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SISTEMA TEGUMENTAR Universidade Estadual de Londrina – Departamento de Anatomia Caixa Postal 10.011 – CEP 86.057-970 Londrina– Paraná Professor: Paulo Romanelli Alunas: Giovana Bertoncini, Mariane Ricciardi O que é o Sistema Tegumentar? É o sistema que recobre o todo o corpo humano, protegendo-o de atrito, desidratação, invasão de microorganismos e radiação ultravioleta. Tem papel sensorial, síntese de vitamina D (região abdominal) e outras proteínas como a melanina e a queratina, na termorregulação, excreção de íons, na secreção de lipídios protetores e leite, absorção cutânea e comunicação do estado imunológico do indivíduo. Pele O sistema tegumentar é formado pela pele e seus anexos, que são as glândulas sudoríparas, glândulas mamárias, unhas, pelos e dentes. Epiderme A epiderme, a parte mais externa que denominamos comumente de pele é de origem ectodérmica cutânea, inicialmente formada por uma camada de tecido epitelial simples. Com o decorrer do tempo essa camada passa a ser duas, sendo a mais externa constituída por células mais achatadas queratinizadas (epitélio pavimentoso).As principais funções do tecido epitelial são de revestimento e secreção. A epiderme é a camada protetora de todo o ser humano, por essa razão dependendo da região encontra-se maior quantidade de camadas epiteliais e de queratina como nas mãos e pés que sofrem maior atrito, região conhecida como pele grossa. Já no restante do corpo é encontrada a pele delgada, aquela menos queratinizada com menor possibilidade de sofrer atrito. Importante também dizer que a epiderme é inervada, porém não vascularizada, por essa razão suas camadas vão se tornando cada vez mais pavimentosas e menos nutridas pois toda a nutrição vem da lâmina basal por difusão fazendo com que as células mais afastadas morram mais facilmente. A epiderme é dividida em cinco camadas de queratinócitos ( células especializadas do tecido epitelial, corresponde à 80 % dele, causam as invaginações da epiderme na derme vistas nas unhas e fazem a síntese de queratina) ( figura 1). - Estrato basal: onde estão contidas as células tronco da epiderme. Devido a sua alta atividade mitótica, também é denominado germinativo, por essa razão também as células são colunares e sintetizam filamentos de citoqueratina; são aderidas diretamente na lâmina basal através de hemidesmossomos. Essa região possui também terminações nervosas. Nesse estrato também são encontrados os melanócitos (corresponde a 8% da epiderme, que ao oxidar tirosina por uma enzima dão o pigmento escuro da melanina que se concentra no núcleo com o objetivo de proteger o material genético dos raios UV) e as células de Merkel que é um receptor de sentidos que será explicado mais à frente. - Estrato lúcido: um estrato muito comumente não citado nos livros por ser exclusivo de lábios,mãos e pés, além de ser extremamente fino e claro. - Estrato espinhoso: onde se encontram em excesso as células de Langerhans, que apresentam antígenos precursores da medula óssea. Essas células fagocitam corpos estranhos encontrados na pele e processam antígenos que levaram esses corpos para o linfócito T, que iniciam a resposta imunológica. Essas células participam principalmente de reações alérgicas, além de sintetizar proteínas utilizadas no estrato granuloso. - Estrato granuloso: formado de células pavimentosas (onde ocorre a síntese do colesterol), ácidos graxos livres, e organelas cerosas que são unidas à corpos lamelares que são exocitados por essa camada para criar a impermeabilidade contra a água. - Estrato Córneo: camada superficial da epiderme, que possui proteínas como a involucrina que se agrega a membrana plasmática das células para expressá-la. Também há proteínas como a filagrina que promove a compactação da queratina. Há uma barreira de lipídios que impede a saída de nutrientes do organismo. Essa camada é a camada de células mortas, com função de absorver o atrito, evitar a perda de água e a invasão de microorganismos. São organelas facilmente degradáveis pois não possuem os desmossomos como as outras células de tecido epitelial. Figura 1 - Epiderme. Fonte: Mundo Estética O crescimento dessas células ocorre na camada basal a