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Unidade 3 Gestão de qualidade em serviços de alimentação Claudia Modesto Veludo de Oliveira © 2019 por Editora e Distribuidora Educacional S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2019 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR e-mail: editora.educacional@kroton.com.br Homepage: http://www.kroton.com.br/ Sumário Unidade 3 Gestão de qualidade em serviços de alimentação .................................5 Seção 3.1 Introdução à gestão de qualidade .................................................6 Seção 3.2 Avaliação dos processos em Unidades de Alimentação e Nu- trição ............................................................................................. 19 Seção 3.3 Gestão ambiental em unidades de alimentação e nutrição .... 30 Unidade 3 Gestão de qualidade em serviços de alimentação Convite ao estudo Caro aluno, seja bem-vindo mais uma vez! É chegado o momento de direcionarmos nosso foco para os aspectos referentes à qualidade do produto e do serviço ofertado pela Unidade de Alimentação e Nutrição. Nesta unidade, você vai aprofundar seus conhecimentos acerca da gestão de qualidade e as estratégias empregadas para implantar e monitorar todos os processos existentes na Unidade de Alimentação e Nutrição, de forma a garantir um produto final que atenda às expectativas determinadas e possa, além disso, surpreender o consumidor. Para darmos início aos nossos estudos, vamos conhecer a história de Lorena, nutricionista de uma empresa que presta consultoria para diversas unidades produtoras de alimento em todo o Brasil. Lorena foi designada para prestar uma consultoria em uma UAN inaugurada para atender aos funcio- nários de uma indústria de fertilizantes. Ao chegar na UAN a ser avaliada, Lorena reúne todos os responsáveis pela gestão para uma reunião em que explica os objetivos de seu trabalho. Durante a reunião, Lorena é questionada se a consultoria terá como foco apenas a avaliação da qualidade higiênico- -sanitária das refeições. Rapidamente ela responde que não e explica para os presentes o que é gestão de qualidade. Qual foi a explicação dada por Lorena? Com quais materiais pode trabalhar um gestor de qualidade para embasar seus resultados? Ao final desta unidade você compreenderá que um bom nutricionista gestor de UAN deve conhecer os métodos empregados para garantir não só a qualidade higiênico-sanitária das refeições, mas a qualidade de todos os processos que acontecem na UAN. Desta forma, crescem as chances da empresa se destacar positivamente neste concorrido mercado. Bons estudos! 6 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação Seção 3.1 Introdução à gestão de qualidade Diálogo aberto Prezado aluno, nesta seção daremos início aos nossos estudos sobre gestão de qualidade. Para tanto, é fundamental conhecer a importância desta área da administração para as Unidades de Alimentação e Nutrição, de forma que o nutricionista reconheça seu papel fundamental para a qualidade de todos os processos, e não apenas para assegurar a qualidade higiênico-sanitária dos produtos, conforme já citado. Além disso, você aprenderá sobre os indica- dores e as ferramentas disponíveis para que seja possível avaliar e monitorar a situação da empresa em termos de qualidade total. Uma vez atingido um nível adequado de qualidade, a empresa pode solicitar uma certificação, cujos tipos serão apresentados a você nesta seção. Para finalizar, você conhe- cerá um pouco mais sobre a atuação do departamento de vigilância sanitária na avaliação da qualidade em unidades produtoras de alimentos. Para aproximar o conteúdo teórico da prática profissional, você será apresentado à seguinte situação-problema: Você se lembra da consultora de qualidade que avaliou a UAN de uma empresa de fertilizantes? Após receber o relatório de Lorena acerca da consul- toria de qualidade realizada na UAN, Thalita, que é a nutricionista responsável pelo serviço, coloca em prática as sugestões descritas no relatório como inade- quadas, a começar pela criação de indicadores de qualidade para que ela mesma tenha condições de monitorar o serviço prestado pela UAN. Qual a importância da criação de indicadores para a gestão de qualidade? Como Thalita pode atuar para criar indicadores para a UAN e quais são imprescindíveis para o serviço? Importância da gestão de qualidade em serviços de alimentação No momento em que a produção em massa ganhou força, surgiu a neces- sidade de que os produtos/serviços tivessem sempre o mesmo padrão e apresentassem a mesma qualidade. Desta forma surge, na década da 1930, o controle de qualidade de produtos e serviços. Denomina-se qualidade o nível de excelência do que é produzido, e garantir tal nível implica na busca de melhorias constantes. A qualidade é um elemento de fundamental importância para a sobrevivência de qualquer empresa e, portanto, deve ser vista como uma estratégia básica. Não pode faltar Seção 3.1 / Introdução à gestão de qualidade - 7 A qualidade fundamenta-se na ideia de que um processo de produção se encontra em conformidade quando ele produz certo de maneira consistente e planejada. Para tanto, é dependente de melhoria contínua e deve manter o foco nos seguintes princípios: • Foco no cliente: é fundamental que a empresa atenda às necessidades atuais e futuras de seus clientes, procurando, inclusive, exceder suas expectativas. • Liderança: líderes devem criar um ambiente interno no qual as pessoas estejam envolvidas em atingir os objetivos da empresa. • Envolvimento de pessoas: possibilita que as habilidades das pessoas envolvidas em todas as etapas do processo de produção sejam usadas para o benefício da empresa. • Abordagem de processo: um resultado é alcançado mais eficiente- mente quando as atividades e os recursos relacionados são geren- ciados como um processo. • Abordagem sistêmica para a gestão: contribui para a eficácia e efici- ência da empresa. • Melhoria contínua: deve ser o objetivo permanente da empresa, considerando todos os processos e setores envolvidos, e não só o produto final. • Abordagem factual para tomada de decisão: decisões eficazes são baseadas na análise de dados e informações. • Benefício mútuo nas relações com os fornecedores: aumenta a capacidade de agregar valor. A Figura 3.1 esquematiza os elementos para a busca de níveis crescentes de excelência nas empresas do setor alimentício que serão discutidos com detalhes no decorrer desta unidade. Reflita No que diz respeito aos serviços de alimentação e nutrição, o que você acredita ser fundamental para definir a qualidade do produto ofertado? 8 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação Para iniciar a implantação de programas de gestão de qualidade os gestores da empresa ou do setor, podem seguir os seguintes passos: 1. Formular a estratégia - analisar oportunidades, nível tecnológico, necessidades dos clientes, capacitação dos colaboradores, concor- rentes, referenciais de excelência, investimentos, etc. 2. Refletir - onde estamos (profissional e empresa)? Para onde iremos? Como iremos? Quem são os responsáveis? Quais as atividades? Em que podemos melhorar? 3. Estabelecer metas e objetivos. 4. Avaliar a situação atual (usar checklists - RDC275/02). 5. Desenvolver e implantar planos de ação para solucionar as não conformidades encontradas. 6. Monitorar. 7. Aplicar ações corretivase/ou preventivas quando ocorrerem desvios. Figura 3.1 | Pirâmide da qualidade para empresas do setor alimentício Excelência comprovada Elementos de excelência Responsabilidade social Segurança e saúde ocupacional Gestão ambiental Gestão de qualidade Gestão de segurança de alimentos Segurança de alimentos (BPF + POP/PPHOS = PPR) 5 sensos PNQ (Prêmio Nacional de Qualidade) Liderança e estratégia Legislações, normas e regulamentos técnicos Ferramentas da qualidade Qualidade total SA 8000 OHSAS 18000 ISO 14000 ISO 9000 ISO 22000 APPCC 5S Organização Motivação E X C E L Ê N C I A Fonte: Popolim (2012, p. 183). Seção 3.1 / Introdução à gestão de qualidade - 9 Indicadores de qualidade em serviços de alimentação: Indicadores são medidas utilizadas como guias para monitorar e avaliar a qualidade do serviço prestado. A aplicabilidade e a importância dos indicadores baseiam-se na possibilidade de quantificar as caracterís- ticas envolvidas nos produtos e processos, com objetivo de controlar e melhorar a qualidade e o desempenho da empresa. De modo geral, repre- sentam a eficácia do processo frente às necessidades, satisfação e quali- dade do produto/serviço. O uso de indicadores para gestão de qualidade tem, portanto, a intenção de contribuir para a melhoria contínua e para o alcance de metas