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Disciplina Gestão de Conflitos - FATEC I Apostila da Disciplina Gestão de Conflitos Prof. Rogério Rodolfo Baptista Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 2 1 – Negociação A arte de negociar faz parte do dia-a-dia das pessoas. Para atingir um objetivo seja na vida pessoal ou profissional, as pessoas precisam negociar. Globalização: domínio das habilidades de negociação passa a ser um imperativo para todos empresários e executivos. Neste novo cenário, especialmente aqueles que têm que estar em contato ou negociar com outras culturas terão de conhecer as técnicas e as ferramentas de negociação e tomada de decisão. Brasil: durante décadas fomos acostumados a viver numa grande ilha, cercados e protegidos da suposta ameaça da concorrência internacional. O resultado natural desse isolamento reflete-se, hoje, em nossa enorme dificuldade em operacionalizar um grande volume de exportação de produtos e serviços brasileiros. Apesar do crescente participação do país no processo de globalização, ainda é enorme a nossa timidez na busca de negócios em outros países. A falta de habilidade de negociação e o desconhecimento de aspectos culturais podem ameaçar o início/continuidade de grandes negócios, apesar de vantagens já consolidadas como marca, avançadas técnicas de gestão, tecnologia, qualidade, entre outras. Brasil: Estudos e Pesquisas sobre Negociação se intesificaram nos últimos 20 anos. Mudança do antigo paradigma: “ Um bom negociador nasce com esta habilidade “ para: “ As habilidades de negociação podem ser desenvolvidas por qualquer pessoa”. Algumas situações que confirmam a necessidade crescente de negociar: Negociamos a todo instante da nossa vida, mesmo sem perceber. Nas empresas as negociações abrangem todas as áreas. Nova estrutura organizacional impulsionou este processo. Todos querem participar das decisões que lhes afetam. Negociamos para lidar com as diferenças. Pós-guerra: o mundo não aceita mais aplicações de medidas perversas na solução de conflitos. Globalização: fusões, aquisições, joint-ventures, alianças estratégicas, etc – alto grau de complexidade, demandando além de profundos conhecimentos técnicos, habilidades para lidar com questões interpessoais e interculturais. Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 3 “Negociação é um campo de conhecimento e empenho que visa à conquista de pessoas de quem se deseja alguma coisa” (Cohen, 1980). “Negociação é um negócio que pode afetar profundamente qualquer tipo de relacionamento humano e produzir benefícios duradouros para todos os participantes” (Nierenberg, 1981). “Negociação é uma coleção de comportamentos que envolve comunicação, vendas, marketing, psicologia, sociologia e resolução de conflitos” (Acuff, 1993). “Esperar que as partes se encontrem, negociem e cheguem ao acordo, sem que haja aproximação anterior, conversação habitual, confiança mútua é, não só ilógico, como uma arriscada aventura” (Matos, 1985). “Negociação é o processo pelo qual as partes se movem de suas posições iniciais divergentes, até um ponto no qual o acordo pode ser obtido” (Steele et ali, 1989). “O processo de negociação tem significado de longo prazo sobre o estabelecimento ou a obtenção de um acordo” (Steele et ali, 1995). “Negociação é um processo de comunicação bilateral, com o objetivo de se chegar a uma decisão conjunta” (Fischer & Ury, 1985). As definições que acabamos de ver são distintas e estão inseridas em seus contextos. Retratam uma visão parcial sobre o que é negociação. Importante: analisar os diferentes enfoques e pontos de vista possíves em uma negociação, para se dar um tratamento mais abrangente ao processo. O que faz a diferença, para um melhor resultado, tanto nas pequenas, quanto nas grandes negociações, é a ATITUDE. Existe a possibilidade de se agir de forma improvisada, ou de se preparar, negociando de maneira metódica e planejada. “Atitudes não são nada mais do que hábitos do pensamento, e os hábitos podem ser adquiridos. Uma atitude repetida torna-se uma atitude realizada.” Habilidades importantes: Persistência / Paciência. Bom-senso e capacidade analítica para distinguir o que é “negociável”. Senso crítico para identificar quem na outra parte tem autoridade e credibilidade. Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 4 Fazer uso adequado da barganha. Como obter e fazer uso do poder de precedente. Descobrir os verdadeiros objetivos das pessoas. Interpretar a “palavra final” do oponente. Identificar fatores relevantes no início do processo. Leitura do “silêncio”. Controle sobre a ansiedade no final da negociação: pressão para o acordo. Uso da persistência na busca de alternativas para reverter um resultado negativo. Caraterísticas de um bom negociador Visão ampliada sobre as possibilidades de negociação; Bom Senso e capacidade de análise para avaliação o custo/benefício para investimento de tempo e recursos em um processo de negociação; Sabe resolver conflitos de forma colaborativa. Prepara-se muito: antes, durante e depois da negociação. Comunicação de maneira natural e eficaz; Percepção e observação para entender os diferentes estilos e suas influências; É exímio em saber ouvir; Lida com objeções de forma clara e transparente; Concentra-se no que há por trás das posições e interesses; É flexível e criativo quanto às propostas; Cria opções de ganhos mútuos; É ético por princípios. Controla seu poder e conhece seus limites; Acredito no que está dizendo e fazendo. É firme em suas atitudes e propostas; ao mesmo tempo em que amistoso, persuasivo, sem usar coerção. Tem consciência dos vieses culturais de sua origem, assim como dos de seu oponente. Se adapta ao contexto cultural e age com naturalidade. Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 5 10 traços a desenvolver Consciência da negociação Saber ouvir Ter altas aspirações Portar-se como um detetive Ter paciência Manter a flexibilidade Focar sempre a satisfação Assumir riscos Solução de problemas Disposição para seguir em frente Tipos de negociação Os tipos de negociação podem ser entendidos por vários aspectos. Nesse treinamento trabalharemos duas classificações de tipos de negociação. A primeira relaciona as variáveis: obtenção de resultados e manutenção do relacionamento e a outra relaciona as posições que assumimos na negociação em relação aos nossos interesses e os interesses dos outros. Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 6 Fonte: Ferraz, 2015 (adaptado pelo autor) Negociação Acidental: Baixa importância do resultado e pouco interesse na manutenção do relacionamento. São as negociações corriqueiras em muitas consequências. Negociação Cooperativa: Baixa importância do resultado e muito interesse na manutenção do relacionamento. É a aquela negociação em que estreitar o relacionamento é mais importante do que obter um bom resultado. O ceder no curto prazo pode trazer ganhos, pois reforçará a relação e dará “créditos” para negociações mais importantes no futuro. Negociação Equilibrada: Alta importância do resultado e muito interesse na manutenção do relacionamento. É a aquela negociação em manter um bom relacionamento é tão importante quanto obter um bom resultado. São as negociações mais importantese delicadas. São a maioria no nosso cotidiano organizacional. Negociação Utilitarista Alta importância do resultado e baixo interesse na manutenção do relacionamento. É aquela que vê se aproveita a oportunidade para conseguir o resultado sem se preocupar muito com o relacionamento ao longo prazo. São mais indicadas quando o contexto é muito favorável e os riscos de conflitos mínimos. Matriz de Relacionamento X Interesses Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 7 Fonte: www.rh.com.br (adaptado pelo autor) Perfil de Negociador Perfil dos negociadores, entendendo seu perfil e da outra parte. Conhecer seu perfil de negociador é tão importante quanto dominas as técnicas de negociação. Conhecer seu perfil de negociador pode ajuda-lo a: Conhecer seu potencial de negociação. Analisar seus pontos fortes e fracos na negociação. Identificar os estilos de negociação existentes. Saber como negociar com cada estilo de negociador. Para isso faremos 3 atividades de autoconhecimento sobre negociação: Autoavaliação do Negociador Os motivadores pessoais do negociador Estilos de Negociação Avalie-se como negociador Instruções As respostas devem refletir ações e comportamentos efetivos e não apenas intenções. Responda as perguntas abaixo, marcando um "x" para cada resposta. Não leia os resultados no final, antes de responder a todas as perguntas, pois senão o teste perderá a veracidade. http://www.rh.com.br/ Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 8 Perguntas Raramente (a) Às vezes (b) Frequente- mente (c) 1. Durante as negociações, você busca apresentar suas ideias no "melhor momento"? 2. Você procura também ver os interesses e necessidades do outro lado? 3. Antes de iniciar a negociação você costuma estabelecer sua "margem de concessão"? 4. Durante a negociação você ouve mais do que fala? 5. Após apresentar cada uma de suas ideias, você procura certificar-se de que a outra parte as entendeu e/ou aceitou? 6. Você procura conhecer preliminarmente alguma coisa do comportamento da pessoa com quem vai negociar? Forças, fraquezas? 7. Durante a negociação você focaliza predominantemente as forças (aspectos positivos) do outro negociador? 8. Por melhor que seja sua posição ou situação, você procura deixar uma "saída honrosa" para o outro negociador? 9. Ao apresentar suas ideias você costuma relacioná-las aos interesses e expectativas da outra parte? 10. Você costuma negociar com objetivos amplos, (em oposição a ter apenas um único e específico intuito durante toda a negociação)? 11. Caso o outro negociador não apresente dúvidas sobre sua proposição, você costuma tomar a iniciativa de fazê-lo, pois tem consciência de que mais tarde essas dúvidas poderão prejudicar o fechamento do negócio? 12. Você costuma cumprir "à risca", "ao pé da letra" suas promessas? Respeita prazos? 13. Nos seus contatos com pessoas, você diz o que pensa sem maiores preocupações em agradar à outra parte (em oposição a "dourar a pílula")? 14. Você consegue conviver (não necessariamente concordar, mas aceitar) com pessoas que pensem e se comportem de maneira diferente de você? 15. Se possuir informações relevantes para o andamento da negociação (não confidenciais) você as reparte com a pessoa com quem está negociando? 16. Você costuma ver qualquer mudança ou situação nova como uma oportunidade para se desenvolver, crescer mais (em oposição a ver a mudança como algo ameaçador)? 17. Depois de expor toda a sua argumentação, você costuma puxar, solicitar (sem pressão) pela decisão da outra parte ? 18. Você evita colocar contra a parede o outro negociador, pressionando-o, "forçando a barra"? 19. Você inicia a negociação admitindo a possibilidade de que seus pontos de vista não prevaleçam (você não quer perder, mas admite perder)? 20. Você consegue transformar uma situação adversa em oportunidade para novos negócios, serviços ou idéias? 21. Você convive com situações de tensão (longas ou curtas), Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 9 sem alterar significativamente seu comportamento e suas táticas como negociador? 22. Você antes de apresentar qualquer argumentação procura se colocar no lugar do outro negociador, imaginando possíveis objeções ou falhas na sua proposição? 23. As idéias apresentadas por você são objeto de análise prévia quanto a possíveis resultados e conseqüências (para você e para sua organização)? 24. Seu comportamento durante a negociação costuma levar em conta o fato de que no futuro você poderá voltar a negociar com a mesma pessoa? 25. Ao negociar com um subordinado e/ou numa situação em que você tenha qualquer tipo de ascendência sobre o outro negociador, você costuma tratar a outra parte em termos iguais, evitando evidenciar essa superioridade? 