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Gestão da Qualidade e da Produtividade CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI Armando de Queiroz Monteiro Neto Presidente SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI Conselho Nacional Armando de Queiroz Monteiro Neto Presidente SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI Departamento Nacional José Manuel de Aguiar Martins Diretor Geral Regina Maria de Fátima Torres Diretora de Operações Confederação Nacional da Indústria Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial Departamento Nacional Gestão da Qualidade e da Produtividade Brasília 2010 José Olavo Braga © 2010. SENAI – Departamento Nacional Qualquer parte desta obra poderá ser reproduzida, desde que citada a fonte. Equipe técnica que participou da elaboração desta obra SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial Departamento Nacional Setor Bancário Norte, Quadra 1, Bloco C Edifício Roberto Simonsen – 70040-903 – Brasília – DF Tel.:(61)3317-9000 – Fax:(61)3317-9190 http://www.senai.br Coordenador Projeto Estratégico 14 DRs Luciano Mattiazzi Baumgartner - Departamento Regional do SENAI/SC Coordenador de EaD – SENAI/AM José Nabir de Oliveira Ribeiro - Departamento Regional do Amazonas Coordenador de EaD – SENAI/GO Ariana Ramos Massensini - Núcleo Integrado de Educação a Distância SESI e SENAI Coordenador de EaD – SENAI/PB Felipe Vieira Neto - Centro de Educação Profissional Prof. Stenio Lopes Coordenador de EaD – SENAI/SC em Florianópolis Diego de Castro Vieira - SENAI/SC em Florianópolis Design Educacional, Design Gráfico, Diagramação e Ilustrações Equipe de Desenvolvimento de Recursos Didáticos do SENAI/SC em Florianópolis Revisão Ortográfica e Normativa FabriCO Fotografias Banco de Imagens SENAI/SC http://www.sxc.hu/ http://office.microsoft.com/en-us/images/ http://www.morguefile.com/ Ficha catalográfica elaborada por Luciana Effting CRB 14/937 – SENAI/SC Florianópolis B813g Braga, José Olavo Gestão da qualidade e da produtividade / José Olavo Braga. Brasília: SENAI/DN, 2010. Inclui bibliografias. 1. Administração da produção – Controle de qualidade. 2. Administração de empresas - Inovação. 3. Gestão da qualidade total. 4. Programa de qualidade. 5. Kaizen. I. SENAI. Departamento Nacional. II. Título. 130 p. : il. color ; 30 cm. Sumário Apresentação do curso ................................................................................ 07 Plano de estudos ........................................................................................... 09 Unidade 1: Gestão da Qualidade ............................................................. 11 Unidade 2: Os 5S na Prática ....................................................................... 31 Unidade 3: Kaizen (melhoria contínua) ................................................. 49 Unidade 4: ISO 9.000 .................................................................................... 65 Unidade 5: Análise de Problemas e Tomada de Decisão ................. 81 Unidade 6: Ensinando Corretamente um Trabalho ............................ 95 Unidade 7: O Ensino de um Trabalho ...................................................105 Unidade 8: Melhorando o Método de Trabalho ...............................115 Sobre o autor ...............................................................................................125 Referências ....................................................................................................127 7 Apresentação do Curso Olá! Seja bem-vindo ao curso de Gestão da Quali- dade e da Produtividade! Durante este curso, você aprenderá sobre o tema Qualidade. Conhecerá um pouco mais da sua his- tória, como os conceitos de qualidade foram evo- luindo ao longo dos anos e qual a visão atual para o tema. Terá oportunidade de conhecer algumas ferramen- tas para o desenvolvimento da gestão da qualidade e verá filosofias que possuem o objetivo de melho- rar a produtividade de uma organização, como a Kaizen e o Programa 5S. E para elucidar dúvidas de como tratar os pro- blemas relacionados à qualidade, você conhecerá métodos de análise e solução de problemas. Entre esses métodos estão a aplicação do ciclo PDCA e das ferramentas da qualidade, como brainstorming, Matriz GUT, 5 Por quês, Matriz 5W1H e muitas ou- tras. Como você pode observar, serão muitos os assun- tos abordados em cada aula e, ao final de cada uma delas, você terá atividades a realizar. Não perca a oportunidade de resolvê-las, pois com certeza se- rão de grande ajuda na fixação do conhecimento. E, de posse de todo esse conhecimento acerca do tema Gestão da Qualidade e da Produtividade, você estará apto a aplicar a melhoria contínua em quais- quer áreas de sua vida. Sucesso e bom estudo!!! 9 Plano de Estudos Carga horária: 40 horas Ementa A gestão da qualidade. O programa 5S. A meto- dologia Kaizen. Qualidade e normalização com a ISO 9000. Ferramentas para análise de problemas e tomada de decisões. As divisões do trabalho e a tabela de treinamento. Objetivos Objetivo Geral � Estudar os conceitos de qualidade e de produ- tividade, bem como as ferramentas para utiliza- ção de gerenciamento da qualidade nas diversas organizações. Objetivos Específicos � Adquirir conhecimento sobre qualidade e pro- dutividade. � Desenvolver uma percepção crítica sobre o tema. � Compreender os conceitos de termos referentes ao assunto. � Conhecer as ferramentas de gerenciamento da qualidade. 11 1Gestão da Qualidade Objetivos de Aprendizagem Ao final desta unidade, você estará apto a: � Saber sobre a evolução e adaptação dos conceitos de qualidade com o decorrer dos anos. � Conhecer os princípios fundamentais que regem a gestão da qualidade e os custos da manutenção desse programa em uma em- presa. Aulas Acompanhe, nesta unidade, o estudo das aulas seguintes: Aula 1: Gestão da qualidade Aula 2: Conhecendo a Qualidade Total Aula 3: Outros princípios que regem a Qualidade Total Aula 4: Custos da qualidade 12 Gestão da Qualidade e da Produtividade Para iniciar Você está iniciando o curso Gestão da Qualidade e da Produtividade, e durante esta primeira unidade você verá como ocorreu o processo de popularização dos conceitos de gestão da qualidade e o mo- tivo pelos quais as empresas foram ade- rindo a esses conceitos ao longo dos anos. Conhecerá um pouco mais sobre a evo- lução dos conceitos de qualidade, desde a época da confecção artesanal de um produto, onde a pessoa que realizava o trabalho era a única responsável por sua qualidade, até os dias atuais. Verá que esse conceito foi evoluindo e se adap- tando cada vez mais ao atendimento das necessidades do cliente e aplicação cons- tante do processo de melhoria contínua. Estudará os princípios fundamentais que regem a gestão da qualidade e os custos que a envolvem, divididos em custos de prevenção, custos de avaliação, custos de falhas internas e custos de falhas exter- nas. Você verá como o conhecimento e a análise desses custos da qualidade podem ser uma importante ferramenta gerencial, ajudando principalmente na avaliação das causas das falhas, de modo a maximizar a eficácia das ações corretivas e de melho- ria. Aproveite o máximo esta unidade e apli- que os novos conhecimentos em seu dia a dia, gerando assim sucesso com seus clientes, e não deixe de testar os conhe- cimentos adquiridos ao longo do curso realizando a atividade no final. Bom estudo! GESTÃO Refere-se a técnicas de gestão, avaliação e uso das ferramentas respec- tivas. QUALIDADE Modo de ser e/ou estar, predicado, espécie. 13Unidade 1 Gestão da Qualidadee da Produtividade Aula 1: Gestão da qualidade O gerenciamento ou a gestão da qualidade popularizou-se depois do sucesso do esforço de recuperação econômica do Japão após a Segunda Guerra Mundial. Os empresários japoneses ouvi- ram falar dos métodos usados pela indústria ame- ricana durante a guerra para treinar trabalhadores e produzir armamentos de qualidade, numa época em que os homens precisavam deixar seu trabalho para lutar como soldados. Vários consultores, entre eles Deming e Juran, foram enviados ao Japão para ajudar a melhorar a qualidade dos produtos japoneses, cuja reputação no mundo todo era de preço baixo e qualidade ruim. Os japoneses fize- ram um esforço nacional para melhorar a quali- dade e em alguns anos começaram a conquistar o mercado ocidental, inclusive americano, com produtos de melhor qualidade e baixo preço. Perdendo terreno, as empresas de todo o mun- do procuraram conhecer os métodos gerenciais japoneses, que lhes haviam proporcionado tantas vantagens. Descobriram então, assombrados, que eram as técnicas originalmente concebidas e ensi- nadas por consultores e especialistas norte-ameri- canos, que haviam sido desenvolvidas e aplicadas sistematicamente pelas empresas, com a coopera- ção dos trabalhadores. A gestão da qualidade começou então a ser ado- tada pelas empresas e ensinada nas escolas de Administração, tornando-se elemento essencial para o sucesso dos negócios e também para a for- mação de profissionais capazes de assumir respon- sabilidades gerenciais nas empresas. GERENCIAMENTO: Refere-se a técnicas de gestão, avaliação, e uso das ferramentas respec- tivas. 14 Gestão da Qualidade e da Produtividade Conheça melhor, a partir de agora, a Gestão da Qualidade e da Produtividade. Conceito de qualidade Existem vários autores que tratam do tema Qualidade, e é possível dividi-los em duas categorias: uma é liderada por administradores e consultores de organiza- ções que buscam estratégias para melhorar seus lucros através do aumento da eficiência de seus negócios, tanto em competitividade como em produtividade. Outra, geralmente a minoria, é composta por pessoas que avaliam as relações de trabalho, analisando suas diversas dimensões, como a comportamental, a organizacional, social, econômica etc. De um modo geral, a primeira categoria é guiada por autores que relatam expe- riências vividas no decorrer dos anos e traçam procedimentos técnicos a ser seguidos. É importante frisar que o conceito de qualidade poderá variar de autor para autor, pois estes levam em consideração seus pontos de vista observados para traçar suas definições. Alguns autores que contribuíram para o desenvolvimen- to de termos e conceitos importantes acerca da qualidade foram: W. Edwards Deming, Walter Shewhart, Joseph M. Juran, Philip B. Crosby, Kaoru Ishikawa, Genichi Taguchi, Tom Peters, Shigeo Shingo, Armand V. Feigenbaum. Um conceito muito usado para qualidade é o que foi dado por Joseph Juran, que afirma que qualidade é a adequação ao uso. Este conceito pode ser aplica- do tanto em situações do cotidiano como em situações específicas, como a fa- bricação de um produto. Existe ainda uma definição utilizada por Philip Crosby, que afirma que qualidade é a conformidade com os requisitos, ou seja, quando temos algo em mente, estabelecemos qual seria o padrão de qualidade e, daí por diante, todos os itens idênticos ao padrão poderiam ser considerados como itens de qualidade. Atualmente, existe a MBR ISO 9000:2005, que é uma norma de gestão que dá definição a vários termos, antes desconhecidos. Nessa norma a qualidade é de- finida como: “o grau no qual um conjunto de características inerentes satisfaz a requisitos” (ABNT, 2005). Segundo ela, características são propriedades diferen- ciadoras, podendo ser de diversos tipos, como físicas, sensoriais, comportamen- tais, temporais, ergonômicas ou funcionais. 15Unidade 1 Gestão da Qualidade e da Produtividade A evolução do conceito de Qualidade Total Antes da Revolução Industrial, o conceito de qua- lidade estava ligado a uma conotação artesanal e, nesse sentido, a qualidade do produto dependia diretamente da habilidade e do talento do artesão que o estava produzindo. A partir da revolução, fo- ram introduzidas algumas práticas com o objetivo de continuar a se obter um produto com qualida- de, mesmo a produção não sendo mais artesanal. A partir daí, surgem então algumas associações e definições de qualidade. Nesse sentido, os atributos de um produto eram verificados, medidos ou testados, a fim de assegu- rar sua qualidade. Essa época é considerada por muitos como a Era da Inspeção. A partir dos anos 1930, inicia-se a Era do Controle Estatístico da Qualidade, pois com o início dos processos de produção em massa, tais como ar- mamentos e automóveis, o conceito de qualidade incorpora um critério conhecido como precisão, ou seja, produzir exatamente como fora especificado no projeto. Pode-se afirmar que a definição de qualidade muda conforme a época, os valores e as exigên- cias. Produzir exatamente como estabelecido no projeto culminou em uma mudança de postura por parte das organizações, uma vez que estas passaram a intensificar o controle em várias etapas durante o processo de produção, e até dispor inspeção per- manente da produção final a fim de controlar pos- síveis falhas na especificação do produto durante o processo de fabricação. Essa mudança de postura deu origem aos departamentos de controle de qualidade dentro das organizações. INSPEÇÃO: Vistoria, checagem. PROCESSO: Série de ações sistemáti- cas visando certo resul- tado. 16 Gestão da Qualidade e da Produtividade Os anos entre 1950 e 1960 ficaram conhecidos como a Era da Garantia da Qualidade, que, além da preocupação da conformidade do produto com suas especificações, visava ao atendimento das necessidades dos clientes. Nessa era, se a empre- sa tivesse interesse em produzir com qualidade, deveria conhecer e atender às reais necessidades de seus clientes. Nota Um conceito interessante que surgiu durante essa época foi a ideia de que um produto deveria ser produzido com o menor preço possível. Esse conceito continua presente nos dias de hoje. Outro conceito incluso foi a ideia de redução de desperdício de matéria-prima, tempo, recursos humanos e o melhor uso do equipamento para reduzir os custos de produção. Todos esses concei- tos são citados pelos “gurus da qualidade”. Após esse período de grandes transformações a respeito dos conceitos de qualidade, surge a Era da Gestão da Qualidade Total, onde os avanços estão relacionados à ideia de estender a fase de controle de qualidade e planejamento do produto (projeto), não restringindo o controle de qualida- de à inspeção da produção final, estendendo o monitoramento da qualidade a todas as demais etapas do processo produtivo. Essa nova concep- ção de qualidade implicou o desenvolvimento de um conjunto de técnicas estatísticas e práticas organizacionais, tais como just-in-time, Kanban, zero defeito, que se tornaram mais conhecidas no Ocidente com a recuperação da economia japone- sa nas duas últimas décadas. Várias literaturas tratam dessa nova abordagem e da inclusão das técnicas de controle de qualidade durante a modernização das indústrias. Essas lite- raturas geralmente citam os exemplos das organi- zações japonesas e suas técnicas utilizadas para se superar e sobreviver no período pós-guerra. PLANEJAMENTO: Ato de projetar um tra- balho, serviço ou o mais complexo empreendi- mento. 17Unidade 1 Gestão da Qualidade e da Produtividade Os conceitos de qualidade, embora tenham origem nos Estados Unidos com Juran e Deming, ganharam corpo e tiveram sucesso no Japão, devido ao fato de que esse país lutava para se reconstruir logo após a guerra. As empresas japonesas investiram intensamente nos programas de qualidade, envolvendo cada trabalhador nesses programas, disseminando a ideia de que cada colaborador era corresponsávelpela qualidade. Nota É importante ressaltar que essa postura por parte das empresas japonesas de estender a responsabilidade pela qualidade aos demais trabalhadores das organizações, recebendo todos os treinamentos necessários para realizar o controle de qualidade, garantiu um aumento da produtividade e consequente competitividade de setores da indústria japonesa. Relembrando Você chegou ao final da primeira aula do curso e nela conheceu a evolução histórica da gestão da qualidade e como seus conceitos evoluíram no decor- rer dos anos. Na próxima aula, você verá que essa evolução dos conceitos de qualidade culminou na formação de Círculos de Controle de Qualidade (CCQ) e originou um novo conceito: a Qualidade Total. Até a próxima aula! 18 Gestão da Qualidade e da Produtividade Colocando em prática Reforce o conhecimento que você acabou de adquirir nessa aula rea- lizando a atividade proposta que se encontra no Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA. Aula 2: Conhecendo a Qualidade Total Conforme os conceitos de qualidade ganharam novas perspectivas no Japão, a qualidade deixou de ser responsabilidade apenas dos supervisores e líderes, alcançando todos os níveis hierárquicos dentro da organização. Foram feitos diversos investimentos em treinamentos com o intuito de capacitar e estimular colaboradores de chão de fábrica a participar de equipes de estudo para discutir a busca por soluções para os problemas enfrentados no dia a dia. Posteriormente, essas equipes tornaram-se conhecidas como Círculos de Con- trole de Qualidade (CCQ). Essa nova percepção onde o controle da qualidade deixa de ser uma respon- sabilidade específica de gerentes, supervisores e líderes, passando a ser atri- buição de todos os colaboradores em todas as etapas do processo produtivo, deu origem a uma nova denominação: TQC – Total Quality Control (Controle da Qualidade Total). Hoje em dia, o atendimento aos requisitos do projeto, a adequação ao uso, a ausência de defeitos, o melhor preço e a satisfação do cliente por meio da melhoria contínua foram inseridos no conceito de qualidade, tornando-o bem mais abrangente e cada vez mais necessário à implantação de Programas de Qualidade dentro das organizações. 19Unidade 1 Gestão da Qualidade e da Produtividade Autores como Deming, Juran, Crosby e Ishikawa criaram uma relação de prin- cípios da Qualidade Total que direcionam para metodologias de implantação dos programas da qualidade. Durante esta aula você conhecerá alguns desses princípios, que quando medidos e avaliados periodicamente, tendem a dar mais chances de sucesso aos programas de qualidade dentro das organizações. Os principais princípios incomuns entre os diversos autores são: � Planejamento da Qualidade; � total Satisfação dos Clientes; � gestão Participativa; � desenvolvimento dos Recursos Humanos; � constância de Propósitos; � aperfeiçoamento Contínuo; � gerenciamento de Processos; � disseminação das Informações; � garantia da Qualidade; � desempenho Zero Defeitos. Princípio do Planejamento da Qualidade O planejamento da qualidade é uma fase imprescindível e servirá de base para o Programa da Qualidade. Mas é de suma importância que alguns itens funda- mentais sejam levados em consideração: o estabelecimento das metas; a iden- tificação dos clientes e suas necessidades; o desenvolvimento de produtos com características que atendam às necessidades dos clientes; desenvolvimento de processos que produzam os produtos com as suas características. Princípio da Total Satisfação do Cliente Em muitas organizações é tratado como o mais importante dos princípios. Sua aplicação tem sido o diferencial para a gestão da qualidade, pois remete as empresas à ideia de que o cliente é a razão de ela existir. Desse modo, o foco é atendê-los da melhor maneira possível, mas, para atender ao cliente, faz-se necessário conhecer suas necessidades e os critérios de avaliação que ele usa. Nesse sentido, a organização estabelece um processo sistemático de comuni- cação com seus clientes, procurando antever suas necessidades, antecipar seus desejos e superar suas expectativas. Uma das ferramentas muito utilizadas para 20 Gestão da Qualidade e da Produtividade manter esse elo entre a empresa e seus clientes tem sido a criação de departa- mentos específicos dentro das organizações, tas como: marketing, SAC e Assis- tência Técnica. Uma questão fundamental nesse princípio são as tratativas para as reclamações de clientes, que devem encontrar um porto seguro dentro das organizações, pois muitas vezes são as fontes de inspiração para grandes melhorias na em- presa. Princípio da Gestão Participativa O enfoque desse princípio é o relacionamento entre chefia e seus subordinados, de forma que a comunicação possa fluir da melhor forma possível e as ideias e criatividades sejam estimuladas. Que cada colaborador possa se sentir res- ponsável pela qualidade e participante das soluções dos possíveis problemas, despertando em todos o compromisso com a melhoria contínua. Atenção Assim como o Princípio da Total Satisfação do Cliente, onde a empresa deve criar uma cultura de ouvir o seu cliente, o Princípio da Gestão Participativa se aplica também aos seus clientes internos, colaboradores, sócios e demais participantes da organização. O medo de expressar suas ideias pode ser um inibidor para o sucesso da aplicação desse princípio, por isso os responsáveis, supervisores, gerentes, devem, além de incentivar seus colaboradores a expressarem suas ideias, ouvi-los sempre que possível, adotando assim uma atitude de transparência e liderança. A comunicação é a chave para o sucesso desse princípio, mas para que a mes- ma seja eficaz e aconteça sem ruídos, faz-se necessário que a organização estabeleça seus meios. Princípio do Desenvolvimento dos Recursos Humanos Esse princípio orienta a busca pela valorização dos colaboradores, tratando-os como peças fundamentais na obtenção da Qualidade Total. Essa valorização objetiva o crescimento pessoal e profissional dos colaboradores e pode ocorrer tanto através de treinamentos para capacitação, como por meio de incentivos a um canal aberto de comunicação. 