propostas. Para cumprirem seu propósito com excelência, os indicadores precisam apresentar alguns atributos, a saber: objetividade; baixo custo; validade; simplicidade; sensibilidade; especificidade e confiabilidade. Os indicadores podem ser representados por uma taxa ou um coeficiente, um índice, um número absoluto ou um fato. É comum que, inicialmente, os gestores encontrem dificuldades de “desenvolver” indicadores, contudo, registros feitos de forma rotineira na UAN podem se tornar indicadores importantes. Registros a respeito da programação de materiais, dimensionamento de equipamentos e pessoal são um exemplo dessa prática, pois uma vez que são registrados os atendimentos e produtividade com detalhamento suficiente, estes dados podem fundamentar tomadas de decisão. A partir destes regis- tros desenvolve-se um indicador de produção, por exemplo, em que será obtida a estatística das refeições fornecidas a todos os clientes da UAN. Exemplificando Taxa ou coeficiente: taxa de não conformidade no recebimento de gêneros alimentícios n° de itens não conformes x 100 n° total de itens entregues no período Índice: índice de refeições produzidas por cozinheiros n° de refeições produzidas n° total de cozinheiros que trabalham na UAN Número absoluto: número de refeições distribuídas durante o almoço. Fatos: total de horas extras que os colaboradores da UAN fizeram durante o mês de julho de 2018. 10 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação É possível e recomendado que sejam criados indicadores para avaliar todas as etapas do serviço prestado. Sugere-se então que a UAN tenha indica- dores sobre o percentual de adequação do fator de correção do descongela- mento e processamento das carnes e dos vegetais; o registro sobre o número e os motivos de alterações nos cardápios; sobre o padrão de porcionamento das preparações que são servidas aos comensais; o registro do horário de início e término da distribuição; o nível de satisfação do comensal; o percen- tual de resto-ingestão das refeições e os registros de treinamentos aplicados aos colaboradores, por exemplo. Ferramentas para avaliação de qualidade em serviços de alimentação O processo de planejar, analisar e buscar soluções pode ser facilitado com o emprego de ferramentas de qualidade, que são técnicas utilizadas para definir, mensurar, analisar e propor soluções para os problemas que inter- ferem no bom desempenho dos processos de trabalho. As ferramentas de qualidade podem ser usadas de forma combinada ou isolada de acordo com o objetivo a ser atingido. A seguir, estão apresentadas algumas delas: • Diagrama de Pareto É um tipo de gráfico de frequência usado para realçar os problemas prioritários de um processo, por meio da relação 20/80 (20% das causas explicam 80% dos problemas). Exemplificando Quanto ao recebimento e armazenamento de gêneros alimentícios, é possível criar um indicador para a adequação de recebimento de hortifrutigranjeiros, por meio do qual será calculado o índice de não conformidade deste recebimento. Os dados deste índice serão obtidos dos registros de recebimento, que devem informar as não conformidades relativas à qualidade, à quantidade, ao horário e suas incidências, possibilitando a visualização dos problemas potenciais e adequação de fornecedores. Pode ser criado ainda um outro indicador para qualificação de fornecedores, gerando uma classificação como “fornecedor sem restrições”, “com necessidade de acompanhamento” e “não quali- ficado”, o que permite uma seleção criteriosa e redução das inter- corrências na UAN. Seção 3.1 / Introdução à gestão de qualidade - 11 • Diagrama de causa e efeito Ferramenta gráfica que visa estabe- lecer a relação entre o efeito e todas as categorias causais de um processo, identificando os elementos responsáveis por cada uma daquelas categorias que produzem o efeito estudado. Figura 3.2 | Aplicação do diagrama de Pareto em uma UAN: Fonte: Reis, Tanaka e Merlo (2012, p. 189). Satisfação do cliente Tem per atu ra da alim ent açã o Eq uip e d e ate nd im ent o Va rie dad e d o car dáp io Sab or das ref eiç ões Qu ant ida de de alim ent os Hi gie ne do s ma ter iais uti liza do s Ho rár io das ref eiç ões 400 100 80 60 40 20 0 % 300 200 100 Valores % % Acum. 117 32,2 32,2 71 19,6 51,8 62 17,1 68,9 38 10,5 79,3 34 9,4 88,7 28 7,7 96,4 13 3,6 100,0 C1 Va lo re s a bs ol ut os 0 • Brainstorming Consiste na reunião dos colaboradores envolvidos no processo para que pensem juntos sobre questões específicas, gerando um grande número de opiniões e ideias. Seu resultado pode gerar um diagrama de causa e efeito. Figura 3.2 | Aplicação do diagrama de Pareto em uma UAN: Fonte: elaborada pela autora. MÁQUINA Refrigerador pequeno Lava-louças com defeito Armazenamento inadequado Óleo de má qualidade Mu ito ó leo Poucos ajudantes Fogão desregulado Carnes duras Alimentos mal cozidos Muito sal Falta de nutricionista habilitada Cardápios mal balanceados Cozinheiro sem experiência Poucas opções de cardápio Armazenamento inadequado MÃO DE OBRA MÉTODO CAUSAS EFEITO MATÉRIA PRIMA MÁ QUALIDADE DA COMIDA 12 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação • Histograma São diagramas de distribuição de frequência de uma variável, cuja finalidade é apresentar a variabilidade dos dados em um determinado período. • Programa 5S Enfatiza o conceito de manter em ordem o local de trabalho. Sua implantação se baseia nos cincos “sensos”, a saber: SEIRI (senso de organização); SEITON (senso de utilização); SEISO (senso de limpeza); SEIKETSU (senso de higiene) e SHITSUKE (senso de disciplina). • Plano de ação 5W2H É uma forma sistemática de listar as causas de um problema, destacando as formas de neutralizá-lo (what); identi- ficando o responsável por fazê-lo (who); o local onde as medidas deverão ser tomadas (where); o prazo para que sejam implementadas (when); o motivo pelo qual estão sendo tomadas tais medidas (why), a maneira de implementá-las (how) e, finalmente, o custo (how much). • Ciclo PDCA Plano de ação cujo objetivo é a melhoria contínua dos processos. Para cada etapa do ciclo PDCA podem serutilizadas diversas ferramentas de qualidade Assimile Caso a empresa defina pela aplicação do ciclo PDCA para implementação da qualidade, é possível que as metas não sejam alcançadas em sua totalidade logo na primeira tentativa. É comum, portanto, que o ciclo “rode” quantas vezes forem necessárias para assegurar a melhoria do processo estudado. Figura 3.4 | Ciclo PDCA Fonte: adaptada de Nakasato e Isosaki (2009, p. 126-145). AGIR Consolidar os resultados PLANEJAR Objetivos e metas CONTROLAR Mensurar, analisar FAZER Informar, treinar, implantar, registrar Seção 3.1 / Introdução à gestão de qualidade - 13 Certificações de conformidade As certificações de qualidade são um atestado que garante que um deter- minado produto/serviço está em condições de conformidade com determi- nada norma ou determinado regulamento técnico. A maior parte das certifi- cações está direcionada para a área de saúde, especialmente hospitais. De forma geral, é possível solicitar a avaliação da International Organization for Standardization (ISO), uma organização que tem por objetivo desenvolver a normalização de quaisquer tipos de atividades. Trazendo o foco especificamente para a área de nutrição, quando se fala em qualidade, é fundamental falar sobre a segurança alimentar. Para assegurar este aspecto, as empresas do setor de alimentação devem cumprir exigên- cias legais que visam proteger a saúde do consumidor e todos os processos desenvolvidos. Nesse sentido, devem constar no Manual de Boas Práticas de Controle Higiênico Sanitário, destacando-se a necessidade de descrever os Procedimentos Operacionais Padronizados (POP) e de implementar o Sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), que serão discutidos de forma detalhada nas seções seguintes. Atuação da Vigilância Sanitária De acordo com a ANVISA (2002, p. 10), entende-se por Vigilância Sanitária A vigilância sanitária é uma obrigação do governo brasileiro, que se dá sempre que o poder público adota uma norma ou lei sanitária e fiscaliza sua aplicação. Cabe dizer que o campo de atuação da vigilância sanitária é muito amplo, intervindo em todos os aspectos que possam dizer respeito à saúde dos cidadãos. Portanto, quando se fala em vigilância sanitária e qualidade dos serviços de alimentação, faz-se referência ao trabalho dos fiscais sanitá- rios quanto à verificação do cumprimento das leis que visam assegurar a produção de alimentos com boa qualidade higiênico-sanitária. [...] um conjunto de ações capazes de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e da circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo: 