26. Durante a negociação sua preocupação é de esgotar as fontes de fatos e informações sobre o tópico em questão, antes de emitir qualquer opinião ou avaliação? 27. Você procura fazer perguntas ao negociador que demandam respostas além do simples SIM ou NÃO? 28. Durante a negociação você espera a outra parte terminar sua argumentação para então iniciar sua resposta? 29. Você transmite à outra parte profunda convicção sobre suas idéias ou propósitos (a certeza de que aquilo que você propõe é bom e útil para ambos)? 30. Você procura negociar em todas as suas áreas de atuação (trabalho, lazer, família etc.), em oposição a negociar apenas em uma delas (trabalho, por exemplo) e nas outras partir para a imposição da hierarquia ou qualquer outro método que coloque a outra parte em posição desigual em relação a você? SOME O TOTAL DE CADA RESPOSTA (COLUNA) Confira a pontuação e verifique se você é um bom negociador. Transfira a pontuação para a coluna “Numero de respostas”, multiplique pelo pontos e some todos as linhas. Avaliação Número de respostas Pontos Multiplique Frequentemente 3 Às vezes 2 Raramente 1 Somar o total de graus obtidos Interpretação dos resultados:: Entre 90 e 71 - Você é um excelente negociador; procura ver no processo onde e como os dois lados podem vencer, preocupa-se como o outro lado, inspira confiança, é flexível. Mas não se esqueça de que sempre é possível melhorar, especialmente nos itens que mereceram respostas "ÀS VEZES" ou "RARAMENTE". Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 10 Entre 70 e 50 - Você é um negociador razoável; às vezes deseja vencer a qualquer custo, não se preocupando muito com as expectativas e necessidades da outra parte; nem sempre inspira confiança e sua flexibilidade é média. Ainda há muito o que melhorar, especialmente nos itens que receberam respostas "ÀS VEZES" ou "RARAMENTE". Entre 49 e 30 - Você realmente, precisa mudar seus métodos e comportamento na negociação. Eles não lhe estão ajudando a alcançar seus objetivos. Você raramente admite que seus que seus pontos de vistas não prevaleçam e deixa isso claro à outra parte. As expectativas e necessidades do outro negociador não lhe interessam. Você se relaciona com os outros na defensiva e eles não o vêem como alguém confiável. É muito comum que você radicalize posições ou situações; qualquer alteração no "status quo" é vista por você como ameaça, independentemente de análise prévia. Há um longo caminho a percorrer para que você desenvolva seu processo de negociação; comece já a analisar os itens que você respondeu ÀS VEZESou RARAMENTE. Fonte: www.rh.com.br (adaptado pelo autor) Motivadores dos negociadores Quando se quer conseguir algo de alguém é necessário saber identificar suas motivações mais fortes, seus interesses, a forma como classificam seus valores, etc. Podemos dizer que as pessoas negociam por seis motivações diferentes: Ganhar Dinheiro: o objetivo principal é ganhar dinheiro, ter lucro. Aceita riscos e desafios. Segurança, praticidade e status tem pouca importância. Evitar a perda: Medo real ou presumido de perder algo: produção, amizade, dinheiro, trabalho, relacionamento. Evitar incômodo: A pessoa prefere evitar aborrecimentos ou qualquer burocracia. Sentir prazer: Gosta de estudar detalhes previamente, tende a se entusiasmar com o processo de negociação e sente especial em debater, à exaustão, os tópicos que considera relevante. É necessário dominar o assunto para conseguir negociar com alguém assim. Obter Reconhecimento: O principal objetivo é o prestígio. É uma pessoa que se preocupa bastante como que os outros dizem e vê a opinião alheia como um fator importante. Precisa sentir-se reconhecido e valorizado durante o processo de negociação. Tende a levar o trabalho par ao lado pessoal e precisa saber capitalizar os resultados obtidos. Ser Altruísta: Tem poucas necessidades materiais, geralmente é mais maduro e tem um fervor idealista relacionado aos seus projetos. Vê o bem comum como fator importante que qualquer vantagem pessoal e leva muito em consideração o caráter da pessoa com quem negocia. Qual é o seu motivador principal no processo de negociação? Para podermos ser negociadores mais eficazes precisamos conhecer nossas motivações e também saber como elas podem influenciar nossas decisões e maneiras de conduzir uma negociação. http://www.rh.com.br/ Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 11 Papéis dos Negociadores • Negociador Efetivo: é o negociador que conhece a fundo todo o processo de negociação • Negociador Analítico: é o negociador que possui como característica o raciocínio lógico e se posiciona com postura criteriosa e detalhada. • Negociador Relativo: possui uma postura de facilitador. • Negociador Intuitivo: possui as habilidades de criar e desenvolver novas idéias nas negociações. Negociador Efetivo Conhecer os detalhes Documentar todas as declarações Verificar fatos Responder questões Proporcionar informações complementares Ser preciso Podem ser insensíveis e perderem-se nos detalhes Negociador Analítico Argumentos lógicos Negocia a agenda da reunião, definindo regras Esclarece as questões Podem ser perder nas argumentações e esquecer da negociação em si. Negociador Relativo Facilitador entre os membros do grupo. Boas relações Sensível as reações dos outros. Construção de confiança Podem perder a objetividade e falar demais Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 12 Negociador Intuitivo Traz ideias e novos caminhos. Enxerga os pontos essenciais da questão. Examina as implicações de cada proposta. Tem uma visão global da situação. Podem não ser realistas e inconsequentes. Podem ser difíceis de lidar por não terem disciplina. Estilos de Negociação Agora vamos fazer uma análise do seu estilo de negociação. Os estilos de negociação determinam, em grande parte, como tende a negociar. Vamos fazer o teste e em seguida discutiremos sobre cada estilo. Marque apenas uma opção por linha: Coluna A Coluna B Organizado Improvisador Auto-controlado Espontâneo Oculta sentimentos Expressa sentimentos Visão macro (olha apenas o todo) Visão micro (detalhista) Frio (racional) Voltado para pessoas Voltado para resultados Voltado para fora (extrovertido) Mantém distância Aproxima-se Realista Sonhador (idealista) Difícil de conhecer Fácil de reconhecer Coluna C Coluna D Faz afirmações Faz perguntas Direto Sutil Prepotente Ponderado (reservado) Age Reflete Toma iniciativa Espera ser solicitado Objetivo (direto) Subjetivo Competitivo Cooperativo Decisões rápidas Decisões analisadas Sentido de urgência Sentido de paciência Desafiador Encorajador Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 13 Some os pontos das colunas B e D apenas. Soma B Soma D Catalisador Orientado para idéias, busca reconhecimento. É um tipo ávido por reconhecimento. Se seus interesses são contrariados, mostra-se inconstante. Características: extrovertido, alta inflexão de voz, falante, expressivo, persuasivo, inconstante, instável, impulsivo, tem interesses diversos. Generalista, não gosta de detalhes. Necessita ser reconhecido como ótimo, único. Catalisado r 10 9 8 Apoiador 7 6 1 2 3 4 5 Controlad or 5 6 7 8 9 10 4 3 Analítico 2 1 Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 14 Pontos Fortes: criativo, entusiasmado, estimulante, persuasivo. Fraquezas: exclusivista, impulsivo, inconstante. Sob tensão: fala alto e rápido, agita-se e explode. Para obter apoio: usa ideias novas, persuade, estimula. Valoriza: cumprimentos recebidos, reconhecimento. Precisa aprender: autodisciplina e moderação. Apoiador Orientado para relacionamento, busca associação. Amável e prestativo. Precisa de aceitação e tende a fugir do conflito. Pode prometer coisas e não cumprir. Características: Suave nos gestos e na voz, afável, compreensivo, empático, cultiva a cumplicidade. Não é preconceituoso. Necessita ser amigo, aceito por todos. Tem dificuldade em dizer não e quer sempre agradar a todos. Pontos Fortes: amável, compreensivo, sabe escutar, prestativo, espírito de equipe. Fraquezas: perde tempo, evita conflitos, pode ser levado a fingir. Sob tensão: finge concordar, não se manifesta. Para obter apoio: faz amizades, trabalha para o grupo, busca harmonia. Valoriza: atenção que recebe, ser aceito pelas pessoas. Precisa aprender: autodeterminação e fixação de metas. Controlador / Dominador Orientado para resultados, busca realização. Decidido, eficiente e gosta de assumir riscos. Também pode ser competitivo. Características: Tem voz firme e gestos impositivos, prático, realista, objetivo; Diz exatamente o que pensa e sente. Busca poder e pode ser insensível. Necessita cumprir o que deve, alcançar metas e objetivos. Pontos Fortes: decidido, eficiente, rápido, objetivo, assume riscos. Fraquezas: exigente, crítico, impaciente, insensível, mandão. Sob tensão: ameaça, impõe e torna-se tirânico. Para obter apoio: confia na eficiência, em trabalho feito a tempo e hora. Valoriza: resultados, cumprimentos de metas. Precisa aprender: humildade e escutar os outros. Analítico Orientado para tarefas, busca segurança. Organizado e ponderado. Pode ser teimoso e procrastinador. Quer sempre mais informações, o que o torna indeciso. Características: Tom de voz constante e gestos pensativos. Confiável, detalhista, metódico, disciplinado. Gosta de estudar, pesquisar. Busca perfeição e tende a ser um idealista. Não gosta de correr riscos. Pontos Fortes: sério, organizado, paciente, cuidadoso, controlado. Fraquezas: indeciso, meticuloso, teimoso, perfeccionista. Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 15 Sob tensão: cala-se, retira-se ou evita o conflito. Para obter apoio: mantém-se a pardo que acontece, especializa-se. Valoriza: segurança, maior garantia. Precisa aprender: tomar decisões mais rápidas, arriscar-se mais. Todos têm características dos quatro estilos, porém temos um estilo predominante. Por isso, ao negociar, procure enfatizar a força do seu estilo e minimizar as fraquezas. Além disso, conhecer o estilo do outro negociador é fundamental, pois permite melhor preparo para identificar suas características. É importante salientar que, em cada estilo, a preparação deve ser feita com atenção para os pontos fortes, porém, também precisamos minimizar as fraquezas dos nossos pontos fracos. Muitas pessoas negociam com base em um estilo, e não em uma orientação da negociação, pois, reconhecendo o estilo da outra pessoa, é possível prever suas ações, pois, reconhecendo o estilo da outra parte, é possível prever suas ações. Em geral os negociadores têm um estilo primário e outros dois secundários. A análise dos estilos primários e secundários é muito importante para se enumerarem os passos que os negociadores devem considerar quando estiver lidando com eles. A utilização dos pontos fortes e fracos de cada negociador vai depender da combinação da sua maneira se der coma situação com a qual está se deparando. É preciso adaptar-se a situação. Podemos utilizar o estilo do outro negociador de duas formas: 1 – Enfatizando os pontos fortes do outro negociador, criando assim uma ponte e deixando-o mais à vontade na negociação. 2 – Utilizar os pontos fracos do outro negociador. Porém, se enfatizarmos esses pontos isso gerará uma área de conflitos. O mais aconselhável é não enfatizá-los, afastando-se deles e levando para outro cenário. Veja como podemos lidar com cada tipo de negociador Como negociar com cada estilo (Fonte: Filardi, 2014) Negociação com um apoiador Não Enfatizar os pontos fracos: Procura agradar de forma demasiada Tem dificuldades de dizer “não” Às vezes se torna prolixo, difícil de ser compreendido. Nem sempre retrata o que realmente pensa e sente. Explorar seus pontos fortes: Eliminar os conflitos Aumentar competência interpessoal Satisfação dos outros Dar assistência às pessoas Trabalho em grupo Ser amigo de todos e ser aceito grupo Negociação com um analítico Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 16 Não enfatizar os pontos fracos: Atenção demasiada aos detalhes Ainda tudo na esperança de amanhã fazer melhor. Minucioso Teimoso, maçante Indeciso Explorar seus pontos fortes: Obter todos os dados disponíveis (macro) Tomar decisões seguras Tempo dedicado à pesquisa, coleta de dados Mais alternativa para análise Maior sistematização Negociação com um catalisador Não enfatizar os pontos fracos: Não vai fundo ao problema Metas irrealistas, podendo não cumprir o que prometeu Estratosférico Explorar seus pontos fortes: Maior rapidez e facilidade na resolução de problemas. Exclusividade e inovação Singularidade Negociação com um controlador Não enfatizar os pontos fracos: As pessoas são ferramentas de trabalho dominador. Faz prejulgamentos Baixa competência interpessoal Explorar seus pontos fortes: Ganhar tempo, dinheiro, economizar. Vencer os outros Atingir metas e resultados Agir sozinho, ficar independente. Cumprir o dever Outros Estilos de Negociação Modelo de Sparks Sparks (1992), diz que este modelo é útil para o negociador e se divide em quatro estilos básicos usados por oponentes. Cada estilo se baseia em um conjunto de suposições, em geral dois impulsos, que agem em comum para criar esse conjunto de suposições sobre a outra parte: Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 17 Variáveis Controle: impulso para dominar e governar outros; crença na correção da rivalidade direta e desenfreada; Desconsideração: impulso para rebaixar os outros; crença de que a tolerância passiva e a extrema atenção são da mais alta importância; Deferência: impulso para deixar outros assumirem o comando; crença de que o desinteresse ou a impaciência têm o mais alto valor; Confiança: impulso para incluir outros como parceiros no trabalho; crença de que o melhor é a colaboração. Classificação de Estilos: Estilo restritivo: o controle combina-se com a desconsideração para formar a suposição de que os negociadores só chegam a um acordo se forem forçados. Dessa forma, eles não são cooperativos. Esses negociadores esperam que as pessoas ajam em seu próprio interesse. Estilo ardiloso: a desconsideração combina-se com a deferência para formar a suposição de que os negociadores devem ser evitados ou mantidos à distância, pois representam uma fonte de problemas. A idéia é de que as pessoas não podem ser influenciadas pelas ações de outros. Seu objetivo principal é o de sobreviver á negociação e manter seu status quo. Estilo amigável: a deferência e a confiança combinadas formam a suposição de que os negociadores na sua maioria são cooperativos e até simpáticos.O objetivo principal de um negociador com estilo amigável é manter o relacionamento com o seu oponente, independente do desfecho da negociação. Estilo confrontador: a confiança e o controle se combinam para formar a suposição de que os negociadores procuram a eqüidade. Eles apreciam a necessidade de contestar as questões, enquanto trabalham mutuamente para chegar a um acordo sólido. Sua opinião é que as pessoas irão colaborar ao invés de obstruir. O objetivo do oponente de estilo confrontador é o melhor acordo global nas circunstâncias dadas. Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 18 CLASSIFICAÇÃO DE GOTTSCHALK Estilo duro: é dominante, agressivo e orientado para o poder. Estabelece posições firmes e claras, aceita assumir riscos, é dinâmico e procura manter o controle da situação. Dentre seus pontos fracos pode-se citar uma visão de curto prazo, inflexível, coercivo, agressivo, não permite que outros do grupo contribuam e procura impor seus pontos de vista. Estilo caloroso: é apoiador, compreensivo, colaborador e orientado para as pessoas. Sua base de poder vem de baixo, é paciente, calmo e otimista. Alguns de seus pontos fracos são: incapaz de dizer não, não estabelece claramente suas intenções, tende a reclamar muito quando surgem problemas e é muito dependente dos outros. Estilo dos números: trate-se de um estilo analítico, conservador, reservado e orientado para as questões. É persistente e paciente, bem preparado e executa bem suas tarefas, prático e confiante nas suas habilidades analíticas. Seu lado negativo é o de ter dificuldade para lidar com as emoções, não imaginativo, inflexível e obsessivo, pessimista e prisioneiro do passado, não toma decisões rápidas e perde se nos detalhes. Estilo negociador: é flexível, compromissado e orientado para resultados. Não desiste facilmente, é jovial, charmoso e fácil de lidar. Aprecia negociar por meio de barreiras culturais e possui fala rápida. Seu lado negativo é que procura buscar o acordo a qualquer preço, é cheio dos compromissos e de difícil acesso, pode levar pessoas a caminhos errados, parece artificial e pouco sincero, é muito hábil apenas em algumas situações. Variáveis Básicas de uma Negociação Em qualquer negociação sempre haverá três variáveis básicas que condicionam o processo: poder, tempo e informação. Para uma negociação eficaz é necessário utilizar corretamente essas variáveis, entendendo sua importância e o momento correto de uso. Veja abaixo como essas variáveis podem influenciar a negociação. Poder O poder é um meio para se atingir algumfim, levando a mudar a realidade e atingir resultados. Existem várias formas de utilizar o poder na negociação a nosso favor. Veja abaixo os tipos de poder e avalie- se. Qual desses utiliza ou poderia utilizar numa negociação? • Poder Pessoal: baseado nas qualidades pessoais e que trazem segurança na negociação. • Moralidade: A pessoa é vista como uma referência moral, de retidão, com uma reputação irrepreensível. As pessoas tendem a lhe dar crédito por acreditarem que podem confiar em sua opinião. Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 19 • Atitude: sua atitude positiva, autoconfiança, energia e disposição despertam confiança na outra parte. • Persistência: a persistência em atingir resultados, conseguir recursos e continuar na negociação pode gerar segurança da outra parte. • Capacidade persuasiva: o poder baseia-se na capacidade de argumentação e persuasão do negociador. Utiliza as questões certas nos momentos certos. • Poder circunstancial: baseia-se no domínio ou controle de aspecto circunstancial como momento, tipo de negociação, influência, recursos. • Poder de especialista: está ligada a confiança que as pessoas tem na capacidade do negociador em fornecer informações. Apresentar sua experiência e ou formação no início de uma negociação é uma forma de utilizar esse poder. • Poder de posição: consiste na utilização da posição hierárquica para resolver um problema. A famosa “carteirada”. A utilização constante desse tipo de poder poder levar a uma relação ganha- perde. Tempo • Conhecer a variável “tempo” • Controlar o tempo • Definir prazos antecipadamente • Quem domina o tempo tem vantagens na negociação. Informação • Conhecimento é Poder! • Saber ouvir e entender a situação e necessidades do outro. • Fazer a leitura das expressões e corpo do outro. • Conheça o que está negociando. Linguagem corporal na negociação A linguagem corporal na negociação é fundamental para atingirmos os resultados esperados. Precisamos entender que muito do entendimento e da capacidade de persuasão da comunicação está ligado à linguagem corporal e ao tom de voz. Veja abaixo algumas dicas de como utilizar e o que não fazer em uma negociação. Situação Adequado Inadequado Olhos Manter contato visual (mais da metade do tempo) Fitar ou olhar para a outra pessoa menos da metade do tempo Ser amigável, ficar relaxado, demonstrar interesse e/ou Demonstrar indiferença, superioridade ou tensão Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 20 Expressão preocupação (quando necessário) Cabeça Acenar, indicando que está “escutando”; movimento leve para indicar interesse Baixar a cabeça ou encaixar o queixo Braços Abrir os braços Cruzar os braços Mãos Gesticular com palmas abertas Fechar os punhos, apontar ou agitar os dedos Postura Ficar relaxado, procurar ficar em pé mantendo uma certa distancia Encolher os ombros ou ficar “em cima” das outras pessoas Aperto de mão No momento certo, dar um aperto de mão cálido mostrando interesse; manter a palma alta Ser um “quebra-ossos” com movimentos violentos ou oferecer a mão com a palma para baixo Contato físico Em certas ocasiões, não fará mal oferecer conforto ou transmitir confiança apoiando a mão no ombro ou no braço do interlocutor Prolongar o contato físico ou invadir o espaço pessoal da outra pessoa. Forma de sentar-se Sentar-se diretamente em frente à outra pessoa Sentar-se ao lado da outra pessoa colocando a cadeira em ângulo aberto Fonte: Filardi, 2014 Lidando com as emoções no processo de negociação 1 – Comece por compreender as emoções, as suas e as dos outros. Observe no decorrer da negociação suas emoções e as manifestações dos outros: Sente-se nervoso? Tem dores de estomago? Os outros o irritam? Tente descobrir o que está na origem das emoções: Por que razão se sente irritado? Por que razões estarão eles irritados? Estarão ressentidos? As emoções se alastram de um assunto para outro? Os problemas particulares estão interferindo na negociação? 2 – Preste atenção às “ preocupações centrais” Muitas emoções que ocorrem durante sãs provocadas por um conjunto central de cinco interesses: Autonomia: o desejo de cada um fazer as suas próprias escolhas e controlar o seu próprio destino. Apreço: o desejo de ser reconhecido e valorizado. Afiliação: o desejo de pertencer com o membro aceite a um grupo de iguais. Função: o desejo de ter um objetivo com significado. Estatuto: o desejo de ser justamente visto e avaliado. Se estes interesses são ignorados isso tende a criar emoções negativas fortes. Tê-los em conta, pode criar uma relação e um clima positivo para uma negociação eficaz. 3 – Considere o papel da identidade Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 21 Não ofereça ameaça ao respeito próprio, a autoimagem positiva ou a identidade de seu opositor. Apontar para as falhas do outro somente vai trazer resultados ruins. Se perceber que o comportamento do outro se alterou estranhamento ou se achou que “pisou em campo minado”. Retroceda e demonstre que percebeu isso e pergunte se está tudo bem. 4 – Revele as emoções e considere-as legítimas Fale sobre as emoções presentes no processe de negociação. “Parece-me que esse aspecto o incomodou, para mim está tudo bem, porém quero entender seu ponto de vista” Se conseguir elucidar as emoções presentes pode diminuir a tensão e as reações adversas. 5 – Deixe a outra parte desabafar Se a outra parte quiser se queixar de alguma coisa seja receptivo. Deixe-o falar, mas não entre no clima de reclamações. Acene com a cabeça, olhe diretamente nos olhos, demonstre interesse. Quando terminar diga que compreende o que disse e tente retomar a negociação. 6 – Não reaja a explosões emocionais No caso do seu oponente ter explosões emocionais: gritar, bater em coisas, ou se retirar. Não entre nesse clima. Mantenha o autocontrole e responda de mais racional possível. 