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DOR ABDOMINAL
JULHO - 2020
Henrique Souza
Proctologista – Hospital São Rafael
Introdução
Abdome = Do latim Abdere
Esconder, escondido
Por que estudar dor abdominal?
5 % das queixas na emergência
10 % das dores abdominais ameaçam a vida ou são urgências cirúrgicas
Fisiopatologia
Dor visceral
Fibras não mielinizadas
Dor difusa, fracamente relacionada com a víscera afetada
Dor parietal
Fibras mielinizadas
Dor resultante de irritação do peritônio parietal, melhor relacionada com a víscera afetada
Dor referida
Dor não relacionada topograficamente com a víscera comprometida
Causa abdominal dor extra-abdominal X dor abdominal + causa extra- abdominal
Etiologia pela Localização
	HIPOCÔNDRIO DIREITO:
Péptica, biliar, hepática, pulmonar, renal, de parede abdominal.	EPIGÁSTRIO:
Péptica, pancreática,
biliar, esofágica, cardíaca.	HIPOCÔNDRIO ESQUERDO
Origem péptica, esplênica,
pancreática, renal, pulmonar, colônica.	QUADRANTE INFERIOR DIREITO
Origem em apêndice, rins, ap. ginécológicas, hérnias.
	PERIUMBELICAL
Origem em apêndice, intestino,
isq.mesentérica,
dissecção de aorta.
	QUADRANTE INFERIOR ESQUERDO
Origem intestinal, renal, ginecológica, por hérnias	SUPRA – PÚBICA
Origem intestinal, inflamatória, urinária, ginecológica.	DIFUSA
Diversas causas sistêmicas, gastrointestinais, vasculares.
	 Péptica
 Biliar
 Hepática
 Pulmonar
 Renal
 Parede abdominal	 Péptica
 Pancreática
 Biliar
 Esofágica
 Cardíaca	 Péptica
 Esplênica
 Pancreática
 Renal
 Pulmonar
 Colônica
		Apêndice
 Intestino 
Isq. Mesentérica
 Dissecção de aorta	
	Apêndice
 Renal
 Ginecológicas
 Hérnias		 Intestinal
 Renal
 Ginecológica
 Hérnias
		Intestinal
 Inflamatória
 Urinária
 Ginecológica
	
Anatomia
5
Fígado? Vesícula biliar? Pleura?
Apêndice?
Ovário?
Tuba Uterina?
Pâncreas? Estômago?
Baço? Miocárdio? 
Ceco? Sigmoide? Ovário? Tuba uterina?
QSD
QSE
QID
QIE
Sistematização do Atendimento
Anamnese
Exame físico
Exames Complementares
Sistematização do Atendimento
Investigação da Dor
Anamnese
Súbita (causa cirúrgica?) X Crônica
Difusa? Quadrantes?
Queimor? Aperto? 
Alimentação? Esforço?
Início
Local
Intensidade
Evolução
Característica
Fator de melhora
Fator de piora
Sistematização do Atendimento
Antecedentes médicos
Episódios prévios
Histórico familiar
Histórico de cirurgias
Histórico de coledocolitíase
Doenças de base
Hábitos de vida
Sintomas Associados 
Anamnese
Febre
Náuseas/vômitos
Diarreias
Obstipação
Disfagia
 Sinais vitais
 Aparência do paciente
 Pele e mucosa
 Exame cardíaco e pulmonar
Exame físico
Sistematização do Atendimento
 Inspeção, ausculta e percussão abdominal
 Palpação
 Exame da região dorsal
 Exame retal 
Peculiaridades: mulheres/homens
Sistematização do Atendimento
Exame físico
Sistematização do Atendimento
Manobras na dor abdominal
Exame físico
Sinal de Murphy
Sinal de Rovising
Sinal do Psoas
Sinal do Obturador
Blumberg positivo
Giordano
Sistematização do atendimento
Laboratoriais:
Gerais
Hemograma
Eletrólitos
Glicose
Função renal
Ureia 
Creatinina
Perfil/Função Hepática
Transaminases
Fosfatase alcalina
Bilirrubina
ß-HCG
Exames Complementares
Gasometria
13
 Pneumoperitôneo
 Obstrução intestinal
 Corpo estranho
 Pneumonia
Imagem
Sistematização do atendimento
Raio-X
US
TC
Sistematização do atendimento
Sessão Dor Abdominal - LAEME
14
 Cálculos biliares
Avaliação de vias biliares
Anormalidade de ovários, anexos e útero
 
Abscessos intra-abdominais
Imagem
Raio-X
US
TC
Sessão Dor abdominal - LAEME
15
 Litíase renal
 Dissecção de aorta
 Apendicite
 
 Diverticulite
 
 Laceração esplênica ou hepática
Sistematização do atendimento
Imagem
Raio-X
US
TC
Dor Abdominal Difusa
A expressão “abdome agudo refere-se a sinais e sintomas de dor e sensibilidade abdominal, manifestação clínica que, em geral, requer terapia cirúrgica de emergência. Dada a natureza potencialmente cirúrgica do abdome agudo, uma avaliação rápida é necessária.. 
LIVRO: ABDOME AGUDO
O termo abdome agudo descreve uma situação
emergencial, caracterizada pelo aparecimento
abrupto de sintomas abdominais, em geral graves,
sugerindo uma evolução potencialmente fatal. Diante
desse quadro dramático, a essência da abordagem
do paciente é realizar o diagnóstico de forma
precisa o mais rapidamente possível. Tais atitudes
podem determinar o prognóstico e evitar seqüelas
Irreversíveis. Dessa forma, alguns autores sugerem a denominação
“dor abdominal aguda de 1 a 72 horas”,
já que sintomas por períodos maiores ou menores
em geral não necessitam de diagnósticos imediatos
e/ou tratamentos de urgência.
Surgical abdomen — The first diagnoses that must be considered in patients with acute abdominal pain are
those that may require urgent surgical intervention. The 'surgical abdomen' can be usefully defined as a
condition with a rapidly worsening prognosis in the absence of surgical intervention. Two syndromes that
constitute urgent surgical referrals are obstruction and peritonitis. The latter encompasses most severe
abdominal pathology since intraperitoneal hemorrhage or viscus perforation typically present with common
features of peritonitis.
Subsequent diagnostic testing — Patients clearly in need of urgent surgical intervention may proceed
directly to the operating room for diagnosis and management, and some patients will need no further
preoperative assessment because of a clear history consistent with surgical disease.
CLASSIFICAÇÃO
Em função de suas características fisiopatológicas,
diagnósticas e terapêuticas semelhantes, a
maior parte dos casos pode ser classificada em cinco
grandes síndromes. Em certos casos, podem
ocorrer mecanismos associados, dificultando ainda
mais sua abordagem e tratamento.
SÍNDROME INFLAMATÓRIA
• Apendicite aguda;
• Colecistite aguda;
• Pancreatite aguda;
• Diverticulite dos colos;
• Doença inflamatória pélvica;
• Abscessos intracavitários;
• Febre do Mediterrâneo.
SÍNDROME DE PERFURAÇÃO
• Úlcera péptica;
• Câncer gastrointestinal;
• Processos inflamatórios intestinais (febre tifóide, amebíase, doença de Crohn etc.);
• Perfuração de divertículos de colo;
• Perfuração de apendicite;
• Perfuração de vesícula biliar.
SÍNDROME OBSTRUTIVA
• Obstrução pilórica;
• Hérnias;
• Bridas;
• Por Áscaris, corpos estranhos, cálculo biliar etc.;
• Vôlvulo;
• Intussuscepção intestinal.
SÍNDROME HEMORRÁGICA
• Prenhez ectópica;
• Rotura de aneurisma de aorta abdominal;
• Cisto hemorrágico de ovário;
• Rotura de baço;
• Endometriose;
• Necrose tumoral.
SÍNDROME DE OCLUSÃO VASCULAR
• Trombose da artéria mesentérica;
• Torção do grande omento;
• Torção do pedículo de cisto ovariano;
• Infarto esplênico.
16
ABDOME AGUDO
Obstrutivo
Inflamatório
Isquêmico
Hemorrágico
Perfurativo
Abdome Agudo
Perfurativo
Uma das sintomas mais frequentes entre as urgências abdominais. Terceira causa mais frequente de abdome agudo, após obstrutivo e inflamatório. Mortalidade de 8 a 10%.
Anamnese:
Investigar: gastrite, doença ulcerosa péptica prévia, neoplasias, uso de AINES, trauma
Sinais e Sintomas:
Início da dor: abrupto (avaliar se houve predominância de algum quadrante, inicialmente), forte intensidade
Sepse, hipotensão ou choque podem estar presentes
Sinais evidentes de peritonite: dor à palpação superficial, RHA ↓
Hipertimpanismo à percussão (Sinal de Jobert)
Exames Laboratoriais:
Hemograma 
Eletrólitos
Gasometria arterial
Hemocultura (sepse)
Urina tipo 1
Exames de Imagem:
Raio-X de abdome 
TC de abdome
Tratamento:
Pré-cirúrgico:
Reposição volêmica
Iniciar ATB
Laparotomia
Achei que faltou um pouco mais do quadro clínico... Apesar de que, todas as dores abdominais do abdome agudo vão se manifestar como difusas... Aqui, talvez, seja interessante perguntar como foi a evolução da dor (pode ser uma etiologia inflamatória que evoluiu com isquemia e perfuração), evidenciar se há diagnóstico de doença ulcerosa péptica, ou se o paciente possui histórico de azia, regurgitação, dor epigástrica...
COMENTÁRIOS FINAIS
1.O abdome agudo perfurativo é a terceira síndrome
abdominal aguda mais freqüente, vindo
após o inflamatório e o obstrutivo.
2. A perfuração pode ocorrer em peritônio livre
com peritonite difusa ou então se apresentar de
forma bloqueada.
3. A peritonite decorrente da perfuração pode ser
química ou infecciosa, havendo diferenças
quanto ao nível do tubo digestivo onde ela
ocorreu.
4. Os dados de história e o exame físico definem
ou sugerem o diagnóstico de perfuração.
5. Quando se pensa em abdome agudo perfurativo,
o exemplo clássico é a úlcera perfurada
que, apesar dos avanços na terapêutica clínica,
ainda é observada com freqüência significativa.
6. A presença do pneumoperitônio na radiografia
simples de abdome ou tórax confirma o diagnóstico.
A ausência de pneumoperitônio não exclui
a perfuração.
7. Na suspeita de perfuração gastroduodenal,
quando não confirmada pelo exame radiológico,
a realização da esôfago-gastroduodenoscopia
auxilia no diagnóstico.
8. A videolaparoscopia pode ser empregada como
procedimento diagnóstico em casos duvidosos
e, dependendo da etiologia, permite também o
tratamento.
9. O tratamento é operatório e tem por objetivo a
sutura da perfuração ou a ressecção da área
comprometida, dependendo da etiologia.