partir de células tronco, através de sua queratinização. As células emergem e, após seu período vital (4 semanas), a apoptose ocorrerá, assim como a escamação, naturalmente. Derme Também denominada de cório, cutis ou pele verdadeira é uma camada mais profunda e espessa que a epiderme, mais rija e flexível. Essa característica ocorre devido ao tecido conjuntivo e sua quantidade variável de fibras elásticas e nervos e à vasta vascularização sanguínea e linfática. Consequentemente, é uma camada muito bem nutrida da pele. Nessa camada há a maior presença de glândulas sudoríparas e sebáceas, nervos, receptores sensoriais livres ou encapsulados. As livres circundam os folículos pilosos e tem função mecanorreceptora e noci receptora (recepção de dor), já as encapsuladas estão envolvidas por tecido conjuntivo, como os corpúsculos de Meissner, Pacini, Ruffini e bulbos terminais de Krause. Nessa camada também se encontram os folículos pilosos e acúmulos celulares. É mais espessa na porção dorsal do corpo que na porção ventral, essa relação se repete em relação à porção lateral com a medial dos membros. Nas pálpebras, escroto e pênis essa camada é extremamente delicada e fina. O limite entre epiderme e derme é bastante irregular, devido às projeções da derme sob a epiderme ( papilas dérmicas - figura 2) e das projeções da epiderme sobre a derme ( cristas epidérmicas - figura 2), que aumentam a área de contato entre as superfícies, dando maior resistência à pele. A derme pode ainda conter células musculares lisas nas regiões das aréolas mamárias e escroto (músculos dartos). Nessa região é onde ocorrem as estrias, ou ainda fibras musculares esqueléticas como as da face. Esse tecido é dividido em duas camadas: - Camada pendicular ou superficial: consiste em numerosas eminências vasculares altamente sensitivas, as papilas são eminências cônicas com extremidades arredondadas ou achatadas.É constituída de tecido conjuntivo frouxo, composto por fibras elásticas. Figura 2 - Camada Pendicular . Fonte: Tegumentos Pele e Anexos Embrionários - Aprender - Camada reticular ou profunda: é a camada em maior quantidade, feita de tecido conjuntivo fibroelástico (denso não modelado) e tecido adiposo, composto sobretudo de feixes de colágeno, dispostas em diferentes direções para conferir resistência ao estiramento. É uma camada totalmente distensível (caso de gravidez e obesidade). As células dessa camada são principalmente fibroblastos (figuras 3 e 4) e histiócitos (figura 5). Nas camadas mais profundas da camada reticular se encontram as glândulas sudoríparas, sebáceas, folículos pilosos e a origem dos pêlos.Figura 3 - Fibroblasto. Fonte: Histologia Básica - Junqueira Carneiro Figura 4 - Fibroblasto. Fonte: Radio Nacional do Afeganistão Figura 5 - Histiócito. Fonte: Sociedad Argentina de Citología Tecido Subcutâneo Também denominada de hipoderme, fáscia superficial ou tela subcutânea, é a camada do tecido tegumentar que não pertence a pele. É constituído principalmente por tecido conjuntivo frouxo e tecido adiposo unilocular (células em formato de esfera, com grande quantidade de lipídios em seu interior como se fosse uma gota, núcleo e citoplasma achatado e deslocados para o centro, presente em adultos). Exerce duas funções principais, isolar o organismo das mudanças ocorridas no ambiente, e fixação da pele às estruturas adjacentes. Há também as funções consequentes que seriam preenchimento de cavidades para fixação dos órgãos, reservatório energético, modelagem corporal e absorção de choques. Poucos locais não possuem essa camada , nesses locais a pele está em contato direto com o osso como é nos dedos, por essa razão a pele se torna enrugada. A quantidade de tecido adiposo nos organismos varia de idade, sexo ( nas mulheres ocorre o acúmulo nas mamas e coxas, já nos homens na porção subcutânea da parede abdominal inferior), região do corpo e estado nutricional do indivíduo. É nessa camada que são executadas as injeções subcutâneas com a utilização de uma agulha hipodérmica. É dividida em duas subcamadas: - Superficial ou Areolar (TAS): porção mais superficial, horizontal e fibrosa de tecido conectivo, altamente irrigada constituída de adipócitos globulares volumosos. Ao engordarmos essa