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2 
 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................... 4 
2 ALIMENTAÇÃO NO ENVELHECIMENTO .......................................... 5 
2.1 Importância de uma alimentação saudável para o adulto e o idoso
 ........................................................................................................5 
2.2 Aspectos nutricionais na fase adulta ............................................. 7 
2.3 Aspectos nutricionais no envelhecimento ..................................... 8 
2.4 Envelhecimento normal e bem-sucedido ...................................... 9 
2.5 Dez passos para uma alimentação saudável para o adulto e o idoso
 ......................................................................................................10 
2.6 Dez passos para uma alimentação saudável para pessoas idosas
 ......................................................................................................15 
2.7 Orientações nutricionais para o adulto e o idoso ........................ 16 
3 ORGANIZAÇÃO DE PLANOS ALIMENTARES: IDOSO ................... 23 
3.1 Características de planos alimentares para idosos ..................... 23 
3.2 Características e alterações físicas dos idosos que comprometem 
o estado nutricional ............................................................................................ 23 
3.3 Principais dificuldades para a confecção de planos alimentares 
para idosos ......................................................................................................27 
3.4 Perda de apetite .......................................................................... 27 
3.5 Inabilidade para preparar/ingerir alimentos ................................. 28 
3.6 Disfagia ....................................................................................... 29 
3.7 Isolamento social e más condições socioeconômicas ................ 30 
3.8 Uso de medicamentos ................................................................ 31 
 
3 
 
3.9 Elaboração de um plano alimentar para o idoso ......................... 32 
4 ESTRATÉGIAS ALIMENTARES PARA FAVORECER O CONSUMO 
DE ALIMENTOS POR IDOSOS EM SITUAÇÕES ESPECÍFICAS ....................... 37 
4.1 Perda de apetite .......................................................................... 37 
4.2 Dificuldades de mastigação e deglutição de alimentos ............... 38 
5 Problemas sensoriais, psicológicos e deficit cognitivo ....................... 38 
5.1 Dificuldade em preparar os alimentos ......................................... 39 
5.2 Consumo de água ....................................................................... 41 
5.3 PADRÃO DE CONSUMO ALIMENTAR PECULIAR DO IDOSO – 
MÁ ALIMENTAÇÃO ........................................................................................... 42 
6 EXERCÍCIO FÍSICO E ENVELHECIMENTO .................................... 45 
6.1 Avaliação funcional ..................................................................... 50 
7 SOLIDÃO NA VELHICE .................................................................... 52 
8 O ABANDONO NA FAMÍLIA.............................................................. 56 
8.1 Causas da Institucionalização do idoso ...................................... 60 
9 REFERÊNCIAS ................................................................................. 64 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Prezado aluno! 
 
 O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é 
semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase 
improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor 
e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. 
O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos 
ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, 
as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão 
respondidas em tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da 
nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à 
execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da 
semana e a hora que lhe convier para isso. 
 A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
2 ALIMENTAÇÃO NO ENVELHECIMENTO 
2.1 Importância de uma alimentação saudável para o adulto e o idoso 
 
A fase adulta, o estágio mais longo do ciclo da vida, começa quando o 
adolescente conclui seu crescimento físico. Diferentemente dos estágios anteriores 
do ciclo da vida, os nutrientes são usados, em especial, para manter o corpo, em 
vez de sustentar o crescimento físico. À medida que o adulto envelhece, as 
necessidades de nutrientes mudam. Por exemplo, é preciso aumentar o aporte de 
vitamina D e vitamina B12 para os idosos (WARDLAW; SMITH, 2013). 
Desta forma, a fase adulta é caracterizada pela manutenção corporal, por 
transições físicas e fisiológicas gradativas, geralmente conhecidas como 
envelhecimento. Este processo é um fenômeno universal e natural do organismo, 
que apresenta lenta morte celular, começando logo depois da fertilização do óvulo 
(WARDLAW; SMITH, 2013; COSTA; DIAS; SOUZA, 2013). As alterações causadas 
pelo envelhecimento desenvolvem-se em um ritmo diferente para cada pessoa e 
dependem de fatores internos e externos, como os descritos a seguir: 
 
 Fatores internos: a genética do indivíduo poderá influenciar o processo 
de envelhecimento, ao mesmo tempo em que retarda os danos gerados pelo 
metabolismo endógeno das toxinas, regula a taxa de maturação celular e o 
metabolismo, também, suprime a tendência de proliferação ilimitada. 
 Fatores externos: o exercício físico, a radiação, a alimentação e os 
outros hábitos de vida, como o fumo e o consumo de bebidas alcoólicas em excesso 
(COSTA; DIAS; SOUZA, 2013). 
 
O envelhecimento é um dos processos biológicos mais complexos, é 
inevitável e irreversível, dependente da idade do aumento da vulnerabilidade e 
declínio progressivo funcional. Agora, alguns processos fisiológicos, que ocorrem 
durante o envelhecimento, serão descritos: 
 
6 
 
 
 Adolescência: o envelhecimento não é aparente, porque as principais 
atividades metabólicas estão voltadas para o crescimento e maturação. São 
produzidas uma grande quantidade de células ativas para suprir as necessidades 
fisiológicas. 
 Durante o final da adolescência e fase adulta: a principal tarefa do 
corpo é manter as células. 
 Do início da fase adulta até em torno dos 30 anos de idade: os 
sistemas corporais encontram-se em sua taxa de eficiência máxima. Estatura, vigor, 
força, resistência, eficiência e saúde estão em seu ponto máximo na vida. As taxas 
de síntese e decomposição celular estão equilibradas na maioria dos tecidos. 
Entretanto, é inevitável que as células envelheçam e morram. 
 Após os 30 anos de idade: a taxa de decomposição celular começa, 
lentamente, a exceder o limite de renovação celular, levando a um declínio gradativo 
no tamanho e na eficiência dos órgãos. 
 Após os 60 anos: o corpo não consegue se ajustar para atender a 
todas as demandas fisiológicas, e o funcionamento do corpo começa a decair. 
Contudo, os sistemas corporais e os órgãos, geralmente, retêm uma capacidade de 
reserva suficiente para lidar com as demandas diárias normais, durante toda a vida 
de uma pessoa (WARDLAW; SMITH, 2013). 
Conforme os indivíduos envelhecem, as doenças crônicas não 
transmissíveis (DCNTs) transformam-se nas principais causas de morbidade, 
incapacidade e mortalidade em todas as regiões do mundo, inclusive,nos países 
em desenvolvimento. Estas doenças típicas da terceira idade são caras para os 
indivíduos, as famílias e o Estado, mas, muitas delas, podem ser evitadas ou, pelo 
menos, adiadas. Não prevenir ou controlar as DCNTs, de forma apropriada, irá 
resultar em enormes custos humanos e sociais que irão absorver uma quantidade 
desproporcional de recursos, que poderiam ter sido destinados a problemas de 
saúde de outras faixas etárias (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2005). 
Portanto, é necessário, ao longo da vida, visar à otimização das oportunidades para 
 
7 
 
melhoria e preservação da saúde, bem-estar físico, social e mental, independência, 
qualidade de vida e atividade física (COSTA; DIAS; SOUZA, 2013). 
 
2.2 Aspectos nutricionais na fase adulta 
 
 Como visto, o padrão de crescimento é homeostático na fase adulta, pois 
os adultos jovens (até 35 anos de idade) já alcançaram todo o seu potencial 
genético, em termos de altura e força. Assim, é partir dessa idade que começarão 
a ocorrer várias alterações corporais. A aproximação da meia idade, em geral, se 
evidencia à medida que as mulheres apresentam ganho de peso, após a gravidez, 
e os homens desenvolvem o aumento da gordura abdominal. O conteúdo de 
gordura corporal aumenta 35% depois dos 20 anos, a massa corporal magra e o 
teor total de água do corpo diminuem 17%. O volume plasmático, também, reduz 
para 87%. 
O exercício físico diminui, especialmente, se o adulto tiver um trabalho 
sedentário. O metabolismo igualmente baixa. A taxa de replicação celular começa 
a cair lentamente. Quando o adulto trabalha fora de casa, pode recorrer, com mais 
frequência, a lanches rápidos. Se há crianças em casa, o adulto acaba comendo o 
que elas deixam no prato para não desperdiçar comida. Ainda, as mulheres correm 
o risco de apresentar osteoporose, pois o consumo de cálcio e o equilíbrio hormonal, 
durante a adolescência, influenciam tardiamente no desenvolvimento desse 
problema (FARREL; NICORETTI, 2005; TEIXEIRA, 2015). 
De maneira semelhante, as necessidades calóricas diminuem, dependendo 
do estilo de vida do adulto. Os tipos e o preparo dos alimentos precisam ser 
modificados devido a problemas dentários ou a desconfortos gástricos, dependendo 
do nível de ácido clorídrico no estômago. O adulto, a partir dos 35 anos, pode, ainda, 
precisar de um aumento no consumo de vitamina C por ingerir menos frutas e 
legumes frescos, em razão da dificuldade de acesso a esses produtos. Também, 
pode haver deficiência de vitamina B6, especialmente, se o adulto consome grandes 
 
8 
 
quantidades de álcool. Mulheres que apresentam sintomas da perimenopausa 
tendem a consumir muitos carboidratos e diminuir o consumo de proteína e cálcio 
(FARREL; NICORETTI, 2005). 
A fase adulta, como já citado, constitui o maior período da vida humana, em 
que a nutrição e alimentação desempenham papéis fundamentais para que o 
indivíduo possa apresentar um envelhecimento normal e bem-sucedido por 
intermédio de prevenção ou retardo de doenças características dessa fase. 
Considerada a fase de manutenção, o adulto terá mais dificuldade em manter uma 
alimentação saudável se, desde a infância e adolescência, adquirir hábitos 
errôneos. Além disso, há outros fatores que influenciarão os hábitos, como os 
sociais, culturais e financeiros (TEIXEIRA, 2015). 
2.3 Aspectos nutricionais no envelhecimento 
 
Sem dúvida, condições e doenças crônicas causam impacto no estado 
nutricional nesse estágio da vida. Problemas dentários, más condições financeiras 
e incapacidade de preparar ou obter os alimentos são fatores que podem estar 
presentes no caso do paciente idoso. 
A Taxa Metabólica Basal (TMB) decresce no idoso, porque há menos 
massa muscular (10%). A atividade física e a força diminuem gradualmente, 
causando diminuição das necessidades energéticas e metabólicas. Contudo, a 
reabsorção óssea aumenta com a idade. A ferramenta da pirâmide alimentar, ainda, 
se aplica, porém deve ser, em alguns casos, adaptada (COSTA; DIAS; SOUZA, 
2013). 
 Os idosos costumam alimentar-se à base de alimentos fáceis de serem 
mastigados e deglutidos. Problemas dentários, normalmente, dificultam a 
mastigação dos alimentos, em especial, fontes de proteína, como carnes vermelha 
e de frango. É possível que economizem na alimentação para poderem comprar 
outros itens, como remédios. As influências religiosas e culturais são evidentes, 
 
9 
 
frequentemente, como mecanismos para lidarem com as dificuldades e manterem 
a estabilidade emocional (FARREL; NICORETTI, 2005). 
 
2.4 Envelhecimento normal e bem-sucedido 
 
As células do corpo envelhecem, independentemente, das práticas de 
saúde que os indivíduos sigam. Entretanto, até certo ponto, se pode escolher a 
rapidez desse envelhecimento, durante os anos da fase adulta. O envelhecimento 
normal refere-se àquelas mudanças, em geral, consideradas típicas ou esperadas 
como parte do período: 
 
 aumento da gordura corporal; 
 diminuição da massa corporal magra; 
 aumento da pressão sanguínea; 
 diminuição da massa óssea; 
 piora da saúde (WARDLAW; SMITH, 2013; COSTA; DIAS; SOUZA, 2013). 
 
Muitas destas mudanças representam uma aceleração do processo de 
envelhecimento induzidas por escolhas de estilo de vida insalubres, exposições 
ambientais adversas e/ou doenças crônicas, porém o envelhecimento bemsucedido 
associa-se aos declínios na função física e fisiológica que ocorrem, apenas, porque 
a pessoa envelhece, não em decorrência dos referidos aspectos. Os que têm 
envelhecimento bem-sucedido sofrem declínios relacionados à idade mais 
lentamente, e sintomas de doenças crônicas se manifestam tardiamente 
(WARDLAW; SMITH, 2013). 
O retardo do envelhecimento pode ser alcançado, principalmente, pela 
adoção de práticas saudáveis e participação ativa no cuidado da própria saúde. Um 
dos mitos do envelhecimento é ser tarde demais para a adoção desses costumes, 
nos últimos anos de vida. Pelo contrário, o envolvimento em atividades físicas 
 
10 
 
adequadas, alimentação saudável, a abstinência do fumo e do álcool, além de fazer 
uso de medicamentos sabiamente podem prevenir doenças e o declínio funcional, 
aumentando a longevidade e a qualidade de vida do indivíduo (WORLD HEALTH 
ORGANIZATION, 2005). 
 
