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Maria Yasmin Paz Teixeira Nutricionista – UECE Mestranda em Nutrição e Saúde – UECE Pós-graduanda em Nutrição Clínica e Fitoterapia- IVESP Objetivos Entender processo histórico do desenvolvimento das Recomendações Nutricionais Definir e aprofundar conhecimentos sobre RDAs e DRIs Compreender o procedimento de adequação do Consumo Alimentar Diferenciar classificações das DRIS O que vocês entendem por recomendações nutricionais ? O que vocês entendem por necessidades nutricionais ? Por que é necessário conhecer as recomendações nutricionais e saber usá-las ? Quanto o individuo necessita Atender às necessidades fisiológicas individuais Necessidades Nutricionais Valores que devem ser consumidos para satisfazer as necessidades nutricionais de quase todos os indivíduos Estabelecidos por meio de valores fisiológicos de população e estudo Recomendações Nutricionais Planejamento de uma dieta balanceada e adequada “ Inclui todos os nutrientes em quantidades apropriadas e proporcionais uns aos outros.” A presença ou ausência de um nutriente essencial pode afetar a disponibilidade, absorção, metabolismo e necessidades dietéticas de outros. Entendendo Conceitos e Contexto Histórico Em 1940, formação do Comitê de Alimentação e Nutrição (FNB) do IOM nos EUA Órgão para problemas de segurança nacional Tem a iniciativa de estabelecer padrões dietéticos. Levantamento da literatura disponível e consulta a especialistas Em 1941, FNB definiu o termo RDA Recommended Dietary Allowance Manuscrito listando: energia, proteína, cálcio, ferro, vitamina A, B1, B2, B3, vitamina C e vitamina D. Objetivo: fornecer um padrão de meta para uma boa nutrição RDA • Uso inicial na política de nutrição das Forças Armadas e sociedade civil ligada à segurança nacional (EUA). • Auge da 2ª Guerra Mundial: Ideia surgiu diante da necessidade de curar as carências nutricionais dos militares e promover saúde • Inclusão de novos nutrientes! Reflexo da evolução científica RDA • 1974: 8° edição FNB • Definição de RDA: “Nível de ingestão de nutrientes essenciais para cobrir as necessidades de praticamente todos os indivíduos saudáveis” • Aplicações: rótulos de alimentos, planejamento de guias alimentares para pessoas saudáveis, avaliação da ingestão dietética RDA • Influência para outros países realizarem estudos: Canadá, Inglaterra, Austrália e a FAO/OMS • 1995: Food and Drug Administration (FDA) - Canadá - Formação do Comitê da Dietary Reference Intakes • Visar não apenas as carências nutricionais, mas a promoção da saúde e prevenção à toxicidade (estabeleceu limites de ingestão) A partir de 1997, IOM iniciou o desenvolvimento de um conjunto de valores de referencias para ingestão de nutrientes Conhecidos como Dietary Reference Intakes (DRIs) Ingestão Dietética de Referencia Visavam substituir as RDAs publicadas anteriormente DRIs- Utilizadas no planejamento e na avaliação de dietas de indivíduos e populações saudáveis Diferença entre RDA e DRI Considerou-se o risco de redução de doenças crônicas não transmissíveis, não somente de ausência de sinais de deficiência Inclusão de limite máximo para prevenir riscos de efeitos adversos. Necessidade de individualização do atendimento . A tecnologia tem facilitado a mensuração de pequenas mudanças na adaptação individual do consumo de vários níveis de nutrientes Substituição do termo “faixa etária” para “estágios da vida” Por que foram estabelecidas as DRIs? Existência do conhecimento dos limites superiores de ingestão de alguns nutrientes; Constatação do uso inadequado das DRIS capaz de diferenciar o planejamento da avaliação Harmonização das recomendações nutricionais dos EUAs e do Canadá, sendo acordado que a DRI seria utilizado nesses 2 países Dietary Reference Intakes (Ingestões Dietéticas de Referência) “Conjunto de valores de referência correspondentes às estimativas quantitativas da ingestão de nutrientes, estabelecidos para serem utilizadas no planejamento e avaliação das dietas de indivíduos saudáveis em um grupo, segundo seu estágio de vida e gênero.” São valores de referência de ingestão de nutrientes que devem ser utilizados para planejar e avaliar dietas para pessoas saudáveis. Elas incluem tanto as recomendações de ingestão como os limites superiores que devem ser considerados como valores de referência EAR (Estimated Average Intake) RDA (Recommended Dietary Alowance) AI (Adequate Intake) UL (Tolerable Upper Intake Level) DRIs EAR - Necessidade Média Estimada É o valor médio de ingestão diária estimado para atender às necessidades de 50% dos indivíduos saudáveis de um grupo em determinado