10. Nas perfurações do intestino delgado, pratica-se
a ressecção com anastomose primária. Esta deve
ser evitada na vigência de peritonite avançada
com comprometimento sistêmico ou em função
da afecção que provocou a perfuração.
11. Nas perfuraçôes do colo, a opção é a ressecção
com colostomia. Excepcionalmente, pode ser
realizada a anastomose primária.
12. A antibioticoterapia é iniciada no pré-operatório,
podendo ser preventiva (curta duração) ou
terapêutica, dependendo do achado operatório.
13. O prognóstico depende do local e da causa da
perfuração, do tempo de evolução da doença,
da idade e de condições locais da cavidade e
sistêmicas do doente.
O abdome agudo perfurativo é uma das síndromes
mais freqüentes entre as urgências abdominais
não-traumáticas. A perfuração de vísceras ocas
pode ocorrer devido a processos inflamatórios (úlceras
pépticas, doenças inflamatórias intestinais),
neoplásicos e infecciosos do aparelho digestivo (infecções
por Salmonella tiphy, citomegalovírus, tuberculose
intestinal etc.) ou a uso de medicamentos
(antiinflamatórios). Pode ainda ser decorrente
da ingestão de corpos estranhos, traumatismos e iatrogenias
(procedimentos diagnósticos e terapêuticos).
Ainda hoje, a mortalidade da perfuração visceral
se encontra entre 8 e 10%.
Excluindo o trauma, várias são as causas que determinam
a perfuração de víscera oca (Tabela 6.1).
A análise da história e do surto agudo atual, associada
a exames complementares, permite o
diagnóstico etiológico em um número expressivo
de casos. Uma vez feito o diagnóstico, o doente é operado,
e a conduta intra-operatória é ditada pelo
local da perfuração, por sua etiologia, pelas condições
gerais do doente e condições locais da cavidade
peritoneal.
De modo geral, o quadro clínico é caracterizado
pelos seguintes parâmetros:
• Intervalo curto entre o início da dor e a chegada
ao serviço de emergência;
• Dor súbita, de forte intensidade, com difusão rápida
para todo o abdome;
• Sinais de sepse, hipotensão ou choque estão freqüentemente
presentes;
• No exame do abdome, há sinais evidentes de peritonite: Peritonitis — Patients with peritonitis of any cause tend to "look sick" and lie still to minimize their discomfort. They may receive little benefit from analgesics. abdominal wall rigidity and tenderness elicitable by percussion or very
light palpation are also often overlooked features consistent with a surgical abdomen. Other subtle signs of
peritonitis that can be pursued include diminished bowel sounds and pain worsened when an examiner lightly
bumps the stretcher.
In the presence of fever or unstable vital signs, blood and urine cultures should be performed.
While these laboratory tests are important, they are not sufficient to rule in or rule out a diagnosis of surgical
abdomen, as a surgical abdomen is a clinical diagnosis.
Abdominal radiographs (including a plain radiograph and an upright or lateral decubitus radiograph) are a crucial
step in decision making for the suspected surgical abdomen, as proximally dilated loops of bowel are the
hallmark of intestinal obstruction, and free intraperitoneal air can confirm a suspicion of hollow organ perforation.
Peritonitis in the absence of perforation or obstruction may not yield any conclusive radiographic findings.
Where CT scanning is immediately available and necessary for further evaluation, as described below,
abdominal plain films are not necessary, as they do not provide additional information.
ausência de macicez hepática (sinal de
Jobert) e de ruídos hidroaéreos.
A intensidade dos sintomas e a gravidade do
quadro clínico dependerão do local e do tempo
de evolução da perfuração, do tipo de secreção
extravasada e das condições do doente. Inicialmente,
ocorre uma inflamação peritoneal de natureza
química, principalmente nas perfurações
altas do trato digestivo, seguida de invasão bacteriana
secundária e progressivo processo infeccioso,
com repercussões locais e sistêmicas. Em
relação ao intestino grosso, a peritonite é séptica
desde o início.
Uma série de parâmetros devem ser levados
em consideração no diagnóstico e na avaliação do
doente portador de abdome agudo perfurativo:
• Peritonite química ou bacteriana;
• Nível da perfuração;
• Tempo de evolução da perfuração;
• Manifestações sistêmicas ou abdominais exclusivas;
• Perfuração bloqueada ou em peritônio livre;
• Etiologia da perfuração.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
É inespecífico, mas há outras possibilidades de
diagnóstico auxiliar.
Quando o quadro clínico não é característico,
ou mesmo é obscuro, tem-se procurado o emprego
de métodos complementares no diagnóstico etiológico
da afecção abdominal de urgência, levando-se
em consideração os custos e a racionalidade de
sua utilização.
Quando todos os métodos falham na demonstração
do pneumoperitônio e a dúvida persiste,
o exame endoscópico pode contribuir para
o diagnóstico das perfurações do trato digestivo
alto (estômago e duodeno). Um recurso atual que possibilita não só o
diagnóstico diferencial como o tratamento de
muitos casos de abdome agudo perfurativo é a
videolaparoscopia.
Todos os meios propedêuticos são válidos,
mas o diagnóstico se apóia na história clínica minuciosa,
no exame físico criterioso e na experiência
do cirurgião.
DIAGNÓSTICO RADIOLÓGICO
— DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
INTRODUÇÃO
A característica radiológica de perfuração de
víscera oca é a presença de ar e/ou líquido na cavidade
peritoneal, no retroperitônio e, com menor
freqüência, nas paredes de órgãos e outras estruturas.
A perfuração de uma víscera oca leva à formação
de pneumoperitônio em 75% a 80% dos casos.
Os casos nos quais não ocorre pneumoperitônio são
devidos ao bloqueio do local da perfuração ou à
ausência de gás no segmento da víscera perfurada.
Além disso, o erro metodológico também pode contribuir
para a não-detecção do pneumoperitônio.
Na radiografia simples do abdome, pequenas
quantidades de gás extraluminar podem ser detectadas,
fazendo com que esse exame tenha importante
papel. O gás livre pode também ser detectado
através da tomografia computadorizada
(TC) e da ultra-sonografia. A ressonância nuclear
magnética é um método pouco utilizado na avaliação
do abdome agudo perfurativo, devido a elevada
acurácia, disponibilidade e menor custos dos
demais métodos.
17
A DO CASO, PARA NÃO DEIXAR DÚVIDAS
RADIOGRAFIA SIMPLES DO ABDOME
A detecção de ar livre intraperitoneal é um valioso
sinal de abdome agudo perfurativo. As radiografias
padrão para o diagnóstico de penumoperitônio
são de tórax em ortostática, com incidência
anteroposterior, e com o raio central apontando no
nível das hemicúpulas, e em decúbito lateral esquerdo
com raios horizontais. Já foi demonstrado
que esse exame pode ser sensibilizado a ponto de
ser detectado tão pouco quanto 1 a 2ml de ar, se o
pacientepermanecer em decúbito lateral esquerdo,
por 10 a 20 minutos, e em ortostática, por dez minutos,
antes de a radiografia ser realizada.
O gás livre na cavidade abdominal na radiografia
em posição ortostática pode ser coletado logo
abaixo do diafragma, entre o fígado, ou o estômago,
e o diafragma. O gás na radiografia em decúbito lateral
esquerdo coleta-se entre o fígado e a parede abdominal lateral.
18
RADIOGRAFIA SIMPLES DO ABDOME
A detecção de ar livre intraperitoneal é um valioso
sinal de abdome agudo perfurativo. As radiografias
padrão para o diagnóstico de penumoperitônio
são de tórax em ortostática, com incidência
anteroposterior, e com o raio central apontando no
nível das hemicúpulas, e em decúbito lateral esquerdo
com raios horizontais. Já foi demonstrado
que esse exame pode ser sensibilizado a ponto de
ser detectado tão pouco quanto 1 a 2ml de ar, se o
paciente permanecer em decúbito lateral esquerdo,
por 10 a 20 minutos, e em ortostática, por dez minutos,
antes de a radiografia ser realizada.
O gás livre na cavidade abdominal na radiografia
em posição ortostática pode ser coletado logo
abaixo do diafragma, entre o fígado, ou o estômago,
e o diafragma. O gás na radiografia em decúbito lateral
esquerdo coleta-se entre o fígado e a parede abdominal lateral.
19
RADIOGRAFIA SIMPLES DO ABDOME
A detecção de ar livre intraperitoneal é um valioso
sinal de abdome agudo perfurativo. As radiografias
padrão para o diagnóstico de penumoperitônio
são de tórax em ortostática, com incidência
anteroposterior, e com o raio central apontando no
nível das hemicúpulas, e em decúbito lateral esquerdo
com raios horizontais. Já foi demonstrado
que esse exame pode ser sensibilizado a ponto de
ser detectado tão pouco quanto 1 a 2ml de ar, se o
paciente permanecer em decúbito lateral esquerdo,
por 10 a 20 minutos, e em ortostática, por dez minutos,
antes de a radiografia ser realizada.
O gás livre na cavidade abdominal na radiografia
em posição ortostática pode ser coletado logo
abaixo do diafragma, entre o fígado, ou o estômago,
e o diafragma. O gás na radiografia em decúbito lateral
esquerdo coleta-se entre o fígado e a parede abdominal lateral.
20
21
SINAL DE RIGLER
ABORDAR?
A radiografia feita em decúbito dorsal, como
dito anteriormente, tem sensibilidade inferior na
detecção de pneumoperitônio. Freqüentemente, ela
pode ser a única incidência radiográfica possível,
logo é essencial a familiarização com os sinais de ar
livre que podem aparecer nas radiografias obtidas
nessa incidência. São eles:
1. Sinal de Rigler. É a visualização da parede
gástrica ou intestinal pela presença de gás na
luz e na cavidade peritoneal. Pode ser simulado
quando duas alças intestinais distendidas
por gás aparecem unidas na radiografia e por
gordura intraperitoneal adjacente à parede da
alça (Fig. 6.3).
2. Sinal do ligamento falciforme. O gás livre tende
a delinear estruturas que normalmente não são
observadas na radiografia convencional, como
as reflexões peritoneais e os ligamentos (por
exemplo, o ligamento falciforme do fígado, os
ligamentos umbilicais e o úraco). Quando a
cavidade está distendida com ar, o ligamento
se torna radiograficamente aparente, às vezes
na radiografia simples e com freqüência na tomografia
computadorizada (Fig. 6.4).
O quadrante superior direito é o local onde o ar
livre intraperitoneal é visto com maior freqüência
na radiografia simples. Portanto, essa região deve
ser avaliada cuidadosamente, e qualquer radioluscência
fora do trato gastrointestinal deve ser analisada
com suspeição, requerendo maior avaliação.
22
TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA
A tomografia computadorizada, como a radiologia
convencional, é excelente para a detecção de gás
livre na cavidade abdominal. A localização precisa e
a distribuição de gás e líquido livre fornecem chaves
da natureza do processo patológico de base, podendo
também ser possível estabelecer a localização da
perfuração em até 80% dos casos.