1 - o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas de processo, da produção ao consumo; 2 - o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente com a saúde. “ 14 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação Lorena solicitou a Thalita que criasse os indicadores para avaliar e monitorar a qualidade do serviço prestado pela UAN, pois esta é uma forma de quantificar todas as características envolvidas nos processos que acontecem dentro da unidade. Thalita se lembra de que Lorena disse que os indicadores representam a eficácia do processo frente às necessidades, à satisfação e à qualidade do produto/serviço e devem ser usados com o intuito de contribuir para a melhoria contínua do serviço, e não apenas para ressaltar as falhas nos processos. Para criar os indicadores da UAN gerenciada por si, Thalita decide começar usando apenas os registros de processos que ocorrem no dia a dia da UAN, como planilhas de controle de temperatura e de estoque, planilha de resto-ingestão, anotações acerca de modificações nos cardápios e pedidos de compra feitos em caráter de urgência ou de acordo com o planejamento. Desta forma, Thalita percebeu que seria possível avaliar e acompanhar a evolução de diversos processos sem alterar, de imediato, a rotina de trabalho de seus colaboradores. De posse destes dados, Thalita desenvolveu os seguintes indicadores, que são indispensáveis para uma Unidade de Alimentação e Nutrição: ─ Indicador de produção da UAN (estatística mensal sobre o número e tipo de refeições fornecidas aos clientes da UAN). ─ Indicador para a adequação de recebimento de gêneros (índice de não conformidade no recebimento de cada tipo de gênero utilizado na UAN). ─ Indicador de adequação de fornecedores (índice de não conformi- dade no recebimento dos gêneros de acordo com o fornecedor). ─ Indicador de qualificação de fornecedores (classificação dos fornecedores para visualizar a possibilidade de manter ou não o contrato). Pesquise mais Para conhecer melhor a atuação da Vigilância Sanitária na garantia da qualidade dos produtos e serviços na área de alimentação, acesse: AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA. Cartilha de Vigilância Sanitária. 2. ed. Brasília: ANVISA, 2002, 58 p. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_vigilancia.pdf. Acesso em: 2 nov. 2018. Sem medo de errar Seção 3.1 / Introdução à gestão de qualidade - 15 ─ Indicador do fator de descongelamento e correção de carnes e vegetais (índice para avaliar a perda de matéria-prima e a produtivi- dade dos colaboradores). ─ Indicador de alterações nos cardápios (índice que revela o número de modificações realizadas no cardápio planejado). ─ Indicador de padronização do porcionamento (percentual de não conformidade nas porções servidas aos comensais). ─ Indicador de satisfação do cliente. ─ Indicador de resto-ingestão (percentual de sobras não consumidas após terem sido colocadas no prato). Thalita decide iniciar a avaliação por meio destes indicadores, mas reconhece que é necessário que sejam criados índices para avaliar todas as etapas do serviço prestado. Aplicação das ferramentas de qualidade em uma Unidade de Alimentação e Nutrição Descrição da situação-problema Bernardo e Augusto são sócios em uma panificadora e têm recebido diversas queixas a respeito da qualidade do pão francês no último mês. Bernardo sugere então que ele e Augusto apliquem uma ferramenta de quali- dade para identificar o problema relacionado ao pão, para que possam resol- vê-lo o mais rápido possível. Augusto sugere que usem o plano de ação 5W2H, e então eles iniciam sua aplicação. Quais são as etapas a serem percorridas pelos sócios para que consigam solucionar o problema de sua panificadora? Resolução da situação-problema O plano de ação 5W2H é bastante adequado para a situação vivida por Augusto e Bernardo, pois esta é uma forma sistemática de listar as causas de um problema, destacando o que deve ser feito para corrigi-lo. Portanto, Augusto e Bernardo precisam pensar, primeiramente, no que fazer a respeito do pão francês de baixa qualidade para que as queixas cessem. Eles devem parar de produzir? Trocar de padeiro ou apenas treiná-lo Avançando na prática 16 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação novamente? Mudar a matéria-prima? Todas estas são possibilidade a serem consideradas e discutidas pelos sócios. Uma vez definida a atitude a ser tomada, devem elencar quem será o responsável por tomar a atitude definida anteriormente e o local onde a atitude será tomada. Outra etapa diz respeito ao prazo estipulado por ambos os sócios para que o problema seja corrigido, definido de acordo com a importância que o pão francês tem para as vendas e para o marketing da panificadora. O quinto “W” indica que eles devem informar toda a equipe a respeito do motivo pelo qual decidiram tomar tal atitude. Para finalizar a implementaçãodesta ferramenta, os sócios devem esclarecer a maneira com que irão proceder para tomar a atitude definida (se for um curso de atualização para o padeiro, devem organizar um cronograma de aplicação, deslocar um colaborador para cumprir as funções do padeiro enquanto este estiver fora ou modificar os horários de produção para que o serviço não fique desabastecido), e ainda calcular o custo que a resolução deste problema terá para a panificadora, o que auxiliará na tomada de decisão a respeito do primeiro item (qual a atitude a ser tomada). 1. O programa 5S corresponde a uma filosofia de trabalho cujo objetivo é promover a disciplina na empresa por meio da conscientização e da responsabilização de todos os colaboradores, tornando, desse modo, o ambiente de trabalho agradável, seguro e produtivo. Com relação a este programa, julgue os itens que se seguem como verdadeiros (V) ou falsos (F): ( ) O senso de arrumação ou Seiton refere-se à limpeza da área de trabalho e investi- gação das rotinas que geram sujeira, objetivando modificá-las. ( ) O senso de utilização ou organização, denominado Seiri, consiste em uma técnica para identificação e eliminação de objetos e informações desnecessárias existentes no local de trabalho. ( ) O Shitsuke ou senso de disciplina é o compromisso pessoal com o cumprimento dos padrões éticos, morais e técnicos definidos pelo programa 5S. ( ) O senso de limpeza ou Seiso consiste em atividades de arrumação ou ordenação dos objetos e informações que restaram após o Seiri, como guardar materiais em lugar de fácil acesso. Considerando os itens avaliados sobre o programa 5S, assinale a alternativa que corresponde à sequência correta. a) F - V - V - F b) F - V - V - V Faça valer a pena Seção 3.1 / Introdução à gestão de qualidade - 17 c) V - F - V - F d) V - F - F - V e) V - V - F - F 2. Ferramentas de qualidade são técnicas utilizadas com a fi nalidade de defi nir, mensurar, analisar e propor soluções para os problemas que interferem no bom desempenho dos processos de trabalho. Sua utilização pode representar, entre outros aspectos, um ponto de partida para a melhoria no ambiente de trabalho e para a redução de custos operacionais, auxiliando o profi ssional na solução de problemas. Algumas das ferramentas de qualidade são apresentadas grafi camente, a seguir. Figura 3.5 | Ferramentas de qualidade Fonte: adaptada de Manual do Programa de Gestão de Qualidade do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, [s.d.]. PACIENTE Fr eq uê nc ia Característica da medida Ficar em pé Demora excessiva Falta de medicamentos Falta de paciência Outros CENTRAL RECEPÇÃOREGISTROCONSULTÓRIO As ferramentas representadas nas fi guras são, respectivamente: a) W = Diagrama de Causa e Efeito ou Ishikawa; X = Histograma; Y = Fluxograma; Z= Diagrama de Pareto. b) W = Fluxograma; X = Diagrama de Pareto; Y = Histograma; Z = Diagrama de Causa e Efeito ou Ishikawa. c) W = Fluxograma; X = Diagrama de Causa e Efeito ou Ishikawa; Y = Histograma; Z = Diagrama de Pareto. d) W = Diagrama de Causa e Efeito ou Ishikawa; X = Diagrama de Pareto; Y = Fluxo- grama; Z = Histograma e) W = Histograma; X = Fluxograma; Y = Diagrama de Pareto; Z = Diagrama de Causa e Efeito ou Ishikawa. 