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Augusto Nishimura OS PAPÉIS DAS ORGANIZAÇÕES E DOS GESTORES Sumário AS ORGANIZAÇÕES PODEM VIVER ISOLADAS DO MUNDO? ��������������������������������� 4 O QUE É TER VISÃO SISTÊMICA? ������������������ 5 ENXERGAR O TODO, E NÃO SOMENTE AS PARTES! ���������������������������������������������������� 6 CRÍTICAS À TEORIA DA CONTINGÊNCIA ���� 12 DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL ���� 13 AS ORGANIZAÇÕES PODEM APRENDER?��� 15 QUAL É O PAPEL DOS GERENTES? �������������� 16 ADMINISTRAR É TOMAR DECISÕES! ���������� 17 O QUE PODEMOS APRENDER COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO DE CARROS? ���� 19 OS JAPONESES SÃO DIFERENTES DOS OUTROS? ������������������������������������������������������ 20 O SISTEMA TOYOTA DE PRODUÇÃO ����������� 22 COMO O AMBIENTE EXTERNO MOLDA A GESTÃO INTERNA DAS ORGANIZAÇÕES? �� 27 ONDE ESTAMOS E PARA ONDE VÃO AS IDEIAS EM ADMINISTRAÇÃO? �������������������� 32 2 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & CONSULTADAS �������������������������������������������� 36 3 AS ORGANIZAÇÕES PODEM VIVER ISOLADAS DO MUNDO? A resposta a essa pergunta parece ser óbvia, es- pecialmente conhecendo o contexto atual em que vivemos. Entretanto, na época em que surgiram as ideias de Taylor e Ford, a preocupação estava exclusivamente voltada para as questões internas da fábrica. Não havia a preocupação com o mer- cado, pois a demanda era maior que a oferta e, portanto, não havia a necessidade de competir por mercados. Bastava elevar a produtividade interna que os ganhos eram praticamente garantidos! Descubra aqui o que é Oferta e Demanda? SAIBA MAIS 4 https://www.dicionariofinanceiro.com/oferta-e-demanda/ O QUE É TER VISÃO SISTÊMICA? Você já percebeu que muitas organizações, ao buscar novos profissionais no mercado de tra- balho, exigem que os candidatos tenham “visão sistêmica”? Você saberia dizer exatamente o que isso quer dizer? Para ajudá-lo(a) nessa reflexão, convidamos você a estudar o conceito de Sistema e como é aplicado nas organizações. Visão Sistêmica é importante para todos! Visão Sistêmica: a análise dos novos tempos! SAIBA MAIS 5 https://administradores.com.br/artigos/visao-sistemica-e-importante-para-todos https://brasilescola.uol.com.br/economia/visao-sistemica-analise-dos-novos-tempos.htm ENXERGAR O TODO, E NÃO SOMENTE AS PARTES! A organização pode ser vista como um sistema. Quando uma empresa interage com outra empre- sa, significa que dois sistemas estão interagindo entre si. Quando elas se juntam, formam sistemas cada vez maiores. Aprofunde seu conhecimento sobre As redes de negócios: organizações interagindo com organizações. Essa noção das partes com o todo e saber como elas se relacionam é fundamental nessa perspec- tiva sistêmica. Conceitualmente, um sistema pode ser definido como “um conjunto de elementos in- teragentes e interdependentes relacionados cada um ao seu ambiente de modo a formar um todo organizado” (SILVA, 2014, p. 330). Agora vamos analisar visualmente a sua estrutura. Um sistema é composto pelos seguintes elementos: SAIBA MAIS 6 https://www.contabeis.com.br/artigos/5060/redes-de-negocios-por-que-apostar-nas-aliancas-estrategicas/ Figura 1: Ilustração de um sistema. Feedback PROCESSO Fonte: Elaboração própria. Em uma fábrica, as entradas representam os in- sumos de produção, que passam pelo processo produtivo de transformação e tem como saídas os produtos fabricados. O feedback é uma retroa- limentação, cujas informações são utilizadas para fins de controle ou reforço. Essa é a estrutura básica de um sistema. Mas, de que maneira diferentes sistemas se inter-rela- cionam? Vamos responder com um exemplo: do ponto de vista de uma fábrica de pneus, as saídas (produto final) são os pneus; por outro lado, sob a perspectiva das montadoras de carros, esses mes- mos pneus representam as entradas (insumos) no sistema de montagem de carros. Você consegue perceber que, dessa maneira, um sistema pode interagir com outro e, assim, constituírem sistemas cada vez maiores e complexos? 