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PROCESSOS 
PSICOLÓGICOS 
BÁSICOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Identificar as principais teorias da atenção.
 > Explicar gargalo, seleção inicial e tardia.
 > Distinguir teorias do gargalo das teorias modulares.
Introdução
Compreender como os mecanismos da atenção funcionam demandou muitos 
estudos ao longo do tempo, e diversas teorias surgiram para dar sentido a essa 
função cognitiva. Entre as teorias proeminentes, podemos encontrar aquelas que 
estabelecem filtros ou gargalos para a seleção da informação, como as teorias 
de Donald Broadbent, de Anne Treisman e de J. A. Deutsch e D. Deutsch. Há, além 
disso, teorias que tentam dar sentido a outros tipos de atenção, entendendo-a 
com uma visão mais ampla, como as teorias modulares.
Neste capítulo, você vai ler sobre os diferentes tipos de atenção com base 
nas teorias mais conhecidas que estudam esse processo. Vai também conhecer 
as teorias que tratam de gargalo e seleção de informações. Por fim, irá distinguir 
essas teorias do gargalo das teorias modulares, que oferecem outra visão para 
a atenção dividida.
Principais teorias da atenção
Atenção é um processo psicológico essencial à nossa sobrevivência. Ima-
gine se, na pré-história, nossos antepassados não dispusessem de tal 
processo. É bem provável que não tivéssemos evoluído até aqui, pois, 
para que sobrevivêssemos aos perigos, precisamos prestar atenção e 
Teorias da atenção
Tainá Siqueira Thies
nos preparar para ataques de predadores. Além disso, por a atenção 
estar associada a outros processos básicos, como consciência, memória e 
emoção, compreender como ela funciona nos seres humanos é de extrema 
importância para a psicologia.
A atenção é comumente estudada como a capacidade de selecionar estí-
mulos para processamento. É a possibilidade de o indivíduo focar no que é 
mais importante para ele em certo momento. Esse processo está associado 
à memória de trabalho, isto é, memória que armazena informações por um 
período para que alguma tarefa seja executada (EYSENCK; KEANE, 2017). Hoje, 
há muitas teorias que pretendem explicar a atenção, não apenas uma que 
concentre todos os experimentos como uma única verdade. Por isso, nesta 
seção, exploraremos algumas teorias que tentam compreender os processos 
subjacentes à atenção: teoria da detecção de sinais e teoria da integração 
de características.
A teoria da detecção dos sinais identifica como as pessoas conseguem 
detectar estímulos importantes em seu ambiente. Essa detecção pode ocor-
rer de duas formas principais: vigilância ou busca (STERNBERG; STERNBERG, 
2017). A vigilância é a habilidade de estarmos atentos aos estímulos por um 
período longo, tentando identificar se um estímulo específico surge ou não 
no ambiente. Em termos práticos, podemos ver a vigilância nos salva-vidas, 
por exemplo. Uma pessoa trabalhando como salva-vidas na praia precisa 
estar sempre vigilante à procura de um estímulo, que, no caso, seria alguém 
em perigo no mar. Assim, sua atenção está sempre varrendo a área da praia 
à procura de um sinal de perigo. Isso exige bastante energia do aparelho 
psíquico. Com o tempo, a capacidade de atenção diminui, porque não se sabe 
se, de fato, o estímulo vai aparecer, isto é, se alguém vai precisar de ajuda 
ou não. A vigilância é, de certa forma, passiva, já que é como passar o dia 
esperando que o estímulo vá aparecer.
Já a busca é um procedimento ativo, em que o indivíduo procura por um 
estímulo específico em meio a outros tantos estímulos. A dificuldade da 
tarefa está na quantidade de outros estímulos que distraem o indivíduo no 
momento de encontrar a informação correta, além de suas características, 
isto é, se os estímulos distratores são muito parecidos com o que se busca 
ou não. Esse processo depende amplamente da percepção visual, que diminui 
com a idade. A atenção consegue organizar os estímulos que recebemos 
por meio da sensação, possibilitando a realização de ações a partir desses 
estímulos (FICHMAN, 2021).
