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PNEUMOTORÁX CASO CLÍNICO Homem, 33 anos se apresenta ao PS com dor torácica e falta de ar de início súbito, enquanto trabalhava em seu jardim. Nega qualquer trauma torácico, tosse ou outros sintomas respiratórios antes do início da dor História médica pregressa: sem particularidades. Não toma remédios e não tem doenças pulmonares Consome 1 maço de cigarro por dia há 20 anos (20 anos/maço). Nega etilismo Ao exame físico parece ansioso, temperatura normal, frequência de pulso de 110 bpm, FR 26 irpm e PA de 100x70 mmHg O exame pulmonar revela ruídos respiratórios ↓ à direita, redução do FTV do mesmo lado, além de ↓ da expansibilidade torácica ipsilateral, ↑ do volume do hemitórax e timpanismo à percussão O exame cardíaco não demonstra sopros ou galope. Os resultados dos exames do abdome e extremidades também estão normais HD: Pneumotórax Conduta? RX de tórax DEFINIÇÃO Presença de ar livre na cavidade pleural (entre as pleuras) HISTÓRIA do grego, pneuma = ar Hipócrates: mencionou a presença de ar no espaço pleural durante tratamento de empiema (pus na cavidade) Boerhaave, 1724: descreveu a rotura espontânea de esôfago e colapso pulmonar devida à grande quantidade de ar na pleura (perfura esôfago e vai ar pra pleura) Sd de Boerhaave Itard, 1803: primeiro a usar o termo pneumotórax (dissocia do empiema) Laennec, 1826: descreveu as características clínicas (inventor do estetoscópio) Martin Fallon, 1940: primeira radiografia de pneumotórax CAUSAS Espontâneo Primário: o Rotura das bolhas subpleurais (blebs) – bolhas no ápice do pulmão: se formam por deficiência de colageno ou fragilidade dessa região e rompem devido tensão superficial presente. Secundário: o DPOC, pneumonia, tuberculose, abscesso pulmonar, bronquiectasia, fibrose cística, pneumocistose, micoses, asma, histiocitose X, granuloma eosinofílico, sarcoidose, linfangioleiomiomatose pulmonar, esclerose tuberosa, fibrose pulmonar idiopática, doença intersticial pulmonar, doenças do tecido conjuntivo (AR, espondilite anquilosante, esclerodermia, síndrome de Marfan), rotura espontânea do esôfago (síndrome de Boerhaave), neoplasias (primárias ou metastáticas), catamenial (relacionado ao período menstrual – mulheres com endometriose pleural) Neonatal: nasce com pneumotórax (prematuros) Adquirido Iatrogênico: o Punção de veia central, biopsia transbrônquica, biópsia transtorácica, toracocentese, biópsia pleural, bloqueio de nervos cervicais e intercostais (anestesias), massagem cardíaca externa, acupuntura, assistência ventilatória mecânica (barotrauma – causa comum de pneumotórax em UTIs – ventilador desregulado), procedimentos abdominais (cirurgia laparoscópica, punção biópsia de fígado e rim) P N EU M O TO R A X Espontâneo Primário Secundário Neonatal Adquirido Iatrogênico Traumatico Aberto Fechado Traumático: o Trauma aberto: facada, tiro -> rompe as duas pleuras o Trauma fechado: quebrou costela PROVA: colocar nome e sobrenome do pneumotórax EPIDEMIOLOGIA – Pneumotórax espontâneo A incidência de cerca de 6 a 10 casos por 100 mil habitantes por ano (relativamente baixa). Predominantemente em: homens, altos e magros (longilíneos), com idade entre 20 e 40 anos, tabagista. Mais frequente unilateral e a direita (formato da pleura direita) 2% é bilateral e simultâneo (raro) 4 a 10% alternado Reicidivas: maioria no primeiro ano o Primário: A partir do 1° episódio em torno de 30% A partir do 2°, 60-80% em média, com período de latência cada vez menor. o Secundário: parece ser mais alta (a doença tende a ser crônica tem fator desencadeante) HISTÓRIA CLÍNICA (ESPONTÂNEO) Paciente em repouso e raramente durante exercício Dor torácica aguda ipsilateral Dispneia: proporcional ao tamanho e a velocidade de acúmulo do pneumotórax e a capacidade cardiovascular do paciente Pode ocorrer enfisema subcutâneo e/ou pneumomediastino (ar infiltrado no mediastino) simultaneamente. OS ACHADOS CLINCOS NÃO REFLETEM O TAMANHO DO PNEUMOTORAX (depende do doente) DIAGNÓSTICO EXAME FÍSICO ↓ ou abolição do MV (tem ar e não tem parênquima pulmonar) ↓ FTV ipsilateralmente ↓ A expansibilidade torácica ipsilateralmente (ar fica represado) ↑ DO VOLUME DO HEMITORAX (ar preenchendo o tórax) Timpanismo à percussão EXAMES RADIOLÓGICOS Raio X simples de tórax: Inspiração profunda e expiração forçada Ausência de trama vascular onde está com pneumotórax Tomografia de tórax: Quando necessita de avaliação mais cuidadosa da cavidade pleural (enfisema subcutâneo) ou quando não se identifica pneumotórax no RX (laminar- pequeno) Pacientes em UTI: raio-X simples pode não evidenciar por septação ou por localização anterior ao pulmão TRATAMENTO: Fatores que devem ser considerados: Tamanho do pneumotórax Intensidade dos sintomas e repercussão clinica Primeiro episódio ou recorrência Pneumotórax simples ou complicado (por exemplo, por hemotórax, empiema ou infecção) Dreno Doenças pulmonares associados (DPOC, fibrose cística) Se está em