Prévia do material em texto
COMPORTAMENTO
ORGANIZACIONAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
> Contextualizar o princípio da liderança nas organizações.
> Caracterizar os distintos estilos gerenciais.
> Relacionar o impacto dos estilos de liderança no ambiente de trabalho.
Introdução
Atualmente, com a concorrência e a competitividade maiores em todos os mer-
cados, é imprescindível que haja uma liderança capaz de levar a empresa aos
patamares em que ela espera estar. Em razão disso, contextualizar a liderança
significa clarificar o seu papel.
Ao se conhecerem as características de cada estilo de liderança, é possível
relacionar como eles impactam o comportamento dos colaboradores. A análise
dos resultados obtidos pelos grupos em função da influência do comportamento
do líder pode ser um parâmetro para a empresa monitorar seu capital humano.
Acompanhar a condução das ações das lideranças pode desenhar o melhor perfil
para que o sucesso da empresa seja atingido.
Neste capítulo, você será apresentado aos diversos tipos de liderança, com-
preendendo os diferentes estilos gerenciais e seu impacto no ambiente de trabalho.
Liderança em
contextos
organizacionais
Fabiane Padilha da Silva
Contexto da liderança nas organizações
As transformações pelas quais a sociedade passa impactam na esfera or-
ganizacional, de forma que passa a ser importantíssimo compreendê-las.
Observando a evolução do conceito de liderança, pode-se perceber que
antigamente se tinha um perfil mais relacionado à alocação de recursos.
As mudanças advindas do panorama mundial contemporâneo, que é muito
mais tecnológico e veloz, obrigam as organizações que querem manter-se na
vanguarda a realizarem adequações em seus processos.
A competitividade acirrada entre as organizações demanda um posicio-
namento capaz de suportar as mudanças constantes e revolucionárias que
acontecem diariamente. E, como nunca, o desenvolvimento da organização
como um todo requer um direcionamento. A liderança, em sua base, é a forma
pela qual os gerentes e/ou gestores irão conduzir suas ações empresariais,
fazendo com que subordinados (colaboradores) executem tarefas e atividades
para que o sucesso da empresa seja atingido.
Atualmente, pensar em liderança é valorizar perfis diferentes, utilizar os
talentos de maneira complementar e despertar a autonomia, estimulando a
participação e responsabilidade de cada membro da equipe. Assim, é uma
visão muito mais ampla do que apenas gerenciar recursos. O retrato atual
direciona para uma liderança mais participativa, envolvente, educadora e
sensível às complexidades humanas.
A liderança passa pela compreensão da importância de motivar, reco-
nhecendo os avanços e sabendo disciplinar, mostrando-se como exemplo.
Além disso, é necessário ser rigoroso na cobrança do cumprimento de regras,
prazos e metas. O líder também tem consciência de que para se ter uma
equipe integrada, é imprescindível que todos estejam engajados em um único
objetivo, tendo como foco a busca de benefícios abrangentes e que visem a
interesses mais gerais.
O cerne da questão relacionada às adaptações da atualidade encontra-se
amparado em dois pontos: inovar disruptivamente (o que é muito mais difícil)
ou analisar o mercado para identificar elementos que possam contribuir
positivamente para a busca de resultados e implantá-los na empresa. Thomp-
son Jr., Strickland III e Gamble (2008) aponta que o benchmarking possibilita
essa adaptação reconhecendo as melhores práticas e inserindo-as de forma
ajustada ao contexto organizacional. Entretanto, cabe ressaltar que não basta
apenas replicar a prática, é necessário moldá-la conforme a realidade em
que a organização se encontra.
Liderança em contextos organizacionais2
O conceito central de benchmarking (THOMPSON JR.; STRICKLAND III; GAM-
BLE, 2008) retoma que ele se ampara na melhor prática — por melhor prática
define-se qualquer prática que pelo menos uma empresa provou realizar
particularmente bem. O que significa que:
� requer parâmetros de comparação para medir desempenho;
� requer humildade, pois admite que outros já chegaram em outro
patamar;
� requer um olhar mais criativo, pois vai demandar adaptação daquela
ideia.
Como um dos conceitos de liderança afirma que ela é um processo, na
Figura 1 pode-se observar esse continuum, no qual a base é organizacional.
Nesse caso, identificando as melhores práticas, adaptando-as e mantendo um
parâmetro que visa a comparar situação atual e futura ou situação passada
e presente, consegue-se ter um modelo de fácil aplicação.
Figura 1. Da determinação do benchmarking e da implantação da melhor prática à excelência
operacional.
Fonte: Thompson Jr., Strickland III e Gamble (2008, p. 394).
