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SEMIOLOGIA NEUROLÓGICA – 2ª etapa Sara Monteiro de Moura SOMATOTOPIA DO SNC − Somatotopia: é o conhecimento de que existe regiões no cérebro que são responsáveis pela função de cada lugar do corpo ▪ Esse conhecimento é muito importante no raciocínio topográfico de um quadro clinico − Cada ação (sensitiva, cognitiva, motora) possui uma correspondência topográfica no encéfalo − Homúnculo motor de Penfield: Penfield topografou o giro pré central (giro motor) de acordo com a área responsável pelo movimento de cada parte do corpo ▪ O giro pré central é localizado no lobo frontal, antes do sulco central − Trato córtico-espinhal: leva comando para a movimentação, que sai do córtex, até o musculo. ▪ O comando sai do giro pré-frontal (área motora) até o tronco cerebral ▪ Passa pelo pedúnculo cerebral (no mesencéfalo) e desce para a ponte e para o bulbo ▪ No bulbo, o trato cortico-espinhal passa pelas pirâmides bulbares (ou decussação das pirâmides), onde as fibras se cruzam Esse cruzamento das fibras é o motivo de o lado esquerdo do córtex controlar os movimentos do lado direito do corpo e vice versa ▪ Chega na parte anterior da medula espinhal (corno anterior da medula) e sai pelo sulco lateral anterior, dando origem ao nervo periférico (raiz ventral) ▪ Na junção neuromuscular, esse nervo periferico vai liberar acetilcolina, iniciando o processo de contração e movimentação ▪ Qualquer doença nesse percurso vai gerar prejuízo para a movimentação muscular ✓ Miastenia graves – junção neuromuscular ✓ Polimiosite – musculo ✓ Neuropatia periférica – nervo periferico ✓ Mielite transversa – medula ✓ AVC – cérebro − Algumas estruturas possuem mais de um nome: ▪ SNC – neurônio motor superior – 1º neurônio ▪ SNP – neurônio motor inferior – 2º neurônio ▪ Trato córtico-espinhal – via piramidal EXAME DA FORÇA MUSCULAR • Manobras deficitárias − São manobras gerais para identificar a perda de movimento no paciente ▪ Não identifica o grupo muscular prejudicado − Manobra dos braços estendidos: pede para o paciente estender os braços horizontalmente à frente do corpo, com maos e olhos abertos e observar se um braço está com perda de força em relação ao outro ▪ O braço mais fraco vai cair em relação ao que está preservado − Manobra de migazzini: paciente em decúbito dorsal, pede para fazer flexão da coxa (ângulo de 90º com o leito) e flexão do joelho e comparar uma perna com a outra ▪ A perna mais fraca vai cair mais rápido − Manobra de Barré: paciente em decúbito ventral, pede para flexionar os joelhos e observa • Exame individual dos grupos musculares (MMSS) − Deltóide: raiz de C5 ▪ Pede parra o paciente elevar os braços e faça uma força contra a resistência do paciente (empurrar para baixo) para avaliar se ele consegue ou não vencer essa resistência – comparar um lado com o outro − Flexores do cotovelo (bíceps braquial): raiz de C5 ▪ Pede o paciente para fazer o movimento de flexão do cotovelo ▪ Fazer força contra resistência (extensão do cotovelo do paciente) − Extensores do punho: raiz de C6 ▪ Pede para o paciente fazer extensão do punho e faz força contra a resistência (flexão do punho) − Extensores do cotovelo (tríceps braquial): raiz de C7 ▪ Pede para o paciente fazer o movimento de extensão do braço e faz uma força contra resistência (flexão do cotovelo) para avaliar a força − Flexores dos dedos: raiz de C8 ▪ Pede para o paciente fazer flexão dos dedos (fechar os dedos) e faz uma força contra resistência (tenta abrir) • Exame individual dos grupos musculares (MMII) − Flexor do quadril: raiz de L2 ▪ Com o paciente sentado na maca, pede para ele elevar o joelho em direção ao abdome e faz força contra a resistência − Extensor de joelho (quadríceps): raiz de L3 ▪ Paciente sentado na maca, pede para fazer a extensão de joelho e faz a força contra resistência etc − Dorsiflexor de tornozelo (tibial anterior): raiz de L4 ▪ Pede para o paciente fazer uma dorsiflexão do pé (levantar e flexionar o pé para cima) e