camada aumenta de espessura de maneira suave, recobre o corpo inteiro de maneira vertical, com a idade e dano solar acumulativo essa camada se torna mole causando as deformidades por pseudodepósitos de gordura. Figura 6 - Tecido Areolar Frouxo. Fonte: Surgical And Cosmetic Dermatology - Profundo ou Lamelar (TAP): camada adiposa profunda denominada na anatomia de fáscia profunda, intermuscular e em contato com a parede abdominal. Espessa-se ao ganharmos peso de maneira mais visível, tem alta elasticidade, encontra-se apenas nos locais do abdômen, flancos, região trocantérica, parte interna do terço superior das coxas, joelhos e parte posterior dos braços. Assim como a camada areolar sofre deformidades, porém nessas regiões são localizadas. Figura 7 - Fáscia Profunda. Fonte: Anatomia da pele Fáscias São estruturas encontradas abaixo do tecido subcutâneo, é feita de tecido conjuntivo denso organizado, sem gordura, cobrindo o corpo em maior porção paralelamente a pele e a tela subcutânea. Tem função de isolar, envolver, hidratar e condicionar as estruturas profundas do corpo e também pode servir como revestimento de músculos individuais e feixes neurovasculares. Podem ser divididas entre compartimentos fasciais, que recobrem os músculos com funções semelhantes que possuem a mesma inervação (membros), e septos intermusculares que separam os compartimentos fasciais fixados à ossos. Ela pode agir como fixadora de músculos subadjacentes, porém na maioria dos casos esses são músculos livres que se contraem e deslizam sob a fáscia. A fáscia muscular propriamente dita não passa livremente pelo osso e sim está fundida ao periósteo, e quando envolvida aos músculos de contração e às válvulas venosa s,forma uma bomba muscular venosa que reconduz o sangue ao coração numa velocidade muito alta e de maneira mais eficiente. Porém essas fascias limitam a expansão dos ventres musculares. Sua estrutura é viscosa (substância fundamental), elástica (fibras) e metabólica (células). Ela se modifica quanto à tensão e elasticidade quando enfrenta estresse. É uma grande fonte de água e proteoglicanos e pode estar relacionada à doenças como depressão, intestino irritado e mudanças de humor. Figura 8 - Tecido Conjuntivo Denso (Fáscia). Fonte: Universidade da Fáscia Figura 9 - Corte Transversal do Sistema Tegumentar. Fonte: Kho Health Cor da Pele e Condições Relacionadas Pigmentos: ● Melanina: possui uma coloração amarelo pálido preto. Melanócitos mais abundantes: pênis, mucosas, mamilos, face, membros - Figura 10. ● Caroteno: está em maior quantidade na camada córnea e áreas gordurosas da derme e subcutânea. (precursor da vitamina A - alaranjado) ● Hemoglobina Sardas e Manchas Hepáticas (ou idade): causadas pelo acúmulo local de melanina Vitiligo: perda parcial ou completa dos melanócitos - Figura 11. Albinismo: incapacidade de produção de melanina. Figura 10 - Melanócito . Fonte: Lumiderm Figura 11- Pele com Vitiligo. Fonte: de.dreamstime.com Anexos do Sistema São eles: glândulas sudoríparas, sebáceas, ceruminosas e mamárias; pêlos e unhas. Glândulas Sudoríparas São as estruturas responsáveis pela produção do suor, substância que atua na termorregulação do organismo e na eliminação de produtos catabolizados pelo mesmo. São formadas por tecido epitelial, estão localizadas na porção superficial do tecido subcutâneo e na porção inferior da derme e tem como principal função a secretora, liberando seu produto pelos poros da pele e por folículos pilosos por exocitose (proceso de descarga de grandes partículas a partir da membrana plasmática). São encontradas em todas as partes do corpo com raras exceções como a glande. São do tipo tubo-enoveladas cuja porção secretora do tubo é contornada e dobra-se sobre si mesma, de modo que em secções aparece como um agrupado de cortes transversais ou oblíquos de tubos. São em sua maioria glândulas merócrinas, ou seja eliminam a secreção sem que nenhuma parte do citoplasma seja perdida. Em porções específicas do corpo como na região axilar essa glândula atua como exócrina, que seria além de liberar a secreção libera parte do citoplasma. Elas tem essa divergência pois as merócrinas liberam a secreção diretamente na pele, já as apócrinas liberam através dos