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Adaptações celulares e 
neoplasia 
 
 
As adaptações celulares são mudanças 
reversíveis no tamanho, número, 
fenótipo, atividade metabólica ou 
funções das células em resposta a 
alterações em seu ambiente. 
Pode ser fisiológico ou patológico 
 Hipertrofia 
Refere-se ao aumento do tamanho das 
células, o que resulta no aumento do 
tamanho do órgão afetado. 
É importante notar que não há 
aumento no número de células, mesmo 
em células que são capazes de se 
dividir. 
Células Afetadas: 
Pode ocorrer em células lábeis, estáveis 
e permanentes. 
As células capazes de se dividir (lábeis e 
estáveis) podem sofrer hipertrofia, 
hiperplasia e metaplasia, enquanto as 
células que não se dividem 
(permanentes), como as do músculo 
cardíaco e neurônios, sofrem somente 
hipertrofia. 
Mecanismos: 
A hipertrofia é resultado do aumento na 
produção de proteínas celulares. Envolve 
sensores mecânicos que detectam o 
aumento da carga, ativando vias de 
sinalização como PI3K/AKT (fisiológica) e 
vias acopladas à proteína G (patológica), 
que estimulam a produção de fatores de 
crescimento e agentes vasoativos. 
 
Estímulos Hormonais Específicos: 
Aumento dos níveis de estrogênio pode 
levar tanto à hiperplasia quanto à 
hipertrofia (Ex: crescimento fisiológico 
do útero na gravidez). 
 
 
 
 
 
 
 
Adaptações celulares e 
neoplasia 
 
 
A hipertrofia das células musculares lisas 
do miométrio é estimulada pelo 
estrogênio, levando ao aumento na 
síntese de proteínas e no tamanho das 
células 
Hiperplasia 
Refere-se ao aumento no número de células 
em um órgão ou tecido em resposta a um 
estímulo. Envolve a divisão celular e, por isso, 
só ocorre em células capazes de sintetizar 
DNA 
 
Células Afetadas: Ocorre em células 
lábeis e estáveis. 
Tipos: Pode ser fisiológica ou patológica. 
Hiperplasia típica: NÃO possui displasia 
Pode ser dividida em: 
➔ Simples: Progressão para neoplasia 
em cerca de 1% dos casos. 
➔ Complexa: Progressão para neoplasia 
emcerca de 3% dos casos. 
Hiperplasia atípica: Possui displasia. 
Esta variedade é precursora do câncer 
endometrial. Também considerada 
neoplasia intraepitelial endometrial 
➔ Simples: Probabilidade de 
transformação maligna é de 8% 
➔ Complexa: O risco aumenta para 
29%. 
Mecanismos: 
A proliferação celular é controlada por 
fatores de crescimento e pelo 
desenvolvimento de células maduras a partir 
de células-tronco, sendo dependente da 
integridade da matriz extracelular (MEC). A 
irritação crônica pode promover a 
reprogramação de células-tronco adultas 
para seguir uma nova linha de diferenciação 
celular. 
Importância: A hiperplasia pode ser uma 
lesão cancerizável (pré-neoplásica). 
Metaplasia 
Uma mudança no fenótipo de células 
diferenciadas, onde um tipo celular é 
substituído por outro. 
 
Causas: Geralmente ocorre em resposta à 
irritação crônica, tornando as células mais 
aptas a resistir ao estresse. 
Mecanismos: É geralmente induzida por 
uma alteração na via de diferenciação das 
células-tronco 
Exemplos: 
Esôfago de Barrett: O epitélio escamoso 
estratificado normal do esôfago é substituído 
por um epitélio colunar, similar ao do 
intestino delgado (metaplasia intestinal), 
como resposta adaptativa a danos crônicos 
causados por refluxo ácido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Adaptações celulares e 
neoplasia 
 
 
 
Epitélio brônquico: Em tabagistas crônicos, a 
metaplasia escamosa do epitélio brônquico é 
um prelúdio frequente para o câncer de 
pulmão. 
 
 
 
 
Importância: Embora seja uma adaptação, a 
metaplasia pode resultar em diminuição 
das 
Atrofia 
Uma diminuição do tamanho das células e 
dos órgãos. 
 
