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NUTRIÇÃO E O IDOSO Unidade 4 Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial ALESSANDRA FERREIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria BRUNA GABRIELA SIQUEIRA SOUZA SUDRÉ 4 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 A U TO RI A Bruna Gabriela Siqueira Souza Sudré Olá. Sou graduada em Nutrição e mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos, com experiência técnico-profissional na área de Docência e Tutoria EAD. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! 5NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 ÍC O N ESEsses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO Para o início do desenvolvimento de uma nova competência. DEFINIÇÃO Houver necessidade de apresentar um novo conceito. NOTA Quando necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento. IMPORTANTE As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você. EXPLICANDO MELHOR Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado. VOCÊ SABIA? Curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias. SAIBA MAIS Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento. ACESSE Se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast. REFLITA Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido. RESUMINDO Quando for preciso fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens. ATIVIDADES Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada. TESTANDO Quando uma competência for concluída e questões forem explicadas. 6 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 População idosa brasileira .................................................... 10 Avanço da população idosa brasileira .......................................................... 10 Estado nutricional da população idosa ........................................................ 18 Influência do estado nutricional nas doenças crônicas ............. 20 Planejamento dietético para idosos ..................................... 23 Alimentação saudável para idosos ................................................................23 Perfil nutricional dos idosos ...........................................................................26 Recomendações dietéticas diárias ................................................................29 Energia .................................................................................................29 Proteína ...............................................................................................30 Carboidratos .......................................................................................31 Lipídios .................................................................................................31 Água ......................................................................................................32 Vitaminas e minerais .........................................................................32 Suplementação de nutrientes para idosos .......................... 35 Suplementação e fortificação .........................................................................35 Quando devemos suplementar? ....................................................................37 Suplementos alimentares .................................................................40 Suplementação de Leucina .............................................................42 Suplementação de Proteínas ...........................................................42 Suplementação de Vitamina D ........................................................43 Suplementação de Ômega 3 ............................................................44 Suplementação de Zinco ..................................................................44 Suplementação de Ferro ..................................................................44 Fatores a favor e conta a suplementação ....................................................45 SU M Á RI O 7NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Estado nutricional e a qualidade de vida dos idosos .......... 48 Envelhecimento ativo .......................................................................................48 Atividade e interação social ............................................................................52 Produtividade ....................................................................................................54 Trabalhos voluntários ......................................................................................54 Convívio com crianças e jovens .....................................................................55 Exercícios mentais ............................................................................................56 Atividade física ...................................................................................................57 Fatores relacionados ao ambiente físico .....................................................58 8 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 A PR ES EN TA ÇÃ O Você sabia que a nutrição é capaz de prevenir e tratar pa- tologias? Isso mesmo. Os idosos representam o segmento da população que mais cresce no mundo. É de fundamental impor- tância conhecer as mudanças corpóreas normais que ocorrem durante o processo de envelhecimento, principalmente nos paí- ses em desenvolvimento, onde a população idosa apresenta um envelhecimento funcional precoce. Uma alimentação adequada, contendo todos os nutrientes essenciais para o bom funciona- mento do organismo dos idosos nessa etapa da vida é muito im- portante. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mer- gulhar neste universo! 9NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 O BJ ET IV O SOlá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4 . Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Apontar o avanço da população idosa brasileira. 2. Explicar como deve ser o planejamento dietético para os idosos. 3. Analisar a necessidade de suplementação de nutrientes para idosos. 4. Identificar fatores que auxiliam o estado nutricional e a qualidade de vida dos idosos. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! 10 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 População idosa brasileira OBJETIVO Ao término deste capítulo você será capaz de entender do avanço da população idosa no Brasil. Isto é de extrema importância para entendermos como será nossa intervenção neste grupo. Vamos estudar um pouco a respeito? E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Avanço da população idosa brasileira Envelhecer é algo comum que acontecerá com todos os organismos ao decorrer da vida, envelhecer acarreta alterações fisiológicas, psicológicas, biológicas e sociais. De acordo com Cancela (2017), o conceito de envelhecer é algo subjetivo, prove- niente de transformações biopsicossociais que modificam aspec- tos comuns em indivíduos saudáveis, levando-os a novas percep- ções de enfrentamento da vida. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2050 o número de pessoas com idade superior a 60 anos chegará a 2 bilhões no mundo, representando um quinto da população mundial. Já de acordo com o ministério da saúde, a previsão é que em 2030 o número de idosos no Brasil, ultrapasse o tal de crianças de 0 a 14 anos. 11NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Gráfico 1 – Pirâmide etária 2018 Fonte: IBGE (2018) No Brasil o crescimento da população idosa tem ocorrido de forma acentuada: em apenas10 anos (1999 a 2009), podemos observar um crescimento de 2,2% (9,1 para 11,3%). Com esse expressivo aumento da população idosa, a demo- grafia brasileira tem sofrido mudanças consideráveis, principal- mente em relação à pirâmide etária, cujo pico vem se alargando. 