folículos pilosos. Existem aproximadamente 3 a 4 milhões dessa glândula por todo o corpo, e são divididas em duas categorias: - Células Secretoras Escuras: que apresentam grande quantidade de grânulos de secreção e retículo endoplasmático rugoso em sua composição. Produtoras de glicoproteínas. - Células Secretoras Claras: que não apresentam os grânulos e possuem menor quantidade de retículo. Cientistas afirmam que essas células são responsáveis pela produção aquosa do suor, devido à sua característica de transporte iônico. - Suor: o suor produzido pelas glândulas sudoríparas écrinas é diluído; mas, nas glândulas apócrinas, apresenta-se mais viscoso. Essa secreção apresenta, além de água, sódio, potássio, cloreto, uréia, ácido úrico ácido lático e amônia em sua composição. Ao redor da porção secretora há células mioepiteliais, o ducto se abre na crista onde a glândulase originou e tem um trajeto tortuoso, pois tem diâmetro menor que a porção secretora. O epitélio é estratificado cúbico, com células menores e mais escuras que as células da porção secretora. Elas reabsorvem a maior parte dos íons e excretam substâncias, como ureia e ácido lático. As sudoríparas odoríferas se encontram nas axilas por exemplo, são apócrinas, hormonais e ativadas na puberdade. Sua secreção contém proteínas, carboidratos, lipídios, amônia e feromônios (envolvidos na atração sexual). Inicialmente a secreção é inodora, mas adquire um odor acre em resposta à decomposição por bactérias. O ducto é reto de epitélio estratificado e se abre no folículo piloso acima da glândula sebácea. Já a porção secretora de luz ampla é constituída de células cúbicas com a porção apical em cupica e circundada por células mioepiteliais. Figura 12- Células Secretoras. Fonte: Histologia UFA Figura 13- Glândula Sudorípara Completa . Fonte: AccessMedicine Glândulas Sebáceas São glândulas exócrinas alveolares ramificadas holócrinas ou seja ao expelir a secreção eliminam todo o citoplasma em conjunto, localizadas na derme, tem um duto curto do epitélio estratificado pavimentoso que desemboca no folículo piloso, com a função de lubrificação dos mesmos. Não são encontradas nas palmas das mãos e dos pés e são abundantes no couro cabeludo. Na ausência de pelos elas se abrem diretamente na superfície epidérmica como no pênis, lábios, pálpebras e pequenos lábios. Quando os pelos estão eretos (arrepiados) há a facilitação de secreção oleosa destas glândulas na superfície cutânea. - Sebo: composto de lipídios, colesterol, proteínas, sais inorgânicos e hormônios, ácidos graxos, ésteres de cera e esqualeno, junto com os restos das células produtoras. Ele lubrifica a superfície da pele e do pêlo mantendo-a macia e flexível, aumentando as características hidrofóbicas da queratina e protegendo o pêlo. Tem função antibacteriana e evita ressecamento e quebra de pêlos. Não apresenta cheiros, porém a proliferação de bactérias pode gerar o mau odor comumente conhecido. Sua produção é estimulada com o hormônio da testosterona, e essa síntese de sebo tende a diminuir nas mulheres após a menopausa. Pode levar à ocorrência de acne. Figura 14 - Microscopia de Glândula Sebácea. Fonte: InfoEscola Figura 15 - Glândula Sebácea. Fonte: Blog Folic Pêlo Desenvolvem-se nos folículos pilosos (complexos que se associam com o músculo eretor do pelo e com as glândulas sebáceas), invaginações da epiderme na derme e na hipoderme (onde se encontram as raízes). São abundantes na camada de couro cabeludo (por onde sai a haste do pelo). São formados por queratina e restos de células epidérmicas mortas. O folículo piloso é constituído por bainhas radiculares interna e externa, derivadas da epiderme, lâmina basal e bainha dérmica , onde são condensadas as fibras colágenas. No folículo do pêlo em fase de crescimento, a porção terminal estendida corresponde ao bulbo piloso. É constituído da papila dérmica de tecido conjuntivo frouxo e recoberto pela matriz de células epidérmicas. A proliferação dessas células origina as bainhas radiculares. O pêlo é dividido em 3 porções quando analisado em corte transversal: - Medula: consiste em queratina mole (não aparece em pelos finos). - Córtex: queratina dura (possui mais cistinas e ligações dissulfeto, compacta, não