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COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL E NEGOCIAÇÃO Professor Me. Ricardo Azenha Loureiro Albuquerque Professor Esp. Jorge Luiz Garcia Van Dal GRADUAÇÃO Unicesumar Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de EAD Willian Victor Kendrick de Matos Silva Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Direção Operacional de Ensino Kátia Coelho Direção de Planejamento de Ensino Fabrício Lazilha Direção de Operações Chrystiano Mincoff Direção de Mercado Hilton Pereira Direção de Polos Próprios James Prestes Direção de Desenvolvimento Dayane Almeida Direção de Relacionamento Alessandra Baron Gerência de Produção de Conteúdo Juliano de Souza Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila de Almeida Toledo Coordenador de conteúdo Luciano Santana Pereira Design Educacional Fernando Henrique Mendes Nádila de Almeida Toledo Rossana Costa Giani Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Editoração José Jhonny Coelho Revisão Textual Jaquelina Kutsunugi, Keren Pardini, Maria Fernanda Canova Vasconcelos, Nayara Valenciano Ilustração Thayla Daiany Guimarães Cripaldi C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; ALBUQUERQUE, Ricardo Azenha Loureiro; DAL, Jorge Luiz Garcia Van. Comunicação Empresarial e Negociação. Ricardo Azenha Loureiro Albuquerque, Jorge Luiz Garcia Van Dal. (Reimpressão revista e atualizada) Maringá-Pr.: UniCesumar, 2016. 168 p. “Graduação - EaD”. 1. Negociação. 2. Comunicação empresarial. 3. EaD. I. Título. ISBN 978-85-8084-591-4 CDD - 22 ed. 658.45 CIP - NBR 12899 - AACR/2 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 ISBN AVA 978-85-8084-577-8 Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos os cidadãos. A busca por tecnologia, informação, conhecimento de qualidade, novas habilidades para liderança e so- lução de problemas com eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência no mundo do trabalho. Cada um de nós tem uma grande responsabilida- de: as escolhas que fizermos por nós e pelos nos- sos fará grande diferença no futuro. Com essa visão, o Centro Universitário Cesumar – assume o compromisso de democratizar o conhe- cimento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos brasileiros. No cumprimento de sua missão – “promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária” –, o Centro Universi- tário Cesumar busca a integração do ensino-pes- quisa-extensão com as demandas institucionais e sociais; a realização de uma prática acadêmica que contribua para o desenvolvimento da consci- ência social e política e, por fim, a democratização do conhecimento acadêmico com a articulação e a integração com a sociedade. Diante disso, o Centro Universitário Cesumar al- meja ser reconhecida como uma instituição uni- versitária de referência regional e nacional pela qualidade e compromisso do corpo docente; aquisição de competências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; con- solidação da extensão universitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e a distância; bem-estar e satisfação da comunidade interna; qualidade da gestão acadêmica e administrati- va; compromisso social de inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do trabalho, como também pelo compromisso e relaciona- mento permanente com os egressos, incentivan- do a educação continuada. Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quan- do investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequente- mente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capa- zes de alcançar um nível de desenvolvimento compa- tível com os desafios que surgem no mundo contem- porâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialó- gica e encontram-se integrados à proposta pedagó- gica, contribuindo no processo educacional, comple- mentando sua formação profissional, desenvolvendo competências e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inse- ri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproxi- mação entre você e o conteúdo”, desta forma possi- bilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessários para a sua formação pes- soal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de cres- cimento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos peda- gógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possi- bilita. Ou seja, acesse regularmente o AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e en- quetes, assista às aulas ao vivo e participe das discus- sões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui- lidade e segurança sua trajetória acadêmica. Diretoria Operacional de Ensino Diretoria de Planejamento de Ensino Professor Me. Ricardo Azenha Loureiro Albuquerque Graduado em Administração de Empresas pela Universidade Estadual de Maringá (1998) e mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (2002). Pós-graduado em Dinâmica dos Grupos pela Sociedade Brasileira da Dinâmica dos Grupos (2008). Foi avaliador do Ministério da Educação no período de 2002 a 2006, professor do departamento de Administração da Universidade Estadual de Maringá nos anos de 2006 e 2007. A U TO RE S Professor Esp. Jorge Luiz Garcia Van Dal Graduado em Comunicação Social pela UNICESUMAR (2006), é mestrando em Comunicação Social pela UMESP (Universidade Metodista de São Paulo). Pós-graduado em Marketing (2010) pelo Instituto Paranaense de Ensino. Professor universitário nas áreas de Marketing e Comunicação na Faculdade Alfa de Umuarama e Faculdade Fatecie, onde também é coordenador do curso superior de tecnologia em Marketing. Ampla experiência como diretor, produtor e apresentador de programas de TV e planejamento de mídia para campanhas de publicidade na região noroeste do Paraná. Apresentador de programas eleitorais e estrategista em Marketing Eleitoral. SEJA BEM-VINDO(A)! Olá! Se você se interessou pelo assunto deste livro, já deve ter percebido que a comuni- cação e a negociação fazem parte do nosso dia a dia, não só nas empresas, mas na vida. Por isso, conhecer mais sobre algo que praticamos, às vezes até mesmo instintivamente, vai nos ajudar muito em nossa profissão e relações sociais. A comunicação é algo nato do ser humano, mas podemos melhorar nossas habilidades e, além disso, aplicá-las nas empresas para atingir de forma mais eficiente os objetivos das organizações. Também temos que negociar o tempo todo, muitas de nossas esco- lhas e tomadas de decisão são antes intermediadas por uma boa negociação. Portanto, veremos que negociação e comunicação andam juntas, e quanto melhor entendemos e aplicamos suas técnicas, de forma ética e profissional, melhor serão nossos resultados e das empresas. Na unidade I serão apresentados os conceitos básicos de negociação e sua importân- ciaem nosso dia a dia. Na sequência, iremos tratar a respeito dos possíveis resultados em negociação e discutir a possibilidade e viabilidade de se buscar resultados do tipo ganha/ganha, assim como iremos trabalhar os elementos essenciais em negociação e a importância de se conhecer antecipadamente cada um deles para favorecer a prepara- ção para a execução de um processo de negociação. Na unidade II vamos discutir alguns pontos muito importantes que fazem parte da ne- gociação. Veremos que um bom negociador necessita de algumas habilidades espe- cíficas que o ajudem a desenvolver uma negociação eficiente e eficaz. Na sequência, iremos entender porque a negociação é considerada um processo sistêmico e, ao com- preendermos esta condição, será fácil preparar qualquer tipo de negociação. Abordare- mos algumas maneiras que possibilitem a realização do planejamento da negociação de modo que seja possível entender o porquê da necessidade de se planejar todo o processo. A unidade III trata dos processos de negociação, onde iremos nos deparar com diversos cenários diferentes, sendo fundamental que se tenha estratégias para agir em cada um deles. Veremos também que definir uma estratégia de ação em negociação faz parte do processo de preparação, entretanto, só será possível a definição por qual estratégia utilizar quando da finalização do planejamento e preparação do processo de negocia- ção. Tão importante quanto a escolha das estratégias definidas pelo negociador está a verificação de questões éticas que possam estar implicadas no processo. Portanto, esta unidade será dedicada a ressaltar a importância da ética para que o negociador tome os devidos cuidados e evite problemas que possam surgir com seus parceiros em uma negociação. Na unidade IV começaremos a nossa jornada pela comunicação com foco na Comuni- cação Empresarial, sem deixar de manter a importante ligação com o mundo das orga- nizações e a negociação, que é parte fundamental dessa área. Veremos que falar sobre comunicação é algo complexo, principalmente porque não se trata de uma ciência exa- ta e pelo fato de ela estar totalmente ligada as nossas relações sociais, que por sua vez APRESENTAÇÃO COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL E NEGOCIAÇÃO são influenciadas por aspectos culturais, tecnológicos, ambientais e econômicos. No âmbito da Comunicação no contexto Empresarial não é diferente. Por isso, nos concentraremos nos conceitos fundamentais da comunicação social e empresarial, no processo comunicacional e no papel do gestor comunicador. Na unidade V vamos ampliar nossos conhecimentos sobre a Comunicação Empre- sarial e suas técnicas para melhorar o relacionamento e a comunicação com os pú- blicos de interesse da organização. Veremos que, para isso, as empresas precisam valorizar as pessoas de uma organização, desenvolvendo sua cultura organizacional por meio da aprendizagem e da capacidade de inovar. Ficará claro que para isso os gestores precisam recriar uma nova postura empresarial, valorizando os processos comunicacionais, utilizando os melhores modelos, técnicas e canais de comunica- ção adequados aos seus públicos e sempre estar abertos ao diálogo. Vamos ver também que muitos dos problemas de uma organização podem estar li- gados direta ou indiretamente à comunicação. Por isso, uma comunicação eficiente é a base de toda negociação. Para negociarmos bem, precisamos em primeiro lugar nos comunicar bem. Em seguida, vamos conhecer os modelos de comunicação para a empresa, onde os principais são: comunicação interna, comunicação externa, as- sessorias e porta-voz, meios de divulgação, informação e publicidade. Depois de conhecer os modelos de comunicação, vamos abordar a Comunicação Empresarial, como ela deve ser encarada, uma importante ferramenta estratégica para as organi- zações, e iremos conhecer o modelo básico de um Plano Integrado de Comunicação Empresarial. Aproveitamos para reforçar o convite a você, para junto conosco percorrer esta jor- nada de conhecimento e multiplicar os conhecimentos sobre tantos assuntos abor- dados em nosso livro. Esperamos contribuir para seu crescimento pessoal e profis- sional. Muito obrigado e bom estudo! 8 - 9 APRESENTAÇÃO SUMÁRIO 8 - 9 UNIDADE I CONCEITOS E IMPORTÂNCIA DA NEGOCIAÇÃO 15 Introdução 15 O Que é Negociação? 20 Possíveis Resultados em Negociação 26 Elementos Essenciais em Negociação 36 Considerações Finais UNIDADE II HABILIDADES, PROCESSOS E PLANEJAMENTO EM NEGOCIAÇÃO 43 Introdução 43 As Habilidades dos Negociadores 51 O Processo de Negociação 54 O Planejamento da Negociação 65 Considerações Finais SUMÁRIO 10 - 11 UNIDADE III ESTRATÉGIAS EM NEGOCIAÇÃO E SUAS IMPLICAÇÕES ÉTICAS NO PROCESSO 71 Introdução 71 As Estratégias dos Negociadores 88 A Ética nas Negociações 91 Considerações Finais UNIDADE IV A COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO EMPRESARIAL 97 Introdução 98 As Revoluções da Comunicação 102 Comunicação na Sociedade da Informação 103 O Processo Comunicacional 106 Tipos de Comunicação nas Organizações 110 Comunicação Integrada 114 Comunicação Empresarial 119 A Comunicação e o Gestor 124 Considerações Finais SUMÁRIO 10 - 11 UNIDADE V IMPLEMENTANDO O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO 131 Introdução 132 Comunicação como base da Negociação 136 Modelos de Comunicação para a Empresa 146 Comunicação Empresarial Estratégica 152 Plano Integrado de Comunicação Empresarial 158 Considerações Finais 165 CONCLUSÃO 167 REFERÊNCIAS U N ID A D E I Professor Me. Ricardo Azenha Loureiro Albuquerque CONCEITOS E IMPORTÂNCIA DA NEGOCIAÇÃO Objetivos de Aprendizagem ■ Conceituar negociação. ■ Compreender a importância da negociação. ■ Apresentar os possíveis resultados de uma negociação. ■ Discutir sobre os elementos essenciais em negociação. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ O que é negociação? ■ Possíveis resultados em negociação ■ Elementos essenciais em negociação 14 - 15 INTRODUÇÃO Prezado(a) Acadêmico(a), você já percebeu que em nossa vida a negociação está sempre presente? Apesar de nossa liberdade e livre arbítrio para escolhas e tomadas de decisão, muitas delas só são possíveis após termos negociado suas ações e consequências com alguém. Normalmente uma pessoa próxima e querida ou, muitas vezes com nós mesmos. Sendo assim, iniciaremos esta uni- dade apresentando os conceitos básicos de negociação e sua importância em nosso dia a dia. Na sequência iremos tratar a respeito dos possíveis resultados em negociação e discutir a possibilidade e viabilidade de se buscar resulta- dos do tipo ganha-ganha. Para finalizar esta unidade, iremos trabalhar com os elementos essenciais em negociação e a importância de se conhecer anteci- padamente cada um deles para favorecer a preparação para a execução de um processo de negociação. O nosso desafio nesta unidade é que você seja capaz não apenas de enten- der os conceitos teóricos aqui abordados, mas, que consiga aplicá-los em seu dia a dia. O QUE É NEGOCIAÇÃO? Como apresentamos na introdução deste material, a negociação faz parte do nosso cotidiano. Em qualquer decisão que tomamos, seja ela simples ou complexa, negociamos, mesmo que inconscientemente. Veja que interessante: Stark (1999, p.1) apresenta os dados de uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de San Diego que, durante um seminário questionou seus participantes a res- peito da frequência que estes negociavam. A surpresa veio com a resposta: 36% afirmaram raramente ou nunca negociar. Esta informação reforça exatamente nossa colocação no início desta unidade, ou seja, as pessoas não têm consciên- cia da realização do processo de negociação em seudia a dia. Assim, podemos Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 14 - 15 ©shutterstock CONCEITOS E IMPORTÂNCIA DA NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 16 - 17I dizer que Negociar é o processo para se alcançar aquilo que deseja e, se é um processo, significa que existe uma metodologia para sua realização. Wanderley (1998, p. 21) define negociação como um processo para se alcan- çar objetivos por meio de um acordo nas situações em que existam interesses comuns. Com os amigos, decidir onde jantar. Em casa, com a família, escolher qual programa de televisão assistir (normalmente em casas onde se têm crian- ças, estas são as que sempre vencem as negociações). Advogados negociam acordos antes de levarem a demanda para o tribunal. Países negociam acordos comerciais, acordos de paz. Enfim, a definição de Wanderley consegue explicar claramente o sentido de negociação. O mesmo autor continua sua definição explicando que a mesma possui algu- mas considerações, apresentadas no quadro 1: O Que é Negociação? Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 16 - 17 ■ Negociação é um processo, ou seja, uma sequência de etapas que se de- senrolam do início até o final da negociação. ■ Toda negociação significa alcançar objetivos. ■ Uma negociação pode ser entendida dentro de uma adaptação do con- ceito do campo de forças desenvolvido por Kurt Lewin. ■ Negociação é relacionamento e não um ato isolado. É sempre alguma coi- sa que se faz em conjunto. ■ O que diferencia a negociação de outras formas para se alcançar objetivos é que, na negociação, isso é feito por meio de um acordo. ■ Divergências, conflitos e antagonismos estão sempre presentes de uma ou de outra forma. Quadro 1: Conceitos básicos de negociação Fonte: Adaptado de Wanderley (1998, p. 21-22) NEGOCIAÇÃO COMO UM PROCESSO Dizer que negociar é realizar processos significa dizer que negociação é algo que tem início, meio e fim. Burbridge et al. (2007, p. 83) comparam o processo de negociar com o treinamento de um soldado no manuseio de um rifle. O soldado é instruído a usar uma sequência de cinco passos que, quando bem executados, asseguram a precisão do tiro. Segundo o autor, na negociação também é possí- vel treinar processos simples em que saberemos utilizar no momento certo as táticas que melhor se aplicam em cada fase do processo de negociação, aumen- tando, assim, as chances de sucesso. NEGOCIAÇÃO É ALCANÇAR OBJETIVOS Para ter sucesso em negociações, é necessário estabelecer claramente obje- tivos e desejos e, principalmente, o que estamos dispostos a dar em troca. Wanderley (1998, p. 22) lembra que esperar obter algo sem dar nada em troca é CONCEITOS E IMPORTÂNCIA DA NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 18 - 19I estar esperando uma doação ou então um milagre. De uma maneira clara, para receber é preciso oferecer. O autor se utiliza de uma parábola que facilita o enten- dimento deste processo: Certa vez, dois seminaristas foram pedir autorização ao padre supe- rior para fumar enquanto rezavam. O primeiro foi direto ao assunto, perguntando se podia fumar durante suas orações. O padre negou o pedido e exigiu do seminarista muitas penitências. O segundo semina- rista preparou-se previamente. Descobriu qual era o santo da devoção do superior, leu sobre sua vida e foi ao encontro do padre. Estabeleceu um clima positivo e verificou o momento oportuno de fazer a sua soli- citação. Falou sobre seu grande desejo de chegar à santidade e contou o que vinha fazendo nesse sentido. Entretanto, observou, tinha um pe- queno problema. Algumas vezes costumava fumar, mas nos momentos em que estava fumando sentia uma vontade incontrolável de rezar. Será que nesses momentos poderia rezar? Recebeu uma resposta positiva, com a recomendação de que rezasse também para interromper esse vício (WANDERLEY, 1998, p. 21). Analisando esta parábola, é possível que se perceba que, para conseguir alcan- çar seu desejo, o segundo seminarista, de certa forma, precisou oferecer algo além do seu pedido, precisou aceitar a recomendação do padre de rezar para parar de fumar. Diferente do primeiro que apenas apresentou seu desejo sem nada a oferecer. NEGOCIAÇÃO COMO CAMPO DE FORÇAS O psicólogo Kurt Lewin desenvolveu uma teoria chamada campo de forças que, como nos mostra Ferreira et al. (2002 p. 85), definem o comportamento das pes- soas como resultado de um equilíbrio entre forças de impulsão para mudanças e forças de restrição a novas propostas e, como consequência, favoráveis à manu- tenção da situação atual. O Que é Negociação? Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 18 - 19 Figura 1: Diagrama do campo de forças de Lewin Fonte: Ferreira et al. (2002, p. 85) O que podemos observar na figura 1 é justamente o funcionamento dessas forças. Wanderley (1998, p. 22) continua explicando que a tendência natural, quando se pretende que uma mudança ocorra efetivamente, é que se aumente a inten- sidade das forças de impulsão, entretanto esse é o tipo de situação que favorece a resistência à mudança. O autor lembra que a sugestão de Lewin para que isso não ocorra é diminuir as forças de restrição mediante a identificação daquilo que esteja provocando a resistência. Assim, Wanderley (1998, p. 22) comple- menta dizendo que é possível entender a negociação como a passagem de uma situação atual para uma situação futura dentro do campo de forças onde estas são, justamente, os interesses comuns. NEGOCIAÇÃO É RELACIONAMENTO E NÃO UM ATO ISOLADO As negociações ocorrem, na maioria das vezes, envolvendo, pelo menos, duas partes interessadas. Lewicki et al. (2001, p. 19) reforçam essa afirmação nos colo- cando que, apesar de ser possível negociar consigo mesmo, a negociação é um processo interpessoal ou intergrupo. Sendo assim, efetivamente estamos falando sobre relacionamento e, quando isto ocorre, Wanderley (1998, p. 22) nos lem- bra de que haverá emoção e comunicação presentes, uma vez que não existe relacionamento sem a presença desses dois componentes. Lewicki et al. (2001, p. 85) complementam nosso autor mostrando que entre duas ou mais partes, na maioria das vezes irá ocorrer um conflito de interesses, ou seja, o que um CONCEITOS E IMPORTÂNCIA DA NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 20 - 21I quer não é necessariamente o que outro quer e as partes devem procurar uma maneira de solucionar este conflito. Os autores continuam informando que as partes preferem tentar chegar a um acordo a gerar um impasse. Inevitavelmente, para que se conclua o processo, uma das partes acabará por ceder ou, caso con- trário, se buscará uma autoridade superior para decidir. Normalmente, quando se chega nesta situação, irá ocorrer o rompimento das relações e o importante é agir para evitar que isto ocorra. E é exatamente aí que existe a diferenciação entre a negociação e outros meios para se alcançar objetivos. Negociar é tomar decisões em conjunto de modo a obter acordos mútuos, ou seja, muitas vezes será necessário vencer conflitos, divergências e antagonismos que podem acon- tecer, segundo Wanderley (1998, p. 23), por má comunicação ou divergência entre ideias,propostas e interesses, que, normalmente, tem origem em dificul- dades de relacionamento. POSSÍVEIS RESULTADOS EM NEGOCIAÇÃO As pessoas negociam para alcançar seus objetivos e, no processo final de nego- ciação, inevitavelmente irá se chegar a um resultado que poderá ser favorável ou desfavorável às partes interessadas. Stark (1999, p. 7) afirma que a negocia- ção terá como resultados possíveis: perde-perde, perde-ganha, ganha-perde, ©shutterstock Possíveis Resultados em Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 20 - 21 ganha-ganha, ou, simplesmente, nada acontece. Wanderley (1998, p. 23) coloca que esses resultados serão obtidos graças à postura adotada durante a negocia- ção, ou seja, para o autor existem duas condutas básicas adotadas, a conduta de se ganhar ou de se perder. Estas condutas vão gerar o que Wanderley (1998) chama de postura ganha-perde, ganha-ganha ou perde-perde, culminando nos resultados apresentados por Stark acima. POSTURA GANHA-PERDE Quando o negociador tem interesse apenas em satisfazer seus objetivos, ine- vitavelmente irá gerar danos para a outra parte. A conduta adotada, conforme Wanderley (1998, p. 23), será: ■ O importante é levar vantagem em tudo. ■ Só os interesses próprios é que contam. O outro que trate de cuidar dos seus. ■ O mundo é dos espertos. ■ A negociação é um campo de batalha no qual os mais aptos vencem. ■ Quem tem pena do coitado fica no lugar dele. ■ O que vale é, sobretudo, o curto prazo, pois em longo prazo estaremos mortos. ■ Não é importante estabelecer vínculos positivos ou duradouros com o outro negociador. ■ O segredo é a alma do negócio. Informações falsas fazem parte do negócio. ■ Vale tudo. O importante é não ser pego. Como é possível perceber, negociadores com esta postura carecem de princípios éticos, desdenham das outras partes acreditando que estas não percebem suas manobras por serem ingênuas. O autor complementa sua explicação afirmando existir duas modalidades para os negociadores que adotam esta postura: a hos- tilidade e a manipulação. Na primeira a intenção é intimidar a outra parte, já na CONCEITOS E IMPORTÂNCIA DA NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 22 - 23I segunda, procura-se cativar ou enganar o outro lado a fim de induzir a erros de interpretação não só quanto à informação, mas também quanto às verdadeiras intenções do que se pretende negociar. POSTURA GANHA-GANHA O negociador que adota uma postura ganha-ganha parte do princípio de que, para se ter um bom acordo, é necessário que ambos os interessados sejam satis- feitos de maneira a encontrar alternativas de ganho comum. Wanderley (1998, p. 24) afirma serem pessoas que agem para encontrar pontos de convergência, por mais difícil que seja, e detêm as seguintes crenças: ■ Querem que os seus interesses sejam atendidos. ■ Um bom negócio deve atender os interesses de todos os negociadores envolvidos. ■ O problema do outro não é só problema do outro. Ele deve ser identifi- cado e solucionado no processo de negociação. ■ Embora o curto prazo seja relevante, não se pode deixar de levar em con- sideração as perspectivas de médio e longo prazo. ■ Em toda negociação, além do objeto da negociação, deve-se dedicar igual atenção ao relacionamento entre as partes. ■ Para que haja um bom acordo, é necessário que os dois lados estejam ver- dadeiramente comprometidos com a sua implementação. POSTURA PERDE-PERDE Wanderley (1998, p. 25) afirma existir, eventualmente, a possibilidade de se encontrar a postura perde-perde, ou seja, o negociador não se importa em per- der desde que o outro também perca. É o que o autor chama de estilo kamikaze, onde todos explodem juntos. O mais importante é prejudicar o outro e não obter Possíveis Resultados em Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 22 - 23 nenhuma vantagem a si mesmo. O autor utiliza a parábola do sapo e o escorpião para ilustrar este tipo de postura. Certa vez, um escorpião pediu a um sapo que o ajudasse a atravessar um rio. O sapo respondeu que não, pois o escorpião iria matá-lo. “Ora”, disse o escorpião, “se você morrer, eu morrerei junto, pois não sei na- dar”. O sapo achou a argumentação razoável e resolveu atravessar o rio com o escorpião às suas costas. Quando chegou ao meio do caminho, o escorpião deu uma ferroada no sapo, que, atônito, perguntou: “Por que você fez isso? Agora nós dois vamos morrer”. “É verdade”, respondeu o escorpião, “eu também vou morrer, mas não pude conter meu ímpeto” (WANDERLEY, 1998, p. 25). NENHUM RESULTADO Como vimos anteriormente, Stark (1999) sugere um resultado onde é possível que nenhuma das partes tenha seus interesses satisfeitos, ou seja, não teremos ganhador muito menos perdedor, por exemplo: Uma pessoa que tinha uma grande propriedade comercial de bom va- lor patrimonial decidiu vendê-la. O motivo da venda devia-se ao fato de que o governo municipal estava considerando a possibilidade de re- zoneamento da área onde a propriedade estava localizada. O proprie- tário achou que o rezoneamento iria desvalorizar a propriedade. Cha- mou-se um corretor para avaliar a propriedade. Na reunião, o corretor – que por acaso era membro da comissão responsável pelo zoneamento na cidade – disse ao proprietário que ele havia recebido informações erradas e que nenhum rezoneamento seria feito na área. O corretor recomendou ao proprietário que mantivesse a propriedade, ao invés de vendê-la. O proprietário aceitou a sugestão (STARK, 1999, p. 11). O que é possível perceber no exemplo anterior é que nada aconteceu. Pode-se pensar que o corretor utilizou-se de má-fé para burlar o proprietário, mas não foi o que ocorreu, na verdade, não se chegou a nenhum resultado. Em processos de negociação o que se busca, na maioria das vezes, é uma postura ganha-ganha de maneira que todos os interessados alcancem seus objetivos, o que irá estabelecer um vínculo de relacionamento positivo e duradouro. 24 - 25 A NEGOCIAÇÃO E O MITO DO GANHA-GANHA trata a respeito da negociação ganha-ganha. Apresentamos trechos de relevância para nosso estudo, mas é importante que se faça a leitura na íntegra no site apresentado. João Baptista Vilhena Diretor do MVC Em gestão, muitos mitos vão se criando impune ou - às vezes - inocentemente. Há os que acreditam de verdade que a propaganda é a alma do negócio. Os que chegam a jurar que o cliente tem sempre razão. Além dos que defendem, com unhas e dentes, que é melhor vender alguma coisa que o cliente não quer ou não precisa comprar do que sair da entrevista sem um “pedidinho”. E por aí vai. [...] Hoje queremos discutir com você um dos mais frequentes mitos da negociação: a do método ganha-ganha. [...] Se toda a negociação tem origem numa divergência quanto aos meios e numa conver- gência quanto aos fins, o único método possível para chegar a um acordo favorável para ambas as partes é o cede-cede. Tomemos por base uma negociação comercial. O lado (a) quer vender um produto, mas só pode entregá-lo em 90 dias. O lado (b) quer comprar o produto – eis aí a tal conver- gência quanto aos fins – mas tem que recebê-lo em, no máximo, 45 dias – logo, há aqui uma divergência quanto aos meios. Supondo que os prazos reivindicados pelas partes sejam verdadeiros, a única forma de estabelecer o acordo é obtendo de cada lado uma concessão e, por exemplo, fechando o negócio para entrega daqui a 70 dias (ambostiveram que ceder, não é verdade?). [...] Nas negociações sindicais o “patrão” oferece um reajuste de 8%. Os empregados reivin- dicam 20%. Depois de muita discussão, as partes concordam com 10%. Você negaria que ambos abriram mão de um pouco para chegar ao acordo? [...] Existem inúmeras táticas que, embora levem ao ganha-perde, são amplamente utiliza- das visando forçar o outro lado a fazer concessões acima do que seria possível conside- rar razoável: ■ Cobertor: consiste em revelar tudo aquilo que queremos para depois verificar do que abriremos mão (a analogia é: vamos deixar os pés ou a cabeça descoberta?). 24 - 25 ■ Colchete: consiste em isolar aquilo que a outra parte mais deseja visando colocá-la na defensiva. ■ Surpresa: consiste na súbita mudança do objeto da negociação, deixando a outra parte desconcertada e despreparada para negociar. ■ Intimidação: consiste em ameaçar a outra parte – sugerindo encerrar a negocia- ção imediatamente, por exemplo. ■ Silêncio: consiste em não emitir qualquer opinião ou crítica quanto ao que está sendo proposto, visando desorientar a outra parte. ■ Drible: consiste em insistir que queremos uma determinada coisa quando o que nos interessa é outra. ■ Autoridade limitada: consiste em criar uma instância superior que precisa ser consultada antes de darmos uma resposta final sobre uma proposta. ■ Mocinho/bandido: negociadores que trabalham em dupla. Um faz o papel do bonzinho e o outro é o mau. Poderíamos aqui mencionar uma lista muito mais ampla, que envolveria truques, arti- manhas e falcatruas. Ao conversarmos sobre isso com os participantes dos nossos even- tos, um número muito grande afirma utilizar-se desses recursos para obter o acordo. Em sua opinião, estão agindo da forma que propõem os livros e manuais (infelizmente mui- tos deles realmente propõem isso) e, consequentemente, não se percebem infringindo qualquer limite ético ou moral. [...] Nossa crença é que o ganha-ganha existe sim, mas não no processo. Ele é atingido quan- do ao final da negociação cada parte avalia as concessões que fez e as compara com os resultados que obteve e chega à conclusão que, realmente, valeu a pena. Disponível em: <http://www.institutomvc.com.br/insight61.htm#mat3>. Acesso em 25 jan. 2013. CONCEITOS E IMPORTÂNCIA DA NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 26 - 27I ELEMENTOS ESSENCIAIS EM NEGOCIAÇÃO Durante o processo de negociação, o que se percebe é a existência de alguns ele- mentos que se destacam por sua importância no contexto. Stark (1999, p. 13) considera o tempo, a informação e o poder como os três elementos mais importantes na negociação. TEMPO O tempo de duração de um processo de negociação pode variar entre curto ou longo. Martinelli e Ghisi (2006, p. 103) recomendam cuidado com relação ao tempo despendido na negociação. Segundo o autor, o tempo deve ser o ponto de apoio para se projetar o negócio, com consequente satisfação dos envolvi- dos, além de permitir a conclusão de que é ilimitado, podendo, entretanto ser controlado. Muitas vezes, porém, a outra parte tenta parecer indiferente em rela- ção ao prazo, o que sempre traz resultados negativos para o oponente, visto que aumenta a pressão sobre ele. O autor recomenda não esquecer de fixar prazos de acordo com os interesses do negociador para evitar tumultos, concessões desne- cessárias e o estabelecimento de acordos prévios. Stark (1999, p. 13) se reforça na lei de Pareto para explicar a importância do tempo em negociações. A chamada regra 80/20, ou Lei de Pareto, diz que: “vinte por cento do que você faz produz 80% dos resultados; inversamente, 80% do que você faz produz somente 20% dos resultados”. Normalmente, segundo o autor, a maioria das negociações é concluída nos últimos momentos. Em negociações, ainda segundo Stark (1999), o tempo e o prazo de nego- ciação podem favorecer a cada lado, e faz algumas sugestões: 1. Seja paciente. Como a maioria das concessões e decisões ocorrerão nos últimos 20% do tempo disponível, tenha bom senso e espere o momento certo para agir. Como regra geral, vale a pena ter paciência. 2. Se houver vantagens na conclusão rápida da negociação, venda esta ideia à contraparte. Existem ocasiões em que uma ou ambas as partes serão beneficiadas, se as negociações forem concluídas ra- pidamente. Elementos Essenciais em Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 26 - 27 3. Tenha em mente que os prazos podem ser alterados, mudados ou simplesmente eliminados. Quando seu prazo final se aproxi- mar, não entre em pânico. Crie seu prazo. 4. Na maioria das negociações, você se sairá melhor se souber os prazos da sua contraparte e ela não conhecer os seus. Quando chegar o momento que você imagina ser o prazo final da sua con- traparte, você verá o nível de tensão dela aumentar – e ela começará a fazer concessões. 