Teorias da atenção2
Muitas vezes, mudanças passam despercebidas por nós no nosso 
dia a dia, como quando, ao passar pelo nosso trajeto diário, nota-
mos, por exemplo, um prédio que não tínhamos visto antes. Estamos sempre 
selecionando os estímulos a serem olhados ou escutados, sustentando nosso 
foco de atenção no que julgamos mais importante. Que tal um teste para ver 
como seu processo atencional seleciona os estímulos? Ao fazer seu costumeiro 
trajeto, tente prestar atenção de forma a verificar se algum estímulo passou 
despercebido recentemente.
Outra teoria relevante para entendermos os processos da atenção é a 
teoria da integração de características, de Anne Treisman. De acordo com 
essa teoria, há em nosso cérebro um mapa mental que consegue identificar 
cada característica do estímulo: tamanho, cor, orientação, posição e forma. 
Assim, quando identificamos visualmente um estímulo apenas por suas carac-
terísticas, elas são rapidamente processadas nesse mapa, não necessitando 
de um funcionamento mental complexo. Entretanto, em algumas situações, 
precisamos realizar uma busca conjunta pelas características do objeto, o 
que pede da atenção a união de mais de uma característica, necessitando de 
maior investimento de recursos (STERNBERG; STERNBERG, 2017).
Digamos que uma caixa de canetas coloridas tenha caído no chão e 
que, agora, todas estejam espalhadas. Você quer encontrar apenas a 
caneta azul em meio a tantas canetas. Tal tarefa não exige tanto de você, 
pois é uma busca por uma característica apenas: cor azul. Mas, se na 
caixa também houver lapiseiras, lápis de cor e canetinhas permanentes, 
a busca por “caneta esferográfica de cor azul” fica mais complicada, pois 
a atenção precisa juntar essas duas características para encontrar o ob-
jeto pretendido. De acordo com a teoria da integração de características, 
nessa procura pela caneta, há uma inibição das características dos outros 
estímulos que não são relevantes, como material de madeira, cor sólida, 
tamanhos pequenos, materiais emborrachados, entre outras que estejam 
concorrendo com a caneta esferográfica azul. Essa teoria, como muitas 
outras, recebeu diversas críticas, pois, posteriormente, compreendeu-se 
que o cérebro processa cada uma das características em vez de selecionar 
apenas uma.
Como você pode perceber, não é simples definir como a atenção acon-
tece de fato. De toda forma, precisamos nos lembrar de que estar atento, 
em qualquer uma das funções da atenção, requer sempre a seleção de um 
Teorias da atenção 3
estímulo entre outros. Isso acontece a todo momento em que estamos 
acordados, mas nem sempre de forma totalmente consciente. Ocorre tão 
rapidamente que nem percebemos que estamos selecionando diferentes 
estímulos do ambiente.
Conforme vimos nesta seção, a teoria de detecção de sinais tem por 
objetivo explicar como as pessoas selecionam estímulos importantes por 
meio de busca e vigilância. Já a teoria da integração de características, de 
Treisman, postula que é possível identificar rapidamente as características 
de um estímulo como em um mapa mental. A seguir, estudaremos as diversas 
maneiras como selecionamos estímulos para focar nossa atenção.
Selecionando estímulos
Até aqui, entendemos que estamos constantemente selecionando estímulos 
em que prestar atenção. Como essa seleção acontece? Como nosso cérebro 
interpreta que um estímulo é mais importante do que outro para que pos-
samos direcionar nossa atenção?
As teorias que vamos ver nesta seção entendem que há um filtro, ou 
um gargalo, que restringe o processamento de dois ou mais estímulos 
ao mesmo tempo, como uma ampulheta de areia, que só permite certa 
quantidade de areia passando pelo gargalo por vez. Vamos estudar a 
teoria do filtro, de Broadbent, a revisão dessa teoria por Moray, o modelo 
de atenuação, de Treisman, o modelo do filtro posterior, de J. A. Deutsch 
e D. Deutsch, e, por fim, a síntese das teorias do filtro, empreendida por 
Ulric Neisser.