Causas: Consequência de uma redução 
do fornecimento de nutrientes ou desuso. 
Mecanismos: Associada a uma 
diminuição da síntese dos componentes 
estruturais das células e ao aumento da 
degradação das organelas celulares por 
autofagia aumentada. A autofagia é um 
processo de "canibalização" celular para 
produção de energia em deficiência de 
nutrientes. 
 
Proliferação celular 
A proliferação celular é o processo pelo qual 
uma célula se divide e origina células-filhas. 
Esse fenômeno é essencial para: 
➔ Desenvolvimento embrionário 
➔ Crescimento corporal 
➔ Reparação de tecidos (ex: 
cicatrização) 
➔ Manutenção da homeostase 
tecidual 
É um processo altamente regulado e 
dependente da integridade da matriz 
extracelular (MEC). 
A diferenciação celular, por sua vez, é o 
mecanismo pelo qual células se 
especializam em funções específicas. 
Ambas são controladas por sinais 
moleculares internos e externos, 
mantendo o equilíbrio da população 
celular. 
Fatores que regulam a proliferação 
➔ Fatores de crescimento (ex: EGF, 
VEGF, FGF) 
➔ Interações célula-célula 
➔ Sinais da MEC 
➔ Estado metabólico da célula 
➔ Integridade do DNA (checkpoints) 
 
 
 
 
 
 
 
Adaptações celulares e 
neoplasia 
 
 
Consequências da Desregulação 
Distúrbios nesse sistema regulatório 
podem gerar: 
➔ Hiperplasia: aumento do número de 
células 
➔ Displasia: crescimento celular 
desordenado 
➔ Neoplasias: crescimento 
descontrolado (tumores benignos ou 
malignos) 
Exemplo clínico: Câncer = proliferação 
descontrolada + falhas nos mecanismos 
de reparo e morte celular programada 
(apoptose). 
Atividade Proliferativa dos Tecidos 
A atividade proliferativa varia entre diferentes 
tecidos, classificados em: 
Lábil: Alta renovação contínua 
ex: Epitélio intestinal, medula óssea 
Estável: Quiescente, mas capaz de 
proliferação quando estimulado 
ex: Fígado, endotélio vascular 
Permanente: Não prolifera após o 
desenvolvimento 
ex: Neurônios, miócitos cardíacos 
Elementos que regulam essa atividade: 
➔ Taxa de proliferação 
➔ Morte celular 
➔ Diferenciação 
➔ Fatores de crescimento 
São polipeptídeos que atuam como 
ligantes para receptores específicos. 
Ex: EGF (fator de crescimento 
epidérmico), VEGF (angiogênese), 
TGF-β (regulador de crescimento). 
MEC (Matriz Extracelular) 
Estrutura complexa com: 
➔ Proteínas estruturais: 
colágeno, elastina 
➔ Glicoproteínas adesivas: 
fibronectina, laminina 
➔ Proteoglicanas e hialuronano 
Regula adesão, migração, diferenciação 
e proliferação celular. 
Ciclo Celular e Proliferação 
A proliferação depende da progressão 
adequada pelo ciclo celular, dividido em 
fases: 
Fases do Ciclo Celular: 
● G0: célula em repouso/quiescência 
● G1: crescimento e preparação para 
replicação 
● S: síntese de DNA 
● G2: preparo para divisão 
● M: mitose (divisão celular) 
Checkpoints: 
● G1/S: verifica condições para 
 
 
 
 
 
 
 
Adaptações celulares e 
neoplasia 
 
 
replicação do DNA 
● G2/M: verifica danos no DNA antes 
da mitose 
● Spindle checkpoint (metáfase): 
garante distribuição correta dos 
cromossomos 
Falhas nos checkpoints → mutações 
não corrigidas → instabilidade 
genômica → câncer 
Controle Molecular do Ciclo Celular 
Principais Reguladores: 
➔ Ciclinas: proteínas reguladoras 
expressas ciclicamente 
➔ CDKs (Cyclin-Dependent 
Kinases): enzimas ativadas por 
ciclinas 
 