18 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação 3. O ciclo PDCA propõe uma sequência de ações com o objetivo de melhorar o processo de implantação de programas de gestão. Estas ações consistem em planejar, executar, verificar e atuar. De acordo com a metodologia do ciclo PDCA, assinale a opção que apresenta um exemplo correto da ação verificar. a) Organizar palestras sobre riscos no ambiente de trabalho para conscientizar o corpo de funcionários de uma empresa. b) Avaliar e definir prioridades de atuação para mitigação de riscos no processo produtivo de uma empresa. c) Levantar dados sobre a redução do número de acidentes entre os empregados que participam de palestras sobre segurança no trabalho. d) Intervir para adequar o conteúdo passado aos funcionários, caso não haja redução nos níveis de acidentes de trabalho. e) Elaborar cartilhas de melhores práticas para segurança ocupacional específica para o ramo de atividade da empresa. Seção 3.2 / Avaliação dos processos em Unidades de Alimentação e Nutrição - 19 Seção 3.2 Avaliação dos processos em Unidades de Alimentação e Nutrição Diálogo aberto Você já deve ter percebido que uma Unidade de Alimentação e Nutrição é um órgão de funcionamento bastante complexo, não é mesmo? Em parte, isso se deve ao fato de que, apenas dentro do setor da UAN, são desenvolvidas atividades que se encaixam nas funções técnicas, administrativas, comerciais, financeiras e de segurança. Nesta seção, você estudará sobre as ações necessárias ao nutricio- nista para direcionar o funcionamento de uma Unidade de Alimentação e Nutrição. Serão apresentados a você os parâmetros que precisam ser organi- zados, coordenados e controlados, visto que são eles que fundamentam as etapas pré, durante e após a produção e distribuição de refeições, bem como os aspectos relacionados ao funcionamento de cada uma destas etapas. Para auxiliá-lo na compreensão do conteúdo a seguir, você será apresen- tado a uma situação bastante comum para um nutricionista gestor de uma UAN; veja só: Virgínia é nutricionista em uma Unidade de Alimentação e Nutrição e está atualizando os manuais de procedimento do setor após ter notado uma queda na produtividade dos colaboradores envolvidos com a distribuição das refeições. Percebe então a necessidade de reescrever a rotina para esta atividade. Quais as atribuições descritas por Virgínia para o cozinheiro, o copeiro, o nutricionista, o auxiliar de cozinha e o técnico de nutrição no que diz respeito à distribuição de refeições? Qual a forma de ilustrar os passos desta rotina e apresentá-la à equipe? Avaliação dos processos em Unidades de Alimentação e Nutrição Para o funcionamento adequado de uma UAN é preciso normatizar as operações que são ali executadas. Essa ação possibilita a racionalização do trabalho e permite a constante avaliação do serviço. O processo de avaliação de um serviço deve ser entendido como uma estratégia para decidir como enfrentar e resolver problemas, ou seja, é um processo técnico-administrativo destinado à tomada de decisão. Não pode faltar 20 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação De acordo com Abreu e Spinelli (2009, p. 169), “a avaliação deve servir para direcionar ou redirecionar a execução de ações e atividades e, por conse- guinte, deve ser exercida por todos aqueles envolvidos no planejamento e na execução dessas ações”. Ao avaliar os processos de produção de uma Unidade de Alimentação e Nutrição, o avaliador precisa entender que cada processo de trabalho (seja ele realizado antes, durante ou após a produção e distribuição das refeições) apresenta práticas específicas e deve ser avaliado de acordo com esta especi- ficidade. Ou seja, quando se trata da avaliação dos processos em uma UAN buscando, com isso, promover um desempenho de excelência, não se pode considerar apenas o resultado final. É importante ressaltar que, devido às características tão diversas entre as diferentes unidades produtoras de alimentos, cabe ao nutricionista gestor da UAN estabelecer a forma e a periodicidade de avaliação para cada processo. Portanto, a literatura apenas sugere instrumentos de avaliação, mas estes devem ser adaptados à realidade de cada unidade. Contudo, é imprescindível que, uma vez iniciado o processo de avaliação, estabeleçam-se ações corretivas para curto, médio e longo prazo, e que sejam cumpridas. Figura 3.6 | Modelo de preenchimento do formulário de avaliação de processos Fonte: adaptada de Abreu e Spinelli(2009, p. 171). Seção 3.2 / Avaliação dos processos em Unidades de Alimentação e Nutrição - 21 Para facilitar a avaliação dos processos que acontecem em uma UAN, é possível separá-los em três grandes grupos, a saber: processos anteriores à produção de refeições; processos que ocorrem durante a produção e distri- buição de refeições e processos que ocorrem após a produção e distribuição das refeições. Os processos anteriores à produção de refeições compreendem uma enorme quantidade de atividades, que incluem algumas que precisam ser realizadas com um prazo maior, como a estimativa das necessidades nutri- cionais da clientela; o estabelecimento do padrão do cardápio; a definição das per capitas; o planejamento do cardápio; a estimativa do número de refeições e a estimativa do custo do cardápio, e outras que devem ser realizadas com maior frequência, como a previsão para compras; a solicitação ao fornecedor; a recepção e o armazenamento das mercadorias e as requisições à despensa/ almoxarifado, por exemplo. Por sua vez, as atividades que ocorrem durante a produção e distribuição das refeições incluem a supervisão direcionada à higiene, seja dos colabora- dores, dos utensílios ou das áreas de manipulação de alimentos; à segurança do trabalho; ao fator de correção e cocção dos alimentos; ao controle do número de refeições servidas diariamente; ao porcionamento e à apresen- tação das preparações e ao relacionamento dos colaboradores com a clientela. Para avaliação destas atividades, sugere-se a elaboração de um roteiro de supervisão, conforme apresentado na Figura 3.7. Assimile Cabe ressaltar que a padronização dos processos é uma condição primordial para que a avaliação possa ser realizada! Em uma UAN é necessário padronizar os produtos utilizados, desde os gêneros alimentícios até os materiais de limpeza e descartáveis, bem como todos os procedimentos, de acordo com a legislação vigente. Figura 3.7 | Roteiro para supervisão de colaboradores da UAN 22 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação As atividades subsequentes à produção e distribuição de refeições incluem aquelas de avaliação geral do serviço, uma vez que vão checar se todos os processos ocorreram em conformidade com o planejamento. Dentre estas, incluímos a análise e avaliação do número de refeições servidas, que pode ser considerada um importante indicador de funciona- mento da UAN. O indicador empregado para avaliar este dado relaciona o número de refeições previstas com o número de refeições servidas de fato, conside- rando-se a margem de segurança, que é calculada a partir da média de variação das quantidades máximas e mínimas de clientes do restaurante (aqui percebe-se a necessidade de ter o controle do número de refeições servidas diariamente). O resultado ideal para este indicador é o mais próximo possível de 1. Resultados acima de 1 indicam que foi servido um número menor de refei- ções do que o esperado, e vice-versa. Um número de refeições servidas menor do que o esperado indica a necessidade de reavaliação das metas, das políticas de atendimento ou mesmo do valor cobrado pelo serviço, enquanto resultados muito menores de 1 sugerem falhas de porcionamento ou per capita. A avaliação das sobras é outra atividade fundamental a ser monitorada, pois seu excesso também pode indicar, por exemplo, falhas no porciona- mento das refeições e/ou do per capita, ou ainda a presença de preparações de baixa aceitabilidade. Fonte: adaptada de Teixeira (2003, p. 196). Seção 3.2 / Avaliação dos processos em Unidades de Alimentação e Nutrição - 23 É possível controlar a quantidade de sobras aplicando o índice conhecido como Indicador de Restos (IR), representado pela relação entre o Peso da Refeição Rejeitada (PRR) e Distribuída (PRD), conforme demonstrado na equação a seguir: Reflita Um elevado índice de sobras pode indicar ao nutricionista que a clientela não está sendo atendida em suas necessidades nutricionais? O peso das refeições distribuídas pode ser obtido por meio da pesagem direta das preparações servidas, por pesagem de amostra representativa das bandejas servidas aos clientes ou calculando-se o rendimento médio das preparações. O peso da refeição rejeitada (quantidade distribuída – quantidade não consumida) é obtido por meio da pesagem direta de todo o rejeito comestível das bandejas/pratos (devem ser retirados guardanapos, descartáveis, ossos, cascas de frutas, por exemplo). Valores de IR acima de 10% para coletividades sadias e 20% para coleti- vidades enfermas são considerados inadequados e indicam a necessidade de adequação do cardápio. Ainda dentro das atividades que ocorrem posteriormente ao preparo e à distribuição das refeições, é fundamental avaliar o custo da refeição, verifi- cando se está adequado ao custo padrão