21Unidade 1 Gestão da Qualidade e da Produtividade A organização pode tornar-se um diferencial de mercado com a aplicação desse princípio, pois os ganhos obtidos não se restringem apenas aos funcionários, que ganham a possibilidade de se desenvolver profissionalmente, mas também à empresa que, capacitando seus colaboradores e criando um canal aberto de comunicação, estará desenvolvendo profissionais competentes e aptos a realizar suas atividades com qualidade. Em suma, para se desenvolver o processo de qua- lidade, faz-se necessário investir em conscientiza- ção e capacitação dos colaboradores para que os mesmos possam entender o seu papel dentro da organização. Princípio da Constância de Propósitos É necessário entender que, dependendo da cul- tura local, valores e costumes, um processo de mudança pode ser demorado. Os novos valores devem ser repetidos e reforçados, estimulados em sua prática, até que a mudança desejada se tor- ne irreversível. É necessário que haja persistência e continuidade, principalmente de quem estiver diretamente engajado no processo de inovações. Dentro da definição de responsabilidades por esse processo de mudanças, faz-se necessário que a alta direção defina e implemente uma Política de Qualidade e seus objetivos, assegurando que a política e seu engajamento sejam entendidos e mantidos em todos os níveis da organização. Para tornar-se uma empresa competitiva, é neces- sário que todos os colaboradores conheçam seus objetivos e absorvam um hábito de persistir em seus alvos. CONSTÂNCIA: Qualidade de constante; firmeza de ânimo; perse- verança, coragem. 22 Gestão da Qualidade e da Produtividade Relembrando Relembrando Nesta aula, você conheceu um pouco mais a respeito da Era da QualidadeTotal e cinco princípios que regem esse novo conceito: Planejamento da Qualidade, Total Satisfação dos Clientes, Gestão Participativa, Desenvolvimento dos Recursos Humanos e Constância de Propósitos. Na próxima aula, você conhecerá outros princípios que regem esse conceito. Até lá! Colocando em prática Hora de realizar a atividade e colocar em prática o que você aprendeu nesta aula. Acesse o AVA e boa atividade! Aula 3: Outros princípios que regem a Qualidade Total Na aula anterior você conheceu cinco dos princípios que regem a Qualidade To- tal. A partir de agora, conhecerá os demais princípios que envolvem esse novo conceito da qualidade. Princípio do Aperfeiçoamento Contínuo Com o avanço da tecnologia, tudo tem acontecido com mais rapidez, a informa- ção é disseminada em tempo real, as mudanças são constantes, e uma forma de as empresas garantirem o mercado é se antecipando, acompanhando o ritmo das mudanças, estando sempre aptas às novas exigências do mercado. 23Unidade 1 Gestão da Qualidade e da Produtividade Não basta implementar um sistema de gestão de qualidade, é crucial mantê-lo. Mais importan- te ainda é buscar o constante aperfeiçoamento deste com uma melhoria contínua dos resultados e da organização como um todo. Nessa busca da excelência empresarial, a empresa pode se valer de critérios que definem o que é uma empresa exce- lente. Esses critérios podem ser elaborados pela própria empresa ou com base em critérios já esta- belecidos e amplamente aceitos como as normas ISO série 9000, ou os critérios do Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ). O princípio do aperfeiçoamento contínuo baseia- se na busca pela inovação dos produtos, serviços e processos, na criatividade e na flexibilidade de atu- ação, na análise comparativa com os concorrentes e na capacidade de incorporar novas tecnologias. Resumindo, a melhoria contínua deve ser um obje- tivo permanente da organização. Pergunta Sabe por que buscar a melhoria contínua? � Porque nada é perfeito, tudo pode ser melho- rado. � Porque os clientes tornam-se cada vez mais exigentes. � Porque os concorrentes estão sempre envolvi- dos. Nas próximas unidades você conhecerá uma ferra- menta fundamental para a melhoria contínua dos produtos e processos: o ciclo PDCA, que significa Planejar, Executar, Verificar e Atuar (em inglês, Plan, Do, Check, Act). Dentro desse conceito do PDCA, você verá que para se melhorar algo é necessário mensurá-lo, ou seja, não se pode melhorar o que não se pode medir, daí a importância de se estabelecer um conjunto de APERFEIÇOAMENTO: Melhoramento, progresso material ou moral. 24 Gestão da Qualidade e da Produtividade indicadores que demonstrem a situação existente e que permitam a comparação com referenciais futuros da própria empresa, permitindo que a empresa acom- panhe seus resultados econômicos, financeiros, de qualidade e de produtividade. Princípio do Gerenciamento de Processos Nesse conceito, a organização é vista como um sistema que tem por objetivo atender às necessidades dos seus clientes, e esse processo de atendimento ao cliente desencadeia subprocessos, desde o fornecimento de insumos por parte dos fornecedores até o nível de uma tarefa individual dentro da empresa. Dessa forma, assumem-se cadeias interligadas de fornecedor-empresa-cliente. E, assim como o processo de melhoria contínua, a gestão de processos também pode ser gerenciada constantemente pelo ciclo denominado PDCA. Da mesma forma, para que se possa acompanhar, controlar e avaliar cada um dos subpro- cessos, é indispensável a criação de um modelo de indicadores que mensurem aspectos relativos à produtividade (eficiência) e qualidade (eficácia). Princípio da Disseminação das Informações Como você já deve ter percebido, todos os princípios da Qualidade Total têm como base um fluxo de informações no mínimo funcional e adequado. Já foi fa- lado sobre a importância de se manter um canal aberto de comunicação entre a administração e seus colaboradores. Esse princípio vem reforçar a importância da comunicação da organização com seus clientes. Para o sucesso na implantação da Qualidade Total, deve-se ter bem definido o processo de comunicação obedecendo aos quesitos de agilidade, seletividade e 25Unidade 1 Gestão da Qualidade e da Produtividade integridade, devendo propiciar total transparência da organização frente aos seus funcionários, clien- tes, fornecedores e sociedade. Princípio da Garantia da Qualidade Este é tido como o princípio mais formal, por tra- tar do estabelecimento de normas e procedimentos dentro da organização. Trata da formalização do sistema de Qualidade Total por meio da documen- tação escrita, que deve ser de fácil acesso, assegu- rando, portanto, a rastreabilidade e a disponibilida- de de produtos e serviços. Essa formalização deve prever ainda o controle das documentações relevantes ao produto, o his- tórico de desenvolvimento de projetos, aplicação de técnicas estatísticas, inspeções, testes de pro- dutos, formalização com relação aos fornecedores, controle das não conformidades, ações corretivas, manuseio, armazenagem, embalagem, distribuição e auditorias internas. A formalização fornece ferra- mentas para a uniformidade de procedimentos. Algumas normas que podem ser utilizadas para avaliar a eficácia do seu sistema de gestão são as Normas ISO 9000, TS 16949 ou outras reconheci- das internacionalmente, que geralmente servem de base para a definição de cláusulas contratuais entre clientes e fornecedores. Princípio do Desempenho Zero Defeitos Esse é um princípio que deve ser disseminado de tal forma que se modifiquem quaisquer intenções contrárias a uma cultura de busca pela perfeição nas atividades realizadas. Dentro desse contexto, todos devem ser bem orientados do que seria o ideal “padrão de qualidade”. Isso se dá a partir das definições acordadas entre a empresa e seus clien- tes, internos e externos, e da consequente formali- zação dos processos dentro do princípio da garan- tia da qualidade. GARANTIA: Compromisso que o ven- dedor assume de entregar ao comprador a coisa vendida isenta de defeitos ou de vícios. 26 Gestão da Qualidade e da Produtividade Vale ressaltar que quaisquer falhas devem ser medidas para que no ciclo PDCA se localize a causa principal do problema e se planejem ações corretivas. Deve-se ainda estabelecer um sistema pelo qual os funcionários possam identificar pro- blemas que impedem que seu trabalho esteja livre de deficiências, assegurando, de forma sistematizada, que os grupos funcionais apresentem soluções para os problemas atuais, bem como propostas de melhorias contínuas em suas ativida- des. Essas falhas detectadas antes ou depois da entrega ao cliente gerarão mensu- ração dos custos da qualidade, entretanto, o custo de prevenir erros é sempre menor que o de corrigi-los. E este princípio valoriza esse conceito de prevenção, associado às ações preventivas. Relembrando Nesta aula, você conheceu mais princípios que regem esse novo con- ceito, tais como: Aperfeiçoamento Contínuo, Gerenciamento de Proces- sos, Disseminação das Informações, Garantia da Qualidade e Desempe- nho Zero Defeitos. Na próxima aula você aprenderá mais sobre os custos da qualidade, dando assim continuidade aos seus estudos dentro deste curso. Colocando em prática Não deixe de fazer uma nova leitura de todo o conteúdo estudado. Sua revisão também poderá ser feita por meio das atividades no AVA. Confira! Aula 4: Custos da qualidade A qualidade em si não significa um custo, mas sim um investimento. Contudo, a má qualidade, esta sim acarreta prejuízos à organização. Portanto, podemos afirmar que o custo da qualidade pode ser definido como aqueles custos que acontecem como fruto de uma baixa qualidade ou não atendimento às especifi- cações. 27Unidade 1 Gestão da Qualidade e da Produtividade Com a intenção de não passar a ideia de que a qualidade imputa à empresa um custo adicional desnecessário,seria mais propício usar a expressão “custo da não qualidade”. Entretanto, por se tratar de uma expressão utilizada há muitos anos e em âmbito internacional, optou-se por manter a expressão “custos da qualidade”, tendo-se sempre em mente que a qualidade é de fato lucrativa para a empresa. Conhecer e avaliar os custos da qualidade tem por objetivo reconhecer as áreas mais críticas e suas tendências, de forma a reduzir custos e aplicar melhoria da qualidade. E dentro da categoria de custos da qualidade podem-se citar os custos de prevenção, custos de avaliação, custos de falhas internas e custos de falhas externas. Os custos de prevenção e de avaliação são considerados “custos inevitáveis” e os custos de falhas (internas e externas), considerados “custos evitáveis”. Vale a pena ressaltar que os custos evitáveis podem ser extremamente reduzíveis se houver investimento na melhoria da qualidade. Custos de prevenção São os custos relacionados aos investimentos feitos para evitar defeitos, evi- tando que produtos defeituosos e serviços insatisfatórios sejam produzidos. Alguns exemplos dos custos de prevenção são: o planejamento da qualidade, controle de novos projetos, estudo e controle do processo, suporte aos recur- sos humanos e treinamentos, círculos da qualidade, manutenção preventiva dos equipamentos, revisão de projetos, qualidade nas aquisições, informação da qualidade, compra de normas e equipamentos, manutenção e desenvolvimento do sistema de qualidade, administração da qualidade, auditorias, etc. Custos de avaliação Os custos de avaliação são aqueles incorridos no processo produtivo, tendo por objetivo a garantia da manutenção da qualidade do produto. Alguns exemplos são os gastos em inspeção de matéria-prima, componentes e produtos para assegurar a conformação com os padrões de qualidade, operações de laborató- rio; envio dos produtos testados para a produção; demonstração de qualidade, relatórios de qualidade; manutenção e setup; testes de produção; áreas ocupa- das pelo e para o controle; controle dos protótipos; enfim, todos os custos que controlam a má qualidade por meio de atividades de avaliação da qualidade. 28 Gestão da Qualidade e da Produtividade Custos de falhas internas São os custos relacionados a produtos, serviços, materiais e/ou componentes que não satisfazem os padrões de qualidade estabelecidos, ocasionando perdas na produção, e que são identificados antes de o produto deixar a empresa. Ou seja, custos de falhas ocorridas e identificadas internamente à empresa e que não afetaram diretamente a satisfação do cliente, exceto em casos em que as falhas ocasionem atraso nas entregas. Custos de falhas externas Os custos de falhas externas são os gerados pela distribuição de produtos e/ou serviços não conformes aos clientes, ou defeituosos, ou seja, custos de falhas identificadas/ocorridas externamente à empresa. Estes custos, além de ocasio- nar perda nas vendas, denigrem a imagem da empresa e ocasionam a insatisfa- ção e até mesmo a possível perda do cliente. As empresas devem dar atenção redobrada às falhas internas e externas, pois quanto mais tarde forem detectadas, maiores serão os custos envolvidos para corrigi-las. Um grande segredo é tratar cada problema como prioridade, pois, apesar do incorrido com o cliente, o fato de ele receber um bom atendimento poderá influenciar numa futura decisão de compra. Relembrando Enfim, como você pôde aprender durante esta aula, o conhecimento e a análise dos custos da qualidade podem ser importantes ferramentas ge- renciais, ajudando principalmente, na avaliação das causas das falhas de modo a maximizar a eficácia das ações corretivas e de melhoria. Aproveite o conhecimento adquirido e aplique-o em seu negócio, geran- do assim sucesso com seus clientes. A próxima unidade trará mais informações importantes e interessantes e você aprenderá mais sobre o contexto de ambiente da qualidade, dando assim continuidade aos seus estudos dentro deste curso. Até mais! 29Unidade 1 Gestão da Qualidade e da Produtividade Colocando em prática Chegou a hora de realizar os exercícios propostos e colocar em prática o que aprendeu. Aproveite também para trocar ideias e tirar dúvidas com o professor tutor e os colegas por meio das ferramentas do AVA. Adiante com os estudos! Finalizando Durante esta unidade, você estudou a evolução dos conceitos de qua- lidade no decorrer dos anos, observando que esses conceitos foram se adaptando cada vez mais ao atendimento das necessidades do cliente e aplicação constante do processo de melhoria contínua. Você estudou os princípios fundamentais que regem a gestão da quali- dade: Planejamento da Qualidade, Total Satisfação dos Clientes, Gerên- cia Participativa, Desenvolvimento dos Recursos Humanos, Constância de Propósitos, Aperfeiçoamento Contínuo, Gerenciamento de Proces- sos, Disseminação das Informações, Garantia da Qualidade e Desempe- nho Zero Defeitos. E conheceu os custos que envolvem a qualidade, tais como: custos de prevenção, custos de avaliação, custos de falhas internas e custos de falhas externas; observando a importância do conhecimento e análise desses custos da qualidade para o auxílio na avaliação das causas das falhas, de modo a maximizar a eficácia das ações corretivas e de me- lhoria. Até a próxima unidade! 31 2Os 5S na Prática Objetivos de Aprendizagem Ao final desta unidade, você estará apto a: � Discorrer a respeito do Programa 5S, distin- guindo cada um deles. � Citar alguns benefícios obtidos por meio da aplicação desta filosofia e maneiras práticas de aplicá-la. Aulas Acompanhe, nesta unidade, o estudo das aulas seguintes: Aula 1: O contexto de ambiente da qualidade Aula 2: Os cinco sensos da qualidade Aula 3: Senso de Organização Aula 4: Senso de Limpeza Aula 5: Senso de Zelo 32 Gestão da Qualidade e da Produtividade Para iniciar Nesta segunda unidade, você estudará a respeito de uma filosofia que foi implantada com o intuito de fazer diferencial dentro das organiza- ções que lutam para se sobrepor às dificuldades e aos mercados cada vez mais competitivos. Essa filosofia popularizou-se como Programa 5S e tem como fundamentos as palavras japonesas: Seiri, Seiton, Seisou, Seiketsu, Shitshuke, que foram traduzidas para o português como Senso de Utilização, Senso de Organização, Senso de Limpeza, Senso de Zelo e Senso de Autodisciplina. Você conhecerá os benefícios de cada um desses sensos em particular e como cada senso pode ser posto em prática, alguns de maneira bem prática como o “Dia D”. Perceberá que, entre os muitos benefícios, essa filosofia visa, principalmente, a aumentar a autoestima dos colaborado- res, criar um ambiente de respeito ao semelhante e ao meio ambiente, evitar o desperdício de inteligência, espaço, tempo, gastos e matéria- prima, combate ao estresse e ainda a redução do número de acidentes de trabalho. Por isso, aproveite para aprender cada senso e verificar, na prática, como essa filosofia pode transformar o seu dia a dia. Bons estudos! Aula 1: O contexto de ambiente da qualidade Nas últimas décadas, as empresas têm mudado de postura em relação aos seus clientes, e isso tem se dado pela própria conscientização do consumidor com relação aos seus direitos e à atual estrutura econômica mundial. As organizações lutam pela sobrevivência econômica devido à competitividade acirrada entre as empresas. Infelizmente, algumas esperam por momentos difí- ceis para tomar atitudes de mudanças, mas outras se antecipam às crises. 33Unidade 2 Gestão da Qualidade e da Produtividade De acordo com Deming, um dos “gurus” do tema qualidade, cada pessoa tem anseio por qualidade, mas cada pessoa tem seu próprio conceito de qualidade. E de um modo geral todos veem qualidade como “uma vida melhor” e, nesse contexto, as organizações devem entender essas necessidades e traduzir em garantia da satisfação do cliente. Por isso, os clientes, tanto de organizações privadascomo públicas, têm se tornado cada vez mais exigentes, e o básico outrora oferecido pelas empresas já não garante mais a fidelidade. Para conquistar clientes, as empresas precisam: � garantir que o seu preço seja acessível; � fornecer um produto de boa qualidade; � entregar o produto no prazo; � fornecer um custo baixo de manutenção; � fornecer boas condições de pagamentos; � passar uma imagem de segurança; � e outras muitas vantagens competitivas, redobrando esforços para encantar seus clientes. Mas, para alcançar esse padrão, é essencial criar um ambiente de qualidade, que deve ter: � disposição de um local onde haja ordem e tranquilidade; � boa organização do trabalho, com distribuição equitativa de tarefas; � desejo de se comunicar, com disposição de falar e ouvir sem distinção de pessoa ou função; � respeito às ideias dos outros; � atitude que favoreça o consenso ou o trabalho em equipe; � sentimento compartilhado da finalidade do trabalho; � orgulho coletivo diante das realizações. E as empresas que estão atentas para as decorrentes mudanças dos últimos anos e à necessidade de se criar um ambiente de qualidade, estão cada vez mais conscientes das necessidades de aperfeiçoar as suas práticas diárias. Essas empresas estão fazendo investimentos a curto, médio e longo prazo e implementando uma real filosofia da qualidade, não como uma questão teórica, mas uma questão de prática. 34 Gestão da Qualidade e da Produtividade E o resultado disso é um ambiente de qualidade com melhores condições de trabalho, gerando competitividade devido ao estímulo dos colaboradores que transformam seus potenciais em realização, e, consequentemente, reduções do índice de acidentes, melhoria da qualidade e da produtividade, redução do tempo de parada das máquinas e no exercício da administração participativa. São esses os resultados que têm mensurado o sucesso e a importância do 5S nas organizações, sendo esses apenas alguns dos benefícios que o ambiente de qualidade gera à organização. Outros benefícios que podem ser citados quando se fala da disseminação da filosofia do 5S, são: � aumento da autoestima; � respeito ao semelhante, ao meio ambiente e crescimento pessoal; � melhoria no relacionamento interpessoal; � melhoria na comunicação e no clima organizacional; � crescimento do ser humano em iniciativa, criatividade e respeito; � guerra ao desperdício de inteligência, espaço, tempo, gastos e matéria- prima; � combate ao estresse; � redução do número de acidentes de trabalho. 35Unidade 2 Gestão da Qualidade e da Produtividade O Programa 5S no Brasil A implantação dessa metodologia no Brasil sofreu ao longo dos anos algumas adaptações em relação ao Japão. Observou-se uma tendência em interpretar o Programa 5S como uma ferramenta para o “housekeeping”, ou seja, conser- vação da casa. Nesse sentido é importante ressaltar que além da visão do 5S unicamente ligada à limpeza e arrumação, deve-se primar por um ambiente de qualidade, onde as pessoas se concentrem na construção do ambiente no qual se trabalhe e se produza com qualidade. A experiência brasileira tem demonstrado que a essência do 5S é a autodiscipli- na, onde a iniciativa, o espírito de equipe e a busca pela melhoria contínua em nível pessoal e organizacional são conceitos que levam as pessoas a tornarem- se gerentes de si mesmas e são, em geral, disputadas pelo mercado de traba- lho. Algumas empresas, além de investir no entendimento da filosofia de qualidade e do programa 5S por parte dos seus funcionários, também incentivam uma mudança de atitude que estende os conceitos não somente ao seu ambiente de trabalho, mas também aos seus lares e comunidades. A prática do 5S tem produzido consequências visíveis no aumento da autoesti- ma, no respeito ao semelhante, no respeito ao meio ambiente e no crescimento pessoal. Uma maior aproximação entre as pessoas tem sido incentivada por meio da melhoria do relacionamento interpessoal, principalmente mediante a escuta ativa, e pela eliminação de privilégios que impedem os esforços coleti- vos em prol de objetivos comuns. A comunicação tem fluído melhor, e o clima organizacional tem melhorado. O contínuo desenvolvimento da autodisciplina promove o crescimento do ser humano em iniciativa, criatividade e respeito. Com o desenvolvimento do Senso de Utilização, decreta-se guerra ao desperdício de inteligência, tempo e matéria-prima. O combate ao estresse é auxiliado pelos sensos de Ordenação, Limpeza e Saúde. Nesse último destaca-se a necessidade da autoestima, talvez o fator mais relevante para uma profunda mudança de natureza interior. 