Complexo 
ciclina-CDK 
Fase 
ativa 
Função 
Ciclina D - CDK4/6 G1 Fosforila 
pRb, libera 
E2F 
Ciclina E - CDK2 G1/S Inicia 
replicação 
do DNA 
Ciclina A - 
CDK2/CDK1 
S-G2 Progressão 
e preparo 
para mitose 
Ciclina B - CDK1 G2/M Entrada na 
mitose 
 
Inibidores de CDK: 
● INK4 (p16, p15, p18, p19): inibem 
CDK4/6 
● CIP/KIP (p21, p27, p57): inibem 
múltiplos CDKs 
Proteínas Supressoras Tumorais: 
● p53: "guardiã do genoma" → ativa 
p21, induz apoptose em caso de 
dano irreparável. 
● pRb: bloqueia E2F, impedindo 
transição G1/S. Quando fosforilada, 
permite progressão do ciclo. 
Mutação em p53 ou pRb → perda do 
controle → oncogênese 
 
 
 
Células-tronco 
São células com capacidade de: 
● Autorrenovação: manter sua 
própria população 
● Diferenciação: gerar linhagens 
celulares específicas 
Tiposde células-tronco: 
 
 
 
 
 
 
 
Adaptações celulares e 
neoplasia 
 
 
Totipotente: Todas as células do corpo e 
anexos embrionários 
ex: Zigoto 
Pluripotente: Todas as células do 
corpo ex: Célula-tronco 
embrionária 
Multipotente: Células de um único 
tecido ex: Células hematopoiéticas 
Unipotente: Um único tipo celular 
ex: Células da pele 
Senescência Replicativa: 
Células normais se dividem um número 
limitado de vezes devido ao encurtamento 
dos telômeros. 
Enzima telomerase evita senescência em 
células-tronco e células tumorais 
Nichos de células troncos 
Nicho = microambiente especializado 
que regula: 
● Proliferação 
● Diferenciação 
● Sobrevivência 
● Quiescência das células-tronco 
Exemplos de Nichos: 
Pele: 
Zona bulbar dos folículos pilosos, 
glândulas sebáceas, camada basal da 
epiderme 
Intestino delgado 
Base das criptas intestinais, acima das 
células de Paneth 
Fígado 
Canais de Hering (transição entre ductos 
biliares e hepatócitos) 
Desregulação do nicho pode gerar 
câncer de cólon, carcinomas epiteliais 
ou falhas regenerativas. 
Atipia Celular 
Atipia celular é um termo usado em 
patologia para descrever alterações 
anormais no aspecto das células quando 
observadas ao microscópio. 
Essas alterações geralmente envolvem 
mudanças no tamanho, forma, núcleo e 
organização celular, podendo indicar 
respostas reativas (benignas) ou lesões 
pré-cancerosas ou malignas. 
Características microscópicas: 
➔ Pleomorfismo celular (variação no 
tamanho e forma das células e 
dos núcleos) 
➔ Núcleo aumentado e 
hipercromado (maior relação 
núcleo/citoplasma e coloração 
mais intensa devido ao aumento 
de DNA) 
➔ Cromatina irregular (distribuição 
anormal, pode ser grosseira ou em 
grumos) 
➔ Nucléolo proeminente (indica 
aumento da atividade de 
transcrição) 
Outras características possíveis: 
 
 
 
 
 
 
 