Bendassolli, Magalhães e Malvezzi (2014) afirmam que a liderança é um
processo que ocorre em grupos, visando à conquista de mudanças reais
com foco em objetivos comuns. Encontrar a versão particular da melhor
prática é uma tarefa que o líder deve buscar, porém, envolver a equipe é o
caminho mais inteligente. Mobilizar as pessoas para que elas contribuam
com ideias, integrando-as às demandas organizacionais, é, seguramente,
papel fundamental da liderança e o processo mais adequado. Que fique claro
aqui que, quando se propõe o benchmarking como uma linha de raciocínio,
a intenção é não apenas aplicar essa ferramenta no contexto mais amplo
em que a organização se insere, mas também trazê-la para o entendimento
mais reduzido da liderança intraorganizacional, que é nosso ponto central.
Liderança em contextos organizacionais 3
Tendo em vista que a organização está dentro de um ambiente competitivo
mais amplo, é de fácil compreensão a replicação de ações no ambiente interno
da organização. Dessa forma, o estilo de liderança praticado sofre influência
e ao mesmo tempo influencia o contexto. Os modelos à disposição, no que
tange às concorrentes, acabam ficando conhecidos pelas participantes do
ambiente concorrencial, fazendo o líder ter que escolher qual modelo seguir
a fim de obter os melhores resultados organizacionais.
Assim, a organização possui uma estratégia geral (mais ampla) que con-
duzirá todas as ações internas. Um meio de enfatizar a importância de uma
liderança efetiva é perceber que essa liderança conduzirá, em todos os níveis,
a estratégia da empresa para alcançar os objetivos estipulados.
A estratégia total que emerge é realmente um conjunto de ações estraté-
gicas e abordagens de negócio iniciadas em parte pelos executivos sêniores
da empresa; em parte pelos chefes de importantes divisões de negócio; em
parte pelos gestores de áreas funcionais; e em parte pelos gestores opera-
cionais na linha de frente.
Gamble e Thompson Jr. (2012) divide o processo estratégico de uma or-
ganização em cinco etapas, conforme mostra a Figura 2. Nesse modelo, as
etapas avançam conforme as decisões vão se afunilando. Esse funil parte das
decisões mais amplas (amparadas no ambiente externo) e chega até decisões
pontuais e organizacionais (tarefas do dia a dia mesmo). Essa figura reforça
o quanto o contexto externo pode impactar nas decisões sobre liderança e
outros assuntos organizacionais. Se a empresa não se debruçar sobre essas
questões, a ponto de alinhá-las com suas perspectivas, pode ser muito mais
difícil conquistar resultados diferenciados.
Figura 2. Etapas do processo estratégico.
Fonte: Gamble e Thompson Jr. (2012, p. 13).
Liderança em contextos organizacionais4
Liderança como um dos princípios da qualidade
Abordar o tema liderança é pôr foco na influência sobre o comportamento
humano e na mobilização dos liderados diante de todas as demandas or-
ganizacionais. Assim, a liderança somente alcança legitimidade a partir do
reconhecimento dos liderados, promovendo engajamento. Esse é o motivo
pelo qual um dos princípios da qualidade é a liderança, pois é ela que facilitará
a execução dos processos que são exigidos pelas normas internacionais,
estabelecendo uma unidade de propósito.
As normas ISO são um conjuntode regras internacionais que padronizam
os processos organizacionais. A ISO 9001 no Brasil equivale à norma da ABNT
NBR ISO 9001, de 2008 (Gestão da Qualidade, 2008); objetivando a geração
de confiança por meio da padronização de processos, essa norma certifica
os requisitos para a implantação de sistemas de gestão da qualidade. Com
base nela, existem princípios da gestão da qualidade, que são:
� foco no cliente: visa a exceder a satisfação do cliente;
� liderança: tem foco na criação de unidade de propósito, pois ela per-
mitirá o alinhamento das estratégias da organização por meio do
direcionamento e engajamento dos colaboradores;
� abordagem de processo: seu foco é na relação entre inputs (entradas)
e outputs (saídas), visando à otimização do sistema e seu desempenho;
� abordagem sistêmica para a gestão: tem foco na visão de processos
de forma sistêmica, permitindo um olhar amplo voltado para toda a
empresa;
� envolvimento das pessoas: foco no envolvimento dos colaboradores;
� melhoria contínua: foco em como a equipe adquire o conhecimento
para melhorar resultados continuamente;
� tomada de decisão baseada em fatos: por meio dos indicadores, é pos-
sível verificar oportunidades e desafios da empresa e tomar decisões
que melhorarão serviços e produtos;
� gestão de relacionamento: tem foco na relação de parceria com a
empresa, contribuindo para o aumento do desempenho e da qualidade
na empresa.