descama), indica a cor do pelo através da melanina dos melanócitos da matriz. - Cutícula: queratina dura, as escamas da cutícula do pêlo estão sobrepostas, e suas bordas livres, direcionadas para cima, opõem-se as bordas livres das escamas da cutícula da bainha radicular interna, que estão apontadas para baixo. O estágio de crescimento do pêlo ocorre dos 2 aos 6 anos. Um adulto normal gera cerca de 70 a 100 fios novos (em estado de crescimento) por dia. Figura 16 - Folículo Piloso. Fonte: Viapharma Unhas São estruturas achatadas, elásticas, de textura córnea, aplicadas sobre a superfície dorsal das falanges distais. São constituídas por células epidérmicas queratinizadas, mortas e compactadas. Na base da unha há células que se multiplicam constantemente, empurrando as células mais velhas para cima.Cada unha está implantada por uma porção chamada raiz em um sulco da pele; a porção exposta é denominada corpo e a extremidade distal, borda livre. A unha é firmemente aderente ao cório e exatamente moldada sobre a superfície; a parte de baixo do corpo e da raiz da unha é chamada matriz da unha porque é esta que a produz. Próximo a raiz da unha o tecido não está firmemente aderido ao tecido conjuntivo, mas apenas em contato com o mesmo; por isso esta porção da unha é esbranquiçada e chamada lúnula devido a sua forma. Figura 17 - Unha. Fonte: Fingernail Anatomy Glândulas Mamárias A glândula mamária é uma área modificada da pele com glândulas sudoríparas especializadas na secreção de nutrientes sob a influência hormonal.São estruturas com 15 a 25 lóbulos cada , em formato túbulo-alveolares compostas, cuja a função é a secreção de leite para nutrir os recém-nascidos. Cada lóbulo é separado dos vizinhos por tecido conjuntivo denso e tecido adiposo. É uma glândula individualizada com seu próprio ducto excretor, denominado ducto galactóforo, que tem de 2 a 4,5 cm de comprimento e emerge independentemente no mamilo onde estão. São revestidos por epitélio pavimentoso estratificado na porção externa, porém na interna esse tecido transforma-se em estratificado, cuboidal e envolvido por células mioepiteliais. Cada ducto galactóforo possui 15 a 25 aberturas , cada um com cerca de 15 mm de diâmetro. Antes da puberdade as glândulas mamárias são formadas por porções dilatadas, os seios galactóforos. Durante o desenvolvimento secundário das características sexuais, em meninas as mamas crescem, devido ao acúmulo de tecido adiposo e conjuntivo com proeminência dos mamilos. Já nos meninos a mama permanece achatada. A proliferação dos ductos conectados ao tecido adiposo resulta no aumento de estrógeno no sistema. Cada lóbulo é formado por vários ductos interlobulares que se ligam no ducto interlobular terminal. Cada lóbulo encontra-se imerso em um tecido conjuntivo intralobular frouxo e altamente celularizado, sendo que o tecido conjuntivo interlobular que separa os lóbulos é mais denso e possui menor quantidade de células. O tecido conjuntivo próximo aos alvéolos possui muitos linfócitos e plasmócitos. A quantidade de plasmócitos, prolactina, estrógeno e progesterona aumentam significativamente no final da gravidez. Os plasmócitos são responsáveis pela produção de imunoglobulinas e confere imunidade ao recém-nascido. A estrutura histológica da glândula mamária é ligeiramente alterada durante o ciclo menstrual. Estas mudançascoincidem com o período no qual o estrógeno circulante encontra-se no seu pico. A maior hidratação do tecido conjuntivo na fase pré-menstrual causa o aumento da mama. Durante a lactação o leite é produzido por células epiteliais dos alvéolos e se acumula no lúmen dessas estruturas e dentro dos ductos galactóforos. As células secretoras mudam de formato passando a se apresentarem cubóides, pequenas e baixas, com gotículas esféricas de diferentes tamanhos dentro de seu citoplasma que contém triglicerídeos. O leite é composto de lipídios, proteínas como a caseína, hormônios e lactose. Quando a amamentação acaba os alvéolos passam por uma fase de apoptose, as células são liberadas para a luz dos álveolos e o resto é degenerado por magrófagos. Figura 18 - Glândula Mamária e Anatomia da Mama. Fonte:viagralevitradzheneriki.ru Figura 19 - Plasmócitos (em roxo forte). Fonte: Francisco Varas Cavieres Glândulas Ceruminosas As glândulas ceruminosas são cerca de 1.000 a 2.000 glândulas apócrinas tubulares e retorcidas estruturalmente semelhantes às glândulas sudoríparas apócrinas das axilas. Essas glândulas produzem peptídeos, onde a abertura das glândulas sebáceas no folículo piloso do canal secretam ácidos graxos de cadeia longa saturados e insaturados, escaleno e colesterol. Se localizam no canal auditivo externo, na porção cartilaginosa, ou meato acústico externo, na região profunda da derme e tem a função de proteger a pele do canal auditivo que é bastante fina e frágil contra microorganismos,poeira e partículas de areia, graças ao pH levemente ácido (4 a 5) da cera. que é capaz de eliminar grande parte das bactérias aeróbias. - Cera: composta por lisozimas, que dão a característica antibacteriana à mesma,e uma mistura de queratina (pedaços de pele) e ácidos graxos de cadeia longa (saturados e insaturados). Figura 20 - Glândula Ceruminosa. Fonte:Naturopathic Origem Embrionária e Desenvolvimento durante a Gestação A epiderme deriva do ectoderma, e essa estrutura já está formada porém de maneira simples na 5ª semana de desenvolvimento embrionário. O desenvolvimento da espessura ocorre no final do primeiro para o início do segundo trimestre. As células epidérmicas superficiais se proliferam formando uma camada de epitélio pavimentoso (periderme) e uma camada germinativa, a periderme que sofre queratinização e descamação (vernix caseosa), que continuam sendo substituídas por novas células da camada germinativa. A vernix caseosa envolve o feto e passa a conter sebo protegendo sua pele do líquido amniótico. Na 11ª semana a camada basal forma uma camada intermediária. Até a 21ª semana, as células epidérmicas são substituídas. Após isso, elas desaparecem e formam o estrato córneo. Da 10ª a 17ª semana há a formação dos sulcos das mãos e pés. Ao final do desenvolvimento, as células da crista neural vão para a derme e se diferenciam em melanoblastos, que ao irem para a junção dermo epidérmica viram melanócitos com a formação de grânulos de pigmento, diferenciando a cor da pele do feto. As transformações de epiderme superficial em epiderme de várias camadas leva a interações de indução com a derme formando a pele delgada e a pele espessa. A derme deriva do tecido mesoderma. O mesênquima que se diferencia no tecido conjuntivo da derme origina-se da camada somática do mesoderma lateral e dos dermátomos dos somitos. Na 11ª semana há também a produção de tecido conjuntivo elástico e colágeno. As cristas dérmicas se formam da projeção da derme para a epiderme devido a formação de cristas epidérmicas. As alças capilares se desenvolvem nessas cristas e nutrem a epiderme. Em outras, formam as terminações nervosas sensitivas. Vasos sanguíneos, a princípio simples, são originados do mesênquima e revestidos por endotélio. As glândulas da pele derivam da epiderme e vão para a derme. As sebáceas desenvolvem-se como brotos laterais dos brotos epidérmicos de folículos pilosos em desenvolvimento, crescem no tecido conjuntivo embrionário circundante, ramificando-se para formar alvéolos e seus ductos. Quando os alvéolos se rompem liberam o sebo criando a situação citada a cima da vernix caseosa. As glândulas sudoríparas écrinas crescem do mesênquima subjacente. O broto cresce e se enovela formando o primórdio da porção secretora da glândula, que ao interagir com a epiderme forma o precursor de um ducto. As células centrais se degeneram formando o lúmen, e as periféricas se tornam as mioepiteliais. Já as apócrinas são invaginações do estrato da epiderme que dão origem aos folículos pilosos. Elas não se abrem na superfície da pele mas acima dos folículos e da abertura das glândulas sebáceas. Nas glândulas mamárias os brotos começam a se desenvolver na 6ª semana como invaginações da epiderme que crescem em direção ao mesênquima subjacente, como linhas mamárias espessadas. Suas cristas aparecem na 4ª semana. Cada broto secundário se origina de um primário, que se desenvolvem em ductos lactíferos e ramos. A canalização é induzida por hormônios sexuais placentários que entram na circulação fetal. O tecido conjuntivo fibroso e a gordura da glândula mamária desenvolvem-se