12 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Gráfico 2 – Evolução dos grupos etários Fonte: IBGE (2018) Essas alterações que podemos observar na demografia brasileira ao longo dos anos, se devem a uma série de fatores como a mudança do estilo de vida das pessoas, a mudança da zona rural para a cidade, maiores possibilidade de renda, saneamento, tratamento de água, medicamentos, levando assim a uma maior expectativa de vida a população brasileira. Os avanços na ciência também é um fator que impacta no avanço da população idosa, novas tecnologias, fármacos que facilitam o tratamento e prolongam a vida dos idosos. 13NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Gráfico 3– Evolução dos grupos etários Fonte: IBGE (2018) Essas modificações do comportamento demográfico in- fluenciam diretamente nos padrões de saúde e doença da popu- lação, ocasionando redução de doenças transmissíveis e aumen- to das doenças crônicas que são comuns na idade idosa. Assim, podemos observar que a população idosa brasileira vem aumentando constantemente, tendo superado os 30 milhões de cidadãos somente no ano de 2017 (IBGE, 2018). Outro ponto que se pode observar é o grande crescimento dessa população entre os anos de 2012 e 2017, que aumentou em quase 5 milhões de pessoas maiores de 60 anos, ou seja, um crescimento de cerca de 18% somente neste grupo (IBGE, 2018). Se compararmos os números de idosos com relação ao gênero da população, pode-se observar que a grande maioria é composta por mulheres, que representam mais de 56% do número de idosos no Brasil, enquanto a população masculina representa 44% desse grupo (IBGE, 2018). 14 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Essa tendência de aumento no número do idosos, não só no Brasil como no mundo inteiro, se deve a fatores internos e externos, os quais podemos citar: • Aumento na expectativa de vida da população. • Melhora nas condições de serviços de saúde. • Redução do número médio de filhos por família. • Maior qualidade de vida. • Aumento nas ferramentas de proteção e acolhimento social. • Entre outros. Com relação aos Estados que compõem o nosso país, o IBGE (2018) destaca que a grande parte dos idosos está concentrada no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, que possuem quase 20% da sua população representada por pessoas com 60 anos ou mais. Por outro lado, a região Norte do país é a que possui menos idosos, principalmente no Amapá, onde apenas 7,2% da população é composta por esse grupo. Essa diferença na porcentagem de idosos que compõem a população expressa justamente os cuidados e a atenção que cada um destes Estados presta aos seus cidadãos, além de refletir a qualidade de serviços de saúde e de assistência social. Analisando a cor ou a raça da população idosa brasileira, é possível observar que os cidadãos pretos são aqueles que menos conseguem chegar à idade de 60 anos ou mais, uma vez que, na maioria dos casos, essas pessoas vivem em regiões violentas, periféricas e com menos acesso à saúde e aos serviços sociais adequados, além de possuírem menos qualidade de vida, o que baixa a expectativa de vida desta população (IBGE, 2018). 15NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 SAIBA MAIS Para conhecer mais sobre os dados e as estatísticas sociais referentes ao número de idosos no nosso país, você pode acessar o site do IBGE e acompa- nhar as notícias relacionadas com o censo nacional e o Programa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Acesse o QR code: Gráfico 4 – População de idosos de acordo com sua cor/raça Fonte: IBGE (2018) Atualmente, o número da população maior de 60 anos no Brasil já ultrapassa o número de crianças que têm até 9 anos de idade (IBGE, 2018). Esta estatística demonstra que, a longo prazo, a população brasileira irá apresentar uma inversão cada vez maior na pirâmide etária da população, diferente do que vimos nos gráficos 1 e 3. https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9127-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios.html 16 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 ACESSE Para saber mais sobre o envelhecimento da po- pulação brasileira, a inversão da pirâmide etária e outras projeções realizadas pelo IBGE, acesse no QR code: Desta forma, os dados apresentados pelo IBGE (2018) são essenciais para que o governo e os governantes comecem a pensar nas políticas públicas adequadas para atender às necessidades desta população idosa, que não para de crescer. Além disso, existem inúmeros órgãos públicos e privados que precisam pensar nos seus serviços e a forma de prestação deles para atender os idosos de forma eficaz e justa. Sendo assim, podemos citar que órgãos como a Previdência Social, as Secretarias de Saúde, órgãos de proteção aos idosos, Assistências Sociais, entre tantos outros órgãos precisam ter planejamentos adequados e uma estrutura eficaz para atender todas as demandas deste grupo de cidadãos. É importante salientar também que os próprios funcioná- rios de tais órgãos precisam sempre passar por constantes trei- namentos e aperfeiçoamentos, já que precisam estar habilitados para compreender e atender as necessidades dos idosos de ma- neira adequada e humana, de forma empática e sensível, condu- zindo qualquer serviço social ou administrativo da melhor forma possível. https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/21837-projecao-da-populacao-2018-numero-de-habitantes-do-pais-deve-parar-de-crescer-em-2047 17NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Figura 1 – População idosa Fonte: Freepik Neste ponto, começamos a compreender a importância e a necessidade da tomada de ações preventivas e de planejamento que devem ser tomadas para se conviver em um país onde grande parte da população será formada por idosos, uma vez que isto irá impactar diretamente inúmeras áreas da sociedade. ACESSE Para compreender mais sobre o assunto, você po- de acessar a entrevista com o médico Alexandre Kalache no “Café Filosófico”, programa de 2017. Ele aborda pontos importantes sobre o envelhe- cimento populacional, chamando esse fenômeno demográfico de Revolução da Longevidade. Acesse no QR code: https://www.youtube.com/watch?v=_5N8V1lPIGg 18 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Estado nutricional da população idosa Com o avanço da população idosa e, consequentemente, com o aumento do número de doenças crônicas e alterações fisiológicas que são comuns nessa fase da vida, devemos nos atentar ao estado nutricional dos idosos, tendo em vista que o tratamento eficaz das doenças crônicas depende de um bom estado nutricional. Acompanhar o envelhecimento gradual da população, aliado com as demandas e hábitos nutricionais desse grupo de cidadãos é de extrema necessidade para o planejamento nas áreas de saúde do governo, uma vez que, quanto mais se investe e se incentiva uma alimentação saudável, menos problemas e doenças crônicas podem surgir na população. Uma abordagem preventiva está aliada ao incentivo da alimentação mais saudável e da prática de atividades e exercícios físicos, por exemplo, de forma que esta possa atuar na prevenção de doenças e na diminuição dos índices de idosos que precisam ser hospitalizados ou que dependem de medicações diárias para viver. Tanto a desnutrição quanto a obesidade em idosos podem estar associadas ao aumento da mortalidade e a uma maior sus- cetibilidade a doenças infecciosas, reduzindo assim a qualidade e a expectativa de vida. A nutrição é de extrema importância aos idosos porque au- xilia