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1 2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................... 4 2 ALIMENTAÇÃO NO ENVELHECIMENTO .......................................... 5 2.1 Importância de uma alimentação saudável para o adulto e o idoso ........................................................................................................5 2.2 Aspectos nutricionais na fase adulta ............................................. 7 2.3 Aspectos nutricionais no envelhecimento ..................................... 8 2.4 Envelhecimento normal e bem-sucedido ...................................... 9 2.5 Dez passos para uma alimentação saudável para o adulto e o idoso ......................................................................................................10 2.6 Dez passos para uma alimentação saudável para pessoas idosas ......................................................................................................15 2.7 Orientações nutricionais para o adulto e o idoso ........................ 16 3 ORGANIZAÇÃO DE PLANOS ALIMENTARES: IDOSO ................... 23 3.1 Características de planos alimentares para idosos ..................... 23 3.2 Características e alterações físicas dos idosos que comprometem o estado nutricional ............................................................................................ 23 3.3 Principais dificuldades para a confecção de planos alimentares para idosos ......................................................................................................27 3.4 Perda de apetite .......................................................................... 27 3.5 Inabilidade para preparar/ingerir alimentos ................................. 28 3.6 Disfagia ....................................................................................... 29 3.7 Isolamento social e más condições socioeconômicas ................ 30 3.8 Uso de medicamentos ................................................................ 31 3 3.9 Elaboração de um plano alimentar para o idoso ......................... 32 4 ESTRATÉGIAS ALIMENTARES PARA FAVORECER O CONSUMO DE ALIMENTOS POR IDOSOS EM SITUAÇÕES ESPECÍFICAS ....................... 37 4.1 Perda de apetite .......................................................................... 37 4.2 Dificuldades de mastigação e deglutição de alimentos ............... 38 5 Problemas sensoriais, psicológicos e deficit cognitivo ....................... 38 5.1 Dificuldade em preparar os alimentos ......................................... 39 5.2 Consumo de água ....................................................................... 41 5.3 PADRÃO DE CONSUMO ALIMENTAR PECULIAR DO IDOSO – MÁ ALIMENTAÇÃO ........................................................................................... 42 6 EXERCÍCIO FÍSICO E ENVELHECIMENTO .................................... 45 6.1 Avaliação funcional ..................................................................... 50 7 SOLIDÃO NA VELHICE .................................................................... 52 8 O ABANDONO NA FAMÍLIA.............................................................. 56 8.1 Causas da Institucionalização do idoso ...................................... 60 9 REFERÊNCIAS ................................................................................. 64 4 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 5 2 ALIMENTAÇÃO NO ENVELHECIMENTO 2.1 Importância de uma alimentação saudável para o adulto e o idoso A fase adulta, o estágio mais longo do ciclo da vida, começa quando o adolescente conclui seu crescimento físico. Diferentemente dos estágios anteriores do ciclo da vida, os nutrientes são usados, em especial, para manter o corpo, em vez de sustentar o crescimento físico. À medida que o adulto envelhece, as necessidades de nutrientes mudam. Por exemplo, é preciso aumentar o aporte de vitamina D e vitamina B12 para os idosos (WARDLAW; SMITH, 2013). Desta forma, a fase adulta é caracterizada pela manutenção corporal, por transições físicas e fisiológicas gradativas, geralmente conhecidas como envelhecimento. Este processo é um fenômeno universal e natural do organismo, que apresenta lenta morte celular, começando logo depois da fertilização do óvulo (WARDLAW; SMITH, 2013; COSTA; DIAS; SOUZA, 2013). As alterações causadas pelo envelhecimento desenvolvem-se em um ritmo diferente para cada pessoa e dependem de fatores internos e externos, como os descritos a seguir: Fatores internos: a genética do indivíduo poderá influenciar o processo de envelhecimento, ao mesmo tempo em que retarda os danos gerados pelo metabolismo endógeno das toxinas, regula a taxa de maturação celular e o metabolismo, também, suprime a tendência de proliferação ilimitada. Fatores externos: o exercício físico, a radiação, a alimentação e os outros hábitos de vida, como o fumo e o consumo de bebidas alcoólicas em excesso (COSTA; DIAS; SOUZA, 2013). O envelhecimento é um dos processos biológicos mais complexos, é inevitável e irreversível, dependente da idade do aumento da vulnerabilidade e declínio progressivo funcional. Agora, alguns processos fisiológicos, que ocorrem durante o envelhecimento, serão descritos: 6 Adolescência: o envelhecimento não é aparente, porque as principais atividades metabólicas estão voltadas para o crescimento e maturação. São produzidas uma grande quantidade de células ativas para suprir as necessidades fisiológicas. Durante o final da adolescência e fase adulta: a principal tarefa do corpo é manter as células. Do início da fase adulta até em torno dos 30 anos de idade: os sistemas corporais encontram-se em sua taxa de eficiência máxima. Estatura, vigor, força, resistência, eficiência e saúde estão em seu ponto máximo na vida. As taxas de síntese e decomposição celular estão equilibradas na maioria dos tecidos. Entretanto, é inevitável que as células envelheçam e morram. Após os 30 anos de idade: a taxa de decomposição celular começa, lentamente, a exceder o limite de renovação celular, levando a um declínio gradativo no tamanho e na eficiência dos órgãos. Após os 60 anos: o corpo não consegue se ajustar para atender a todas as demandas fisiológicas, e o funcionamento do corpo começa a decair. Contudo, os sistemas corporais e os órgãos, geralmente, retêm uma capacidade de reserva suficiente para lidar com as demandas diárias normais, durante toda a vida de uma pessoa (WARDLAW; SMITH, 2013). Conforme os indivíduos envelhecem, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) transformam-se nas principais causas de morbidade, incapacidade e mortalidade em todas as regiões do mundo, inclusive,nos países em desenvolvimento. Estas doenças típicas da terceira idade são caras para os indivíduos, as famílias e o Estado, mas, muitas delas, podem ser evitadas ou, pelo menos, adiadas. Não prevenir ou controlar as DCNTs, de forma apropriada, irá resultar em enormes custos humanos e sociais que irão absorver uma quantidade desproporcional de recursos, que poderiam ter sido destinados a problemas de saúde de outras faixas etárias (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2005). Portanto, é necessário, ao longo da vida, visar à otimização das oportunidades para 7 melhoria e preservação da saúde, bem-estar físico, social e mental, independência, qualidade de vida e atividade física (COSTA; DIAS; SOUZA, 2013). 2.2 Aspectos nutricionais na fase adulta Como visto, o padrão de crescimento é homeostático na fase adulta, pois os adultos jovens (até 35 anos de idade) já alcançaram todo o seu potencial genético, em termos de altura e força. Assim, é partir dessa idade que começarão a ocorrer várias alterações corporais. A aproximação da meia idade, em geral, se evidencia à medida que as mulheres apresentam ganho de peso, após a gravidez, e os homens desenvolvem o aumento da gordura abdominal. O conteúdo de gordura corporal aumenta 35% depois dos 20 anos, a massa corporal magra e o teor total de água do corpo diminuem 17%. O volume plasmático, também, reduz para 87%. O exercício físico diminui, especialmente, se o adulto tiver um trabalho sedentário. O metabolismo igualmente baixa. A taxa de replicação celular começa a cair lentamente. Quando o adulto trabalha fora de casa, pode recorrer, com mais frequência, a lanches rápidos. Se há crianças em casa, o adulto acaba comendo o que elas deixam no prato para não desperdiçar comida. Ainda, as mulheres correm o risco de apresentar osteoporose, pois o consumo de cálcio e o equilíbrio hormonal, durante a adolescência, influenciam tardiamente no desenvolvimento desse problema (FARREL; NICORETTI, 2005; TEIXEIRA, 2015). De maneira semelhante, as necessidades calóricas diminuem, dependendo do estilo de vida do adulto. Os tipos e o preparo dos alimentos precisam ser modificados devido a problemas dentários ou a desconfortos gástricos, dependendo do nível de ácido clorídrico no estômago. O adulto, a partir dos 35 anos, pode, ainda, precisar de um aumento no consumo de vitamina C por ingerir menos frutas e legumes frescos, em razão da dificuldade de acesso a esses produtos. Também, pode haver deficiência de vitamina B6, especialmente, se o adulto consome grandes 8 quantidades de álcool. Mulheres que apresentam sintomas da perimenopausa tendem a consumir muitos carboidratos e diminuir o consumo de proteína e cálcio (FARREL; NICORETTI, 2005). A fase adulta, como já citado, constitui o maior período da vida humana, em que a nutrição e alimentação desempenham papéis fundamentais para que o indivíduo possa apresentar um envelhecimento normal e bem-sucedido por intermédio de prevenção ou retardo de doenças características dessa fase. Considerada a fase de manutenção, o adulto terá mais dificuldade em manter uma alimentação saudável se, desde a infância e adolescência, adquirir hábitos errôneos. Além disso, há outros fatores que influenciarão os hábitos, como os sociais, culturais e financeiros (TEIXEIRA, 2015). 2.3 Aspectos nutricionais no envelhecimento Sem dúvida, condições e doenças crônicas causam impacto no estado nutricional nesse estágio da vida. Problemas dentários, más condições financeiras e incapacidade de preparar ou obter os alimentos são fatores que podem estar presentes no caso do paciente idoso. A Taxa Metabólica Basal (TMB) decresce no idoso, porque há menos massa muscular (10%). A atividade física e a força diminuem gradualmente, causando diminuição das necessidades energéticas e metabólicas. Contudo, a reabsorção óssea aumenta com a idade. A ferramenta da pirâmide alimentar, ainda, se aplica, porém deve ser, em alguns casos, adaptada (COSTA; DIAS; SOUZA, 2013). Os idosos costumam alimentar-se à base de alimentos fáceis de serem mastigados e deglutidos. Problemas dentários, normalmente, dificultam a mastigação dos alimentos, em especial, fontes de proteína, como carnes vermelha e de frango. É possível que economizem na alimentação para poderem comprar outros itens, como remédios. As influências religiosas e culturais são evidentes, 9 frequentemente, como mecanismos para lidarem com as dificuldades e manterem a estabilidade emocional (FARREL; NICORETTI, 2005). 2.4 Envelhecimento normal e bem-sucedido As células do corpo envelhecem, independentemente, das práticas de saúde que os indivíduos sigam. Entretanto, até certo ponto, se pode escolher a rapidez desse envelhecimento, durante os anos da fase adulta. O envelhecimento normal refere-se àquelas mudanças, em geral, consideradas típicas ou esperadas como parte do período: aumento da gordura corporal; diminuição da massa corporal magra; aumento da pressão sanguínea; diminuição da massa óssea; piora da saúde (WARDLAW; SMITH, 2013; COSTA; DIAS; SOUZA, 2013). Muitas destas mudanças representam uma aceleração do processo de envelhecimento induzidas por escolhas de estilo de vida insalubres, exposições ambientais adversas e/ou doenças crônicas, porém o envelhecimento bemsucedido associa-se aos declínios na função física e fisiológica que ocorrem, apenas, porque a pessoa envelhece, não em decorrência dos referidos aspectos. Os que têm envelhecimento bem-sucedido sofrem declínios relacionados à idade mais lentamente, e sintomas de doenças crônicas se manifestam tardiamente (WARDLAW; SMITH, 2013). O retardo do envelhecimento pode ser alcançado, principalmente, pela adoção de práticas saudáveis e participação ativa no cuidado da própria saúde. Um dos mitos do envelhecimento é ser tarde demais para a adoção desses costumes, nos últimos anos de vida. Pelo contrário, o envolvimento em atividades físicas 10 adequadas, alimentação saudável, a abstinência do fumo e do álcool, além de fazer uso de medicamentos sabiamente podem prevenir doenças e o declínio funcional, aumentando a longevidade e a qualidade de vida do indivíduo (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2005). 