Dessa forma, a liderança é um dos princípios da qualidade e está em con-
sonância com a padronização de processos. Então, é mais um argumento para
dar ênfase à liderança como um elemento imprescindível para a excelência
Liderança em contextos organizacionais 5
organizacional. Por isso, a liderança deve assumir um papel central na busca
de estratégias que visem a potencializar resultados.
Em resumo, independentemente do tamanho da empresa ou do mercado
de atuação, a liderança é um elemento essencial na estratégia da empresa.
Tal importância é evidenciada pela consideração da liderança como um
dos princípios da qualidade. Cada organização possui suas peculiaridades,
e as características de cada líder devem estar alinhadas às práticas das
empresas para que apresentem resultados positivos. Por esses motivos,
entender o contexto em que a liderança atua faz-se necessário. Além disso,
os diferentes estilos de liderança e suas características geram consequências
para o ambiente organizacional, impactando as relações entre gerência e
subordinados — tópicos que serão abordados a seguir.
Características dos estilos de liderança
As análises voltadas à liderança já têm muito tempo, dada a importância
do tema para as empresas. Por isso, são muitas as variações que se têm a
respeito do tema. Aqui, a intenção será concentrar o foco em algumas delas,
tendo em mente que as nomenclaturas podem variar de autor para autor.
Bateman e Snell (2012), ao referir-se à gestão e à liderança, dizem que a
gestão deve lidar com aspectos rotineiros e diários; já a liderança lida com
mudanças importantes. Por esse motivo, ela é uma prática que se deseja
conquistar, mostrando as ambições, os desejos e os ideais desse líder e, da
mesma forma, ressaltando que ter esse ideal em mente não adianta nada,
até que haja algum movimento para alcançá-lo.
Abordagem tradicional
Quando se trata de abordagem tradicional, Bateman e Snell (2012) trazem as
seguintes: abordagem por traços; abordagem comportamental; e abordagem
situacional.
A abordagem por traços, embora seja pouco aceita na maioria das aná-
lises sobre o assunto, é caracterizada por definir um líder por meio de suas
características. Dentre esses traços, existem estudos que apontam como
traços a vontade, a motivação, a extroversão, a confiança e o conhecimento
do negócio. Clegg, Kornberger e Pitsis (2011) ainda apresentam a ideia de que
existe uma tendência de que líderes sejam homens, altos, de cor branca, com
boa formação e geralmente de origem rica.
Liderança em contextos organizacionais6
Pesquisas sugerem que administradores tanto do sexo masculino
quanto do feminino com posições de liderança em organizações se
comportam de modo similar. As mulheres não adotam um comportamento de
maior consideração do que os homens, e os homens não praticam mais estru-
tura de iniciação do que as mulheres. As pesquisas não sugerem, entretanto,
que o estilo de liderança possa variar entre homens e mulheres. As mulheres
tendem a ser ligeiramente mais participativas como líderes do que os homens,
envolvendo seus subordinados na tomada de decisão e buscando suas opiniões
(Jones; George, 2008).
A abordagem comportamental trata de identificar o que fazem, ou seja,
quais os comportamentos que os líderes têm. Ao tomar como base o com-
portamento, a análise se volta para:
� comportamentos que visam à realização de tarefas: cumprimento de
metas com velocidade, qualidade, precisão, quantidade e atendimento
às regras — a preocupação é com a produção;
� comportamentos de manutenção do grupo: relacionamentos harmonio-
sos, estabilidade social do grupo, foco nos sentimentos e bem-estar das
pessoas, além da valorização e redução de estresse — a preocupação
é com as pessoas.
Mcshane e Von Glinow (2014) levantam a questão sobre qual dessas duas
análises comportamentais é melhor. A resposta é que cada um tem suas
vantagens e desvantagens. Problemas com desempenho podem ser mais
frequentes quando se tem uma configuração de grupo em que o perfil dos
colaboradores tende a necessitar de mais controle, sendo que a liderança
se interessa mais pela manutenção do grupo. Também podem gerar redução
de desempenho grupos de colaboradores que trabalhariam bem com mais
liberdade, mas por outro lado existe o líder que quer controlar tudo e acaba
interferindo no resultado do grupo. Portanto, cabe ao líder ter sensibilidade
suficiente para detectar qual é o perfil do seu grupo de subordinados e como
eles apresentam desempenhos mais efetivos.
A abordagem situacional, como o próprio nome diz, refere-se à situação,
ou seja, o líder irá agir conforme a situação apresentar-se. Essa abordagem
também é denominada abordagem da contingência (McShane; Von Glinow,
2014).
Clegg, Kornberger e Pitsis (2011) esclarecem que elas até poderiam ser dis-
tintas, mas as semelhanças as tornam muito parecidas, mantendo a igualdade
Liderança em contextos organizacionais 7
entre situação e contingência. A ideia principal é que na abordagem situacional
(trataremos ela por esse nome) a liderança deve se adaptar, tornando-se
flexível às mudanças constantes, sejam elas em situações ou contextos.
