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LUCIELE BRAGA - ODONTOLOGIA Oclusão normal é uma oclusão estável, saudável e esteticamente atraente. Nem sempre coincide com a oclusão ideal, a qual segue à risca uma série de padrões que foram reunidos por Andrews, chamados de “chaves de oclusão de Andrews”. CLASSE I - NEUTROCLUSÃO Maloclusão em que a posição mesiodistal dos arcos dentários encontra-se normal. Os primeiros molares se apresentam em oclusão normal, ou seja, a cúspide mesiovestibular do primeiro molar superior oclui no sulco mesiovestibular do primeiro molar inferior. *É importante que não se confunda a Classe I com a normoclusão – os pacientes Classe I frequentemente apresentam um perfil facial harmonioso, sendo a maloclusão de Classe I restrita às más posições dos dentes, que podem estar desalinhados, protruídos, com sobremordida profunda, dentre outras alterações. CLASSE II – DISTOCLUSÃO Relação anormal dos arcos dentários em que os dentes inferiores ocluem em uma relação distal em relação aos superiores. O sulco mesiovestibular do primeiro molar inferior se encontra distalizado em relação à cúspide mesiovestibular do primeiro molar superior. Os pacientes de Classe II frequentemente apresentam um perfil convexo, no qual as bases ósseas podem se apresentar normal ou com protrusão maxilar e/ou retrusão mandibular, e ainda com as inclinações dentárias características dessa maloclusão. LUCIELE BRAGA - ODONTOLOGIA A Classe II possui duas divisões e subdivisões: CLASSE II – DIVISÃO 1: Distoclusão na qual os incisivos superiores apresentam-se inclinados para vestibular. Os pacientes frequentemente apresentam trespasse horizontal aumentado, curva de Spee acentuada, arco superior atrésico, palato profundo e lábios entreabertos e ressecados, resultando em um desequilíbrio da musculatura facial. Maloclusão de Classe II Divisão 1 (A) vista lateral direita, (B) vista frontal, (C) vista lateral esquerda. CLASSE II – DIVISÃO 2: Distoclusão na qual os incisivos centrais superiores se encontram verticalizados ou lingualizados e os incisivos laterais superiores se encontram vestibularizados. Os pacientes geralmente apresentam sobremordida profunda, dimensão vertical diminuída e aparência de envelhecimento precoce. Maloclusão de Classe II Divisão 2. (A) vista lateral direita, (B) vista frontal, (C) vista lateral esquerda. Quando a distoclusão ocorre somente de um lado do arco dentário, pode ser Subdivisão direita (quando a Classe II está presente somente do lado direito) ou Subdivisão esquerda (quando a Classe II está presente somente no lado esquerdo) Maloclusão de Classe II Subdivisão esquerda. (A) vista lateral direita, (B) vista frontal, (C) vista lateral esquerda. LUCIELE BRAGA - ODONTOLOGIA CLASSE III – MESIOCLUSÃO Definida como a relação entre os arcos dentários na qual os dentes inferiores ocluem em uma relação mesial em relação aos superiores. O sulco mesiovestibular do primeiro molar inferior encontra-se mesializado em relação à cúspide mesiovestibular do primeiro molar superior. Os pacientes de Classe III frequentemente apresentam um perfil côncavo, em que as bases ósseas podem se apresentar normais, com retrusão maxilar e/ou protrusão mandibular. Muitas vezes estão associadas alterações transversais, como mordida cruzada posterior, e alterações verticais, como crescimento vertical excessivo. Essa maloclusão também pode apresentar subdivisões direita ou esquerda. Lisher em 1912, classificou as maloclusões de acordo com as posições individuais, acrescentando o sufixo “versão” ao termo indicativo da direção do desvio. VESTIBULOVERSÃO: o dente apresenta a coroa vestibularizada em relação à sua posição normal. LINGUOVERSÃO: O dente apresenta sua coroa lingualizada em relação à sua posição normal. GIROVERSÃO: O dente se encontra rotacionado em torno do seu longo eixo. SUPRAVERSÃO: O dente se encontra com a face oclusal ou incisal além do plano oclusal. INFRAVERSÃO: O dente se encontra com a face oclusal ou incisal aquém do plano oclusal. MESIOVERSÃO: O dente se encontra mesializado em relação à sua posição normal. DISTOVERSÃO: O dente se encontra distalizado em relação à sua posição normal. AXIVERSÃO: Alteração da inclinação do dente em relação ao seu longo eixo. TRANSVERSÃO: Transposição dentária, ou seja, quando um dente troca de posicionamento com outro dente do arco dentário. PERVERSÃO: O dente encontra-se impactado, geralmente por falta de espaço no arco. *Um dente mal posicionado pode ser classificado por uma combinação entre os termos (por exemplo: pode estar em infravestibuloversão). LUCIELE BRAGA - ODONTOLOGIA Simon, em 1922, dividiu as maloclusões relacionando os arcos dentários com os três planos anatômicos: plano de Frankfurt, plano sagital mediano e plano orbitário. Essa classificação permite uma visão tridimensional da maloclusão, relacionando dentes ou arcos dentários ao esqueleto craniofacial. ANOMALIAS POSTEROANTERIORES Utiliza-se como referência o plano orbitário. PROTRAÇÃO: O arco