36 Gestão da Qualidade e da Produtividade Relembrando Você aprendeu nesta aula o contexto de ambiente da qualidade, que pode ser a disposição de um local onde haja ordem e tranquilidade; boa organização do trabalho, com distribuição equitativa de tarefas; desejo de se comunicar, com disposição de falar e ouvir sem distinção de pessoa ou função; respeito às ideias dos outros; atitude que favo- reça o consenso ou o trabalho em equipe; sentimento compartilhado da finalidade do trabalho; orgulho coletivo diante das realizações. A partir da próxima aula você começará a conhecer mais detalhada- mente cada um dos cinco sensos da qualidade. Colocando em prática Agora é uma boa hora para treinar os conhecimentos adquiridos nesta aula. Acesse o AVA e realize as atividades propostas. Mãos à obra! Aula 2: Os cinco sensos da qualidade De acordo com o dicionário Aurélio (HOLANDA, 1988, p. 500), a palavra senso quer dizer: “faculdade de apreciar, de julgar, juízo”. Dessa maneira é possível entender que não se pode implantar um senso, mas se cultivar uma cultura de mudanças por meio de dedicação e persistência. Para se criar uma cultura de mudanças visando a um ambiente de qualidade é preciso investir em ferramentas de qualidade, que, pela história, já se comprova- ram eficientes. Uma dessas ferramentas é o conhecido Programa 5S, ou os sensos de: Utilização, Organização, Limpeza, Saúde e Autodisciplina. Quando esse siste- ma é corretamente difundido observa-se a promoção da educação. Não se tem uma exatidão quanto à origem do programa 5S, mas estima-se que sua difusão deu-se por volta da década de 1950, no período pós-guerra, por Ka- oru Ishikawa, também precursor do CCQ (Círculo de Controle de Qualidade), que você estudou na unidade anterior, lembra? 37Unidade 2 Gestão da Qualidade e da Produtividade As palavras de origem japonesas que embasam o Programa 5S são: Quadro 1 – Relação dos nomes japoneses com o Programa 5S SENSO JAPONÊS INGLÊS PORTUGUÊS 1º SEIRI SORTING SENSO DE UTILIZAÇÃO ARRUMAÇÃO SELEÇÃO 2º SEITON SISTEMATYZING SENSO DE ORGANIZAÇÃO SISTEMATIZAÇÃO ORDENAÇÃO 3º SEISOU SWEEPING SENSO DE ZELO LIMPEZA 4º SEIKETSU SANITIZING SENSO DE ASSEIO HIGIENE SAÚDE INTEGRIDADE 5º SHITSUKE SELF DISCIPLINING SENSO DE AUTODISCIPLINA EDUCAÇÃO COMPROMISSO Senso de Utilização Tem por finalidade manter no local de trabalho apenas os materiais que você utilizará no momento e na quantidade certa, ou seja, utilizar os recursos dispo- níveis, com bom-senso e equilíbrio, evitando excessos ou a faltas. A ideia do Senso de Utilização é identificar o que é realmente necessário e o que é desnecessário no seu local de trabalho. O diferencial nos lucros das organizações está no equilíbrio da utilização de seus recursos, e nesse contexto os detalhes fazem a diferença. E o cultivo da aplicação diária do Senso de Utilização que pode gerar mudanças de atitude trará inúmeros benefícios à organização, tais como: � reaproveitamento de recursos; � redução das compras desnecessárias de materiais e equipamentos; � redução nos gastos com material de expediente, material de consumo; 38 Gestão da Qualidade e da Produtividade � otimização de espaços; � remanejamento dos investimentos; � reutilização de materiais; � aproveitamento de profissionais em outrasáreas; � redução de gastos com mão de obra etc. Um grande segredo para o sucesso da disseminação dessa nova cultura é fazer com que cada colaborador entenda quanto é responsável pela saúde financeira da empresa. E, para que você possa visualizar mais rapidamente os resultados obtidos da aplicação deste senso, é preciso criar ações de curto prazo, como criar o hábito de identificar problemas e trazer soluções para, em equipe, resolvê-los. Ordem desse senso: mantenha somente os objetos e dados estritamente ne- cessários no local de trabalho, a partir de critérios estabelecidos! Veja um exemplo de critério que você poderá usar: Figura 1 – Exemplo de Critérios Relembrando Você aprendeu nesta aula o conceito de Senso de Utilização e como utilizá-lo no ambiente de trabalho. Na próxima aula você conhecerá o Senso de Organização, dando continuidade aos seus estudos dentro deste curso. Até a próxima aula! 39Unidade 2 Gestão da Qualidade e da Produtividade Colocando em prática A aula seguinte vai ser muito interessante para compreender melhor o assunto estudado. Mas, antes, não deixe de realizar as atividades propostas no AVA. Lembre-se de utilizar as ferramentas do ambiente virtual para compartilhar informações e tirar dúvidas com o professor tutor e os colegas. Preparado? Aula 3: Senso de Organização Depois que você retirar do ambiente de trabalho tudo o que não é útil, você pode aplicar o Senso de Organização, também conhecido como Ordenação. O principal benefício desse senso é a redução no tempo de busca. Mas, além desse, traz também outros benefícios: � otimização dos espaços; � visual agradável � melhoria do fluxo de pessoas e materiais; � satisfação pessoal; � diminuição do cansaço físico por movimentação desnecessária; � evita estresses para encontrar as coisas etc. Ordem desse senso: determine os locais adequados e como os objetos e do- cumentos devem ser estocados ou guardados de forma que os mesmos sejam encontrados com facilidade quando necessário! Como você viu, na ordem desse senso, o principal objetivo é definir locais apro- priados com o intuito de facilitar a procura, localização e guarda de qualquer item. E, na definição dos locais apropriados, devem-se estabelecer critérios, tais como: manuseio, reposição, retorno ao local de origem após uso, consumo dos itens mais velhos primeiro, entre outros. 40 Gestão da Qualidade e da Produtividade Confira a seguir um modelo de critério baseado no manuseio, mas sinta-se à vontade para usar qualquer outro critério, conforme achar conveniente. Figura 2 – Modelo de Critério Baseado no Manuseio Alguma dessas situações já aconteceu com você? � Não lembra onde deixou as chaves da casa, do carro ou o controle remoto? � Você precisa anotar um recado, mas não lembra onde guardou a caneta? � Você está atrasado para uma reunião, mas não consegue lembrar onde deixou aquele documento ou relatório importante? E a sua agenda, onde foi parar? Se você nunca passou por situações semelhantes a essas, meus parabéns! Mas se você de vez em quando passa por apuros de não conseguir lembrar onde guardou as coisas, então esta é a sua oportunidade de fazer uma mudança radical. Fique bem atento às dicas dadas durante esta aula e aproveite-as para mudar de hábito. Aplique o Senso de Organização e veja as coisas mudarem nitidamente à sua frente. Sua rotina será mais tranquila e produtiva e você se tornará um pro- fissional bem mais eficiente. Comece estipulando um lugar para cada coisa e guardando-as sempre no mesmo lugar. Veja outras dicas importantes de como pôr em prática o Senso de Organização: � Organize os materiais de forma sistemática (layout). � Padronize nomenclaturas (ex.: nome das áreas; das máquinas etc). � Guarde os objetos de forma que o que entra primeiro sai primeiro. � Use rótulos com cores vivas para identificar os objetos. � Exponha visualmente todos os pontos críticos, tais como: locais perigosos, partes das máquinas que exigem atenção especial etc. � Utilize a comunicação visual para rápido acesso dos mesmos. � Tome cuidado para que a comunicação visual seja fácil e rápida, por isso, utilize frases curtas. 41Unidade 2 Gestão da Qualidade e da Produtividade � Cuidado com o grande número de informações que podem ser desnecessá- rias, como e-mail e mural de aviso poluídos. � Comunique apenas uma ideia chave por vez. � Sempre que possível, ilustre a ideia por meio de desenhos. Para tornar prático o uso do Senso da Organização na sua empresa, você preci- sa ser prático e tornar as atividades fáceis e divertidas: tente premiar os funcio- nários e incentivá-los com o seu próprio exemplo para que isso se torne rele- vante para toda a instituição. Você deve ser criativo para que essa ideia seja implementada. Facilite a organi- zação dentro de sua empresa. Em ambiente ordenado se trabalha melhor e aumenta-se a produtividade, ga- nhando espaço e falicitando a limpeza. Relembrando Nesta aula, você conheceu o Senso de Organização e os seus benefícios: redução no tempo de busca; otimização dos espaços; visual agradável; melhoria do fluxo de pessoas e materiais; satis- fação pessoal; diminuição do cansaço físico por movimentação desnecessária; evita estresses para encontrar as coisas etc. Na próxima aula você conhecerá o Senso de Limpeza. Boa aula! Colocando em prática Na próxima aula, você conhecerá os outros sensos, mas, antes de pros- seguir com o conteúdo, acesse o AVA e realize a atividade sobre o que você acabou de estudar. Vamos ao estudo! 42 Gestão da Qualidade e da Produtividade Aula 4: Senso de Limpeza Consiste na prática da limpeza, tornando-a um hábito. As organizações, tanto as grandes como as pequenas, devem ter essas características de manter as ins- talações limpas e organizadas, pois isso faz total diferença para adquirir novos clientes e novos parceiros. Para disseminar a cultura de limpeza, é necessário primeiramente focalizar que o importante é não sujar. Uma vez que o colaborador cria esse hábito de não sujar e ainda manter limpo, a diferença será sentida na redução do orçamento da empresa, pois terá reduções significantes nos custos com limpeza e manu- tenção do ambiente e das máquinas. Os benefícios da aplicação do Senso de Limpeza são: � valorização da saúde dos funcionários; � diminuição do cansaço físico; � prevenção de acidentes; � economia de tempo; � visual agradável; � prevenção de acidentes; � melhoria da imagem da empresa; � aumento do tempo de vida útil dos equipamentos etc. 43Unidade 2 Gestão da Qualidade e da Produtividade Para que a limpeza faça parte da rotina de cada colaborador, estabeleça horá- rios para as limpezas periódicas, treine-os para fazerem a limpeza diária, forne- ça coletores de lixo, defina uma pessoa em cada área para ser o fiscal da limpe- za etc. Ordem desse senso: limpar rigorosamente os espaços físicos e equipamentos visando a sua conservação, evitando sujar. O dia “D” Geralmente, como ponta-pé inicial para o programa 5S, coloca-se em prática uma atividade chamada de dia “D”. Atenção É importante lembrar que essa atividade deve ser feita depois que todos na organização já tenham sido orientados quanto à filosofia do 5S e os benefícios de sua aplicação. Confira, a seguir,as etapas necessárias para implementar o Dia “D” na sua orga- nização: � defina com antecedência o dia previsto para a grande limpeza; � programe todo o material necessário por setor (rodos, vassouras, panos de chão, detergente, tinta, pincel etc.); � reúna toda a equipe e estabeleça o Programa da Limpeza; � faça uma agenda das atividades por setor que devem ser realizadas no dia; � cumpra os horários estabelecidos; � defina um local para armazenar o descarte dos setores; � fotografe ou filme todas as atividades para reflexão posterior das equipes; � lembre-se de que o foco dos três sensos é sempre a prevenção! 44 Gestão da Qualidade e da Produtividade RelembrandoVocê chegou ao final de mais uma aula e desta vez aprendeu sobre o Senso de Limpeza e como ele funciona dentro de uma organização. O próximo senso a ser visto é o Senso de Zelo. Até a próxima aula! Colocando em prática Preparado para mais um exercício? Então acesse o AVA e responda. Utilize também as ferramentas para trocar conhecimentos. Vamos lá! Aula 5: Senso de Zelo Este senso tem como fundamento o uso de atitudes que valorizam a saúde em casa e no ambiente de trabalho, por isso também é conhecido como Senso de Saúde ou Asseio. É ter mente sadia, zelo e asseio para com o corpo, local de trabalho e meio ambiente. Ordem desse senso: mantenha as condições de trabalho, físicas e mentais fa- voráveis à saúde. Um exemplo bem prático dos benefícios desse senso é que, ao cuidar da sua saúde, você conomiza com remédios, torna-se mais produtivo no ambiente de trabalho, aumenta sua capacidade física, emocional e espiritual. 45Unidade 2 Gestão da Qualidade e da Produtividade Os resultados do Senso de Zelo, ou Senso de Saúde, são resultados a longo prazo e para o toda a vida. Alguns exemplos de atitudes que podem favorecer a aplicação desse senso são: � promover um ambiente agradável para o trabalho; � difundir material educativo sobre saúde em geral; � manter excelentes condições de higiene nos banheiros, restaurantes etc; � promover, durante o período de trabalho, atividades rápidas para a restaura- ção do equilíbrio físico, mental e emocional; � incentivo à formação de equipes esportivas (futebol, vôlei etc.); � investimento no cardápio dos funcionários; � eliminar fontes de perigo; � incentivos ao uso de equipamentos de segurança; � disseminação da cultura de limpar o que sujou e de premiar os setores que se destacaram; � zelar para que as informações e os comunicados sejam claros, de fácil leitura e compreensão etc. É importante que a empresa cuide de outros aspectos relacionados ao senso de zelo, como controle de ruídos, de temperaturas, instalações, iluminação correta etc. Senso de Autodisciplina Esse senso já se inicia com a prática dos sensos anteriores: cumprir os padrões éticos, morais e técnicos da organização e estar comprometido com a me- lhoria contínua. Ordem deste senso: persista nas atitudes aprendidas com os outros quatro sensos até que eles se tornem um hábito. Procure cumprir e respeitar as normas e os procedimentos internos e externos. Ter Senso de Autodisciplina significa ainda desenvolver o autocontrole (contar sempre até dez), ter paciência, ser persistente na busca de seus sonhos, anseios e aspirações, respeitar o espaço e a vontade alheia. Os benefícios obtidos com a aplicação deste senso são: � previsibilidade dos resultados; � autoinspeção e autocontrole; � melhoria contínua pessoal e organizacional; � criação de novos hábitos saudáveis; � todos os benefícios dos outros sensos. 46 Gestão da Qualidade e da Produtividade Para que o hábito seja criado, é necessário que as atitudes boas sejam incen- tivadas e valorizadas, por isso é muito bom criar estratégias de motivação e perpetuação dos hábitos até que eles façam parte da cultura. Algumas estratégias e ideias de perpetuação desse senso são: avaliações peri- ódicas; concursos com prêmios (melhores frases, assiduidade, melhor desem- penho durante avaliação etc.); treinamentos com certificados; encontros anuais com toda a organização para expor as conquistas com os 5S anuais (não para premiar, mas para comemorar/confraternizar). Ajude seu colega de trabalho, esteja ele hierarquicamente acima ou abaixo de você, incentive-o e elogie-o em cada ação ou resultado obtido. Nota Lembre-se de fazer sempre a manutenção e melhoria do 5S e registrar as informações da auditoria, apresentando os resultados das auditorias internas ou avaliações externas para as equipes envolvidas. Essas informações ajudam os colaboradores a avaliarem o plano, possibilitando fazer ajustes e correções necessárias. Cabe ressaltar a utilização do PDCA para monitorar os resultados e implementar as melhorias. Quanto mais vezes for revisado, maior será o entendimento e a absorção dos conceitos. E quando houver pessoas que resistam a essa nova cultura, procure compreen- der suas limitações e lhes dê um tempo para absorver as mudanças. A política de “eliminar” os resistentes demonstra, claramente, que a filosofia do 5S não foi compreendida. Não faça do 5S uma ferramenta de castigo para os rebeldes criando um senti- mento generalizado de um 5S mecanicista e opressor, com graves consequên- cias para a moral dos membros de organização. Uma dica para lidar com essas pessoas é avisando antecipadamente os dias de avaliação, dando a chance para que essa pessoa se prepare, pois o objetivo da avaliação não é “pegar” ninguém de surpresa. Assim as pessoas verão, com o tempo, que é melhor trabalhar de forma a manter o ambiente dentro do padrão 5S, evitando correrias de última hora, principalmente para fazer frente às muitas verificações informais que ocorrerão. Entenda que pessoas se comprometem mais quando participam efetivamente da geração das ideias a serem implementadas, por isso aproveite cada oportu- nidade para envolver seus colaboradores nesse processo de mudanças. 47Unidade 2 Gestão da Qualidade e da Produtividade Relembrando Nesta aula, você conheceu os outros dois sensos que faltavam para com- pletar o 5S: o Senso de Zelo e o Senso de Autodisciplina. Viu também como esses sensos funcionam dentro de uma organização. Na próxima aula, você aprenderá sobre raízes do Kaizen, portanto, perma- neça atento que ainda vem muita coisa pela frente! Colocando em prática Chegou a hora da atividade. Verifique o ambiente virtual e bons estu- dos! Finalizando Então, que tal relembrar o que você viu nesta unidade? Você viu que a filosofia do Programa 5S tem sido uma ferramenta dife- rencial usada por empresas que lutam para se sobrepor às dificuldades e aos mercados cada vez mais competitivos. Originado no Japão, os cinco sensos visam a criar um ambiente propício à qualidade. Seiri, Seiton, Seisou, Seiketsu, Shitshuke são as palavras japonesas que foram traduzidas para o português como Senso de Utilização, Senso de Organização, Senso de Limpeza, Senso de Zelo e Senso de Autodiscipli- na. Cada senso possui uma ordem principal. Relembre: � Senso de Utilização: manter somente os objetos e dados estritamen- te necessários no local de trabalho, a partir de critérios estabelecidos. � Senso de Organização: determinar os locais adequados e como os objetos e documentos devem ser estocados ou guardados de forma que eles sejam encontrados com facilidade quando necessário. � Senso de Limpeza: limpar rigorosamente os espaços físicos e equipa- mentos visando a sua conservação, evitando sujar. 48 Gestão da Qualidade e da Produtividade � Senso de Zelo: mantenha as condições de trabalho, físicas e mentais favoráveis à saúde. � Senso de Autodisciplina: persista nas atitudes aprendidas com os outros quatro sensos até que eles se tornem um hábito. Procure cum- prir e respeitar as normas e os procedimentos internos e externos. Procure praticar todos os dias o 5S e confira na prática os bons resulta- dos do que você aprendeu. Até a próxima! 49 3Kaizen (melhoria contínua) Objetivos de Aprendizagem Ao final desta unidade, você estará apto a: � Conceituar o que é o programa Kaizen, o seu objetivo e as etapas de implantação dessa metodologia de melhoria contínua em uma empresa. � Definir a continuidade do programa quando ele já estiver implantado na empresa, utili- zando uma estrutura e uma norma sistêmica. Aulas Acompanhe, nesta unidade, o estudo das aulas seguintes: Aula 1: Raízes do Kaizen Aula 2: Etapas da metodologia Kaizen Aula 3: Etapas da metodologia Kaizen (continu- ação) 50 Gestão da Qualidade e da Produtividade Para iniciar Bem-vindo à unidade 3 do curso de Gestão de Qualidade e Produtivi- dade! Nesta unidade você estudaráuma metodologia chamada Kaizen, que tem o intuito de se estabelecer um processo de melhoria contínua. Você verá que o Kaizen prioriza a implantação de melhorias dentro da própria organização, sem que seja necessária intervenção externa, como consultores. Mas essas melhorias devem contar com a participação de todos os colaboradores, pois se acredita que quanto mais envolvidos eles esti- verem com o processo, mais comprometidos estarão em melhorá-lo continuamente. Durante esta unidade você aprenderá todas as etapas de implantação desta metodologia, desde os seus fundamentos principais até algumas das regras de sua implantação. Aprenderá ainda que, para que o Kaizen obtenha sucesso, deve-se trabalhar de maneira estruturada e sistêmica. Aproveite ao máximo todo o conhecimento disponível durante esta unidade e boas aulas! Aula 1: Raízes do Kaizen O significado da expressão kaizen na língua japonesa é uma “mudança para me- lhor”. Ou seja, a busca pela constante mudança, com o intuito de melhorar con- tinuamente todos os processos de uma empresa, como produção, qualidade, engenharia e produtividade, usando o mínimo de recursos financeiros possível. Melhoria contínua pode ser conceituada da seguinte forma: “[...] atividade regu- lar para aumentar a capacidade de satisfazer” (ABNT, 2005, p. 11). A Norma NBR ISO 9000:2005 nos dá o seguinte conceito de Melhoria Contínua: “[...] atividade recorrente para aumentar a capacidade de atender requisitos”. Daí, diz-se que para aplicar os conceitos do Kaizen faz-se necessário o envolvi- mento de todas as pessoas da organização no sentido de buscar, de forma cons- tante e sistemática, o aperfeiçoamento dos produtos e processos empresariais. 