A teoria da liderança contingencial, que trata da análise voltada aos meios
para atingir as metas, revela que líderes eficientes motivam os colaboradores,
ajudando-os a entenderem que suas necessidades e expectativas pessoais
e profissionais podem ser preenchidas pelo seu desempenho no trabalho.
São apresentados dois conjuntos de contingências:
� referentes aos funcionários: competências, conhecimento, habilidades,
experiência e personalidade;
� relevantes ao ambiente: natureza das equipes e a estrutura da tarefa.
Nessa teoria voltada aos meios para atingir as metas, de acordo com o
caso, o líder poderá usar mais de um estilo de liderança, conforme descrito
no Quadro 1, ajustando-o e adaptando-o conforme a situação se apresentar.
Quadro 1. Estilos de liderança da teoria contingencial voltada aos meios
para atingir as metas
Estilo Descrição
Diretivo Esclarece metas e como conquistá-las. Usa
premiações, disciplina e punições, além de ser
orientado à tarefa.
Apoiador Interessa-se pelas necessidades e aspirações dos
subordinados. Proporciona um ambiente de trabalho
agradável e dá apoio aos colaboradores.
Participativo Busca e estimula ativamente o envolvimento da
equipe na tomada de decisão e em outras questões
relacionadas ao trabalho.
Orientado à realização Espera comprometimento. Acredita que o trabalho
deve ser um desafio para aspessoas e que, com
mais responsabilidade, elas alcançam suas metas.
Voltado às redes de
contato
Sente-se confortável em jogos de poder político,
conseguindo adquirir recursos, atingir metas, criar e
manter relacionamentos positivos.
Baseado em valores É habilidoso em criar, compartilhar e inspirar a visão
e os valores organizacionais, inspirando o grupo.
Fonte: Clegg, Kornberger e Pitsis (2011, p. 157).
Liderança em contextos organizacionais8
Mcshane e Von Glinow (2014) denominam essa teoria como teoria do cami-
nho-objetivo. Essa denominação vem do fato de que líderes criam caminhos
(experiências) para o desempenho eficaz (objetivos) dos seus funcionários,
recompensando diferentemente o bom e o mau desempenhos.
Existem outras teorias situacionais ou contingenciais, como trazem Ba-
teman e Snell (2012), apresentadas a seguir.
� Modelo contingencial de Fiedler: a eficácia depende do estilo pessoal
do líder (que pode ser por tarefas ou por relacionamento) e em que
medida a situação lhe dá poder, controle e influência sobre a situação.
� Teoria situacional de Hersey e Blanchard: leva-se em consideração a
maturidade psicológica e profissional do funcionário antes de decidir
se são mais importantes os comportamentos de realização de tarefas
ou de manutenção.
� Substitutos da liderança: são fatores que assumem papel idêntico ao
que a liderança exerceria, sem que haja influência nenhuma do líder.
� Liderança carismática: é advinda daquele líder que é uma pessoa do-
minante, autoconfiante, convencida da retidão moral de suas crenças
e capaz de gerar nos seguidores um senso de empolgação e aventura.
Esse líder carismático é um herói idealizado, um salvador, que inspira
obediência, confiança, aceitação, envolvimento emocional.
� Liderança transacional: é aquela em que o líder encara a sua atuação
como uma série de transações em que há troca por recompensas por
serviços prestados, sendo assim, desapaixonada, que não transforma
e inspira.
� Liderança transformacional ou transformadora: é aquela que faz as
pessoas transcenderem seus interesses pessoais em prol da comuni-
dade em que estão inseridos. Existem quatro habilidades que contri-
buem para a liderança transformadora:
■ ter uma visão;
■ comunicar a visão;
■ construir confiança;
■ ter uma autopercepção positiva, reconhecendo seus pontos fortes,
compensando os pontos fracos, nutrindo e desenvolvendo constan-
temente seus talentos e aprendendo com os fracassos.
� Liderança nível 5: é aquela em que o líder tem um foco incansável
sobre o sucesso da empresa no longo prazo, ao mesmo tempo em que
se comporta com modéstia, dirigindo a atenção para a empresa e não
para si. É uma junção da liderança transformacional e transacional.
Liderança em contextos organizacionais 9
� Liderança-ponte: é aquela liderança praticada por um líder que não é
nativo do lugar onde a pratica. Vive, estuda e conhece outras culturas
e, quando volta para seu local de origem, torna-se líder.
� Liderança lateral: estabelece uma linha hierárquica única, não havendo
superiores e subordinados. O objetivo é a solução de problemas, a qual
não seria encontrada individualmente, mas, por meio da cooperação,
se torna possível.