A sensibilidade da tomografia é superior à da
radiografia simples na detecção de pneumoperitônio,
e pouco depende da quantidade de gás
livre intraperitoneal. Já a radiografia simples pode
variar de 33 a 100% dependendo do volume em
questão e da metodologia utilizada.
A tomografia computadorizada é útil principalmente
no grupo de pacientes obesos, em que o número
de falso-negativos é elevado na radiografia
simples.
23
Abdome Agudo
Inflamatório
Causa mais frequente de internações no PA por dor abdominal. Maiores dúvidas diagnósticas.
Anamnese:
Importante: idade, sexo, etilismo, patologias e cirurgias prévias.
Investigar: início da dor e sua localização, irradiação, caráter, intensidade, duração, piora e melhora.
FOCO: dor abdominal difusa = abdome agudo inflamatório complicado
PERITONITE
Apendicite
Colecistite
Diverticulite
Pancreatite
DIP
Sinais e Sintomas:
Dor difusa e intensa à palpação superficial
Exacerbação da dor à movimentação e esforços
Febre
Alteração do ritmo intestinal
RHA ↓
Exames Laboratoriais:
Hemograma
Eletrólitos
Lipase e Amilase
Bilirrub. T e Frações
AST, ALT, FA e GGT
Gasometria arterial
Urina tipo 1
Exames de Imagem:
USG de abdome total 
TC de abdome 
Tratamento:
ATB
Laparotomia
COMEÇAR ENFATIZANDO QUE VAMOS FOCAR NA DOR ABDOMINAL DIFUSA, LOGO, PERITONITE, REAÇÃO INFLAMATÓRIA JÁ CHEGOU AO PERITÔNIO. AS ETIOLOGIAS SÃO DIVERSAS, APENAS CITAR E ENFATIZAR, POR ISSO, O QUE NÃO SE PODE DEIXAR DE PERGUNTAR NA CLÍNICA. NÃO SE ESQUECER DE QUE PODE HAVER UM CAMINHO ANTES, COMO EDEMA, ESTASE, NECROSE, PERFURAÇÃO, POR EXEMPLO...
Contudo, é o abdome agudo inflamatório aquele que suscita
maiores dúvidas diagnósticas, sendo, também, o
que mais freqüentemente leva a internações em
serviços de pronto-atendimento, em busca de diagnóstico
definitivo.
O abdome agudo inflamatório pode ser definido
como um quadro de dor abdominal, com as características
inicialmente mencionadas, decorrente de um processo inflamatório e/ou infeccioso localizado
na cavidade abdominal, ou em órgãos e estruturas
adjacentes.
FISIOPATOLOGIA
Os dados fisiopatológicos no abdome agudo inflamatório
estão relacionados com a reação do peritônio
e as modificações do funcionamento no
trânsito intestinal. Todo agente inflamatório ou infeccioso, ao atingir
o peritônio, acarreta irritação do mesmo, cuja
intensidade é diretamente proporcional ao estádio
do processo etiológico. Segue-se a instalação progressiva
de íleo paralítico localizado ou generalizado.
Esse fenômeno é justificado pela lei de Stokes
que diz: “Toda vez que a serosa que envolve uma
musculatura lisa sofre irritação, esta entra em paresia
ou paralisia.” Por outro lado, a resposta do
peritônio parietal exterioriza-se clinicamente por
dor mais bem localizada e contratura da musculatura
abdominal localizada ou generalizada, dependendo
da evolução do processo. É importante salientar
que a contratura muscular pode ser voluntária
ou, mesmo, determinada por doença extra-abdominal.
De fato, podemos concluir que a dor abdominal
secundária à irritação do peritônio visceral (autônoma)
é mal localizada e origina-se pela distensão
e contração das vísceras, enquanto a dor que
segue a irritação do peritônio parietal (cerebroespinal)
é contínua, progressiva, piorando com a movimentação
e sendo também mais localizada.
ETIOPATOGENIA
Existem diversas causas de abdome agudo inflamatório,
sendo as mais freqüentes a apendicite
aguda, a colecistite aguda, a pancreatite aguda e
a diverticulite por doença diverticular dos colos.
Vale lembrar que, com grande freqüência, episódios
de dor abdominal aguda, eventualmente de
origem inflamatória, não têm sua confirmação estabelecida,
e sua resolução é espontânea.
QUADRO CLÍNICO
Lembre-se do que valorizar: em patologias, lembre-se de litíase biliar
Da mesma forma que nos outros tipos de abdome
agudo, a dor abdominal é, sem dúvida, o
sintoma predominante no paciente com abdome
agudo de etiologia inflamatória. Algumas características
dessa dor podem sugerir a natureza do processo.
Contudo, freqüentemente esse sintoma é de
difícil caracterizaçãopelo paciente e má interpretação
por parte do médico. Por isso, é importante
a condução da anamnese. Além da topografia da dor abdominal, é de fundamental
importância definir as características da
mesma, tais como: início, irradiação, evolução, caráter,
intensidade, duração, condições que a intensificam
ou atenuam. Essa análise minuciosa, às vezes
árdua, é posteriormente recompensada, pois, como
na maioria das doenças do sistema digestório, a história
clínica é a pedra fundamental do diagnóstico.
O caráter progressivo da dor é observado no
caso da apendicite aguda, colecistite aguda, pancreatite
aguda e diverticulite aguda do sigmóide.
Na maioria das doenças de conduta cirúrgica causadas
por quadro abdominal de etiologia inflamatória,
a dor nitidamente evolui para piora.
A irradiação da dor abdominal, tão importante
na maioria dos doentes com abdome agudo inflamatório,
não deve ser confundida com localização.
A trajetória da dor é característica em muitas
patologias, sendo de grande valor diagnóstico.
O tipo de dor, em cólica, contínua, pontada,
queimação etc., pode mudar no curso da doença,
permitindo orientação diagnóstica.
A intensidade e a duração da dor, tão importantes
nos doentes com abdome agudo inflamatório,
nem sempre são proporcionais à gravidade,
nem tampouco sugerem conduta cirúrgica, como
na pancreatite aguda.
É importante, também, analisar os fatores que
intensificam ou atenuam a dor, sendo freqüente a
exacerbação da mesma com a movimentação e esforços,
tão comum no abdome agudo inflamatório.
Além da dor abdominal, é possível observar
sintomas associados nos quadros de abdome agudo
de etiologia inflamatória. Náuseas e vômitos
podem acompanhar uma série de doenças abdominais. A febre é um sintoma freqüente, surgindo precocemente,
sendo menos intensa no início e assumindo
características próprias e maior intensidade
nas fases de supuração. Alterações no hábito intestinal
no abdome agudo inflamatório, especialmente
a constipação, acontecem nas fases avançadas da
doença devido à peritonite.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
O diagnóstico da síndrome de abdome agudo
inflamatório é fundamentalmente clínico. Embora
várias doenças clínicas ou cirúrgicas possam ser
responsáveis pelo evento, mencionaremos neste
capítulo apenas as causas mais freqüentes em
nosso meio.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Os exames laboratoriais podem ser de grande
importância no diagnóstico do abdome agudo inflamatório,
devendo ser interpretados à luz do quadro
clínico.
De todos os exames laboratoriais o hemograma
é, sem dúvida, o mais importante. A leucocitose —
aumento no número total de glóbulos blancos —
mostra-se discreta, em torno de 16.000/mm3, nas
fases iniciais do processo. Leucocitose acima de
20.000/mm3 deve merecer avaliação mais criteriosa.
Inicialmente, a leucocitose se faz à custa dos
neutrófilos polimorfonucleares; posteriormente, a
alteração hematológica se faz à custa do aparecimento
de formas jovens na circulação, bastonetes,
mielócitos e metamielócitos, caracterizando o desvio
à esquerda, que por sua vez é indicativo de
gravidade do processo infeccioso.
A pancreatite aguda é uma das doenças que
determinam quadro de abdome agudo, no qual os
exames laboratoriais têm grande valia.
A amilasemia eleva-se nas primeiras 24 a 48
horas do processo, declinando a seguir. A lipasemia,
ao contrário, eleva-se mais tardiamente, tendo valor
principalmente prognóstico. Igual importância é
dado à amilasúria e à lipasúria.
Ainda na pancreatite aguda, tem importância
a dosagem de glicemia, transaminases, cálcio, sódio,
potássio e gasometria arterial, úteis não apenas
no diagnóstico como, particularmente, na caracterização
da gravidade do processo.
O exame de urina é útil no diagnóstico diferencial
com processos inflamatórios ou infecciosos do
trato urinário, mas, principalmente, em casos de
apendicite ou diverticulite, em que o comprometimento
urinário se faz como conseqüência da proximidade
das estruturas
24
As quatro perguntas que precisam ser respondidas
em pacientes com suspeita de abdome agudo
obstrutivo são:
1. Existe obstrução?;
2. Qual o seu nível da obstrução?;
3. Qual é a causa da obstrução? e;
4. Existem sinais de estrangulamento ou isquemia?
Os diversos métodos de diagnóstico por imagem
são utilizados nesse sentido, principalmente a
radiografia simples do abdome e a tomografia
computadorizada.
RADIOGRAFIA SIMPLES DO ABDOME
A radiografia simples do abdome continua sendo
a principal ferramenta para o diagnóstico do
abdome agudo obstrutivo (AAO). Freqüentemente,
é o primeiro, senão o único, método utilizado, apesar
da introdução de métodos seccionais de diagnóstico
por imagem, como a ultra-sonografia (US)
e a tomografia computadorizada (TC).
No entanto,
quando há sinais claros de obstrução, a radiografia
simples do abdome pode indicar o ponto da
obstrução em cerca de 80% dos casos. Os casos
duvidosos (cerca de 20 a 30%) podem ser reavaliados
com radiografias seriadas, aumentando assim a
eficácia do método.
É de extrema importância
a demonstração de sinais de obstrução e
sofrimento de alça, como pregas edemaciadas,
pneumatose intestinal e, eventualmente, gás na
veia porta, sugerindo obstrução em alça fechada e
pior prognóstico.
A radiografia simples
é diagnóstica na maioria (75%) dos casos de
volvos do sigmóide: a alça dilatada preenchida por
gás pode assumir a configuração típica de um grão
de café gigante ou “U” invertido, sem haustrações,
que se estende até a porção superior do abdome
(Fig. 8.9). No volvo de colo
transverso, a radiografia simples mostra a imagem
de “grão de café” no hemi-abdome superior
(Fig. 8.10A e B).
A terceira causa de obstrução do intestino grosso
é a diverticulite, responsável por cerca de 10%
dos casos. O melhor exame nesses casos é a tomografia
Computadorizada.
25
As quatro perguntas que precisam ser respondidas
em pacientes com suspeita de abdome agudo
obstrutivo são:
1. Existe obstrução?;
2. Qual o seu nível da obstrução?;
3. Qual é a causa da obstrução? e;
4. Existem sinais de estrangulamento ou isquemia?
Os diversos métodos de diagnóstico por imagem
são utilizados nesse sentido, principalmente a
radiografia simples do abdome e a tomografia
computadorizada.
