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Herpes zoster (HZ) . O herpes zoster é uma doença infecciosa causada pela reativação do vírus Varicella-Zoster (VVZ), o mesmo agente responsável pela varicela. Representa a expressão clínica da falha do controle imunológico sobre um vírus latente ao longo da vida, caracterizando uma doença neurocutânea cuja fisiopatologia envolve replicação viral, inflamação ganglionar, lesão neural e manifestações cutâneas dermatoméricas. . Fisiopatologia . 1. Após a infecção primária, que geralmente ocorre na infância e se manifesta como catapora, o vírus não é completamente eliminado do organismo. 2. Em vez disso, ele permanece em estado de latência ao longo da vida, alojado nos gânglios sensitivos das raízes dorsais da medula espinhal e nos gânglios dos nervos cranianos. Nesse estado latente, o genoma viral permanece dentro dos neurônios, sem replicação ativa e sem produzir manifestações clínicas. A manutenção dessa latência depende principalmente da imunidade celular específica contra o VVZ, mediada por linfócitos T. Com o passar dos anos, ou em situações que levam à redução da imunidade celular, como: ● Envelhecimento (imunossenescência) ● Imunossupressão por doenças ou medicamentos ● Neoplasias ● Infecção pelo HIV ● Transplantes ● Estresse físico ou emocional ● Doenças crônicas 3. Ocorre perda do controle imunológico sobre o vírus. Nessas condições, o VVZ pode se reativar, iniciar replicação dentro do gânglio nervoso e desencadear um processo inflamatório local. 4. Após a reativação, as partículas virais migram ao longo do axônio sensitivo em direção à pele, em trajeto anterógrado, alcançando o território cutâneo correspondente ao dermátomo inervado por aquele nervo. Esse processo explica a característica distribuição dermatomérica e geralmente unilateral das lesões do herpes zoster. A inflamação neural associada à replicação viral provoca neurite aguda, responsável pela dor neuropática intensa que frequentemente precede o aparecimento das lesões cutâneas. Herpes zoster (HZ) . Ou seja, a dor começa antes da lesão cutânea porque o processo inflamatório neural precede a erupção. Lesão cutânea Quando o vírus atinge a epiderme e a derme, surgem lesões eritematosas que evoluem rapidamente para vesículas agrupadas sobre base eritematosa, ricas em partículas virais e potencialmente contagiosas por contato direto. O ciclo cutâneo geralmente evolui para pústulas e crostas ao longo de 7 a 10 dias, com resolução completa em duas a quatro semanas na maioria dos casos. Alterações sensoriais Além das manifestações cutâneas, a lesão inflamatória e, em alguns casos, destrutiva dos neurônios sensitivos pode resultar em alterações sensoriais persistentes. Em parte dos pacientes, especialmente idosos ou imunocomprometidos, ocorre: ● Dano neural permanente ● Sensibilização periférica e central levando ao desenvolvimento de neuralgia pós-herpética, a complicação mais frequente e incapacitante da doença. . Fases da doença . Fase prodrômica (pré-eruptiva) Duração: 48–72h (até 7 dias) ● Dor em queimação ● Parestesia ● Disestesia ● Hiperalgesia ● Mal-estar ● Febre baixa Fase aguda eruptiva Duração: 7–10 dias Características clássicas: ● Lesões vesiculares agrupadas ● Base eritematosa ● Distribuição unilateral ● Restrita a 1–3 dermátomos ● NÃO cruza linha média Dermátomos mais comuns: ● Torácico (50%) ● Trigêmeo (15–20%) ● Cervical ● Lombar Evolução: Pápula → Vesícula → Pústula → Crosta Fase subaguda Até 30 dias após início. Persistência da dor mesmo após resolução cutânea. Fase crônica (Neuralgia Pós-Herpética) Dor persistente >90 dias após início do rash. Herpes zoster (HZ) . . Epidemiologia . De acordo com a literatura científica e revisões clínicas sobre o tema, a incidência geral do herpes zoster varia entre 3 e 5 casos por 1.000 pessoas por ano na população geral, aumentando progressivamente com a idade. Em indivíduos com 60 anos ou mais, essa incidência pode alcançar aproximadamente 8 a 12 casos por 1.000 pessoas por ano, refletindo o impacto da imunossenescência, caracterizada pela redução da imunidade celular específica contra o vírus Varicella-Zoster. Estima-se ainda que cerca de 50% das pessoas que vivem até os 85 anos apresentarão pelo menos um episódio de herpes zoster ao longo da vida. A complicação mais comum da doença é a neuralgia pós-herpética (NPH), definida como a persistência da dor por mais de 90 dias após o início das lesões cutâneas. ● Essa condição ocorre em aproximadamente 10 a 20% dos casos na população geral, podendo atingir até 30% dos indivíduos com mais de 80 anos, sendo a idade avançada o principal fator associado ao aumento do risco. . Fatores de risco . ● Idade avançada: devido à queda da imunidade mediada por células T ● Infecção pelo HIV ● Neoplasias ● Quimioterapia ● Uso crônico de corticosteroides ● Transplantes de órgãos ou medula óssea ● Doenças autoimunes Nessas situações, a redução da vigilância imunológica favorece a reativação do vírus latente nos gânglios sensitivos. . Quadro Clínico . Dor: ● Queimação ● Choque elétrico ● Lancinante ● Alodinia (dor ao toque leve) ● Hiperalgesia Lesões: ● Vesículas agrupadas ● Base eritematosa ● Unilaterais ● Dermatoméricas . Síndromes associadas . Síndrome de Ramsay Hunt A síndrome de Ramsay Hunt, também chamada de herpes zoster oticus, ocorre quando há reativação do vírus Varicella-Zoster no gânglio geniculado do nervo facial (VII par craniano). Esse gânglio contém fibras sensitivas e está anatomicamente relacionado ao ouvido Herpes zoster (HZ) . externo, à orelha média e a estruturas próximas do nervo vestibulococlear (VIII par craniano), o que explica a variedade de manifestações clínicas observadas. Manifestações: ● Dor intensa na região auricular (otalgia):, Geralmente precedendo o aparecimento das lesões cutâneas. ● Vesículas eritematosas no pavilhão auricular: Pode surgir também no conduto auditivo externo e, em alguns casos, na membrana timpânica, língua, palato ou orofaringe. ● Paralisia facial periférica ipsilateral: Resultante do comprometimento inflamatório do nervo facial, levando a assimetria facial, dificuldade para fechar o olho, diminuição do sulco nasolabial e desvio da comissura labial. ● hipoacusia neurossensorial, zumbido (tinnitus), vertigem, desequilíbrio e náuseas: Devido à proximidade anatômica e funcional com o nervo vestibulococlear ● Alterações do paladar nos dois terços anteriores da língua e redução da produção lacrimal ou salivar: Em decorrência do acometimento das fibras autonômicas do nervo facial. A síndrome de Ramsay Hunt tende a apresentar evolução mais grave e prognóstico funcional pior quando comparada à paralisia de Bell, especialmente se o tratamento antiviral e anti-inflamatório não for iniciado precocemente. Herpes Zoster Oftálmico O herpes zoster oftálmico ocorre quando há reativação do vírus Varicella-Zoster no gânglio do nervo trigêmeo, com comprometimento do seu ramo oftálmico (V1). ● Esse ramo é responsável pela inervação sensitiva da testa, couro cabeludo anterior, pálpebra superior, dorso e ponta do nariz, além de estruturas oculares. Quadro clínico: ● Dor intensa, queimação ou parestesia na região frontal e periocular ● Lesões eritematovesicularesdistribuídas no território desse dermátomo Um achado clínico importante é o sinal de Hutchinson, caracterizado pela presença de lesões na ponta ou no dorso do nariz. ● Esse sinal indica comprometimento do nervo nasociliar, um ramo do nervo oftálmico que também inerva estruturas intraoculares, estando associado a maior risco de envolvimento ocular e de complicações visuais. O herpes zoster oftálmico pode evoluir com diversas complicações oculares, decorrentes Herpes zoster (HZ) . da inflamação viral direta e da resposta imunológica local. Como: ● Ceratite, que pode levar à opacificação corneana; ● Uveíte, associada a dor, fotofobia e redução da acuidade visual; ● Necrose retiniana aguda. Em casos não tratados ou de evolução desfavorável, essas alterações podem resultar em comprometimento visual permanente ou até perda visual. Zoster disseminado O herpes zoster disseminado é uma forma mais grave da doença, caracterizada pela presença de mais de 20 lesões cutâneas fora do dermátomo inicialmente acometido. Diferentemente do zoster clássico, que apresenta distribuição unilateral e restrita ao território de um único nervo sensitivo, a forma disseminada indica que houve maior replicação viral e provável disseminação hematogênica do vírus Varicella-Zoster. Essa apresentação é mais comum em pacientes imunossuprimidos, como aqueles com infecção pelo HIV, neoplasias, em uso de quimioterapia, corticosteroides em doses elevadas, imunobiológicos ou submetidos a transplantes. ● Nesses