� Liderança servidora: O termo líder servidor é um acrônimo da palavra
servant (servidor, em inglês) que juntou palavras com significados
únicos (Clegg; Kornberger; Pitsis, 2011). Baseia-se na ideia de que é
uma maneira de relacionar-se com os outros para atender-lhes as
necessidades e alimentar seu crescimento pessoal, ao mesmo tempo
que contribui com o alcance dos objetivos da empresa.
■ S (servidor – o líder serve as pessoas e as pessoas servem os clientes).
■ E (empoderar – a participação na democracia social e econômica).
■ R (relator – de histórias).
■ V (visionário – conduz a objetivos claros).
■ A (andrógino – não tem nenhum gênero, nem masculino, nem
feminino).
■ N (networker – como articulador da rede de equipes, conecta for-
necedores e clientes).
■ T (time – o líder mobiliza a equipe de forma autônoma).
Existem mais outras duas abordagens que estão em ascensão e que são
trazidas por Clegg, Kornberger e Pitsis (2011): O líder como treinador é uma
função cada vez mais presente nas organizações atuais. O termo treinador,
em inglês coach, tem como variante dentro das organizações o coaching
(treinamento), que é um processo de desenvolvimento e aperfeiçoamento
de competências e habilidades voltadas exclusivamente para a função do
colaborador, trabalhada por meio de encorajamento e sugestões construtivas
amparados em processos comprovados, e que vem, todos os dias, mostrando
resultados surpreendentes. Esse processo possui conotação psicológica.
Já o líder mentor usa a orientação, que é um processo que envolve um
mestre, que é o mentor, e o estudante. Esse é um processo que ocorre, na
maioria das vezes, naturalmente, baseando-se na experiência e na boa vontade
para ensinar. Entretanto, atualmente, existem profissionais que se habilitam
para atuar nessa profissão, mentorando pessoas com objetivos diversos
dentro das empresas. Existem algumas competências que são essenciais na
capacitação com o mentor. São elas: desenvolvimento da empatia, escuta
Liderança em contextos organizacionais10
ativa, táticas de influência, estabelecimento de metas, monitoramento de
desempenho, estímulo de ações positivas, desestímulo de ações negativas
e capacidade de fornecer feedback.
Embora todas os modelos citados anteriormente tenham sido validados
em seus devidos estudos, é imprescindível que se verifiquem as condições
de aplicação. Cada empresa é singular, com sua cultura, seus valores, seus
norteadores e seus colaboradores. Portanto, é baseando-se nos modelos que
a empresa e o líder podem encontrar o melhor caminho e as referências que
podem ser utilizadas para alcançar os melhores resultados organizacionais.
A administração é uma ciência viva, que se ampara nas modificações
da sociedade para inovar em seus processos. Por esse motivo, conhecer
e compreender como funcionam e se estabelecem os estilos de liderança
é uma forma de manter a ciência em movimento. Entretanto, mesmo com
novas roupagens, os estilos clássicos dos estilos de liderança ainda têm seu
espaço. Por esse motivo, eles são apresentados a seguir.
Abordagem clássica dos estilos de liderança
Na abordagem clássica, os estilos são o autocrático, democrático e o laissez-
-faire. Cada um desses estilos terá suas características expostas a seguir
(Jones; George, 2008):
� Liderança autocrática: esse estilo é caracterizado pela manutenção
de um forte controle sobre o grupo de trabalho; a tomada de decisão
é subjetiva, não envolvendo a equipe; a motivação se dá por coerção e
por meio de comandos; a comunicação dá-se de cima para baixo; e há
ênfase na diferença de status (entre eu e você). O líder toma decisões
por conta própria e as anuncia, fixando diretrizes, sem permitir qualquer
interferência do grupo, determinando as providências e técnicas para
a execução do trabalho conforme ele acredite que deva acontecer e,
da mesma forma, direcionando quem deve fazer determinada tarefa.
Os elogios e críticas são pessoais e, no caso de críticas, são punitivas.
� Liderança democrática: uma forma de liderança na qual o líder mantém
menos controle sobre seus subordinados. Nesse estilo, as diretri-
zes são debatidas pelo grupo (que assume providências, técnicas e
responsabilidades individuais) e o líder passa a ser um conselheiro
(quando necessário), procurando ser um membro normal do grupo,
apenas sugerindo e orientando na tomada de decisão. É dada ênfase
ao “nós” mais do que ao “eu” ou a “você”. Os elogios e as críticas são
Liderança em contextos organizacionais 11
pontuais, construtivos e relacionados aos fatos, geralmente usando
o artifício da premiação para motivar.