2.5 Dez passos para uma alimentação saudável para o adulto e o idoso O estabelecimento de orientações e recomendações alimentares, para a população em geral, tem por base o reconhecimento de que um nível ótimo de saúde depende da nutrição. A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), aprovada no ano de 1999, constitui-se em um conjunto de políticas públicas e propõe respeitar, proteger, promover e prover os direitos humanos à saúde e à alimentação. Para isso, foram criadas várias medidas que procuram viabilizar as escolhas alimentares saudáveis dos indivíduos. Assim, as medidas efetuadas serão descritas a seguir: Medidas de incentivo: difundem informação e possibilitam práticas educativas que motivam os indivíduos para a adoção de práticas saudáveis. São as ações educativas nas unidades básicas de saúde, escolas e ambiente de trabalho, campanhas publicitárias e eventos de mobilização. Medidas de apoio: tornam mais possível a adesão a práticas saudáveis por indivíduos e coletividades informados e motivados, como a rotulagem nutricional, programas de alimentação institucional, cantinas saudáveis nas escolas e ambiente de trabalho, bem como espaços que favoreçam a amamentação no ambiente de trabalho. Medidas de proteção: são ações de caráter regulatório que impedem as coletividades e os indivíduos de ficarem expostos a fatores e situações que estimulem práticas não saudáveis, como a regulamentação da venda e propaganda 11 de alimentos nas cantinas escolares, de publicidade dirigida ao público infantil e da rotulagem de produtos dirigidos a lactentes (BRASIL,2013). A Promoção da Alimentação Adequada e Saudável (PAAS) é uma das diretrizes da PNAN, que pressupõe a socialização do conhecimento sobre alimentação e problemas nutricionais, como a desnutrição — incluindo carências de micronutrientes até a obesidade e demais DCNTs que crescem no país (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2014). Neste cenário, as medidas preventivas ocupam lugar de destaque, não só em função de que a prevenção precoce das doenças se associa à melhor qualidade de vida, mas também, porque as medidas terapêuticas para a obesidade têm sido de pouca valia. Visando à importância da prevenção e da socialização do conhecimento sobre alimentação e nutrição, foram criados os guias alimentares que fornecem informações sobre o assunto, utilizando uma linguagem de fácil compreensão e que consideram os aspectos culturais, sociais, econômicos e ambientais da escolha de alimentos. Os guias, também, possuem como enfoque prioritário, o resgate de hábitos e práticas alimentares regionais que valorizem a produção e o consumo de alimentos locais, de baixo custo e elevado valor nutritivo desde os primeiros anos de vida, passando pela idade adulta até a terceira idade (BRASIL, 2014). O guia alimentar para a população brasileira foi publicado em 2006, apresentando as primeiras diretrizes alimentares oficiais para o país. Foi revisado em 2014 para se adequar às transformações sociais e de saúde vivenciadas pela população. Nele, são explicitados os dez passos para uma alimentação adequada e saudável que se caracterizam como um resumo das diretrizes nacionais de alimentação e nutrição voltadas aos cidadãos e profissionais de saúde, de forma a orientar a prática da promoção da alimentação apropriada e saudável. Apesar dos dez passos terem como foco a promoção da saúde e a prevenção de doenças, as suas recomendações, também, podem ser úteis para pessoas que possuem doenças, desde que adaptadas por profissionais de saúde (BRASIL, 2014). Para a elaboração dessas diretrizes, foram consideradas, como premissas básicas, a existência de evidências científicas e a promoção do direito humano à 12 alimentação. Adicionalmente, tiveram como pauta o conceito de saúde, para além da ausência de doenças e o de alimentação adequada e saudável, para além do consumo de nutrientes, conforme preconizado pelo marco de referência de educação alimentar e nutricional para as políticas públicas (BRASIL, 2014). Assim, os dez passos estão disponibilizados no formato de folders, para que os profissionais possam trabalhar melhor as orientações preconizadas pelo guia alimentar, nas ações propostas. Agora, você poderá conferir o que orientam as diretrizes preconizadas nos dez passos: Passo 1: fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação Em grande variedade e predominantemente de origem vegetal, alimentos in natura são a base ideal para uma alimentação nutricionalmente balanceada, saborosa, culturalmente apropriada e promotora de um sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável (ANNA, 2019). Passo 2: utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar, em pequenas quantidades, ao temperar, cozinhar alimentos e criar preparações culinárias Utilizados com moderação em preparações culinárias à base em alimentos in natura ou minimamente processados, óleos, gorduras, sal e açúcar contribuem para diversificar e tornar mais saborosa a alimentação, sem torná-la nutricionalmente desbalanceada (ANNA, 2019). Passo 3: limitar o consumo de alimentos processados Os ingredientes e métodos usados na fabricação de alimentos processados, como conservas de legumes, compota de frutas, pães e queijos 13 alteram, de modo desfavorável, a composição nutricional dos alimentos dos quais derivam. Em pequenas quantidades, podem ser consumidos como ingredientes de preparações culinárias ou parte de refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados (ANNA, 2019). Passo 4: evitar o consumo de alimentos ultraprocessados Devido a seus ingredientes, os alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, refrigerantes e macarrão instantâneo são nutricionalmente desbalanceados. Por conta de sua formulação e apresentação, tendem a ser consumidos em excesso e a substituir alimentos in natura ou minimamente processados. Suas formas de produção, distribuição, comercialização e consumo afetam de modo negativo a cultura, a vida social e o meio ambiente (ANNA, 2019). Passo 5: comer com regularidade e atenção em ambientes apropriados e, sempre que possível, com companhia As refeições devem ser realizadas em horários semelhantes todos os dias e deve-se evitar beliscar nos intervalos entre as refeições. O alimento necessita ser comido devagar, em locais limpos, confortáveis e tranquilos, em que não haja estímulos para o consumo de quantidades ilimitadas de alimento. Sempre que possível, comer na companhia de familiares, amigos ou colegas de trabalho ou escola. A companhia nas refeições favorece o comer com regularidade e atenção, combina com ambientes apropriados e amplia o desfrute da alimentação (ANNA, 2019). Passo 6: fazer compras em locais que ofertem variedades de alimentos in natura ou minimamente processados 14 Deve-se procurar fazer compras de alimentos em mercados, feiras livres, de produtores e em outros locais que comercializem variedades de alimentos desse tipo. Prefira legumes, verduras e frutas da estação, além de cultivados localmente. Sempre que possível, os alimentos devem ser orgânicos e de base agroecológica, diretamente dos produtores (ANNA, 2019). Passo 7: desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias As habilidades culinárias precisam ser adquiridas, desenvolvidas e partilhadas, principalmente, com crianças e jovens, sem distinção de gênero (ANNA, 2019). Passo 8: planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece As compras de alimentos devem ser planejadas e a despensa doméstica organizada para auxiliar a definir, com antecedência, o cardápio da semana. Deve- se dividir com os membros da família a responsabilidade por todas as atividades domésticas relacionadas ao preparo de refeições. Fazer da preparação das refeições e do ato de comer momentos privilegiados de convivência e prazer (ANNA, 2019). Passo 9: dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas na hora No dia a dia, é necessário procurar locais que servem refeições feitas na hora e a preço justo. Restaurantes de comida a quilo podem ser boas opções, assim como, refeitórios que possuem comida caseira em escola ou local de trabalho. As redes de fast-food devem ser evitadas (ANNA, 2019). 15 Passo 10: ser crítico quanto a informações, orientações e mensagens sobre alimentação veiculadas em propagandas comerciais A função essencial da publicidade é aumentar a venda de produtos. Logo, ela deve ser avaliada de forma crítica, particularmente, as destinadas para crianças e jovens (ANNA, 2019). 2.6 Dez passos para uma alimentação saudável para pessoas idosas Com o processo do envelhecimento, o corpo começa a apresentar naturalmente algumas mudanças que, muitas vezes, as pessoas demoram a perceber, mas que podem interferir na sua alimentação. Alterações naturais nos mecanismos de defesa do organismo ou dificuldades no processo de mastigação e deglutição tornam a pessoa idosa mais suscetível a complicações decorrentes do consumo de alimentos, o que reforça a necessidade de cuidados diários para preparar refeições seguras. A alimentação da pessoa idosa segue, de maneira geral, o mesmos princípios da dieta saudável recomendada a todas as pessoas adultas. No entanto, é importante redobrar os cuidados quanto à escolha, ao preparo e àcombinação de alimentos, de maneira a garantir sua adequação e boa aceitação (BRASIL, 2015). Estabelecer rotinas saudáveis de vida traz benefícios para a saúde, mesmo nas idades mais avançadas. Entre os cuidados diários com a saúde, que contribuem para um ritmo favorável de envelhecimento, está a alimentação saudável. Para isso, o Ministério da Saúde criou os dez passos para uma alimentação saudável para pessoas idosas que serão descritos a seguir: 1º passo: faça pelo menos três refeições (café da manhã, almoço e jantar) e dois lanches saudáveis por dia. Não pular as refeições. 16 2º passo: inclua diariamente seis porções do grupo dos cereais (arroz, milho, trigo, pães e massas), tubérculos como a batata, raízes como mandioca/macaxeira/aipim nas refeições. Dê preferência aos grãos integrais e aos alimentos na sua forma mais natural. 3º passo: coma diariamente pelo menos três porções de legumes e verduras, como parte das refeições e três porções ou mais de frutas nas sobremesas e lanches. 4º passo: coma feijão com arroz todos os dias ou, pelo menos, cinco vezes por semana. Este prato brasileiro é uma combinação completa de proteínas e bom para a saúde. 5º passo: consuma diariamente três porções de leite e derivados e uma porção de carnes, aves, peixes ou ovos. Retirar a gordura aparente das carnes e a pele das aves antes da preparação, para torna esses alimentos mais saudáveis. 6º passo: consuma, no máximo, uma porção por dia, de óleos vegetais, azeite, manteiga ou margarina. 7º passo: evite refrigerantes e sucos industrializados, bolos, biscoitos doces e recheados, sobremesas doces e outras guloseimas, como regra da alimentação. Coma-os, no máximo, duas vezes por semana. 8º passo: diminua a quantidade de sal na comida e retire o saleiro da mesa. 9º passo: beba, pelo menos, dois litros (de seis a oito copos) de água por dia. Dê preferência ao consumo de água nos intervalos das refeições. 10º passo: torne sua vida mais saudável. Pratique pelo menos 30 minutos de atividade física todos os dias e evite as bebidas alcoólicas e o fumo (BRASIL, 2009). 2.7 Orientações nutricionais para o adulto e o idoso 17 A alimentação é um dos principais fatores envolvidos no desenvolvimento de vários problemas de saúde durante a fase adulta e no envelhecimento. Sabe-se que a dieta e seus nutrientes estão relacionados a muitos desses problemas, como aterosclerose, câncer, constipação, diabetes, doença diverticular, azia, hipertensão, obesidade e osteoporose. Contudo, outros problemas de saúde, como artrite, doença de Alzheimer e depressão não estão diretamente ligados à dieta, mas a nutrição está implicada na sua prevenção e/ou tratamento. Transmitir informação sobre alimentação e saúde nem sempre é fácil. A informação em saúde necessita de ser clara, compreensível, recordável, credível, consistente ao longo do tempo, baseada na evidência e personalizada. Esta personalização significa que a informação deve ser construída na medida das necessidades de informação do indivíduo e adaptada ao seu nível cultural e estilo cognitivo (BETTERLEY; DOBSON, 2000). Para facilitar a prática da orientação nutricional, foram desenvolvidas várias diretrizes dietéticas, já vistas como o guia alimentar, a pirâmide alimentar ou os dez passos. Geralmente, estas diretrizes são desenvolvidas como orientações para o público em geral quanto às escolhas alimentares e comportamentos de consumo ideais, escritas em linguagem de fácil entendimento, embora, frequentemente, sejam acompanhadas de uma explicação técnica (MANN; TRUSWELL, 2011). Um dos aspectos fundamentais a ser considerado na utilização das diretrizes dietéticas, para realizar a orientação nutricional da população, é a comunicação devido à sua influência decisiva nos resultados dessa ação, que deve ser realizada pelo nutricionista. Então, para o sucesso da orientação nutricional, a comunicação deve ultrapassar os limites da transmissão de informações e a forma verbal. Recomenda-se que a comunicação seja pautada nos seguintes aspectos: escuta ativa e próxima; reconhecimento das diferentes formas de saberes e práticas; construção partilhada de saberes, práticas e soluções; valorização do conhecimento, da cultura e do patrimônio alimentar; atendimento das necessidades dos indivíduos e grupos; 18 busca da formação de vínculo entre os diferentes sujeitos que integram o processo; busca de