51Unidade 3 Gestão da Qualidade e da Produtividade Essa melhoria contínua está condicionada a mudanças de hábitos, mas cabe res- saltar que essas mudanças devem ser planejadas. Várias ferramentas podem ser utilizadas com o intuito de se estabelecer um processo de melhoria contínua, dentre estas destaca-se o Kaizen. A metodologia do Kaizen, assim como os demais conceitos japoneses, prioriza a implantação de melhorias dentro da própria organização, sem que seja necessá- ria intervenção externa, como consultores. Esse conceito foi difundido por Imai em 1990, no qual divulgou uma gama de inovações da gestão japonesa que até o momento eram vistas de maneira isolada, como: � Controle e Gestão da Qualidade Total; � Just-in-Time e Kanban; � Zero Defeitos; � Círculos de Qualidade; � Sistemas de Sugestões, entre outros. De acordo com o mesmo autor, existem 10 regras a serem seguidas pelo Kaizen: � buscar a eliminação dos desperdícios; � buscar a melhoria contínua e gradativa; � envolver a todos no processo de mudanças, desde colaboradores até a alta administração, independentemente de sua função ou classificação hierárqui- ca; 52 Gestão da Qualidade e da Produtividade � não condicionar a implantação de melhorias aos altos investimentos, pois, segundo a metodologia Kaizen, pode-se aumentar consideravelmente a pro- dutividade sem que haja custos exorbitantes; � basear-se em uma gestão de total transparência dos procedimentos, proces- sos, valores, com uso de recursos visuais para que todos estejam a par dos problemas e dos desperdícios; � focalizar especificamente na produção, pois trata-se do lugar onde se cria o valor; � orientar os processos; � priorizar as pessoas, pois são a partir delas que surgirão as melhorias; � pode ser aplicável a qualquer negócio; � tem como fundamento principal de aprendizagem que só se aprende fazen- do. Confira, a seguir, alguns dos inúmeros benefícios de se utilizar esses conceitos/ regras: � percepção de erros ainda na fonte, o que permite menos perdas e soluções mais rápidas; � correção rápida de detalhes percebidos durante o processo produtivo, pois conta-se com a participação de todos os colaboradores para o processo de melhoria contínua trazendo inúmeros benefícios para a organização; � melhoria na qualidade do produto nas entregas e nos custos, gerando satis- fação do cliente e ascensão da empresa em seu ramo de negócio; � envolvimento dos colaboradores na busca por um ambiente de trabalho, mais agradável e saudável. Como administrar e gerenciar as mudanças Para ajudar na administação e no gerenciamento das mudanças, confira algu- mas sugestões de melhorias. � Negociar as mudanças propostas com os colaboradores. � Demonstrar as mudanças na organização. � Desenvolver desenhos e layout para melhorar os resultados. � Incentivar a discussão entre os colaboradores sobre inovações e mudanças. Como você já pode observar, a base do Kaizen é a comunicação e o envolvi- mento de todos. 53Unidade 3 Gestão da Qualidade e da Produtividade À medida que os funcionários tomam conhecimento de todos os detalhes de seu processo, podem usar suas habilidades para ajudar a melhorar o processo do qual ele participa. Quanto mais envolvidos eles estiverem com o processo, mais comprometidos com a melhoria contínua eles estarão, e os resultados se- rão sentidos nos custos do negócio. Por isso, busca-se desenvolver nos funcio- náriios a capacidade de pensar nas atividades com o objetivo de melhorá-lo a cada dia, diminuindo as despesas da empresa e alimentar a ideia de mudanças positivas e continuadas. A metodologia Kaizen direciona oportunidades e incentiva o profissional em seu trabalho, para que as metas coletivas estabelecidas pela empresa sejam atingidas. Nesse conceito, o trabalho em equipe prevalece sobre o individual. O ser humano deve ser valorizado e o trabalho deve ser visto como um proces- so que pode ser desenvolvido e melhorado. Desse modo, o colaborador desen- volve seu trabalho melhorando-o continuamente, alcançando assim uma redu- ção de custos para a empresa com mudanças significativas. Nota É importante frisar que a metodologia Kaizen consiste em trabalhar de maneira estruturada e sistêmica. Onde se procura assegurar que seus processos utilizados na empresa atendam satisfatoriamente as necessidades dos seus clientes, resolvendo os problemas, não apenas no momento atual, mas de maneira precisa e continuamente, bus- cando a eficácia dos processos de forma consolidada. 54 Gestão da Qualidade e da Produtividade Confira a seguir uma representação gráfica da metodologia Kaizen: Figura 3 – Representação gráfica da metodologia Kaizen Como visto anteriormente, o Kaizen utiliza-se de recursos visuais para manter a comunicação e consequentemente o envolvimento de todos os colaboradores. Observe, a seguir, um modelo de representação gráfica que pode ser utilizado pelo Kaizen. 55Unidade 3 Gestão da Qualidade e da Produtividade Figura 4 – Modelo de representação gráfica Kaizen Relembrando Você finalizou mais uma aula e nela aprendeu que o significado da expres- são Kaizen, na língua japonesa, é “uma mudança para melhor”, ou seja, a busca pela constante mudança com o intuito de melhorar continuamen- te todos os processos de uma empresa, como a produção, a qualidade e engenharia, e a produtividade dessas áreas, usando o mínimo de recursos financeiros possível. Na próxima aula, você aprenderá mais sobre as etapas da metodologia Kaizen e, assim, dar continuidade aos seus estudos neste curso. Até a próxima aula! Colocando em prática Antes de seguir para a próxima aula, que tal realizar uma atividade? Então, já sabe, acesse o AVA! 56 Gestão da Qualidade e da Produtividade Aula 2: Etapas da metodologia Kaizen A implantação da metodologia Kaizen é centrada em alguns estágios descritos na figura a seguir. Figura 5 – Estágios da metodologia Kaizen Segundo a ISO 9000:2005, o conceito de processo é “[...] um conjunto de ativi- dades interelacionadas ou interativas que transforma entradas em saídas”. Rastrear e selecionar as oportunidades de melhoria Para que a metodologia do Kaizen tenha sucesso, é fundamental que se tenha em mente que não há nada tão bom que não possa ser melhorado.Por isso, a primeira etapa de aplicação do Kaizen é a avaliação do processo, que deve ser feita com um olhar crítico, em busca de opções de aperfeiçoamento. Assim, o objetivo desta etapa é descobrir quais as etapas do processo represen- tam o maior potencial de ganho, medido em termo de aumento da satisfação do cliente, posição relativa à concorrência e otimização de recursos. Por isso é importante reforçar que você esteja bem familiarizado com o con- ceito de processo e conheça a fundo todas as etapas do processo em que está inserido, tendo em mente as respostas para as seguintes perguntas: 57Unidade 3 Gestão da Qualidade e da Produtividade Figura 6 – Etapas do Processo Outras questões de grande importância nessa etapa de conhecimento do pro- cesso e planejamento são: � Quais são os principais motivos para se iniciar esse projeto de melhoria? � Quais são os principais objetivos da melhoria que está sendo proposta? � Quais recursos estarão disponíveis? Por quem? � Qual o limite de gastos? � Quais os limites do processo? � Quais os responsáveis pela equipe de melhoria? Essas perguntas servirão de base para que a equipe tenha certeza do alvo a ser alcançado. E, já que as perguntas finalizando falam sobre os responsáveis da equipe, confi- ra como deve ser a definição da equipe envolvida: A equipe ideal seria aquela composta por membros com as seguintes caracte- rísticas: � um cientista: sistematiza e organiza informações; � um explorador: curiosidade é a característica marcante; � um guerreiro: consegue viabilizar e pôr em prática uma ideia; � um artista: estabelece conexões e vê os fatos sobre diferentes prismas; � um juiz: enxerga as implicações envolvidas e seleciona a melhor alternativa. � Independentemente das suas características individuais, todos devem pos- suir algumas qualidades fundamentais: � mente aberta às mudanças; � espírito de positivismo (otimista); � disposição para tirar dúvidas (compartilhar conhecimento); 58 Gestão da Qualidade e da Produtividade � criterioso em preparar bem o ambiente sem falhas; � respeito pelos colegas; � aceitar, sem discutir, quando sua ideia não é considerada a melhor (por vo- tação); � entender que não existem perguntas bobas; � conhecer o método Kaizen e o processo avaliado. As equipes devem ser compostas por funcionários de diferentes departamentos da empresa. A equipe, ou mesmo a diretoria, define um líder que conduzirá as reuniões até o fim desse projeto. Esse líder pode vir de dentro das equipes de funcionários dos departamentos envolvidos, porém o mais aconselhável é ser de um ambiente completamente diferente do qual irá liderar. Ele fornecerá suporte para o desenvolvimento das mudanças e correções, mas a responsabilidade do sucesso ou do fracasso deve ser compartilhada por toda a equipe. Precisa ser entendido que o tempo gasto nas equipes Kaizen é um investimento para o negócio e para as melhorias dos processos e da produtividade. Portanto, esse processo chamado Kaizen tem como objetivo identificar, corrigir e eliminar os problemas, dando continuidade ao aprimoramento e à qualidade constante dos processos para atingir a eficiência e a eficácia na produtividade das organizações. Relembrando Você aprendeu, nesta aula, que a implantação da metodologia Kaizen é centrada nas pessoas, nos materiais, na tecnologia, na infraestrutura, no processo e no produto. Viu também que o processo é conceituado pela ISO 9000:2005 como um conjunto de atividades interelacionadas ou interativas que transforma entreadas em saídas. Aguarde que na próxima aula você aprenderá as demais etapas da metodologia Kaizen. Até lá! Colocando em prática Não deixe de fazer uma nova leitura de todo o conteúdo estudado. E aproveite também para realizar a atividade desta aula, acessando o AVA. 59Unidade 3 Gestão da Qualidade e da Produtividade Aula 3: Etapas da metodologia Kaizen (continuação) Na aula anterior você conheceu uma das etapas da metodologia Kaizen. Confira agora as demais. Definir metas de melhoria De posse de todas as informações sobre o processo, deve-se ter em mente quais são as necessidades de aperfeiçoamento. Caso já tenham sido estipuladas as metas, podem-se usar esses parâmetros para melhoria. Se objetivos e metas ainda não foram definidos, pode-se realizar o levantamento da diferença entre o que o cliente deseja (voz do cliente) e o que o processo produz (voz do processo). O ponto a salientar nesse item é o cuidado que se deve ter em definir as metas. Estas devem ser desafiadoras, mas não inatingíveis. Caso contrário, poderá oca- sionar efeitos não desejáveis em toda a equipe que esteja participando desse processo de implantação de melhorias. Avaliação do processo atual Nesse ponto é importante salientar que a prévia avaliação do processo servi- rá de base para identificar quais os motivos que impedem o meu processo de alcançar as metas, lembrando que essas metas podem ter sido estipuladas pela organização ou por você, para aperfeiçoar seu processo. Após ter feito a avaliação para identificar as causas que impedem o resultado satisfatório do processo avaliado, verifique a relação dessas causas com os de- mais processos da empresa. Dica Você lembra do conceito de processo? Se não lembra, dê uma olhadinha no material, pois é importante você ter sempre em mente o que é processo. 60 Gestão da Qualidade e da Produtividade Por esse motivo é importante que você tenha certeza que não existe nenhuma influência negativa de outra atividade. Caso exista, é hora de compartilhar suas dificuldades e pedir ajuda. Lembra que na primeira aula você viu que as metas coletivas estabelecidas pela empresa devem ser atingidas? Nesse conceito, o trabalho em equipe prevalece sobre o individual. Verificação das alternativas de aperfeiçoamento Agora que você identificou os pontos que precisam ser ajustados e a possível influência de outras atividades no seu processo, chegou finalmente a hora de tomar uma ação para tentar corrigir as falhas no seu processo, de forma que este processo alcance suas metas. Crie e desenvolva testes que proporcionem as melhorias no desempenho do processo avaliado. Verifique se existem possibilidades de mudanças na sistemá- tica do processo, maior produtividade, qualidade, flexibilidade ou confiabilida- de. Se der certo, será uma conquista sua juntamente com os envolvidos nessa ati- vidade. Lembre-se de dividir o crédito com todos. É importante frisar que, para que haja ações propriamente ditas, é necessário que haja um planejamento. Partindo desse princípio dize-se que o Kaizen também se baseia no ciclo PDCA, onde é necessário Planejar, Executar, Checar e somente depois Agir corretiva- mente ou preventivamente. Definição das melhorias Nessa etapa, você vai documentar a operacionalização das mudanças. Geral- mente faz-se necessária a aprovação de melhorias. Verifique em sua empresa como se dá esse processo de homologação. 61Unidade 3 Gestão da Qualidade e da Produtividade A partir dessa etapa é importante que todos saibam o que deverá ser feito para que as metas sejam alcançadas. E com o comprometimento por parte das pessoas envolvidas no processo, bem como padronização e normatização das mudan- ças, é bem provável que as metas a longo prazo sejam atingidas. Monitore continuamente seu processo. Defina, em um plano de ação, a sistemática para monitorar e controlar continuamente as ações que foram definidas para a implementação da melho- ria. Assim você estará garantindo a consolidação das modificações executadas e auxiliando a desco- berta de novas oportunidades de melhoria. Vale lembrar que é muito importante realizar o monitoramento das ações, ou seja, se o método estabelecido a partir da melhoria está sendo rigo- rosamente seguido por todos os colaboradores. Caso contrário, as metas não serão alcançadas, mas a melhoria não será estabelecida. Caso durante o monitoramente sejam percebi- dos desviosna meta ou no método estabelecido, deve-se atualizar o plano de ação, com a descrição do problema identificado e sua respectiva ação de correção. PADRONIZAÇÃO: Disposição oficial com que se explica e se facilita a execução de uma lei ou decreto; regulamentação. 62 Gestão da Qualidade e da Produtividade Relação do Kaizen com o ciclo PDCA São objetivos do Planejamento (P), do PDCA: Planejar � conhecer a situação atual; � estabelecer as metas a serem atingidas; � estabelecer os métodos e recursos para atingir as metas; � definir a forma de medir o alcance das metas. Você observou as semelhanças? Essas etapas que acabaram de ser citadas fa- zem referência ao ciclo PDCA, porém como você pode notar são praticamente as mesmas etapas consideradas nas etapas de planejamento da metodologia Kaizen. Como você poderá conferir, as demais etapas do ciclo, citadas a seguir, também não se diferenciam muito das etapas que você viu para aplicar a metodologia Kaizen. Executar � Educar e treinar. � Executar o trabalho conforme o planejamento. � Coletar dados para a verificação. Verificar � Verificar se a execução ocorreu conforme o planejado. � Verificar se os resultados esperados foram alcançados. Agir � Padronizar e manter as ações bem-sucedidas. � Tomar as ações corretivas para as falhas detectadas. � Melhorar continuamente. 63Unidade 3 Gestão da Qualidade e da Produtividade Relembrando Nesta aula, você conferiu as demais etapas da metodologia Kaizen, e conheceu o ciclo PDCA (Planejar, Executar, Verificar e Agir). Conheça um pouco mais sobre as demais etapas da metodologia Kaizen na pró- xima aula e dê continuidade aos seus estudos dentro deste curso. Até mais! Colocando em prática Hora de exercitar! Acesse o ambiente virtual e teste o seu conhecimen- to. Finalizando Nesta unidade, você aprendeu que Kaizen é uma metodologia que tem o intuito de estabelecer um processo de melhoria contínua dentro da própria organização, com a participação de todos os colaboradores, pois acredita-se que quanto mais envolvidos eles estiverem com o processo, mais comprometidos estarão em melhorá-lo continuamente. Para que essas melhorias sejam disseminadas, não há necessidade de intervenção externa, como consultores, o que é diferente das práticas europeias. Você aprendeu todas as etapas de implantação desta metodologia, desde os seus fundamentos principais até algumas das regras de sua implantação, e viu que o sucesso na implantação dessa metodologia está condicionado ao modo de se trabalhar: de maneira estruturada e sistêmica. Você também estudou a inter-relação do Kaizen com a ISO 9000 e pôde observar que as etapas de implantação do Kaizen e o ciclo PDCA têm muitas coisas em comum. 65 4ISO 9.000 Objetivos de Aprendizagem Ao final desta unidade, você estará apto a: � saber o que é normalização e conhecer suas vantagens; � conhecer a International Standard Organization (ISO), sua história e atividades, bem como um de seus produtos mais conhe- cidos (a série 9000 de normas sobre qualida- de). � analisar casos de aplicabilidade e desenvol- ver mecanismos para implementação. Aulas Acompanhe, nesta unidade, o estudo das aulas seguintes: Aula 1: Qualidade e normalização Aula 2: International Standard Organization - ISO Aula 3: Ferramentas da ISO 66 Gestão da Qualidade e da Produtividade Para iniciar Nas Unidades 1 e 2, você estudou o que é qualidade, seus princípios e o que são os chamados sistemas de gestão da qualidade. Como você pôde observar, o conceito de qualidade pode estar fundamentado tan- to em características objetivas e mensuráveis (peso, altura etc.) quan- to em características subjetivas (beleza, charme etc.), podendo ainda variar conforme os objetivos, os anseios e as necessidades do público a ser atendido. Dito isso, pode-se perguntar: quais implicações o tema qualidade tem na vida das pessoas e nas atividades das empresas e instituições? No mundo moderno, fala-se constantemente em qualidade e na sua busca, entretanto, na prática, poucas pessoas têm clareza sobre o sig- nificado dessas expressões; sobre como transformá-las em objetivos ou quais os caminhos para alcançá-los e mantê-los em nossas atividades e atitudes. Em vista disso, as instituições normalizadoras de vários países busca- ram a elaboração de procedimentos unificados e reconhecidos para as práticas que uma empresa ou instituição pode implementar a fim de atender plenamente os requisitos de qualidade a ela apresentados pelos mercados, clientes ou usuários. O mais conhecido e utilizado sistema para o gerenciamento da qualida- de de empresas e instituições é o conjunto de normas chamado, gene- ricamente, de ISO 9000. Nesta unidade, você estudará este conjunto de normas, sua história, evolução, suas aplicações e seus mecanismos de implementação. Portanto, seja bem-vindo ao mundo da ISO 9000 por meio da terceira unidade do curso Gestão da Qualidade e da Produtividade, da Qualifi- cação Profissional Supervisor Inovador do SENAI. 67Unidade 4 Gestão da Qualidade e da Produtividade Aula 1: Qualidade e normalização Voce já parou para se perguntar por que a maioria das pessoas tende a procurar sempre os mesmos produtos e serviços em situações do cotidiano? Será que isso se deve ao fato de essas pessoas terem assimilado algumas características desses produtos e serviços que atenderam às suas finalidades? Sabe-se que alterações nessas características podem levar, inicialmente, a decepções e à necessidade de um novo processo de assimilação, como a rea- ção dos consumidores a produtos sem uniformidade, como os ovos da figura a seguir. Figura 7 – Ovos sem padrão único Muitos autores apresentam definições para qualidade. Para este curso, foram selecionadas algumas definições que atendem aos objetivos de aprendizagem. 68 Gestão da Qualidade e da Produtividade Qualidade Para o businessdictionary, qualidade é entendida como uma “medida de ex- celência ou um estado de estar livre de defeitos, deficiências e significativas variações”. Na Norma ISO 8402-1986, qualidade é definida como “[...] a totalidade das fun- cionalidades e características de um produto ou serviço que tem a sua capaci- dade para satisfazer explícitas ou implícitas necessidades.” (ABNT, 1986, p. 4). Em textos sobre manufatura, qualidade é uma rigorosa e coerente adesão a ca- racterísticas mensuráveis e verificáveis para alcançar a uniformidade da produ- ção, satisfazendo especificações e requisitos de clientes e usuários. Alguns autores diferenciam os critérios objetivos e subjetivos da qualidade: � Objetivos: aspectos mensuráveis e verificáveis de uma coisa ou fenômeno, expressos em números ou quantidades, como leveza ou peso, espessura ou magreza, maciez ou dureza. � Subjetivos: atributos, características ou propriedades de uma coisa ou fenô- meno que podem ser observados e interpretados, e podem ser aproximados (quantificados), mas não podem ser medidos, como a beleza, sentir o sabor etc. Para o Dicionário Aurélio, qualidade é: 1 Propriedade, atributo ou condição das coisas ou das pessoas capaz de distingui-las das outras e de lhes determinar a natureza. 2 Numa escala de valores, qualidade é o que permite avaliar e, consequente- mente, aprovar, aceitar ou recusar, qualquer coisa (HOLANDA, 1988, p. 453). Agora pense e responda mentalmente: para você, o que é qualidade? Onde se pode encontrar referências sobre critérios de qualidade? 