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USOS E INTERPRETAÇÃO DAS DRIS Profa. Dra. Renata Junqueira Pereira Categorias de Estágio de Vida Fases Faixa etária Considerações Primeira Infância (desde o nascimento até 12 meses) 6 meses 12 meses Infância 3 anos A grande velocidade de crescimento nessa faixa etária, comparada com a de 5 anos, fornece a justificativa biológica para esta divisão. Pré-escolar 8 anos Esta faixa etária foi selecionada devido às grandes mudanças que ocorrem na velocidade do crescimento e no sistema endócrino. Categorias de Estágio de Vida Fases Faixa etária Considerações Puberdade/ Adolescência Meninos 13 anos 18 anos Meninas 13 anos 18 anos Reconhecendo-se as diferenças no amadurecimento sexual entre meninos e meninas, julgou-se apropriada a divisão em duas categorias de idade, com diferentes valores de RDA e AI para cada sexo. Categorias de Estágio de Vida Fases Faixa etária Considerações Adulto jovem e meia- idade Homens 30 anos 51 anos Mulheres 30 anos 51 anos Reconhecimento dos possíveis benefícios de ingestão mais elevada de nutrientes durante os anos iniciais da idade adulta para alcançar o potencial genético de formação de massa óssea. O gasto energético diminui após os 30 anos e as necessidades dos nutrientes associados ao metabolismo energético também diminuem. Para os demais nutrientes as DRIs podem ser as mesmas. Categorias de Estágio de Vida Fases Faixa etária Considerações Adultos e Idosos Homens 70 anos Mais que 70 anos Mulheres 70 anos Mais que 70 anos O período de 70 anos é de vida produtiva para a maioria dos adultos. Após os 70 anos, há grande variabilidade nas funções fisiológicas e no desempenho de atividade física. Categorias de Estágio de Vida Fases Faixa etária Considerações Gestação e Lactação ≤ 18 anos 30 anos 50 anos Esta divisão deve-se às muitas mudanças fisiológicas e às mudanças nas necessidades de nutrientes que ocorrem nestes estágios de vida. USOS DAS DRIs (Individual) EAR: é usada para determinar a probabilidade de a ingestão habitual do nutriente estar inadequada. RDA: a ingestão habitual do nutriente neste nível, ou acima dele, tem pequena probabilidade estar inadequada. AI: a ingestão habitual do nutriente neste nível, ou acima dele, tem pequena probabilidade estar inadequada. UL: a ingestão habitual do nutriente neste nível coloca o indivíduo em risco de ocorrência de efeitos nocivos à saúde. USOS DAS DRIs (Individual) Uso da EAR e RDA De forma simplificada, pode-se concluir que a ingestão de um nutriente, provavelmente está INADEQUADA quando: a ingestão for menor que a EAR ou a ingestão estiver entre os valores de EAR e RDA. Já a ingestão provavelmente está ADEQUADA quando: na avaliação de vários dias, a média for igual ou superior à RDA ou na avaliação de poucos dias a ingestão for muito superior à RDA. USOS DAS DRIs (Individual) Uso da AI Quando se dispõe somente da AI, de forma prática, uma interpretação qualitativa pode ser feita na análise da ingestão em relação a AI de um determinado nutriente: Maior ou igual ao valor da AI - A ingestão média provavelmente está adequada, se avaliada por um grande número de dias. Menor que o valor da AI - A adequação da ingestão não pode ser determinada. USOS DAS DRIs (Individual) Quando se utiliza o UL, de forma prática, uma interpretação qualitativa pode ser feita na análise da ingestão de um determinado nutriente: Maior ou igual ao valor do UL: Risco potencial de efeitos adversos se a ingestão observada incluiu um grande número de dias. Menor que o valor do UL: A ingestão provavelmente é segura se observada por um grande número de dias. USOS DAS DRIs (Individual) O IOM sugere que após o diagnóstico de adequação do consumo individual, seja calculada a probabilidade ou segurança de que a conclusão está correta. Para Nutrientes com AI ou UL Só realizar o cálculo se a média de ingestão de 2 ou + dias for maior que a AI. Se o valor médio consumido for menor que a AI não é possível realizar esse cálculo. Homem (35 anos) Ingestão de Cálcio (média de 4 dias)= 1100 mg/dia AI Cálcio = 1000 mg/dia Z = (média da ingestão- AI) DP intr / raiz de n (números de dias avaliados) Z= (1100- 1000) = 100 = 0,40 492/raiz de 4 246 DP intr: desvio padrão intrapessoal = disponível em tabelas propostas pelas DRIs O resultado será confrontado com tabela de probabilidade proposta pela DRI para saber o