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GINECOLOGIA e OBSTETRÍCIA II Aline Zanella e Larissa Müller ATM 23/1 2 SUMÁRIO Consulta ginecológica/obstétrica .........................................................................3 Hipertensão na gestação .....................................................................................7 Amenorreia ........................................................................................................17 Climatério e Menopausa ....................................................................................23 Endometriose ....................................................................................................33 Câncer de colo de útero .....................................................................................38 Câncer de endométrio .......................................................................................44 Crescimento intrauterino restrito ........................................................................48 Câncer de mama ...............................................................................................55 Câncer de ovário ...............................................................................................64 Bem-estar fetal ..................................................................................................73 Trabalho de parto prematuro .............................................................................94 Sangramento uterino anormal .........................................................................105 Incontinência urinária na mulher ......................................................................110 Síndrome dos ovários Policísticos (SOP) ........................................................116 Infertilidade conjugal ........................................................................................120 Prolapsos ........................................................................................................132 Sangramento na gestação ...............................................................................136 3 CONSULTA GINECOLÓGICA/OBSTÉTRICA A consulta ginecológica segue o roteiro habitual das consultas médicas. No entanto, há particularidades muito importantes que merecem atenção. A consulta abordará assuntos íntimos ligados à sexualidade, à higiene menstrual, ao planejamento familiar e a sintomas percebidos nas mamas e no sistema urogenital. Portanto, é preciso deixar a paciente à vontade para que ela possa falar livremente de suas queixas e preocupações, sempre respeitando a vulnerabilidade da paciente neste momento. ANAMNESE: Identificação: nome, idade, raça, profissão, estado civil, procedência e naturalidade. Escolaridade, renda e moradia. Idade gestacional, gestação planejada. Queixa principal: o que levou a paciente a consultar? Ex.: náuseas, vômitos, tonturas, pirose, dor, palpitações, cólicas, dispneia, mastalgia, lombalgia, constipação, secreção vaginal, sangramentos, perdas vaginais, queixas urinárias, sonolência, insônia, etc. História Médica Pregressa: condições clínicas, cirurgias prévias, alergias, medicações, vacinas. História Ginecológica/Obstétrica: menarca, DUM, sexarca, ciclos menstruais, ISTs, último CP, violência sexual, sexualidade. Gestações, paridade, abortos, ectópica (detalhar como foi). História familiar: toda história de patologias em familiares é relevante – em especial, doenças cardiovasculares (HAS, varizes, tromboembolismo), endócrinas (doenças da tireoide, DM), osteoporose, obesidade, tumores da mama e tumores ginecológicos – anotando-se a idade em que ocorreram, sua gravidade e desfecho. Perfil psicossocial/tiragem para violência: condições gerais da vida da paciente, condições de habitação, hábitos de higiene e de cuidado com a saúde geral. Pergunta-se sobre sua casa, sua estrutura familiar, 4 escolaridade, alimentação, trabalho, lazer, exercícios e atividades físicas, tabagismo, etilismo e uso de outras drogas. Revisão de sistemas: alguma outra queixa e/ou preocupação em relação aos sistemas cardiovascular, neurológico, urinário, intestinal, etc. Acrescenta-se na anamnese obstétrica: número de gestações; número de partos – nuligesta, nulípara, multigesta, multípara; abortos (<500g ou < 20 semanas); ectópica/mola – registrar. Detalhar como foi cada gestação/parto. Ex.: G4, P1, C1, A1. 1° gestação: parto normal com fórcipe, 3500g, 2010, lactou durante 6 meses, filho vivo. 2° gestação: aborto espontâneo 1° trimestre, não necessitou de curetagem. 3° gestação: cesárea, situação fetal não tranquilizadora, 3080g, 2015, não amamentou (depressão durante o puerpério). EXAME FÍSICO: Local adequado (material, avental, iluminação); Acompanhante? Completo na 1° consulta de pré-natal; Sinais vitais, IMC, extremidades, abdome, mamas; Mamas: inspeção estática, inspeção dinâmica, palpação de linfonodos, palpação da mama – com a ponta dos dedos); Exame do abdome: inspeção (estrias, hérnias, cicatrizes e diástases dos músculos retos do abdome). A ausculta pode ser realizada para pesquisar a presença de RHA. A percussão e a palpação do abdome têm o objetivo de investigar a presença de eventuais massas abdominais, sinais de ascite ou de irritação peritoneal. Exame pélvico: posição de litotomia – inspeção da vulva e do períneo, exame especular, espátula de Ayre, escova de citobrush, a fresco, coleta de citopatológico (CP), toque vaginal, toque vaginal bimanual (avalia mobilidade uterina; tumorações; tamanho do útero – miomatoses; dor durante o toque – infecções). Achados do EF obstétrico: o Cloasma (melasma): hiperpigmentação da testa, nariz e bochechas (16 semanas); 5 o Linha nigra: aumento do hormônio estimulador dos melanócitos; hiperpigmentação do umbigo até púbis; o Estrias: ruptura do colágeno; o Mamas: aumento, coloração e tubérculos de Montgomery; o Útero: amolecimento do colo e corpo; o Vulva: coloração mais violácea (edema); o Contrações uterinas de Braxton Hick: indolores, 8 semanas, não modificam a cérvice. Peso: deve ser avaliado em todas as consultas; ganho de peso inadequado aumento de risco para condições clínicas e desfechos desfavoráveis; ganho ponderal de cada gestante variável (IMC prévio). Pressão arterial: deve ser aferida em todas as consultas; sentada, braço na altura do coração; ≥ 140/90 mmHg antes das 20 semanas: Hipertensão crônica, após 20 semanas: Doença Hipertensiva Gestacional. Altura uterina: o útero aumenta seu tamanho de acordo com a IG, portanto, a altura uterina acompanha a IG. Palpação abdominal: manobras de Leopold. 6 Ausculta de BCF: avaliar presença, ritmo, frequência, normalidade (110- 160bpm). Técnica: Sonnar Doppler 10-12 semanas (dorso do bebê). Sonnar Pinard 20 semanas. Escutar por 1 minuto – observar desacelerações, acelerações. Movimentação fetal: vai ser percebida inicialmente da 18-20ª semana primíparas; e da 14-16ª semana multíparas. Toque vaginal obstétrico: alguns autores questionam, porém, é indicado realizar em todas as consultas da gestante. Avaliar apagamento e dilatação do colo uterino (avaliação do risco de TPP e evolução do TP). Atentar para bolsa rota e sangramentos. 7 HIPERTENSÃO NA GESTAÇÃO As desordens hipertensivas são a principal causa de morte materna no mundo em desenvolvimento, seguidas das desordens hemorrágicas e infecciosas. COMO DIAGNÓSTICAR? Aferição de 2 medidas de PA seriadas (maior ou igual a 140/90 mmHg). A ISSHP recomenda um mínimo de 2 medidas de PA, preferencialmente após um período de repouso por uma noite no hospital. COMO MEDIR? A paciente deve estar sentada e em repouso por pelo menos 5 minutos antes da aferição. O braço deve estar estendidona altura do coração (utilizar sempre o mesmo braço em medidas subsequentes). Deve ser usado preferencialmente e esfignomanômetro com coluna de mercúrio. O manguito deve ter largura padrão d 12 cm. A PAD deve ser medida quando ocorrer o desaparecimento do último som diastólico (fase V de Kortkoff). OBS: verificar a tabela para ajustes de valores de PA de acordo com a circunferência. 8 CLASSIFICAÇÃO DE DISTÚRBIOS HIPERTENSIVOS NA GESTAÇÃO: HAS crônica. HAS gestacional. Pré-eclâmpsia sobreposta. Pré-eclâmpsia. HAS crônica Ocorrência de HAS precedendo a gestação. Antes da 20ª semana durante o pré-natal. Persistente após 12 semanas do parto. Refere-se a hipertensão essencial, em geral, associada à HF de hipertensão e frequentemente acompanhada de sobrepeso ou obesidade. Mais raramente pode haver hipertensão secundária. o Quando presente, em geral, deve-se a doença renal parenquimatosa subjacente, como glomerulonefrite e/ou nefropatia de refluxo. o Outras causas: Cushing, feocromocitoma, coarctação da aorta, LES, esclerodermia, tuberculose e hiperaldosteronismo primário. 9 A grande maioria das gestantes com HAS crônica tem hipertensão do tipo essencial Desempenho gestacional desagradável Aumento na mortalidade materna e perinatal associada à sobreposição da pré- eclâmpsia, à idade materna > 30 anos, ao tempo de duração da enfermidade e à obesidade. As pacientes devem ser avaliadas antes da concepção para que os fármacos que não possam ser usados na gravidez, como os IECAs sejam substituídos por outros, como a metildopa, e o sobrepeso possam ser minimizados. HAS gestacional Níveis pressóricos alterados identificados após a 20ª semana de gestação. Normotensão após 12 semanas após o parto. Pré-eclâmpsia Níveis pressóricos alterados (HAS crônica, gestacional ou em qualquer momento após a 20ª semana de gestação). + Proteinúria significativa (avaliada por testes de urina) OU disfunções orgânicas materna/fetais (plaquetas, TGO/TGP). 10 OBSERVAÇÃO Pacientes que utilizam medicação devem ser avaliadas durante o pré-natal: Avaliação do crescimento fetal (ecografia com doppler). Função renal. Avaliação da proteinúria após a 20ª semana. ECG. Fundoscopia. Rastreamento para diabetes. COMPLICAÇÕES MATERNAS Pré-eclâmpsia. Síndrome HELLP. o Hemólise. o Enzimas hepáticas elevadas (aumento das transaminases). o Plaquetopenia. Edema pulmonar. Encefalopatia hipertensiva. Cardiopatia. Hemorragia cerebral. Insuficiência renal. COMPLICAÇÕES FETAIS Restrição de crescimento fetal (RCF). Descolamento prematuro de placenta. Morte perinatal. 11 TRATAMENTO Recomendações Deve-se levar em conta a gravidade da hipertensão. Deve-se levar em conta presença ou não de doença cardiovascular concomitante. A maioria dos riscos associa-se à pré-eclâmpsia sobreposta, e o uso de anti-hipertensivos não protege desse evento nem altera desfechos neonatais. Pré-eclâmpsia sobreposta é mais frequente com outras alterações concomitantes, como obesidade, insuficiência renal, hipertensão há mais de 4 anos e história de pré-eclâmpsia em gestações anteriores. O descolamento de placenta é mais frequente em gestantes com pré- eclâmpsia. Considera-se como lesão em órgão-alvo a presença de função renal anormal (proteinúria basal > 300 mg/24 horas e/ou creatinina sérica > ou igual a 0,8 mg/dl). Hipertrofia do ventrículo esquerdo ou retinopatia. Critérios para prescrição de anti-hipertensivos na gestação PA > ou igual a 140/90 mmHg. Idade materna > ou igual a 40 anos. HAS há mais de 10 anos. HAS secundária. HAS com comprometimento de órgãos-alvo. Medicações Metildopa = 1ª escolha. o Vantagem de manter mais estável o fluxo uteroplacentário e a hemodinâmica fetal. o Estudos demonstraram não haver alteração no peso ao nascimento, nas complicações materno ou no desenvolvimento neurocognitivo e na inteligência. 12 Bloqueadores dos canais de cálcio (anlodipino, nifedipino, verapamil) = 2ª escolha. o Desvantagem de efeitos adversos (cefaleia, taquicardia). Hidralazina (vasodilatador) = também considerado 2ª escolha. Propranolol = deve ser evitado, devido à diminuição significativa de fluxo placentário e a associação à RCF. Atenolol = melhores resultados em relação aos demais betabloqueadores. o Deve ser evitado no primeiro trimestre. Beta- bloqueadores do tipo beta 2 seletivos (pindolol, labetalol) podem ser alternativas à metildopa. O uso de betabloqueadores associados ou não a alfa bloqueadores pode ser necessário nos casos de hipertensão refratária ao tratamento com metildopa. Diuréticos = podem ser úteis na gestação com hipertensão sensível à retenção salina ou com disfunção ventricular esquerda. o Uso deve ser evitado na primeira metade da gestação. Os IECAs/ BRA estão associados à redução significativa de fluxo sanguíneo uteroplacentário, morte fetal, RCF, oligodrâmnio, morte neonatal e insuficiência renal em recém-nascidos. o Contraindicados na gestação. HIPERTENSÃO NO PÓS-PARTO As pacientes hipertensas crônicas podem desenvolver encefalopatia hipertensiva, edema pulmonar e insuficiência cardíaca no puerpério. Nas pacientes que se mantêm hipertensas devem utilizar medicamentos por via oral. Realizar controle de PA. Ao prescrever os anti-hipertensivos deve-se lembrar que a grande maioria é excretada no lite humano podendo ser absorvida pelo RN. o Na lactação parece ser razoável que os diuréticos devem ser evitados, devido ao seu potencial de suprimir lactação. 13 o A exposição neonatal =metildopa, labetalol, captopril e nifedipina = seguras = boa opção na amamentação. o O atenolol e o metropolol devem ser evitados, devido a sua absorção no leite com potenciais efeitos no RN. ACONSELHAMENTO E PROGNÓSTICO PÓS-PARTO O seguimento dessas pacientes deve ser por no mínimo 12 semanas. Se mantidos os níveis tensionais elevados após esse período considerar a paciente como hipertensa crônica. A recorrência da pré-eclâmpsia é maior entre as multíparas do que entre as que tiveram a doença na primeira gestação, especialmente se houver troca de parceiros na próxima gestação. A gestação humana é um excelente teste de estresse cardiovascular e a ocorrência de pré-eclâmpsia especialmente precoce (6-32 semanas) significa uma falha na capacidade cardiovascular daquela gestante. Há associação entre a ocorrência de insuficiência renal crônica e a história prévia de pré-eclâmpsia. A pré-eclâmpsia na primeira gestação esteve associada a um risco 4,7x maior em desenvolver insuficiência IRC = risco ainda maior (15,5x) nas mulheres que haviam desenvolvido pré-eclâmpsia em 2 ou 3 gestações. Pré-eclâmpsia é marcador de risco para desenvolver IRC no futuro. PRÉ-ECLÂMPSIA Doença hipertensiva especifica da gravidez ou toxemia gravídica. Síndrome caracterizada pelo surgimento de hipertensão após a 20ª semana de gestação acompanhada de pelo menos um sinal clínico, laboratorial ou hemodinâmico endotelial vascular, como: o Proteinúria significativa: Relação P/C > ou igual a 0,3. > ou igual a 1 g/l em fita reagente. o Disfunções orgânicas maternas: 14 Perda da função renal = creatinina > 1,02 mg/dl. Disfunção hepática = aumento das transaminases > 2x o limite normal. Epigastralgia. Complicações neurológicas = estado mental alterado. Cegueira. Hiperreflexia com clônus. Escotomas. Turvamento visual. Diplopia. US doppler de artéria oftálmica materna alterada. Complicações hematológicas = plaquetopenia, CID, hemólise. o Disfunções uteroplacentárias: Restrição de crescimentofetal (RCF) assimétrico. US doppler com artéria umbilical alterada, principalmente na presença também de US doppler alterada nas 2 artérias uterinas maternas. Fisiopatologia Disfunção endotelial e vasoespasmo da circulação sistêmica periférica. Síndrome com alterações de múltiplos sistemas e órgãos que pode ocorrer mesmo na presença de hipertensão leve. Não tem causa única definida = resultado em descompasso entre o suprimento placentário e as demandas fetais, levando a manifestações inflamatórias sistêmicas maternas e fetais. Circulação placentária de baixa resistência (perda da camada muscular das artérias espiraladas), resultando em um sistema circulatório de alto fluxo = 2ª invasão trofloblástica = na PE ocorre todo deficiente. o O aumento do fluxo placentário ocorre, principalmente, a partir da metade do 2º trimestre da gestação e tem importância para o crescimento fetal adequado. 15 o O endotélio desses vasos neoformados produz, na grávida normal, uma quantidade significativa de prostaciclina, com potente ação vasodilatadora e inibidora da agregação plaquetária. Provavelmente é a presença dessa substância que se contrapondo aos efeitos vasoconstritores e agregadores plaquetários do tromboxano (TxA2) que confere à gestante uma refratariedade vascular ao efeito de substâncias vasopressoras, como a angiotensina. Adaptação circulatória materna fetal Placentação deficiente com menor angiogênese e mais antiangiogênese (menos PLGF e mais SFLT-4 e SENG) com invasão trofoblástica inadequada, fluxo placentário diminuído (isquemia uteroplacentária) e resposta inflamatória materna e fetal acentuada. Essa placenta isquêmica produz uma série de mecanismos antiangiogênese, aumento do estresse, disfunção endotelial e imunológica. Há refratariedade à angiotensina II, vasoespasmo e diminuição do volume plasmático intravascular. O aumento dos níveis tensionais da gestante pode ser visto como uma resposta na tentativa de perfusão eficaz a um sistema com marcada resistência. O vasoespasmo é a característica chave no desenvolvimento da PE. Junto à hipóxia tecidual, isquemia, danos no endotélio vascular e agregação plaquetária aumentada causando hipóxia em tecidos como a placenta, rim, fígado e etc. Incompatibilidade genética HLA (pai) células NK (mãe) Adaptação imunológica, disfunção endotelial e resposta inflamatória sistêmica materna (PE como uma resposta exacerbada ao mecanismo adaptativo imunológico da mãe e a unidade fetoplacentária). o Aumento da permeabilidade endotelial leva ao surgimento de edema e da proteinúria. 16 o A agregação plaquetária aumentada é causada pelo endotélio disfuncional. O menor tempo de exposição aos antígenos do pai também é visto no desenvolvimento da PE. A razão exata que leva algumas gestantes a desenvolverem placentação anormal e outras não, ainda não pode ser respondida. Alterações mais marcantes Hematológicas. Renais e cardíacas. Hepáticas. Cerebrais. Oftalmológicas. Uteroplacentárias. Dá para predizer a PE? Passado obstétrico. US com doppler das artérias uterinas. Biomarcadores: ainda não utilizados na rotina: SFLT-1, SEND e PLGF. Como prevenir? Carbonato de cálcio em pacientes de baixa ingesta. AAS em pacientes entre 12-36 semanas. O que devo ter em mente? Solicitar P/C e laboratoriais. Gestantes com PA alterada? Quantas semanas de gestação? Controle da PA inadequado? 