ventilação mecânica Ocupação do paciente TAMANHO DO PNEUMOTÓRAX Mede a diferença entre as pleuras Pequenos (< 3 cm) Conduta conservadora: analgésico e repouso relativo Reavaliar clinico e radio em 4 a 6 horas Obs: o quadro pode se alterar por progressão do pneumotorax em até 24h Possibilidade de administração de oxigênio em altas doses: aumenta a velocidade de reabsorção do pneumotórax. Grande >3cm e paciente estável Toraconcentese e aspiração (2°-3°EIC na linha hemiclavicular esquerda): 30 a 60% sucesso Toracostomia com drenagem fechada em selo d’agua: de escolha Paciente instável (oxigenação e sinais vitais alterados) independente do tamanho Toracostomia de drenagem * Conduta de livro, mas na pratica sempre drena, pois mesmo pequeno pode piorar DRENAGEM DE TÓRAX 5° EIC entre a linha axilar anterior e média Incisão de 2-3 cm na borda superior da costela inferior Objetivo: desviar do feixe vasculonervoso – nervos e vasos passam na parte inferior da costela Divulsão c/ Kelly Colocar o dedo na cavidade: garantir que a incisão não foi feita no abdome Selo d’agua Drenagem por pressão: quando expira, o ar sai e não volta O selo d’água deve encobrir 2 cm da porção mais distal do tubo para evitar que o ar volte (saber quantos ml colocou para saber quanto saiu) -> independente do volume de líquido Valvula de Heimlich (unidirecional) Substitui o selo d’água no caso de pneumotórax. Contraindicado no caso de empiema, hemotórax – risco de coagulação Quando retirar o dreno? Boa expansão pulmonar Ausência de fístula aérea (se o pneumotórax nunca diminuir tem uma fistula – não cicatriza e precisa operar) Débito líquido ≤ 150 ml Aspecto do débito (não retirar se estiver saindo pus e/ou sangue) Pneumotórax espontâneo primário recidivo (blebs): Fazer toracoscopia: câmera para ver o pulmão por dentro e pode ressecar um segmento PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO CASO CLÍNICO 02 Identificação: R.O.R., 37 anos, masculino, comerciante, natural e residente do Rio de Janeiro. Queixa principal: dispneia. HMA: relata ter discutido com a esposa que o agrediu com faca de cortar pão. Assustou-se com a quantidade de sangue e evoluiu com dispneia de grande intensidade. Gritou por socorro e foi trazido ao hospital por vizinhos. Exame físico: hipocorado (+/4+), hidratado, anictérico, cianose de extremidades, dispneico, grandeagitação psicomotora. Murmuro vesicular preservado à direita, sem RA e abolido à esquerda, apresenta evisceração em base de hemitórax esquerdo com exposição do pulmão (saindo pulmão). Abdome flácido e indolor. Conduta: solicitado radiografia simples de tórax. Diagnóstico? Pneumotórax hipertensivo (adquirido traumático aberto) A conduta inicial está correta? Não, pois assim que diagnosticado, o pneumotórax hipertensivo deve ser tratado, pois gera risco de vida para o paciente. Conduta? Drenagem apenas DEFINIÇÃO Desvio do mediastino contralateralmente por aumento da pressão intrapleural do pneumotórax acima da pressão atmosférica. SINTOMAS Agitação; Cianose; Distensão jugular (turgência); Desvio de traqueia; Desvio de ictus cordis; Hipotensão arterial: por compressão de vasos da base diminui RV Taquicardia; Queda progressiva do estado de consciência; Choque – comprime os grandes vasos * A clínica deve diferenciar de um tamponamento cardíaco - tríade de beck (bulhas hipofonéticas não tem) CONDUTA o Diagnóstico clínico imediato: risco de morte o Transformar um pneumotórax hipertensivo fechado em um pneumotórax aberto normotenso por meio de uma punção com agulha grossa na cavidade pleural no 2° EIC na LHC o Drenagem pleural antes da radiografia de tórax. Obs.: se já tiver aberto é só drenar não precisa da punção ACHADOS RADIOLÓGICOS Ausência de parênquima pulmonar no lado acometido, desvio de mediastino, traqueia e coração para o lado contralateral, colabamento (compressão) de grandes vasos, apagamento do botão aórtico e achatamento da silhueta cardíaca. QUESTÃO 1 Jovem motorista de 26 anos, usando cinto de segurança, foi vítima de colisão automobilística em alta velocidade. Ele está alerta na cena e queixa-se de muita dor na região esternal. Na chegada ao pronto- socorro, está em Glasgow 15; sua pressão sistólica é de 120 mmHg e FC de 95 bpm, saturando 98% em ar ambiente, sem dispneia ou taquipneia. Apesar da dor esternal, seu raio X de tórax é normal. Uma tomografia de corpo inteiro, solicitada pelo mecanismo de trauma, mostra um pneumotórax oculto à direita, sem derrame pleural. Não há fratura de esterno. A tomografia abdominal mostra uma lesão esplênica grau III (baço quase todo partido – fraturado), sem blush (sem extravasamento de contraste pela artéria). Considerando-se esse relato, o próximo passo deve ser: a) Drenagem de tórax a D. b) Observação sem drenagem. (é um pneumo pequeno – pressupõe já que não aparece em raio X - com paciente estável) c) Repetir raio-X em 4/6h d) Repetir tomografia de tórax em 24 horas. e) Drenagem de tórax se houver necessidade de operar o abdome.