RADIOGRAFIA SIMPLES DO ABDOME
A radiografia simples do abdome continua sendo
a principal ferramenta para o diagnóstico do
abdome agudo obstrutivo (AAO). Freqüentemente,
é o primeiro, senão o único, método utilizado, apesar
da introdução de métodos seccionais de diagnóstico
por imagem, como a ultra-sonografia (US)
e a tomografia computadorizada (TC).
No entanto,
quando há sinais claros de obstrução, a radiografia
simples do abdome pode indicar o ponto da
obstrução em cerca de 80% dos casos. Os casos
duvidosos (cerca de 20 a 30%) podem ser reavaliados
com radiografias seriadas, aumentando assim a
eficácia do método.
É de extrema importância
a demonstração de sinais de obstrução e
sofrimento de alça, como pregas edemaciadas,
pneumatose intestinal e, eventualmente, gás na
veia porta, sugerindo obstrução em alça fechada e
pior prognóstico.
A radiografia simples
é diagnóstica na maioria (75%) dos casos de
volvos do sigmóide: a alça dilatada preenchida por
gás pode assumir a configuração típica de um grão
de café gigante ou “U” invertido, sem haustrações,
que se estende até a porção superior do abdome
(Fig. 8.9). No volvo de colo
transverso, a radiografia simples mostra a imagem
de “grão de café” no hemi-abdome superior
(Fig. 8.10A e B).
A terceira causa de obstrução do intestino grosso
é a diverticulite, responsável por cerca de 10%
dos casos. O melhor exame nesses casos é a tomografia
Computadorizada.
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As quatro perguntas que precisam ser respondidas
em pacientes com suspeita de abdome agudo
obstrutivo são:
1. Existe obstrução?;
2. Qual o seu nível da obstrução?;
3. Qual é a causa da obstrução? e;
4. Existem sinais de estrangulamento ou isquemia?
Os diversos métodos de diagnóstico por imagem
são utilizados nesse sentido, principalmente a
radiografia simples do abdome e a tomografia
computadorizada.
RADIOGRAFIASIMPLES DO ABDOME
A radiografia simples do abdome continua sendo
a principal ferramenta para o diagnóstico do
abdome agudo obstrutivo (AAO). Freqüentemente,
é o primeiro, senão o único, método utilizado, apesar
da introdução de métodos seccionais de diagnóstico
por imagem, como a ultra-sonografia (US)
e a tomografia computadorizada (TC).
No entanto,
quando há sinais claros de obstrução, a radiografia
simples do abdome pode indicar o ponto da
obstrução em cerca de 80% dos casos. Os casos
duvidosos (cerca de 20 a 30%) podem ser reavaliados
com radiografias seriadas, aumentando assim a
eficácia do método.
É de extrema importância
a demonstração de sinais de obstrução e
sofrimento de alça, como pregas edemaciadas,
pneumatose intestinal e, eventualmente, gás na
veia porta, sugerindo obstrução em alça fechada e
pior prognóstico.
A radiografia simples
é diagnóstica na maioria (75%) dos casos de
volvos do sigmóide: a alça dilatada preenchida por
gás pode assumir a configuração típica de um grão
de café gigante ou “U” invertido, sem haustrações,
que se estende até a porção superior do abdome
(Fig. 8.9). No volvo de colo
transverso, a radiografia simples mostra a imagem
de “grão de café” no hemi-abdome superior
(Fig. 8.10A e B).
A terceira causa de obstrução do intestino grosso
é a diverticulite, responsável por cerca de 10%
dos casos. O melhor exame nesses casos é a tomografia
Computadorizada.
27
Abdome Agudo
Obstrutivo
Corresponde a 20% das internações por abdome agudo. Causas mais comuns: aderências, hérnias inguinais e neoplasias intestinais. 80% no intestino delgado e 20% no intestino grosso.
Etiologia mecânica ou funcional
Alta x Baixa
Parcial x Completa
Aguda x Crônica
Simples x Estrangulada
Anamnese:
Importante: idade (neonatos, lactentes, adultos jovens, idosos), cirurgias e patologias prévias
Investigar: início do quadro, sintomas associados
Sinais e Sintomas:
Dor difusa em cólica
Distensão abdominal
Parada da eliminação de gases, fezes
Náuseas e vômitos (alta x baixa)
Desidratação
Taquicardia e hipotensão
RHA ↑ (inicialmente)
Exames Laboratoriais:
Hemograma
Eletrólitos
TP, TTPa
Gasometria arterial
Urina tipo 1
Exames de Imagem:
Raio-X de abdome
TC de abdome 
Tratamento:
Pré-cirúrgico:
Descomprimir com SNG
Reposição volêmica
Correção de distúrbios HE
Laparotomia
Patients with acute surgical abdomens will often have a rapid symptom evolution, but patients who have evolved
from partial to complete bowel obstruction may present with weeks of vague abdominal pain, followed by a
sudden deterioration. Pain is typically severe in all of these conditions, and it can be associated with unstable
vital signs, fever, and dehydration.
CONCEITO
O abdome agudo obstrutivo, síndrome decorrente
de uma obstrução intestinal, é uma afecção
muito freqüente que engloba uma grande percentagem
das internações causadas por dor abdominal.
Cerca de 20% das internações em serviço de
cirurgia por acometimento agudo abdominal são
devidas a obstruções intestinais. As causas mais comuns
de obstrução intestinal são as aderências, seguidas
das hérnias inguinais complicadas e das
neoplasias intestinais. Cerca de 80% de todas as
obstruções ocorrem devido a essas três causas. Cerca
de 80% das obstruções são no intestino delgado
e 20% são no intestino grosso.
É causado pela presença de um obstáculo
mecânico ou de uma alteração da motilidade
intestinal que impede a progressão normal do
bolo fecal.
A obstrução intestinal compreende dois grandes
grupos, segundo a causa da interrupção do trânsito:
causa mecânica, que leva aos quadros de obstrução
mecânica, e distúrbio da motilidade intestinal,
que leva aos quadros de íleo adinâmico ou paralítico
ou neurogênico (pseudo-obstrução). As causas
mecânicas ocorrem pela presença de obstáculos
intraluminares, como, por exemplo, cálculos biliares
e bolo de áscaris, ou por fatores extraluminares,
tais como as obstruções intrínsecas causadas
por tumores, hematomas etc. ou pelas compressões
extrínsecas, como, por exemplo, as aderências, hérnias,
tumores etc.
ETIOPATOGENIA
As causas da obstrução intestinal mecânica
podem ser classificadas de acordo com o modo
como a obstrução acontece. Assim, pode ocorrer a
obstrução da luz intestinal, como no íleo biliar, a
redução da luz por retração e o espessamento da
parede da alça por doença intrínseca do intestino,
como ocorre na enterite ou no câncer, e a obstrução
por compressão extrínseca do intestino, como
acontece na oclusão por aderências. Por outro
lado, as causas decorrentes dos distúrbios da motilidade
intestinal levam aos quadros de íleo paralítico
ou neurogênico.
Assim, podemos enumerar:
1. Obstrução da luz intestinal: intussuscepção intestinal,
íleo biliar, impactação (bário, bezoar,
áscaris).
2. Doenças parietais: congênitas: atresias e estenoses,
duplicações, divertículo de Meckel; traumáticas;
inflamatórias: doença de Crohn, diverticulites;
neoplásicas; miscelânea: estenose
por irradiação, endometriose.
3. Doenças extrínsecas: aderências; hérnias; massas
extrínsecas (pâncreas anular, vasos anômalos,
abscessos, hematomas, neoplasias, volvo).
4. Alterações da motilidade do intestino delgado:
íleo paralítico, íleo espástico, oclusão vascular.
Exemplos de causas extrínsecas são as adesões
ou bridas, as hérnias externas e internas, massas
abdominais extraluminais tumorais (linfoma, metástases
peritoneais, tumores mesenteriais) e massas
extraluminais não-tumorais (diverticulite, doença
de Crohn, aneurisma, hematoma e endometriose).
A maioria das obstruções do intestino delgado
é causada por aderências pós-operatórias tardias
ou recentes e que podem ocorrer a partir do 3o
ao 5o dia pós-operatório. As bridas representam
cerca de 60% das obstruções do intestino delgado,
sendo que mais de 80% destas são decorrentes de
cirurgias prévias, 15% de processos inflamatórios.
São causas intrínsecas de obstrução intestinal
os tumores e processos inflamatórios envolvendo a
própria parede intestinal, como o adenocarcinoma,
o tumor carcinóide, o linfoma, a doença de Crohn
(Fig. 8.4), a tuberculose, a gastroenterite eosinofílica,
a isquemia, a enterite actínica, o hematoma
da parede e a invaginação.
Entre as causas intraluminais destacam-se íleo
biliar (Fig. 8.6), bezoar, corpo estranho, áscaris e
mecônio.
A principal causa de obstrução colônica são os
adenocarcinomas primários do colo, responsáveis
por cerca de 55% dos casos. O local mais provável
de obstrução tumoral nos colos é o sigmóide, por
ser a porção mais estreita e onde as fezes são mais
sólidas. Na radiografia simples, nota-se uma dilatação
gasosa das alças proximais à obstrução e
uma pobreza ou ausência de gás no colo distal ou reto.
A segunda causa mais comum de obstrução do
intestino grosso é a torção ou volvo, responsável por
cerca de 12% dos casos. 
1. Alta, quando o obstáculo ao trânsito situa-se no
delgado proximal, ou baixa, quando o obstáculo
situa-se no delgado distal ou no colo: em geral, os pacientes com obstrução mecânica alta vomitam no início do curso da doença e apresentam distensão mínima. Já os pacientes com obstrução distal vomitam tardiamente e apresentam distensão abdominal mais pronunciada
2. Parcial, quando a oclusão da luz intestinal é
incompleta, ou completa, quando a oclusão é
total;
3. Aguda, quando de instalação abrupta, ou crônica
(geralmente parcial), quando de instalação
lenta, com períodos de melhora e piora
que se estendem por vários dias ou meses
(p. ex., nas doenças inflamatórias intestinais
ou nas aderências);
4. Simples, quando o suprimento de sangue ao
intestino encontra-se íntegro, não havendo
comprometimento da vitalidade da alça OBSTRUÇÃO INTESTINAL MECÂNICA
SIMPLES
As principais alterações fisiológicas do intestino
com obstrução mecânica, porém com suprimento
de sangue intacto, são o acúmulo de líquido e gás
acima do ponto de obstrução e a alteração da motilidade
intestinal, que, somados, levam a alterações
sistêmicas importantes.
Alguns autores demonstraram que o fator tóxico
da obstrução intestinal mecânica é a perda de
líquidos e eletrólitos por vômitoe seqüestro na alça
intestinal obstruída. O acúmulo de líquido no interior
da alça intestinal obstruída ocorre de modo
progressivo.