7 Figura 2: Ilustração de dois sistemas Sistema: Fábrica de Pneus Entradas Saídas Feedback Processo Entradas Saídas Feedback Processo Sistema: Montadoras de Carros Fonte: Elaboração própria. A Teoria Geral dos Sistemas foi desenvolvida pelo biólogo alemão Ludwig von Bertalanffy (1901- 1972), em que defendeu que um organismo não seria composto por elementos separados e que, ao invés de enfatizar somente na análise de cada elemento, era necessário considerar a inter-relação entre esses elementos. Para compreendermos melhor, analise as figuras abaixo. Basicamente, podemos classificar em dois tipos de sistemas: fechado e aberto. Figura 3: Ilustração dos sistemas fechado e aberto. Fechado Aberto A B C A B C Fonte: Elaboração própria. 8 Em um sistema fechado, há somente a interação interna, não havendo uma preocupação em es- tabelecer relação com o ambiente. Temos como exemplo, os princípios de Taylor, Ford e Fayol. Os princípios de Taylor, Fayol e Ford caracterizam sistemas fechados, onde estes são mecânicos, previsíveis e determinísticos, ou seja, suas partes funcionam dentro de uma lógica de causa e efeito. A administração científica focaliza as organiza- ções como se elas fossem entidades autônomas, absolutas e hermeticamente fechadas a qualquer influência vinda do ambiente externo. (OLIVEIRA et al., 2017) É importante ressaltar que Taylor, Ford ou Fayol não enxergavam necessariamente as organizações sob a perspectiva da Teoria dos Sistemas. Essa perspectiva foi considerada posteriormente, trazendo novos olhares para o mesmo fenômeno. Estamos, portanto, analisando e contrapondo ideias já estabelecidas a partir da lente de outras teorias que foram surgindo ao longo do tempo. FIQUE ATENTO 9 Em um sistema aberto, em contrapartida, há cons- tante interação entre as empresas. Os pesquisa- dores Daniel Katz e Robert Kahn, da Universidade de Michigan, foram defensores da aplicação dos conhecimentos sobre Sistemas nas organizações. Eles enxergavam as organizações como um sis- tema social, que interagem com o meio e sofre influências de variáveis incontroláveis do ambiente. Por isso, era muito difícil estabelecer fronteiras, uma vez que o indivíduo poderia pertencer a um ou mais sistemas sociais. Uma pessoa pode pertencer a quantos sistemas sociais? Por exemplo, um engenheiro pertence ao sistema social da empresa em que trabalha; do clube de tênis ao qual pertence; do condomínio onde mora; da instituição de ensino em que realiza sua pós-graduação; do grupo de amigos que se reúne semanalmente; da instituição filantrópica em que presta serviços voluntários, e sem esquecer-se do primeiro sistema social, que é a família! E você, com quais sistemas sociais você possui vínculo? Portanto, com o que acabamos de aprender, você conseguiria explicar a habilidade “visão sistêmi- ca” de um profissional, que é tão requerida pelas organizações? REFLITA 10 Acesse o Podcast 1 em Módulos Aprofunde no tema Visão Sistêmica. SAIBA MAIS 11 https://www.youtube.com/watch?v=m9uSL93pJR8 CRÍTICAS À TEORIA DA CONTINGÊNCIA Como podemos verificar, a Teoria da Contingência dá ênfase nas diferenças entre as organizações, mas deixa de lado a análise das semelhanças entre elas. Além disso, não identifica qual seria a variável externa mais significativa que influencia a organização (REBOUÇAS, 2012). 12 DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL O movimento da APO trouxe avanços significativos para o pensamento administrativo e fez surgiu outra abordagem: A Teoria do Desenvolvimento Organizacional. Trata-se de uma maneira de traba- lhar diversas visões ao mesmo tempo, buscando considerar as diferentes perspectivas e como elas podem ser agregadas para constituir um corpo de conhecimento. Essa perspectiva pode ser vista como um desdo- bramento da Teoria Comportamental, uma vez que ela trabalha a questão das mudanças na or- ganização, tanto em termos culturais, quanto em termos estruturais.Outro aspecto é a adaptação ao ambiente exter- no, devendo considerar os aspectos ambientais externos para que os ajustes internos ocorram. O Desenvolvimento Organizacional, portanto, dá respaldo a esse processo de adaptação. Se o ambiente está enfrentando rápidas mudanças, é necessário que as organizações possam se adaptar de maneira ágil e efetiva. Segundo Ribeiro (2016), os pressupostos dessa visão estão relacionados a: 13 y Constante e rápida mutação