5. Lembre-se de que, de maneira geral, você não alcançará o me- lhor resultado rapidamente. Ainda que haja exceções a essa regra, você provavelmente se sairá melhor se mudar seu prazo e desenvol- ver a negociação devagar e com perseverança (STARK, 1999, p.14). INFORMAÇÃO No filme Piratas do Vale do Silício (1999) existe uma passagem muito interes- sante onde estão Steve Jobs, Steve Wozniac e “Capitão Crunch” (apelido da pessoa que descobriu que o som dos apitos dados de brinde em caixas de cereal Capitão Crunch tinham o mesmo tom dos telefones da AT&T em ligações de longa dis- tância e, com isso, era possível fazer ligações DDI sem pagar) estão utilizando um equipamento desenvolvido por eles batizado como “caixa azul”. Este apare- lho era capaz de fazer ligações DDI de graça, burlando o sistema telefônico. Na cena em questão, Steve Jobs liga para o Vaticano e pede para falar com o Papa. Ele fica tão maravilhado que diz a Wozniack: “Tudo isso é sobre poder... é como naqueles países estranhos, onde os caras do exército querem derrubar o presi- dente, e a primeira coisa que eles assumem são os meios de comunicação. TV, Rádio, Jornais... informação é poder...”. Esta passagem ocorreu em 1977. Tornou-se clichê dizer que vivemos na Era da Informação ou Sociedade da Informação, na verdade, já são mais de 20 anos desde que esse termo começou a ser utilizado com bastante frequência, principalmente com a consolidação da Internet. Entretanto, a informação tem sido, sem sombra de dúvida, a arma mais importante nos jogos sociais. Na maioria das vezes, quando pensamos em nego- ciação, a parte que tiver mais informações tenderá a obter os melhores resultados, o problema é que as pessoas encaram negociação como uma interação real entre CONCEITOS E IMPORTÂNCIA DA NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 28 - 29I duas partes. Raramente pensam que poderão precisar de informações detalha- das até que sintam essa necessidade na hora da negociação. Stark (1999, p. 15) explica que a negociação é um processo que começa muito antes do encontro face a face. O processo inicia-se com o levantamento de informações a respeito da contraparte uma vez que, durante a fase de negociação, esta irá esconder seus verdadeiros interesses, necessidades e motivações. E suas chances de conseguir essas informações durante o curso da negociação são relativamente remotas. Com a necessidade de se obter o máximo de informação possível com ante- cedência antes de um processo de negociação iniciar, Martinelli e Ghisi (2006, p. 106) sugerem como fontes de informação: ■ Internet: artigos sobre as pessoas com as quais se está negociando, a empresa e seus produtos.■ Biblioteca: artigos e outras informações sobre a empresa com a qual se estabeleceu um processo de negociação podem estar dispo- níveis. Empresas públicas, por exemplo, arquivam seus relatórios anuais na biblioteca da cidade. Também se podem buscar dados em listas do tipo “quem é quem” e informativos industriais. ■ Telefone: clientes em potencial quase sempre recebem informações sobre produtos e sobre a empresa com a qual negociam se solicita- rem (MARTINELLI; GHISI, 2006, p. 106). É importante perceber que, conforme o autor argumenta, a influência das infor- mações sobre os limites de tempo pode ser decisiva, levando a uma revisão dos prazos ou à mudança de postura ao final de uma negociação. Stark (1999, p. 15) complementa a sugestão de Martinelli e Ghisi a respeito das fontes de informa- ção sugerindo que é possível encontrar as mesmas de qualquer um que tenha um conhecimento tal que possa ajudá-lo em sua negociação. É possível encontrar material útil pesquisando fatos e estatísticas, falando com alguém que já tenha negociado com sua contraparte anteriormente, falando com sua contraparte ou falando com amigos, parentes ou outros com quem você já tenha tido negocia- ções semelhantes. Particularmente, sugerimos a utilização da Internet como a principal fonte para busca de informações, desta, as redes sociais detêm uma gama considerada de informações preciosas a respeito de muitas pessoas e empre- sas. Independente da fonte ou fontes de dados que se escolha ou se utilize para levantamento de informações, o fundamental é: quanto mais informação você Elementos Essenciais em Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 28 - 29 tiver, melhor você se sairá, assim, a preparação preliminar é essencial, de modo a permitir que você possa definir seus objetivos baseando-se nas informações coletadas. Para tanto, Stark (1999, p. 16) indica a utilização de um questionário, apresentado no quadro dois, que o ajudará a coletar as informações das quais você irá precisar. Seu lado Lado da contraparte Assunto: Assunto: Fatos disponíveis: Fatos disponíveis: Aspectos negociáveis: Aspectos negociáveis: Necessidades dos negociadores: Necessidades dos negociadores: Posição com relação aos assuntos: Posição conhecida com relação aos assuntos: Estratégia e táticas: Estratégia e táticas: Quadro 2: Questionário de pontos de vista Fonte: Stark (1999, p. 16) PODER Esta pequena palavra carregada de uma grande força tem consequências dife- rentes na forma como é utilizada. O poder do poder chega a ser místico, revela o verdadeiro caráter das pessoas, pode construir e, ao mesmo tempo, destruir. Poder é objeto de desejo da maioria das pessoas, é a causa das discórdias, brigas e mesquinharias do ser humano. Stark (apud MARTINELLI; GHISI 2006, p. 97) define poder e considera que ele pode se manifestar de várias formas: ■ É a força que permite impor uma posição sobre a outra, sem levar em consideração seus méritos relativos. ■ É a capacidade de exercer a própria vontade sobre os outros, sem considerar seus cargos ou autoridades relativos. ■ É a capacidade de influenciar outros para fazerem, em geral, o que talvez não fizessem na ausência dessa influência (STARK apud MARTINELLI; GHISI, 2006, p. 97). CONCEITOS E IMPORTÂNCIA DA NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 30 - 31I Quando o foco é a negociação, Martinelli e Ghisi (2006, p. 96) lembram que o poder está sempre envolvido em qualquer situação que a envolva, sendo nego- ciações individuais, coletivas ou políticas. O fato é que, nessas circunstâncias, mesmo os negociadores mais habilidosos devem considerar a força e os efeitos do poder condicionantes no processo de negociação. Stark (apud MARTINELLI; GHISI, 2006, p. 97) lembra que dificilmente será encontrado o poder completo em negociações uma vez que, se isto acontecesse, não haveria necessidade de se negociar. Desta forma, o autor coloca a existência de seis tarefas que precisam ser dominadas pelo negociador para administrar os fatores de poder durante a negociação: ■ Reconhecer a discrepância do poder. ■ Modificar os desequilíbrios do poder. ■ Reconhecer o risco pelo uso do poder. ■ Evitar o uso de argumentos baseados no poder. ■ Evitar a manipulação. ■ Usar ferramentas lógicas (STARK apud MARTINELLI; GHISI, 2006, p. 97). Para entender a utilização das tarefas sugeridas por Stark (apud MARTINELLI; GHISI, 2006) vamos apresentar os dez tipos de poder que podem influenciar uma negociação conforme Stark (1999, p. 17): 1. Posição. Algumas medidas de poder baseiam-se na posição hie- rárquica da pessoa na organização. Um gerente de marketing pode influenciar as decisões que afetam o departamento de marketing. Mas ele tem pouca autoridade ou poder para influenciar as deci- sões que afetam o departamento financeiro. 2. Legitimidade. Algumas posições de autoridade conferem poder legítimo à pessoa que as ocupa. O Papa da Igreja Católica possui esse tipo de poder. Os Católicos consideram o Papa como um guia em áreas como casamento, divórcio ou aborto. 3. Conhecimento ou especialização. As pessoas que possuem co- nhecimento ou especialização podem ter um poder enorme. É cla- ro que o conhecimento, por si só, não significa poder. O que con- fere poder a alguém é o modo como essa pessoa usa e aplica seu Elementos Essenciais em Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 30 - 31 conhecimento e especialização. Você pode ser brilhante, e mesmo assim não ter poder. 4. Caráter. Quanto mais íntegra e leal a pessoa for, maior poder ela terá em negociações. Neste caso, o que importa é se elas realmente fazem aquilo que dizem que vão fazer. 5. Recompensa. Aqueles que têm autonomia para conferir recom- pensas ou algo que seja visto pela contraparte como recompensa, possuem poder. Como são autorizados a conceder aumentos aos funcionários de seu grupo, os supervisores têm poder sobre eles. 6. Punição. Aqueles que podem criar um resultado negativo para sua contraparte têm poder de punir. Os gerentes possuem este tipo de poder, já que têm autoridade para reprimir e despedir funcioná- rios. 7. Sexo. O tratamento com o sexo oposto pode conferir poder. Já gravei, em vídeo, muitos estudos de caso de negociação em que o ponto decisivo ocorria quando a mulher tocava casualmente a mão ou o braço do homem. 8. Estilo comportamental. Você pode ter um único estilo comporta- mental, ou a combinação de vários deles: 9. Analítico: orientado para o processo, metódico; 10. Dirigido: orientado para a tarefa, para a meta, com enfoque no resultado final; 11. Protetor: orientado para o relacionamento, para os sentimentos; 12. Uma mistura dos outros três. Qual deles é o mais apropriado depende da situação. Uma pessoa em processo de divórcio, que deseja manter um bom relacionamento com seu marido ou sua esposa e com os filhos, poderá usar o estilo protetor. O poder real por trás do conhecimento dos estilos comportamentais está na sua habilidade de adaptar seu estilo à situação. 13. Nenhum poder. Em alguns casos, você pode conseguir o poder se abrir mão dele. Se um sequestrador trata um sequestrado com ameaças de morte frequentes, o sequestrado pode simplesmente desafiar o sequestrador a cumprir suas ameaças. No momento em que o sequestrado já não tem mais medo de morrer, o sequestra- dor perde o poder que detinha. 14. Loucura. Isso pode soar engraçado, mas um comportamentoes- tranho ou irracional pode conferir grande poder a uma pessoa. CONCEITOS E IMPORTÂNCIA DA NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 32 - 33I Toda organização tem alguém que explode ou se comporta de for- ma irracional quando enfrenta problemas. Aqueles que já depara- ram com este tipo de comportamento tendem a evitar tais indiví- duos. Existem pessoas em organizações que não recebem muitas tarefas porque os outros têm medo delas (STARK, 1999, p. 17). O autor continua suas observações enfatizando que a maioria das pessoas tem mais poder do que pensa. É muito provável que exista uma relação de autoes- tima e poder, uma vez que já se demonstrou que pessoas com autoestima elevada acham que têm mais opções em negociações, enquanto que pessoas com baixa autoestima não acreditam ter poder para agir. Quando você for realizar alguma negociação, é importante levar em con- sideração que algum ou todos os tipos de poder apresentados por Stark (1999) possam estar envolvidos. Neste caso, o mesmo autor sugere respeitar algumas regras relacionadas ao poder durante o processo de negociação: 1. Raramente um lado tem todo o poder. Sempre que você vai aos bancos pedir empréstimo para o seu negócio, você, empresário ou cliente, ainda tem poder: o poder de decidir qual banco você vai escolher; o poder de decidir qual taxa de juros você aceita pagar; e o poder de decidir se você vai dar sua casa como garantia. 2. O poder pode ser real ou aparente. Quando era responsável pela fiscalização das provas do Departamento de Sociologia na Univer- sidade Estadual de San Diego, eu sabia que a cola era um proble- ma, mas nunca tinha feito um esforço real contra os que colavam. Eu achava que poderia usar testes de múltipla escolha no exame final, a fim de evitar que os alunos colassem. Infelizmente, quan- do o período escolar chegou ao fim, eu não havia tido tempo para preparar-me para os exames finais, e tive que correr para o “Plano B”. Conforme distribuía as provas, fui anunciando que iria pôr em prática a “política contra a cola” da Universidade. Quando terminei a distribuição, um aluno atrevido me perguntou que política era essa. Minha resposta foi simples: “Se você precisa perguntar, então é melhor nem saber.” Esta foi a primeira vez que vi os sessenta alu- nos de olhos fixos nas suas próprias provas. Será que a Universida- de possui uma política em relação à cola? Eu não sei. Mas, naquela situação, não interessava se o poder era real ou aparente. Os alunos perceberam que eu tinha poder. Elementos Essenciais em Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 32 - 33 3. O poder somente existe até o ponto em que ele é aceito. Voltan- do de uma viagem à Europa, observei, no aeroporto, que todos os atendentes de embarque da classe econômica tinham à sua frente uma longa fila de pessoas aguardando que sua bagagem fosse admi- tida para embarque. Diante dos atendentes da primeira classe e da classe executiva não havia fila alguma. Como não desejava esperar na fila, atrevidamente peguei minha passagem e bagagem, fui ao balcão da classe executiva e marquei minha poltrona (eu poderia ter ido para o balcão da primeira classe, mas não quis abusar muito da sorte). 4. Relações de poder podem mudar com o tempo. Esta é uma das lições mais duras que aprendi. Na minha juventude, tive a mesma namorada desde o ginásio até o colegial. Na época, eu tinha orgulho de dizer que o poder, nesse relacionamento, era meu. Eu escolhia as atividades nas quais nos envolveríamos, os amigos que teríamos, e aonde iríamos nos nossos encontros. Enviar flores a ela não era o meu costume. Afinal, eu não precisava delas. Então, algo aconteceu. E algo que me fez entrar em parafuso. A minha namorada, Ma- rilyn, foi convidada para sair pelo presidente do centro acadêmico. E, como se isso não fosse o suficiente, Brutus era quarterback titular do time de futebol da escola. De um dia para o outro, eu estava mandando rosas e cartões e implorando por um encontro. Esta foi a minha primeira e dura lição de negociações ganha-perde podem ter um final perde-perde. 5. Teste o seu poder. Você nunca saberá quanto poder tem, até que o teste realmente. Há grandes possibilidades de que tenha mais po- der do que pensa. É bom insistir que o poder não é nem bom nem ruim. Ruim é o abuso de poder, (STARK, 1999, p. 19-20). 34 - 35 SUCESSO NAS NEGOCIAÇÕES tem-se um artigo que trata do sucesso nas negociações. É muito importante acessar o site e fazer a leitura do mesmo. Para facilitar iremos apresentar algumas das partes que conside- ramos as mais importantes. Por ABTD para o RH.com.br Por Lupércio Arthur Hilsdorf Habilidade de Negociação é competência essencial para todos os profissionais em qual- quer área da empresa onde atuem. Quer seja diretor ou supervisor, esteja na área co- mercial ou na de RH. Muitas são as necessidades, os problemas, as expectativas e as oportunidades que envolvem negociações. Resolver uma pendência, negociar ou rene- gociar contratos, conduzir e fechar negócios, administrar conflitos e disputas de poder, são situações que demandam ações eficazes dos negociadores. [...] Informação é tudo aquilo que reduz as incertezas. Quanto mais informação tem o nego- ciador, mais poder ele terá. Informações podem ser obtidas antes da reunião, durante a negociação ou até posteriormente. [...] A maestria de trabalhar com informações recebidas ou conseguidas no ato da negocia- ção, a capacidade de argumentar, perguntar, ouvir, recontextualizar tudo e fazer novas proposições, é próprio de quem está no domínio do processo e sabe usar adequada- mente o poder de negociação que adquiriu. O fator Tempo está ligado a como as pessoas se mobilizam em direção aos seus objeti- vos. Em negociação, o tempo não tem o sentido cronológico do termo. Está ligado aos avanços e aos recuos que as partes fazem deliberadamente ou não, para não perder, manter ou ganhar poder e continuar negociando até à conclusão. [...] Paciência é poder numa negociação. Concentração nos diálogos, convicção nas pro- postas, nas argumentações e nas posições assumidas também significam poder. Ficar calado pode ser uma forma extremamente eficaz de ganhar poder, quando se é provo- cado ou se deseja alterar o rumo da conversação. Entusiasmo ou discrição. Tudo pode gerar poder, depende do momento. Por isso, o negociador deve ter um cuidado especial com a assimetria de poder entre as partes. Se um tem muito poder, decorrente do status, por exemplo, e outro possui poder decorrente da experiência, e ambos estão bem pre- parados, estão em condições de negociar. Toda negociação é única! [...] toda negociação gera continuidade. Você vai ter que falar com a outra parte muitas outras vezes. Podem ser necessárias outras reuniões para ajuste de diferenças e problemas que se apresentam ao longo do convívio das partes. Ou ainda no desempenho, ou seja, no efetivo cumprimento do acordo. As partes, quando negociando, buscam o acordo. 34 - 35 Não importa que tipo de negociação, se salarial ou comercial. Se alguém pleiteia uma promoção ou está negociando em causa própria, mudanças de responsabilidades e fun- ções. Sempre os negociadores têm que trabalhar com as variáveis psicológicas de cada um dos envolvidos. [...] [...] O interesse é sempre o que um indivíduo quer em determinada situação. Nem sempre é o que precisa. Muitas vezes, não deixa claro para o outro negociador o que pretende. O interesse pode ser comunicado como se fosse uma posição assumida por uma das par- tes, geralmente a pessoa se mantém irredutível em determinada posição. Por exemplo, “queroa laranja de qualquer jeito”. Esta é a posição declarada, o que a pessoa quer na verdade é o suco. Diz querer a laranja para provocar a outra parte, ou para demonstrar intransigência e/ou seu poder presumido. O conflito está sempre presente em todas as relações humanas, ainda que latente, não percebido e expressado. Vendedor e cliente têm interesses diversos que podem gerar conflito. Patrão e funcionário também. Assim por diante, em qualquer relação é possí- vel observar conflitos, que quando identificados, devem ser trabalhados. [...] A melhor forma de evitar conflitos é manter um relacionamento sustentado pela cooperação entre as partes no que tange ao objetivo em si. O relacionamento harmonioso entre as pessoas gera interações positivas que beneficiam o processo de negociação. Negocia melhor quem conhece bem a natureza humana. Atitudes, ações, reações, sen- timentos, pensamentos, emoções e valores de cada indivíduo sempre influenciam todo o processo de negociação por mais racional que este seja. [...] O planejamento é fundamental. Existe um ditado árabe que diz: “jamais negocie com desconhecidos”. Por isso, identificar o estilo do outro, ou dos outros negociadores, é fun- damental e pode ser determinante para a eficácia. A negociação, na maioria das vezes não é tão simples como parece. Precisamos planejar muito para conseguir os resultados que queremos, sem que com isso ocorram desgastes imediatos ou a médio e longo pra- zo. O imediatismo é um dos maiores perigos nas negociações. Por isso, muito cuidado com os benefícios de curto prazo e os danos de longo prazo. O bom negociador aprende com cada nova situação. Desenvolve-se constantemente e busca inovar sempre. Por isso, investe em seu talento, desenvolve seu potencial e amplia o seu repertório para lidar com situações difíceis, adquirindo um “jogo de cintura” que lhe permite estar no comando sempre, mesmo quando aparentemente não está. Negociações bem-sucedidas trazem autoconfiança, melhoram a autoestima e aumen- tam cada vez mais a competência e as habilidades do negociador. Disponível em: <http://www.rh.com.br/Portal/Grupo_Equipe /Coluna_ABTD/3600/sucesso-nas-negociacoes.html>. Acesso em: 26 jan. 2013. 36 - 37 CONCEITOS E IMPORTÂNCIA DA NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 36 - 37I CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), procuramos trazer para você, nesta unidade, os princi- pais conceitos a respeito de negociação, para tanto, abordamos as definições teóricas e, neste aspecto, acredito que tenha ficado claro para você o quão importante é a negociação. Tão importante que está presente diariamente em nossas vidas. Vimos também os possíveis resultados que uma negociação pode alcançar e o quanto é importante agir em busca de um resultado ganha-ganha em uma sociedade que, infelizmente, proporciona muito mais resultados ganha- -perde. Por fim, tratamos sobre os elementos essenciais em uma negociação: tempo, informação e poder. Discutimos sobre seus aspectos e apresentamos a necessidade de ter conhecimento destes para, quando necessário for, termos van- tagens estratégicas durante o processo de negociação. A partir de agora, você já está preparado(a) para seguir adiante, onde iremos estudar as habilidades necessárias para se executar boas negociações. Sucesso! 36 - 3736 - 37 1. Após realizar a leitura do estudo de caso “A Negociação e o Mito do Ganha-Ga- nha” de João Baptista Vilhena apresentado nesta unidade, discorra a respeito dos possíveis resultados a serem alcançados em uma negociação, emitindo sua opinião sobre a real possibilidade de se agir em busca de um resultado do tipo ganha-ganha. 2. Nesta unidade, discutimos a respeito dos elementos essenciais em negociações onde, um deles, é a informação. Acesse o artigo “Negociação começa na prepa- ração” no seguinte endereço: <http://www.hsm.com.br/editorias/estrategia-e- -marketing/negociacao-comeca-na-preparacao>, e discorra sobre a importância de se executar uma preparação prévia ao processo de negociação. 3. Faça uma pesquisa na Internet em busca de outros tipos de poder diferentes daqueles apresentados nesta unidade e como estes podem influenciar em um processo de negociação. MATERIAL COMPLEMENTAR CONCEITOS E IMPORTÂNCIA DA NEGOCIAÇÃO Conheça artigos, manuais, livros e matérias sobre negociação e gestão em geral http://www.hsm.com.br A respeito da força da Internet em disponibilizar informações a respeito das pessoas e pense sobre o perigo que isto pode trazer quando mal utilizado. http://www.youtube.com/watch?v=0lXhhqvXuPQ O Preço de um Resgate Título Original: Ransom Sinopse: Um milionário proprietário de uma companhia de aviação recebe um choque quando descobre que seu fi lho de nove anos foi sequestrado e lhe pediram um resgate de dois milhões de dólares. Inicialmente se prontifi ca em pagar, mas quando conclui que vão matar seu fi lho após o resgate ter sido pago decide reverter o jogo, e comunica pela televisão que não pagará nada aos sequestradores, mas dará uma recompensa de dois milhões de dólares para quem ajudar a capturá-los. Como isto não tem efeito imediato, ele dobra o valor da recompensa. Em DVD - 1996 (Mundial) 121 min - Ação, Policial. Direção: Ron Howard Roteiro: Alexander Ignon, Cyril Hume. Elenco: Mel Gibson (Tom Mullen), A.J. Benza (Reporter Guest), Addie O’Donnell (News Reporter #1), Allen Bernstein (Bob Stone), Anna Marie Wieder (Woman at Science Fair) Negociação Empresarial: enfoque sistêmico e visão estratégica Dante Pinheiro Martinelli Editora: Manole Sinopse: ‘’Negociação Empresarial’’ pretende mostrar a importância da visão sistêmica na negociação inter-relacionando três níveis - Negociação, Administração e Sistemas. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR A arte da negociação bem-sucedida Alex Pimentel Editora: Digerati / Universo dos Livros Sinopse: Sabemos que a negociação é uma arte e sempre deve partir de algumas premissas: um bom negociador sabe avaliar rapidamente e ser sensível à identificação de uma situação complicada; sempre temos expectativas de que a próxima negociação será melhor; nunca uma negociação será exatamente igual à anterior; em cada negociação existem princípios básicos, que se repetem com maior ou menor frequência e que devem ser observados para o seu sucesso. Este livro foi especialmente projetado para tornar o leitor um exímio e produtivo negociador. O domínio das ferramentas aqui apresentadas irá ajudá-lo, e bastante, em negociações simples e complexas, com diversas variáveis, tais como política, economia e religião, além de outras situações elaboradas. Os domínios das ferramentas avançadas farão com que você consiga produzir mais e melhor, em menos tempo. Muitas vezes, uma única informação é capaz de “poupar” uma situação constrangedora e, muitas vezes, defi nir uma negociação a seu favor. Ideal para profi ssionais das áreas de Vendas, Marketing, RH, Administração, Atendimento ao público, entre outros. CONCEITOS E IMPORTÂNCIA DA NEGOCIAÇÃO I U N ID A D E II Professor Me. Ricardo Azenha L. Albuquerque HABILIDADES, PROCESSOS E PLANEJAMENTO EM NEGOCIAÇÃO Objetivos de Aprendizagem ■ Discutir as habilidades necessárias em negociação. ■ Entender o processo de negociação. ■ Apresentar o processo de uma negociação. ■ Elaborar o planejamento da negociação. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ As habilidades dos negociadores ■ O processo de negociação ■ O planejamento da negociação 42 - 43 INTRODUÇÃO Vamos, agora, discutir alguns pontos muito importantes que fazem parte da negociação. Um bom negociador necessitade algumas habilidades específicas que o ajudem a desenvolver uma negociação eficiente e eficaz. Iremos estudar estas habilidades no decorrer desta unidade de modo a contribuir para que você, caso deseje, possa procurar ferramentas que o(a) ajudem a desenvolver as habilida- des aqui apresentadas. Na sequência iremos entender porque a negociação é considerada um pro- cesso sistêmico e, ao compreendermos esta condição, será fácil preparar qualquer tipo de negociação. Por fim, iremos abordar algumas maneiras que possibilitem a realização do planejamento da negociação de modo que seja possível entender o porquê da necessidade de se planejar todo o processo, e que a consequência de um bom planejamento de uma negociação proporcionará um aumento significativo nas probabilidades de sucesso desta. Assim, esperamos que você possa aproveitar este material de modo a utilizá-lo em seu dia a dia facilitando e ajudando-o(a) a alcançar seus objetivos almejados. AS HABILIDADES DOS NEGOCIADORES O dicionário online Houaiss <http://houaiss.uol.com.br> descreve habilidade como “qualidade ou característica de quem é hábil”, por sua vez, hábil, segundo o mesmo dicionário, significa “que tem a mestria de uma ou várias artes ou um conhecimento profundo, teórico e prático de uma ou várias disciplinas”. Com esta definição, é possível concluir que uma pessoa habilidosa domina seu ofício de maneira diferenciada das demais. Alguns podem caracterizar estas pessoas como talentosas ou que possuem um dom, entretanto, em nosso entendimento, a habilidade surge com muito estudo, treino, persistência e disciplina em busca Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 42 - 43 ©shutterstock HABILIDADES, PROCESSOS E PLANEJAMENTO EM NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 44 - 45II da competência em exercer uma atividade eficiente. Na negociação ocorre exa- tamente a mesma situação. É possível encontrarmos negociadores competentes que desempenham seu ofício de maneira eficiente, assim, é importante que fique claro que qualquer pessoa pode desenvolver habilidades para se tornar um nego- ciador eficiente, basta se dispor a desenvolver algumas habilidades essenciais para o desempenho de um bom negociador, que Mills (apud MARTINELLI; GHISI 2006, p. 111) apresenta como 16 fatores críticos do sucesso em uma negociação: ■ Prepare-se cuidadosamente. ■ Focalize os interesses, não as posições. ■ Use um BATNA (sigla em inglês para melhor alternativa para um acordo negociado). ■ Conheça suas prioridades. ■ Faça o tempo trabalhar por você. ■ Faça muitas perguntas. As Habilidades dos Negociadores Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 44 - 45 ■ Ouça atentamente. ■ Confirme suas necessidades. ■ Faça um teste com propostas condicionais. ■ Explore muitas opções. ■ Comece alto, conceda lentamente. ■ Verifique o que ficou combinado. ■ Revise seu desempenho. ■ Construa relacionamentos de trabalho de longo prazo. ■ Maximize seu poder. ■ Adapte sua estratégia para atender à situação (MILLS apud MARTI- NELLI; GHISI, 2006, p. 111). Perceba que estes fatores críticos nada mais são do que habilidades que podem ser alcançadas com dedicação, preparação e planejamento de um processo de negociação. Algumas atitudes também são importantes para que as habilidades sejam desenvolvidas. Para tanto, Steele, Murphy e Russil apud MARTINELLI; GHISI, 2006, p. 112 sugerem como atitudes: ■ Seja claro sobre seu ponto de vista. ■ Utilize o poder com cautela. ■ Realize uma pausa na negociação quando se sentir pressionado. ■ Escute antes de falar etc. (STEELE; MURPHY; RUSSIL apud MAR- TINELLI; GHISI, 2006, p. 112). Martinelli e Ghisi (2006, p. 113) recomendam que se preste atenção na questão referente a utilizar o poder com cautela, uma vez que “o uso abusivo ou incor- reto de alguma fonte de poder pode comprometer a negociação ou até mesmo o estabelecimento de uma parceria duradoura, pois a outra parte se sentirá lesada”. Ao estudar os conceitos teóricos relacionados com negociação, muitos autores apresentam inúmeros comportamentos que devem ser seguidos pelos negociado- res. Martinelli e Almeida (1997) resumem esses pontos básicos em um conjunto de habilidades essenciais, como: HABILIDADES, PROCESSOS E PLANEJAMENTO EM NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 46 - 47II ■ Concentrar-se nas ideias. ■ Discutir as proposições. ■ Proporcionar alternativas a outra parte. ■ Ter objetividade no equacionamento dos problemas. ■ Apresentar propostas concretas. ■ Saber falar e saber ouvir. ■ Colocar-se no lugar da outra parte. ■ Ter consciência de que se negocia o tempo todo. ■ Saber interpretar o comportamento humano e as relações das pessoas. ■ Separar os relacionamentos pessoais dos interesses. ■ Evitar estruturar um relacionamento em função de um acordo. CONCENTRAR-SE NAS IDEIAS Normalmente, as pessoas têm dificuldade em manter o foco em discussões pro- fissionais, inserindo na conversa aspectos pessoais. Martinelli e Almeida (1997, p. 88) explicam que mostrar às pessoas que elas estão erradas pode, num pri- meiro momento, significar uma vitória, entretanto, este tipo de atitude poderá constituir-se em ponto de atrito ou mesmo inimizade. O ideal é concentrar-se em apresentar seu ponto de vista sem colocar que o outro esteja errado, pos- sibilitando utilizar a discussão como oportunidade de reflexão e de revisão de opiniões, e não um choque entre posições diferentes, de modo que se encon- trem soluções que possam harmonizar posturas diferentes. As Habilidades dos Negociadores Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 46 - 47 DISCUTIR AS PROPOSIÇÕES Muitas vezes, existe uma tendência de se utilizar colocações casuísticas para “quebrar o gelo” no início de uma negociação. O problema acontece quando os participantes direcionam todo o processo para discussões de casos particula- res e muitas vezes irrelevantes. Para evitar estas situações, Martinelli e Almeida (1997, p. 89) recomendam a necessidade de ater-se às proposições de modo a manter as discussões objetivas e efetivas evitando, assim, perder-se em detalhes ou aspectos exclusivamente pessoais. PROPORCIONAR ALTERNATIVAS À OUTRA PARTE Existem pessoas que encaram o processo de negociação como uma disputa. O objetivo, nestes casos, passa a ser vencer o “adversário”, ou seja, um resultado positivo na negociação é encarado como uma vitória. Enxergar desta forma não está de todo errado, o problema ocorre na percepção de competição. Uma nego- ciação está longe de ser encarada dessa forma. O que se deve buscar durante uma negociação, na percepção de Martinelli e Almeida (1997, p. 89), é, justamente, encontrar um acordo que seja adequado para ambas as partes. A busca de novas alternativas deve acontecer tanto para a própria pessoa como para o outro lado envolvido na negociação. Nessa busca, frequentemente encontram-se alternativas que, a primeira vista, po- deriam não se constituir em resposta para ambas as partes, mas que, na verdade, acabam transformando-se numa nova possibilidade de ação, muitas vezes extremamente viável (MARTINELLI; ALMEIDA, 1997, p. 89). TER OBJETIVIDADE NO EQUACIONAMENTODOS PROBLEMAS Infelizmente, na maioria das organizações, principalmente aquelas onde existe uma política de lobistas informal, os problemas se resolvem na hora do cafezi- nho ou nos corredores da empresa, e as reuniões tornam-se apenas processos de HABILIDADES, PROCESSOS E PLANEJAMENTO EM NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 48 - 49II definição e efetivação daquilo que acabou por ser acordado de maneira informal. Isso é um problema, pois o que ocorre são decisões direcionadas pelos grupos informais dominantes por seus interesses pessoais. Para evitar isso, é necessário que este tipo de conduta seja abolido, de modo a buscar-se nas reuniões de trabalho a objetividade necessária para que os pro- blemas sejam equacionados da melhor maneira possível e com efetividade, evitando os interesses pessoais e o que Martinelli e Almeida (1997, p. 89) colo- cam como reuniões evasivas, com muita agitação, discussão, pouca reflexão e nenhuma solução. APRESENTAR PROPOSTAS CONCRETAS Outro problema, bastante recorrente é a situação onde os negociadores discu- tem sem apresentar propostas concretas, o que transforma todo o processo em discussões vazias e sem objetividade. Martinelli e Almeida (1997, p. 90) recomen- dam atenção nestes casos, de modo que propostas concretas e objetivas sejam sempre apresentadas, mesmo quando acredita-se que as conclusões possam ser óbvias, uma vez que só se percebe que algo seja óbvio após este ter ocorrido, assim, explicitar as conclusões, segundo os autores, é muito importante para se evitar mal entendidos. SABER FALAR E OUVIR Uma característica da maioria das pessoas é a dificuldade em ouvir críticas. Foi falado anteriormente da necessidade de se concentrar nas ideias justamente por esta dificuldade em ouvir. Já saber falar também tem sua importância. Martinelli e Almeida (1997, p. 90) explicam que, num primeiro momento, pensa-se que saber falar é algo complicado, entretanto, saber ouvir ainda é mais difícil de ser conseguido. Os autores recomendam que se evite o que muitas pessoas em posi- ção de líderes fazem em