estágio de vida e gênero. Corresponde à mediana de distribuição das necessidades de um dado nutriente. Valores atualizados RDA - Ingestão Dietética Recomendada É o nível de ingestão diária que é suficiente para atender às necessidades de aproximadamente 97 a 98% dos indivíduos saudáveis de um grupo em determinado estágio de vida e gênero. O processo para estabelecimento da RDA depende da possibilidade de estabelecer uma EAR. Portanto, se não for possível obter a EAR, o valor de RDA não será estabelecido. Se os dados forem insuficientes para cálculo do DP da ingestão, assume- se um CV teórico de 10% para a maioria dos nutrientes. RDA = EAR + 2 DP 1º Passo: DP = 0,1 EAR 2º Passo: RDA = EAR + 2 x (0,1 EAR) 3º Passo: RDA = EAR + 0,2 EAR RDA = 1,2 x EAR Valores atualizados É usada quando não há dados suficientes para a determinação da EAR e consequentemente da RDA. Baseia-se em níveis de ingestão ajustados experimentalmente ou em aproximações da ingestão observada de nutrientes de um grupo de indivíduos aparentemente saudáveis. AI - Ingestão Adequada O UL é o mais alto nível de ingestão habitual do nutriente que provavelmente não coloca em risco de efeitos adversos quase todos os indivíduos em um determinado estágio de vida e gênero. À medida que a ingestão aumenta acima do UL, aumenta o risco potencial de efeitos prejudiciais à saúde. É um nível de ingestão com alta probabilidade de ser tolerado biologicamente, mas não um nível recomendado de ingestão. UL - Limite Superior Tolerável de Ingestão Vitamina C – 2000 mg/dia Baseada no efeito adverso da diarreia osmótica Vitamina C α tocoferol – 1000 mg/dia Baseada no efeito adverso da hemorragia α Tocoferol Selênio – 400 μg/dia Baseada no efeito da adverso da selenose Selênio Suco de 49 laranjas 3,33Kg de margarina vegetal 14g de Castanha do Pará E a suplementação ???? Brain Break Nível de ingestão onde o risco de inadequação é de 0,5 (50%) ? Estima-se que seu valor esteja próximo ou acima da RDA ? Nível de ingestão onde o risco de inadequação é muito pequeno (2 a 3%) ? Quanto mais o nível de ingestão ultrapassar , maior o risco de efeitos adversos ? EAR AI RDA UL Caso Clínico Paciente gestante, 20 anos, procura o serviço de Nutrição para melhorar seus hábitos alimentares. Qual o valor de recomendação de ferro para esta paciente? R= 27mg/dia Individual EAR/AI –verificar a possibilidade de inadequaçãodo consumo observado UL – estimar a possibilidade de consumo excessivo. Grupo EAR/AI – estimar a frequência de ingestões inadequadas num grupo UL – estimar a frequência de níveis de ingestões sujeitos à risco de efeitos adversos. Utilização das DRIs para Avaliação de Dietas Análise Qualitativa da Ingestão Individual de Nutrientes Análise Qualitativa da Ingestão Individual de Nutrientes Para a ingestão habitual, envolve a variabilidade intrapessoal e a escolha de um método sensível para estimar o consumo. Conceitualmente, para avaliar a adequação da ingestão alimentar de um individuo é necessário estabelecer a ingestão habitual deste e em seguida confronta-lo com as suas necessidades. Para necessidade, define-se o valor de ingestão do nutriente que irá manter um nível definido de nutrição em um individuo para um dado critério de adequação nutricional. No entanto, a comparação da ingestão de um individuo com a necessidade de um nutriente é difícil por: 1. A necessidade real de um determinado individuo não é conhecida 2. Raramente é possível medir a longo prazo, a ingestão usual de um nutriente de um individuo, devido a variação diária da ingestão A EAR é a melhor estimativa de requerimento Existe variação interpessoal de requerimento A média da ingestão observada é a melhor estimativa da ingestão usual Existe variação na ingestão alimentar dia a dia Para sanar essas dificuldades, foi desenvolvida uma abordagem estatística que possibilita estimar com confiança se a ingestão habitual é superior ou inferior ao requerimento do individuo Onde: D= 𝑀𝑖 − 𝐸𝐴𝑅 DPd= (𝑉𝑛𝑒𝑐²) + ((𝑉𝑖𝑛𝑡²)/𝑛) Z= 𝐷/DPd REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PADOVANI, Renata Maria et al. Dietary reference intakes: aplicabilidade das tabelas em estudos nutricionais. Revista de Nutrição, 2006. SBAN; ILSI. Usos e aplicações das “Dietary Reference Intakes” DRIs. São Paulo, 2001. SOARES, N.T.; MAIA, F.M.M. Avaliação do Consumo Alimentar: recursos teóricos e aplicações das DRIs. Rio de Janeiro: MedBook, 2013. VITOLO, M.R. Nutrição: da gestação ao envelhecimento. Rio de Janeiro: Rubio, 2008. Maria Yasmin Paz Teixeira Nutricionista – UECE Mestranda em Nutrição e Saúde – UECE Pós-graduanda em Nutrição Clínica e Fitoterapia- IVESP