soluções contextualizadas; relações horizontais; monitoramento permanente dos resultados; formação de rede entre profissionais e setores envolvidos, visando à troca de experiências e ao diálogo (BRASIL, 2016). Vitolo (2008) afirma que o nutricionista deve atuar, sempre, como educador nutricional e, para isso, ele deve conhecer alguns conceitos de educação nutricional que está relacionada à formação de valores, à presença de prazer, à responsabilidade e à atitude crítica, sendo processual e de longo prazo. Assim, são pontuadas algumas características da educação nutricional: ênfase no processo de modificar e melhorar o hábito alimentar a médio e longo prazo; preocupação com as representações sobre o comer e a comida, com o conhecimento, as atitudes e a valorização da alimentação para a saúde, além da mudança de práticas alimentares; a doença e a consequente necessidade de mudança de hábitos podem ser consideradas oportunidades de crescimento e desenvolvimento pessoal; buscar a autonomia do paciente; o profissional responsável é um parceiro da resolução dos problemas alimentares, com o qual o cliente discute, sem constrangimentos, os seus problemas e dificuldades; as mudanças necessárias no controle de doenças, entre elas as relativas à alimentação, devem ser buscadas em uma perspectiva de integração e de harmonização nos diversos níveis: físico, emocional e intelectual; a descontinuidade no processo de mudança nos hábitos alimentares e as transgressões são consideradas etapas previsíveis e pertinentes em processo difícil e lento; 19 ênfase nos aspectos do relacionamento entre o profissional e o paciente, bem como no diálogo; avaliação objetiva e subjetiva da evolução do paciente; o objetivo do processo é estabelecido em função das necessidades detectadas, que são discutidas com o paciente, das perspectivas e esperanças do indivíduo (VITOLO, 2008). Sabe-se que o progresso para alcançar as diretrizes nutricionais por meio das orientações é lento e, em alguns casos, as tendências no consumo parecem estar se movendo contrariamente à direção desejada. Autores sugerem que as orientações são ambiciosas, já que estabelecem metas que podem ser atingidas, apenas, por uma pequena parcela da população. Portanto, as orientações, quando feitas de modo mais próximo dos padrões de consumo do indivíduo, podem ser mais realistas e possíveis. Uma das dificuldades na orientação nutricional, principalmente, para o público masculino, é a falta de consciência da importância da saúde ou da gravidade das doenças. A maioria dos homens entende que está em risco de doença cardiovascular, uma vez que tem maior tendência à distribuição de gordura pelo abdômen. Apesar desse fato, muitos adotam a atitude de que “não vai acontecer comigo”. Consequentemente, a motivação para mudar hábitos alimentares pode não ser muito grande. Neste caso, os hábitos alimentares estão sustentados por normas sociais, pois em alguns subgrupos culturais, é esperado que os homens consumam uma dieta com muita carne, já que o consumo de salada, frutas e legumes poderia representar ser mais feminino (BRASIL, 2008). Entre alguns homens, há, também, uma relutância em se preocupar com a saúde, visto que eles não recorrem tanto a serviços de saúde, quanto as mulheres e, devido a isso, a exposiçãoà informação sobre a alimentação saudável é, geralmente, menor. Enquanto que as mulheres, além de procurarem mais o serviço de saúde, também, obtêm maiores informações por meio da mídia, de leitura de textos e revistas que estão associados à culinária e perda de peso. A preocupação com o peso corporal é muito menor entre os homens, embora as tendências atuais mostrem que as mulheres brasileiras apresentam maiores taxas de sobrepeso. A 20 atividade física, que é benéfica na promoção saúde, tem sido, por muitos anos, socialmente mais aceitável para homens do que para mulheres. Existe um aumento das mulheres nos esportes, mas problemas de tempo e acesso, ainda, as impedem de serem mais ativas. Pode haver uma relutância, também, em expor um corpo considerado “menos perfeito”, em uma academia (BARASI, 2003). Estudos mostram que, quando mudanças são feitas, os resultados são melhores na faixa etária mais jovem do que em pessoas mais velhas. Além disso, pessoas que possuem classe social mais alta são mais propensas a fazer mudanças. Portanto, há uma necessidade de direcionar adultos e idosos para aumentar sua consciência sobre a importância da mudança de dieta, bem como exercício e outros fatores de estilo de vida, como diminuir o consumo de alcool e parar de fumar. São necessárias, ainda, melhorias na educação para diminuir o abismo entre o conhecimento e ação no preocesso de prevenção do aconselhamento nutricional. Alguns pacientes respondem bem a vídeos, outros a histórias, fotografias e artigos de jornal ou revistas e, por fim, há os que preferem apenas uma fala direta e clara. Vitolo (2008) adaptou algumas maneiras de ajudar o paciente a alcançar seus objetivos (“mudando mentes”) por intermédio de princípios que devem nortear o aprendizado e os níveis que envolve a mudança de comportamento. Estes princípios estão descritos a seguir: deve haver declaração racional e clara da mudança mental proposta (racionalidade); usar recursos de pesquisas recentes que explicam os conceitos (pesquisa); reforçar os benefícios das metas alcançadas (ressonância); explicar um ponto de vista de várias maneiras (redescrições representacionais); explicitar os esforços e os recursos necessários para o alcance do objetivo (recursos); 21 identificar as respostas emocionais (medos) em face da nova situação (eventos do mundo real); identificar as barreiras ou obstáculos às mudanças (resistência). A orientação nutricional, no âmbito do consultório ou ambulatorial, deve estar no contexto da prescrição nutricional e, não, na esfera das recomendações alimentares gerais que acabam tendo a conotação de dicas alimentares muito amplas. O atendimento nutricional deve ser individualizado, e, portanto, as orientações nutricionais, também, devem seguir esse critério de individualização (ANNA, 2019). Desta forma, é importante que o nutricionista faça uma abordagem de dieta integral, ou seja, foque nas orientações nos alimentos em vez de focar nos nutrientes. Muitas pessoas, erroneamente, acreditam que, se elas mudarem apenas um aspecto ou nutriente de sua dieta, já estarão comendo mais saudavelmente, por exemplo, reduzir o consumo de gordura saturada no consumo de leite semidesnatado. Estas mudanças são desejáveis, mas elas não são o suficiente para uma dieta mais saudável. Tais alterações podem resultar em uma menor ingestão de energia, a partir de gordura láctea que é, então, substituída por gorduras contidas em biscoitos ou alimentos ultraprocessados (ANNA, 2019). Ainda, é muito importante que as orientações sejam realizadas, de acordo com a condição específica de cada paciente, levando em consideração os seus fatores culturais, sócioeconômicos, religiosos, de acesso aos alimentos, entre outros. Vitolo (2008) sugere que algumas ideias são equivocadas e, portanto, não devem ser transmitidas aos pacientes. Já, algumas propostas são mais compreensíveis e podem ajudar a aumentar a adesão do paciente, se ele estiver disposto a mudar seu comportamento (ANNA, 2019). Agora, verifique no Quadro 1 alguns exemplos de orientações dietéticas recomendadas e não recomendadas na abordagem nutricional ambulatorial: 22 Quadro 1. Exemplos e orientações dietéticas recomendadas e não recomendadas na aplicação de orientações nutricionais Exemplos de orientações dietéticas que devem ser evitadas Exemplos de orientações dietéticas práticas e objetivas Procurar tomar líquidos ou tomar 2L de água. Tomar, no mínimo, 2 copos de água por dia (é mais praticável para quem não tem o hábito de tomar água). Preferir comer carnes brancas no lugar das carnes vermelhas (não dá referência de frequência adequada) Comer carne de frango de 2 a 3 vezes por semana, peixe de 2 a 3 vezes por semana e carne bovina ou suína de 2 a 3 vezes por semana. Evitar frituras (subentende-se que as pessoas sabem o que são frituras). Alimentos que são imersos e fritos em óleo devem ser consumidos até 3 vezes por semana, pois absorvem muito óleo. Aumentar o consumo de verduras e legumes (muito generalista, sem oferecer noção de quantidade). Consumir 1 pires de chá de legumes cozidos ou 1 pratinho de sobremesa de folhas verdes cruas por dia. Procurar comer frutas (gera a pergunta: quantas?). Consumir 1 fruta por dia. Evitar embutidos como mortadela, linguiça, salsicha, presunto e outros (quanto é possível comer sem prejuízo?). Embutidos como mortadela, linguiça, salsicha, presunto, salame são ricos em gordura e sódio. Consumir, no máximo, 3 vezes por semana. Diminuir o consumo de gorduras saturadas (onde tem?). Comer porções diárias de até 200g de carnes. Aumentar o consumo de fibras (em que quantidade?). Adicionar 2 colheres de sopa de farelo de trigo ou de aveia no feijão ou nos molhos. Evitar a gordura aparente das carnes e a pele do frango (orientação superficial). Tirar a gordura e a pele do frango para diminuir a quantidade de gordura desses alimentos. Reduza a ingestão de sal, evitando os alimentos enlatados e embutidos (não informa quanto os alimentos fornecem) Veja a seguir a quantidade de sódio de alguns alimentos: 2 fatias finas de presunto – 521mg 1 salsicha – 570mg 1 cubo de caldo de carne – 2000mg 1 g de sal – 400mg de sódio (A recomendação diária de sódio é de 3 a 4 g). Fonte: Adaptado de Vitolo (2008). 23 3 ORGANIZAÇÃO DE PLANOS ALIMENTARES: IDOSO 3.1 Características de planos alimentares para idosos Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 9% da população brasileira é constituída por idosos. O Brasil será considerado a 6ª maior população de idosos do mundo (cerca de 31,8 milhões de pessoas), de acordo com projeções realizadas para 2025. Devido a esse envelhecimento populacional, é exigida uma preparação para as consequências sociais e econômicas proporcionadas por ele. No entanto, países em desenvolvimento não se mostram preparados para esse crescimento. Muitas vezes, o idoso é tratado como se estivesse na faixa etária adulta, não considerando que ele se encontra em uma fase diferenciada (VITOLO, 2008). Entender as repercussões e consequências do crescimento da população idosa brasileira é um grande desafio para saúde pública, visto que houve uma transição nutricional ao longo das últimas décadas, ocorrendo a substituição de processos agudos ou de óbito por aumento do número de indivíduos acometidos por doenças crônicas não transmissíveis e suas complicações, que possuem relação direta com o consumo alimentar. Há, também, que se considerar que os idosos são muito susceptíveis à desnutrição em razão das alterações fisiológicas e anatômicas do próprio processo de envelhecimento que reduzem a sua capacidade funcional. 3.2 Características e alterações físicas dos idosos que comprometem o estado nutricional Asalterações da composição corporal, durante o processo de envelhecimento, incluem perda de massa magra, de massa óssea, de água corporal 24 e aumento proporcional da massa de gordura. A massa de gordura, também, é redistribuída, basicamente dos tecidos subcutâneos à gordura abdominal. A redução da massa magra é causada, principalmente, pelas perdas de tamanho e força dos músculos esqueléticos. Em média, o declínio acentuado da massa magra começa entre os 60 e 70 anos e chega a quase 40%, em comparação com os adultos jovens (MANN; TRUSWELL, 2011). A estabilidade do peso corporal, durante este processo, pode ser explicada pelo aumento simultâneo da gordura corporal e diminuição da massa magra, igualmente conhecida como sarcopenia. As causas da sarcopenia são multifatoriais e envolvem: redução da atividade física; redução da secreção do hormônio do crescimento; diminuição dos hormônios sexuais e taxa metabólica de repouso diminuída (AHMED; HABOUBI, 2010). Além disso, por causa da redução do consumo máximo de oxigênio e da atrofia das fibras musculares, os idosos precisam de um maior esforço físico para fazer a mesma tarefa. Por essa razão, os idosos diminuem ainda mais as suas atividades físicas e têm consumo energético menor. A Figura 1 demonstra um exemplo de sarcopenia: 25 A perda involuntária de peso ocorre, principalmente, devido à má ingestão alimentar que pode ser causada por doença e fatores psicológicos. A caquexia é uma perda involuntária de massa isenta de gordura (músculo, órgão, tecido, pele e osso), sendo causada pelo aumento do catabolismo (AHMED; HABOUBI, 2010). Outra condição relacionada ao envelhecimento é a perda de massa óssea, conhecida como osteopenia, que pode progredir para a osteoporose. Ambas as condições são multifatoriais, mas a genética, a nutrição e o estilo de vida demonstraram estar associados a esses distúrbios (COLÓN et al., 2018). A massa e a densidade ósseas podem começar a diminuir entre os 35 e 40 anos. Nas mulheres, a perda óssea é acelerada durante a menopausa. Elas podem perder metade da massa dos seus ossos corticais. Já, nos homens, esta perda é menor e representa de 50 a 70% da redução observada nas mulheres. A diminuição da densidade óssea está associada ao risco de fraturas que podem ser causadas por vários aspectos, entre eles as carências de nutrientes, como o cálcio e a vitamina D (MANN; TRUSWELL, 2011; VITOLO, 2008). 