2.5 Dez passos para uma alimentação saudável para o adulto e o idoso 
 
O estabelecimento de orientações e recomendações alimentares, para a 
população em geral, tem por base o reconhecimento de que um nível ótimo de 
saúde depende da nutrição. A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), 
aprovada no ano de 1999, constitui-se em um conjunto de políticas públicas e 
propõe respeitar, proteger, promover e prover os direitos humanos à saúde e à 
alimentação. Para isso, foram criadas várias medidas que procuram viabilizar as 
escolhas alimentares saudáveis dos indivíduos. Assim, as medidas efetuadas serão 
descritas a seguir: 
 
 Medidas de incentivo: difundem informação e possibilitam práticas 
educativas que motivam os indivíduos para a adoção de práticas saudáveis. São as 
ações educativas nas unidades básicas de saúde, escolas e ambiente de trabalho, 
campanhas publicitárias e eventos de mobilização. 
 Medidas de apoio: tornam mais possível a adesão a práticas 
saudáveis por indivíduos e coletividades informados e motivados, como a rotulagem 
nutricional, programas de alimentação institucional, cantinas saudáveis nas escolas 
e ambiente de trabalho, bem como espaços que favoreçam a amamentação no 
ambiente de trabalho. 
 Medidas de proteção: são ações de caráter regulatório que impedem 
as coletividades e os indivíduos de ficarem expostos a fatores e situações que 
estimulem práticas não saudáveis, como a regulamentação da venda e propaganda 
 
11 
 
de alimentos nas cantinas escolares, de publicidade dirigida ao público infantil e da 
rotulagem de produtos dirigidos a lactentes (BRASIL,2013). 
A Promoção da Alimentação Adequada e Saudável (PAAS) é uma das 
diretrizes da PNAN, que pressupõe a socialização do conhecimento sobre 
alimentação e problemas nutricionais, como a desnutrição — incluindo carências de 
micronutrientes até a obesidade e demais DCNTs que crescem no país (INSTITUTO 
BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2014). 
Neste cenário, as medidas preventivas ocupam lugar de destaque, não só 
em função de que a prevenção precoce das doenças se associa à melhor qualidade 
de vida, mas também, porque as medidas terapêuticas para a obesidade têm sido 
de pouca valia. 
Visando à importância da prevenção e da socialização do conhecimento 
sobre alimentação e nutrição, foram criados os guias alimentares que fornecem 
informações sobre o assunto, utilizando uma linguagem de fácil compreensão e que 
consideram os aspectos culturais, sociais, econômicos e ambientais da escolha de 
alimentos. Os guias, também, possuem como enfoque prioritário, o resgate de 
hábitos e práticas alimentares regionais que valorizem a produção e o consumo de 
alimentos locais, de baixo custo e elevado valor nutritivo desde os primeiros anos 
de vida, passando pela idade adulta até a terceira idade (BRASIL, 2014). 
O guia alimentar para a população brasileira foi publicado em 2006, 
apresentando as primeiras diretrizes alimentares oficiais para o país. Foi revisado 
em 2014 para se adequar às transformações sociais e de saúde vivenciadas pela 
população. Nele, são explicitados os dez passos para uma alimentação adequada 
e saudável que se caracterizam como um resumo das diretrizes nacionais de 
alimentação e nutrição voltadas aos cidadãos e profissionais de saúde, de forma a 
orientar a prática da promoção da alimentação apropriada e saudável. Apesar dos 
dez passos terem como foco a promoção da saúde e a prevenção de doenças, as 
suas recomendações, também, podem ser úteis para pessoas que possuem 
doenças, desde que adaptadas por profissionais de saúde (BRASIL, 2014). 
Para a elaboração dessas diretrizes, foram consideradas, como premissas 
básicas, a existência de evidências científicas e a promoção do direito humano à 
 
12 
 
alimentação. Adicionalmente, tiveram como pauta o conceito de saúde, para além 
da ausência de doenças e o de alimentação adequada e saudável, para além do 
consumo de nutrientes, conforme preconizado pelo marco de referência de 
educação alimentar e nutricional para as políticas públicas (BRASIL, 2014). 
 Assim, os dez passos estão disponibilizados no formato de folders, para 
que os profissionais possam trabalhar melhor as orientações preconizadas pelo 
guia alimentar, nas ações propostas. 
 
Agora, você poderá conferir o que orientam as diretrizes preconizadas nos 
dez passos: 
 
Passo 1: fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base 
da alimentação 
 
Em grande variedade e predominantemente de origem vegetal, alimentos 
in natura são a base ideal para uma alimentação nutricionalmente balanceada, 
saborosa, culturalmente apropriada e promotora de um sistema alimentar 
socialmente e ambientalmente sustentável (ANNA, 2019). 
 
Passo 2: utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar, em pequenas quantidades, 
ao temperar, cozinhar alimentos e criar preparações culinárias 
 
Utilizados com moderação em preparações culinárias à base em alimentos 
in natura ou minimamente processados, óleos, gorduras, sal e açúcar contribuem 
para diversificar e tornar mais saborosa a alimentação, sem torná-la 
nutricionalmente desbalanceada (ANNA, 2019). 
 
Passo 3: limitar o consumo de alimentos processados 
 
Os ingredientes e métodos usados na fabricação de alimentos 
processados, como conservas de legumes, compota de frutas, pães e queijos 
 
13 
 
alteram, de modo desfavorável, a composição nutricional dos alimentos dos quais 
derivam. Em pequenas quantidades, podem ser consumidos como ingredientes de 
preparações culinárias ou parte de refeições baseadas em alimentos in natura ou 
minimamente processados (ANNA, 2019). 
 
Passo 4: evitar o consumo de alimentos ultraprocessados 
 
Devido a seus ingredientes, os alimentos ultraprocessados, como biscoitos 
recheados, salgadinhos de pacote, refrigerantes e macarrão instantâneo são 
nutricionalmente desbalanceados. Por conta de sua formulação e apresentação, 
tendem a ser consumidos em excesso e a substituir alimentos in natura ou 
minimamente processados. Suas formas de produção, distribuição, comercialização 
e consumo afetam de modo negativo a cultura, a vida social e o meio ambiente 
(ANNA, 2019). 
 
Passo 5: comer com regularidade e atenção em ambientes apropriados e, 
sempre que possível, com companhia 
 
As refeições devem ser realizadas em horários semelhantes todos os dias 
e deve-se evitar beliscar nos intervalos entre as refeições. O alimento necessita ser 
comido devagar, em locais limpos, confortáveis e tranquilos, em que não haja 
estímulos para o consumo de quantidades ilimitadas de alimento. Sempre que 
possível, comer na companhia de familiares, amigos ou colegas de trabalho ou 
escola. A companhia nas refeições favorece o comer com regularidade e atenção, 
combina com ambientes apropriados e amplia o desfrute da alimentação (ANNA, 
2019). 
 
Passo 6: fazer compras em locais que ofertem variedades de alimentos in 
natura ou minimamente processados 
 
 
14 
 
Deve-se procurar fazer compras de alimentos em mercados, feiras livres, 
de produtores e em outros locais que comercializem variedades de alimentos desse 
tipo. Prefira legumes, verduras e frutas da estação, além de cultivados localmente. 
Sempre que possível, os alimentos devem ser orgânicos e de base agroecológica, 
diretamente dos produtores (ANNA, 2019). 
 
Passo 7: desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias 
 
As habilidades culinárias precisam ser adquiridas, desenvolvidas e 
partilhadas, principalmente, com crianças e jovens, sem distinção de gênero (ANNA, 
2019). 
 
Passo 8: planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela 
merece 
 
 As compras de alimentos devem ser planejadas e a despensa doméstica 
organizada para auxiliar a definir, com antecedência, o cardápio da semana. Deve-
se dividir com os membros da família a responsabilidade por todas as atividades 
domésticas relacionadas ao preparo de refeições. Fazer da preparação das 
refeições e do ato de comer momentos privilegiados de convivência e prazer 
(ANNA, 2019). 
 
 Passo 9: dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem 
refeições feitas na hora 
 
No dia a dia, é necessário procurar locais que servem refeições feitas na 
hora e a preço justo. Restaurantes de comida a quilo podem ser boas opções, assim 
como, refeitórios que possuem comida caseira em escola ou local de trabalho. As 
redes de fast-food devem ser evitadas (ANNA, 2019). 
 
 
15 
 
Passo 10: ser crítico quanto a informações, orientações e mensagens sobre 
alimentação veiculadas em propagandas comerciais 
 
 A função essencial da publicidade é aumentar a venda de produtos. Logo, 
ela deve ser avaliada de forma crítica, particularmente, as destinadas para crianças 
e jovens (ANNA, 2019). 
 
2.6 Dez passos para uma alimentação saudável para pessoas idosas 
 
Com o processo do envelhecimento, o corpo começa a apresentar 
naturalmente algumas mudanças que, muitas vezes, as pessoas demoram a 
perceber, mas que podem interferir na sua alimentação. Alterações naturais nos 
mecanismos de defesa do organismo ou dificuldades no processo de mastigação e 
deglutição tornam a pessoa idosa mais suscetível a complicações decorrentes do 
consumo de alimentos, o que reforça a necessidade de cuidados diários para 
preparar refeições seguras. A alimentação da pessoa idosa segue, de maneira 
geral, o mesmos princípios da dieta saudável recomendada a todas as pessoas 
adultas. No entanto, é importante redobrar os cuidados quanto à escolha, ao 
preparo e àcombinação de alimentos, de maneira a garantir sua adequação e boa 
aceitação (BRASIL, 2015). 
 Estabelecer rotinas saudáveis de vida traz benefícios para a saúde, mesmo 
nas idades mais avançadas. Entre os cuidados diários com a saúde, que contribuem 
para um ritmo favorável de envelhecimento, está a alimentação saudável. Para isso, 
o Ministério da Saúde criou os dez passos para uma alimentação saudável para 
pessoas idosas que serão descritos a seguir: 
 
 1º passo: faça pelo menos três refeições (café da manhã, almoço e 
jantar) e dois lanches saudáveis por dia. Não pular as refeições. 
 
16 
 
 2º passo: inclua diariamente seis porções do grupo dos cereais (arroz, 
milho, trigo, pães e massas), tubérculos como a batata, raízes como 
mandioca/macaxeira/aipim nas refeições. Dê preferência aos grãos integrais e aos 
alimentos na sua forma mais natural. 
 3º passo: coma diariamente pelo menos três porções de legumes e 
verduras, como parte das refeições e três porções ou mais de frutas nas 
sobremesas e lanches. 
 4º passo: coma feijão com arroz todos os dias ou, pelo menos, cinco 
vezes por semana. Este prato brasileiro é uma combinação completa de proteínas 
e bom para a saúde. 
 5º passo: consuma diariamente três porções de leite e derivados e 
uma porção de carnes, aves, peixes ou ovos. Retirar a gordura aparente das carnes 
e a pele das aves antes da preparação, para torna esses alimentos mais saudáveis. 
 6º passo: consuma, no máximo, uma porção por dia, de óleos 
vegetais, azeite, manteiga ou margarina. 
 7º passo: evite refrigerantes e sucos industrializados, bolos, biscoitos 
doces e recheados, sobremesas doces e outras guloseimas, como regra da 
alimentação. Coma-os, no máximo, duas vezes por semana. 
 8º passo: diminua a quantidade de sal na comida e retire o saleiro da 
mesa. 
 9º passo: beba, pelo menos, dois litros (de seis a oito copos) de água 
por dia. Dê preferência ao consumo de água nos intervalos das refeições. 
 10º passo: torne sua vida mais saudável. Pratique pelo menos 30 
minutos de atividade física todos os dias e evite as bebidas alcoólicas e o fumo 
(BRASIL, 2009). 
 
2.7 Orientações nutricionais para o adulto e o idoso 
 
 
17 
 
A alimentação é um dos principais fatores envolvidos no desenvolvimento 
de vários problemas de saúde durante a fase adulta e no envelhecimento. Sabe-se 
que a dieta e seus nutrientes estão relacionados a muitos desses problemas, como 
aterosclerose, câncer, constipação, diabetes, doença diverticular, azia, hipertensão, 
obesidade e osteoporose. Contudo, outros problemas de saúde, como artrite, 
doença de Alzheimer e depressão não estão diretamente ligados à dieta, mas a 
nutrição está implicada na sua prevenção e/ou tratamento. 
 Transmitir informação sobre alimentação e saúde nem sempre é fácil. A 
informação em saúde necessita de ser clara, compreensível, recordável, credível, 
consistente ao longo do tempo, baseada na evidência e personalizada. Esta 
personalização significa que a informação deve ser construída na medida das 
necessidades de informação do indivíduo e adaptada ao seu nível cultural e estilo 
cognitivo (BETTERLEY; DOBSON, 2000). 
 Para facilitar a prática da orientação nutricional, foram desenvolvidas várias 
diretrizes dietéticas, já vistas como o guia alimentar, a pirâmide alimentar ou os dez 
passos. Geralmente, estas diretrizes são desenvolvidas como orientações para o 
público em geral quanto às escolhas alimentares e comportamentos de consumo 
ideais, escritas em linguagem de fácil entendimento, embora, frequentemente, 
sejam acompanhadas de uma explicação técnica (MANN; TRUSWELL, 2011). 
 Um dos aspectos fundamentais a ser considerado na utilização das 
diretrizes dietéticas, para realizar a orientação nutricional da população, é a 
comunicação devido à sua influência decisiva nos resultados dessa ação, que deve 
ser realizada pelo nutricionista. Então, para o sucesso da orientação nutricional, a 
comunicação deve ultrapassar os limites da transmissão de informações e a forma 
verbal. Recomenda-se que a comunicação seja pautada nos seguintes aspectos: 
 
 escuta ativa e próxima; 
 reconhecimento das diferentes formas de saberes e práticas; 
 construção partilhada de saberes, práticas e soluções; 
 valorização do conhecimento, da cultura e do patrimônio alimentar; 
 atendimento das necessidades dos indivíduos e grupos; 
 
18 
 
 busca da formação de vínculo entre os diferentes sujeitos que 
integram o processo; 
 busca de soluções contextualizadas; 
 relações horizontais; 
 monitoramento permanente dos resultados; 
 formação de rede entre profissionais e setores envolvidos, visando à 
troca de experiências e ao diálogo (BRASIL, 2016). 
 