reuniões, ou seja, monopolizam conversas e, ao final dessas, agradecem pelo diálogo. Nestes momentos, o importante é saber falar e As Habilidades dos Negociadores Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 48 - 49 permitir que os demais coloquem suas considerações, o que nos remete nova- mente à necessidade do saber ouvir. Quando as pessoas têm oportunidade de falar, é possível colher fatos, ideias, opiniões e sentimentos, sendo uma maneira concreta para se valorizar a participação dos outros, motivando-os a cooperar e dar-lhes, com sinceridade, uma sensação de prestígio. COLOCAR-SE NO LUGAR DA OUTRA PARTE Entender a outra parte é muito importante numa negociação. Quando você se coloca na posição do outro, pode ter uma noção daquilo que o outro esteja pas- sando e necessitando, de modo a antecipar suas possíveis ações podendo, inclusive, antever argumentos e possibilitar uma condição melhor de respondê-los e/ou rebatê-los, se for o caso. Matos (1989, p. 9 apud MARTINELLI; ALMEIDA, 1997, p. 90) afirma que “a negociação é um instrumento adicional a serviço da gerên- cia; por seu intermédio firma-se a liderança, consolida-se o espírito de equipe, fortalecem-se as inter-relações em todos os sentidos”. TER CONSCIÊNCIA DE QUE SE NEGOCIA O TEMPO TODO O processo gerencial, basicamente é negociar o tempo todo. Martinelli e Almeida (1997, p. 91) lembram que as atividades básicas de um gerente consistem em: ■ Negocia a formulação da aceitação da filosofia empresarial, seus objetivos, políticas, estratégias e táticas de ação. ■ Negocia para obter participação social e o bem-estar de seus cola- boradores. ■ Negocia para alcançar a sobrevivência e expansão organizacionais através da lucratividade sustentada. ■ Negocia para preservar a satisfação da clientela e fixação da ima- gem institucional, únicas garantias válidas de perpetuidade da em- presa (MARTINELLI; ALMEIDA, 1997, p. 91). HABILIDADES, PROCESSOS E PLANEJAMENTO EM NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 50 - 51II SABER INTERPRETAR O COMPORTAMENTO HUMANO E AS REAÇÕES DAS PESSOAS A negociação ocorre, e sempre ocorrerá, entre pessoas. Desta forma, entender o comportamento delas é fundamental para que se desenvolvam negociações onde as partes envolvidas saiam ganhando. Nierenberg (1981, p. 33 apud MARTINELLI; ALMEIDA, 1997, p. 91) afirma ser o estudo do comportamento humano essen- cial para se tornar um excelente negociador. O autor sugere como meios para esse aprendizado ler, ouvir, observar e descobrir como as pessoas reagem. SEPARAR OS RELACIONAMENTOS PESSOAIS DOS INTERESSES Um ponto que chama atenção e é preciso tomar cuidado é o fato de muitas pes- soas confundirem relacionamentos com interesses pessoais. Martinelli e Almeida (1997, p. 92) citam um exemplo de alguém que diz: “Tenho um ótimo relaciona- mento com meu chefe; ele me dá um aumento todos os anos”. Segundo os autores, essa pessoa está, claramente, confundindo o relacionamento com seu chefe com os resultados produzidos. Independente do relacionamento ser muito bom ou não, aumentos salariais podem vir no final de um período como reconhecimento (por parte do chefe) pelo trabalho feito durante o ano (o chefe assume postura imparcial e julga o mérito do aumento em termos do desempenho do subordinado) (MARTINELLI; ALMEIDA, 1997, p. 92). O exemplo apresentado mostra um caso onde a pessoa se sente favorecida, mas o contrário também pode ocorrer. Quem não conhece alguém que se sente perseguido pelo chefe ou colega de trabalho? Muitas vezes, esse sentimento é verdadeiro, tendo em vista justamente essa característica das pessoas em con- fundir interesses. Nessas situações de conflitos de interesses, Martinelli e Almeida (1997, p.91) afirmam que dois erros estratégicos costumam ocorrer: “ou insistir que, no fundo, O Processo de Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 50 - 51 a outra pessoa concorda conosco, ou dar ao outro uma maior importância, espe- rando, com isso, melhorar o relacionamento”. Como se verificou, este é um ponto que merece atenção e precisa ser bem conduzido para que não ocorra o que iremos discutir a seguir. EVITAR ESTRUTURAR UM RELACIONAMENTO EM FUNÇÃO DE UM ACORDO Se as pessoas confundem relacionamentos com interesses, nada mais comum de acontecer do que um relacionamento ser estruturado com base em interesses. Esta situação é extremamente complexa e costuma acontecer em sociedades. Pessoas se unem com ideias próximas, confundem sentimentos de amizade misturando relacionamentos pessoais com profissionais. O resultado? Briga, discórdia e sepa- ração. O que é preciso levar com aprendizado nesta situação é a tão conhecida citação: “Amigos, amigos, negócios a parte”. Jamais relacionamentos devem ser estruturados em funções de acordos ou interesses. Amizades se constroem ao longo do tempo e, na maioria deles, sem interesses de nenhum tipo. Cuidado, fuja destes tipos de relacionamentos onde existam interesses conflituosos. Você precisa entender que tudo isso apresentado como sugestões de habilida- des a serem desenvolvidas durante negociações tem suas vantagens e desvantagens, o importante, então, é saber utilizá-las de maneira adequada quando necessárias tendo em mente que diferentes situações necessitam de diferentes atitudes e açõesque devem ser adaptadas conforme sua experiência em cada um desses casos. O PROCESSO DE NEGOCIAÇÃO Negociar é uma atividade na qual diversas variáveis estão envolvidas, direta o indiretamente. Desta forma, Martinelli e Ghisi (2006, p.19) analisam o processo de negociação sob o enfoque sistêmico, conforme apresentado na figura 2. HABILIDADES, PROCESSOS E PLANEJAMENTO EM NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 52 - 53II Figura 2: Proposta de uma abordagem sistêmica da negociação Fonte: Martinelli e Ghisi (2006, p.19) Silva (2008, p.320 apud ALBUQUERQUE, 2013, p. 28) define sistema como “um con- junto de elementos interagentes e interdependentes relaciona- dos cada um ao seu ambiente de modo a formar um todo organizado”. Para facilitar o entendimento, Albuquerque (2013) complementa a definição ©shutterstock O Processo de Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 52 - 53 de Silva (2008) comparando-a ao Corpo Humano, e continua: este é constituído por diversos sistemas como o respiratório, o linfático etc. Todos estes sistemas, juntos, formam um todo, nosso organismo. O importante dessa comparação é deixar claro que, se uma dessas partes falha, todo o sistema entra em colapso. Quando se fala em negociação como um processo sistêmico, significa que este possui, conforme Martinelli e Ghisi (2006, p. 19), entradas (as influências às quais a negociação está sujeita), o processo em si (a negociação em si, o processo da trans- formação das entradas em saídas) e as saídas (resultado da negociação – acordos ou não) que ficam melhor apresentados na figura a seguir. Figura 3: O Processo de Negociação Fonte: Elaborado a partir de Martinelli e Ghisi (2006, p.19-20) ©shutterstock HABILIDADES, PROCESSOS E PLANEJAMENTO EM NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 54 - 55II O PLANEJAMENTO DA NEGOCIAÇÃO Antecipar tudo o que pode acontecer em uma negociação é uma forma de garan- tir que os problemas que possam surgir durante o processo sejam resolvidos de maneira a não atrapalhar a condução das atividades, assim, planejar o processo de negociação tem uma importância significativa de modo a contribuir para que o resultado final seja satisfatório. Wanderley (1998, p. 129) explica que planejar uma negociação é identificar todos os fatores necessários e suficientes para obter êxito e criar condições pré- vias para que tais fatores possam ocorrer, e recomenda: ■ Antes de iniciar a preparação propriamente dita, devemos fazer um anteprojeto de preparação, encontrando respostas para as seguintes perguntas: “Qual é a importância desta negociação?”, “Quais serão as consequências se ela for mal sucedida?”, “Quanto se deve investir nela em termos de tempo e recursos humanos e materiais?”. ■ A preparação deve considerar os três momentos da negociação, do momento atual até o cumprimento integral do que ficou acordado. ■ É preciso ver a situação por três óticas distintas: a nossa, a do outro lado e a de um observador neutro; portanto, desempenhar três papéis diferentes. ■ Procurar entender a situação do outro negociador melhor do que ele próprio é uma boa norma a ser obedecida. O Planejamento da Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 54 - 55 ■ Criatividade e imaginação. Lembrar a frase de Einstein: “A imagi- nação é mais importante do que o conhecimento”. Portanto, deve- mos construir e simular vários cenários de negociação. ■ A preparação tem duas fases: orientação e desenvolvimento. A fase de orientação consiste na interpretação da situação, na formulação do problema. A fase de desenvolvimento é constituída pelos desdo- bramentos que devemos efetuar após o entendimento da situação. ■ Três palavras-chave para uma boa preparação: oportunidade, ve- locidade e qualidade. Na preparação, deve-se procurar descobrir as oportunidades, portanto, não se pode fazê-la mecanicamente. Porém, mais do que nunca, velocidade é importante. Há quem considere que só vão existir duas espécies de empresa: as velozes e as que quebraram. Velocidade, entretanto, não é fruto do aca- so, mas sim de muita preparação e competência. Entretanto, não adianta velocidade sem qualidade. ■ Evitar alguns erros que são cometidos na preparação: 1. “En- gessar”, em vez de dar liberdade. A função da preparação é abrir caminhos, não é uma trilha única. Por isso, são necessários pla- nos contingenciais para lidar com as diversas situações; 2. Só ver a situação pelo próprio lado. Isso significa ver metade da questão; 3. Não se preparar para toda a negociação é fazer uma preparação deficiente e incompleta. ■ O banco de dados. O ponto de partida para uma boa preparação é ter muitas informações. Nesse sentido, um bom banco de dados é fundamental. Ele comporta todas as informações relevantes, técnicas, mercadológicas, jurídicas ou pessoais, bem como o his- tórico das negociações anteriores (WANDERLEY, 1998, p. 129). Uma maneira de melhor compreender as sugestões apresentadas anteriormente por Wanderley é resumir naquilo que Martinelli e Ghisi (2006, p. 148) chamam de planejamento eficiente da negociação: ■ Definir as questões. ■ Juntar as questões e definir a composição da barganha. ■ Definir os interesses. HABILIDADES, PROCESSOS E PLANEJAMENTO EM NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 56 - 57II ■ Consultar os outros. ■ Identificar limites. ■ Estabelecer alvos. ■ Desenvolver argumentos de apoio. ■ Analisar a outra parte (MARTINELLI; GHISI, 2006, p. 148). DEFINIR AS QUESTÕES É preciso entender esta etapa como um levantamento cuidadoso de experiên- cias anteriores em situações similares, de modo a ter informações aprofundadas sobre questões relevantes ao assunto em pauta. Juntar as questões e definir a composição da barganha. Definido as questões, deve-se elaborar uma lista que abranja todas elas de modo a estabelecer prioridades naquilo que é conhecido como composição da barganha. DEFINIR OS INTERESSES Uma maneira de se fazer isso é elaborando perguntas que respondam quais são os valores, as necessidades e os princípios que se esperam alcançar com a negociação. Martinelli e Ghisi (2006, p. 149) falam que esses interesses podem estar relaciona- dos às próprias questões focalizadas na negociação, ao modo como os negociadores determinam a disputa, ao relacionamento atual ou futuro ou aos princípios, padrões ou normas informais que serão utilizados no processo de negociação. CONSULTAR OS OUTROS Pode-se dividir em duas partes este item: consulta a comunidade e consulta a outra parte. A primeira deve ocorrer quando a negociação for realizada em nome O Planejamento da Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 56 - 57 de terceiros de modo a consultá-los para entender dúvidas e expectativas que se tem do processo. A consulta junto à outra parte ocorre de modo a entender os procedimentos a serem seguidos, a pauta a ser seguida, o local a ser realizada, o período de tempo estabelecido, os participantes e o que fazer em caso de falhas na negociação. IDENTIFICAR LIMITES Identificar a importância real de cada item de uma negociação tem sua impor- tância umavez que permite saber exatamente até onde ir, ou seja, quais são os limites que precisam ser respeitados. ESTABELECER ALVOS Martinelli e Ghisi (2006, p. 149) referem-se não apenas à definição da alterna- tiva preferida pelo negociador, mas também às várias outras opções existentes, ao ponto de ruptura e até mesmo ao lance de abertura de negociações. DESENVOLVER ARGUMENTOS DE APOIO Neste item se busca testar procedimentos anteriormente definidos de modo a levantar hipóteses sobre os argumentos da outra parte e buscar formas criativas de fortalecer sua posição. ANALISAR A OUTRA PARTE É a busca por informações da outra parte focando, principalmente, recursos, interesses, necessidades atuais e objetivos, além de estilo, estratégias e táticas que normalmente utiliza em uma negociação. HABILIDADES, PROCESSOS E PLANEJAMENTO EM NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 58 - 59II COMO PLANEJAR UMA NEGOCIAÇÃO Tendo como base propostas de diversos autores, Martinelli e Ghisi (2006, p. 157) elaboraram um quadro no qual apresentam os procedimentos de planejamento de negociação, que se encontram no quadro 3. Procedimentos/ autores 1. Mapeamento 2. Parâmetros 3. Cenário 4. Preparação Colaicovo (1997) Definir o proble- ma Acertar a nego- ciação - - Fisher e Ury (1980) Separar as pesso- as do problema; concentrar-se nos interesses Buscar alterna- tivas - Encontrar critérios objetivos Lewicki, Saun- ders e Minton (2002) Buscar infor- mações; definir questões; definir interesses Identificar limi- tes; estabelecer alvos - Desenvolver a argu- mentação; consultar os outros; analisar a outra parte Donaldson e Do- naldson (1999) Levantar e listar as informações; identificar “agen- das ocultas” Definir limites; definir metas ou objetivos Definir agenda, local, parti- cipantes - Sparks (1992) Reunir e organizar dados; identificar apoios às ques- tões; examinar dados Definir limites; identificar alternativas e penalidades Definir atitude, ambiente e horário Simular a nego- ciação; fortalecer pontos fracos; listar dados que deverão ser passados para o outro lado Acuff (1998) Identificar ques- tões; priorizar questões Estabelecer limites; definir acordos alter- nativos - Desenvolver estraté- gias e táticas Quadro 3 - Procedimentos de Planejamento da Negociação Fonte: Martinelli e Ghisi (2006, p.157) O Planejamento da Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 58 - 59 Tendo o quadro 3 como referência, Martinelli e Ghisi (2006, p. 156) elaboraram o que eles consideram as quatro etapas básicas a serem seguidas em um pro- cesso de negociação: 1. Mapeamento da situação: a. Levantar e listar as informações. b. Identificar e priorizar as questões. 2. Estabelecimento de parâmetros para a negociação: a. Definir metas e objetivos. b. Listar o leque de acordos alternativos. c. Fixar os limites para negociação. 3. Montagem do cenário para a negociação: a. Definir a agenda. b. Determinar e preparar o local da negociação. c. Identificar os participantes. 4. Preparação final para a negociação: a. Analisar a outra parte. b. Simular o processo de negociação. c. Definir estratégias e táticas (MARTINELLI; GHISI, 2006, p. 156). MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO É o início do processo de planejamento da negociação. Tem como objetivo for- necer aos negociadores informações que irão auxiliar no decorrer da negociação. Para tanto, divide-se esta etapa em duas situações importantes: o levantamento e listagem de informações e a identificação e priorização de questões. Martinelli e Ghisi (2006, p. 159) utilizam como exemplo a história de dois garotos que esta- vam brigando por uma laranja. Após uma calorosa discussão, decidem em dividir a laranja ao meio, ficando cada um com uma metade. O primeiro garoto comeu a polpa e jogou a casca fora, enquanto o segundo jogou a polpa fora e guardou a casca para fazer um doce. HABILIDADES, PROCESSOS E PLANEJAMENTO EM NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 60 - 61II Essa história mostra justamente a falta de mapear a situação. Se os garotos tivessem mapeado a situação, poderiam ter evitado uma discussão. ESTABELECIMENTO DE PARÂMETROS PARA A NEGOCIAÇÃO O que se pretende com esta etapa do planejamento da negociação é direcionar a ação do negociador de modo que ele saiba exatamente o que é necessário alcançar para encontrar o sucesso no final do processo de negociação, para tanto, necessi- ta-se que sejam definidos claramente metas e objetivos, listado o leque de acordos alternativos e fixado os limites para negociação. Para este último, Martinelli e Ghisi (2006, p. 161) recomendam a utilização do MAANA (Melhor Alternativa à Negociação de um Acordo), que é apresentado no quadro 4. Quadro 4: Melhor Alternativa à Negociação de um Acordo Fonte: Martinelli e Ghisi (2006, p. 161) O Planejamento da Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 60 - 61 Segundo os autores, esse instrumento permite definir, de forma realista, um objetivo ideal, as outras opções possíveis e o ponto de ruptura ou retirada, pro- porcionando, assim, segurança durante a negociação e na solução obtida. MONTAGEM DO CENÁRIO PARA A NEGOCIAÇÃO Independente do objetivo da negociação, esta deverá ser realizada de maneira formal, assim, é necessário que estes aspectos sejam previamente preparados de modo a facilitar o desenvolvimento da negociação. Esta preparação envolve a definição de agenda, do local a ser realizada a negociação e da identificação dos participantes. PREPARAÇÃO FINAL PARA A NEGOCIAÇÃO Como última etapa do planejamento da negociação, deve-se, neste momento, realizar uma análise mais detalhada das informações disponíveis de maneira que se possa melhor adequar no contexto da negociação. Assim, é importante que se faça a análise da outra parte, uma simulação do processo de negociação e, por fim, a definição de estratégias e táticas a serem adotadas. Quanto à análise da outra parte Acuff (1998, p.35 apud Martinelli; Ghisi 2006, p. 163) recomenda a utilização da seguinte lista de conferência (check-list): ■ O negociador do outro lado - Estado Civil. - Atividades de lazer ou recreação. - Hábitos de trabalho (jornada, costuma sair cedo etc.). - Estilo de personalidade (perfeccionista, sociável etc.). - Número de anos na organização atual. - Estabilidade no cargo atual. - Reputação geral como negociador. 62 - 63 HABILIDADES, PROCESSOS E PLANEJAMENTO EM NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 62 - 63II - Quais grupos de lobby podem afetá-lo. ■ Cultura do outro lado - As reuniões começarão na hora marcada? - Como será o ritmo das negociações? - Que importância terá o fator “ética”? - Como serão tratadas as diferenças de opinião: emocional/ argumentos? - Qual o tamanho da equipe do outro lado? - Há necessidade de uma agenda formal? ■ A organização do outro lado - Qual é o produto ou serviço principal da organização? - Qual é a sua situação financeira atual, no passado e projetada? - Quais são os seus problemas organizacionais (reestruturação, concorrência etc.)? - Quem é o chefe do outro lado e o que você sabe sobre ele? - A organização está sofrendo pressões com prazos? ■ Negociações anteriores- Quais os assuntos das negociações anteriores? - Quais os principais obstáculos e resultados daquelas nego- ciações? - Quais ressalvas surgiram? - Quais as estratégias e as táticas utilizadas pelo outro lado? - Qual o nível da proposta inicial em comparação com o acordo final? - Como foi obtido o resultado e em que espaço de tempo? (ACUFF, 1998, p.35 apud MARTINELLI; GHISI, 2006, p. 163). 62 - 6362 - 63 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE VENDAS João Baptista Vilhena VP DO GRUPO MVC Nos últimos meses tenho recebido fre- quentes solicitações de programas de treinamento na área de Planejamento Estratégico de Vendas. Como sei que essa é uma área crítica para as organizações - e reconheço que a bibliografia sobre o tema específico é bastante escassa - pretendo dividir com você leitor alguns aprendiza- dos que venho acumulando neste tipo de trabalho. Visando facilitar nossa conversa, vamos seguir um roteiro das questões mais comuns para as empresas que estão preo- cupadas em investir nessa área. a. Por que fazer um Planejamento Estra- tégico de Vendas? Pode parecer incrível, mas muitas empre- sas veem a área de vendas apenas sob o aspecto operacional. Para essas empre- sas, o papel de vendas é vender o que a empresa tem para oferecer, bastando para isso “ir a campo e oferecer”. Apenas as empresas que já amadurece- ram e compreenderam que o mercado não reage de forma condicionada aos apelos da área comercial é que valorizam o planejamento das vendas – e não o pla- nejamento do trabalho a ser executado pelo vendedor – como algo verdadeira- mente estratégico. b. Quem deve ser o responsável pelo Planejamento Estratégico de Vendas? A responsabilidade final é do principal gestor da área comercial, mas ele não tem condições de exercê-la sozinho. Esse executivo é quem vai garantir que as estratégias que serão empregadas pela área comercial não afrontarão, em momento algum, os postulados da estra- tégia competitiva da organização (se sua empresa se posiciona no mercado com líder em custos, você não pode propor uma estratégia comercial que vá agravar os custos internos significativamente). O respeito à Missão e Visão é essencial para garantir a exequibilidade do plano. Outra questão fundamental é que todos os membros da área comercial, bem como seus principais fornecedores inter- nos devam ser convidados a participar do processo de Planejamento Estratégico de Vendas, pois precisarão conhecer e se comprometer com as estratégias. Caso esse comprometimento não seja obtido, o trabalho terá sido em vão. c. Que ferramentas são utilizadas no Pla- nejamento Estratégico de Vendas? Como todo o trabalho de planejamento, 64 - 6564 - 65 utilizam-se ferramentas analíticas e de diagnóstico para mapear a situação atual. Em seguida, revisitam-se o Plano Estraté- gico Corporativo e o Plano de Marketing para garantir a correta compreensão de quais deverão ser os principais objetivos a serem perseguidos no Planejamento Estratégico de Vendas. A partir daí, dis- cutem-se as diferentes estratégias que permitiriam atingir esses objetivos. Basi- camente avalia-se: a atual metodologia de vendas, a estrutura da força de vendas, os principais canais de distribuição que estão sendo utilizados, a política de pre- ços, as formas de remuneração da força de vendas e uma série de outras questões que são relevantes para a performance da área comercial. d. Como controlar os resultados? Existem vários instrumentos de controle, como gráficos, histogramas e outros. Eu prefiro utilizar um modelo adaptado do Balance Score Card, no qual os objetivos são definidos em torno de 4 grandes áreas: financeira, clientes, processos internos e aprendizagem. A maior van- tagem do BSC é que se pode chegar a um cartão de controle individual, que será utilizado por cada participante da equipe para saber, de forma rápida e simples, que tipo de contribuição está dando para o atingimento dos objetivos com os quais se comprometeu. e. Que resultados são obtidos de um tra- balho como esse? Embora varie de caso para caso, cos- tuma-se conseguir uma empresa mais confiante nos seus próprios objetivos, com pessoas comprometidas com o sucesso do negócio como um todo e, consequentemente, mais confiantes e estimuladas a dar a sua contribuição para que esse sucesso realmente ocorra. f. O investimento nesse tipo de traba- lho é significativo? Não existe almoço de graça. Quando uma empresa desenvolve um processo siste- matizado de planejamento acaba tendo que fazer alguns investimentos. Contudo, segundo clientes que resolveram investir em Planejamento Estratégico de Vendas, o retorno sobre o investimento é signifi- cativo e o payback é muito curto. Espero que, como eu, você perceba que já não é mais possível ficar improvisando na área comercial. Não dá mais para acreditar em vendedores natos, clientes ingênuos ou concorrência inerte. Se praticamente todas as áreas críticas da organização estão se esforçando para planejar estra- tegicamente sua atuação, por que a área de vendas continua sendo vista apenas como um conjunto de músculos sem a necessidade de ter cérebro? Disponível em: <http://www.institutomvc.com.br/insight74.htm#mat2>. Acessado em: 02 fev. 2013. Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 64 - 6564 - 65 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, aprendemos um pouco mais sobre a necessidade de desenvolver algumas habilidades específicas para que se consiga desempenhar uma negociação de maneira que o resultado final seja satisfatório para todas as partes envolvidas. Foi possível verificar que a negociação deve ser conduzida por meio de um processo, o que a caracteriza como um sistema, uma vez que possui entrada, processamento e saída. Na finalização desta unidade, estudou-se o planejamento da negociação que mostra que o processo precisa ser previamente planejado de modo que as habili- dades desenvolvidas possam ser bem utilizadas durante o processo de negociação. Uma vez que você já se sinta seguro(a) com os conhecimentos aqui apre- sentados, sinta-se a vontade em seguir adiante e iniciar os estudos da próxima unidade, onde iremos tratar das etapas e estratégias de negociação, do papel dos negociadores e da ética nas negociações. Sucesso! 66 - 67 1. Dentre as habilidades que os negociadores precisam desenvolver, que foram apresentadas neste material, discorra a respeito das mesmas apontando aquela que você pense ser a mais significativa para alcançar o sucesso em uma nego- ciação. 2. Explique o motivo pelo qual o processo de negociação é utilizado com base em uma visão sistêmica. 3. Discorra sobre a importância de planejar efetivamente o processo de negocia- ção. Material Complementar 66 - 67 MATERIAL COMPLEMENTAR Artigos sobre negociação http://www.institutomvc.com.br/web-2/biblioteca.htm Normann Kestenbaum, um dos maiores experts em comunicação do país Ele explica que grandes executivos não têm mais tempo disponível para ouvir propostas. É preciso ser conciso com qualidade. Para isso, é necessário ter refl exão e preparação. Assista a essa entrevista e refl ita sobre a temática da administração do tempo relacionada com a importância de um bom planejamento de negociação. https://www.youtube.com/watch?v=mJryG28D11E Como Conduzir Uma Negociação - Livro de Exercícios Roger Fisher Editora: Lua de papel Sinopse: “Como Conduzir Uma Negociação” apresenta um guia prático para preparar as reuniões e negociações decisivas. Este é o livro de exercícios que complementa “Como Conduzir Uma Negociação”: aquipodem encontrar-se case, simulações, tabelas e uma série de outras ferramentas que vão ajudar o leitor nos momentos cruciais. Como Conduzir Uma Negociação - Chegar ao Sim Roger Fisher Editora: Lua de papel Sinopse: Em Como Conduzir Uma Negociação, Roger Fisher, William Ury e Bruce Patton propõem - a partir do trabalho que desenvolveram no Projeto Negocial de Harvard - uma estratégia comprovada para levar a melhor em qualquer negociação. Os autores ajudam-no ainda a reforçar as suas capacidades e a criar o seu próprio plano para cada situação. Como verá, neste livro de culto negociar é sempre sinônimo de ganhar. U N ID A D E III Professor Me. Ricardo Azenha L. Albuquerque ESTRATÉGIAS EM NEGOCIAÇÃO E SUAS IMPLICAÇÕES ÉTICAS NO PROCESSO Objetivos de Aprendizagem ■ Discutir as estratégias utilizadas em negociação. ■ Entender o processo estratégico em negociação. ■ Discutir as preocupações éticas em negociação. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ As estratégias dos negociadores ■ A ética nas negociações 70 - 71 INTRODUÇÃO Um dos pontos muito importantes que necessita ser apresentado são as estraté- gias escolhidas pelos negociadores em um processo de negociação. Quando estamos em uma negociação deve mas, antecipadamente, deci- dir por qual estratégia utilizar no processo para garantir um resultado do tipo ganha-ganha entre os participantes da negociação. Entretanto, se decidir por qual linha seguir não significa que está deverá ser utilizada até o final do pro- cesso. Durante o mesmo, em caso de necessidade, é perfeitamente aceitável que se troque de estratégia para evitar que o resultado da negociação seja desfavo- rável para uma das partes. Como mencionamos anteriormente, a escolha da estratégia de negociação é muito importante, mas é necessário que se tenha cuidado com a maneira pela qual todo o processo de negociação é conduzido, de forma a manter-se em uma linha eticamente aceitável. Por isso, estudar as questões que envolvam a ética em negociações também é de grande importância. Por este motivo, dedicamos uma parte para estudar conceitos que envolvem a ética em negociação. Para finalizar, acreditamos que, com as informações que iremos apresen- tar a seguir, poderemos contribuir com seu desenvolvimento profissional. Bons estudos e sucesso! AS ESTRATÉGIAS DOS NEGOCIADORES Quando estamos em uma negociação, o resultado que se espera ao fim desta é aquele que foi definido como sendo o objetivo a ser alcançado no planejamento do processo de negociação. Como foi estudado na Unidade II, a negociação caracteriza-se como um processo com entradas, processamentos e saídas, e a preparação deste exige planejamento para que seja possível aumentar as possibilidades de sucesso ao final da negociação. É aí que entra a estratégia, ou seja, durante o planejamento Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 70 - 71 ©shutterstock 72 - 73 ESTRATÉGIAS EM NEGOCIAÇÃO E SUAS IMPLICAÇÕES ÉTICAS NO PROCESSO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 72 - 73III deve-se definir que tipo de estratégia ou estratégias deverão ser utilizadas durante cada negociação. Fernandes e Berton (2005, p. 9) explicam que a palavra estratégia pode ser entendida como um meio para se chegar a um fim. “A estratégia nunca é um fim em si, mas um caminho”, ou seja, é a maneira pela qual se irá alcançar determi- nado objetivo. A estratégia permeia nossa vida em todos os sentidos. Sempre que se deseja alcançar algum objetivo, realiza-se um planejamento intrinsecamente a este. Von Clausewitz (1976, p. 177 apud MINTZBERG et al. 2003, p. 24) traz um exemplo de estratégia utilizada no campo militar, ou seja, neste contexto, a estratégia está relacionada à criação de um plano de guerra, preparação das campanhas individuais e, dentro delas, decisão de comprometimento individual. Com esta definição, podemos concluir que, ao pensarmos estratégia no contexto da negociação, esta tem a característica de assumir as ações que os negociadores estarão dispostos a utilizar no decorrer de todo o processo de nego- ciação, podendo, inclusive, mudar de estratégia durante a mesma. Stark (1999, p. 55-95) apresenta 50 estratégias e táticas de negociação. A seguir, iremos apresentar as vinte e cinco primeiras estratégias e, tendo interesse, recomendamos adquirir o livro do autor. 72 - 7372 - 73 25 ESTRATÉGIAS E TÁTICAS DE NEGOCIAÇÃO, RETIRADAS DO LIVRO APRENDA A NEGOCIAR: O MANUAL DE TÁTICAS GANHA/GANHA. 1. Princípio da perplexidade Negociadores bem-sucedidos têm o hábito de demonstrar perplexidade. A perplexi- dade é transmitida em uma negociação através de um semblante aborrecido ou uma afirmação de descrédito toda vez que uma das contrapartes menciona o preço ou as condições de venda de seu produto ou serviço. Eu achava que a perplexidade era uma tática tola, até que me conscientizei do quanto ela era eficiente quando alguém a usava comigo. Exemplo: Vendedor: “O preço dos folhetos será de US$ 3.000,00 para uma tiragem de 1000”. Cliente (cara de surpreso): “Você deve estar brincando. Por que tão caro?”. Vendedor (naturalmente, tentando agregar valor ao preço): “É claro que isto inclui redação de textos, fotografia, composição, pintura, verniz e encader- nação”. Se o cliente não se mostra perplexo, nem surpreso, o vendedor pode usar os “brin- des” que seriam concedidos diante de uma demonstração de perplexidade como custo adicional: Cliente: “US$ 3.000,00 - eu pensei que custaria mais do que isso”. Vendedor: “É claro, isto não inclui reda- ção de textos, fotografia ou verniz. Esses custos serão adicionados ao preço-base”. Como reagir: Quando alguém se mostra perplexo quanto ao seu preço, defenda seu pro- duto com base no seu próprio mérito. Não faça concessões, até ter um enten- dimento seguro acerca do motivo da perplexidade da pessoa. Muitas pessoas se mostram perplexas porque não têm conhecimento do seu produto, serviço ou preço. Negociadores inexperientes tendem a desistir de muita coisa muito cedo. 2. Princípio do poder de abrir mão Como foi enfatizado no início deste livro, em qualquer relação o lado menos comprometido com a continuidade do rela- cionamento terá mais poder. Se você tem a possibilidade de simples- mente abandonar a mesa de negociação quando a tendência das coisas muda, então terá um maior poder de alavancagem. Exemplo: Recentemente, minha esposa Kathleen comprou um sofá-cama para nossa filha. Ela havia visto uma propaganda com o preço de US$ 77,00. Quando ela foi pagar pelo sofá-cama, o vendedor dis- se-lhe que havia uma taxa adicional de US$ 25,00 para entrega. Ela não queria pagar essa taxa porque tinha combinado comigo que um caminhão da minha companhia iria buscar o sofá. Mesmo assim, ela deixou a loja com o valor de US$ 25,00 da taxa de entrega ainda na 74 - 75 nota fiscal, porque o funcionário da loja disse-lhe que isso era inegociável, quer a empresa fizesse a entrega, quer não. Na verdade, o funcionário disse que, se a empresa não cobrasse tal taxa, perde- ria dinheiro com a venda do sofá. Kathleen foi para casa e telefonou para duas outras lojas do mesmo grupo. Para cada uma delas ela disse que queria comprar o mesmo sofá-cama da pro- paganda, e perguntou se haveria alguma taxa de entrega, caso ela mesma reti- rasse o sofá. Ambas disseram que não. Munida desta informação, ela foi até a primeira loja e pediu que a taxa de entrega fosse retirada, ou entãoela can- celaria a compra e faria o negócio com outra loja. Eles concordaram. Uma semana depois, quando foi reti- rar o sofá-cama, Kathleen foi informada, pelo funcionário do caixa, que a pessoa com quem ela falara não tinha autori- dade para cancelar a taxa de entrega. Depois de idas e vindas, Kathleen final- mente disse: “Devolva-me os meus US$ 77,00, que eu vou comprar o sofá em outro lugar”. Então, o funcionário desis- tiu e retirou a taxa. Se for capaz de abrir mão do negócio, você terá sempre a possibilidade de alcançar um resultado ganha/ganha. Como reagir: Se outras pessoas estão interessadas em seu produto ou serviço, ou se você pode encontrar o produto ou serviço que deseja em outro lugar - mas que ainda atenda aos seus objetivos - deixe sua contraparte ir embora. Se você sair atrás da pessoa e a trouxer de volta para a mesa de negociação, seu poder irá deteriorar-se consideravelmente. Vende- dores de carros são notórios por ir atrás de clientes quando estes abandonam uma negociação. Lembre-se, se você fin- gir abandoná-la, a vantagem estará do seu lado, desde que você tenha meios de contatar a sua contraparte novamente. 