Adaptações celulares e 
neoplasia 
 
 
➔ Aumento da relação 
núcleo/citoplasma 
➔ Mitose atípica (mitoses bizarras ou 
em locais incomuns) 
➔ Margens nucleares irregulares 
➔ Citoplasma escasso ou 
vacuolizado 
➔ Desorganização arquitetural 
celular 
Dividida em dois tipos: 
Atipia Reativa 
★ Preserva arquitetura tecidual (as 
células continuam organizadas de 
forma semelhante ao tecido 
normal) 
★ Cromatina uniforme (sem grandes 
variações na coloração e 
distribuição) 
★ Associada a inflamação 
(geralmente causada por 
infecções, trauma, radiação ou 
regeneração tecidual) 
★ Pode regredir com o tratamento 
da causa base 
★ Aspecto benigno ao exame 
histopatológico 
Displasia (pré-cancerosa) 
★ Perda de polaridade (as células 
perdem a orientação normal em 
relação à membrana basal) 
★ Núcleo com cromatina 
aumentada e irregular (indicando 
maior atividade proliferativa e 
instabilidade genética) 
★ Risco de progressão para 
neoplasia maligna 
★ Alterações começam no epitélio 
basal e progridem em direção à 
superfície 
★ Classificação possível em leve, 
moderada e grave (ou carcinoma 
in situ) 
★ É reversível em estágios iniciais se 
a causa for removida 
★ Presença de mitoses anormais, 
inclusive nas camadas superficiais 
Neoplasia 
A patologia, em sua essência, é o estudo 
das doenças, e as doenças se originam no 
nível celular, a partir de perturbações em 
moléculas que influenciam a 
sobrevivência e o comportamento das 
células. 
A neoplasia, ou câncer, é um exemplo 
primordial de distúrbio da proliferação e 
diferenciação celular. - 
Características: 
➔ Invasão tecidual 
➔ Mitose bizarra 
➔ Pleomorfismo intenso 
Neoplasia: 
Significa "novo crescimento", e um novo 
crescimento é denominado neoplasma. 
Tumor: 
Originalmente aplicado ao edema 
causado pela inflamação, agora é 
sinônimo de neoplasia. 
Oncologia: O estudo dos tumores ou 
neoplasmas. 
Câncer: 
Uma neoplasia é definida como um 
distúrbio genético do crescimento celular, 
 
 
 
 
 
 
 
Adaptações celulares e 
neoplasia 
 
 
desencadeado por mutações adquiridas 
ou herdadas que afetam uma única célula 
ou sua progênie. 
Essas mutações alteram a função de 
genes, conferindo às células neoplásicas 
uma vantagem de sobrevivência e 
crescimento, resultando em proliferação 
excessiva independente de controles 
fisiológicos. 
Componentes do Tumor 
Todos os tumores são formados por: 
➔ Parênquima tumoral: As células 
neoplásicas propriamente ditas. 
➔ Estroma reativo: Composto por 
tecido conjuntivo, vasos 
sanguíneos e células do sistema 
imune. O crescimento e 
propagação do tumor dependem 
fundamentalmente do estroma. 
➔ Desmoplasia: É a formação de 
abundante estroma colagenoso, 
tornando alguns tumores (ex: 
câncer de mama) duros como 
pedra. 
Características que Diferenciam 
Tumores Benignos e Malignos 
Os principais critérios são: 
Diferenciação 
Refere-se à extensão com que as células 
neoplásicas se assemelham às células 
normais correspondentes, morfológica e 
funcionalmente. 
Anaplasia 
É a falta de diferenciação. É uma 
característica morfológica das células 
cancerosas, que exibem pleomorfismo, 
núcleos grandes e hipercromáticos, e alta 
razão núcleo: citoplasma. 
➔ Tumores benignos: São 
geralmente bem diferenciados. 
➔ Neoplasias malignas: Podem ser 
bem diferenciadas a pouco 
diferenciadas, mas a anaplasia é 
um sinal de malignidade. 
Invasão Local: 
Tumores benignos 
Em geral, permanecem localizados e não 
invadem os tecidos adjacentes. 
Apresentam um crescimento expansivo, 
muitas vezes encapsulado. 
Tumores malignos 
Caracterizam-se por invasão local. 
Infiltram o tecido circundante, danificando 
ou destruindo estruturas vitais. 
Metástase 
➔ Tumores benignos: Não 
 
 
 
 
 
 
 
Adaptações celulares e 
neoplasia 
 
 
apresentam metástase. 
➔ Tumores malignos: A capacidade 
de metástase é o critério mais 
confiável de malignidade. 
A metástase é a principal causa de 
morbidade e mortalidade relacionadas ao 
câncer. 
Vias de Disseminação 
Implante direto em cavidades ou 
superfícies corporais. 
➔ Disseminação linfática: A via 
mais comum para carcinomas. O 
envolvimento dos linfonodos é 
importante para prognóstico e 
tratamento. A biópsia de linfonodo 
sentinela é utilizada para avaliar a 
disseminação. 
➔ Disseminação hematogênica: 
Preferida por sarcomas. Mais 
comum no fígado e nos pulmões, 
que são os primeiros leitos 
capilares encontrados. Outros 
padrões podem ser específicos do 
câncer (ex: plexo paravertebral 
para tireoide e próstata).

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