� Liderança laissez-faire: uma forma de liderança na qual o líder se
ausenta da tomada de decisões (ele deixa ir), repassandoao grupo tal
responsabilidade. A comunicação é de cima para baixo ou de baixo para
cima entre os membros do grupo. Caracteriza-se pela permissividade
e pouco — ou nenhum — controle. Nesse estilo, o líder dá ao grupo
liberdade total na tomada de decisão, apenas fornecendo material
variado, e deixando claro que poderá contribuir, desde que solicitado.
O líder não interfere no curso dos acontecimentos, nem os regula,
fazendo comentários esporádicos, mas somente quando o grupo pede
que o faça. A motivação se dá por meio de apoio, quando solicitado
pelo grupo ou pelos indivíduos, não existindo críticas.
Os estilos de liderança vêm, ao longo dos anos, passando por atualizações,
e novas nuances e abordagens são desenvolvidas, permitindo aos gestores
uma escolha mais assertiva. Não se pode negar que os estilos clássicos ainda
têm espaço nas organizações contemporâneas, por isso, conhecê-los é ter
fundamentos para a decisão de qual estilo trará melhores resultados para a
organização. Os impactos da escolha de um determinado estilo de liderança
podem ser elementos determinantes para o alcance dos objetivos da gestão.
Por isso, esse impacto será visto na seção a seguir.
Impacto dos estilos de liderança
O estilo de liderança que é escolhido terá impactos na equipe, afetando o
desempenho e influenciando as atitudes dos colaboradores. Segundo Bateman
e Snell (2012), geralmente, os estudos dessa esfera se detêm ao analisar com-
parativamente os estilos de tomada de decisão autocráticos e democráticos,
mas, mesmo assim, ainda se encontram referências ao estilo laissez-faire.
O estilo adotado vai depender das características do líder, da equipe e da
própria situação. Pode-se imaginar que não existe nenhum estilo melhor do
que o outro, se forem tomadas como premissas as situações pontualmente.
Isso quer dizer que, embora tenha dado certo um tipo de atitude em uma
situação com uma equipe, em outra situação pode ser que haja lacunas e os
resultados não sejam tão satisfatórios quanto na situação anterior.
Liderança em contextos organizacionais12
Impactos do estilo de liderança autocrático
A liderança autoritária tem como alicerce um conjunto de ações bem defini-
das que visam à previsibilidade. A ideia desse modelo é reduzir ao máximo
a frustração dos colaboradores e potencializar a sensação de proteção.
Geralmente, com o uso desses artifícios, o resultado é de produtividade alta.
Entretanto, há o lado negativo desse estilo, pois como não há espaço
para a iniciativa pessoal, é possível que haja um potencial maior de conflitos,
atitudes de agressividade, de frustração, de submissão e desinteresse. Isso
soma-se ao fato de que, ao adotar esse estilo, o excesso de controle acaba
reduzindo drasticamente a criatividade, a automotivação e a autonomia.
A liderança autoritária costuma ser encontrada em grandes burocracias,
como o exército e a igreja, pois os processos estão desenhados há muito
tempo e quase não há espaço para a inovação, já que se tem a ideia formada
de que “em time que está ganhando, não se mexe!”
Assim, empresas que adotam esse tipo de liderança geralmente são
aquelas em que os processos se dão em linha de produção, pois esses não
abrem espaço para criatividade. O colaborador tem que seguir as regras sem
questionar, dado que é o líder dessa linha quem define as tarefas e toma as
decisões isoladamente (Bateman; Snell, 2012).
Impactos do estilo de liderança democrático
Quando o estilo de liderança é o democrático, existe uma tendência maior
para o aumento da autonomia e o crescimento em cada colaborador. Equipes
com colaboradores acostumados a trabalharem juntos há bastante tempo
adotam a prática desse estilo com mais facilidade. Esse modelo pode vir a
criar relações positivas dentro da organização, sendo especialmente eficaz
diante da necessidade de cooperação e coordenação entre os grupos.
O estilo democrático, por mais atraente que possa parecer, nem sempre é
o mais adequado. Se existe uma certa urgência, esse estilo pode se mostrar
ineficiente, pois ele é, naturalmente, mais lento. Nesse caso, pode haver
frustração dos colaboradores que esperavam uma atitude mais contundente
e decisiva.
Entretanto, alguns estudos trazem que ela é menos eficiente do que a
liderança autoritária, pois a constante troca de informações, com tomadas de
decisão mais frequentes em relação aos caminhos a serem tomados, faz com
que haja mais frustração. Outro ponto negativo envolve o tempo de tomada
Liderança em contextos organizacionais 13
de decisão, que será mais longo, já que mais pessoas devem ser consultadas
(Bateman; Snell, 2012).
Impactos do estilo de liderança laissez-faire
Uma vez que se trata de uma liderança sem direção, o estilo laissez-faire pode
causar frustração, podendo ocorrer apatia grupal e desinteresse. Quando,
porém, todos os membros do grupo são altamente motivados e autodire-
cionados, esse estilo pode resultar em muita criatividade e produtividade.