7 – Use uma linguagem corporal adequada Utilize uma linguagem corporal adequada, receptiva e em sintonia. O Método Harvard de Negociação Método Harvard de Negociação • Não barganhe as posições • Separar as pessoas dos problemas • Concentrar-se nos interesses, não nas posições. • Buscar alternativas de ganhos mútuos • Insista em critérios objetivos Não Barganhe posições Os estudos de Harvard demonstraram que negociar posições pode trazer mais resultados ruins que bons em uma negociação. Por exemplo: Gera acordos insensatos. É ineficaz; Põe em risco a manutenção do relacionamento; Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 22 Quando há muitas partes, a barganha de posições é ainda pior; Ser gentil não é a resposta; Existe uma resposta Separar as pessoas dos problemas Todos têm interesses e motivações Entenda o ponto de vista do outro Discuta a percepção de cada um Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 23 Concentrar-se nos interesses, não nas posições. Para chegar a uma escolha sensata, concilie interesses e não posições. Os interesses definem o problema. Como identificar interesses: Pergunte: Por quê? Por que não? (pense na escolha do outro) Lembre-se: cada lado tem múltiplos interesses. Os interesses fundamentais são as necessidades humanas fundamentais. Por trás de posições, há interesses compatíveis e interesses conflitantes. Reconheça os interesses do outro como parte do problema Coloque o problema antes de oferecer uma solução Olhe para frente, não para trás. Seja objetivo, mas flexível.Seja rigoroso com os problemas, mas afável com as pessoas. Buscar opções de ganho mútuo Levante as opções possíveis em conjunto. Identifique as melhores opções. Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 24 Busque benefícios mútuos. Identifique interesses comuns Harmonize interesses diferentes. Facilite as decisões do outro. Insista em critérios objetivos Formular cada questão como busca conjunta de critérios objetivos. Pergunte ao outro qual a ideia dele sobre o assunto e como chegar a um acordo. Pondere e fique aberto aos padrões mais apropriados e como usá-los. Jamais ceda a pressões, mas a princípios somente. Como Chegar ao SIM! (Fisher e Ury) Por favor, corrija-me se eu estiver errado.. Reconhecemos o que o você fez por nós... Nossa preocupação é com a justiça.. Gostaríamos de resolver isso não com base no interesse pessoal e no poder, mas sim nos princípios.. A confiança é outra questão... Posso fazer-lhe algumas perguntas para verificar se os meus dados estão corretos? Qual é o princípio por trás de sua ação? Deixe-me ver se entendo o que você está dizendo... Permita-me que eu volte a procurá-lo? Deixe-me mostrar-lhe aonde tenho dificuldade de acompanhar o seu raciocínio... Uma solução justa seria... Se chegarmos a um acordo....se discordarmos... Foi um prazer tratar com vocês... MACNA A MACNA corresponde à alternativa que será adotada caso não se alcance um acordo na negociação. Esta alternativa é definida antes do início de qualquer negociação para permitir ao negociador uma posição vantajosa em relação à outra parte, na medida em que ele conhece e dispõe de uma referência (preço mínimo pelo qual está disposto a negociar), tanto para avaliação das propostas decorrentes do processo como para poder dizer não a uma proposta desfavorável. . Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 25 ZAP - Zona de Acordo Possível ZAP é o conjunto de alternativas possíveis, para ambas as partes, definidas por limites superiores e inferiores, definidos pela MACNA, dentro das quais se pode chegar a um consenso que satisfaça ambas as partes. Esses limites são definidos pelo Preço de Reserva (Ponto de Resistência) de cada uma das partes. As partes não alcançarão resultados enquanto existir espaço para negociação na região da ZAP Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 26 Os passos de uma negociação de sucesso Passo 1 - Preparar Preparação é tudo em negociação, portanto, o negociador melhor preparado levará vantagem durante o processo de negociação. Para uma boa preparação é necessário: a) Se conhecer como negociador b) Avaliar seu oponente c) Definir o perfil da negociação: Metas (ZAP), Preço de reserva (Ponto de resistência), Limites de desistência, MACNA e estratégias de concessão, tempo. d) Conhecer o histórico de negociação com seu oponente. As metas incluem: Máximo desejável: é o melhor dos cenários na negociação Mínimo aceitável: é mínimo que supre minhas necessidades. Ponto de resistência: é momento onde a negociação propriamente dita começa acontecer. A partir desse ponto a negociação torna-se mais dura. Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 27 Limites de desistência: a partir desse espaço não há mais interesse na negociação. Estratégias de concessão: define-se antecipadamente quais são as concessões que serão feitas e como iremos realiza-las. Tempo: Qual é o tempo previsto e desejável para a negociação. Passo 2 - Explorar 1 - Crie um clima propício à negociação Objetivos: Criar um clima agradável a negociação. Definir objetivo e benefícios mútuos e como as partes trabalharão. Estratégias: Trabalhe para estabelecer um relacionamento Saiba como gerar confiança Crie um clima construtivo Torne as pessoas receptivas Utilize o bom senso para escolher como quebrar o gelo Seja amistoso, porém mantenha uma postura profissional. Não se deixe abalar pelas tentativas de fragilização. 2 – Levante informações Objetivos: Levantar as expectativas e necessidades do outro para usar na etapa seguinte. Mostrar como nossas ideias, produtos e serviços atende aos interesses do outro negociador. Estratégias: • Colete todas as informações • Faça perguntas abertas • Escute atentamente • Use o silêncio ao seu favor • Observe a postura e as reações da outra pessoa. • Busque informações sobre fatos conhecidos Passo 3 - Propor Objetivos: Expor sua proposta ao outro e fazer a descrição dos produtos, serviços ou idéias. Estratégias: • Procure adequar a sua linguagem • Combine apoio visual com que você fala • Utilize os canais sensoriais • Demonstre uma argumentação lógica e coerente • Mostre o quanto você e seu produto, serviço ou ideia valem. • Ofereça soluções e benefícios Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 28 Passo 4 - Negociar Objetivos: Responder as objeções Aceitar as razões do outro e antecipar Levantar dúvidas potenciais Estratégias: • Comece "apostando alto" e faça concessões lentamente • Inicie pelos assuntos menos polêmicos • Seja honesto, mas não ingênuo. • Saiba solucionar dúvidas e objeções • Entenda qual o valor de uma contraproposta • Clarifique todos os pontos de negociação Passo 5 - Fechar Objetivos: Fechamento do negócio Estratégias: • Fique atento para os sinais de aceitação • Proponha o fechamento • Use a tática do "se...então..." • Tente fazer com que o acordo seja fechado sem adiamentos. • Reveja e clarifique novamente os pontos ancorados • Utilize frases que levam a negociação ao fechamento • Cuide da implementação. Estratégias e Táticas de negociação: Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 29 Matriz de estratégias de negociação Resultado x Relacionamento Estratégia de Competição: Tipo Ganha-perde Estratégia de Colaboração: Tipo Ganha-ganha Estratégia de Conciliação: Tipo Ganha-ganha ou não Estratégia de Evitação: Tipo Perde-perde Estratégia de acomodação: Tipo perde-ganha Outras táticas de negociação: Salame: consiste em obter, fatia por fatia, a concordância da outra parte. Fato consumado: Apresentar um termo final de acordo já pronto dentro do cenário ideal da outra parte. Espera-se que a outra parte já aceite os termos. Colchete: Consiste em isolar os detalhes do panorama negocial e tratar um de cada vez, como tentativa de neutralizar aspectos mais polêmicos da proposta como um todo. Cobertor: Consiste em apresentar todos os itens da pauta de negociação de uma só vez, dentro do panorama ideal desejado pela parte que está propondo. Costuma ser usada para dar início à Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 30 negociação de perfil alongado de complexidade e demanda de tempo. Tática muito utilizada pelos sindicatos. Reversão: Consiste em mudar de postura durante a negociação, alterando formas de agir. O objetivo é exercer pressão psicológica sobre o oponente. Indicada para situações com negociações complexas e próximas de impasses difíceis. Autoridade limitada: Passa-se a impressão que somente poderá aceitar a proposta se consultar níveis hierárquicos superiores, o que pode demandar mais tempo. Retirada aparente: Com objetivo de ganhar tempo, cansar ou pressionar sutilmente o oponente realiza- se o abandono da negociação ou seu adiamento. Ameaça: Utilizada em último caso.Faz-se menção de abandonar a negociação, utilizar força maior ou outro recurso radical como forma de pressionar o oponente. Data limite: Fixar uma data final para resolver o problema, sob ameaça de não conseguir cumprir os itens do acordo caso passe essa data. Também só deve ser utilizada em situações extremas. Intimidação: Adotar uma postura intimidadora que leva a outra parte ao acuamento. Tática perigosa. Debilitação: Tentar vencer o oponente pelo cansaço ou pelo esvaziamento progressivo dos seus termos e condições. Alongamento do tempo de negociação ou repetição exaustiva de argumentos e fatos já estudados é típico da ação debilitativa que pode ser utilizada pelo negociador. Drible: Defende-se um aspecto da negociação para não deixar que o oponente perceba que as verdadeiras intenções do negociador, desviando sua atenção. Exemplo: insistir num desconto, mas a verdadeira intenção é manter o prazo alongado de pagamento que está na proposta. Silencio: Ficar em silêncio. Tem dois objetivos: neutralizar a tática de ameaça e intimidação do oponente e ganhar tempo para refletir e tomar decisões. Inversão de papéis: O negociador fala e argumenta como se fosse a outra parte. Também se pode repetir, com as próprias palavras, o que foi dito pelo oponente. O objetivo é fazer com que ele preste atenção em suas atitudes e conteúdo da fala. Repete, reforça e inverte: Consiste em repetir exatamente o que a contraparte falou, reforçar ainda mais seus argumentos e depois inverter a situação, apresentando um argumento muito forte e convincente, totalmente contrário ao que está discutindo. Dar para receber: Tática do “se...então...”. Consiste em fazer trocas com a contraparte, cedendo enquanto recebe algo em troca, passo a passo. Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 31 Negociação e questões éticas Critérios para a tomada de decisões éticas O que produz maior bem para o maior número de pessoas – Enfoque utilitarista. As ações são certas caso promovam ganhos individuais a longo prazo. Enfoque individualista. Os direitos das pessoas envolvidas devem ser mantidas a qualquer custo. – Enfoque moral As decisões devem ser baseadas em padrões de equidade, probidade e imparcialidade. Enfoque de justiça. Para agir eticamente nas negociações devemos considerar; Meios X Fins Relativismo X Absolutismo A questão de contar a verdade. A ocultação da verdade pode assumir várias facetas em uma negociação como: Adulteração de uma posição perante o oponente; Blefe Falsificação Fraude Exposição seletiva ou adulteração de elementos. 