do ambiente: mudanças econômicas, sociais, tecnológicas que têm grande influência na empresa. y A necessidade de contínua adaptação: a or- ganização é um sistema dinâmico, em constante interação com um ambiente em rápida mutação, o que leva à necessidade constante de adaptação. y Interação entre organização e ambiente, indivíduo e organização, e objetivos individuais e organizacionais: um dos fatores mais impor- tantes para o sucesso da organização será a sua capacidade de interagir com o ambiente e produ- zir respostas rápidas às constantes mudanças ambientais; quanto maior a interação entre esses fatores mais fácil será sua adaptação. y Mudança organizacional planejada: a organi- zação precisa estar preparada para as mudanças e planejar com antecedência as que forem possí- veis. Esse processo deve ser contínuo dentro da empresa. 14 AS ORGANIZAÇÕES PODEM APRENDER? A resposta é sim! Um dos aspectos do Desenvol- vimento Organizacional é compreender que as organizações podem aprender. As pessoas que compõem a equipe aprendem individualmente e coletivamente, trazendo novas soluções e pers- pectivas para a organização. O primeiro passo é realizar o diagnóstico da situ- ação. Essa atividade é essencial para identificar os problemas e desvios que podem estar preju- dicando a eficiência e eficácia da organização. Uma vez realizado o diagnóstico, parte-se para a segunda etapa, que é a ação para a mudança. São estipuladas metas para levar a organização de uma situação atual para a desejada, por meio da reali- zação de planejamento conduzido pelas equipes. Por fim, na consolidação, busca-se a estabilização da nova situação, além da realização de análises constantes sobre essa nova situação alcançada. Aqui você pode ser aprofundar no Desenvolvimento Organizacional e Administração por Objetivos. SAIBA MAIS 15 https://www.youtube.com/watch?v=M9t1y9wTyco QUAL É O PAPEL DOS GERENTES? Vamos iniciar a nossa reflexão a partir do ponto de vista do gestor. Suponha que você acabou de ser promovido(a) à primeira posição de gerência de sua carreira. Trata-se, portanto, de um desafio que você deverá encarar e, para isso, deverá não somente gerenciar as questões técnicas, mas também liderar uma nova equipe. O que você faria? Para poder ajudá-lo(a) nessa resposta, vamos co- nhecer as diferentes perspectivas sobre a função e o papel dos gerentes nas organizações. 16 ADMINISTRAR É TOMAR DECISÕES! De acordo com o pesquisador Herbert Simon (1916-2001), administrar significa tomar decisões. Segundo ele, trata-se de um processo composto por três passos: análise do problema, identificação de alternativas, e tomada de decisão. Para ele, o gestor é aquele que toma decisões satisfatórias e cumpre os requisitos mínimos necessários para o alcance dos objetivos. Ele classificou esse pro- fissional como homem administrativo. Figura 4: Processo de decisão do homem administrativo. ANÁLISE DO PROBLEMA IDENTIFICAÇÃO DE ALTERNATIVAS ESCOLHA DA ALTERNATIVA Fonte: Elaboração propria. Além disso, há dois tipos de decisão: as progra- madas, que se repetem e são padronizadas; e as não programadas, que requerem dos gestores ha- bilidades de julgamento e criatividade para tomar decisões (MAXIMIANO, 2018). 17 Descubra aqui como fazer boas escolhas e tomar deci- sões em situações complexas. SAIBA MAIS 18 https://exame.com/colunistas/gestao-fora-da-caixa/como-fazer-boas-escolhas-e-tomar-decisoes-em-situacoes-complexas/ O QUE PODEMOS APRENDER COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO DE CARROS? Vamos agora mudar a nossa perspectiva de aná- lise. Se, por um lado, há a preocupação quanto à formação de gestores com habilidades para exe- cutar suas atribuições, tomar decisões e assumir diferentes papéis, por outro lado, a administração também se ocupa em compreender as soluções idealizadas pelos gestores que resultaram em importantes ganhos às organizações. Você se lembra de quando estudamos sobre as contribuições de Henry Ford para o mundo da admi- nistração? As inovações aplicadas em sua fábrica revolucionaram o processo produtivo na época e, até hoje, é possível identificar como as suas ideias estão sendo aplicadas nas organizações. Agora a novidade é que outra montadora de au- tomóveis, ao inovar em seu processo produtivo e na forma de como lidar com as empresas que fazem parte de sua cadeia produtiva, revolucionou novamente a área e trouxe um novo olhar sobre o processo produtivo. Vamos aprender sobre as ideias aplicadas pela empresa Toyota. 