Vitolo (2008) afirma que o nutricionista deve atuar, sempre, como educador 
nutricional e, para isso, ele deve conhecer alguns conceitos de educação nutricional 
que está relacionada à formação de valores, à presença de prazer, à 
responsabilidade e à atitude crítica, sendo processual e de longo prazo. Assim, são 
pontuadas algumas características da educação nutricional: 
 ênfase no processo de modificar e melhorar o hábito alimentar a médio 
e longo prazo; 
 preocupação com as representações sobre o comer e a comida, com 
o conhecimento, as atitudes e a valorização da alimentação para a saúde, além da 
mudança de práticas alimentares; 
 a doença e a consequente necessidade de mudança de hábitos 
podem ser consideradas oportunidades de crescimento e desenvolvimento pessoal; 
 buscar a autonomia do paciente; 
 o profissional responsável é um parceiro da resolução dos problemas 
alimentares, com o qual o cliente discute, sem constrangimentos, os seus 
problemas e dificuldades; 
 as mudanças necessárias no controle de doenças, entre elas as 
relativas à alimentação, devem ser buscadas em uma perspectiva de integração e 
de harmonização nos diversos níveis: físico, emocional e intelectual; 
 a descontinuidade no processo de mudança nos hábitos alimentares 
e as transgressões são consideradas etapas previsíveis e pertinentes em processo 
difícil e lento; 
 
19 
 
 ênfase nos aspectos do relacionamento entre o profissional e o 
paciente, bem como no diálogo; 
 avaliação objetiva e subjetiva da evolução do paciente; 
 o objetivo do processo é estabelecido em função das necessidades 
detectadas, que são discutidas com o paciente, das perspectivas e esperanças do 
indivíduo (VITOLO, 2008). 
Sabe-se que o progresso para alcançar as diretrizes nutricionais por meio 
das orientações é lento e, em alguns casos, as tendências no consumo parecem 
estar se movendo contrariamente à direção desejada. Autores sugerem que as 
orientações são ambiciosas, já que estabelecem metas que podem ser atingidas, 
apenas, por uma pequena parcela da população. Portanto, as orientações, quando 
feitas de modo mais próximo dos padrões de consumo do indivíduo, podem ser mais 
realistas e possíveis. 
Uma das dificuldades na orientação nutricional, principalmente, para o 
público masculino, é a falta de consciência da importância da saúde ou da gravidade 
das doenças. A maioria dos homens entende que está em risco de doença 
cardiovascular, uma vez que tem maior tendência à distribuição de gordura pelo 
abdômen. Apesar desse fato, muitos adotam a atitude de que “não vai acontecer 
comigo”. Consequentemente, a motivação para mudar hábitos alimentares pode 
não ser muito grande. Neste caso, os hábitos alimentares estão sustentados por 
normas sociais, pois em alguns subgrupos culturais, é esperado que os homens 
consumam uma dieta com muita carne, já que o consumo de salada, frutas e 
legumes poderia representar ser mais feminino (BRASIL, 2008). 
Entre alguns homens, há, também, uma relutância em se preocupar com a 
saúde, visto que eles não recorrem tanto a serviços de saúde, quanto as mulheres 
e, devido a isso, a exposiçãoà informação sobre a alimentação saudável é, 
geralmente, menor. Enquanto que as mulheres, além de procurarem mais o serviço 
de saúde, também, obtêm maiores informações por meio da mídia, de leitura de 
textos e revistas que estão associados à culinária e perda de peso. A preocupação 
com o peso corporal é muito menor entre os homens, embora as tendências atuais 
mostrem que as mulheres brasileiras apresentam maiores taxas de sobrepeso. A 
 
20 
 
atividade física, que é benéfica na promoção saúde, tem sido, por muitos anos, 
socialmente mais aceitável para homens do que para mulheres. Existe um aumento 
das mulheres nos esportes, mas problemas de tempo e acesso, ainda, as impedem 
de serem mais ativas. Pode haver uma relutância, também, em expor um corpo 
considerado “menos perfeito”, em uma academia (BARASI, 2003). 
Estudos mostram que, quando mudanças são feitas, os resultados são 
melhores na faixa etária mais jovem do que em pessoas mais velhas. Além disso, 
pessoas que possuem classe social mais alta são mais propensas a fazer 
mudanças. Portanto, há uma necessidade de direcionar adultos e idosos para 
aumentar sua consciência sobre a importância da mudança de dieta, bem como 
exercício e outros fatores de estilo de vida, como diminuir o consumo de alcool e 
parar de fumar. 
São necessárias, ainda, melhorias na educação para diminuir o abismo 
entre o conhecimento e ação no preocesso de prevenção do aconselhamento 
nutricional. Alguns pacientes respondem bem a vídeos, outros a histórias, 
fotografias e artigos de jornal ou revistas e, por fim, há os que preferem apenas uma 
fala direta e clara. 
Vitolo (2008) adaptou algumas maneiras de ajudar o paciente a alcançar 
seus objetivos (“mudando mentes”) por intermédio de princípios que devem nortear 
o aprendizado e os níveis que envolve a mudança de comportamento. Estes 
princípios estão descritos a seguir: 
 deve haver declaração racional e clara da mudança mental proposta 
(racionalidade); 
 usar recursos de pesquisas recentes que explicam os conceitos 
(pesquisa); 
 reforçar os benefícios das metas alcançadas (ressonância); 
 explicar um ponto de vista de várias maneiras (redescrições 
representacionais); 
 explicitar os esforços e os recursos necessários para o alcance do 
objetivo (recursos); 
 
21 
 
 identificar as respostas emocionais (medos) em face da nova situação 
(eventos do mundo real); 
 identificar as barreiras ou obstáculos às mudanças (resistência). 
 
A orientação nutricional, no âmbito do consultório ou ambulatorial, deve 
estar no contexto da prescrição nutricional e, não, na esfera das recomendações 
alimentares gerais que acabam tendo a conotação de dicas alimentares muito 
amplas. O atendimento nutricional deve ser individualizado, e, portanto, as 
orientações nutricionais, também, devem seguir esse critério de individualização 
(ANNA, 2019). 
Desta forma, é importante que o nutricionista faça uma abordagem de dieta 
integral, ou seja, foque nas orientações nos alimentos em vez de focar nos 
nutrientes. Muitas pessoas, erroneamente, acreditam que, se elas mudarem apenas 
um aspecto ou nutriente de sua dieta, já estarão comendo mais saudavelmente, por 
exemplo, reduzir o consumo de gordura saturada no consumo de leite 
semidesnatado. Estas mudanças são desejáveis, mas elas não são o suficiente 
para uma dieta mais saudável. Tais alterações podem resultar em uma menor 
ingestão de energia, a partir de gordura láctea que é, então, substituída por gorduras 
contidas em biscoitos ou alimentos ultraprocessados (ANNA, 2019). 
Ainda, é muito importante que as orientações sejam realizadas, de acordo 
com a condição específica de cada paciente, levando em consideração os seus 
fatores culturais, sócioeconômicos, religiosos, de acesso aos alimentos, entre 
outros. Vitolo (2008) sugere que algumas ideias são equivocadas e, portanto, não 
devem ser transmitidas aos pacientes. Já, algumas propostas são mais 
compreensíveis e podem ajudar a aumentar a adesão do paciente, se ele estiver 
disposto a mudar seu comportamento (ANNA, 2019). 
Agora, verifique no Quadro 1 alguns exemplos de orientações dietéticas 
recomendadas e não recomendadas na abordagem nutricional ambulatorial: 
 
 
 
 
22 
 
 
 
 
 
Quadro 1. Exemplos e orientações dietéticas recomendadas e não recomendadas 
na aplicação de orientações nutricionais 
Exemplos de orientações dietéticas 
que devem ser evitadas 
Exemplos de orientações dietéticas 
práticas e objetivas 
Procurar tomar líquidos ou tomar 2L de 
água. 
Tomar, no mínimo, 2 copos de água por 
dia (é mais praticável para quem não 
tem o hábito de tomar água). 
Preferir comer carnes brancas no lugar 
das carnes vermelhas (não dá 
referência de frequência adequada) 
Comer carne de frango de 2 a 3 vezes 
por semana, peixe de 2 a 3 vezes por 
semana e carne bovina ou suína de 2 a 
3 vezes por semana. 
Evitar frituras (subentende-se que as 
pessoas sabem o que são frituras). 
Alimentos que são imersos e fritos em 
óleo devem ser consumidos até 3 vezes 
por semana, pois absorvem muito óleo. 
Aumentar o consumo de verduras e 
legumes (muito generalista, sem 
oferecer noção de quantidade). 
Consumir 1 pires de chá de legumes 
cozidos ou 1 pratinho de sobremesa de 
folhas verdes cruas por dia. 
Procurar comer frutas (gera a pergunta: 
quantas?). 
Consumir 1 fruta por dia. 
Evitar embutidos como mortadela, 
linguiça, salsicha, presunto e outros 
(quanto é possível comer sem 
prejuízo?). 
Embutidos como mortadela, linguiça, 
salsicha, presunto, salame são ricos em 
gordura e sódio. Consumir, no máximo, 
3 vezes por semana. 
Diminuir o consumo de gorduras 
saturadas (onde tem?). 
Comer porções diárias de até 200g de 
carnes. 
Aumentar o consumo de fibras (em que 
quantidade?). 
Adicionar 2 colheres de sopa de farelo 
de trigo ou de aveia no feijão ou nos 
molhos. 
Evitar a gordura aparente das carnes e 
a pele do frango (orientação 
superficial). 
Tirar a gordura e a pele do frango para 
diminuir a quantidade de gordura 
desses alimentos. 
Reduza a ingestão de sal, evitando os 
alimentos enlatados e embutidos (não 
informa quanto os alimentos fornecem) 
Veja a seguir a quantidade de sódio de 
alguns alimentos: 
2 fatias finas de presunto – 521mg 
1 salsicha – 570mg 
1 cubo de caldo de carne – 2000mg 
1 g de sal – 400mg de sódio 
(A recomendação diária de sódio é de 3 
a 4 g). 
Fonte: Adaptado de Vitolo (2008). 
 
23 
 
 
3 ORGANIZAÇÃO DE PLANOS ALIMENTARES: IDOSO 
3.1 Características de planos alimentares para idosos 
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 9% da 
população brasileira é constituída por idosos. O Brasil será considerado a 6ª maior 
população de idosos do mundo (cerca de 31,8 milhões de pessoas), de acordo com 
projeções realizadas para 2025. Devido a esse envelhecimento populacional, é 
exigida uma preparação para as consequências sociais e econômicas 
proporcionadas por ele. No entanto, países em desenvolvimento não se mostram 
preparados para esse crescimento. Muitas vezes, o idoso é tratado como se 
estivesse na faixa etária adulta, não considerando que ele se encontra em uma fase 
diferenciada (VITOLO, 2008). 
Entender as repercussões e consequências do crescimento da população 
idosa brasileira é um grande desafio para saúde pública, visto que houve uma 
transição nutricional ao longo das últimas décadas, ocorrendo a substituição de 
processos agudos ou de óbito por aumento do número de indivíduos acometidos 
por doenças crônicas não transmissíveis e suas complicações, que possuem 
relação direta com o consumo alimentar. Há, também, que se considerar que os 
idosos são muito susceptíveis à desnutrição em razão das alterações fisiológicas e 
anatômicas do próprio processo de envelhecimento que reduzem a sua capacidade 
funcional. 
 
3.2 Características e alterações físicas dos idosos que comprometem o 
estado nutricional 
Asalterações da composição corporal, durante o processo de 
envelhecimento, incluem perda de massa magra, de massa óssea, de água corporal 
 
24 
 
e aumento proporcional da massa de gordura. A massa de gordura, também, é 
redistribuída, basicamente dos tecidos subcutâneos à gordura abdominal. A 
redução da massa magra é causada, principalmente, pelas perdas de tamanho e 
força dos músculos esqueléticos. Em média, o declínio acentuado da massa magra 
começa entre os 60 e 70 anos e chega a quase 40%, em comparação com os 
adultos jovens (MANN; TRUSWELL, 2011). 
A estabilidade do peso corporal, durante este processo, pode ser explicada 
pelo aumento simultâneo da gordura corporal e diminuição da massa magra, 
igualmente conhecida como sarcopenia. As causas da sarcopenia são multifatoriais 
e envolvem: 
 
 redução da atividade física; 
 redução da secreção do hormônio do crescimento; 
 diminuição dos hormônios sexuais e taxa metabólica de repouso diminuída 
(AHMED; HABOUBI, 2010). 
 
Além disso, por causa da redução do consumo máximo de oxigênio e da 
atrofia das fibras musculares, os idosos precisam de um maior esforço físico para 
fazer a mesma tarefa. Por essa razão, os idosos diminuem ainda mais as suas 
atividades físicas e têm consumo energético menor. A Figura 1 demonstra um 
exemplo de sarcopenia: 
 
25 
 
 
 
 
 
A perda involuntária de peso ocorre, principalmente, devido à má ingestão 
alimentar que pode ser causada por doença e fatores psicológicos. A caquexia é 
uma perda involuntária de massa isenta de gordura (músculo, órgão, tecido, pele e 
osso), sendo causada pelo aumento do catabolismo (AHMED; HABOUBI, 2010). 
Outra condição relacionada ao envelhecimento é a perda de massa óssea, 
conhecida como osteopenia, que pode progredir para a osteoporose. Ambas as 
condições são multifatoriais, mas a genética, a nutrição e o estilo de vida 
demonstraram estar associados a esses distúrbios (COLÓN et al., 2018). 
A massa e a densidade ósseas podem começar a diminuir entre os 35 e 40 
anos. Nas mulheres, a perda óssea é acelerada durante a menopausa. Elas podem 
perder metade da massa dos seus ossos corticais. Já, nos homens, esta perda é 
menor e representa de 50 a 70% da redução observada nas mulheres. A diminuição 
da densidade óssea está associada ao risco de fraturas que podem ser causadas 
por vários aspectos, entre eles as carências de nutrientes, como o cálcio e a 
vitamina D (MANN; TRUSWELL, 2011; VITOLO, 2008). 
 
