Indicações: Pacientes com necessidades de um cálculo energético mais preciso (GMB) e (GMR) Para conhecer o substrato utilizado pelo organismo Pesquisa Biomarcadores – Água duplamente marcada (ADM) o “Padrão ouro” para medir o gasto energético em condições de vida livre o O método é baseado no princípio de que a produção de CO2 pode ser estimada a partir das diferenças nas taxas de eliminação de H e O do corpo o Usa-se H2O duplamente marcada – óxido de deutério (2H) e oxigênio 18 (18O) – isótopos estáveis 2H2O 18 o O 2H é eliminado apenas na H2O e o 18O tanto na H2O como no CO2. o Assim, a diferença entre tais taxas de eliminação, corrigidas pelo pool de água corporal, corresponderia à produção de CO2, que, por equações de calorimetria indireta, é convertida em GET o GET= (3,044*QR+1,104) rCO2 onde a rCO2 corresponde a taxa de fluxo de CO2 Vantagens da ADM Fornece uma medida do GET que inclui o GER, ETA, TA Administração fácil Não interfere nas atividades diárias Grau de realismo Vantajoso para indivíduos que não podem suportar testes rigorosos(crianças, idosos...) Método utilizado para desenvolver as equações para estimar as necessidades de energia (DRI) Bastante exato e preciso Desvantagens Extremamente caro (isótopos e espectrômetro de massa...) Necessidade de especialistas Inviável para uso rotineiro Determina o GET por período de tempo (~14dias) ESTIMATIVAS DAS NECESSIDADES ENERGÉTICAS Considerando o balanço energético, temos: NE = GET No passado as recomendações das necessidades de energia eram baseadas na medição da ingestão energética (registro, recordatório...) Atualmente: as NE são baseadas na medição real do GET – técnica da ADM. 47 48 TMB E GET PODEM SER CALCULADAS ATRAVÉS DE FÓRMULAS GEB – Harris e Benedict Gênero Equação (kcal/dia) Masculino 66,5 + 13,75xpeso(kg) + 5,0 x estatura(cm) – 6,78 x idade (anos) Feminino 655 + 9,56xpeso(kg) + 1,85 x estatura(cm) – 4,68 x idade (anos) GET = GEB x FA Categoria Sexo Nível de atividade não ocupacional Homens Mulheres Leve 1,55 1,56 Moderado 1,78 1,64 Pesado 2,1 1,82 49 Formula FAO/OMS (1985) idade Fórmula Homens 0-3 60,9xP(Kg) -54 3-10 22,7xP(Kg) + 495 10-18 17,5xP(Kg)+ 651 18-30 15,3xP(Kg) + 679 30-60 11,6xP(Kg) + 879 >60 13,5xP(Kg) + 487 Mulheres 0-3 61xP(Kg) -51 3-10 22,5xP(Kg) + 499 10-18 12,2xP(Kg)+ 746 18-30 14,7xP(Kg) + 496 30-60 8,7xP(Kg) + 829 >60 10,5xP(Kg) + 596 TMB 50 Fator atividade estimado para três níveis de atividade conforme o sexo Atividade MET Homens Mulheres Sono 1,0 1,0 Permanecer ditado/sentado 1,2 1,2 Permanecer em pé 1,5 1,5 Caminhar lentamente 2,8 2,8 Cozinhar 1,8 1,8 Lavar roupa 2,2 3,0 Trabalho de escritório 1,6 1,7 Ginástica/dança 4,4 4,2 Esportes vigorosos 6,6 6,3 Atualmente, o GET tem sido estimado por fórmulas preditivas (IOM, 2005) derivadas de estudos com a técnica da água duplamente marcada. FÓRMULA GERAL (DRI, 2005) GET (Kcal/dia) = A + B x idade (anos) + A.F. x [D x Peso (Kg)] + [E x Altura(m)] Onde: A = cte B = coeficiente etário A.F. = fator de atividade física D = coeficiente de peso E = coeficiente de altura Algumas considerações sobre o GET obtidos a partir dos estudos com ADM: Aumenta com a idade, estabilizando-se dos 20-40 anos, seguido por um declínio; O GET aumenta com a altura e com peso; A melhor estimativa é obtida quando os dados são ajustados separadamente para adultos (>19 anos), crianças e adolescentes (3 a 18 anos) e crianças jovens (0-2 anos); GET E NECESSIDADES ESTIMADAS DE ENERGIA (NEE) (IOM, 2002/2005) Bebês e crianças de 0-2 anos Equação única, que se correlaciona melhor com o peso 54 GET (Kcal/dia) = 89 x peso (Kg) - 100 NEE (Kcal/dia) = GET + estoque de energia (adicional) 0-3 meses = GET + 175kcal 4-6 meses = GET + 56kcal 7-12 meses = GET + 22kcal 13-35 meses = GET +20kcal Crianças de 3-8 anos Grande variabilidade entre meninos e meninas (taxa de crescimento e