Essa liderança é adequada quando os problemas estão definidos de forma
insatisfatória e há necessidade de uma oxigenação (que será dada por meio
de um brainstorming) para geração de soluções alternativas.
Este tipo de líder se adapta melhor em empresas onde os colaboradores
trabalham em projetos individuais, onde eles dependem apenas de suas habi-
lidades e competências para mostrar resultados. Nesse caso, o desempenho
dos empregados tende a ser de alto nível, devido à sua independência, e eles
tendem a desenvolver seus próprios objetivos, que muitas vezes agregam
valor à organização (Bateman; Snell, 2012).
Maturidade do líder
O estilo do líder deve estar em consonância com os objetivos da empresa e
da equipe. O líder desempenha um papel naturalmente dominante, devendo
ser específico sobre as metas da equipe e fornecer orientações claras sobre
o projeto. O líder deve garantir que todos os membros estejam envolvidos
na determinação dos papéis e responsabilidades da equipe e deve trabalhar
com as pessoas da equipe para ajudá-las a estabelecer como trabalharão
juntas ("normas da equipe").
Um líder deve ter maturidade para entender como seus liderados trazem
melhores resultados para a empresa. O conceito de maturidade foi desen-
volvido por Webber (2010, p 35), que afirma que:
a maturidade para a liderança é representada pelo conjunto harmônico e equilibra-
do dos fatores relacionados aos conhecimentos e competências de um indivíduo
motivado, ético e comprometido com uma causa comum, em determinado ambiente
ou situação, e que promove resultados diferenciados.
Liderança em contextos organizacionais14
É esperado que o líder reduza a tensão dentro de sua equipe, gerencie
conflitos, permaneça comprometido com o objetivo da equipe e lidere pelo
exemplo, garantindo que os colaboradores aprendam a ouvir uns aos outros
e a respeitar suas diferenças e ideias, trabalhando de forma colaborativa. Um
líder que conhece seus subordinados sabe como eles podem desempenhar
melhor seus papeis, e, ao gerar confiança, descobrir a aceitar os pontos fortes
e fracos de cada membro da equipe, podem ser traçadas estratégias perti-
nentes a cada situação, e, assim, resultados positivos começam a aparecer.
A maturidade para a liderança é obtida por meio da soma de conhecimento
técnico, experiência, habilidades comportamentais e visão dos macrocenários
em mudança, motivação com ética e ambiência, como descrito a seguir.
� Conhecimento técnico específico do motivo da liderança: o volume
de informações a que se tem acesso na atualidade em razão da tec-
nologia à disposição faz o conhecimento e a capacidade de adquiri-lo
serem muito mais fáceis. Da mesma forma, elevar o conhecimento em
determinado campo ou assunto atualizando-se permanentemente e
mantendo uma visão ampla das relações com o todo é uma habilidade
plenamente passível de ser colocada em prática e que traz muitos
benefícios, tanto ao indivíduo quanto à empresa.
� Experiências/vivências compatíveis com o processodesejado: É ine-
gável que quem possui experiência em algum processo é capaz de
trazer resultados melhores. Essa vivência traz um valor agregado quase
incomensurável, que, atrelada a processos técnicos e práticas, pode
favorecer melhores resultados.
� Habilidades comportamentais relacionadas com a ambiência (cultura
e pessoas): a habilidade em uma determinada tarefa, muitas vezes,
se dá pela prática. Todos são capazes de mudar, de se adaptar e de
melhorar em determinados aspectos de suas vidas. No que tange à
liderança, essa habilidade pode estar relacionada a elementos com-
portamentais, já que a liderança tem como sua base a influência sobre
outros. Compreender a cultura da empresa e como as pessoas são em
sua essência fará o líder ter maior probabilidade de sucesso.
Liderança em contextos organizacionais 15
� Visão dos macrocenários em mudança (mundo – empresa – equipe –
eu mesmo): o cenário organizacional é um pedaço do que existe em
um contexto maior. O líder deve entender que existem outras esferas
que podem afetar sobremaneira o desempenho dos colaboradores, da
equipe e da empresa como um todo. Seria ingenuidade se houvesse
uma perspectiva de isolamento da empresa em relação a todos os
aspectos macroeconômicos que existem. Fatores como a economia,
a concorrência e a política, por exemplo, podem ser decisivos para
o sucesso da empresa. De forma idêntica, outros elementos podem
ser impactantes: o mercado de mão de obra, a inflação, o mercado
fornecedor. Existem muitas variáveis externas que podem influenciar
os resultados internos da empresa. Da mesma forma, fatores internos
não podem ser minimizados, pois podem ser decisivos.