programado. Formalização dos processos: manuais, rotinas e fluxogramas Conforme citado anteriormente, para o funcionamento adequado de uma UAN é preciso padronização de materiais e processos. Para tanto, faz-se necessário documentar de forma clara e divulgar amplamente tais padrões para que possam ser seguidos por todos os colaboradores. Para isso, há uma série de manuais, rotinas descritas e fluxogramas que serão citados a seguir. Os manuais são documentos que comportam todas as normas da empresa, formalizando o seu funcionamento. São desenvolvidos para fornecer um relato atualizado dos objetivos de cada uma das etapas do processo de produção de refeições, no caso de uma UAN. Uma vez que os manuais devem conter informações sobre o funcionamento de uma empresa, é correto dizer que precisam de constante atualização, de forma a acompanhar todas as alterações IR = PRR x 100 PRD 24 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação que ocorrem nos processos. Cabe ressaltar que esta característica de constante atualização é indispensável para que os manuais cumpram sua finalidade. Teixeira (2003, p. 210), propõe os tópicos que devem compor o manual de serviço de uma UAN: • Capítulo I – Da organização - Objetivo - Estrutura administrativa - Competência - Normas gerais de funcionamento • Capítulo III – Das instalações e equipamentos - Layout da unidade - Plantas de instalações diversas - Equipamentos • Capítulo II – Do pessoal - Quadro de pessoal - Atribuições por funções - Roteiros de tarefas individuais • Capítulo IV – Do funcionamento - Normas e procedimentos (rotinas) - Formulários - Objetivo - Especificação - Rotina de utilização O quarto capítulo deve retratar, portanto, todo o funcionamento da UAN, por meio de rotinas e fluxogramas. Pode-se definir “rotinas” como a descrição dos passos para a realização de uma atividade. Esta descrição favorece o alcance dos objetivos por parte do colaborador, que evita improvisações e minimiza os erros, ao mesmo tempo que permite ao gestor enxergar com maior critério e atenção a necessidade real de cada passo que compõe uma atividade. Por sua vez, os fluxogramas são as representações gráficas das rotinas e têm por objetivo evidenciar a sequência de um trabalho, possibilitar a boa utilização dos recursos materiais e humanos e racionalizar o trabalho. Pesquisa de satisfação do cliente Considera-se cliente o indivíduo, o grupo ou a organização para os quais são prestados o serviço em questão que, em se tratando de UANs, são as refei- ções. A satisfação dos clientes, que no passado já foi considerada um simples indicador de resultados, hoje tem um lugar de destaque dentro da gestão do serviço. O cliente é, portanto, um dos termômetros da qualidade do serviço. Atualmente, período em que as informações são compartilhadas de forma cada vez mais veloz nas redes sociais, um cliente insatisfeito pode provocar um grande estrago à reputação de um serviço dealimentação. Por isso, é fundamental ouvir, regularmente, o que o cliente tem a dizer. Seção 3.2 / Avaliação dos processos em Unidades de Alimentação e Nutrição - 25 A avaliação da satisfação do cliente deve ser feita de modo a registrar as respostas dadas por meio de questionários ou entrevistas, com posterior elaboração de relatório estatístico. Por sua vez, estes relatórios devem ser analisados por todos os responsáveis envolvidos no processo de produção de refeições e considerados uma oportunidade de estabelecer novos padrões de qualidade ao colocar em prática as ações de adequação sugeridas. Exemplificando Veja aqui dois exemplos de pesquisa de satisfação que podem ser aplicados com a clientela de restaurantes e refeitórios de empresas: Figura 3.8 | Modelo de pesquisa de satisfação da clientela Fonte: elaborada pela autora. Figura 3.9 | Modelo de pesquisa de satisfação da clientela 26 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação A literatura disponível sugere avaliar separadamente o atendimento prestado pela equipe (copeiros, nutricionista, etc.) e o alimento ofertado (cardápio, sabor, apresentação, temperatura, etc.), bem como diferenciar o tipo de questionário aplicado de acordo com o grau de instrução e faixa etária da clientela atendida. Cabe citar que o fato de os clientes terem a possibilidade de opinar a respeito de um serviço fortalece o vínculo com o restaurante/refeitório, trazendo benefícios como a fidelização. Fonte: adaptada de Teixeira (2003, p. 187). Virgínia descreve a rotina de distribuição de refeições indicando as atividades que devem ser desempenhadas por cada colaborador envolvido nesta etapa. • Cozinheiro Registra o peso das preparações em formulário próprio e transporta as preparações para a área de distribuição. • Copeiro Recebe as preparações e coloca no balcão de distribuição. Porciona as preparações para o comensal. Pesquise mais Percebeu que conhecer a opinião do cliente sobre o serviço prestado é fundamental? Então, para saber mais sobre o assunto, não deixe de ler este conteúdo selecionado especialmente para você! OLIVEIRA, T.; VIEIRA, M. N. C. M. Pesquisa da satisfação do usuário. In: VIERA, M. N. C. M.; JAPUR, C. C. Gestão de qualidade na produção de refeições. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012, p. 248-257. Dispo- nível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85- 277-2202-5/cfi/271!/4/2@100:0.00. Acesso em: 11 nov. 2018. Sem medo de errar Seção 3.2 / Avaliação dos processos em Unidades de Alimentação e Nutrição - 27 • Nutricionista Supervisiona a distribuição. Avalia as informações relativas ao número de refeições servidas e ao indicador de restos. • Auxiliar de cozinha Recebe as bandejas, separa talheres, seleciona as sobras comestíveis e não comestíveis e encaminha as bandejas e talheres para higienização. Pesa as sobras no final da distribuição. • Técnico em Nutrição Supervisiona as atividades do auxiliar de cozinha. Registra o peso das sobras em formulário próprio e repassa ao nutricionista. Conta o número de refeições servidas, calcula o indicador de restos e registra em formulário próprio. Para facilitar a visualização da rotina pela equipe, Virgínia elabora um fluxograma para representação gráfica da rotina, considerando, inclusive, a ordem em que cada uma das atividades de cada colaborador deve ser executada. Avaliando o índice de rejeição das refeições Descrição da situação-problema Otávio, nutricionista de uma UAN, solicita à técnica em nutrição Karina que encaminhe o relatório de sobras do almoço do dia anterior para que ele possa avaliar. Karina então entrega para Otávio os seguintes dados: Avançando na prática Karina informa ainda que o peso das refeições rejeitadas foi de 12,43 kg, já descontados os itens não comestíveis (descartáveis, ossos, cascas de frutas). Preparações Peso insumos crus (kg) F.Cor F.Coc Peso preparação pronta (kg) Salada crua 24 1,3 - 18,46 Lombo 30 - 0,65 19,50 Arroz 13 - 3,00 39,00 Feijão 10 - 4,00 40,00 Manjar de coco 9 - 2,66 23,67 TOTAL 140,63 Tabela 3.1 | Relatório de pesagem das preparações oferecidas no almoço Legenda: F.Cor (fator de correção); F.Coc (fator de cocção) Fonte: elaborada pela autora. 28 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação Qual o cálculo feito por Otávio para saber o valor do índice de rejeição da refeição? Sabendo que a UAN em questão atende a uma coletividade sadia, como Otávio analisa o resultado obtido? Resolução da situação-problema Para calcular o índice de rejeição do almoço, Otávio usa a seguinte fórmula: IR = (peso da refeição rejeitada / peso da refeição distribuída) x 100% Portanto: IR = (12,43 kg / 140,63) x 100% IR = 8,83% Uma vez que atende a uma coletividade sadia, os resultados podem ser considerados dentro do limite de adequação quando o índice de rejeição é de até 10%. Otávio então conclui que um IR de 8,83% indica que não houve erro de planejamento e/ou execução para o cardápio ofertado no almoço do dia anterior. 1. A análise do índice de rejeição de uma refeição visa avaliar as quantidades de alimentos desperdiçadas em relação à quantidade de alimentos produzida, desper- dício este causado por motivos como baixa aceitação do cardápio e porcionamento inadequado, por exemplo. Quanto maior o valor deste índice, menor a satisfação do consumidor. Assinale a alternativa correta a respeito do índice de rejeição de refeições para coletividades sadias: a) Entre 4 e 7%. b) Abaixo de 15%. c) Até 10%. d) Até 20%. e) Até 5%. 