 
 
26 
 
As alterações no sistema renal incluem desgaste do córtex renal, esclerose 
das artérias glomerulares e espessamento da membrana basal glomerular que 
podem levar à diminuição da capacidade de concentrar a urina, menores níveis de 
renina e aldosterona, bem como a baixa hidroxilação da vitamina D (COLÓN et al., 
2018). 
A desidratação é outro problema que pode ocorrer nos idosos. Por causa 
da menor massa magra e da redução do liquido intersticial, os idosos têm menos 
água no corpo (<50% versus 70% da massa corporal total dos adultos mais jovens). 
A redução progressiva da função renal, a perda dos sensores da sede, o 
medo da incontinência e a acentuação da dor artrítica, causada pelas idas 
frequentes ao banheiro, podem interferir na ingestão adequada e líquidos (MANN; 
TRUSWELL, 2011). 
As alterações na função cardiovascular fazem com que ocorra um depósito 
maior de matriz de colágeno na túnica média, além da perda de fibras de elastina e 
hipertrofia cardíaca com espessamento do septo. Também, há diminuição dos 
cardiomiócitos e aumento da matriz extracelular. Estas alterações causam rigidez 
vascular, disfunção endotelial e aumento do risco de arritmias (COLÓN et al., 2018). 
As intervenções dietéticas voltadas para o controle da hipertensão arterial 
(redução do peso, se houver sobrepeso, restrição do sal e limitação do consumo de 
álcool) são, particularmente, importantes para os idosos que são mais suscetíveis 
às reações adversas graves aos fármacos e podem responder, de forma mais 
favorável, à restrição de sal (MANN; TRUSWELL, 2011). 
Em relação ao metabolismo glicídico, ocorre o aumento da gordura visceral 
e infiltração de tecido adiposo, além da redução da massa de células beta 
pancreáticas. Estes fatores podem levar ao aumento da produção de adipocinas, 
fatores inflamatórios e maior resistência à insulina e, consequentemente, o diabetes 
melito tipo II. Esta enfermidade deve ser controlada por meio de redução do peso, 
dieta controlada, atividade física e uso de agentes hipoglicemiantes (COLÓN et al., 
2018; MANN; TRUSWELL, 2011). 
 Em geral, supõe-se que as alterações do estilo de vida, que promovem a 
saúde, não sejam, igualmente, eficientes para acabar com o prazer de alimentar- -
 
27 
 
se. Evidentemente, as dietas muito restritivas podem comprometer a ingestão 
dietética adequada. Entretanto, a educação nutricional e as alterações do estilo de 
vida podem trazer vários benefícios à população idosa. 
 
3.3 Principais dificuldades para a confecção de planos alimentares para 
idosos 
Nas últimas décadas, a importância do estado nutricional em idosos tem 
sido reconhecida em várias condições mórbidas, como desnutrição, câncer, 
doenças cardiovasculares, demência e outras doenças crônicas não transmissíveis, 
portanto, a nutrição é um importante determinante da saúde em idosos. 
Normalmente, o padrão dietético do idoso continua semelhante àquele 
estabelecido pelos hábitos da juventude e, para a elaboração de planos alimentares 
nessa faixa etária, há que se considerar os seus hábitos alimentares que, 
provavelmente, se encontram muito enraizados, proporcionando dificuldade de 
memorização das novas informações. No entanto, se todos estes fatores forem bem 
investigados, o plano alimentar poderá ser mais bem definido e os resultados mais 
efetivos. 
À medida que as pessoas envelhecem, ocorrem várias mudanças no 
organismo que podem ou não afetar o estado nutricional de um indivíduo e, 
especialmente, para os idosos, estas mudanças são causadas pelo próprio 
processo de envelhecimento ou, ainda, estarem relacionadas a condições médicas 
ou ao estilo de vida. Algumas das condições que dificultam a ingestão alimentar do 
idoso e, assim, a confecção de planos alimentares para essa faixa etária serão 
descritas a seguir. 
 
3.4 Perda de apetite 
Na maioria das vezes, a diminuição de energia é uma resposta ao declínio 
no gasto de energia que acontece em virtude da idade. No entanto, em muitos 
 
28 
 
idosos, a diminuição na ingestão de energia é maior do que a diminuição no gasto 
de energia e, portanto, o peso corporal é perdido. Esta redução fisiológica 
relacionada ao apetite e ao consumo de energia tem sido denominada anorexia do 
envelhecimento (AHMED; HABOUBI, 2010). 
 A perda de apetite no idoso é frequentemente associada à redução do 
paladar e do olfato, que ocorre em até 50% dos idosos. Os efeitos do 
envelhecimento sobre as percepções de olfato e paladar podem alterar ou diminuir 
a ingestão de alimentos, pois ocorre uma perda progressiva no número de papilas 
gustativas e um aumento das papilas gustativas específicas para sabores amargos 
ou azedos (AMARYA; SINGH; SABHARWAL, 2015). 
Além das pessoas idosas apresentarem menor apetite, também sentem 
rapidamente uma sensação de saciedade, consumindo pequenas refeições, 
comendo mais devagar e, por isso, realizando menos lanches entre as refeições. A 
ingestão diária média de alimentos diminui em até 30% dos 20 aos 80 anos. 
Outras causas que levam à perda do apetite são a presença de doenças, 
dor, náuseas, depressão, ansiedade, isolamento social, luto ou outro evento 
significativo na vida, além de aversão alimentar, resistência à mudança, falta de 
entendimento ligado à dieta e saúde, crenças sobre restrições alimentares e 
alcoolismo (MCLEOD, 2011). 
 
3.5 Inabilidade para preparar/ingerir alimentos 
 
A inabilidade para ingerir alimentospelo idoso pode ser causada por 
confusão, diminuição da consciência, demência, fraqueza ou artrite nos braços ou 
mãos, disfagia, vômitos, condições dolorosas da boca, má higiene bucal ou 
problemas de dentição, restrições impostas por cirurgia, falta de ajuda durante a 
alimentação em hospitais ou instituições de longa permanência para idosos 
(MCLEOD, 2011). 
 
29 
 
3.6 Disfagia 
 
 
 https://rsaude.com.br 
O reflexo de deglutição é primordial para alimentação adequada. Para que 
aconteçam todos os fenômenos mecânicos que compõem o ato de deglutir, a 
mandíbula precisa estar estabilizada em uma posição específica. Nos idosos, além 
de ocorrerem alterações na função da laringe e do osso hioide, que participam da 
deglutição, a estabilidade da mandíbula é regularmente comprometida por 
problemas na deglutição e na capacidade cognitiva. A necessidade de se avaliar a 
dentição e a presença de disfagia em idosos, mesmo quando não se queixam, é 
muito importante para a manutenção da nutrição oral (MAGNONI; CUKIER, 2005). 
Próteses mal ajustadas podem, inconscientemente, mudar padrões alimentares 
devido à dificuldade de mastigar, levando à ingestão de uma dieta macia, pobre em 
fibras (presentes em frutas e legumes) e à redução do consumo de carnes. Existem, 
também, algumas alterações gastrointestinais documentadas em idosos que podem 
afetar sua ingestão alimentar, por exemplo, mudanças na atividade peristáltica do 
esôfago, o que pode resultar em um atraso no esvaziamento esofágico e causar 
 
30 
 
sensação de plenitude com o consumo de pequenas porções (AMARYA; SINGH; 
SABHARWAL, 2015). 
A saliva tem papel relevante no processo digestivo, na prevenção de cáries 
e de doenças periodontais, como também, na lubrificação das mucosas. Nas 
pessoas idosas, os estudos que sugerem diminuição da função salivar têm 
relacionado esse fato à presença de enfermidades e ao uso de medicamentos. 
Desta forma, a xerostomia ou a baixa produção de saliva pode afetar diretamente a 
ingestão de alimentos. 
 
3.7 Isolamento social e más condições socioeconômicas 
 
Fatores que podem influenciar negativamente a saúde e a nutrição dos 
idosos são a falta de apoio familiar em momentos de necessidade, sentimento de 
não ser desejado, falta de sistema de valores entre os membros da família, 
condições Organização de planos alimentares: idoso 7 estressantes que levam a 
tensões e à solidão desencadeiam desinteresse em viver e comer, resultando em 
desnutrição (MCLEOD, 2011). 
Por não terem alguém que os ajude em suas atividades rotineiras, sirva de 
companhia e lhes dedique cuidados, acabam sofrendo com o isolamento, tendo 
decréscimo na qualidade de vida e agravamento da morbidade, constituindo, até 
mesmo, um indicador de risco de mortalidade. Assim, os idosos que residem 
sozinhos estariam mais vulneráveis a apresentar distúrbios nutricionais, sejam por 
deficit ou de excessos na alimentação (PEREIRA; SPYRIDES; ANDRADE, 2016). 
Ainda, as condições socioeconômicas desempenham um papel 
fundamental em relação à qualidade de vida nessa etapa. A diminuição da renda, 
da escolaridade, das condições de moradia e menor acesso aos bens e serviços 
interferem na disponibilidade e/ou acesso aos alimentos, afetando as escolhas 
dietéticas e o padrão alimentar do idoso, que pode levá-lo a manter uma dieta de 
baixa qualidade. Além disso, os idosos podem apresentar problemas para realizar 
 
31 
 
suas compras devido à diminuição da mobilidade (PEREIRA; SPYRIDES; 
ANDRADE, 2016). 
3.8 Uso de medicamentos 
 
Um aspecto do envelhecimento, que afeta a ingestão de alimentos e a 
absorção de nutrientes, é o uso de medicamentos pelos idosos que são 
considerados os mais medicados da sociedade e, também, os mais expostos à 
prática de polifarmácia que se opõe às características fisiológicas dos idosos, 
gerando redução do metabolismo hepático, dos mecanismos homeostáticos e 
diminuição da capacidade de filtração de metabólitos, ocasionando o acúmulo de 
drogas no organismo (NEVES, 2011). 
Assim, é de fundamental importância realizar um inquérito preciso a respeito 
de quais medicações a pessoa está fazendo uso, tanto as prescritas quanto 
daquelas indicadas por parentes, amigos e meios de comunicação. Além disso, se 
deve questionar sobre o uso de chás, fitoterápicos e outras substâncias ditas 
naturais que são muito utilizadas pelos idosos. 
Os medicamentos podem alterar o estado nutricional de várias maneiras, 
causando anorexia, gosto diminuído ou alterado, boca seca, confusão, distúrbios 
gastrintestinais, incluindo náuseas, vômitos, diarreia, constipação, dispepsia 
(MCLEOD, 2011). Os medicamentos podem alterar o estado nutricional dos idosos, 
assim como uma condição nutricional inadequada também pode alterar a ação dos 
medicamentos, diminuindo sua eficácia terapêutica (NEVES, 2011). 
O Quadro 1 mostra um resumo dos fatores que podem contribuir para o 
consumo alimentar menor e o estado nutricional inadequado em idosos: 
 
 
 
 
 
 
32 
 
Quadro 1. Fatores que podem contribuir para o estado nutricional inadequado em 
idosos 
Fatores ambientais Habitação inadequada; 
Falta de meios e condições para 
confeccionar refeições; 
Dificuldade de aquisição/preparação 
dos alimentos; 
Falta de apoio dos serviços 
comunitários; 
Fatores fisiológicos Saúde oral; 
Acuidade sensorial; 
Inatividade/imobilidade; 
Perda de massa muscular; 
Aumento de massa gorda; 
Diminuição da densidade óssea; 
Diminuição da função imunitária; 
Diminuição do pH gástrico 
Fatores neuropsicológicos Doenças neurológicas (Parkinson, 
Alzheimer, demência); 
 Diminuição das capacidades 
cognitivas; 
Depressão; 
Alterações do estado emocional. 
Fatores socioeconômicos e culturais Baixo nível de educação; 
Marginalização; 
Baixos rendimentos; 
Pobreza; 
Acesso limitado a cuidados médicos; 
Falta de conhecimentos 
alimentares/nutricionais; 
 Crenças e mitos; 
Institucionalização; Elevados gastos de 
saúde. 
Fonte: Adaptado de Amarya, Singh e Sabharwal (2015) 
 
3.9 Elaboração de um plano alimentar para o idoso 
 
Antes da elaboração do plano alimentar para o idoso, o nutricionista 
necessita fazer uma anamnese detalhada. Esta anamnese pode ser dividida em 
queixa, história pregressa, hábitos alimentares, consumo alimentar e questões 
 
33 
 
especiais. Vitolo (2008) sugere que a anamnese seja aplicada como descrito a 
seguir. 
 
https://jornalsemanario.com.br 
Na parte de queixa, a primeira indagação que se faz ao paciente é relativa 
à principal reclamação e será por meio dela que o nutricionista iniciará o seu 
trabalho. Essa queixa pode ser referente à perda ou ganho de peso recente, a 
alterações nos exames laboratoriais, à inapetência, à disfagia ou a outros. 
 A história pregressa diz respeito a história familiar de doenças e os 
antecedentes do próprio paciente. Os dados podem ser obtidos do próprio paciente 
ou de seu cuidador, em caso de dificuldade com a memória, podendo, ainda, ser 
verificada no prontuário do paciente, se ele estiver institucionalizado ou 
hospitalizado. 
 Para a avaliação dos hábitos alimentares do idoso é mais produtivo 
questioná-lo quanto ao que ele habitualmente consome, sendo utilizado o 
questionário de história alimentar que é mais preciso do que o recordatório 24h, 
especialmente, entre aqueles que apresentam deficit cognitivo. Pode-se, também, 
utilizar o questionário de frequência alimentar para investigar os grupos alimentares 
 
34 
 
consumidos. A investigação do consumo de líquidos pelos idosos é importante, visto 
que esse grupo apresenta maior risco de desidratação. Com isso, é preciso definir 
o número de copos, se o consumo ocorre antes, durante ou depois das refeições e 
o tempo entre a ingestão e alimentação. 
Investigar a dieta pregressa é importante, quando o idoso está ganhando 
ou perdendo peso ou se não quer se alimentar. Esta investigaçãoserve para 
verificar o que está interferindo na alimentação e que possa auxiliar na elaboração 
do plano alimentar. Algumas questões e observações que podem ser analisadas 
são: 
 Teve perda ou ganho de peso recente? 
 Com que frequência você urina? 
 Você tem dificuldade para urinar? 
 Com que frequência você evacua? 
 Você tem dificuldade para evacuar? 
 Teve alguma perda de peso inesperada? 
 Como é a sua dentição? 
 Se usa prótese dentária, elas são bem ajustadas? 
 Apresenta boca seca? 
 Teve alguma diminuição da percepção sensorial (paladar, olfato, 
visão)? 
 Tem alguma dificuldade para engolir os alimentos? (FARREL; 
NICOTERI, 2005). 
 