A parede intestinal
pode ficar bastante edemaciada a ponto de perder
líquido através da serosa para a cavidade peritoneal.
A quantidade de líquido e eletrólitos perdidos
na parede intestinal e na cavidade peritoneal depende
da extensão, da congestão venosa e edema
e do tempo de obstrução. A perda mais óbvia de líquidos
e eletrólitos é através do vômito ou do débito
da sonda nasogástrica. A soma de todas essas
perdas depleta o fluido do espaço extracelular, produzindo
hemoconcentração, hipovolemia, insuficiência
renal, choque e morte, a não ser que o tratamento
seja instituído rapidamente.
OBSTRUÇÃO COM ESTRANGULAMENTO
Denomina-se obstrução com estrangulamento a
obstrução intestinal associada ao comprometimento
da irrigação sangüínea. A compressão dos vasos do mesentério é a causa da interrupção do suprimento
de sangue ao intestino, acarretando isquemia e
necrose. Essa situação é mais freqüente na obstrução
por aderências, hérnias ou volvo.;
5. Em alça fechada (p. ex., hérnias, volvos),
quando existe obstáculo em dois níveis, impedindo
tanto a progressão quanto o refluxo
do conteúdo da alça; nessas condições,
pode ocorrer grande distensão e sofrimento
da alça.
INCIDÊNCIA
As obstruções intestinais podem acontecer desde
a idade prematura até a nona década de vida,
tendo seu pico máximo aos 50 anos. A idade do
paciente torna-se importante, pois certas causas
têm sua maior freqüência em determinadas faixas
etárias. Assim, no neonato, devem ser consideradas
as atresias, o volvo, o íleo meconial, a imperfuração
anal e a doença de Hirchsprung. Já nos lactentes,
devemos lembrar da invaginação intestinal, das
hérnias complicadas e das obstruções por complicações
do divertículo de Meckel. No adulto jovem
e na meia-idade, devemos considerar as aderências,
as hérnias e a doença de Crohn. Quanto mais
idoso o paciente, maior a possibilidade de tratar-se
de neoplasias, seguida pelas aderências, hérnias,
diverticulites e fecalomas.
 
QUADRO CLÍNICO
ANAMNESE
Nesse tipo de abdome agudo, a dor é em cólica
e difusa em todo o abdome. Além da cólica, o
paciente apresenta distensão abdominal, que é
mais intensa quanto mais distal for a obstrução no
trato digestivo. Apresenta, ainda, parada de eliminação
de gases e fezes, náuseas e vômitos conseqüentes
à obstrução. Como vimos, pode-se classificar
o abdome agudo obstrutivo em alto ou baixo,
e a caracterização desses tipos é feita pelos aspectos
clínicos do paciente e não exatamente pelo local
da obstrução. Assim, na obstrução alta, as náuseas e
os vômitos precedem a parada de eliminação de
gases e fezes, pois o paciente continua a eliminar o
conteúdo intestinal posterior ao obstáculo. Já na
obstrução baixa, a parada de eliminação de gases
e fezes precede os vômitos, pois esses só acontecem
quando todo o intestino delgado a montante da
obstrução estiver distendido. A distensão abdominal
é maior quanto mais baixo for o bloqueio.
EXAME FÍSICO GERAL
• Alteração do estado geral;
• Desidratação, fundamentalmente, devida aos
vômitos e ao seqüestro de líquidos nas alças intestinais;
os vômitos podem acarretar, além da
perda líquida, perda hidroeletrolítica, determinando,
às vezes, alcalose hipocalêmica;
• Taquisfigmia, devida à desidratação;
• Geralmente, o quadro não é acompanhado de
febre; ela aparece quando temos uma complicação
do quadro (peritonite bacteriana);
• Hipotensão arterial pode estar presente em quadros
prolongados.
EXAME FÍSICO ABDOMINAL
• Distensão abdominal (simétrica ou assimétrica);
• Discreto desconforto à palpação, não caracterizando
sinais de irritação peritoneal, a não ser
quando há complicação do quadro;
• Ruídos hidroaéreos aumentados em número e
com alteração do timbre (timbre metálico); com
o evoluir do processo e, portanto, com a isquemia
da alça intestinal envolvida, os ruídos tendem
a diminuir e, até, se tornar ausentes.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
O diagnóstico da obstrução intestinal é feito
essencialmente com os dados da anamnese e do
exame físico e, geralmente, auxiliado pelos métodos
de imagem. O método de imagem mais freqüentemente
usado é a radiografia simples do abdome,
realizada com o doente em posição de pé e deitado.
Mais raramente, pode-se lançar mão de estudos
especiais, tais como o estudo contrastado do 
trato gastrointestinal, a ultra-sonografia e a tomografia
computadorizada.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Aconselha-se realizar a dosagem da concentração
sérica de eletrólitos, a dosagem do hematócrito,
da creatinina, o estudo da coagulação e a dosagem
de plaquetas e leucócitos, que são úteis para
se determinar a gravidade do quadro clínico e orientar
a reanimação do doente. Na suspeita de íleo
paralítico, a dosagem de eletrólitos séricos pode
contribuir para o esclarecimento diagnóstico.
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
INTRODUÇÃO
Os sinais encontrados nas diversas modalidades
de imagem correlacionam-se com a fisiopatologia
da obstrução intestinal: acúmulo de fluido e eletrólitos
acima do ponto de obstrução, diminuição da
absorção pela mucosa e aumento da secreção para
a luz. Se a distensão for exagerada, como no caso
de obstrução em alça fechada, pode ocorrer isquemia
e necrose da parede da alça. A maioria das
obstruções (80%) é decorrente de obstrução mecânica
no delgado, sendo em 80% das vezes secundárias
a bridas ou aderências. Por outro lado, as
causas mais freqüentes de obstrução colônica são o
carcinoma, o volvo de sigmóide e a diverticulite, e
aderências respondem por apenas 4% das causas
de obstrução mecânica.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
As dificuldades do diagnóstico diferencial entre
outros processos abdominais agudos e a obstrução
intestinal só ocorrem quando o paciente é visto tardiamente,
já instalada uma complicação. Nessa
fase, a dor é contínua, como na úlcera péptica perfurada,
na apendicite aguda ou na pancreatite
aguda, não se ouve peristaltismo e há defesa muscular
e sinais de peritonite, como nessas entidades.
Uma anamnese bem feita é a chave do diagnóstico
Diferencial.
TRATAMENTO
CLÍNICO
Na fase inicial do tratamento da obstrução intestinal,
de maneira geral, a abordagem clínica se aplica
a todos os doentes. Uma vez firmado o diagnóstico,
deve ser tomada a decisão de operar imediatamente
ou continuar sob tratamento clínico. O tratamento clínico inicia-se com a descompressão
gástrica, pela passagem de sonda nasogástrica,
hidratação parenteral, correção de distúrbios
eletrolíticos, eventualmente presentes, e analgesia.
CIRÚRGICO
Excetuando-se os casos de doentes terminais e
os que apresentam carcinomatose peritoneal, todos
os doentes com diagnóstico de obstrução intestinal
mecânica completa devem ser operados em condição
de urgência. Outra indicação para a cirurgia de
urgência é o insucesso do tratamento clínico por
24 a 48 horas. O doente deve ser sempre avaliado
e, quando necessário, reanimado adequadamente
para suportar a cirurgia.
O tratamento cirúrgico inicialmente consiste em
laparotomia exploradora. Após a revisão da cavidade,
com a finalidade de diminuir a distensão abdominal,
os líquidos acumulados na luz das alças devem
ser ordenhados para o estômago e aspirados
através da sonda nasogástrica. Essa manobra tem
o intuito de facilitar a abordagem da causa da obstrução
e de evitar as lesões acidentais das alças que
se apresentam, muitas vezes, bastante dilatadas.
O ponto crucial do tratamento da obstrução
intestinal é a realização do diagnóstico preciso e
precoce, através da utilização de recursos simples,
como a anamnese, o exame físico e a radiografia
simples de abdome, deixando-se os recursos mais
sofisticados, tais como a tomografia computadorizada
e o trânsito intestinal, apenas para os casos
mais complexos e em que persiste a dúvida quanto
à presença ou não da obstrução. Uma vez feito
o diagnóstico de obstrução, deve-se tentar classificar
adequadamente o tipo de obstrução, para que
o melhor tratamento possa ser indicado prontamente.
Nos casos em que existe indicação de cirurgia
porinsucesso do tratamento clínico, a operação
deve ser realizada tão logo quanto possível. Para a
realização da intervenção cirúrgica, o doente deve
ser adequadamente preparado com hidratação e
reposição das perdas eletrolíticas, a fim de que ele
suporte a anestesia e a operação. A profilaxia antimicrobiana
está sempre indicada e deverá ser
continuada ou não na dependência dos achados no
período intra-operatório. Todo segmento de intestino
inviável deve ser ressecado e, de preferência,
deve-se tentar restabelecer de imediato o trânsito
intestinal. Não sendo possível o restabelecimento do
trânsito, pode-se lançar mão da exteriorização do
intestino.
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As quatro perguntas que precisam ser respondidas
em pacientes com suspeita de abdome agudo
obstrutivo são:
1. Existe obstrução?;
2. Qual o seu nível da obstrução?;
3. Qual é a causa da obstrução? e;
4. Existem sinais de estrangulamento ou isquemia?
Os diversos métodos de diagnóstico por imagem
são utilizados nesse sentido, principalmente a
radiografia simples do abdome e a tomografia
computadorizada.
RADIOGRAFIA SIMPLES DO ABDOME
A radiografia simples do abdome continua sendo
a principal ferramenta para o diagnóstico do
abdome agudo obstrutivo (AAO). Freqüentemente,
é o primeiro, senão o único, método utilizado, apesar
da introdução de métodos seccionais de diagnóstico
por imagem, como a ultra-sonografia (US)
e a tomografia computadorizada (TC).
No entanto,
quando há sinais claros de obstrução, a radiografia
simples do abdome pode indicar o ponto da
obstrução em cerca de 80% dos casos. Os casos
duvidosos (cerca de 20 a 30%) podem ser reavaliados
com radiografias seriadas, aumentando assim a
eficácia do método.
É de extrema importância
a demonstração de sinais de obstrução e
sofrimento de alça, como pregas edemaciadas,
pneumatose intestinal e, eventualmente, gás na
veia porta, sugerindo obstrução em alça fechada e
pior prognóstico.
A radiografia simples
é diagnóstica na maioria (75%) dos casos de
volvos do sigmóide: a alça dilatada preenchida por
gás pode assumir a configuração típica de um grão
de café gigante ou “U” invertido, sem haustrações,
que se estende até a porção superior do abdome
(Fig. 8.9). No volvo de colo
transverso, a radiografia simples mostra a imagem
de “grão de café” no hemi-abdome superior
(Fig. 8.10A e B).