2 – Conflitos Conflitos! Como o mundo seria muito melhor sem a presença deles, pois certamente as pessoas viveriam mais feliz, menos estressadas e certamente com uma melhor qualidade de Conflitos: uma realidade na sua vida Por Patrícia Bispo para o RH.com.br http://www.rh.com.br/Portal/Grupo_Equipe/Entrevista/5050/conflitos-uma-realidade-na-sua-vida.html Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 32 vida. Mas, como a realidade mostra que as divergências entre as pessoas é algo que está muito além da vontade humana, é preciso saber conviver e administrar situações conflituosas. E isso vale tanto para a vida pessoal quanto para o dia-a-dia corporativo onde o ser humanos precisa conviver diariamente com seus pares e uma infinidade de pontos de vista, maturidade, personalidades, ou seja, uma verdadeira caixa de surpresas que pode revelar alegrias ou tristezas. Mas, se os conflitos estão tão presentes na vida das pessoas, como convive com eles, principalmente no ambiente de trabalho, onde é extremamente necessário manter uma postura profissional, para que simples desavenças não se tornem em questões pessoais? Para o consultor organizacional Ômar Souki, a pessoa emocionalmente madura, com elevado quociente emocional, busca o entendimento, em qualquer situação e em muitos casos consegue transformar a discórdia em oportunidade de crescimento. Quando questionado sobre os fatores que normalmente estimulam o surgimento de conflitos nas empresas, ele é categórico: “Um fator que pode favorecer o surgimento de conflitos é a falta de critérios congruentes para o recrutamento dos colaboradores. A admissão de funcionários deve ser orientada para que as pessoas certas sejam admitidas”, alerta. Em entrevista concedida ao RH.com.br, Souki analisa vários fatores que estão diretamente relacionados à mediação de conflitos como inteligência emocional e a postura que o líder para que o conflito não tome proporções maiores e afete não apenas os envolvidos diretamente, mas também comprometa o desempenho de toda uma equipe. Ômar Souki, que é conferencista internacional, escritor e Ph.D. pela Universidade de Ohio, EUA, será um dos palestrantes do 2º ConviRH (Congresso Virtual de Recursos Humanos), promovido pelo RH.com.br, que acontece no período de 15 a 30 de maio de 2008. Na oportunidade, ele apresentará a palestra virtual “A Inteligência Emocional nas Empresas”. Confira a entrevista e aproveite esse momento para refletir sobre as conseqüências que os conflitos podem ter na vida da sua organização. Boa leitura! RH.COM.BR - Muitas vezes, as pessoas se assustam quando escutam a palavra "conflito", pois geralmente consideram como sendo algo negativo. Isso é algum tipo de "rotulação ultrapassada"? Ômar Souki - Nosso ideal é a harmonia, portanto, quando ouvimos a palavra conflito temos resistência. Essa palavra é associada ao ataque, à guerra. É também empregada para denotar discordância ou desentendimento. De fato, não almejamos o conflito, mas temos que admitir que ele ainda faz parte, e muito, do nosso cotidiano. É preciso reconhecê-lo para lidar com ele. Mesmo quando estamos comprometidos em cultivar o equilíbrio nas relações, a discordância acontece. Podemos, então, investir na criação de uma cultura empresarial onde reine uma harmonia dinâmica. Isto é, uma situação na qual estamos engajados na obtenção de um ambiente de trabalho agradável, de respeito mútuo, mesmo convivendo com diversidade de opiniões. RH - Quando bem administrado, que pontos positivos o conflito pode trazer às empresas? Ômar Souki - O conflito forte resulta de uma divergência não trabalhada. Quando pensamos diferente de uma pessoa ou quando nos desentendemos com ela, podemos usar duas abordagens. Uma é o ataque; a outra, é a busca da compreensão. O ataque é o recurso utilizado por pessoas que, em geral, recebem pouco amor. São carentes. Para serem notadas, atacam, xingam, criticam, julgam. Mas ela ataca, não porque é intrinsecamente má. Agride porque não se sente compreendida. Pode-se até afirmar que todo ataque é um Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 33 pedido de ajuda, de compreensão. Já a pessoa que está bem abastecida de amor, age de forma diferente, busca compreender os motivos dos outros, para depois ser compreendida. São essas as que conseguem administrar conflitos e fazer deles oportunidades de aprendizado e crescimento. São as pessoas nutritivas, que todos queremos ter a nosso lado. Conseguem transformar a discórdia em oportunidade de crescimento. Transformam reclamações de clientes em oportunidades de fidelização. Enfim, são geniais. RH - Os conflitos podem ser evitados? Ômar Souki - A pessoa emocionalmente madura, com elevado quociente emocional, busca o entendimento, em qualquer situação. Seu objetivo é a compreensão. Ela pode se dar a esse “luxo”, pois tem um suprimento adequado de amor. Em casa ou no trabalho ela é amada. É amada porque sabe compreender as pessoas. E sabe compreender porque, de uma forma ou de outra, encontrou dentro de si, a paz. Essa paz vem de um compromisso com o seu bem- estar e com o bem-estarde seus semelhantes. Essas pessoas são espiritualizadas, têm elevado quociente de inteligência espiritual (q.i.e). As pessoas com alto q.i.e. colocam a compreensão acima do “estar sempre com a razão”. Para elas, mais importante do que estar com a razão é promover o bem-estar em casa ou no trabalho. Elas conseguem transformar conflitos em divergências administráveis, pois seu foco transcende o ego, colocam o bem- estar da organização acima dos interesses próprios. Não é que elas evitem a discórdia, mas quando as discussões sem nexo aparecem, sabem lidar com elas e redirecionar o foco para o que realmente interessa, isto é, para a harmonia, para a compreensão, para a paz e para o amor fraterno entre todos. RH - Quais os principais fatores que estimulam o surgimento de conflitos no campo corporativo? Ômar Souki - A primeira coisa é a falta de liderança ou a presença de uma liderança fraca. Quando a empresa tem uma forte razão de ser, isto é, uma missão inspiradora, e esse objetivo superior é personalizado pelo seu diretor executivo ou presidente, e as equipes contam com gerentes competentes, as divergências são arejadas. As diferenças de opinião são trabalhadas com afinco e as discussões que poderiam transformar-se em conflitos crônicos, passam a representar oportunidades de crescimento. Outro fator que pode favorecer o surgimento de conflitos é a falta de critérios congruentes para o recrutamento dos colaboradores. A admissão de funcionários deve ser orientada para que as pessoas certas sejam admitidas. Isto é, pessoas que tenham não só a competência para executar suas tarefas, mas que também tenham satisfação em fazer o que estão fazendo. As pessoas felizes, em geral, sabem lidar melhor com divergência de opiniões. O Comandante Rolim disse que jamais contratava pessoas mal humoradas e Luiza Helena, do Magazine Luiza, afirmou que gente metida e arrogante está fora de moda. RH - Esses fatores estão presentes em qualquer organização, independentemente do porte ou setor de atuação? Ômar Souki - Sim, eles estão presentes em qualquer organização. Liderança fraca e falta de critérios coerentes de admissão podem aparecer em qualquer empresa. Isso é um convite para o surgimento de conflitos. Imagine uma organização na qual o líder fraqueja na tomada de decisões. O que ocorre com os gerentes? Ficam sem rumo. O que podem transmitir para os colaboradores? Pense em uma empresa que falha ao contratar. Admite pessoas desmotivadas e sem o talento necessário para exercer as funções necessárias para o sucesso do empreendimento. Esse tipo de colaborador é um estímulo ao surgimento de conflitos. RH- A partir de que momento o conflito torna-se um risco ao clima organizacional e, conseqüentemente, ao desempenho das equipes? Ômar Souki - O conflito camuflado é o maior risco. É a situação na qual existe uma forte Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 34 divergência de opiniões, mas falta oportunidade de expressá-las. Isso pode transformar-se em um ódio enrustido que acaba por solapar o desempenho das pessoas. Nem sempre a liderança consegue abrir espaço para que as divergências sejam ventiladas. Quando isso acontece, simples desentendimentos podem tomar proporções desastrosas chegando a criar um mal-estar constante que desestimula a produtividade e detona com a motivação. RH - Para a gestão de conflitos, a presença do líder é indispensável ou ele deve primeiro observar se os envolvidos possuem maturidade para solucionar a situação? Ômar Souki - O líder é pró-ativo. Ele não espera que as coisas se resolvam por si só. Chama as pessoas envolvidas em conflitos e estimula o diálogo. Na posição de comandante, ele deve ter a habilidade de pilotar sua nave de tal forma que possam todos chegar a são e a salvo ao destino. Uma habilidade importante que o líder deve possuir é a de administrar os relacionamentos em sua equipe. Deve fazer o máximo para evitar que simples divergências transformem-se em conflitos acirrados. Pode favorecer o diálogo e promover a abertura entre seus liderados. RH - Em que momento, o líder deve intervir na mediação de conflitos? Ômar Souki - Acredito que ele deve estar sempre em cena e não esperar que as divergências transformem-se em ódio. Diferentes opiniões sempre existirão. A arte de liderar consiste em fazer do diálogo, e não do conflito, uma atitude predominante dentro de sua organização. O líder deve ter como meta estimular o desenvolvimento da inteligência emocional de seus colaboradores. Deve criar um clima tal que seus colaboradores sintam-se à vontade para expressar seus sentimentos de forma civilizada. Deve também motivar as pessoas incentivando-as a administrar as suas emoções e respeitar as dos outros. RH – Qual o mecanismo mais eficaz para o gerenciamento de conflitos? Ômar Souki - Para evitar que as divergências transformem-se em conflitos acirrados é importante que as pessoas tenham consciência de que existe um espaço entre estimulo e resposta. Entre aquilo que os outros pensam, falam e fazem e nossa reação existe algo chamado liberdade de resposta. Não é necessário responder imediatamente a algum tipo de insulto recebido na empresa. É possível tomar distância da situação e refletir sobre a questão. Depois disso podemos chegar para a pessoa que nos mal tratou e perguntar qual foi a intenção dela. Claro que não é fácil fazer, mas com empenho e disciplina poderemos conseguir avanços consideráveis. O simples fato de não respondermos, mas perguntarmos o que aconteceu, faz com que a pessoa caia em si e perceba que não fez de propósito. Muitas vezes, a pessoa age de forma grosseira simplesmente porque já saiu de casa azeda, zangada com o marido, a mulher, os filhos ou com o cachorro. Na verdade, quando ela foi bruta estava preocupada com os conflitos de casa e acabou descontando em nós, seus colegas de trabalho. RH - Quem está apto a aplicar o mecanismo que o Sr. citou anteriormente? Ômar Souki - Desde que a pessoa esteja interessada em ter uma melhor qualidade de vida, pode aplicar o princípio explicado. Todos nós podemos criar um espaço entre os estímulos que recebemos da vida e as respostas que criamos. Somos todos responsáveis, não pelos estímulos que recebemos, mas, sim, pelas nossas respostas. Disciplina é justamente isso: não permitir que o que os outros pensam, falam e fazem comande nossa vida. Esse também é o princípio básico da liderança: estar no comando de nossas atitudes, por mais desafiadores que sejam os estímulos ou situações que vida nos apresenta. RH - Onde entra a atuação do profissional de RH no gerenciamento de conflitos e qual o papel da área nesse momento? Ômar Souki - Como eu disse anteriormente a seleção e o recrutamento podem influenciar no clima da empresa. Ai entra a capacidade do profissional de RH de admitir a pessoa certa Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 35 Definições de conflitos "do latim conflictu; embate dos que lutam; discussão acompanhada de injúrias e ameaças; desavença; guerra; luta, combate; colisão, choque" “um processo dinâmico envolvendo fenômenos emocionais e cognitivos, cuja identidade está condicionada por fatores situacionais" “Uma situação que revela desentendimento, confronto de opiniões, entre duas ou mais pessoas, situação essa que não tem de ser necessariamente negativa.” “Processo onde as partes envolvidas percebe que a outra parte frustrou ou irá frustrar os seus interesses.” “um conflito é mais que um desacordo, que uma discordância entre os membros de um grupo: implica um elevado envolvimento na situação, a emergência de uma certa intensidade de emoções e a percepção da existência de oposição e de tensão entre as partes.” Conflito é diferente de problema. Num Conflito existem partes em confronto e desenvolve-se uma atitude de hostilidade, enquanto num problemahá um grupo de pessoas que trabalham em conjunto, desenvolvendo-se uma atitude de aproximação. A visão tradicional do conflito sustenta que o conflito deve ser evitado, por induzir disfunção na organização. Outro ponto de vista é a da escola de pensamento dasRelações Humanas, que sustenta que o conflito é