19 OS JAPONESES SÃO DIFERENTES DOS OUTROS? Toyota emplaca 7 entre os 10 modelos mais confiáveis dos EUA em 2017. Pesquisa realizada pela Consumer Reports teve como base a experiência de 400 mil proprietários. Realizado anualmente pela prestigiada publicação Con- sumer Reports, o ranking que reúne os modelos e marcas mais confiáveis dos Estados Unidos foi especialmente positivo para a Toyota nesta edição de 2017. Conforme divulgado pela revista, a gigante japonesa emplacou nada menos que 7 entre os 10 modelos mais bem avaliados pelos consumidores do país - ao todo foram 4 veículos próprios e 3 da divisão de luxo Lexus. Dois detalhes, em especial, chamam a atenção: alguns deles estão à venda no Brasil (como o SUV RAV4 e o sedã médio-grande ES) e nada menos que 9 são de origem asiática. (Fonte: https://motor1.uol.com.br/news/184166/ toyota-ranking-confiabilidade-eua-2017/.) Quando você pensa em um carro, um eletrônico ou qualquer produto fabricado por empresas japo- nesas, o que vem à sua mente? Há muito tempo, a qualidade de seus produtos, a durabilidade, a confiabilidade, dentre outros atributos, sempre foram destaque entre os consumidores do mundo. 20 Porém, você sabia que nem sempre foi assim no Japão? A montadora Toyota, que hoje é uma das gigantes do ramo automobilístico, teve de superar desafios devido às restrições encontradas, como falta de espaço físico e de mão de obra. A partir das novas ideias aplicadas para superar esses obstáculos, os gestores conseguiram emplacar um modelo produtivo que é até hoje imitado pelos seus concorrentes. Vamos conhecê-lo? 21 O SISTEMA TOYOTA DE PRODUÇÃO Você saberia dizer por que a Toyota revolucionou o modo de gerenciar as organizações? O que essa montadora fez de tão diferente daquilo que era aplicado até então? O Modelo Japonês de Gestão (MJG) tem sido apresentado como o contraponto moderno das técnicas tayloristas de administração de empresas. Por oposição ao trabalho parcelar, simples e seg- mentado, desenvolvido nas empresas tayloristas, o trabalho nas empresas japonesas é caracterizado como polivalente e politécnico. Em contraposição à contínua desqualificação da força de trabalho ocidental, o trabalhador japonês aparece em es- tado de permanente qualificação. Em confronto com a hierarquia de ferro das firmas tayloristas, as empresas japonesas são apontadas como mo- delos de gerência participativa. E mais. Intocados pelo desemprego provocado pela desqualificação taylorista do trabalho, os trabalhadores japoneses fazem carreira, têm seus salários reais reajustados periodicamente e seus empregos são assegurados por toda a vida (MALAGUTI, 1996, p.1). 22 Indo direto ao ponto, o sistema Toyota de produção revolucionou a forma de produção de automóveis. Pode-se dizer também que essa empresa influen- ciou e inspirou empresas de outros setores pela eficiência e eficácia de seu modelo de gestão. Mas como? Seu método de gestão trouxe inúmeros ganhos emeficiência e eficácia. Enfatizou muito a questão da qualidade e também da eliminação de desperdícios. Para reduzir os desperdícios, a Toyota implantou o método de produção flexível e o sistema just in time. Na produção flexível, o trabalhador necessita enten- der todo o processo de produção. Note que essa é uma perspectiva inversa daquela proposta por Taylor e Ford, em que o operário se especializava em uma função específica. O que o filme “Tempos Modernos”, estrelado pelo ator Charles Chaplin, trouxe de críticas ao sistema produtivo vigente em sua época? Confira aqui a análise crítica do filme. Neste outro link você pode assistir a um trecho do filme. REFLITA 23 https://blog.portaleducacao.com.br/analise-critica-do-filme-tempos-modernos-com-charles-chaplin/ https://www.youtube.com/watch?v=4PaGw4ZRmWY Um dos grandes desperdícios encontrados no sistema de produção era o acúmulo de estoque. Mas, você saberia dizer por que o estoque era con- siderado um desperdício, se o estoque de matéria prima, por exemplo, é