Lembre-se da palavra “processar”. Ela é o motivoprincipal de não pres-
tarmos atenção profunda a duas situações ao mesmo tempo. Primeiramente, 
os estímulos nos chegam pelo sistema sensorial e, depois de encaminhados 
por uma via inicial de entrada das informações, precisam ser percebidos, isto 
é, interpretados, processados.
Os principais modelos foram formulados entre as décadas de 1950 e 1970, 
sendo o primeiro deles o modelo de Broadbent, ou teoria do filtro, de 1958, 
que identificava um filtro no início do processamento dos estímulos. Dois 
ou mais estímulos sensoriais enviam suas informações físicas (cor, cheiro, 
tamanho, frequência, etc.), mas esses estímulos passam por um filtro logo 
após sua entrada no cérebro, havendo a seleção de um dos estímulos para 
ser enviado ao processamento. O estímulo excluído do processo, caso o 
Teorias da atenção4
indivíduo volte a dar atenção a ele, acaba ficando armazenado por um tempo; 
caso contrário, é excluído do sistema (EYSENCK; KEANE, 2017; LIMA, 2005; 
STERNBERG; STERNBERG, 2017).
Imagine que você está com sua família ou seus amigos. Alguém está mos-
trando a você um jogo no celular de que gostou muito e quer saber a sua 
opinião. Ao mesmo tempo, bem próximo dali, uma pessoa está contando uma 
fofoca para alguém. Você quer prestar atenção no jogo, mas não quer perder 
a fofoca. Entretanto, seu cérebro não consegue processar os dois estímulos 
ao mesmo tempo. Nessa situação, é bem provável que você selecione o estí-
mulo da conversa enquanto fala algo genérico como “Aham” ou “Que legal!” 
para a pessoa que está mostrando o jogo. Tal situação demonstra o modelo 
de Broadbent. Duas informações acabam entrando em suas vias sensoriais: 
o jogo pela via visual, e a conversa pela via auditiva. Porém somente uma 
delas, de acordo com esse modelo, será levada à próxima etapa ao passar 
pelo filtro, a etapa de processamento e compreensão das informações que 
você está escutando.
A fofoca parece geralmente nociva, não é mesmo? Porém pes-
quisadores como Yuval Harari, autor do livro Sapiens: uma breve 
história da humanidade, acreditam que ela tenha um papel importante na 
evolução humana. Para saber mais sobre diferentes visões sobre a fofoca, 
leia o artigo “O DNA da fofoca”, do professor Mauro Gaglietti, publicado no 
blog Caos filosófico. 
Em 1959, Moray propôs uma revisão do modelo de Broadbent. De acordo 
com o pesquisador, há mensagens que são tão fortes que acabam forçando 
sua entrada no processamento. Por exemplo, na situação anterior, digamos 
que você escolheu prestar atenção na explicação do jogo, mesmo se inte-
ressando pela fofoca, mas talvez pergunte sobre o que as outras pessoas 
estavam conversando. Você deixou de prestar atenção na conversa e está 
processando as informações do jogo, mas, em certo momento, seu nome é 
citado. Essa é uma mensagem muito poderosa e faz com que as informações 
do estímulo que estava apenas armazenado (a conversa) venha à tona e entre 
no processamento. Assim, você automaticamente muda sua atenção para 
a fofoca, pois seu nome foi citado. Para Moray, isso significa que “o filtro 
seletivo bloqueia a informação no nível sensorial, mas algumas mensagens 
muito destacadas são tão poderosas que também passam pelo mecanismo 
de filtragem” (STERNBERG; STERNBERG, 2017, p. 136).
Teorias da atenção 5
Outro modelo que teve grande relevância foi o modelo da atenuação, 
de Treisman, de 1964. Para a pesquisadora, o filtro, ou gargalo, é mais 
flexível. Pode-se separar a entrada e o processamento das informações 
em três etapas:
1. reconhecimento das propriedades físicas do estímulo;
2. análise do estímulo para identificar um padrão e, se não há um padrão, 
a informação é excluída;
3. avaliação da informação e construção de um sentido.
