Prévia do material em texto
ABDOME AGUDO MSc Jacqueline De Marchi CONCEITO Quadro potencialmente crítico, que incorpora manifestações clínicas e causas etiológicas diversas, correspondendo a um número significativo de patologias podendo ou não serem cirúrgicas. É um grande desafio das cirurgias de urgência, pois associa decisões diagnósticas e terapêuticas, rápidas e objetivas.”¹ “TEMPO = INTESTINO” 1. Rassian S. Propedêutica de Abdome Agudo. In: Utiyama EM, Otoch, Rasslan et al; Propedêutica Cirúrgica. Bareri: Mnoel 2007 p174-201 ABDOME AGUDO = DOR!!! Localização; Intensidade; Irradiação; Sintomas associados; Fatores de melhora e piora; Duração; Evolução. DOR VISCERAL Mediada por fibras aferentes do Sistema Nervoso autônomo (receptores localizam-se na parede das vísceras ocas e órgãos parenquimatosos). Desencadeada quando aumenta a tensão da parede da víscera – distensão, inflamação, isquemia. Dor é uma sensação profunda, surda e mal localizada. DOR PARIETAL OU SOMÁTICA Mediada por receptores ligados aos nervos somáticos existente no peritônio parietal e raiz do meso (dobra de peritônio que liga uma alça intestinal a parede com vasos de seu interior) Distribuição cutânea unilateral, corresponde a área inervada pelo nervo cerebroespinhal estimulado (raízes de T6-L1) Percebida nos 4 quadrantes Sensação de dor aguda, em “facada”, “pontada”, rigidez muscular, associada a paralisia intestinal (íleo adinâmico) Sinal da descompressão brusca POSITIVO, abdome em “tábua” DOR REFERIDA Transmitida pela via visceral, que leva a percepção da sensação dolorosa em regiões distantes do órgão de origem da dor, no ponto que o segmento medular se insere no corno da medula – segmento dermatotópico Dor superficial NÍVEIS SENSITIVOS ASSOCIADOS A ESTRUTURAS VISCERAIS ESTRUTURAS VIAS DO SISTEMA NERVOSO NÍVEL SENSITIVO FÍGADO, BAÇO E PARTE CENTRAL DO DIAFRAGMA NERVO FRÊNICO C3-C5 DIAFRAGMA PERIFÉRICO, ESTÔMAGO, PÂMCREAS, VESÍCULA BILIAR E INTESTINO DELGADO PLEXO CELÍACO E NERVO ESPLÂNCNICO MENOR T6-T9 APÊNDICE, CÓLON E VÍSCERAS PÉLVICAS PLEXO MESENTÉRICO E NERVO ESPLÂNCNICO MÍNIMO T10-T11 CÓLON SIGMÓIDE, RETO RINS, URETER E TESTÍCULOS NERVO ESPLÂNCNICO MÍNIMO T11-L1 BEXIGA E RETOSSIGMÓIDE PLEXO HIPOGÁSTRICO S2-S4 CLASSIFICAÇÃO DE ABDOME AGUDO OBSTRUTIVO PERFURATIVO VASCULAR Apendicite aguda, Colecistite aguda, pancreatite aguda, diverticulite aguda, doença inflamatória pélvica, abscessos intracavitários INFLAMATÓRIO Bridas (aderências), hérnias de parede abdominal e internas, volvo, bolo de áscaris, corpos estranhos, cálculos biliar Trombose mesentérica arterial ou venosa, embolia arterial mesentérica, infarto esplênico Úlcera péptica perfurada, perfuração de neoplasia gastrointestinais, perfurações de divertículos, Doença de Crohn HEMORRÁGICO Prenhez ectópica rota, cisto de ovário roto, rotura de aneurisma abdominal, rotura de baço 2. Figueiredo AM et al. Abdome agudo não traumático. Atualização terapêutica 23 edição, 2007, p. 1961-6. ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO APENDICITE AGUDA Inflamação aguda do apêndice vermiforme produzido pela obstrução da luz apendicular (fecalitos Dor em epigástrio, que aumenta progressivamente, tipo cólica e se localiza em FID. Naúseas -> vômitos, febre, inapetência, prostração Exame físico: Sinal de Blumberg, Rovsing ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO APENDICITE AGUDA Diagnóstico clínico Exames de imagem: Raio x de abdome AP e ortostático: sinal de apagamento do psoas e sinal da dupla bolha de ar Ultrassom de abdome, TC de abdome com contraste (gold standart) Exames laboratoriais: Hemograma com desvio a esquerda PCR aumentado EAS normal Beta-hcg (mulheres) Vômitos: função renal e eletrólitos ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO APENDICECTOMIA VIDEOLAPAROSCÓPICA Mc Burney Mc Burney Modificada Rockey-Davis ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO APENDICECTOMIA VIDEOLAPAROSCÓPICA ARQUIVO PESSOAL ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO COLECISTITE AGUDA 3ª causa de internação de emergência Dor em hipocôndrio direito, em cólica, contínua ou persistente, náuseas, vômitos (50%), icterícia (20%), febre Sinal de Murphy POSITIVO: após expiração, o examinador aprofunda a mão ou o polegar na junção do rebordo costal com o reto abdominal (ponto cístico) – DOR e parada na inspiração Alitiásica e litiásica Gram negativos (E. coli, Klebsiella sp, Proteus sp) e anaeróbios (Bacterioides fragilis, Clostridium sp) ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO COLECISTITE AGUDA Diagnóstico: laboratorial e ultrassonográfico (sinal de Murphy +) Exames laboratoriais: Hemograma com leucocitose FALC, GAMA GT, BT e frações, amilase podem estar aumentados (coledocolitíase, pancreatite aguda) ARQUIVO PESSOAL ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO COLECISTITE AGUDA Antibioticoterapia – Ciprofloxacino e Metronidazol Cirurgia precoce – 24 a 48 horas ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO PANCREATITE AGUDA Processo inflamatório agudo do pâncreas com envolvimento variável de outros tecidos regionais ou sistemas orgânicos Dor abdominal, tipo cólica, em faixa, forte intensidade em abdome superior, náuseas e vômitos incoercíveis (90%), taquicardia, hipotensão, febre, icterícia. Derrame pleural Equimose em flanco esquerdo (sinal de Gray-Turner) ou na região periumbilical (sinal de Cullen) são indicativos de hemorragia retroperitoneal - pancreatite grave ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO PANCREATITE AGUDA FÁRMACOS Inibidores da ECA, asparaginase, azatioprina, 2’,3’-didesoxinosina, furosemida, 6-mercaptopurina, pentamidina, sulfas, valproato INFECCIOSO Vírus coxsackie B, citomegalovírus, caxumba HEREDITÁRIA Mutações gênicas múltiplas conhecidas, incluindo uma pequena porcentagem de pacientes com fibrose cística MECÂNICAS/ESTRUTURAIS Cálculos biliares, CPRE, trauma, câncer pancreático ou câncer periampular, cisto de colédoco, estenose do esfíncter de Oddi, pancreas divisum METABÓLICA Hipertrigliceridemia, hipercalcemia (incluindo hiperparatireoidismo), uso de estrógeno associado com altos níveis de lipídios TOXINAS Álcool, metanol OUTRAS Tabagismo, gestação, pós-transplante renal, isquemia secundária a hipotensão ou ateroembolismo, pancreatite tropical ETIOLOGIA ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO PANCREATITE AGUDA Exames laboratoriais: Hemograma com leucocitose Amilase, lipase BT e frações, função canalicular e hepática LDH Gasometria arterial Escore clínico e laboratorial - RANSOM ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO PANCREATITE AGUDA PADRÃO OURO: TOMOGRAFIA DE ABDOME COM CONTRASTE ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO DIVERTICULOSE Protusão da mucosa e submucosa através da fragilidade da muscular da mucosa em locais de penetração de vasos sanguíneas (vasa recta). Surgem em 2 a 3 fileiras entre as tênias antimeséntericas e mesentéricas Principalmente sigmóide, pode cometer cólon direito Diverticulose: presença de divertículos (não é doença) Doença diverticular: divertículos com sinais inflamatórios Doença diverticular sintomática não complicada: sintomas, mas sem inflamação macroscópica Diverticulite: evidência de inflamação macroscópica diverticular (febre, taquicardia). Diverticulite complicada: sangramento perfuração, abscessos, fistulas, obstrução. ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO DIVERTICULITE AGUDA Dor em QIE (90% diverticulos em sigmóide), tipo cólica, de média e forte intensidade, febre, parada de eliminação de gazes e fezes. RHA diminuídos Toque retal doloroso, massa? Exames laboratoriais: Hemograma com leucocitose, PCR alterado Exame de imagem: TC de abdome com contraste ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO ESTÁGIO O: Diverticulite leve não complicada ESTÁGIO Ia: Inflamação ou fleimão pericólicos confinados ESTÁGIO Ib: Abscesso pericólico confinado ESTÁGIO II: Abscesso pélvico, retroperitoneal ou intraabdominal ESTÁGIO III: Peritonite generalizada ESTÁGIO IV: Peritonite fecal generalizada CLASSIFICAÇÃO HINCHEY MODIFICADA TRATAMENTO DE DIVERTICULITE AGUDA ESTÁGIO I e II Abscessodo abscesso -> avaliar drenagem Abscesso > 5 cm Dieta zero + analgesia, reposição hidroeletrolíticas + analgesia + drenagem PIORA = CIRURGIA TRATAMENTO DE DIVERTICULITE AGUDA ESTÁGIO III e IV UTI Medidas de suporte ATB amplo espectro Cirurgia de urgência (Hartmann) Ressecção com anastomose primária, com ou sem ileostomia ABDOME AGUDO OBSTRUTIVO BRIDAS OU ADERÊNCIAS Cirurgias prévias Início com dor não localizada, piora progressiva, distensão abdominal, parada de eliminação de gazes e fezes, vômitos tardios Isquemia de alças intestinais Tratamento cirúrgico – Laparoscopia ou Laparotomia ARQUIVO PESSOAL ABDOME AGUDO OBSTRUTIVO HÉRNIAS ABDOMINAIS Fraqueza da parede abdominal, causando protusão ou abaulamento Hérnia encarcerada: consiste na exteriorização e permanência de alças intestinais (e/ou ovário e trompa) no saco herniário, com difícil redução. Há progressiva dificuldade de retorno venoso, levando a edema de alças e diminuição de fluxo sanguíneo, podendo ocasionar necrose de alça, o que caracteriza a hérnia estrangulada ABDOME AGUDO OBSTRUTIVO HÉRNIAS ABDOMINAIS Dor intensa, localizada, sem irradiação, vômitos tardios, edema, eritema e rubor local. Diagnóstico clínico Tratamento cirúrgico – HERNIORRAFIA, com ou sem ressecção de alça ABDOME AGUDO OBSTRUTIVO HÉRNIAS INTERNAS Cirurgias com ressecção intestinal prévia – cirurgia bariátrica Dor abdominal difusa, com piora progressiva, tardiamente naúseas e vômitos. Diagnóstico: Hemograma infeccioso Imagem: TC de abdome com contraste apresentando obstrução ABDOME AGUDO OBSTRUTIVO TUMORES INTESTINAIS PARADA DA ELIMINAÇÃO DE GAZES E FEZES RHA DIMINUÍDOS OU AUSENTES DISTENSÃO ABDOMINAL VÔMITOS TARDIO: FEBRE E ATÉ PERFURAÇÃO ARQUIVO PESSOAL ABDOME AGUDO PERFURATIVO ÚLCERA PÉPTICA PERFURADA Menor incidência devido ao uso de IBP Presença de H pylori – MANDATÓRIO o tratamento para erradicar Gástrica ou duodenal Dor epigástrica, progressiva, naúseas, vômitos, febre. Diagnóstico: TC de abdome apresentando pneumoperitôneo Gastrite Perfuração Úlcera ABDOME AGUDO PERFURATIVO Neoplasias gastrointestinais, perfurações de divertículos, Doença de Crohn, ferimento por arma branca ou de fogo História clínica: patológica pregressa, emagrecimento, características da dor, mecanismo do trauma. CIRURGIA!!!! ARQUIVO PESSOAL ABDOME AGUDO VASCULAR TROMBOSE MESENTÉRICA ARTERIAL OU VENOSA, EMBOLIA ARTERIAL MESENTÉRICA, INFARTO ESPLÊNICO 60% mortalidade, > 50 anos Dor abdominal súbita, difusa, não responsiva a analgesia DIAGNÓSTICO: Angiotomografia - é o método de realização de um exame radiográfico dos vasos sanguíneos, por meio da injeção de contraste radiopaco no ambiente intravascular. TRATAMENTO: realizar estabilização hemodinâmica, com reposição hidreletrolítica e correção dos distúrbios acidobásicos, ATB e revascularização cirúrgica (baço=esplenectomia) ABDOME AGUDO HEMORRÁGICO Prenhez ectópica rota, cisto de ovário roto, rotura de aneurisma abdominal, rotura de baço Sangue na cavidade abdominal = Sinais de peritonite = Sinais de descompressão brusca positivos Mulheres em idade fértil: SOLICITAR BETA-HCG Aneurisma de aorta abdominal: idosos, obesos, cardiopatas. Rotura de baço: trauma abdominal fechado - POLITRAUMATIZADOS FÁRMACOS QUE PODEM INDUZIR A ERROS DIAGNÓSTICOS NATUREZA DO ABDOME AGUDO FÁRMACOS INFLAMATÓRIO Azatioprina, Mesalazina, contrastes endovenosos (pancreatite) OBSTRUTIVO Colestiramina, Codeína, antidepressivos tricíclicos PERFURATIVO Corticóide, metildopa, cloreto de potássio VASCULAR Anticoncepcionais, digitálicos, medroxiprogesterona (necrose de alças intestinais) HEMORRÁGICO Cumarínicos (Warfarina) ? ? ? jac_marchi@hotmail.com BIBLIOGRAFIA Tratado de Cirurgia do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, 2019, Atheneu PROACI – programa de atualização em Cirurgia, 2019 Tratado de Coloproctologia, Atheneu Abdome agudo clínica e imagem, Atualização terapêutica, 2007, Atheneu image2.jpg image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg image8.png image9.jpeg image10.jpeg image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg image14.jpeg image15.jpeg image16.jpeg image17.jpeg image18.jpeg image19.jpeg image20.png image21.jpeg image22.jpeg image23.jpeg image24.jpeg image1.jpg