26 As alterações no sistema renal incluem desgaste do córtex renal, esclerose das artérias glomerulares e espessamento da membrana basal glomerular que podem levar à diminuição da capacidade de concentrar a urina, menores níveis de renina e aldosterona, bem como a baixa hidroxilação da vitamina D (COLÓN et al., 2018). A desidratação é outro problema que pode ocorrer nos idosos. Por causa da menor massa magra e da redução do liquido intersticial, os idosos têm menos água no corpo (<50% versus 70% da massa corporal total dos adultos mais jovens). A redução progressiva da função renal, a perda dos sensores da sede, o medo da incontinência e a acentuação da dor artrítica, causada pelas idas frequentes ao banheiro, podem interferir na ingestão adequada e líquidos (MANN; TRUSWELL, 2011). As alterações na função cardiovascular fazem com que ocorra um depósito maior de matriz de colágeno na túnica média, além da perda de fibras de elastina e hipertrofia cardíaca com espessamento do septo. Também, há diminuição dos cardiomiócitos e aumento da matriz extracelular. Estas alterações causam rigidez vascular, disfunção endotelial e aumento do risco de arritmias (COLÓN et al., 2018). As intervenções dietéticas voltadas para o controle da hipertensão arterial (redução do peso, se houver sobrepeso, restrição do sal e limitação do consumo de álcool) são, particularmente, importantes para os idosos que são mais suscetíveis às reações adversas graves aos fármacos e podem responder, de forma mais favorável, à restrição de sal (MANN; TRUSWELL, 2011). Em relação ao metabolismo glicídico, ocorre o aumento da gordura visceral e infiltração de tecido adiposo, além da redução da massa de células beta pancreáticas. Estes fatores podem levar ao aumento da produção de adipocinas, fatores inflamatórios e maior resistência à insulina e, consequentemente, o diabetes melito tipo II. Esta enfermidade deve ser controlada por meio de redução do peso, dieta controlada, atividade física e uso de agentes hipoglicemiantes (COLÓN et al., 2018; MANN; TRUSWELL, 2011). Em geral, supõe-se que as alterações do estilo de vida, que promovem a saúde, não sejam, igualmente, eficientes para acabar com o prazer de alimentar- - 27 se. Evidentemente, as dietas muito restritivas podem comprometer a ingestão dietética adequada. Entretanto, a educação nutricional e as alterações do estilo de vida podem trazer vários benefícios à população idosa. 3.3 Principais dificuldades para a confecção de planos alimentares para idosos Nas últimas décadas, a importância do estado nutricional em idosos tem sido reconhecida em várias condições mórbidas, como desnutrição, câncer, doenças cardiovasculares, demência e outras doenças crônicas não transmissíveis, portanto, a nutrição é um importante determinante da saúde em idosos. Normalmente, o padrão dietético do idoso continua semelhante àquele estabelecido pelos hábitos da juventude e, para a elaboração de planos alimentares nessa faixa etária, há que se considerar os seus hábitos alimentares que, provavelmente, se encontram muito enraizados, proporcionando dificuldade de memorização das novas informações. No entanto, se todos estes fatores forem bem investigados, o plano alimentar poderá ser mais bem definido e os resultados mais efetivos. À medida que as pessoas envelhecem, ocorrem várias mudanças no organismo que podem ou não afetar o estado nutricional de um indivíduo e, especialmente, para os idosos, estas mudanças são causadas pelo próprio processo de envelhecimento ou, ainda, estarem relacionadas a condições médicas ou ao estilo de vida. Algumas das condições que dificultam a ingestão alimentar do idoso e, assim, a confecção de planos alimentares para essa faixa etária serão descritas a seguir. 3.4 Perda de apetite Na maioria das vezes, a diminuição de energia é uma resposta ao declínio no gasto de energia que acontece em virtude da idade. No entanto, em muitos 28 idosos, a diminuição na ingestão de energia é maior do que a diminuição no gasto de energia e, portanto, o peso corporal é perdido. Esta redução fisiológica relacionada ao apetite e ao consumo de energia tem sido denominada anorexia do envelhecimento (AHMED; HABOUBI, 2010). A perda de apetite no idoso é frequentemente associada à redução do paladar e do olfato, que ocorre em até 50% dos idosos. Os efeitos do envelhecimento sobre as percepções de olfato e paladar podem alterar ou diminuir a ingestão de alimentos, pois ocorre uma perda progressiva no número de papilas gustativas e um aumento das papilas gustativas específicas para sabores amargos ou azedos (AMARYA; SINGH; SABHARWAL, 2015). Além das pessoas idosas apresentarem menor apetite, também sentem rapidamente uma sensação de saciedade, consumindo pequenas refeições, comendo mais devagar e, por isso, realizando menos lanches entre as refeições. A ingestão diária média de alimentos diminui em até 30% dos 20 aos 80 anos. Outras causas que levam à perda do apetite são a presença de doenças, dor, náuseas, depressão, ansiedade, isolamento social, luto ou outro evento significativo na vida, além de aversão alimentar, resistência à mudança, falta de entendimento ligado à dieta e saúde, crenças sobre restrições alimentares e alcoolismo (MCLEOD, 2011). 3.5 Inabilidade para preparar/ingerir alimentos A inabilidade para ingerir alimentospelo idoso pode ser causada por confusão, diminuição da consciência, demência, fraqueza ou artrite nos braços ou mãos, disfagia, vômitos, condições dolorosas da boca, má higiene bucal ou problemas de dentição, restrições impostas por cirurgia, falta de ajuda durante a alimentação em hospitais ou instituições de longa permanência para idosos (MCLEOD, 2011). 29 3.6 Disfagia https://rsaude.com.br O reflexo de deglutição é primordial para alimentação adequada. Para que aconteçam todos os fenômenos mecânicos que compõem o ato de deglutir, a mandíbula precisa estar estabilizada em uma posição específica. Nos idosos, além de ocorrerem alterações na função da laringe e do osso hioide, que participam da deglutição, a estabilidade da mandíbula é regularmente comprometida por problemas na deglutição e na capacidade cognitiva. A necessidade de se avaliar a dentição e a presença de disfagia em idosos, mesmo quando não se queixam, é muito importante para a manutenção da nutrição oral (MAGNONI; CUKIER, 2005). Próteses mal ajustadas podem, inconscientemente, mudar padrões alimentares devido à dificuldade de mastigar, levando à ingestão de uma dieta macia, pobre em fibras (presentes em frutas e legumes) e à redução do consumo de carnes. Existem, também, algumas alterações gastrointestinais documentadas em idosos que podem afetar sua ingestão alimentar, por exemplo, mudanças na atividade peristáltica do esôfago, o que pode resultar em um atraso no esvaziamento esofágico e causar 30 sensação de plenitude com o consumo de pequenas porções (AMARYA; SINGH; SABHARWAL, 2015). A saliva tem papel relevante no processo digestivo, na prevenção de cáries e de doenças periodontais, como também, na lubrificação das mucosas. Nas pessoas idosas, os estudos que sugerem diminuição da função salivar têm relacionado esse fato à presença de enfermidades e ao uso de medicamentos. Desta forma, a xerostomia ou a baixa produção de saliva pode afetar diretamente a ingestão de alimentos. 3.7 Isolamento social e más condições socioeconômicas Fatores que podem influenciar negativamente a saúde e a nutrição dos idosos são a falta de apoio familiar em momentos de necessidade, sentimento de não ser desejado, falta de sistema de valores entre os membros da família, condições Organização de planos alimentares: idoso 7 estressantes que levam a tensões e à solidão desencadeiam desinteresse em viver e comer, resultando em desnutrição (MCLEOD, 2011). Por não terem alguém que os ajude em suas atividades rotineiras, sirva de companhia e lhes dedique cuidados, acabam sofrendo com o isolamento, tendo decréscimo na qualidade de vida e agravamento da morbidade, constituindo, até mesmo, um indicador de risco de mortalidade. Assim, os idosos que residem sozinhos estariam mais vulneráveis a apresentar distúrbios nutricionais, sejam por deficit ou de excessos na alimentação (PEREIRA; SPYRIDES; ANDRADE, 2016). Ainda, as condições socioeconômicas desempenham um papel fundamental em relação à qualidade de vida nessa etapa. A diminuição da renda, da escolaridade, das condições de moradia e menor acesso aos bens e serviços interferem na disponibilidade e/ou acesso aos alimentos, afetando as escolhas dietéticas e o padrão alimentar do idoso, que pode levá-lo a manter uma dieta de baixa qualidade. Além disso, os idosos podem apresentar problemas para realizar 31 suas compras devido à diminuição da mobilidade (PEREIRA; SPYRIDES; ANDRADE, 2016). 3.8 Uso de medicamentos Um aspecto do envelhecimento, que afeta a ingestão de alimentos e a absorção de nutrientes, é o uso de medicamentos pelos idosos que são considerados os mais medicados da sociedade e, também, os mais expostos à prática de polifarmácia que se opõe às características fisiológicas dos idosos, gerando redução do metabolismo hepático, dos mecanismos homeostáticos e diminuição da capacidade de filtração de metabólitos, ocasionando o acúmulo de drogas no organismo (NEVES, 2011). Assim, é de fundamental importância realizar um inquérito preciso a respeito de quais medicações a pessoa está fazendo uso, tanto as prescritas quanto daquelas indicadas por parentes, amigos e meios de comunicação. Além disso, se deve questionar sobre o uso de chás, fitoterápicos e outras substâncias ditas naturais que são muito utilizadas pelos idosos. Os medicamentos podem alterar o estado nutricional de várias maneiras, causando anorexia, gosto diminuído ou alterado, boca seca, confusão, distúrbios gastrintestinais, incluindo náuseas, vômitos, diarreia, constipação, dispepsia (MCLEOD, 2011). Os medicamentos podem alterar o estado nutricional dos idosos, assim como uma condição nutricional inadequada também pode alterar a ação dos medicamentos, diminuindo sua eficácia terapêutica (NEVES, 2011). O Quadro 1 mostra um resumo dos fatores que podem contribuir para o consumo alimentar menor e o estado nutricional inadequado em idosos: 32 Quadro 1. Fatores que podem contribuir para o estado nutricional inadequado em idosos Fatores ambientais Habitação inadequada; Falta de meios e condições para confeccionar refeições; Dificuldade de aquisição/preparação dos alimentos; Falta de apoio dos serviços comunitários; Fatores fisiológicos Saúde oral; Acuidade sensorial; Inatividade/imobilidade; Perda de massa muscular; Aumento de massa gorda; Diminuição da densidade óssea; Diminuição da função imunitária; Diminuição do pH gástrico Fatores neuropsicológicos Doenças neurológicas (Parkinson, Alzheimer, demência); Diminuição das capacidades cognitivas; Depressão; Alterações do estado emocional. Fatores socioeconômicos e culturais Baixo nível de educação; Marginalização; Baixos rendimentos; Pobreza; Acesso limitado a cuidados médicos; Falta de conhecimentos alimentares/nutricionais; Crenças e mitos; Institucionalização; Elevados gastos de saúde. Fonte: Adaptado de Amarya, Singh e Sabharwal (2015) 3.9 Elaboração de um plano alimentar para o idoso Antes da elaboração do plano alimentar para o idoso, o nutricionista necessita fazer uma anamnese detalhada. Esta anamnese pode ser dividida em queixa, história pregressa, hábitos alimentares, consumo alimentar e questões 33 especiais. Vitolo (2008) sugere que a anamnese seja aplicada como descrito a seguir. https://jornalsemanario.com.br Na parte de queixa, a primeira indagação que se faz ao paciente é relativa à principal reclamação e será por meio dela que o nutricionista iniciará o seu trabalho. Essa queixa pode ser referente à perda ou ganho de peso recente, a alterações nos exames laboratoriais, à inapetência, à disfagia ou a outros. A história pregressa diz respeito a história familiar de doenças e os antecedentes do próprio paciente. Os dados podem ser obtidos do próprio paciente ou de seu cuidador, em caso de dificuldade com a memória, podendo, ainda, ser verificada no prontuário do paciente, se ele estiver institucionalizado ou hospitalizado. Para a avaliação dos hábitos alimentares do idoso é mais produtivo questioná-lo quanto ao que ele habitualmente consome, sendo utilizado o questionário de história alimentar que é mais preciso do que o recordatório 24h, especialmente, entre aqueles que apresentam deficit cognitivo. Pode-se, também, utilizar o questionário de frequência alimentar para investigar os grupos alimentares 34 consumidos. A investigação do consumo de líquidos pelos idosos é importante, visto que esse grupo apresenta maior risco de desidratação. Com isso, é preciso definir o número de copos, se o consumo ocorre antes, durante ou depois das refeições e o tempo entre a ingestão e alimentação. Investigar a dieta pregressa é importante, quando o idoso está ganhando ou perdendo peso ou se não quer se alimentar. Esta investigaçãoserve para verificar o que está interferindo na alimentação e que possa auxiliar na elaboração do plano alimentar. Algumas questões e observações que podem ser analisadas são: Teve perda ou ganho de peso recente? Com que frequência você urina? Você tem dificuldade para urinar? Com que frequência você evacua? Você tem dificuldade para evacuar? Teve alguma perda de peso inesperada? Como é a sua dentição? Se usa prótese dentária, elas são bem ajustadas? Apresenta boca seca? Teve alguma diminuição da percepção sensorial (paladar, olfato, visão)? Tem alguma dificuldade para engolir os alimentos? (FARREL; NICOTERI, 2005). Questões especiais incluem a investigação de hábitos sociais, principalmente, o hábito de fumar, ingerir álcool, presença de alergias e preparo dos alimentos. Algumas questões que podem ser utilizadas são: Em que local e como você faz as suas refeições? Quanto gasta por mês com alimentação? O que você tem dentro da geladeira? O que tem dentro da despensa? 