na identificação de fatores de risco, tanto para a mortalidade quanto para o desenvolvimento de patologias, como a hiperten- são e o diabetes. O estado nutricional do idosoirá nos demons- 19NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 trar se as suas necessidades fisiológicas estão sendo supridas, mantendo a sua composição corporal. Figura 2 – Nutrição e alimentação saudável para idosos Fonte: Freepik Ao avaliarmos o estado nutricional do idoso, devemos sempre nos atentar para as alterações fisiológicas que são comuns neste ciclo da vida: redução da massa magra, redução da altura, aumento de peso até os 70 anos, redução do metabolismo basal, alteração da composição corporal e que podem interferir diretamente na alimentação do e no estado nutricional do idoso. Além das alterações fisiológicas, devemos nos atentar a outros fatores como as doenças crônicas, o uso de vários medicamentos, as dificuldades de digestão, a mastigação, a falta de saliva, a depressão, os fatores sociais, culturais, econômicos e psicológicos. Para realizarmos a avaliação nutricional em idosos, deve- mos utilizar vários critérios de diagnóstico associados a vários indicadores, pois o uso de parâmetros isolados apresenta limita- ções em idoso. 20 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 De acordo com o IBGE, como podemos observar, no gráfico a seguir, o excesso de peso aumenta com a idade, tendo um leve declínio após os 65 anos. Gráfico 5 – Indicador de excesso de peso dos grupos etários Fonte: IBGE (2018) As alterações nutricionais comportam-se de maneira diferente em relação tanto ao sexo, quanto à idade; ou seja, idosas do gênero feminino estão mais propensas a apresentarem obesidade e sobrepeso em relação ao sexo masculino que, pelo contrário, são mais propensos a apresentarem baixo peso. Influência do estado nutricional nas doenças crônicas As alterações no estado nutricional do idoso contribuem para o aumento da morbimortalidade. Tanto o baixo peso quanto o seu excesso implicarão em patologias, uma vez que o a primeira situação está associada ao câncer, à tuberculose, ao estômago e à doença pulmonar obstrutiva. 21NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Já a obesidade e o sobrepeso estão correlacionados como fatores de risco para doenças vasculares, hipertensão e doenças cardiovasculares, além da diabetes mellitus. No nosso país, alguns estudos como o de Campos et al. enfatizam que há uma relação entre estado nutricional e doenças crônicas em idosos, principalmente a hipertensão e o diabetes mellitus. Tanto o sobrepeso quanto a obesidade são fatores de risco extremamente importantes para o desenvolvimento de comorbidades associadas ao elevado consumo de alimentos ricos em gordura, carboidratos refinados. Como já estudamos, o envelhecimento está relacionado com o surgimento de diversas doenças, como as cardiovasculares, a depressão, o diabetes mellitus, o reumatismo, o acidente vascular encefálico, as deficiências cognitivas e a insônia. Essas doenças influenciam diretamente a autonomia e independência dos idosos. Contudo, com uma avaliação nutricional adequada, podemos identificar e tratar precocemente as doenças crônicas. 22 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que, devido à melhoria das condições de saúde e aos avanços na ciência, a população idosa tem demonstrado crescimento expressivo, mas com ela temos também o surgi- mento de doenças crônicas que são típicas desse grupo etário. E a nutrição, por sua vez, bem como sua avaliação nutricional eficaz, utilizando vários indicadores específicos para a idade, pode nos dar um diagnóstico precoce para que possamos tratar aquele idoso. Tanto a desnutrição quanto a obesi- dade são fatores de risco para as doenças crônicas, e devemos sempre estarmos atentos aos idosos. Vamos para o próximo capítulo?! 23NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Planejamento dietético para idosos OBJETIVO Ao término deste capítulo você será capaz de entender como deve ser realizado o planejamento dietético para as pessoas idosas. Isto é de extrema importância para entendermos como será nossa intervenção neste grupo. Vamos estudar um pouco a respeito? E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Alimentação saudável para idosos Todas as pessoas precisam de um acompanhamento nu- tricional, de forma que a sua alimentação diária seja o suficiente para suprir as demandas de nutrientes, vitaminas, entre outros elementos que o corpo humano necessita para exercer suas fun- ções biológicas e físicas diariamente. Todo este cuidado com a alimentação deve ser redobrado na velhice, uma vez que, com o passar dos anos, o corpo passa por inúmeras mudanças e alterações naturais decorrentes do processo de envelhecimento. Sendo assim, a alimentação dessas pessoas precisa ser regulada para atender as novas demandas do seu corpo e da sua saúde. Assim, é dever do governo e das organizações governamen- tais promover programas e políticas de incentivo à alimentação saudável, prática de esportes, cuidados com a saúde entre outros importantes pontos que são responsáveis por auxiliar os idosos a terem uma melhor qualidade de vida e uma maior expectativa de vida saudável. 24 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 A atenção e o incentivo no ramo da alimentação estão alia- dos também à ideia de melhorar o dia a dia dos idosos, propor- cionando-lhes mais autonomia, conforto e segurança para exe- cução de atividades corriqueiras, trazendo também benefícios para a saúde mental e para a autoestima de todos os envolvidos. No entanto, todo o planejamento alimentar vai muito além das recomendações dietéticas diárias, sendo necessário se observar outros passos importantes do processo, auxiliando-os na adaptação a uma nova educação alimentar e uma nova rotina saudável. Assim, o processo passa por alguns passos necessários e recomendados, com o fornecimento de auxílio para que os idosos possam: • Planejar adequadamente as refeições diárias. • Ter aconselhamento sobre passos fundamentais para o preparo correto dos alimentos. • Aconselhamento no processo de compra dos alimentos (observação da procedência do alimento, auxílio para escolha correta a depender da aparência do alimento natural – como cheiro, cor, textura –, cuidado com os prazos de validade, danos nas embalagens entre ou- tros). • Prestação de informações para que os idosos consigam compreender as informações nutricionais presentes nos rótulos dos alimentos. • Compreender da composição nutricional dos alimentos. 25NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 • Educação quanto aos cuidados necessários para o armazenamento adequado do alimento e as suas formas corretas de preparo. • Ter atenção quanto aos cuidados de higiene pessoal durante o processo de manuseio e preparo dos alimentos. • Ter segurança no manejo e preparo dos alimentos, principalmente com relação ao uso de facas, fogo ou outros utensílios. Figura 3 – Idosos realizando o preparo seguro de alimentos Fonte: Freepik • Utilizar produtos com qualidade adequada para evitar contaminações ou doenças secundárias. • Entre outros passos importantes e que devem ser de responsabilidade e orientação de nutricionistas, médicos ou outros profissionais que acompanham a alimentação dos idosos. 