do mesênquima circundante. Forma-se a faceta mamária rasa e o mamilo incompleto e deprimido . Os pêlos começam a se desenvolver entre a 9a e 12ª semana, mas só podem ser identificados na 20ª semana com as sobrancelhas. Começam como uma proliferação do estrato germinativo da epiderme e se estende para a derme subjacente. O bulbo do pêlo muda a conformação formando o bulbo piloso, que será invaginado por uma papila do pêlo mesenquimal. Forma-se a bainha epitelial da raiz, que são as células periféricas do folículo em desenvolvimento. A bainha térmica da raiz e células mesenquimais circundantes e as células da matriz germinativa que formam a haste do pelo. O lanugo, os primeiros fios finos e macios abundantes no final da 20ª semana que ajudam a manter a vernix caseosa intacta e, futuramente, será substituído por pêlos mais grossos. Os melanoblastos que fazem o percurso citado na formação epidérmica, porém ao invés de permanecerem na pele são transferidos para as células formadoras de pêlos. Por fim os músculos eretores se prendem na bainha dérmica e na camada papilar. As unhas começam a se desenvolver na 10ª semana, primeiro as das mãos e depois as dos pés. Crescem nas pontas dos dedos na área que previamente era um espessamento da epiderme, e então migram para a porção dorsal, levando a sua inervação para a porção ventral dos dedos. São cercadas por pregas da epiderme , que se queratinizam e formam a placa ungueal, recoberta por células da epiderme e do eponíquio, que mais tarde se degeneram expondo as unhas. A pele abaixo da margem livre é denominada de hiponíquio e na 32ª semana a unha atinge a ponta dos dedos. Figura 21 - Divisões dos tecidos embrionários. Fonte: Toda Matéria Figura 22 - Ciclo daorigem embrionária. Fonte: Vivendo Ciências Irrigação O suprimento vascular da pele é limitado à derme e constitui-se de um plexo profundo em conexão com um plexo superficial. Estes plexos correm paralelos à superfície cutânea e estão ligados por vasos comunicantes dispostos perpendicularmente. O plexo superficial situa-se na porção superficial da derme reticular, com arteríolas pequenas das quais partem alças capilares que ascendem até o topo de cada papila dérmica e retornam como capilares venosos. O plexo profundo situa-se na base da derme reticular e é composto por arteríolas e vênulas de paredes mais espessas. Há ligação íntima entre os plexos por meio dos vasos comunicantes, e o controle do fluxo sanguíneo dérmico por esses vasos contribui para o controle da temperatura corpórea. Com relação a artérias, possui os plexos papilar-reticular e derme-hipoderme. Em veias, possui os plexos papilar-reticular, derme-hipoderme e a região média da derme. Seu sistema de vasos sanguíneos proporciona o transporte de nutrientes, o recolhimento de substâncias residuais e contribuem para a manutenção da temperatura do corpo. Na imagem a seguir, podemos ver claramente a estrutura desse sistema de vasos. As artérias chegam pela hipoderme, e permanecem ao longo do limite derme-hipoderme. Dessas, surgem verticalmente algumas arteríolas, que vão se ligar nas papilas dérmicas, para formarem os capilares. Os capilares são responsáveis pelas trocas entre sangue e pele. Posteriormente, os capilares se unem formando vênulas, que se alastram até o plexo venoso paralelo com a rede arterial. Vale ressaltar que, como os vasos só chegam até a derme, as células da epiderme mantém suas trocas com o sangue apenas pela membrana basal. Figura 23 - Vascularização da pele. Fonte: SlideShare. Inervação A inervação da pele é abundante e constituída por nervos motores autonômicos e por nervos sensoriais somáticos. Existem também os ligamentos cutâneos. Os ligamentos cutâneos são faixas fibrosas pequenas e numerosas, que se estendem ao longo da tela subcutânea (figura ). São responsáveis pela fixação da parte profunda da derme à fáscia muscular adjacente à mesma. O comprimento e a densidade desses ligamentos determinam a mobilidade da pele sobre as estruturas profundas: ligamentos longos e esparsos deixam a pele mais móvel, enquanto ligamentos curtos e numerosos fixam mais a pele, limitando o movimento. O sistema autonômico é composto por fibras simpáticas e é responsável pela piloereção, constrição da