35 Quem faz as suas compras e em que local? Seus alimentos são entregues em domicilio? Quais são seus alimentos favoritos? Você tem aversão a algum alimento? Ou alergia alimentar? Você usa alimentos enlatados? Quantos copos de água você ingere por dia? Como são o fogão e os outros utensílios que você utiliza para preparar os alimentos? Você fuma ou ingere bebidas alcoólicas? (FARREL; NICOTERI, 2005). Além disso, é possível pesquisar também: se houve perda recente de um parente ou ente querido, depressão; se possui condições financeiras adequadas para a compra dos alimentos; se esquece de comprar e preparar alimentos; se há isolamento social; se esquece refeições e recorre a lanches (FARREL; NICOTERI, 2005). O uso de medicamentos e suplementos de vitaminas e minerais deve ser identificado e avaliado quanto ao tempo de uso, à frequência, à regularidade, à dosagem e ao horário e consumo. A relação da ingestão de medicamentos com os horários de alimentação, também, é relevante. Alguns suplementos vitamínicos, utilizados nos intervalos das refeições, são absorvidos mais rapidamente, outros prejudicam a absorção de nutrientes e medicamentos. Além disso, é relevante investigar a possível deficiência de micronutrientes ou excesso deles presentes na alimentação e nos suplementos. O uso de vitaminas e minerais deve ser adequado às recomendações nutricionais para cada nutriente, não devendo ser ingeridas em 36 altas dosagens que ultrapassem os valores de nível de consumo máximo tolerado (UL) (VITOLO, 2008). Os nutrientes mais indicados na utilização de suplementos pelos idosos são: vitamina D; folato e vitamina B12; cálcio para mulheres (MANN; TRUSWELL, 2011). Uma dieta balanceada fornece à maioria dos idosos saudáveis, os nutrientes de que eles necessitam. Agora, para as pessoas com ingestões nutricionais muito baixas, a prioridade é identificar e tentar corrigir qualquer limitação física ou psicossocial associada aos problemas alimentares ou ao estado nutricional precário (MANN; TRUSWELL, 2011). Acompanhe outros itens importantes que devem ser apurados: Dados antropométricos: peso, estatura, dobras cutâneas e circunferências. Exame físico: procura detectar carências nutricionais, incluindo sinais de desnutrição. Alguns sinais devem ser destacados na avaliação física do idoso, como avaliação da dentição e uso de próteses, dificuldade de mastigar e triturar alimentos, presença de ferimentos na gengiva. Também, deve ser avaliada a presença de úlcera de pressão e pesquisada a desidratação. Avaliação bioquímica: podem ser utilizados a glicemia, albumina, marcadores do metabolismo do ferro, como a transferrina e ferritina, o hematócrito, a hemoglobina, a contagem total de linfócitos, o colesterol e suas frações. A vitamina D, B12 e o ácido fólico, igualmente, devem ser investigados (VITOLO, 2008). 37 4 ESTRATÉGIAS ALIMENTARES PARA FAVORECER O CONSUMO DE ALIMENTOS POR IDOSOS EM SITUAÇÕES ESPECÍFICAS 4.1 Perda de apetite https://opas.org.br O fracionamento das refeições e a diminuição do volume devem ser incentivados. Deve-se maximizar os horários que os idosos apresentam maior apetite. Por exemplo: se apresentam apetite pela manhã, se pode sugerir um café da manhã mais reforçado com ovos, feijão, queijo e pães. Oferecer refeições e lanches que sejam atraentes em tamanho e aparência — refeições grandes podem não ser aceitas, portanto, usar pratos pequenos e maximizar o apelo visual dos alimentos. A comida deve ser consumida para ser benéfica, assim, é preciso encorajar o paciente a selecionar os alimentos favoritos que podem ser consumidos a qualquer hora, por exemplo, cereal para o jantar, sopa para o café da manhã, etc. 38 As bebidas podem diminuir o apetite, logo sugerir que as bebidas sejam tomadas depois das refeições, em vez de antes ou durante as refeições. O nutricionista deve encontrar maneiras de estimular o apetite. Uma pequena caminhada antes das refeições, às vezes, é agradável e aumenta o apetite (MCLEOD, 2012; PILGRIM; ROBINSON, 2015). Com o passar dos anos, ocorrem mudanças naturais na intensidade de percepção do sabor. Desta maneira, a tendência do idoso é adicionar mais açúcar, sal e outros condimentos para temperar os alimentos até alcançar um sabor que agrada ao paladar, o que pode acabar representando um abuso na quantidade. A orientação para evitar o uso desses alimentos à mesa contribui para o controle do consumo de sal e de açúcar (BRASIL, 2009). 4.2 Dificuldades de mastigação e deglutição de alimentos Pacientes com boca seca podem ser ajudados com o oferecimento de goles regulares de água, evitando-se alimentos duros e secos, além do uso de produtos para reposição de saliva. Também, é necessário verificar se o paciente faz uso de próteses com encaixe confortável. Estimular a higiene oral, também, é recomendado para minimizar os problemas de boca seca (PILGRIM; ROBINSON, 2015). O fornecimento de alimentos macios que exijam pouca mastigação e cortes de carne cozidos em molhos são facilmente administrados aos idosos. Deve-se, ainda, considerar o seu encaminhamento para avaliação fonoaudiológica, se houver algum problema acentuado de deglutição (MCLEOD, 2011). 5 PROBLEMAS SENSORIAIS, PSICOLÓGICOS E DEFICIT COGNITIVO A alimentação começa pelo aroma e os aspectos visuais do alimento que, por si só, já induzem à salivação, o que ajuda na quantidade e na digestibilidade dos alimentos ingeridos. Se uma deficiência visual estiver presente, o nutricionista 39 deve assegurar que o paciente tenha os óculos corretos ou seja encaminhado para investigação, se necessário. Assim, o paciente com alguma deficiência visual poderá ser ajudado por meio do uso de uma louça com cor que contraste com a pigmentação da comida, além de boa iluminação no ambiente em que as refeições são feitas. O uso de tapetes antiderrapantes promove a independência que, também, deve melhorar o apetite (VITOLO, 2008). A deficiência cognitiva necessita ser identificada e gerenciada, de modo correto, visto que o idoso pode ser incapaz de memorizar as orientações alimentares. Neste caso, é importante que o cuidador ou familiar esteja presente nas consultas. Em caso de demência, eles podem esquecer da alimentação, portanto, devem ser incentivados à ingestão verbalmente (PILGRIM; ROBINSON, 2015). O idoso deve realizar sozinho as refeições, mesmo que haja demora. Se isso for impossível, pode receber ajuda. Colheres, copos e pratos precisam ser adaptados para possibilitar a independência, como o uso de talheres com cabos mais grosso que garantam uma maior firmeza. Em caso de isolamento social e depressão, o encorajamento ajudarámuito. As pessoas idosas que moram sozinhas necessitam ser estimuladas a realizar refeições com amigos ou familiares, se possível. Já, as que moram com os familiares devem, pelo menos, fazer uma das refeições principais junto à família, sentados à mesa e, nos finais de semana, o convívio social, durante o ato de se alimentar, pode ser maior (VITOLO, 2008; BRASIL, 2009). 5.1 Dificuldade em preparar os alimentos O idoso deve se utilizar de alimentos mais fáceis e práticos de preparar, como refeições prontas, itens enlatados, sobremesas feitas sem muitos processos (creme, iogurte, arroz doce), cereais matinais, aveia e granola. Para aqueles que têm o apetite diminuído, é indicado aumentar a densidade energética dos alimentos 40 com gorduras extras saudáveis, como azeite de oliva, manteiga, creme, queijo e molhos. https://guiadacozinha.com.brimentos/ Deve-se, também, recrutar o apoio da família e do cuidador para que sejam observados os seguintes detalhes na compra de alimentos: identificar produtos específicos para esse grupo populacional; conhecer melhor a composição nutricional dos produtos; reconhecer os seus ingredientes; obter informação quanto à forma de conservação; preparar o alimento adequadamente; aprender novas receitas; comparar produtos similares de marcas diferentes; fazer a melhor escolha, de acordo com orçamento disponível; a consulta aos rótulos de alimentos deve ser feita como rotina para selecionar alimentos mais saudáveis. Uma leitura atenta permite verificar se há, entre os ingredientes, sal (sódio), açúcar, gorduras, glúten, fenilalanina, bem como 41 a quantidade de calorias e nutrientes presentes em cada porção, a composição nutricional de produtos diet e light, entre outras informações (BRASIL, 2009). O idoso deve aproveitar ao máximo os bons dias para preparar lanches e refeições para comer mais tarde ou para guardar no congelador. Necessita, também, variar os alimentos que compõem o cardápio, incluindo alimentos regionais e de safra, além da forma de prepará-los (cozinhar, assar e grelhar, usar diferentes cortes para frutas, legumes, verduras e carnes). É importante não acrescentar muita água ao cozimento e evitar que os alimentos permaneçam cozinhando por muito tempo, o que poderia levar à perda de nutrientes. O nutricionista precisa incentivar preparações com cereais integrais ou o uso de produtos feitos com farinha integral (pães, bolos, etc.). Outros alimentos ricos em fibras (frutas, legumes e verduras) devem ser utilizados no cardápio (BRASIL, 2009). 5.2 Consumo de água A primeira estratégia é despertar o idoso para os benefícios que a água traz para a saúde (o intestino funciona melhor, mantém a boca mais úmida, a hidratação do corpo, entre outras vantagens). Para incentivar a ingestão de água, é essencial que o ambiente facilite o acesso da pessoa idosa aos utensílios (caneca, copo ou xícara) e ao filtro, estando tudo a uma altura adequada (BRASIL, 2009). Com isso, é fundamental incentivar o consumo da água em pequenas quantidades, várias vezes ao dia, entre as refeições. Entretanto, em casos cuja recomendação médica restrinja a ingestão de líquidos, a quantidade diária de água deverá ser calculada e sua ingestão monitorada (VITOLO, 2008; BRASIL, 2009). 42 5.3 PADRÃO DE CONSUMO ALIMENTAR PECULIAR DO IDOSO – MÁ ALIMENTAÇÃO Os hábitos alimentares nessa fase da vida estão muito condicionados às alterações biológicas e fatores psicossociais. Entre as alterações biológicas, destacam-se a inapetência, que pode ser ocasionada por patologias presentes; o uso de fármacos ou alterações de paladar e olfato que levam os idosos a considerarem a refeição pouco atrativa. Além disso, a falta de dentição, próteses mal ajustadas, dificuldade de deglutição e xerostomia, são fatores característicos que podem comprometer o estado nutricional do idoso. Entre os fatores psicossociais mais comuns nessa fase, ressaltamos a disponibilidade de alimentos, a integração social, a capacidade de deslocamento, a capacidade cognitiva e a independência financeira. Estudos confirmam (BUSNELLO, 2007; FRANK; SOARES, 2002) que as escolhas dos alimentos, assim como as técnicas de preparo, são evidentemente importantes, principalmente para indivíduos senis que apresentem alguma dificuldade de mastigação e tendem à monotonia alimentar. A integração social também desempenha um papel relevante no consumo alimentar do idoso. Em geral, a solidão predispõe à ausência de preocupação consigo, desestimulando o preparo de sua própria refeição de forma nutritiva e variada e fazendo com que ele se alimente mal. A dificuldade de mobilidade também pode gerar a incapacidade de realizar algumas atividades cotidianas como, por exemplo, comprar ou preparar seu alimento. Logo, este contexto leva o idoso a optar por alimentos prontos, de fácil mastigação e relativamente acessíveis. Em geral, verifica-se elevado consumo de pão, biscoitos, roscas, bolos, massas e doces. Alguns estudos (CAMPOS; MONTEIRO; ORNELAS, 2000; MARTINS, et al., 2010) de padrão alimentar de idosos brasileiros encontraram consumo satisfatório de arroz, feijão frutas, legumes e hortaliças. No entanto, preocupa o elevado consumo de alimentos de alto índice glicêmico, alimentos processados e ultraprocessados, além do hábito de beber refrigerante. No estudo de Deon et al. (2015), realizado com idosos brasileiros de diferentes contextos e diferentes regiões, verificou-se que o consumo de alimentos 43 pertencentes a oito dos nove grupos da pirâmide adaptada para a população idosa (cereais/pães/tubérculos/raízes; hortaliças; frutas; leguminosas; leite/ derivados; carnes/ovos; açúcares/doces; e água) não estava adequado. Campos, Monteiro e Ornelas (2000), relata que o baixo poder aquisitivo dos idosos resulta na aquisição de alimentos de custo mais acessível e contribui para a monotonia da alimentação. Ao avaliar o inquérito dietético de indivíduos idosos institucionalizados, observou-se uma inadequação no consumo de vitamina A de 55%. Em outra pesquisa, porém, observou-se um consumo de 365,5 mg de vitamina A para a população idosa avaliada, ou seja, valores muito acima do encontrado no presente estudo. O consumo de vitamina D foi bem abaixo da recomendação para a população avaliada. O consumo de alimentos ricos em vitamina D por idosos é reduzido, em função de muitos deles apresentarem deficiência em lactose ou por acreditarem que não precisam beber leite, visto que não são crianças. Em um estudo realizado nas instituições asilares de São Paulo, encontrou-se uma inadequação de 90% no consumo de vitamina D. No entanto, cabe ressaltar que os hábitos alimentares das pessoas são adquiridos na infância e adolescência. Portanto, são poucas as modificações ocorridas na idade madura, por já existirem hábitos estabelecidos. Em alguns segmentos de idosos, pode-se encontrar resistência em adquirir novos hábitos, devido à cultura alimentar e à consolidação de práticas prévias e simbolicamente valorizadas por eles. Segundo Martins et al. (2010), a alimentação dos idosos avaliados apresentava-se inadequada nos aspectos quantitativo e qualitativo, o que é preocupante visto que os erros alimentares representam um risco para o controle de suas doenças, podendo até contribuir para o agravamento das mesmas. A maioria dos idosos apresentou consumo inadequado de frutas, hortaliças, leite e derivados, e observou-se também que, quanto maior o consumo desses alimentos pelos participantes, menores os valores de pressão arterial sistólica e diastólica encontrados. Houve também associação positiva entre os níveis de triglicerídeos e o aumento do consumo de cereais. 