2. Leia as afirmativas apresentadas a seguir: ( ) A formalização dos processos de uma empresa tem por objetivo documentar de forma clara e divulgar amplamente os padrões adotados para que possam ser seguidos por todos os colaboradores. Faça valer a pena Seção 3.2 / Avaliação dos processos em Unidades de Alimentação e Nutrição - 29 ( ) Fluxogramas são representações gráficas das rotinas e têm por objetivo eviden- ciar a sequência de um trabalho, possibilitar a boa utilização dos recursos materiais e humanos e racionalizar o trabalho. ( ) Manuais são documentos que comportam todas as normas da empresa, forma- lizando o seu funcionamento e, por isso, são raramente modificados. ( ) Pode-se definir “rotinas” como a descrição dos passos para a realização de uma atividade. Sobre a formalização de processos, avalie as afirmativas considerando F para as falsas e V para as verdadeiras e assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. a) V - V - F - V. b) F - F - V - F. c) F - V - F - V. d) V - F - V - F. e) V - F - F - F. 3. Para facilitar a avaliação dos processos que acontecem em uma UAN, é possível separá-los em três grandes grupos, a saber: processos anteriores à produção de refeições; processos que ocorrem durante a produção e distribuição de refeições e processos que ocorrem após a produção e distribuição das refeições. Assinale a alternativa que contempla apenas processos a serem avaliados antes do processo de produção e distribuição de refeições: a) Planejamento do cardápio; supervisão direcionada à higiene e previsão para compras. b) Estimativa das necessidades nutricionais da clientela; o estabelecimento do padrão do cardápio; a definição das per capitas. c) Planejamento do cardápio; supervisão direcionada à segurança do trabalho; análise e avaliação do número de refeições servidas. d) Avaliação das sobras; supervisão do porcionamento e apresentação das preparações. e) Controle do número de refeições servidas diariamente; análise e avaliação do custo da refeição, verificando se está adequado ao custo padrão programado e relaciona- mento dos colaboradores com a clientela. 30 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação Seção 3.3 Gestãoambiental em unidades de alimentação e nutrição Diálogo aberto Você tem notado que a preocupação com o meio ambiente está crescendo cada vez mais? A sociedade tem exigido a cada dia que as empresas desenvolvam sistemas de produção com o menor impacto ambiental possível e, por isso, a urgência em implementar uma visão de desenvolvimento sustentável, aplicando programas de gestão ambiental em todos os setores. O setor alimentício está em constante crescimento econômico e trabalhar com processos nos quais haja o menor impacto possível ao meio ambiente tem se tornado uma estratégia de negócio. Atualmente, o crescimento de qualquer empresa deve estar embasado em uma boa gestão de produtos e serviços, mas também do meio ambiente. Desta forma, é importante que, enquanto nutricionistas, estudemos sobre a gestão de sobras e resíduos, os programas de redução da poluição que podem ser implantados nas Unidades de Alimentação e Nutrição, bem como sobre o impacto das decisões sustentáveis no custo de produção das refeições. Para que você possa aplicar, na prática, o conteúdo aqui abordado, leia com atenção a situação apresentada a seguir: Lorena, nutricionista, é chamada para dar consultoria a uma rede de franquias de um restaurante vegano, que deseja implementar em suas unidades uma cadeia de produção de refeições que provoque menor impacto ao meio ambiente, de forma a tornar-se referência no setor de alimentação. Após observar a cadeia produtiva, Lorena nota que é possível incorporar estratégias de redução da poluição e reaproveitamento de alimentos e orienta o nutricionista Fernando, que é o responsável técnico das franquias, em relação às medidas a serem tomadas. Fernando então reúne a equipe de nutricionistas de cada uma das unidades da franquia e explica as mudanças necessárias. Quais orientações propostas por Lorena que Fernando deve implementar para que o restaurante possa reduzir a poluição produzida? Seção 3.3 / Gestão ambiental em unidades de alimentação e nutrição - 31 Minimizando o impacto ambiental nas Unidades de Alimentação e Nutrição – Gestão de sobras e resíduos A preservação dos recursos ambientais para as gerações futuras passou a ser uma necessidade que, uma vez não atendida, poderá comprometer a qualidade de vida e a saúde de todos os seres vivos deste planeta. Nesse sentido, a sustentabilidade que se apoia sobre o tripé ambiental, social e econômico, pode ser definida por ações que objetivam a preservação do planeta. Desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessi- dades do presente, sem comprometer futuras gerações. Hoje, já se sabe que a não adoção de procedimentos sustentáveis, com ações como a geração incontrolada de resíduos, o descarte inadequado de produtos e embalagens, bem como a utilização de produtos químicos e de grandes quantidades de água, pode produzir um impacto ambiental signi- ficativo. E, no que diz respeito ao desperdício de alimentos, por exemplo, o Brasil está entre os dez países que mais jogam comida fora. É interessante notar que o desperdício de alimentos ocorre ao longo de toda a cadeia produ- tiva, da lavoura até o prato do consumidor final. Não pode faltar No setor de refeições coletivas, estima-se que a perda esteja em torno de 15% do total produzido e, por isso, o nutricionista gestor da UAN tem um papel fundamental no controle do desperdício. A UAN é responsável pela geração de uma grande quantidade de resíduos e pelo uso de enormes quantidades de água e energia, portanto é Figura 3.10 | O caminho do desperdício de alimentos no Brasil Fonte: https://www.akatu.org.br/noticia/alimentos-produzidos-e-nao-consumidos-onu-lanca-guia-visual- sobre-o-desperdicio/. Acesso em: 22 nov. 2018. 32 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação imprescindível que o nutricionista incorpore à sua rotina de gestor ações que tenham o objetivo de diminuir, eliminar ou prevenir as perdas durante o processo de produção de refeições. Para tanto, cabe ao nutricionista definir estratégias de redução dos resíduos, da energia e da água, além de monitorar constantemente a imple- mentação destas estratégias. Nesse sentido, o trabalho do nutricionista pode começar ainda durante o planejamento da estrutura física da UAN, passando pela escolha do cardápio, capacitação dos colaboradores até a forma de distribuição das refeições. Em termos de estrutura física, o aproveitamento máximo da ventilação e iluminação naturais, o bom dimensionamento dos espaços e a escolha de equipamentos minimiza o gasto de energia e melhora o conforto térmico para o colaborador. Privilegiar o uso de energia limpa (luz solar para aqueci- mento da água, por exemplo) e de lâmpadas de maior eficiência energética, bem como garantir a manutenção periódica dos equipamentos são ações que fazem a diferença. No que diz respeito ao uso racional da água, a escolha de equipamentos e o plano de higienização destes e da área de produção é fundamental, bem como o uso de torneiras e registros de fechamento automático. Exemplificando O restaurante Acorn House, em Londres, é considerado pela crítica local como o “restaurante mais ético da Grã-Bretanha”, em virtude das práticas que adota para reduzir ao máximo o impacto que provoca sobre o meio ambiente. São exemplos de atitudes sustentáveis do restaurante: - Uso de ingredientes produzidos de forma sustentável por produtores independentes. - Transformação de todas as sobras em adubo ou lixo reciclável. - Uso de fontes renováveis de energia. - Oferta de porções menores de todos os pratos do restaurante, visando à redução do desperdício de alimentos. Porém, mesmo com todas as intervenções sugeridas, nas etapas produ- tivas da UAN é que se encontram as maiores possibilidades de gerar e, Reflita Como você acredita que o treinamento de colaboradores pode contribuir para a redução na produção de resíduos e no gasto de energia e água? Seção 3.3 / Gestão ambiental em unidades de alimentação e nutrição - 33 portanto, controlar a produção de resíduos. Cabe ressaltar aqui que, ao fazer referência às etapas produtivas, estão sendo consideradas desde as atividades burocráticas para planejamento e controle dos processos, o armazenamento da matéria-prima, o pré-preparo, preparo e a distribuição de alimentos, uma vez que há produção de resíduos como material de escritório, embalagens, produtos fora do prazo de validade, partes não comestíveis de alimentos, óleo de cozinha, descartáveis, entre outros. De acordo com Spinelli (2009), a UAN apresenta três áreas em que a geração de resíduos se sobressai: a área de armazenamento, a área de produção propriamente dita (cozinha) e a área de devolução. Nestas áreas, a geração de resíduos se dá em virtude da remoção de partes não comestíveis dos alimentos; das sobras e dos