vasculatura cutânea e secreção do suor. As fibras que inervam as glândulas écrinas são simpáticas, mas têm como neurotransmissor a acetilcolina. São compostos por neurônios motores, que possuem estrutura como a mostrada na figura . O sistema somático é responsável pelas sensações de dor, prurido, tato suave, tato discriminativo, pressão, vibração, propriocepção e térmica. Os nervos sensitivos têm receptores especializados divididos funcionalmente em mecanorreceptores, termorreceptores e nociceptores. Esse sistema é composto por neurônios sensitivos (figura ). Morfologicamente, estes receptores podem constituir estruturas especializadas, como: corpúsculos de Paccini, Meissner, Ruffini e Krause, além de regiões desprovidas de características estruturais específicas - as terminações nervosas livres. Figura 24 - Ligamentos cutâneos. Fonte: WordPress (Rodrigo Pires). Figura 25 - Morfologia dos neurônios. Fonte: Blog Ciências Biológicas. Receptores sensoriais São ramificações de fibras nervosas, que podem ser encontradas no sistema tegumentar em diferentes formas, como corpúsculos - ramificações encapsuladas, ou podem estar soltas, como as que se enrolam no folículo piloso. São capazes de receber estímulos mecânicos, de pressão, temperatura ou dor. Estão presentes tanto nas superfícies com pêlos quanto nas sem pêlos. São eles: Corpúsculos de Ruffini: são receptores pequenos e pouco abundantes. Responsáveis por captar estímulos de pressão (mecanorreceptor) e se relacionam ao tato. Também captam sensações térmicas de calor, apesar de não serem considerados efetivamente como termorreceptores. Corpúsculos de Paccini: captam especialmente estímulos vibráteis e táteis. São formados por uma fibra nervosa cuja porção terminal, amielínica, é envolta por várias camadas que correspondem a diversas células de sustentação. A camada terminal é capaz de captar a aplicação de pressão, que é transmitida para as outras camadas e enviada aos centros nervosos correspondentes. Bulbos de Krause: receptores térmicos de frío. São formados por uma fibra nervosa cuja terminação possui forma de clava.Situam-se nas regiões limítrofes da pele com as membranas mucosas (por exemplo: ao redor dos lábios e dos genitais). Corpúsculos de Meissner: táteis. Estão nas saliências da pele sem pêlos (como nas partes mais altas das impressões digitais). São formados por um axônio mielínico, cujas ramificações terminais se entrelaçam com células acessórias. Discos de Merkel: de sensibilidade tátil e de pressão. Uma fibra aferente costuma estar ramificada com vários discos terminais destas ramificações nervosas. Estes discos estão englobados em uma célula especializada, cuja superfície distal se fixa às células epidérmicas por um prolongamento de seu protoplasma. Assim, os movimentos de pressão e tração sobre epiderme desencadeiam o estímulo. Terminais do Folículo Piloso: são receptores formados por axônios que se encontram envolvendo o folículo piloso. Captam sensações mecânicas aplicadas contra o pelo. Nos animais, estão presentes nas vibrissas. Terminações Nervosas Livres: sensíveis aos estímulos mecânicos, térmicos e especialmente aos dolorosos. São formadas por um axônio ramificado envolto por células de Schwann sendo, por sua vez, ambos envolvidos por uma membrana basal. As imagens a seguir, mostram a localização e a morfologia dos receptores sensoriais do tegumento: Figura 26 - Receptores Sensoriais. Fonte: https://afh.bio.br/sistemas/tegumentar/1.php Figura 27 - Pele e receptores. Fonte: https://afh.bio.br/sistemas/sensorial/10.php Figura 28 - Morfologia dos corpúsculos. Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/334329/ Referências Bibliográficas 8 GARTNER, L. P.; HIATT, J. L. Tratado de Histologia em cores. 3.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. pp. 333-335. 9 ROSS & PAWLINA. Op. cit., pp. 499-501, 524-525. 10 STRAUSS, J. S.; MATOLTSY, A. G. Pele. In: WEISS, L.; GREEP, R. O. Histologia. 4.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1981. p. 486. Medipédia - www.medipedia.pt Medicina Net - www.medicinanet.com.br AFH - Anatomia e Fisiologia Humanas - www.afh.bio.br Histologia Básica – Luiz C. Junqueira e José Carneiro. Editora Guanabara Koogan S.A. (10° Ed), 2004.