26 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 ACESSE Para facilitar a instrução e a educação de idosos para o processo de alimentação adequada e saudável, o Ministério da Saúde, no ano de 2010, planejou um guia de Alimentação Saudável para a Pessoa Idosa, um manual adequado para que os profissionais de saúde possam orientar adequadamente os idosos ao processo de reeducação alimentar.Acesse no QR code: Perfil nutricional dos idosos Quando tratamos do perfil nutricional dos idosos no Brasil, o IBGE (2018) destacou que essa população conta com uma grande parte de seus cidadãos formada porpessoas que estão abaixo do peso, localizadas principalmente nas regiões do Nordeste e do Centro-Oeste do país. Em relação aos idosos que estão dentro do grupo de pessoas obesas, é interessante ressaltar que, em sua maioria, vivem no Sul e no Sudeste do país, sendo moradores da zona urbana, enquanto que os com peso baixo são, em grande parte, moradores da zona rural (IBGE, 2018). Conhecendo um pouco sobre essa situação, devemos também compreender sobre as doenças mais frequentes que atingem a população idosa no Brasil, uma vez que a dieta e as recomendações alimentares devem sempre estar atreladas às condições de saúde e às possíveis doenças típicas desse grupo etário. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/alimentacao_saudavel_idosa_profissionais_saude.pdf 27NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Quadro 1– Crescimento das principais doenças crônicas nos idosos (%) Doenças 2000 2006 2010 Hipertensão 53,3 62,3 71,4 Diabetes 17,9 21,5 25,3 Doenças Osteoarticulares 31,7 33,8 36,2 Doenças Cardíacas 19,5 22,6 28,2 Doenças Pulmonares 12,2 10,6 10,6 Acidente Vascular Cerebral 7,2 8,6 10,6 Câncer 3,3 5,3 8,4 Fonte: A autora (2023), adaptado de IBGE (2018) Com relação ao tipo de alimentação e nutrição dos idosos, é importante que o profissional orientador também tenha em mente que tanto a alimentação quanto a relação dos idosos com a comida e seus hábitos alimentares está relacionada a inúmeros fatores internos e externos, dentre os quais podemos destacar: Fatores Internos: • Doenças. • Gostos pessoais. • Incapacidade física. • Dificuldades de deglutição ou mastigação. 28 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Fatores Externos: • Renda. • Tempo livre para preparo de alimentos. • Autonomia. • Renda. • Abandono ou isolamento social e familiar. • Acesso à diversidade de alimentos. • Grau de escolaridade e instrução. Assim, de acordo com o Guia da Alimentação Saudável para Idosos, desenvolvido pelo Ministério da Saúde (2010), podemos destacar passos essenciais para o desenvolvimento de uma alimentação saudável, conforme podemos observar na tabela a seguir. Tabela 1 – Passos para a alimentação saudável Fonte: A autora (2023), adaptado de Ministério da Saúde (2010) 29NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Recomendações dietéticas diárias Quadro 2 – Recomendações dietéticas diárias de macronutrientes Recomendações dietéticas diárias de macronutrientes e fibras (IOM, 2002) Idade (anos) Proteínas Carboi- dratos (g/dia) Lipídios (g/dia) Ácido Linoléi- co (g/ dia) Ácido Li- nolênico (g/dia) Fibras (g/dia) Homem 50 a 70 56 130 ND 14 1,6 30 Homem 70+ 56 130 ND 14 1,6 30 Mulher 50 a 70 46 130 ND 14 1,1 21 Mulher 70+ 46 130 ND 14 1,1 21 ND = Sem recomendação Fonte: dRI’s Energia Os cálculos para estimar as necessidades de energia em idosos são os mesmos para indivíduos adultos. Para calcularmos o GET, o gasto energético total, multipli- camos a taxa metabólica basal (TMB) x o fator de atividade física (FA) GET= TMB x F. A Há diferentes fórmulas para que possamos calcular a taxa metabólica basal (TMB). Assim, cabe a nós avaliarmos qual fórmula se adequará melhor para cada paciente e suas variáveis. 30 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 1. Cálculo da estimativa da TMB (Harris-Benedict, 1919) • Homem: 66 + (13,7 x Peso (kg))+ (5,0 x Altura (cm)) - (6,8 x Idade (anos)) • Mulher: 665 + (9,6 x Peso (kg)) + (1,8 x Altura (cm)) - (4,7 x Idade (anos)) 2. Cálculo da estimativa da TMB (OMS/FAO, 1985) Quadro 3– Cálculo da estimativa da TBM de acordo com a OMS. Fonte: OMS Masculino >60 (13,5 x peso) + 487 Feminino >60 (10,5 x peso) + 596 3. Cálculo da estimativa das necessidades de energia (IOM, 2002) • Sexo masculino EER= 662 - 9,53 x idade (anos) + NAF x [15,91 x peso (kg) + 539,6 x altura (m)] • Sexo feminino EER= 354 -6,91 x idade (anos) + NAF x [9,36 x peso (kg) + 726 x altura (m)] Proteína As necessidades de proteínas dos idosos pode variar de 10% a 35% do total energético diário (0,8 a 1,0g de proteína/kg/ dia) A recomendação para homes é um pouco mais elevada que para mulheres sendo 56 e 46g respectivamente. 31NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Para que os idosos ingiram a quantidade de proteína recomendada, é necessária a recomendação de fontes proteicas que possuam um alto valor biológico, como carnes vermelhas, leite e seus derivados, além de miúdos como o fígado. A recomendação de proteína só irá variar caso o indivíduo possua algum problema renal, nesses casos o indicado é de até 0,6g de proteína/kg. O consumo adequado de proteínas é muito benéfico, pois ocorre a manutenção dos músculos e da sua força, bem como a redução de quedas e consequentemente de fraturas. Carboidratos De acordo com o Institute of Medicine (IOM), a recomendação de carboidratos varia de 45% a 65% do total energético. No entanto é recomendada a ingestão de carboidratos complexos devido aos seus inúmeros benefícios, como a maior disponibilidade de vitaminas, de minerais e de fibras. Uma das principais queixas dos idosos é a constipação, pro- vavelmente devido ao consumo insuficiente de fibras alimenta- res. Por isso, a recomendação é elevar o consumo de alimentos integrais e fibras. Lipídios De acordo com o Institute of Medicine (IOM), a recomendação de lipídios deve ser de 20% a 35% do consumo energético, sendo recomendada a ingestão de gorduras saudáveis como as disponíveis em peixes, no óleo de canola e na linhaça. 32 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Água Devemos estar atentos à ingestão de água dos idosos, pois a desidratação é comum neste ciclo da vida, uma vez que sentem menos sede devido à diminuição da capacidade renal. A recomendação da ingestão de água é de 3,7L/dia para homens; e de 2,7L/dia para mulheres. Vitaminas e minerais De acordo com as recomendações das DRI’s (Valores de referência de ingestão de nutrientes, em inglês), a ingestão de vitaminas e minerais devem ser conforme veremos adiante. Cálcio → Homens – 1.200mg. Mulheres – 1.200mg. Podemos encontrar cálcio nos alimentos, como nas verduras verde-escuras, gergelim, algas, amêndoas, castanhas de caju, feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico, linhaça, marisco, tofu (queijo de soja), ovos e nozes são iogurte, leite e queijos. Ferro → Homens – 8mg. Mulheres – 8mg. Os alimentos, fonte de ferro, são: carne vermelha, vegetais verde-escuros, leguminosas, como grão-de-bico, lentilha, ervilha e feijão, tofu (queijo de soja), algas, como kombu e wakame, ce- reais integrais, como aveia e quinoa, castanha de caju, sementes de gergelim e abóbora, melaço da cana. 33NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Zinco → Homens – 11mg. Mulheres – 8mg. As principais fontes de zinco são: ostras, camarão, carne de vaca, frango e de peixe, fígado, gérmen de trigo, grãos integrais, castanhas, cereais, legumes e tubérculos. Magnésio → Homens – 420mg. Mulheres – 320mg. As principais fontes de magnésio são: semente de abóbora, soja, arroz integral, abacate, banana, couve, acelga, amêndoa e salmão. Fósforo → Homens – 700mg. Mulheres – 700mg. Os principais alimentos ricos em fósforo são: sementes de girassol e de abóbora, frutas secas, peixes como sardinha, carnes e laticínios. Selênio → Homens – 55µg. Mulheres – 55µg. Os alimentos ricos em selênio são, principalmente, castanha- do-pará, trigo, arroz, gema de ovo, sementes de girassol e frango. Vitamina D → A deficiência de vitamina D pode levar à perda óssea, além de elevar o risco de osteoporose. A recomendação da ingestão diária de cálcio, para ambos os sexos é de 10µg As principais fontes alimentares de cálcio são: leite e derivados, ovos, margarinas, peixes. 