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CIUR resumo
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Obstetrícia Centro Universitário de Várzea GrandeCentro Universitário de Várzea Grande

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## Resumo sobre Crescimento Intrauterino Restrito (CIUR)O Crescimento Intrauterino Restrito (CIUR) é uma condição em que o feto não consegue atingir seu potencial genético de crescimento, sendo diagnosticado principalmente pelo conhecimento preciso da idade gestacional (IG). O CIUR é frequentemente definido como o crescimento fetal abaixo do percentil 10 para a IG (PIG). Contudo, é importante destacar que entre 50% e 70% dos fetos classificados como PIG são, na verdade, fetos constitucionais, ou seja, apresentam crescimento adequado à sua herança familiar e racial, sem comprometimento patológico.O crescimento fetal ocorre em três fases distintas: hiperplasia (até a 16ª semana), hipertrofia (de 16 a 32 semanas) e uma fase final após a 32ª semana. O CIUR pode ser classificado em três tipos principais, de acordo com o momento em que o agente agressor atua e o padrão de crescimento afetado:- **Tipo 1 – Simétrico:** Ocorre quando o agente agressor atua precocemente, durante a fase de hiperplasia. Nesse caso, a circunferência cefálica (CC), circunferência abdominal (CA) e comprimento fetal (CF) estão todos reduzidos de forma proporcional. As causas incluem fatores genéticos, infecções congênitas, drogas e cromossomopatias, e o prognóstico é geralmente ruim.- **Tipo 2 – Assimétrico:** Ocorre quando o agente agressor atua tardiamente, na fase de hipertrofia. A CA é comprometida, enquanto a CC e o CF permanecem adequados. As causas são extrínsecas, como insuficiência placentária e anormalidades estruturais, e o prognóstico é melhor.- **Tipo 3 – Misto:** Ocorre na fase intermediária, com comprometimento moderado da CC e CF, mas CA preservada. As causas incluem desnutrição, tabagismo, etilismo e uso de alguns fármacos.Diversos fatores maternos estão associados ao risco de CIUR, como extremos de idade, baixo nível socioeconômico, baixo ganho de peso durante a gestação, tabagismo, uso de drogas, diabetes mellitus (DM), hipertensão arterial sistêmica (HAS), hemoglobinopatias, cardiopatias e história prévia de CIUR. O ganho de peso materno insuficiente é um sinal de alerta importante, devendo ser monitorado em todas as consultas pré-natais e registrado na curva do Índice de Massa Corporal (IMC).### Diagnóstico e MonitoramentoA avaliação do crescimento fetal envolve várias técnicas clínicas e ultrassonográficas. A medida da altura uterina é um método simples, com sensibilidade e especificidade superiores a 80%. Quando a medida está acima do percentil 10, a probabilidade de crescimento normal é superior a 90%. No entanto, se estiver abaixo do percentil 10, a chance de CIUR é de aproximadamente 60%, o que pode levar a um superdiagnóstico em cerca de 40% dos casos.A ultrassonografia é fundamental para o diagnóstico, utilizando medidas como o diâmetro biparietal (DBP ou CC), circunferência abdominal (CA) e comprimento fetal (CF) para estimar o peso fetal. A CA é o indicador ultrassonográfico mais sensível para identificar o CIUR, pois a redução da CA reflete a perda de tecido adiposo abdominal e o pequeno tamanho hepático devido à diminuição da gliconeogênese.O índice de líquido amniótico, calculado por ultrassonografia, tem grande valor prognóstico. A diminuição do volume de líquido amniótico indica queda da diurese fetal, geralmente decorrente de insuficiência uteroplacentária, sinalizando risco aumentado para o feto.A dopplervelocimetria é uma ferramenta essencial para diferenciar fetos pequenos por insuficiência placentária daqueles pequenos constitucionais. Na insuficiência placentária, há aumento da resistência vascular na artéria umbilical, manifestado por diminuição do fluxo diastólico no Doppler. O padrão de centralização fetal é caracterizado pela diminuição do fluxo na artéria umbilical e aumento do fluxo nas artérias cerebral média e carótida, refletindo a priorização do fluxo sanguíneo para o cérebro. A avaliação do ducto venoso, que reflete a função cardíaca fetal, é utilizada especialmente em fetos prematuros com alterações Doppler arteriais, sendo um preditor importante de acidose fetal.### Conduta e PrognósticoNão existe tratamento específico para o CIUR, sendo fundamental individualizar o acompanhamento de cada paciente, investigar e tratar fatores de risco associados. O monitoramento inclui a realização de cardiotocografia (CTG) a partir de 28-32 semanas em gestações de alto risco, inicialmente semanalmente, com aumento da frequência conforme a gravidade. O perfil biofísico fetal e a repetição do Doppler são recomendados para avaliação contínua.O manejo do CIUR é baseado em estágios clínicos que orientam a conduta obstétrica:- **Estágio I (CIUR moderado):** Índice de pulsatilidade (IP) da artéria umbilical (AU) > 95 percentil. Acompanhamento semanal e indução do parto a partir de 37 semanas.- **Estágio II (CIUR grave):** Diástole zero na artéria umbilical. Acompanhamento a cada 2 dias e cesariana indicada a partir de 34 semanas.- **Estágio III (CIUR com deterioração fetal):** Diástole reversa na artéria umbilical. Acompanhamento diário e cesariana a partir de 30 semanas.- **Estágio IV (CIUR com risco de acidose ou óbito fetal):** Presença de onda A reversa no ducto venoso. Discussão detalhada com os pais sobre idade gestacional, riscos e gravidade, com cesariana eletiva no momento do diagnóstico.Em resumo, o CIUR é uma condição complexa que requer diagnóstico preciso, monitoramento rigoroso e manejo individualizado para minimizar riscos fetais e otimizar os desfechos perinatais.---### Destaques- O CIUR é definido como crescimento fetal abaixo do percentil 10 para a idade gestacional, mas muitos fetos PIG são constitucionais.- Classificação do CIUR em tipos simétrico, assimétrico e misto, conforme o momento e padrão de comprometimento do crescimento.- Diagnóstico envolve medidas clínicas (altura uterina) e ultrassonográficas (CC, CA, CF), com a CA sendo o indicador mais sensível.- Dopplervelocimetria é crucial para diferenciar fetos pequenos por insuficiência placentária dos constitucionais e para avaliar risco fetal.- O manejo do CIUR é baseado em estágios que orientam o acompanhamento e o momento do parto, visando reduzir riscos de acidose e óbito fetal.

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