No nosso exemplo do jogo versus fofoca, de acordo com o modelo da 
atenuação, as informações das duas atividades são reconhecidas em suas 
propriedades físicas. Na sequência, há uma análise de padrão. Porém digamos 
que, nessa etapa, a fofoca estivesse sendo contada em uma língua que você 
não compreende. A fala não tem um padrão para você e, mesmo com curiosi-
dade, esse estímulo não passa pelo filtro, pois não será possível interpretá-lo 
na terceira etapa. No entanto, todas essas etapas só acontecem se houver uma 
reserva atencional suficiente para processar as informações. Para entender 
melhor, digamos que a situação do exemplo esteja ocorrendo enquanto você 
dirige por uma rodovia muito movimentada e cheia de caminhões. É muito 
provável que sua atenção não tenha reserva alguma para poder processar 
qualquer um dos dois, jogo ou fofoca.
Então, em resumo, para Treisman, o filtro não exclui um dos estímulos, 
apenas o atenua, diminui sua intensidade. Quando você escolhe prestar 
atenção à fofoca, mas continua tentando prestar atenção no jogo, os dois 
estímulos ainda estão concorrendo, e você provavelmente flutuará entre um 
ou outro a depender do momento, não excluindo completamente um dos 
estímulos (EYSENCK; KEANE, 2017; STERNBERG; STERNBERG, 2017).
Entre as teorias que compreendem um gargalo para as informações, temos 
também o modelo do filtro posterior, de J. A. Deutsch e D. Deutsch, de 1963. 
Para esses pesquisadores, os estímulos são analisados por completo, mas 
o estímulo mais importante é que determinará a resposta do indivíduo, isto 
é, a ação que irá tomar. Assim, pode-se dizer que a seleção do estímulo mais 
importante é tardia, pois acontece mais próxima ao fim do processo. Caso 
a informação não gere uma percepção, ela será descartada (STERNBERG; 
STERNBERG, 2017).
Veja na Figura 1 as teorias dos filtros para compreender melhor o fluxo 
das informações advindas dos estímulos sensoriais.
Teorias da atenção6
Figura 1. Teorias sobre filtros atencionais.
Fonte: Adaptada de Eysenck e Keane (2017).
Como você pode ver pela imagem, todas as teorias têm um filtro. Na de 
Broadbent, ele está no início do processo, logo após a entrada da informação 
sensorial. Na de Treisman, o filtro age como atenuador (onde se lê “capacidade 
limitada”). Na de J. A. Deutsch e D. Deutsch, o filtro está no final do processo, 
na memória de curto prazo.
A partir dos estudos citados aqui, outros estudiosos conduziram suas 
pesquisas sobre a atenção. Um deles foi Ulric Neisser, que, em 1967, realizou 
uma síntese das teorias do filtro, compreendendo que a atenção é coman-
dada por dois tipos de processos: os atencionais e os pré-atencionais. Os 
pré-atencionais, ou automáticos, ocorrem no início ou no meio do processo 
para identificar as características sensoriais e físicas, ocorrendo em paralelo 
para cada estímulo. Já os atencionais, ou controlados, são realizados após 
o discernimento das informações sensoriais iniciais, necessitando de maior 
recurso de atenção e de tempo. Essa atenção se dá no processamento das 
informações, comparando características e ligando-se à memória de trabalho 
(STERNBERG; STERNBERG, 2017).
Nesta seção, conhecemos os estudos de Broadbent, Treisman e J. A. Deutsch 
e D. Deutsch, que tentam explicar como acontece a seleção dos estímulos mais 
importantes para receberem a atenção. Esses estudos têm sido revisitados 
Teorias da atenção 7
ao longo do tempo, como na revisão de Moray. Além disso, vimos que Neisser 
sintetizou as teorias do filtro e propôs uma em que a atenção é dirigida por 
processos pré-atencionais e atencionais.