natural, sendo inevitável num qualquer grupo ou organização, e não tem de ser visto negativamente, mas pode ser mesmo uma força positiva para o desenvolvimento da produtividade da organização. A visão interaccionista tem como argumento, que o conflito não pode ser apenas positivo mas que algum tipo de conflito é absolutamente necessário para a eficácia do grupo ou organização. ( PEREIRA, 2007) para o lugar certo. Mais ainda, deve buscar contratar uma pessoa que, além da competência técnica para desempenhar a função, possua também elevados níveis de inteligência emocional, isto é, tenha boas aptidões interpessoais. Os profissionais de RH do futuro terão também a sensibilidade de preferir pessoas que cultivem o seu quociente de inteligência espiritual. São aquelas que, além de extremamente competentes no que fazem, também irradiam otimismo e bom humor. Mais ainda, transmitem paz para todos à sua volta. São as nutritivas - verdadeiras bênçãos em qualquer ambiente. A organização do futuro fará do quociente de inteligência espiritual uma prioridade. Dessa forma conseguirá estimular a criação de um clima de entendimento, onde as divergências são resolvidas de forma equilibrada e cordial. Nesse tipo de organização as pessoas terão gravado em seu DNA a oração de São Francisco: “Ó Senhor permita que eu não busque tanto ser compreendido, mas compreender”. Fonte: http://www.rh.com.br/Portal/Grupo_Equipe/Entrevista/5050/conflitos-uma- realidade-na-sua-vida.html# http://www.rh.com.br/Portal/Grupo_Equipe/Entrevista/5050/conflitos-uma- Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 36 Sintomas de conflito Antes de examinarmos as causas dos conflitos, temos de reconhecer os sintomas. Os sintomas do conflito organizacional, segundo Handy (1978), e suas manifestações de superfície são: 1 – Comunicações deficientes lateral ou verticalmente, quando as decisões são tomadas a partir de informação errada. 2 – Hostilidade e inveja grupal. São evidenciadas em afirmações equivocadas, providas de julgamentos de valor, preconceitos e raiva, que em nada acrescentam ou trazem soluções, sendo afirmações totalmente dispensáveis. 3 – Fricção interpessoal. As relações entre indivíduos, geralmente em grupos diferentes, deterioram- se, passando a uma formalidade gelada ou à discussão. Os problemas parecem polarizar-se em torno de pessoas e personalidades. 4 – Escalada de arbitragem. Um número cada vez maior de conflitos intergrupais é passado à instância superior para a arbitragem. 5 – Proliferação de regras e regulamentos, normas e mitos. Torna-se cada vez mais difícil fazer algumas coisas sem desdenhar inteiramente os regulamentos de alguém, a forma estabelecida de alguém fazer as coisas, as ficções particulares de alguém. 6 – Moral baixa do tipo expresso por frustração diante da ineficiência. É importante ressaltar que a maior parte das frustrações, sob condições de conflito, é dirigida aos níveis mais altos da organização. Duas maneiras de encará-los: NEGATIVA - o conflito é algo apenas prejudicial, devendo ser evitado a todo custo POSITIVA - verificar o que ele pode trazer de benéfico (diferenças de opiniões e visões), aprendizagem e enriquecimento (em termos pessoais e culturais). Como nascem os conflitos em uma empresa? Tipos de Conflitos Os conflitos em uma empresa podem se originar diversas fontes e situações. Veremos a seguir algumas dessas situiações. Experiência de frustração de uma ou ambas as partes: incapacidade de atingir uma ou mais metas e/ou de realizar e satisfazer os seus desejos, por algum tipo de interferência ou limitação pessoal, técnica ou comportamental; Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 37 Diferenças de personalidade: são invocadas como explicação para as desavenças tanto no ambiente familiar como no ambiente de trabalho, e reveladas no relacionamento diário através de algumas características indesejáveis na outra parte envolvida; Metas diferentes: é muito comum estabelecermos e/ou recebermos metas/objetivos a serem atingidos e que podem ser diferentes dos de outras pessoas e de outros departamentos, o que nos leva à geração de tensões em busca de seu alcance; Diferenças em termos de informações e percepções: costumeiramente tendemos a obter informações e analisá-las à luz dos nossos conhecimentos e referenciais, sem levar em conta que isto ocorre também como outro lado com quem temos de conversar e/ou apresentar nossas idéias, e que este outro lado pode ter uma forma diferente de ver as coisas. Diferenças individuais: Cada pessoa é única e as diferenças podem estar presentes nos valores, crenças, atitudes, sexo,idades e experiências. Essas características pessoais criam inevitavelmente situações de divergência de pontos de vista. Limitação dos recursos: Os recursos em uma empresa são limitados, logo para que a partilha dos recursos seja efetuada de uma forma justa há necessidade de tomada de decisões: • Quem ocupa o espaço? • Quem executa este trabalho? • Quem usa este recurso? • Quem é informado? • Quem tem o poder? Isso gera competição. É difícil a unanimidade quando se distribui equitativamente, pois existe sempre quem se ache prejudicado. Diferenciação de autoridade: Por vezes, surge a dificuldade de se determinar a cadeia de autoridade,ou seja, quem dá ordens a quem. Caso a autoridade não seja aceite pelo outro, surge o conflito. Ambiguidade de papéis: As pessoas representam diversos papéis na empresa (exemplos: gerente, operador, líder da CIPA, gestores, etc) e cada papel possui sus interesses e necessidades. isso gera conflitos entre as pessoas. Interdependência de atividades: em uma empresa as pessoas dependem umas das outras e isso pode ser fonte de conflitos. O não cumprimento das obrigações por parte de algumas delas pode gerar conflitos pelo fato de se refletir no desempenho de todas. Os conflitos também podem ser: Abertos, Declarados, Explícitos. Ocultos, Não declarados, Silenciosos e Potenciais Pontuais – só ocorrem uma vez. Ocasionais. Crônicos / Freqüentes . EFEITOS POSITIVOS E NEGATIVOS DOS CONFLITOS Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 38 As partes envolvidas nos conflitos sentem uma série de sensações de dor, antagonismo e hostilidade. Os sentimentos negativos intensos podem trazer conclusões precipitadas e descabidas sobre os motivos, atitudes e intenções do outro Os resultados positivos de um conflito incluem: expansão do entendimento dos assuntos, mobilização dos recursos e energia das partes, esclarecimento das soluções competitivas, busca criativa de alternativas, maior habilidade para trabalhar em conjunto no futuro Tipos básicos de conflito nas organizações: discussão - pode levar a uma melhor solução. Discussões produtivas e construtivas (liderança compartilhada, com confiança e confidência entre os membros do grupo e questões tratadas de forma objetiva) competição - estabelecem-se padrões para um desempenho superior e motivam-se as pessoas para produzir mais Conflito – normalmente visto como nocivo As primeiras são consideradas frutíferas e benéficas, enquanto o conflito é apresentado como nocivo. Enfoques para lidar com o conflito, de acordo com as motivações que estão por trás do comportamento: Empurra para a solução do conflito - gosta de ver as coisas feitas. Normalmente é assertivo e entusiásticoAjuda - procura que o seu comportamento seja sempre benéfico aos outros. Analisa - age em função da lógica e ordenação. Gosta de procurar fatos para basear neles a sua tomada de decisões. Níveis do conflito Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 39 Nível 1 - Discussão: é o estágio inicial do conflito; caracteriza-se normalmente por ser racional, aberta e objetiva; Nível 2 - Debate: neste estágio, as pessoas fazem generalizações e buscam demonstrar alguns padrões de comportamento. O grau de objetividade existente no nível 1 começa a diminuir; Nível 3 - Façanhas: as partes envolvidas no conflito começam a mostrar grande falta de confiança no caminho ou alternativa escolhidos pela outra parte envolvida; Nível 4 - Imagens fixas: são estabelecidas imagens preconcebidas com relação à outra parte, fruto de experiências anteriores ou de preconceitos que trazemos, fazendo com que as pessoas assumam posições fixas e rígidas; Nível 5 - Loss of face (.ficar com a cara no chão.): trata-se da postura de "continuo neste conflito custe o que custar e lutarei até o fim", o que acaba por gerar dificuldades para que uma das partes envolvidas se retire; Nível 6 - Estratégias: neste nível começam a surgir ameaças e as punições ficam mais evidentes. O processo de comunicação, uma das peças fundamentais para a solução de conflitos, fica cada Nível 7 - Falta de humanidade: no nível anterior evidenciam-se as ameaças e punições. Neste, aparecem com muita freqüência os primeiros comportamentos destrutivos e as pessoas passam a se sentir cada vez mais desprovidas de sentimentos; Nível 8 - Ataque de nervos: nesta fase, a necessidade de se autopreservar e se proteger passa a ser a única preocupação. A principal motivação é a preparação para atacar e ser atacado; Nível 9 - Ataques generalizados: neste nível chega-se às vias de fato e não há outra alternativa a não ser a retirada de um dos dois lados envolvidos ou a derrota de um deles O conflito das gerações no ambiente organizacional Por Marcela Xavier Tereza de Mello para o RH.com.br Vivemos atualmente em um ambiente organizacional em que estão presentes três gerações. São elas: Baby Boomers, X e Y. Cada geração apresenta comportamentos e características distintas, dificultando o relacionamento no ambiente de trabalho e muitas vezes causando conflitos difíceis de serem resolvidos. Erickson (2011) delimita a Geração Baby Boomers como os nascidos entre 1946 a 1964, a Geração X entre 1965 a 1979 e a Geração Y entre 1980 a 1995. Cada geração vivenciou momentos diferentes na história, cresceu em um mundo cada vez mais modificado, ingressou no mercado de trabalho e hoje divide o mesmo ambiente organizacional. Naturalmente, cada geração terá ideias, formas de agir e pensar diferentes. Sendo assim, existe o grande desafio de conhecer essas três gerações e atuar para diminuir o impacto das diferenças, potencializando os aspectos positivos de cada uma. Como principais características de cada geração, podemos destacar: http://www.rh.com.br/Portal/Grupo_Equipe/Artigo/9659/o-conflito-das-geracoes-no-ambiente-organizacional.html Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 40 Os Baby Boomers valorizam um trabalho árduo, metódico e individual. Não são facilmente influenciados por outras pessoas, são pouco favoráveis às mudanças e possuem barreiras quanto à adaptação a tecnologias. Os membros da Geração X, por sua vez, são dedicados e comprometidos com os objetivos da empresa, conhecem e se adaptam bem às tecnologias. É uma geração que começou a trabalhar muito cedo e se mantém por longos anos no mesmo ambiente de trabalho, mas estando sempre procurando o equilíbrio trabalho versus família. Já os membros da Geração Y vivem constantemente conectados, são multifuncionais, querendo executar várias tarefas ao mesmo tempo, gostam do trabalho em equipe, são inovadores, ousados e aprendem muito rápido. Apreciam as mudanças, a flexibilidade, o feedback constante e estão sempre em busca de crescimento profissional a curto prazo. Devido a essa diversidade de comportamentos diferentes, o conflito torna-se algo natural do ser humano e passa a estar presente em todos os ambientes, principalmente no meio organizacional, onde encontramos diferentes grupos de pessoas, com personalidades e comportamentos distintos, o que acarreta divergências de ideias e opiniões. Os conflitos, no entanto, podem trazer efeitos positivos e negativos para as organizações. Vejamos: Aspectos Positivos: - Podem estimular a inovação e a criatividade. - O processo decisório organizacional pode ser melhorado. - Soluções