necessário para alimentar o processo produtivo? Basicamente, a ideia era de que, se havia esto- que em demasia, significava que havia “dinheiro” parado e, por isso, representava um desperdício de recursos, que poderiam ser usados em outras questões mais importantes na empresa. Além dis- so, se havia estoque, era necessário haver espaço físico, ou seja, mais um custo que onerava todo o processo de produção. Pois bem, nesse aspecto, a Toyota inovou, quebrou paradigmas, revolucionou ao compreender que era necessário eliminar os estoques. Mas como eliminar os estoques, sem prejudicar a produção? A Toyota implantou o sistema just in time, em que a matéria prima deveria chegar ao local de produção no momento exato de sua produção. Basicamen- te, houve uma inversão da lógica da decisão em produzir ou não produzir. Se antes a produção era realizada para que houvesse estoque, para depois a empresa buscar compradores para os produtos já fabricados, agora esperava-se a realização do pedido formal de clientes para, só então, iniciar 24 a produção. Ou seja, é a chamada produção por demanda. Em outras palavras, no sistema tradicional, a produção é “empurrada” para frente, forçando a produção; no sistema de fluxo contínuo do tipo just in time, a produção é “puxada” a partir da demanda por aquele produto. Figura 5: Fonte: www.revistaespacios.com A figura 3 ilustra esse processo. Na produção em- purrada, os setores atuam de maneira isolada e não interligada, cada um atuando conforme as metas específicas de sua área. Note que há acúmulo de matéria prima e de estoques intermediários nos processos. Já na produção puxada, os setores trabalham em um único fluxo, eliminando estoques 25 https://www.revistaespacios.com/a15v36n14/153614010.html intermediários e possibilitando maior agilidade à produção. Para que esse processo desse certo, a Toyota se aproximou muito de seus fornecedores, selecio- nando poucos, porém com alto grau de sinergia e compromisso, para que as informações sobre as necessidades produtivas pudessem percorrer por toda a cadeia e possibilitar que os insumos fossem entregues somente no momento da produção de maneira coordenada e pontual. Aqui você pode conhecer o sistema Toyota de produção. Acesse o Podcast 2 em Módulos SAIBA MAIS 26 http://www.portal-administracao.com/2013/12/sistema-toyota-de-producao.html COMO O AMBIENTE EXTERNO MOLDA A GESTÃO INTERNA DAS ORGANIZAÇÕES? Como verificamos nas ideias clássicas de Taylor, Ford e Fayol, a preocupação estava voltada para os aspectos internos das fábricas, em que se buscava o aumento da eficiência. Com o passar do tempo, novas perspectivas foram surgindo, dando espaço ao pensamento administrativo que considerava a influência externa, moldando a organização inter- namente, conforme defendem as teorias contin- gencial e sistêmica. Pode-se dizer que houve uma migração do foco interno para o foco externo e, atualmente, considera-se que a empresa é uma organização complexa, que sofre influência e é capaz de influenciar de diversas maneiras. As organizações foram se desenvolvendo e seus impactos na sociedade também foram crescendo. Além dos inúmeros benefícios, isso também tem trazido consequências para a sociedade. Elas são chamadas de externalidades. As externalidades podem ser positivas ou negativas. 27 Descubra aqui o que são externalidades positivas e negativas. Essas consequências têm levado a sociedade a discutir e questionar as atitudes de algumas empresas e, diante dessa pressão, essas organi- zações tiveram de se adaptar aos novos tempos. A questão da ética empresarial, responsabilidade social empresarial e responsabilidade ambiental são assuntos recorrentes e que muitas organiza- ções têm buscado atender e incorporar em sua missão e valores. Muitas disfunções do sistema empresarial levaram também ao surgimento de novos conceitos na área empresarial. A Enron, gigante empresa americana do setor de energia, solicitou, em 2001, a concor- data de suas operações, em função de uma séria crise ética que envolveu bancos para manipular dados financeiros. A partir da quebra da empresa, que marcou o período, foram descobertas novas fraudes em outras empresas, impulsionando a aplicação das ideias de Governança Corporativa