17 AMENORREIA Definida como a ausência de menstruação no período da menacme. A amenorreia pode ser fisiológica (puberdade, gestação, lactação, menopausa) ou patológica, sendo apenas um sintoma de várias condições clínicas possíveis que podem se localizar em todos os níveis do eixo hipotálamo- hipófise-ovariano-genital. Para que ocorra o fluxo menstrual, é necessária integridade anatômica e fisiológica do sistema reprodutor feminino, dividido didaticamente em 4 “compartimentos”: IV. Hipotálamo e SNC: representam o controle primário do ciclo menstrual, sofrendo influência endógena (esteroides sexuais e outros hormônios, por mecanismo de feedback) e também do ambiente externo. III. Adeno-hipófise: que, como resposta ao GnRH, secreta o FSH e o LH, atuantes no ovário. II. Ovário: secreta estrogênio e progesterona em resposta às gonadotrofinas (LH e FSH) produzidas pelo eixo hipotálamo-hipófise. I. Vagina e Útero: que devem ser patentes para exteriorização do fluxo, sendo que o útero deve ter um endométrio responsivo às variações cíclicas. CLASSIFICAÇÃO Amenorreia primária: é a não ocorrência de menarca até os 16 anos de idade, com presença de caracteres sexuais secundários, ou a não ocorrência de menarca até os 14 anos de idade em meninas sem desenvolvimento de caracteres sexuais secundários. OBS.: o tempo entre desenvolvimento dos caracteres secundários e a menarca = 2 anos. Amenorreia secundária: é a ausência de menstruação por 6 meses ou por um período equivalente a 3 ciclos habituais, em uma mulher que previamente menstruava. 18 OBS.: períodos menores de ausência de menstruação são referidos comumente como atraso menstrual. Classificação etiológica da amenorreia (primária/secundária): AMENORREIA PRIMÁRIA Prevalência: Alterações cromossômicas – disgenesias gonadais 50% Hipogonadismo hipotalâmico – causa central 20% Ausência do útero, cérvix e/ou vagina, agenesia Mulleriana 15% Septo transverso vaginal ou hímen imperfurado 5% Doença pituitária 5% Outros (HAS, SOP, insensibilidade receptor androgênico) 5% Etiologia: Compartimento IV: o Hipotálamo: Síndrome de Kallmann – síndrome de amenorreia e anosmia. 19 o Anovulação crônica: SOP; perda de peso, anorexia e bulimia (IMC <17); exercício físico – endorfinas; estresse. Síndrome de Kallmann hipogonadismo hipogonadotrófico. Doença genética com deficiência do GnRH causado pela falha da migração de neurônios secretores de GnRH e axônios olfatórios para o hipotálamo. - Cariótipo 46 XX; - Fenótipo: feminino; - Hipogonadismo hipogonadotrófico; - Puberdade tardia e amenorreia primária; - Dificuldade de perceber odores. Compartimento III: o Tumores: - Prolactinomas: inibição da secreção pulsátil de GnRH; - Outros tumores benignos da hipófise: não funcionantes; GH – acromegalia; ACTH – Síndrome de Cushing. - Craniofaringiomas, gliomas, meningiomas. - Não neoplásicos: cistos, sarcoidose, tuberculose. Compartimento II: o Falência ovariana precoce: - Primária: perda rápida de folículos ovarianos; fator genético. - Secundária: cirurgia, autoimunidade, quimioterapia, radioterapia, infecção. o Disgenesia gonadal: - Síndrome de Turner, mosaicismos, disgenesia gonadal mista. o Agenesia gonadal. o Síndrome de resistência ovariana. Compartimento I: o Agenesia Mulleriana: 20 Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser ação inadequada do hormônio anti-mulleriano fetal. - Fenótipo: feminino; - Ausência de útero, trompas e terço superior da vagina; - 30 – 50% malformação do trato urinário. o Agenesia de vagina. o Septo vaginal transverso. o Insensibilidade ao andrógeno: Síndrome de Insensibilidade ao andrógeno - Cariótipo: 46XY; - Mutação inativadora no gene do receptor androgênico, braço longo cromossomo X; - Fenótipo: feminino; - Mamas normais, vagina em fundo cego, ausência de útero, pelos escassos. Investigação amenorreia primária 21 AMENORREIA SECUNDÁRIA Causas mais comuns em mulheres não grávidas: Origem hipotalâmica: o Alteração de estatura/peso e desnutrição 15 % o Exercício 10% o Estresse psicológico 10% o Doenças infiltrativas ou tumores hipotalâmicos <0,1% Origem hipofisária: o Tumor hipofisário secretor de prolactina 17%o Síndrome da sela túrcica vazia 1% o Síndrome de Sheehan <1% o Tumor secretor de ACTH (Doença de Cushing) ou GH <1% Origem ovariana: o Falência ovariana prematura 10% Origem uterina: o Síndrome de Asherman (sinéquias uterinas) 5% Anovulação crônica com estrogênios +: o SOP 30% o HAC-NC <1% o Disfunções da tireoide 1% o Tumores ovarianos <1% Investigação amenorreia secundária Anamnese: o Curva de peso-altura; o Antecedentes médicos, cirúrgicos; 22 o Tratamentos médicos prévios; o Dor pélvica cíclica; o Galactorreia; o Hirsutismo ou virilização; o Cefaleia ou distúrbios da visão; o História familiar de puberdade tardia; o Ambiente social e familiar; o Desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários. Exame físico: o Peso, altura, PA; o Estado nutricional; o Desenvolvimentos dos caracteres sexuais secundários; o Anomalias morfológicas – genitália interna e externa; o Sinais de hiperandrogenismo; o Sinais de hipoestrogenismo recente; o Galactorreia 23 CLIMATÉRIO E MENOPAUSA CONCEITOS Climatério (40 anos até a senescência) Período fisiológico que se inicia desde os primeiros indícios de falha ovariana, mesmo que os ciclos continuem regulares ou até ovulatórios e termina na senectude (senilidade). A senilidade se inicia, por definição aos 65 anos de idade. Cada mulher pode iniciar seu climatério de forma diferente, tanto em cronologia quanto em sintomatologia. Nem sempre o climatério é sintomático. Perimenopausa É o período ao redor da menopausa, ou seja, é o período que compreende os anos que precedem a menopausa, já na presença de distúrbios da duração do ciclo menstrual e os doze meses que seguem após o termino das menstruações, até a confirmação definitiva da interrupção das menstruações, pode preceder a última menstruação em dois a oito anos. Menopausa Definida como a última menstruação devido à falência ovariana. No entanto, essa última menstruação só pode ser chamada de menopausa após um ano de seu término. Menopausa precoce Quando a menopausa ocorre antes dos 40 anos, devendo ser investigada, para exclusão de outras patologias. Menopausa tardia Quando ocorre após os 55 anos de idade. Pós menopausa Período que se inicia 12 meses após a última menstruação e vai até os 65 anos de idade. 24 Menopausa cirúrgica Quando é realizada como ooforectomia bilateral. Senilidade É o período que se inicia a partir dos 65 anos de idade. MENOPAUSA A menopausa apesar de poder ser influenciada pelo eixo-hipotálamo- hipófise, é um evento ovariano secundário à atresia fisiológica dos folículos primordiais. Sua ocorrência pode ser natural ou artificial, após procedimentos clínicos ou cirúrgicos que levam à parada da produção hormonal ovariana. Epidemiologia 2070: 75% das mulheres estarão no climatério. Média: 50 anos. No Brasil: 45-48 anos. Mecanismo: natural ou induzida. Fatores de risco Paridade. Nutrição. 25 Raça. Tabagismo. Envelhecimento ovariano Modificações endócrinas, biológicas e químicas. Fisiológica e inevitável. Fisiologia (transição menopausal) Pico folicular intraútero. o 20 semanas: 6-8 milhões de folículos. Nascimento: 2 milhões de folículos. Puberdade: 400 mil folículos. Recrutamento e atresia (morte programada): o Independe da gestação ou anticoncepção. o 400 folículos resultarão em ovulação durante a vida. o Redução na qualidade e quantidade: redução de fertilidade. o Pool folicular: alterações hormonais importantes. Cerca de 10 a 15 anos antes da menopausa há uma aceleração da perda folicular, que se inicia quando o número de folículos chega a 25.000. Este fenômeno está relacionado a um pequeno, porém real, aumento dos níveis de FSH e a uma queda dos níveis de inibina (produzida pelos ovários). A aceleração da perda folicular parece ser secundária ao aumento da estimulação do FSH. Essas variações hormonais refletem a redução do número e da qualidade dos ovócitos à medida que a mulher envelhece. Ciclo menstrual 26 27 Fisiologia na menopausa Primeira fase: ciclos curtos. Polimenorreia. Hipogonadismo hipergonodotrófico: o SNC: aumento de FSH e LH (“compensar”). o Aumento do FSH: aumenta a depleção folicular. o Níveis de FSH: Primeiros anos: elevado. Envelhecimento: diminuem. o Hormônio antimulleriano: marcador do número de folículos ovarianos em crescimento. Segunda fase: ciclos longos até a amenorreia. Esgotamento folicular 1. Queda folicular: variabilidade hormonal e ovulação inconstante. 28 2. Queda folicular: redução da inibina B (isso desativa o feedback negativo sobre a hipófise). 3. Queda na inibina B: aumenta o FSH e aumenta e acelera a depleção folicular. 4. Esgotamento folicular: não tem mais folículos, não tem estradiol, não tem pico de LH, não tem ovulação, não tem progesterona. 5. Sem estradiol: amenorreia. Alteração no processo ovulatório Redução da massa folicular. Aumento no estroma ovariano. Aumento da testosterona e androstenediona. Conversão periférica (aromatização): produção de estrona. OBS 1: os níveis de FSH podem chegar a 10-20 vezes os valores da pré- menopausa, enquanto que os de LH aumentam cerca de 3x. O pico hormonal acontece cerca de 1 a 3 anos após o último período menstrual e, após estes níveis serem atingidos, ocorre declínio gradual das concentrações de gonadotrofinas. Processo normal de ovulação 29 OBS 2: ausência de menstruação associada níveis elevados de FSH e LH é diagnóstico de falência ovariana. Diagnóstico Clínico: o FSH > 40 mUI/mL. o Estradiol < 20 pg/ml. Receptores de estrogênio Pele; Ossos; Vasos; Coração; Cérebro; Mama; Útero; Vagina; Uretra; Bexiga. Consequências Irregularidade menstrual. Insônia. Alterações cognitivas. Depressão. Sintomas vasomotores Fogachos: o Centro termorregulador que responde à diminuição do estrogênio. o Redução de estrogênio. o Alterações em neurotransmissores cerebrais. o Instabilidade no centro termorregulador hipotalâmico. o Alterações nas concentrações hormonais e nos sistemas serotoninérgico, noradrenérgico, opioide, adrenal e autonômico. 30 o Condições como obesidade, fumo, sedentarismo, exercício extenuante e baixo nível socioeconômico são condições associadas ao surgimento de fogachos. o As alterações vasomotoras caracterizam-se por períodos transitórios e recorrentes de rubor na face, pescoço e tórax, sudorese e uma sensação de calor, frequentemente acompanhados por palpitações, sensações de ansiedade e, algumas vezes, seguidos por calafrios. Além disso, há aumento do fluxo sanguíneo cutâneo, da frequência cardíaca e da temperatura corporal. o Os episódios duram cerca de 1 a 3 minutos e podem se repetir mais de 30 vezes por dia (média de 5-10 vezes). o São mais frequentes a noite (suores noturnos), melhoram em ambientes frios e recorrem por um a dois anos em média após a menopausa, podendo se estender por períodos de mais de cinco anos. Impacto na massa óssea Estrogênio “controla” os osteoclastos. Após a menopausa, a taxa de perda óssea aumenta significativamente, com perda de mais de 2% de osso cortical e 5% de osso trabecular por pelo menos 5-8 anos. Esse fenômeno que se deve a uma atividade excessiva dos osteoclastos, provoca reabsorção óssea (alterações creditadas a deficiência de estrógenos). Após este período, o ritmo de perda óssea tende a diminuir. Síndrome geniturinária da menopausa (SGM) Atrofia da vulva, vagina e trato urinário = receptores não estão mais recebendo estrogênio. Interferência na qualidade de vida. Redução nos lactobacilos: ph alcalino = corrimento, predisposiçãoa alguns tipos de vaginose. Pacientes reclamam muito de ardência e prurido. Pode ocorrer infecção urinária por atrofia uretral. 31 Tratamento O início da terapia hormonal (TH) em mulheres com mais de 10 anos de pós-menopausa pode associar-se ao aumento no risco de doença cardiovascular (DCV). Entretanto, se iniciada na peri e pós-menopausa inicial, a TH pode diminuir o risco cardiovascular = janela de oportunidade. Estudo WHI trouxe à tona a temática dos riscos da TH. A terapia hormonal auxilia no tratamento dos sintomas vasomotores e da atrofia vulvovaginal e na prevenção da osteoporose e fraturas osteoporóticas, que são indicações consagradas. Iniciar a TH com a único propósito de prevenir fraturas em mulheres após os 60 anos de idade não é recomendado. Terapia hormonal = terapia padrão-ouro. Mulheres sem útero = pode usar TH somente com estrogênio OBS: a terapia vaginal é para quem tem sintomas somente vaginais. 32 Mulheres com útero = pode usar estrogênio + progesterona (proteção endometrial) 33 ENDOMETRIOSE É definida como a presença de glândulas endometriais e estroma fora da cavidade uterina em um meio caracterizado por dependência estrogênica e inflamação. Atinge aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva, sendo causadora de infertilidade e dor pélvica crônica (DPC). Endometriose X Infertilidade 50% das inférteis; Anatomia; Aumento de mediadores imunológicos; Diminuição da implantação do blastocisto; Diminuição da ovulação: o Diminuição do desenvolvimento oocitário; o Diminuição da embriogênese; o Diminuição da reserva ovariana; o Insuficiência lútea; o Alteração da prolactina. Redução da taxa de gestação com reprodução assistida; Queda da qualidade de vida; Aumento da incidência de câncer de ovário do tipo I (serosos, células claras, endometrioides, mucinoides). Fatores de risco Antecedentes GO: o Menarca precoce; o Menopausa tardia; o Nuliparidade; o Infertilidade; o Quantidade de fluxos menstruais; 34 o Uso de ACO para dismenorreia. Outros: o Absenteísmo escolar; o HF de endometriose; o Intensidade da dor pélvica; o Socioeconômico elevado (menor número de filhos – maior quantidade de ciclos menstruais). Patogênese 1. Menstruação retrógrada: 76 – 90% das mulheres. 2. Metaplasia celômica: origem embrionária (peritônio transformado em endométrio). 3. Imunológica: menstruação retrógrada + metaplasia celômica. 4. Teoria das células tronco totipotentes. Fisiopatologia Aumento da imunidade celular; Aumento da capacidade proliferativa; Aumento da aromatose local; Aumento de estrogênio local; Aumento da resistência a progesterona. Localização Locais mais prováveis são os mais próximos a pelve. Classificação Por estágios – antiga pouca relação com a sintomatologia. Por tipo de lesão – atual: 35 o Superficial ou peritoneal; o Endometrioma (ovário); o Profunda (invasão >5mm ou camada muscular). Clínica 50 % assintomáticas; Dor pélvica (dismenorreia, dispareunia, DPC acíclica, disúria ou disquezia); Infertilidade; Massa pélvica. Diagnóstico História Exame físico CA-125 (melhor para seguimento, pois no diagnóstico apresenta muitos falsos positivos – adenomiose, miomatose, neoplasia). Eco transvaginal / Ressonância Magnética: úteis no pré-operatório. Videolaparoscopia: diagnóstico definitivo. Tratamento Depende de: Idade da paciente; Desejo de gestação; Resposta a tratamento anterior; Severidade dos sintomas; Gravidade da doença. Assintomáticas NÃO é necessário tratamento 36 Endometriose X Infertilidade: Tratamento medicamentoso resultados fracos; Cirúrgico endometriose mínima ou leve – 10 a 25% de resposta. Cirúrgico endometrioma - ≥ 4cm pré-fertilização in vitro (FIV); 50% de gestação. Excisão e cauterização = + gestações, - oócitos. Punção e lavagem = - gestações. Endometriose X Dor: Clínico AINES (redução da cicloxigenase, redução de prostaglandinas, redução de dor e inflamação em endometriose) Redução da ação estrogênica: o ACO (com pausa ou contínuo) combinado; 1ª linha de tratamento; pode associar AINES; falha 20 – 25%; cíclicos; contínuos – dor resistente. o Progesterona antagonismo estrogênico (atrofia, decidualização); diversas formas – oral, implantes, IM, DIU. o DIU levonorgestrel o Danazol androgênio; suprime pico de LH; amenorreia e anovulação; ocupa receptores do SHBG (aumenta testosterona livre, aumenta receptores de progesterona); estado hipoestrogênico e androgênico. o Gestrinona androgênico; antiprogestágeno; antiestrogênico; reduz receptores de estrogênio e progesterona. o Análogos do GnRH (casos + graves) hipoestrogenismo; pseudomenopausa. o Inibidores da aromatase redução da síntese estrogênica. Cirúrgico: Terapia inicial ou complementar; Excisão; Fulguração; 37 Ablação a laser; Excisão, drenagem ou ablação de endometriomas; Ressecção de nódulos reto-vaginais; Lise de aderências; Neurinectomia pré-sacra. Histerectomia útima alternativa; mulheres sem resposta a qualquer tratamento; mulheres com dor debilitante. Histerectomia com ooforectomia bilateral: melhora da dor em 80 – 90%; 10% de recorrência de 1 a 2 anos. Empirico: Sem massas; Sem desejo de gestação; Endometriose na Menopausa: Tibolona androgênio; TH. Controle pós-tratamento CA-125 recidiva x estágio da doença. Se aumento pensamos em recidiva da doença. 