44 Em idosos institucionalizados, encontrou-se o consumo de vitamina C insuficiente perante as recomendações nutricionais.Martins et al. (2010) também verificaram resultados que corroboram a indicação de baixo consumo de vitamina C. Observou-se uma média de 150 mg para os idosos avaliados e média de ingestão de 36 mg/dia. A média referente ao consumo de cálcio mostrou-se insuficiente para ambos os sexos em idosos institucionalizados, o que é preocupante, pois alcançou apenas 12% dos valores recomendados. Tal inadequação é agravada principalmente para as mulheres acima dos 80 anos pois, devido às alterações hormonais, elas tendem a absorver apenas 26% do mineral consumido. Quanto ao ferro, a população institucionalizada também apresentou consumo insuficiente. Este resultado é agravado pelo fato de que a maior parte do ferro presente no cardápio das instituições não provém de ferro heme, visto que a oferta de carnes é baixa. Assim, é oriundo do ferro não heme, que apresenta baixa biodisponibilidade. A situação se agrava com a baixa oferta de vitamina C. Também em relação ao consumo de zinco, os valores para a população institucionalizada estão abaixo da recomendação. Alguns idosos que apresentam dificuldade de mastigação e deglutição tendem a ir substituindo alimentos mais firmes por alimentos mais macios, como por exemplo, trocar fontes proteicas, como carnes por cereais, em geral mais macios e de fácil deglutição. Essa modificação de comportamento alimentar pode comprometer o aporte de nutrientes importantes para o indivíduo e colocar o idoso em risco nutricional. O aconselhável é manter uma dieta equilibrada com todos os grupos alimentares, no entanto, com consistência alterada para pastosa e textura macia. A ingestão hídrica é em geral insuficiente, marcada pela falta de hábito de consumir água associado à alteração fisiológica na percepção de sede. A aceitação da dieta planejada nutricionalmente permite mudanças nos hábitos alimentares, satisfação no ato de alimentar-se e alcance dos objetivos nutricionais previamente determinados. Desta forma, ressalta-se a necessidade de constante monitoramento dos padrões dietéticos e incentivo a práticas de 45 alimentação saudável, com intuito de mitigar os efeitos da alimentação desequilibrada no estado geral de saúde e na incidência de morbidades em idosos. 6 EXERCÍCIO FÍSICO E ENVELHECIMENTO Na velhice, o desgaste fisiológico pode trazer consigo alterações deletérias à saúde. Em contrapartida, a prática regular de atividades ou exercícios físicos pode minimizar grande parte desses efeitos. Porém, no caso da população idosa, as atividades físicas, sejam elas de lazer ou específicas para aptidão física relacionada à saúde, devem ser tratadas com o devido cuidado para não suscitarem mais riscos do que benefícios aos praticantes. Assim, cuidados especiais devem ser observados e situações potencialmente perigosas devem ser evitadas de todo modo, já está bem evidenciado que a prática regular de atividade física, seja ela qual for, proporciona melhorias na saúde dos idosos. Para isso, diversos métodos são propostos para a avaliação das capacidades físicas dos idosos e para elaboração de programas de treinamento específicos para cada indivíduo (LEHNEN, 2019). https://delas.ig.com.br 46 A população idosa vem crescendo substancialmente nos últimos anos, e a expectativa de vida têm aumentado, no Brasil, para em torno dos 75 anos (AGÊNCIA..., 2017). Nesse contexto, os profissionais da saúde têm dedicado atenção especial a essa população, no sentido de acompanhar a longevidade e proporcionar uma melhor qualidade de vida. Carvalho (2016) considera que, para que haja um envelhecimento de boa qualidade, impõe-se uma sistemática estratégia de prevenção e tratamento (reabilitação) das doenças crônico-degenerativas a ser desenvolvida principalmente por meio da adoção de um conjunto de hábitos saudáveis de vida, que têm no exercício físico um aspecto fundamental. Isso porque os níveis atividade física parecem estar correlacionados com a atenuação do processo de declínio cognitivo e com melhores índices de qualidade de vida em idosos, principalmente naqueles com doenças crônicas (CASTRO et al., 2017). Uma das mudanças mais marcantes observáveis durante todo o processo de envelhecimento é o declínio da capacidade de movimento. Desse modo, o acompanhamento dos padrões de movimento em idosos é fundamental. De acordo com Rosa Neto, Liposcki e Teixeira (2000, documento on-line): ...] a deterioração dos parâmetros físicos, como força muscular, resistência muscular, equilíbrio, flexibilidade, agilidade e coordenação, leva à limitação funcional que ocasionará dependência física, ou seja, se os parâmetros físicos declinarem abaixo do nível requerido para a realização das atividades da vida diária, como cuidados pessoais básicos (como vestir-se, banhar-se, levantar-se da cama e sentar-se em uma cadeira, utilizar o banheiro, comer e caminhar), isso resultará em dependência funcional, influenciando na qualidade de vida do idoso. Por esse motivo, a determinação da aptidão física e funcional dos idoso deve ser priorizada na elaboração de programas de intervenção. Hunter, McCarthy e Bamman (2004) ilustram os fatores negativos gerados pela inatividade física no processo de envelhecimento, com ênfase nos efeitos deletérios da sarcopenia (perda da força e da massa muscular), um dos principais declínios físicos verificados em idosos, que tem sido bastante documentado pela literatura como um grande problema de saúde pública nessa população. 47 De maneira geral, podemos verificar que a sarcopenia estabelece seus sintomas principalmente em indivíduos insuficientemente ativos, mas também é vista em sujeitos que são suficientemente ativos ao longo de suas vidas e, com isso, comprova que se trata de um fator pertinente à saúde pública (PICOLI; FIGUEIREDO; PATRIZZI, 2011). Além de seu papel na progressão da doença, a perda de força e o descentramento neuromuscular geral que acompanham a sarcopenia diminuem a capacidade de realizar tarefas de vida diária. A diminuição da força e da potência do músculo parece estar relacionada à perda da autonomia, ao bem-estar e à qualidade de vida dos idosos (ASSUMPÇÃO; SOUZA; URTADO, 2008). Tanto a qualidade de vida quanto a probabilidade de declínios no estado de saúde são influenciados com o aumento da idade (HUNTER; MCCARTHY; BAMMAN, 2004). Para os mesmos autores, a redução da massa magra com o envelhecimento está associada a: 48 diminuição do gasto energético de repouso e da oxidação da gordura corporal; aumento da adiposidade e distribuição de gordura visceral em idosos, com risco elevado de desenvolver dislipidemia, resistência a insulina e doença cardiovascular; desenvolvimento de osteopenia e possível progressão para osteoporose em função da sarcopenia Idosos insuficientemente ativos têm também menor massa muscular e maior prevalência de incapacidade física (PICOLI; FIGUEIREDO; PATRIZZI, 2011). Os mesmos autores destacam diversos estudos demonstrando que o treinamento de força pode minimizar ou retardar o processo de sarcopenia para obter significantes respostas neuromusculares (hipertrofia muscular e força muscular) por meio do aumento da capacidade contrátil dos músculos esqueléticos. De maneira global, Carvalho (2016, p. 109), ao abordar a temática do exercício versus envelhecimento, destaca que “o exercício físico se constitui em potente fator de proteção, contribuindo para evitar o surgimento das principais doenças crônico-degenerativas”, e é, ainda, um potente fator de promoção de saúde, imprescindível para um envelhecimento plenamente saudável quando aliado a um estilo de vida também saudável. O mesmo autor cita que as principais condições combatidas pela prática regular de exercícios físicos são: doença aterosclerótica coronária, hipertensão arterial sistêmica, acidente vascularencefálico, doença vascular periférica, obesidade, diabetes melito tipo 2, osteoporose e osteoartrose, câncer de cólon, mama, próstata e pulmão, além de ansiedade e depressão. Além da ação efetiva na prevenção primária das doenças crônico-degenerativas, existe uma efetiva ação terapêutica advinda do exercício físico em relação a muitos desses males, sendo que o exercício físico, de fato, também contribui para o tratamento de todas as doenças crônicas não transmissíveis listadas. Segundo Ramos (2009), quando o indivíduo envelhece, o indicador de saúde importante não é a presença ou não de doença, mas o grau de capacidade funcional do indivíduo. O autor descreve também que mesmo o envelhecer sem 49 doença envolve algum grau de perda funcional, compatível com declínio fisiológico dessa etapa da vida, expresso por uma diminuição do vigor, da força, da prontidão, da velocidade de reação, dentre outras funções. Além disso, [...] quando essa perda funcional é exacerbada, digamos por um fator genético ou de exposição ambiental, temos o advento de um quadro clínico de doença crônica, que, na maioria das vezes, é expressa pela insuficiência de um órgão ou sistema biológico que caracteriza a doença — por exemplo, insuficiência cardíaca, renal, respiratória (enfisema), pancreática (diabetes), cerebral (demência), óssea (osteoporose), visual, auditiva. Nesses casos, é o grau de perda da capacidade funcional que irá indicar quem terá um envelhecimento saudável ou não, independente de quais as doenças crônicas envolvidas (RAMOS, 2009, p. 40). Por esse motivo, conforme citado pelo autor, quaisquer que sejam as doenças, são as perdas funcionais, sejam por limitações físicas ou mentais, que irão determinar o quadro de saúde pública. Por esse motivo, é o grau de capacidade funcional que permitirá identificar a população de risco para hospitalização, institucionalização e morte (RAMOS, 2009). Sendo assim, a utilização da capacidade funcional como indicador de saúde das populações de idosos é de extrema valia para o planejamento de políticas públicas voltadas aos idosos e, por esse motivo, eleva-se a importância da avaliação funcional. Aliás, quando falamos em avaliação geriátrica, temos como itens primordiais a avaliação funcional das atividades de vida diária, da aptidão física e a avaliação antropométrica e nutricional. Essas avaliações apresentam características particulares que as diferenciam dos demais grupos populacionais, exigindo dos profissionais envolvidos com a saúde um entendimento amplo sobre os principais protocolos existentes para o acompanhamento desse grupo etário (CARVALHO, 2016) 50 6.1 Avaliação funcional Compreende-se por capacidade funcional o potencial apresentado pelo idoso para decidir e atuar em suas atividades cotidianas de forma independente (FIELDLER; PERES, 2008), enquanto a difi culdade ou a necessidade de ajuda para a realização dessas atividades diárias pode ser defi nida como incapacidade funcional. http://bosquedosipes.com.br A incapacidade funcional é definida pela presença de dificuldade no desempenho de certos gestos e atividades da vida cotidiana, ou mesmo pela impossibilidade de desempenhá-las. Seu diagnóstico consiste em um dos principais componentes a ser considerado na avaliação da função física saúde funcional do idoso, pois a incapacidade funcional é forte preditora de mortalidade nessa faixa etária, sendo associada a características como idade avançada, baixa escolaridade e inatividade física (DEL DUCA et al., 2011, p. 221). A capacidade (ou incapacidade) funcional pode ser quantificada por escalas e índices. Esses instrumentos podem fornecer várias informações, uma vez que 51 avaliam diferentes categorias de incapacidade funcional, podendo apresentar um caráter mais global, como as que abrangem a função física, a comunicação, a cognição, os aspectos psicossociais, ou aquelas que avaliam os déficits físicos e as atividades de vida diária (CARVALHO, 2016). Essas escalas possibilitam a pontuação das atividades que podem ser reavaliadas, dando ao profissional a condição de analisar a eficácia do programa de exercícios físicos. De acordo com Paixão Jr. e Reichenheim (2005), o estado funcional é a dimensão-base para a avaliação física em idosos, que contempla a avaliação dos fatores físicos, psicológicos e sociais que afetam a saúde dos indivíduos mais idosos e frágeis. Os autores ainda colocam que os profissionais envolvidos com a população geriátrica devem preocupar-se com a qualidade de vida dos idosos, realizando uma ampla avaliação funcional em busca de perdas possíveis dessas funções. De modo geral, a avaliação em saúde envolve as atividades de vida diá ria (AVDs), que são subdivididas em (DUARTE; ANDRADE; LEBRÃO, 2007): atividades básicas de vida diária: relacionadas ao autocuidado, como alimentar-se, banhar-se, vestir-se, arrumar-se, mobilizar-se, manter controle sobre suas eliminações; atividades instrumentais de vida diária: representam a capacidade do indivíduo de levar uma vida independente dentro da comunidade onde vive e inclui a capacidade para preparar refeições, realizar compras, utilizar transporte, cuidar da casa, utilizar telefone, administrar as próprias finanças, tomar seus medicamentos. De modo específico, é inserida nesse contexto o que se denomina avaliação funcional, na qual “se busca verificar em que nível as doenças ou agravos impedem o desempenho das atividades cotidianas dos idosos de forma autônoma e independente, ou seja, sem a necessidade de adaptações ou de auxílio de outras pessoas, permitindo o desenvolvimento de um planejamento assistencial mais adequado” (DUARTE; ANDRADE; LEBRÃO, 2007, p. 318). Ao considerarmos, 52 portanto, a avaliação funcional dos idosos, é importante a utilização de testes que apresentem boa produtividade e validade; desse modo, também é fundamental que o profissional conheça os protocolos existentes, para que possa ser medido exatamente aquilo que o teste propõe. Vários testes funcionais são descritos na literatura para a avaliação da mobilidade e do equilíbrio em idosos. O objetivo desses testes é verificar a capacidade dos idosos em desempenhar as atividades funcionais do cotidiano, bem como o risco de quedas. 7 SOLIDÃO NA VELHICE Segundo Freitas (2011) apud Fonseca (2015), só com o conhecimento dos motivos da solidão é que se conseguirá avaliar e sistematizar estratégias para lidar com esta circunstância. Um dos aspetos mais relevantes para a qualidade de vida é a base da família, amigos e participação em atividades sociais, sendo que os baixos níveis de contatos podem estar associdos a uma qualidade de vida pobre. Atualmente, existe um grande número de idosos que vivem sozinhos, que perderam o cônjuge ou companheiros de toda uma vida (solidão emocional), ou perderam os amigos próximos que foram falecendo (solidão social). O isolamento pode causar a solidão, embora esta se relacione mais com aspetos qualitativos. Weiss et al. citados por Freitas (2011) apud Fonseca (2015), indicam que a solidão é “um sentimento que consiste no isolamento emocional que resulta da perda ou inexistência de laços íntimos e do isolamento social, com a consequente ausência de uma rede social com os seus pares”. Por outro lado, os idosos podem ter uma rede social ampla e sentirem-se sós, se esta não retribuir às suas necessidades. Fernandes (2007) apud Fonseca (2015), defende que, a solidão resulta de fatores situacionais e de características pessoais, a forma como cada um de nós encara as várias circunstâncias da vida e como lidamos com o nosso dia-a- dia vai se fazer com que nos sintamos mais ou menos sós e que a solidão nos alcance com maior ou menor intensidade. De acordo com um estudo concretizado 53 por Russell et al. citado por Neto em Fernandes(2007) apud Fonseca (2015), “... as medidas de solidão social e emocional estão conexas, respetivamente, à falta de amizade e de relações íntimas (...) a solidão social e emocional partilhavam um núcleo comum de mal-estar, mas tinham também elementos únicos de experiência subjetiva”. https://www.uol.com.br Desta maneira ou nesta perspetiva, podemos falar que se uma pessoa se sentir só ou sentir solidão em casa na dimensão emocional, também o irá sentir na rua, ou seja no meio da sociedade, independentemente das suas relações sociais serem boas. Se não tiver alguma pessoa ao seu lado para partilhar o dia-a-dia, uma relação romântica satisfatória, irá sentir solidão, mas neste caso numa dimensão diferente da anterior. Segundo Fernandes, (2007) apud Fonseca (2015), a solidão busca a solidão e, quanto mais um indivíduo se isola, à medida que o tempo vai passando, mais isolada quer estar. Quando as pessoas se sentem sozinhas, com sentimentos de angústia, insatisfação e exclusão, se apercebem que a solidão é a sua companhia, o rosto entristece, a alma desvanece, um forte pesar parece invadir o pensamento, o cenário torna-se deprimente e o futuro é sem esperança. 54 O autor adiciona ainda que, a solidão inclui desejo do passado, frustração com o presente e medos sobre do futuro. Mesmo em pessoas que não tiveram a perda do cônjuge, a solidão pode aparecer associada a muitos sentimentos juntos, tais como: Querer ser amada(o) por alguém; Querer amar e tratar de alguém; Querer partilhar experiências quotidianas com alguém; Querer ter alguém em casa; Precisar de alguém para partilhar o trabalho; Desejo de uma forma prévia de vida; Temer a sua incapacidade para fazer novos amigos. Para resolver algumas das causas que se acredita empiricamente estarem na origem da solidão e do mal-estar dos idosos, por vezes é decidido o internamento num lar de idosos, mas nem sempre com sucesso, pois nem sempre uma instituição, com apoio formal supostamente suficiente, reduz o sentimento de solidão emocional do idoso. Segundo Melo e Neto citados por Fernandes (2007) apud Fonseca (2015), o lar de idosos não é solução para quem quer ter um final de vida tranquilo, pois muitas vezes o idoso tem dificuldade em partilhar um espaço que deveria ser só seu e que sente ser invadido por estranhos, vendo-se obrigado a partilhar o quarto com outras pessoas. Afirma ainda que, para o idoso, sentir-se envelhecer, sentir-se menos útil e deixar a sua vida ativa, “já é um grande fardo” Quando se analisam as diversas definições de solidão, verifica-se que estão envolvidos fatores emocionais, cognitivos e sociais, Peplau e Perlman citados por Freitas (2011) apud Fonseca (2015), assinalam duas causas da solidão: a morte de alguém que se ama e a predisposição dos indivíduos para estarem sós. Já Morales e Moya citados por Freitas (2011) apud Fonseca (2015), referem que a solidão se relaciona com: características da personalidade (introversão, timidez, ansiedade, tendência à depressão); auto-estima (baixa); competências sociais (comportamento tímido na relação com os outros); características sociodemográficas (idade, estado civil). Pinquarte e Sorenson citados por Freitas (2011) apud Fonseca (2015), falam nos quatro preditores da solidão. O estado civil e laços sociais são determinantes no surgimento da solidão, sendo que a falta de integração e apoio social é uma das principais causas da solidão. As variáveis sociodemográficas, como o sexo, a idade e o estatuto socioeconómico, são também preditores de solidão, pois constata-se, por exemplo, 55 que as mulheres mais velhas relatam maiores níveis de solidão do que os homens, o que se deve à viuvez da maioria delas. A saúde e estado funcional são de grande relevância, pois, os problemas de saúde que impossibilitam as funções da vida diária levam à solidão; os efeitos da solidão acumulam-se ao longo da vida, levando mesmo a um envelhecimento físico. Por último, os fatores da personalidade (timidez, introversão) podem tornar o indivíduo mais vulnerável à solidão. Anderson citado por Fernandes (2007) apud Fonseca (2015), refere que a OMS no documento intitulado “Psychogeriatriccare in thecommunity” assegura que nos distintos níveis de prevenção o isolamento e a solidão social são expostos como importante e fundamental para se alcançar o bem- estar. Vários autores têm descrito intervenções e atitudes para prevenir e intervir em circunstâncias de isolamento social e solidão social. Grande parte dessas intervenções tem como eixo principal as redes sociais. Neril e Freire citados por Freitas (2011) apud Fonseca (2015), sugerem algumas estratégias que podem ajudar os idosos a prevenir ou combater a solidão: 1- Tentar conhecer novas pessoas e fazer novas amizades; 2- Participar em atividades sociais voluntárias; 3- Transmitir conhecimentos e experiências a outras pessoas; 4- Encontrar novos canais de comunicação entre pessoas da mesma geração e de outras gerações; 5- Envolver-se em grupos de convívio, atualização cultural; 6- Consciencializar-se do seu papel como cidadão na sociedade e reconhecer os seus direitos e deveres; 7- Investir em si próprio, cuidando da saúde mental e física; 8- Convencer-se que a adaptação às mudanças naturais da velhice traz dificuldades, mas que isso não implica o afastamento social, inatividade, isolamento, depressão; 9- Favorecer o crescimento espiritual; 10- Saber eleger as prioridades pessoais e defender a privacidade e pontos de vista. 56 8 O ABANDONO NA FAMÍLIA Vários autores tentam encontrar um conceito que se amolda ao abandono, entre eles, Passos citado por Mendonça (2011) apud Fonseca (2015), menciona o seguinte: O conceito de abandono pode ser relacionado ao individualismo acentuado nas relações, significando que o egocentrismo primitivo do ser humano o desumaniza e se demonstra também na dinâmica parental, onde obviamente um precisa do outro na condição do existir e ao mesmo tempo, o nega. https://portalamigodoidoso.com.br É necessário ocorrer a inter-relação entre os membros da família para que se dê a sua própria existência, sem que sejam descartadas as especificidades de cada um destes, o autor adiciona ainda que, “Sem laços não nos humanizamos, não existimos como sujeitos, não temos referências que nos guiem, que nos contenham. Aquelas que encontramos estão vulneráveis, voláteis e vazias. Em consequência, prosseguimos a procura cega e idealizada de um complemento que não exija reciprocidade, posto que estamos presos em nossas próprias sombras”. 57 Ainda, Passos citado por Mendonça (2011) apud Fonseca (2015), enfatiza que existe uma “espécie de dispersão nas relações humanas”, o que vem a influenciar a conjuntura familiar entre os membros. Diz que o outro é quem determina o sujeito, um ao outro são imperativos, mesmo assim, as características de uma relação sublime composta por gestos e sentimentos como o amor e cumplicidade são raras, ou seja, o objetivo peculiar de complementação entre os seres está bastante remota, apontando a fragilidade das relações, sendo priorizado o individualismo. Já os autores Soejima e Weber citados por Mendonça (2011) apud Fonseca (2015) determinam o desamparo como um fato social total que só se desvela se compreendido de acordo com a história nas suas vertentes biológicas e psicológicas, culturais e socioeconómicas e não de um modo essencialista, seja qual for a “essência” eleita ou a sua justificação. Pois, os fatores que desencadeiam o abandono, podem ser compreendidas numa perspetiva social e causal, incluindo fatores culturais e históricos como parte dos fatos que precedem o fenómeno. Jessus citado por Matias, et al. (2013) apud Fonseca (2015), argumenta que o aumento da esperança média de vida traz consigo graves problemas para a sociedade que não está aparelhadapara encarar problemas como o abandono familiar, a dependência de medicamentos e várias doenças ditas próprias da idade. As sociedades modernas suportaram diversas alterações o que, por conseguinte, causou um aumento das dificuldades para as pessoas idosas viverem a sua velhice no seu meio residencial. Porém, as grandes concentrações urbanas acabaram por impor modos de vida incompatíveis com a coabitação dos mais velhos. No final do século XIX a velhice não era vista como um problema social, pois o apoio aos mais velhos era feito pela família, por instituições religiosas ou organismos particulares. Pimentel citado por Pinhel (2011) apud Fonseca (2015), refere que as sociedades modernas passaram diversas mudanças o que, consequentemente, iniciou uma ampliação das dificuldades para as pessoas idosas viverem a sua velhice no seu meio residencial. Contudo, as grandes concentrações urbanas acabaramSolidão por impor modos de vida incompatíveis com a coabitação dos mais velhos, por vezes, ocorrem casos que os idosos são entregues a si mesmos, morrem muitas vezes abandonados. Segundo Guimarães citado por 58 Simões surgem, então, instituições vocacionadas para o acolhimento de idosos, sendo cada vez mais uma alternativa o recorrer