3. Princípio da concorrência Em muitos tipos de negócios, o poder da concorrência pode ser devastador. A con- corrência força o vendedor a justificar tudo e, em alguns casos, a ceder além do que havia planejado. Frequentemente, a sim- ples ameaça da concorrência é suficiente para forçar concessões. Exemplo: Cliente: “Eu tenho três propostas e a sua é US$ 500,00 mais cara do que as outras duas. Eu gostaria realmente de trabalhar com você, se você puder fazer alguma coisa quanto ao seu preço”. Como reagir: Defenda o seu preço com base na qua- lidade do serviço prestado. Uma vez saí para efetuar uma venda com um vende- dor tarimbado, que respondia ao cliente sobre o preço da seguinte forma: “Sr. Jones, o meu preço é mais alto que o da concorrência, porque sou eu quem faz o serviço como o senhor deseja”. Ele declarava isso de forma tão convin- cente, que convencia tanto a mim como ao cliente também. Fique atento, porque muitos clientes vão-lhe dizer que seu preço é muito alto, só para se livrarem de você. Eles não têm nenhuma inten- ção de trabalhar com você, mesmo que você abaixe o seu preço. 74 - 75 4. Princípio da formalização Sempre que se chega a um acordo com alguém, você é quem deve formalizar por escrito o que foi acordado. Quando é você quem faz a redação final, você pode “amarrar” todos os pontos que ficaram em aberto em torno do assunto discutido e concordado. Exemplo: Você concorda em alugar um escritó- rio junto ao proprietário do prédio, e os pontos do acordo são: Dois anos de aluguel. Valor do aluguel de US$ 3.000,00 por mês, para uma área de 1.000 metros qua- drados. Dois meses de aluguel grátis. Após o aperto de mão, a parte que coloca os termos no papel tem a oportu- nidade de definir pontos que não foram completamente esclarecidos. Por exemplo: Dois anos de aluguel, a partir de 1º de setembro de 1997. Os dois meses de aluguel grátis come- çam a contar a partir de 1º de setembro, a data da mudança. Como reagir: Se você não concorda com a forma como a contraparte “amarrou” os pontos em aberto no acordo escrito, deve enviar- lhe um fax imediatamente, ou escrever para ele, explicando como você acha que os assuntos deveriam ser tratados. Se não responder imediatamente, você perderá um grande poder de barganha, quando finalmente for para a mesa de negociação. 5. Princípio de bola alta ou bola baixa Façamos uma analogia com o esporte. Joga-se uma bola alta ou uma bola baixa, quando alguém faz uma oferta ridicula- mente alta ou baixa. Exemplo: Você está tentando vender sua casa por US$ 189.000,00. O seu corretor vem com uma proposta de US$ 160.000,00, feita por um casal que visitou a casa no final de semana. Se a sua casa está com um preço competitivo, esta pode ser consi- derada uma oferta do tipo “bola baixa”. Jogar uma bola baixa é eficaz, porque isso costuma rebaixar as aspirações da contraparte. Se você contrapropu- sesse US$ 180.000,00, a próxima oferta de US$ 175.000,00 não seria assim tão ruim. Se a contraparte tivesse oferecido inicialmente US$ 175.000,00, talvez você tivesse feito uma contraoferta acima de US$ 180.000,00. Como reagir: Se alguém faz uma oferta baixa para você, existem as seguintes opções: Não faça contraoferta! Faça uma contraoferta com base no preço que você solicitou inicialmente. Faça uma contraoferta com preço mais alto do que o preço que você inicial- mente pedira. Diga à pessoa que ela não entendeu o preço verdadeiro. É uma res- posta ridícula a uma proposta ridícula. 76 - 77 Faça uma contraoferta com base no preço que você pediu inicialmente, mas definindo o que será excluído de sua proposta original. Se alguém lhe aplica uma bola alta, exis- tem outras três opções: Faça seu “dever de casa”, para saber se o preço é competitivo. Use o poder da concorrência. Demons- tre, com uma análise competitiva, que o preço é alto demais comparado às outras opções. Peça uma explicação acerca do valor pro- posto. 6. Princípio da hierarquia A falta da última palavra em uma situação pode criar uma posição muito confortável. Nesta situação, o negociador precisa con- tatar alguém hierarquicamente superior para conseguir a aprovação final. Tenho visto negociadores experientes alcançarem os melhores acordos possíveis, e depois consultarem seu chefe. Geralmente, o negociador volta com instruções para con- seguir um acordo ainda melhor. Exemplo: O presidente de uma empresa negocia até conseguir o melhor acordo quanto ao preço de uma máquina. O preço ini- cial era de US$ 450.000,00. Ele consegue, com o vendedor, um preço de US$ 428.000,00 e três meses de uso antes do primeiro pagamento. O presi- dente concorda com o acordo, mas diz que precisa levar o assunto ao conselho de diretores, para aprovação final. O presidente volta do conselho com a aprovação para assinar o contrato num valor máximo de US$ 425.000,00. Ele até se desculpa com o vendedor, pelo fato de o conselho ter sido tão rígido quanto ao assunto. O vendedor cede. Neste caso, o conselho pode ter sido real ou fictício. Um dos meus alunos aplicou este exem- plo. Funcionou no caso dele. E o melhor de tudo é que ele era ao conselho de diretores. Como reagir: A melhor forma de não deixar que o princípio da hierarquia seja usado con- tra você é perguntar à sua contraparte, bem no início da negociação. Se for ela a pessoa que vai tomar a deci- são final. Se não for, peça para conhecer a pessoa que vai dar a última palavra. No exemplo acima, poderia ter sido vantajoso para o vendedor negociar o melhor resultado, e consultar então o seu gerente de vendas, para ver se ele conseguiria melhorar o resultado. Como reagir à reação: Se alguém lhe perguntar se você é a pessoa que vai tomar a decisão final, e esta pessoa não for você, seja honesto e diga. Em seguida, diga à contraparte que a pessoa a dar a palavra final sem- pre ouve você e sempre aceita as suas sugestões. E como é muito difícil con- seguir um contato com o superior por questões de disponibilidade de tempo, é de interesse maior da contraparte que a proposta seja feita a você. Depois que conseguir o melhor acordo, você o levará à autoridade hierarquica- mente superior. Então, você voltará e 76 - 77 dirá, incrédulo, que “esta é a primeira vez que meu chefe não seguiu a minha recomendação. Ele disse que se eu não conseguir um preço abaixo de US$ 420.000,00 não posso assinar o contrato. Eu sinto muito por terenvolvido você nisto, e justo quando nós pensávamos que já tínhamos fechado o acordo!”. Esta tática pode causar um certo mal-es- tar, do ponto de vista ético, a algumas pessoas. Mas foi incluída aqui porque já a usaram contra mim. Como reagir à reação à reação: Você tem três opções: - Pratique o princípio do absurdo (nº 24) - Use o princípio da pressão (nº 20) - Vá embora! 7. Princípio do balão de ensaio O balão de ensaio foi inventado a fim de verificar os movimentos das correntes de ar. O mesmo princípio pode aplicar-se à negociação. Muitas vezes você vai querer descobrir até que ponto sua contraparte é realmente firme nos assuntos fundamen- tais. Soltando um balão de ensaio, você pode julgar a reação dela à sua proposta. Fazendo isto, você poderá ter uma ideia mais clara de quando vocês chegarão à con- clusão da negociação. Exemplo: Uma pessoa está pedindo US$ 150.000,00 pela sua casa. Como possí- vel comprador, você poderia perguntar: “Se eu lhe desse US$ 130.000,00 à vista, e pagasse em uma semana, você acei- taria?” A pessoa diz que não poderia vender por esse preço, mas, se você pagasse US$ 140.000,00 ela poderia aceitar. Agora, você já sabe que, quando se aproximar o final da negociação, na pior das hipóteses a pessoa aceitará US$ 140.000,00. Isto pode ser ou não com o pagamento à vista em uma semana, como você propôs. O princípio do balão de ensaio também pode ser usado para iniciar uma nego- ciação. Recentemente, comprei um carro usado para um amigo. Ele tinha somente US$ 2.000,00 para gastar. Eu o surpre- endi quando considerei para a compra carros na faixa de US$ 2.300,00 a US$ 2.900,00. Eu disse a cada vendedor que tinha somente US$ 2.000,00 para gastar e que- ria saber se seria o suficiente para visitar o revendedor e dar uma olhada nos car- ros. Alguns disseram que não. Outros disseram que sim, e que US$ 2.000,00 era uma possibilidade. E alguns disse- ram que não aceitariam US$ 2.000,00, mas poderiam aceitar US$ 2.100,00. Ter esta informação ao iniciar uma negocia- ção muda sua oferta inicial. Como reagir: Se alguém lhe aplica um balão de ensaio no seu campo de batalha, responda com uma expressão chocada ou de increduli- dade: “Você não está falando sério, está?” Uma segunda reação seria responder simplesmente: “Isto não é suficiente”. Uma terceira reação, que pode ajudar você a recuperar a vantagem, seria jus- tificar o valor do seu carro. Você pode afirmar: “Depois de ver o carro, tenho certeza de que você achará o preço de US$ 2.500,00 uma barganha”. 78 - 79 Como reagir à reação: Justifique o seu balão de ensaio. Algu- mas vezes, com uma boa explicação, o seu balão poderá encher-se com algo mais que ar quente. Se você pode justi- ficar a sua posição, poderá até fazer sua contraparte mudar seu ponto de refe- rência inicial. 8. Princípio do extra Este princípio entra no jogo depois de você chegar a um acordo inicial. Depois de chegar ao que sua contraparte pensa ser um acordo, você acrescenta uma condição para que a venda final se concre- tize. Esta condição é o “extra”. Exemplo: Comprador: “Eu compro o carro por US$ 14.000,00 se você instalar o aparelho de som mais sofisticado e aplicar o verniz na pintura final”. Como reagir: Vendedor: “Você está pedindo algo que torna meu trabalho mais difícil. Eu lhe fiz o melhor preço, e agora você está querendo mais. Eu poderia instalar o som e aplicar o verniz na pintura, mas somente no modelo que tem o motor menos potente”. Não abra mão de algo valioso sem con- seguir alguma coisa em troca! 9. Princípio do salame Ninguém consegue comer um salame inteiro de uma só vez! É preciso cortar o salame em pedaços pequenos. O mesmo princípio aplica-se às negociações. Gran- des concessões são feitas com menos resistência, se forem divididas em peda- ços pequenos. Exemplo: Você está procurando no mercado um sistema de som completo. O preço do sistema é de US$ 850,00. Você tem como objetivo comprar o conjunto por US$ 700,00. Se você dissesse a um vende- dor que compraria o sistema de som, caso o preço fosse US$ 700,00, provavel- mente o vendedor diria para dar o fora. Você teria muito mais chances de com- prar o conjunto pelo preço que você está disposto a pagar, se usasse a técnica do salame. Primeiro, pergunte ao vendedor que tipo de desconto ele poderia oferecer-lhe se você comprasse o sistema completo, tal- vez você conseguisse 10% de desconto sobre o preço total. Em seguida, pergunte ao vendedor se ele daria mais um desconto de US$ 50,00 se você levasse o modelo da vitrine. Finalmente, mencione que você com- praria o equipamento imediatamente, se o vendedor desse uma extensão no período de garantia. Antes que você mesmo perceba, estas pequenas concessões podem totalizar até US$ 150,00! Como reagir: Existem várias reações possíveis ao prin- cípio do salame. Primeiro, você pode expor o salame. Diga à pessoa que você já fez várias con- 78 - 79 cessões em seguida e que a negociação já não é mais uma situação de ganha- ganha. Segundo, você pode explodir. Quando sua contraparte pedir a sua próxima fatia, aja como se esta fosse a gota d’ água que faz transbordar o copo cheio. Expresse incredulidade, por ter a sua contraparte pedido uma nova conces- são. Terceiro, você pode reagir com o seu próprio salame. Eu descobri que, quando você contrapõe salames a salames, sua contraparte vai parar de usar essa tática. 10. Princípio do não negociável Às vezes, é possível que você se depare com alguém que afirme que um determinado item «não é negociável». Os sindicatos são conhecidos por usar esta estratégia. As pessoas dizem que alguma coisa não é negociável por diversos motivos. Primeiro, porque demonstram ter convicções firmes sobre o assunto. Segundo, porque tendem a reduzir o nível de expectativa das suas contrapartes. Terceiro, porque forçam a contraparte a reavaliar a sua posição. E quarto, porque muitas vezes a contraparte cede e passa para outro assunto. Exemplo: Você vai a uma imobiliária para com- prar uma casa. Encontra a casa dos seus sonhos e oferece ao proprietário US$ 7.500,00 a menos do que o preço soli- citado. Ele responde que o preço não é negociável. É pegar ou largar. Como reagir: Primeiro, você deve procurar seu corre- tor (ou uma terceira parte qualquer) para tentar argumentar com o proprietário. Segundo, use seu poder de abandonar a negociação. Se o proprietário não tiver outros pretendentes ele poderá inte- ressar-se por sua oferta. Isto acontece muitas vezes quando as pessoas se cons- cientizam da realidade do mercado e se convencem de que o preço é de fato muito alto. Recentemente, passei uma semana em um hotel em Atlanta, na Geórgia. Um atendente do hotel informou-me que eu tinha recebido fax do meu escritório e que havia uma taxa de US$ 5,00 pelo recebimento desse fax. Como eu deveria receber e enviar muitos outros durante a semana, pedi que as taxas fossem des- consideradas. A pessoa da recepção disse que aquela era uma norma do hotel e que a taxa não era negociável. Pedi falar com o gerente, que também me disse que essa taxa não era negociável. Então, eu disse ao gerente que iria para outro hotel, do outro lado da rua, e ficaria lá até o final da semana, já que naquele hotel não existia taxa para o recebimento de fax. O gerente foi consultar o gerente-geral e obteve aprovação para que os faxes que eu rece- besse ficassem isentos de taxa. Por último, você pode usar o princípio do salame. Fatie o preço, uma fatia de cada vez. Você pode conseguir que o vendedor pague parte do seu custo final, ou obter um financiamento combaixos níveis de juros. Uma parte de cada vez - você pode conseguir fatiar aquilo que era conside- rado não negociável. 11. Princípio do trocado Este princípio envolve a divisão do dinheiro em valores tão pequenos, que a sua con- 80 - 81 traparte não se conscientizará de que está lidando com grandes somas. Exemplo: Há vários anos uma vendedora de facas tocou a minha campainha e fez uma demonstração de que nunca mais vou esquecer. Quando ela terminou de cor- tar quase tudo que podia encontrar na minha cozinha, cometi o erro de pergun- tar quanto custavam as facas. Ela me disse: “Peter, estas facas têm garantia total por um período de dez anos. Nestes dez anos, o único custo que você vai ter é de cerca de dezoito centavos por dia”. o que a vendedora estava fazendo era dividir o preço total das facas (US$ 633,00) pelo período de dez anos. Isto queria dizer que eu teria um gasto de dezoito centavos por dia. Eu ainda hoje me culpo por ter caído no conto do trocado. Como reagir: Faça seu dever de casa e gaste sua ener- gia, verificando o montante do preço final. Vendedores de carros são mes- tres no uso do princípio do trocado. Eles tentam mostrar ao comprador o valor da prestação mensal e não o valor do total que está sendo negociado. Os vendedores tentam deixar o compra- dor no escuro em relação ao preço total e às taxas de juros, até que o negócio esteja fechado. Prepare-se para abandonar a negocia- ção, se a sua contraparte não estiver disposta a discutir todos os termos abertamente. 12. Princípio da divisão Quando duas partes ainda estão distantes quanto à resolução de um determinado ponto e a negociação parece estar em um beco sem saída, uma das partes pode propor que a diferença seja dividida entre as duas. Exemplo: Você está vendendo o seu carro e não quer aceitar um preço abaixo de US$ 2.000,00. O comprador não quer pagar mais de US$ 1.800,00. Como existe a dife- rença de US$ 200,00, um de vocês pode oferecer-se para dividir essa diferença (US$ 200,00 dividido por 2) e fechar o negócio por US$ 1.900,00. A dica quanto ao que fazer, neste caso, é deixar sua contraparte oferecer-se para racharem a diferença. Se você se oferece para dividir essa diferença, sua contra- parte saberá que você aceita abaixar seu nível de aspiração. Uma boa solução é dizer: “Nós estamos com uma diferença de US$ 200,00; o que poderíamos fazer?”. Como reagir: Se o vendedor se oferece para dividir a diferença, você sabe que ele está pre- tendendo aceitar US$ 1.900,00. Com esta informação nova, você, como com- prador, poderia dizer: “Você disse que aceita US$ 1.900,00 pelo seu carro. Eu quero pagar US$ 1.800,00. Isto nos dá uma diferença de US$ 100,00. Por que não dividimos a diferença e fechamos o negócio por US$ 1.850,00?”. 13. Princípio da concessão condicio- nada Uma boa regra para lembrar em negocia- 80 - 81 ções é tentar obter um benefício cada vez que você fizer uma concessão à sua contra- parte. É claro que, quando você cede em algum ponto negociado, ele passa a ter pouco valor mais à frente na negociação. Exemplo: Comprador: “Eu compro sua casa por US$ 180.000,00, se você deixar o refrige- rador, a máquina de lavar e a secadora”. Vendedor: “Eu deixo o refrigerador, a máquina de lavar e a secadora, se você quitar o pagamento em 30 dias”, ou “Eu deixo o refrigerador, a máquina de lavar e a secadora, mas o preço será de US$ 182.000,00”. Como reagir: Se você não consegue algo em contra- partida, veja o que pode acontecer (em muitos casos): Comprador: “Eu compro sua casa por US$ 180.000,00, mas, por esse preço, você deixa a máquina de lavar, a seca- dora e o refrigerador”. Vendedor: “OK”. Comprador: “Eu aceito fechar o negócio conforme combinado, mas você vai assu- mir o custo das reformas a serem feitas”. Vendedor: “Espere um momento. Eu acabei de lhe dar a máquina de lavar, a secadora e o refrigerador, e agora você ainda quer que eu assuma as despesas de reforma?”. Comprador: “Por que você está falando na máquina de lavar, na secadora e no refrigerador? Nós já chegamos a um acordo quanto a este ponto. O único ponto em discussão agora é a reforma”. Tente sempre obter alguma coisa em troca. Caso contrário, o que você vai con- seguir é apenas um grande salame. 14. Princípio da falsa retirada Existem oportunidades em que você não deseja ir ao extremo de retirar-se da nego- ciação, mas deseja dar, à contraparte, a impressão de que você não está compro- metido com o que está sendo discutido. Uma falsa retirada pode ser usada quando você quer dar a impressão de não estar muito interessado quando, na realidade, você está interessado é em reter o controle da situação. Exemplo: Há vários anos, um amigo meu estava negociando a compra de uma bela casa. Ele passou vários dias negociando vários pontos. Ele estava apaixonado pela casa, mas a última concessão do proprietário ainda era US$ 4.000,00 acima do que meu amigo aceitava pagar. Ele então telefonou para o corretor de imóveis e disse-lhe que estava desis- tindo de comprar a casa porque os montantes a que haviam chegado não eram do seu interesse. Meu amigo acre- ditava que nem o proprietário nem o corretor iriam deixar um negócio de US$ 300.000,00 perder-se, por causa de US$ 4.000,00. Como ele aceitaria pagar os US$ 4.000,00, caso isso fosse realmente necessário, utilizou-se do princípio da falsa retirada. 82 - 83 Como reagir: Primeiro, você poderia abandonar a negociação. Segundo, você poderia tentar dividir a diferença. Terceiro, você poderia ceder na questão visando a algum benefício em troca. 15. Princípio da oferta retirada Existem casos em que é interessante para você retirar sua oferta inicial. Esta técnica pode ser usada quando você sentir que está perdendo alguma van- tagem na negociação, ou quando estiver sendo levado a uma situação em que você só pode perder. Exemplo: Alguns anos atrás, eu estava vendendo uma casa que tinha com um sócio. O preço pedido era de US$ 126.000,00. Achamos um possível comprador que foi um dos negociadores mais duros que eu já conhecera. Usando o princípio do salame, ele reduziu o preço para US$ 121.000,00 e conseguiu que nós nos res- ponsabilizássemos pelas reformas na casa. Nós pensamos que a negociação estava concluída; então, o comprador trouxe a esposa para o cenário das nego- ciações. Sua esposa disse que havia detestado a cozinha e que não permitiria que o marido pagasse mais de US$ 119.000,00 pela casa. Aí, eu disse ao comprador que tinha más notícias. Meu sócio havia deci- dido não vender a casa por menos de US$ 123.000,00. Como o comprador que- ria realmente a casa, passou o resto da negociação tentando trazer o preço de volta a US$ 121.000,00. Como reagir: Primeiro, você pode retirar-se da nego- ciação. Se a sua contraparte for uma pessoa realmente séria, ela voltará. Segundo, você pode utilizar o princípio da falsa retirada. Você dá a impressão de que está desistindo, quando na verdade você está no controle da situação. 16. Princípio das alternativas O princípio das alternativas pode ser usado quando há várias opções que podem ser aceitas por você. O pessoal da área de vendas é treinado para usar esta técnica, a fim de obter o compro- misso de compra da contraparte. Exemplo: “Eu quero comprar o seu Honda Accord novo por US$ 14.000,00, com juros de 10% ou 11 %. Mas, se eu pagar a taxa de 11 %, você tem que incluir a pintura metálica, o aparelho de som e os tapetes especiais. Para qualquer um dos casos, a decisão é sua”. Como reagir: Primeiro, você pode dizer não para qual- quer uma das duaspropostas e começar de novo. Segundo, você pode avaliar os prós e contras de cada uma. Terceiro, você pode utilizar o princípio da falsa retirada. Quarto, você pode abandonar a negociação. Quinto, você pode usar o princípio da concessão condicionada. 17. Princípio do engodo O princípio do engodo é caracterizado por fazer-se um grande escarcéu quando, na 82 - 83 verdade, você não se importa muito quanto a determinado ponto. Você está, na rea- lidade, interessado em algo que é mais importante para você. Exemplo: Você está comprando uma copiadora e fecha o negócio. O único opcional que a máquina não apresenta é a capacidade de colocar os papéis em ordem, mas o vendedor concorda em instalá-lo para você. Quando você está pronto para assinar o pedido, o vendedor informa que a máquina com o dispositivo para ordenar os papéis ficará pronta em um mês. Mesmo que o problema do tempo não seja tão importante, você pode fazer disto um grande empecilho, de tal forma que levará o vendedor a fazer um des- conto no preço. Você pode, por exemplo, dizer ao vendedor que vai procurar a copiadora em algum outro lugar, já que essa espera não vale a pena. Como reagir: Primeiro, você pode tentar descobrir o motivo verdadeiro por trás do estar- dalhaço. Segundo, você pode utilizar o princípio da falsa retirada. Terceiro, você pode abandonar a negociação. 18. Princípio do peixe morto A ideia por trás do princípio do peixe morto é colocar na mesa de negociação alguma coisa que você não espera conseguir e que a sua contraparte vai recusar, por achar ruim como o cheiro de um peixe morto. Mesmo que não se importe muito com o ponto discutido, ao ver sua contraparte fazer uma cara feia, você pode oferecer-se para desistir do assunto, mas considerando isso como uma grande concessão pela qual deseja algo em troca. Exemplo: Você está comprando um carro usado de alguém que está pedindo US$ 2.000,00 por ele. Você quer pagar menos e para isso, “coloca um peixe morto” na mesa, pedindo à pessoa que compre pneus novos. Você a avisa de que está disposto a desconsiderar esse pedido de pneus novos, mas que, para isso, ela terá que abaixar o preço do carro em US$ 300,00. Como reagir: Primeiro, diga que o preço não é nego- ciável. Segundo, use o princípio da falsa retirada. Terceiro, abandone a negocia- ção. Quarto, use o princípio da concessão condicionada. Você até estaria disposto a trocar os pneus, mas isso acarretaria um aumento de US$ 500,00 no preço. 19. Princípio da dissimulação Existem na vida situações em que vale a pena fazer-se de bobo. Em outras palavras, existem situações em que ficar calado signi- fica ser esperto, e ser esperto significa ficar calado. A ideia é mesmo fazer com que as pessoas pensem que você não consegue resolver as coisas sozinho. O ponto cen- tral deste princípio é que as pessoas vão querer auxiliá-lo, se pensarem que você é carente de determinadas habilidades, conhecimento ou informação. Exemplo: No ano passado, eu estava querendo comprar um refrigerador novo. Como pretendia fazer um bom investimento, fui a seis lojas diferentes, procurando três 84 - 85 marcas diferentes de refrigeradores. Na quarta loja, comecei a notar que eu sabia mais sobre os modelos que procurava do que os vendedores que estavam me atendendo. Como o meu maior conhe- cimento poderia intimidar o vendedor e fazer com que ele levantasse a guarda, comecei a me fazer de bobo, dizendo a ele que eu nunca havia comprado um refrigerador antes. Eu não lhe disse que já havia consultado o preço em várias outras lojas. Quando o vendedor con- cluiu sua apresentação, concentrei meu enfoque no modelo que queria e disse ao vendedor que, se ele me vendesse o refrigerador por US$ 950,00, eu faria a compra lá mesmo e nem iria visitar outras lojas. Isto era US$ 70,00 abaixo do preço solicitado por ele e US$ 135,00 abaixo do menor preço que eu havia encontrado nas outras lojas. O vende- dor respondeu: “Eu não posso vender por US$ 950,00, mas posso fazer, para você, por US$ 980,00”. Ainda era um bom negócio. Uma pequena observação: nunca diga a alguém com quem está negociando que você fez um curso ou participou de um workshop sobre negociação. A última coisa que conto a alguém é que eu leciono cursos sobre negociação na Universidade de San Diego. Se dissesse, a minha contraparte poderia arrumar munição extra contra mim. Como reagir: Mantenha a guarda levantada. Você precisa sempre lembrar que qualquer informação que você passar em uma negociação poderá ser usada contra você mais à frente. É bom ajudar uma pessoa boba, mas é devastador ajudar uma pessoa esperta a cavar a sepultura de você mesmo. 20. Princípio da pressão A ideia por trás do princípio da pressão é muito simples. Quando alguém lhe fizer uma oferta e você achar que ela pode ser melhorada, simplesmente diga: “Isto não é o suficiente”. Uma vez feita essa observação, dê uma pausa e deixe a sua contraparte dar o próximo passo. Exemplo: Henry Kissinger era um mestre nessa arte. Fala-se que, em uma ocasião, seu chefe de gabinete escreveu um relató- rio sobre um determinado aspecto da política exterior. Quando o chefe de gabinete lhe entregou o relatório, Kissin- ger disse: “Este é o seu melhor trabalho?” O chefe de gabinete pensou um pouco e disse: “Sr. Kissinger, acho que posso melhorar”. Kissinger, então, devolveu o relatório. Duas semanas depois, ele voltou com o relatório revisado. Kissinger ficou com o relatório por uma semana e devolveu-o com uma nota anexa que perguntava: “Você tem certeza de que isto é o melhor que pode fazer?” Pensando que poderia estar faltando alguma coisa, o chefe de gabinete reescreveu o relatório. E, desta vez, ele levou o relatório pessoalmente a Kissinger e disse: “Sr. Kissinger, este é o melhor trabalho que eu posso fazer.” Ouvindo isso, Kissinger respondeu: “Então, agora eu vou ler o seu relatório”. 84 - 85 Como reagir: Primeiro, você pode perguntar à sua contraparte: “Se minha oferta não é aceitável, o que você considera acei- tável?” O motivo desta pergunta é que você não quer revelar algo que não pre- cisa revelar. Muitas vezes, as pessoas irão fazer pressão só para que você reavalie sua oferta. E algumas pessoas o fazem religiosamente, em qualquer primeira oferta. Segundo, você pode abandonar a negociação. Terceiro, você pode utili- zar o princípio da dissimulação. 21. Princípio da descoberta O princípio da descoberta foi trazido do setor de vendas. Ele é eficiente para ajudar a sua contraparte a entender o seu ponto de vista. Você se mostrar compreensivo quanto à reação negativa da contraparte, falar sobre como outras pessoas já se sen- tiram, e explicar que, após experimentar o produto, a opinião da pessoa mudará. Exemplo: Comprador: “Eu não posso acreditar que você esteja pedindo US$ 3.000,00 por essa copiadora XYZ!”. Vendedor: “Eu posso compreender o que você está sentindo em relação ao preço. Muitas outras pessoas também senti- ram a mesma coisa, até que descobriram quanto as XYZ duram, sem apresentar qualquer tipo de problema. Esta é real- mente a diferença, e é isto que faz valer o preço”. Como reagir: Primeiro, você pode usar o princípio da pressão. Simplesmente, diga ao vende- dor que US$ 3.000,00 é muito dinheiro. Faça uma pausa. Segundo, você pode usar o princípio da hierarquia. A sua esposa, seu marido ou sócio nos negó- cios somente permitem que você gaste US$ 2.800,00. Terceiro, você pode utilizar o princípio da concessão condicionada. Diga ao vendedor que você pagará os US$ 3.000,00 se ele fornecer o toner, os produtos químicos necessários e manu-tenção gratuita por um ano. 22. Princípio da associação Segundo este princípio, você associa uma concessão no presente a uma concessão no futuro. O modo como este princípio funciona é dizer a alguém que, se ele/ela atender às suas exigências, será recompen- sado mais tarde. Exemplo: Uma vez, visitei um experiente compra- dor de serviços de impressão. Quando revi os serviços a serem cotados, ele me disse qual o montante de serviços que ainda tinha a executar. Naturalmente, quando fiz a proposta, passei-lhe um preço justo, porque eu queria os ser- viços futuros dele. Quando o visitei novamente com a proposta, o compra- dor retrucou que ele realmente gostaria de usar os meus serviços, mas que meu preço estava acima do que ele espe- rava. O comprador disse: “Se você puder reduzir o preço em US$ 500,00 para este serviço, eu lhe darei todos os meus servi- ços futuros”. Neste caso, uma concessão estaria associada à outra. Como reagir: A minha experiência fez-me ver que rara- mente você recebe a recompensa como 86 - 87 foi prometido. Infelizmente, a maioria das pessoas ainda cai no conto do prin- cípio da associação, quando essa tática é usada contra elas. O meu conselho é que você diga à sua contraparte que sua companhia não permite descontos em serviços com base nas promessas de negócios futuros, e que as propos- tas são baseadas em cada serviço. Uma segunda reação eficiente, nestas situa- ções, é combater o fogo com fogo. Diga à sua contraparte que você não pode dar desconto nesse serviço, mas que, se ela lhe der o serviço, você poderá conseguir descontos para outros serviços futuros. Uma terceira reação é usar o princípio da norma (nº- 41). Diga simplesmente que é política da sua companhia não dar descontos no primeiro serviço. Negocia- dores experientes queimaram-se muitas vezes por causa desta técnica. Por favor, poupe-se da frustração de não receber a recompensa! 23. Princípio do cachorrinho A ideia por trás do princípio do cachorrinho está em deixar a sua contraparte manu- sear o objeto que você está negociando, antes de vocês consumarem o acordo. O nome deste princípio deve-se aos proprie- tários das lojas de animais de estimação, que pedem a você que segure e brinque com os animais, se estiver considerando a compra de um. Eu gastei US$ 400,00 por um cão inglês por causa desta tática. Com um lindo cachorrinho lambendo carinho- samente o meu rosto, até que US$ 400,00 me pareceram um preço razoável. Exemplo: Alguns anos atrás, meu sócio e eu compramos um barco usado. Quando fizemos objeção ao preço pedido, o pro- prietário sugeriu que passássemos um fim de semana na praia com o barco. Quando terminou o fim de semana, ele estava convencido de que nós con- cordaríamos que o barco valia os US$ 30.000,00 que ele estava pedindo. Quando voltamos do excelente fim de semana, tentamos reduzir o preço do barco para US$ 28.000,00, mas o pro- prietário disse que tinha certeza de que encontraria um comprador que pagasse os US$ 30.000,00. O homem era esperto. Ele sabia que, depois de um ótimo final de semana na praia, nós já tínhamos comprado o barco em nossas mentes. Nós teríamos pagado até US$ 32.000,00, se ele tivesse aumentado o preço durante o fim de semana. Como reagir: O princípio do cachorrinho é tão poderoso, que a única reação eficaz é abandonar a negociação. Se você ainda quiser continuar a negociação, saia da jogada e deixe uma terceira pessoa negociar por você. Uma vez que suas emoções o tenham comprometido e sua contraparte saiba disto, você está em uma posição muito vulnerável. 