38 CÂNCER DE COLO DE ÚTERO O câncer de colo uterino é o 3° em prevalência nas mulheres no Brasil e o 4° no mundo, excluindo os de pele não melanoma. A mortalidade mundial é de 266 mil mulheres/ano. A quase totalidade desse câncer tem origem na junção escamocolunar (JEC), podendo se originar de tecido escamoso, glandular, ou de ambos. O carcinoma invasivo tem sua origem em lesões precursoras: neoplasia intraepitelial (NIC) e adenocarcinoma in situ. As lesões precursoras são geralmente lesões escamosas e são classificadas de acordo com a quantidade de epitélio afetado. Geralmente NIC 1 tende a regressão espontânea e não precisam ser tratadas na maioria. As lesões de NIC 2 e NIC 3 podem evoluir para lesões invasivas, com progressão muito lenta, e devem ser tratadas em sua maioria. Cerca de 30-70% das NIC 3 / CIS podem evoluir para doença invasiva em 20 anos. 39 Fatores de risco: Infecção pelo HPV principal fator de risco nos subtipos oncogênicos, com infecções persistentes. Subtipos de baixo risco: 6, 11, 26, 42, 43, 53, 54, 61, 70, 81. Subtipos de alto risco: 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59, 66, 68, 82; Tabagismo; Imunossupressão; Idade precoce de atividade sexual; Múltiplos parceiros; Exposição intrautero ao dietilbestrol – adenocarcinoma de colo e vagina não ligado ao HPV. O quadro a seguir expõe a nomenclatura citopatológica e histopatológica utilizada desde o início do uso do exame citopatológico para o diagnóstico das lesões cervicais e suas equivalências (Quadro 3). Nele, a nomenclatura para os exames histopatológicos utilizada é a da Organização Mundial da Saúde (OMS). A nova nomenclatura de Bathesda compreende as lesões precursoras como dois grupos diferentes. No Brasil, os laudos de colpocitopatologia não 40 descrevem mais NIC 1, 2 e 3 e sim lesão intraepitelial de baixo grau (LIEBG) e lesão intraepitelial de alto grau (LIEAG). Células escamosas de significado indeterminado – ASC – US: Definido como achados citológicos característicos pela presença de alterações celulares insuficientespara o diagnóstico de lesão intraepitelial, mas alterações mais significativas do que as encontradas em processos inflamatórios. HSIL: Células escamosas atípicas de significado indeterminado não podendo excluir lesão intraepitelial de alto gral. Recomendação de rastreio no Brasil para prevenção secundária: Mulheres entre 25-64 anos; Iniciar com exames anuais; Após 2 exames consecutivos normais, realizar o exame a cada 3 anos; A mulher só poderá cessar o seguimento aos 64 anos se apresentar 2 exames consecutivos normais nos últimos 5 anos. 41 Amostra da coleta: o Insatisfatória: 1. Material acelular ou hipocelular (< 10% do esfregaço). 2. Leitura prejudicada (> 75% por presença de sangue, piócitos, artefatos de dessecamento, contaminantes externos ou intensa superposição celular. o Satisfatória: células glandulares, metaplásicas e epipteliais podem estar presentes. Satisfatório é diferente de representativo. Se diz material significativo quando coletadas células da JEC. Prevenção secundária: Lesões de alto grau ou suspeitas de alto grau devem ser encaminhas para colposcopia, realizar biópsia caso necessário (lesão sugestiva de alto grau). Hoje em dia temos disponíveis testes para detecção de genotipagem do HPV de alto risco. São testes sensíveis porém pouco específicos para detectar NIC2. Prevenção primária: Vacina para HPV: o Quadrivalente Guardasil – HPV: 16, 18, 6 e 11; o Bivalente Cervarix – HPV: 16,18; o Meninas entre 9 e 14 anos (duas doses); o Meninos entre 11 a 14 anos (duas doses); o Adultos são 3 doses; o Imunossupressos (HIV, pacinetes oncológicos em quimioterapia): devem tomar 3 doses entre 9 e 26 anos. Situações especiais: Imunossupressas: o rastreio com CP deve iniciar logo após o início da atividade sexual; Mulheres sem atividade sexual: não devem realizar a coleta; 42 Mulher grávidas: devem coletar. Diagnóstico: Anamnese e exame físico: sangramento uterino anormal, sinusorragia, corrimento, dor pélvica, casos avançados – IRA pós-renal. Coleta de material; Colposcopia; Biópsia; Excisão da zona de transformação ou conização; Histologia: epidermoides do tipo usual (grande maioria), variantes (basaloide, verrucoso, papilífero, linfoepitelioma, adenocarcinomas). Estadiamento: Clínico – exame físico; Segundo critérios da FIGO: sabe-se que US, RNM, TC e PET CT, em conjunto, são superiores ao exame físico, porém custo elevado; Toque vaginal + toque retal, avaliar tamanho do tumor e extensão para paramétrios; O estadiamento definitivo é pós-cirúrgico, após avaliação da peça. 43 Tratamento: Conização: preservação da fertilidade – estádio IA1; Histerectomia radical modificada com linfadenectomia: é o padrão-ouro podemos manter o corpo uterino caso mulher desejar gestação (até 40 anos, IA2 escamoso ooforectomia somente em pós menopáusicas); Pacientes com tumores > 4cm ou que se estendam além do colo: quimio e radioterapia (braquiterapia). 44 CÂNCER DE ENDOMÉTRIO Fatores de risco: Estimulação estrogênica com proliferação endometrial sem oposição progestogênica; Nuliparidade; Menopausa tardia; Obesidade; DM; Terapia hormonal com estrogênio sem progesterona; Tamoxifeno; Hiperplasia atípica do endométrio – relação estreita com CA de endométrio; Síndrome de Lynch II. Hiperplasia endometrial: Alterações morfológicas da mucosa endometrial com hiperplasia glandular e muitas vezes atipias celulares. Fatores de risco da hiperplasia endometrial é semelhante ao carcinoma obesidade na pós-menopausa, SOP na menacme. Quadro clínico clássico é o sangramento uterino anormal. Classificação: 1. Hiperplasia simples sem atipias; 2. Hiperplasia simples atípica; 3. Hiperplasia complexa sem atipias; 4. Hiperplasia complexa atípica. 45 Diagnóstico: Anamnese e exame físico: sangramento uterino anormal, sagramentos pós menopausa, sangramentos intermenstruais em mulheres pré- menopausa; Exames complementares: US (endométrio maior ou igual a 5mm ou 4mm); Biópsia endometrial com pipelle, curetagem ou histeroscopia é necessária para o diagnóstico definitivo. Padrão-ouro: histeroscopia com biópsia!! Pólipos: Lesões relacionadas ao sangramento anormal; Raramente malignizam; Mais comum em pós-menopáusicas; A histeroscopia é padrão-ouro em diagnóstico e tratamento. Tratamento da hiperplasia: Medicamentos: progestágeno via oral ou siu de levonorgestrel (o siu é mais indicado uso por 6 meses para avaliar regressão). 46 Câncer de endométrio: Tipo 1 mulheres obesas, hiperplasia endometrial, pós-menopáusica (subtipo histológico mais comum: endometrioide). Tipo 2 não tem relação com estrogênio, mais agressivo (subtipos histológicos mais comuns: seroso e de células claras). Fatores de risco: Hiperplasia; HAS; TH; Tibolona; Síndrome de Lynch. Fatores de proteção: Uso de progestágenos; Pílula combinada; SIU; Tabagismo. Estadiamento: O estadiamento é cirúrgico. Mas a avaliação pré-operatória com US pode ser realizada para avaliar tamanho e extensão da doença. 47 Tratamento: Histerectomia; Salpingooforectomia bilateral; Estadios mais iniciais sem linfadenectomia; Estadios mais avançados e tumores mais agressivos sempre linfadenectomia pélvica e paraaórtica até as veias renais, também lavado peritoneal, citorredução e omentectomia; Cirurgia laparoscópica; Terapia adjuvante: deve ser individualizado, em casos de tumores agressivos e de maior grau. 48 CRESCIMENTO INTRAUTERINO RESTRITO Idade gestacional (semanas) Peso fetal (g) Percentil 3 10 50 90 97 30 1169 1294 1559 1824 1949 31 1313 1453 1751 2049 2189 32 1465 1621 1953 2285 2441 33 1622 1794 2162 2530 2703 34 1783 1973 2377 2781 2971 35 1946 2154 2595 3036 3244 36 2110 2335 2813 3291 3516 37 2271 2513 3028 3543 3785 38 2427 2689 3236 3786 4035 39 2576 2851 3435 4019 4294 40 2714 3004 3619 4234 4524 DEFINIÇÃO Termo utilizado para designar os fetos que não atingiram o seu potencial de peso, crescimento. Fatores genéticos e ambientais. Causas do feto, mãe ou placenta. A definição mais aceita é de feto abaixo do p10 (com algumas alterações em ecografia, em perfis de bem-estar fetal), sendo diferente do diagnóstico de PIG (não patológico). ETIOLOGIA Condições médicas maternas. o Diabetes mellitus pré-gestacional. o Insuficiência renal crônica. o Anemia crônica grave. 49 o DPOC. o Doenças autoimunes: LES. o Doenças cardíacas cianóticas. o Doenças hipertensivas relacionadas à gravidez: hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, hipertensão crônica. o Síndrome do anticorpo antifosfolipideo. o Útero bicorno, septado e outras anomalias uterinas. Uso e abuso de substâncias: tabaco (10 cigarros/dia = duplicam o risco), álcool, cocaína, narcóticos, entre outros. Gestação múltiplas: gemelares (15% - 30% podem ser restritos). Exposição a teratogênicos: ciclofosfamidas, ácido valproico, drogas antitrombóticas (varfarina), antineoplásicos, antagonistas do ácido fólico, entre outros. Doenças infecciosas: malária, citomegalovírus, rubéola, toxoplasmose, sífilis. Desordens genéticas e estruturais; trissomia do 13, trissomia do 18, doenças cardíacas congênitas, gastrosquise. Desordens placentárias e anormalidades de cordão umbilical. Peso materno ao nascimento e durante o pré-natal: mães com < 54 kg no início do pré-natal tem alto risco. História prévia de restrição de crescimento fetal (RCF). OBS: a RCF não se refere a uma doença propriamente dita, mas a manifestação de muitos distúrbios maternose fetais. COMO RASTREAR? A altura uterina não tem boa precisão, mas é um bom sinal de alerta. O ultrassom é imprescindível. o Realizado para calcular a idade gestacional = possível avaliar o crescimento e percentil. o Primeira ecografia (geralmente com 12 semanas de IG) = extremamente importante. o US até 12 semanas: erros de 3-5 dias. 50 o US entre 20-30 semanas: erro de 2 semanas. o US entre 30-40 semanas: erro de até 3 semanas. o As medidas realizadas na US são: Circunferência abdominal e comprimento do fêmur = estabelecendo assim a estimativa do peso fetal. Com a estimativa do peso fetal, saberemos em que percentil se encontra o feto, no decorrer do acompanhamento. A circunferência a abdominal é o parâmetro mais importante utilizado para avaliação do risco de RCF. DIAGNÓSTICO O diagnóstico inicia pela coleta da história (HMP, antecedentes GO). Solicitar exames para rastreio de infecções maternas e fetais = STORCH: rubéola, sífilis, toxoplasmose e citomegalovírus. Será feito pela constatação do baixo peso, mas também pela avaliação a curva de ganho de peso e outros parâmetros. O feto pequeno para a idade gestacional (PIG) = feto que se encontra abaixo do p10, e deve ser diferenciado do RCF na avaliação geral da história materna e fetal, genética e fatores ambientais. Avaliação dos parâmetros ao US que indiquem patologia = índice de líquido amniótico, doppler de artéria uterina, umbilical, cerebral média e ducto venoso. Intervalo entre os exames deve ser em média, de 2-3 semanas = para avaliar o peso. Intervalo de 2, 3 dias = para avaliar doppler. OBS: em alguns casos é necessário a realização da amniocentese (punção do líquido amniótico) para avaliação das doenças fetais. Consegue fornecer o diagnóstico correto. Solicitar quando: o Alteração biométrica precoce. 51 o Associação com polidrâmnio. o Associação com anomalias morfoestruturais. o Ausência de alterações ao doppler. o Desejo dos pais. o Ausências de outras causas evidentes (HAS, HG, DM, obesidade). AVALIAÇÃO DO SEGUIMENTO Crescimento com curva normal de distribuição Ótimo prognóstico, velocidade de crescimento continua estável. Conduta: manter exames de seguimento a cada 2 semanas. Crescimento com curva anormal de distribuição A velocidade de crescimento cai a cada medida. Intervalo mostra cada vez uma diferença maior do peso fetal estimado. CIUR PRECOCE x TARDIO (ampla discussão no mundo) Precoce: antes de 32-34 semanas e bebê já está diminuindo. Tardio: depois de 34 semanas e bebê está diminuindo. OBS: o termo utilizado no passado CIUR simétrico e assimétrico estão em desuso, pois não mudam o prognóstico desses fetos. MECANISMOS ADAPTATIVOS FETAIS Placenta cronicamente insuficiente na nutrição do feto. Placenta pequena, com infartos placentários, gerando trocas ineficientes entre mãe-feto. Mecanismos de adaptação Adaptação fetal à troca ineficiente com diminuição do crescimento somático, do tamanho do fígado e da deposição de gordura. Norteia a conduta 52 Redistribuição do fluxo para áreas nobres como cérebro e diminuição para áreas menos importantes como pulmões e rins. Diminuição do fluxo, diminuição da urina = diminuição da produção do líquido amniótico = oligodrâmnio. AVALIAÇÃO AO DOPPLER Centralização: mecanismo de redistribuição do fluxo circulatório fetal é central para entendimento da sequência de alterações da RCF = artérias cerebrais dilatam para conseguir terem mais sangue = bebê centralizado = bebê não está bem. Doppler é o estudo que avalia a onda de fluxo dos vasos. Avaliar situação da circulação fetal e materna. Vasos estudados: Artéria umbilical: o aumento da resistência pode levar à diminuição da velocidade sistólica final, fluxo ausente ou reverso. Pode estar deficiente por pré-eclâmpsia, Artéria cerebral média: a redistribuição da circulação é mostrada pela diminuição da resistência com aumento do fluxo. Ducto venoso: avalia casos mais tardios e fetos muito comprometidos. Parâmetro para avaliação mais rigoroso do crescimento restrito. o Comunicação entre a veia umbilical e a cava inferior, que levará sangue oxigenado da mãe para o coração fetal. (Ventrículo direito – forame oval – ventrículo esquerdo – circulação fetal, sendo assim bombeado para o corpo fetal). 53 MANEJO ANTES DO PARTO Hoje em dia não se orienta repouso ou redução das atividades, a hospitalização vai depender da causa e da necessidade de avaliação frequente fetal. A avaliação da saúde fetal é essencial, sendo que a tríade: doppler da artéria umbilical, cardiotocografia de repouso (CTG) e perfil biofísico fetal = considerados os melhores métodos de avaliação do bem-estar fetal. A sequência de alterações costuma ser: (não costuma seguir essa ordem) o 1. US doppler arterial. o 2. US doppler venoso. o 3. CTG. o 4. Padrão dos movimentos fetais respiratórios. o 5. Padrão dos movimentos fetais. o 6. Tônus fetal. A diminuição do líquido é considerado marcador crônico. Estágio Parâmetros de avaliação da vitalidade fetal Intervalo da avaliação Conduta I - insuficiência placentária leve PFE < p3. IP da artéria umbilical > p95. IP da ACM < p5. Índice cérebroplacentário < p5. Semanal >37 semanas = indução de parto. II – Insuficiência placentária grave Artéria umbilical com diástole zero. 2x/semana. >34 semanas = cesariana. III – Acidose fetal = suspeita fraca Artéria umbilical com diástole reversa. IP do ducto venoso > p95. 1-2 dias. >30-32 semanas = cesariana. IV – Acidose fetal = suspeita forte Fluxo reverso no ducto venoso. CTG com variabilidade diminuída. Desacelerações repetidas da frequência cardíaca fetal. 12 horas. >26 semanas = cesariana. PFE = peso fetal estimado. IP = índice de pulsatividade. ACM = artéria cerebral média. Marcadores agudos 54 OBSERVAÇÕES Hipoxemia e acidemia são vistas no sangue de cordão de fetos comprometidos. Feto vai ter alteração da função renal com diminuição do débito urinário= diminuição da produção de líquido amniótico. Monitorização com US Doppler a cada 2-3 semanas (se doppler não alterado) = caso alteração de doppler = pensar em hospitalização e controle rigoroso dos parâmetros fetais = doppler a cada 2-3 dias. MANEJO INTRAPARTO A indicação de parto ou cesariana vai depender da gravidade do acometimento fetal, presença de acidemia, oligodramnia, idade gestacional. A cesariana sem tentativa de parto é boa opção nos prematuros extremos, nas alterações graves ao doppler e nas indicações clássicas obstétricas. PROGNÓSTICO APÓS O NASCIMENTO Complicações ao nascimento (possíveis): o Aspiração de mecônio. o Asfixia perinatal. o Encefalopatia isquêmica neonatal. o Policitemia. o Hipoglicemia. o Hipotermia neonatal. Crianças com RCF apresentam maior risco de alteração cognitiva menor no desenvolvimento escolar. Risco de paralisia cerebral em crianças com RCF grave. 55 CÂNCER DE MAMA Câncer de maior prevalência entre as mulheres, excluindo os de pele não melanoma. Região Sul com maior número de casos (hábitos e genética). Fatores de risco: Idade; Idade reprodutiva; Fatores comportamentais e ambientais, genéticos e hereditários (BRCA 1, BRCA 2); Menarca precoce (antes dos 12 anos); Menopausa tardia (depois dos 55 anos); Nuliparidade; Primeira gestação após os 30 anos. Terapia hormonal combinada prolongada pós-menopausa (mais de 5 anos); ACO (??); DIU com levonorgestrel (??); Tibolona está relacionada com recorrência; Ingestão de bebidas alcoólicas; Obesidade na pós-menopausa. Carcinomas in situ: Lobular in situ: O CLIS é considerado um marcador de risco, nãoé uma lesão precursora, não é considerada neoplasia; Marca o risco em 30 a 40% ao longo da vida; Achado incidental em peças, não tem imagem definida; Pensar em quimioprevenção, cirurgia redutora de risco; Rastreamento rigoroso. 56 Ductal in situ: CDIS, células neoplásicas que não invadem a camada basal; Sem capacidade de metástases; Não requer tratamento sistêmico; Lesão precursora aumenta em 10x o risco de ca de mama; Microcalcificações pleomórficas em mamografia; Mulheres entre 50-70 anos; Indicada a ressecção cirúrgica completa, com margens livres; Não se faz biópsia de linfonodos sentinela de rotina, mas em casos extensos pode ser necessário. Carcinoma invasor: São tumores com capacidade de metástases, que invadem os tecidos adjacentes; Os ductais são os mais comuns. Carcinoma ductal invasor sem outra especificação: O subtipo mais comum (80-90% dos casos); Nódulo sólido ou condensação do parênquima, endurecido; Para ser considerado ductal tipo especial, deve apresentar 90% de características do subtipo em questão: tipo misto, pleomórfico, células gigantes tipo osteoclasto, elementos coriocarcinomatosos e elementos melanocíticos; Histologia: o Grau 1 – bem diferenciado; o Grau 2 – intermediário; o Grau 3 – pouco diferenciado; o Possui grande significado prognóstico; o Prognóstico: grau histológico, tamanho tumoral, linfonodos acometidos regionais, invasão angiolinfática; 57 o Fatores biológicos: receptores hormonais E, P, HER 2 +. Carcinoma lobular invasor: Mais comum em > 60 anos; Maior relação com terapia de reposição hormonal; Mais multifocal e multicêntrico; Menor tendência a formar uma nodulação mais infiltrante; Diagnóstico clínico mais difícil; 60% é subtipo clássico; Células que crescem em fila indiana; Células em anel de sinete; O modelo clássico expressa RE e RP em mais de 90% dos casos, sem expressar HER 2 e com KI-67 baixo < 20%. Tipos especiais: Carcinoma Tubular: Bom prognóstico; Bem diferenciado; Menos de 1-4% dos tumores de mama; Pacientes com 60 anos. Medular: Pacientes mais jovens < 35 anos; Mutações genéticas BRCA 1; Bem delimitados, confundidos com fibroadenomas; Pouco diferenciados; Porém prognóstico relativamente favorável – triplo negativo. 