69Unidade 4 Gestão da Qualidade e da Produtividade Normalização Normalização, ou normatização, como também é chamado, é o processo para definir e divulgar procedimentos, parâmetros e indicadores para que uma determinada atividade ou produto tenha sempre um resultado predefinível e controlável pe- las partes interessadas, ou seja, a qualidade. O documento sistematicamente construído e aprovado após consulta pública, trazendo pro- cedimentos consolidados para uma determinada finalidade,é conhecido como norma e em todo o mundo diversas organizações nacionais assumiram a função de produzir e controlar normas nacionais. Alguns exemplos são: � NBR Normas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas (Brasil); � DIN Normas do Deutsches Institut fuer Nor- mung (Alemanha); � BSI – British Standards Institution (Reino Unido); � ANSI – American National Standards Institute (Estados Unidos da América). No passado, a falta de unidade normativa levou ao surgimento de produtos com características incompatíveis em diferentes países, como: auto- móveis com volante no lado esquerdo ou no lado direito; parafusos com roscas milimétricas ou em polegadas; trens com diferentes bitolas de trilhos; televisores com o sistema de cores em PALM, PALN ou NTSC; documentos em papel A4, letter ou ofício etc. Com o aumento das trocas de produtos e serviços entre os países, ficou cada vez mais necessária a unificação das normas entre os países. Em resposta a isso, foi criada uma organização internacional encarregada da unificação dos procedimentos entre os países. Essa organização é a International Standard Organization (ISO). NORMALIZAÇÃO: Disposição oficial com que se explica e se facilita a execução de uma lei ou um decreto; regulamen- tação. 70 Gestão da Qualidade e da Produtividade Relembrando O tema desta aula foi qualidade. A qualidade é entendida como uma me- dida de excelência ou um estado de estar livre de defeitos, deficiências e significativas variações. Você aprendeu que normalização, ou norma- tização, como também é chamado, é o processo para definir e divulgar procedimentos, parâmetros e indicadores para que uma determinada atividade ou produto tenha sempre um resultado predefinível e controlá- vel pelas partes interessadas, ou seja, a qualidade. Na próxima aula você conhecerár melhor a International Standard Organization (ISO). Até lá! Aula 2: International Standard Organization (ISO) A International Standard Organization (ISO) é a maior instituição do mundo para o desenvolvimento de normas. Desde 1947 já publicou mais de 16.500 normas internacionais, abrangendo áreas como agricultura, construção civil, engenharia mecânica, dispositivos médicos, tecnologia da informação e outras, conferindo à Instituição um caráter multisetorial. Como a ISO surgiu? Conforme relatado no site da ISO, ela surgiu da união de duas organizações, a ISA (Federação Internacional de Associações Nacionais de Padronização), funda- da em Nova York no ano de 1926, e o UNSCC (Comitê das Nações Unidas para Coordenação de Normas), estabelecido em 1944, com sede também em Nova York. Em outubro de 1946, delegados de 25 países, reunidos no Instituto de Engenheiros Civis, em Londres, decidiu criar uma nova organização internacio- nal, cujo objetivo seria “facilitar a coordenação internacional e a unificação dos padrões industriais”. A nova organização (ISO) iniciou suas atividades em 23 de fevereiro de 1947. 71Unidade 4 Gestão da Qualidade e da Produtividade Os primeiros anos Em abril de 1947, uma reunião em Paris elaborou uma lista de 67 comissões técnicas, cerca de dois terços das quais baseadas em comissões existentes ante- riormente na ISA. No início dos anos 1950, os comitês técnicos da ISO estavam começando a produzir o que era conhecido na época como “recomendações”. A ideia básica da padronização internacional do pós-guerra foi derivar as nor- mas internacionais de algumas normas nacionais já desenvolvidas. Em seguida, o texto era reconhecido nos diferentes países. Naquela época, portanto, as re- comendações da ISO tiveram apenas o objetivo de influenciar as normas nacio- nais existentes. A primeira Assembleia Geral da ISO foi organizada em Paris em 1949. O even- to foi realizado no grande anfiteatro da Universidade de Sorbonne. Conforme relatado por Raymond Frontard, o ex-diretor-geral da AFNOR, “[...] uma casa repleta, incluindo o presidente da República Francesa, Vincent Auriol, e o diretor geral da UNESCO, Jaime Torres Bodet. Para os jovens de hoje é difícil imaginar o quão longe estávamos, naquele momento, do ponto de vista global que agora parece tão familiar. A terra era um arquipélago de mundos distintos.” (ABNT, 2010). Funcionamento da Organização O Plano Estratégico da ISO é aprovado por seus membros para um período de cinco anos. Os membros da ISO, representando seus próprios países, são divi- didos em três categorias: organismos membros (titulares); membros correspon- dentes e membros assinantes. Apenas os titulares têm direito a voto. A Assembleia Geral reúne anualmente os principais executivos da ISO e os de- legados dos membros titulares. Os correspondentes e assinantes podem parti- cipar somente como observadores. A Diretoria inclui, além do presidente, dois vice-presidentes (de política e de gestão técnica), o tesoureiro e um secretário- geral. A Assembleia Geral da ISO decide sobre o relatório anual, o plano estra- tégico, o orçamento e o balanço financeiro. Os Estatutos da ISO determinam que a Assembleia Geral é a instância máxima da Organização, enquanto as funções de governança são realizadas pelo Con- selho em conformidade com as políticas estabelecidas pelos organismos mem- bros. O Conselho se reúne duas vezes por ano e sua composição é rotativa para garantir que seja representativa da composição da ISO. Todos os organismos membros são elegíveis para o Conselho. 72 Gestão da Qualidade e da Produtividade Os aspectos técnicos de desenvolvimento e avaliação de Normas são definidos nos Comitês de Política de Desenvolvimento. A instância responsável pela ges- tão global do trabalho técnico, incluindo a formação de grupos consultivos, é o Conselho Técnico. As operações da ISO são geridas pelo secretário-geral (CEO), que se reporta ao Conselho. A Secretaria-geral é baseada em Genebra (Suíça), fornece apoio técnico e administrativo aos membros da ISO, coordena de forma descentrali- zada padrões de desenvolvimento e publicação de resultados e também atua como secretaria dos órgãos, comitês de desenvolvimento de políticas e de seus órgãos subsidiários. Você certamente já ouviu falar na ISO 9000. Confira, a partir de agora, o que é, como foi criada e qual a sua finalidade. A série de normas ISO 9000 Para conduzir e operar com sucesso uma organização, é necessário dirigi-la e controlá-la de maneira transparente e sistemática, ou seja, de forma que to- dos compreendam os processos internos e sem casuísmos ou improvisações. A implementação e a manutenção de um sistema de gestão devem ser concebi- das para melhorar continuamente o desempenho, levando em consideração, ao mesmo tempo, as necessidades de todas as partes interessadas. Ou seja, a ad- ministração de uma organização contempla a gestão da qualidade entre outras disciplinas de gestão. A família ISO 9000 trata do “gerenciamento da qualidade”. Isso significa que a organização que aplicar os procedimentos dessas Normas poderá atender aos requisitos de qualidade dos clientes e aos requisitos regulamentares aplicáveis. Isso certamente conduzirá à satisfação do cliente e à melhoria contínua do de- sempenho da organização. Na sua versão brasileira, a norma recebe o acrônimo NBR de “Normas Brasilei- ras” no início do nome, passando a chamar-se de NBR ISO, sendo a série com- posta pelas seguintes normas que foram desenvolvidas para apoiar organiza- ções, de todos os tipos e tamanhos, na implementação e operação de sistemas de gestão da qualidade eficazes: � NBR ISO 9000/2000 – Sistemas de gestão da qualidade, fundamentos e vo- cabulário; � NBR ISO 9001/2008 – Requisitos para um sistema de gestão da qualidade; � NBR ISO 9004/2000 – Diretrizes para a eficácia e a eficiência do sistema de gestão da qualidade; � ISO 19011 – Diretrizes para auditoria de sistemas de gestão da qualidade e do meio ambiente. 73Unidade 4 Gestão da Qualidade e da Produtividade Juntas, elas formam um conjunto coerente de normas sobre sistema de gestão da qualidade,facilitando a compreensão mútua no comércio nacional e interna- cional. Para que você possa estudar corretamente a série de Normas NBR ISO 9000, é importante que sua organização adquira inicialmente exemplares das Normas NBR ISO 9000 e 9001 e, assim, propicie o contato direto com a linguagem e com os processos organizacionais das normas. Na série ISO 9000, foram identificados oito princípios de gestão da qualidade, os quais são assim descritos pela norma (ABNT, 2005, p. 2-3): Foco no cliente: “Organizações dependem de seus clientes e, portanto, é recomendável que atendam às necessidades atuais e futuras do cliente, os seus requisitos e procu- rem exceder as suas expectativas”; Liderança “Líderes estabelecem a unidade de propósito e o rumo da organização. Convém que eles criem e mantenham um ambiente interno, no qual as pessoas possam estar totalmente envolvidas no propósito de atingir os objetivos da organiza- ção”; Envolvimento de pessoas “Pessoas de todos os níveis são a essência de uma organização, e seu total en- volvimento possibilita que as suas habilidades sejam usadas para o benefício da organização”; Abordagem de processo “Um resultado desejado é alcançado mais eficientemente quando as atividades e os recursos relacionados são gerenciados como um processo”; Abordagem sistêmica para a gestão “Identificar, entender e gerenciar os processos interelacionados como um siste- ma contribui para a eficácia e eficiência da organização no sentido desta atingir os seus objetivos”; 74 Gestão da Qualidade e da Produtividade Melhoria contínua “Convém que a melhoria contínua do desempenho global da organização seja seu objetivo permanente”; Abordagem factual para tomada de decisão “Decisões eficazes são baseadas na análise de dados e informações”; Benefícios mútuos nas relações com os fornecedores “Uma organização e seus fornecedores são interdependentes, e uma relação de benefícios mútuos aumenta a capacidade de ambos em agregar valor”. Enfim, a série de normas sobre gestão da qualidade cria uma linguagem, um ambiente e um enfoque unificado para todos aqueles que estejam envolvidos com as questões de definição, controle e manutenção da qualidade. No uso das normas, você deve fazer diferença entre os requisitos para sistemas de gestão da qualidade e os requisitos para produtos. Os requisitos para siste- mas de gestão da qualidade são especificados na NBR ISO 9001. Esses requisi- tos são genéricos e aplicáveis às organizações de qualquer tipo, sejam elas de serviços, indústria, públicas ou privadas. Enfim, independentemente da catego- ria da organização, a NBR ISO 9001 não estabelece requisitos para produtos. Os requisitos para produtos podem ser especificados pelos clientes, pelas orga- nizações, antecipando-se aos requisitos dos clientes ou por requisitos regula- mentadores. Os requisitos para produtos e, em alguns casos, para os processos associados, podem estar contidos em, por exemplo, especificações técnicas, normas de produto, normas de processo, acordos contratuais e requisitos regu- lamentadores. Relembrando Você chegou ao final de mais uma aula. Agora você aprendeu que a família ISO 9000 trata do “Gerenciamento da qualidade”. Isso significa que a orga- nização que aplicar os procedimentos destas normas poderá atender aos requisitos de qualidade dos clientes e aos requisitos regulamentares aplicá- veis. Isso certamente conduzirá à satisfação do cliente e à melhoria contínua do desempenho da organização. Na próxima aula você aprofundará o seu estudo dando continuidade ao assunto, Então, até lá! 75Unidade 4 Gestão da Qualidade e da Produtividade Colocando em prática Chegou a hora da atividade. Verifique no ambiente virtual e bons estu- dos! Aula 3: Ferramentas da ISO A política e os objetivos da qualidade são necessários para dar foco a uma or- ganização, determinando quais os resultados desejados e auxiliando na aplica- ção dos recursos. A política da qualidade fornece uma estrutura para estabelecer e analisar criticamente os objetivos da qualidade. Os objetivos da qualidade precisam ser consistentes com a política da qualidade e o comprometimento para melhoria contínua, e seus resultados precisam ser medidos. O cumprimento dos objetivos da qualidade pode ter um impacto positivo na qualidade do produto, na eficácia operacional e desempenho financeiro, conduzindo assim à satisfação e confiança das partes interessadas. (ABNT, 2005, p. 4-5) Documentos do sistema de gestão da qualidade Para que servem? Uma vez definidos a política, os objetivos e os procedimentos; somente a do- cumentação poderá assegurar a comunicação do propósito e a consistência da ação. Seu uso, conforme a norma contribui para: � atingir a conformidade com os requisitos do cliente e a melhoria da qualida- de; � prover treinamento apropriado; � assegurar a rastreabilidade e a repetibilidade; � prover evidência objetiva; � avaliar a eficácia e a contínua adequação do sistema de gestão da qualidade. Convém que a geração da documentação não seja um fim em si mesmo, mas uma atividade que agregue valor. (ABNT 2005, p. 6) 76 Gestão da Qualidade e da Produtividade Pergunta Como é avaliado um sistema de gestão da qualidade? Segundo a norma, a avaliação do sistema de gestão da qualidade deve verificar em cada um dos processos avaliados, se: a O processo está identificado e apropriadamente definido? b As responsabilidades estão atribuídas? c Os procedimentos estão implementados e mantidos? d O processo é eficaz em alcançar os resultados requeridos? As respostas a essas perguntas podem determinar o resultado da avaliação de um sistema de gestão da qualidade, que pode variar no escopo e compreender uma série de atividades, como: auditoria, análise crítica do sistema de gestão da qualidade e auto-avaliações. (ABNT, 2005, p. 6). Auditoria A conferência da efetiva implementação dos procedimentos das normas sobre gestão da qualidade é feita por meio de auditorias, que, entre outras fontes de informação, são usadas também para a análise crítica do sistema da qualidade. A Norma ABNT NBR ISO 9000/05 (2005, p. 6-7) define auditorias como “[...] processos sistemáticos, documentados e independentes, para coletar evidências e avaliá-las objetivamente, determinando a extensão na qual os critérios esco- lhidos são atendidos”. As auditorias são classificadas em três tipos: Quadro 2 – Classificação das auditorias Auditoria de primeira parte São auditorias internas conduzidas pela própria organização, ou em seu nome, para formar a base de uma autodeclaração de conformidade. Auditoria de segunda parte São auditorias conduzidas pelas partes que têm um interesse na organização, a exemplo de clientes ou outras pessoas em seu nome. Auditoria de terceira parte São conduzidas por organizações externas. Es- sas organizações fornecem certificados ou regis- tro de conformidade com requisitos, tais como os da NBR ISO 9001 e NBR ISO 14001:1996 77Unidade 4 Gestão da Qualidade e da Produtividade Quando sistemas de gestão da qualidade e ambiental são auditados juntos, é chamado de “auditoria combinada”, sendo as diretrizes obtidas na ISO 19011. As auditorias, tanto as internas (autoavaliação) quanto as externas, servem para a busca pela melhoria contínua em uma organização. Entretanto, para que essa busca contínua pela melhoria seja efetiva, os parâmetros analisados devem es- tar sujeitos a controles estatísticos. As diretrizes sobre estatística em um sistema de gestão da qualidade são dadas pela Norma ABNT ISO/TR 10017. Reflita Quando você está checando o sistema de gestão da qualidade de sua empresa, que tipo de auditoria é essa? Nessa ocasião, você poderá auditar também o sistema de gestão ambiental de sua empresa? Como é chamado este tipo de auditoria? Qual a norma que fornece as diretrizes para este trabalho? É importante comparar a nossa organização com alguma outra? Modelos de excelência Sim, as organizações devemrealizar comparações do seu desempenho por meio dos modelos de excelência. Os critérios de avaliação dos modelos de excelência fornecem a base para uma organização comparar o seu desempenho com o desempenho de outras organizações e, segundo a norma, com as se- guintes vantagens: � permitem a uma organização identificar seus pontos fortes e suas oportuni- dades de melhoria, � preveem disposições para avaliação com base em modelos genéricos, � fornecem uma base para melhoria contínua, e � preveem disposições para o reconhecimento externo (ABNT, 2005, p. 8). Pergunta Onde se pode aplicar essas normas? 78 Gestão da Qualidade e da Produtividade Aplicabilidade Estas normas são aplicáveis a: � organizações que buscam vantagens através da implementação de um siste- ma de gestão da qualidade; � organizações que buscam a confiança nos seus fornecedores de que os re- quisitos de seus produtos serão atendidos; � usuários dos produtos; � aqueles que têm interesse no entendimento mútuo da terminologia utilizada na gestão da qualidade (por exemplo: fornecedores, clientes, órgãos regula- dores); � aqueles, internos ou externos à organização, que avaliam o sistema de gestão da qualidade ou o auditam, para verificarem a conformidade com os requisitos da NBR ISO 9001 (por exemplo: auditores, órgãos regulamentado- res e organismos de certificação); � aqueles, internos ou externos à organização, que prestam assessoria ou trei- namento sobre o sistema de gestão da qualidade adequado à organização; � grupos de pessoas que elaboram normas correlatas. (ABNT, 2005, p. 3). Pergunta Como implementar a gestão da qualidade em uma organização? Abordagem de sistemas de gestão da qualidade Uma abordagem para desenvolver e implementar um sistema de gestão da qualidade consiste em várias etapas, apresentadas a seguir: � determinação das necessidades e expectativas dos clientes e das outras par- tes interessadas; � estabelecimento da política da qualidade e dos objetivos da qualidade da organização; � determinação dos processos e responsabilidades necessários para atingir os objetivos da qualidade; � determinação e fornecimento dos recursos necessários para atingir os obje- tivos da qualidade; � estabelecimento de métodos para medir a eficácia e a eficiência de cada processo; � aplicação dessas medidas para determinar a eficácia e a eficiência de cada processo; 79Unidade 4 Gestão da Qualidade e da Produtividade � determinação dos meios para prevenir não conformidades e eliminar suas causas; � estabelecimento e aplicação de um processo para melhoria contínua do sis- tema de gestão da qualidade. (ABNT, 2005, p. 4). Essa abordagem é também aplicável para a manutenção e melhoria de um sis- tema de gestão da qualidade existente. Uma organização que adota a abordagem acima mencionada gera confiança na capacidade de seus processos e na qualidade de seus produtos, e fornece uma base para melhoria contínua. Isto pode conduzir ao aumento da satisfação dos clientes e das outras partes interessadas e, também, ao sucesso da organização. (ABNT, 2005, p. 4) Abordagem de processo Qualquer atividade, ou conjunto de atividades, que usa recursos para transfor- mar insumos (entradas) em produtos (saídas) pode ser considerado como um processo. Para que as organizações funcionem de forma eficaz, elas têm de identificar e gerenciar processos inter-relacionados e interativos. Frequentemente, a saída de um processo resultará diretamente na entrada do processo seguinte. A iden- tificação sistemática e a gestão dos processos empregados na organização e, particularmente, as interações entre tais processos são conhecidas como “abor- dagem de processos”. A norma fomenta a adoção da abordagem de processo nas organizações. Relembrando Nesta aula, você acompanhou algumas ferramentas da ISO, como: auditoria, documentação, aplicabilidade e abordagem do processo. Confira, na próxima aula, mais informações sobre a International Standard Organization. Colocando em prática Pronto para mais uma atividade? Então acesse o AVA, pois a atividade já está disponível. Aproveite também para trocar informações com os colegas e o professor tutor. 80 Gestão da Qualidade e da Produtividade Finalizando Relembrando os aprendizados desta unidade sobre a ISO 9000, você conheceu alguns conceitos sobre qualidade, que é o tema foco dessa gestão. Conheceu também que normalização, ou normatização, é o processo para definir e divulgar procedimentos, parâmetros e indicado- res para que uma determinada atividade ou produto tenha sempre um resultado predefinível e controlável pelas partes interessadas, ou seja, a qualidade. A história dos surgimentos da ISO também foi incluída neste estudo e, como você pôde perceber, a séria ISO 9000 trata do “Gerenciamento da qualidade” para atender aos clientes e aos requisitos regulamentares aplicáveis. Outro conhecimento importante adquirido é que a política da quali- dade e os objetivos da qualidade são necessários para dar foco a uma organização, determinando quais os resultados desejados e auxiliando na aplicação dos recursos. E que uma vez definidos a política, os objeti- vos e os procedimentos, somente a documentação poderá assegurar a comunicação do propósito e a consistência da ação. Você aprendeu também que auditorias são processos sistemáticos, documentados e independentes, para coletar evidências e avaliá-las objetivamente, determinando a extensão na qual os critérios escolhidos são atendidos. E que se deve realizar comparações do desempenho do programa por meio dos modelos de excelência. Confira mais informações importantes na unidade que segue. Bons estudos! 