percentual de probabilidade de se concluir corretamente que a ingestão é adequada. Aceita-se como boa probabilidade valores maiores que 85%. Sexo Feminino Sexo Masculino Para Nutrientes com EAR Observa-ser a diferença entre a ingestão e a mediana da necessidade (EAR). D = Mi- EAR D é a diferença, Mi é a média da ingestão, EAR é a mediana da necessidade. Se D for grande e positiva, a ingestão é maior que a mediana da necessidade e considera-se que a ingestão está adequada. Se D é grande e negativa, é provável que a ingestão esteja inadequada. Se D é pequena, há dúvidas quanto à adequação. Assim é necessário calcular a magnitude de D para assegurar, com certo grau de certeza, a adequação ou não. Para Nutrientes com EAR Calcula-se então do desvio-padrão de D (Dpd), que depende: do número de dias de avaliação da ingestão do indivíduo; do Dp da necessidade (que é 10% da EAR) e do Dp intrapessoal, fornecido por tabelas específicas estabelecidas em estudos populacionais. A relação entre D/Dpd fornece a probabilidade da ingestão estar acima ou abaixo da necessidade. Para Nutrientes com EAR Exemplo: Mulher 43 anos Ingestão média de folato (3 dias) = 230 EAR folato= 320 Cálculo de D= 230-320 = -90 Cálculo de Dpd: Dpn (necessidade)= 10% de 320 = 32 Dpi (mulheres de 31 a 50 anos) = 131 Dpd = raiz de Vn + (Vi/n) n= nº de dias avaliação = 3 Vn = (Dpn)2 = (32)2= 1024 Vi = (Dpi)2 = (131)2= 17161 Dpd = raiz de 1024 + (17161/3) = 82,1 Razão D/Dpd = -90/82,1= -1,09 Para Nutrientes com EAR O resultado é confrontado com tabela específica proposta pela DRI para determinação da probabilidade de se concluir se o indivíduo apresenta ingestão inadequada ou adequada. Aceita-se como boa probabilidade valores maiores que 85%. USOS DAS DRIs (Coletividades) Ao se comparar o resultado encontrado na população com a EAR do nutriente é possível ter idéia de quanto o grupo se afasta ou se aproxima do padrão de recomendação: Se a média de ingestão do grupo for menor que a EAR, existe alta prevalência de ingestões inadequadas. USOS DAS DRIs (Coletividades) Se o parâmetro a ser utilizado for a AI não é possível estimar prevalência de inadequação do consumo: Se a média da ingestão for > AI – baixa prevalência de inadequação Se a média da ingestão for < AI – não há conclusão. USOS DAS DRIs (Coletividades) EAR: é usada para determinar a prevalência de inadequação de ingestão do nutriente em determinado grupo. RDA: NÃO DEVE SER utilizada para avaliar a ingestão de nutrientes em grupos populacionais. AI: a ingestão habitual do nutriente neste nível, ou acima dele, significa provavelmente baixa porcentagem da população com ingestão inadequada do nutriente. UL: é usada para estimar a porcentagem da população em risco potencial de efeitos adversos decorrentes do excesso de ingestão do nutriente. Limitações para a aplicação das DRIs em nosso meio As DRIs devem ser utilizadas com muita cautela em nosso meio, uma vez que se baseiam nas necessidades da população dos Estados Unidos e do Canadá. Além disso, como não dispomos de dados atualizados de inquéritos dietéticos da nossa população, não é possível conhecer a variabilidade intrapessoal na ingestão dos vários nutrientes. Avaliação da adequação nutricional deve sempre considerar outros parâmetros biológicos relacionados ao nutriente analisado. ENERGIA A necessidade estimada de energia – EER é definida como o valor médio de ingestão de energia para a manutenção do balanço energéticode indivíduos saudáveis de acordo com idade, sexo, peso, altura e atividade física. As equações da EER foram estimadas a partir de equações para predição do gasto total de energia – TEE, medido pela técnica da água duplamente marcada. Foram utilizados dados de homens, mulheres e crianças com idades, pesos, alturas e atividades físicas variáveis, obtidos em amostras de estudos realizados nos Estados Unidos, Inglaterra, Austrália e Suécia. Avaliação da Ingestão de Energia Considerar o peso corporal, ele é o marcador biológico do equilíbrio ou desequilíbrio entre a ingestão e o gasto de energia. A avaliação da adequação ou inadequação (insuficiente ou excessiva) da ingestão de energia (Kcal) será realizada em função do índice de massa corporal (IMC). Se uma mulher tiver: IMC = 22kg/m2 – INGESTÃO ADEQUADA; se tiver IMC =17 kg/m2 – INGESTÃO INSUFICIENTE; se tiver IMC= 33kg/m2 – INGESTÃO EXCESSIVA. Para grupos, a proporção com ingestão adequada ou não será avaliada em relação à distribuição dos indivíduos, segundo as categorias de IMC. Avaliação da Ingestão de Energia Exemplo: 40 % dos homens e 52% das mulheres do grupo têm ingestão de energia adequada. 0,9% dos homens e 4,6 % das mulheres do grupo têm ingestão de energia insuficiente. 59 % dos homens e 44 % das mulheres do grupo têm ingestão de energia excessiva. IMC (kg/m2) ≤18,5 18,5 - 25 ≥ 25 Homens (%) Mulheres (%) 0,9 4,6 40 52 59 44 MACRONUTRIENTES Para os macronutrientes: carboidratos, proteínas e lipídeos (ácidos linoléico/ômega-6 e alfa-linolênico/ ômega-3) foram estabelecidos valores levando-se em consideração suas funções desempenhadas no organismo. O critério de adequação usado para estabelecer e EAR de proteínas foi baseado no critério da mínima ingestão diária de proteína dietética suficiente para manter equilibrado o balanço de N. O peso médio utilizado foi 70Kg para homens e 57Kg para mulheres. MACRONUTRIENTES Não foi possível estabelecer RDA nem AI de lipídeos pela insuficiência de dados para se definir a quantidade que seria de risco para inadequação ou para a prevenção de DCNT. A RDA determinada para carboidratos se refere à média da quantidade mínima de glicose utilizada pelo cérebro sem que haja necessidade de se utilizarem fontes alternativas de lipídeos e proteínas. Intervalos de Distribuição Aceitáveis dos Macronutrientes (AMDR – Acceptable Macronutrient Distribution Range) As quantidades totais diárias de carboidratos, lipídeos e proteínas são determinadas considerando-se o percentual de cada uma em relação à EER (necessidade energética estimada total). Foram estabelecidos em função de estudos epidemiológicos, visando a prevenção de doenças crônicas não-transmissíveis e em quantidades suficientes para suprir a ingestão de nutrientes essenciais. Intervalos de Distribuição Aceitáveis dos Macronutrientes (AMDR – Acceptable Macronutrient Distribution Range) Macronutrientes Percentual de Energia 1 a 3 anos 4 a 18 anos Adultos Proteínas 5 - 20% 10 - 30% 10 - 35% Carboidratos 45 - 65% 45 - 65% 45 - 65% Gorduras Totais 30 - 40% 25 - 35% 20 - 35% (ω-3) ácido linolênico 0,6 - 1,2% 0,6 - 1,2% 0,6 - 1,2% (ω-6) ácido linoléico 5 -10% 5 -10% 5 -10% Os valores de percentual de gordura estabelecidos para crianças e adolescentes foram diferentes em função da transição da alimentação na infância, predominantemente láctea, com percentuais superiores aos consumidos por adultos, e devido à insuficiência de estudos que estabeleçam a relação entre a quantidade de gordura ingerida na infância e o risco de doenças crônicas no adulto. Intervalos de Distribuição Aceitáveis dos Macronutrientes (AMDR – Acceptable Macronutrient Distribution Range) O AMDR de proteína foi estabelecido para complementar os 100% em relação as valores de AMDR das gorduras e carboidratos. Cabe ressaltar que os valores máximos de proteína são elevados se comparados ao intervalo estabelecido no passado (10 a 15%); porém, para o planejamento de dietas para indivíduos ou grupos devemos utilizar: quantidades elevadas de carboidratos, em especial os complexos, ou pelo menos o ponto médio do intervalo 55%; no mínimo 20% de gorduras; e depois ajustar o percentual de proteína para completar o valor energético total a ser atingido. PRÁTICA - INGESTÕES DIETÉTICAS DE REFERÊNCIA Defina necessidade nutricional. Defina os 4 conceitos de referência para o consumo de nutrientes EAR, RDA, AI e UL e diga em que situações cada um deles é utilizado. Classifique cada indivíduo abaixo quanto à ingestão energética e justifique: Homem, 82kg, 53 anos, 1,70m. Ingestão de Energia= 3110Kcal Mulher, 48 anos, 59kg, 1,69m. Ingestão de Energia= 2470 Kcal Homem, 20 anos, 90kg, 1,71m. Ingestão de Energia= 3400 Kcal. Defina a distribuição de macronutrientes (AMDR) da dieta de uma mulher, de 21 anos, 53kg, 1,60m. O valor calórico que a dieta deve conter é 2100Kcal. PRÁTICA - INGESTÕES DIETÉTICAS DE REFERÊNCIA De acordo com as tabelas das DRIs, diga qual é a recomendação de Ferro, Cálcio, Vitamina A e C para cada caso abaixo: Bebê de 4 meses Adolescente de 15 anos, do sexo feminino Homem adulto de 50 anos Idoso de 69 anos Verifique se a ingestão de nutrientes está adequada para os indivíduos abaixo: Mulher, 33 anos, Ingestão média de folato (6 dias): 430µg/dia. Homem, 17 anos, Ingestão média de vitamina D (8 dias): 6µg/dia