58 Mucinoso: Até 7% dos CA; Mulheres com mais de 75 anos; RH positivos na maioria; Bom prognóstico; Não expressa HER 2. Carcinoma Papilífero: 1-2%; Pós-menopáusicas e idosas; Prognóstico favorável; 33-34% apresentam derrame papilar na amostra. Metaplásico: Massa densa e bem delimitada; Tumor de grandes dimensões; RH negativos. Doença de Paget: Pode não existir lesão palpável ou alterações na imagem; Apresentação incomum, 1-3% dos casos; 60-70 anos de idade; Epitélio glandular maligno no interior da epiderme da aréola e ou mamilo; Podendo ser assintomática ou associada a hiperemia e eczema; Associada ao carcinoma invasor; Teoria da migração das células tumorais ductais; Fase subclínica: dor, ardência e prurido no mamilo; Fase clínica: eritema, espessamento, lesão em crosta, vesículas com exsudato, ulceração; 59 Diagnóstico diferencial de Paget (unilateral, destrói o tecido, pouco prurido, evolução lenta, não responde ao corticoide tópico) = eczema areolar (bilateral, mamilo preservado, prurido intenso, evolução rápida, responde ao corticoide). Carcinoma inflamatório: Agressivo; Evolução rápida; Mulheres entre 40-60 anos; Sobrevida em 5 anos é menor que 5%; Elevada taxa de recidiva local; 90% desenvolvem metástases em menos de 2 anos após o diagnóstico; Clínica: aumento do volume, retração da papila, aspecto de casca de laranja (Peau d’orange), importante obstrução linfática; Diferenciar de linfomas, mastites; Sempre realizar biópsia de pele tipo Punch. Câncer de mama em gestantes: Diagnóstico na gestação e até 1 pós-parto; Raro, 0,03%; 1-2% dos tumores; O CDI é o mais frequente; Geralmente se mascara pelo aumento do volume mamário na gestação; Na suspeita, solicitar eco e biópsia guiada; A cirurgia não deve ser adiada, pode-se fazer cirurgia conservadora e adiar a radioterapia para após o parto; Quimioterapia pode ser realizada, recomenda-se após a 14ª semana; Radioterapia é considerada teratogênica no primeiro trimestre. 60 No homem: Idade média de 60 anos; Menos de 1% dos casos; Associação com ginecomastia, Klinefelter, CA de próstata; Mais comum é o CDI; Diagnóstico tardio; Nódulo sólido, firme, aderido, retrações; Mastectomia radical, quimo e radioterapia. CLASSIFICAÇÃO MOLECULAR: Análise do perfil de expressão gênica usando microarranjos de DNA (5 subtipos diferentes): Luminal A; Luminal B; Tipo mama normal; Triplo negativo / basaloide; HER 2. LUMINAL A RE e RP + (ao menos um) HER 2 - KI-67 baixo (< 20%) Prognóstico bom LUMINAL B RE e RP + (ao menos um) HER 2 - ou + KI-67 baixo ou alto Prognóstico bom reservado TIPO MAMA NORMAL ------ ------ ------ ------ HER 2 RE e RP - HER 2 amplificado ------ Prognóstico reservado TRIPLO NEGATIVO RE e RP - HER 2 - KI-67 alto Prognóstico reservado 61 Assinatura Gênica: Biologia molecular, planejamento de terapia adjuvante. Softwares (Oncotype, Endopredict, Mamaprint). Diagnóstico: Mamografia principal exame de rastreio; Novas modalidades: MMG digital, MMG 3D (tomossíntese), RNM; Anamnese e exame físico fundamentais; Rastreio mamografia mulheres entre 50-60 anos (Ministério da Saúde); iniciar mamografias aos 40 anos sem data para término (CBR e SBM); Ultrassonografia não é rastreio mas auxilia no diagnóstico; RNM: pacientes com implantes, mutações gênicas, estadiamento; Diagnóstico é feito com BIÓPSIA (guiada ou não por ultrassom, estereotaxia ou RNM); Biópsias disponíveis: o PAAF: punção com agulha, método de baixa acurácia, alta taxa de falsos negativos, não é mais o padrão-ouro; o Core biopsy: agulha grossa, guiada ou não por exames; o Mamotomia (core a vácuo): vários disparos com uma colocação da agulha, guiada ou não por exames, clipe metálico. Estadiamento: 62 Metastáses: Locais mais frequentes: ossos, fígado, pulmão e SNC; Rastreio a partir do estágio IIIA; Estadiamento T e N – exame físico, M – Rx ou TC de tórax, US de abdome, cintilografia óssea, exames de função hepática. Tratamento cirúrgico: Mudança brusca ao longo dos anos; Mais cirurgias conservadoras; Mais terapias complementares; Quadrantectomia + Linfadenectomia axilar + RT tratamento conservador. O parâmetro mais utilizado é o volume da mama em relação ao tamanho do tumor. Cirurgias que retirem mais de 1/5 do volume da mama, idealmente devem ter mamoplastia associada; Biópsia de linfonodo sentinela primeiro linfonodo a receber a drenagem da mama. Sua localização é feita por injeção de corantes na drenagem linfática / sonda detectora de radiação gama. Caso negativo não há necessidade de esvaziamento axilar. 63 Recidiva local: Tamanho do tumor; Grau de diferenciação - pior para GIII; Componente intraductal extenso; Margens exíguas ou comprometidas. Indicações de mastectomia: Microcalcificações difusas; Doença multicêntrica; Impossibilidade de margens livres; CI ao tratamento conservador; Homens; Seguimento incerto; Tumores maiores de 4cm. Tratamento complementar: Hormonioterapia; Quimioterapia neoadjuvante; Quimioterapia adjuvante; Radioterapia adjuvante; Terapia alvo – HER 2. Seguimento: Exames de imagem, EF rigoroso nos primeiros 5 anos; Avaliaruso da terapia hormonal ou alvo. 64 CÂNCER DE OVÁRIO EPIDEMIOLOGIA 1ª causa de morte de CA ginecológico nos EUA. 5ª causa de CA em mulheres. 4% dos canceres. 1 a cada 70 mulheres. No Brasil 22.300 casos e 14 mil mortes por ano. Aumento da incidência em países desenvolvidos. Alta letalidade = diagnóstico, na maioria das vezes, tardio. o 70% dos estádios III e IV = sobrevida em 5 anos = 53%. o ¼ das mortes por CA. o Mortalidade aproximadamente igual a 100 anos atrás. o Índice de mortalidade próxima ao índice de incidência. Mortalidade maior entre os tumores ginecológicos. FATORES DE RISCO Idade avançada. Raça branca. América do Norte e Europa. Aumento da educação e renda. Endometriose. Talco perineal. Nuliparidade. Infertilidade. Menarca precoce. Menopausa tardia. História familiar = MAIS IMPORTANTE para o desenvolvimento de CA de ovário. o HF positiva eleva o risco em 3 a 4x, em caso de uma ou duas parentes acometidas. Maior exposição a ciclos menstruais = aumento do número de ovulações. 65 o 10% dos casos vão ser por histórico familiar. o Associado a mutações que ocorrem no CA de mama. BRCA1 e BRCA2. o Outras mutações: KRAS, BRAF, PTEN, Plk3CA. Risco familiar (vinculado ás mutações genéticas BRCA1 e BRCA2) História pessoal e familiar de CA. o Mama antes dos 45 anos de idade. o Ovário. o Pâncreas. Judeus Asquenazes. Familiar com um dos seguintes critérios. o Mutação conhecida. o Homens com CA de mama. o Três ou mais dos seguintes tumores: mama, pâncreas, próstata (Gleason > ou igual a 7), melanoma, sarcoma, carcinoma corticossuprarrenal, tumores cerebrais, leucemia, câncer gástrico, câncer de colo de intestino. Vinculado ás mutações genéticas BRCA1 e BRCA2. o Se mutação BRCA1 e BRCA2. Maior ou igual a 35 anos = salpingo-oforectomia bilateral = cirurgia redutora de risco. Depois da cirurgia pode fazer uso de terapia hormonal. REDUZ também CA de mama. o Se mutação BRCA2. Maior ou igual a 40 anos = salpingo-oforectomia bilateral = cirurgia redutora de risco. Depois da cirurgia pode fazer uso de terapia hormonal. REDUZ também CA de mama. FATORES DE PROTEÇÃO Amamentação: a inibição ovariana pela lactação reduz o risco de CA de ovário em mulheres que amamentam. Gestação. 66 Uso de contraceptivos orais. Histerectomia. Salpingectomia em laqueadura tubária: diminuição do fluxo sanguíneo ovariano pela laqueadura e diminuição potencial da migração de fatores carcinogênicos pela trompa até a cavidade peritoneal. TIPOS DE CA DE OVÁRIO Epitelial superficial Geração dos tumores epiteliais. Tumores vinculados à ovulação. 65-85% dos tumores de ovário. Tumores benignos (maioria): adenoma, endometrioma, outros. Tumores malignos: adenocarcinoma seroso, mucinoso, outros. o Mais comum dos tumores malignos que existem. Estroma 7% dos tumores de ovário. Estroma = leva à produção hormonal. Tumores benignos: tecoma, Sertoli. Tumores malignos: Sertoli- Leydig, outros. 67 Células germinativas (células totipotenciais) O óvulo é capaz de produzir, basicamente, qualquer tipo celular. Tumores que produzem um pouco de cada tecido (glândulas, pelos). 20-25% dos tumores de ovário. Tumores benignos: dermoide, teratoma maduro. Tumores malignos: disgerminoma, outros. Neoplasias mesenquimais Tumores das células que não são parte diretamente do ovário em si, mas que são de qualquer lugar (vasos, tecidos linfáticos). Exemplos: fibroma, hemangioma, leiomioma, lipoma, linfoma, sarcoma. Tumores metastáticos Trato gastrintestinal (Krukenberg) = mais clássico dos tumores metastáticos, porque causa metástase ovariana. o Sempre pensar em Krukenberg quando apresentar lesão gástrica + lesão ovariana. Mama. Endométrio. Linfoma. DIAGNÓSTICO Grau de diferenciação G1: bem diferenciado. G2: moderadamente diferenciado. G3: pouco diferenciados. OBS: quanto mais bem diferenciado = melhor prognóstico. Quanto menos diferenciado = pior prognóstico. 68 Para carcinomas serosos e mucinosos (tumores epiteliais) Baixo grau. Bordeline. o Não tem aquele padrão de alto grau, mas apresenta características de desenvolvimento de um tumor de alto grau. o 15% dos tumores epiteliais. o Seroso ou mucinoso. o Pleomorfismo epitelial, atividade mitótica. o Atipias celulares. o Melhor prognóstico do que o de alto grau = ausência de invasão estromal. o Podem apresentar: Implantes peritoneais. Metástases LN. o Risco de progressão para adenocarcinoma – 1,5 a 2%. Alto grau. CLÍNICA Assintomáticos nos estádios iniciais. Sintomas: o Dor pélvica. o Aumento do volume abdominal. o Dispepsia. o Alteração do hábito intestinal. o Ovários palpáveis na menopausa = ovários ativos na menopausa. DIAGNÓSTICO POR ECO Maior complexidade = maior risco = malignidade de 1 a 45%. o > 8 cm. o Projeções papilares internas e/ou externas. o Septações grosseiras. 69 o Componente sólido. o Multilocularidade. o Ascite. Menor complexidade = mais em pacientes jovens = malignidade 0,3 a 0,6%. o Cisto simples. o Septo fino. Índice de IOTA = cálculo de risco de tumor ovariano. Oferece a conduta. OBS: a US pélvica é o primeiro a ser utilizado na avaliação de massa anexial. Ela permite a definição das características morfológicas das massas ovarianas, úteis para o estabelecimento do diagnóstico e conduta adequada. OBS: é importante frisar que mesmo massas de aspecto benigno podem representar neoplasias malignas. Dessa forma, na avaliação de uma massa, deve-se levar em conta a história clínica, sintomas, presença de fatores de risco e idade do paciente. OBS: US é um exame com alta sensibilidade, porém sua especificidade não e tão elevada = o que significa que uma imagem sugestiva de malignidade em grande número de casos não corresponderá a um câncer. DIAGNÓSTICO CA-125 Principal marcador sérico de tumores epiteliais. o 80% CA ovarianos não mucinosos. Pode dar falso positivo em pacientes jovens. Marcador de vários tecidos. o Pleura. o Pericárdio. o Peritônio. o Tubas uterinas. o Endométrio. o Endocervice. Pode aumentar em situações benignas. o Endometriose. 70 o Miomatose uterina. o Adenomiose. o DIP. o Gestação inicial. Neoplasias não ginecológicas. o Pulmão. o TGI. Neoplasias ginecológicas. o Tuba uterina. o Endométrio. o Endocérvice. Não serve para diagnóstico de precoce. o 50% negativo nos estágios iniciais. Valores limites: o > 35 UI/mL = menopausa. o > 200 UI/mL = menacne. OBS: valores normais de CA-125 não afastam a doença. DIAGNÓSTICO ECO DOPPLER Aumento da acuidade da US. Realizada quando há dúvida sobre a malignidade do tumor = exame adicional quando há dúvida. Verificar a presença de: o Neovascularização. o Padrões bizarros. o Anastomoses arteriovenosas. Uso limitado: o Alterações inflamatórias. o Cisto do corpo lúteo. o Gestação ectópica. o Exames normais em CA de ovário. Diminuição da resistência. Diminuição do índice de pulsatividade. 71 OBS: a eco doppler não pode ser utilizada para rastreio, porque qualquer situação de abscesso na tuba ovariana pode simular características tumorais. OBS: características morfológicas = critério maior para diagnóstico de CA de ovário do que eco doppler. OBS: A presença de neovascularização, principalmente central, com baixa resistência (<0,4) e índice de pulsatividade (<1) = altamente sugestiva de malignidade. RESUMINDO Sinais de gravidade/ CA ovariano: US com tumor sólido. US com tumor cístico com: o Áreas sólidas, vegetações, septos grossos, fluxo sanguíneo intratumoral. CA-125> 35 UI/mL na pós-menopausa. CA-125 > 200 UI/mL na pré-menopausa. Os tumores que exigem investigação cirúrgica são: Sólidos em qualquer faixa etária. Complexos de qualquer tamanho. Císticos. o > 8 cm em mulheres em idade reprodutiva. o < 8 cm, permaneçam aumento dos ciclos menstruais. o Pré-púberes. o Pós-menopáusicas. Se < 5 cm, uniloculadas e CA-125 normal – acompanhar. CONDUTA Laparotomia mediana. Citologia do líquido peritoneal. 72 Ooforectomia com congelação. o Positiva: cirurgia citorredutora (videolaparoscópica ou convencional) = retirar o máximo possível das células de CA = pan- histerectomia, omentectomia, esvaziamento de linfonodos pélvicos, retroperitoneais e paraórticos = após quimioterapia adjuvante. o Negativa: encerra. OBS: a citorredução possibilita melhor tempo de sobrevida e qualidade de vida. Pode ser deixado no máximo foco < 1 cm. Estágio inicial (G1) Tumor restrito ao ovário. Salpingo-ooforectomia, caso a mulher queira engravidar = boa opção. Após a gestação = realizar citorredução. TRATAMENTO ADJUVANTE Quimioterapia (todos pacientes submetidos à cirurgia realizam QT adjuvante). o Cisplatina. Follow-up (acompanhamento): o CA-125. RASTREAMENTO NÃO existe. 73 BEM-ESTAR FETAL INDICAÇÕES PARA AVALIAÇÃO DO BEM-ESTAR FETAL Prevenção de desfechos adversos. Evitar morte fetal. Diminuir mortalidade por hipóxia. OBS: a avaliação do bem-estar fetal pode ser feita no pré-natal, anteparto e durante o parto. COMO AVALIAR? Cardiotocografia de repouso. Avaliação dos movimentos fetais. o Pode ser avaliado tanto na ecografia, quanto no próprio exame físico na gestante. Avaliação dos movimentos respiratórios. Perfil biofísico fetal. Líquido amniótico. Eco com doppler. CONDIÇÕES QUE LEVAM A UMA AVALIAÇÃO DA VITALIDADE FETAL Condições maternas prévias Diabetes melito pré-gestacional. Hipertensão arterial. Lúpus eritematoso sistêmico. Doença renal crônica. Síndrome antifosfolipídeo. Hipertireoidismo. Hemoglobinopatias: anemia falciforme, talassemia maior... Doença cardíaca cianótica. 74 Abuso de substâncias: álcool, drogas. Obesidade: IMC > ou igual a 40 kg/m². Condições relacionadas à gestação Diabetes gestacional em tratamento medicamentoso ou macrossomia fetal. Colestase gestacional. Isoimunização Rh. Gestação prolongada (> ou igual a 41-42 semanas). Rupreme. Oligodrâmnio/polidrâmnio. Restrição de crescimento fetal. Percepção materna de medição na movimentação fetal nas semanas que antecedem o parto. Gestação múltipla, principalmente as monocoriônicas. Hemorragia anteparto. Acidente ou trauma de qualquer natureza. Gestação por técnicas de reprodução assistida. Condições relacionadas ao parto Indicação de trabalho de parto com ocitocina/prostaglandinas. Uso de ocitocina para correção de dinâmica uterina. Ausculta de anormalidade na frequência cardíaca fetal. Analgesia obstétrica (antes e após bloqueio epidural, raquianestesia ou bloqueio paracervical). Sangramento vaginal anormal no trabalho de parto. Temperatura materna > ou igual a 37,8 – 38º C. Presença de líquido amniótico meconial ou sanguinolento. Ausência de líquido amniótico após amniotomia. Trabalho de parto prolongado (primeiro e segundo períodos). Trabalho de parto prematuro. 75 Presença de taquicardia ou hipertonia uterina com ou sem aberrações na frequência cardíaca fetal. Condições prévias que indicam avaliação durante TP Cesariana prévia. Anomalia fetal compatível com a vida. Anormalidades na US doppler de artéria umbilical. Idade materna > ou igual a 40 anos. Apresentação pélvica. CONTROLE DA MOVIMENTAÇÃO FETAL Recomendado em todas as gestantes. Pode representar um sinal de hipóxia fetal. Muito importante na gestação de alto risco: diabetes melito gestacional, hipertensão arterial sistêmica. Deve ser realizada 3 vezes ao dia. 1 hora cada vez. Sempre após as principais refeições = para aumentar oferta de glicose para o feto. O feto necessita se movimentar pelo menos 3x durante essa 1 hora. É necessário colocar a mão na barriga para ver movimentação fetal. OBS: não há um protocolo único estabelecido da melhor maneira de realizar o controle. CARDIOTOCOGRAFIA/MAP Exame que registra eletronicamente a frequência cardíaca fetal, movimentos fetais e contração uterina. Toco (não colocar gel) = posicionado no fundo uterino = contrações iniciam no fundo uterino. 76 Ausculta de BCF (outra “bolacha do MAP) = colocar gel de US = normalmente no bebê cefálico posicionar próximo do umbigo para baixo (esquerda ou direita). A resposta cardíaca normal é manifestada pela aceleração e pela reatividade da frequência cardíaca fetal acoplada à movimentação fetal. Vantagens: Alta sensibilidade. Poucos falsos negativos. Desvantagens: Alto índice de falso positivo. Baixa especificidade. 77 OBS: o MAP ajuda na conduta, mas não necessariamente ajuda no prognóstico neonatal. Indicações: Gestação de alto risco = o MAP serve para fazer avaliação do bem-estar fetal a partir de 31-32 semanas de gestação e é necessário ter pelo menos 20 minutos de MAP para interpretar. Normalidade: Simpático X parassimpático: o Nervo vago (parassimpático) = produz bradicardia. Durante a presença do nervo vago = fluxo cardíaco variável. Frequência cardíaca: o FC normal para bebês = 110-160 bpm. o Regida pela inervação autonômica simpática e parassimpática, catecolaminas e medicamentos. o Bebês prematuros têm a fazer mais taquicardia. o Olhar na linha de base = grosso das contrações ocorrem nessa linha. o Bebês são taquicardíacos, porque possuem tônus vagal mais baixo e movimento de compensação da falta O2 relativa que tem dentro do útero. 