à institucionalização. O abandono de idosos é um fenómeno que está a fazer parte da realidade atual, pois, alguns idosos são deixados nos lares e hospitais por seus familiares, parentes e, o que é pior, principalmente pelos seus filhos. Ao serem abandonados, esses idosos são privados do convívio familiar, de carinho, de afeto e são obrigados a começar uma nova etapa de vida, com pessoas que nunca viram, cortando suas raízes definitivamente. Esse fato gera uma enorme tristeza, solidão, sensação de desamparo e, consequentemente, culminam com o surgimento de diversas doenças que são agravadas pelo abandono (Pinhel, 2011) apud Fonseca (2015). O destino das pessoas idosas depende em grande parte de suas capacidades e das riquezas que lhe conduziram, a velhice pode ser ridicularizada em particular e receber demonstrações públicas de atenção e respeito. Os “velhos” são honrados verbalmente e, na prática abandonados a sua sorte. O destino deles é decidido pela sociedade de acordo com as possibilidades e os interesses da mesma. Este estudo é para explanar até que ponto a condição do idoso depende do contexto social (Pinhel, 2011) apud Fonseca (2015). Jessus citado por Matias, et al. (2013) apud Fonseca (2015), relata que o idoso em situação de abandono pode tornar-se um institucionalizado por escolha ou por decisão de terceiros. Se por um lado a institucionalização é benéfica porque oferece acolhimento, acesso à assistência, por outro lado pode representar um enfraquecimento ou ruptura dos laços familiares e sociais, já fragilizados pelo processo demencial. Araújo e Ceolim citados por Matias, et al. (2013) apud Fonseca (2015), afirmam que é importante ressaltar que a mudança de idosos de suas residências para instituições de longa permanência tem um potencial de gerar danos tais como: depressão, isolamento, separação da sociedade, dentre outros fatores condicionantes. Delacrode citado Morais, et al. (2012) apud Fonseca (2015) defende que, a renúncia é sentir-se abandonado no meio dos outros, é não estar bem, é não ter auxílio de ninguém, é andar de um lado para o outro, é ter família e não ser protegido por ela, esquecido, isolado, indiferente, não ser valorizado e não receber atenção. 59 Segundo Alcântara (2006) apud Fonseca (2015), a condição do abandono também pode estar conexa às situações de fragilidade em que o idoso se encontra isolado do circuito familiar, alargando seu sentimento de dependência pelos limites impostos pela incapacidade. A família se desvencilha do idoso muitas vezes por motivos de conflitos familiares, falta de condições económicas em manter o idoso na residência de origem, falta de uma pessoa da família que se dedique aos cuidados necessários e ao acompanhamento do idoso, ou até mesmo, por decisão do mesmo (Garcia et al. citado por Morais et al. 2012 apud Fonseca (2015). Nem sempre a família consegue exercer essa função ou cumprir com esta responsabilidade, e assim podem ocorrer situações de abandono e/ou internamento (Teixeira et al. citado por Morais et al. 2012) apud Fonseca (2015). Para Oliveira e Santos citados por Morais et al. (2012) apud Fonseca (2015), o abandono do idoso está relacionado com sua história de vida e com características individuais de cada ser humano, diante das relações interpessoais construídas ao longo da vida, e que, em virtude das fragilidades decorrentes do envelhecimento, tornam-se mais evidentes. Segundo Rodrigues e Soares (2006) apud Fonseca (2015), “A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo- lhes o direito à vida”. Há que se chamar atenção para as limitações da família atual nesta tarefa de responsabilizar-se pelo acolhimento e apoio aos seus velhos. Face às dificuldades decorrentes da precariedade das políticas sociais e dos fatores económicos como o desemprego, que atinge um grande número de famílias, a privatização, no âmbito familiar, da responsabilidade desses cuidados, muitas vezes acaba em prejuízo desses idosos devido aos parcos recursos materiais e psicossociais das suas respetivas famílias. Essa é uma responsabilidade a ser dividida entre o Estado, a sociedade e a família. À medida que a sociedade vai modificando, estabelece a necessidade de um ajustamento das políticas públicas para acompanhar e amparar essas mudanças. Alguns autores são enfáticos ao 60 afirmar que a família, por si só, não se encontra em condições de dar conta dessa problemática. 8.1 Causas da Institucionalização do idoso As causas da institucionalização são várias, Pimentel citado por Pinhel (2011) apud Fonseca (2015), descreve que o progressivo envelhecimento da população; a mobilidade geográfica, ligado às condições da estrutura familiar, ou seja, a família de hoje já não garante a proteção dos seus membros mais velhos até ao final da sua vida, a morte do cônjuge do idoso e por conseguinte a habituação de viver sozinho; o receio que lhe ocorra algo e que não esteja ninguém por perto para o socorrer; a degradação e a vulnerabilidade das condições de habitação do idoso; a desadaptação das casas às necessidades dos idosos; a degradação das condições destes; o facto dos serviços alternativos de proximidade serem escassos para garantir a manutenção dos idosos no seu domicílio, são os principais fatores de institucionalização dos idosos. Dentre os principais motivos da inserção de idosos em instituições asilares destacam-se: condição precárias de saúde, distúrbios de comportamentos, necessidades de reabilitação, falta de espaços físico para que seus familiares o abriguem, falta de recursos financeiros, abandono do idoso pela família que não consegue manter o idoso sob os seus cuidados (Espitia e Martins 2006) apud Fonseca (2015). Rodrigues citado por Lopes (2010) apud Fonseca (2015) diz que o abandono pode ser considerado o grande motivo da institucionalização do idoso, este no caso de uma pessoa que se encontra vivendo em uma instituição asilar, porque não tem família ou porque foi deixada pela família aos cuidados dessa instituição ou por conta própria que a fase da vida em que o idoso entra para uma instituição é outro fator a ser considerado. Essa fase, normalmente, é representada como a última etapa de sua vida, isto é, sem expectativa de retorno Ximenes e Côrte 61 citados por Morais et al. 2012). Almeida (2008) apud Fonseca (2015), salienta que é importante fazer uma breve reflexão à institucionalização do idoso e a algumas características que a acompanham, visto que, estatem sido uma constante na sociedade atual, não só devido ao aumento da população idosa, mas também devido às novas exigências da competitividade e do mundo do trabalho, que deixam muitas vezes a família sem tempo para cuidar do idoso. O autor fala ainda sobre as causas que podem levar o idoso à institucionalização que podem ser de várias ordens, tais como: a idade avançada do idoso, o morar sozinho, a existência de doenças, limitações ao nível das atividades da vida diária, ausência de suporte social ou pobreza, também a viuvez, a existência de deficiências físicas ou mentais e dificuldades económicas são apontadas como possíveis causas da institucionalização, assim, as causas podem ser variada ordem, sendo que dificilmente se encontram de forma isolada. As Redes de Apoio Informal tornaram-se também insuficientes e incapazes para amparar o idoso. Em determinados casos, quando estas não podem retribuir à expectativa, recorresse às redes de apoio formal. As redes de apoio informal ao idoso dividem-se em dois grandes grupos, um composto pela família do idoso e outro constituído por amigos e vizinhos. O papel da família no apoio aos idosos tem vindo a diminuir com a crescente evolução da sociedade, tornando-se complexo a sua concretização, aliado ao trabalho feminino fora de casa (Fontaine, 2000) apud Fonseca (2015). Além disso, Paul citado por Fontaine (2000) apud Fonseca (2015), salienta que as redes de apoio compostas por amigos e vizinhos têm um papel relevante especialmente do ponto de vista emocional, psicológico e instrumental, aquando da ausência de familiares. As redes de apoio formal designam-se como aquelas que oferecem uma variedade de serviços estáveis e seguros, mas por vezes difíceis de aceder. Sendo assim sendo, as instituições proporcionam uma diversidade de serviços e valências que garantem uma maior qualidade de vida, ou apenas a satisfação das necessidades básicas ou o acompanhamento do idoso até à sua morte. Segundo Pimentel citado por Pinhel (2011) apud Fonseca (2015), estudos referem que os idosos apontam a perda de autonomia; o agravamento do seu 62 estado de saúde; a conflitualidade nas relações familiares; a discordância de interesses a ineficiência da sua rede de interações; o isolamento; a precariedade de condições económicas e habitacionais; a ausência de redes de solidariedade e a solidão proporcionem situações de carência e simultaneamente de dependência física o que justifica a institucionalização. Cardão (2009) apud Fonseca (2015), descreve que, à perda do meio familiar, com os sentimentos mais ou menos manifestos de abandono pela família depressa se juntam outras vivências de perda como a da sua independência e do exercício pleno da sua vontade, devido à normalização e observância do seu comportamento dentro da instituição. Acrescenta ainda que, a institucionalização do idoso é uma realidade para todos aqueles que por variados motivos se vêm obrigados a recorrer a este tipo de serviços. Muitas vezes a família não tem tempo para disponibilizar ao idoso, pelo que a institucionalização é a opção mais viável. O idoso quando toma a decisão que quer ir viver para um lar pode considerar-se que vai sofrer uma grande modificação na sua vida, pois esta decisão leva a que haja uma separação quer do meio familiar, quer do seu meio habitacional, obrigando o idoso a adaptar-se a um ambiente a que não estava habituado. Este ato, origina no idoso um impacto emocional que, na maioria das vezes, representa uma rotura em relação à sua vida e hábitos anteriores. A mesma autora afirma ainda que a institucionalização em alguns casos pode originar no idoso sentimentos de dependência de como é organizado o seu tempo e o seu espaço de vida acaba por deixar-lhe pouca ou nenhuma motivação para planear por si próprio como as suas horas diárias podem ser vividas, esta perda de autonomia própria impede a pessoa de recapitular as vivencias do passado, feitas de histórias que se repetem, porque não há nada de novo a contar, longe do bulício da vida exterior, é um tempo parado, que antecipa o seu fim, e que se compara com dias outrora vividos na sua plena força. Pinhel (2011) apud Fonseca (2015) assegura também que, a solidão nos idosos institucionalizados em contexto de abandono familiar admitiu uma reflexão sobre as causas que levam ao abandono, bem como os resultados de uma ausência familiar motivada não só por questões de natureza econômica, mas também pela 63 distância física a que esses mesmos familiares se deparam, quebrando uma cadeia de afetos essencial à continuidade de vivência dos seus projetos de vida pessoais. Netto citado por Pinhel (2011) apud Fonseca (2015) diz que o internamento é a opção de último recurso à vida familiar para os mais frágeis e dependentes. Nesta perspetiva a institucionalização quer seja requerida pelo próprio quer por sugestão de familiares pode ser vista como um ganho, pelo recurso à oferta de acompanhamento e de cuidados, principalmente se a doença lhe estabelece determinados cuidados ou lhe vier a impor futuramente limites sérios no que concerne às suas capacidades cognitivas. Costa citado por Pinhel (2011) apud Fonseca (2015) menciona que do ponto de vista psicológico muitos dos idosos que requerem a institucionalização fazem-no devido à necessidade de busca de vínculos alternativos numa outra relação de apoio e de proteção, com a finalidade de viverem o resto dos seus dias em segurança. Para que tal suceda a qualidade oferecida pela instituição torna-se muito relevante, passando a instituição a ser rede de suporte formal e a substituir a rede de cuidados informais e familiares. Segundo Paul, as causas da institucionalização poderão ser problemas de saúde que limitam o funcionamento dos idosos, falta de recursos econômicos para a manutenção da casa, viuvez e situação de despejo, sobretudo nos centros da cidade. Como evidenciam os autores atrás referidos, as causas para a institucionalização podem ser inúmeras, sendo muitas vezes a conjugação destas diversas causas, e não apenas de uma ou de duas, que origina a escolha deste tipo de apoio social (citado por Almeida, 2008) apud Fonseca (2015). 64 9 REFERÊNCIAS AHMED, T.; HABOUBI, N. Assessment and management of nutrition in older people and its importance to health. Clinical Interventions in Aging, v. 5, p. 207–216, 2010. Disponível em: . Acesso em: 4 jan. 2019. AMARYA, S.; SINGH, K.; SABHARWAL, M. Changes during aging and their association with malnutrition. Journal of Clinical Gerontology & Geriatrics, v. 6, p. 78- 84, 2105. Disponível em: . Acesso em: 4 jan. 2019. ANNA L. S. Nutrição e Dietética I. SAGAH – Soluções Educacionais Integradas, 2019. AGÊNCIA IBGE NOTÍCIAS. Em 2016, expectativa de vida era de 75,8 anos. Rio de Janeiro, 2017. 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