A terceira causa de obstrução do intestino grosso
é a diverticulite, responsável por cerca de 10%
dos casos. O melhor exame nesses casos é a tomografia
Computadorizada.
29
A radiografia simples
é diagnóstica na maioria (75%) dos casos de
volvos do sigmóide: a alça dilatada preenchida por
gás pode assumir a configuração típica de um grão
de café gigante ou “U” invertido, sem haustrações,
que se estende até a porção superior do abdome
(Fig. 8.9). No volvo de colo
transverso, a radiografia simples mostra a imagem
de “grão de café” no hemi-abdome superior
(Fig. 8.10A e B).
31
Colo sigmoide: seta branca
Ponta de seta branca: paredes da alça em flexão. 
A radiografia simples
é diagnóstica na maioria (75%) dos casos de
volvos do sigmóide: a alça dilatada preenchida por
gás pode assumir a configuração típica de um grão
de café gigante ou “U” invertido, sem haustrações,
que se estende até a porção superior do abdome
(Fig. 8.9). No volvo de colo
transverso, a radiografia simples mostra a imagem
de “grão de café” no hemi-abdome superior
(Fig. 8.10A e B).
32
Na imagem: alças de delgado dilatadas, mais de 3cm, preenchendo toda cavidade abdominal. Nível de líquido na seta branca e colo ascendente colabado (motivo da distensão acima). 
TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA
A TC tem sido cada vez mais utilizada na avaliação
de pacientes com suspeita de abdome agudo
e particularmente de AAO. As principais razões
pelo crescente interesse desse método no AAO são:
a) na TC, não há necessidade de administração de
meio de contraste intraluminal, pois o fluido retido
serve com agente de contraste (observar Fig. 8.3A,
B e C), os pacientes obstruídos têm muita dificuldade
em ingerir quantidade suficiente de contraste
e freqüentemente vomitam; 
b) a qualidade diagnóstica
do exame independe da propulsão do conteúdo
pela peristalse do intestino delgado, muitas
vezes diminuída ou ausente, fato esse que reduz
consideravelmente o tempo de exame, quando
comparado ao trânsito intestinal; 
c) não é administrado
bário, portanto o exame pode ser realizado
com segurança mesmo na suspeita de perfuração e
imediatamente antes de intervenções cirúrgicas; 
d) a TC permite uma avaliação panorâmica de toda
a cavidade abdominal e diagnósticos alternativos e;
e) a TC é o melhor método para o diagnóstico de
estrangulamento de alça intestinal, fornecendo informações
a respeito da perfusão da parede da alça
e de sua vitalidade, através do uso endovenoso de
contraste.
Os principais sinais tomográficos de obstrução
intestinal são a distensão de alças de delgado (acima
de 2,5 a 3cm de diâmetro), presença de níveis
líquido e desproporção do calibre da alça, se identificados
segmentos de fino calibre. Dessa forma, é
possível estabelecer o nível da obstrução e sua causa.
.
33
Abdome Agudo
Isquêmico
Redução súbita do fluxo sanguíneo, havendo morte celular e necrose. Infinidade de apresentações clínicas (vasos envolvidos, extensão do órgão acometido). De forma geral: quando a AMS é ocluída, é a que mais frequentemente causa sintomas. 
70% de mortalidade em fenômenos agudos
Etiologia oclusiva ou não oclusiva 
Embolia
Trombose
Choque
Peristalse prejudicada, estase, necrose e perfuração
Anamnese:
Importante: idade, cirurgias e patologias prévias – arritmias cardíacas, aterosclerose, IAM prévio, miocardiopatia dilatada, doença reumática, fibrilação atrial. 
Sinais e Sintomas:
Dor difusa e intensa 
Instalação aguda
Vômitos e distensão abdominal
Alteração do ritmo intestinal
RHA ↓
Exames Laboratoriais:
Hemograma
Eletrólitos
Amilase
TP, TTPa
Gasometria Art.
Exames de Imagem:
Arteriografia?
Raio-X de abdome
TC de abdome 
Tratamento:
Pré-cirúrgico:
Analgesia
Laparotomia
ISQUEMIA AGUDA
DEFINIÇÃO
Redução súbita do fluxo sangüíneo em determinada
parte ou em todo o intestino de tal intensidade
que não seja possível manter sequer o metabolismo
basal, havendo conseqüentemente morte
celular e necrose.
Entre as várias possibilidades de dor abdominal,
precisamos ficar atentos aos quadros de
isquemia intestinal. A variabilidade dos vasos envolvidos,
a extensão do órgão acometido e os diferentes
níveis de comprometimento do tecido
resultam em uma infinidade de apresentações
clínicas. Tanto a indicação dos exames diagnósticos
quanto a terapia definitiva representam um
dilema diante de um doente que, quando não em
condições críticas, apresenta-se debilitado pela
própria doença ou pelos processos mórbidos freqüentemente
associados.
CIRCULAÇÃO INTESTINAL
O intestino como um todo é um dos órgãos
que apresenta, provavelmente, um dos sistemas
de circulação colateral mais completos do organismo.
As três artérias principais ou axiais contam
com uma intrincada e extensa rede de ramos arteriais
que se intercomunicam. Esse sistema funciona
de forma tão eficiente que a oclusão de até
duas das artérias principais pode ser pouco ou
não-sintomática.
A aterosclerose, principal causa de isquemia crônica
do intestino, tem como característica uma instalação
lenta. Isso proporciona tempo para que haja
acomodação da circulação colateral. De forma geral,
a principal artéria responsável pela perfusão intestinal
pode ser considerada a AMS; quando ocluída ou
estenótica é a que mais freqüentemente causa sintomas
de angina abdominal. Geralmente, a obstrução
da AMI e/ou do TC costuma ser mais bem tolerada.
Cirurgias abdominais prévias, principalmente com
ressecções intestinais, podem piorar o quadro de
uma perfusão intestinal devido à perda de colaterais
secundária às ligaduras dos ramos arteriais.
ETIOLOGIA
Neste tópico, cabe a divisão entre as causas
oclusivas e não-oclusivas.
Das oclusivas podemos citar como mais freqüentes
a embolia (origem cardíaca, aórtica, tumoral
ou por cristais decolesterol) e a trombose aguda
(secundária geralmente à aterosclerose prévia)
dos principais ramos arteriais viscerais.
A causa predominante entre as não-oclusivas é
secundaria à diminuição importante do débito cardíaco
(importando menos a causa da descompensação
que a magnitude da insuficiência cardíaca),
que pode ou não ser acompanhada do espasmo dos
vasos. Outras causas citadas compreendem o choque
de origem medular ou traumático, gastroenterites,
hemoconcentração, pneumonia. Paradoxalmente, estados de relativa hipertensão
aguda, como pós-operatório de correção de
coarctação aórtica, apresentam chance de necrose
intestinal.
FISIOPATOLOGIA
Não por acaso o fenômeno isquêmico agudo intestinal
cursa com altas taxas de mortalidade, em
torno de 70% dos casos. Como se trata de um quadro
abrupto, e principalmente nos casos de embolia, não há tempo para o desenvolvimento de uma rede
de circulação colateral que seja suficiente para manter
nem mesmo o metabolismo mínimo intestinal (caso oclusivo)
Curiosamente, a embolia apresenta as melhores taxas
de sobrevida. O êmbolo normalmente aloja-se
na circulação mais distal, poupa o óstio dos ramos
principais e, assim sendo, pode preservar em maior
ou menor grau territórios do órgão. A trombose aguda
costumeiramente ocorre nos óstios das principais
artérias e, associada a freqüente presença de aterosclerose
em múltiplas artérias, leva à isquemia de extensas
áreas, sendo a sobrevida uma exceção.
A respeito das causas não-oclusivas, durante o
choque de qualquer origem ocorre a vasoconstrição
arterial visceral a fim de dirigir o fluxo sangüíneo
para as áreas mais críticas como cérebro e coração,
o que, associado à vasoconstrição venosa, pode
acrescentar até 30% de volume ao espaço intravascular.
Por algum mecanismo pouco elucidado ou
pelo emprego de vasopressores para o controle da hipotensão,
tal constrição pode prolongar-se por horas,
mesmo após a normalização dos parâmetros hemodinâmicos.
O sistema renina-angiotensina provavelmente
exerce uma função central, visto que sua inibição
parece proteger o intestino da isquemia durante
o choque.
A mucosa intestinal, principalmente do delgado,
é a primeira e mais gravemente afetada.
A camada
muscular afetada não cumpre sua função de peristalse
normal, determinando assim estase do conteúdo
e aumento de pressão local, o que dificulta
ainda mais a já deficiente perfusão tecidual. O último
estágio desse processo mórbido compreende a
gangrena de toda a parede intestinal, perda de sua
estrutura física culminando em perfuração com extravasamento
do conteúdo intestinal e, conseqüente,
peritonite fecal.
QUADRO CLÍNICO
A maioria dos casos de isquemia mesentérica
incide sobre indivíduos em idade avançada, e,
por esse motivo, eles geralmente apresentam
menor reserva funcional e maior associação com
outras morbidades. Com o progressivo envelhecimento
da população, há tendência ao aumento
da ocorrência da mesma. O conhecimento da doença e um alto grau de
alerta aos sinais clínicos permanecem como pilares
para, através do reconhecimento precoce, evitar o
agravamento das lesões que ditarão o prognóstico
do doente.
Como poderíamos imaginar diante do quadro
agudo, a dor abdominal é o sintoma mais freqüente
e marcante. Apresenta-se praticamente em todos os
casos, em maior ou menor grau. Classicamente,
diz-se que após seis horas de dor (isquemia) o tecido
intestinal torna-se inviável, não se recuperando
após a revascularização, visão esta que não é
compartilhada por todos os autores. Vômitos, alteração
nas características das fezes e distensão abdominal
são sintomas freqüentes. A ausculta abdominal
pode ser aumentada, nos casos de isquemia
segmentar em que a porção acometida funciona
como uma obstrução, ou diminuída, quando a extensão
comprometida for muito extensa, não sendo
assim de muito valor prático.
Devemos ficar atentos às situações que particularmente
coincidem com maior ocorrência de fenômenos
de trombose ou embolia. Arritmia cardíaca,
miocardiopatia com dilatação, infarto do miocárdio,
doença reumática das válvulas cardíacas e
presença de doença aterosclerótica em outros territórios
como das coronárias, das extremidades ou
revascularização prévia são indicadores do aumento
desse risco.
EXAMES COMPLEMENTARES
O leucograma pode estar alterado com tendência
a leucocitose, mas depende muito da porção,
gravidade e extensão isquêmica. A amilasemia sérica
também aumenta de forma moderada e a radiografia
simples do abdome pode demonstrar a
presença de alças paréticas e distendidas, apresentando
níveis hidroaéreos, porém de forma inconstante.
Perante uma isquemia extensa, geralmente o
doente evolui com acidose metabólica identificada
através da gasometria, preferencialmente arterial.