78 Taquicardia fetal: o Pode indicar: Evento hipóxico inicial. Corioamnionite e infecções. Febre materna. Tireotoxicose/ hipertireoidismo. Anemia fetal. Beta-miméticos = produzem efeito de sedação uterina. Ansiedade materna. Arritmia fetal. Atividade fetal intensa = uma quantidade grande de casos. Bradicardia fetal: o Pensar como primeira possiblidade = hipóxia fetal. o Marcador de alto risco. o Deve ser tratada a sério = pensar sempre que algo grave está acontecendo. o Pode ser causada por: Utilização de medicações = propranolol (betabloqueadores), anestésicos locais. Arritmia fetal. Hipocalemia. Hipoglicemia fetal. Hipotermia fetal. 79 Constitucional = tem bebês que são naturalmente mais bradicardiacos. OBS: evento sentinela = evento de muito maior risco. Exemplo: compressão de cordão que tinha aumentou, houve um descolamento de placenta rompeu o útero. Variabilidade: o Achado mais importante para saber se o bebê está bem. o Reflete a oxigenação do SNC. o Variação da FC = dada pela imaturidade do SNC. Atividade integrada entre o simpático e parassimpático. o Pode estar: ausente, mínima (variação entre as FC menor que 5 bpm), normal (variação entre as FC entre 11-25 bpm), aumentada (variação entre as FC maior que 25 bpm). o Com variabilidade = bebê está bem = cérebro está funcionando. 80 o Sem variabilidade = bebê não está bem = pode-se inferir que o cérebro não funciona direito. Variabilidade diminuída: o Pode ser normal = bebê pode estar dormindo. o Pode indicar hipóxia fetal. o Pode acontecer sob prematuridade = é normal uma presença menor do telencéfalo que pode fazer um padrão de variabilidade diminuído = fisiológica pela imaturidade do sistema parassimpático. o Pior se acontecer junto de uma taquicardia,bradicardia e desacelerações = um dos quadros mais grave = variabilidade mínima ou ausente – silente. Variabilidade aumentada: o Não é tão comum (rara). o Não se relaciona com desfechos adversos. o Pode-se ter um hiperestímulo do SNC. o Vinculado a uma atividade motora excessiva. 81 o Pode ser vinculada a uma arritmia fetal e hipoxemia inicia (quando ainda não conseguiu se estabelecer o mecanismo de economia de energia). Acelerações transitórias: o Prova de que o bebê está bem (sinal de boa vitalidade) = fazer aceleração e retornar a linha de base. o Pode fazer aceleração transitória por conta de um som, movimentação, ou seja, qualquer estímulo. o Pode ou não ter no MAP. Espicas: o Coração contrai e faz micropausa. Queda abrupta entre um ponto e outro da batida. o Não tem qualquer importância semiológica. o Queda rápida com recuperação rápida. o Pode ou não ter no MAP. 82 Desacelerações intra-parto (DIP): Conjunto de quedas da FC que tem durante uma monitorização e que algum significado do ponto de vista clínico. DIP I Desaceleração precoce. Mecanismo fisiológico. Causada primordialmente pela compressão do polo cefálico = produz hipertensão intracraniana = então, o SNC precisa de um mecanismo para reduzir essa a FC para baixar a pressão (descarga vagal = faz bradicardia). Bebê para fazer DIP I necessita ter bom funcionamento cerebral. Depende de contrações: o pico máximo da DIP I acontece junto com o pico máximo da contração. Causa da DIP I = contrações. 83 DIP II (tardias) Desacelerações tardias. Tardia quando comparada com a DIP I. Pico de desaceleração longe da contração = DIP II pós contração uterina. Bebê fica sem reserva energética = útero contrai (reduz a troca de gases materno-fetais) = produz restrição de fluxo de O2 = asfixia (redução do consumo energético). Queda da FCF menor de 15 bpm por mais de 15 segundos até 3 minutos. Fazem uma vasoconstrição absoluta periférica. Quando bebê faz bradicardia, mas aumenta o período de enchimento ventricular = bebê tenta utilizar o último do mecanismo para poupar energia antes do óbito. 84 Curva assimétrica. Forma de U. Pico da contração sempre anterior ao pico de desaceleração. Sugere hipóxia fetal aguda. Típico de insuficiência placentária. DIP III (também pode ser chamada de variável ou umbilical) Clampeamento da aorta causa taquicardia = sangue desvia para cima = vai para carótidas (seio carotídeo) = estimula nervo vago e diminui FC = cai pressão = necessário aumentar a FC = taquicardia em relação à linha de base. Queda da FCF maior que 15 bpm, por mais de 15 segundos até 2 minutos. 85 Pode acontecer com ou sem contração. Pode aparecer antes, durante ou depois das contrações. DIP III em excesso pode evoluir para asfixia. RESUMO = taquicardia – queda de FC – taquicardia. Desacelerações variáveis. Dá uma ideia de compressão do cordão umbilical (funículo) = em casos de restrição de crescimento, de oligodrâmnio, bolsa rota, circular de cordão. Sugere hipóxia fetal, no entanto, não tem relação consistente com a hipóxia. 86 OBS: toda DIP I ou DIP III em excesso pode evoluir para asfixia. As DIP são marcadores de risco = possuem importância clínica. Padrão sinusoidal Coração perdeu função = coração insuficiente. Variação visível no formato da onda na linha de base com 3-5 ciclos por minuto que persiste por 20 minutos ou mais. Péssimo prognóstico. Indica anemia fetal grave, normalmente correlacionando-se com imunização Rh. Também correlacionar com talassemias, insuficiência cardíaca fetal, vasa prévia ou descolamento placentário com sangramento oculto. Bebê já tem paralisia cerebral. Sempre padrão tipo III. 87 Sinais que sugerem hipóxia fetal aguda Variabilidade ausente. DIP II. DIP III = especialmente se for sequencial. Bradicardia fetal persistente. Padrão sinusoidal. Avaliação uterina Dinâmica uterina Avaliar o número de contrações em 10 minutos. Repousar a mão sobre o fundo do útero e observar a contração, contando os segundos de duração: o Na CTR, colocar o eletrodo referente ao toco, no fundo do útero (sem gel) e observar a elevação da onda no papel. o Normal = até 5 contrações em 10 minutos. No mínimo 3 contrações em 10 minutos para dizer que a paciente está em trabalho de parto. o Para contração forte e efetiva = necessita ser maior que 1 minuto. o Taquissistolia = mais de 5 contrações em 10 minutos. MAP de repouso Reativo: duas acelerações transitórias em 20 minutos. o Padrão da normalidade. Não reativo: ausência de acelerações transitórias em 40 minutos. o Frequente em prematuros. o Realizar estímulo externo para ver se feto reage (pode estar dormindo) – sonoro, glicose, manual. o Realizar exames complementares: perfil biofísico ou doppler. Categorias do MAP intraparto 88 Avaliar o traçado, linha de base, acelerações transitórias. Categoria I Linha de base normal entre 110-160 bpm. Variabilidade normal entre 6-25 bpm. Pode ter DIP I. Pode ter ou não ter acelerações transitórias. Categoria II (não se tem certeza do que está acontecendo) Taquicardia. Bradicardia com variabilidade. Variabilidade mínima ou aumentada. Variabilidade ausente não acompanhada de desacelerações. Ausência de acelerações transitórias à estimulação fetal. Desacelerações periódicas ou episódicas. o Variáveis (com características varíaveis): Variabilidade mínima ou normal. Retorno lento. Prolongada. o Desacelerações tardias: o Com variabilidade normal. Categoria III Ausência de variabilidade e uma das condições a seguir: o Desacelerações tardias recorrentes. o Desacelerações variáveis recorrentes. o Bradicardia. o Padrão sinusoidal. OBS: o padrão da categoria III está associado ao desequilíbrio ácido-básico = acidemia fetal = encefalopatia e paralisia cerebral. Conduta 89 Categoria I = tratamento expectante. Categoria II = mudança de decúbito, descontinuar ocitocina, MAP contínuo. Categoria III = parto pela via mais rápida. PERFIL BIOFÍSICO FETAL Exame de ecografia com avaliação de: o Movimentos fetais. o Movimentos respiratórios fetais. o Tônus fetal. o Bolsão de líquido amniótico. o Pode-se complementar com a cardiotocografia. OBS: padrão que se dá é ou 0 ou 2 pontos para cada um deles. O perfil ele pode ser 2, 4, 6, 8 ou 10. Não existe padrão ímpar. Líquido amniótico ILA Normal: 8 a 18 cm. Intermediário: 5-8 cm. Oligodrâmnio: < 5 cm. o Acontece em casos de: Crescimento uterino restrito. Pós-termo. Anomalias congênitas fetais. Morbimortalidade perinatal. OBS: maior bolsão: >2x2 cm. Ausência de bolsões de LA. o O que se busca é bolsões maiores que 2 cm na vertical. o > ou igual 1 cm de diâmetro transverso. Exemplos: Somente abaixo disso que vai ser considerado oligodrâmnio 90 Perfil com MF+, TF+, LA > 2 cm e MR negativo = 6/8 pontos. Perfil com MF+, TF+, LA < 2 cm e MR negativo = 4/8 pontos. Conduta resumida do PBF LA normal = interromper se PBF 6/10. LA diminuído = interromper se bolsa íntegra e Rim SP. PBF < 6/10 = interromper sempre. DOPPLERVELOCIMETRIA Mede fluxos. Adendo da ecografia. Artéria uterina: o Mede o comprometimento sistêmico. o Necessita de alto fluxo. o Na gestação fica com tão pouca resistência, mas fluxo sanguíneo se mantém. o Marcador de risco tanto para restrição de crescimento quanto para pré-elcâmpsia. o Precisa ser uma artéria de alto fluxo. 91 Artéria umbilical: o Mede o comprometimento placentário. o Paciente com placenta normal tem umsuperfluxo na artéria umbilical. o Na diástole zero tem uma resistência placentária a ponta de que o sangue só passe na artéria no momento em que tiver a sístole. o Diástole reversa: tem a contração sistólica, passado a contração sistólica o processo de vasoconstrição é tão grande que ele simplesmente devolve o sangue, então faz-se uma diástole reversa. o Diástole reduzida: redução de fluxo = paciente com placenta normal. 92 Artéria cerebral média (ACM): o Objetivo de ver o comprometimento fetal. o Redistribuição de fluxo. o Quanto maior o fluxo (ACM alterada) maior a leitura que o feto está fazendo uma redistribuição de fluxo. o Quanto tem um bebê normal = tem fluxo pequeno (fluxo grande dentro do polígono de Willis). 93 Doppler venoso: o Função cardiovascular fetal. o Ducto venoso = forte relação com a mortalidade. o Onda A patológica = evento praticamente terminal. o Quando tiver alteração de ducto venoso = muito ruim prognóstico = encefalopatia neonatal e paralisia cerebral. 94 TRABALHO DE PARTO PREMATURO INTRODUÇÃO Ocorre entre a 20ª e a 37ª semana. Menos de 259 dias da DUM. EPIDEMIOLOGIA Quanto mais prematuro for maior a mortalidade quanto a morbidade. Aumento da prevalência: o Gestação múltiplas. Fertilidade assistida. o Por aumento do número de intervenções. Trabalho de parto prematuro espontâneo: o 70-80% dos casos. o Principal causa: rupreme. Trabalho de parto prematuro espontâneo: o Causas: Pré-eclâmpsia. Descolamento prévio de placenta. Gemelaridade. RCF. Outras. 95 FISIOPATOLOGIA FATORES DE RISCO Trabalho de parto prematuro prévio. Rupreme: fator de risco muito marcante. Perda gestacional: precoce induzida, aborto. IMC baixo (< 20). Ganho ponderal aumentada ou reduzido. Incompetência istmo cervical. Amniocentese. 96 Adolescência. Intervalo gestacional (<12 semanas). Gestação múltipla. Sangramento uterino. Pielonefrite. Bacteriúria assintomática. Doenças crônicas. Cirurgia abdominal na gestação. Hipetermia materna. Feto masculino. Vaginose bacteriana. Cirurgias cervicais. Fertilização assistida. Pai mais velho. Extremos de idade materna. Anomalias uterinas. Miomas: cervicais, submucosos. Polimorfismos: fatores VII e XIII. Afrodescendente. Polidrâmnio. Nuliparidade. Multiparidade (>5). DSTs. Tabagismo. Álcool. Drogadição. Vulnerabilidade socioeconômica: escolaridade, socioeconômica. Violência física. Depressão. Não morar com o parceiro. Poluentes: dióxido de enxofre. Deficiência de vitaminas B12 e B6. 97 Desequilíbrio na ingestão de ácidos graxos poli-insaturados. Colo uterino no 2º trimestre < 25 mm: fator de risco muito importante. DIAGNÓSTICO 10% dos diagnósticos tem nascimento em 7 dias. 30% dos diagnósticos tem resolução espontânea. 50% dos diagnósticos tem parto a termo. Para fazer o diagnóstico de TPP é necessário ter a presença de contrações regulares e modificações do colo uterino (> ou igual a 2 cm no orifício cervical interno e 80% de apagamento OU ecografia realizada no centro obstétrico = o colo uterino necessita ter < 30 mm). Dosagem de fibronectina fetal Desaparece depois de 22 semanas e reaparece antes do trabalho de parto. Consegue identificar pela fibronectina que a mulher entrou em trabalho de parto. Fica entre o cório e decídua capsular. 98 OBS: prostaglandina relacionada diretamente com a contratilidade uterina. A contratilidade vai depender de prostaglandinas, ocitocina e de Ca intracelular. TOCOLÍTICOS Bloqueador dos canais de cálcio. Melhor de todos: nifedipina (primeira opção) em doses altas. Dose: o 30 mg de ataque. o 20 mg 6/6 horas. Efeitos adversos: o Cefaleia. o Rubor. o Hipotensão. o Síncope. o Taquicardia. 99 o Náuseas. o Edema periférico. OBS: betamíméticos eram o tratamento de rotina no passado. BETA-ADRENÉRGICOS Diminui cálcio intracelular. Salbutamol, terbutalina, ritodrina. Efeitos adversos: o Náuseas. o Vômitos. o Taquicardia materno/fetal: ficar controlando quando usar esses medicamentos. o Arritmia. o Hiperglicemia materno-fetal. Mais utilizada especialmente em pacientes em que a nifedipina não funcionou, assim pode ser usado em associação. INDOMETACINA Inibição das prostaglandinas. Dose: o VR. o Ataque: 100 mg. o Manutenção: 25-50mg 6/6 horas. Efeitos adversos: o Oligodrâmnio. o Gastrite. o Fechamento precoce do ducto arterioso. OBS: usar somente quando o benefício for maior que o risco. Indicado abaixo de 32 semanas e nunca depois disso. 100 ATOSIBANO Antagonista da ocitocina. Dose: o 6,75 mg IV por 3 horas. o 300 ug/ min IV por 3 horas. o 100 ug/ min por 45 horas. Efeitos adversos – raros: o Náuseas. o Vômitos. o Cefaleia. o Dor torácica. o Artralgias. o Aumento de morte neonatal. SULFATO DE MAGNÉSIO Antagonista do cálcio. Dose: o IV. o Ataque: 4 a 6 g. o Manutenção: 1-2 g/h. Efeitos adversos: o Náuseas. o Vômito. o Cefaleia. o Mal-estar. o Rash-cutâneo. Efeitos adversos – raros: proporcionais à dose. o Depressão respiratória: se dose maior que 10 mg/ml. o Parada respiratória: se dose maior que 12 mg/dl. o Parada cardíaca: se dose maior que 15 mg/dl. 101 OBS: no passado era utilizado para tratamento de TPP = é redutor de contrações, mas não utilizado mais para sedação do TP e, sim para profilaxia de paralisia cerebral. MANEJO Avaliação laboratorial mínima inicial. o Rastrear infecção. Hemograma. Exame qualitativo de urina, urocultura. o Pielonefrite é fator de risco. SGB em região anal e vaginal. Avaliação do bem-estar-fetal. Necessário ver se não há contraindicação para sedação. Pensar na possiblidade de corticoide. o IG < 34 semanas. Repetição de dose: se > 7 dias. OMS e ACOG. o IG >34 e < 37: dose única. Pensar na possibilidade de sulfato de magnésio. o Reduz paralisia cerebral. o Iminência de parto: 3-4 cm de dilatação. Qualquer bebê que esteja em TPP abaixo de 32 semanas e que vá nascer o Pode ser utilizado no máximo até 48 horas da indução do trabalho de parto. Passou disso, suspende-se. o Efeitos adversos fetais: o Hipotonia, vasculopatia cerebral lenticuloestriada, desmineralização óssea. Antibióticos para profilaxia de SGB = sempre faz com TPP o exame para SBG. Realizado com penicilina. o Se SBG positivo. o Resultado não disponível. o Coleta há mais de 5 semanas. 102 OBS: a penicilina pode-se iniciar no momento em que realiza o exame, caso dê positivo continua-se o tratamento, caso dê negativo suspende-se o tratamento e repete-se o teste com 35-37 semanas. Se não há contraindicação para sedação = partir para sedação com fármacos como tocoliticos, beta-adrenérgicos, indometacina, atosibano. PROGESTERONA Elevação do potencial de membrana, com hiperpolarização. Indicações: o Histórico de TPP. o Colo curto na gestação atual. Uso após a sedação de TPP é controversa. Contraindicações para sedação 103 Usada para evitar contratilidade uterina. Dose: o Hidroprogesterona – 150 mg IM dois dias. o 100-120 mg VO ou VV/dia. Efeitos adversos: o Ambiguidade genital e redução do desenvolvimento neuromotor – se usada no início da gestação. REPOUSO É necessário fazer repouso, no entanto não ficar somente deitada no leito = aumenta o risco de tromboembolismo. PARTO Via obstétrica. Não indicação de fazer cesariana somente porque o bebê é prematuro. Atenção especial aos cuidadostérmicos. Os RN prematuros perdem temperatura muito fácil. PERIVIABILIDADE Abaixo de 25 semanas: o Individualizar cada caso para ver se vale a pena ou não sedar. o Orientar. Abaixo de 23 semanas: o Não fazer: Corticoide. Tocólise. Sulfato de magnésio. Ressuscitação neonatal. PREVENÇÃO Cuidados pré-natais. 104 o Evitar infecções. Progesterona: em pacientes de alto risco, pensa-se em usar. Cerclagem. Pessário cervical. US TRANSVAGINAL Entre 18 e 24 semanas. Realizar em pacientes de alto risco. Progesterona vaginal. o Colo menor que 25 mm. OBS: não existe consenso sobre rastreamento universal. CERCLAGEM Incontinência istmocervical = capacidade do colo uterino de manter a gestação é menor = orifício cervical interno com menos tônus. Em 36 semanas de gestação corta-se o fio da cerclagem e o bebê nasce. PESSÁRIO CERVICAL Colos muito curtos: menor ou igual a 25 mm. Gestação única ou gemelar: removido entre 36 e 37 semanas. Pode ser associada à progesterona. COMPLICAÇÕES DA PREMATURIDADE Possui complicações a curto e a longo prazo. 105 SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL O que seria o normal? Fluxo menstrual que dura entre 3-5 dias; Ciclo que varia entre 24-38 dias; Perda sanguínea de 5-80 ml/dia; Sangramento uterino anormal: Perda sanguínea excessiva com repercussões físicas, emocionais, sociais e materiais; Pode ser aguda ou crônica; É uma condição relativamente comum; Nos quadros agudos, estima-se que 35% das pacientes manifestem anemia; Muitas se apresentam com anemia severa (com níveis < 10 mg/dl); Piora no desenvolvimento social, esportivo, escolar; Sensação de desvalia. Etiologia: Nas adolescentes imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise; Mulheres no menacme causas obstétricas, não-obstétricas (lesões em órgãos); > 40 anos flutuação no padrão do eixo, patologias do endométrio e miométrio; Climatério e menopausa lesões endometriais. 