81 5Análise de Problemas e Tomada de Decisão Objetivos de Aprendizagem Ao final desta unidade, você estará apto a: � conhecer e utilizar as ferramentas e o plano de melhoria contínua (PDCA) para um bom gerenciamento da qualidade em sua empresa; � identificar as técnicas de análises de proble- mas, sabendo trabalhar com essas técnicas. Aulas Acompanhe, nesta unidade, o estudo das aulas seguintes: Aula 1: O ciclo PDCA Aula 2: Métodos para identificação de problemas Aula 3: Método para solução de problemas 82 Gestão da Qualidade e da Produtividade Para iniciar Chegou a hora de estudar um assunto que vai ajudar a melhorar a pro- dutividade e ter um bom gerenciamento da qualidade ao lidar correta- mente com os problemas: a análise de problemas e tomada de decisão. Dessa forma, você estudará uma ferramenta gerencial de tomada de decisões para garantir o alcance das metas necessárias à sobrevivência de uma organização e auxiliar a implementação do processo de melho- ria contínua: o ciclo PDCA (em inglês Plan, Do, Check e Action). Você verá que o PDCA tem sido aplicado principalmente nas normas de sistemas de gestão, mas seu uso pode ser estendido a qualquer organi- zação de forma a garantir o sucesso nos negócios, independentemente da área ou do departamento (vendas, compras, engenharia etc). Para a análise dos problemas, você estudará algumas técnicas de iden- tificação, como Brainstorming, Diagrama de Ishikawa, Matriz GUT, Cinco por quês etc. E, por fim, depois de ter aprendido a utilizar algumas ferramentas para descobrir as causas, você conhecerá uma ferramenta muito eficaz no acompanhamento de problemas e excepcionalmente útil para o proces- so de implementação da melhoria contínua: a Matriz 5W1H, ou seja, a utilização de planos de ações. Essa matriz se baseia em seis perguntas: O quê? Quem? Onde? Por quê? Quando? e Como? É utilizada para garantir que um trabalho seja conduzido sem nenhuma dúvida por qualquer membro da organização. Agrupada a esta ferramenta, você conhecerá outras ferramentas de gestão, como gráficos, cronogramas etc. Aproveite bastante todas as aulas! Aula 1: O ciclo PDCA O ciclo PDCA trata-se de uma ferramenta de fundamental importância para a análise e melhoria dos processos dentro das organizações e paraa eficácia do trabalho em equipe. Esse ciclo foi criado por Walter Shewhart, mas difundido por Deming durante o período pós-guerra, no Japão. 83Unidade 5 Gestão da Qualidade e da Produtividade Hoje em dia, o PDCA é aplicado principalmente nas normas de sistemas de ges- tão, mas seu uso pode ser estendido a qualquer organização de forma a garan- tir o sucesso nos negócios, independentemente da área ou do departamento (vendas, compras, engenharia etc). Trata-se de uma ferramenta ideal para auxiliar de gestão diária das atividades de um administrador, gerente, supervisor etc., pois direciona para uma cultura de planejar qualquer atividade antes de sua realização. Como você pode observar, o ciclo PDCA (em inglês Plan, Do, Check e Action) é uma ferramenta gerencial de tomada de decisões para garantir o alcance das metas necessárias à sobrevivência de uma organização. O ciclo inicia-se pelo planejamento, seguido pela ação ou pelo conjunto de ações planejadas que são executadas. É feita a checagem se o que foi feito estava de acordo com o plane- jado, constantemente e repetidamente (ciclicamente), e toma-se uma ação para eliminar ou ao menos mitigar defeitos no produto ou na execução. Figura 8 – Ciclo PDCA Conheça agora como aplicar cada etapa do ciclo PDCA: Planejamento (PLAN) Na etapa de planejamento, deve-se estabelecer a missão, visão, objetivos (me- tas), procedimentos e processos (metodologias) necessários para se atingir os resultados. 84 Gestão da Qualidade e da Produtividade Execução (DO) A etapa de execução é marcada pela realização das tarefas planejadas (seguindo- se exatamente o que foi planejado). Deve-se monitorar e avaliar periodicamente os resultados, avaliar processos e resultados, confrontando-os com o planejado. Note que os dados que demonstram a execução das tarefas devem ser coletados e armazenados, pois serão utilizados na próxima etapa de verificação do proces- so. Também é importante lembrar que, nessa etapa, a educação e o treinamento na operação de trabalho devem ser executados e monitorados. Verificar, checar (CHECK) Nessa etapa você verificará se o que foi executado foi feito conforme estabe- lecido. E ainda mais importante do que seguir o planejado é verificar se a meta estabelecida foi alcançada, dentro do método definido. Deve-se identificar ainda se existem desvios na meta ou no método estabelecido. Agir corretivamente (ACTION) Caso haja desvios, faz-se necessário definir e realizar ações corretivas que eli- minem as causas do desvio, elaborando planos de ação, de forma a melhorar a qualidade, eficiência e eficácia. Caso não sejam observados desvios, pode-se ainda realizar um trabalho pre- ventivo, identificando quais os desvios poderão ocorrer no futuro, suas causas, soluções etc. Como você pode observar, em casos de detecção ou não de problemas, sem- pre será girado o ciclo. Daí o conceito de que existem dois tipos de metas no clico PDCA: metas para manter, nas quais o ciclo é utilizado para atingir metas padrão, ou para manter os resultados em um certo nível desejado, ou metas para melhorar, nas quais o ciclo tem por objetivo atingir novas metas ou novos resultados, a “maneira de trabalhar” deve ser modificada, ou seja, melhorada. É importante salientar que, por se tratar de um ciclo, deve-se fazer “girar” o PDCA, tendo sempre o cuidado de que todas as fases aconteçam de maneira eficaz, pois somente dessa maneira será possível visualizar os benefícios da melhoria contínua. 85Unidade 5 Gestão da Qualidade e da Produtividade Cabe ressaltar alguns cuidados importantes durante a implantação dessa ferra- menta: � evite realizar algo sem planejamento prévio; � sempre defina os métodos que serão utilizados para o alcance das metas; � treine o seu pessoal para que estes estejam aptos a atingir as metas; � verifique seus resultados periodicamente; � quando necessário, estabeleça e execute as ações corretivas; � e, por último, porém não menos importante: não deixe que o ciclo pare após uma volta. Relembrando Você concluiu mais uma aula e, nela, aprendeu que o ciclo PDCA é uma ferramenta de fundamental importância para a análise e melhoria dos processos dentro das organizações e para a eficácia do trabalho em equipe. Aprendeu também que o ciclo se inicia pelo planejamento, em seguida a ação ou o conjunto de ações planejadas são executadas. Deve ser feita a checagem se o que foi feito estava de acordo com o planejado, constan- temente e repetidamente (ciclicamente), e toma-se uma ação para elimi- nar ou ao menos mitigar defeitos no produto ou na execução. Na próxima aula, você conhecerá alguns métodos para identificação de problemas e, assim, dar continuidade aos seus estudos dentro deste curso. Até lá! Colocando em prática Continue estudando sobre o tema e não deixe de realizar os exercí- cios propostos no AVA! Eles são muito importantes para relembrar os assuntos estudados. 86 Gestão da Qualidade e da Produtividade Aula 2: Métodos para identificação de problemas Como foi visto nas aulas anteriores, o processo de realização de um produto ou serviço está passível de erros/falhas. Mas como identificar o que deu errado? Como resolver esse problema? Existem algumas técnicas para identificar, analisar e solucionar problemas. As próximas aulas desta unidade tratarão de algumas destas técnicas e suas aplica- ções no dia a dia. Brainstorming O seu nome deriva de Brain = mente e Storming = tempestade, que se pode traduzir como tempestade de ideias. Foi um método criado por Alex F. Osbom em 1939. Geralmente é aplicado na fase de planejamento ou na busca de solu- ções. É um método que incentiva a criatividade, pois se pede que um grupo de pes- soas indique o maior número de ideias ou possibilidades, acerca de um tema previamente selecionado (podendo tratar-se de um problema ou de uma solu- ção). Esse método é muito utilizado e o seu objetivo é o trabalho em equipe para identificar problemas, identificar suas causas e possíveis soluções. Mas para que seu sucesso seja garantido é necessário seguir alguns passos: 1 Definição da equipe: geralmente participam os membros do setor que bus- ca identificar o problema. Pode-se convidar pessoas estratégicas de outro setor da empresa. Uma pessoa deve anotar todas as ideias que vão surgin- do. 2 Delimitação do tema: normalmente está relacionado a um problema ou desafio que se quer vencer. 3 Levantamento de ideias: o que importa, nessa etapa, é a quantidade de ideias geradas e não a “qualidade” dessas ideias. Atente-se para não perder o foco e anotar todas as ideias emitidas. 87Unidade 5 Gestão da Qualidade e da Produtividade A ideia deve ser formulada mesmo que em um primeiro instante pareça absur- da, por isso evite quaisquer tipos de crítica. Os participantes devem sentir-se à vontade para emitir qualquer ideia, sem medo de serem constrangidos ou censurados. O coordenador da reunião deve ler todas as ideias até então anotadas. Ao término de um determinado período de tempo (de 10 a 15 minutos), pode-se propor o encerramento dessa etapa, iniciando-se a etapa seguinte. 4 Primeira peneira de ideias: nesse ponto é importante verificar a qualidade das ideias geradas, fazendo uma primeira crítica. Isso pode ser feito respon- dendo à seguinte pergunta: a ideia está voltada para o foco do problema? Se sim, ela continua; se não, é descartada. 5 Agrupamento: agora que se tem certeza que somente restaram ideias que focalizam o problema, estas devem ser agrupadas por semelhança de conte- údo, de forma a gerar subtítulos ou múltiplas respostas. 6 Conclusão: feita uma análise dos tópicos, dos subtítulos ou das respostas, deve-se selecionar aquelas que, combinadas ou isoladamente, respondem à questão exposta no tema. É importante lembrar que é viável tratar um tema de cada vez. E, ao fim, infor- mar ao grupo o resultado da reunião, o plano de ação gerado e a responsabili- dade de cada um para a implementação desse plano. Diagramade Ishikawa Kaoru Ishikawa desenvolveu um eficiente método de identificação de causas e efeitos relacionados com inúmeros problemas encontrados em uma empresa. Posteriormente, esse método foi batizado como Diagrama de Ishikawa, em homenagem ao seu autor, mas também pode ser chamado popularmente de espinha de peixe, por se assemelhar muito com a espinha de um peixe. Figura 9 – Diagrama de Ischikawa 88 Gestão da Qualidade e da Produtividade O enfoque desse método é representar a relação entre o “efeito” e todas as possíveis “causas” que influenciam para este efeito, ou seja, detectar a causa de um problema pela analise dos pontos fracos de uma organização. Esses pontos de análise são representados por setas que indicam as causas que estão gerando o efeito analisado (o problema). Essas causas geralmente estão agrupadas em seis principais áreas que podem, de alguma, interferir no proces- so, ocasionando o problema. Confira! � Máquina: referem-se à análise de todos os aspectos relativos a equipa- mentos e instalações, como: deterioração, manutenção, identificação visual, armazenagem etc. � Método: incluem-se os itens relacionados aos procedimentos e/ou às técni- cas utilizadas, como: clareza, facilidade de execução, dispositivos etc. � Material: aqui devem ser inclusos a qualidade, prazo de entrega, condições de armazenagem etc, relativo a materiais como peças, sobressalentes e matérias-primas. � Mão de obra: incluem-se todos os aspectos relativos às pessoas envolvidas no processo produtivo, como: absenteísmo, pontualidade etc � Medida: nesse caso, leva-se em consideração a confiabilidade e adequação das medidas que possam afetar o processo, como aferição, calibração e con- servação dos instrumentos de medida e ainda frequência de amostragem, inspeção etc.; � Meio ambiente: trata-se das condições ou dos aspectos ambientais que podem afetar o processo, como condições de temperatura, pressão, higiene, iluminação, ruído etc., relacionados ao ambiente de trabalho em geral. É importante salientar que não é obrigatório usar todos os Ms no diagrama. As causas do Ishikawa geralmente são identificadas em reuniões do tipo Brainstorming e descritas nas linhas de cada M relacionado. Mas, para garantir o sucesso dessa ferramenta, é necessário seguir alguns passos importantes: � Identificar o problema a ser analisado, se for mais de um, estes devem ser avaliados por ordem de prioridade de acordo com o tamanho dos danos que cada um deles vem causando na empresa. � Relacionar o maior número possível das causas geradoras do efeito (pro- blema) detectado, fazendo-o de forma participativa, ou seja, promovendo discussões com os colaboradores e estimulando-os a apresentarem uma tempestade de ideias (brainstorming) que poderão contribuir na solução dos problemas. � Monte o diagrama. À frente (no “bico” do peixe) escreva o problema, e nos elementos da espinha coloque as causas, agrupando-as em categorias (Mão de obra, Método, Material, Máquina, Medida e Meio Ambiente). Isso facilita- rá a visualização de todas as causas do problema. 89Unidade 5 Gestão da Qualidade e da Produtividade Depois de cumpridas essas etapas, deve-se avaliar quais as causas mais ur- gentes a serem tratadas e monitorar a sua eficácia por meio do ciclo PDCA. Lembre-se de que para a implementação do diagrama Espinha de Peixe não há limites. Matriz GUT Uma vez detectados, os problemas podem ser priorizados por meio da matriz GUT, pois esta é uma ferramenta extremamente eficaz na priorização de proble- mas, levando em consideração a gravidade, a urgência e a tendência de cada problema. Observe um exemplo de matriz que pode ser utilizada no seu pro- cesso: Tabela 1: Matriz Gut Organização: Processo: Problemas G U T Total Priorização 1 2 3 4 5 Cada possível causa do problema analisado deve ser listada e avaliada (pontua- da) de acordo com os critérios a seguir: Tabela 2: Causas do problema Gravidade Urgência Tendência Pontuação Os prejuízos são gravíssimos É necessária uma ação imediata Se nada for feito, vai piorar de imediato 5 Muito graves Com certa urgência Vai piorar a curto prazo 4 Graves O mais cedo pos- sível Vai piorar a médio prazo 3 Pouco graves Pode esperar um pouco Vai piorar a longo prazo 2 Sem gravidade Não tem Pressa Não vai piorar, pode até melhorar 1 90 Gestão da Qualidade e da Produtividade Gravidade: impacto do problema sobre coisas, pessoas, resultados, processos ou organizações e efeitos que surgirão a longo prazo, caso o problema não seja resolvido. Urgência: relação com o tempo disponível ou necessário para resolver o pro- blema. Tendência: potencial de crescimento do problema, avaliação da tendência de crescimento, redução ou desaparecimento do problema. Após pontuar cada problema, deve-se multiplicar os valores encontrados em cada um (GxUxT), para então encontrar um total de significância de cada pro- blema. Esse total deverá ser classificado em ordem decrescente de pontuação a ser atacado na melhoria do processo. Esse tipo de avaliação pode ser aplicado para estabelecer a melhor priorização dos problemas, direcionando aos investimentos mais urgentes. Lembre-se de que sempre deve haver um consenso entre os membros da equipe que está analisando o problema. Os cinco por quês É um método que tem por objetivo analisar a causa de um problema por meio da pergunta “por quê?”. A pergunta “por quê?” é realizada pelo menos cinco vezes, com o intuito de descobrir a causa de um problema, sempre levando em consideração a resposta que foi dada à pergunta anterior. Geralmente esse método é usado para análise de falhas durante um processo. Após detectar a falha, deve-se detectar o real motivo dessa falha ter ocorrido e daí então realizar ações para mitigar suas causas e ações que impeçam sua reincidência. Apesar de simples, esse método, quando bem aplicado, torna-se uma ferramen- ta bem útil para o gerenciamento de um processo. Relembrando Nesta aula você estudou sobre os métodos para identi- fição dos problemas e conheceu o Brainstorming, o Dia- grama de Ishikawa, a Matriz Gut e os Cinco Por quês. Na próxima aula, você estudará os métodos para solução de problemas. Até mais! 91Unidade 5 Gestão da Qualidade e da Produtividade Colocando em prática Preparado para mais uma atividade? Então acesse o AVA e responda. Utilize também as ferramentas para trocar conhecimentos. Vamos lá! Aula 3: Métodos para solução de problemas Você já conheceu e aprendeu a utilizar algumas ferramentas que ajudam a descobrir as causas, agora chegou a hora de aprender a elaborar um plano de ações, ou seja, tratar o problema de maneira que ele não ocorra novamente. Método 5W1H Para essa etapa, uma ferramenta muito utilizada é a Matriz 5W1H. Trata-se de um checklist utilizado para garantir que um trabalho seja conduzido sem ne- nhuma dúvida por qualquer membro da organização. Essa matriz é composta de seis perguntas: O que, Quem, Onde, Por quê, Quan- do e Como. Geralmente institui-se uma tabela para responder a essas pergun- tas, com o objetivo de ajudar a implementar e monitorar as ações corretivas e/ ou preventivas. Tabela 3: Método 5W1H WHAT (O QUÊ) WHO (QUEM) WHERE (ONDE) WHY (POR QUÊ) WHEN (QUANDO) HOW (COMO) Na pergunta What (O quê), o objetivo é responder o que fazer para solucionar o problema detectado. Logo em seguida, no Who (Quem), define-se o setor e a pessoa responsável por executar cada ação proposta. Sempre indicando o local 92 Gestão da Qualidade e da Produtividade onde a atividade será conduzida, no campo Where (Onde), e estipulando um prazo para a execução de cada atividade, e, se necessário, uma frequência, no campo When (Quando). Para cada uma das soluções inserida na matriz, é preciso estabelecer as metas de melhoria a serem alcançadas. Isso é importante para verificar o nível de me- lhoria a ser incorporado ao processo a partir das ações tomadas. È importante acompanharo desenvolvimento das atividades e o seu impacto nas causas dos problemas (aplicação do PDCA). Caso seja visto que o problema não foi resolvido, deve-se rever todas as etapas do processo, desde a avaliação da causa do problema até a aplicação da planilha. Para avaliar se os resultados estão sendo alcançados, é importante que alguns indicadores sejam previamente estabelecidos e regularmente monitorados. Esse monitoramento permite visualizar a situação atual e o objetivo que se quer alcançar, tornando-se um excelente ponto de partida para a melhoria do pro- cesso. Mas que indicadores seriam esses? Esses indicadores são a quantificação das condições ideais de um processo/produto, considerando a margem mínima de erros. São geralmente adotados pela empresa para controlar e melhorar a qualidade. O acompanhamento desses indicadores por meio dessas ferramentas permite o gerenciamento do processo e consequentemente um bom desempe- nho dos produtos/serviços e processos ao longo do tempo. A representação do monitoramento dos indicadores pode ser feita por meio de gráficos. Por esse motivo, os gráficos também fazem parte da lista de ferramen- tas da qualidade que auxiliam na avaliação dos resultados obtidos, permitindo chegar-se a conclusões sobre a evolução do indicador. Existem várias maneiras de se representar graficamente um dado estatístico, ficando a escolha mais apropriada a cargo da pessoa que fará a análise do indi- cador. Confira alguns exemplos mais usados de gráficos: Figura 10– Representação gráfica de um dado estatístico 93Unidade 5 Gestão da Qualidade e da Produtividade Cronograma Outra forma muito eficiente de se controlar os resultados é estabelecendo e controlando prazos e ações. Isso pode ser feito de maneira muito eficiente por meio da elaboração de um cronograma. Essa ferramenta viabiliza a melhoria do processo, pois cria um roteiro de atividades que se forem seguidas afetarão positivamente o processo de melhoria contínua. Tabela 4: Exemplo de Cronograma CRONOGRAMA Atividades MÊS 01 02 03 04 Essas são algumas das ferramentas que auxiliarão a participar ativamente do processo de melhoria contínua da sua empresa. Relembrando Você aprendeu alguns métodos para solucionar os problemas dentro de uma organização. Conheceu uma ferramenta muito utilizada: a matriz 5W1H. Trata-se um checklist utilizado para garantir que um trabalho seja conduzido sem nenhuma dúvida por qualquer membro da organização. Aprendeu tam- bém sobre o cronograma, que é uma ferramenta que viabiliza a melhoria do processo ao criar um roteiro de atividades que, se forem seguidas, afetarão positivamente o processo de melhoria contínua. Para complementar o estudo deste assunto, você estudará na próxima aula as cinco qualidades do supervisor. Até a próxima aula! Colocando em prática Que tal fazer uma autoavaliação sobre o seu aprendizado nesta aula? É fácil, basta acessar o AVA e responder a atividade. Vamos lá?! 94 Gestão da Qualidade e da Produtividade Finalizando Durante esta unidade, você estudou sobre o ciclo PDCA, que se trata de uma ferramenta gerencial de tomada de decisões para garantir o alcance das metas necessárias à sobrevivência de uma organização. O PDCA é dividido nas seguintes etapas: Planejamento (PLAN): onde se deve estabelecer a missão, visão, objetivos (metas), procedimentos e processos (metodologias) necessários para o atingimentos dos resulta- dos. Execução (DO): etapa marcada pela realização das tarefas plane- jadas (seguindo-se exatamente o que foi planejado). Verificar, checar (CHECK): é a verificação do que foi executado conforme estabelecido, identificando, ainda, se existem desvios na meta ou no método estabe- lecido. Agir corretivamente (ACTION): definição e realização de ações corretivas que eliminem as causas do desvio, elaborando planos de ação, de forma a melhorar a qualidade, eficiência e eficácia. Teve conhecimento do conceito de Brainstorming, que significa tem- pestade de ideias, e tem como objetivo trabalhar em equipe para iden- tificar problemas, suas causas e possíveis soluções. Também conheceu o Diagrama de Ishikawa, que é um método de identificação de causas e efeitos relacionados com inúmeros problemas encontrados em uma empresa. Sobre a Matriz GUT, descobriu que é uma ferramenta extre- mamente eficaz na priorização de problemas, levado em consideração a gravidade, a urgência e a tendência de cada problema. Aprendeu também que a Matriz 5W1H se trata de um checklist utiliza- do para garantir que um trabalho seja conduzido sem nenhuma dúvida por qualquer membro da organização. E é composta por seis pergun- tas: O que, Quem, Onde, Por quê, Quando e Como (em inglês, What, Who, Where, Why, When and How). Confira outras informações bem interessantes na próxima unidade! 