De forma geral, as alterações possíveis nos exames
laboratoriais observadas na isquemia intestinal
aguda são pouco significativas e pouco específicas,
sendo comuns a inúmeras doenças abdominais.
Na suspeita de um abdome agudo de origem
vascular, o tratamento de eleição continua sendo a
cirurgia, de preferência com uma equipe apta a
realizar uma rápida revascularização intestinal.
Dessa forma, não observamos vantagem em adiar
o tratamento definitivo ou aumentar o risco de
complicações (insuficiência renal, hemorragia e dissecção
arterial entre outras) realizando o estudo
arteriográfico.
Apesar de toda propedêutica “armada” disponível
atualmente, uma adequada história e um cuidadoso
exame físico associados a um alto grau de
alerta para a existência dessa doença continuam
sendo a melhor forma de diagnóstico.
Angiografia
Em princípio, a angiografia representa o método
diagnóstico ideal da isquemia mesentérica, tanto
pelo alto potencial de diagnóstico precoce como
pela possibilidade de intervenção terapêutica imediata.
A angiografia permite identificar a causa da
isquemia, distinguindo a forma oclusiva da não-oclusiva
e avaliando o grau de perfusão intestinal.
Apesar de ser o método mais sensível na abordagem
da isquemia intestinal, a angiografia ainda
não teve seu papel estabelecido definitivamente. O
problema é indicar um exame de natureza invasiva
como a angiografia a todos os pacientes com
suspeita de isquemia intestinal se esse grupo de
pacientes apresenta quadro clínico tão pouco específico.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O procedimento para correção da isquemia ou
suas conseqüências vai depender do tempo, da extensão
e da causa da obstrução arterial. De maneira
geral, procura-se restabelecer fluxo ao intestino
ainda viável, geralmente revascularizando a AMI, e
retira-se as porções necróticas.
A esmagadora maioria dos doentes necessita de
uma celiotomia. Durante a mesma, é possível avaliar
as condições do tecido intestinal, e, por meio da
localização das alterações, reconhecer o tronco
arterial; ou, no caso de embolia, o conjunto de ramos
envolvidos. As alças intestinais podem apresentar
desde uma coloração rósea pálida, passando
pelo esbranquiçado até um cinza-escuro ou esverdeado,
já denotando avançado sofrimento tecidual.
Os tratamentos cirúrgicos possíveis incluem a
embolectomia na suspeita de embolia ou a derivação
nos casos de trombose.
Isquemia intestinal de causa não-oclusiva tem
um comportamento diferente. Geralmente secundária
ao choque, seu tratamento consiste basicamente
no suporte clínico.
Na vigência de trombose das veias mesentéricas,
o tratamento de escolha representa uma anticoagulação
agressiva, preferencialmente com heparinização
endovenosa. Pela alta incidência de recorrência
do quadro, devemos proceder a posterior
anticoagulação oral por tempo indeterminado ou
até que a causa tenha sido diagnosticada e corrigida.
34
Trombose da AMS, com distensão gasosa difusa das alças do intestino delgado. Ou seja, é pouco específica, já mostra alterações mais tardias.
Radiografia Simples
O primeiro passo na abordagem diagnóstica é
a radiografia simples do abdome nas incidências
preconizadas Nos casos suspeitos de abdome agudo
de origem vascular, a radiografia simples geralmente
fornece achados inespecíficos. Sua importância
está na pesquisade sinais indicativos de outras
causas de dor abdominal.
35
Infarto omental. TC mostra pequena imagem ovalada (seta) densa junto ao cólon transverso 
Tomografia Computadorizada
Helicoidal
A TC tem papel fundamental no estabelecimento
do diagnóstico precoce por sua capacidade
de demonstrar os principais troncos arteriais e
venosos da circulação mesentérica. Além disso representa
excelente alternativa à angiografia, com
maior disponibilidade, menor custo e menor risco
de complicações.
O achado tomográfico mais comum da isquemia
intestinal é o espessamento de alças; no entanto,
esse é um sinal bastante inespecífico, podendo
também ser encontrado em doenças inflamatórias,
infecciosas e algumas neoplasias (Fig. 7.3). O espessamento
da parede intestinal de etiologia isquêmica
é decorrente do edema e, por isso, tem aspecto
circunferencial, preservando a estratificação de
camadas da parede, o que confere um aspecto em
“alvo”.
Outros achados tomográficos descritos incluem
a própria visibilização do trombo arterial (Figs. 7.4
e 7.5) ou venoso, distensão gasosa de alças, congestão
das veias mesentéricas nos casos de obstrução
venosa (Fig. 7.6), perda do realce intestinal habitual,
pneumatose intestinal, aeroportograma e, nos
casos de perfuração em decorrência de necrose isquêmica,
incluem pneumoperitônio e líquido na
cavidade peritoneal.
As imagens obtidas
após a injeção do contraste revelam com melhor
nitidez a extensão da área sem fluxo, bem como
permitem avaliar o realce das alças, que expressa
o grau de perfusão intestinal oferecido pela circulação
colateral.
O realce habitual da parede intestinal está ausente
em cerca de 60% dos casos de oclusão arterial,
indicando o déficit perfusional. A ausência desse
sinal não afasta o sofrimento isquêmico da alça,
que pode estar recebendo irrigação ainda deficitária,
mesmo com vasodilatação de vias colaterais.
Representa a principal alternativa na abordagem
diagnóstica de pacientes, cuja queixa e sinais
clínicos são pouco específicos.
36
Hérnia estrangulada também entra como isquêmico
Tomografia Computadorizada
Helicoidal
A TC tem papel fundamental no estabelecimento
do diagnóstico precoce por sua capacidade
de demonstrar os principais troncos arteriais e
venosos da circulação mesentérica. Além disso representa
excelente alternativa à angiografia, com
maior disponibilidade, menor custo e menor risco
de complicações.
O achado tomográfico mais comum da isquemia
intestinal é o espessamento de alças; no entanto,
esse é um sinal bastante inespecífico, podendo
também ser encontrado em doenças inflamatórias,
infecciosas e algumas neoplasias (Fig. 7.3). O espessamento
da parede intestinal de etiologia isquêmica
é decorrente do edema e, por isso, tem aspecto
circunferencial, preservando a estratificação de
camadas da parede, o que confere um aspecto em
“alvo”.
Outros achados tomográficos descritos incluem
a própria visibilização do trombo arterial (Figs. 7.4
e 7.5) ou venoso, distensão gasosa de alças, congestão
das veias mesentéricas nos casos de obstrução
venosa (Fig. 7.6), perda do realce intestinal habitual,
pneumatose intestinal, aeroportograma e, nos
casos de perfuração em decorrência de necrose isquêmica,
incluem pneumoperitônio e líquido na
cavidade peritoneal.
As imagens obtidas
após a injeção do contraste revelam com melhor
nitidez a extensão da área sem fluxo, bem como
permitem avaliar o realce das alças, que expressa
o grau de perfusão intestinal oferecido pela circulação
colateral.
O realce habitual da parede intestinal está ausente
em cerca de 60% dos casos de oclusão arterial,
indicando o déficit perfusional. A ausência desse
sinal não afasta o sofrimento isquêmico da alça,
que pode estar recebendo irrigação ainda deficitária,
mesmo com vasodilatação de vias colaterais.
Representa a principal alternativa na abordagem
diagnóstica de pacientes, cuja queixa e sinais
clínicos são pouco específicos.
37
Abdome Agudo
Hemorrágico
A hemorragia intra-abdominal é rara nos pacientes que procuram o PA por dor abdominal (2%), mas a mortalidade é 100% nos não operados.
Ruptura AAA
Ruptura AAE
Ruptura AAH
Ruptura de baço ou fígado
Anamnese:
Importante: idade, ciclo menstrual 
Investigar: trauma abdominal, patologias prévias (neoplasias, aneurismas).
Fatores de risco: aterosclerose, HAS, coagulopatias, uso de anticoagulantes orais
Sinais e Sintomas:
Dor localizada, a princípio
Aumento gradual na intensidade  evolui para dor difusa
Náuseas e vômitos
Choque hipovolêmico: pulso filiforme, pele fria e pegajosa, FC ↑, FR↑, TA↓, redução do débito urinário e do nível de consciência
Exames Laboratoriais:
Hemograma
TP, TTPa
Gasometria Art.
Exames de Imagem:
USG (instável)
TC de abdome (estável)
Tratamento:
Pré-cirúrgico:
Analgesia
Laparotomia
A hemorragia intra-abdominal espontânea é
rara. De acordo com alguns autores, estaria presente
em 2% dos pacientes adultos que procuram
o departamento de emergência com dor abdominal.
Apesar de incomum, entretanto, pode ser fatal.
Há relatos que assinalam taxas de mortalidade
de 40% nos pacientes não-operados e de 100%
nos operados sem identificação do foco hemorrágico.
O conhecimento prévio dos fatores de risco
e das possíveis etiologias, somado a um elevado
grau de suspeita clínica, facilita a assistência médico-
hospitalar desses pacientes e melhora seu
prognóstico.
As causas da hemorragia intra-abdominal são
numerosas e incluem doenças as mais variadas,
como o traumatismo abdominal, a ruptura de
aneurisma da aorta ou de alguma artéria visceral,
as neoplasias malignas de vísceras sólidas, os processos
inflamatórios erosivos (pancreatite e pseudocisto,
por exemplo) e, nas mulheres, além dessas
mencionadas, as afecções ginecológicas e obstétricas.
QUADRO CLÍNICO
O AAHE pode ser causado por várias doenças
e, por esse motivo, nem sempre os dados clínicos
nos permitem definir, com segurança, sua
origem. O sangramento intra-abdominal pode
ocorrer em qualquer idade, ainda que suceda,
com maior freqüência, na quinta e sexta décadas
de vida. A incidência é maior nos homens, na
proporção de 2:1. A etiologia difere de acordo
com o sexo e a idade. Enquanto no idoso a ruptura
de tumores, de veias varicosas e de aneurismas
da aorta abdominal são as causas mais freqüentes,
no jovem são comuns as rupturas de
aneurismas das artérias viscerais e, nas mulheres,
sangramentos de origem ginecológica e obstétrica.
Por esse motivo, as informações a respeito
do ciclo menstrual auxiliam na formulação da
hipótese diagnóstica.
A dor abdominal, principal sintoma cuja presença,
intensidade e localização dependem da causa
da hemorragia, manifesta-se isolada ou concomitante
a evidências de hipovolemia e choque.
Verificaram que, no início, a dor abdominal
podia ser leve, provocando apenas desconforto.
Correlacionaram esse achado à presença de hemorragia
confinada ao foco de sangramento ou ao início
da expansão do hematoma, com distensão do
peritônio visceral ou parietal, provocando o quadro
doloroso. Nesses casos, a dor costumava instalar-se
subitamente e permanecia inalterada ou aumentava
gradativamente de intensidade. À medida que
se tornava mais forte surgiam náuseas ou vômitos.