106 P pólipos A adenomiose L leiomioma M malignidade / hiperplasia C coagulopatias O ovulatório (distúrbio) E endometrial I iatrogênica N não classificadas No geral no PALM as lesões estruturais são vistas no exame de imagem; No geral no COEIN são lesões “não visíveis” no exame de imagem. Causas estruturais: Pólipos: mais comuns em peri e pós menopáusicas; Adenomiose: os sintomas dependem da localização e profundidade. Mais superficiais causam maiores sangramentos e doenças mais profundas causam mais dor (dismenorreia e dispareunia); Leiomioma: os sintomas variam com a localização e tamanho; Malignidade / hiperplasia: pacientes perimenopáusicas. Lembrar dos fatores de risco para câncer de endométrio. Lembrar das usuárias de estrogênio sem oposição progestogênica. Lembrar das usuárias de Tamoxifeno. Causas não estruturais: Coagulopatias 107 Fatores Ovulatórios: são sangramentos anovulatórios os mais comuns. Acontecem no período reprodutivo. Também a deficiência de corpo lúteo e o encurtamento da fase lútea. SOP é a causa mais comum; Endométrio: fatores que comprometem a hemostasia endometrial como inflamações DIP; Iatrogênicas: principalmente por medicamentos, pílulas anticoncepcionais, AAS, anticonvulsivantes, tiroxina, corticosteroides, tamoxifeno; Não classificadas: causas raras sistêmicas ou locais. Defeitos Mullerianos, istmocele, hipertrofial miometrial, malformações arteriovenosas. Diagnóstico: Procedimentos devem ser realizados por etapas; História e exame físico completos; Quantificação da perda sanguínea: pictorial bood assesment chart, quantifica pelo volume de sangue no absorvente; Beta HCG / hemograma completo; Ultrassonografia histerossonografia, histeroscopia e biópsia de endométrio; Pacientes com espessamento endometrial ou suspeitas de câncer de endométrio devem ser avaliadas com testes mais precisos biópsia de endométrio; Pacientes com estímulo estrogênico; Sangramento refratário apesar do taratmento. Lembrar das causas não estruturais: o Hemograma, plaquetas, testes de coagulação, provas de função hepática, função tireoidiana; o Dosagens hormonais em caso de exceção suspeitas de tumores virilizantes. 108 SANGRAMENTO AGUDO Tratamento: Pólipos: polipectomia histeroscópica. Pólipos de até 0,5cm podem ser retirados em ambulatório; Miomas: tratamento medicamentoso ou cirúrgico dependendo do tamanho e localização. Miomas com maior componente submucoso podem ser abordados por via histeroscópica, com ressecção. Miomas intramurais por via laparoscópica ou laparotômica. No caso de miomas muito volumosos pode-se utilizar análogos do GnRH por 3 meses antes da cirurgia para diminuir o volume. Histerectomia nas pacientes que não desejam preservar a fertilidade. Nos casos de embolização da artéria uterina a reabordagem pode ser alta e há diminuição da reserva ovariana. Adenomiose: histerectomia, tratamento medicamentoso, SIU. Causas não estruturais: medicamentoso ou cirúrgico. o Hormonal (estrogênio e progesterona): progestágenos isolados diminuem até 70% do sangramento, o uso pode ser contínuo ou com pausa, tendem a causar maior atrofia, porém maior número de sangramento não programado, podem causar mastalgia, acne, 109 edema, spotings, cefaleia. Injetáveis podem levar a amenorreia em até 42% das mulheres, aumento de peso e cefaleia dificultam seu uso. Implantes não estão indicados, em bula, para este fim. DIU/SIU mais efetivo que os tratamentos orais, liberam 20mcg diariamente de levonorgestrel. o Tratamentos não hormonais: antifibrinolíticos são eficazes com redução de até 50% do sangramento, atuam impedindo o sistema de fibrinólise que é ativado durante a menstruação. AINES há um aumento da inflamação no endométrio em pacientes com SUA, portanto, os AINES como ácido mefenâmico, por exemplo, ajudam na dismenorreia e diminuem até 50% do sangramento. Análogos do GnRH objetivo de diminuir volume de miomas em pacientes com contraindicação hormonal. o Tratamento cirúrgico: quando há falha no tratamento medicamentoso. Ablação endometrial técnica por histeroscopia (destruição do endométrio), menor custo em relação a histerectomia, maior risco de reintervenção. Histerectomia é um tratamento de exceção no sangramento não estrutural, alta taxa de satisfação, maior risco de complicações, maior tempo operatório, sem necessidade de reintervenção. Sangramento agudo: o objetivo do tratamento nesse caso é tentar cessar o sangramento o mais rápido possível, observar a estabilidade da paciente. EE conjugados, ACO, progesterona, antifibrinolíticos. Tratamento cirúrgico mulheres com contraindicação hormonal, ablação, histerectomia, curetagem, embolização das artérias uterinas, balão com sonda foley intrauterino. 110 INCONTINÊNCIA URINÁRIA NA MULHER CONCEITO Toda e qualquer forma de perda involuntária de urina. EPIDEMIOLOGIA A prevalência na população em geral varia muito entre os estudos. Em geral 5% a 69%. Difícil de saber com precisão, depende da população avaliada. FATORES DE RISCO MAIS FREQUENTES Obesidade. Paridade. Fumo. Ingestão de líquidos. Medicamentos que atuam no sistema nervoso central e no trato urinário. Hipoestrogenismo. Cirurgia pélvica. Infecções do trato urinário. Neoplasia vesical. Litíase vesical. Obstrução intravesical. Fatores emocionais. Sinais que podem sugerir doença neurológica. FISIOLOGIA DA MICÇÃO Funções da bexiga: Armazenamento: capacidade de reter urina (entre 400-600 ml), sob pressão adequada vesical, sem deterioração renal. Atividades diárias confortavelmente.111 Esvaziamento: capacidade de depleção do volume urinário de maneira voluntária, por ação cortical, completamente e sem esforço. Bexiga possui sistema de regulação: córtex – ponte – inervação periférica. Durante o enchimento: o Ativação dos receptores que mandam sinais aferentes ao cérebro, onde são processados no centro pontinho da micção. o Ativação descendente dos neurônios simpáticos que partem de T11 a L2 e percorrem duas vias, nervos hipogástricos e cadeias simpáticas paravertebrais. o Liberação de noradrenalina para estimular os receptores beta adrenérgicos no detrusor, relaxamento da musculatura lisa da bexiga. o Ativação dos receptores alfa-1-adrenérgicos no colo vesical e uretra, com contração da musculatura lisa e aumento da resistência uretral. o Os neurônios somáticos partem de S2 a S4, formam os nervos pudendos, de controle voluntário, liberam a acetilcolina, que age sobre receptores nicotínicos na musculatura estriada da uretra. o Quando ocorre o enchimento vesical os neurônios parassimpáticos estão inibidos, eles partem de S2, S3 e S4, do plexo sacral, através de 3 nervos curtos, chamados nervos pélvicos. o No momento da micção, após o relaxamento esfincteriano uretral, os neurônios parassimpáticos são estimulados e liberam acetilcolina na placa neuromuscular das fibras do músculo detrusor, provocando sua contração através de receptores muscarínicos M2 e M3 (o M2 ocorre em maior número, mas a ação e predominante através do M3). A continência é controlada por três níveis neurológicos: o espinhal, o pontino e o cerebral. o Quando a bexiga enche, as fibras aferentes parassimpáticas levam impulsos por vias dos nervos pélvicos até as raízes sacrais S2-S4, chegando ao centro da micção sacral. Aqui, os impulsos sobem pelos tratos espinotalâmicos laterais e são enviados até a ponte, onde existem áreas capazes de inibir ou excitar o centro miccional 112 sacral. Durante as primeiras fases do enchimento, a contração do detrusor é inibida pela descida de impulsos inibitórios até o centro sacral. o Com o aumento do volume, a descarga dos receptores da parede da bexiga aumento transmitindo seus impulsos ao córtex cerebral, de modo que o desejo seja percebido conscientemente. Assim, o córtex também é incluído na inibição do detrusor e, se a micção for adiada mais uma vez, é possível suprimir essa urgência novamente a um nível subconsciente e adiar o esvaziamento. Além disso, a eferência simpática através dos nervos hipogástricos, T11- L2, reduz contratilidade de bexiga e aumenta a pressão uretral. A contração voluntária dos músculos do assoalho pélvico, associa- se a esse mecanismo retentor. o Quando a decisão de urinar é tomada, impulsos eferentes descendentes são liberados, causando inibição do nervo pudendo, de modo que o assoalho pélvico e o esfíncter externo relaxam. o A primeira ação para desencadear a micção é o relaxamento do esfíncter estriado da uretra que provoca a inibição dos impulsos simpáticos permitindo a contração do detrusor (diminui o estimulo beta-adrenérgico) e diminuindo a pressão de fechamento do colo da bexiga e da uretra (encerra o estímulo alfa-adrenérgico imediatamente, o córtex e o centro pontinho estimulam o centro sacral, através da ação dos nervos parassimpáticos eferentes (S2 a S4) provocam a contração do detrusor. A pressão vesical supera a uretral e a micção é realizada. TIPOS DE INCONTINÊNCIA URINÁRIA Incontinência urinária de esforço: associa-se a perda de urina ao esforço como espirrar, elevar peso. 113 Incontinência urinária de urgência: perda involuntária associada a um desejo súbito de urinar, pode ocorrer espontaneamente ou ser desencadeada por fatores externos ou emocionais. Incontinência mista: urgência + de esforço na mesma paciente. Incontinência urinária de esforço Perda associada aos esforços. Há aumento da pressão abdominal com pressão detrusora estável. Várias teorias para explicar o fato. Pode haver deficiência esfincteriana intrínseca e/ou hipermobilidade uretral. o Normalmente as pacientes de pior prognóstico possuem uretra rígida. Incontinência urinária de urgência Há uma perda na capacidade de inibir a contração detrusora, levando a perda involuntária não consciente. Principal causa é a síndrome da bexiga hiperativa. o É idiopática na maioria dos casos, quando não há síndromes urológicas associadas. OBS: a presença de urgência miccional com ou sem urge-incontinência, usualmente acompanhada de noctúria e aumento da frequência urinária, na ausência de fatores infecciosos, metabólicos ou locais = considerar que a paciente tem urgência miccional por bexiga hiperativa. BEXIGA NEUROGÊNICA O armazenamento e os esvaziamento da bexiga dependem da atividade coordenada de duas unidades funcionais do trato urinário inferior: o detrusor e o colo vesical, uretra e esfíncter. 114 O funcionamento é coordenado pelo sistema nervoso central (cérebro, substância reticular da ponte, cerebelo, medula) e periférico (plexos hipogástricos (simpático) e pélvicos (parassimpáticos) = lesões em qualquer dessas regiões podem levar a bexiga hipotônica neurogênica. ABORDAGEM TERAPÊUTICA INICIAL Anamnese e exame físico. Questionário de qualidade de vida = “internacional Consultation on Incontinence Questionnaire – Short Form” (ICIQ-SF). Tratar fatores de risco: emagrecimento, melhora da constipação, tratamento de infecção urinária, terapia com estrogênio local. EXAMES COMPLEMENTARES Exame qualitativo de urina, glicemia de jejum = solicitar SEMPRE. Exames de imagem como ultrassom de vias urinárias na suspeita de lesões, neoplasias, cálculos. Urodinâmica. o Teste não obrigatório. o Avalia as pressões vesicais, abdominais. o Observa as contrações vesicais durante o enchimento, a pressão de perda (pressão do esfíncter) durante o esforço. o Indicada em pacientes com sintomas mistos, cirurgias prévias, recidiva pós-correção da incontinência urinária de esforço, sintomas de esvaziamento ou alterações neurológicas. TRATAMENTO DE INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO Correção dos fatores de base. Exercícios de kegel: contrações da musculatura do assoalho pélvico, 15 vezes, 3x ao dia, pelo menos 6 semanas. Tratamento o cirúrgico: 115 o Sling com tela, transobsturatório e retropúbico com faixa de aponeurose (tecido da paciente) = cirurgia abdominal e vaginal. o Cirurgia de Burch (colposuspensão) quase abandonada após as telas. Terapia medicamentosa: o Tentam aumentar os tônus alfa adrenérgico da musculatura lisa do esfíncter uretral. o Impramina (uso off label) e duloxetina. o Agentes de preenchimento “bulking agents” = material sintético injetável que tenta realizar maior coaptação da mucosa uretral. TRATAMENTO BEXIGA HIPERATIVA Avaliação do diário miccional. Tratamento medicamentoso: o Antagonizam os receptores M1, M2, M3 = oxibutinina, tolterodina, solifenacina, darifenacina, amitriptilina, imipramina. o Agonistas alfa adrenérgicos = Mirabregon não usar em hipertensas. o Creme de estrogênio tópico = não usar TH para tratar incontinência. o Toxina botulínica. OBS: neuroestimulação sacral. 116 SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLICÍSTICOS (SOP) Disfunção endócrina mais comum no período reprodutivo; Anovulação crônica; Hiperandrogenismo: o Causa mais comum de hirsutismo. o Aumento de produção (origem ovariana ou suprarrenal); o Aumento da sensibilidade tecidual: aumento da 5-alfa-redutase; redução da 17-beta-hidroxiesteroide desidrogenase. o Aumento de disponibilidade: redução da globulina ligadora de esteroides sexuais – SHBG. Fisiopatologia da SOP: Vários mecanismos; Genética autossômica dominante (?); Ambiente estilo de vida,nutrição, atividade física; Obesidade aumento da resistência insulínica hiperinsulinemia compensatória; Alterações hormonais aumento da síntese de androgênios, alterações na foliculogênese, dificuldades na oogênese, alteração na secreção das gonadotrofinas, alteração endometrial pelo processo de alteração do eixo hipotálamo-hipófise-ovário; Quadro clínico: Amenorreia e/ou oligomenorreia: o Pubarca precoce; o Puberdade precoce; o Infertilidade; o Hiperplasia endometrial; o Sangramento uterino anormal. 117 Hiperandrogenismo: o Hirsutismo escala de Ferriman; o Acne; o Alopecia androgênica; o Seborreia. Obesidade: o 60 – 70% das pacientes; o Medir IMC e circunferência abdominal (> 80 / 88 cm); Aumento da resistência à insulina; Associação com síndrome metabólica; Aumento da hiperinsulinemia acantose nigricans; Hiperprolactinemia; Alterações obstétricas (abortamento precoce, diabetes gestacional); Ovário: o Aumentados de tamanho; o 12 ou mais folículos; o Volume > 10 cm3; o A ausência destes não afasta o diagnóstico de SOP. Diagnóstico: Consenso de Rotterdam (2003): o Ovários policísticos (12 ou mais folículos / volume > 10 cm3); o Androgenismo (clínico ou laboratorial); o Anovulação (oligo / amenorreia); o 2 dos 3 critérios fecha o diagnóstico. Diagnóstico diferencial: o Doenças da tireoide; o Gestação; o Hiperprolactinemia; o Hiperplasia adrenal congênita (17-OH-progesterona); o Síndrome de Cushing (cortisol); DM 2 e dislipidemia 118 o Neoplasia produtoras de androgênios (DHEA e S-DHEA). Tratamento: Reduzir peso (dieta, exercícios físicos); Para acne, seborreia tratamentos dermatológicos e farmacológicos (ácido retinóico, isoretinoína); Para hirsutismo tratamentos temporários (depilação, cloridrato de Eflornitina); tratamentos duradouros (laser...); Tratamento para pacientes que não querem engravidar: 1ª linha de tratamento ACO: bloqueia hipófise – ovário; aumenta SHBG, reduz acne, ciclos regulares, contracepção; Antiandrogênicos Espironolactona: antagonista da aldosterona, compete com receptores androgênicos, aumenta o catabolismo dos androgênios, reduz 5-alfa-redutase, não oferece contracepção. Ciproterona: progestagênio isolado, ACO, oferece contracepção. Finasterida: inibidor da 5-alfa-redutase, reduz di-hidro-testosterona. Tratamento para pacientes que querem engravidar: Indução da ovulação Citrato de Clomifeno (50-100mg/dia); 2ª linha de tratamento Metformina: (reduz a produção, aumenta o consumo e reduz a absorção de glicose – aumenta a ação da insulina). Tratamento cirúrgico: Ressecção em cunha; Drilling. Consequências clínicas: DM tipo 2; DMG; HAS; Pré-eclâmpsia; Dislipidemia; Síndrome metabólica; 119 Hiperplasia e CA de endométrio; Apneia do sono; Depressão. 120 INFERTILIDADE CONJUGAL DEFINIÇÃO Incapacidade de conseguir uma gravidez bem-sucedida após 12 meses ou mais de adequada exposição ao coito, em um casal sexualmente ativo e sem uso de métodos anticoncepcionais. INCIDÊNCIA E PREVALÊNCIA Em 12 meses aproximadamente 80 a 85% dos casais que estão tentando engravidar vão conseguir atingir o objetivo; Entre 15 e 20% que não engravidaram em 1 ano necessitarão de avaliação médica e orientação. 0,6% - 32,6% da população = índice de infertilidade na população. Variação individual dentro de cada grupo populacional. INFERTILIDADE PRIMÁRIA x SECUNDÁRIA Infertilidade primária: independente do homem ou da mulher, eles nunca conseguiram reproduzir. Pode-se ter uma infertilidade primária a mulher, o homem ou o casal. Nenhum deles (homem ou mulher) nunca engravidou. Infertilidade secundária: ou 1 ou o outro já teve filhos ou ambos já tiveram filhos. OBS: mesmo que a infertilidade conjugal seja do casal, a definição de infertilidade primária ou secundária é individual. INFERTILIDADE E IDADE A idade é um forte marcador de infertilidade. Quanto mais a idade = maiores são as chances de infertilidade. 121 Em mulheres com mais de 35 anos de idade, devido à possibilidade de diminuição da fertilidade relacionada à idade = deve-se esperar 6 meses para investigação. Em casos nos quais o casal já apresente uma suspeita ou um problema de saúde relacionado à fertilidade, ou em mulheres com mais de 40 anos = investigação deve ser iniciada logo no primeiro atendimento ao casal. INFERTILDADE E ABORTAMENTO Com a queda da fertilidade = aumento dos abortamentos. FATORES DE RISCO Mulheres Idade. Tabagismo. Quimioterapia/ radioterapia. DIP/ DSTs Cirurgias prévias. Obesidade. Álcool, drogas, cafeína. Exercícios extenuantes (tendem a levar ao hipogonadismo hipogonadotrófico). Homens Idade. Tabagismo. Quimioterapia/ radioterapia. Infecções urológicas/ DSTs. Cirurgias urológicas. Obesidade. Álcool, drogas, cafeína. 