24. Princípio do absurdo De vez em quando, é bom fazer alguma coisa louca - algo tão irracional, que a sua contraparte vai ceder, só para se ver livre 86 - 87 de você. Para tornar esta técnica mais efi- ciente, você tem de fazer algo realmente muito diferente daquilo que uma pessoa normal geralmente faria para resolver um problema. Exemplo: Uma vez, no Departamento de Trânsito, observei uma mulher que estava per- turbada por ter ficado esperando em três filas diferentes e não ter encontrado quem pudesse resolver o seu problema; então, ela começou a chorar e a falar que só queria encontrar alguém que a tra- tasse como um ser humano! Quando esta explosão irracional come- çou, o gerente a levou para um guichê vazio e pessoalmente a ajudou a resolver seus problemas de registro. Um exemplo clássico deste princípio é o do líder sovi- ético Nikita Kruchev, que bateu com um sapato na mesa das Nações Unidas para enfatizar um ponto em uma reunião. O interessante nesse incidente é que, anos depois, alguém ampliou a foto de Kru- chev batendo na mesa com o sapato e observou que ele ainda calçava os seus dois sapatos! Ou ele trouxe um sapato extra em sua maleta para causar o efeito desejado, ou um de seus camaradas emprestou-lhe o sapato. De qualquer forma, o absurdo funcionou. Como reagir: Primeiro, não considere o comporta- mento da pessoa como um ataque pessoal. Muitos negociadores se utili- zam do princípio do absurdo somente para causar o efeito desejado. Segundo, você sempre pode abandonar a negocia- ção, até que sua contraparte concorde em ser razoável. Terceiro, quando alguém se mostra irracional propositadamente, use o princípio da oferta retirada. Se a pessoa percebe que sempre que ela faz isso você retira a última oferta com que já tinha concordado, ela vai-se conscientizar de que essa conduta está custando caro! 25. Princípio do fechamento presumido O fechamento presumido é outro princípio retirado do mundo das vendas. O funda- mento deste princípio é fazer uma oferta e pressupor que a contraparte vá aceitar. A sua concessão seria o chamariz para que a negociação se conclua. Exemplo: Você está vendendo sua casa e quer US$ 300.000,00 por ela. Você disse ao comprador que poderia considerar uma redução no preço, se o prazo de pagamento fosse reduzido, mas não especificou o quanto. O comprador diz que aceita comprar a casa por US$ 270.000,00 e pergunta se você aceita um prazo de 15 ou 30 dias. Como reagir: Primeiro, você pode utilizar o princípio do absurdo. Exploda e traga o preço de volta a um valor respeitável. Segundo, você pode usar o princípio da conces- são condicionada. Você pode dizer que aceita os US$ 270.000.00 se o comprador pagar à vista e trouxer o pagamento no dia seguinte. Terceiro, você pode pedir um preço mais alto e dividir a diferença. Quarto, você pode abandonar a nego- ciação. São Paulo: Littera Mundi, 1999, de STARK (p.55-77). ESTRATÉGIAS EM NEGOCIAÇÃO E SUAS IMPLICAÇÕES ÉTICAS NO PROCESSO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 88 - 89III A ÉTICA NAS NEGOCIAÇÕES Em uma negociação, sempre existirá diversos interesses que, muitas vezes, podem assumir condições conflituosas. Desta forma, é preciso estar atento na maneira pela qual se irá conduzir o processo de negociação, uma vez que existe uma grande chance de algumas atitudes serem mal compreendidas e transformarem o que antes era uma negociação em um conflito generalizado. Sendo assim, ana- lisar questões éticas que possam estar envolvidas neste processo deve ser uma preocupação recorrente em todo negociador. O dicionário online Houaiss <http://houaiss.uol.com.br> traz como uma das definições da palavra ética um “conjunto de regras e preceitos de ordem valo- rativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade”, ou seja, a ética está diretamente relacionada com os valores morais de um grupo social. Cada sociedade tem preceitos éticos e morais muito particulares relacio- nados com suas tradições culturais o que nos leva a concluir que a ética podeser vislumbrada e entendida de maneira diferente pelas pessoas. FERREIRA apud © shutterstock A Ética nas Negociações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 88 - 89 MARTINELLI; ALMEIDA (1997, p. 176) refere-se à ética como uma conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, além disso, a relaciona ao aspecto moral. E com relação às negociações? Lewicki et al. (2001, p. 217) propõe a análise da relação dos comportamen- tos éticos e legais com o processo de negociação, onde: a. Comportamentos que não sejam nem éticos e nem legais. Normal- mente, são compostos por um conjunto de problemas que tornam as táticas de negociação muito perigosas. b. Comportamentos que sejam éticos, porém não legais. Neste caso, segundo os padrões éticos daquela coletividade, considera-se o comportamento como ético; porém, não sendo legal, está sujeito às punições previstas pela legislação. c. Comportamentos considerados legais que, porém, não são éticos. Embora aceitos pela legislação, esses comportamentos podem ser refutados pelos padrões éticos, de acordo com os valores das pes- soas envolvidas. d. Comportamentos legais e éticos segundo os padrões daquele grupo. Esta seria uma zona da matriz na qual os comportamentos sejam considerados aceitáveis pelo grupo, tanto em termos éticos quanto em termos legais. Então, seria a zona em que os comportamentos são considerados como ótimos, e são aqueles que devem ser bus- cados constantemente pelo grupo (LEWICKI et al. 2001, p. 217). O que o autor coloca é a preocupação que se deve ter quando da utilização de certos comportamentos por parte do negociador, de modo a evitar problemas éticos que possam surgir por diferenças entre valores que, consequentemente, mudam as condutas éticas adotadas. Martinelli e Almeida (1997, p. 176) lembram que, em termos éticos, não existem padrões formais nem nenhuma declaração escrita que sirva de modelo para os negociadores. Os autores afirmam que “a ética de um negociador irá depender de algumas questões pessoais, tais como a formação filosófica e reli- giosa do negociador, sua experiência, formação, valores pessoais, dentre outros aspectos importantes”. ESTRATÉGIAS EM NEGOCIAÇÃO E SUAS IMPLICAÇÕES ÉTICAS NO PROCESSO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 90 - 91III CRITÉRIOS PARA TOMADA DE DECISÕES ÉTICAS Quando estamos negociando, basicamente estamos atuando em um processo de tomada de decisão e, a consequência desta pode ser benéfica ou não para o processo final da negociação, e ainda, ter questões éticas envolvidas que serão determinantes para a execução desta. Martinelli e Almeida (1997, p. 180) apre- sentam o que eles consideram critérios para uma tomada de decisão ética: ■ Enfoque utilitário: considera que comportamentos morais repre- sentam o maior bem, para o maior número de pessoas possíveis. ■ Enfoque individualista: representa que as ações são morais por promoverem o interesse individual. ■ Enfoque moral: parte de premissa de que os seres humanos têm direito a liberdade, não podendo ser cerceado em suas decisões in- dividuais. ■ Enfoque de justiça: indica que as decisões morais estão baseadas nos princípios de equidade, probidade e imparcialidade (MARTI- NELLI; ALMEIDA, 1997, p. 180). A ética sempre será uma questão importante em negociações, até porque, em alguns momentos, os negociadores estarão em situações onde suas decisões pode- rão ser questionáveis com relação à ética. O importante é seguir seus valores de modo a minimizar o impacto junto aos valores de sua contraparte. Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 90 - 91 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, nosso foco de estudo se deu em estratégias de negociação e a ética envolvida no processo. Primeiramente, estudamos diversas estratégias para a realização de boas negociações que devem ser utilizadas de acordo com o contexto em que as par- tes estejam inseridas. Isto passa a ser muito importante tendo em vista que, a partir deste contexto, surgem questões éticas que precisam ser levadas em conta no decorrer da negociação. Por este motivo foi que dedicamos uma unidade à ética. Entretanto, há de se manter o bom senso durante todo o processo tendo em vista que ética está muito ligada a cultura e valores de uma sociedade. Esperamos que esta unidade tenha sido de bastante proveito e que o(a) ajude a alcançar seus objetivos almejados. 92 - 93 1. Discorra a respeito da importância de se escolher estratégias para serem utiliza- das em um processo de negociação. 2. Das 25 estratégias apresentadas nesta unidade, escolha três e explique sua uti- lização. 3. Após a leitura da Unidade referente à Ética, discorra a respeito da influência da cultura e dos valores em um processo de negociação. Material Complementar 92 - 93 MATERIAL COMPLEMENTAR Informações a respeito de negociações http://www.vendamais.com.br É possível conciliar Ética e Negociação? Faça uma leitura do artigo “É possível conciliar Ética e Negociação?” e discorra a respeito do tema ética e negociação, apresentando seu ponto de vista sobre essa questão. http://www.incorporativa.com.br/mostraartigo.php?id=460 Aprenda a negociar: O manual de táticas ganha/ganha Perter B. Stark Editora: Littera Mundi Sinopse: Um livro de leitura obrigatória para a sobrevivência nos negócios e para a efi cácia pessoal. Conheça uma abordagem passo a passo das técnicas de negociação, que irão ajudá-lo a obter um resultado ganha-ganha em praticamente qualquer situação. Negociação Total: encontrando soluções, vencendo resistências, obtendo resultados José Augusto Wanderley Editora: Editora Gente Sinopse: O autor discorre de forma sistemática sobre os principais aspectos para uma negociação bem-sucedida, destacando a importância das habilidades e dos relacionamentos necessários ao bom negociador, além de propor práticas para o seu autodesenvolvimento. O livro descreve também os cenários de uma negociação, as etapas de todo o processo, estratégias e táticas de informação, solução de confl itos e até questões delicadas como a concessão e a confi ança. U N ID A D E IV Professor Esp. Jorge Luiz Garcia Van Dal A COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO EMPRESARIAL Objetivos de Aprendizagem ■ Entender o que é comunicação e o processo comunicacional. ■ Compreender a Comunicação no contexto Empresarial. ■ Entender o papel do Gestor Comunicador. ■ Identificar o Composto Comunicacional e aplicá-lo de forma estratégica nas organizações. ■ Implantar e gerir um plano de Comunicação Empresarial. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ As revoluções da comunicação ■ Comunicação na Sociedade da Informação ■ O processo comunicacional ■ Tipos de Comunicação nas Organizações ■ Comunicação Integrada ■ Comunicação empresarial ■ A comunicação e o Gestor 96 - 97 INTRODUÇÃO Olá! É sempre empolgante aprendermos algo novo ou aprender mais sobre o que já sabemos. A cada leitura, a cada boa conversa, a cada experiência, temos a sen- sação que estamos diferentes, mais completos, mais preparados. Para alguns, falar sobre comunicação pode ser algo novo, para outros nem tanto, mas sempre que vamos nos debruçar sobre um assunto importante, pre- cisamos nos preparar. Um ingrediente básico para absorvermos o máximo do que procuramos é a curiosidade. Ela nosabre olhar, nos mostra pontos de vista novos e nos conduz a caminhos inexplorados. Vamos ser curiosos? A comunicação faz parte da nossa vida, dependemos dela em nosso dia a dia para todas as tarefas, seja no trabalho, nos estudos ou na diversão. Ela nos liga, nos move e nos transforma. Você sabe o que significa a expressão comunicação? Lima (2004) nos explica que a palavra comunicação, tem sua origem no substantivo latino communicationem (século XV), que significa “ação de tornar comum”. Sua raiz é o adjetivo communis, comum, que significa “pertencente a todos ou a muitos” e o verbo communicare, comunicar, que significa “tornar comum, fazer saber”. Durante esta unidade, vamos ver que quando a comunicação é feita de forma eficiente, seja na empresa ou no dia a dia, ela cumpre seu importante papel social, que é: ■ A informação ou conhecimento em uma sociedade democrática deve “per- tencer a todos ou a muitos”. Isso vale para a comunicação nas empresas, precisamos que todos compartilhem dos nossos objetivos. ■ A boa comunicação dever ser uma atitude, um comprometimento de todos, suas técnicas, quando bem utilizadas, realizam a função de “tornar comum, fazer saber” a todos que participam de um processo ou de uma equipe, fator vital para nossas empresas na era da informação. É muito bacana sabermos o significado daquilo que vivenciamos e estudamos, parece que a gente entende melhor e é isso mesmo, ficamos mais integrados ao que estamos conhecendo. Saber o significado é importante, conhecer de onde surgiram as coisas e qual o caminho percorrido para chegar onde estamos é Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 96 - 97 A COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 98 - 99IV fundamental, por isso te convido a percorrer o caminho evolutivo da comu- nicação, que foi um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento da civilização humana. Falar sobre Comunicação é algo complexo, principalmente porque não se trata de uma ciência exata. Muitos conceitos e expressões da área estão em constante conflito. Pelo fato da comunicação estar totalmente ligada as nossas relações sociais, que por sua vez são influenciadas por aspectos culturais, tec- nológicos, ambientais e econômicos, ela (a comunicação) está em constante e acelerada mudança. No âmbito da Comunicação no contexto Empresarial não é diferente. Por isso, antes de nos aprofundarmos em nosso tema principal nesta unidade, vamos procurar traçar um paralelo entre as discussões acadêmicas e do campo profis- sional. Bom estudo! AS REVOLUÇÕES DA COMUNICAÇÃO Antes de entrarmos no foco desta unidade, vamos fazer um breve retrospecto da evolução da comunicação e entender sua importância em todos os aspectos da vida humana. As formas de se comunicar de cada civilização transforma- ram diretamente todos os aspectos sociais, culturais e econômicos de sua época ©shutterstock As Revoluções da Comunicação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 98 - 99 e contribuíram para transmissão de conhecimento para as gerações futuras. A esses momentos de grandes mudanças, foi dado o nome de “eras da comunicação”. ERA DA ESCRITA No princípio nossos conhecimentos eram transmitidos de forma precária (oral), pois dependiam da lembrança de nossos antepassados, mas a linguagem evo- lui e permitiu ao homem registrar suas ideias em pedras, argilas, couro e papel, por meio da escrita. De acordo com Felice (2008), a escrita é con- siderada a primeira revolução da comunicação e ela surge por volta de 500 anos antes de Cristo, no Oriente Médio, e marca a passagem da cultura e da sociedade oral para a cultura e a sociedade da escrita. Para Dizard (2000), a invenção da linguagem escrita foi o primeiro grande passo do homem rumo à formação de uma sociedade organizada, que permitiu não só a difusão cultural entre as gerações, mas também o controle da conduta dos indivíduos e também a possibilidade de reflexão. ERA DA IMPRESSÃO OU DA IMPRENSA A segunda revolução ocorreu na metade do século XV, na Europa, provocada pela invenção dos caracteres móveis e pelo surgimento da impressão criada pelo alemão Johannes Gutenberg, o que causou a difusão da cultura do livro e da leitura, até então restrita a grupos privilegiados. A prensa de tipos móveis substituiu os copistas e a reprodução manual de livros e permitiu a produção “em massa” do pensamento na forma escrita, ©shutterstock A COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 100 - 101IV possibilitando a passagem de uma “cultura oral” para uma “cultura de mídia”. A partir desta época a imprensa ganha força, com o surgimento de jornais e revis- tas por todo o mundo. ERA DA COMUNICAÇÃO DE MASSA A terceira revolução, desenvolvida no Ocidente na época da Revolução Industrial, entre os séculos XIX e XX, foi marcada pelo início da cultura de massa e carac- terizada pela difusão de mensagens veiculadas pelos meios de comunicação eletrônicos (FELICE, 2008, p. 22). Dizard (2000) ressalta que não só a difusão se tornou ainda mais rápida e instantânea do que a permitida pela invenção de Gutenberg, como também per- mite maior acesso e maiores possibilidades de transmissão. Neste período surgem o cinema, o rádio e a televisão, meios de comunica- ção que possibilitaram a propagação em massa de ideologias, marcas e cultura, principalmente a ocidental, como o “estilo de vida norte-americano”. A cada uma dessas revoluções surgem novos meios com a potencialidade de alcançar um público cada vez maior a custos cada vez menores, mas todos com base em um modelo de comunicação unidirecional, onde o público tem um papel apenas de receptor das mensagens, permitindo pouca ou nenhuma interação. Nos tempos atuais, a humanidade vive uma nova revolução comuni- cativa, possibilitada pelas tecnologias digitais. © shutterstock As Revoluções da Comunicação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 100 - 101 A QUARTA REVOLUÇÃO A quarta revolução, na concepção de Felice (2008, p. 22), ocorre nos dias atuais, e como as anteriores, “estaria ocasionando importantes transforma- ções no interior dos distintos aspectos do convívio humano”. Além de ampliar o alcance das informações a um público ilimitado e a transmissão em tempo real de infinitas mensagens, “é o próprio processo e próprio signi- ficado do ato de comunicar a serem radicalmente transformados”. Pela primeira vez na história da humanidade, a comunicação se tor- na um processo de fluxo em que as velhas distinções entre emissor, meio e receptor se confundem e se trocam até estabelecer outras for- mas e outras dinâmicas de interação [...] Diante de nossos computa- dores ligados em redes, podemos nos comunicar somente se passar- mos a interagir com as nossas interfaces (mouse, teclado e redes em geral) em um diálogo constante, no qual é excluído qualquer tipo de passividade, ligado a forma comunicativa do espetáculo e a qualquer forma nítida distinção entre o produtor e o receptor da mensagem (FELICE, 2008, p. 23). O contexto atual nos leva a um repensar as relações de uma sociedade em rede e suas interações comunicativas fora da concepção anterior, baseadas nomodelo funcional-estruturalista do processo comunicativo analógico. As tecnologias digitais da quarta revolução, ao contrário das outras três revo- luções anteriores, vêm alterando o processo e a forma de comunicar e expande o poder de cada sujeito integrante da sociedade em rede de participar, intera- gir e influenciar. ©shutterstock A COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 102 - 103IV COMUNICAÇÃO NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO De acordo com Alvin Toffler em seu livro: “A terceira onda”, após a primeira onda de mudanças desencadeada na era agrícola, ingressamos no que ele chama de segunda onda, que teve início com a Revolução Industrial (século XVIII). Neste momento, temos a concretização da sociedade de consumo. A sociedade da segunda onda, baseada no consumo e nos meios de comuni- cação de massa, tem seu auge no século XX. Após a 2ª Guerra Mundial, o mundo ocidental vive uma grande expansão econômica e o Marketing moderno, como conhecemos hoje, emerge nesse contexto e contribui para o esse novo tempo. A introdução do computador, o jato comercial, a internet e tantas outras ino- vações de alto impacto, marcam definitivamente o surgimento da terceira onda, a sociedade da informação. O quadro abaixo demonstra essa evolução: CARACTERÍSTICAS CHAVE SOCIEDADE AGRÍCOLA SOCIEDADE INDUSTRIAL SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO 1. Período de tempo 10.000 anos 200 anos (Inglaterra - 1750) 1955 (Começou nos EUA) 2. Recurso Básico Alimentar Energia Informação 3. Mão de obra principal Fazendeiros Trabalhadores de fábricas Trabalhadores da Informação 4 Instituição social Fazenda Fábricas, siderúrgicas Pesquisa e Universidades 5. Tecnologia básica Trabalho Manual Máquinas a vapor Computação e eletrônica Natureza da Comunicação Mídia impressa Rádio, Cinema e Televisão Mídia Interativa, redes sociais Fonte: Galindo Rogers (1986, p.13). A expressão “sociedade da informação” descreve uma sociedade baseada na pro- dução de valores informacionais, e não valores materiais. Sua principal força é a informação produzida e distribuída em redes, ao alcance de todos. Esse cenário faz compreendermos que a informação e a comunicação nunca foram tão importantes em nossas vidas. Vamos pensar um pouco, na sociedade O Processo Comunicacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 102 - 103 atual, a informação vale mais que produtos, dinheiros ou bens. Quantas marcas já não valem mais do que o patrimônio das empresas que a criaram? Muitas! Este é apenas um dos fenômenos da sociedade da informação. O PROCESSO COMUNICACIONAL Antes de analisarmos como se dá o processo de comunicação e quais são seus elementos, precisamos entender a diferença entre comu- nicação e informação. Para Matos (2009), informação é quando um emissor passa para um receptor um con- junto e dados codificados (informações) e estes são entendidos e assimilados. Portanto, a infor- mação pressupõe a figura de um emissor, uma mensagem e um receptor. Já a comunicação acontece somente quando a informação recebida pelo receptor é compreen- dida, interpretada (decodificada) e encaminhada de volta ao emissor. Ou seja, é o retorno do processo de informação, como num diálogo entre duas pessoas. Alguém começa uma conversa com: “Bom dia!”, a outra pessoa entende e responde: “Bom dia! Está calor hoje. Não é?”. Pronto, estabeleceu-se o processo de comunicação, que prevê o retorno da informação recebida, também conhecido como feedback. Para facilitar o entendimento sobre o mundo, buscamos sempre modelos, padrões e/ou processos, e com a comunicação não é diferente. Para entende- mos como se dá seu processo, foi desenvolvido um esquema que nos mostra os elementos da comunicação e como eles se relacionam. De acordo com Matos (2009), estes são os elementos da comunicação: ©shutterstock A COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 104 - 105IV Emissor: aquele que, num dado momento, emite uma mensagem para um receptor ou destinatário. Receptor: um dos protagonistas do ato da comunicação; aquele a quem se dirige a mensagem, aquele que recebe a informação e a decodifica, isto é, transforma os impulsos físicos (sinais) em mensagem recupera- da. Mensagem: comunicação, notícia ou recado verbal ou escrito. Estru- tura organizada de sinais que serve de suporte á comunicação. A men- sagem é o objeto da comunicação. Ruído: todo sinal considerado indesejável na transmissão de uma mensagem por um canal. Tudo o que dificulta a comunicação, interfere na transmissão e perturba a recepção ou a compreensão da mensagem. Canal (meios de comunicação): todo suporte material que veicula uma mensagem de um emissor a um receptor, através do espaço e do tempo. Meio pelo qual a mensagem, já codificada pelo emissor, atinge o receptor, que a recebe (em código) e a interpreta (decodificada). Código: conjunto de signos relacionados de tal modo que estejam ap- tos para a formação e transmissão da mensagem. Por exemplo, a escrita é um código que permite transformar uma mensagem acústica em uma mensagem gráfica. Codificação: ato de transformar uma mensagem de acordo com regras predeterminadas, para convertê-la em linguagem. Decodificação: interpretação de uma mensagem, pelo receptor, de acordo com um código predeterminado (MATOS, 2009, p. 5). Fonte: Adaptado de MATOS (2009, p. 5) O Processo Comunicacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 104 - 105 Outro modelo que busca compreender o alcance e efeito das mensagens trans- mitidas foi desenvolvido pelo estudioso Harold Lasswel em 1948. Esse modelo é conhecido como modelo Lasswel e busca descrever o ato de comunicar, res- pondendo a 5 questões: ■ Quem? Emissor. ■ Diz o quê? Mensagem. ■ Em que canal? Meio utilizado. ■ Para quem? Receptor. ■ Com qual efeito? Impacto produzido pela mensagem sobre o receptor (aná- lise do efeito). Matos (2009) exemplifica esse modelo o desdobrando em outros termos: ■ Um transmissor. ■ Dirige uma mensagem. ■ Mediante alguma forma ou meio. ■ Para um receptor. ■ Com um determinado efeito. ■ Buscando o fato da mensagem. Observando o processo de comunicação e analisando cada um de seus elemen- tos, agora parece simples entender como se dá a comunicação, e é mesmo. Nós é que, muitas vezes, complicamos e tornamos a comunicação difícil, seja em nossas relações sociais ou empresariais. Num mundo cheio de tecnologias que “facilitam a comunicação”, muitas pessoas se distanciam e muitas empresas se escondem. A COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 106 - 107IV TIPOS DE COMUNICAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES Já vimos os conceitos fundamentais de comunicação. Agora, vamos abordar o composto de comunicação: Comunicação Institucional, Comunicação Administrativa, Comunicação Interna e Comunicação Mercadológica. Essa classificação ou separação é feita para compreendermos como a comunicação pode ser utilizada de forma eficiente em “departamentos” diferentes de uma organização, mas já precisamos compreender que o ideal é a integração entre os diferentes tipos de comunicação, o que traz um resultado mais satisfatório para a empresa. O Processo de Comunicação Comunicação é o processopelo qual o meu eu (com todas as minhas par- ticularidades, qualidades e defeitos) entra em comunhão (entendimento, sintonia, aceitação, empatia, diálogo) com o outro (com todas as suas parti- cularidades, qualidades e defeitos). Este processo, pelos dois extremos envolvidos (eu/outro) por si só já reme- te a uma série de atritos e obstáculos, pois como seres únicos que somos e por nossas personalidades tão díspares e egocêntricas, já são grandes as divergências e discussões. Mas esta não é a única, e para muitos, não é a maior dificuldade, existem fatores que não dependem do emissor ou receptor e estão ligados ao canal (meio pelo qual a mensagem é transmi- tida) e ao código (linguagem conhecida por ambos). Para que a comunicação atinja o seu objetivo, o melhor caminho é a simplicida- de (por incrível que pareça!). Simplicidade quer dizer: o emissor (quem quer dizer/vender/comunicar) transmite (fala/escreve/desenha/faz mímica) uma mensagem (o que se quer dizer/vender/comunicar) para o outro (aquele que quer/precisa ouvir/com- prar/apreender) de forma clara (fácil/possível de ser entendida). O texto completo pode ser encontrado na referência abaixo: Fonte: DONATO, Joaquim. O processo de Comunicação. Disponível em: < http://www.administradores.com.br/artigos/administracao -e-negocios/o-processo-de-comunicacao/21084/>. Acesso em: 01 fev. 2013. Tipos de Comunicação nas Organizações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 106 - 107 COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL A comunicação institucional tem por objetivo interagir com o público interno e externo de uma organização e por meio dos canais de comunicação e redes de relacionamento, conquistar a confiança, a credibilidade e a simpatia dos stake- holders (todos os públicos de interesse). Lupetti (2009) também define a Comunicação institucional como aquela que estabelece um conceito público para a empresa, difundindo sua filosofia, sua missão, sua visão e seus valores, que serão retratados em suas políticas e práticas. Segundo Kunsch (apud LUPETTI, 2009, p. 17), a comunicação institucional compreende: a identidade e a imagem corporativa, a propaganda institucional, o jornalismo empresarial, a assessoria de imprensa, a editoração multimídia, o marketing social e cultural – acrescenta-se aqui o marketing esportivo - além das relações públicas. COMUNICAÇÃO ADMINISTRATIVA A comunicação administrativa abrange o fluxo de informações relacionado ao dia a dia de uma empresa, seja no contexto formal ou informal. Tem como obje- tivo principal coordenar, orientar e atualizar esse fluxo, para que as informações distribuídas em rede possam ser compartilhadas e compreendidas por todos os envolvidos no processo. Observa-se que os vários tipos de mensagens administrativas têm sua origem em diferentes setores da empresa, e alinhar esse tipo de co- municação é uma tarefa bastante árdua, tendo em vista o caráter e a personalidade dos executivos que as emitem. É por essa razão que a comunicação administrativa é considerada um dos maiores problemas da organização, o gestor da comunicação administrativa deve possuir amplo conhecimento dos sistemas organizacional e do sistema de co- municação, a fim de administrar e orientar os diversos setores da em- presa para que haja unificação, clareza e objetividade na construção das mensagens (LUPETTI, 2009, p. 20). A COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 108 - 109IV COMUNICAÇÃO INTERNA A comunicação interna, como o nome já remete, é aquela voltada a todos os colaboradores da empresa, da presidência ou diretoria aos auxiliares. O principal objetivo da comunicação interna é realizar a integração entre todos os trabalha- dores da empresa com foco em suas políticas, valores e objetivos. Para Lupetti (2009), um programa de comunicação interna incentiva a troca de informações e estimula as experiências e o diálogo com a participação de todos: A integração entre os colaboradores e a organização passa pelo cará- ter de sensibilização dos programas que a empresa define como prio- ritários. Uma pesquisa com os colaboradores auxiliará na tomada da decisão sobre quais ações serão desenvolvidas. Para a obtenção de re- sultados, a comunicação interna deve ser interativa, seja em programas que envolvam mudanças nos padrões culturais, seja em programas de caráter social (LUPETTI, 2009, p. 21). COMUNICAÇÃO MERCADOLÓGICA A comunicação mercadológica é utilizada para atingir os objetivos de marketing de uma organização, e para isso, usa da divulgação de seus produtos e serviços ao seu público-alvo por meio dos veículos de comunicação. Seus principais ins- trumentos são a propaganda, a promoção de vendas, o merchandising, os eventos e o marketing direto de relacionamento. O cenário atual possibilita e exige uma relação mais próxima entre as empre- sas, suas marcas e seus consumidores. Percebemos que práticas extremamente consolidadas e tradicionais de comunicação com o mercado estão fragilizadas ou desajustadas da realidade atual. A comunicação com o mercado está prevista nos planos de marketing das organizações e sempre teve um papel fundamental, mas a própria definição do que é o marketing está mudando e a comunicação com o mercado segue este caminho. Galindo (2012) fala sobre essa mudança, citando a AMA (Americam Marketing Association), que revisou recentemente o conceito de marketing. Tipos de Comunicação nas Organizações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 108 - 109 Antes, o marketing tinha o foco nos aspectos produtivos e de troca entre produ- tores e consumidores, agora uma nova abordagem contempla a noção de valor, de parceria e de sociedade, porém ainda presa ao universo produtor como ini- ciador do processo. Kotler (2010) define marketing como sendo “a atividade, conjunto de insti- tuições e processos para criar, comunicar, oferecer e trocar ofertas que tenham valor para consumidores, clientes, parceiros e para a sociedade como um todo” (KOTLER, 2010, p.18). Esta revisão nos conceitos de marketing já se aproxima mais da realidade que vivenciamos no mercado, pois leva em consideração a amplitude de públicos e a diversidade entre eles, assim como as novas formas de se relacionar com os con- sumidores pelas redes sociais, por exemplo. Também fica evidenciado que o criar, comunicar e ofertar carrega em si uma carga comunicativa responsável pelo intangível que compõe hoje o maior legado que um produto ou serviço possa ter. Afinal ambos es- tão cada vez mais comoditizados (GALINDO, 2012, p. 2). Lupetti (2009) fala do erro de se confundir comunicação mercadológica como sinônimo de marketing. O marketing expressa em seu conceito básico uma filosofia empresarial e “deve algo que norteia as ações da empresa, que direciona atitudes, posturas, comportamentos e motivações de todas as pessoas da empre- sa”. Essa filosofia é retratada no conceito mais simples de marketing, generalizada como uma atividade humana dirigida a satisfazer neces- sidades e desejos por meio do processo de trocas. Para que tal filoso- fia seja aplicada, é preciso que todos os colaboradores se envolvam no processo que abrange desde a compra da matéria-prima, passando por sua transformação em produtos e serviços, a venda, o faturamento, a entrega, a divulgação, até a constatação da satisfação do cliente (LU- PETTI, 2009, p. 23). Portanto, comunicação mercadológica faz parte do processo de marketing e não é o processotodo. É a comunicação mercadológica que vai divulgar os produtos e serviços da organização, mas antes dela, deve existir todo um planejamento estratégico, que tem como base o quadro sociocultural do consumidor-alvo e suas necessidades, levando em conta o mercado, os con- correntes e outros fatores. A COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 110 - 111IV COMUNICAÇÃO INTEGRADA A abordagem sobre o composto da comunicação já nos deu uma pista sobre a necessidade de integração entre os tipos de comunicação. Até meados do século XX, a tendência era uma separação e uma especialização cada vez maior no campo da comunicação, as organizações contratavam diversos tipos de agências para cuidar de sua comunicação. Agências de propaganda, de relações públicas, assessorias de imprensa, agências especializadas em comunicação interna, em marketing entre outras. Hoje vemos que as agências de publicidade e propaganda estão se transfor- mando em agências de comunicação. O pensamento é de fazer uma comunicação 360º e integrada. Em vez de cada agência ou departamento fazer seu trabalho isolado, agora uma equipe multidisciplinar pensa estrategicamente na gestão da comunicação da empresa com todos os seus públicos. Algumas agências