São muitas as teorias, e todas ajudaram a identificar como selecionamos 
as informações mais importantes para prestarmos atenção. Até aqui, vimos 
que há processos que requerem uma atenção automática, que analisam infor-
mações sensoriais e suas características e que podem selecionar estímulos 
por meio de filtros. Além disso, percebemos que estímulos mais complexos 
requerem um processo atencional controlado, que já se dá no processamento 
de informações, com a alocação dos recursos atencionais em tal atividade. Na 
sequência, vamos entender melhor algumas teorias que procuram explicar 
como ocorre essa alocação dos recursos, como a energia é dirigida para os 
processosde atenção quando há situações complexas que demandam a 
divisão de nosso foco atencional.
Buscando recursos e semelhanças
As teorias levantadas na seção anterior são agrupadas sobre a ideia de que 
há um filtro, seja inicial, seja tardio, para que as informações sensoriais 
passem para o processamento. No entanto, para os críticos, as teorias do 
filtro desconsideraram a plasticidade da atenção, ou seja, a capacidade que 
ela tem de ser flexível. Esse conjunto de teorias, portanto, consegue explicar 
os cenários em que são necessárias a atenção seletiva e a focalizada, mas 
não a dividida (SIMÕES, 2014).
É nessa lacuna que se inserem as teorias entendidas como modulares, 
em oposição a um filtro ou gargalo único, pois elas acabam por explicar 
melhor as situações em que se requer que a atenção seja distribuída entre 
diferentes estímulos. As teorias modulares estudadas nesta seção são as 
teorias baseadas em recursos atencionais, a teoria da semelhança, de Duncan 
e Humphreys, e a teoria da busca guiada, de Cave e Wolfe.
Diversos pesquisadores têm se afastado das ideias sobre filtros atencio-
nais por perceberem que a localização do gargalo depende tanto do tipo de 
tarefa a ser realizada quanto do estímulo apresentado ao indivíduo. Algumas 
hipóteses se agrupam sob um guarda-chuva de teorias baseadas em recur-
sos atencionais, que entendem que os recursos da atenção são limitados 
(STERNBERG; STERNBERG, 2017). Esses recursos são alocados em seleção 
de estímulos diferentes, como no exemplo que demos antes em que sua 
Teorias da atenção8
atenção ficou dividida entre a direção, a fofoca e o jogo. Como há um limite 
dos recursos da atenção, não há como realizar as três atividades ao mesmo 
tempo. Segundo Robert Sternberg e Karin Sternberg (2017, p. 140):
As teorias dos filtros e gargalos da atenção parecem ser metáforas mais adequadas 
para tarefas concorrentes que possam ser incompatíveis em termos de atenção, 
como as de atenção seletiva ou de atenção simples dividida […]. Para esses ti-
pos de tarefas, parece que alguns processos pré-atencionais podem ocorrer de 
forma simultânea, mas os processos que requerem atenção devem ser tratados 
sequencialmente, como se passassem um a um pelo gargalo da atenção. Contudo, 
a teoria dos recursos parece ser uma metáfora melhor para explicar os fenômenos 
da atenção dividida em tarefas complexas. […] Segundo essa metáfora, à medida 
que as tarefas complexas tornam-se mais automatizadas, o desempenho em cada 
uma delas exige menos dos recursos limitados da atenção.
Tarefas mais simples podem ser facilmente explicadas pelas teorias dos 
filtros, pois necessitam muitas vezes de processos pré-atencionais. No en-
tanto, as tarefas complexas exigem maior esforço da atenção, sendo mais bem 
explicadas pela alocação dos recursos atencionais. Quando temos estímulos 
concorrentes que pertencem a tipos sensoriais distintos, há maior facilidade 
na realização de duas tarefas, como ouvir música (tipo sensorial auditivo) e 
escrever (tipo sensorial visuomotor) (STERNBERG; STERNBERG, 2017).