indivíduos, a redução da imunidade mediada por células T compromete o controle da replicação viral, permitindo que o vírus ultrapasse os limites do dermátomo primário. Clinicamente, além das lesões vesiculares disseminadas pelo tronco, membros ou face, o paciente pode apresentar sinais sistêmicos mais exuberantes, como febre e mal-estar. Há também maior risco de complicações viscerais, incluindo pneumonite, hepatite, encefalite e meningoencefalite. Por esse motivo, o zoster disseminado é considerado uma condição potencialmente grave e geralmente requer tratamento com antiviral intravenoso, especialmente aciclovir, além de monitorização hospitalar nos casos mais severos. Herpes zoster (HZ) . . Diagnóstico . Clínico (principal) Baseado em: ● Dor neuropática ● Lesões vesiculares dermatoméricas Laboratorial (casos atípicos): ● PCR da vesícula (padrão-ouro) ● Imunofluorescência ● Sorologia (pouco útil na reativação) . Diagnóstico diferencial . O diagnóstico diferencial do herpes zoster deve ser considerado principalmente nas fases iniciais da doença, especialmente durante o período prodrômico, quando há dor neuropática sem lesões cutâneas evidentes, e também nas fases iniciais da erupção vesicular. Herpes simples: Pode ser confundido com herpes zoster devido à presença de vesículas agrupadas sobre base eritematosa. No entanto, o herpes simples costuma apresentar recorrências no mesmo local, não segue distribuição dermatomérica típica e, em geral, acomete áreas mucocutâneas como lábios e região genital, com lesões menores e mais localizadas. Dermatite de contato: Pode cursar com eritema, prurido e vesículas. Contudo, diferentemente do herpes zoster, a dermatite de contato geralmente está associada à exposição a um agente irritante ou alérgeno, apresenta distribuição relacionada ao local de contato e é predominantemente pruriginosa, e não dolorosa de forma neuropática. Impetigo: Pode simular o zoster quando há lesões vesicopustulosas que evoluem com crostas, especialmente em crianças. Entretanto, o impetigo é uma infecção bacteriana superficial, não apresenta dor neuropática intensa e não respeita distribuição dermatomérica. Varicela: Deve ser considerada principalmente em pacientes sem história prévia da doença ou vacinação. Diferentemente do herpes zoster, a varicela apresenta lesões disseminadas em diferentes estágios evolutivos (máculas, pápulas, vesículas e crostas simultaneamente), distribuição centrípeta e acometimento bilateral, não restrito a um dermátomo. Celulite: Pode ser confundida com herpes zoster na fase inicial, especialmente quando há dor e eritema local antes do surgimento das vesículas. Contudo, a Herpes zoster (HZ) . celulite caracteriza-se por processo infeccioso bacteriano profundo, com edema, calor local, dor contínua e sinais inflamatórios difusos, sem formação de vesículas agrupadas típicas. Neuralgia trigeminal: Durante a fase prodrômica, a neuralgia trigeminal pode ser considerada no diagnóstico diferencial quando a dor acomete a face. No entanto, a neuralgia trigeminal clássica apresenta dor paroxística, em choque, desencadeada por estímulos leves e sem evolução para lesões cutâneas vesiculares. . Tratamento . O tratamento do herpes zoster deve ser iniciado preferencialmente na fase aguda, idealmente nas primeiras 72 horas após o aparecimento do rash, período em que a replicação viral é mais intensa. Nessa fase, os principais objetivos terapêuticos são reduzir a multiplicação do vírus Varicella-Zoster, diminuir a intensidade e a duração da dor aguda e reduzir o risco de desenvolvimento de neuralgia pós-herpética (NPH). Antivirais São a base do tratamento e devem ser administrados por cerca de 7 dias. Aciclovir: na dose de 800 mg por via oral cinco vezes ao dia Valaciclovir: 1 g três vezes ao dia ou famciclovir 500 mg três vezes ao dia. O valaciclovir e o famciclovir apresentam melhor biodisponibilidade oral e esquemas posológicos mais simples, o que favorece a adesão ao tratamento e pode proporcionar melhor controle clínico. Manejo da dor Deve ser realizado de forma escalonada, conforme a intensidade dos sintomas. Inicialmente, podem ser utilizados analgésicos simples, como dipirona ou paracetamol. Caso a dor persista ou seja mais intensa, podem ser adicionados anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). Em situações de dor