reagiram a este momento de busca de sinergia entre as ferramentas promocionais, adquirindo empresas de relações públi- cas, promoção de vendas, marketing direto e convertendo-se então nas primeiras “agências” de comunicação integrada, oferecendo aos seus clientes ações diferenciadas além da clássica compra de mídia. Não de- morou à indústria da propaganda reconhecer estas agências, cuja ativi- dade foi rotulada como “nova propaganda”, “orquestração” e “comuni- cação sem emendas” na busca de um termo que descrevesse o conceito de integração (BELCH, 2004, p. 9, apud GALINDO, 2009, p. 198). A comunicação integrada é uma proposta surgida nos anos 1980 e que ressurge com ainda mais força atualmente com o surgimento da comunicação virtual ou em rede. Lupetti (2009) fala que com o mundo digital, as organizações estão sentindo a necessidade de rever os modelos de comunicação até então adotados. Os empresários perceberam que novos sistemas se incorporaram aos antigos, e administrar a empresa de forma linear já não era a maneira de obter resultados positivos à organização. Um novo modelo baseado no pensamento sistêmico passou a desempenhar uma função de extre- ma importância na gestão estratégica organizacional redesenhando o papel da comunicação nas empresas (LUPETTI, 2009, p. 15). Galindo (2009) chama atenção para o fato de que hoje temos inúmeros “pontos Comunicação Integrada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 110 - 111 de contatos” com os diferentes públicos de uma organização, e por isso preci- samos da integração entre as diversas ferramentas de comunicação de forma sinérgica para atingir os objetivos da empresa, não só no contexto mercado- lógico e econômico de trocas, mas também na construção e manutenção da imagem corporativa, fruto de seu relacionamento com os mais variados públi- cos e comunidades. Em seu texto “A comunicação integrada de marketing e o seu caráter multi- disciplinar”, Galindo (2009) aborda a evolução da comunicação integrada, que surge nos anos oitenta, e para isso ele resgata o trabalho de George E. Belch em “Advertising and Promotion: an integrated marketing communication perspective” (2004), no qual o autor observa que durante os anos oitenta, várias empresas perceberam a necessidade de maior integração estratégica de suas ferramentas promocionais. Rapidamente alguns profissionais abraçaram este conceito de integra- ção e solicitaram as suas agências de propaganda a coordenação das várias ferramentas promocionais, indo além do uso da propaganda na mídia. Inúmeras empresas também começaram a olhar além das agências de propaganda convencional e a usarem outros especialistas no desenvolvimento e implantação de novos elementos em seus planos promocionais (GALINDO, 2009, p. 198). Este movimento em busca de uma nova prática e um novo conceito levou a American Association of Advertising Agencies a criar uma força tarefa que teve como missão a elaboração de um dos primeiros conceitos desta nova forma de comunicar. Um conceito de planejamento de comunicação de marketing que re- conhece o valor agregado de um plano abrangente que avalie os papéis estratégicos de uma série de disciplinas da comunicação – por exem- plo, propaganda geral, resposta direta, promoção de vendas e relações públicas – e combine-as para oferecer clareza, consistência e impacto máximo nas comunicações (SCHULTZ, 1993, p. 17 apud GALINDO, 2009, p. 199). Galindo (2009) reforça que neste período destaca-se uma preocupação em assu- mir o conceito de um plano onde se articulam todas as formas/possibilidades de comunicação, no entanto, para diversos pesquisadores, o conceito de comu- nicação integrada de marketing vai um pouco mais além, A COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 112 - 113IV [...] cada ponto de contato com clientes ou prospects também se constitui em um contato com a marca e com a organização, ou seja, se tudo co- munica, tudo compartilha significações e neste sentido a integração não deve ser apenas de ferramentas, formas ou disciplinas como na proposta da American Association of Advertising Agencies, mas sem dúvida alguma na grande oportunidade de reforço da postura imagética destas organi- zações e suas respectivas marcas (GALINDO, 2009, p. 199). O termo Comunicação Integrada tem sido utilizado recentemente para desig- nar a integração das atividades de propaganda, marketing e relações públicas de uma organização. No entanto, Lupetti (2009, p. 15) considera que esse conceito deve ser muito mais amplo: Para que a comunicação integrada exista, é preciso um árduo trabalho de análise, planejamento e aplicações de técnicas de avaliação. O geren- ciamento dessas atividades possibilita as intervenções de todos os seto- res, combinando orientação, informação, fluxo de processos, colabora- ção e relacionamento das áreas envolvidas. Inclui em seu planejamento um programa de incentivo aos colaboradores no local de trabalho, para que seja possível a viabilização da missão e da visão organizacionais. Nesse momento é importante lembrar que aparentemente pode existir um con- flito entre a Comunicação Integrada e a Comunicação Empresarial, pois, como vamos perceber mais à frente, as duas têm uma importância estratégica e arti- culam o composto comunicacional para atingir aos objetivos da organização. Portanto, alguns autores defendem que a Comunicação Empresarial caminha para assumir o papel da Comunicação Integrada. Fundamentalmente, ela caminha para assumir, na íntegra, a perspectiva da chamada comunicação integrada, com uma articulação estreita entre os vários departamentos/áreas e profissionais que exercem atividades de comunicação nas empresas ou entidades (BUENO, 2009, p. 10). Independente do termo adotado, é importante entendermos que a perspectiva de uma comunicação integrada ou comunicação empresarial é aquela que associa a formação da imagem da organização (comunicação institucional) sincronizada à visão e à missão da empresa, mas também associada à venda de produtos e ser- viços (comunicação mercadológica). O foco é o negócio da empresa e um tipo de comunicação complementa o outro. O discurso tem que ser homogêneo. O grande equívoco sempre foi o da tentativa de criar uma imagem institucional Comunicação IntegradaRe pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 112 - 113 falsa e na comunicação de mercado praticar outra coisa. Figura 4: Comunicação Integrada Fonte: Adaptado de (LUPETTI, 2009, p. 16) Uma metáfora para explicar a comunicação integrada Um dos maiores problemas da comunicação corporativa em grandes empresas e conglomerados é a falta de unificação das ações dos seus comunicadores. Apre- sento uma metáfora para tentar ajudar a entender como o processo deve ser. O carreiro Tião era o melhor condutor de carros de bois da sua região. Seu carro subia os aclives e atravessava os atoleiros com a maior facilidade e transportava maiores cargas com total desenvoltura. Os outros carreiros fi- cavam se perguntando: “Por que o carro do Tião é melhor, se é do mesmo tamanho, feito da mesma madeira, com rodas do mesmo raio e conduzido por parelhas de bois iguais, da mesma raça e tamanho que os nossos?” Um dia pediram ao Tião que contasse o seu segredo e ele respondeu: “É que eu chamo todos os meus bois pelo mesmo nome - Possante. Quando estou com cada um deles, na cocheira ou no pasto, trato-os de forma igual. Assim quando vamos enfrentar uma subida, eu grito: Vai! Possante!!! - e todos en- tram no mesmo ritmo, com a mesma força e na hora certa.” Fonte: ZANETTI, Eloi. Uma metáfora para explicar a comunicação integrada. Disponível em: <http://www.aberje.com.br/acervo_colunas_ver.asp? ID_COLUNA=707&ID _COLUNISTA=29>. Acesso em: 01 fevereiro 2013. A COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 114 - 115IV COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Historicamente no Brasil, o campo da comunicação sofre bastante quando o assunto é definição, conceitos e uso correto dos termos para definir atividades, áreas de atuação e profissões. Isso é “efeito colateral” da importação de técnicas e teo- rias americanas. Muitos conceitos e termos foram mal interpretados e até mesmo tra- duzidos de forma errada. Há uma eterna confusão entre as diferenças de publicidade e propaganda, onde atua um jornalista e as relações públicas entre outras. Com a Comunicação Empresarial não é diferente. Muitas expressões são utilizadas como alternativas ao termo Comunicação Empresarial, por isso precisamos compreen- der quais são cada uma delas para fazermos o uso adequado do termo. Bueno (2009) explica que, principalmente nos cursos de Relações Públicas, tem se denominado Comunicação Empresarial para se definir as atividades de comunicação que envolve apenas as empresas públicas e privadas, deixando de fora nesse aspecto as entidades em geral, ONGs e autarquias. Para essas foi deno- minado o termo Comunicação Organizacional. Se fosse para dar fim a essa separação, o termo Comunicação Organizacional, contemplaria as duas atividades de comunicação, pois tanto empresas públicas ou privadas, quanto as ONGs e outras instituição, são consideradas Organizações. No entanto, por maior uso e maior aceitação no ambiente profissional, con- vencionou-se o uso da expressão Comunicação Empresarial para englobar os dois tipos de comunicação. Vale lembrar que no mercado também se utiliza as expressões “Comunicação Corporativa” e “Comunicação Institucional”, para designar essa área, mas nesse caso, “é preciso mesmo tomar cuidado porque, em particular para a Comunicação Institucional, há possibilidade iminente de uma leitura equivocada” (BUENO, 2009, p. 2). ©shutterstock Comunicação Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 114 - 115 Devemos evitar o equívoco de comparar a Comunicação Empresarial com a Institucional, pois a primeira, de certa forma, engloba a segunda. Como vimos anteriormente, a Comunicação Institucional tem com principal objetivo esta- belecer e difundir um conceito público a respeito de uma empresa que remeta a sua filosofia, políticas, missão e valores. Também devemos incluir a chamada Comunicação Mercadológica como uma vertente da Comunicação Empresarial, pois os programas de comunica- ção das empresas particulares estão, por essência, vinculados à comercialização de seus produtos e serviços, que são a razão de sua existência e permanência no mercado, mas não somente ligadas à conquista de lucros, pois hoje as empresas são avaliadas pelos seus públicos por outras funções importantes que remetem à responsabilidade socioambiental. Sendo assim, a definição de Comunicação Empresarial está muito mais ligada à Comunicação Integrada, que abrange todas as vertentes da comunicação, do que sua comparação a apenas um ou outro tipo de comunicação praticada pelas organizações. Buscando contornar esse dilema, Bueno (2009) traz um conceito para Comunicação Empresarial (ou Comunicação Organizacional) que é mais abrangente e que procura dar conta de todo o processo de relacionamento da organização com seus públicos de interesse: “Conjunto integrado de ações, estratégias, planos, políticas e produtos planejados e desenvolvidos por uma organização para estabelecer a relação permanente e sistemática com todos os seus públicos de interesse” (BUENO, 2009, p. 4). A Comunicação Empresarial que hoje toma força e se apresenta como uma opção estruturada da gestão da comunicação nas organizações tem seu conceito e práticas definidos a pouco mais de 30 anos no Brasil. Nos anos 1970, as empre- sas já buscavam formas eficazes de se comunicar com seus diversos públicos e a Publicidade era uma dessas formas. Bueno (2009), conta que nesta época já havia trabalhos competentes de relacionamento com a mídia, mas seria prematuro imaginar que tivéssemos verdadeiramente uma Comunicação Empresarial no sentido mais amplo dos dias atuais. A própria expressão “Comunicação Empresarial” era desconhecida. A entidade mais importante do setor no Brasil é a Aberje, hoje denominada A COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 116 - 117IV Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, mas nos anos 1970 tinha outra designação para a sigla, que se definia: Associação Brasileira de Editores de Revistas e Jornais de Empresas. As atividades de comunicação eram percebidas e desenvolvidas iso- ladamente: a edição de publicações empresariais, a assessoria de im- prensa, a organização de eventos, a publicidade e o marketing, de maneira geral, eram assumidos, quase na totalidade dos casos, por departamentos e profissionais sem qualquer vinculação. Disso resul- tava, invariavelmente uma comunicação difusa, muitas vezes, contra- ditória. Por exemplo, uma comunicação interna marcada pelo auto- ritarismo, pelo desestímulo à participação e ao diálogo convivia com uma publicidade descontraída, que simulava uma empresa democrá- tica e aberta (BUENO, 2009, p. 5). Esse autoritarismo na comunicação interna e o medo dos gestores em compar- tilhar informações que existia em algumas empresas na época, também podem ser reflexos do regime de governo militar e ditatorial existente no país. Mas de lá para cá muita coisa mudou, veio a democracia novamente no Brasil e isso refle- tiu nos negócios e na forma de gestão das empresas, com isso, a Comunicação Empresarial, que tem por essencial a interação e participação, levando em conta os agentes de uma organização, ganhou ainda mais respaldo e importância. Do somatório de atividades isoladas, a Comunicação Empresarial está evoluindo para um processo integrado de relacionamento com os pú- blicos de interesse, de tal modo que uma empresaou entidade moderna não pode prescindir, hoje, dessa articulação. Mas a evolução foi, como sempre acontece, gradativa, sintonizada com as mudanças, também gradativas, que ocorreram ao longo dessas quase quatro décadas no próprio processo de gestão empresarial (BUENO, 2009, p. 6). Agora com mais clareza, percebemos que a Comunicação Empresarial integra e articula as chamadas comunicação institucional e mercadológica, incorporando ações voltadas para seus stakeholders (todos os públicos de interesse): funcio- nários, clientes, fornecedores, acionistas, imprensa, sindicatos, associações, governos, entidades e grupos organizados, entre outros, e a sociedade em geral. Com isso, postula-se uma visão bastante abrangente para a Comuni- cação Empresarial e parte-se do pressuposto de que ela não é realizada apenas pelos profissionais de comunicação de uma organização, mas por todos aqueles que a integram. É preciso sempre admitir, observan- Comunicação Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 116 - 117 do esse conceito, que o relacionamento com os distintos públicos da organização é realizado tanto pelos assessores de imprensa, pelos pro- fissionais de Relações Públicas, pelas agências de propaganda ou de co- municação, muitas vezes terceirizadas, como também pelas secretárias, pela telefonista, pelos vendedores, pelos funcionários de maneira geral (BUENO, 2009, p. 4). Para Pimenta (2010), o público ao qual se destina Comunicação Empresarial, pode ser dividido em: a. Externo, formado pela sociedade de maneira geral. b. Interno, formado por colaboradores da empresa, fornecedores e parceiros. Essa preocupação das organizações em relacionar-se com vários públicos se deve principalmente porque no contexto atual as empresas estão percebendo e sendo exigidas pela sociedade a perceber seu papel além da área econômica por meio da produção. Sua área foi expandida para uma abrangência maior, no âmbito político, cultural e social. OBJETIVOS DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Pimenta (2010) chama atenção para que as atividades de Comunicação Empresarial sejam articuladas com o planejamento estratégico da empresa, e aponta alguns objetivos a serem buscados: ■ Construção da imagem institucional da empresa. ■ Adequação dos trabalhadores ao aumento da competição no mercado. ■ Atender as exigências dos consumidores mais conscientes de seus direitos. ■ Defender interesses ante governo (lobby). ■ Encaminhar questões sindicais e relacionadas à preservação do meio ambiente. É fundamental entendermos que a comunicação em uma organização faz parte de todo processo de gestão e deve estar integrada com todos os departamentos e sincronizada ao planejamento estratégico e administrativo da empresa. 118 - 119118 - 119 O COMUNICADOR EMPRESARIAL DO FUTURO SERÁ DIFERENTE A Comunicação Empresarial brasileira atravessa um momento importante de sua já longa trajetória, com a profissionalização das suas estruturas (capacitação dos gestores e refinamento de seus recursos tecnológicos), a inserção gradativa no processo de gestão estratégica e o diálogo necessário entre o mercado e a Academia. Um olhar ainda que ligeiro para o passado recente evidência esta evolução, alavancada pelas demandas crescentes, pela competiti- vidade acirrada e pela obrigatoriedade do enfrentamento dos novos desafios. Mas ainda há um árduo, espinhoso e nem sempre rápido caminho a percorrer e o cenário, visto de maneira abrangente, ainda permanece nublado. Muitos gestores de comunicação das nossas organizações parecem ter sofrido autêntica “lavagem cerebral” e não conseguem enxer- gar um palmo à frente do nariz, acreditando piamente que as decisões de seus patrões ou clientes estão corretas, mesmo quando elas ostensivamente afrontam a convivência democrática e se pautam pela manipula- ção, pela hipocrisia ou cinismo empresarial. Seria, por exemplo, o caso dos que a serviço da indústria tabagista, que mata milhões de pessoas anualmente em todo o mundo - e centenas de milhares no Brasil - continuam tentando convencer a sociedade de que ela é socialmente responsável. Ou os que, defendendo as montadoras, proclamam contínuos chamados de recall como ações de respeito aos consumidores, quando não passam de repetidos casos de incompetência e falta de qualidade de seu sistema de produção. Ou ainda da indústria agroquímica que, mesmo derrubando veneno e emporcalhando solo, água, ar etc., se autointitula de ambientalmente correta. O comunicador empresarial do futuro deve ter um perfil moderno, em sinergia com as novas demandas e os novos valores, estar afinado com os conceitos que são caros à nossa área, como os de responsabilidade social, sustentabilidade, comunicação inte- grada, comunicação estratégica etc., ainda trabalhados de maneira hipócrita, mais presentes no discurso do que na prática empresarial. Deve também basear-se em pesquisas para o seu planejamento estra- tégico, saber desenhar cenários, apoiar-se fundamentalmente nas novas tecnologias e nos recursos disponíveis (banco de dados inteligentes, conhecimento detalhado dos públicos de interesse). Deve contem- plar as redes sociais como uma realidade, buscando vê-las como espaços de relacio- namento e de interação democrática e não como ambientes que repetem os modelos tradicionais de persuasão e manipulação. O comunicador empresarial do futuro deve ser ético, transparente, democrático e ser leal com as suas organizações (muitos jogam de todos os lados, tentando apa- recer bem na fita e salvar a sua pele), sem afrontar o interesse público. O texto completo pode ser encontrado na referência abaixo: Fonte: BUENO, Wilson da Costa. O comunicador empresarial do futuro será diferente Disponível em: <http://www.blogdowilson.com.br/ler_mens.asp?m=221&PN=3&i=25>. Acesso em: 01 fev. 2013. www.agendor.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/09/ lideranca-e-exemplo.jpg A Comunicação e o Gestor Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 118 - 119118 - 119 A COMUNICAÇÃO E O GESTOR A comunicação é o principal meio de relação entre as pessoas. Portanto, aquele que dirige uma organização e/ou lidera um grupo de pessoas tem de conhecer, gerir e implantar um sistema eficaz de comunicação. Muitos problemas provocados pela falta de uma comunicação clara e efi- ciente podem ser evitados. “A comunicação é o espelho da cultura empresarial e reflete, necessariamente, os valores das organizações. Se eles caminham para valorizar o profissionalismo, a transparência, a responsabilidade social e a parti- cipação, a comunicação se orienta no mesmo sentido” (BUENO, 2009, p. 6). As empresas modernas e os gestores que têm visão da importância estratégica da comunicação estimulam a criação de uma cultura de comunicação e atendimento. Um gestor trabalha com pessoas e precisa se comunicar com elas o tempo todo. Mas comunicar-se bem não significa falar muito, muitas vezes ouvir se torna mais importante. Abrir-se para as ideias de outros integrantes Acesse o site da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial. Funda- da em 8 de outubro de 1967, a ABERJ é uma sociedade civil, sem fins lucra- tivos que tem por objetivo discutir e promover numa perspectiva local e global, a Comunicação Empresarial e Organizacional. A entidade tem como missão “articular a Comunicação das organizações por meio de iniciativas em Educação, Gestão do Conhecimento, Reconhecimento e Relacionamen- to, produzindo ecompartilhando saber, disseminando as melhores práticas e fortalecendo o papel estratégico do comunicador”. O site traz artigos, pro- gramação de eventos sobre Comunicação Empresarial e cases de sucesso de organizações que tem seu foco na comunicação. Boa pedida para os ges- tores comunicadores. http://www.aberje.com.br A COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 120 - 121IV de uma equipe também é essencial. Infelizmente, muitos gestores não aceitam opiniões de seus colaboradores, não deixando que eles expressem suas ideias, por medo ou receio de “quebrar a hierarquia”. Muitos especialistas em comunicação defendem que um bom administrador deve ser, também, um bom comunicador. Pimenta (2010, p. 165) aponta algu- mas qualidades gerais e específicas e alguns cuidados que o administrador deve ter para melhorar sua capacidade de comunicação: Qualidades gerais (valores incorporados): ■ Organizações: em suas atividades (ordenar, priorizar, delegar) e com seus objetos. ■ Honestidade, sinceridade, coragem, pontualidade, polidez, prudência, respeito, concentração, equilíbrio, elegância, imprescindíveis aos profis- sionais de qualquer área. ■ Criatividade, curiosidade e senso crítico, em relação aos eventos e aos desafios do cotidiano. ■ Entusiasmo, ter motivação própria, fator primordial para conferir brilho a tudo que se faz. Qualidades específicas (relacionadas à área de Administração): ■ Manter-se sempre informado sobre literatura, história, arte, etiqueta, gas- tronomia, música, atualidades, geografia, ou seja, adquirir cultura geral. ■ Conhecer o que está sendo veiculado na mídia (TV, jornais, revistas) do Brasil e do mundo: propagandas, campanhas publicitárias, projetos. ■ Participar de seminários e congressos com temas afins à administração: Marketing, Relações Públicas. ■ Elaborar ou coordenar as atividades de Marketing, assessoria de Imprensa e Relações Públicas. Cuidados (derivam das qualidades gerais): ■ Ter o ideal como meta em qualquer empreendimento, para isso, criti- car-se sempre, buscando a melhor forma de concretizar seus objetivos. A Comunicação e o Gestor Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 120 - 121 ■ Identificar, em si mesmo e nos outros, os preconceitos no que concerne às novas ideias e mudanças e trabalhar para que sejam minimizados. Os preconceitos são grandes dificultadores das relações interpessoais. ■ Enfrentar os conflitos naturais, jamais evitá-los. Eles aparecem por causa dos preconceitos e outros motivos, mas administrados de maneira com- petente, podem ser grandes fatores de progresso. COMUNICAÇÃO E LIDERANÇA Corrado (1994 apud PIMENTA, 2010) defende a ideia de que o administrador (executivo-chefe) pode agir como diretor de comunicação. Para tanto, é neces- sário, primeiramente, reconhecer a importância da comunicação no exercício da liderança. Segundo ele, para ser líder é preciso ter capacidade de agregar pes- soas e conduzi-las na mesma direção, lidando com suas emoções, destacando valores e acenando com o sucesso. Tais desafios exigem grande domínio das técnicas de comunicação. Entretanto, muitos administradores ainda não valorizam a comunicação, isso acontece por- que os administradores: ■ Não acreditam na relação da comunicação com o sucesso. ■ Consideram que o investimento na comunicação não produz re- torno quantificável. ■ Subestimam sua abrangência, ou seja, consideram-na como ha- bilidade técnicas (localizada, parcial, individual, particular) e não como atividade e estratégica (geral, coletiva, agregadora, organiza- dora, direcionadora). ■ Evitam conflitos, preferem um pouco de acomodação (CORRA- DO, 1994 apud PIMENTA, 2010, p. 168). Essa é uma atitude perigosa quando se pensa na competitividade da empresa e em sua imagem institucional, considerando o contexto atual, com os avanços tecnológicos que implicam: ■ Consumidores com mais acesso às informações e demanda de de- bate público sobre questões ambientais, econômicas e legais. 122 - 123 A COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 122 - 123IV ■ Comunicação em tempo real, fazendo com que as decisões tenham de ser tomadas mais rapidamente. ■ Uma expectativa de informações e explicações sobre a empresa por parte dos funcionários (CORRADO, 1994, apud PIMENTA, 2010, p. 168). O cuidado com a comunicação no exercício da liderança é que vai permitir ao administrador conhecer a visão e os valores dos funcionários e articulá-los com os seus. A liderança deve ser exercida com base na: ■ Construção de uma missão, que deve contemplar as expectativas e as necessidades de todos os interessados. ■ Iniciativa em gerenciar mudanças: capitalizando recursos humanos e financeiros. ■ Divisão do poder. ■ Manutenção da credibilidade, da integridade e da motivação (CORRADO, 1994 apud PIMENTA, 2010, p. 169). Os fatores que possibilitam ao administrador comunicar a visão empresarial são: ■ Manter a mensagem simples. ■ Utilizar estratégias que criem empatia. ■ Ser coerente e honesto. ■ Criar símbolos visíveis associados á nova visão. ■ Realimentar sempre o processo de comunicação (CORRADO, 1994 apud PIMENTA, 2010, p. 169). 122 - 123122 - 123 POR QUE A COMUNICAÇÃO É ESSENCIAL NAS EMPRESAS? Os instrumentos de comunicação permitem construir e melhorar a imagem de uma empresa, entidades e pessoas até conquistar de novos consumidores, novos seguidores. A comunicação é reconhecida como uma das ferramentas mais úteis na estratégia em- presarial de captar e fidelizar clientes. É fato! Todos querem e precisam crescer, aparecer, vender, conseguir ultrapassar os concorrentes e manter a sustentabilidade de seus ne- gócios. Os instrumentos de comunicação permitem construir e melhorar a imagem de uma em- presa, entidades e pessoas até conquistar novos consumidores, novos seguidores. Tam- bém possibilita que as empresas posicionem-se em seu mercado de atuação. Alcançar a meta desejada depende de uma estratégia bem elaborada e que caiba no bolso do investidor. Para ser estratégica, a comunicação deve obrigatoriamente estar alinhada ao pensamento, aos negócios e aos objetivos do empreendimento. Tenha em mente que, os resultados só virão para aqueles que formarem uma imagem positiva junto ao público-alvo. Os investimentos em comunicação não podem parar. Para ser reconhecido e ter produtos ou serviços procurados pelos consumidores, a pro- paganda ainda continua a ser a alma do negócio! O texto completo pode ser encontrado na referência abaixo: Fonte: PEREIRA, Clarice. Por que a comunicação é essencial nas empresas? Disponível em: <http://www.administradores.com.br/noticias/administracao -e-negocios/por-que-a-comunicacao-e-essencial-nas-empresas/37367>. Acesso em: 01 fev 2013. A COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 124 - 125IV CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final da unidade IV na qual podemos conhecer melhor o processo comunicacional e a importância da comunicação para o desenvolvimento da civilização humana e para nossas relações sociais, culturais e econômicas. Para facilitar o entendimento, dividimos as revoluções da comunicação em eras: gestos e sinais, oral, escrita, impressão, comunicação de massa e comunicação em rede. Vimos que o tempo de transição entre cada uma das eras foi e é cada vez menor. Em pouco mais de 50 anos, o mundo se transformou rapidamente, com a eletrônica, atelefonia, os satélites, os computadores e a internet. Por isso, pre- cisamos nos preparar para acompanhar essas rápidas mudanças. Outro aprendizado importante foi sobre os tipos de Comunicação pratica- dos nas organizações (Comunicação Institucional, Comunicação Mercadológica, Comunicação Interna e Comunicação Administrativa). Cada uma delas tem papel fundamental para que a empresa possa se comunicar melhor com todos seus públicos de interesse. Para isso, é preciso gerir este processo de forma inte- grada, o que fez surgir a necessidade nas organizações de praticar a Comunicação Integrada. Essa forma de gestão da comunicação visa à sinergia entre as diversas formas e ferramentas de comunicação, aproveitando as técnicas, profissionais e formas de comunicação para atingir os objetivos organizacionais. Neste aspecto surge a Comunicação Empresarial, tema central desta nossa unidade. Aprendemos que antes das organizações praticarem a Comunicação Empresarial, é preciso que elas pratiquem uma administração estratégica, com foco no planejamento e que tenha uma cultura de comunicação. A Comunicação Empresarial deve ser encarada pelas organizações, como uma ferramenta estraté- gica, caminhando junto com os planos empresariais em sincronia com a missão, visão e valores da organização. Por último, vimos que cabe ao gestor, como líder da organização, estar aberto ao diálogo, a ouvir e a incentivar uma cultura organizacional baseada na comunicação. Ressaltamos a máxima de muitos especialistas em comunicação que defendem que um bom administrador deve ser, também, um bom comu- nicador. Apontamos também algumas qualidades que o administrador deve ter para melhorar sua capacidade de comunicação, como: honestidade, sinceridade, Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 124 - 125 coragem, pontualidade, polidez, prudência, respeito, concentração, equilíbrio, elegância, imprescindíveis aos profissionais de qualquer área. E também: cria- tividade, curiosidade e senso critico, em relação aos eventos e aos desafios do cotidiano. Assim como: entusiasmo, ter motivação própria, fator primordial para conferir brilho a tudo que se faz. Agora que já entendemos melhor o processo comunicacional e a impor- tância da Comunicação Empresarial para o sucesso da organização, convido você, aluno(a), a mais uma jornada de conhecimento em nossa próxima uni- dade (Unidade V - Implementando o processo de comunicação). Vamos lá? 126 - 127 1. A comunicação passou por algumas eras ou revoluções que impulsionaram a civilização humana e garantiram o desenvolvimento do mundo moderno. Cite cada uma destas revoluções e comente com detalhes o momento atual da co- municação. 2. Fale sobre o processo comunicacional e seus elementos. Exemplifique todo o processo por meio de um ato comunicacional, pode ser entre duas pessoas (di- álogo) ou entre uma empresa (marca) e seu público-alvo, ou outro exemplo de seu cotidiano. 3. Dentro dos conceitos abordados, como você identifica os diversos tipos de co- municação (Comunicação Institucional, Comunicação Administrativa, Comuni- cação Interna e Comunicação Mercadológica)? 4. A definição de Comunicação Empresarial está muito mais ligada à Comunicação Integrada, que abrange todas as vertentes da comunicação, do que sua compa- ração a apenas um ou outro tipo de comunicação praticada pelas organizações. Buscando contornar esse dilema, Bueno (2009) traz um conceito para Comunica- ção Empresarial (ou Comunicação Organizacional). Com base nestas definições, como você conceitua Comunicação Empresarial? Material Complementar 126 - 127 MATERIAL COMPLEMENTAR Globo Ciência – TV Globo - Reportagem: “A evolução da Comunicação” O vídeo mostra de forma bem dinâmica e explicativa a Evolução da Comunicação Humana http://globotv.globo.com/rede-globo/globo-ciencia/v/a-evolucao-da-comunicacao-parte-1/2282613/ Mera Coincidência Título Original: Wag the dog Direção: Barry Levinson Gênero: Comédia Sinopse: O fi lme é estrelado por Dustin Hoff man e Robert DeNiro, e foca em um consultor político/Relações Públicas de Washington, que criou uma guerra falsa, cheia de fi lmes, músicas-tema e outros aspectos que têm como objetivo distrair o público. O fi lme deixa claro o poder do profi ssional de RP. U N ID A D E V Professor Esp. Jorge Luiz Garcia Van Dal IMPLEMENTANDO O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Objetivos de Aprendizagem ■ Entender a comunicação como fator imprescindível para a negociação. ■ Compreender como os modelos de comunicação podem ser aplicados e colaborar com a comunicação empresarial. ■ Enxergar a Comunicação Empresarial como ferramenta estratégica para as organizações. ■ Implantar e desenvolver um Plano Integrado de Comunicação Empresarial. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Comunicação como base da negociação ■ Modelos de Comunicação para a Empresa ■ Comunicação interna ■ Comunicação externa ■ Assessorias e porta-voz ■ Os meios de divulgação ■ Informação e publicidade ■ Comunicação Empresarial Estratégica ■ Plano integrado de Comunicação Empresarial 130 - 131 INTRODUÇÃO Olá! Nesta nossa Unidade V, vamos ampliar nossos conhecimentos sobre a Comunicação Empresarial e suas técnicas para melhorar o relacionamento e a comunicação com os públicos de interesse da organização. Mas para isso, as empresas precisam valorizar as pessoas de uma organização, desenvolvendo sua cultura organizacional por meio da aprendizagem e da capacidade de inovar. Para isso os gestores precisam recriar uma nova postura empresarial, valori- zando os processos comunicacionais, utilizando os melhores modelos, técnicas e canais de comunicação adequados aos seus públicos e sempre estar abertos ao diálogo. Também é fundamental o treinamento, a valorização do ser humano, tornando os indivíduos agentes das mudanças. Nosso primeiro tópico busca traçar um paralelo entre a negociação efi- ciente, que é feita não só fora da empresa, mas também internamente, e a boa comunicação. Vamos ver que muitos dos problemas de uma organização podem estar ligados direta ou indiretamente à comunicação. Por isso uma comunica- ção eficiente é a base de toda negociação. Para negociarmos bem, precisamos em primeiro lugar nos comunicar bem. Em seguida vamos conhecer os modelos de comunicação para a empresa, onde os principais são: comunicação interna, comunicação externa, assessorias e porta-voz, meios de divulgação, informação e publicidade. É fundamental o entendimento e o uso corretos dos modelos e tipos de comunicação, como tam- bém valorizar o uso adequado dos canais de comunicação disponíveis. Depois de conhecer os modelos de comunicação, vamos abordar a Comunicação Empresarial como ela deve ser encarada, uma importante ferra- menta estratégica para as organizações. Neste tópico fica claro que a Comunicação Empresarial não pode e não deve estar à margem dos planejamentos organi- zacionais, e principalmente evitarmos o erro fatal de acioná-la somente em momentos de crise. Por fim, concluímos que para que a Comunicação Empresarial seja assu- mida como estratégica, é necessário que as organizações favoreçam esse papel e desenvolvam uma gestão com uma cultura de comunicação. Ao criar uma estra- tégia de Comunicação Empresarial coerente com base nos estudos apresentados Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 130 - 131 IMPLEMENTANDO O PROCESSODE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 132 - 133V nesta unidade, a organização poderá estar no caminho certo para transformar sua forma de comunicação. Bom estudo! COMUNICAÇÃO COMO BASE DA NEGOCIAÇÃO As atividades de negociação fazem parte do dia a dia das organizações e podem acontecer internamente (por departamentos) ou em ambientes externos em negociação com clientes ou fornecedores, instituições governamentais, sindica- tos ou com outras empresas. Pimenta (2010) afirma que é por meio das negociações que se compra e vende, se constroem parcerias, fusões e, principalmente, que se cria sinergia. “Uma negociação bem-feita possibilita que as partes envolvidas potencializem seus recursos e tirem o maior proveito deles” (PIMENTA, 2010, p. 169). Muitos dos problemas de uma organização podem estar ligados direta ou indiretamente à comunicação. Por isso, uma comunicação eficiente é a base de toda negociação. Para negociarmos bem, precisamos em primeiro lugar nos comunicar bem. Portanto, se melhorarmos nossa comunicação, automaticamente desenvolve- remos nossa capacidade de negociação. Na maioria das vezes os bons negociado- res são bons comunicadores, aqueles que se expressam melhor, que se relacionam melhor. Muitos fazem isso de forma ins- tintiva. Mas existem técnicas e processos de comunicação que podem colaborar e muito para desenvolver nossas habili- dades de comunicação e persuasão para uma negociação eficiente. Para Diniz (2004), o passo ini- cial para a formação de um negociador ©shutterstock Comunicação como base da Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 132 - 133 habilidoso é ampliar o seu entendimento do processo de comunicação. Nesse processo, como em qualquer ciclo de comunicação, temos três participantes princi- pais: o emissor, o receptor e a mensagem. Sendo o emissor responsável pelo início do processo, e é ele (emissor) que geralmente tem um objetivo a ser comunicado. Pimenta (2010) afirma que podemos relacionar essa iniciativa do emissor com o procedimento da Atitude ou Atitudes, pois podem ser apresentadas em três atitudes principais do negociador no processo de comunicação: ■ Empatia: diz respeito à maneira pela qual uma situação é tratada. Sendo recomendado primeiramente ao iniciador do processo de negociação ser empático com que se está negociando. Para conseguir a empatia, capacidade de colocar-se no lugar do outro, é fundamental ouvir o interlocutor. “A escuta interessada e paciente tor- na-se, portanto, imprescindível ao negociador – e esta, por si só, já é uma habilidade que demanda, na maioria das pessoas, empenho para adqui- rí-la” (PIMENTA, 2010, p. 171). ■ Capacidade de se distanciar da situação: este seria um exercício imagi- nário, quando se observa o comportamento e o discurso do interlocutor como se fosse uma pessoa de fora, o que possibilita uma avaliação mais precisa dos argumentos e das forças em questão. “Esse exame torna viá- vel um redirecionamento tático: ser menos ou mais agressivo, fazer uma pausa ou investir mais no argumento usado, ressaltar as vantagens para outra parte etc.” (PIMENTA, 2010, p. 171). ■ Capacidade de compartilhar: A terceira atitude que dá suporte a uma boa negociação envolve a capacidade de compartilhar, que se trata de um rompimento com a maneira convencional de uma negociação, onde, equivocadamente, cada lado busca ter vantagens sem se importar se o outro tem desvantagens. Nesse momento, a capacidade de compartilhar pode “construir uma ponte dourada até o interlocutor” e com ela ambos os lados ganham ou trocam benefícios. “É bom lembrar que a atitude é a base para a forma pela qual vai se organizar a negociação e para a defini- ção do tipo de clima em que esta transcorrerá” (PIMENTA, 2010, p. 171). Além dos procedimentos de atitude, é muito importante o emissor ou inicia- dor do processo de comunicação tentar eliminar ao máximo os possíveis ruídos na mensagem e com isso conseguir melhores resultados em uma negociação. IMPLEMENTANDO O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 134 - 135V Para isso, Diniz (2004) nos apresenta os três primeiros passos básicos para a boa comunicação: 1. Observar como o receptor compreende a mensagem. 2. Estabelecer sintonia (o “rapport”). 3. Analisar a negociação sob diferentes pontos de vista. O primeiro passo que eu recomendo para a redução nos ruídos é a identificação da maneira como o receptor mais compreende a men- sagem: por meio da visão, da audição ou da percepção de gestos e sensações (sinestesia). Pessoas visuais entendem melhor aquilo que veem. As mais auditivas focam mais nos sons e nas palavras. As si- nestésicas são aquelas que estão mais conectadas aos sentimentos e às sensações. É fácil identificar qual o sistema representacional preferido do receptor: basta prestar atenção à sua linguagem. Pessoas visuais dizem: “Eu vejo o que você quer dizer”. Pessoas auditivas afirmam: “Isso é música para os meus ouvidos”. Já as sinestésicas falam: “Eu posso pegar essa ideia”. Identificar o sistema representacional e usá-lo com mais frequência vai melhorar muito a comunicação e o resultado de qualquer negociação. O segundo passo é o que conhecemos na programação neurolinguís- tica como entrar em rapport, ou seja, ficar em sintonia com o receptor. Preste atenção às pessoas conversando nas ruas, bares ou reuniões. Quando a sintonia é máxima, você vai verificar que as posturas, gestos e expressões faciais muito parecidas uma com as outras. Se uma se ajeita na cadeira, a outra também se ajeita. Isso é rapport. Ele pode até acontecer naturalmente - mas em uma negociação, se for ‘acelerado’, pode ser muito eficaz. Para isso, basta que você ‘imite’ a pessoa com quem está conversando ou negociando. Imitar, nesse caso, significa acompanhar a postura, gestos, tom de voz e ritmo do interlocutor. Esse acompanhamento, é claro, tem que ser feito da forma mais dis- creta e elegante possível, para que a outra pessoa não se sinta ofendida ou constrangida. O terceiro passo desse tripé da comunicação é aprender a observar a ne- gociação de diferentes pontos de vista – ou, como dizemos, é realizar a transição por diferentes ‘posições perceptuais’, buscando as diferentes pers- pectivas pelas quais se pode ver ou analisar uma negociação. Você pode enxergar uma negociação sob a sua própria ótica, sob o ponto de vista da outra pessoa ou então partindo de um lugar neutro (DINIZ, 2004, p. 17). Comunicação como base da Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 134 - 135 Estes procedimentos e técnicas de comunicação podem fazer diferença para uma boa negociação. Com isso, podemos melhorar nossas habilidades de persuasão em qualquer ambiente, mas sempre levando a ética e a responsabilidade profis- sional como prioridade. COMUNICAÇÃO E NEGOCIAÇÃO Negociação é o processo de buscar a aceitação de ideias, propósitos ou in- teresses, visando ao melhor resultado possível, de tal modo que as partes envolvidas terminem a negociação conscientes de que foram ouvidas, tive- ram oportunidades de apresentar toda sua argumentação e que o produto final seja maior que a soma das contribuições individuais. Se o leitor atento substituir a palavra negociação por comunicação verá que os dois conceitos praticamente se superpõem. Nos processos de negociação (ou comunicação), ressaltamdois tipos de habilidades: habilidades técnicas e habilidades interpessoais. A primeira relaciona-se com o conhecimento de técnicas, processos, “macetes” para negociação (ex. Etapas para condução da negociação); a outra relaciona-se com o conhecimento interpessoal dos negociadores (qual o estilo de cada um, quais suas forças, fraquezas, necessidades, motivações etc). Inegavel- mente, a habilidade técnica tem merecido mais atenção que a habilidade interpessoal. Uma terceira habilidade – conhecimento do negócio – é extre- mamente específica de cada negociação; trata-se do conhecimento mínimo do assunto objeto da negociação, fundamental até para saber se a negocia- ção foi boa ou não. O texto completo pode ser encontrado na referência abaixo. Fonte: COSTACURTA, Junqueira. Comunicação e Negociação. Disponível em: <http://www.institutomvc.com.br/costacurta/ artla04_comun_negoc.htm.>. Acesso: 02 fev 2013. IMPLEMENTANDO O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 136 - 137V MODELOS DE COMUNICAÇÃO PARA A EMPRESA Agora vamos conhecer os modelos de comunicação para a empresa, sendo funda- mental o entendimento e o uso corretos desses modelos e tipos de comunicação, como também valorizar o uso adequado dos canais de comunicação disponíveis. Quando falamos de estratégias de comunicação ou informação em uma organização, alguns pontos devem ser levados em conta, afirma Bahia (1995): ■ Comunicação interna. ■ Comunicação externa. ■ Assessorias e porta-voz. ■ Os meios de divulgação. ■ Informação e publicidade. Estes pontos listados acima levam em consideração: a. A comunicação entre os empresários e suas empresas. b. A comunicação dos empresários com a opinião pública (desde os veícu- los de divulgação, até os setores sociais decisórios ao público). ©shutterstock Modelos de Comunicação para a Empresa Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 136 - 137 Cada um dos itens aí enunciados consubstanciam funções profissionais, cujos requisitos primordiais são qualidade e competência. COMUNICAÇÃO INTERNA Para ficar bem fácil de entender este tipo de comunicação, é aquela que visa transmitir ao público interno ou colaboradores internos da organização, com frequência e clareza as ações, visões, missões e demais assuntos da organização. É necessário que o líder da organização dê prioridade à qualidade da infor- mação que circula internamente na empresa, para haver um fortalecimento nas relações entre os colaboradores da organização. A mensagem empresarial paga é, no jornal e na revista, o anúncio, o informe; o “jingle”, o “spot”; e na TV, o comercial, uma espécie de es- trela do intervalo. Apoiados em verbas crescentes, esses tipos de co- municação movimentam milhões de dólares. Uma dotação econômica cujo alcance envolve arte e engenho para aliciar sonhos e anseios dos consumidores (BAHIA, 1995, p. 25). Mas é preciso tomar cuidado, pois quando quer se tornar um comercial eficaz, com a utilização de várias técnicas, existe o perigo de acabar caindo na propa- ganda enganosa violando, assim, os direitos do consumidor. Nas empresas acontecem eventos, fatos, promoções, entre outros, que são a rede de informações naturais da organização. Para haver propagação des- sas informações profissionais em comunicação, selecionam e classificam esses acontecimentos. Mesmo com tecnologias que facilitam a propagação das informações, algumas empresas têm receios de divulgar certos acontecimentos aos seus colaboradores, porém é extremamente importante que todos na organização saibam o que está acontecendo ao seu redor, melhorando assim processos e unificando os objeti- vos da organização com a dos colaboradores. Bahia (1995) relata que está havendo uma mudança no comportamento empresarial, ou seja, a informação está sendo difundida de forma ampla e melhor. Porém é fato que as empresas se reservam ao direito de divulgar o que é rele- vante e de necessidade para a organização. IMPLEMENTANDO O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 138 - 139V Essa consciência do empresário serve ainda para aproximá-lo dos veí- culos. Ele deve conhecer melhor o jornal, a revista, o rádio, a televisão, a publicidade e outros instrumentos de difusão, e saber preparar-se para conviver com perguntas indiscretas que apesar disso não dispen- sam respostas inteligentes (BAHIA, 1995, p. 42). Vamos pensar em uma situação: a empresa deve divulgar uma informação inter- namente e outra para o consumidor externo? É claro que pensar dessa forma é um erro e pode prejudicar a imagem da empresa perante os dois públicos (interno e externo). Deve estar bem claro na mente dos empresários que a comunicação interna serve para mostrar aos colaboradores a realidade da organização, e pode servir de estímulo para o debate sobre o ambiente da organização e possíveis mudanças. COMUNICAÇÃO EXTERNA A comunicação externa é toda forma de propagar a informação para a socie- dade, o público externo. De forma simples, é o uso dos meios de comunicação pela empresa para tornar conhecidas ao público seus produtos, serviços ou con- ceitos e ideologias. No âmbito das relações humanas e sociais, como acontece na sociedade moderna, a comunicação externa originária da empresa adquire um conteúdo institucional que abrange o conhecimento entre empresários, a troca de experiência, a identidade tecnológica e os fatores essenciais de mercado, de produção e de consumo (BAHIA, 1995, p. 58). É possível afirmar que a empresa e a sociedade interagem num processo de troca de informações, a empresa oferecendo seus produtos e serviços e o consumi- dor mostrando seus desejos e necessidades, e nessa troca há constante melhoria da comunicação. Afirma Bahia (1995) que em uma sociedade democrática, o direito à informação gera um permanente fluxo de oferta e demanda necessário tanto para os consumi- dores quanto para as organizações. As empresas estão compreendendo que fazem cada vez mais parte do desen- volvimento da sociedade, e devem participar, dar opiniões, justificar atitudes, ser Modelos de Comunicação para a Empresa Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 138 - 139 criticadas, assim havendo troca de informações e possíveis mudanças de posi- cionamento e posturas. A comunicação externa de uma organização também está ligada aos inte- resses dos meios de comunicação, onde a empresa quer ou precisa divulgar a informação e o veículo de comunicação quer ser o portador, e claro, os dois com um objetivo comum, o público. Por outro lado, tanto pela natureza quanto pela espécie do que se pro- põe a divulgar, seja por meio do seu sistema (cartas de notícias, bole- tins, publicações especiais etc.), seja por meio dos veículos de comuni- cação social, a empresa deve privilegiar, além do público específico, os setores difusos da sociedade, como consumidores e donas de casa em geral, escolas, trabalhadores, sindicatos, universidades, partidos políti- cos, igrejas, organizações governamentais e não governamentais, isto é, aqueles setores sociais de influência aos quais se dirigem as ações institucionais (BAHIA, 1995, p. 62). ASSESSORIAS E PORTA-VOZ Já sabemos da necessidade das empresas de divulgar as informações, tanto internamente quando externamente. Então para que usar de uma assessoria de comunicação? A resposta é simples, porém essencial: a assessoria de comunicaçãoorienta a empresa sobre o que informar ou não, como informar e onde informar, levando sempre em consideração que a verdade é essencial. A assessorias são, em geral, de comunicação (mais amplas, abrangendo meios impressos e audiovisuais, relações públicas, mercadologia, publi- cidade etc.), ou a imprensa (mais restritas, sem vínculos com relações públicas, mercadologia e publicidade). São denominadas, também, de- partamentos de comunicação ou de imprensa (BAHIA, 1995, p. 65). A assessoria é uma atividade jornalística, definida em Lei, ainda com algumas interpretações incorretas, mas isso não impede seu crescimento e evolução. A assessoria é o serviço que distribui as informações para o público interno e o público externo, orientando o seu fluxo da fonte para os veículos e destes para IMPLEMENTANDO O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 140 - 141V a fonte, por meio do acompanhamento do noticiário ou clipping. Assim, além de buscar na empresa as informações que podem ser publica- das e de elaborá-las para distribuição aos veículos, a assessoria articula produtos convencionais, como a edição de jornais ou revistas internos, contatos com os meios, material para rádio e televisão, e facilita o acesso de dirigentes às notícias. A assessoria prepara textos de apoio, notas de esclarecimento, roteiros, vídeos, resumos, material audiovisual e fotográfico e outros que sejam necessários para a fluidez da informação. Uma assessoria engloba objetivos de construção de imagem pessoal ou insti- tucional, de comercialização de produtos e serviços, num cenário bastante amplo de participação social da empresa. Para Bahia (1995), muitas vezes, como elemento complementar, o organograma de comunicação empresarial insere um porta-voz. Apesar de desaconselhável em um cenário de atuação prática da assessoria de imprensa ou da assessoria de comunicação, o porta-voz existe, amplia o seu campo e até seduz instituições privadas e públicas. No caso da comunicação empresarial, o porta-voz costuma atuar como intér- prete da organização, e não simplesmente como alguém com poder decisório. Normalmente o porta-voz, é o presidente ou o executivo mais qualificado que assume esse papel, situando-se entre a assessoria e os veículos. A divulgação sistemática e regular dos acontecimentos do mundo em- presarial pelos meios de comunicação de massa estimula certas lide- ranças empresariais a disputar espaço e tempo no jornal, na revista, na televisão e no rádio. O porta-voz se habilita a falar não só para valorizar a empresa no contexto socioeconômico, mas também para opinar ou para exercer pressões (BAHIA, 1995, p. 71). Mas é necessário que o porta-voz conheça e aplique regras básicas na relação entre entrevistados e repórteres, a fim de evitar deslizes. Outras vezes, porém, é o empresário o interlocutor mais competente para levar à sociedade a mensa- gem de sua empresa como agente econômico. O empresário deve estar apto para o contato com jornalistas ou outros pro- fissionais da comunicação, desde que saiba o momento e lugar certo para a disseminação das informações e evitando resultados desastrosos. O empresário como porta-voz pode manter um relacionamento saudável com os veículos de Modelos de Comunicação para a Empresa Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 140 - 141 comunicação, porém a assessoria pode e deve orientá-lo para evitar deslizes ou desgastes com os veículos. Um tipo frequente de equívoco é a pressão da fonte para publicar ou sustar a publicação de uma notícia. Os veículos repelem esse proce- dimento, tanto mais se utilizado em nome do poder econômico, do poder político ou do tráfico de influência. Mesmo tendo sucesso numa primeira cartada, a fonte fica visada e perde crédito com os jornalis- tas. Outras pressões a evitar: aquelas que procuram intrigar ou gerar a demissão de profissionais; aquelas que usam a mentira ou deformam a verdade para evitar ou dificultar a notícia; aquelas que tentam obter espaço ou tempo nos veículos só para que a fonte esteja em evidência, numa confessada manipulação de interesses; aquelas que costumam discriminar o veículo ou o jornalista, excluindo-o de uma entrevista, por exemplo; aquelas que tentam, em nome da fonte, decidir o que é noticia, negando ao veículo o critério de edição; aquelas que julgam o desempenho da assessoria pelos centímetros de matérias publicadas ou outros detalhes exteriores (BAHIA, 1995, p. 75). OS MEIOS DE DIVULGAÇÃO As mídias impressas (diários, revistas e demais meios de difusão, quaisquer que sejam os seus formatos) e mídia eletrônica (rádio, televisão e sistemas informa- tizados) têm sua origem mais remota na imprensa, desde Gutemberg. A imprensa teve seu início no século VI, com os caracteres gravados em madeira em uso na China. A xilogravura, processo de impressão, tornou-se conhe- cida na Europa por volta do século XII, ganhando prestígio a partir do século XV. Gutemberg, ao aperfeiçoar o sistema de impressão, deu forma à imprensa como é conhecida contemporaneamente. De 1436 em diante, a imprensa evo- lui com a tipografia, o linotipo, a rotativa, as notícias, até os modernos avanços tecnológicos de hoje. Essa evolução criou hábitos de leitura e novas formas de veiculação e de aquisição das informações. A comunicação empresarial desenvol- veu-se a partir do jornal de empresa – formato pioneiro de distribuição interna – para outros modelos, mais sofisticados e eficientes, incorpo- rando, nos últimos cinquenta anos do século XX, a expansão tecnoló- gica dos sistemas informativos (BAHIA, 1995, p. 71). IMPLEMENTANDO O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 142 - 143V Se olharmos bem, o jornal de empresa é semelhante com a grande imprensa, pois seu objetivo é informar e formar. São seus objetivos: recrear, educar e orientar os empregados; estimular a sociabilidade e o espírito de compreensão entre empre- gados e empregadores; aproximar uns e outros, inspirados pelo sentimento de integração; divulgar as atividades sociais e os produtos da empresa. O contexto de um jornal de empresa deve conter matérias que instruam, eduquem, que fortaleçam os relacionamentos pessoais e consigam desenvolver a personalidade dos trabalhadores. O jornal de empresa pode ser uma iniciativa dos empregadores ou dos empregados, e de ambos. Seu financiamento fica com a empresa ou é compartilhado entre empregadores e empregados. A sua direção e orientação também deve ser compartilhada. E pode ser mural, manus- crito, datilografado, mimeografado, xerografado ou impresso (BAHIA, 1995, p. 78). Um detalhe interessante é que os jornais de empresa, por serem inspirados nos grandes veículos, possuem seções como: esportes, editorial, entrevistas, reporta- gens, opinião, entre outras, desta forma havendo interação entre empregadores e empregados. O jornal ou revista de empresa deve obter, selecionar e editar as notícias. Essas funções implicam em pessoal especializado, como repórter, redator, fotógrafo, dia- gramador, editor e outros. O processo de produção editorial pode ser interno ou externo e, em geral está a cargo de uma assessoria de imprensa ou de comunicação da própria empresa ou de fora dela. Observamos como a comunicação empresarial cresceu junto com a empresa, não se limitando apenas em dar recados internos, mas criando uma interação entre empresa e colaboradores, com isso melhorando sua comunicação com o público externo. A empresa e o empresário protagonizam uma competição que não são só negócios, marcas ou mercados, mastambém de informações. Con- correm pelo acesso aos canais formadores de opinião pública, que são aos meios de comunicação, além de manter sistemas de informações gerenciais que atuam como suportes decisórios (BAHIA, 1995, p. 75). Mas é a imprensa, a televisão e o rádio que constituem os intermediários Modelos de Comunicação para a Empresa Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 142 - 143 mais adequados para a transmissão e o conhecimento das ideias, das ações, do pensamento e das opiniões do empresariado. Institucionalmente, esses meios demandam procedimentos de controle, estabilidade e mudança social. Afirma Bahia (1995) que os meios de comunicação produzem efeitos diferentes: ■ A televisão tem a vantagem de ser o mais completo, pois condiciona a audiência, tornando-a passiva além de cativa. ■ A imprensa influi mais no leitor do que a informação audiovisual, mas é menos popular, embora seja mais racional, mais reflexiva, mais perma- nente e mais extensiva. ■ O rádio é informativo e educativo, porém passou a ocupar uma posi- ção secundária. ■ Rádio e televisão têm um alcance imediato, instantâneo, e sua audiência é heterogênea, contudo a sua mensagem é de difícil compreensão, dada a sua irreversibilidade. Pela ordem de eficácia, a televisão lidera, seguida pelo rádio e pela imprensa. A comunicação empresarial terá maior êxito nas suas relações com os meios, a partir do conhecimento e da identificação das suas características. INFORMAÇÃO E PUBLICIDADE Em qualquer relação entre empresa e veículos de comunicação, assessoria etc., é essencial que haja transparência de todas as partes envolvidas. Deve ficar claro que essa transparência é o compromisso com a verdade ou veracidade das infor- mações, em ênfase as questões éticas. A transparência na informação contribui para fortalecer a confiança da audiência no veículo. Esta regra é valida para todo tipo de noticia, e se não for respeitada, não há como esperar condescendência dos meios. Um veículo não pode acreditar numa fonte suspeita, ora surpreendi- da em mentira, ora provada em manipulação. Em suas relações com os meios de comunicação, o empresário deve estar esclarecido de que IMPLEMENTANDO O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 144 - 145V não terá espaço ou tempo para suas mensagens se negligenciar com a veracidade. Assim como é preciso conhecer as peculiaridades, de cada meio para fi- xar a forma das mensagens e medir a sua audiência, também é necessário distinguir informação de publicidade. Uma assessoria de imprensa ou de comunicação deve estar apta a informar o empresário e a empresa (em seus níveis de decisão) sobre as diferenças entre uma e outra (BAHIA, 1995, p. 82). Notícia empresarial é a informação apurada na empresa ou dela originária (por meio do empresário ou da assessoria); publicidade, ao contrário, é uma informa- ção paga, de natureza promocional, e com o objetivo de persuadir, que se obtém geralmente pela repetição da mensagem. A informação que se origina da empresa constitui um acontecimento digno de ser conhecido pelo público. Trata-se de mensagem que pode adotar a forma de simples notícia, entrevista, declaração, nota etc. A publicidade é também uma informação, mas em sentido amplo. Suas características são outras, tanto na forma quanto no conteúdo: o efeito pretendido pela informação publicitária junto à opinião pública é o de ressaltar apenas o lado positivo de um produto, serviço ou imagem, mediante técnicas que executem a neutralidade (BAHIA, 1995, p. 83). Uma assessoria de comunicação empresarial compreende, além das relações com a imprensa, funções de publicidade, propaganda, relações públicas e marketing. Esse trabalho incorpora: ■ Planejamento e coordenação ou administração da publicidade e das campanhas promocionais, de vendas etc. ■ Articulação e supervisão dos serviços das agências de publicidade ou propaganda, contratadas pela empresa. ■ Criação e execução de peças publicitárias ou de estudos e progra- mas de marketing. ■ Planejamento e coordenação ou administração de estudos, projetos e ações visando a identificar, na área de relações públicas, proble- mas cujas soluções contribuíam para melhorar o relacionamento com os públicos interno e externo (empregados, associados, cola- boradores ou consumidores, fornecedores, governo etc.) (BAHIA, 1995, p. 86). Comunicação Empresarial Estratégica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 144 - 145 PROPAGANDA NO SÉCULO 21: TROCANDO A MASSA PELA ALMA Dizem que propaganda é a alma do negócio. Não é mais! Essa afirmação hoje é apenas mais um mito urbano. A propaganda televisiva de massa, objeto deste jargão foi, é e será extrema- mente importante para as empresas e suas marcas, só que cada vez mais de formas diferentes. A ela caberá o nobre ato de posicionar produtos e re- forçar a reputação corporativa. Mas isso será insuficiente para as empresas competirem com excelência. No futuro próximo, do negócio mesmo ela será apenas a boca. Se o produto, serviço ou marca não tiverem alma de verdade, podemos dizer que o peixe morrerá pela boca. O consumidor está cada vez mais educado, ciente e sabedor do que quer. O consumidor 2.0 aglutina em si essas e outras características que têm redefi- nido sua relação com marcas, produtos, empresas. Ótimo para ele, péssimo para as companhias que insistem em tapar os olhos e os ouvidos para movimentos irreversíveis como globalização, mul- ticompetição, evolução da democracia tecnológica, web colaborativa e convergência de mídias, dentre outros que vieram para liquidar o marke- ting kotleriano. Afinal, hoje o preço é dinâmico, não existem mais praças, as promoções são uma pequena parte do negócio de vender e o produto, até ele, tem seus limites expandidos em função das infinitas possibilidades de combinação e customização. Tchau 4Ps. O texto completo pode ser encontrado na referência abaixo: DOMENEGHETTI, Daniel. Propaganda no séc 21: trocando a massa pela alma. Disponível em: <http://administradores.com.br/artigos/marketing/ propaganda-no-sec-21-trocando-a-massa-pela-alma/68641/>. Acesso em: 01 fevereiro 2013. IMPLEMENTANDO O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 146 - 147V COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL ESTRATÉGICA Nesta etapa vamos abordar a comunicação como ela deve ser encarada, uma importante ferramenta estratégica para as organizações. Para isso, precisamos reforçar que a Comunicação Empresarial não pode e não deve estar à margem dos planejamentos organizacionais, e principalmente evitarmos o erro fatal de acioná-la somente em momentos de crise. Para que a Comunicação Empresarial seja assumida como estratégica, é neces- sário que as organizações favoreçam esse papel e desenvolvam uma gestão com uma cultura de comunicação, disponibilizando os recursos necessários para a ati- vidade (humanos, tecnológicos e financeiros). Logo, se esses pressupostos não estiverem devidamente satisfeitos, será prematuro concluir pelo caráter estratégico da Comunicação Empre- sarial. Mais ainda: a comunicação não será estratégica em função uni- camente do trabalho mais ou menos competente dos profissionais de comunicação. Há exigências outra que infelizmente fogem do controle (BUENO, 2009, p. 54). ©shutterstock Comunicação Empresarial Estratégica Re pr od uç ão p ro ibid a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 146 - 147 Portanto, a Comunicação Empresarial Estratégica depende de um ambiente específico e favorável para que ela possa entrar em vigor. Bueno (2009) explica que a Comunicação Estratégica, só ocorre de fato em determinadas culturas ou sistemas de gestão, porque decorre de um processo organizacional pautado na administração estratégica. A Comunicação Empresarial não se sustenta em ambientes organizacio- nais em que essa perspectiva de planejamento esteja ausente. Ela só pode ser pensada, implantada e exercida se a organização (empresa pública ou privada, ONG, entidade) adota e pratica administração estratégica. Di- ficilmente se poderia surpreender uma Comunicação Empresarial estra- tégica numa organização que fosse avessa a um sistema de gestão com- prometido com esse paradigma organizacional (BUENO, 2009, p. 59). Com base nesses argumentos sobre a necessidade das organizações focarem sua gestão em uma administração estratégica, vamos ver como definir uma estraté- gia organizacional eficiente. Argenti (2006) apresenta os passos para a estratégia organizacional em para- lelo com a Comunicação Estratégica: A primeira parte de uma estratégia de comunicação empresarial efi- ciente está relacionada à própria organização. Os três subconjuntos de uma estratégia organizacional incluem: (1) determinar os objetivos da comunicação; (2) decidir que recursos estão disponíveis para alcançar tais objetivos e (3) diagnosticar a reputação da organização (ARGEN- TI, 2006, p. 29). DETERMINANDO OBJETIVOS Uma organização tem vários motivos diferentes para decidir se comunicar, como por exemplo, anunciar aos funcionários uma mudança no seu pacote de benefí- cios, eliminando os benefícios de saúde dos aposentados em razão dos crescentes custos dos planos de saúde. Nesse caso, seu objetivo é mais do que anunciar a mudança; envolve também convencer os funcionários de que a empresa tem um bom mo- tivo para tirar algo deles. Assim, o objetivo é conseguir que os funcio- nários aceitem uma mudança com um mínimo de protesto (ARGEN- TI, 2006, p. 29). IMPLEMENTANDO O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 148 - 149V Outro exemplo de determinação de objetivos: Um fabricante de balas japonês decidiu entrar no mercado norte-americano e para estimular o interesse dos consumidores por seus doces, a empresa decidiu fazer um material impresso explicativo sobre o que é o produto e apresentá-lo como uma extensão da cul- tura japonesa (ARGENTI, 2006). “O objetivo da empresa, portanto, é criar uma demanda entre os consumidores norte-americanos por algo que eles não conhe- cem nem desejam” (ARGENTI, 2006, p. 30). Observe que, nos dois casos, a resposta do público em questão é o mais importante. Qual é a base para definir um objetivo: o que a organiza- ção espera de cada público-alvo como resultado da comunicação? A especialista em comunicação Mary Munter escreve em seu Guide to Managerial