34 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Vitamina A → É recomendado o consumo diário de vitamina A, sendo900µg para homens e 700µg para mulheres. As principais fontes de vitamina A são: fígado, gema de ovo e óleos de peixes. E vegetais como cenoura, espinafre, manga, mamão etc. Vitamina C → A recomendação diária de vitamina C para os idosos é de 90mg para homens e 75mg para mulheres. As principais fontes de vitamina A são: frutas com vitamina C como camu-camu (fruta da Amazônia) e acerola. Há também ótimos índices de vitamina C na goiaba, kiwi, morango, laranja, pimentão, brócolis, couve-de-bruxelas, goji Berry, cranberry e caju. RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que temos diversas fór- mulas para calcular a taxa metabólica basal do ido- so, e que as recomendações nutricionais tanto de macronutrientes, quanto vitaminas e minerais, são diferenciadas para a idade específica, consideran- do as patologias. Interessante, não é? Vamos para o próximo capítulo? 35NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Suplementação de nutrientes para idosos OBJETIVO Ao término deste capítulo você será capaz avaliar a necessidade de suplementação de nutrientes na dieta dos idosos . Isso é de extrema importância para entendermos como será nossa intervenção neste grupo. Vamos estudar um pouco a respeito? E então? Motivado para desenvolver esta compe- tência? Então vamos lá. Avante! Suplementação e fortificação Você sabe a diferença entre fortificação e suplementação? • Suplementação é utilizada quando as necessidades específicas de algum subgrupo da população são maiores do que as da população em geral (exemplo crianças e idosos). • Fortificação pode ser a escolha apropriada quando a ingestão de um determinado nutriente pela maioria da população é inadequada. Devido às alterações fisiológicas que acometem os idosos, eles estão em um grupo de risco de grande dificuldade na ma- nutenção adequada da ingestão energética e de nutrientes por meio de uma alimentação adequada. Dentre essas alterações, podemos destacar: diminuição do metabolismo basal, alterações na percepção sensorial, redistribuição da massa corporal, dimi- nuição da sensibilidade à sede e alterações no funcionamento digestivo. 36 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 REFLITA Os idosos podem reduzir o consumo de alimentos por vários fatores, como já estudamos anterior- mente. Logo, a inapetência, a redução do paladar e do olfato, a saúde oral prejudicada, o medicamen- to, a saciedade precoce, além de fatores psicosso- ciais, econômicos. Devemos sempre estarmos atentos à composição corporal do idosos, e observar quais fatores podem interferir nisso - como os fatores culturais, o estilo de vida e até mesmo fatores ambientais. Para que possamos garantir um bom diagnóstico é necessário realizarmos uma avaliação antropométrica adequada, utilizando em conjunto vários indicadores para que possamos determinar o quadro do paciente e as possíveis intervenções nutricionais. Suplementamos os idosos com o objetivo de reduzir as carências nutricionais que, por algum motivo, não estão sendo supridas na dieta. Caso necessário, a oferta de suplementação em conjunto com uma supervisão profissional pode ser de grande valia para garantir o estado nutricional do idoso, porém após avaliação criteriosa de todos os parâmetros antropométricos. A alimentação saudável e de acordo com idade, contendo todos os nutrientes essenciais, é muito importante para promoção e a manutenção da saúde, além da prevenção de patologias. Um exemplo da baixa ingestão e da necessidade de suple- mentação é a proteína, pois a sua ingestão abaixo do recomen- dado pelas DRI’s pode ocasionar perda da força muscular, des- nutrição, baixa imunidade. Já as vitaminas e os minerais também atuam sobre o sistema imunológico, prevenindo algumas doen- ças. 37NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 É normal as pessoas pensarem que a alimentação está ade- quada, suprindo todas as necessidades. Contudo, não podemos nos descuidar da fome oculta, síndrome que atinge muitas pes- soas e caracterizada pela deficiência nutricional que não apre- senta sintomas claros, só que em longo prazo pode causar sérias consequências à saúde. Os suplementos prontos e já industrializados que existem no mercado são uma saída segura e bem mais acessível ao equilíbrio nutricional, mas sempre lembrando que eles não substituem a refeição. SAIBA MAIS Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos a leitura do artigo “Suplementação de micronutrien- tes na senescência: implicações nos mecanismos imunológicos”, acesse no QR code: Quando devemos suplementar? Como já vimos anteriormente, o passar dos anos tem muitos efeitos e reflexos no corpo humano, assim, quanto mais velhos ficamos, mais atentos devemos estar às necessidades do corpo e às novas restrições que vamos desenvolvendo constantemente. Assim, as alterações fisiológicas normais do processo de en- velhecimento, somadas ao desenvolvimento de doenças crônicas e fatores familiares, sociais e econômicos acabam acarretando https://www.scielo.br/j/rn/a/Pg63xY4yh9wsM8Tgr3BgFhw/?lang=pt 38 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 novos comportamentos, hábitos e necessidades alimentares que devem ser suprimidas para que o corpo continue funcionando de maneira correta. De acordo com Novaes (2005), podemos compreender que o envelhecimento do indivíduo, principalmente após os 50 anos, acaba resultando: • Na redução da massa muscular, que passa a diminuir entre 1 e 2% a cada ano. • Redução da força muscular, que acontece em até 1,5% ao ano e acima de 3% após os 60 anos. • Deterioração da mobilidade funcional. • Redução da mobilidade física. Todos esses fatores acabam por reduzir a independência e a autonomia do idoso, reduzindo sua qualidade de vida e aumentando as chances de desenvolvimento de alguma doença crônica ou doença secundária. Sendo assim, é de extrema necessidade observar e acompanhar a alimentação dos idosos, de forma que seja feita adequadamente para suprir todas as necessidades do corpo, além de fortalecê-lo e trazer mais qualidade de vida para o indivíduo. Desta forma, em diversos momentos acaba sendo necessá- rio que haja uma suplementação de nutrientes, proteínas, vita- minas, entre outros componentes de extrema necessidade para o funcionamento satisfatório do corpo humano. Logo, a suple- mentação é indicada em situações específicas, quais sejam: • Quando o consumo alimentar de certo nutriente estiver abaixo da recomendação diária média (RDA) considera- 39NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 da para o idoso, associada a parâmetros bioquímicos que indiquem deficiência. • Quando existirem patologias que contribuam para a deficiência de um ou mais nutrientes (interação de alimentos e nutrientes). • Quando o idoso apresentar sinais e sintomas de redu- ção da função em detrimento da deficiência de certo nutriente. Figura 4 – Idoso portador de enfermidade que necessita de suplementação Fonte: Freepik • Doenças crônicas: devemos nos atentar aos idosos portadores de doenças crônicas. Diante disso, a suplementação de ômega-3 e antioxidantes podem auxiliar a combatê-las, reduzindo a inflamação e o estresse oxidativo que potencializa a progressão de doenças, sobretudo as cardiovasculares. • Desnutrição: idosos com quadro de desnutrição