95 6Ensinando Corretamente um Trabalho Objetivos de Aprendizagem Ao final desta unidade, você estará apto a: � reconhecer as qualidades que um supervisor deve ter para exercer sua função da melhor forma possível. Aulas Acompanhe, nesta unidade, o estudo das aulas seguintes: Aula 1: As cinco qualidades do supervisor Aula 2: A capacidade de ensinar Aula 3: O planejamento do ensino 96 Gestão da Qualidade e da Produtividade Para iniciar Seja bem-vindo a mais uma unidade de estudo. Nesta unidade, você aprenderá a ensinar corretamente um trabalho e aprenderá as princi- pais habilidades e qualidades que o supervisor deve ter para o apren- dizado efetivo do desenvolvimento do trabalho. Conhecerá, também, o método de supervisão TWI – Training Within Industry (treinamento dentro da indústria), que visa o desenvlvimento das principais habilida- des do supervisor. Também verá como se faz um planejamento de ensino. Continue atento e tenha bons estudos! Aula 1: As cinco qualidades do supervisor Na maioria das empresas, o supervisor é figura fundamental, pois é dele a res- ponsabilidade de, por meio de diretrizes, estabelecer o que e como cada traba- lhador irá executar melhor seu trabalho. Figura 11 – O contexto do supervisor 97Unidade 6 Gestão da Qualidade e da Produtividade Dessa forma, é fundamental que o supervisor esteja capacitado para sua posi- ção de liderança. Sua capacidade de chefiar será o termômetro no cumprimento da política e das diretrizes estabelecidas pela diretoria da empresa, bem como das metas produtivas. Isso é comum em grandes empresas, pois as diretorias estão muito afastadas da execução do trabalho propriamente dito. Assim, faz-se necessário um investimento maciço no treinamento do supervisor em técnica de chefia, o qual deve então ser treinado, principalmente, para o desenvolvimento das seguintes habilidades que são essenciais ao supervisor: � como instruir seu pessoal; � como manter bom estado de relações humanas; � como aperfeiçoar métodos no trabalho. São essenciais ao supervisor, também, treinamentos que desenvolvam as suas habilidades de controle, planejamento, organização e coordenação. Na indústria, o sistema mais adotado de treinamento de supervisão, por ser visto como prático e eficiente, é o método de supervisão TWI – Training Within Industry (treinamento dentro da indústria). Lembre-se de que o supervisor é a figura fundamental dentro de uma organização pois é dele a responsabilidade de, por meio de diretrizes, estabelecer o que e como cada trabalhador irá executar melhor o seu trabalho. Então, partindo do pressuposto, o método TWI tem por objetivo o desenvol- vimento de habilidades do supervisor no sentido de que, assim, a produção esteja assegurada, sejam produzidos produtos de qualidade, os custos estejam sempre dentro do orçamento e que os colaboradores trabalhem em segurança. Pergunta Você sabe quais são as principais qualidades que um supervisor deve ter? Conforme o método TWI, de modo geral, espera-se do supervisor cinco habili- dades essenciais: 1 Conhecimento do trabalho. a informação que distingue uma companhia de outra, como materiais, máquinas,ferramentas, operações, processos ou habilidade técnica. 98 Gestão da Qualidade e da Produtividade 2 Conhecimento das responsabilidades. a posição da companhia com rela- ção a políticas, acordos, regulamentos, réguas de segurança e relacionamen- tos interdepartamentais. 3 Habilidade em instruir. mesmo conhecendo bastante sobre um trabalho e sobre as habilidades desse trabalho, não é possível ensinar se a pessoa não tiver jeito para ensinar, ou seja, habilidade para instruir. 4 Habilidade em melhorar métodos. trata-se de utilizar materiais, máquinas e manpower de maneira eficaz. Os supervisores devem estudar cada ope- ração a fim eliminar, combinar, rearranjar e simplificar detalhes do trabalho. Desse modo, os supervisores podem fazer um uso mais adequado dos ma- teriais, máquinas e do manpower que estão disponíveis. 5 Habilidade em conduzir. Isso ajuda os supervisores a melhorar sua habili- dade em trabalhar com pessoas e faz com que os trabalhadores cooperem no trabalho. Um supervisor que apresenta essas cinco habilidades tem as principais carac- terísticas para tomar decisões rápidas e tratar de problemas como retrabalho, erros, acidentes, atrasos, descuidos e pouca aplicabilidade na execução de um trabalho. Portanto, os supervisores devem saber que, em cada empresa, o conhecimento tanto do trabalho como das responsabilidades são diferentes, mas, se os super- visores são capacitados no desenvolvimento das habilidades de como ensinar e como melhorar um procedimento, ou ainda como conduzir, estarão aptos ao bom desenvolvimento de sua chefia. Relembrando Nesta aula, você conheceu as principais habilidades que o supervisor deve ter, ou seja, como instruir seu pessoal, como manter o bom estado de rela- ções humanas e ainda como aperfeiçoar métodos no trabalho. Conheceu também sobre o método de supervisão TWI – Training Within Industry (treinamento dentro da indústria), que tem como objetivo o desen- volvimento de habilidades do supervisor, no sentido de que, assim, a pro- dução esteja assegurada, sejam produzidos produtos de qualidade, que os custos estejam sempre dentro do orçamento e que os colaboradores traba- lhem em segurança. Na próxima aula você estudará sobre a capacidade de ensinar. Até a próxima aula. 99Unidade 6 Gestão da Qualidade e da Produtividade Colocando em prática Hora de testar seus conhecimentos! Acesse o AVA e resolva a atividade. Aula 2: A capacidade de ensinar Uma necessidade contínua que o supervisor enfrenta é a capacitação de seu pessoal. A habilidade de ensinar de cada pessoa é individual; entretanto, a mesma necessita ser desenvolvida, moldada. O TWI – Training Within Industry (treinamento dentro da indústria), apresenta como método de aprendizagem quatro passos inerentes ao ensino. Veja: Figura 12 – Os quatro passos para o ensino Confira cada um dos passos: 1 - Prepare o aprendiz � Coloque-o à vontade. Explique o trabalho e verifique o que ele já conhece do processo a ser praticado. � Desperte no aprendiz o interesse em aprender o trabalho (fale de sua im- portância para o produto final e as expectativas do cliente, seja ele externo ou interno). 100 Gestão da Qualidade e da Produtividade � Coloque o aprendiz na posição correta (ao seu lado não na frente) e com as ferramentas e equipamentos adequados. Prevenção de acidentes � Assegure-se de que a prevenção de acidentes está adequada. � Mostre toda a planta do prédio onde ele irá atuar, identificando saídas de emergência e equipamentos de prevenção, áreas de perigo e acessos restri- tos. � Explique sobre a importância de usar equipamento de proteção individual (EPI) e faça-o perceber que o uso é obrigatório, conforme a necessidade do posto de trabalho. Padronize o trabalho � Escolha a sua melhor prática. Descreva o processo por etapas e a organi- zação correta do local de trabalho (cada coisa em seu lugar, um lugar para uma coisa). � Determine os meios de controle para que a qualidade do produto seja asse- gurada. 2 - Apresente o trabalho Fale, mostre e ilustre uma fase importante de cada vez. Insista em cada um dos pontos chaves. � Ensine clara, completa e pacientemente, para que o aprendiz possa assimilar, respeitando seus limites. 3 - Faça o aprendiz executar o trabalho � Peça ao aprendiz para fazer o trabalho passo a passo, conforme ensinado. Faça-o explicar cada ponto chave à medida que ele for executando e corrija- o no momento em que errar. � Verifique se ele compreendeu por meio de perguntas. � Prossiga até ter a certeza de que o aprendiz aprendeu a executar a tarefa. 101Unidade 6 Gestão da Qualidade e da Produtividade 4 - Acompanhe o progresso do aprendiz e lhe dê responsabilidades � Encoraje o aprendiz a gostar do trabalho. � Anime-o a fazer perguntas e diga-lhe a quem deve procurar quando precisar de auxílio. � Verifique o trabalho dele e vá, gradualmente, deixando-o trabalhar sem sua interferência. � Ensine-o a guardar o equipamento e manter tudo organizado (local e mate- riais). � Tendo aprendido corretamente, a prática é questão de tempo. Dê-lhe toda a responsabilidade (TRAL, 2010). Viu só como o papel do supervisor é importante na formação da sua equipe? O sucesso do trabalho não é somente daqueles que são formados, mas da equipe toda, que pode, ao final, colher os frutos de um bom grupo de colaboradores. Relembrando Nesta aula, você estudou as principais técnicas que o supervisor deve utilizar para o aprendizado efetivo do desenvolvimento do trabalho e conheceu os principais passos estabelecidos pelo método de supervisão TWI – Training Within Industry (treinamento dentro da indústria) para o ensino. Prepare-se, pois na próxima aula você verá informações importantes sobre o planejamento do ensino. Até lá! Colocando em prática Hora de exercitar! Acesse o AVA e realize a atividade. 102 Gestão da Qualidade e da Produtividade Aula 3: O planejamento do ensino De acordo com o método TWI – Training Within Industry (treinamento dentro da indústria), um dos aspectos a serem verificados no aprendizado é o planeja- mento do ensino. O supervisor deve estar ciente que é extremamente importante saber progra- mar seu treinamento, preparar sua instrução e usar a técnica de preparar o aprendiz, apresentando o trabalho, adotando os cuidados anteriormente men- cionados nas aulas 1 e 2 desta unidade, pois, dessa forma, estará adquirindo um hábito que o auxiliará muito no desempenho da função de ministrar uma instrução constante e eficiente ao seu pessoal. Como “estar preparado para ensinar”? Para estar preparadado para ensinar, o principal “segredo” é um bom planeja- mento do ensino. Para tanto, siga os passos primordiais aqui mencionados. 1 – Faça a tabela do treinamento Você deve estabelecer e/ou determinar entre o pessoal: � quem deve ser treinado; � em que trabalho e quando ser treinado; � definir prazo de início e término do trabalho. 2 – Faça a divisão do trabalho Para fazer a divisão do trabalho, você deve: � determinar as fases importantes; � determinar os pontos-chave. Atenção O tema Segurança no Trabalho sempre deve ser considerado um ponto- chave no aprendizado dos colaboradores. 103Unidade 6 Gestão da Qualidade e da Produtividade 3 – Prepare tudo No dia do treinamento, é fundamental que você tenha tudo preparado. Por isso, é importante reunir todo o equipamento, material e objetos necessários. 4 – Lugar de trabalho Além de ter tudo preparado para o dia do treinamento, é fundamental também que esteja tudo organizado, pois é dessa forma que o aprendiz deverá mantê- lo. Relembrando Nesta aula, você aprendeu como o supervisor deve se organizar no planejamento do ensino seguindo quatro passos importan- tes. Na próxima aula, você estudará sobre a divisão do trabalho e conhecerá a tabela de treinamento. Até lá!. Colocando em prática Novos assuntos esperam por você na próxima aula. Antes, acesse o AVA e responda as atividades preparadasespecialmente para você. Vamos ao estudo! Finalizando Você acaba de concluir mais uma unidade de estudos e nela você conheceu as principais habilidades que o supervisor deve ter, ou seja, como instruir seu pessoal, como manter bom estado de relações huma- nas e ainda como aperfeiçoar métodos no trabalho. Conheceu também o método de supervisão TWI – Training Within Industry (treinamento dentro da indústria), que tem como objetivo o desenvolvimento de habilidades do supervisor, no sentido de que, assim, a produção esteja assegurada e sejam produzidos produtos de qualidade; que os custos estejam sempre dentro do orçamento e que os colaboradores trabalhem em segurança. Aprendeu também sobre as principais técnicas que o supervisor deve utilizar para o aprendizado efetivo do desenvolvimento do trabalho. 104 Gestão da Qualidade e da Produtividade Viu os principais passos estabelecidos pelo método de supervisão TWI – Training Within Industry (treinamento dentro da indústria) para o ensino: preparar o aprendiz; apresentar o trabalho; fazer o aprendiz executar o trabalho e acompanhar o aprendiz. Adquiriu conhecimento de como o supervisor deve se organizar no planejamento do ensino por meio dos passos: tabela de treinamento, divisão do trabalho, prepare tudo e lugar de trabalho. Até a próxima unidade! 105 7O Ensino de um Trabalho Objetivos de Aprendizagem Ao final desta unidade, você estará apto a: � compreender sobre as divisões do trabalho e a tabela de treinamento. Aulas Acompanhe, nesta unidade, o estudo das aulas seguintes: Aula 1: A divisão do trabalho e a tabela de trei- namento Aula 2: Os casos especiais do ensino e as quatro ferramentas Aula 3: Demonstrações e avaliações 106 Gestão da Qualidade e da Produtividade Para iniciar Bem-vindo à sétima unidade de estudos deste curso. Ela é uma conti- nuação do tema “Como ensinar corretamente um trabalho”, iniciado na unidade anterior. Nesta unidade, você conhecerá as principais vanta- gens e desvantagens da divisão do trabalho e entenderá, por meio de exemplos práticos, o método de distinguir e listar as etapas de uma tarefa. Conhecerá, também, como desenvolver a tabela de treinamentos, ou seja, o cronograma dos cursos. Aprenderá algumas técnicas de como manter boas relações humanas no trabalho, as regras que ajudam a manter relações no trabalho sem atritos desgastantes e como conse- guir o estabelecimento de boas relações de trabalho de modo que o supervisor possua um grupo motivado. Por fim, aprenderá também as quatro ferramentas do ensino e como tratar um problema e melhorar o método de trabalho. É, tem muita informação ainda pela frente. Então, mãos à obra e bons estudos! Aula 1: A divisão do trabalho e a tabela de treinamento Conforme o método de supervisão TWI – Training Within Industry (treinamento dentro da indústria), o conceito de divisão do trabalho consiste na padroniza- ção das tarefas profissionais e funções, ou seja, a especialização das mesmas, com a finalidade de dinamizar e otimizar a produção industrial. Esse processo produz eficiência e rapidez ao sistema produtivo. A referida especialização no processo produtivo é consequência da constante expansão comercial e industrial do mundo capitalista. Dessa forma, a divisão do trabalho tem por objetivo especializar o trabalhador na repetição de seus movimentos, condicionando-o a executar o trabalho com maior agilidade e, assim, aumentar a produtividade por meio da redução do tempo gasto com aumento de produção na jornada de trabalho. 107Unidade 7 Gestão da Qualidade e da Produtividade Porém, uma das desvantagens da divisão do trabalho é o surgimento de traba- lhadores com conhecimento de uma única função, ou seja, trabalhadores limi- tados. Assim, é importante a capacitação dos trabalhadores em áreas distintas, com o intuito de se promover a flexibilização funcional. Agora que você aprendeu os conceitos da divisão do trabalho, é hora de enten- der melhor como se dá no processo do ensino correto de um trabalho. O que o aprendiz precisa entender, de início, é: � que na divisão do trabalho, inicialmente, deve-se distinguir e se possível listar as etapas de uma tarefa; � entender as fases importantes da operação, ou seja, a porção do trabalho que possa concorrer para o adiantamento dele; � reconhecer os pontos-chaves, que são qualquer coisa que possa ajudar ou prejudicar o trabalho, evitar ferimento ao operário, facilitar o trabalho, isto é, qualquer habilidade, malícia ou conhecimento especial. Os quadros 2 e 3 apresentam exemplos de divisão de trabalho, seguindo o método anterior- mente mecionado. Quadro 2 – Exemplo de divisão de trabalho para o caso “Dar um nó de segurança em um cabo elétrico de dois condutores” Peça – Cabo elétrico de dois con- dutores Operação – Dar o nó de segurança Fases importantes da operação Pontos-chaves 1 – Destorça e alise os condutores. 1 – Com 15 cm. 2 – Faça o círculo da direita. 2 – Pela frente do cabo e com 5 cm. 3 – Faça o círculo da esquerda. 3 – Puxando a ponta para si, passando por baixo da outra ponta e prenden- dendo por trás do cabo. 4 – Introduza a ponta da direita no círculo da direita. 4 – De trás para frente. 5 – Aperte o nó. 5 – Igualando as pontas, auxiliando com a mão esquerda e com 5 cm. 108 Gestão da Qualidade e da Produtividade Quadro 3 – Exemplo de divisão de trabalho para o caso “Medir uma peça” Peça – Micrômetro Operação – Medir peça Fases importantes da operação Pontos-chaves 1 – Abra o micrômetro. 1 – Segurando pelo pino, catraca e estribo. 2 – Coloque a peça entre a bigorna e o fuso. 2 – Perpendicularmente ao eixo, tendo limpos os contatos. 3 – Aperte o micrômetro. 3 – Girando a catraca até sentir o con- tato do pino com a peça. 4 – Faça a leitura. 4 – Primeiro no cilindro, depois no tambor (centésimo). 5 – Retire a peça. 5 – Desapertando o micrômetro. Relembrando Nesta aula, você aprendeu como o supervisor deve se orga- nizar no planejamento do ensino, por meio de dois exemplos práticos da divisão do trabalho e da elaboração de cronogra- ma de cursos (tabela de treinamento). Na próxima aula, você verá os casos especiais do ensino e as quatro ferramentas. Até a próxima aula! Colocando em prática Está na hora de testar seus conhecimentos. Para isso, utilize o apren- dizado desta aula e responda as questões no AVA. Lembre-se também de que as ferramentas do AVA estão disponíveis para interagir com o professor tutor e os colegas. 109Unidade 7 Gestão da Qualidade e da Produtividade Aula 2: Os casos especiais do ensino e as quatro ferramentas Pare um minutinho agora e pense: você sabe como manter boas relações huma- nas no trabalho? O papel do supervisor na empresa é conseguir a produção por meio do seu pessoal, porém, é de grande importância que o seu pessoal o faça com entu- siasmo e vontade. O método de supervisão TWI – Training Within Industry (treinamento dentro da indústria), apresenta uma sistemática muito eficiente e versátil, baseado em regras que ajudam a manter relações no trabalho sem atritos desgastantes. Confira. 1 – Diga a cada empregado como vai ele no trabalho � Defina o que você espera dele. � Frise os meios de aperfeiçoamento. 2 – Dê valor a quem merece � Tome em consideração todo o trabalho fora da rotina. � Fale com ele enquanto o assunto está “quente”. 110 Gestão da Qualidade e da Produtividade 3 – Avise com antecedência ao pessoal sobre as modificações que irão afetá-los � Se possível, diga-lhe o PORQUÊ. � Consiga que ele aceite a modificação. 4 – Utilize, do melhor modo possível, a capacidade de cada pessoa � Descubra capacidades não aproveitadas. � Não seja obstáculo ao progresso de um empregado. Relembrando Nesta aula, você aprendeu algumas técnicas para o supervisor deve utilizar para manter boas relações humanas no trabalho, ajudar a manter relações no trabalho sem atritos desgastantes e conseguir um estabeleci- mento de boas relaçõesde trabalho tendo um grupo motivado. Na próxima aula, você aprenderá sobre demonstrações e avaliações. Prossiga, e bons estudos! Colocando em prática Agora é uma boa hora para treinar os conhecimentos adquiridos nesta aula. Acesse o AVA e realize as atividades propostas. Mãos à obra! 111Unidade 7 Gestão da Qualidade e da Produtividade Aula 3: Demonstrações e avaliações Uma das principais habilidades que um supervisor deve ter é saber lidar com os problemas. Pergunta Você sabe como tratar um problema? De acordo com o método de supervisão TWI – Training Within Industry (treina- mento dentro da indústria), para tratar um problema inicialmente deve-se deter- minar o objetivo. Para tanto, deve-se seguir as seguintes etapas: 1 – Obtenha os fatos � Reveja a ficha-prontuário; � verifique as normas e costumes da empresa que se relacionam com o caso; � converse com as pessoas interessadas; � colha opiniões e observe sentimentos. 2 – Pondere e decida � Agrupe os fatos, relacionando-os entre si; � verifique as medidas possíveis; � verifique se estão dentro dos regulamentos e costumes da empresa; � considere as medidas frente ao objetivo e seus efeitos no indivíduo, no gru- po e na produção. 