atividade física); Portanto, foram criadas equações distintas 55 GET (Kcal/dia) = 88,5-61,9 x idade (anos) x NAF x [26,7 x peso(kg) + 903 x altura(m)] Meninos GET (Kcal/dia) = 135,5-30,8 x idade (anos) x NAF x [10 x peso(kg) + 934 x altura(m)] Meninas NAF Sedentário 1,0 Pouco ativo 1,11 Ativo 1,25 Muito ativo 1,48 NEE (Kcal/dia) = GET + 20kcal estoque de energia (adicional) Adolescentes de 9-18 anos 56 GET (Kcal/dia) = 88,5-61,9 x idade (anos) x NAF x [26,7 x peso(kg) + 903 x altura(m)] Meninos GET (Kcal/dia) = 135,5-30,8 x idade (anos) x NAF x [10 x peso(kg) + 934 x altura(m)] Meninas NEE (Kcal/dia) = GET + 25kcal estoque de energia (adicional) NAF Masculino Feminino Sedentário 1,0 1,0 Pouco ativo 1,13 1,16 Ativo 1,26 1,31 Muito ativo 1,42 1,56 GET (homens >19 anos; IMC 18,5-25 Kg/m2 ) GET (Kcal/dia) = 662 -9,53 x idade(anos) + AF x [15,91 x peso(Kg) + 539,6 x estatura(m)] GET (mulheres >19 anos; IMC 18,5-25Kg/m2) GET (Kcal/dia) = 354–6,91 x idade(anos) + AF x [9,36 x peso(Kg) + 726 x estatura(m)] AF: coeficiente de atividade física (IOM, 2005) Homens Mulheres Sedentário 1,0 1,0 Pouco ativo 1,11 1,12 Ativo 1,25 1,27 Muito ativo 1,48 1,45 NEE = GET Derivam de 4 graus de atividade física (GAF) Sedentário >1,0 - <1,4 Pouco ativo >1,4 - <1,6 Ativo >1,6 - <1,9 Muito ativo >1,9 - <2,5 Portanto, para se saber o GAF do indivíduo, soma-se o GAF para cada atividade diária (∆GAF) Fonte: Mahan & Scoott-Stump, 2010 Exemplo Indivíduo ABC (mulher) Idade: 30 anos, 65Kg e 1,77m Atividades diárias ∆GAF • Caminhar com cachorro (1h) 0,11 • Fazer faxina (1h) 0,14 • Sentado, atividade leve (4h) 0,12 • Exercício caminhada 6,4km/h (1h) 0,20 • Patinar no gelo (0,5h) 0,13 TOTAL 0,70 Adicionar a este valor o GEB (1,0) + TA (0,1) = 1,0 + 0,1 + 0,7 = 1,8 Derivam de 4 graus de atividade física (GAF) Sedentário >1,0 - <1,4 Pouco ativo >1,4 - <1,6 Ativo >1,6 - <1,9 Muito ativo >1,9 - <2,5 GET = 354 – 6,91 x idade (anos) + AF x [9,36 x peso (Kg) + 726 x estatura (m)] GET/NEE = 354 – 6,91 x 30 + 1,27 x (9,36 x 65)+ (726 x 1,77) NEE (Kcal/dia) = 2551 AF: coeficiente de atividade física (IOM, 2005) Homens Mulheres Sedentário 1,0 1,0 Pouco ativo 1,11 1,12 Ativo 1,25 1,27 Muito ativo 1,48 1,45 MÉTODO: DRI/2002 - ESTIMATED ENERGY REQUIREMENT (EER) – NECESSIDADE ESTIMADA DE ENERGIA. A NEE só pode ser utilizada para indivíduos eutróficos (IMC 18,5~24,9) Para indivíduos obesos, embora haja equações para determinação do GET via ADM, não foram estimadas as NEE, uma vez que a NEE visa a manutenção da saúde por um longo período 60 GET (Kcal/dia) = 1086-10,1 x idade(anos) + AF x [13,7 x peso(Kg) + 416 x estatura(m)] GET (Kcal/dia) = 448–7,95 x idade(anos) + AF x [11,4 x peso(Kg) + 619x estatura(m)] GET (homens >19 anos; IMC >25 Kg/m2 ) GET (mulheres >19 anos; IMC >25Kg/m2) Gestantes O GET muda em média 8kcal/semana gestacional. Nas NEE adiciona-se ainda 180kcal para estoque durante toda a gestação, exceto no 1º trimestre 61 1º trimestre: NEE = GET 2º trimestre NEE = GET + 160 (8x20semanas) + 180kcal 3º trimestre NEE = GET +272 (8x34 semanas) + 180kcal Lactantes A NEE estimada a partir do GET adicionando-se um gasto com a produção de leite e retirando-se 170kcal equivalente a perda de 0,8Kg/mês por 6 meses. A taxa média de produção de leite = 0,78L/dia até 6 meses e 0,6 dos 6-12 meses, ou seja, 500kcal e 400kcal/dia respectivamente 62 1º trimestre: NEE = NEE + energia para produção de leite – perda de peso 1º semestre NEE = NEE + 500 (leite) - 170 (perda de peso) 2º semestre NEE = NEE + 400 (leite) - 170 (perda de peso) EQUIVALENTES METABÓLICOS (MET) Unidade de medida que expressa múltiplos da TMR 1MET = O2 metabolizado em repouso (3,5mL/Kg/min) Considerando-se que 1L de O2 consumido = 5kcal, então temos: 0,0175kcal/Kg/min. Individuo 70Kg = 1,2kcal/min. Valor geral = 1MET = 1 kcal/Kg/hora 63 Fonte: Mahan & Scoott-Stump, 2010