Há ainda a teoria da semelhança, de Duncan e Humphreys. Para eles, não 
há a inibição dos estímulos concorrentes, como sugeriu Treisman em sua teoria 
da integração das características, que vimos anteriormente. O que há é maior 
dificuldade de encontrar o estímulo-alvo, pois todas as características muito 
próximas acabam por concorrer com aquilo que estamos buscando. Voltemos 
ao exemplo dado antes sobre a caixa de canetas e outros materiais de escrita. 
Nesse caso, não vamos inibir cores iguais, ou materiais iguais. Essas caracte-
rísticas próximas acabarão dificultando nossa busca pela caneta esferográfica 
azul. Então, para facilitar a busca, acabamos por unificar as características 
daqueles que são diferentes. Por exemplo, na nossa caixa caída, unificamos 
materiais e utilizamos essa unificação para excluir os estímulos concorrentes. 
Classificamos entre “cera”, “colorir”, “marcar”, “outros materiais”, entre outras 
possibilidades, diminuindo a busca pelo material “plástico transparente com 
cor azul dentro”. Segundo a teoria da semelhança, portanto:
[…] buscar estímulos-alvo em um fundo de fatores de distração relativamente 
uniforme (bastante semelhantes) é bem fácil, mas buscá-los em um fundo de 
fatores de distração altamente diversificados é muito difícil (STERNBERG; STER-
NBERG, 2017, p. 130).
Teorias da atenção 9
Finalmente, a teoria da busca guiada, de Cave e Wolfe, de 1990, descreve 
uma alternativa aos achados de Treisman e de Neisser. Todas as teorias 
entendem que há um estágio paralelo em que os estímulos são recebidos 
pelos sentidos e identificados em um plano mental (em suas pesquisas, 
geralmente a visão) e uma etapa serial que analisa cada estímulo repre-
sentado nesse plano mental. Nas palavras de Robert Sternberg e Karin 
Sternberg (2017, p. 132):
O modelo de busca guiada sugere que todas as buscas sejam por características 
ou buscas conjuntas, que compreendem duas etapas consecutivas. A primeira 
é uma etapa paralela, na qual o indivíduo, ao mesmo tempo, ativa uma repre-
sentação mental de todos os alvos potenciais. A representação se baseia na 
ativação simultânea de cada uma das características do alvo. Em uma etapa 
serial posterior, o indivíduo avalia sequencialmente cada um dos elementos 
ativos, conforme o grau de ativação. Em seguida, escolhe os verdadeiros alvos a 
partir dos elementos ativados.
Para Cave e Wolfe (1990), a busca guiada tem um primeiro estágio (paralelo) 
na identificação das diferenças do estímulo, e um segundo estágio (serial) nas 
operações complexas de uma parte limitada do estímulo. No segundo estágio, 
a busca pelo estímulo se torna mais rápida, porque o cérebro já discriminou 
as características do estímulo. Então, a busca é guiada pelo estágio paralelo, 
que forneceu ao cérebro todas as características dos estímulos, permitindo 
discriminar aquilo que queremos.
O estágio paralelo é capaz de providenciar um guia para a busca por meio 
de informações retiradas dos vários elementos, identificando características 
mais próximas do estímulo que se quer encontrar. Essas informações não 
são sempre precisas e, por isso, não conseguimos identificar o alvo com 
tanta facilidade, mas elas possibilitam a busca guiada por características 
conjuntas no segundo estágio, facilitando o processo (CAVE; WOLFE, 1990; 
STERNBERG; STERNBERG, 2017).
Retornando ao exemplo da caixa de canetas, na hipótese de Cave e Wolfe, 
inicialmente nossa visão recebe as informações das canetas: cores, tamanhos, 
formas, materiais, disposição no chão, proximidade com outras, defeitos, etc. 