Communication que a comunicação gerencial só é bem- -sucedida se a resposta desejada for obtida do seu público. Para conse- guir a resposta, é preciso pensar estrategicamente sobre a comunicação, incluindo a definição de objetivos claros (ARGENTI, 2006, p. 30). DECIDINDO QUE RECURSOS ESTÃO DISPONÍVEIS Um plano de comunicação e seus objetivos dependem em grande parte dos recursos disponíveis para implantá-lo e executá-lo com eficiência, esses recur- sos incluem dinheiro, recursos humanos e tempo. Dinheiro: Entre os recursos disponíveis para uma estratégia de comuni- cação organizacional eficiente, o dinheiro permite a contratação de bons e adequados profissionais e a produção e distribuição de materiais adequados aos públicos de interesse, como exemplifica Argenti (2006, p. 31): No exemplo anterior, envolvendo cortes de benefícios dos planos de saú- de dos funcionários, a empresa precisa decidir se é melhor simplesmente anunciar o programa da forma mais clara possível aos funcionários, por meio do boletim da empresa, e-mail ou na internet da empresa, ou con- tratar um consultor em benefícios com experiência em ajudar empresas a vender a redução de benefícios aos funcionários. A primeira opção pare- ce menos cara do que a segunda no curto prazo, mas, se os funcionários se revoltarem por sentir que estão perdendo algo sem um bom motivo, a empresa poderá acabar gastando muito mais do que gastaria se, de início, tivesse contratado um consultor experiente (ARGENTI, 2006, p.31). Comunicação Empresarial Estratégica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 148 - 149 Nesse caso, Argenti (2006) argumenta que infelizmente a maioria das empresas erra buscando soluções baratas e de curto prazo para os problemas de comu- nicação. Isso ocorre quando a organização não se coloca na perspectiva do público-alvo. Muitas vezes gestores analisam suas próprias necessidades em vez das do público e por isso acabam tendo dificuldade em atingir seu objetivo de comunicação. Recursos humanos: Os recursos humanos são um fator crítico que pode determinar o sucesso ou o fracasso da empresa em alcançar seus objetivos. O que geralmente ocorre quando a organização decide implantar um processo de comunicação, é que este é designado aos colaboradores sem experiência ou qualificação na área e em uma equipe reduzida sem preparos, os resulta- dos são pequenos ou nenhum. Imagine uma empresa que tenha aberto o capital e tenha decidido criar uma função de relações com os investidores para tratar do relaciona- mento com os acionistas e da comunicação com os analistas de títulos. A empresa pode designar para assumir todas estas funções ou pode decidir que realmente precisa de três pessoas. A melhor escolha de- penderá do tamanho da empresa e da sua base de acionistas. Vamos analisar o caso e uma empresa conhecida e multibilionária que delegou essa função a uma pessoa com pouca aptidão comunicativa, em vez de designar dois ou três especialistas para lidar com os diferentes públi- cos-alvo envolvidos. No caso da empresa, não se tratava de uma ques- tão de dinheiro para pagar alguém que fizesse o trabalho de modo certo correto, mas de falta de entendimento sobre a real importância da co- municação empresarial e as limitações impostas aos recursos humanos necessários para realizar determinada tarefa (ARGENTI, 2006, p. 31). Tempo: Dentro dos recursos disponíveis para determinar a estratégia de comunicação de uma organização, o tempo é também é um fator crítico. Neste ponto, Argenti (2006, p. 32) apresenta duas abordagens para lidar com alguns dos problemas que envolvem a distribuição de tempo: No caso do fabricante de balas japonês mencionado anteriormente, a empresa decidiu produzir uma brochura com a ajuda de uma empresa de consultoria em comunicação, descrevendo seu produto mais de dois anos antes de ser realmente necessário. Levava-se tanto para conseguir que todos na empresa aceitassem o texto desenvolvido para o folder e o design gráfico, que foram necessários quase dois anos para produzir um folheto de oito páginas. As diferenças culturais entre os estilos em- IMPLEMENTANDO O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 150 - 151V presariais norte-americanos e japoneses contribuíram para a tremenda quantidade de tempo necessário para desenvolver a peça. Para uma empresa norte-americana, é inconcebível dedicar tanto tempo a um projeto considerado simples. As empresas americanas produzemfolders semelhantes, do início ao fim, em questão de semanas. Mas será que esta é realmente a melhor abordagem? (ARGENTI, 2006, p. 32). No exemplo acima ficou claro que a distribuição de tempo deve ser determi- nada pelo que realmente será necessário para alcançar o objetivo da empresa. Soluções em curto prazo quase nunca são as melhores. Em alguns casos, isso pode significar alocar mais recursos do que a organização gostaria para alcançar o resultado desejado; mas, qua- se sempre, a empresa terá sucesso se alocar os recursos logo de início (ARGENTI, 2006, p. 32). Portanto, o melhor é o planejamento e alocação adequados dos recursos, a fim de não utilizar o tempo, por exemplo, para corrigir erros e “apagar incêndios”. Um dos maiores problemas que as organizações enfrentam é o de só contra- tar profissionais de comunicação para gerirem seu processo de comunicação quando surge uma crise. Isso quase sempre acaba em prejuízos financeiros e de imagem para organização. DIAGNOSTICANDO A REPUTAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO Além de definir os objetivos para a comunicação e decidir que recursos estão disponíveis para realizar este objetivo, as organizações também precisam diag- nosticar qual a sua reputação com o público-alvo em questão: A reputação tem base na percepção do público-alvo sobre a organi- zação, em vez de na realidade da organização em si. Como exemplo, pense em uma universidade interessada em gerar publicidade positiva na imprensa nacional. Se a universidade não for bem conhecida fora de sua região, essa poderá ser uma tarefa muito difícil. Sua reputação nessa situação seria inexpressiva, porque os representantes da imprensa nacional teriam experiência limitada com a instituição, se comparada com outra que já tenha um nome reconhecido nacionalmente. Assim, independentemente do tipo de recurso utilizado pela universidade, se- ria uma batalha difícil (ARGENTI, 2006, p. 32-34). Comunicação Empresarial Estratégica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 150 - 151 Em outros casos, a reputação de uma organização pode sofrer sérios danos e entrar em colapso por circunstâncias que vão além do controle da empresa. Argenti (2006) exemplifica com o caso das empresas do setor de energia, que enfrentou um questionamento coletivo de suas reputações na ocasião do escân- dalo financeiro da norte-americana Enron. Muitas começaram a ter problemas com os detentores de títulos da dívida, os reguladores e os investidores após o escândalo, pois foram consideradas culpadas de se envolver em práticas semelhantes às da ex-gigante de energia. Uma estratégia possível para combater essa “cul- pa por associação” teria sido a empresa estabelecer um programa de comunicação que buscasse ativamente distingui-la da Enron de forma altamente visível (ARGENTI, 2006, p. 34). Diagnosticar a reputação de uma organização faz grande diferença na hora de se estabelecer os objetivos da comunicação. Ela (a reputação) pode ser o ponto crítico determinante entre o fracasso e o sucesso em uma estratégica de comunicação. Argenti (2006) ressalta que muitas empresas estão, cada vez mais, reconhecendo esse fato e dedicando os recursos necessários para avaliar sua reputação empresarial. Uma delas é a FedEx. Uma vez por ano, seus principais executivos se reúnem na matriz em Memphis para avaliar os diferentes riscos enfren- tados pela empresa. Além de considerar o possível impacto financeiro de cada cenário, e suas implicações para a continuidade dos negócios, eles examinam o que aconteceria com a reputação da empresa. “Acre- ditamos que uma sólida reputação pode servir como salva-vidas em uma situação de crise e como um vento de popa, quando a empresa está na ofensiva”, afirma Bill Margaritis vice-presidente corporativo de comunicações mundiais e de relações com os investidores da FedEx. Além dessa análise de situação hipotética, a FedEx conduz uma pesqui- sa trimestral para verificar como é percebida por stakeholders externos e realiza um exercício semelhante com seus funcionários anualmente (ARGENTI, 2006, p. 34). Como vimos, existem elementos importantes determinar uma estraté- gica de comunicação eficiente: definir objetivos, decidir sobre a aloca- ção adequada de recursos e diagnosticar a reputação da organização. Com base nesses elementos, é possível nortear planos e ações mais as- sertivas para a comunicação. IMPLEMENTANDO O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 152 - 153V PLANO INTEGRADO DE COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL A realização de um planejamento empresarial, em qualquer área, é fundamen- tal para uma alta performance organizacional. Com vimos, a empresa que usa o planejamento como conduta e prática de suas atividades estará praticando uma administração estratégica. Pimenta (2010, p. 141) fala sobre a importância do planejamento para o desempenho empresarial: a. Altera desempenhos, melhora comportamentos e performances, desde que os objetivos e metas estejam claros. b. Com objetivos bem definidos, possibilita o que deve ser executado e elabora parâmetros que permitam medir resultados e avaliar atu- ações com clareza e justiça. c. É fundamental incluir as pessoas que põem em prática o planejado (diminui a resistência e aumenta aprovação). d. Se o planejamento for bem feito é provável que o resultado seja posi- tivo. Caso contrário, não adianta dedicação, pois se o que precisa COMUNICAÇÃO ESTRATÉGICA? PERA AÍ, AINDA FALTA MUITO PRA CHEGAR LÁ! O discurso da comunicação estratégica, e também o da comunicação in- tegrada, frequentam o universo da comunicação empresarial há um longo tempo e, pelo que se percebe, a teoria e a prática, neste caso, estão comple- tamente desalinhadas. Como assim? O texto completo pode ser encontrado na referência abaixo: Fonte: BUENO, Wilson da Costa. Comunicação estratégica? Pera aí, ainda falta muito pra chegar lá! Disponível em: <http://www.blogdowilson.com.br/ler_mens.asp?m=305>. Acesso em: 01 fev 2013. Plano Integrado de Comunicação Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 152 - 153 ser cumprido não está bem definido, projetado, onde e para que se aplica? (PIMENTA, 2010, p. 141). Um plano integrado de Comunicação Empresarial tem como objetivo envolver e integrar toda a empresa, além de criar e manter uma imagem institucional posi- tiva. Para este planejamento ter bons resultados, é necessário que esteja associado a uma ideia sistêmica com processos estruturados e constantes que sejam acei- tos, percebidos e entendidos por todos da organização. De acordo com Pimenta (2010), o plano integrado de Comunicação Empresarial deve estar relacionado com: ■ construção da imagem institucional; ■ adequação dos trabalhadores à competição do mercado; ■ exigências dos consumidores mais conscientes dos seus direitos; ■ defesa dos interesses da empresa; encaminhamento de questões sindicais e ambientais. CONSTRUÇÃO DA IMAGEM INSTITUCIONAL DA EMPRESA A imagem é o conceito que as pessoas ou um público específico têm a respeito de uma organização. Uma empresa que trabalha conceitos de responsabilidade social e ambiental para sua marca e pratica verdadeiramente o que divulga, tem grande chance de ter uma imagem formada na mente da maior parte do público de uma empresa séria e comprometida não apenas com lucros e vendas, mas também com o equilíbrio social e ambiental. Percebe-se também que os consumidores tendem a ter uma imagem positivadas empresas que promovem ou patrocinam eventos culturais, de voluntariado ou esportivos. “A imagem do produto e da empresa (como instituição) formam seu maior patrimônio, que deve ser construído e preservado, tendo como base a ética, a organização e a competência” (PIMENTA, 2010, p. 139). IMPLEMENTANDO O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 154 - 155V A imagem institucional de uma empresa é formada pela: ■ Imagem do produto: qualidade, preço, durabilidade. ■ Imagem da relação com o consumidor: atendimento, assistência técnica etc. As empresas perceberam a necessidade de divulgar o que elas são e fazem, além dos objetivos mercadológicos de vendas. Em uma sociedade de consumido- res cada vez mais conscientes de seus direitos, ávidos por informações e que se expressam a todo o momento na internet, é preciso, para consolidar a imagem institucional da organização, evitar boatos e distorções decorrentes da falta de comunicação. Para Pimenta (2010), um produto de qualidade, com uma propaganda bem- feita e ética, associado a questões de cidadania e direitos do consumidor, é uma obrigação para as organizações que se dispõem a entrar no mercado. Apenas isso não é diferencial para construir uma boa imagem institucional. O ponto de partida depende de uma base ética, ou seja, a empresa con- duzir-se com honestidade, seriedade e competência. Dessa forma será possível promover a confiança de seus funcionários, do consumidor e da sociedade em seus produtos, serviços e atendimento [...] Em segun- do lugar, investir na promoção cultural, esportiva e científica também colabora para que se associe a imagem da empresa à de uma instituição útil e vital para a sociedade. Mas é bom lembrar que esses dois fatores só serão considerados quando forem efetivamente comunicados aos públicos externos e internos (PIMENTA, 2010, p. 127). ADEQUAÇÃO DOS TRABALHADORES À COMPETIÇÃO DO MERCADO Para levar à sociedade a ter a imagem que se deseja da organização, é preciso que os funcionários conheçam e participem efetivamente da construção dela. Isso pode ser conquistado com a melhora do desempenho dos colaboradores, por meio da comunicação interna. Pimenta (2010, p. 128) afirma que para melhorar o desempenho dos fun- cionários por meio da comunicação interna, é preciso desenvolver valores e técnicas: Plano Integrado de Comunicação Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 154 - 155 Os valores: responsabilidade, compromisso, cooperação, solidariedade e dedicação são fundamentais para o trabalho em equipe. As técni- cas: são também formas de comunicação que possibilitam às equipes operacionalizarem melhor seus procedimentos. Por exemplo: grupos de trabalho, reuniões melhor estruturadas na qual se crie, controle e se avalie a execução de novos procedimentos e métodos de trabalho (PIMENTA, 2010, p. 128). A pressão por manter vantagem competitiva cria nas empresas a necessidade permanente para inovar. Dentre os fatores que caracterizam as empresas bem sucedidas, que conseguem criar um clima favorável à inovação, destacam-se: ■ Tolerância para ideias e atitudes novas (mesmo que não estejam bem formuladas ainda). ■ Tolerância com possíveis erros. ■ Estímulos para desenvolvimento de flexibilidade intelectual, liber- dade e espaço livre em busca de soluções novas. ■ Estímulos de propagação de ideias novas dentro das empresas, por intermédio de vários canais de comunicação, para interação entre funcionários, tanto formal quanto informal (especialmente quando envolve pessoas com acentuado potencial criativo). ■ Incentivos e treinamentos para trabalhar eficientemente em equi- pes (PIMENTA, 2010, p. 128). ATENDER ÀS EXIGÊNCIAS DOS CONSUMIDORES MAIS CONSCIENTES E EXIGENTES DE SEUS DIREITOS Um passo importante no plano integrado de Comunicação Empresarial é aten- der às exigências dos consumidores. Com amplo acesso a informações pelos meios de comunicação e principalmente pela internet, os consumidores estão cada vez mais conscientes e exigentes de seus direitos. A relação com o consumidor pode ser abordada no âmbito específico e no geral. No específico o recomendado é considerar que cada consumidor é um cida- dão com uma necessidade e que deve ser ouvido e ter seus direitos respeitados. IMPLEMENTANDO O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 156 - 157V A atenção a esse aspecto foi ao encontro da criação do 0800, SAC (Ser- viço de Atendimento ao Cliente) e ombudsman. Esses serviços permi- tem que o descontentamento em relação à empresa e suas falhas sejam apresentados, quase sem custo para o reclamante. Entretanto, o cuida- do no atendimento, que marcou o início da implantação desses servi- ços, tem deixado a desejar em alguns casos (PIMENTA, 2010, p. 129). No âmbito geral, se recomenda uma pesquisa constante das necessidades dos con- sumidores no que diz respeito aos produtos e serviços oferecidos pela empresa, tornando possível estar sempre à frente e atualizada quanto a essas necessidades. A busca pela satisfação das novas solicitações tem levado as empresas a investirem na adequação de seus produtos às características físicas, psicológicas, e culturais de seus clientes. As pesquisas de marketing, para detectar as demandas e criação dos departamentos de pesquisa e desenvolvimento, para equacioná-los e concretizá-los, são estratégias direcionadas à satisfação do cliente (PIMENTA, 2010, p. 130). DEFENDER INTERESSES ANTIGOVERNO E POLÍTICOS (LOOBY) Toda organização tem seus interesses, que estão relacionados com seu campo de atividade, e a maioria delas procura defender seus interesses diante das ins- tituições que representam esses interesses, por exemplo, governos, associações, poder legislativo e judiciário. A palavra lobby no Brasil é vista de forma negativa, mas quando empresas se juntam de forma ética para defender seus interesses, estão fazendo um lobby legítimo e legal. Um exemplo recente foi o lobby feito pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) que pressionou e depois apoiou o Governo Federal na redução das tarifas de energia no Brasil. Um lobby justo e legal. Plano Integrado de Comunicação Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 156 - 157 Em um primeiro momento, a atuação na esfera governamental exige a criação de representantes e contatos com poderes Judiciário, Legislati- vo e Executivo. Posteriormente, esses representantes diagnosticam ten- dências políticas e econômicas e, com base nelas, estabelecem vínculos que possibilitarão a ampliação dos negócios (PIMENTA, 2010, p. 133). ENCAMINHAR QUESTÕES SINDICAIS RELACIONADAS AO MEIO AMBIENTE A grande concorrência e o acesso quase irrestrito às informações tornou o consumidor muito mais exigente, não apenas em relação a produtos e serviços com qualidade, mas também exigem que as empresas tenham responsabi- lidades sociais, econômicas e ambientais em sua atuação no mercado. Essa é uma tendência irrevogável, que só vai crescer. A demanda por produtos que não agridam o meio ambiente e que sejam economicamente viáveis será cada vez maior. Também há uma preocupação generalizada com os impactos da ati- vidade industrial sobre o meio ambiente. Essa é uma questão de so- brevivências da espécie humana que tende a unir nações de todo o planeta, ultrapassando as barreiras econômicas, sociais, políticas e culturais. Já ocorreramgrandes tragédias (Minamata, 1983; Three Mile Island, 1975; Bhopal, 1984; Chernobyl, 1986; Exxon/Valdez, 1989, etc) que demonstraram a seriedade desse problema. Em con- trapartida, esses acontecimentos vêm promovendo um amadureci- mento das preocupações empresariais em busca de harmonizar a preservação de recursos naturais com a atividade industrial. Por essa razão, as empresas devem comunicar à sociedade as medidas e os pro- jetos relacionados à preservação do meio ambiente que desenvolvem (PIMENTA, 2010, p. 134). IMPLEMENTANDO O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 158 - 159V CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final desta nossa unidade V, onde aprofundamos nossos conheci- mentos em nosso tema central (Comunicação Empresarial) e suas técnicas para melhorar o relacionamento e a comunicação com os públicos de interesse da organização. Mas, para isso, as empresas precisam valorizar as pessoas de uma organização, desenvolvendo sua cultura organizacional por meio da aprendiza- gem e da capacidade de inovar. Reforçamos o conceito da Comunicação Empresarial como ferramenta estratégica para as organizações atingirem seus objetivos, mas não apenas como algo a ser utilizado em momentos de crise, e sim como fator de organizacão nas empresas que têm o foco em uma administração estratégica, com base no pla- nejamento, e que tenham uma cultura de comunicação. Traçamos um paralelo entre a boa comunicação e a negociação eficiente. Aprendemos que se melhorarmos nossa comunicação, automaticamente desen- volveremos nossa capacidade de negociação. Na maioria das vezes os bons negociadores são bons comunicadores, aqueles que se expressam melhor, que se relacionam melhor, e apesar de muitos fazerem isso de forma instintiva, se trata de uma técnica que pode colaborar e muito para desenvolver nossas habilida- des de comunicação e persuasão para uma negociação eficiente. Vimos que existem modelos de comunicação que as organizações podem seguir e adequar as suas necessidades para implantar um sistema próprio de comunicação para a empresa, sendo fundamental o entendimento e o uso correto dos mode- los e tipos de comunicação, como também valorizar o uso adequado dos canais de comunicação disponíveis. Só assim os objetivos estratégicos e de comunicação podem ter um melhor alcance. Pouco resolve fazer comunicação em um canal errado, para o público inadequado e com uma linguagem pouco compreensível. Com os nossos estudos, sobretudo, ficou claro que a Comunicação Empresarial não pode e não deve estar à margem dos planejamentos organizacionais. Assim como não deve ser acionada apenas em momentos de crise. Ela (Comunicação Empresarial) colabora para criar uma imagem positiva e adequada da organi- zação, desde que a mesma, pratique e tenha como conduta aquilo que divulga aos seus públicos de interesse por meio da comunicação. Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 158 - 159 Concluímos que a organização que adotar uma estratégia de Comunicação Empresarial coerente com base nos estudos apresentados nesta unidade e em modelos e estudos ainda mais aprofundados disponíveis sobre o tema, poderá estar no caminho certo para transformar sua forma de comunicação e desenvol- ver um relacionamento aberto, positivo e duradouro com seus públicos. Espero ter contribuído também para uma transformação positiva em você, querido(a) aluno(a). Grande abraço! 160 - 161160 - 161 1. Diniz (2004) nos apresenta os três primeiros passos básicos para a boa comuni- cação: 1. Observar como o receptor compreende a mensagem; 2. Estabelecer sintonia (o “rapport”); 3. Analisar a negociação sob diferentes pontos de vista. Explique como cada um deles acontece. 2. A Comunicação interna é aquela que visa transmitir ao público interno ou cola- boradores internos da organização, com frequência e clareza, as ações, visões, missões e demais assuntos da organização. Cite e comente exemplos de ações de comunicação interna que pode ser praticadas nas organizações. 3. De acordo com Pimenta (2010), o plano integrado de Comunicação Empresa- rial deve estar relacionado com: construção da imagem institucional; adequação dos trabalhadores à competição do mercado; exigências dos consumidores mais conscientes dos seus direitos; defesa dos interesses da empresa; encaminha- mento de questões sindicais e ambientais. Explique cada um dos itens acima. 160 - 161160 - 161 ESTUDO REVELA QUE PROBLEMAS DE COMUNICAÇÃO INTERNA INTERFEREM NA PRODUTIVIDADE De acordo com os resultados do 8º Relatório Anual de Produtividade Proudfoot, as empresas brasileiras poderiam obter maiores ganhos em produtividade do que companhias de outros países, mas enfrentam vários entraves, como problemas de comunicação interna. De acordo com os resultados do 8º Rela- tório Anual de Produtividade Proudfoot, as empresas brasileiras poderiam obter maiores ganhos em produtividade do que companhias de outros países, mas enfrentam vários entraves, como proble- mas de comunicação interna. Os gestores brasileiros acreditam que suas empresas poderiam aumentar sua produtividade em 17,7% nos próximos dois anos, 4 pon- tos acima da média global e o nível mais alto relatado na pesquisa, que incluiu 1272 executivos de 12 países (Austrália, Canadá, Brasil, Rússia, Estados Unidos, China, França, Reino Unido, Alemanha, Índia, África do Sul e Espanha). Confirmando o otimismo dos executivos brasileiros, a pesquisa apontou que os gestores acreditam que suas empre- sas chegarão a atingir 85% destes ganhos potenciais de produtividade. Este otimismo poderia, contudo, mascarar a realidade, pois os trabalhadores brasi- leiros se mostram menos produtivos do que nos últimos anos. Uma análise reali- zada pela Proudfoot revelou que o tempo que os trabalhadores brasileiros gastam com atividades improdutivas subiu para 39,8% da semana de trabalho em 2007, o que equivale a dois dias inteiros de impro- dutividade semanais. Esta é uma alta de 8 pontos em relação aos índices de 2006. Apesar do aumento do tempo improdu- tivo dos funcionários, 94% dos gestores brasileiros pesquisados avaliam que a pro- dutividade de sua empresa está acima da média, os maiores índices de qualquer país listado na pesquisa. Os gestores no Brasil e nas outras econo- mias do BRIC se mostram mais otimistas sobre a capacidade de suas empresas obte- rem ganhos potenciais de produtividade do que os outros países em economias mais maduras. “Houve um aumento de produti- vidade significativo nas empresas em todo o mundo nos últimos anos,” afirmou Luiz Carvalho, CEO da Proudfoot, sediada em Atlanta. “Entretanto, o aspecto de maior destaque foi o desempenho de empre- sas nos mercados emergentes, inclusive o Brasil”. “O Brasil está tendo uma oportunidade excepcional,” observou Carvalho. “Se as empresas brasileiras conseguirem atingir estes ganhos potenciais de produtividade, haverá oportunidades extraordinárias para elas no Brasil, na América Latina e no mer- cado global. O fator decisivo para ter acesso 162 - 163 a estas oportunidades é solucionar e supe- rar as barreiras críticas para o aumento da produtividade”. Os gestores entrevistados em vários paí- ses citaram problemas com a mão de obra disponível e a falta de trabalhadores qua- lificados como o principal entrave a uma maior produtividade, seguidos por pro- blemas de comunicação interna, barreiras legislativas e regulatórias, baixa moral dos funcionários, alta rotatividade de pessoal e qualidade dos supervisores. Por outro lado, os gestores brasileiros cita- ramos problemas de comunicação interna como sendo a principal barreira para obter maior produtividade no mercado. Esta bar- reira foi mencionada por 47% dos gestores brasileiros, quase o dobro da média global. “Quando analisamos os problemas de comunicação interna no Brasil, descobri- mos que o ponto central do problema está na comunicação de cima pra baixo e na comunicação entre departamentos,” explicou Carvalho. “30% dos gestores bra- sileiros afirmaram ter dificuldades para se comunicar entre departamentos, o terceiro maior nível de qualquer país pesquisado, e o maior entre os países do BRIC. Da mesma forma, o Brasil se classificou em segundo lugar nos países pesquisados em relação a problemas com comunicação de cima para baixo”. A baixa moral dos funcionários e da moti- vação foi a segunda principal barreira aos ganhos de produtividade citada pelos gestores brasileiros. A seguir vieram os pro- blemas com as tecnologias de informação e de comunicação, a falta de vontade da ges- tão sênior em implementar programas de mudança, e a falta de alinhamento entre o desempenho do funcionário e métricas de bônus e objetivos corporativos. “É essen- cial que as empresas alinhem corretamente suas métricas de desempenho e planos de incentivo aos objetivos corporativos,” expli- cou João Currito, presidente da unidade brasileira da Proudfoot. “Se as métricas e programas de incentivo estiverem mal ali- nhados, você incentiva funcionários e gestores a se dedicar a atividades que vão à direção oposta de seus objetivos de negó- cio. Isso é contraproducente, e prejudica a capacidade da empresa de aprimorar sua produtividade em áreas-chave”. O estudo também revelou que os gestores brasileiros passam quase metade de seu tempo (49,5%) envolvidos em atividades administrativas, 7 pontos acima da norma global e o segundo maior índice entre os países pesquisados (a China ficou em primeiro lugar, com 50,5%). Em outras pala- vras, os gestores brasileiros passam quase 2,5 dias por semana envolvidos com tarefas administrativas. Quando indagados como prefeririam distribuir seu tempo, os ges- tores brasileiros sugeriram alocar 36,6% de seu tempo com tarefas administrativas. A diferença de 13 pontos entre o índice atual e o ideal pode ser uma das principais soluções para aumentar a produtividade do funcionário. “Nossa análise apontou uma correlação entre a maneira que os gesto- res alocam seu tempo e a produtividade do funcionário,” explicou Carvalho. “Se houver um aumento de 10 pontos no tempo que um gestor passa em supervisão ativa dos funcionários, ocorre um aumento de 2 pon- 162 - 163 tos no tempo produtivo do trabalhador. No Brasil, esta diferença de 13 pontos poderia ser traduzida em um aumento de 2,6% em produtividade de funcionários.” Os gesto- res no mundo inteiro passam apenas 7% de seu tempo supervisionando ativamente seus funcionários. Fonte: MELO, Pollyanna. Estudo revela que problemas de comunicação interna interferem na produtividade. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/noticias/administracao- -e-negocios/estudo-revela-que-problemas-de-comunicacao-interna-interferem-na-produtivida- de/19002/>. Acesso em: 01 fev. 2013. MATERIAL COMPLEMENTAR 164 - 165 IMPLEMENTANDO O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Comunicação estratégica para resultados Entrevista - As dimensões da comunicação, abordadas nesta entrevista, mostram como evitar interpretações equivocadas e desenvolver a fl uência verbal para agilizar as negociações e a execução de projetos. Fonte: HSM. Canal do Portal HSM no You Tube. http://www.youtube.com/watch?v=Bluk1OUp67Y Jerry Maguire - A grande virada Direção: Cameron Crowe Gênero: Comédia Sinopse: O fi lme conta a história de Jerry Maguire, um agente que cai em desgraça, e que acaba por manter apenas um cliente, um famoso e problemático jogador de futebol. Através desta relação, o fi lme discute aspectos como amizade, solidariedade e capacidade de mudar. Há muitas habilidades de um RP que podem ser vistas neste fi lme. CONCLUSÃO 164 - 165 Prezado(a) Acadêmico(a), procuramos trazer para você os principais conceitos a respeito de Comunicação Empresarial e Negociação. Para tanto, abordamos as de- finições teóricas e, neste aspecto, acreditamos que tenha ficado claro para você o quanto é estratégica a Comunicação Empresarial e o quão é importante a Nego- ciação para as organizações. Tão importante que está presente diariamente em nossas vidas, e vimos também os possíveis resultados que uma negociação pode alcançar, e o quanto é fundamental agir em busca de um resultado ganha-ganha em uma sociedade que, infelizmente proporciona muito mais resultados ganha- -perde. Além dos aspectos teóricos que contribuíram profundamente para o entendimen- to dos assuntos aqui abordados, trouxemos vários exemplos e técnicas para uma melhor compreensão sobre Comunicação Empresarial e Negociação. Importante também foi a abordagem ampla sempre buscando um contexto cultural, social e econômico que interfere em nossas relações pessoais e empresariais. Levantamos também aspectos históricos que nos levaram a chegar às formulações, processos e técnicas que hoje aplicamos nas organizações. Esse olhar para o passado para en- tender o presente e visualizar o futuro é algo inerente aos empreendedores que pensam em suas organizações como gestores eficientes e antenados. A questão ética também foi ressaltada, pois é essencial para aplicação dos conheci- mentos aqui apresentados. Ao pensarmos em uma organização voltada à adminis- tração estratégica, como aqui abordamos, e contemplando também a comunicação como cultura organizacional, temos que sempre levar em consideração o diálogo, o respeito e o ouvir nossos parceiros de trabalho, nossos colaboradores e todos aque- les que integram nossa equipe. A Comunicação Empresarial também nos trouxe as perspectivas de colocarmos nossa organização em uma posição aberta e de relação com todos os públicos de interesse. O que não pode ser diferente, pois vimos que a empresa que se fecha e foge do diálogo não tem chance na atual sociedade em rede, onde consumidores, acionistas, colaboradores e fornecedores estão o tempo todo conectados e que- rem sempre diálogos. Todos queremos ser ouvidos e as empresas abertas a isso têm mais chances de sucesso. Tratamos os elementos essenciais da Comunicação e de uma boa negociação, mas fomos muito além, aprofundando nos assuntos apresentados, e ousamos com a busca por temas atuais e de profundo reflexo nas organizações. Fizemos isso inspi- rados por você, querido(a) acadêmico(a) que busca o novo para inovar. A partir de agora acreditamos que você já está preparado(a) para seguir em frente desenvolvendo ainda mais suas habilidades para implantar a Comunicação Empre- sarial nas organizações e executar boas negociações. Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigado! CONCLUSÃO 166 - 167 REFERÊNCIAS 166 - 167 ALBUQUERQUE, Ricardo Azenha L.. Equipes Multidisciplinares e Projetos. Marin- gá: Cesumar, 2013. ARGENTI, Paul, P.. Comunicação Empresarial. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. BAHIA, Benito Juarez. Introdução à comunicação empresarial. Rio de Janeiro: Mauad, 1995. BUENO, Wilson da Costa. Comunicação Empresarial: políticas e estratégias. São Paulo: Saraiva, 2009. BURBRIDGE, Marc R. et al. 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