Questões especiais incluem a investigação de hábitos sociais, 
principalmente, o hábito de fumar, ingerir álcool, presença de alergias e preparo dos 
alimentos. Algumas questões que podem ser utilizadas são: 
 
 Em que local e como você faz as suas refeições? 
 Quanto gasta por mês com alimentação? 
 O que você tem dentro da geladeira? 
 O que tem dentro da despensa? 
 
35 
 
 Quem faz as suas compras e em que local? 
 Seus alimentos são entregues em domicilio? 
 Quais são seus alimentos favoritos? 
 Você tem aversão a algum alimento? Ou alergia alimentar? 
 Você usa alimentos enlatados? 
 Quantos copos de água você ingere por dia? 
 Como são o fogão e os outros utensílios que você utiliza para preparar 
os alimentos? 
 Você fuma ou ingere bebidas alcoólicas? (FARREL; NICOTERI, 
2005). 
 
Além disso, é possível pesquisar também: 
 
 se houve perda recente de um parente ou ente querido, depressão; 
 se possui condições financeiras adequadas para a compra dos 
alimentos; 
 se esquece de comprar e preparar alimentos; 
 se há isolamento social; 
 se esquece refeições e recorre a lanches (FARREL; NICOTERI, 
2005). 
 
O uso de medicamentos e suplementos de vitaminas e minerais deve 
ser identificado e avaliado quanto ao tempo de uso, à frequência, à regularidade, à 
dosagem e ao horário e consumo. A relação da ingestão de medicamentos com os 
horários de alimentação, também, é relevante. Alguns suplementos vitamínicos, 
utilizados nos intervalos das refeições, são absorvidos mais rapidamente, outros 
prejudicam a absorção de nutrientes e medicamentos. Além disso, é relevante 
investigar a possível deficiência de micronutrientes ou excesso deles presentes na 
alimentação e nos suplementos. O uso de vitaminas e minerais deve ser adequado 
às recomendações nutricionais para cada nutriente, não devendo ser ingeridas em 
 
36 
 
altas dosagens que ultrapassem os valores de nível de consumo máximo tolerado 
(UL) (VITOLO, 2008). 
 
Os nutrientes mais indicados na utilização de suplementos pelos idosos 
são: 
 
 vitamina D; 
 folato e vitamina B12; 
 cálcio para mulheres (MANN; TRUSWELL, 2011). 
 
Uma dieta balanceada fornece à maioria dos idosos saudáveis, os 
nutrientes de que eles necessitam. Agora, para as pessoas com ingestões 
nutricionais muito baixas, a prioridade é identificar e tentar corrigir qualquer limitação 
física ou psicossocial associada aos problemas alimentares ou ao estado nutricional 
precário (MANN; TRUSWELL, 2011). 
 Acompanhe outros itens importantes que devem ser apurados: 
 
 Dados antropométricos: peso, estatura, dobras cutâneas e 
circunferências. 
 Exame físico: procura detectar carências nutricionais, incluindo sinais 
de desnutrição. Alguns sinais devem ser destacados na avaliação física do idoso, 
como avaliação da dentição e uso de próteses, dificuldade de mastigar e triturar 
alimentos, presença de ferimentos na gengiva. Também, deve ser avaliada a 
presença de úlcera de pressão e pesquisada a desidratação. 
 Avaliação bioquímica: podem ser utilizados a glicemia, albumina, 
marcadores do metabolismo do ferro, como a transferrina e ferritina, o hematócrito, 
a hemoglobina, a contagem total de linfócitos, o colesterol e suas frações. A 
vitamina D, B12 e o ácido fólico, igualmente, devem ser investigados (VITOLO, 
2008). 
 
 
37 
 
4 ESTRATÉGIAS ALIMENTARES PARA FAVORECER O CONSUMO DE 
ALIMENTOS POR IDOSOS EM SITUAÇÕES ESPECÍFICAS 
4.1 Perda de apetite 
https://opas.org.br 
 O fracionamento das refeições e a diminuição do volume devem ser 
incentivados. 
 Deve-se maximizar os horários que os idosos apresentam maior 
apetite. Por exemplo: se apresentam apetite pela manhã, se pode sugerir um café 
da manhã mais reforçado com ovos, feijão, queijo e pães. 
 Oferecer refeições e lanches que sejam atraentes em tamanho e 
aparência — refeições grandes podem não ser aceitas, portanto, usar pratos 
pequenos e maximizar o apelo visual dos alimentos. 
 A comida deve ser consumida para ser benéfica, assim, é preciso 
encorajar o paciente a selecionar os alimentos favoritos que podem ser consumidos 
a qualquer hora, por exemplo, cereal para o jantar, sopa para o café da manhã, etc. 
 
38 
 
 As bebidas podem diminuir o apetite, logo sugerir que as bebidas 
sejam tomadas depois das refeições, em vez de antes ou durante as refeições. 
 O nutricionista deve encontrar maneiras de estimular o apetite. Uma 
pequena caminhada antes das refeições, às vezes, é agradável e aumenta o apetite 
(MCLEOD, 2012; PILGRIM; ROBINSON, 2015). 
Com o passar dos anos, ocorrem mudanças naturais na intensidade de 
percepção do sabor. Desta maneira, a tendência do idoso é adicionar mais açúcar, 
sal e outros condimentos para temperar os alimentos até alcançar um sabor que 
agrada ao paladar, o que pode acabar representando um abuso na quantidade. A 
orientação para evitar o uso desses alimentos à mesa contribui para o controle do 
consumo de sal e de açúcar (BRASIL, 2009). 
4.2 Dificuldades de mastigação e deglutição de alimentos 
Pacientes com boca seca podem ser ajudados com o oferecimento de goles 
regulares de água, evitando-se alimentos duros e secos, além do uso de produtos 
para reposição de saliva. Também, é necessário verificar se o paciente faz uso de 
próteses com encaixe confortável. Estimular a higiene oral, também, é 
recomendado para minimizar os problemas de boca seca (PILGRIM; ROBINSON, 
2015). 
 O fornecimento de alimentos macios que exijam pouca mastigação e cortes 
de carne cozidos em molhos são facilmente administrados aos idosos. Deve-se, 
ainda, considerar o seu encaminhamento para avaliação fonoaudiológica, se houver 
algum problema acentuado de deglutição (MCLEOD, 2011). 
5 PROBLEMAS SENSORIAIS, PSICOLÓGICOS E DEFICIT COGNITIVO 
 
A alimentação começa pelo aroma e os aspectos visuais do alimento que, 
por si só, já induzem à salivação, o que ajuda na quantidade e na digestibilidade 
dos alimentos ingeridos. Se uma deficiência visual estiver presente, o nutricionista 
 
39 
 
deve assegurar que o paciente tenha os óculos corretos ou seja encaminhado para 
investigação, se necessário. Assim, o paciente com alguma deficiência visual 
poderá ser ajudado por meio do uso de uma louça com cor que contraste com a 
pigmentação da comida, além de boa iluminação no ambiente em que as refeições 
são feitas. O uso de tapetes antiderrapantes promove a independência que, 
também, deve melhorar o apetite (VITOLO, 2008). 
A deficiência cognitiva necessita ser identificada e gerenciada, de modo 
correto, visto que o idoso pode ser incapaz de memorizar as orientações 
alimentares. Neste caso, é importante que o cuidador ou familiar esteja presente 
nas consultas. Em caso de demência, eles podem esquecer da alimentação, 
portanto, devem ser incentivados à ingestão verbalmente (PILGRIM; ROBINSON, 
2015). 
O idoso deve realizar sozinho as refeições, mesmo que haja demora. Se 
isso for impossível, pode receber ajuda. Colheres, copos e pratos precisam ser 
adaptados para possibilitar a independência, como o uso de talheres com cabos 
mais grosso que garantam uma maior firmeza. 
 Em caso de isolamento social e depressão, o encorajamento ajudarámuito. 
As pessoas idosas que moram sozinhas necessitam ser estimuladas a realizar 
refeições com amigos ou familiares, se possível. Já, as que moram com os 
familiares devem, pelo menos, fazer uma das refeições principais junto à família, 
sentados à mesa e, nos finais de semana, o convívio social, durante o ato de se 
alimentar, pode ser maior (VITOLO, 2008; BRASIL, 2009). 
 
5.1 Dificuldade em preparar os alimentos 
O idoso deve se utilizar de alimentos mais fáceis e práticos de preparar, 
como refeições prontas, itens enlatados, sobremesas feitas sem muitos processos 
(creme, iogurte, arroz doce), cereais matinais, aveia e granola. Para aqueles que 
têm o apetite diminuído, é indicado aumentar a densidade energética dos alimentos 
 
40 
 
com gorduras extras saudáveis, como azeite de oliva, manteiga, creme, queijo e 
molhos. 
 
https://guiadacozinha.com.brimentos/ 
Deve-se, também, recrutar o apoio da família e do cuidador para que sejam 
observados os seguintes detalhes na compra de alimentos: 
 identificar produtos específicos para esse grupo populacional; 
 conhecer melhor a composição nutricional dos produtos; 
 reconhecer os seus ingredientes; 
 obter informação quanto à forma de conservação; 
 preparar o alimento adequadamente; 
 aprender novas receitas; 
 comparar produtos similares de marcas diferentes; 
 fazer a melhor escolha, de acordo com orçamento disponível; 
 a consulta aos rótulos de alimentos deve ser feita como rotina para 
selecionar alimentos mais saudáveis. Uma leitura atenta permite verificar se há, 
entre os ingredientes, sal (sódio), açúcar, gorduras, glúten, fenilalanina, bem como 
 
41 
 
a quantidade de calorias e nutrientes presentes em cada porção, a composição 
nutricional de produtos diet e light, entre outras informações (BRASIL, 2009). 
 
O idoso deve aproveitar ao máximo os bons dias para preparar lanches e 
refeições para comer mais tarde ou para guardar no congelador. Necessita, 
também, variar os alimentos que compõem o cardápio, incluindo alimentos regionais 
e de safra, além da forma de prepará-los (cozinhar, assar e grelhar, usar diferentes 
cortes para frutas, legumes, verduras e carnes). É importante não acrescentar muita 
água ao cozimento e evitar que os alimentos permaneçam cozinhando por muito 
tempo, o que poderia levar à perda de nutrientes. O nutricionista precisa incentivar 
preparações com cereais integrais ou o uso de produtos feitos com farinha integral 
(pães, bolos, etc.). Outros alimentos ricos em fibras (frutas, legumes e verduras) 
devem ser utilizados no cardápio (BRASIL, 2009). 
5.2 Consumo de água 
 
A primeira estratégia é despertar o idoso para os benefícios que a água traz 
para a saúde (o intestino funciona melhor, mantém a boca mais úmida, a hidratação 
do corpo, entre outras vantagens). Para incentivar a ingestão de água, é essencial 
que o ambiente facilite o acesso da pessoa idosa aos utensílios (caneca, copo ou 
xícara) e ao filtro, estando tudo a uma altura adequada (BRASIL, 2009). Com isso, 
é fundamental incentivar o consumo da água em pequenas quantidades, várias 
vezes ao dia, entre as refeições. 
Entretanto, em casos cuja recomendação médica restrinja a ingestão de 
líquidos, a quantidade diária de água deverá ser calculada e sua ingestão 
monitorada (VITOLO, 2008; BRASIL, 2009). 
 