moderada a intensa, pode ser necessário o uso de opioides, como tramadol ou codeína. Quando a dor apresenta características neuropáticas ou não responde adequadamente às medidas iniciais, podem ser indicados fármacos moduladores da dor neuropática, como gabapentina ou pregabalina. O uso de corticosteroides sistêmicos na fase aguda é controverso. Alguns estudos sugerem que eles podem reduzir a inflamação neural e a intensidade da dor aguda, além de melhorar a qualidade de vida no curto prazo. No entanto, não há evidências de que o uso de corticosteroides previna o desenvolvimento de neuralgia pós-herpética, e sua utilização deve ser avaliada com cautela, especialmente em pacientes com contraindicações. Herpes zoster grave Disseminado, com comprometimento ocular, neurológico ou em pacientes imunossuprimidos, está indicada a terapia antiviral intravenosa. Nesses pacientes, recomenda-se o uso de aciclovir intravenoso na dose de 10 mg/kg a Herpes zoster (HZ) . cada 8 horas, por um período de 7 a 10 dias, com monitorização clínica e, muitas vezes, necessidade de acompanhamento hospitalar devido ao maior risco de complicações sistêmicas. Fase Evento Conduta Prodrômica Neurite inflamatória Analgesia precoce Aguda Replicação viral Antiviral + analgesia Subaguda Inflamação residual Neuromodul adores Crônica Sensibilizaçã o centralTratamento neuropático . Neuralgia pós-herpética (NPH) . A neuralgia pós-herpética (NPH) é a complicação crônica mais comum do herpes zoster e caracteriza-se pela persistência de dor por mais de 90 dias após o início do rash cutâneo. Trata-se de uma condição de dor neuropática crônica que pode causar grande impacto funcional e redução significativa da qualidade de vida. Do ponto de vista epidemiológico, a neuralgia pós-herpética ocorre em aproximadamente 10 a 20% dos pacientes com herpes zoster, sendo a incidência diretamente relacionada à idade. Em indivíduos com mais de 80 anos, o risco pode chegar a cerca de 30%. fatores associados ao maior risco de desenvolvimento da NPH ● Idade avançada ● Dor intensa durante a fase aguda da doença ● Presença de rash cutâneo extenso ● Acometimento do território do nervo trigêmeo, especialmente na forma oftálmica. Fisiopatologia I. Está relacionada ao dano estrutural e funcional causado pelo vírus Varicella-Zoster no sistema nervoso sensitivo. II. Durante a reativação viral, ocorre inflamação e destruição neuronal no gânglio da raiz dorsal e nas fibras nervosas periféricas. III. Esse processo leva à desmielinização e à degeneração axonal, resultando em hiperexcitabilidade dos neurônios sensitivos. Herpes zoster (HZ) . IV. Desenvolvem-se mecanismos de sensibilização central no corno posterior da medula espinhal, com amplificação da transmissão nociceptiva. V. Alterações na modulação da dor e reorganização cortical também contribuem para a manutenção da dor, mesmo na ausência de replicação viral ativa. O resultado final é uma síndrome de dor neuropática crônica persistente. Quadro Clínico ● Dor contínua em queimação, pontada ou sensação de choque elétrico na área previamente acometida pelo herpes zoster ● Alodinia (dor desencadeada por estímulos normalmente indolores, como o toque da roupa) ● Hiperalgesia ● Disestesias ● Parestesias. A dor pode ser intensa, persistente e associada a distúrbios do sono, ansiedade e depressão. Diagnóstico O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na presença de dor neuropática localizada no mesmo dermátomo previamente afetado pelo herpes zoster. Escalas específicas para avaliação de dor neuropática, como o DN4 (Douleur Neuropathique en 4 Questions) e o LANSS (Leeds Assessment of Neuropathic Symptoms and Signs), podem auxiliar na confirmação do componente neuropático. Tratamento O tratamento da neuralgia pós-herpética tem como objetivo o controle da dor e a melhora da funcionalidade, sendo geralmente necessário manejo prolongado. Primeira linha: ● Gabapentina (900–3600 mg/dia) ● Pregabalina (150–600 mg/dia) ● Amitriptilina (10–75 mg/dia) Segunda linha: ● Duloxetina ● Tramadol Terapia tópica: ● Lidocaína 5% adesivo ● Capsaicina 8% . Prevenção . A prevenção do herpes zoster e de suas complicações, incluindo a neuralgia pós-herpética, é feita por meio da vacinação. Existem duas principais vacinas: a vacina de vírus vivo atenuado e a vacina recombinante, sendo esta última a mais eficaz e