fazer força contra resistência − Extensor do hálux: raiz de L5 ▪ Pede para o paciente fazer a extensão do hálux e avaliar se tem força no dedo − Pantiflexores do tornozelo (gastrocnêmio): raiz de S1 ▪ Pede para o paciente fazer a flexão do pé e faz força contra resistência • Gradação da força muscular − Escala de MRC – varia de 0 a 5 ✓ 0. Não ocorre movimento e nem contração muscular ✓ 1. O musculo é capaz de contrair, porém não há movimento ✓ 2. Não consegue vencer a gravidade (ex.: paciente consegue deslocar sobre o leito, mas não consegue levanta-lo) ✓ 3. É capaz de vencer a gravidade, mas não há capacidade de exercer resistência muscular ✓ 4. Vence pouca resistência ✓ 5. Força muscular normal − Plegia: ausência de contração muscular − Paresia: perda de força REFLEXOS OSTEO-TENDINOSOS − O reflexo é um movimento que ocorre quando é percutida uma extremidade muscular (tendão) e ocorre movimento imediatamente após essa ação ▪ Quando o tendão é percutido, existe um estimulo que passa por uma fibra sensitiva, sentindo ali a percussão ▪ Essa fibra leva esse estimulo até a medula, onde faz sinapse com a fibra motora, na própria medula, e deflagra uma resposta de movimento naquele musculo − Hiperreflexia: Quando há lesão no primeiro neurônio → reflexo exagerado ▪ A resposta motora do reflexo é modulada pelo primeiro neurônio → quando há lesão nessa parte, não ocorre a modulação e o reflexo sai “exagerado” − Hiporreflexia: dano na função do segundo neurônio (nervo periférico) → redução do reflexo − Arreflexia: secção do segundo neurônio → ausência de reflexo • Reflexos de MMSS − Reflexo bicipital: é realizado na região ventral do cotovelo, sob o tendão do bíceps ▪ Avalia as raízes de C5 e C6 − Reflexo tricipital: realizado na região posterior do cotovelo, sob o tendão do tríceps ▪ Avalia as raízes de C6, C7, C8 • Reflexo de MMII − Reflexo patelar: sob a patela ▪ Avaliação das raízes de L2 a L4 − Reflexo aquileu: feito na região posterior, no tornozelo ▪ Avaliação das raízes de S1 e S2 • Gradação dos reflexos − A quantificação do reflexo é feita com as cruzes ▪ ++ p/ presença ▪ + p/ redução ▪ Zero cruzes para ausência de reflexos ▪ +++ p/ hiperreflexia ▪ ++++ p/ clônus esgotável – resposta repetida de contração (contrai repetidamente e depois para) Também pode indicar aumento da área reflexogena → martelo percutido fora do alvo e mesmo assim ocorre reflexo ▪ +++++ p/ clônus inesgotável – a contração após deflagração do reflexo não para • Reflexos superficiais − São reflexos provocados por estímulos na pele − Reflexo cutâneo-plantar: passa, de forma bem leve, algum objeto pela face lateral da planta do pé do paciente até chegar na base do primeiro dedo ▪ Em caso de normalidade, ocorre a flexão dos dedos LESÕES • Síndrome do neurônio motor superior − Lesão no sistema nervoso CENTRAL (encéfalo ou medula espinhal) Sinais de liberação piramidal: são sinais decorrentes de reflexos que indicam lesões no SNC Sinal de Hoffman: ao pressionar o dedo do meio da mão do paciente, observa-se a contração, principalmente, do 1º e 5º dedos Sinal de Babinski:– o sinal de Babinki é caracterizado pela extensão do hálux dutante o reflexo cutâneo plantar Hipertonia: tônus aumentado → resistência ao movimento Movimento passivo ou ativo que é difícil de ser realizado Pode ser elástica (lesão de neurônio motor superior) ou plástica (síndrome parkinsoniana) ▪ AVC, derrame, , traumatismo craniano, etc. − Hipertonia elástica: sensação de “abrir canivete” ▪ Ao movimentar o membro do paciente encontra-se dificuldade no inicio, mas depois vai de uma vez ▪ Quando solta, o membro tende a voltar ao mesmo estado em que estava antes (por isso, elástico) − Hiperreflexia:reflexos exagerados − Espasticidade: hipertonia + hiperreflexia − Reflexos superficiais anormais: presença do sinal de Hoffman ou Babinski − Perda desproporcional da destreza: dificuldade na medida do movimento, para mirar e pegar as coisas ▪ Perda da força ainda é maior que a perda da coordenação • Síndrome do