restos. Para minimizar a produção de resíduos referente à fase anterior ao preparo dos alimentos, sugere-se a implementação de algumas ações, a saber: boa seleção de fornecedores e compra de produtos adequados ao fim ao qual se destina; capacitação do funcionário para o recebimento e estocagem da matéria-prima; armazenamento dos produtos da forma correta e em tempo hábil; controle adequado do estoque; capacitação dos funcionários responsá- veis pelo pré-preparo; utilização de equipamentos e utensílios adequados e separação de materiais passíveis de reciclagem. Falando especificamente sobre a etapa de pré-preparo dos alimentos, o indicador de parte comestível do alimento (também conhecido como fator de correção) é uma das perdas inevitáveis e deve ser vista como parte integrante do processo de produção de alimentos. Contudo, perdas que excedam os valores estimados pelo fator de correção são consideradas desperdício e devem ser evitadas. Destaca-se aqui que é possível tornar essa perda amenor possível de acordo com a técnica empregada, o tipo de utensílio e/ou equipa- mento utilizado, o recurso humano envolvido no pré-preparo, assim como o corte e as formas de consumo. Assimile Tem dúvidas sobre a diferença entre os termos “sobra” e “resto” de comida? Então veja só: • Sobras de alimentos alimentos que foram produzidos e não foram distribuídos (não saíram da área de produção). Também chamados de sobra limpa. • Restos de alimentos alimentos que foram produzidos, distribu- ídos e não foram consumidos. 34 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação Já durante a fase de preparo dos alimentos, é importante seguir a ficha técnica de preparo; observar as temperaturas recomendadas pela legislação; controlar a velocidade do processo produtivo de acordo com a demanda e realizar a manutenção dos equipamentos. Na área de distribuição, informar os comensais sobre o valor nutricional das preparações e porções estimadas; adequar o cardápio e os utensílios ao hábito e preferência dos clientes são estratégias que contribuem para a redução do desperdício de comida. O nutricionista deve ainda treinar a equipe para que fique atenta ao momento da devolução das bandejas e dos pratos pelos clientes. É a oportu- nidade de identificar possíveis erros de preparo ou da compra de produtos de qualidade inferior; checar o porcionamento inadequado feito pelo cliente ou colaborador e, em cima destas observações, preparar um plano de conscien- tização do controle de resíduos. Sabendo das dificuldades com que funcionam a maioria das UANs – seja por falta de mão de obra tanto em número quanto em qualificação – assim como pela necessidade de produzir com qualidade ao menor custo possível, é urgente encontrar caminhos alternativos que possibilitem o controle efetivo de todo processo de produção e distribuição de refeições. Manejo de resíduos e programas de redução da poluição Os resíduos sólidos (lixo) são um dos mais graves problemas ambien- tais urbanos da atualidade e, em relação ao processamento de alimentos, o correto manejo dos resíduos é um dos pré-requisitos para a garantia das condições higiênico-sanitárias. Desta forma, ao adotar a Resolução RDC no 216/2004, que apresenta o regulamento técnico de Boas Práticas para serviços de alimentação; e a Resolução RDC no 275/2002, que apresenta o regulamento técnico de Procedimentos Operacionais Padronizados pelos estabelecimentos produ- tores/industrializadores de alimentos, a UAN está contribuindo para o alcance deste propósito. Assimile Após realizar a pesagem do volume de alimentos distribuídos e rejei- tados, pode-se calcular o percentual de rejeição (também chamado de resto-ingestão). Valores de 0 a 5% são considerados ótimos; de 5 a 10%, bons; entre 10 a 15% são valores regulares e maiores que 15% são considerados péssimos, no que diz respeito à alimentação de coletividades sadias. Seção 3.3 / Gestão ambiental em unidades de alimentação e nutrição - 35 Resumidamente, estas legislações determinam aspectos como a dimensão das caixas de gordura e de esgoto para que sejam compatíveis com o volume de resíduos, bem como orientam quanto aos procedimentos que estabelecem a frequência e o responsável pelo manejo dos resíduos, discriminam os procedimentos de higienização dos recipientes de lixo e da área de estocagem e o uso de sacos de lixo apropriados. A reciclagem dos resíduos sólidos contribui para preservação de recursos naturais, economia de energia, redução de aterro sanitário e geração de emprego e renda, assim como propicia a conscientização da população para questões ambientais. Portanto, é importante a implementação do sistema de coleta seletiva nas UAN, no qual os produtos recicláveis são separados e direcionados para empresas especializadas. A reciclagem possibilita a elabo- ração de novos produtos, como é o caso da produção de biodiesel pela trans- formação do óleo de cozinha, por exemplo. Além das legislações citadas, existem uma série de orientações e programas a serem adotados para a redução da poluição nas empresas. A American Dietetic Association (ADA) recomenda que sejam imple- mentadas ações de desenvolvimento sustentável por meio da conservação de recursos naturais (água, energia elétrica e ar), do descarte adequado de resíduos, da redução do desperdício, do suporte à agricultura sustentável e ao sistema alimentar da comunidade e da orientação alimentar. No tocante aos resíduos provenientes da produção de refeições, a ADA sugere a reciclagem e a compostagem. A International Organization for Standardization (ISO) desenvolveu um sistema de qualidade ambiental chamado ISO 14000, que estabelece diretrizes para que as empresas conheçam a gestão ambiental. Por sua vez, a ISO 14004 fornece orientações práticas para a elaboração, a implemen- tação, o aprimoramento e a manutenção de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), enquanto a ISO 14001 estabelece diretrizes para o registro de um Pesquise mais Não deixe de acessar o material disponível para conhecer a Política Nacional de Resíduos Sólidos; a leitura é imprescindível para o nutricio- nista gestor de Unidades de Alimentação e Nutrição. • BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Política nacional de resíduos sólidos. 2. ed. Brasília: Câmara dos Deputados, 2012. 73 p. Disponível em: https://fld.com.br/catadores/pdf/politica_residuos_ solidos.pdf. Acesso em: 23 nov. 2018. 36 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação SGA ou para a obtenção de certificado de qualidade ambiental. É importante citar que estas orientações se aplicam a empresas de todos os ramos, e não apenas ao setor de alimentação. Sustentabilidade e custos de produção em serviços de alimentação Os resultados de uma gestão adequada dos resíduos sólidos são benefícios tanto ambientais, como financeiros e sociais. Portanto, toda ação de geren- ciamento de resíduos bem planejada tem efeitos diretos nos custos da UAN, como o aumento da eficiência nos processos e, consequentemente, menor geração de resíduos, menor custo e aumento da lucratividade. Na prática, quando o nutricionista pensa estrategicamente e fiscaliza todo o processo produtivo, ele consegue verificar os custos envolvidos e compre- ender se a cozinha está realmente produzindo as preparações dentro dos padrões determinados de pesagem e medidas. Além disso, um olhar atento e estratégico para o sistema produtivo de refeições também expõe o sistema de compras e o estoque, tornando possível identificar erros ou exageros nas compras para determinados insumos. Além disso, cabe ressaltar que a conscientização ambiental tem forta- lecido a busca por produtos e serviços atrelados a essa filosofia, inclusive quando se trata de restaurantes. Um estudo realizado por Moreira et al (2012) mostrou que, no início da década, 83% do público entrevistado demonstrou Figura 3.11 | Checklist para diagnóstico da situação dos resíduos em uma UAN Fonte: http://www.sesc.com.br/wps/wcm/connect/011c0a3e-8c79-4478-84a2-64796209dcd8/ G u i a Re s i d u o s S o l i d o s _ 2 0 1 5 . p d f ? M O D = A J P E R ES & C A C H E I D = 0 1 1 c 0 a 3 e - 8 c 7 9 - 4 4 7 8 - 8 4 a 2 - 64796209dcd8. Acesso em: 23 nov. 2018. Seção 3.3 / Gestão ambiental em unidades de alimentação e nutrição - 37 preocupação e consciência ecológica ao afirmarem que estariam dispostos a pagar um valor acima dos praticados pelos restaurantes que frequentam habitualmente, em um eventual concorrente que possuísse ambiente e práticas ecologicamente corretos. Nas novas unidades da franquia ou se houver possibilidade de reforma do ambiente, Fernando se lembra das orientações dadas por Lorena e percebe que seu trabalho vai começar ainda durante o planejamento