Se a hemorragia cessasse, a dor podia até desaparecer,
retornando quando houvesse aumento do hematoma
por novo sangramento. Já
nas pacientes com sangramento contínuo e aumento
do hematoma até a ruptura do peritônio, a dor
era súbita, intensa, tornando-se difusa com o passar
do tempo, sendo acompanhada de taquicardia
e hipotensão arterial. O quadro hemodinâmico do AAHE reflete a
perda aguda de sangue. Em sua forma mais exuberante,
traduz-se pelo choque hemorrágico, definido
pela perfusão tecidual deficiente. Entretanto,
os sinais e sintomas variam conforme o volume
perdido e a velocidade da perda sangüínea e
as condições físicas do paciente.
Ocorre a contração dos vasos cutâneos
e das extremidades. A pele torna-se pálida,
fria e úmida e há retardo do enchimento capilar. O
pulso torna-se mais fino, a freqüência respiratória
aumenta e a inspiração se aprofunda. Quando o
sangramentopersiste, as manifestações clínicas ficam
progressivamente mais evidentes. Hipotensão
arterial, intensa taquicardia, redução da amplitude
do pulso periférico, palidez, taquipnéia, redução
do débito urinário e agitação são achados característicos
dessa condição.
No exame físico do abdome, deve-se buscar sinais
de irritação peritoneal, assim como a presença
de visceromegalias, de massas palpáveis pulsáteis
ou não, de sopros tanto na face anterior do
abdome como no dorso. Equimoses na cicatriz
umbilical, sinal de Cullen, descrito na gravidez ectópica
ou na região dos flancos, sinal de Gray-Turney,
descrito na pancreatite aguda, sugerem hemorragia
intraperitoneal e retroperitoneal, respectivamente.
A obtenção pormenorizada da história e
do exame físico permite suspeitar da presença do
AAHE e de sua possível etiologia, orientando os
procedimentos de reanimação e as etapas diagnósticas
e terapêuticas ulteriores.
FATORES DE RISCO
ARTERIOSCLEOSE E HIPERTENSÃO
ARTERIAL
A presença de doenças associadas é fato comum
nos doentes com AAHE. Acima de 50 anos a arteriosclerose e a hipertensão arterial são as
mais freqüentes.
COAGULOPATIAS
Pacientes portadores de doenças com déficits
de coagulação, mais freqüentemente mulheres em
idade fértil, são suscetíveis ao sangramento intraabdominal
espontâneo.
ANTICOAGULANTES
O uso de medicamentos que alteram a coagulação
é usual. Entre eles incluem-se os antiinflamatórios
não-hormonais, os anticoagulantes orais e a
heparina de baixo peso molecular ou não. Os anticoagulantes
são usados no tratamento e na prevenção
de doenças cardiovasculares e a complicação
mais freqüente de seu uso é o sangramento.
EXAMES LABORATORIAIS
Os exames laboratoriais podem ser importantes
para quantificar o sangramento e suas repercussões
fisiológicas. Na maioria das vezes, auxiliam no
reconhecimento de alguma condição predisponente
ao sangramento.
Se a hemorragia for em quantidade considerável
e se houver tempo suficiente para que se instalem
os mecanismos compensatórios desencadeados
pela hipovolemia, os valores da hemoglobina e a do
hematócrito estarão reduzidos. A leucocitose é usual
e decorre da irritação peritoneal provocada pela
hemoglobina e da própria resposta homeostática à
hipovolemia. O número de leucócitos pode variar,
dependendo do tempo de instalação do hemoperitônio.
A contagem do número de plaquetas é obrigatória.
Na plaquetopenia, o sangramento surge a
partir de contagens iguais ou inferiores a 20 mil
plaquetas.
O estudo global da coagulação é útil para o
diagnóstico e orienta o tratamento. A atividade da
protrombina, a tromboplastina parcial ativada e a
trombina são os mais utilizados.
O objetivo de manter as etiologias é informativo, já que, no PA, seu objetivo é estabilizar o paciente. Na maioria dos casos, o local de sangramento é descoberto na mesa de operações.
RUPTURA DE ANEURISMA DE AORTA
ABDOMINAL
O aneurisma da aorta abdominal (AAA) ocorre
em 5% a 7% das pessoas acima de 60 anos de
idade e predomina no sexo masculino. O AAA pode romper-se anteriormente sangrando
para a cavidade peritoneal ou posteriormente
provocando sangramento retroperitoneal. Apenas
12% dos pacientes com ruptura do aneurisma sabem
ser portadores de AAA. A conduta inicial é voltada para a estabilização
hemodinâmica do paciente e a apresentação
clínica, particularmente o grau de instabilidade
hemodinâmica, define a urgência necessária na
avaliação radiológica e na indicação cirúrgica.
RUPTURA DE ANEURISMA
DA ARTÉRIA ESPLÊNICA
É o aneurisma mais comum entre os vasos viscerais
abdominais e corresponde a 60% de todos os
aneurismas de artérias viscerais
RUPTURA DE ANEURISMA
DA ARTÉRIA HEPÁTICA
O aneurisma da artéria hepática é o segundo
mais comum, é responsável por 20% dos aneurismas
das artérias viscerais, ocorre em indivíduos
acima de 60 anos.
AAH EM AFECÇÕES DO
APARELHO DIGESTIVO E DO
BAÇO
RUPTURA ESPONTÂNEA DO FÍGADO
RUPTURA ESPONTÂNEA DE BAÇO
TUMORES DO TRATO GASTROINTESTINAL
COMO FONTES DE SANGRAMENTO
O tumor estromal gastrointestinal (GIST) pode
manifestar-se com hemoperitônio, principalmente
quando se desenvolve de forma exofítica.
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
RUPTURA ESPONTÂNEA DO FÍGADO
A suspeita de ruptura espontânea do fígado
usualmente requer avaliação ultra-sonográfica e tomográfica
logo após as primeiras medidas emergenciais
para estabilização do quadro clínico do mesmo.
À tomografia computadorizada (TC), o sangramento
agudo na cavidade peritoneal apresenta
valor de atenuação maior que 30 unidades Hounsfield
(UH), com média de 45UH. À ultra-sonografia,
o sangramento intraperitoneal tem aspecto variável,
podendo apresentar-se como coleção anecóica,
na fase aguda, ou hiperecogênica, nas fases
mais tardias.
RUPTURA ESPONTÂNEA DO BAÇO
A avaliação inicial de pacientes com suspeita de
ruptura esplênica é semelhante à de pacientes com
ruptura hepática e geralmente se inicia com o ultra-
som e/ou tomografia computadorizada.
RUPTURA DE ANEURISMAS
A ruptura de aneurisma aórtico é uma emergência
médica fatal na ausência de tratamento cirúrgico
imediato. A ultra-sonografia abdominal
ainda durante o atendimento na sala de emergência
é, idealmente, o primeiro exame de imagem a
ser realizado nos pacientes com quadro de dor
abdominal, hipotensão e massa abdominal pulsátil.
Como esse é um método de pequena acurácia
na identificação de hemorragia paraórtica, a identificação
de um aneurisma de aorta é o suficiente
para indicar intervenção cirúrgica imediata
nesses pacientes.
Nos casos em que o paciente encontra-se hemodinamicamente
estável, a tomografia computadorizada
é o exame de eleição, pois é melhor na
detecção de sangramentos agudos demonstrando
com acurácia sua extensão, não sendo prejudicada
pelos gases intestinais.
38
Ultrassonografia de abdome evidenciando coleção líquida 
39
Tomografia Computadorizada de abdome mostrando rotura de útero
40
Dor abdominal
Febre
Peritonite
Anemia Hipotensão
Vômitos
Obstipação
Dor intensa, súbita
Resumindo...
Sinais e Sintomas
Inflamatório
Perfurativo
Hemorrágico
Obstrutivo
Isquêmico
Atenção aos sinais...
Se for de febre e peritonite... Eu penso em uma causa inflamatória. Maaas, também devo suspeitar de um PERFURATIVO.
Aliás, se eu tiver alguma perfuração ou outra fonte de sangramento, também preciso suspeitar de... HEMORRÁGICO, que será acompanhado de anemia e hipotensão
41
	Hemograma Completo
	Eletrólitos
	Ureia e Creatinina
	Urina tipo 1
	Beta – HCG
	Amilase e Lipase
	Bilirrubina Total e Frações
	AST e ALT
	Fosfatase Alcalina
	Gama – GT
	Gasometria Arterial
Resumindo...
Exames Laboratoriais Úteis
Um hemograma completo com contagem diferencial é valioso porque a maioria dos pacientes com abdome agudo tem leucocitose.
A dosagem de eletrólitos séricos, ureia e creatinina auxilia na avaliação do efeito de fatores, como vômito, perdas de fluido para o terceiro espaço, bem como pode sugerir uma causa endócrina/metabólica para a dor abdominal. 
Amilase e lipase séricas podem sugerir pancreatite como causa da dor abdominal, embora deva-se ter em mente que podem estar elevadas em outros distúrbios
Exames da função hepática (bilirrubina total também, bem como AST, ALT, FA, GGT) são úteis na avaliação de potenciais causas de dor abdominal aguda, oriundas do trato biliar.
Lactato e gasometria são importantes para determinar isquemia ou infarto intestinal
Urina tipo 1 para afastar cistite, pielonefrite e determinadas anormalidades endócrinas. 
Initial diagnostic testing — Patients with a surgical abdomen should have the following laboratory
measurements:
Complete blood count with differential
Electrolytes, BUN, creatinine, and glucose
Aminotransferases, alkaline phosphatase, and bilirubin
Lipase
Urinalysis
Pregnancy test in women of childbearing potential
42
Resumindo...
Exames complementares
Colocar em realce o mais indicado para cada patologia?
43
Abdome Cirúrgico?
Perfurativo
Hemorrágico
Obstrutivo
Isquêmico
Inflamatório
Rx
TC
USG
TC
Videolapa
Rx
TC
USG
AngioTC
Videolapa
USG
TC
VideolapaRx
Pneumoperitônio
Obstrução intestinal
Espessamento da parede de alças
Gás no sistema venoso portal
Pneumatose intestinal
US
Espessamento da parede da vesícula
Dilatação das vias biliares
Abscesso intraabdominal
Imagem anexial complexa associada a líquido na cavidade
Embrião com batimentos cardíacos fora do útero
TC
Pneumoperitônio
Espessamento da parede da vesícula
Dilatação das vias biliares
Abscesso intraabdominal
Obstrução intestinal
Espessamento da parede de alças
Gás no sistema venoso portal
Pneumatose intestinal
Imagem anexial complexa associada a líquido na cavidade
RNM
Semelhante à TC
Resumindo...
Exames de Imagem
Centro Cirúrgico
ATB
Reposição Volêmica
SNG
Analgesia
Inflamatório
Isquêmico
Obstrutivo
Hemorrágico
Perfurativo
Resumindo...
Condutas Iniciais
Perfurativo? Ressaltar na aula  Conduta imediata pro centro cirúrgico
45
OBRIGADO!!!

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