 
42 
 
5.3 PADRÃO DE CONSUMO ALIMENTAR PECULIAR DO IDOSO – MÁ 
ALIMENTAÇÃO 
Os hábitos alimentares nessa fase da vida estão muito condicionados às 
alterações biológicas e fatores psicossociais. Entre as alterações biológicas, 
destacam-se a inapetência, que pode ser ocasionada por patologias presentes; o 
uso de fármacos ou alterações de paladar e olfato que levam os idosos a 
considerarem a refeição pouco atrativa. Além disso, a falta de dentição, próteses 
mal ajustadas, dificuldade de deglutição e xerostomia, são fatores característicos 
que podem comprometer o estado nutricional do idoso. Entre os fatores 
psicossociais mais comuns nessa fase, ressaltamos a disponibilidade de alimentos, 
a integração social, a capacidade de deslocamento, a capacidade cognitiva e a 
independência financeira. 
Estudos confirmam (BUSNELLO, 2007; FRANK; SOARES, 2002) que as 
escolhas dos alimentos, assim como as técnicas de preparo, são evidentemente 
importantes, principalmente para indivíduos senis que apresentem alguma 
dificuldade de mastigação e tendem à monotonia alimentar. 
A integração social também desempenha um papel relevante no consumo 
alimentar do idoso. Em geral, a solidão predispõe à ausência de preocupação 
consigo, desestimulando o preparo de sua própria refeição de forma nutritiva e 
variada e fazendo com que ele se alimente mal. A dificuldade de mobilidade também 
pode gerar a incapacidade de realizar algumas atividades cotidianas como, por 
exemplo, comprar ou preparar seu alimento. Logo, este contexto leva o idoso a optar 
por alimentos prontos, de fácil mastigação e relativamente acessíveis. Em geral, 
verifica-se elevado consumo de pão, biscoitos, roscas, bolos, massas e doces. 
Alguns estudos (CAMPOS; MONTEIRO; ORNELAS, 2000; MARTINS, et 
al., 2010) de padrão alimentar de idosos brasileiros encontraram consumo 
satisfatório de arroz, feijão frutas, legumes e hortaliças. No entanto, preocupa o 
elevado consumo de alimentos de alto índice glicêmico, alimentos processados e 
ultraprocessados, além do hábito de beber refrigerante. 
No estudo de Deon et al. (2015), realizado com idosos brasileiros de 
diferentes contextos e diferentes regiões, verificou-se que o consumo de alimentos 
 
43 
 
pertencentes a oito dos nove grupos da pirâmide adaptada para a população idosa 
(cereais/pães/tubérculos/raízes; hortaliças; frutas; leguminosas; leite/ derivados; 
carnes/ovos; açúcares/doces; e água) não estava adequado. 
 Campos, Monteiro e Ornelas (2000), relata que o baixo poder aquisitivo dos 
idosos resulta na aquisição de alimentos de custo mais acessível e contribui para a 
monotonia da alimentação. 
Ao avaliar o inquérito dietético de indivíduos idosos institucionalizados, 
observou-se uma inadequação no consumo de vitamina A de 55%. Em outra 
pesquisa, porém, observou-se um consumo de 365,5 mg de vitamina A para a 
população idosa avaliada, ou seja, valores muito acima do encontrado no presente 
estudo. O consumo de vitamina D foi bem abaixo da recomendação para a 
população avaliada. O consumo de alimentos ricos em vitamina D por idosos é 
reduzido, em função de muitos deles apresentarem deficiência em lactose ou por 
acreditarem que não precisam beber leite, visto que não são crianças. Em um 
estudo realizado nas instituições asilares de São Paulo, encontrou-se uma 
inadequação de 90% no consumo de vitamina D. 
No entanto, cabe ressaltar que os hábitos alimentares das pessoas são 
adquiridos na infância e adolescência. Portanto, são poucas as modificações 
ocorridas na idade madura, por já existirem hábitos estabelecidos. Em alguns 
segmentos de idosos, pode-se encontrar resistência em adquirir novos hábitos, 
devido à cultura alimentar e à consolidação de práticas prévias e simbolicamente 
valorizadas por eles. 
Segundo Martins et al. (2010), a alimentação dos idosos avaliados 
apresentava-se inadequada nos aspectos quantitativo e qualitativo, o que é 
preocupante visto que os erros alimentares representam um risco para o controle 
de suas doenças, podendo até contribuir para o agravamento das mesmas. A 
maioria dos idosos apresentou consumo inadequado de frutas, hortaliças, leite e 
derivados, e observou-se também que, quanto maior o consumo desses alimentos 
pelos participantes, menores os valores de pressão arterial sistólica e diastólica 
encontrados. Houve também associação positiva entre os níveis de triglicerídeos e 
o aumento do consumo de cereais. 
 
44 
 
Em idosos institucionalizados, encontrou-se o consumo de vitamina C 
insuficiente perante as recomendações nutricionais.Martins et al. (2010) também 
verificaram resultados que corroboram a indicação de baixo consumo de vitamina 
C. Observou-se uma média de 150 mg para os idosos avaliados e média de 
ingestão de 36 mg/dia. A média referente ao consumo de cálcio mostrou-se 
insuficiente para ambos os sexos em idosos institucionalizados, o que é 
preocupante, pois alcançou apenas 12% dos valores recomendados. Tal 
inadequação é agravada principalmente para as mulheres acima dos 80 anos pois, 
devido às alterações hormonais, elas tendem a absorver apenas 26% do mineral 
consumido. Quanto ao ferro, a população institucionalizada também apresentou 
consumo insuficiente. Este resultado é agravado pelo fato de que a maior parte do 
ferro presente no cardápio das instituições não provém de ferro heme, visto que a 
oferta de carnes é baixa. Assim, é oriundo do ferro não heme, que apresenta baixa 
biodisponibilidade. A situação se agrava com a baixa oferta de vitamina C. Também 
em relação ao consumo de zinco, os valores para a população institucionalizada 
estão abaixo da recomendação. 
Alguns idosos que apresentam dificuldade de mastigação e deglutição 
tendem a ir substituindo alimentos mais firmes por alimentos mais macios, como por 
exemplo, trocar fontes proteicas, como carnes por cereais, em geral mais macios e 
de fácil deglutição. Essa modificação de comportamento alimentar pode 
comprometer o aporte de nutrientes importantes para o indivíduo e colocar o idoso 
em risco nutricional. O aconselhável é manter uma dieta equilibrada com todos os 
grupos alimentares, no entanto, com consistência alterada para pastosa e textura 
macia. 
A ingestão hídrica é em geral insuficiente, marcada pela falta de hábito de 
consumir água associado à alteração fisiológica na percepção de sede. 
A aceitação da dieta planejada nutricionalmente permite mudanças nos 
hábitos alimentares, satisfação no ato de alimentar-se e alcance dos objetivos 
nutricionais previamente determinados. Desta forma, ressalta-se a necessidade de 
constante monitoramento dos padrões dietéticos e incentivo a práticas de 
 
45 
 
alimentação saudável, com intuito de mitigar os efeitos da alimentação 
desequilibrada no estado geral de saúde e na incidência de morbidades em idosos. 
 
6 EXERCÍCIO FÍSICO E ENVELHECIMENTO 
Na velhice, o desgaste fisiológico pode trazer consigo alterações deletérias 
à saúde. Em contrapartida, a prática regular de atividades ou exercícios físicos pode 
minimizar grande parte desses efeitos. Porém, no caso da população idosa, as 
atividades físicas, sejam elas de lazer ou específicas para aptidão física relacionada 
à saúde, devem ser tratadas com o devido cuidado para não suscitarem mais riscos 
do que benefícios aos praticantes. Assim, cuidados especiais devem ser 
observados e situações potencialmente perigosas devem ser evitadas de todo 
modo, já está bem evidenciado que a prática regular de atividade física, seja ela 
qual for, proporciona melhorias na saúde dos idosos. Para isso, diversos métodos 
são propostos para a avaliação das capacidades físicas dos idosos e para 
elaboração de programas de treinamento específicos para cada indivíduo 
(LEHNEN, 2019). 
 
https://delas.ig.com.br 
 
46 
 
A população idosa vem crescendo substancialmente nos últimos anos, e a 
expectativa de vida têm aumentado, no Brasil, para em torno dos 75 anos 
(AGÊNCIA..., 2017). Nesse contexto, os profissionais da saúde têm dedicado 
atenção especial a essa população, no sentido de acompanhar a longevidade e 
proporcionar uma melhor qualidade de vida. 
Carvalho (2016) considera que, para que haja um envelhecimento de boa 
qualidade, impõe-se uma sistemática estratégia de prevenção e tratamento 
(reabilitação) das doenças crônico-degenerativas a ser desenvolvida principalmente 
por meio da adoção de um conjunto de hábitos saudáveis de vida, que têm no 
exercício físico um aspecto fundamental. Isso porque os níveis atividade física 
parecem estar correlacionados com a atenuação do processo de declínio cognitivo 
e com melhores índices de qualidade de vida em idosos, principalmente naqueles 
com doenças crônicas (CASTRO et al., 2017). 
Uma das mudanças mais marcantes observáveis durante todo o processo 
de envelhecimento é o declínio da capacidade de movimento. Desse modo, o 
acompanhamento dos padrões de movimento em idosos é fundamental. De acordo 
com Rosa Neto, Liposcki e Teixeira (2000, documento on-line): 
 
...] a deterioração dos parâmetros físicos, como força muscular, resistência 
muscular, equilíbrio, flexibilidade, agilidade e coordenação, leva à limitação 
funcional que ocasionará dependência física, ou seja, se os parâmetros 
físicos declinarem abaixo do nível requerido para a realização das 
atividades da vida diária, como cuidados pessoais básicos (como vestir-se, 
banhar-se, levantar-se da cama e sentar-se em uma cadeira, utilizar o 
banheiro, comer e caminhar), isso resultará em dependência funcional, 
influenciando na qualidade de vida do idoso. 
Por esse motivo, a determinação da aptidão física e funcional dos idoso 
deve ser priorizada na elaboração de programas de intervenção. Hunter, McCarthy 
e Bamman (2004) ilustram os fatores negativos gerados pela inatividade física no 
processo de envelhecimento, com ênfase nos efeitos deletérios da sarcopenia 
(perda da força e da massa muscular), um dos principais declínios físicos verificados 
em idosos, que tem sido bastante documentado pela literatura como um grande 
problema de saúde pública nessa população. 
 
47 
 
 
 
 
De maneira geral, podemos verificar que a sarcopenia estabelece seus 
sintomas principalmente em indivíduos insuficientemente ativos, mas também é 
vista em sujeitos que são suficientemente ativos ao longo de suas vidas e, com isso, 
comprova que se trata de um fator pertinente à saúde pública (PICOLI; 
FIGUEIREDO; PATRIZZI, 2011). 
Além de seu papel na progressão da doença, a perda de força e o 
descentramento neuromuscular geral que acompanham a sarcopenia diminuem a 
capacidade de realizar tarefas de vida diária. A diminuição da força e da potência 
do músculo parece estar relacionada à perda da autonomia, ao bem-estar e à 
qualidade de vida dos idosos (ASSUMPÇÃO; SOUZA; URTADO, 2008). Tanto a 
qualidade de vida quanto a probabilidade de declínios no estado de saúde são 
influenciados com o aumento da idade (HUNTER; MCCARTHY; BAMMAN, 2004). 
Para os mesmos autores, a redução da massa magra com o envelhecimento está 
associada a: 
 
 
 
 
 
48 
 
 diminuição do gasto energético de repouso e da oxidação da gordura 
corporal; 
 aumento da adiposidade e distribuição de gordura visceral em idosos, 
com risco elevado de desenvolver dislipidemia, resistência a insulina e doença 
cardiovascular; 
 desenvolvimento de osteopenia e possível progressão para 
osteoporose em função da sarcopenia 
Idosos insuficientemente ativos têm também menor massa muscular 
e maior prevalência de incapacidade física (PICOLI; FIGUEIREDO; PATRIZZI, 
2011). Os mesmos autores destacam diversos estudos demonstrando que o 
treinamento de força pode minimizar ou retardar o processo de sarcopenia para 
obter significantes respostas neuromusculares (hipertrofia muscular e força 
muscular) por meio do aumento da capacidade contrátil dos músculos esqueléticos. 
De maneira global, Carvalho (2016, p. 109), ao abordar a temática do 
exercício versus envelhecimento, destaca que “o exercício físico se constitui em 
potente fator de proteção, contribuindo para evitar o surgimento das principais 
doenças crônico-degenerativas”, e é, ainda, um potente fator de promoção de 
saúde, imprescindível para um envelhecimento plenamente saudável quando aliado 
a um estilo de vida também saudável. O mesmo autor cita que as principais 
condições combatidas pela prática regular de exercícios físicos são: doença 
aterosclerótica coronária, hipertensão arterial sistêmica, acidente vascularencefálico, doença vascular periférica, obesidade, diabetes melito tipo 2, 
osteoporose e osteoartrose, câncer de cólon, mama, próstata e pulmão, além de 
ansiedade e depressão. Além da ação efetiva na prevenção primária das doenças 
crônico-degenerativas, existe uma efetiva ação terapêutica advinda do exercício 
físico em relação a muitos desses males, sendo que o exercício físico, de fato, 
também contribui para o tratamento de todas as doenças crônicas não 
transmissíveis listadas. 
Segundo Ramos (2009), quando o indivíduo envelhece, o indicador de 
saúde importante não é a presença ou não de doença, mas o grau de capacidade 
funcional do indivíduo. O autor descreve também que mesmo o envelhecer sem 
 
49 
 
doença envolve algum grau de perda funcional, compatível com declínio fisiológico 
dessa etapa da vida, expresso por uma diminuição do vigor, da força, da prontidão, 
da velocidade de reação, dentre outras funções. Além disso, 
 
[...] quando essa perda funcional é exacerbada, digamos por um fator 
genético ou de exposição ambiental, temos o advento de um quadro clínico 
de doença crônica, que, na maioria das vezes, é expressa pela 
insuficiência de um órgão ou sistema biológico que caracteriza a doença 
— por exemplo, insuficiência cardíaca, renal, respiratória (enfisema), 
pancreática (diabetes), cerebral (demência), óssea (osteoporose), visual, 
auditiva. Nesses casos, é o grau de perda da capacidade funcional que irá 
indicar quem terá um envelhecimento saudável ou não, independente de 
quais as doenças crônicas envolvidas (RAMOS, 2009, p. 40). 
 