� Motivação com ética: a motivação é uma variável que traz a busca inces-
sante pela conquista, fazendo o líder e sua equipe serem estimulados
a darem o seu melhor em prol de objetivos maiores. Juntar a motivação
com experiências, conhecimentos, habilidades e visão torna-se uma
receita para o sucesso. Cada pessoa possui características, valores,
sonhos e vivências diferentes. Assim, os fatores motivacionais são
diferentes e, ainda que sejam os mesmos, podem variar em intensi-
dade, fazendo a pessoa ter maior ou menor propensão para alcançar
tal objetivo. Da mesma forma, conquistando tal objetivo, existe uma
tendência em diminuir a movimentação em torno dele. Caberá ao líder,
nesse momento, manter em um patamar considerável a motivação da
equipe, a fim de que o trabalho não seja perdido. No cenário ético,
nunca é demais apresentar com bastante ênfase o que é admitido na
empresa e o que será considerado um valor essencial para negociações
tanto internas quanto externas. É a transparência em ação.
� Ambiência: é inegável que fatores externos (família, sociedade, orga-
nizações e liderados) causem impactos no diagnóstico para a decisão
de qual estilo será o melhor.
A Figura 3 mostra um continuum da maturidade na liderança, ou seja,
trata-se de um modelo de pressupostos que servirão de base para a escolha
do caminho que poderá ser tomado pelo líder.
Liderança em contextos organizacionais16
Figura 3. Continuum da maturidade na liderança.
Fonte: Webber (2010, p. 36).
Independente do estilo utilizado, a intenção deverá sempre buscar favore-
cer o desenvolvimento das pessoas, gerando, assim, impactos positivos para
a equipe e para a empresa como um todo. Os pressupostos conhecimento
técnico, experiência, habilidades comportamentais, visão dos macrocenários
em mudança, motivação e ambiência servem de base para a análise da ma-
turidade do líder. A escolha do melhor estilo de liderança deverá resultar do
diagnóstico de maturidade para a liderança, pois se o diagnóstico e o estilo
forem adequados, promoverão resultados positivos. Diagnóstico e estilo
equivocados farão o desempenho da equipe reduzir.
Por isso, a maturidade do líder passa a ser um importante elemento nesse
cenário. Ele conseguirá ser muito mais assertivo oferecendo as ferramentas
básicas para alcançar os melhores resultados e fazendo os colaboradores
encontrarem satisfação naquilo que estão fazendo, conseguindo, assim,
alcançar seus objetivos e os objetivos organizacionais.
Em síntese, pode ser observado, neste capítulo, que os contextos organiza-
cionais voltados à liderança se mostram variados e são mutáveis ao longo dos
tempos. Conhecer os diversos e possíveis estilos de liderança é ter em mãos
características que são mais evidentes e que podem gerar mais resultados
para as organizações. Cada estilo de liderança gera impactos diferentes, pois
os liderados assumirão uma posição, assim, resultados poderão ser positivos
ou negativos para a organização.
Liderança em contextos organizacionais 17
Referências
BATEMAN, T. S.; SNELL, S. A. Administração. 2. ed. Porto Alegre: AMGH, 2012.
BENDASSOLLI, P. F.; MAGALHÃES, M. O.; MALVEZZI, S. Liderança nas organizações. In:
ZANELLI, J. C.; BORGES-ANDRADE, J. E.; BASTOS, A. V. B. (org.). Psicologia, organizações
e trabalho no Brasil. 2. ed. Porto Alegre: Artmed. 2014.
CLEGG, S.; KORNBERGER, M.; PITSIS, T. Administração e organizações: uma introdução
à teoria e à prática. 2 ed. Porto Alegre: Bookman, 2011.
GAMBLE, J. E.; THOMPSON JR., A. A. Fundamentos da administração estratégica: a busca
pela vantagem competitiva. 2. ed. Porto Alegre: AMGH, 2012.
GESTÃO DE QUALIDADE. ISO 9001. [S. l.]: Gestão de Qualidade, 2008. Disponível em:
https://gestao-de-qualidade.info/iso-9001.html. Acesso em: 2 set. 2023.
JONES, G. R.; GEORGE, J. M. Administração contemporânea. 4. ed. Porto Alegre: AMGH,
2008.
MCSHANE, S. L.; VON GLINOW, M. A. Comportamento organizacional: conhecimento
emergente, realidade global. 6. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.
THOMPSON JR., A. A.; STRICKLAND III, A. J.; GAMBLE, J. E. Administração estratégica. 15.
ed. Porto Alegre: AMGH, 2008.
WEBBER, A. C. M. Afinal, onde estão os líderes? Porto Alegre: Bookman, 2010.
Leitura recomendada
DERESKY, H. Administração global: estratégica e interpessoal. Porto Alegre: Bookman,
2004.
Liderança em contextos organizacionais18