da estrutura física da UAN. Contudo, nos demais restaurantes existentes, há necessidadede avaliar o cardápio, realizar a capacitação dos colaboradores e pensar sobre a forma de distribuir as refeições, buscando reduzir a geração de resíduos e utilizar materiais que sejam recicláveis, reaproveitáveis ou que provoquem o menor impacto ambiental possível. Em termos de estrutura física, Lorena orienta Fernando a propor o aproveitamento máximo da ventilação e iluminação naturais, um dimen- sionamento adequado dos espaços da cozinha para favorecer a ventilação e passar a escolher equipamentos que minimizem o gasto de energia, de água e melhorem o conforto térmico para o colaborador. Para isso, Fernando deve buscar privilegiar o uso de energia limpa sempre que possível e de lâmpadas de maior eficiência energética, bem como garantir a manutenção periódica dos equipamentos, evitando a sobrecarga. Lorena também comenta com Fernando que deve promover o uso racional da água, por meio da escolha de equipamentos mais econômicos e reestrutu- rando o plano de higienização da UAN, bem como da troca das torneiras e dos registros por modelos de fechamento automático, o que irá reduzir drastica- mente o tempo em que as torneiras ficam abertas sem necessidade. Pesquise mais Para aprofundar os conhecimentos acerca do impacto da inserção de práticas sustentáveis na cadeia de produção das Unidades de Alimen- tação e Nutrição para a imagem e o lucro da empresa, não deixe de acessar os links sugeridos a seguir: • MINTEL. Tendências globais em alimentos e bebidas 2018. 2018, p. 3-7 e 33-37. Disponível em: https://downloads.mintel.com/priva- te/9pRqD/files/650337/. Acesso em: 23 nov. 2018. • FOOD MANAGER. Sustentabilidade na cozinha. 2016. Disponível em: http://www.foodmagazine.com.br/food-service-noticia-seu- -negocio/sustentabilidade-na-cozinha. Acesso em: 20 nov. 2018. Sem medo de errar 38 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação Para minimizar a produção de resíduos referente à fase anterior ao preparo dos alimentos, Fernando deve rever a seleção de fornecedores e a qualidade da matéria-prima adquirida. Além disso, ele deve orientar seus colaboradores quanto ao recebimento e à estocagem da matéria-prima, de forma que sejam recebidos apenas produtos em perfeito estado e dentro do prazo de validade, bem como quanto ao controle adequado do estoque. Lorena chama a atenção de Fernando em relação aos funcionários responsá- veis pelo pré-preparo dos alimentos, visto que esta etapa é uma das que mais gera resíduos, orientando-os quanto à utilização adequada dos equipamentos e utensílios, bem como a separação de materiais passíveis de reciclagem. É ainda nesta etapa que é possível trabalhar com a reutilização de alimentos, reservando as cascas de diversas frutas, os talos de uma série de verduras para que, após higienizados, possam servir para o preparo de doces, bolos, sucos e agregar sabor aos caldos de cozimento. Além de reduzir o volume de resíduos gerados pelo restaurante, Lorena explica para Fernando que essa é uma estra- tégia importante para o marketing do estabelecimento, que é vegano. No que se refere à etapa de preparo dos alimentos, conforme orientado por Lorena, Fernando deve chamar a atenção da equipe e monitorar se estão seguindo as orientações contidas na ficha técnica de preparo; observar as temperaturas recomendadas pela legislação e controlar a velocidade do processo produtivo de acordo com a demanda, além de realizar a manutenção dos equipamentos, de forma a evitar uma produção de refeições em excesso. Na área de distribuição, Fernando decide colocar informações aos comen- sais sobre o valor nutricional das preparações e porções estimadas. Ele deve ainda capacitar a equipe para que fiquem atentos ao momento da devolução das bandejas e dos pratos pelos clientes, pois é a oportunidade de identificar possíveis erros de preparo ou da compra de produtos de qualidade inferior, checar o porcionamento inadequado feito pelo cliente ou colaborador e, em cima destas observações, preparar um plano de conscientização do controle de resíduos. Sustentabilidade lucrativa Descrição da situação-problema Bruna, aluna do último período do curso de Nutrição, está estudando muito sobre as tendências do mercado de alimentação para escrever o seu trabalho de conclusão de curso. Com isso, ao frequentar restaurantes, Avançando na prática Seção 3.3 / Gestão ambiental em unidades de alimentação e nutrição - 39 padarias e cafeterias que tem hábito, seu olhar está mais atento às estratégias empregadas por estes locais para preservação do meio ambiente. Bruna então chega à conclusão que, em todos eles, os investimentos estão muito abaixo da necessidade. Após tomar um café na padaria da esquina, Bruna conversa com sua amiga Laura, que é dona do estabelecimento, sobre esse assunto. Quais os argumentos usados por Bruna para convencer Laura sobre a importância de implementar um programa de redução da poluição em seu estabelecimento? Resolução da situação-problema Bruna explica que os resultados de uma gestão adequada dos resíduos sólidos são benefícios tanto ambientais, como financeiros e sociais. Portanto, toda ação de gerenciamento de resíduos bem planejada tem efeitos diretos nos custos da UAN, como o aumento da eficiência nos processos e, consequente- mente, menor geração de resíduos, menor custo e aumento da lucratividade. Ao fiscalizar todo o processo produtivo, desde o planejamento do cardápio até a avaliação de resto-ingestão, Bruna consegue verificar os custos envolvidos e compreender se a cozinha está realmente produzindo as prepa- rações dentro dos padrões determinados de pesagem e medidas. Diante disso, é possível implementar ações corretivas imediatas, que vão reduzir o desperdício e, consequentemente, o custo. Sabendo que o estoque é uma fonte elevada de custos para a UAN, Bruna deve estar atenta ao sistema de compras e o estoque para identificar erros ou exageros nas compras para determinados insumos. A nutricionista ainda explica para a dona do restaurante que a conscien- tização ambiental tem fortalecido a busca por produtos e serviços atrelados a essa filosofia, inclusive quando se trata de restaurantes. A busca por restau- rantes que produzam alimentos de forma sustentável é uma tendência muito forte de mercado. Portanto, fazer parte do rol de unidades produtoras e alinhadas com a preservação do meio ambiente aumenta as expectativas de um lucro maior. 1. Apesar de, no dia a dia, serem termos usados como sinônimos, para o nutricio- nista há uma diferença importante entre o conceito de sobras e resíduos. Desta forma, todo alimento preparado que foi oferecido no balcão de distribuição, porém, não foi consumido, é considerado ___________________. Faça valer a pena 40 - U3 / Gestão de qualidade em serviços de alimentação 2. Comumente empregada pelo nutricionista nas Unidades de Alimentação e Nutrição como instrumento de avaliação da qualidade da refeição produzida como indicador da gestão de resíduos e sobras, a avaliação de resíduos tem como objetivo avaliar: Assinale a alternativa que indica o objetivo da avaliação do volume de resíduos na UAN: a) Falhas na determinação do número de refeições servidas. b) Superdimensionamento de per capita. c) Qualidade dos utensílios e equipamentos utilizados no pré-preparo. d) Porcionamento excessivo por parte do colaborador ou do cliente. e) Preparações incompatíveis com o padrão do cliente ou com seus hábitos alimentares. 3. A disposição final dos resíduos sólidos de uma UAN deve ser ambientalmente adequada. Para isso, é importante que o nutricionista siga as diretrizes aplicáveis a esses resíduos. Segundo o art. 9º da lei nº 12.305/2010, sobre a gestão e o gerencia- mento de resíduos sólidos, a ordem de prioridade após a não geração deve ser: Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta emrelação ao manejo de resíduos sólidos em uma UAN. a) Gestão integrada dos resíduos, reutilização, coleta seletiva e reciclagem. b) Reutilização, redução, tratamento dos resíduos sólidos e reciclagem. c) Coleta seletiva, reciclagem, reutilização e tratamento dos resíduos. d) Redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos. e) Tratamento dos resíduos sólidos, reciclagem e reutilização. Assinale o termo que completa de forma correta a frase do texto-base. a) Sobra limpa. b) Sobra viável. c) Sobra suja. d) Resto. e) Resíduo. ABREU, E. S.; SPINELLI, M. G. N. Avaliação da produção. In: ABREU, E. S.; SPINELLI, M. G. N.; PINTO, A. M. S. Gestão de Unidades de Alimentação e Nutrição: um modo de fazer. 3. ed. São Paulo: Editora Metha, 2009, p. 169-184. ABREU, E. 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