alternativas podem ser encontradas. - Indivíduos e grupos podem contribuir com novas abordagens para os problemas. Aspectos Negativos: - Podem causar estresse e insatisfação no trabalho. - Podem reduzir o nível de comunicação entre os indivíduos. - Podem ocasionar resistência à mudança. - O comprometimento e a lealdade à organização podem ser afetados. Percebe-se, então, que lidar com conflitos não é uma tarefa fácil. A adaptação aos diferentes modelos de comportamentos tem sido um grande desafio para as organizações. Porém, o primeiro passo a ser dado deve ser entender o comportamento e os objetivos de cada geração, a fim de traçar estratégias que estimulem cada indivíduo a dar o melhor de si, que somado ao que os outros indivíduos também possuem de melhor, contribuirão para o desenvolvimento eficaz da organização e para seu próprio desenvolvimento pessoal. As organizações ao mixar os talentos de cada geração nas tomadas de decisões, devem sempre levar em consideração as características essenciais de cada perfil profissional, respeitando as diferenças e motivando os colaboradores na busca por resultados expressivos. Não podemos nos esquecer de que o líder é peça fundamental na busca do equilíbrio entre as gerações, pois são os comunicadores e identificadores das diversas situações ocorridas no ambiente de trabalho. Assim, ele deverá ter um bom relacionamento com todas as gerações, influenciando-as e as integrando, de forma a desenvolver um serviço de alta qualidade, trazendo resultados positivos e eficientes para toda a organização. É necessário também, que se tenha um departamento de Recursos Humanos e Treinamentos bem estruturado, para que possa haver um bom desenvolvimento dos funcionários e da capacidade de cada um em trabalhar com pessoas, principalmente em equipe. Vamos lá... Procure conhecer um pouquinho mais sobre as gerações que compõe o seu grupo de trabalho e estabeleça estratégias para integrá-las. Com certeza você poderá reduzir os conflitos e melhorar ainda mais seu clima organizacional. Mãos à obra! Fonte: http://www.rh.com.br/Portal/Grupo_Equipe/Artigo/9659/o-conflito-das-geracoes-no- ambiente-organizacional.html# http://www.rh.com.br/Portal/Grupo_Equipe/Artigo/9659/o-conflito-das-geracoes-no- Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 41 Modelos de Confllitos Modelo de Walton e Dutton: O conflito pode ser visto como um processo, composto por uma seqüência de eventos ou estágios. Veja o modelo de processo de conflito abaixo: (Robbins, 2012) Fonte: Tractenberg, 2010 I - Contexto e Condições antecedentes Valores Pessoais: 1. Valores e crenças individuais: cada pessoa é educada numa determinada família e sub-cultura que vão influenciar seguramente a formação da sua personalidade, temperamento e convicções, percepção e ação. 2. Características de personalidade: além das características que são facilmente visíveis ou detectáveis, todos temos alguns traços profundos de personalidade que são originados pela hereditariedade e consolidados pelas moldagens, identificações sofridas durante a estruturaçãoduma personalidade, que assim se torna única no mundo embora muito semelhante à de outras pessoas da sua família, etnia, religião e cultura. A autoestima, a autovalorização e a auto-realização baseiam-se grandemente nesses traços de personalidade. Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 42 Estrutura Organizacional A estrutura que existe nos grupos de que são compostas as organizações pode ter uma influência decisiva na existência do conflito, como vamos ver a seguir. 1. Tamanho: as investigações têm demonstrado que quanto maior é o grupo, maior é a possibilidade da eclosão do conflito. 2. Grau de especialização: o mesmo se verifica com a especialização do grupo, assim como com as tarefas específicas que são atribuídas a cada um dos seus membros. Uma maior diversidade de tarefas, uma grande diferença de idades dos protagonistas e uma maior rotatividade dos membros do grupo, aumentam a probabilidade da existência de conflito. 3. Clareza de normas: a ausência de normas claras e atualizada favorece a existência de conflitos entre grupos, especialmente quando se torna necessário lutar por recursos e meios necessários à consecução de determinados objetivos. 4. Estilo de liderança: a evidência das investigações tem demonstrado que uma supervisão apertada e constante dos membros do grupo, pode reduzir a sua produtividade, tal como acontece quando existe situações de tolerância excessiva em relação à falta de cumprimento das obrigações dos elementos do grupo. 5. Sistemas de recompensa: é importante que as recompensas sejam devidamente ponderadas e distribuídas de acordo com o trabalho de cada um e sem prejudicar terceiros. Se uma pessoa se sentir lesada porque uma outra foi beneficiada em prejuízo do próprio, irá reagir, entrando em conflito com a que foi beneficiada ou com quem a beneficiou à sua custa. 6. Dependência entre grupos: quando para o seu bom desempenho um grupo depende de outro, pode entrar em conflito com o segundo, à mais pequena falha que possa existir nesse grupo, que terá a tendência de se sobrepor ao primeiro. Processo de Comunicação: 1 - Dificuldades semânticas: podem ocasionar desentendimentos porque a palavra pode não ter o mesmo significado para as duas partes. 2 - Incompreensão: uma das partes pode desconhecer aquilo que a outra quer dizer e surgir daí a falta de compreensão da outra parte. II - Percepção e Atribuição de Sentido 1. Conflito Percebido: como o conflito é percebido pelas pessoas envolvidas. Consciência de uma ou mais partes envolvidas da existência das condições que geram oportunidades para o surgimento de conflitos 2. Sentido e Sentimento Atribuído: a percepção da existência do conflito conduz ao seu conhecimento ou à sua assunção ou personalização, com toda a carga emocional que o mesmo acarreta. Envolvimento emocional em um conflito, gerando ansiedade, tensão, frustração ou hostilidade Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 43 III - Estilos de Gestão de Conflitos - Intenções em Agir Fonte: Tractenberg, 2010 Competir: Reflete a tentativa de satisfazer os próprios interesses à custa dos interesses do outro. O indivíduo tenta alcançar os seus objetivos sacrificando os do adversário, ou tenta convencer a outra parte de que o seu julgamento é correto, ou tenta fazer com que a outra parte aceite a culpa por alguma transgressão e assuma as conseqüentes responsabilidades. Ceder: Consiste na tentativa de satisfazer os interesses do outro, negligenciando os próprios. Podendo representar o desejo de alcançar os objetivos da contra-parte sacrificando os seus, ou a vontade de apoiar as opiniões contrárias, mesmo que delas tenha reservas, ou mesmo o esquecimento da transgressão praticada pelo outro. Compromisso – Representa a tentativa de satisfazer, moderada mas incompletamente, os interesses de ambas as partes. Daí pode resultar uma busca parcial de um objetivo, a procura de um acordo parcial para um julgamento/idéia/opinião, ou a aceitação parcial da culpa. Colaborar: Consiste na tentativa de satisfazer completamente os interesses de ambas as partes. Isso pode significar a tentativa de obtenção de uma solução ganha/ganha que permita a ambas as partes o Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 44 alcance completo dos seus objetivos ou a busca do alcance de uma nova conclusão/idéia que incorpore os aspectos válidos dos julgamentos de ambas as partes, ou a tentativa de chegar a um conjunto partilhado de expectativas e a uma interpretação da transgressão que permita estabelecer padrões consensuais acerca do que é aceitável numa dada situação. Esquivar: O individuo ignora ou negligência os interesses de ambas as partes. Basicamente, evita envolver-se no assunto permitindo que os eventos sigam o seu curso de ação sem tentar que eles confluam para a satisfação dos interesses de uma e/ou outra parte Conciliar: Representa a tentativa de satisfazer, moderada mas incompletamente, os interesses de ambas as partes. Daí pode resultar uma busca parcial de um objetivo, a procura de um acordo parcial para um julgamento/idéia/opinião, ou a aceitação parcial da culpa. IV - Ações Caracteriza-se pelas ações e comportamentos manifestos. Geralmente esta é a parte que está aparente. Assim, esta fase pode traduzir-se por um conjunto de atuações que vão desde simples desentendimentos até tentativas de destruição total da outra parte, isto é, vão desde meras incompreensões até à guerra total, passando por greves, revoltas, etc. Fonte: Sobral e Peci, 2012 V - Consequencias Na quinta fase, os resultados tanto se podem traduzir na melhoria de desempenho do grupo como em atuações que levem o grupo a reduzir a sua eficácia até ao ponto de se desagregar. Das ações e reações entre as partes em conflito resultam conseqüências que, tanto podem ser funcionais e benéficas para o grupo em questão, como disfuncionais e prejudiciais para o seu funcionamento ou até para a sua sobrevivência. Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 45 Fonte: Tractenberg, 2010 Modelo Pondy Estágio 1: Oposição potencial. Qualquer conflito começa geralmente com uma fase de conflito latente. Nesta fase, estão presentes as pré-requisitos mas o conflito ainda não emergiu. Estágio 2: Fase de conflito apercebido. Se os pré-requisitos conduzem ou não a um conflito é uma questão que depende em parte das percepções das pessoas envolvidas. Os Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 46 pré-requisitos do conflito estão, até certo ponto, sempre presentes entre departamentos, mas apenas quando as diferenças são encaradas como sendo significativas é que podem conduzir a um conflito. Estágio 3: Fase de um conflito sentido. A fase seguinte na evolução de um conflito pode ser chamada a fase do conflito sentido. Pondy afirma que embora as pessoas se apercebam que existe uma base de conflito este surgirá senão quando as diferenças são personalizadas ou interiorizadas. Isto é, as pessoas em cada grupo geralmente têm de ser auto-envolvidas num conflito relacional em que cada uma delas se preocupa em ganhar, ignorando os interesses da organização; Estágio 4: Resultado do conflito. Assumir que o conflito existe, a forma como é gerido e solucionado têm importantes implicações, pois daí em diante pode resultar uma relação de cooperação ou um conflito contínuo. Na opinião de Pondy, se o conflito é enfrentado e resolvido à medida do desejo dos envolvidos, cria-se a base para uma relação de cooperação. Pelo contrário, se o conflito é apenas adiado e não resolvido, ascondições latentes de conflito podem agravar-se e resultar de formas mais sérias até que sejam retificadas ou até que a relação se dissolva. RESOLUÇÃO DOS CONFLITOS O enfoque da conquista Nesse enfoque se busca a vitória, derrotar o oponente, verificar quão certo se está e quão errado está o oponente. O conflito torna-se uma batalha a ser vencida, um esforço para levar vantagem ou ter domínio no relacionamento. O enfoque da conquista apresenta diversas desvantagens, tais como: - o fato de o poder ser entendido e usado de uma maneira destrutiva; - o uso do poder de uma forma coerciva e de dominação pode levar a vantagens no resultado final; - polariza posições e restringe opções para a resolução do conflito; - leva sempre a um perdedor; - não faz absolutamente nada para melhorar o relacionamento. O enfoque de se esquivar Tende-se a acreditar que o conflito desaparecerá se se pretende que ele não exista. Um tipo de pessoa que tende a usar esse enfoque é aquele que procura evitar relacionamentos com pessoas que diferem dele em valores, ideias e estilo de vida. As desvantagens do enfoque de se esquivar são: - tolher importantes oportunidades de crescimento pessoal; - o fato de não se enfrentar os problemas efetivamente existentes; Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 47 - frustrações são normalmente exacerbadas e as percepções equivocadas não são esclarecidas; - retirar das partes envolvidas no conflito a oportunidade de utilizar as suas diferenças para purificar o relacionamento e para abrir as suas mentes para a possibilidade de melhora no relacionamento. O enfoque da barganha Este enfoque trata a resolução de conflito como um jogo no qual há muitas demandas e interesses a serem tratados e o sucesso é definido em função de quanto cada parte concede. Este enfoque tem como desvantagens: - se ater apenas às demandas da outra parte, ignorando as necessidades, percepções, valores objetivos e "feelings" das pessoas envolvidas; - definir o poder em termos daquilo que uma parte pode usar em termos de coerção para fazer a outra parte desistir; - frequentemente leva a conflitos de "spin-off", dado que cada parte busca levar vantagem e continua a fazer pedidos absurdos; - frequentemente oculta o valor relativo de necessidades e interesses envolvidos no conflito. O enfoque "bandaid" (ou de solução rápida) Raramente consegue ser efetivo. Muitas pessoas, por se sentirem muito inconfortáveis com o conflito, buscam aceitar qualquer solução rápida que possam conseguir. Como pontos negativos desse enfoque temos: - cria normalmente a ilusão de que os problemas principais do conflito foram resolvidos, resultando numa piora do conflito; - produz normalmente uma falta de confiança na resolução do conflito; - premia temporariamente aquele que busca um acordo rápido (independentemente da sua efetividade); - não enriquece ambas as partes envolvidas no processo, na medida em que elas não desenvolvem um processo que possa ser efetivamente usado em conflitos futuros. Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 48 O enfoque do "role-player" Quando as pessoas lidam com conflitos de uma maneira que dependam de papéis para determinar o resultado, elas podem estar entrando em uma armadilha. Não é muito raro que as pessoas se escondam atrás de seus papéis para lidar com conflitos. Como desvantagens do enfoque "role-player", pode-se citar: - pode perpetuar um relacionamento ou sistema insatisfatório, bem como bloquear mudanças necessárias; - limita o processo de resolução de conflitos, ao perder as contribuições valiosas de pessoas em papéis de menor poder social; - restringe tremendamente as opções para resolução do conflito; - criar um relacionamento de inimizade que pode prejudicar as possibilidades positivas para ambas as partes no futuro. Estratégias para Gestão de Conflitos 1- Diagnosticar a natureza do conflito Perante situações de conflito individuais ou em grupo é necessário determinar: Se de fato o problema nos afeta, e quais as conseqüências que nos podem gerar. Quais as fontes do conflito, sendo estes os interesses, os valores, ou diferenças a nível dois fato ou situações, acerca dos quais se podem encontrar soluções objetivas. Se a outra parte envolvida terá capacidade de desenvolver uma relação de negociação, numa perspectiva de ganhador/ganhador. A detecção do problema interpessoal ou organizacional e a sua enunciação em termos simples, é o primeiro passo para a resolução do conflito. 2 - Envolver-se no conflito As partes envolvidas no conflito têm de encontrar o momento mais adequado para se encontrarem. Deve haver disponibilidade de parte a parte e vontade de se empenharem na resolução do problema/conflito. Nesta fase, é fundamental que cada uma das partes: • Diga objetivamente o que a outra lhe fez e em que é que a afetou; • Diga o que gostaria que a outra fizesse; • A origem do conflito, deve ser abordada de uma forma clara por ambas as partes, para se obter uma solução satisfatória para ambas. 3 - Escutar As pessoas envolvidas no conflito têm que se ouvir mutuamente. A escuta implica que prestemos atenção não só ao conteúdo da mensagem de cada uma das partes mas também aos Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 49 sentimentos e emoções nelas implicados, aos índices não verbais e ao contexto em que essa mensagem é proferida. A escuta ativa é uma das formas mais indicada para negociar um conflito, este tipo de escuta necessita de uma certa empatia. Escutar implica a deixar de pensar no seu ponto de vista e compreender o ponto de vista do outro. A escuta é difícil pois esta a lidar com problemas nos quais intervenientes estão envolvidos emocionalmente. Normalmente cada pessoa tende a defender o seu ponto de vista em vez de escutar os argumentos dos outros. A necessidade de encontrar uma solução ajustada para o conflito leva a que todas os seus intervenientes tenham de ser ouvidos, expressando aí os seus valores, sentimentos. 4 - Resolver o Problema Para a resolução do problema que gerou o conflito todas as soluções devem ser consideradas e ponderadas, como possíveis. Todos os intervenientes do conflito devem sentir-se livres de poder apresentar as suas soluções, mesmo as mais estranhas e inaceitáveis. De seguida é necessário a apresentação dos argumentos justificativos, das soluções para poderem ser analisadas e ponderadas em pormenor. As partes devem demonstrar uma atitude ativa, para evitar que a solução seja decidida pelo voto, devendo encorajar-se mutuamente a expor todas as críticas e dúvidas relativas às várias soluções. Findo a apresentação de solução, a discussão e análise, segue-se a escolha da que melhor satisfaz os interesses dos envolvidos, e que a sua execução seja viável. MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM NA SOLUÇÃO DOS CONFLITOS Em muitas situações de conflito, é útil contar com a participação de uma terceira pessoa para auxiliar no encaminhamento da solução. Essa terceira parte deve ser alguém que não esteja diretamente envolvida na situação, mas que possa ser útil para resolvê-la. As principais vantagens de contar com uma terceira parte para solucionar o conflito são, segundo Lewicki et alii (1996): - as partes ganham tempo para se acalmar, já que elas interrompem o conflito e o descrevem para uma terceira parte; - a comunicação pode ser melhorada, visto que a terceira parte interfere na comunicação, ajuda as pessoas a serem claras, além de trabalhar para que os envolvidos ouçam melhor a outra parte; - as partes têm que determinar as questões que são importantes, para priorizar alguns aspectos; - o clima organizacional pode ser melhorado, visto que as partes podem descarregara raiva e hostilidade, retornando a um nível de civilidade e confiança; - as partes podem procurar melhorar o relacionamento, facilitado por uma terceira pessoa; - os custos crescentes de permanecer no conflito podem ser controlados; - as partes podem aprender como a terceira parte as orienta para, no futuro, serem capazes de resolver as suas disputas sem auxílio; - as resoluções efetivas para a disputa e para o desfecho podem ser atingidas. Como desvantagens da participação de uma terceira pessoa podem-se citar: - as partes se enfraquecem ao chamar uma terceira pessoa, deixando uma imagem de certa incapacidade para resolver o conflito; - há também uma inevitável perda de controle do processo ou dos resultados (ou de ambos), dependendo de que tipo de pessoa é chamada para ser a terceira parte. Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 50 Mediação Lewicki et alii (1996) apresentam os seguintes pontos como indispensáveis para que uma mediação seja bem sucedida: - o mediador tem que ser visto pelos envolvidos no conflito como sendo neutro, imparcial e sem vieses; - o mediador deve ser um “expert” no campo no qual aquela disputa ocorre; - consciência por parte dos envolvidos de que o fator tempo é fundamental para uma mediação; - disposição das partes envolvidas em fazer concessões e encontrar uma solução de compromisso. A mediação pode consumir muito mais tempo do que a arbitragem, visto que as partes costumam utilizar um tempo muito longo explicando a disputa para a terceira parte, e depois participando do processo de busca de um solução. Arbitragem Considerada a forma mais comum de resolução de disputa através de uma terceira parte. Cada parte apresenta a sua posição para o árbitro, que por sua vez estabelece uma regra ou um conjunto de regras a respeito das questões envolvidas. Os pedidos das partes podem ser aceitos ou não, dependendo das regras do processo. As decisões do árbitro, por sua vez, podem ser voluntárias ou obrigatórios. O árbitro tanto pode optar pela solução proposta por um dos participantes como pode propor uma solução completamente diferente ou, ainda, chegar a um meio termo entre as propostas dos dois lados envolvidos. As arbitragens são muito utilizadas em conflitos empresariais, em disputas entre empresas e união de trabalhadores, em relações trabalhistas e em contratos de um modo geral. As principais vantagens da utilização da arbitragem são (Lewicki et alii, 1996): - torna-se possível uma solução clara para as partes (embora possa não ser a opção principal de uma ou ambas as partes); - há a opção de escolher ou não a solução indicada; - os árbitros normalmente são escolhidos por serem justos, imparciais e sábios e, dessa forma, a solução vem de uma fonte respeitada e com crédito; - os custos de prolongar a disputa são evitados. É interessante destacar que as decisões dos árbitros tendem a ser consistentes com os julgamentos recebidos dos tribunais. A arbitragem, porém, apresenta uma série de desvantagens: - as partes tendem a abandonar o controle sobre os resultados; assim, a solução proposta pode não ser aquela que se prefere; - as partes podem não gostar do resultado, podendo inclusive impor-lhes custos e sacrifícios adicionais; - se a arbitragem é voluntária, eles podem sair perdendo caso decidam não seguir a recomendação do árbitro; - há um efeito de aceitação da decisão que mostra que existe um menor comprometimento com soluções arbitradas, por dois motivos: a decisão recomendada pelo árbitro pode ser inferior àquela que as partes prefeririam. Havendo menor comprometimento com o resultado, haverá menor comprometimento com a implementação; - os negociadores, ao perceberem que a negociação se encaminha para uma arbitragem, mudam a sua postura); - há também um efeito que mostra que as partes, ao saberem que há uma longa história de recorrência às arbitragens, tendem a perder o interesse pela negociação, a tornarem-se passivas e a se tornarem dependentes da terceira parte, buscando apenas auxiliá-la na solução do conflito; - há um outro efeito que mostra que, com a utilização cada vez mais intensa da arbitragem, os resultados passam a ser cada vez menos satisfatórios; Disciplina Gestão de Conflitos Professor Rogério Rodolfo Baptista Todos os direitos reservados 51 - há, ainda, o efeito dos vieses, em que os árbitros podem ser percebidos como não sendo imparciais, mas incorporando os seus vieses. Isso tende a ocorrer ainda mais quando um árbitro toma uma série de decisões sequenciais favorecendo sempre o mesmo lado. Dessa forma, é realmente fundamental que antes de utilizar uma terceira parte num processo de solução de conflito, as partes reflitam bem sobre a conveniência de solicitar essa terceira parte. Para isso, é muito importante que eles pensem: no tipo de conflito existente, nos estilos das pessoas envolvidas, na importância do conflito para elas, no tempo disponível para a negociação, nos custos envolvidos no processo na disponibilidade de recursos existentes, nos poderes que estão por trás das pessoas envolvidas, no volume e qualidade das informações disponíveis Referências Bibliográficas e Sugestões de leitura ARBINGER, Institute Brasil . Resolvendo conflitos. A opção pela paz em organizações e famílias. Rio de Janeiro: Sextante, 2009. CARVALHAL, Eugenio. Negociação e Administração de Conflitos. 2ª. Edição. Rio de Janeiro: FGV, 2009. FOWLER, Alan. Resolvendo Conflitos. São Paulo: Nobel, 2001. GOLEMAN, Daniel. 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