apre- sentam deficiência calórica, que compromete a ma- nutenção da saúde. Nesse caso são indicados suple- 40 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 mentos hipercalóricos e energéticos que favorecem o funcionamento do metabolismo corporal. • Sarcopenia: é a perda natural de tecido muscular que ocorre com o processo de envelhecimento. A suple- mentação proteica pode ser benéfica na minimização da sarcopenia. • Para evitar a carência de vitamina B12, os vegetarianos estritos devem tomar doses complementaresdela. • Para diminuir o risco de osteoporose, mulheres que en- tram na menopausa devem fazer uso de doses comple- mentares de cálcio e vitamina D. A ausência de suplementação nos casos em que há alguma forma de deficiência nutricional pode acarretar inúmeros proble- mas no organismo, dentre os quais alguns podem ser identifica- dos na tabela abaixo. Tabela 2 – Consequências da eficiência nutricional Fonte: A autora (2023) Suplementos alimentares Os suplementos alimentares são fabricados com a finali- dade de complementar a alimentação e reforçar a ingestão de nutrientes, em condições específicas como é o caso do idoso. Os 41NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 suplementos são direcionados a pessoas com restrição alimen- tar e com deficiências nutricionais. suplementos são divididos em categorias, de acordo com o benefício maior que cada um deles promoverá: • Suplementos proteicos. • Suplementos antioxidantes. • Polivitamínicos. • Suplementos energéticos. • Suplementos hipercalóricos. • Suplementos de ômega-3. • Suplementação de Creatina A creatina é um composto que naturalmente é sintetizado pelo nosso corpo, sendo um derivado da guanidina e que depende de aminoácidos precursores para o seu armazenamento e utilização pelo organismo. A principal fonte de creatina por meio da alimentação se dá por alimentos derivados de animais, como carnes, ovos, leites, entre outros. A creatina fica armazenada nos músculos esqueléticos e é responsável por manter todos os níveis de ATP (adenosina trifos- fato) durante as contrações musculares. Assim, a suplementação de creatina é responsável por auxiliar no aumento da massa ma- gra, na redução do estresse oxidativo do corpo humano, aumen- to no ganho de funções, de força muscular e no desempenho de atividades físicas. 42 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Suplementação de Leucina A leucina é um aminoácido responsável por realizar a síntese proteica da proteína quinase, sendo esta um alvo da rapamicina (mTOR) no corpo humano, estimulando a síntese de outras proteínas essenciais. Logo, atua fortemente na síntese de proteínas musculares, principalmente em pessoas idosas. Uma vez que haja a suplementação da leucina, é possível observar um maior estímulo na síntese das proteínas do músculo pós-prandial, um aumento da porcentagem de massa muscular nas pernas, um aumento da força, uma maior independência para a realização de atividades físicas. Ademais, uma promoção de efeitos anticatabólicos, perda de peso, facilidade na cura de doenças, entre outros efeitos. Suplementação de Proteínas A suplementação de proteínas é uma das mais frequentes realizadas atualmente, principalmente por pessoas jovens que praticam atividades físicas constantes. No entanto, a suplemen- tação proteica pode ser realizada também em idosos, principal- mente se associada à suplementação de colágeno. Assim, a suplementação de proteínas pode auxiliar: na manutenção do balanço nitrogenado, na redução da sarcopenia, no estímulo do anabolismo proteico, no aumento dos músculos e da força muscular, no ganho de massa magra, entre outros. Destacamos ainda que a suplementação de proteínas em idosos é de extrema necessidade para promover a compensação entre as inflamações do corpo e as condições catabólicas que estão ligadas a doenças crônicas mais frequentes. Portanto, 43NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 quanto mais doenças crônicas um idoso possui, maior será a necessidade de suplementar proteínas no seu organismo. IMPORTANTE Para que a suplementação de proteínas seja ainda mais eficaz é recomendado que seja associada à prática de atividades físicas. Suplementação de Vitamina D A vitamina D é considerada como um dos mais importantes nutrientes para os idosos, uma vez que atua diretamente com a absorção do cálcio, auxiliando no fortalecimento ósseo e no metabolismo geral do corpo. Sendo assim, o consumo adequado de vitamina D auxilia na manutenção de ossos mais saudáveis. Sendo assim, a ausência dessa vitamina no organismo im- pacta negativamente na quantidade de massa muscular e na for- ça do indivíduo, o que aumenta o risco da ocorrência de quedas, fraturas, diminuição da independência e da autonomia física do indivíduo. Figura 5 – Idosa tomando suplementação de vitamina D Fonte: Freepik 44 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Suplementação de Ômega 3 A ômega 3 é considerada como um ácido graxo poli- insaturado (AGPI n3) e é considerada como um lipídio de extrema importância para o corpo, auxiliando na redução do colesterol, dos triglicerídeos, no aumento da massa muscular, na redução da necessidade de oxigênio durante a realização de atividades físicas, maior força e resistência física, além de auxiliar as vias metabólicas e na síntese dos tecidos musculares. Assim como em outros casos, devemos ressaltar que os efeitos da suplementação de ômega 3 são potencializados quando associados à prática de atividades físicas. Além disso, essa suplementação também demonstra melhoras nas funções neuromusculares durante testes funcionais. Suplementação de Zinco O zinco é um nutriente importante para auxiliar no cresci- mento celular, além de atuar na diferenciação e no processo me- tabólico das células. O zinco também auxilia na regulamentação hormonal, principalmente quando associados aos hormônios GH e IGF-1. Sendo assim, a suplementação de zinco pode atuar aumen- tando a secreção do hormônio GH, além de auxiliar no fortaleci- mento do sistema imunológico, ajuda no processo de cicatriza- ção, ajuda a prevenir infecções diversas, casos de diabetes e até mesmo alguns tipos de câncer. Suplementação de Ferro O ferro é considerado como um micronutriente que ajuda na síntese dentro das hemácias, além de auxiliar no transporte 45NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 de oxigênio dentro do organismo. Em geral, o ferro pode ser consumido através de alimentos de origem animal (ferro heme) ou de origem vegetal (não-heme). A falta de ferro no organismo pode comprometer o siste- ma imunológico, facilita a ocorrência de infecções, reduz as ca- pacidades cognitivas e a produtividade, além de ser considerada como uma das principais causas da anemia. Fatores a favor e conta a suplementação Devido a diversos fatores como doenças e medicamentos, os idosos podem necessitar de suplementação de nutrientes. No entanto, encontramos prós e contras da suplementação, uma vez que há aqueles defendem a necessidade de administrar suplementos vitamínicos e, por outro lado, os que consideram que essa alimentação adequada fornecerá as quantidades suficientes de nutrientes. Prós: • A suplementação de antioxidantes está associada à redução do risco de enfarte agudo do miocárdio, devido à sua capacidade de travar o processo aterosclerótico. • A suplementação diária com vitaminas antioxidantes pode aumentar as defesas imunitárias dos idosos. • A suplementação é uma maneira pouco dispendiosa para suprir as necessidades nutricionais. • Suplementação com vitamina E reduz de risco cardio- vascular ou doença de Alzheimer. • Suplementação com vitamina D ajuda doentes com osteoporose. 