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FISIOTERAPIA EM GERIATRIA E GERONTOLOGIA ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DO ENVELHECIMENTO Prof. Rafael Saldanha dos Santos Alterações Fisiológicas do Envelhecimento Pode variar de cada indivíduo; Dependentes: Estilo de vida; Condições socioeconômicas; Doenças crônicas; Idade; Fatores genéticos. Processo de Envelhecimento Primário Secundário Terciário Senescência; Atinge todos os indivíduos de maneira gradual; Geneticamente determinado. Doenças que não se confundam com o envelhecimento normal; Estão inclusos sintomas da doenças e fatores ambientais; Fatores externos influenciam. Profundas perdas cognitivas e físicas; Acúmulo dos efeitos do envelhecimento com as doenças. Diagnósticos referidos Nº de internações % Doenças cardiovasculares 4.816 28,05 Doenças do aparelho respiratório 3.562 20,74 Neoplasias (tumores) 1.831 10,66 Doenças do aparelho digestivo 1.692 9,85 Doenças do sistema genitourinário 993 5,78 Doenças do sistema osteomioarticular 900 4,84 Outros 3.375 24,00 Distribuição dos diagnósticos médicos referidos pelos idosos entrevistados, agrupados de acordo com a CID-10 (RS, Brasil, 2011) Vamos a primeira atividade... Entre em www.socrative.com Entre em student login, coloque a sala “Geronto” e coloque seu nome. Responda as perguntas e ao final faremos as correções e feedbacks das mesmas. ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DO ENVELHECIMENTO ALTERAÇÕES DO SISTEMA NEUROLÓGICO Sistema Nervoso Diminuição do peso e volume cerebral (atrofia cerebral). Aumento do volume dos ventrículos encefálicos. Perdas não-uniformes. Degeneração de dendritos. Diminuição da velocidade de condução nervosa. Formação de placas senis (parte externa) e emaranhados neurofibrilares (interior) nos neurônios. Sistema Nervoso Causas da atrofia cerebral: Morte celular. Atrofia neuronal: Diminuição do volume da substância cinzenta. Número total de neurônios não é necessariamente afetado pelo envelhecimento, mas sim a capacidade dele de funcionar normalmente. Perda de substância branca: Morte axônica. Degeneração da mielina. Sistema Nervoso Prevenção para evitar o declínio das habilidades funcionais. ASPECTOS PRIMÁRIOS (PRÓPRIOS DA IDADE AVANÇADA) Considerar pré-disposição genética e fatores ambientais que influenciam no envelhecimento. O sistema de controle postural do idoso (visual, somatosensorial e vestibular) encontra-se com diminuição da capacidade de realizar mecanismos antecipatórios de maneira rápida e eficiente (quedas). Sistema Nervoso Acidente Vascular Encefálico (AVE): a fragilidade vascular e a hipertensão arterial sistêmica no idoso aumenta o risco de AVE. ASPECTOS SECUNDÁRIOS (DOENÇAS NEUROLÓGICAS ADQUIRIDAS) Doença de Alzheimer: caracteriza-se por placas senis, emaranhados neurofibrilares e perda neuronal no hipocampo e córtex cerebral difusa. É um tipo de demência senil caracterizada por perda de memória, desorientação tempo-espacial, alterações motoras (fraqueza e espasticidade) e afasia (distúrbio na expressão e compreensão). Sistema Nervoso Doença de Parkinson (DP): incidência aumenta a partir dos 60 anos. Tríade clássica: bradicinesia, rigidez e tremor. ASPECTOS SECUNDÁRIOS (DOENÇAS NEUROLÓGICAS ADQUIRIDAS) Neoplasias ou tumores cerebrais: maior incidência em regiões hemisféricas. O comportamento clínico depende da localização do tumor. Tumores benignos podem ser fatais pela localização e velocidade de crescimento. Diagnóstico feito baseado na anamnese, exame clínico e exame de imagem). Sistema Nervoso Sistema Nervoso Quais ferramentas de avaliação podemos utilizar? ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DO ENVELHECIMENTO ALTERAÇÕES DO SISTEMA CARDIOVASCULAR Principais Alterações Redução da capacidade cardíaca ao esforço. Redução dos batimentos cardíacos. Resistência vascular. Aumento da pressão arterial. Arterioesclerose. Coração Há depósitos de gordura e substâncias amiloides no miocárdio; Grandes vasos perdem a propriedade elástica; Há maior deposição de cálcio nas válvulas; Há atrofia e degeneração dos músculos cardíacos; Diminuição da complacência do ventrículo esquerdo; No entanto, sem doenças um coração de um idoso funciona tão bem quanto o de um jovem. Coração Aumenta a fase de ejeção; Aumenta a fase de relaxamento; Redução da diástole; Diminuição da complacência. Pericárdio e Endocárdio Espessamento pericárdico e endocárdico Aumento da taxa de gordura Substituição de tecido muscular por tecido conectivo Perda da capacidade elástica do endocárdio Miocárdio Acúmulo de gordura Fibrose intersticial Calcificação Amiloidose Hipertrofia concêntrica Arterioesclerose Redução da elasticidade das paredes dos vasos Deposição de cálcio nos vasos sanguíneos, bem como o surgimento do colágeno; Menor resposta cardiovascular aos estímulos simpáticos e parassimpáticos; ARTERIOESCLEROSE X ATEROESCLEROSE Incidência crescente de hipotensão postural é decorrente de uma regulação deficiente da pressão arterial. Pressão Arterial Acréscimo importante na PA sistólica; Arterioesclerose Alteração na complacência cardíaca Alteração nas conformações de vasos sanguíneos Doenças mais prevalentes – Sistema Cardiovascular – Ateroesclerose Insuficiências/Estenoses valvares IAM Insuficiência cardíaca HAS Trombose venosa profunda Anginas Quais ferramentas de avaliação podemos utilizar? Vamos a segunda atividade... Entre em www.socrative.com Entre em student login, coloque a sala “Geronto” e coloque seu nome. Responda as perguntas e ao final faremos as correções e feedbacks das mesmas. ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DO ENVELHECIMENTO ALTERAÇÕES DO SISTEMA RESPIRATÓRIO Principais Alterações Redução significativa da função pulmonar Redução da elasticidade pulmonar Diminuição significativa da mobilidade torácica Diminuição do VO2 máx Redução da capacidade de difusão do oxigênio Alterações funcionais do sistema respiratório Redução: da complacência da parede torácica; da força dos músculos respiratórios; da capacidade vital; da pressão arterial de oxigênio; da taxa de fluxo expiratório; da difusão pulmonar de CO2; Esforço físico x vias respiratórias Hipóxia latente é evidenciada caso o idoso se depare com um esforço latente. Um esforço expiratório intenso pode ser responsável pelo colapso das vias respiratórias nos idosos. Em exercícios intensos, os idosos frequentemente se queixam de dispneia. A capacidade aeróbia máxima diminui com a idade na maioria das vezes. Espaço Morto Anatômico Aumentado Mobilidade Torácica Diminuída Pressão Inspiratória Máxima Diminuída Pressão Expiratória Máxima Diminuída Secreção brônquica Aumentada Frequência respiratória Aumentada ou normal Trocas gasosas Diminuídas Difusão de CO2 pulmonar Diminuída Mudanças anatômicas e fisiológicas do sistema respiratório com o envelhecimento VEF1 Diminuída CVF Diminuída CV Diminuída CPT Inalterada VR Aumentada CRF Aumentada Mudanças anatômicas e fisiológicas do sistema respiratório com o envelhecimento - Função Pulmonar - Doenças mais prevalentes – Sistema Respiratório – Pneumonias DPOC (mais relacionado ao hábito de vida) Fibrose pulmonar Hipertensão pulmonar Infecções respiratórias Tuberculose Quais ferramentas de avaliação podemos utilizar? ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DO ENVELHECIMENTO ALTERAÇÕES DO SISTEMA OSTEOMIOARTICULAR Composição e Forma do Corpo Redução de 1cm por década a partir dos 40 anos. Redução dos arcos dos pés; Aumento da curvatura da coluna; Estatura Etiologia Perda de água dos discos intervertebrais decorrentes da compressão. Composição e Forma do Corpo Aumento dos diâmetros da caixa torácica e do crânio. Continuidade do crescimento do pavilhão auditivo e do nariz. Aumento do tecido adiposo (região abdominal). Teor de água corporal diminui pela perda hídrica intracelular e também há perda de potássio, pela diminuição do número de células nos órgãos. Perda de massa corporal (emagrecimento geral). Estatura de um Adulto e um Idoso Sistema MusculoesqueléticoMaior massa óssea na terceira/quarta década de vida. Depois ocorre a “osteopenia fisiológica” (reabsorção > formação óssea). Osteopenia com o envelhecimento não é homogênea. Osso Causa mais comum: falta de vitamina D (produzida pela pele sob exposição solar (80%) e com alimentação adequada). Entretanto a pele envelhecida produz apenas 25-30% do que produz uma pele adulta sob a mesma exposição solar! Sistema Musculoesquelético Osteopenia Crianças : + formação (osteoblastos) e – reabsorção (osteoclastos) Adultos: formação=reabsorção (25 à 30 anos) Idosos: - formação e + reabsorção (cálcio expelido pela urina) Formação Óssea Degeneração óssea Sistema Musculoesquelético Fenômeno que ocorre quando o processo de reabsorção do cálcio sofre um desequilíbrio e o tecido ósseo se torna mais poroso e frágil por uma desminerilização constante. 1/3 das mulheres brancas acima dos 65 anos são portadoras de osteoporose. Osteoporose Homens brancos acima de 60 anos têm 25 % de chance de ter uma fratura osteoporótica. OMS Sistema Musculoesquelético A osteoporose também é responsável pela perda dos dentes na velhice. O aumento da reabsorção óssea dos maxilares e da mandíbula acentua-se com a queda dos dentes. Reduz-se a distância entre o queixo e o nariz e os dentes migram para trás, modificando com o tempo a fisionomia do idoso. Fraturas mais comuns: Fêmur Coluna torácica e lombar Punho Sistema Musculoesquelético Colágeno + proteoglicanos = resistência, elasticidade e compressibilidade. Menor poder de agregação dos proteoglicanos. Menor resistência mecânica da cartilagem. Cartilagem Articular Envelhecimento Colágeno possui menor hidratação e apresenta maior afinidade pelo cálcio ficando mais rígido. Diminuição do líquido sinovial (diminuição da concentração de sulfato de condroitina). Sistema Musculoesquelético Osteoartrose Sistema Musculoesquelético Raio-X colorido do quadril de homem de 70 anos com osteoartrite. Sistema Musculoesquelético Diminuição lenta e progressiva da massa muscular; Chega a diminuir 50% dos 20 anos aos 90 anos! Sarcopenia Sistema Musculoesquelético Diminuição da massa muscular: Diferente da atrofia por desuso (apenas diminuição do tamanho). Sarcopenia Afeta mais fibras do tipo II (maior diâmetro/brancas/rápidas). Diminuição do número de UM após 60 anos. diminuição do tamanho da fibra muscular (atrofia) diminuição no número de fibras musculares (hipoplasia) Doherty (2003), Narici e Maffulli (2010) Sistema Musculoesquelético Mudança na arquitetura muscular: Sarcopenia Diminuição do comprimento dos fascículos (perda de sarcômeros em séries - menor velocidade de encurtamento). Diminuição do ângulo de penação (perda de sarcômeros em paralelo - menor capacidade de produção de força). Causas: diminuição da síntese de proteína e menor quantidade de tecido contrátil. Doherty (2003), Narici e Maffulli (2010) Sistema Musculoesquelético Consequências funcionais da Sarcopenia??? Vamos a terceira atividade... Entre em www.menti.com Aguarde o código que o professor indicará em aula. Responda duas alterações fisiológicas do envelhecimento presentes relacionadas ao sistema osteomioarticular. Quais ferramentas de avaliação podemos utilizar? ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DO ENVELHECIMENTO ALTERAÇÕES DO SISTEMA UROGINECOLÓGICO Envelhecimento do Aparelho Urinário Redução do peso rim, afetando a redução da área de filtração glomerular Redução da resposta a estímulos de regulação no balanço de sódio e potássio: Depuração de creatinina Risco de falência renal Queda na concentração de sódio e diminuição da troca de potássio Acúmulo de sangue Alterações Ginecológicas Redução do útero, tuba uterina e ovários Ciclos menstruais cessam, reduzindo a produção de estrogênio Redução das mamas e flacidez Há manutenção do desejo e prazer sexual No entanto, podem haver perdas importantes de urina durante a relação sexual e dores pélvicas (prolapso dos órgãos genitais). Disfunção Erétil Número limitado de estudos com idosos Correlação de 67% nos pacientes com 70 anos Retardo da ereção devido a problemas circulatórios decorrentes da idade. A disfunção erétil não pode ser considerada como envelhecimento normal. Incontinência Urinária A prevalência da incontinência urinária aumentam com o envelhecimento são maiores nas mulheres (23 a 32%) do que nos homens (17 a 21%); Possui relação direta com os processos clínicos envolvidos: Delirium Infecções do trato urinário Uretrites ou vaginites Restrição da mobilidade Medicamentos Distúrbios psíquicos Doenças mais prevalentes – Sistema Uroginecológico – Insuficiência renal Incontinência Urinária Doenças da Próstata Câncer de ovário Câncer de mama Quais ferramentas de avaliação podemos utilizar? ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DO ENVELHECIMENTO ALTERAÇÕES DO SISTEMA IMUNOLÓGICO Sistema Imunológico Há consenso de que a imunidade na pessoa idosa se modifica, tornando-se menos eficiente; Alterações das proteínas mediadoras das respostas imunológicas; Declínio na função das células T Irreversibilidade da perda da capacidade replicativa das células T Aumento na proporção de células de memória em relação as virgens, resultando na diminuição do potencial de reatividade a novos antígenos; Interleucinas TGF e TNF-alfa Sistema Imunológico Alterações estruturais no Timo Medula óssea Atrofia crônica Reduzida produção de células T Permanece de certa forma, inalterada Possui mais dificuldade em produzir novas células Imunidade Inata Os neutrófilos dos idosos não respondem eficientemente no processo de mobilização quando o sistema hematopoiético está sob estresse, por exemplo, na quimioterapia ou infecção grave prolongada; Os neutrófilos senescentes são incapazes de permanecer vivos no local da infecção por tempo suficiente para desempenhar atividade fagocitária; Significante declínio da capacidade fagocítica de bactérias pelos neutrófilos, assim como a quantidade de bactérias fagocitadas; Aumento da quantidade das células NK – pela inativação da mesma (diminuição da resposta). As complicações das infecções agudas são, provavelmente, mais severas nos idosos devido à uma diminuição da imunidade inata. Imunidade Adquirida Redução do número de células T: Aumento dos clones de memória Diferenciação das células T para uma “célula T senescente” (baixa capacidade de replicação) Atrofia do timo Redução da capacidade de replicação Dificuldade para novos antígenos Doenças mais prevalentes – Sistema Imunológico – Infecções respiratórias Gripe COVID-19 AIDS Doenças auto-imunes Quais ferramentas de avaliação podemos utilizar?