Na sequência, as informações são encaminhadas para uma representação 
mental que analisa cada uma dessas características e seleciona as mais 
parecidas com a caneta que buscamos, formando uma base para que o pró-
ximo estágio possa acontecer e buscar o alvo, isto é, a caneta esferográfica 
azul. No segundo estágio, de posse de todas as características separadas 
Teorias da atenção10
e categorizadas naquelas mais próximas do alvo, o foco vai se voltar para 
apenas uma parte desses aspectos dos materiais espalhados pelo chão. 
Assim, talvez sua atenção categorize as canetas por azul versus outras cores, 
facilitando e guiando a busca a partir de um par de características apenas, 
não de todas. Veja na Figura 2 como ocorre a busca guiada, de acordo com 
Cave e Wolfe (1990).
Figura 2. Busca guiada.
O estágio serial está sempre se alimentando dos mapas gerados pelo 
estágio paralelo para realizar suas buscas pelo estímulo-alvo, retornando 
a ele sempre que necessário. Tudo isso — recepção do estímulo, montagem 
do mapa e escolha do recorte a ser empregado para a busca — ocorre de 
forma muito rápida e inconsciente. Somente depois de esses processos pré-
-atencionais ocorrerem é que nos daremos conta de que estamos prestando 
atenção na tarefa.
Teorias da atenção 11
Embora as teorias modulares deem conta de explicar a divisão da 
atenção, também não deixaramde sofrer críticas. De acordo com 
outros pesquisadores, as teorias modulares acabaram sendo amplas demais, 
tornando-se vagas, sem dar conta de explicar os processos atencionais por 
completo (STERNBERG; STERNBERG, 2017). 
Até hoje, o estudo sobre atenção suscita muitos debates e pesquisas. 
Ao longo deste capítulo, estudamos teorias que tentam explicar, ao menos, 
como fazemos a seleção dos estímulos a que prestaremos atenção. Cada 
uma delas foi sendo remodelada e ressignificada por pesquisadores poste-
riormente. Vimos que as teorias do filtro e as modulares podem ser comple-
mentares, uma vez que descrevem processos distintos da atenção: seletiva, 
focalizada e dividida. Lembre-se de que não existe uma noção singular ou 
superior a outras; elas tentam dar sentido a partes do processo atencional. 
As teorias baseadas em recursos atencionais, a teoria da semelhança e a 
teoria da busca guiada objetivam compreender como a atenção dividida 
funciona e possibilita a seleção de estímulos-alvo. A primeira explica que a 
atenção tem recursos limitados de uso e só pode dar conta de certa quan-
tidade de estímulos por vez. Já a segunda compreende que características 
muito próximas dos estímulos acabam por dificultar a busca. Por fim, a de 
Cave e Wolfe postula que se forma um mapa com todas as características 
dos objetos semelhantes, com agrupamento de características, facilitando 
a busca do estímulo-alvo na segunda etapa da busca guiada. 
Referências 
CAVE, K. R.; WOLFE, J. M. Modeling the role of parallel processing in visual search. 
Cognitive Psychology, v. 22, n. 2, p. 225-271, 1990. 
EYSENCK, M. W.; KEANE, M. T. Manual de psicologia cognitiva. 7. ed. Porto Alegre: Art-
med, 2017.
FICHMAN, H. C. Neuropsicologia clínica. Santana de Parnaíba: Manole, 2021.
LIMA, R. F. Compreendendo os mecanismos atencionais. Ciências e Cognição, v. 6, n. 
1, p. 113-122, 2005.
SIMÕES, P. M. U. Análise de estudos sobre atenção publicados em periódicos brasileiros. 
Psicologia Escolar e Educacional, v. 18, n. 2, p. 321-330, 2014.
STERNBERG, R. J.; STERNBERG, K. Psicologia cognitiva. São Paulo: Cengage Learning, 2017.
Teorias da atenção12
Leituras recomendadas
KANDEL, E.R. SCHWARTZ, J.; JESSEL, T.; SIEGELBAUM, S.; HUDSPETH, A. J. Princípio de 
neurociências. Porto Alegre: AMGH, 2014.
DALGALARRONDO, P. A evolução do cérebro. Porto Alegre: Artmed, 2011.
Teorias da atenção 13

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