46 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 • Suplementação com folato para idosos, com fatores de risco cardiovascular e alcoólicos. • Suplementação com tiamina para alcoólicos. Contras: • Idosos são mais susceptíveis à toxicidade, causada pela ingestão exagerada de suplementos e pelo seu uso prolongado. • A suplementação com alguns nutrientes pode levar a uma resposta metabólica desfavorável em alguns idosos. Por exemplo, excesso de folato pode mascarar deficiência de vitamina B12. • Na maioria das vezes, os idosos utilizam muitos medicamentos, e a suplementação com vitaminas e minerais pode resultar numa combinação indesejada. • É comum acontecerem alterações fisiológicas durante o envelhecimento, as quais podem contribuir para que certos nutrientesse acumulem no organismo do idoso, levando à toxicidade. • A ingestão de alimentos proporciona benefícios bioquí- micos, fisiológicos e psicológicos que os suplementos não conseguem suprir. 47NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que os idosos compõem um grupo de risco para carências nutricionais e que deve ser avaliada a necessidade de uma suple- mentação neste grupo. Neste ciclo da vida, ocorre fisiologicamente a perda muscular que pode ser suprida com a alimentação correta ou a suplemen- tação de proteínas. Diante disso, tem-se vários fatores prós e contra à suplementação, cabendo avaliar a real necessidade e os benefícios desse processo. Vamos para o próximo capítulo?! 48 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Estado nutricional e a qualidade de vida dos idosos OBJETIVO Ao término deste capítulo você será capaz de com- preender os fatores que auxiliam o estado nutri- cional e a qualidade de vida dos idosos. Isto é de extrema importância para entendermos como será nossa intervenção neste grupo. Vamos estudar um pouco a respeito? E então? Motivado para desen- volver esta competência? Então vamos lá. Avante! Envelhecimento ativo O envelhecimento é um processo natural do corpo humano, afinal, estamos sempre envelhecendo e passando por constantes mudanças e alterações físicas, mentais, metabólicas, psicológicas, entre tantas outras. Sendo assim, é sempre necessário estar atento às novas necessidades do nosso corpo e às limitações que vão surgindo aos poucos. Nesse contexto surge a noção de envelhecimento ativo, concepção atrelada à otimização do processo de envelhecimento, ou seja, a ideia de um envelhecimento mais saudável, com mais oportunidades e garantias aos idosos, melhorando a sua segurança, saúde, bem-estar e, consequentemente, a sua qualidade de vida. O envelhecimento ativo vem trazer aos cidadãos propostas para melhoria em diversos campos de sua vida, tanto no bem- estar físico, quanto no social e no mental, além de facilitar uma maior inclusão das pessoas idosas na sociedade, observando suas principais necessidades, desejos, vontades e a capacidade que cada um tem de continuar vivendo. 49NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Tabela 3 – Envelhecimento ativo Fonte: World Health Organization É bastante comum que, após a aposentadoria, a comunidade passe a enxergar o idoso como um estorvo, um peso para a família e para a sociedade, já que não estaria mais contribuindo de forma ativa para o bem-estar coletivo. Logo, o envelhecimento ativo traz a ideia de que, mesmo não estando atuante com sua força de trabalho, o indivíduo segue contribuindo e participando de questões sociais, culturais, civis, econômicas e espirituais, quebrando a noção de que o idoso deixa de viver ativamente, além de dar a ele uma maior perspectiva sobre a sua vida com uma nova rotina e com uma função para a comunidade. Sendo assim, podemos entender que o envelhecimento ativo não é apenas uma nova perspectiva para o idoso, mas também pode ser visto como uma política de saúde pública, 50 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 uma vez que um idoso ativo e inserido na sociedade está menos suscetível a desenvolver problemas que podem levar a doenças físicas, mentais, chegando até a aumentar a sua expectativa de vida. Tais programas de envelhecimento ativo devem envolver atividades e práticas que promovem a atividade mental, exercícios físicos, interações sociais, práticas mais saudáveis de alimentação, entre tantas outras que podem atuar na melhora da saúde e no fomento da autonomia do idoso no seu dia a dia. Figura 6 – Idosos em atividade social ativa Fonte: Freepik DEFINIÇÃO Para compreender melhor esse assunto, é impor- tante distinguir as diferenças entre autonomia e independência, afinal, apesar de parecerem sinô- nimos, são noções diferentes. Por um lado, a auto- nomia é uma habilidade do indivíduo em controlar as possibilidades que lhes são oferecidas, além de tomar decisões pessoais e lidar com situações diá- rias de acordo com a sua vontade. A independên- cia, por sua vez, é uma habilidade do indivíduo em executar tarefas e funções diárias de maneira inde- pendente da comunidade ou da ajuda de terceiros. 51NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 A ideia de envelhecimento ativo já é tão disseminada como forma de política de saúde que, no ano de 2002, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um livro para servir como guia e orientação para governos, organizações sociais e para a própria comunidade. ACESSE Para conhecer mais detalhes sobre o livro “Enve- lhecimento Ativo: Uma Política de Saúde”, publica- do no Brasil em 2005, acesse no QR code: Podemos, então, citar algumas dicas que auxiliam nos projetos e na noção de envelhecimento ativo que vimos até o momento. Assim, ressaltamos que são questões a serem observadas por idosos, governos, profissionais da saúde e pela própria sociedade: • Cuidado com a hipertensão. • Prevenção da obesidade. • Campanhas contra o fumo. • Promoção da prática de exercícios físicos e esportes. • Redução das situações que causam estresse e tensões. • Controle do colesterol e do açúcar no sangue. • Indicações quanto à ingestão adequada de vitaminas, proteínas, minerais, entre outros nutrientes necessá- rios. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/envelhecimento_ativo.pdf 52 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 • Campanhas contra a automedicação (uso de medica- mentos sem orientação médica). • Realização de dietas apenas com orientação e acompa- nhamento de profissionais. • Campanhas contra o uso de bebidas alcóolicas. • Incentivo à alimentação mais saudável, voltada para a ingestão de frutas, verduras, legumes e alimentos não industrializados. • Oficinas sociais para o desenvolvimento de novos hob- bies, como pintura, costura, bordado, leitura, aprendi- zado de uma nova língua ou qualquer outra atividade que possa tornar a vida do idoso mais dinâmica. • Fomento a atividades que promovam a interação e o contato social. • Ter bons hábitos de sono. • Entre outros. Assim, passaremos a conhecer um pouco mais sobre algumas atividades sugeridas e que podem trazer inúmeros benefícios tanto para os idosos quanto para a comunidade. Atividade e interação social Envelhecer não significa deixar de fazer as coisas que mais gosta, simplesmente adoecer e se afastar de tudo. Pelo contrário, o idoso pode e deve manter uma boa qualidade de vida. Atualmente encontramos espaços dedicados à terceira idade: centros de convivência, grupos da mais idade, centros de referência. Esses espaços e grupos são de extrema importância porque promovem atividades específicas para os idosos com 53NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 diferentes objetivos, mas o denominador comum é a interação social entre os idosos, algo muito significativo para eles. Essa interação social melhora a qualidade de vida deles, pois desenvolve o a sensação de bem-estar e pertencimento, assim como promove a melhoria no funcionamento do corpo. Figura 7 – Idosos em interação social Fonte: Freepik Uma boa interação/convivência com a família também é fundamental para os idosos, pois a vida deles não se resume apenas à participação de grupos de mais idade, pois há o envolvimento com a comunidade em geral, família grupos religiosos etc. As relações sociais também promovem diversos benefícios, como os mentais. Aquele idosos que não possuem convívio social com outras pessoas, grupos, famílias, podem apresentar problemas de depressão, além da capacidade cognitiva geral. O convívio de idosos com outras pessoas é fundamental porque estimulam diversas atividades para sair da monotonia. 