122 Estresse, calor, caxumba. Anabolizantes. ETIOLOGIA Fatores anatômicos femininos (25%): são considerados fatores anatômicos aqueles orgânicos, infecciosos ou funcionais que alteram ou provocam alterações no aparelho reprodutivo feminino, impedindo a concepção. o Obstrução, alteração ou aderências tubárias Infecção/ DIP. Endometriose. Cicatrizes e aderências pós-cirúrgicas. o Deformidades uterinas, endometriais e cervicais Miomas. Endometriose. Pólipos. Adenomiose. Fatores hormonais femininos (25%): são os fatores que alteram a homeostase hormonal feminina, levando, frequentemente, à oligoanovulação ou à anovulação. Oligoanovulação: o SOP. o Hiperprolactinemia. o Hipotireoidismo ou hipertireoidismo. o Hiperplasia suprarrenal de aparecimento tardio. Fatores masculinos (40%): as alterações do espermograma determinam a infertilidade de origem masculina. Oligoespermia ou azoospermia; astenospermia, teratospermia: o Causas obstrutivas. o Disfunções hormonais (PRL, TSH, FSH). o Trauma. 123 o Agentes tóxicos externos e uso de anabolizantes. Sem causa aparente (10%): fatores imunológicos ou não se sabe a causa. INVESTIGAÇÃO DIAGNÓSTICA DO CASAL COM INFERTILIDADE História e exame físico devem ser detalhados e são fundamentais para o estabelecimento da hipótese diagnóstica de infertilidade. Em mulheres com menos de 35 anos = esperar 1 ano após a tentativa de gestação para começar a investigar. Em mulheres com mais de 35 anos de idade, devido à possibilidade de diminuição da fertilidade relacionada à idade = deve-se esperar 6 meses para investigação. Em casos nos quais o casal já apresente uma suspeita ou um problema de saúde relacionado à fertilidade, ou em mulheres com mais de 40 anos = investigação deve ser iniciada logo no primeiro atendimento ao casal. 124 Fator hormonal Ciclos ovulatórios o As causas mais comuns de disfunções ovulatórias = SOP ou ovários androgênicos, obesidade, ganho de peso ou perda de peso excessivo, exercícios extenuantes, hiperprolactinemia e disfunções da tireoide. o Ciclos regulares, com duração entre 21 e 35 dias, com fluxo menstrual normal = ciclos ovulatórios. o Se história na determina: o Progesterona sérica: 1 semana antes da menstruação. > 3 ng/ml. Eco transvaginal: o Seriada. Avaliação da reserva ovariana o A sua avaliação pode dar informações importantes sobre o risco de uma diminuição da reserva ovariana, e deve ser especialmente considerada em mulheres: Com mais de 35 anos. Com história familiar de menopausa precoce. Com apenas um ovário ou com história de cirurgia ovariana, quimioterapia ou radioterapia pélvica. Com infertilidade semcausa aparente. Com pobre resposta a estímulo ovariano prévio. Que planejam tratamento reprodução assistida. Doação de gametas. Nas pacientes doadoras participantes do programa de doação compartilhada de oócitos. OBS: a avaliação de reserva ovariana não ser deve ser realizada rotineiramente, mas pode ser utilizado nas pacientes que serão submetidas à estimulação ovariana com gonadotrofinas. 125 OBS: os métodos com maior reprodutibilidade na prática médica para avaliação da reserva ovariana são a dosagem do hormônio antimulleriano e a contagem de folículos antrais pela US transvaginal. Ecografia transvaginal seriada: o Contagem de folículos antrais: Se menor ou igual a 10 = má resposta. o Até o 5º dia do ciclo. Hormônio antimulleriano: o Se menor que 0,7 ng/ml = resposta pobre. o Qualquer dia do ciclo. o Influenciado por: ACO, obesidade, hipogonadismo hpogonadotrófico. Anovulação – avaliação: o TSH e T4 livre. o Prolactina. o FSH e estradiol. o 17-hidroxi-progesterona (especialmente em pacientes que tem a hipótese de ter hiperandrogenismo de origem adrenal). OBS: o exame PADRÃO-OURO para diagnóstico de infertilidade = biópsia de endométrio = necessário ser realizada na segunda fase do ciclo menstrual. 126 Fator anatômico Fator cervical Causas infecciosas o Fungos. o Vírus. o Bactérias. Compromete a produção do muco cervical. Alterações anatômicas o Congênitas ou adquiridas. Compromete a produção do muco. Altera o caminho. Anormalidade uterinas Miomas. Malformações mullerianas. o Útero septado. o Útero bicorno. o Útero didelfos. o Como avaliar: o Ecografia transvaginal. o Histeroscopia. o Histerossalpingografia = exame extremamente útil. o Histerossoagrafia. o Ecografia transvaginal 3D. o Ressonância nuclear magnética. Fator tubo-perineal o Permeabilidade tubária (fundamental avaliar). o Imunofluorescência ou PCR urinaria ou cultura cervical para clamídia. o Para avaliação a histerossalpingografia é importante. Obstrução tubária. Hidrossalpinge. 127 Histerossonografia. Videolaparoscopia. o Padrão-ouro. Permeabilidade tubária. Faz-se a cromotubagem = azul de metileno. Lise de aderências (se cromotubagem negativa). Correção da fimose fimbrial. Tratamento da endometriose. o Fatores peritoneais. Endometriose o Fator tubário e/ou peritoneal. o Reação inflamatória. o Diminuição do movimento ciliar. o Obstrução tubária. o Disfunção da fase lútea. o Videolaparoscopia. OBS: endometriose leve = pouco impacto. Investigação masculina Espermograma 2-7 dias de abstinência. o Auge = obtido em torno de 3 dias. Valores normais: o Volume > ou igual 1,5 ml. o Número > ou igual 15 milhões/ml. o Número total > ou igual 39 milhões. o Vitalidade > ou igual 39 milhões. o Motildade A+B > ou igual 32%. A = progressão linear rápida. 25% do total. 128 B = progressão linear lenta. Motilidade total > ou igual a 40%. Morfologia > ou igual 4% forma normal. Leucócitos < 1x106/ml. Conceitos: o Ausência de espermatozoides = azospermia. o < 15 milhões/ ml de espermatozoides = oligospermia. o > ou igual a 250 milhões de espermatozoides = poliespermia. o < 58% espermatozoides vivos = necroespermia. o Diminuição da motilidade = astenospermia. o < 4% forma normal = teratospermia. OBS: Homens normais poderão apresentar exames alterados. Homens inférteis poderão ter exames normais. Causas de infertilidade masculina Varicocele. o Reversível com cirurgia. Orquiepididimite. Sequela de parotidite. História de criptoquirdia. Cirurgias testiculares. Drogas espermotóxicas. o Principalmente quimioterapia e radioterapia. Disgenesias gonodais não diagnosticadas. o Klineflter. Ejaculação retrógada. o Esperma cai dentro da bexiga ao invés de cair na uretra. Microdeleção do cromossomo Y. Fibrose cística. 129 Outros fatores Fator imunológico Existência, na mulher, de anticorpos anti-espermatozoides. Teste pós-coital: o Muco em folha de samambaia = presente durante o período fértil da mulher = normal. o Espermatozoídes vivos e móveis = teste negativo. Infertilidade sem causa aparente Já foi realizado histerossalpingografia, videolaparoscopia, espermograma, ecografia transvaginal, histeroscopia, teste pós-coital = sem causa definida/ sem diagnóstico= infertilidade sem causa aparente. TRATAMENTO Fator ovulatório SOP: o Diminuição de peso. o Metformina. o Citrato de clomifeno = indução de ovulação. Antiestrogênio. Ao atuar dentro do hipotálamo, vai bloquear a entrada do estrogênio e, portanto, vai aumentar a quantidade pulsos de GnRH = elevação do LH e FSH. Inibidores da aromatase (anatrozol e letrozol): o Há redução da produção de estradiol, mas obrigatoriamente aumenta FSH para tentar aumentar a possibilidade da foliculogênese. 130 o Hipogonadismo: o Hipogonadotrófico (queda de LH e de FSH): tratar causa. o Hipergonadotrófico: diagnóstico = menopausa fisiológica ou menopausa precoce. Prognóstico muito pior. Tratamento: doação de gametas. Fator tubo-perineal o VLP com cromotubagem negativa = fertilização in vitro (FIV). o Salpingectomia = primeiro faz-se a salpingectomia e depois a FIV. o Endometriose = FIV. Fator masculino o Cirurgia de correção da varicocele. o Inseminação artificial (IIU). Fator uterino o Histeroscopia cirúrgica. o Retirada de pólipos, miomas, sinéquias. Fator imunológico o Sem consenso. o Corticoesteroides? o Inseminação artificial? o Dessensibilização com antígenos paternos. Infertilidade sem causa aparente o Injeção intraplasmática de espermatozoides (ICSI). 131 Considerações éticas o Eficácia: FIV e ICSI são melhores que inseminação artificial. o Mulheres com ligadura tubária. o Homens com vasectomia. o Idade. Tratamento = individualizar caso a caso. 132 PROLAPSO GENITAL É o descenso da parede vaginal anterior, posterior ou ainda apical; Pode ocorrer em qualquer fase da vida, porém a maior incidência se dá após os 60 anos; O suporte dos órgãos pélvicos se dá por uma faixa ligamentar chamada fáscia endopélvica e pela musculatura do assoalho pélvico (diafragma pélvico) músculo elevador do ânus e coccígeo; A musculatura do assoalho pélvico realiza uma contração a cada aumento de pressão abdominal, se houver lesão muscular, uma parte importante da sustentação é perdida; A sustentação permanece acontecendo pela fáscia, porém sua distensão contínua acaba predispondo aos prolapsos; Após o parto o mecanismo de readaptação da musculatura como sustentação, é controversa. Fatores de risco: o Idade acima de 60 anos; o Multiparidade; o Obesidade; o Doenças que cursam com aumento da pressão intra-abdominal: DPOC, constipação; o Doenças de colágeno; o Gestação; o Parto vaginal; o Uso do fórcipe. Quadro clínico: o Desconforto, dor, sensação de peso abdominal; o Úlceras vaginais, corrimento ou sangramento vaginal; 133 o Exteriorização dos órgãos pélvicos pela vagina, incontinência urinária, retenção urinária, dificuldade em evacuar. Anamnese e exame físico: o História obstétrica paridade, episiotomia, necessidade de instrumentação; o Doenças crônicas, tabagismo (aumenta a ocorrência de tosse crônica); o História familiar; o Atividade sexual; o Doenças neurológicas; o Uso de drogas para tratamento de doenças crônicas; o Inspeção vulvar; o Bexiga meio cheia ou vazia solicita que a paciente realize valsava, observe a mobilidade uretral e a perda urinária; o Realizar o exame especular normalmente, avaliar o colo e coletarexame a fresco e citopatológico do colo uterino; o Para avaliação do compartimento anterior espéculo na parede posterior solicita realizar a valsava e avaliar o máximo prolapso; o Para avaliação do compartimento posterior repetir o exame agora com o espéculo na parede anterior; o Na avaliação do prolapso de cúpula ou útero espéculo montado, observar o colo e solicitar que realize a valsava. 134 135 Tratamento: o Maioria dos casos receberá tratamento cirúrgico; o Tratamento conservador: Uso de pessários vaginais; Pacientes com contraindicação à realização de cirurgias; Pacientes que não desejam cirurgia; Multi comorbidades; Cuidados como higiene e uso de creme vaginal de estriol, essenciais; Deve ser retirado com certa frequência; Pode-se manter atividade sexual. o Tratamento cirúrgico: Compartimento anterior colporrafia / plastia anterior; Compartimento posterior colpoplastia posterior; Uterino / apical histerectomia com fixação de sacroespinhoso (via vaginal); sacrocolpofixação (via abdominal / vídeo). Situações da telas para prolapso no muno hoje uso proibido para algumas cirurgias de prolapso, em vários países; principais complicações: extrusão, erosão, dispareunia. 136 SANGRAMENTO NA GESTAÇÃO - URGÊNCIAS SANGRAMENTO NA GESTAÇÃO Primeira causa de morte materna no mundo (OMS). Segunda causa de mortalidade materna no Brasil (MS). PRIMEIRA ATENDIMENTO Classificação de risco Prioridade máxima: o PAS < ou igual 80 mmHg / FC > ou igual 120 bpm ou < ou igual 45 bpm. o Pele fria, palidez, sudorese, pulso fino, síncope postural. o Alteração do estado mental. o Hemorragia genital ou dor > ou igual 8. Estabilização: o 2 acessos venosos calibrosos. o SF 0.9% ou ringer lactato aquecido = avaliar transfusão após 1500 ml. o O2. o Sondagem vesical de demora (monitorar diurese). o Prevenir hipotermia. o Elevação de MMII. OBS: tratar conforme a causa. O que faz primeiro? o Chamar a equipe e estabilizar a paciente. o Descobrir se a paciente é gestante, puérpera e em qual período da gestação ela está. 137 PRIMEIRO TRIMESTRE SEGUNDO E TERCEIRO TRIMESTRE PUERPÉRIO Abortamento Placenta prévia Regra dos 4Ts. Gestação ectópica Descolamento prematuro de placenta ABORTAMENTO Introdução Complicação mais comum da primeira metade da gestação é a gravidez antes de sua viabilidade, com feto pesando menos do que 500 gramas. Interrupção da gestação fisiológica ou não até a 20ª-22ª semana de gestação. O diagnóstico clinico ocorre em 12%-15% das gestações. A incidência de abortamento é decrescente conforme a idade gestacional. Aumento do número de abortamentos subclinicos (ocorre sem sintomas clínicos, às vezes, até mesmo sem saber que estava gravida). Abortamento: processo. Aborto: produto do processo de abortamento. Fatores de risco Idade materna = principal fator de risco. o Taxas de aborto aumentam conforme a idade da gestante. História prévia de abortamento. o Maior o risco conforme o númerode abortos prévios. Tabagismo. Consumo de álcool. 138 Cocaína. Anti-inflamatórios não esteroides. Extremos de peso. Tireoideopatias. Etiologia Podem dividir-se em fetais e maternas. Causas fetais Alterações cromossômicas: o 50% dos cariótipos de abortamento no primeiro trimestre pós abortamento. o Alterações genéticas incompatíveis com a vida. o Principal de causa de abortamento no 1º trimestre. o Trissomias autossômicas = defeitos na gametogênese. Defeitos na gametogênese = vinculados à idade materna e paterna. Causas maternas Hipotireoidismo sobretudo quando descompensado. Diabetes sobretudo quando descompensada. Infecções agudas: rubéola, sífilis, CMV, toxoplasmose = subdiagnosticadas. Defeitos anatômicos uterinos podem ser causas de aborto de repetição, destancando-se entre eles, a incompetência istmo cervical. Trombofilias: o Síndrome do anticorpo antifosfolipideo. 139 Distúrbios genéticos de coagulação. Fatores imunológicos. Trauma. Multiparidade. Idiopática. Classificação Espontâneo Aconteceu a despeito da intervenção ou do desejo da mulher. A mulher apresenta um processo de sangramento total ou de parte do conteúdo gestacional. Provocado Em alguns países é legal. No brasil é ilegal, exceto por causas jurídicas. Classificação por idade gestacional Precoce o < 12 semanas. o Feto ainda não possui osso. Ainda não acabou o período de embriogênese. Tardio: o > ou igual a 12 semanas – 20/22 semanas. o Feto tem osso. Já acabou período de embriogênese. OBS: quanto maior a idade gestacional, menor a chance de aborto espontâneo. 140 Classificação clínica Ameaça: o Sangramento vaginal. o Altura uterina compatível com a idade gestacional. o Toque vaginal = colo fechado. o Paciente segue com sintomas gestacionais = significa que ela tem HCG = tem placenta = segue grávida. o Vitalidade fetal: BCF ou US. o 50% das pacientes irão evoluir para abortamento franco. Infectado: o História de manipulação intrauterina = torna o abortamento infectado mais grave. o DIP associada a um abortamento. o Toque vaginal = aberto e amolecido. o Especular = sangramento vaginal com odor fétido. Secreção piossanguinolenta. o Apresentação clínica heterogênea: Exames laboratoriais alterados = leucocitose > 14.000. Febre. Dor. Choque séptico. Morte. Infecção polimicrobiana: o Flora vaginal. o Staphylococcus aureus. 141 o Gram-negativos e aneróbios. o Chlamydia trachomatis. o Neisseria gnorrhaoeae. o Clostridium perfringens. Abortamento ilegal. Síndrome do choque tóxico. Incompleto: o Eliminação espontânea parcial. o Sangramento via vaginal. o Dor abdominal. o Toque vaginal = colo aberto. o Especular = tecido ovular. o Ecografia transvaginal = restos com > 15mm. o Repetir beta-HCG em 48 horas = tem que cair. o OBS: entre uma ameaça de abortamento e aborto completo = terá abortamento incompleto. Completo: o Sangramento leve ou ausente. o Redução dos sintomas da gestação. o Toque vaginal = colo fechado. o Especular = mínimo ou sem sangramento. o Ecografia = ausência de restos = endométrio até 15mm. o Útero não compatível com a idade gestacional (útero < IG). o Repetir o beta-HCG em 48 horas = no aborto completo ele tem que cair. 142 o Diferenciar de: Gestação inicial (< 5 semanas) com ameaça de aborto. Não aparece embrião. BHCG acima de 1500. Gestação ectópica. BHCG acima de 1500 e não ter gestação. BHCG pode subir menos que 66% a cada 48 horas. Inevitável: o Sangramento via vaginal. o Dor abdominal. o Feto vivo ou não. o Tamanho uterino adequado para IG. o Toque vaginal = colo mais ou menos aberto. Teve pelo menos a ruptura da bolsa. o Especular: mais ou menos líquido amniótico. Retido: o Sem sagramento. o Sem dor. o Útero adequado para IG. o Redução dos sintomas da gestação. o Toque vaginal = colo fechado. o Especular = normal. o Ecografia = embrião > ou igual a 7 mm sem BCFs. o Morte fetal com > 8 semanas. Considerado aborto retido quando passa de 8 semanas. 143 Gestação anembrionada: o Sem sangramento. o Não desenvolve o embrião = entra em processo de atresia. o Redução dos sintomas da gestação. o Toque vaginal = colo fechado. o Especular = normal. o Ecografia: Saco gestacional > ou igual a 25 mm sem embrião. Ausência de embrião. > ou igual a 14 dias após US com saco gestacional com vesícula vitelínica, mas sem embrião, ele não irá mais aparecer. > ou igual a 11 dias após US com saco gestacional sem vesícula vitelínica.Sem embrião, mas ele não aparecer. OBS: diferença entre a gestação anembrionada e abortamento retido = no retido obrigatoriamente tem-se o bebê, mas ele está morto e na anembrionada não tem bebê, somente saco gestacional sem embrião. OBS: tratamento gestação anembrionada ou abortamento retido - Esvaziamento uterino X manejo expectante Curetagem uterina ou aspiração manual intrauterina (AMIU). o Em ambas as situações pode ocorrer sangramento e lesão uterina. Maior que 12 semanas: eliminar antes. 144 Memorex – ECO Quando pensar em abortamento Gestação e sangramento (no primeiro trimestre – 20ª -22ª semanas). Idade reprodutiva e sangramento. o Mesmo na ausência de história de gravidez, qualquer mulher que venha com uma idade reprodutiva e história de sangramento = pensar na possiblidade de abortamento. Dor abdominal. o Pélvica, principalmente. o Principal sintoma associado. Dor lombar. Náuseas, vômitos, mal-estar. Ultrassonografia na assistência pré-natal = saco gestacional sem a presença de embrião ou com embrião sem BCFs. Exame especular: o Sangramento. Abortamento retido o Embrião > ou igual a 7 mm sem BCFs. Gestação anembrionada o Saco gestacional > ou igual 25 mm. Sem embrião. o Ausência de embrião. > ou igual a 14 dias após US com saco gestacional com vesícula vitelínica, mas sem embrião, ele não irá mais aparecer. > ou igual a 11 dias após US com saco gestacional sem vesícula vitelínica. Sem embrião, mas ele não aparecer. 