Por esse motivo, conforme citado pelo autor, quaisquer que sejam as 
doenças, são as perdas funcionais, sejam por limitações físicas ou mentais, que 
irão determinar o quadro de saúde pública. Por esse motivo, é o grau de capacidade 
funcional que permitirá identificar a população de risco para hospitalização, 
institucionalização e morte (RAMOS, 2009). Sendo assim, a utilização da 
capacidade funcional como indicador de saúde das populações de idosos é de 
extrema valia para o planejamento de políticas públicas voltadas aos idosos e, por 
esse motivo, eleva-se a importância da avaliação funcional. 
Aliás, quando falamos em avaliação geriátrica, temos como itens 
primordiais a avaliação funcional das atividades de vida diária, da aptidão física e a 
avaliação antropométrica e nutricional. Essas avaliações apresentam 
características particulares que as diferenciam dos demais grupos populacionais, 
exigindo dos profissionais envolvidos com a saúde um entendimento amplo sobre 
os principais protocolos existentes para o acompanhamento desse grupo etário 
(CARVALHO, 2016) 
 
 
 
50 
 
6.1 Avaliação funcional 
 
Compreende-se por capacidade funcional o potencial apresentado pelo 
idoso para decidir e atuar em suas atividades cotidianas de forma independente 
(FIELDLER; PERES, 2008), enquanto a difi culdade ou a necessidade de ajuda para 
a realização dessas atividades diárias pode ser defi nida como incapacidade 
funcional. 
http://bosquedosipes.com.br 
A incapacidade funcional é definida pela presença de dificuldade no 
desempenho de certos gestos e atividades da vida cotidiana, ou mesmo 
pela impossibilidade de desempenhá-las. Seu diagnóstico consiste em um 
dos principais componentes a ser considerado na avaliação da função 
física saúde funcional do idoso, pois a incapacidade funcional é forte 
preditora de mortalidade nessa faixa etária, sendo associada a 
características como idade avançada, baixa escolaridade e inatividade 
física (DEL DUCA et al., 2011, p. 221). 
 
A capacidade (ou incapacidade) funcional pode ser quantificada por escalas 
e índices. Esses instrumentos podem fornecer várias informações, uma vez que 
 
51 
 
avaliam diferentes categorias de incapacidade funcional, podendo apresentar um 
caráter mais global, como as que abrangem a função física, a comunicação, a 
cognição, os aspectos psicossociais, ou aquelas que avaliam os déficits físicos e as 
atividades de vida diária (CARVALHO, 2016). Essas escalas possibilitam a 
pontuação das atividades que podem ser reavaliadas, dando ao profissional a 
condição de analisar a eficácia do programa de exercícios físicos. 
De acordo com Paixão Jr. e Reichenheim (2005), o estado funcional é a 
dimensão-base para a avaliação física em idosos, que contempla a avaliação dos 
fatores físicos, psicológicos e sociais que afetam a saúde dos indivíduos mais 
idosos e frágeis. Os autores ainda colocam que os profissionais envolvidos com a 
população geriátrica devem preocupar-se com a qualidade de vida dos idosos, 
realizando uma ampla avaliação funcional em busca de perdas possíveis dessas 
funções. 
De modo geral, a avaliação em saúde envolve as atividades de vida diá ria 
(AVDs), que são subdivididas em (DUARTE; ANDRADE; LEBRÃO, 2007): 
 
 atividades básicas de vida diária: relacionadas ao autocuidado, 
como alimentar-se, banhar-se, vestir-se, arrumar-se, mobilizar-se, manter controle 
sobre suas eliminações; 
 atividades instrumentais de vida diária: representam a capacidade 
do indivíduo de levar uma vida independente dentro da comunidade onde vive e 
inclui a capacidade para preparar refeições, realizar compras, utilizar transporte, 
cuidar da casa, utilizar telefone, administrar as próprias finanças, tomar seus 
medicamentos. 
 
De modo específico, é inserida nesse contexto o que se denomina avaliação 
funcional, na qual “se busca verificar em que nível as doenças ou agravos impedem 
o desempenho das atividades cotidianas dos idosos de forma autônoma e 
independente, ou seja, sem a necessidade de adaptações ou de auxílio de outras 
pessoas, permitindo o desenvolvimento de um planejamento assistencial mais 
adequado” (DUARTE; ANDRADE; LEBRÃO, 2007, p. 318). Ao considerarmos, 
 
52 
 
portanto, a avaliação funcional dos idosos, é importante a utilização de testes que 
apresentem boa produtividade e validade; desse modo, também é fundamental que 
o profissional conheça os protocolos existentes, para que possa ser medido 
exatamente aquilo que o teste propõe. 
Vários testes funcionais são descritos na literatura para a avaliação da 
mobilidade e do equilíbrio em idosos. O objetivo desses testes é verificar a 
capacidade dos idosos em desempenhar as atividades funcionais do cotidiano, bem 
como o risco de quedas. 
7 SOLIDÃO NA VELHICE 
 
Segundo Freitas (2011) apud Fonseca (2015), só com o conhecimento dos 
motivos da solidão é que se conseguirá avaliar e sistematizar estratégias para lidar 
com esta circunstância. Um dos aspetos mais relevantes para a qualidade de vida 
é a base da família, amigos e participação em atividades sociais, sendo que os 
baixos níveis de contatos podem estar associdos a uma qualidade de vida pobre. 
Atualmente, existe um grande número de idosos que vivem sozinhos, que perderam 
o cônjuge ou companheiros de toda uma vida (solidão emocional), ou perderam os 
amigos próximos que foram falecendo (solidão social). 
O isolamento pode causar a solidão, embora esta se relacione mais com 
aspetos qualitativos. Weiss et al. citados por Freitas (2011) apud Fonseca (2015), 
indicam que a solidão é “um sentimento que consiste no isolamento emocional que 
resulta da perda ou inexistência de laços íntimos e do isolamento social, com a 
consequente ausência de uma rede social com os seus pares”. Por outro lado, os 
idosos podem ter uma rede social ampla e sentirem-se sós, se esta não retribuir às 
suas necessidades. Fernandes (2007) apud Fonseca (2015), defende que, a solidão 
resulta de fatores situacionais e de características pessoais, a forma como cada um 
de nós encara as várias circunstâncias da vida e como lidamos com o nosso dia-a-
dia vai se fazer com que nos sintamos mais ou menos sós e que a solidão nos 
alcance com maior ou menor intensidade. De acordo com um estudo concretizado 
 
53 
 
por Russell et al. citado por Neto em Fernandes(2007) apud Fonseca (2015), “... as 
medidas de solidão social e emocional estão conexas, respetivamente, à falta de 
amizade e de relações íntimas (...) a solidão social e emocional partilhavam um 
núcleo comum de mal-estar, mas tinham também elementos únicos de experiência 
subjetiva”. 
 
https://www.uol.com.br 
Desta maneira ou nesta perspetiva, podemos falar que se uma pessoa se 
sentir só ou sentir solidão em casa na dimensão emocional, também o irá sentir na 
rua, ou seja no meio da sociedade, independentemente das suas relações sociais 
serem boas. Se não tiver alguma pessoa ao seu lado para partilhar o dia-a-dia, uma 
relação romântica satisfatória, irá sentir solidão, mas neste caso numa dimensão 
diferente da anterior. Segundo Fernandes, (2007) apud Fonseca (2015), a solidão 
busca a solidão e, quanto mais um indivíduo se isola, à medida que o tempo vai 
passando, mais isolada quer estar. Quando as pessoas se sentem sozinhas, com 
sentimentos de angústia, insatisfação e exclusão, se apercebem que a solidão é a 
sua companhia, o rosto entristece, a alma desvanece, um forte pesar parece invadir 
o pensamento, o cenário torna-se deprimente e o futuro é sem esperança. 
 
54 
 
 O autor adiciona ainda que, a solidão inclui desejo do passado, frustração 
com o presente e medos sobre do futuro. Mesmo em pessoas que não tiveram a 
perda do cônjuge, a solidão pode aparecer associada a muitos sentimentos juntos, 
tais como: Querer ser amada(o) por alguém; Querer amar e tratar de alguém; 
Querer partilhar experiências quotidianas com alguém; Querer ter alguém em casa; 
Precisar de alguém para partilhar o trabalho; Desejo de uma forma prévia de vida; 
Temer a sua incapacidade para fazer novos amigos. 
 Para resolver algumas das causas que se acredita empiricamente estarem 
na origem da solidão e do mal-estar dos idosos, por vezes é decidido o internamento 
num lar de idosos, mas nem sempre com sucesso, pois nem sempre uma 
instituição, com apoio formal supostamente suficiente, reduz o sentimento de 
solidão emocional do idoso. Segundo Melo e Neto citados por Fernandes (2007) 
apud Fonseca (2015), o lar de idosos não é solução para quem quer ter um final de 
vida tranquilo, pois muitas vezes o idoso tem dificuldade em partilhar um espaço 
que deveria ser só seu e que sente ser invadido por estranhos, vendo-se obrigado 
a partilhar o quarto com outras pessoas. Afirma ainda que, para o idoso, sentir-se 
envelhecer, sentir-se menos útil e deixar a sua vida ativa, “já é um grande fardo” 
Quando se analisam as diversas definições de solidão, verifica-se que estão 
envolvidos fatores emocionais, cognitivos e sociais, Peplau e Perlman citados por 
Freitas (2011) apud Fonseca (2015), assinalam duas causas da solidão: a morte de 
alguém que se ama e a predisposição dos indivíduos para estarem sós. 
 Já Morales e Moya citados por Freitas (2011) apud Fonseca (2015), 
referem que a solidão se relaciona com: características da personalidade 
(introversão, timidez, ansiedade, tendência à depressão); auto-estima (baixa); 
competências sociais (comportamento tímido na relação com os outros); 
características sociodemográficas (idade, estado civil). Pinquarte e Sorenson 
citados por Freitas (2011) apud Fonseca (2015), falam nos quatro preditores da 
solidão. O estado civil e laços sociais são determinantes no surgimento da solidão, 
sendo que a falta de integração e apoio social é uma das principais causas da 
solidão. As variáveis sociodemográficas, como o sexo, a idade e o estatuto 
socioeconómico, são também preditores de solidão, pois constata-se, por exemplo, 
 
55 
 
que as mulheres mais velhas relatam maiores níveis de solidão do que os homens, 
o que se deve à viuvez da maioria delas. 
 A saúde e estado funcional são de grande relevância, pois, os problemas 
de saúde que impossibilitam as funções da vida diária levam à solidão; os efeitos 
da solidão acumulam-se ao longo da vida, levando mesmo a um envelhecimento 
físico. Por último, os fatores da personalidade (timidez, introversão) podem tornar o 
indivíduo mais vulnerável à solidão. Anderson citado por Fernandes (2007) apud 
Fonseca (2015), refere que a OMS no documento intitulado “Psychogeriatriccare in 
thecommunity” assegura que nos distintos níveis de prevenção o isolamento e a 
solidão social são expostos como importante e fundamental para se alcançar o bem-
estar. Vários autores têm descrito intervenções e atitudes para prevenir e intervir 
em circunstâncias de isolamento social e solidão social. Grande parte dessas 
intervenções tem como eixo principal as redes sociais. 
 Neril e Freire citados por Freitas (2011) apud Fonseca (2015), sugerem 
algumas estratégias que podem ajudar os idosos a prevenir ou combater a solidão: 
1- Tentar conhecer novas pessoas e fazer novas amizades; 
2- Participar em atividades sociais voluntárias; 
3- Transmitir conhecimentos e experiências a outras pessoas; 
4- Encontrar novos canais de comunicação entre pessoas da mesma 
geração e de outras gerações; 
5- Envolver-se em grupos de convívio, atualização cultural; 
6- Consciencializar-se do seu papel como cidadão na sociedade e 
reconhecer os seus direitos e deveres; 
7- Investir em si próprio, cuidando da saúde mental e física; 
8- Convencer-se que a adaptação às mudanças naturais da velhice traz 
dificuldades, mas que isso não implica o afastamento social, 
inatividade, isolamento, depressão; 
9- Favorecer o crescimento espiritual; 
10- Saber eleger as prioridades pessoais e defender a privacidade e 
pontos de vista. 
 
 
56 
 
8 O ABANDONO NA FAMÍLIA 
Vários autores tentam encontrar um conceito que se amolda ao abandono, 
entre eles, Passos citado por Mendonça (2011) apud Fonseca (2015), menciona o 
seguinte: O conceito de abandono pode ser relacionado ao individualismo 
acentuado nas relações, significando que o egocentrismo primitivo do ser humano 
o desumaniza e se demonstra também na dinâmica parental, onde obviamente um 
precisa do outro na condição do existir e ao mesmo tempo, o nega. 
 
https://portalamigodoidoso.com.br 
 É necessário ocorrer a inter-relação entre os membros da família para que 
se dê a sua própria existência, sem que sejam descartadas as especificidades de 
cada um destes, o autor adiciona ainda que, “Sem laços não nos humanizamos, 
não existimos como sujeitos, não temos referências que nos guiem, que nos 
contenham. Aquelas que encontramos estão vulneráveis, voláteis e vazias. Em 
consequência, prosseguimos a procura cega e idealizada de um complemento que 
não exija reciprocidade, posto que estamos presos em nossas próprias sombras”. 
 