nas organizações. SAIBA MAIS 28 https://www.youtube.com/watch?v=IaTQS2FXCpo O caso Enron. Segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa: Governança corporativa é o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacio- namentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas. As boas práticas de governança corporativa con- vertem princípios básicos em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor econômico de lon- go prazo da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para a qualidade da gestão da organização, sua longevidade e o bem comum. A Governança Corporativa, portanto, possui prin- cípios amplamente divulgados pelo mundo que regulamentam como as organizações devem ser geridas. Cabem a elas considerar todos os atores que interagem ou sofrem influência da ação da organização. Esses atores são conhecidos como stakeholders, que podem ser pessoa física (clien- SAIBA MAIS 29 https://www.youtube.com/watch?v=5MpNETAVLUM tes, funcionários), pessoa jurídica (fornecedores, clientes), governos, entidades, etc., ou seja, são as partes interessadas nesse processo. Os princípios básicos são quatro: (1) transparência; (2) equida- de; (3) prestação de contas; (4) responsabilidade corporativa. Aprofunde-se sobre os Princípios da Governança Corporativa. Com relação à Responsabilidade Social Corpora- tiva, o entendimento mais difundido baseia-se na integração de três variáveis: a econômica, a social e a ambiental, conhecida como Triple Bottom Line, o tripé do desenvolvimento sustentável: Dados apontam que 68% das multinacionais da Europa Ocidental fazem seus relatórios nesse esquema, medindo resultados em termos sociais, econômicos e ambientais, enquanto nos EUA a porcentagem é de 41%. Por enquanto, nenhuma empresa é obrigada por lei a apresentar seus re- sultados dessa maneira, é uma escolha da própria organização comprometida com o desenvolvimento sustentável. SAIBA MAIS 30 https://www.ibgc.org.br/governanca/governanca-corporativa https://www.ibgc.org.br/governanca/governanca-corporativa (Fonte: http://www.administradores.com.br/noti- cias/negocios/o-que-e-triple-bottom-line/102114. Acesso em: 27 dez. 2018. Figura 6: Tripé do desenvolvimento sustentável. Social EconômicaAmbiental Fonte: Elaboração própria. A responsabilidade social corporativa e a respon- sabilidade ambiental são contempladas nesse modelo, em que os resultados empresariais são mensurados a partir dessastrês dimensões. Basi- camente, as organizações podem buscar lucros, de maneira sustentável e que respeitem as dimensões sociais e ambientais. 31 http://www.administradores.com.br/noticias/negocios/o-que-e-triple-bottom-line/102114 http://www.administradores.com.br/noticias/negocios/o-que-e-triple-bottom-line/102114 ONDE ESTAMOS E PARA ONDE VÃO AS IDEIAS EM ADMINISTRAÇÃO? A Estratégia Empresarial é um tema atual e muito utilizado nas organizações. A ideia partiu das estratégias de guerra, em que exércitos tomavam decisões e realizavam ações em função do mo- vimento do oponente. Apesar de a concorrência entre empresas não envolver embate armado, como ocorria nas guerras, a noção de que era preciso fazer a leitura do todo e tomar decisões também em função da ação do outro passou a fazer parte do dia a dia das organizações. Segundo Maximiano (2018), a prática da estratégia pode ser estudada com base em quatro perspec- tivas distintas: Tabela 1: Quatro perspectivas da prática estratégica. PARADIGMA DO MERCADO Esta perspectiva (ou modelo), que se origina de economistas, enfatiza a ação das variáveis externas à em- presa. Baseia-se na premissa de que o ambiente, ou seja, a organização ou estrutura do ramo de negócios, é o fator principal na escolha que as empresas fazem das estratégias para serem competitivas, muito mais do que as decisões internas. 32 VISÃO BASEADA EM RECURSOS Esta perspectiva enfatiza a ação das variáveis internas à empresa. Nesse modelo, os recursos de todos os tipos são valorizados e mobilizados como principais determinantes na formu- lação e implantação de estratégias organizacionais. MODELO DE NEGÓCIOS O modelo de negócios é uma das perspectivas mais recentes sobre a estratégia das empresas. É mais que um modelo - é uma ferramenta que faz a integração sistêmica de muitas variáveis da empresa para transfor- má-las em guia de análise e decisão sobre estratégia e competitividade. ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA Esta perspectiva também é instru- mental e oferece um roteiro para o processo de planejar a estratégia, com base na análise SWOT. A estratégia é planejada e executada por meio de liderança, comunicação, planejamen- to operacional e trabalho nas áreas funcionais. Os resultados da execução da estratégia são avaliados e o ciclo planejamento-execução-controle se repete. Fonte: Elaboração própria. O planejamento estratégico empresarial é uma ferramenta que possibilita realizar análises do ambiente interno, identificando os pontos fortes e fracos; e do ambiente externo, mapeando as oportunidade e ameaças atuais e futuras. Por meio dessas informações, os gestores descre- vem possíveis cenários futuros e, assim, adotam estratégias para cada situação. Após a definição 33 das estratégias, elas devem ser desdobradas em ações nos demais níveis organizacionais. Outro assunto bastante comum nos dias atuais é o empreendedorismo. Segundo Maximiano (2018), empreendedor é aquele que assume riscos para lançar uma empresa no mercado. Também é conhecido como um perfil ou comportamento em que o indivíduo mobiliza recursos para iniciar uma organização. Empreendedor por necessidade e por oportunidade. Há diferença? Confira aqui. Além disso, com a emergência da internet, globali- zação e novas formas de organização do trabalho, diferentes perspectivas emergiram para dar conta dessas novas necessidades. A administração no mundo digital tem como desafio gerenciar as ati- vidades em um ambiente em que a tecnologia da informação avança rapidamente e a inteligência artificial é incorporada no dia a dia das organiza- ções. Surgem novas formas de trabalho, como home office e trabalho colaborativo, além das profissões que tendem a ser substituídas pela automação. Cabe, portanto, aos profissionais e SAIBA MAIS 34 https://andrebona.com.br/empreender-por-oportunidade-ou-necessidade/#:~:text=Empreender%20por%20oportunidade%2C%20portanto%2C%20significa,falta%20de%20melhores%20alternativas%20profissionais. às organizações estarem atentos às mudanças e antecipar tendências. Como o futuro é construído pela própria sociedade, é papel dos gestores par- ticipar ativamente desse processo de mudança, assim como fizeram os profissionais, os estudiosos e as organizações que estudamos aqui. Confira o vídeo sobre o futuro da Administração. SAIBA MAIS 35 https://www.youtube.com/watch?v=x_bIwEE3pVI Referências Bibliográficas & Consultadas AGUNDES, Jair Antonio. et al. Estrutura Organizacional e Gestão sob a Ótica da Teoria da Contingência. Gestão e Regionalidade, v.26, n.78, 2010. Disponível em: http://seer.uscs.edu.br/ index.php/revista_gestao/article/view/792/842. Acesso em: 17 jan. 2019. MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Teoria Geral da Administração: da revolução urbana à revolução digital. São Paulo: Atlas, 2018. OLIVEIRA, Felipe Martins de. et al. Sistemas organizacionais abertos e fechados: a dicotomia existente no contexto da ergonomia. Revista Espacios, v.38, n.12, 2017. Disponível em: http://www.revistaespacios.com/a17v38n12/ a17v38n12p16.pdf. Acesso em: 27 dez. 2018. REBOUÇAS, Djalma de Pinho Rebouças de. Teoria Geral da Administração: uma abordagem prática. São Paulo: Atlas, 2012. RIBEIRO, Antonio de Lima. Teorias da Administração. São Paulo: Saraiva, 2016. SILVA, Reinaldo O. Teorias da Administração. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. http://seer.uscs.edu.br/index.php/revista_gestao/article/view/792/842 http://seer.uscs.edu.br/index.php/revista_gestao/article/view/792/842 http://www.revistaespacios.com/a17v38n12/a17v38n12p16.pdf http://www.revistaespacios.com/a17v38n12/a17v38n12p16.pdf MALAGUTI, M. L. A ideologia do modelo japonês de gestão. Ensaios FEE, Porto Alegre, (17)1:43-73, 1996. 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Os japoneses são diferentes dos outros? O sistema Toyota de Produção Como o ambiente externo molda a gestão interna das organizações? Onde estamos e para onde vão as ideias em administração? Referências Bibliográficas & Consultadas