54 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Dessaforma, o convívio social é um fator positivo para que o idoso envelheça de forma saudável durante esse último ciclo da vida! SAIBA MAIS Quer se aprofundar neste tema? Leia o artigo “Es- tado nutricional e a qualidade de vida em homens idosos, vivendo em instituição de longa permanên- cia em Curitiba”. Acesse no QR code: Produtividade Na maioria das vezes o idoso, ao se aposentar, sente-se inútil, sem benefícios para a sociedade, e caso ele não tenha um apoio da família ou de cuidadores, pode entrar até mesmo em um quando depressivo. O idoso precisa muito do apoio da família, porém muitas vezes isso não acontece, o que acaba afastando-o de decisões importantes. Na maioria das vezes, as pessoas acreditam que os idosos não possuem mais capacidade de tomar decisões e essa exclusão desperta um sentimento de tristeza e de inutilidade. Trabalhos voluntários O idoso tem a necessidade de se sentir ativo, útil, e muitas vezes buscam trabalhos como voluntariados para ajudar quem mais precisa. Essa atividade é fundamental porque se sentem úteis, evitando, na maioria das vezes, a depressão. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-98232011000400003 55NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Em relação ao voluntariado, dois aspectos devem ser considerados: o voluntariado realizado para o público idoso e o voluntariado realizado pelo público idoso. Ao se aposentar, surgem novos desafios, pois junto com a ideia de liberdade, de descanso, de prêmio, está a sensação de inutilidade, de inatividade, de vazio e até de recusa em aceitar a situação. Então, o que fazer para enfrentar essa nova etapa da vida? Convívio com crianças e jovens Pode ser muito benéfico o convívio de idosos com jovens e crianças, pois há uma transmissão de conhecimentos, experiências e habilidades, além da companhia fundamental entre eles. Os idosos possuem diversas histórias vividas e uma série de conhecimentos para compartilhar com os mais novos; e, dessa forma, podem se sentir com um propósito renovado, livres do tédio ou com a vitalidade aumentada. De outro lado, os jovens de hoje estão cada vez mais conectados, trazendo novidades e podem ensinar muita coisa aos idosos. 56 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Figura 8 – Convivência dos idosos com crianças Fonte: Freepik Exercícios mentais As atividades mentais têm uma importante função para os idosos, beneficiando o envelhecimento saudável, melhorando a capacidade de atenção, memória, linguagem e raciocínio. Os exercícios mentais também ajudam a prevenir e a combater o declínio cognitivo que ocorre com as alterações fisiológicas do envelhecimento e de algumas patologias, como o Alzheimer. Para melhorar a saúde mental o idoso deve estimular o cérebro para que se mantenha sempre ativo. É natural que com o envelhecimento as funções corporais diminuam, e com as funções cerebrais não é diferente; porém, elas podem ser preservadas e recompostas por meio da ginástica cerebral. A ginástica cerebral estimula o cognitivo através de desafios e atividades ao cérebro. 57NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Atividade física Envelhecer é um processo dinâmico, progressivo e irrever- sível que ocorrerá com todos nós. O envelhecimento levará a al- terações fisiológicas e psicológicas, ocorrendo a diminuição da capacidade de adaptação do organismo ao ambiente, propician- do maior vulnerabilidade e incidência de doenças. Com o envelhecimento, as pessoas desaceleram seu ritmo de vida devido às limitações impostas pelo corpo, no qual ocorre uma redução progressiva da composição e função corporal, perda da massa muscular, diminuição da massa óssea, tornando- os mais propensos a fraturas. Quando os idosos praticam atividade física, podemos perceber uma série de vantagens, como: vigor e autoestima, ganho de massa muscular, força, desempenho e modificações positivas da sua forma física. Figura 9 – Idosos praticando hidroginástica Fonte: Freepik 58 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 Envelhecer é um fenômeno natural e crescente na população mundial e que ocorrerá com todos nós um dia. Nesse processo, o envelhecimento vem acompanhado por modificações fisiológicas e mentais, as quais podemos minimizá-las pela atividade física e pela alimentação saudável. Fatores relacionados ao ambiente físico É de extrema importância um ambiente físico adequado/ adaptado aos idosos, pois assim terão independência em realizar as suas atividades rotineiras sem depender de ajuda. Idosos que vivem em locais com diversas barreiras físicas não saem de casa com frequência, e assim se tornam propensos ao isolamento, à depressão, a um menor preparo físico e a mais problemas de mobilidade. Serviços de transporte público acessíveis e baratos são necessários em áreas rurais e urbanas, de modo que pessoas de todas as idades possam participar integralmente na vida familiar e comunitária. 59NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido os fatores que influen- ciam na qualidade de vida dos idosos. Com o enve- lhecimento e a aposentaria, os idosos na maioria das vezes se sentem inúteis e, para evitar isso, é importante que estejam envolvidos em atividades para que não entrem em depressão. Por exemplo, o trabalho voluntário é uma boa opção, pois eles irão conviver com outras pessoas e ajudarem os mais necessitados. Outro fator muito interessante e fundamental é o convívio com crianças e jovens, pois além de um transmitir todo seu conhecimento e experiencia, e outro ensinar coisas novas, a com- panhia nessas duas faixas etárias é fundamental! Atividades físicas e exercícios mentais também são muito importantes nesse ciclo da vida, pois man- têm a mente ocupada, estimulando o raciocínio e evitando doenças. Entendeu tudo? Comente lá no fórum as suas dúvidas! Chagamos ao fim desta uni- dade e espero que você tenha gostado! 60 NUTRIÇÃO E O IDOSO U ni da de 4 IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Número de idosos cresce 18% em 5 anos e ultrapassa 30 milhões em 2017. 2018. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov. br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/20980- numero-de-idosos-cresce-18-em-5-anos-e-ultrapassa-30-milhoes- em-2017 Acesso em: 24 fev. 2022. NOVAES, M. R. C. G. et al. 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Suplementos alimentares Suplementação de Leucina Suplementação de Proteínas Suplementação de Vitamina D Suplementação de Ômega 3 Suplementação de Zinco Suplementação de Ferro Fatores a favor e conta a suplementação Estado nutricional e a qualidade de vida dos idosos Envelhecimento ativo Atividade e interação social Produtividade Trabalhos voluntários Convívio com crianças e jovens Exercícios mentais Atividade física Fatores relacionados ao ambiente físico