3 – Tome providências � Você vai resolver este assunto por si mesmo? � Precisa de alguma ajuda? 112 Gestão da Qualidade e da Produtividade � Será necessário comunicar ao seu chefe? � Escolha bem a oportunidade de agir. 4 – Verifique os resultados � Em que prazo deve ser iniciada a verificação? � Quantas vezes deve ser feita a verificação? � Obeserve alterações nas atitudes e relações. � O objetivo foi alcançado? Dica � Aja sempre com maturidade, seja objetivo e estabeleça boas relações afetivas com o seu pessoal. � Não confunda boas relações afetivas, objetividade e maturidade (quase sinônimos) com tolerância, moleza, ou seja, com um sistema de panos quentes e tapinhas nas costas. Dicas como essas são boas técnicas de relações humanas e importantes ao su- pervisor, pois preveem tanto a motivação como a firmeza e energia, dependen- do sempre do caso objetivo. O aperfeiçoamento constante dos sistemas de trabalho é uma exigência da pró- pria relidade econômica em que vivemos. O supervisor está à frente na luta do trabalho e é o elemento da direção que rotineiramente está sentindo a movimentação da execução do trabalho. E, estando treinado em como melhorar métodos, além das vantagens óbvias de fazê-lo, ele fica em posição de ajudar os especialistas que executam trabalhos de racionalização em seus setores. Nesse contexto, o TWI apresenta cinco passos que o supervisor deverá seguir rigorosamente: 1 registrar as ocorrências de movimentos, termos etc; 2 questionar os dados colhidos para análises; 3 modificar ou eliminar algumas operações improdutivas; 4 descrever novos métodos por meio de ideias surgidas; 5 executar o novo método, treinando-os. 113Unidade 7 Gestão da Qualidade e da Produtividade Relembrando Mais uma aula chega ao fim e nela você aprendeu algumas técnicas direcionadas para o supervisor de como tratar um problema e como melhorar o método de trabalho seguindo algumas etapas. Na próxima unidade, você aprenderá como melhorar um método de trabalho. Continue atento! Colocando em prática Mais uma vez, chegou a hora de acessar o ambiente virtual e realizar a atividade. Vamos lá! Finalizando Você encerrou a Unidade 7. Nesta unidade, você aprendeu sobre como o supervisor deve se organizar no planejamento do ensino, por meio de exemplos práticos da divisão do trabalho e da elaboração de crono- grama de cursos (tabela de treinamento). Aprendeu também algumas técnicas para o supervisor manter boas re- lações humanas no trabalho, ajudar a manter relações no trabalho sem atritos desgastantes e conseguir o estabelecimento de boas relações de trabalho e ter um grupo motivado. Por fim, aprendeu também as qua- tro ferramentas do ensino do método TWI. Conheceu algumas técnicas para o supervisor de como tratar um pro- blema e de como melhorar o método de trabalho seguindo algumas etapas. Na próxima unidade você, verá mais algumas dicas de como melhorar o método de trabalho. Até lá! 115 8Melhorando o Método de Trabalho Objetivos de Aprendizagem Ao final desta unidade, você estará apto a: � diferenciar o programa de treinamento pro- posto por Charles Allen e o Training Within Industry Service – TWI; � diagnosticar as relações de movimentos no ambiente de trabalho e a organização do mesmo. Aulas Acompanhe, nesta unidade, o estudo das aulas seguintes: Aula 1: Melhorando o método de trabalho Aula 2: Princípio de economia dos movimentos Aula 3: Organização de um posto de trabalho 116 Gestão da Qualidade e da Produtividade Para iniciar Seja bem-vindo a mais uma unidade do Módulo Gestão de Qualidade e Produtividade. Esta é a Unidade 8, em que você estudará o tema me- lhorando um método de trabalho. Será abordado como alguns pontos podem ser levados em considera- ção no momento de otimizar uma tarefa, seja no momento da execu- ção ou em quem está executando a mesma. Você conhecerá mais um pouco sobre o programa de treinamento TWI, sobre os princípios e regras de como economizar os movimentos quando uma tarefa está sendo executada, e também como organizar e otimizar um posto de trabalho, levando em consideração vários fatores que influenciam o ambiente de trabalho. Aula 1: Melhorando o método de trabalho Considerando os cargos de chefia dentro de uma organização, o supervisor é o cargo mais próximo da pessoa que executará o trabalho, por isso ele deve estar capacitado para exercer uma boa liderança, evitando afetar negativamente um determinado setor, pois isso poderá causar impactos em outros setores, de forma que toda a estrutura da empresa pode acabar sendo afetada. Portanto, a capacidade desses profissionais é de suma importância para o tema deste cur- so: a gestão da qualidade. O profissional deve ser treinado no que diz respeito à sua ação de supervisor, principalmente nos seguintes itens: � como instruir seus colaboradores; � como manter bom estado de relações humanas; � como aperfeiçoar os métodos de trabalho. É claro que existem mais áreas que precisam ser lapidadas, tais como: plane- jamento, organização, coordenação e controle. Contudo, as primeiras citadas 117Unidade 8 Gestão da Qualidade e da Produtividade tornam-se princípios fundamentais para o desempenho de sua função e para o desenvolvimento do trabalho. Entre os treinamentos direcionados para esse tipo de profissional, um dos mais eficientes, conhecidos e renomados está o TWI. Nas unidades anteriores, você já viu um pouco sobre o TWI. Conheça um pouco mais sobre esse método agora. Durante a Segunda Guerra, houve e necessidade de aumentar a produção para suprir as necessidades do esforço de guerra das Forças Aliadas, por isso foi criado o TWI (Training Within Industry Service). O TWI Service foi liderado por Channing Rice Dooley, Walter Dietz, Mike Kane e William Conover, que usaram métodos desenvolvidos por Charlles Allen para a indústria naval durante a 1ª Guerra Mundial. Os métodos desenvolvidos por Allen foram melhorados, causando um grande impacto desde a indústria manufatureira dos Estados Unidos durante a segunda guerra até os dias de hoje, pois servem de base para a capacitação de supervi- sores e líderes de grandes e pequenas empresas. Os “programas J”, como foram denominados, foram modelados a partir do método de treinamento dos Quatro Passos, de Allen: � Instrução de Trabalho (Job Instruction, JI): o foco desse princípio era ensinar aos supervisores a importância de treinamento apropriado para suas forças de trabalho e como prover este treinamento. � Métodos de Trabalho (Job Methods, JM): o objetivo desse “J” era ensinar como gerar e implantar ideias para melhoria contínua. � Relações de Trabalho (Job Relations, JR): aqui focalizava o ensino de um espírito de liderança erelacionamento humano. No Brasil, essa metodologia começou a ser difundida pelo SENAI por volta de 1952. Desde então, a procura pelos treinamentos tem sido constante. Ainda existem empresários que desconhecem esse excelente método, e acabam utilizando treinamentos de desenvolvimento de chefias de títulos mais sofistica- dos e nem sempre com resultado tão eficaz. O ato de ensinar algo a alguém pode dar um certa insegurança, mas fique tran- quilo, pois ninguém nasce sabendo. Por isso é muito importante praticar um método correto de como ensinar e, como diz o dito popular; “a prática leva à perfeição”. 118 Gestão da Qualidade e da Produtividade Se você que está fazendo esse treinamento for um supervisor, aqui vai uma dica importante: Dica Se em algum momento você se deparar em situações de dificuldade com relação a instrução do seu pessoal, ou for pego de surpresa, ou mesmo não se considere apto a ensinar, esteja sempre aberto a mudanças e disposto a aprender e compartilhar o aprendizado. Lembre-se sempre de que o companheirismo será o grande elo entre você e o colaborador. As relações de trabalho são outro fator de grande influência no resultado do trabalho de um supervisor, pois a maneira como ele trata esses problemas po- derá tanto trazer benefícios como atrapalhar todo o resultado de seu trabalho. Como você já viu nas aulas anteriores, o TWI apresenta algumas regras simples, porém muito eficientes, para trabalhar a equipe de maneira que se alcance o estabelecimento de boas relações de trabalho, evitam o desgaste e ajudam a manter a sua equipe motivada. Vale a pena relembrar essas regras: � dê continuamente o feedback ao seu funcionário, mantendo-o informado de como está o desempenho dele no trabalho; � valorize o desempenho dele e, se houver alguma modificação que possa afetá-lo, procure avisá-lo com antecedência; � procure aproveitar a capacidade individual de cada colaborador.Trate com respeito suas individualidades. As melhorias, em qualquer situação, são resultados tanto de ações preventivas como corretivas, por isso é muito importante saber lidar com os problemas e resolvê-los de maneira eficiente, caso contrário, além de parar o processo de melhoria contínua, corre-se o risco de entrar em um retrocesso, causando da- nos enorme à organização. Como aprendido desde o início deste curso, os problemas, quando são tratados de maneira adequada, além de serem resolvidos podem ainda proporcionar grandes mudanças no processo produtivo de uma empresa, alavancando inú- meras melhorias que farão desta organização um diferencial no mercado. Daí nota-se a importância de todos os envolvidos no processo produtivo, em especial o supervisor. E como a ideia deste treinamento é disseminar a filosofia do TWI como ferramenta para soluções de problemas, veja as dicas que essa filosofia repassa e aproveite-as ao máximo: 119Unidade 8 Gestão da Qualidade e da Produtividade a Determine os objetivos � Conheça o problema. Quanto mais você tiver conhecimento sobre eles, melhor você saberá como resolvê-los. � Certifique-se de que tem o histórico completo e o objetivo correto. b Analise primeiro, depois tome a decisão � Não tire conclusões precipitadas. c Tome providências � Não fuja da responsabilidade. d Verifique os resultados � Confira se o objetivo foi alcançado. Então, é necessário tratar os problemas com eficiência, pois, com a competitivi- dade existente nos dias de hoje, a palavra de ordem é melhoria contínua. Aos supervisores é atribuída a responsabilidade de visualizar cada método de trabalho com um olhar crítico, para que cada dia possa seja mais produtivo, porque voce está no comando, incentivando as pessoas a buscarem a melhoria e trazendo para si essa responsabilidade. Existem cinco passos no método TWI que devem ser seguidos pelo supervisor para garantir o alcance das metas: � registro de todas as ocorrências de movimentos, tempos etc.; � questionamento dos dados coletados para análises; � modificação ou eliminação de operações avaliadas como improdutivas; � descrição de novos métodos originados de ideias; � execução de novos métodos treinados, mesmo que apenas tentativas. Com o uso constante do TWI, algumas empresas chegaram a introduzir outras fases, tais como: � segurança do trabalho; � liderança de reuniões; � programa de treinamento; � racionalização do trabalho; � motivação no trabalho. 120 Gestão da Qualidade e da Produtividade Apesar dessas inserções não fazerem parte do TWI, podem ser utilizadas como complemento no treinamento dos supervisores. Relembrando Você aprendeu, nesta aula, que infelizmente as melhorias não são resultado apenas de ações preventivas, mas também de ações corretivas. Por isso é importante saber lidar com os pro- blemas e resolvê-los eficientemente, caso contrário, além de parar o processo de melhoria contínua, corre-se o risco de entrar em um retrocesso, causando danos enormes à organizacão. A próxima aula trará o assunto: Princípios de Economia dos Mo- vimentos. Até lá! Colocando em prática A aula seguinte vai ser muito interessante e ajudará a compreender melhor o assunto estudado. Mas antes, não deixe de realizar a ativida- de proposta no AVA. Lembre-se de utilizar as ferramentas do ambiente virtual para compartilhar informações e tirar dúvidas com o professor tutor e os colegas. Preparado? Aula 2: Princípios de economia dos movimentos Os princípios gerais de economia dos movimentos servem de base à formação de um conjunto de normas que permite o conhecimento do estudo dos movi- mentos. Esses princípios são divididos em quatro grupos: 1 princípios da economia de movimentos em relação ao emprego do corpo humano; 2 princípios da economia de movimentos em relação à disposição do posto do trabalho; 121Unidade 8 Gestão da Qualidade e da Produtividade 3 princípios da economia de movimentos em relação ao emprego de ferra- mentas e dispositivos; 4 sistematização do posto de trabalho. Conheça melhor cada um desses grupos de princípios: Princípios da economia de movimentos em relação ao emprego do corpo humano Os movimentos físicos estão divididos em cinco categorias de acordo com as partes do corpo humano; � movimentos dos dedos; � movimentos dos dedos e dos pulsos; � movimentos dos dedos, dos pulsos e do antebraço; � movimentos dos dedos, do pulso, do antebraço e do braço; � movimentos dos dedos, do pulso, do antebraço, do braço o do corpo. Para que se evite a fadiga e aumente a produtividade, adotam-se algumas reco- mendações: � os movimentos das mãos devem ser tão breves quanto os permita o trabalho; � as duas mãos não devem permanecer motivas ao mesmo tampo, a não ser em período do repouso; � as duas mãos devem começar e terminar seus movimentos ao mesmo tempo; � os movimentos dos braços devem ser efetuados simultaneamente em dire- ções opostas e simétricas. Conforme essa rotina de movimentos vai entrando no cotidiano do trabalhador, seu ritmo se eleva e executa com menor esforço e fadiga as operações que lhe cabem. O ritmo é estabelecido pelas principais condições de: � habilidade do operário em trabalho repetitivo; � cadências curtas; � fluxo balanceado de materiais. 122 Gestão da Qualidade e da Produtividade Princípios da economia de movimentos em relação ao posto de trabalho As condições ecológicas do ambiente merecem ser observadas com atenção, tendo em vista que a temperatura ambiental exerce um efeito direto sobre a eficiência do operário. Eles podem se tornar mais lentos em razão do maior desgaste físico em temperaturas muito elevadas ou excessivamente baixas, pre- judicando o processo produtivo. Princípios da economia de movimentos em relação ao emprego de ferramentas e dispositivos Os princípios da economia de movimentos estão intimamente relacionados ao emprego de ferramentas e dispositivos: � as ferramentas devem ser dispostas no local de trabalho de forma que sejam prontamenteencontradas para utilização; � deve ser exigida do colaborador a limpeza e organização de seu posto ao final do trabalho; � quando possível, é conveniente combinar duas ou mais ferramentas em uma só ; � os cabos de manivelas e parafusadeiras devem ter tamanho de forma que a mão tenha espaço suficiente para uma plena fixação, principalmente quando sobre elas se exerça considerável esforço. Sistematização do posto de trabalho O posto de trabalho deve ser estudado de acordo com as suas finalidades produtivas, levando-se em consideração as características físicas do operador, como peso e altura, para melhor adaptabilidade no posto de trabalho. Ao examinar um posto de trabalho, deve-se considerar os seguintes aspectos: � relação com o operário; � relação com as máquinas/ferramentas materiais; � influências dos fatores ecológicos (temperatura, umidade, ventilação, lumi- nosidade etc.). Relembrando Como você pôde acompanhar nesta aula, os princípios gerais de economia dos movimentos servem de base para a formação de um conjunto de normas que per- mite o conhecimento do estudo dos movimentos. Na próxima aula, você terá uma continuação desse assun- to, aprendendo mais sobre a organização de um posto de trabalho. Até lá! 123Unidade 8 Gestão da Qualidade e da Produtividade Aula 3: Organização de um posto de trabalho O posto de trabalho é a unidade elementar de um processo produtivo, da sequência de trabalho ou da própria organização, pois, regra geral, corresponde a cada indivíduo e à respectiva tarefa. É constituído pelo homem e pelos instrumentos e meios auxiliares indispensáveis à realização da tarefa (CENCAL, 2004, p. 47). Em termos de organização de um posto de trabalho, deve-se considerar a disposição das máquinas, equipamentos e ferramentas de tal modo que a sua utilização pelo homem, no sentido da tarefa, se torne mais rápida, eficiente e econômica, e menos perigosa e fatigante. Para organizar um posto de trabalho, tanto para cria como para otimizar o es- paço, deve-se considerar os seguintes aspectos: � fazer um levantamento exaustivo de todas as tarefas e subtarefas, mesmo as menores, com as respectivas durações; � fazer um mapa das deslocações no interior da zona de produção; � envolver todos os que trabalham diretamente para incluir as suas opiniões; � redesenhar várias vezes a implementação até encontrar a melhor possível; � efetuar as mudanças necessárias o mais depressa possível, fora das horas de trabalho; � avaliar as melhorias, medindo os novos tempos. (PME, 2010). A organização dos equipamentos implementados deve respeitar o fluxo coeren- te dos produtos no processo de fabricação, ou seja: � evitar que um produto se desloque para frente e para trás, � evitar “cruzamentos” ao longo do processo; � agrupar as máquinas e equipamentos por processo; � agrupar setores que realizem trabalhos similares; � criar áreas de circulação com dimensões adequadas à finalidade e ao tráfego previsto. 124 Gestão da Qualidade e da Produtividade Todas as movimentações internas devem acrescentar valor ao produto em fase de fabricação. “Dispor os equipamentos ruidosos o mais longe possível das áreas de ocupação humana e utilizar equipamentos de maiores dimensões como ‘ecrans’ de pro- tecção acústica” (CENCAL, 2004, p. 48). Relembrando Nesta aula, você aprendeu que, em termos de organização de um posto de trabalho, deve-se considerar a disposição das má- quinas, equipamentos e ferramentas de tal modo que a sua uti- lização pelo homem, no sentido da tarefa, se torne mais rápida, eficiente, econômica, e menos perigosa e fatigante. Colocando em prática Para frizar bem o aprendizado, faça uma nova leitura do conteúdo es- tudado e acesse o ambiente virtual para realizar a atividade. Finalizando Você chegou ao final da última unidade e, nela, você aprendeu que, infelizmente, as melhorias não são resultado apenas de ações preventi- vas, mas também de ações corretivas. Por isso é importante saber lidar com os problemas e resolvê-los eficientemente, caso contrário, além de parar o processo de melhoria contínua, corre-se o risco de entrar em um retrocesso, causando danos enormes à organizacão. Aprendeu também que os princípios gerais de economia dos movimen- tos servem de base para a formação de um conjunto de normas que permite o conhecimento do estudo dos movimentos. 125Unidade 8 Gestão da Qualidade e da Produtividade Aprendeu que, em termos de organização de um posto de trabalho, deve-se considerar a disposição das máquinas, equipamentos e ferra- mentas de tal modo que a sua utilização pelo homem, no sentido da tarefa, se torne mais rápida, eficiente, econômica e muito menos peri- gosa e fatigante. Com essa unidade você conclui o curso de Gestão em Qualidade e Produtividade. Utilize o conhecimento adquirido no seu dia a dia, e sucesso! 127 JOSÉ OLAVO BRAGA, é engenheiro ambiental formado pela ULBRA Manaus e mestre em Ciências Florestais e Ambientais pela Universidade Federal do Amazonas. Atualmente, é professor na ULBRA Manaus e empresário nas áreas de engenharia e meio ambiente. Foi coordenador dos cursos de Engenharia Ambiental da ULBRA Manaus e coorde- nador dos setores de geoprocessamento da Agên- cia Reguladora de Serviços Públicos do Amazonas (ARSAM) e da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana de Manaus. Conhecendo o autor 129 Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 9000 Sistemas de gestão da qualidade: Fundamentos e vocabulário. Rio de Janeiro, RJ: 2005. ______. NBR ISO 8402 Gestão da qualidade e ga- rantia da qualidade: terminologia. Rio de Janeiro, RJ: 1994. CENCAL – Centro de Formação Profissional para a Indústria de Cerâmica. GPC: gestão da produ- ção cerâmica. Caldas da Rainha. 2004. Disponível em: <http://www.cencal.pt/pt/livro/Cap4-A%20 organiza%C3%A7%C3%A3o%20do%20Posto%20 de%20Trabalho.pdf>. Acesso em: 30 jul. 2010. HOLANDA, A. B., Dicionário Aurélio Escolar da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, RJ: Nova Fron- teira, 1988. JURAN, Joseph M. A qualidade desde o projeto: os novos passos para o planejamento da qualidade em produtos e serviços. São Paulo, SP: Pioneira, 1992c. (Coleção Novos Umbrais). PME NEGÓCIOS. Como fazer um plano de opera- ções. 2010. Disponível em: <http://www.pmelink. pt/article/pmelink_public/EC/0,1655,1005_41301- 3_41097--View_429,00.html>. Acesso em: 20 jun. 2010. TRAL, Treinamento Vivencial. Ensinando um traba- lho: Dicas de como ensinar o trabalho a um novo funcionário. Disponível em: <http://www.treinamen- tovivencial.com.br/1101310.html>. Acesso em: 2 ago. 2010. 130 XAVIER, Daniel Botelho; SENA, Michel André da Silva. Estudo de tempos para o aumento da produtividade na construção civil. Universidade da Amazônia – UNAMA. Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas. Belém – PA. 2001. Disponível em: <http://www.nead.unama.br/site/bibdigital/ monografias/aumento_produtividade.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2010.