neurônio motor inferior − Lesão na via motora periférica (pode ser desde o nervo até no musculo) − Flacidez: o membro está “mole” − Hipo-arreflexia: reflexos diminuídos ou ausentes − Hipo-atrofia: nos dois casos de lesão ocorre atrofia do musculo, porem na síndrome do neurônio motor INFEROR, essa atrofia é mais perceptiva e precoce − Fasciculaçoes: musculo dando tremidas EXAME DOS MOVIMENTOS INVOLUNTÁRIOS • Síndrome Parkinsoniana − Síndrome parkinsoniana ≠ doença de Parkinson ▪ A síndrome é uma condição com sintomas semelhantes à doença de Parkinson, mas que não é obrigatoriamente a doença ▪ Doença de Parkinson: doença degenerativa com controle de sintomas, mas sem tratamento curativo − Hipertonia plástica: aumento do tônus muscular com resistência ao movimento ▪ Sensação de engrenagem (roda denteada) ▪ Ao fazer o movimento do membro do paciente, ele não volta à posição que estava antes − Bradicinesia: lentidão associada com pequena amplitude de movimento ▪ Passos curtos, abre e fecha a mão devagar e pouco, etc. − Tremor de repouso: tremor é assimétrico e mais visível quando o paciente está parado e alivia quando está em ação − Instabilidade postural: comprometimento do equilíbrio (paciente tende a ter quedas por isso) − OBS.: para que haja síndrome parkinsoniana deve, obrigatoriamente, haver BRADICINESIA + 1 sintoma ▪ Os demais sintomas não são obrigatórios, mas sem bradicinesia, não estamos falando de síndrome parkinsoniana − Fenótipo geral da síndrome parkinsniana: ✓ Marcha de pequenos passos ✓ Camptocormia (andar inclinado para frente) ✓ Freezing (quando o paciente vai passar por algum obstáculo – ou qualquer coisa que o cérebro possa entender como um tipo de obstáculo – ele dá uma travada e alguns segundos depois continua andando) ✓ Festinação (paciente dá alguns passos acelerados do nada) ✓ Hipomimia facial (pobreza de expressão facial) − Diagnostico diferencial: tremor essencial ▪ O tremor essencial piora durante a ação e melhora durante o repouso • Síndrome coreica − Hipotonia: membro mais flácido − Hipercinesia: movimentos amplos e bruscos Sinal de Babinski e Sucedâneos: o sinal de Babinski possui equivalentes, dependendo de onde e de que forma é testado. Sinal de Chaddock: estimulação na região posterior do tornozelo Sinal de Gordon: compressão da panturrilha Sinal de Oppenheim: estimulação da face anterior da tíbia − Coreia: do grego “coreos”, significa dança ▪ O paciente movimenta o tempo todo (parece que está querendo dançar) − Atetose: movimento involuntário nas pontas dos dedos (como se estivesse querendo tocar piano – movimentos vermiculares) COORDENAÇÃO − O CEREBELO é o grande responsável pela nossa coordenação ▪ Ele não possui ligação direta com a medula → trato córtico-cerebelo- cortical (sai do córtex, vai para o cerebelo, volta para o córtex e daí vai para a medula) ▪ Possui a função de refinação e coordenação do movimento − Lesões cerebelares são ipsilaterais − Homúnculo cerebelar: topografia do cerebelo de acordo com a coordenação de cada parte do corpo − Vérmix: PALEOCEREBELO ▪ Localizado na região central do cerebelo ▪ Responsável pela coordenação do esqueleto axial e boca ▪ Lesão: afeta a marcha e a postura Disbasia: perda da postura adequada → paciente abre as pernas para tentar ajudar na manutenção do equilíbrio Disartria: prejuízo na articulação da fala → fala escandida (entrecortada) Ataxia: marcha ebriosa − Hemisfério cerebelar: NEOCEREBELO ▪ Localizado nas regiões laterais do cerebelo ▪ Responsável pela coordenação do esqueleto apendicular (movimentação dos braços e pernas) ▪ Lesão: descoordenação desse movimento Dismetria: alteração da medida do movimento (errar o alvo) → teste index-nariz / index-index Tremor intencional: tremor ao final do movimento Disdiadococinesia: alteração dos movimentos alternados e repetitivos − Lobo flocular (ou floculonodular): ARQUICEREBELO ▪ Localizado na região inferior do cerebelo ▪ Responsável pelo equilíbrio Lesão: há comprometimento do equilíbrio e presença de nistagmo