145 Avaliar material ovular. Secreção purulenta. Lesão no colo uterino. Toque vaginal bimanual: o Tamanho do útero. Útero aumentado de tamanho, mais aumentado com colo aberto = abortamento. o Dor à mobilização. o Colo uterino. Dilatação. Diagnóstico diferencial Doença trofoblástica gestacional. Sangramento não obstétrico. o Lesão cervical, vaginal ou uterina. Gestação ectópica. Hematoma subcoriônico. Tratamento Tipagem sanguínea e fator Rh. Hemograma. Fator Rh- negativo + Combs indireto negativo: imunoglobulina anti-D = 50 mcg (até 12 semanas) e 300 mcg (>12 semanas). Aborto completo: o Observar sangramento, não necessita de intervenções. 146 Ameaça de aborto: o Orientação, analgesia, abstinência sexual, retornar se piorar. Aborto infectado: o Sempre que tiver diagnóstico de aborto infectado = obrigatoriamente esvaziar todo o útero e utilizar ATB de amplo espectro (regra geral ATB tríplice). o ATB: gentamicina, clindamicina, penicilina (se casos graves). o Tratamento da sepse/ choque. Aborto inevitável, incompleto, retido: o Conduta: esvaziamento cirúrgico X medicamentoso (misoprostol) X expectante. o Esvaziamento cirúrgico: < 12 semanas: AMIU ou curetagem. > 12 semanas: esvaziar conteúdo antes da curetagem = usa misoprostol. Risco de perfuração uterina. Retido = misoprostol. Complicações 4ª causa de mortalidade materna. o Mundo. Hemorragia após parto. o Laceração do colo. o Retenção de produtos da concepção. o Coagulopatia. o Perfuração uterina. o Abortamento inseguro. 147 13% da mortalidade materna. o Infecção pós-abortamento. o Perfuração uterina. o Sinéquias uterinas. Amenorreia = síndrome de Asherman. Infertilidade. Danos psicológicos. Risco de repetição. Imunoglobulina Rh Febrasgo: o Ameaças de aborto do primeiro trimestre. o Aborto de primeiro trimestre não instrumentalizados. Recomendação D – opiniões e consensos. Aborto instrumentalizado. o Independente da idade gestacional. o Recomendação B. Ministério da Saúde: o Todas não sensibilizadas devem fazer Ig anti-Rh. Abortamentos tardios Etiologias: Anomalias uterinas. 148 Incompetência istmo cervical = colo frágil. Perda fetal indolor. Tratamento: 1- Cerclagem = cirurgia de reforço com fio no orifício cervical externo. Fio inabsorvivel que é tirado durante a gestação e a paciente pode entrar em trabalho de parto. 2- Pessário cervical = anel colocado no colo para fazer o reforço do orifício cervical interno. Funciona bem e fácil de colocar. 3- Progesterona para pacientes colos curtos e/ou história prévia de abortamento tardio ou trabalho de parto muito prematuros. a. Pode ser utilizada sozinha ou associado ao pessário ou cerclagem. Abortamento de repetição 2 abortos = já considerado aborto de repetição. Só investigação habitual do abortamento para 3 ou mais abortamentos. 149 Riscos: o 24% após 2 abortos. o 30% após 3 abortos. o 40%-50% após 4 abortos. Etiologia: o Fatores genéticos (1º passo = cariótipo). o Fatores tromboembólicos. o Fatores anatômicos. o Fatores endocrinológicos. o Fatores infecciosos. o Fatores autoimunes. GESTAÇÃO ECTÓPICA Introdução 4 a 10% de todas as mortes na gestação. Gestação extrauterina = ocorre quando há desenvolvimento do blastocisto e este se implanta em outro sítio que não o endométrio da cavidade uterina. A maioria das gestações ectópicas (95%-96%) ocorrem na tuba uterina. Também podem acontecer em outros locais como: ampola (81%), istmo (12%), colo uterino (1%), cornos uterinos (intersticial ou cornual), cicatriz de histerectomia, ovário e abdome (1,4%). Em casos muito raros a gestação pode ser heterotópica = gestação intrauterina em concomitância com gestação extrauterina. 150 Fatores de risco História prévia de gestação ectópica. Doença tubária ou cirurgia tubária prévia. DIP e DSTs prévias. DIU: se a gestação ocorrer, tem mais risco de ser ectópica, mas é menor que o risco de quem não usa MACs. Múltiplos parceiros sexuais. Tabagismo. Técnica de fertilização assistida. Idade avançada (> 35 anos). Endometriose. Exposição ao dietilestilbestrol. Cirurgia abdominal ou pélvica prévias. OBS: aproximadamente 50% das mulheres são assintomáticas antes da ruptura tubária, sem identificação prévia de qualquer fator de risco. Quadro clínico Sangramento via vaginal: não existe um padrão característico de sangramento. Pode ser sangramento escasso em borra de café ou com 151 características de hemorragia, pode ser intermitente ou contínuo ou, até mesmo, ocorrer apenas um único episódio. Dor abdominal: não existe um padrão típico de dor. Geralmente, é localizada na região pélvica, podendo haver predominância de um lado da pelve, ser discreta ou intensa, de início abrupto ou silente, ou ser contínua ou intermitente. Pode haver dor referida no ombro, por presença de líquido livre no abdome superior com irritação do diafragma. A dor abdominal também é um sintoma típico do início da gestação tópica por ingurgitamento dos tecidos pélvicos, por constipação, etc. Atraso menstrual. OBS: os sintomas clínicos geralmente aparecem em 6 a 8 semanas de atraso menstrual, porém, podem ser relatados antes da suspeita de gestação, do atraso menstrual ou irregularidade menstrual. Muitas vezes, a gestação ectópica pode ser assintomática antes da ruptura. Exame físico Estado geral: devem ser avaliados os sinais vitais para palidez, sudorese e hipotensão postural = indicam instabilidade hemodinâmica, sugerindo sangramento oculto intra-abdominal. Abdome: pode haver desconforto à palpação no abdome inferior, distensão abdominal, defesa importante em um dos quadrantes do abdome ou sinais de irritação peritoneal. O abdome pode ser inocente à palpação em uma parcela importante dos casos. Exame ginecológico: o Especular: pode confirmar a origem do sangramento via vaginal. o Toque vaginal bimanual: com achados sugestivos de gestação (amolecimento do colo uterino e discreto aumento uterino), dor uterina, dor anexial e/ ou palpação de massa anexial e também auxiliano esclarecimento diagnóstico. OBS: a culdocentese muitas vezes é positiva. 152 Exames complementares Em geral, os achados da dosagem sérica quantitativa de beta-HCG + achados da US transvaginal determina o diagnóstico. Ecografia transvaginal Exame mais útil para detectar a localização da gestação. Aponta para ausência de gestação ectópica. Auxilia na identificação de: o Massas anexiais = achado mais comum em gestação ectópica. o Identificação do líquido livre intra-abdominal = pode confirmar o diagnóstico de ruptura tubária. Porém, uma pequena quantidade de líquido livre pode estar presente mesmo em GE tubária ainda não rota além de outras condições, como abortamento e ruptura de cisto ovariano. o Saco gestacional = se dentro do útero = afastada GE. Se fora do útero = GE. Beta-HCG Nunca esquecer de fazer. Se > 66% a cada 2 dias = realizar nova eco após atingir 1500 = normal. Se < ou igual a 66% em 2 dias = gestação anormal = gestação ectópica. Decréscimo > 50% em 48 horas = abortamento, aborto tubário, resolução espontânea. 153 Resumo Tratamento cirúrgico Laparotomia: instabilidade hemodinâmica ou hemoperitônio grande. Videolaparoscopia: paciente estável. Salpingectomia (é a retirada da tuba afetada com o conteúdo gestacional em seu interior) X salpingostomia (é a remoção do saco gestacional e de seus produtos). Tratamento expectante o Esse tratamento pode ser realizado quando não se localiza o sítio da gestação, nas situações em que o declínio dos níveis de β-hCG a cada 48 horas é acentuado, quando a paciente está assintomática ou apresenta sintomas leves, ou quando é possível realizar acompanhamento frequente. Nessas pacientes, os níveis de β-hCG devem ser acompanhados até a sua negativação, e qualquer mudança no quadro clínico exige reavaliação imediata. Beta-HCG positivo + ECO TV com massa extrauterina = gestação ectópica. Beta-HCG positivo + ECO TV com saco gestacional tópico = gestação tópica. Beta-HCG positivo + ECO TV com cavidade vazia = ABRIR O OLHO. Necessário ecografista e um beta-HCG quantitativo. o Avaliar anexos: Ausência de massa anexial + quadro clínico: beta- HCG > 1500/2000 = gestação ectópica. Ausência de massa anexial + paciente oligoassintomática: beta-HCG < 1500/2000 = repetir em 48 horas. Aumento menor que 50% = gestação inviável ou ectópica. 154 Tratamento clínico Metrotexato. o Antagonista do ácido fólico. o Inibe a síntese e a replicação celular do DNA e RNA. o Pode ser usado em GE em esquema de única dose ou mais. o Principais indicações: Massa anexial < 3,5 cm. Beta-HCG < 5000 UI/L. Embrião sem BCF. Gestação ectópica íntegra. Função renal e hepática normais. Contraindicações: o Doença renal, hematológica e/ou hepática. o Imunodeficiência; o Doença pulmonar. o Úlcera péptica. o Hipersensibilidade ao metotrexato. o Gestação heterotópica. o Lactantes. Efeitos colaterais: o Náuseas, vômitos, diarreia e discreta elevação das transaminases hepáticas. Se Rh negativo, prescrever imunoglobulina anti-Rh. DESCOLAMENTO PREMATURO PLACENTA Introdução Sangramento/hemorragia de 2-3º trimestre de gestação. É a separação, antes do parto, da placenta normalmente implantada. Sua incidência é observada entre 0,2 e 1% das gestações apresentando impacto significativo sobre a morbidade materna (hipovolemia, anemia 155 coagulopatia, hemotransfusão, cesariana de emergência, histerectomia e até a morte) e perinatal (prematuridade, baixo peso ao nascer e sofrimento fetal). Fatores de risco HAS (principal fator de risco), pré-eclâmpsia e eclampsia. Tabagismo. Multiparidade. História de DPP em gestação anterior (10%-25%). Traumatismos. Trombofilias. Brevidade de cordão. Rupreme em polidrâmnio. Descompressão súbita uterina. Uso de cocaína, crack. Uso de ocitocina e misoprostol. Traumatismo abdominal (acidente de carro). Clínica Hemorragia súbita dolorosa. Dor abdominal súbita, contínua. Hipertonia uterina. Repercussões fetais (proporcionais). Sangramento externo (80%): consegue enxergar. 156 Sangramento oculto: fica trancado atrás da placenta. Pode parar de sangrar ou pode exteriorizar o sangramento. Quando sague exterioriza = mais complicado o manejo. o 20%. o Hemoâmnio = quando rompe a bolsa vem sangue e não líquido amoniótico. o Apoplexia útero-placentária = sangramento penetra ao miométrio e ao penetrar o miométrio, simplesmente fica-se com um sangue extravascular = vai virando um hematoma. Diagnóstico Clinico. o Sangramento. o Aumento tônus uterino. o Dor. o Feto em situação não tranquilizadora. Se dúvida = ecografia. Graduação: o Grau 0: subclínica. Sem repercussões maternas e fetais. o Grau 1: clínica, porém se repercussões maternas e fetais. o Grau 2: hipóxia fetal. o Grau 3: óbito fetal + repercussões hemodinâmicas. 3A: sem coagulopatia (CIVD). 3B: com coagulopatia (CIVD). 157 Conduta Resolução da gestação: + rápido. Grau 1 = mantém MAP e pode ser feito parto vaginal/ amniotomia. Grau 2 e 3 = cesariana de emergência. o Ver estado de coagulação, caso haja necessidade de transfusão. Complicações Asfixia/ óbito fetal. Choque hipovolêmico: pulso fino, acelerado/ sudorese, extremidades frias, pele e mucosas descoradas, hipotensão arterial, torpor, PCR. CIVD: equimoses e sufusões hemorrágicas nas punções = gengivorragia e epistaxe. Síndrome de Sheehan = necrose da hipófise produzida pelo sangramento seguido de choque hipovolêmico muito prolongada. Útero infiltrado (couvelaire). Hipotonia uterina. PLACENTA PRÉVIA Introdução Implantação da placenta no segmento inferior do útero, previamente ao feto. 0,3 a 0,5% das gestações. A placenta prévia é diagnóstica em 1 a 6% das USs realizadas entre 10 e 20 semanas de gestação. No terceiro trimestre, 90% desses casos se resolvem, persistindo a placenta prévia em 0,1 a 0,4% das pacientes em decorrência do crescimento uterino e da formação do segmento uterino inferior pela incorporação do colo uterino ao corpo. A placenta prévia aumenta as chances de: o Crescimento uterino reduzido. o Rupreme. 158 o Descolamento prematuro de placenta. o Acretismo placentário. o Hemorragia grave. o Mortalidade em até 7%. o Morbidade. o Histerectomia. Fatores de risco Dano endometrial: o Cesarianas prévias = principal fator de risco. o História prévia de DPP. o Multiparidade. Gestação gemelar. o Idade superior a 40 anos. o Após aborto, curetagem, biópsias endometriais, miomectomias. o Endometrites anteriores. Baixa nutrição/ oxigenação placentária com necessidade de amplitude de superfície. o Fumantes e usuárias de cocaína. o Residentes de altas altitudes. o Gestação múltipla. o Aloimunização Rh. o Outras associações: o Tratamento de infertilidade. o Fetos de sexo masculino. o Etnia asiática. Quadro clínico o Dor ausente/ início do trabalho de parto. o Sangramento genital episódico, variável. o Útero normotenso/ sem contrações. o Altura uterina normal. o BCF inalterado. 159 o Situações fetais anômalas. Classificação OBS: a classificação leva em conta a relação da placenta com o colo uterino. o Completa ou total: a placenta cobre totalmente o orifício cervical interno. o Parcial: a placenta cobre parcialmente o orifício cervical interno. o Marginal: a borda da placenta alcança a borda do orifício cervical interno. 160 o Lateral ou baixa: a implantação encontra-se no segmento inferior. A classificação apresentada é dinâmica, e variará se o colo uterino estiver conservado ou se apaciente apresentar algum grau de dilatação, bem como o avanço da idade gestacional. Diagnóstico o O quadro clínico da placenta prévia, na maioria das vezes, é típico. o O principal sintoma é a hemorragia de 2º ou 3º trimestre, indolor, reincidente, progressiva, com início e cessamento súbitos. o A perda sanguínea normalmente não intensa, mas, às vezes, é encontrada uma grande quantidade de sangue vivo rutilante e coagulado. Os episódios costumam ser repetidos o Quanto maior a idade gestacional, maior o risco de entrar em trabalho de parto = maior o risco de mudar o orifício cervical interno = maior risco de sangramento. o Em cerca de 10% dos casos, há certa dor inicial devido à presença de contrações uterinas coincidentes. o Estática fetal alterada. 161 o A situação transversa é de 25 a 35 vezes mais frequente, e a apresentação pélvica tem incidência de 2 a 3 vezes maior. Exame especular: o Colo congesto e entreaberto, na maioria das vezes, com sangue dentro do canal. O toque vaginal deve ser evitado, assim como a amnioscopia = há risco de sangramento. O diagnóstico de placenta prévia é confirmado com US obstétrica (3º trimestre). Complicações A principal complicação é a hemorragia grave, com choque e morte materna. Tratamento Evitar risco de sangramento. o 4,7% com 35 semanas. o 15% com 36 semanas. o 30% com 37 semanas. o 59% com 38 semanas. OBS: Interromper com 37-38 semanas. Clinico: o Internação. o Avaliação laboratorial: hemograma completo, dosagem de fibrinogênio, plaquetas, TP, TTPa e tipagem sanguínea. o Avaliação de bem-estar fetal. o Inibição das contrações = por fármacos = inadequada = pode provocar Síndrome do roubo. Eles estão contraindicados na presença de sangramento profuso com repercussão hemodinâmica; no entanto, sabe- se que, com a inibição das contrações uterinas, o sangramento poderá diminuir. 162 Corticoides: a corticoterapia materna antenatal deve ser realizada para acelerar a maturidade pulmonar fetal se a idade gestacional for menor que 34 semanas. Definitivo: o Interrupção da gestação. Com 36 semanas. Se risco materna-fetal = independente de IG. Vias de parto Placenta completa e parcial = tem sangramento obrigatoriamente = realizar cesariana. Placenta marginal e baixa = há possibilidade de parto normal HEMORRAGIA PÓS-PARTO Introdução 150.000 mortes por ano = maioria nos países em desenvolvimento. OMS: representante na América Latina. o Desenvolvimento da: Estratégia zero morte materna por hemorragia (0MMXH): medidas para identificar e tratar de forma rápida e efetiva a HPP. Hemorragia? PV > 500 ml de sangue. PC > 1000 ml de sangue. Qualquer sangramento que leve à instabilidade hemodinâmica pode ser considerado hemorragia pós-parto. Nas 24 horas pós-parto 163 Classificação Primária: acontece nas primeiras 24 horas pós-parto. Secundária: acontece após 24 horas até 6-12 semanas pós-parto. Fatores de risco 1. Retenção placentária/ placenta acreta. 2. Falha na progressão do segundo período do trabalho de parto. 3. Lacerações/ parto operatório. 4. Hiperdistensão uterina: feto macrossômico/ polidrâmnio/ gemelar. 5. Distúrbio hipertensivo. 6. Indução de parto/ ocitocina. Causas (4Ts) Tônus: atonia = 70%. Tecido: retenção placentária = 20%. Trauma: lacerações do trajeto = 10%. Trombo: coagulopatia = <1%. Prevenção 1. Manejo ativo do terceiro período de parto (reduz 60%). 2. Ocitocina 10 UI IM + clampeamento oportuno do cordão + tração do cordão umbilical. Estimativa de perda volêmica 1. Visual X pesagem de compressas. 164 Clinica 2. Instabilidade hemodinâmica; já perdeu de 1000 a 1500 ml de sangue. Índice de choque (IC = FC/ pressão sistólica) >ou igual 0,9 Risco de transfusão Abordagem agressiva/ transferência/ traje anti- choque/ hemotransfusão. >ou igual a 1,4 Provável necessidade de transfusão maciça. Abordagem agressiva e imediata no foco sangrante/ traje anti- choque/ abrir protocolo de transfusão maciça. >ou igual a 1,7 Provável necessidade de transfusão maciça. Alto risco: resultado adverso. Abordagem agressiva e imediata no foco sangrante/ traje anti- 165 choque/ abrir protocolo de transfusão maciça. OBS: HORA DE OURO: primeira hora de diagnóstico do sangramento = controlar o foco. OBS = TRAJE ANTI-CHOQUE 3. Controle transitório da HPP: tempo extra. 1. Transferência da paciente. 2. Abordagem da hemorragia. 4. Remoção: local adequado, do segmento 1 ao 6, paciente deve estar com PAS > 90-100 mmHg, FC < ou igual a 100 bpm, Hb > 7 nas últimas 2 horas. 5. Regra dos 20: se reduzir 20 mmHg PAS ou aumentar 20 bpm FC = RECOLOCAR TRAJE.