atualmente a preferida em muitos protocolos. A imunização reduz a incidência do herpes zoster, diminui a gravidade dos casos quando a doença ocorre e reduz significativamente o risco de desenvolvimento de neuralgia pós-herpética. Vacinas: ● Zoster atenuada ● Zoster recombinante (mais eficaz) Herpes zoster (HZ) . Indicada: ● 50 anos ● Imunossuprimidos (recombinante) Reduz: ● Incidência ● Gravidade ● Neuralgia pós-herpética . Fases da doença . Fase prodrômica (pré-eruptiva) Fase aguda eruptiva Características clássicas: Fase subaguda Fase crônica (Neuralgia Pós-Herpética) . Epidemiologia . . Fatores de risco . . Quadro Clínico . Dor: Lesões: . Síndromes associadas . Síndrome de Ramsay Hunt ●Dor intensa na região auricular (otalgia):, Geralmente precedendo o aparecimento das lesões cutâneas. ●Vesículas eritematosas no pavilhão auricular: Pode surgir também no conduto auditivo externo e, em alguns casos, na membrana timpânica, língua, palato ou orofaringe. ●Paralisia facial periférica ipsilateral: Resultante do comprometimento inflamatório do nervo facial, levando a assimetria facial, dificuldade para fechar o olho, diminuição do sulco nasolabial e desvio da comissura labial. ●hipoacusia neurossensorial, zumbido (tinnitus), vertigem, desequilíbrio e náuseas: Devido à proximidade anatômica e funcional com o nervo vestibulococlear ●Alterações do paladar nos dois terços anteriores da língua e redução da produção lacrimal ou salivar: Em decorrência do acometimento das fibras autonômicas do nervo facial. A síndrome de Ramsay Hunt tende a apresentar evolução mais grave e prognóstico funcional pior quando comparada à paralisia de Bell, especialmente se o tratamento antiviral e anti-inflamatório não for iniciado precocemente. Herpes Zoster Oftálmico Zoster disseminado Clínico (principal) Laboratorial (casos atípicos): . Tratamento . A neuralgia pós-herpética (NPH) é a complicação crônica mais comum do herpes zoster e caracteriza-se pela persistência de dor por mais de 90 dias após o início do rash cutâneo. Trata-se de uma condição de dor neuropática crônica que pode causar grande impacto funcional e redução significativa da qualidade de vida. Do ponto de vista epidemiológico, a neuralgia pós-herpética ocorre em aproximadamente 10 a 20% dos pacientes com herpes zoster, sendo a incidência diretamente relacionada à idade. Em indivíduos com mais de 80 anos, o risco pode chegar a cerca de 30%. fatores associados ao maior risco de desenvolvimento da NPH ●Idade avançada ●Dor intensa durante a fase aguda da doença ●Presença de rash cutâneo extenso ●Acometimento do território do nervo trigêmeo, especialmente na forma oftálmica. Fisiopatologia I.Está relacionada ao dano estrutural e funcional causado pelo vírus Varicella-Zoster no sistema nervoso sensitivo. II.Durante a reativação viral, ocorre inflamação e destruição neuronal no gânglio da raiz dorsal e nas fibras nervosas periféricas. III.Esse processo leva à desmielinização e à degeneração axonal, resultando em hiperexcitabilidade dos neurônios sensitivos. IV.Desenvolvem-se mecanismos de sensibilização central no corno posterior da medula espinhal, com amplificação da transmissão nociceptiva. V.Alterações na modulação da dor e reorganização cortical também contribuem para a manutenção da dor, mesmo na ausência de replicação viral ativa. O resultado final é uma síndrome de dor neuropática crônica persistente. Quadro Clínico ●Dor contínua em queimação, pontada ou sensação de choque elétrico na área previamente acometida pelo herpes zoster ●Alodinia (dor desencadeada por estímulos normalmente indolores, como o toque da roupa) ●Hiperalgesia ●Disestesias ●Parestesias. A dor pode ser intensa, persistente e associada a distúrbios do sono, ansiedade e depressão. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na presença de dor neuropática localizada no mesmo dermátomo previamente afetado pelo herpes zoster. Escalas específicas para avaliação de dor neuropática, como o DN4 (Douleur Neuropathique en 4 Questions) e o LANSS (Leeds Assessment of Neuropathic Symptoms and Signs), podem auxiliar na confirmação do componente neuropático. Tratamento O tratamento da neuralgia pós-herpética tem como objetivo o controle da dor e a melhora da funcionalidade, sendo geralmente necessáriomanejo prolongado. Primeira linha: Segunda linha: Terapia tópica: . Prevenção .