57 
 
Ainda, Passos citado por Mendonça (2011) apud Fonseca (2015), enfatiza que 
existe uma “espécie de dispersão nas relações humanas”, o que vem a influenciar 
a conjuntura familiar entre os membros. Diz que o outro é quem determina o sujeito, 
um ao outro são imperativos, mesmo assim, as características de uma relação 
sublime composta por gestos e sentimentos como o amor e cumplicidade são raras, 
ou seja, o objetivo peculiar de complementação entre os seres está bastante 
remota, apontando a fragilidade das relações, sendo priorizado o individualismo. 
Já os autores Soejima e Weber citados por Mendonça (2011) apud Fonseca 
(2015) determinam o desamparo como um fato social total que só se desvela se 
compreendido de acordo com a história nas suas vertentes biológicas e 
psicológicas, culturais e socioeconómicas e não de um modo essencialista, seja 
qual for a “essência” eleita ou a sua justificação. Pois, os fatores que desencadeiam 
o abandono, podem ser compreendidas numa perspetiva social e causal, incluindo 
fatores culturais e históricos como parte dos fatos que precedem o fenómeno. 
Jessus citado por Matias, et al. (2013) apud Fonseca (2015), argumenta que 
o aumento da esperança média de vida traz consigo graves problemas para a 
sociedade que não está aparelhadapara encarar problemas como o abandono 
familiar, a dependência de medicamentos e várias doenças ditas próprias da idade. 
As sociedades modernas suportaram diversas alterações o que, por conseguinte, 
causou um aumento das dificuldades para as pessoas idosas viverem a sua velhice 
no seu meio residencial. Porém, as grandes concentrações urbanas acabaram por 
impor modos de vida incompatíveis com a coabitação dos mais velhos. 
No final do século XIX a velhice não era vista como um problema social, 
pois o apoio aos mais velhos era feito pela família, por instituições religiosas ou 
organismos particulares. Pimentel citado por Pinhel (2011) apud Fonseca (2015), 
refere que as sociedades modernas passaram diversas mudanças o que, 
consequentemente, iniciou uma ampliação das dificuldades para as pessoas idosas 
viverem a sua velhice no seu meio residencial. Contudo, as grandes concentrações 
urbanas acabaramSolidão por impor modos de vida incompatíveis com a coabitação 
dos mais velhos, por vezes, ocorrem casos que os idosos são entregues a si 
mesmos, morrem muitas vezes abandonados. Segundo Guimarães citado por 
 
58 
 
Simões surgem, então, instituições vocacionadas para o acolhimento de idosos, 
sendo cada vez mais uma alternativa o recorrer à institucionalização. 
O abandono de idosos é um fenómeno que está a fazer parte da realidade 
atual, pois, alguns idosos são deixados nos lares e hospitais por seus familiares, 
parentes e, o que é pior, principalmente pelos seus filhos. Ao serem abandonados, 
esses idosos são privados do convívio familiar, de carinho, de afeto e são obrigados 
a começar uma nova etapa de vida, com pessoas que nunca viram, cortando suas 
raízes definitivamente. Esse fato gera uma enorme tristeza, solidão, sensação de 
desamparo e, consequentemente, culminam com o surgimento de diversas doenças 
que são agravadas pelo abandono (Pinhel, 2011) apud Fonseca (2015). 
O destino das pessoas idosas depende em grande parte de suas 
capacidades e das riquezas que lhe conduziram, a velhice pode ser ridicularizada 
em particular e receber demonstrações públicas de atenção e respeito. Os “velhos” 
são honrados verbalmente e, na prática abandonados a sua sorte. O destino deles 
é decidido pela sociedade de acordo com as possibilidades e os interesses da 
mesma. Este estudo é para explanar até que ponto a condição do idoso depende 
do contexto social (Pinhel, 2011) apud Fonseca (2015). Jessus citado por Matias, 
et al. (2013) apud Fonseca (2015), relata que o idoso em situação de abandono 
pode tornar-se um institucionalizado por escolha ou por decisão de terceiros. Se por 
um lado a institucionalização é benéfica porque oferece acolhimento, acesso à 
assistência, por outro lado pode representar um enfraquecimento ou ruptura dos 
laços familiares e sociais, já fragilizados pelo processo demencial. 
Araújo e Ceolim citados por Matias, et al. (2013) apud Fonseca (2015), 
afirmam que é importante ressaltar que a mudança de idosos de suas residências 
para instituições de longa permanência tem um potencial de gerar danos tais como: 
depressão, isolamento, separação da sociedade, dentre outros fatores 
condicionantes. 
Delacrode citado Morais, et al. (2012) apud Fonseca (2015) defende que, a 
renúncia é sentir-se abandonado no meio dos outros, é não estar bem, é não ter 
auxílio de ninguém, é andar de um lado para o outro, é ter família e não ser protegido 
por ela, esquecido, isolado, indiferente, não ser valorizado e não receber atenção. 
 
59 
 
Segundo Alcântara (2006) apud Fonseca (2015), a condição do abandono também 
pode estar conexa às situações de fragilidade em que o idoso se encontra isolado 
do circuito familiar, alargando seu sentimento de dependência pelos limites 
impostos pela incapacidade. 
A família se desvencilha do idoso muitas vezes por motivos de conflitos 
familiares, falta de condições económicas em manter o idoso na residência de 
origem, falta de uma pessoa da família que se dedique aos cuidados necessários e 
ao acompanhamento do idoso, ou até mesmo, por decisão do mesmo (Garcia et al. 
citado por Morais et al. 2012 apud Fonseca (2015). Nem sempre a família consegue 
exercer essa função ou cumprir com esta responsabilidade, e assim podem ocorrer 
situações de abandono e/ou internamento (Teixeira et al. citado por Morais et al. 
2012) apud Fonseca (2015). 
Para Oliveira e Santos citados por Morais et al. (2012) apud Fonseca 
(2015), o abandono do idoso está relacionado com sua história de vida e com 
características individuais de cada ser humano, diante das relações interpessoais 
construídas ao longo da vida, e que, em virtude das fragilidades decorrentes do 
envelhecimento, tornam-se mais evidentes. 
Segundo Rodrigues e Soares (2006) apud Fonseca (2015), “A família, a 
sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua 
participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-
lhes o direito à vida”. Há que se chamar atenção para as limitações da família atual 
nesta tarefa de responsabilizar-se pelo acolhimento e apoio aos seus velhos. Face 
às dificuldades decorrentes da precariedade das políticas sociais e dos fatores 
económicos como o desemprego, que atinge um grande número de famílias, a 
privatização, no âmbito familiar, da responsabilidade desses cuidados, muitas vezes 
acaba em prejuízo desses idosos devido aos parcos recursos materiais e 
psicossociais das suas respetivas famílias. Essa é uma responsabilidade a ser 
dividida entre o Estado, a sociedade e a família. À medida que a sociedade vai 
modificando, estabelece a necessidade de um ajustamento das políticas públicas 
para acompanhar e amparar essas mudanças. Alguns autores são enfáticos ao 
 
60 
 
afirmar que a família, por si só, não se encontra em condições de dar conta dessa 
problemática. 
 
8.1 Causas da Institucionalização do idoso 
 
As causas da institucionalização são várias, Pimentel citado por Pinhel 
(2011) apud Fonseca (2015), descreve que o progressivo envelhecimento da 
população; a mobilidade geográfica, ligado às condições da estrutura familiar, ou 
seja, a família de hoje já não garante a proteção dos seus membros mais velhos até 
ao final da sua vida, a morte do cônjuge do idoso e por conseguinte a habituação 
de viver sozinho; o receio que lhe ocorra algo e que não esteja ninguém por perto 
para o socorrer; a degradação e a vulnerabilidade das condições de habitação do 
idoso; a desadaptação das casas às necessidades dos idosos; a degradação das 
condições destes; o facto dos serviços alternativos de proximidade serem escassos 
para garantir a manutenção dos idosos no seu domicílio, são os principais fatores 
de institucionalização dos idosos. 
Dentre os principais motivos da inserção de idosos em instituições asilares 
destacam-se: condição precárias de saúde, distúrbios de comportamentos, 
necessidades de reabilitação, falta de espaços físico para que seus familiares o 
abriguem, falta de recursos financeiros, abandono do idoso pela família que não 
consegue manter o idoso sob os seus cuidados (Espitia e Martins 2006) apud 
Fonseca (2015). 
Rodrigues citado por Lopes (2010) apud Fonseca (2015) diz que o 
abandono pode ser considerado o grande motivo da institucionalização do idoso, 
este no caso de uma pessoa que se encontra vivendo em uma instituição asilar, 
porque não tem família ou porque foi deixada pela família aos cuidados dessa 
instituição ou por conta própria que a fase da vida em que o idoso entra para uma 
instituição é outro fator a ser considerado. Essa fase, normalmente, é representada 
como a última etapa de sua vida, isto é, sem expectativa de retorno Ximenes e Côrte 
 
61 
 
citados por Morais et al. 2012). Almeida (2008) apud Fonseca (2015), salienta que 
é importante fazer uma breve reflexão à institucionalização do idoso e a algumas 
características que a acompanham, visto que, estatem sido uma constante na 
sociedade atual, não só devido ao aumento da população idosa, mas também 
devido às novas exigências da competitividade e do mundo do trabalho, que deixam 
muitas vezes a família sem tempo para cuidar do idoso. O autor fala ainda sobre as 
causas que podem levar o idoso à institucionalização que podem ser de várias 
ordens, tais como: a idade avançada do idoso, o morar sozinho, a existência de 
doenças, limitações ao nível das atividades da vida diária, ausência de suporte 
social ou pobreza, também a viuvez, a existência de deficiências físicas ou mentais 
e dificuldades económicas são apontadas como possíveis causas da 
institucionalização, assim, as causas podem ser variada ordem, sendo que 
dificilmente se encontram de forma isolada. 
 As Redes de Apoio Informal tornaram-se também insuficientes e incapazes 
para amparar o idoso. Em determinados casos, quando estas não podem retribuir 
à expectativa, recorresse às redes de apoio formal. As redes de apoio informal ao 
idoso dividem-se em dois grandes grupos, um composto pela família do idoso e 
outro constituído por amigos e vizinhos. O papel da família no apoio aos idosos tem 
vindo a diminuir com a crescente evolução da sociedade, tornando-se complexo a 
sua concretização, aliado ao trabalho feminino fora de casa (Fontaine, 2000) apud 
Fonseca (2015). Além disso, Paul citado por Fontaine (2000) apud Fonseca (2015), 
salienta que as redes de apoio compostas por amigos e vizinhos têm um papel 
relevante especialmente do ponto de vista emocional, psicológico e instrumental, 
aquando da ausência de familiares. As redes de apoio formal designam-se como 
aquelas que oferecem uma variedade de serviços estáveis e seguros, mas por 
vezes difíceis de aceder. Sendo assim sendo, as instituições proporcionam uma 
diversidade de serviços e valências que garantem uma maior qualidade de vida, ou 
apenas a satisfação das necessidades básicas ou o acompanhamento do idoso até 
à sua morte. 
Segundo Pimentel citado por Pinhel (2011) apud Fonseca (2015), estudos 
referem que os idosos apontam a perda de autonomia; o agravamento do seu 
 
62 
 
estado de saúde; a conflitualidade nas relações familiares; a discordância de 
interesses a ineficiência da sua rede de interações; o isolamento; a precariedade de 
condições económicas e habitacionais; a ausência de redes de solidariedade e a 
solidão proporcionem situações de carência e simultaneamente de dependência 
física o que justifica a institucionalização. 
Cardão (2009) apud Fonseca (2015), descreve que, à perda do meio 
familiar, com os sentimentos mais ou menos manifestos de abandono pela família 
depressa se juntam outras vivências de perda como a da sua independência e do 
exercício pleno da sua vontade, devido à normalização e observância do seu 
comportamento dentro da instituição. Acrescenta ainda que, a institucionalização do 
idoso é uma realidade para todos aqueles que por variados motivos se vêm 
obrigados a recorrer a este tipo de serviços. Muitas vezes a família não tem tempo 
para disponibilizar ao idoso, pelo que a institucionalização é a opção mais viável. O 
idoso quando toma a decisão que quer ir viver para um lar pode considerar-se que 
vai sofrer uma grande modificação na sua vida, pois esta decisão leva a que haja 
uma separação quer do meio familiar, quer do seu meio habitacional, obrigando o 
idoso a adaptar-se a um ambiente a que não estava habituado. Este ato, origina no 
idoso um impacto emocional que, na maioria das vezes, representa uma rotura em 
relação à sua vida e hábitos anteriores. A mesma autora afirma ainda que a 
institucionalização em alguns casos pode originar no idoso sentimentos de 
dependência de como é organizado o seu tempo e o seu espaço de vida acaba por 
deixar-lhe pouca ou nenhuma motivação para planear por si próprio como as suas 
horas diárias podem ser vividas, esta perda de autonomia própria impede a pessoa 
de recapitular as vivencias do passado, feitas de histórias que se repetem, porque 
não há nada de novo a contar, longe do bulício da vida exterior, é um tempo parado, 
que antecipa o seu fim, e que se compara com dias outrora vividos na sua plena 
força. 
Pinhel (2011) apud Fonseca (2015) assegura também que, a solidão nos 
idosos institucionalizados em contexto de abandono familiar admitiu uma reflexão 
sobre as causas que levam ao abandono, bem como os resultados de uma ausência 
familiar motivada não só por questões de natureza econômica, mas também pela 
 
63 
 
distância física a que esses mesmos familiares se deparam, quebrando uma cadeia 
de afetos essencial à continuidade de vivência dos seus projetos de vida pessoais. 
Netto citado por Pinhel (2011) apud Fonseca (2015) diz que o internamento 
é a opção de último recurso à vida familiar para os mais frágeis e dependentes. 
Nesta perspetiva a institucionalização quer seja requerida pelo próprio quer por 
sugestão de familiares pode ser vista como um ganho, pelo recurso à oferta de 
acompanhamento e de cuidados, principalmente se a doença lhe estabelece 
determinados cuidados ou lhe vier a impor futuramente limites sérios no que 
concerne às suas capacidades cognitivas. Costa citado por Pinhel (2011) apud 
Fonseca (2015) menciona que do ponto de vista psicológico muitos dos idosos que 
requerem a institucionalização fazem-no devido à necessidade de busca de 
vínculos alternativos numa outra relação de apoio e de proteção, com a finalidade 
de viverem o resto dos seus dias em segurança. Para que tal suceda a qualidade 
oferecida pela instituição torna-se muito relevante, passando a instituição a ser rede 
de suporte formal e a substituir a rede de cuidados informais e familiares. 
 Segundo Paul, as causas da institucionalização poderão ser problemas de 
saúde que limitam o funcionamento dos idosos, falta de recursos econômicos para 
a manutenção da casa, viuvez e situação de despejo, sobretudo nos centros da 
cidade. Como evidenciam os autores atrás referidos, as causas para a 
institucionalização podem ser inúmeras, sendo muitas vezes a conjugação destas 
diversas causas, e não apenas de uma ou de duas, que origina a escolha deste tipo 
de apoio social (citado por Almeida, 2008) apud Fonseca (2015). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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