dentário ou parte dele está localizado mais para anterior em relação ao plano orbitário. RETRAÇÃO: O arco dentário ou parte dele está localizado mais para posterior em relação ao plano orbitário. ANOMALIAS TRANSVERSAIS Utiliza-se como referência o plano sagital mediano. CONTRAÇÃO: O arco dentário ou parte dele se aproxima do plano sagital mediano, como, por exemplo, a atresia maxilar. DISTRAÇÃO: O arco dentário ou parte dele se afasta do plano sagital mediano, como, por exemplo a síndrome de Brodie. ANOMALIAS VERTICAIS Utiliza-se como referência o plano horizontal de Frankfurt. ATRAÇÃO: O arco dentário ou parte dele se aproxima do plano de Frankfurt, como, por exemplo, o paciente com face curta. ABSTRAÇÃO: O arco dentário ou parte dele se afasta do plano de Frankfurt, como, por exemplo, o paciente com face longa. Exemplos de plano orbitário e plano sagital mediano Plano horizontal de Frankfurt Andrews, em 1972, desenvolveu as seis chaves da oclusão normal, descrevendo as características fundamentais de uma oclusão dentária sob o ponto de vista morfológico, servindo também como guia para a finalização adequada dos tratamentos. Foram avaliados 120 pares de modelos ortodônticos de indivíduos com oclusão normal. Andrews reconheceu e estabeleceu seis características que uma oclusão normal deve apresentar. LUCIELE BRAGA - ODONTOLOGIA 1. RELAÇÃO DOS MOLARES: Os primeiros molares permanentes superiores devem mostrar três pontos de contato evidentes com os dentes antagonistas: A superfície distal da crista marginal do primeiro molar permanente superior contacta e oclui com a superfície mesial da crista marginal mesial do segundo molar permanente inferior; A cúspide mesiovestibular do primeiro molar permanente superior oclui dentro do sulco existente entre a cúspide mesiovestibular e a mediana do primeiro molar inferior; A cúspide mesiopalatina do primeiro molar permanente superior se adapta à fossa central do primeiro molar permanente inferior. 2. ANGULAÇÃO DAS COROAS: A porção cervical do longo eixo de cada coroa encontra-se distalmente à sua porção oclusal 3. INCLINAÇÃO DAS COROAS: A porção cervical do longo eixo da coroa dos incisivos superiores se encontra lingualmente à superfície incisal, aumentando a inclinação lingual progressivamente na região posterior. 4. ROTAÇÕES: Não deve haver rotações dentárias. 5. CONTATOS INTERPROXIMAIS: Deve haver contatos interproximais justos. 6. CURVA DE SPEE: deve se apresentar plana ou suave. Relação dos molares Angulaçãodas coroas Inclinação das coroas Curva de Spee Rotações Contatos interproximais LUCIELE BRAGA - ODONTOLOGIA Capelozza Filho, em 2004 propôs que os ortodontistas levassem em consideração padrões subjetivos na análise facial, não se limitando apenas a uma classificação dentária. Ele sugeriu avaliar os pacientes de acordo com o seu padrão facial, para que o planejamento ortodôntico fosse mais eficiente. Assim, determinou um novo conceito na classificação das maloclusões, considerando o padrão de crescimento como fator etiológico primário. Dessa forma, dividiu as maloclusões em cinco padrões: PADRÃO I – indivíduo sem envolvimento esquelético com maloclusão dentária. Um exemplo seria um paciente com face equilibrada e lábios em contato sem tensão, em que não há possibilidade de fazer uma previsão do posicionamento dentário sem examiná-lo clinicamente. Paciente com Padrão I PADRÃO II – indivíduo portador das frequentes maloclusões resultantes do degrau sagital aumentado entre maxila e mandíbula. Nesse padrão, estão incluídos os portadores de protrusão maxilar ou deficiência mandibular, independentemente da relação molar. Essa relação tende a ser Classe II dentária, mas há situações em que a relação é de Classe I e, mais raramente, de Classe III. Paciente com Padrão II PADRÃO III – individuo com degrau sagital maxilomandibular diminuído, por retrusão maxilar e/ou prognatismo mandibular. Portando, tem caráter eminentemente esquelético, e nem sempre apresenta relação molar de Classe III. Paciente com Padrão III PADRÃO FACE LONGA – indivíduo que apresenta excesso do terço inferior da face que torne o selamento labial ou a relação labial normal impossível. Nesse tipo de maloclusão, pode-se perceber a dominância da influência genética que determina o desenvolvimento neuromuscular, esquelético e dos tecidos moles. Embora os individuo com esse padrão apresentem geralmente maloclusões de Classe II, clinicamente, a relação sagital dos molares pode ser de Classe I ou de Classe III. LUCIELE BRAGA - ODONTOLOGIA Paciente com Padrão Face longa. PADRÃO FACE CURTA – indivíduo que apresenta deficiência vertical do terço inferior da face que torne o selamento labial compressivo. A etiologia determinante da face curta tem caráter genético. Paciente com Padrão Face curta. Uma forma simplificada de se classificar o trespasse vertical é caracterizando a mordida anterior nas seguintes categorias: Mordida anterior aberta: Mordida anterior normal: Mordida anterior profunda: Mordida anterior em topo: