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SANGRAMENTOS DA GRAVIDEZ E DOENÇA HEMOLÍTICA PERINATAL DOENÇAS CLÍNICAS NA GRAVIDEZ E GEMELARIDADE SOFRIMENTO FETAL E PUERPÉRIO AVALIAÇÃO INICIAL DA GESTAÇÃO PARTO 5 12 21 30 36 ABORDAGEM SINDRÔMICA OBSTETRÍCIA 1. Sangramentos da 1ª Metade (< 20 semanas) ABORTAMENTO DOENÇA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL GRAVIDEZ ECTÓPICA Abortamento Conceitos: - INTERRUPÇÃO DA GESTAÇÃO ANTES DA VIABILIDADE < 20 semanas pela OMS; < 22 semanas pelo CFM ou feto < 500g Causas: - ANOMALIAS CROMOSSÔMICAS Pelo menos 50% dos casos. É a principal causa! Trissomias são as causas mais frequentes (principalmente 16) Outras: síndrome de Turner, triploidia, tetraploidia - ANOMALIAS UTERINAS (malformações, sinequias...), INCOMPETÊNCIA ISTMO-CERVICAL, SAF, ALTERAÇÕES ENDÓCRINAS, DIABETES, INFECÇÕES, TABAGISMO, INSUFICIÊNCIA DE CORPO LÚTERO (polêmico na literatura), TROMBOFILIAS HEREDITÁRIAS (também polêmico) Classificação: - Quando a idade gestacional: PRECOCE: até a 12ª semana TARDIO: após a 12ª semana - Quanto a periodicidade: ESPORÁDICO HABITUAL: > 3 consecutivos Quadro Clínico: - Ameaça, inevitável, incompleto, completo, infectado, retido AMEAÇA Colo fechado, BCE + COMPLETO Colo fechado, útero vazio (endométrio < 15mm no USG) RETIDO Colo fechado, BCE - INEVITÁVEL Colo aberto, BCE +/- INCOMPLETO Colo aberto, restos ovulares (endométrio > 15mm) INFECTADO Colo aberto, restos, febre Conduta: AMEAÇA COMPLETO SINTOMÁTICOS ACOMPANHAMENTO Obs: não é pra fazer progesterona! INEVITÁVEL INCOMPLETO RETIDO ESVAZIAMENTO UTERINO Obs: se infectado = + ATBTERAPIA INFECTADO Enxergando de outra forma... SEMPRE AVALIAR: COLO UTERINO E ULTRASSONOGRAFIA! Qual o 1º exame diante da hemorragia? Especular! - SE COLO ABERTO: INCOMPLETO, INEVITÁVEL OU INFECTADO - SE COLO FECHADO: COMPLETO, AMEAÇA OU RETIDO COM COLO ABERTO... ABORTAMENTO INCOMPLETO - Sangramento variável (depende da quantidade/tempo), cólicas - Beta-HCG pode estar negativo ou em queda - Útero menor que o esperado (c/restos ovulares) + colo aberto. * Em situações excepcionais, o colo pode estar fechado, mas seria obrigatório o USG evidenciando imagem heterogênea/espessamento > 15mm. - Conduta: esvaziamento ABORTAMENTO INEVITÁVEL - Sangramento intenso, cólicas - Útero compatível com IG (embrião) + colo aberto - Conduta: esvaziamento. * Se IG 6-8 semanas é possível conduta expectante e aguardar (+/- 1-2 semanas) para que o organismo da gestante “elimine o feto” sem nenhuma conduta ativa, mas, em geral, a conduta mais preconizada é o esvaziamento. ABORTAMENTO INFECTADO - Manipulação indevida + sinais de infecção + colo aberto - Útero amolecido, doloroso, c/restos ovulares - Conduta: antibiótico (clindamicina + gentamicina)/esvaziamento COM COLO FECHADO... ABORTAMENTO COMPLETO - Sangramento completo, dor ausente - Beta-HCG pode estar negativo ou em queda - Útero vazio e menor que o esperado + colo fechado - Conduta: orientação AMEAÇA DE ABORTAMENTO - Sangramento e dor discretos - Útero compatível com IG + feto vivo + colo fechado - Conduta: repouso relativo/sintomáticos/antiespasmódico ABORTAMENTO RETIDO - Sangramento e dor ausentes - Beta-HCG pode estar negativo ou em queda - Útero menor para IG + colo fechado - USG com embrião > 7mm, sem BCF (feto morto) - Conduta: esvaziamento * Se o embrião for < 7mm e a IG 6-8 semanas, a conduta pode ser repetir o USG em 7-14 dias (máximo 28 dias) para ver se o BCF aparece, se a IG estava realmente certa, etc. Se for > 7mm, o diagnóstico está consumado! * OVO ANEMBRIONADO: é um “subtipo” do abortamento retido, caracterizado por AUSÊNCIA DE EMBRIÃO EM SACO GETACIONAL ÍNTEGRO. É OBRIGATÓRIO a ultrassonografia evidenciar SG > 25mm. Se < 25mm, a conduta pode ser expectante. Fechado USG Conduta Aberto USG Conduta Ameaça BCE + Sintomáticos Inevitável BCE +/- Esvazia Completo Útero vazio Orientações Incompleto Restos Esvazia Retido BCE - CCN > 7mm Esvaziamento Infectado Restos Esvazia ATB Obs: em QUALQUER SANGRAMENTO GESTACIONAL, sempre AVALIAR FATOR RH PARA FAZER IMUNOGLOBULINA! Como esvaziar? < 12 semanas: - AMIU (menor risco de perfuração) ou CURETAGEM (independente se incompleto ou inevitável). Aqui, o misoprostol pode até ser usado como forma de “preparar” o útero, mas como conduta complementar! > 12 semanas: - Com feto: MISOPROSTOL ± CURETAGEM - Sem feto: CURETAGEM SANGRAMENTOS DA 1ª METADE SANGRAMENTOS DA 2ª METADE Quando? < 20 SEMANAS DE GESTAÇÃO Quando? > 20 SEMANAS DE GESTAÇÃO Possíveis diagnósticos... - ABORTAMENTO - DOENÇA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL - GRAVIDEZ ECTÓPICA Possíveis diagnósticos... - DESCOLAMENTO PREMATURO DE PLACENTA - PLACENTA PRÉVIA - ROTURAS Sangramentos da Gravidez e Doença Hemolítica Perinatal @ casalmedresumos ATENÇÃO! Conceito de OVO/GESTAÇÃO ANEMBRIONADA - Ausência de embrião - Diâmetro médio do saco gestacional > 25mm ESVAZIAMENTO UTERINO CIRÚRGICO AMIU: escolha até 12 semanas CURETAGEM: alternativa à AMIU CLÍNICO Misoprostol: expulsão de fetos > 12 semanas Ocitocina NÃO é uma boa opção p/esvaziamento nesse contexto! 5 Perceba: a CONDUTA EXPECTANTE pode ser tentada nos casos de IDADE GESTACIONAL ENTRE 6-8 SEMANAS, mas apenas em casos de estabilidade hemodinâmica, sangramento discreto, certeza de acompanhamento clínico, recusa do esvaziamento pela gestante, etc. Em prova, não é o comum de ser cobrada! Detalhando as causas... Esporádico: TRISSOMIAS: principal causa (especialmente trissomia do 16) INFECÇÃO Habitual/Recorrente (3 ou mais perdas) TEM QUE INVESTIGAR! ANOMALIAS GENÉTICAS: principal causa INCOMPETÊNCIA ISTMO-CERVICAL SAF INSUFICIÊNCIA DE CORPO LÚTEO (polêmico) INCOMPETÊNCIA ISTMO-CERVICAL (IIC) Conceitos: - Orifício interno incompetente para manter a gestação - Perdas gestacionais INDOLORES + amniorrexe precoce podem ocorrer Diagnóstico: - História de dilatação cervical indolor no 2º trimestre - USG: dilatação cervical + encurtamento do colo (atual) - Histeroscopia Quando pensar em IIC? Aborto tardio Colo fica curto Dilatação INDOLOR Feto vivo e morfologicamente normal Causas: - Conização, curetagens, dilatação do colo, amputações cervicais, fatores congênitos, partos laboriosos Tratamento: - CERCLAGEM (principalmente pela técnica de McDonald). Idealmente em... 12-16 semanas Dilatação < 3cm Sem herniação da bolsa SÍNDROME DO ANTICORPO ANTIFOSFOLIPÍDEO (SAF) Conceito: - Trombofilia autoimune Diagnóstico: 1 critério clínico + 1 critério laboratorial Clínico: - Trombose arterial ou venosa OU - 3 perdas antes de 10 semanas - 1 perda após 10 semanas - Parto prematuro por PE/CIUR < 34 semanas Laboratorial: - Anticorpos (confirmar positividade após 12 semanas) Lúpus anticoagulante Anticardiolipina IgG e IgM Antibeta2glicoproteína I IgG e IgM Quando pensar em SAF? Perda fetal recorrente Perda fetal inexplicável no 2º ou 3º trimestre Início precoce de pré-eclâmpsia (PE) grave CIUR inexplicável Trombose arterial ou venosa (jovem) História de LES, outras doenças autoimunes Colo normal Tratamento: - Apenas eventos obstétricos: AAS + HEPARINA PROFILÁTICA - História de trombose: AAS + HEPARINA TERAPÊUTICA INSUFICIÊNCIA DE CORPO LÚTEO (ICL) Quando pensar em ICL? Aborto PRECOCE ↓Progesterona Colo normal Tratamento: - PROGESTERONA MICRONIZADA (VAGINAL) até o 1º trimestre Doença Trofoblástica Gestacional Conceito: - PROLIFERAÇÃO ANORMAL DO TROFOBLASTO Classificação: BENIGNA (“MOLA HIDATIFORME”) Mola completa Mola incompleta MALIGNA (“NEOPLASIA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL”) Mola invasora Coriocarcinoma Tumor trofoblástico de sítio placentário Fatores de Risco: - Idade > 40 anos - Mola anterior - Inseminação artificial - Tabagismo - Abortamentos prévios Quando suspeitar? - SANGRAMENTO INTERMITENTE/ASPECTO SUCO DE AMEIXA - ÚTERO AMOLECIDO E MAIOR QUE O ESPERADO (SANFONA) - HIPERÊMESE - USG: “TEMPESTADE DE NEVE” - SAÍDA DE VESÍCULAS (“CACHOS DE UVA”) - CISTOS TECALUTEÍNICOS BILATERAIS - PRÉ-ECLÂMPSIA PRECOCE - HIPERTIREOIDISMO - ↑↑↑HCG MUITO ELEVADO INTERRUPÇÃO LEGAL DA GRAVIDEZ No Brasil, em apenas 3 situações... (1) RISCO DE MORTE PARA GESTANTE - Abortamento terapêutico - Atestado por 2 médicos - Notificação da Comissão de Ética do Hospital - Até 20-22 semanas (após as 20-22 semanas, chamamos a interrupção de “antecipação terapêutica do parto”, e não de “abortamento”) (2) VÍTIMA DE VIOLÊNCIA SEXUAL - Permitida após solicitação da paciente na Unidade de Saúde - Não precisa de BO ou autorização judicial! - IG deve ser compatível com a data do agravo - Médico pode se recusar a fazer o procedimento (objeção de consciência) - Até 20-22 semanas (3) ANENCEFALIA - Descriminalização pelo STF em 2012 - Interrupção em QUALQUER IDADE GESTACIONAL (se desejar) - Diagnóstico ultrassonográfico a partir de 12 semanas - Duas fotografias (sagital e transversal) - Laudo assinado por 2 médicos Imagens: Febrasgo 6 Tipos de Mola: CARACTERÍSTICAS COMPLETA INCOMPLETA CARIÓTIPO 46XX/XY 69XXY/XXX/XYY FETO Não Sim/Não BETA-HCG Muito elevado Pouco elevado CISTOS TECALUTEÍNICOS Comum Raro USG Ecos amorfos Ecos dispersos + Feto NTG (malignização) 10-30% 5-10% Diagnóstico: - Quadro clínico + USG com TEMPESTADE DE NEVE + HISTOPATOLÓGICO! - Beta-HCG SUPERIOR A 200.000mUI/ml não é critério, mas ajuda no diagnóstico. Tratamento: - ESVAZIAMENTO UTERINO (via VACUOASPIRAÇÃO) + enviar para HISTOPATOLÓGICO Alternativas se não tiver vacuoaspiração: AMIU, curetagem - HISTERECTOMIA PROFILÁTICA SE prole definida, > 40 anos e fator de risco de progressão (manter o acompanhamento mesmo após HTA!) - NÃO TIRA ANEXO! CISTO TECALUTEÍNICO = NÃO TIRAR! É fruto e estímulo hormonal. Vai regredir sozinho! Acompanhamento/Controle de Cura: - Marcador: beta-HCG seriado Dosagem semanal até zerar 1 dosagem quinzenal (opcional) Mensalmente até 6 meses do 1º resultado negativo - Acompanhamento clínico e ultrassonográfico - Raio-X de tórax (pelo risco de embolização) - Orientar quanto anticoncepção (DIU é contraindicado) Neoplasia Trofoblástica Gestacional (NTG) Quando desconfiar? BETA-HCG Elevação por 2 semanas (> 10%) Estabilização dos níveis por 3 semanas (+/- 10%) Ausência de negativação em 6 meses (questionável na literatura) - SURGIMENTO DE METÁSTASES (vagina > pulmão) - USG COM IMAGEM INTRAMIOMETRIAL - RI (índice de resistência) e PI (índice de pulsatilidade) DAS ARTÉRIAS UTERINAS BAIXO Tipos de NTG? - MOLA INVASORA Mais comum (70-90%), sequela da mola hidatiforme - CORIOCARCINOMA 10-30%. Após qualquer tipo de gestação (mola, aborto, gestação termo ou ectópica) Grande número de metástases (pulmão, vagina), mas com alto grau de cura - TUMOR TROFOBLÁSTICO DO SÍTIO PLACENTÁRIO Trofoblasto intermediário. Raro. ↑↑hPL (não é o beta-HCG o marcador principal!) Tratamento: - Baixo risco: MONOQT com MTX - Alto risco: POLIQT - Considerar HTA no tumor trofoblástico de sítio placentário Gravidez Ectópica Conceito: - IMPLANTAÇÃO DO BLASTOCISTO FORA DA CAVIDADE UTERINA - Mais comum: região AMPULAR da trompa (80-95%). Segundo: istmo Fatores de Risco: - DIP - Aderências - Cirurgia tubária ou ectópica prévia - Endometriose - Tabagismo - DIU (relativo) - Reprodução assistida Clínica: - ATRASO MENSTRUAL + - DOR ABDOMINAL - SANGRAMENTO VAGINAL DISCRETO (50%) Reação de Arias-Stella (sangramento de pequena monta). A única ectópica que pode dar hemorragia vaginal intensa é a CERVICAL. - Pode haver MASSA ANEXIAL PALPÁVEL Em casos de GRAVIDEZ ECTÓPICA ROTA ABDOME AGUDO: Corresponde a 30% dos casos (região ístimica) - SANGRAMENTO IMPORTANTE/INSTABILIDADE HEMODINÂMICA - DEFESA ABDOMINAL/IRRITAÇÃO PERITONEAL - GRITO DE DOUGLAS (SINAL DE PROUST) - SINAIS DE LAFFON, BLUMBERG E CULLEN Diagnóstico: - CLÍNICA + BETA-HCG + USG BETA-HCG: > 1.500. “Limite discriminatório. Se estiver < 1.500, tem que repetir! Se > 1500, tem que achar o saco gestacional!” USG: saco gestacional em anexo, anel tubário (“anel de fogo”), pseudossaco gestacional, dopplerfluxometria Tratamento: Levar em conta as variáveis: estabilidade hemodinâmica, integridade da trompa, desejo de nova gravidez, características do SG e acesso a diferentes terapias. (1) EXPECTANTE - Se estabilidade hemodinâmica + - Beta-HCG baixo e declinante (< 1.000) + - SG < 3,5cm (2) CIRÚRGICO CONSERVADOR (SALPINGOSTOMIA) - Critérios: tubária íntegra, manutenção do desejo reprodutivo e estabilidade hemodinâmica (3) CIRÚRGICO RADICAL (SALPINGECTOMIA) - Critérios: tubária rota ou muito lesada ou ectópica recorrente ou prole completa ou instabilidade hemodinâmica (4) MEDICAMENTOSO C/ METOTREXATE antagonista do ácido fólico - Formas de aplicação: injeção direta sobre o ovo (invasivo), intramuscular em dose única ou em dias alternados - Critérios obrigatórios: tubária íntegra e paciente estável - Condições ideais: Embrião sem BCF SG < 3,5cm beta-HCG < 5.000 Depois da aplicação de MTX: dosa beta-HCG nos dias 4 e 7. Se houver queda de 15%: acompanha semanalmente; Se não houver queda de 15%: pode tentar de novo MTX (pode tentar até 3x) Imagem: mdsaude.com 7 EM CASOS DE DÚVIDA DIAGNÓSTICA, SÃO DADOS QUE SUGEREM GESTAÇÃO NORMAL: Beta-HCG que duplica (ou ↑66%) em 48h Progesterona > 25ng/ml NÃO ESQUEÇA! INSTÁVEL LAPAROTOMIA ESTÁVEL LAPAROSCOPIA (Salpingostomia/Salpingectomia) METOTREXATE Doença Hemolítica Perinatal Conceito: - HEMÓLISE FETAL CAUSADA POR ANTICORPOS MATERNOS Incompatibilidade ABO: + comum (25-30%)/anti-A ou anti-b/formação de anticorpos não exige exposição prévia/hemólise branda/não tem profilaxia/protege o feto contra incompatibilidade RH Incompatibilidade RH: + grave/antígenos D, C e E/formação de anticorpos exige exposição prévia/tem profilaxia Variante DU: expressão fraca do antígeno D/RH negativo que funciona como RH positivo (ex: paciente é O negativo e tem variante DU positivo = vai se comportar como O positivo) Antígenos atípicos: não RH ou ABO/2% dos casos/mais associada a hemotransfusão/maioria não produz doença grave/é a mãe que tem coombs indireto positivo, mas não é por incompatibilidade ABO e nem RH - É PROGRESSIVAMENTE + GRAVE: pior prognóstico a cada gestação sucessiva Fisiopatologia: PRIMEIRA GESTAÇÃO = SENSIBILIZAÇÃO! GESTANTE RH NEGATIVO/VARIANTE DU NEGATIVO PAI RH POSITIVO FETO RH POSITIVO Hemorragia fetomaterna Formação de anticorpos IgM Obs: não esqueça que se variante DU positivo, a mulher se comporta como RH positivo (mesmo se RH negativo)! SEGUNDA GESTAÇÃO = DOENÇA HEMOLÍTICA PERINATAL! - Passagem de anticorpos IgG pela placenta - Hemólise fetal Quadro Clínico/Complicações Fetais: - Hemólise, eritropoiese extramedular com hepatoesplenomegalia, anemia, redução da viscosidade sanguínea, hipercinesia, hidropsia, óbito fetal Diagnóstico/Acompanhamento: - COOMBS INDIRETO para gestantes RH negativo e marido RH positivo CI NEGATIVO:repetir com 28, 32, 36, 40 semanas e pós-parto CI POSITIVO: depende do valor... < 1:16 (ou < 1:8) = repetir mensalmente > 1:16 (ou > 1:8) = investigação fetal* (*) INVESTIGAÇÃO FETAL: DOPPLERVELOCIMETRIA DE ARTÉRIA CEREBRAL MÉDIA - Método não invasivo de escolha para o rastreamento - Avalia o estado hipercinético fetal - Se Vmáx do pico sistólico > 1.5 = suspeita de anemia fetal encaminhar para cordocentese Tratamento: CORDOCENTESE - Método invasivo, permite dosagem de hemoglobina - Padrão-ouro: diagnóstico e tratamento - Indicações: HIDROPSIA FETAL, DOPPLER DA ACM COM VMÁX > 1,5 - Risco de 1-3% de óbito fetal - Avalia a hematimetria no feto e permite a TRANSFUSÃO INTRAUTERINA se houver indicação (HEMATÓCRITO < 30%) Quando optar por fazer diretamente o parto e não correr os riscos de óbito fetal pela cordocentese? - IG < 34 semanas: CORDOCENTESE + TRANSFUSÃO INTRAUTERINA - IG > 34 semanas: PARTO + FOTOTERAPIA + EXSANGUINEOTRANSFUSÃO Prevenção: - IMUNOGLOBULINA ANTI-D Destruição das hemácias fetais na circulação materna, evitando a produção de anticorpos APENAS PARA NÃO SENSIBILIZADAS E COM COOMBS INDIRETO NEGATIVO. Se já sensibilizou, não tem indicação... Dose: 300MCG INTRAMUSCULAR Indicações: APÓS O PARTO (idealmente até 72h) HEMORRAGIA na gestação PROCEDIMENTO INVASIVO (amniocentese, biópsia de vilo, cordocentese, etc) 28 SEMANAS Como avaliar a imunoprofilaxia? - COOMBS INDIRETO: FICA POSITIVO (temporariamente fica negativo com 3 meses pós-parto). Se não positivou: faz mais imunoglobulina! - TESTE DE KLEIHAUER: FICA NEGATIVO. FIXAÇÃO DO CONTEÚDO ABORTAMENTO Principal causa Aneuploidias Colo fechado Ameaça Completo Retido Colo aberto Inevitável Incompleto Infectado Método de escolha Para esvaziamento AMIU (12 semanas) Curetagem Tratamento IIC Cerclagem entre 12-16 semanas (Técnica de McDonalds) Tratamento SAF AAS + heparina GESTAÇÃO ECTÓPICA Locais mais frequentes Ampola, istmo Sintomas mais frequentes Amenorreia Sangramento vaginal Dor abdominal Limite discriminatório B-HCG 1.500 mUI/ml Condições ideais para MTX SG < 3,5cm Embrião sem BCE B-HCG < 5.000 Laparotomia Instabilidade DOENÇA TROFOBLASTICA Tipos de Mola Benigna Completa, incompleta Achado patognomônico Eliminação de vesículas Tratamento de escolha Vacuoaspiração Malignização Aumento por 2 semanas Estabilização por 3 semanas Sem negativação em 6 meses DOENÇA HEMOLÍTICA PERINATAL Quem pode ter? Gestante RH negativo Pai RH positivo Feto RH POSITIVO Quando rastrear anemia? Coombs indireto > 1:8 Exame de escolha Doppler ACM Tratamento nas formas graves Cordocentese: < 34 semanas Parto: > 34 semanas Profilaxia Após o parto Hemorragias Procedimento invasivo 28 semanas 8 2. Sangramentos da 2ª Metade (> 20 semanas) DESCOLAMENTO PREMATURO DE PLACENTA (DPP) PLACENTA PRÉVIA ROTURAS Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) Conceitos: - SEPARAÇÃO DA PLACENTA NORMOINSERIDA APÓS 20 SEMANAS E ANTES DA EXPULSÃO FETAL - Ocorre em 1-2% das gestações - Grande incidência de complicações maternas e fetais Classificação: - Grau 0: assintomático (diagnóstico retrospectivo/histopatológico) - Grau I: leve sangramento discreto, sem hipertonia - Grau II: intermediário sangramento moderado, com hipertonia - Grau III: grave sangramento intenso, com óbito fetal IIIa: sem coagulopatia IIIb: com coagulopatia Fatores de Risco: - HAS (principal) - Trauma abdominal - Retração uterina súbita/intensa (gemelar, polidramnia) - RPMO/corioamnionite - Tabagismo/Cocaína - Idade > 35 anos Fisiopatologia: - Placenta descola hemorragia decidual + hematoma/coágulo retroplacentário + consumo de fatores de coagulação sangue irrita o miométrio HIPERTONIA UTERINA/CONTRAÇÕES HIPOTONIA UTERINA PÓS- PARTO consumo de fatores de coagulação/entrada de tromboplastina CIVD Quadro Clínico: - SANGRAMENTO VERMELHO ESCURO, SÚBITO (oculto em 20% dos casos) - DOR ABDOMINAL - HIPERTONIA UTERINA (!) (útero “lenhoso”, “bolsa tensa”) - HIPERTENSÃO ARTERIAL - SOFRIMENTO/ÓBITO FETAL AGUDO Pode haver ainda... - Hemoâmnio/Hemorragia oculta/CIVD - Pulso paradoxal de Boero (FC normal em vigência de sangramento) - Parto “em alude” (excessivamente rápido) Diagnóstico: - CLÍNICO! - USG? NÃO (atrasa a conduta) apenas se houver dúvida diagnóstica com placenta prévia! Exames Complementares: - SERVEM PARA AVALIAR A GRAVIDADE DO QUADRO! Não servem para diagnóstico! Hemograma Tipagem sanguínea Coagulograma Exames de rotina para doença hipertensiva Conduta: SEMPRE PARTO! A via depende do feto... Vivo: via mais rápida (maioria das vezes cesariana) - Se parto iminente: vaginal Morto (DPP grave): via vaginal - Se parto não iminente/demora (colo fechado): cesariana MUITO IMPORTANTE NÃO ESQUECER DE... REALIZAR AMNIOTOMIA ANTES! Reduz a compressão da cava inferior Dificulta ampliação do descolamento Melhora hipertonia, coordena contrações Identifica hemoâmnio Diminui a pressão intrauterina Diminui risco de coagulopatias Induz ou acelera o trabalho de parto Também pode ser feita antes da cesariana! Complicações: - Choque hipovolêmico - Insuficiência renal aguda - SÍNDROME DE SHEEHAN Necrose hipofisária pós-parto com amenorreia - CIVD Passagem de tromboplastina para a mãe = por isso é importante a amniotomia! - ÚTERO DE COUVELAIRE/ATONIA UTERINA Conduta é “MORREU” Massagem + Ocitócito (ocitocina > misoprostol) > Rafia de B-Lynch > Rafia de hipogástrica ou uterina > Último: histerectomia Diagnóstico Diferencial: - PLACENTA PRÉVIA! Obs: Avaliação prática de CIVD (ou qualquer coagulopatia) se não estiver disponível exames laboratoriais = colher 8ml de sangue colocar em um tubo de ensaio a 37ºC (basta apertar o tubo com as mãos fechadas) se coágulo em 10 minutos e coágulo firme por mais 15 minutos afasta coagulopatia. Dr. Emerson Batista Imagem: saudefacil.wordpress.com Imagem: Útero de Couvelaire: Um Relato de Caso | Ana Clara Hajjar Imagem: MSD Manuals 9 Placenta Prévia Conceito: - IMPLANTAÇÃO DA PLACENTE NO SEGMENTO INFERIOR DO ÚTERO CONFIRMADA APÓS 28 SEMANAS (por causa do fenômeno de migração placentária). Classificação: - MARGINAL: na margem do orifício do colo - PARCIAL: fecha parcialmente o orifício do colo - TOTAL: fecha totalmente o orifício do colo - “INSERÇÃO BAIXA”: próximo, porém sem alcançar (até 2cm) o orifício interno Fatores de Risco: - CESARIANA ANTERIOR - CIRURGIAS UTERINAS - MULTIPARIDADE - IDADE > 35 ANOS - ENDOMETRITE/CURETAGEM - GRANDE VOLUME PLACENTÁRIO (tabagismo, gemelar) Quadro Clínico: - SANGRAMENTO VERMELHO VIVO, AUTOLIMITADO - INDOLOR - INÍCIO ESPONTÂNEO + PARADA ESPONTÂNEA - RECORRENTE - SEM SOFRIMENTO FETAL OU HIPOVOLEMIA - TÔNUS UTERINO NORMAL Sangramento PROGRESSIVO, de REPETIÇÃO, ESPONTÂNEO, VERMELHO VIVO, INDOLOR e com AUSÊNCIA DE HIPERTONIA E SFA “PRÉVIA” Diagnóstico: CLÍNICO! Toque? NÃO! CONTRAINDICADO! FAZER EXAME ESPECULAR! Se não for DPP... USG! TEM QUE CONFIRMAR COM USG TRANSVAGINAL! Conduta: Hemorragia importante: parto Se gestante estável... Termo: parto Prematuro: depende do sangramento INTenso: INTerrupção EScasso: Expectante (internação + estabilização hemodinâmica + corticoide) E a via de parto? - Total: cesariana - Parcial: maioria cesariana - Marginal ou inserção baixa: avaliar parto vaginal + amniotomia Complicações: - PARTO PREMATURO - ATONIA PÓS-PARTO - APRESENTAÇÕES ANÔMALAS (maior incidência de apresentação córmica ou pélvica) - DISTÓCIA DE PARTO - PUERPÉRIO ANORMAL (hemorragia, infecção) - PENETRAÇÃO ANORMAL (acretismo placentário*) Acretismo Placentário Conceito: - ADERÊNCIA ANORMALMENTE FIRME AO ÚTERO Dificuldade de extração da placenta Invasão de estruturas adjacentes Classificação: - ACRETA: até camada esponjosa do endométrio - INCRETA: até miométrio - PERCRETA: perfura a serosa Fatores de Risco: - PLACENTAPRÉVIA - CESARIANA ANTERIOR (risco acima de 40%) Quadro Clínico: - DIFICULDADE NO DESCOLAMENTO PLACENTÁRIO - HEMORRAGIA na tentativa do secundamento - HEMATÚRIA em casos de placenta percreta pode ocorrer - ROTURA UTERINA é uma possibilidade em casos graves Diagnóstico: - Pré-natal: USG/DOPPERFLUXOMETRIA/RNM A RNM é um excelente método, mas é reservada para os casos duvidosos! - Após parto: DIFICULDADE NA EXTRAÇÃO Conduta: - Preparo pré-operatório: Orientação Cesariana eletiva Reserva de sangue - Acreta: TENTAR EXTRAÇÃO MANUAL DA PLACENTA > se não funcionar, histerectomia total - Increta/Percreta: HISTERECTOMIA TOTAL Vínculo Cerebral: Parâmetro DPP Placenta prévia Início Súbito Insidioso Hemorragia Única, oculta em 20% dos casos De repetição e visível Dor Sim Não Sangue Escuro, SÚBITO Vivo (rutilante), recorrente Sofrim. Fetal Precoce Ausente Hipertonia Típica Ausente Hipertensão Típica Rara Estado materno Anemia desproporcional Anemia proporcional Complicação Hipovolemia, CIVD Pouca repercussão Amniotomia ↓CIVD ↓Hemorragia Metrossístole Diminui sangramento Aumenta sangramento USG Dispensável Diagnóstico Imagem: ADAM Imagem: Rezende, Obstetrícia 10 Rotura Uterina Classificação: - PARCIAL OU INCOMPLETA Preserva a serosa uterina Associada à deiscência da cicatriz uterina - TOTAL OU COMPLETA Inclui a serosa Pode ser espontânea ou traumática Fatores de Risco: - CIRURGIA UTERINA PRÉVIA - TRAUMA ABDOMINAL - PARTO OBSTRUÍDO - OCITOCINA/PROSTAGLANDINA - MANOBRA DE KRISTELLER - MALFORMAÇÃO CONGÊNITA - MALFORMAÇÃO UTERINA (ex: mulleriana). Quadro Clínico: DURANTE A GRAVIDEZ: - DOR AGUDA E INTENSA/IRRITAÇÃO PERITONEAL (abdome agudo) - SANGRAMENTO ABDOMINAL/VAGINAL Essas manifestações geralmente estão associadas a situações TRAUMÁTICAS! O mais clássico é romper durante o trabalho de parto! DURANTE O PARTO (IMINÊNCIA DE ROTURA): síndrome de Bandl- Frommel - Anel separa o corpo do segmento: SINAL OU ANEL DE BANDL - Ligamentos redondos distendidos: SINAL DE FROMMEL DURANTE O PARTO (ROTURA CONSUMADA): - DOR SÚBITA E LANCICANTE (pode ser seguida por melhora súbita) - PARADA SÚBITA DA CONTRATILIDADE E TRABALHO DE PARTO - FÁCIL PERCEPÇÃO DAS PARTES FETAIS - Subida da apresentação (SINAL DE REASENS) - SINAL DE CLARK (crepitação) - CHOQUE MATERNO - BRADICARDIA/ÓBITO FETAL Conduta: - Iminência: cesariana imediata/uterolíticos - Rotura consumada: rafia uterina/histerectomia Rotura de Vasa Prévia Conceito: - TRAUMA/RUPTURA DE VASOS PRÉVIOS DESPROTEGIDOS ENTRE A APRESENTAÇÃO E O COLO (geralmente, estão inseridos na placenta de forma anômala) Fatores de Risco: - Placentas BILOBADAS, SUSCENTURIADAS, INSERÇÃO VELAMENTOSA DE CORDÃO (principal) Quadro Clínico: - SANGRAMENTO VAGINAL PÓS-AMNIORREXE - SOFRIMENTO FETAL Diagnóstico: - USG (quando possível) Conduta: - CESARIANA (eletiva, se possível; ou urgência) Rotura de Seio Marginal Conceito: - TRAUMA DA PERIFERIA DO ESPAÇO INTERVILOSO Quadro Clínico: - “PRÉVIA” + placenta NORMOINSERIDA no USG + geralmente PERIPARTO Sangramento indolor, vermelho vivo Batimento cardíaco normal Tônus normal Placenta normoinserida Diagnóstico: - É de PRESUNÇÃO! O definitivo é com HISTOPATOLÓGICO (pós-parto). Conduta: - Monitorização fetal - Acompanhamento do trabalho de parto - Bom prognóstico (sangramento geralmente discreto). PARTO VAGINAL! FIXAÇÃO DO CONTEÚDO CARACTERÍSTICAS DPP PLACENTA PRÉVIA Sangramento Escuro, súbito Vivo, recorrente Dor Sim Não Sofrimento/Óbito fetal Comum Raro Hipertonia Comum Ausente Hipertensão Comum Rara Gestante Hipovolemia, CIVD Pouca repercussão FR para Rotura Uterina Cirurgia prévia/Parto obstruído Trauma abdominal Sinais de Iminência de Rotura Bandl, Frommel Achados na Rotura Consumada Dor/Hemorragia/Bradicardia Óbito fetal Reasens Conduta Rafia Histerectomia FR para Rotura de Vasa Prévia Inserção velamentosa do cordão Quadro Clínico de Rot de Vasa Prévia Sangue vivo após amniorrexe Conduta Cesariana Quadro Clínico Rotura de Seio Marginal Sangramento indolor Sem sofrimento fetal Placenta normoinserida O prognóstico é MELHOR quando o vaso acometido é a ARTÉRIA UMBILICAL! Imagem: RMMG | A. Z. Miranda Imagens: The Open University | Google Imagens Imagem: researchgate.net 11 * AAS 60-150mg/dia (entre 12-16 semanas máximo antes de 20 semanas) até 36 semanas CÁLCIO 1,5-2g/dia (se baixa ingesta) 1º trimestre até fim da gestação PA > 140 x 90 + (repetir a medição idealmente após 4h) Proteinúria > 300mg/dia OU Relação proteinúria/creatinúria > 0,3 OU > 1 ou 2+ na fita (polêmico na literatura) 1. Distúrbios Hipertensivos Pré-eclâmpsia HAS + proteinúria > 20 semanas Eclâmpsia pré-eclâmpsia + convulsões HAS crônica HAS < 20 semanas sem proteinúria Pré-eclâmpsia sobreposta HAS agravada por pré-eclâmpsia Hipertensão gestacional HAS sem proteinúria > 20 semanas Pré-Eclâmpsia Conceito: - Surgimento de HIPERTENSÃO + PROTEINÚRIA APÓS 20 SEMANAS Fisiopatologia: Por que após 20 semanas? Normal: ocorrem ondas de invasão trofoblástica diminuindo a PA 1ª onda: 6-12 semanas 2ª onda: 16-22 semanas - NA PRÉ-ECLÂMPSIA OCORRE A AUSÊNCIA DA 2ª ONDA isquemia placentária lesão endotelial ↑ação de vasopressores, ↑tromboxano A2, ↓prostaciclina, ↓óxido nítrico vasoconstrição espasmo arteriolar e aumento de permeabilidade vascular com edema. Outras teorias... - MÁ PLACENTAÇÃO: resposta imune deficiente aos antígenos paternos - ESTRESSE OXIDATIVO: produção de radicais livres por hipóxia - SUSCETILIDADE GENÉTICA: polimorfismos genéticos Fatores de Risco: “EXPOSIÇÃO PELA 1ª VEZ (nulípara) ou EXCESSIVA ÀS VILOSIDADES” (gemelar, mola) - Risco ALTO: história pregressa de pré-eclâmpsia, obesidade, HAS crônica, DM1 e 2, doença renal, doenças autoimunes (LES, SAAF), tratamento de reprodução assistida, gestação múltipla - Risco MODERADO: gravidez prévia com eventos adversos (DPP, prematuridade e baixo peso ao nascer > 37 semanas), história familiar de pré- eclâmpsia (mãe e irmã), nuliparidade, idade materna > 35 anos, intervalo interpartal < 10 anos Quadro Clínico e Repercussões Sistêmicas: “ISQUEMIA E LESÃO ENDOTELIAL PARA TODOS OS LADOS” RIM ↓Perfusão renal, ↓TFG GLOMERULOENDOTELIOSE CAPILAR LESÃO TÍPICA! PROTEINÚRIA > 300MG/24H ELEVAÇÃO DE ÁCIDO ÚRICO (!) FÍGADO Necrose periportal hemorrágica + lesões isquêmicas ELEVAÇÃO DE TRANSMINASES + TROMBOCITOPENIA + HEMÓLISE SÍNDROME HELLP (↑transaminases + hemólise + ↓plaquetas) SISTEMA CARDIOVASCULAR/HEMATOLÓGICO ↑Permeabilidade vascular e EDEMA ↓Volume plasmático e hemoconcentração Vasoconstrição Trombocitopenia e hemólise microangiopática (HELLP) CIVD (casos graves) ENDÓCRINAS ↓Secreção de renina ↑Resposta vascular aos agentes vasopressores (pequenas doses são suficientes) SISTEMA NERVOSO CENTRAL Formação de trombos plaquetários + vasoespasmo Hemorragia ou edema cerebral CEFALEIA/TURVAÇÃO VISUAL/ESCOTOMAS CONVULSÃO “fim da linha” = eclâmpsia UTEROPLACENTÁRIAS Resistência vascular no leito placentário Infartos placentários CIUR/↑mortalidade perinatal Classificação: - PRECOCE: < 34 semanas - TARDIA: > 34 semanas Prevenção: - Apenas em pacientes de ALTO RISCO! PE em gestação anterior Lúpus, SAF, nefropatias DM1 ou DM2 HAS Gestação múltipla (*) Suspender AAS se desenvolver a pré-eclâmpsia Diagnóstico: Pode ser pré-eclâmpsia sem proteinúria? APENAS SE: - PA > 140 x 90 após 20 semanas + 1 Plaquetopenia (< 100-150.000) DHL > 600 CIVD TGO ou TGP > 40 ou ↑2x Cr > 1,0-1,2 Edema agudo de pulmão Sintomas cerebrais ou visuais ATENÇÃO! Pré-eclâmpsia com menos de 20 semanas = PENSAR EM MOLA! ATENÇÃO! Se HAS > 20 semanas SEM proteinúria e SEM as alterações citadas acima: HAS gestacional! Eclâmpsia - Pré-eclâmpsia + CRISE CONVULSIVA Pré-eclâmpsia Sobreposta- Pré-eclâmpsia + HIPERTENSÃO CRÔNICA - Consiste em uma piora da hipertensão + piora e/ou surgimento de proteinúria. Não há ponto de corte específico! Hipertensão Gestacional - PA > 140 x 90 SEM PROTEINÚRIA > 300mg/dia > 20 SEMANAS - NORMALIZA ATÉ 12 SEMANAS APÓS PARTO HAS Crônica - PA > 140 x 90 SEM PROTEINÚRIA > 300mg/dia < 20 SEMANAS Doenças Clínicas da Gravidez e Gemelaridade @ casalmedresumos Imagem: edisciplinas.usp.br 12 Se PA 140x90... HAS crônica ou pré-eclâmpsia? Classificação: Sem sinais de gravidade (“leve”): sem sinais de lesão de órgão-alvo Com sinais de gravidade (“grave”): (1) PAS > 160 OU PAD > 110 (2) EAP, cianose, dor torácica (3) Oligúria (< 500ml/24h), creatinina > 1,2mg/dl OBS: proteinúria e CIUR não são critérios de gravidade! (4) HELLP (pode ocorrer mesmo sem pré-eclâmpsia) HEMÓLISE: LDH > 600, ESQUIZÓCITO NO ESFREGAÇO (“células em capacete”), BT > 1,2, HAPTOGLOBINA < 25 ELEVAÇÃO DE ENZIMAS HEPÁTICAS: TGO > 70 TROMBOCITOPENIA: PLAQUETAS < 100.000 Por conta da hemólise, é possível que haja HEMATOMA DURANTE A CESARIANA, ROTURA HEPÁTICA e PIORA CLÍNICA-LABORATORIAL NO PUERPÉRIO IMEDIATO. (5) IMINÊNCIA DE ECLAMPSIA CEFALEIA, TORPOR, OBNUBILAÇÃO, ESCOTOMAS, TURVAÇÃO VISUAL, DIPLOPIA, EPIGASTRALGIA OU DOR EM BARRA EM HD, HIPERREFLEXIA Biomarcadores no Diagnóstico: - PLGF ISOLADO e RAZÃO S-FLT1/PLGF Ajudam no diagnóstico em casos SUSPEITOS Alteram-se antes dos exames clássicos Não devem ser feitos para confirmar o diagnóstico de PE se outros exames já estiverem alterados Não definem conduta obstétrica Não precisam ser usados em gestantes sem suspeita clínica de PE Razão < 38 = exclui o diagnóstico de PE na próxima semana Razão > 85 (< 34 sem) ou > 110 (> 34 sem): fortemente suspeito de PE PLGF isolado > 110: diagnóstico de PE Conduta: PRÉ-ECLÂMPSIA SEM SINAIS DE GRAVIDADE (“LEVE”) E HIPERTENSÃO GESTACIONAL - TERMO = PARTO - PRÉ-TERMO = EXPECTANTE ATÉ O TERMO, conforme condições maternas e fetais pesquisar sinais de gravidade e avaliar o bem-estar fetal NÃO FAZER ANTI-HIPERTENSIVO OU SULFATO DE MAGNÉSIO PARA PRÉ-ECLÂMPSIA SEM SINAIS DE GRAVIDADE! PRÉ-ECLÂMPSIA COM SINAIS DE GRAVIDADE (“GRAVE”) (1) ANTI-HIPERTENSIVOS - EVITAR ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL! - Não precisa: se PA < 160x110mmHg - Objetivo: manter PAS entre 140-155 e PAD entre 90-105 - CRISE: HIDRALAZINA 5mg IV/20 minutos NIFEDIPINA 10mg VO/30 minutos (não é sublingual!) LABETALOL 20mg I/10 minutos Obs: sulfato de magnésio + nifedipina = pode provocar ↓PA de difícil controle! - MANUTENÇÃO: METILDOPA VO > HIDRALAZINA VO > NIFEDIPINA VO - EVITAR: IECA/BRA, atenolol/propranolol (risco de CIUR) (2) PARTO/INTERRUPÇÃO DA GESTAÇÃO - < 34 semanas + estabilidade hemodinâmica: EXPECTANTE = avaliar bem-estar para corticoide; parto se piorar - > 34 semanas, deterioração clínica materna ou fetal, lesão de órgão alvo, eclâmpsia, HELLP*: PARTO APÓS ESTABILIZAÇÃO CLÍNICA (*) Na síndrome HELLP, a corticoterapia pode ser tentada para maturação pulmonar antes do parto; o uso de corticoide em altas doses é controverso. E a via de parto? PREFERENCIALMENTE VAGINAL! Avaliar sempre as condições maternas (gravidade, BISHOP) e fetais (SFA) = nesses casos, CONSIDERAR CESARIANA! Prevenção de Eclampsia e Tratamento das Convulsões: FAZER EM TODA PE COM SINAIS DE: GRAVIDADE/IMINÊNCIA/ECLAMPSIA/HELLP E HIPERTENSÃO DE DIFÍCIL CONTROLE, MESMO ASSINTOMÁTICA! - Droga de escolha: SULFATO DE MAGNÉSIO (ataque + manutenção) É SUPERIOR a qualquer benzodiazepínico nesse contexto! Pritchard - A: 4g IV + 10g IM - M: 5g IM 4/4h Zuspan - A: 4g IV - M: 1-2g/h IV BI Sibai - A: 6g IV - M: 2-3g/h IV BI Parâmetros Avaliados RISCO DE INTOXICAÇÃO POR SULFATO DE MAGNÉSIO: 3 R’s! REFLEXOS PROFUNDOS AUSENTE tem que suspender RESPIRAÇÃO (FR < 12-16) tem que suspender RINS: DIURESE (< 25ML/HORA) pode reduzir a dose Detalhe: insuficiência renal não é sinal de intoxicação por sulfato de magnésio a oligúria ou piora da função renal ocorre nos pacientes nefropatas prévios. CONTRAINDICAÇÃO: miastenia gravis USO CAUTELOSO: em nefropatas e em uso de bloqueador do canal de cálcio - INTOXICAÇÃO: SUSPENDER SULFATO DE MAGNÉSIO E APLICAR GLUCONATO DE CÁLCIO (antídoto) Complicações: - Maternas: Eclampsia DPP Insuficiência renal AVC Rotura hepática Óbito materno Amaurose... - Fetais: CIUR Centralização fetal Oligodramnia Óbito fetal... HAS CRÔNICA PRÉ-ECLÂMPSIA - > 35 anos - Multigesta - HAS em qualquer semana - Proteinúria ou não - Calciúria > 100mg/24h - Ácido úrico aumentado - PA persiste alta mesmo após o parto - Fundoscopia: lesões crônicas - < 18 e > 35 anos - Primigesta - HAS após 20 semanas - Proteinúria após 20 semanas - Calciúria < 100mg/24h - Ácido úrico normal - PA normal em 6-12 semanas de puerpério - Fundoscopia: espasmos arteriolares - Tem que decorar! - Não se esqueça de perguntar ao examinador se tem BI no hospital! - Não precisa dosar magnésio, mas a magnesemia terapêutica esperada é 4-7meq/L - Se a gestante convulsionar com o sulfato de magnésio, repetir sulfato de magnésio com metade da dose de ataque. - “Deixar gluconato de cálcio 10ml a 10% preparado na beira do leito” 13 3. Diabetes Gestacional Conceitos: - Intolerância aos carboidratos INICIADA DURANTE A GESTAÇÃO Por que na gestação? - 2ª metade da gravidez: a placenta secreta estrogênio, progesterona, cortisol e LACTOGÊNIO PLACENTÁRIO (principal hormônio contrainsulínico), que, claro, desaparece após o parto. E se já existia ANTES da gestação? - Chamamos de DIABETES PRÉ-GESTACIONAL OU PRÉVIO Fatores de Risco: - IDADE > 35 ANOS - IMC > 25 - HISTÓRIA DE DMG - HISTÓRIA FAMILIAR DE DM - MACROSSOMIA, POLIDRAMNIA - HAS, SOP Classificação de Priscila White: Relação com o PROGNÓSTICO GESTACIONAL GESTACIONAL A1 DM gestacional que não usou insulina A2 DM gestacional que usou insulina PRÉ-GESTACIONAL B < 10 anos C 10-19 anos D > 20 anos ou retinopatia ou HAS F Nefropatia R Retinopatia maligna H Coronariopatia T Transplante renal Complicações: - GESTACIONAIS: abortamento, morte fetal tardia, polidramnia, pré-eclâmpsia - FETAIS: anomalias congênitas, macrossomia, distocia de espáduas, CIUR, sofrimento fetal, prematuridade - NEONATAIS: síndrome da angústia respiratória, hipoglicemia, hipocalcemia, policitemia, hiperbilirrubinemia - Abortamento - Malformações Regressão caudal = mais específica Malformação cardíaca = mais comum SÓ DM PRÉVIO! - Macrossomia - Polidramnia - Pré-eclâmpsia - Prematuridade - Morte súbita TODOS OS DM! - MACROSSOMIA (efeito GH símile da insulina no feto), DISTÓCIA DE ESPÁDUAS*, SFA, POLIDRAMNIA (por diurese osmótica devido ao excesso de glicose) e MALFORMAÇÃO FETAL são as principais! Obs: a SÍNDROME DA REGRESSÃO CAUDAL é a malformação mais específica (mas não é a mais sensível) mais comum de ocorrer em gestantes com DM PRÉVIO! NÃO ESQUEÇA! DM gestacional não faz malformação (já passou do momento da morfogênese) (*) DISTÓCIA DE ESPÁDUAS - 1ª conduta: CHAMAR AJUDA! - Manobras: MCROBERTS + PRESSÃO SUPRAPÚBICA/RUBIN I (foto abaixo). Segunda linha: WOODS/RUBIN II, JACQUEMIER, GASKIN, ZAVANELLI - Não fazer: KRISTELLER, TRAÇÃO CERVICAL Diagnóstico: IADPSG/ADA/OMS/MS ATENÇÃO! - OMS e MS NÃO CONSIDERAM HB GLICADA DETALHE DO PROTOCOLO DO MS - GJ > 126 EM QUALQUER MOMENTO DA GESTAÇÃO: DM PRÉVIO - TOTG > 200 EM QUALQUER MOMENTO DA GESTAÇÃO: DM PRÉVIO - SE PRÉ-NATAL COMEÇAR ENTRE 20-28 SEMANAS: INICIAR O PROTOCOLO COM TOTG75G ENTRE 24-28 SEMANAS - SE PRÉ-NATAL COMEÇAR APÓS 28 SEMANAS: TOTG IMEDIATAMENTE - Se não houver disponibilidade técnica ou financeira para TOTG: GJ entre 24-28 semanas Glicemia de Jejum (1ª consulta de pré-natal) Entre 92-125 (confirmada) Menor que 92 > 126 ou HbA1C > 6,5% ou TOTG > 200 ou Randômica > 200 DG (menos ADA) TOTG 24-28 semanas DMpré- gestacional GJ > 92 ou G1h > 180 ou G2h > 153 = DG Imagem: Advanced Practice Strategies 14 Se faz uso de MEDICAÇÃO VIA ORAL ANTIDIABÉTICA, acrescentar pré-almoço e pré-jantar PARTICULARIDADES EXAMES X PROTOCOLOS GLICEMIA DE JEJUM (IADPSG/OMS/MS): Diagnóstico de DG (92-125mg/dl) Diagnóstico de DM prévio (> 126mg/dl) HEMOGLOBINA GLICADA (IADPSG/ADA): Diagnóstico de DM prévio (> 6,5%) TESTE DE TOLERÂNCIA ORAL A GLICOSE 50G Rastreamento de DG (ADA 2006, ACOG) TESTE DE TOLERÂNCIA ORAL A GLICOSE 75G Diagnóstico de DG e DM prévio (IADPSG/ADA/OMS/MS) (!) TESTE DE TOLERÂNCIA ORAL A GLICOSE 100G Diagnóstico de DG (ADA 2006, ACOG) Controle Glicêmico PRÉ-CONCEPCIONAL - Reduz o risco de abortamento e malformações - Manter hemoglobina glicada < 6% Tratamento: DM Gestacional: - MEV: DIETA FRACIONADA + ATIVIDADE FÍSICA + CONTROLE GLICÊMICO 6 refeições: 50% carbo | 30% lipídios | 20% proteínas 20-30 minutos/dia de exercício físico (caminhada, natação, yoga pilates...), pela “maioria dos dias” Manter ganho de peso de acordo com o IMC: 12,5-18kg (se < 18,5); 11,5-16kg (se 18,5-24,9); 7-11,5kg (se 25-29,9); 5-9kg (se > 30) Até 60% das gestantes conseguem o controle glicêmico somente com MEV! Manter por pelo menos 2 semanas e depois avaliar a resposta com perfil glicêmico! - Perfil glicêmico: JEJUM, PÓS-CAFÉ, PÓS-ALMOÇO, PÓS-JANTAR. Alvos: Jejum: < 95 Após 1h: < 140 Após 2h: < 120 - Se não conseguir atingir os alvos com MEV: INSULINA Dose inicial: NPH 0,5U/Kg (2/3 manhã, 1/3 noite) NPH/Regular - Hipoglicemiantes orais: SÓ METFORMINA E EXCEPCIONALMENTE! Antigamente, meio que “NUNCA” se fazia. Atualmente, o MS cita que a Metformina é uma OPÇÃO TERAPÊUTICA, principalmente quando complementar a insulina em doses altas (> 100U) ou quando o a paciente não tolera a insulinoterapia. DM Prévio: - Antidiabéticos orais: SÓ METFORMINA E EXCEPCIONALMENTE! - Se já usava insulina: 1º trimestre/pós-parto: geralmente se DIMINUI A DOSE (paciente não come, tem náuseas, vômitos) 2º/3º trimestre: geralmente se AUMENTA A DOSE (aumento da produção de lactogênio placentário na 2ª metade) ATENÇÃO! Se começar a fazer hipoglicemia no 3º trimestre: pensar em INSUFICIÊNCIA PLACENTÁRIA! E o parto? - A VIA É OBSTÉTRICA! Se peso 4-4,5kg: considerar CESARIANA Se tratamento com dieta: aguardar até 39-40 semanas Se tratamento com insulina: antecipação com 38-39 semanas E o pós-parto? - Se início de insulina na gestação: SUSPENDER A INSULINA Novo TOTG75 entre 6-12 semanas após Pode reiniciar dieta NORMALMENTE, se DM gestacional (o motivo era o lactogênio placentário, que não existe mais pode comer sem maiores restrições) Reiniciar hipoglicemiante oral, se DM2 prévio - Se utilizava insulina antes da gestação: RETORNAR À DOSE DE ANTES DA GESTAÇÃO OU ½ a 1/3 DA DOSE DO FIM DA GRAVIDEZ - Se o DM foi diagnosticado na gestação: Individualizar o tratamento de acordo com HGT pós-parto 4. Gemelaridade Classificação: Número de ovos fertilizados/Zigotia - MONOZIGÓTICA: um óvulo fecundado (gêmeos idênticos). - DIZIGÓTICA: dois óvulos fecundados Número de placentas/Corionicidade - MONOCORIÔNICA: uma placenta (> risco). - DICORIÔNICA: placentas diferentes Obs: se a banca citar “dois sacos gestacionais” ou “sexo diferente”, trata-se de gestação gemelar dicoriônica! Número de cavidades amnióticas/Amniocidade - MONOAMNIÓTICA: uma cavidade. - DIAMNIÓTICA: cavidades diferentes Imagem: fetalmed.net Imagem: Google Imagens 15 Fatores de Risco: - HISTÓRIA FAMILIAR, RAÇA NEGRA, IDADE (ATÉ 37 ANOS), MULTIPARIDADE gêmeos DIZIGÓTICOS - TÉCNICAS DE FERTILIZAÇÃO, INDUÇÃO DA OVULAÇÃO, REPRODUÇÃO ASSISTIDA gêmeos MONO e DIZIGÓTICOS Diagnóstico: - USG = identifica CORIONICIDADE e AMNIOCIDADE! E a zigotia? - DIZIGÓTICO: se sexo discordante e placenta dicoriônica - MONOZIGÓTICO: se placenta monocoriônica O que define a corionicidade e a amniocidade? - SE DIZIGÓTICA: SEMPRE DICORIÔNICA E DIAMNIÓTICA (2/3 dos casos) - SE MONOZIGÓTICA: DEPENDE do momento da divisão do zigoto! (1/3) Até 72h: dicoriônica e diamniótica (30%) Entre 4º-8º dia: monocoriônica diamniótica (70%) +complica! Entre 8º-12º dia: monocoriônica monoamniótica (< 1%) Após 12º dia: gemelaridade imperfeita/siameses O que ver no USG? - SACO GESTACIONAL: cada saco gestacional vira uma placenta. Se dois SG, duas placentas; se um SG, uma placenta - SEXOS DIFERENTES: se dizigótica, é dicoriônica e diamniótica - DUAS PLACENTAS: se é dicoriônica, é diamniótica - SINAL DO Y/LAMBA/TWIN PEAK: DICORIÔNICA - SINAL DO T: MONOCORIÔNICA Complicações Gerais: PREMATURIDADE (30%) ABORTAMENTO, MALFORMAÇÕES PRÉ-ECLÂMPSIA HEMORRAGIA PÓS-PARTO DIABETES GESTACIONAL CIUR PLACENTA PRÉVIA Complicações Específicas (Monocoriônicas): MORTE UNIFETAL ENTRELAÇAMENTO DE CORDÃO UMBILICAL GÊMEOS CONJUGADOS GÊMEO ACÁRDICO (G1 transfunde sangue desoxigenado para G2) SÍNDROME DE TRANSFUSÃO FETO-FETAL (*) Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (monocoriônica diamniótica) Causa: - ANASTOMOSES PLACENTÁRIAS ARTERIOVENOSAS ENTRE OS CORDÕES UMBILICAIS Critério OBRIGATÓRIO: OLIGODRAMNIA (MBV < 2 no doador) POLIDRAMNIA (MBV > 8 no receptor) Então... - Feto DOADOR: PALIDEZ, OLIGODRAMNIA, HIPOVOLEMIA, CIUR - Feto RECEPTOR: POLIDRAMNIA, HIPERVOLEMIA, HIDROPSIA, POLIÚRIA Achado mais importante: DISCREPÂNCIA DOS BOLSÕES AMNIÓTICOS. Ou seja, os critérios mais importantes para definirmos a síndrome de transfusão feto-fetal é a OLIGODRAMNIA do doador e a POLIDRAMNIA do receptor! Tratamento: - AMNIOCENTESE SERIADA (casos + leves) ou - FOTOCOAGULAÇÃO COM LASER (casos + graves) E a via de parto? DEPENDE DA APRESENTAÇÃO E DO PESO FETAL! - Cefálico/Cefálico: VAGINAL - 1º feto não cefálico: CESARIANA - 1º Cefálico/2º Não-cefálico e ≠peso < 20-25%: VAGINAL - 1º Cefálico/2º Não-cefálico e ≠peso > 20-25%: CESARIANA Imagem: clinicafmfla.com.br Imagem: gestarcmf.com.br Imagem: fetalmed.net 16 6. Doenças da Tireoide Hipotireoidismo Fisiologia: - QUEDA DO TSH NO INÍCIO DA GRAVIDEZ O TSH se comparta de forma SEMELHANTE AO HCG PLACENTÁRIO! O T4 livre, por sua vez, tente a se manter normal. - AUMENTO DE TBG, T4 E T3 TOTAIS Perceba que são as formas totais! As formas livres permanecem iguais! Conceitos: - A causa mais comum é a TIREOIDIDE DE HASHIMOTO - Possui algumas complicações associadas à gestação... Abortamento Pré-eclâmpsia DPP Prematuridade DÉFICIT COGNITIVO: as primeiras semanas fetais PRECISAM do eixo tireoidiano da gestante normal, pois sua tireoide não está bem formada. Existe uma polêmica na literatura se o HIPOTIREOIDISMO SUBCLÍNICO é capaz de gerar déficit cognitivo. De qualquer forma, o MS e a FEBRASGO, pode exemplo, recomenda o tratamento. Diagnóstico: - CLÍNICA + LABORATÓRIO (TSH, T4 livre e anti-TPO) Os achados clínicos da gestação podem confundir no diagnóstico e por isso os exames complementares são importantes! Tratamento: - LEVOTIROXINA ALVO: manter TSH < 2,5 PÓS-PARTO: dosar TSH 6-8 semanas depois Hipertireoidismo Conceitos: - A causa mais comum é a DOENÇA DE GRAVES - Também possui complicações associadas a gestação! Abortamento Pré-eclâmpsia Prematuridade Crise tireotóxica Hipertireoidismo fetal Diagnóstico: - TSH abaixo do valor de referência Tratamento: É a parte mais importante, porque na gestação existe uma peculiaridade! - 1º TRIMESTRE: PTU (PROPILTIOURACIL) associação com HEPATITE FULMINANTE - 2º/3º TRIMESTRE: METIMAZOL (MMZ) associação com APLASIA CÚTIS, ATRESIA ANAL OU ESOFAGIANA quando usado no 1º trimestre - TIREOIDECTOMIA: se contraindicação ao uso de PTU/MMZ - IODO RADIOATIVO: contraindicado na gravidez! 7. Doenças Reumatológicas Lúpus Conceitos: - DOENÇA AUTOIMUME COM RESPOSTA TH2 A gestação também tende a ter uma resposta TH2 e, por isso é possível que haja a “ativação” do lúpus nesse contexto. Algo diferenteocorre na artrite reumatoide, que tem resposta TH1 nesses casos, ocorre a melhora do quadro clínico na gestação. Prognóstico: - Qualquer uma das abaixo confere pior prognóstico a gestante! Atividade da doença na concepção História de nefrite Presença de SAF Pré-eclâmpsia Presença de anti-RO/anti-LA Lúpus Neonatal - Muito relacionado ao BAV CONGÊNITO Pode ser de qualquer grau! Ocorre em 3% das gestantes portadoras de anti-RO BETAMETASONA: reduz a inflamação, pode ser utilizado principalmente se for BAV de 2º grau, para evitar a progressão para o de 3º) MARCA-PASSO PÓS-PARTO: é o tratamento definitivo. Lúpus Cutâneo Neonatal - O neonato apresenta características clínicas semelhantes à mãe! Rash malar, fotossensibilidade... Trombocitopenia e leucopenia... Entenda! Ninguém nasce com lúpus! Isso foi apenas o anti-RO que passou pela placenta e gerou essas manifestações! Aproximadamente 3 meses depois, o baço da criança “expulsa” o anti-RO. - Aqui, portanto, o quadro é AUTOLIMITADO! Ativação do Lúpus na Gravidez Quando pensar? QUEDA DO COMPLEMENTO (C3, C4, CH50) a gravidez tende a aumentar o complemento! Então, mesmo com complemento normal, não podemos excluir atividade/ativação de doença! ANTI-DNA POSITIVO HEMATÚRIA DISMÓRFICA AUSÊNCIA DE HIPERTENSÃO ARTERIAL lembre que hipertensão + proteinúria após 20 semanas = pré-eclâmpsia. Se a gestante tiver somente proteinúria, o lúpus pode ser o culpado. Tem que ficar atento! Tratamento: - HIDROXICLOROQUINA! Deve ser mantida! E, se não faz uso, tem que começar a usar! Vários trabalhos comprovam a redução da atividade da doença, redução da pré-eclâmpsia e redução do risco de CIUR na gestante! - CORTICOIDE (PREDNISONA) Pode usar “à vontade”. Prednisona e Metilprednisolona não atravessam a placenta, diferente de Betametasona e Dexametasona. - AZATIOPRINA É o imunossupressor escolhido para as formas graves da doença! - NÃO PODE: CICLOFOSFAMIDA, MICOFENOLATO SAF É a que mais costuma cair em prova! Já vimos no resumo de abortamento! 17 8. Cardiopatias Conceitos: - A forma mais frequente é LESÃO REUMÁTICA - Risco de DESCOMPENSAÇÃO é PROGRESSIVO ao longo da gravidez, por conta da sobrecarga de volume Fisiologia: - Ponta do coração fica situada no 4º EIC - Bulhas cardíacas que podem aparecer: Desdobramento de B1 Acentuação de B2/B3 B4 menos audível - Sopro de ejeção pulmonar e sopro sistólico na ponta podem ocorrer Os sopros diastólicos, por sua vez, não são fisiológicos e devem ser investigados! Clínica: - Achados SEMELHANTES A NÃO GESTANTE: dispneia, edema MMII, etc Classificação: De acordo com o risco de mortalidade materna! BAIXO RISCO MÉDIO RISCO ALTO RISCO (!!) - Prolapso de válvula mitral - Estenose pulmonar leve - Arritmias - Tetralogia de Fallot corrigida - Defeito de septo atrial ou ventricular - Estenose aórtica - Estenose mitral leve - Prótese metálica - Cardiopatia congênita com repercussão - Coarctação de aorta - HA pulmonar - Síndrome de Marfan (aorta < 4,5cm) - Disfunção grave de VE - Estenose mitral ou aórtica grave - NYHA III e IV - Cardiomiopatia periparto (!) Nessas condições de alto risco, podemos considerar a INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GESTAÇÃO, por se tratar de condições que podem levar a gestante ao óbito. Doenças Valvares - Lesões REGURGITANTES/INSUFICIÊNCIAS: sem complicações - Lesões ESTENÓTICAS: pioram, devido ao ↑DC/FC pacientes com lesões estenóticas lidam mal com o aumento de volume, que é justamente o que ocorre na gestação. - Como manejar? ESTENOSE MITRAL: controle da FC com betabloqueadores, valvuloplastia por balão se área > 1-1,2cm² ESTENOSE AÓRTICA: considerar intervenção se área < 1cm² Síndrome de Marfan - Consiste em uma fragilidade do tecido conjuntivo, com ANOMALIA DA CAMADA MÉDIA DA AORTA, gerando RISCO DE DISSECÇÃO E RUPTURA DE ANEURISMA. - Como manejar? DILATAÇÃO DO ARCO AÓRTICO < 4-4,5CM indica RISCO DE RUPTURA! A via de parto é CESARIANA! É uma das poucas indicações em que a via de parto não é obstétrica! Aqui se faz por conta do risco de ruptura! Conduta Geral: - Tratar precocemente situações de descompensação da doença de base - Ecocardiografia fetal = indicada para as gestantes com história de cardiopatia congênita - NÃO UTILIZAR: IECA = associado a agenesia renal - EVITAR: DIURÉTICOS = somente se muito necessário - SE PARTO PREMATURO: NÃO UTILIZAR BETAMIMÉTICOS E NIFEDIPINA. Optar pelo Atosiban! - A VIA DE PARTO MAIS SEGURA é a VAGINAL! Marfan é exceção! - ANALGESIA DE PARTO E FÓRCIPE DE ALÍVIO para evitar sobrecarga cardíaca são possibilidades! 9. Doenças Hepáticas Hepatite B Risco de Transmissão Vertical: - SE HBEAG POSITIVO: 70-100% - SE HBEAG NEGATIVO: 5-30% Manejo no Pré-Natal: - SE ANTI-HBSAG NEGATIVO Vacinar | Imunoglobulina se houver exposição - SE HBSAG POSITIVO TENOFOVIR ENTRE 28-32 SEMANAS, se: HBeAg positivo ou Carga viral > 200.000 ou ALT > 2x limite superior da normalidade NÃO SUSPENDER APÓS A GRAVIDEZ! Encaminhar ao infectologista/especialista, pois há relatos de piora da doença após a suspensão! Manejo no Parto/Puerpério: - VIA DE PARTO OBSTÉTRICA + AMAMENTAÇÃO LIBERADA! Manejo no RN: - VACINAR ainda na SALA DE PARTO (0, 2, 4, 6 meses) - SE GESTANTE HBSAG: + IMUNOGLOBULINA na sala de parto Hepatite C Conceitos: - Não possui profilaxia para transmissão vertical (rara de acontecer) - Não é permitido utilizar tratamento habitual na gravidez! - Parto via indicação obstétrica, sem contraindicação à amamentação Esteatose Hepática Aguda da Gestação Conceitos: - Acúmulo de gordura no fígado materno por DEFEITO ENZIMÁTICO NO FETO (DEFICIÊNCIA DE LCHAD). ↑MORTALIDADE materna e fetal. Quadro Clínico: - NÁUSEAS, VÔMITOS, DOR NO HCD + ICTERÍCIA NO 3º TRIMESTRE Laboratório: - ELEVAÇÃO DE BD, TGO/TGP, LEUCOCITOSE - HIPOGLICEMIA GRAVE, ↑PTT - HIPERURICEMIA/HIPOFIBROGENEMIA Diagnósticos Diferenciais: - HELLP, HEPATITES VIRAIS E HIPERÊMESE GRAVÍDICA Obs: a principal causa de icterícia na gestação é hepatite viral! LABORATÓRIO HELLP EH AGUDA Transaminases ↑ ↑ Bilirrubina indireta Direta Hipoglicemia Não Grave Hemólise Sim Não Plaquetopenia Sim Não Coagulopatia Não Sim Complicações: - INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA E RENAL Tratamento: - PARTO! Principal causa de óbito materno: ACIDOSE Colestase Gestacional - Forma REVERSÍVEL de colestase (associação com estrogênio) - Surge no 3º TRIMESTRE - Pode complicar com MORTE SÚBITA INTRAÚTERO - Achados: PRURIDO (tronco, palma, planta) MAIS COMUM A NOITE é o principal achado. ICTERÍCIA pode ocorrer em 20-30% dos casos. - Diagnóstico: ↑ÁC. BILIARES (+ importante), ↑discreto de BD, TGO/TGP - Tratamento: ÁCIDO URSADESOXICÓLICO (estudos recentes questionam seu benefício atual) + PARTO COM 38 SEMANAS. Possui alto risco de recorrência em gestações futuras. 18 10. Infecção Urinária Conceitos: - A gestação favorece infecções urinárias por inúmeros motivos! Estase urinária Aumento de produção de urina Glicosúria Aminoacidúria - Nesse contexto, há risco maior de: Pielonefrite Trabalho de parto prematuro Amniorrexe prematura Restrição de crescimento Diagnóstico: Bacteriúria Assintomática Contagem de colônias > 105 UFC/ml Gestante assintomática Cistite Dor pélvica, estrangúria, disúria Pielonefrite FEBRE, calafrios, dor lombar + sintomas urinários Tratamento: - BACTERIÚRIA ASSINTOMÁTICA OU CISTITE: NITROFURANTOÍNA, AMPICILINA, CEFALEXINA, FOSFOMICINA + urocultura de controle - PIELONEFRITE: INTERNAÇÃO É OBRIGATÓRIA + CEFTRIAXONE, CEFAZOLINA OU CEFALOTINA, GENTAMICIN + AMPICILINA Tratamento por pelo menos 48h parenteral e, se 72h afebril, pode complementar por via ambulatorial. - ANTIBIOTICOTERAPIA SUPRESSIVA: indicada se UM EPISÓDIO DE PIELONEFRITE OU DOIS EPISÓDIOS DE CISTITE, com medicações VO em dose reduzida (exemplo: nitrofurantoína 100mg/noite diariamente) 11. COVID-19 Conceitos: - A maior parte das gestantesevolui com quadros LEVES-MODERADOS - Necessidade suporte ventilatório e UTI estimado em 1-5% dos casos - Transmissão VERTICAL É INCOMUM! - Transmissão pelo ALEITAMENTO É DESCONHECIDA! Possíveis Complicações Associadas à Gestação: São eventos questionáveis! Estudos estão em andamento! - Eventos tromboembólicos - Parto prematuro - Cesariana - CIUR diante do risco é necessário USG MENSAL APÓS EPISÓDIO DE COVID- 19 NA GESTAÇÃO. Mesmo assim, ainda não temos relatos de malformação ou abortamento relacionados. Vacinação: - MS RECOMENDA VACINAR GESTANTES E PUÉRPERAS - PFIZER E SINOVAC: PERMITIDAS, EM QUALQUER TRIMESTRE - ASTRAZENECA/JANSEN: CONTRAINDICADAS (relatos de SÍNDROME DE TROMBOSE E TROMBOCITOPENIA [TSS]) Mais detalhes de COVID-19 no resumo de “especialidades”! Conduta: - Casos LEVES: suporte clínica + avaliação fetal a partir de 28 semanas - SRAG: depende... < 24 semanas: priorizar bem-estar materno > 24 semanas: “interromper se houver alteração da vitalidade fetal ou benefício para ventilação” - O MS também recomenda OSELTAMIVIR NAS PRIMEIRAS 48H DE SINTOMAS, pela possibilidade de infecção por H1N1. - PÓS-PARTO: ALEITAMENTO NORMAL, MÁSCARA, DISTÂNCIA 1,5 METROS ENTRE O LEITO E O BERÇO 12. HIV x Gestação Fatores relacionados com a transmissão vertical: - VIRAIS (carga viral indetectável praticamente anula a chance de transmissão) - MATERNOS (outras IST concomitantes aumentam chance de transmissão) - COMPORTAMENTAIS (má adesão ao tratamento/múltiplos parceiros) - OBSTÉTRICOS (bolsa rota prolongada aumenta chance de transmissão e cesariana reduz) - RECÉM-NASCIDO (prematuridade) - ALEITAMENTO (uma das formas de transmissão) Rastreamento: - Quando realizar testagem para HIV? PRÉ-NATAL: 1ª consulta (idealmente no 1º trimestre) e início do 3º trimestre (28ª semana) MATERNIDADE: momento do parto Sempre que houver história de EXPOSIÇÃO DE RISCO/VIOLÊNCIA SEXUAL Exames Laboratoriais Específicos: - Quando solicitar? CD4: 1º trimestre e 34ª semana CARGA VIRAL: 1º trimestre e 34ª semana, 4 semanas após troca de TARV GENOTIPAGEM: antes do início da TARV, em uso de TARV com CV detectável Outros Laboratoriais Importantes: - Anti-HAV/HCV - Colpocitologia oncótica (CD4 < 200 deve coletar 6/6 meses) - Swab para GBS - PPD na primeira consulta, assintomática e sem TB TARV: - SEMPRE 3 ANTIRRETROVIRAIS! Sempre coletar genotipagem pré-tratamento, se possível, mas não atrasar o tratamento! Iniciar o mais rápido possível, mas esclarecer para a gestante que não há dados de segurança para uso no 1º trimestre - Esquema preferencial: TENOFOVIR + LAMIVUDINA + DOLUTEGRAVIR - Se já engravidou em uso de outro esquema de TARV e está com CV INDETECTÁVEL: MANTER ESQUEMA EM USO - Se já engravidou em uso de outro esquema de TARV, mas está com CV DETECTÁVEL: AVALIAR ADESÃO. SE FOR O CASO, TROCAR TARV E SOLICITAR GENOTIPAGEM Via de Parto: - DEPENDE DA CARGA VIRAL COM 34 SEMANAS! SE DESCONHECIDA OU > 1.000 CÓPIAS/ML: CESARIANA ELETIVA (38ª SEMANA) + AZT IV NO PARTO (até 4cm de dilatação ainda se encaixa para cesariana eletiva) SE < 1.000 CÓPIAS/ML: PARTO VAGINAL + AZT IV NO PARTO SE INDETECTÁVEL: PARTO VAGINAL, SEM NECESSIDADE DE AZT PERCEBA! O QUE DEFINE A VIA DE PARTO É A CARGA VIRAL! NÃO É O CD4! PERCEBA QUE O AZT INTRAPARTO NÃO É NECESSÁRIO SE A CARGA VIRAL FOR INDETECTÁVEL! Cuidados no Parto/Puerpério: - CLAMPEAMENTO IMEDIATO DO CORDÃO - EVITAR O PARTO INSTRUMENTALIZADO (fórcipe, vácuo-extrator se porventura precisar de algum, optar pelo fórcipe) - EVITAR AMNIOTOMIA E EPISIOTOMIA - NÃO AMAMENTAR! Inibir a lactação com CABERGOLINA 1mg VO - Enfaixamento das mamas apenas se não houver métodos farmacológicos - MANTER A TARV APÓS O PARTO! 19 FIXAÇÃO DE CONTEÚDO PRÉ-ECLÂMPSIA Quando ocorre 2ª onda 16-20 semanas Alterações fisiopatológicas básicas Isquemia Ativação endotelial Lesão renal característica Endoteliose capilar glomerular Diagnóstico de PE HAS + proteinúria após 20 semanas Iminência de eclampsia Distúrbios cerebrais Distúrbios visuais Dor epigástrica Tratamento da PE leve Parto no termo Anti-HAS de escolha na PE grave Hidralazina Nifedipina Parâmetros no uso de sulfato de magnésio Reflexo patelar profundo Frequência respiratória Diurese Momento do parto na PE grave > 34 semanas Lesão de órgão-alvo Eclâmpsia Síndrome HELLP DIABETES Principal hormônio na fisiopatologia Lactogênio placentário Resultado desse hormônio Resistência insulínica Valores do TOTG75g 92-180-153 Base do tratamento Dieta + exercícios Se não funcionar? Insulina Complicações só do DM prévio Aborto Malformações GEMELARIDADE Parâmetro mais importante Corionicidade Alguns fatores de risco Reprodução assistida História familiar Tipo de gestação quando dividida entre 4º-8º dia Monocoriônica Diamniótica Sinal do Lambda Dicoriônica Principal complicação monocoriônica Síndrome de transfusão feto-fetal Tratamento Laser Amniodrenagem HIPOTIREOIDISMO/HASHIMOTO Achado + relevante de prova Déficit cognitivo TSH Manter < 2,5 Tratar TSH > 4, independente de anti-TPO TSH > 2,5 com anti-TPO positivo CARDIOPATIAS Principal Sequela Reumática Alto Risco Pode interromper gestação Lesões regurgitantes Sem complicações Lesões estenóticas Com complicações Se parto prematuro Atosiban! LÚPUS Principal complicação em prova BAV congênito Lúpus cutâneo (autolimitado) Não pode Ciclofosfamida, Micofenolato HEPATITE B Tenofovir 28-32 semanas, se: - HBeAg positivo ou - Carga viral > 200.000 ou - ALT > 2x limite superior da normalidade 20 1. Sofrimento Fetal AGUDO Perda súbita de oxigênio Principalmente durante trabalho de parto CRÔNICO Perda progressiva de oxigênio Principalmente em pré-natal de alto risco Sofrimento Fetal Agudo Fisiopatologia: - Associada ao TRABALHO DE PARTO! - Ocorre hipóxia, acidose e hipercapnia - Fatores relacionados: PAM materna e resistência dos vasos uterinos Causas: - HIPERATIVIDADE UTERINA - HIPOTENSÃO MATERNA - GESTAÇÃO DE ALTO RISCO - ACIDENTES COM O CORDÃO UMBILICAL - PARTO PROLONGADO - AMNIORREXE PREMATURA Diagnóstico: MOVIMENTAÇÃO FETAL: - Anormal: menos de 5-10x em 1 hora - Influenciado por sono, drogas, hipóxia - Fácil, sem custo MICROANÁLISE DE SANGUE FETAL: - pH a partir de microgota de sangue > 7,25: normal 7,2-7,25: repetir em 30 minutos < 7,20: comprometimento fetal - Desuso: já foi padrão-ouro ELIMINAÇÃO DE MECÔNIO: - Representa o relaxamento do esfíncter anal - Pode ser um sinal de hipóxia, mas pode representar apenas uma maturação gastrointestinal (ou seja, pode ou não ser sinal de sofrimento fetal outras variáveis devem ser analisadas) AVALIAÇÃO DA FREQUÊNCIA CARDÍACA FETAL: (método + utilizado avalia indiretamente o sistema nervoso autônomo) Entendendo a fisiologia... Interação do SNA (Sistema Nervoso Autônomo) - Parassimpático: nervo vago bradicardia - Simpático: noradrenalina aumento da frequência cardíaca Sequência de eventos: - Hipóxia perda do estímulo simpático perda das acelerações perda da variabilidade bradicardia e desacelerações tardias perda dos movimentos, respiração e tônus fetal E como avaliar a frequência cardíaca fetal? 1. Ausculta Fetal Intermitente - Durante a contração e pelo menos 30 segundos após. GESTAÇÃO DE BAIXO RISCO: - A cada 30 minutos na fase ativa - A cada 15 minutos no período expulsivo GESTAÇÃO DE ALTO RISCO: - A cada 15 minutos na fase ativa - A cada 5 minutos no período expulsivo 2. Cardiotocografia Avalia BCF x contração uterina x movimentação fetal Não é rotina no baixo risco (!) Reduz risco de convulsão neonatal Aumenta taxa de cesariana, por conta de resultados falso positivos Linha de base: BCF médio em 10 minutos - Normal: entre 110-160bpm - Taquicardia: > 160bpm - Bradicardia: < 110bpm Variabilidade: diferença entre o maior e menor BCF - Moderada/normal: 6-25 - Acentuada: > 25 - Mínima: < 5 Acelerações: aumentosde 15bpm por 15 segundos - Feto reativo: 2 acelerações de 15 batimentos em 20 minutos Desacelerações: - Quedas transitórias na frequência cardíaca fetal - DIP I ou Cefálico ou Precoce = estímulo vagal DIP coincide com a contração Compressão cefálica Sofrimento Fetal e Puerpério @ casalmedresumos 21 - DIP II ou Placentário ou Tardio: DIP após a contração Asfixia (SFA) - DIP III ou Umbilical ou Variável DIP VARIÁVEL em relação à contração Compressão funicular (*) DIP III DESFAVORÁVEL: NÃO ESQUEÇA! Classificação: CATEGORIA I “Bem estar” Linha de base entre 110 – 160bpm Sem DIP II ou III Variabilidade normal/moderada Com/sem DIP I ou aceleração CATEGORIA II Fica entre I e III “Meio-termo” (o que não for I ou III) CATEGORIA III Sem variabilidade + DIP II recorrente/DIP III recorrente ou Bradicardia mantida Padrão sinusoidal Conduta: CATEGORIA I - Conduta de ROTINA! 1º estágio: reavaliar 30/30 minutos 2º estágio: reavaliar 15/15 minutos CATEGORIA II - Aceleração presente + variabilidade moderada (6-25bpm) Continuar avaliação + AVENTAR POSSÍVEL PARTO - Aceleração ausente + variabilidade ausente/mínima (< 5bpm) REANIMAÇÃO INTRAUTERINA Se não melhorar: PARTO CATEGORIA III - REANIMAÇÃO INTRAUTERINA Se não melhorar: PARTO Reanimação Intrauterina Promover a oxigenação e melhorar o fluxo uteroplacentário Reduzir a atividade uterina Avaliar a compressão umbilical Alterações na FCF - Desacelerações tardias repetidas - Desacelerações prolongadas ou bradicardia - Variabilidade ausente Alterações na FCF - Taquissistolia com categoria II/III Alterações na FCF - Desacelerações varáveis repetidas - Desacelerações prolongadas ou bradicardia Medidas: - Decúbito lateral esquerdo - Oxigenação - Ringer lactato 500ml bolus IV - Reduzir frequências das contrações Medidas: - Descontinuar ocitocina ou misoprostol - Tocolítico (terbutalina SC) - Decúbito lateral esquerdo - Ringer lactato 500ml bolus IV Medidas: - Reposicionamento materno - Amnioinfusão - Elevação da apresentação fetal aguardando a cesárea (prolapso do cordão) PERCEBA! - DIP I e III: não é sofrimento fetal! ACOMPANHAR O TRABALHO DE PARTO! - DIP II e III desfavorável*: PARTO (VIA + RÁPIDA)! Imagem: sanarmed.com 22 Sofrimento Fetal Crônico Conceitos: - ALTERAÇÕES CRÔNICAS NO FLUXO PLACENTÁRIO! - Agressão lenta, durante semanas-meses Quadro Clínico: - CIUR (Crescimento Intrauterino Restrito) - OLIGODRAMNIA - ALTERAÇÕES NA DOPPLERFLUXOMETRIA Fatores de Risco: - VASCULOPATIAS/LES/SAF - TABAGISMO/USO DE DROGAS - PÓS-MATURIDADE - INFECÇÕES CONGÊNITAS/DHPN - GESTAÇÃO GEMELAR - INSUFICIÊNCIA PLACENTÁRIA/PLACENTA PRÉVIA - IDADE AVANÇADA CIUR Conceitos: - PESO < P10 PARA A IDADE GESTACIONAL Causas: - Doenças maternas: VASCULOPATIAS, TABAGISMO, USO DE DROGAS - Doenças da placenta: PLACENTA PRÉVIA, INFARTO PLACENTÁRIO - Doenças fetais: INFECÇÕES CONGÊNITAS, ANEUPLOIDIAS Diagnóstico: 1º PASSO: CALCULAR CORRETAMENTE A IG (a forma mais confiável é a USG entre 6-12 semanas no 1º trimestre de gestação) (1) FUNDO UTERINO: concorda com a IG entre 18 e 30 semanas! Alteração na medida indica USG! Se 3cm menor nesse período: SUGERE CIUR. É um método de RASTREAMENTO! (2) ULTRASSONOGRAFIA (USG): Se PFE inferior ao percentil 10 para IG: CONFIRMA CIUR. O peso fetal é estimado (PFE) via USG através dos seguintes parâmetros: diâmetro biparietal/circunferência cefálica, circunferência abdominal e comprimento do fêmur. Marcador + sensível de CIUR: CIRCUNFERÊNCIA ABDOMINAL Classificação: CIUR SIMÉTRICO (OU TIPO 1) 5-10% dos casos Agressão no início/1º-2º TRIMESTRE da gravidez (HIPERPLASIA CELULAR) “Simetricamente pequeno”: RELAÇÃO CIRCUNFERÊNCIA CEFÁLICA VS CIRCUNFERÊNCIA ABDOMINAL MANTIDA Causas: infecções congênitas, aneuploidias, trissomias, drogas e infecções no 1º trimestre CIUR ASSIMÉTRICO (OU TIPO 2) 70-80% dos casos Agressão no 3º TRIMESTRE (HIPERTROFIA CELULAR) RELAÇÃO CIRCUNFERÊNCIA CEFÁLICA/CIRCUNFERÊNCIA ABDOMINAL AUMENTADA Circunferência abdominal (fígado) é mais afetada marcador mais sensível de CIUR! Causas: INSUFICIÊNCIA PLACENTÁRIA (HAS, DM...) CLASSIFICAÇÃO TEMPORAL DO CIUR TIPO II - CIUR PRECOCE: < 32 SEMANAS pior prognóstico - CIUR TARDIO: > 32 SEMANAS CIUR MISTO (OU TIPO 3) Raro (associação de ambos) É o “assimétrico precoce” INÍCIO NA HIPERPLASIA E SE MANTÉM NA HIPERTROFIA CELULAR Causas: fármacos, tabagismo, alcoolismo Oligodramnia Causas: - AMNIORREXE PREMATURA - INSUFICIÊNCIA PLACENTÁRIA - MALFORMAÇÕES URINÁRIAS - ANOMALIAS CROMOSSOMIAIS - PÓS-DATISMO - SD. DE TRANSFUSÃO GEMELO-GEMELAR - IECA, INDOMETACINA Diagnóstico: - FU menor que o esperado para IG = SUSPEITA - USG: CONFIRMA! Entre 8 e 18 = ILA normal Entre 5 e 7 = ILA diminuído/reduzido ILA < 5cm OU maior bolsão < 2cm = OLIGODRAMNIA E como avaliar a GRAVIDADE do caso? CARDIOTOCOGRAFIA (visto anteriormente) PERFIL BIOFÍSICO FETAL DOPPLERFLUXOMETRIA PERFIL BIOFÍSICO FETAL - Avaliação de sofrimento fetal AGUDO E CRÔNICO! - Parâmetros avaliados: Cardiotocografia (1º que se altera) Movimentos respiratórios Movimentos fetais Tônus fetal Volume líquido amniótico Para cada um desses 5 itens do PBF, pontua-se 0-2 pontos. Conduta: - PBF 10/10: ACOMPANHAR - PBF 8/10 + LA normal: ACOMPANHAR - PBF 8/10 + oligodramnia + termo: CONSIDERAR PARTO - PBF 6/10 + termo: CONSIDERAR PARTO - PBF 6/10 + oligodramnia: PARTO NA VIABILIDADE - PBF 0-4/10: PARTO NA VIABILIDADE Sofrim ento SF crônico! Imagem: Curso de Especialização em Linhas de Cuidado em Enfermagem 23 DOPPLERFLUXOMETRIA Permite o estudo hemodinâmico do feto Detecta precocemente a diminuição da perfusão nos casos de insuficiência placentária Entendendo o fenômeno de CENTRALIZAÇÃO FETAL Insuficiência placentária vasodilatação de órgãos nobres (coração, cérebro, suprarrenal) vasoconstrição da periferia (fígado, músculos, rins) centralização fetal DOPPLER DE ARTÉRIA UMBILICAL - Circulação PLACENTÁRIA - Normal: baixa resistência e alto fluxo - Alterada: baixa resistência, diástole zero ou diástole reversa Diástole reversa representa obliteração de 90% da microcirculação DOPPLER DE CEREBRAL MÉDIA - Circulação FETAL - Normal: alta resistência e baixo fluxo - Alterada: baixa resistência e alto fluxo APRENDENDO A CALCULAR A RELAÇÃO U/C E A PRESENÇA DE CENTRALIZAÇÃO FETAL EXEMPLO 1 Índices artéria umbilical: S/D: 3,2 PI: 1,31 RI: 0,69 Índices artéria cerebral média: S/D: 6,39 PI: 2,14 RI: 0,84 EXEMPLO 2 Índices artéria umbilical: S/D: 5,76 PI: 1,57 RI: 0,84 Índices artéria cerebral média: S/D: 2,65 PI: 1,18 RI: 0,62 DOPPLER DE DUCTO VENOSO - Última alteração... - Indicado para fetos < 32 semanas já centralizados - Avalia a função cardíaca direita fetal - Normal: onda A positiva - Anormal: onda A negativa = risco iminente de morte/parto imediato Conduta: CENTRALIZAÇÃO Parto com 34-37 semanas Via: maioria CESARIANA DIÁSTOLE ZERO Parto com 32-34 semanas Via: CESARIANA DIÁSTOLE REVERSA ONDA A NEGATIVA (DUCTO VENOSO) Parto imediato Via: CESARIANA DOPPLER DE ARTÉRIA UTERINA - Circulação MATERNA - Avaliação da 2ª onda de invasão trofoblástica - Normal: baixa resistência e alto fluxo - Incisura bilateral > 26 semanas: indica alta resistência e baixo fluxo (S/D > 2,6) RISCO de CIUR e pré-eclâmpsia (não confirma) - Tem alto valor preditivo negativo! Como e quando realizar os exames para gestantes de alto risco de sofrimento fetal crônico? • USG SERIADA (CIUR, ILA) • DOPPLER DE ARTÉRIA UMBILICAL E ACM a partir de 28 semanas • CARDIOTOCOGRAFIA semanal a partir de 30-32 semanas • PERFIL BIOFÍSICO FETAL a partir de 26-28 semanas Observação: não há consenso na literatura! RELAÇÃO U/C < 1 AUSÊNCIA DE CENTRALIZAÇÃO Índice S/D: sístole/diástolePI: índice de pulsatilidade RI: índice de resistência U/C: RI umbilical/RI cerebral RELAÇÃO U/C > 1 PRESENÇA DE CENTRALIZAÇÃO RI umbilical (U)/RI ACM (C) = 0,69/0,84 RI umbilical (U)/RI ACM (C) = 0,84/0,62 Normal Onda A negativa Imagens: researchgate.net e drpixel.fcm.unicamp.br Com Incisura Normal INCISURA 24 2. Fórcipe Tipos: Simpson Mais utilizado Qualquer variedade (exceto transversa) Rotações de até 45º Kielland Variedade transversa Corrige assinclitismo Permite grandes rotações Piper Cabeça derradeira (“piper do pélvico”) Indicações: FETAIS - Sofrimento fetal agudo - DPP - Distócia de rotação MATERNAS - Exaustão materna - Período expulsivo prolongado PROFILÁTICAS - Cardiopatias - Pneumopatias Pega ideal: BIPARIETOMALOMENTONIANA Classificação: DESPRENDIMENTO OU DE ALÍVIO - Couro cabeludo visível - Crânio fetal atingiu o assoalho pélvico - Sutura sagital no diâmetro anteroposterior do estreito inferior - Rotação < 45 graus. Se passar de 45º, já não é mais de alívio! BAIXO - +2 de De Lee ou abaixo - Rotação pode ser < ou > que 45º MÉDIO - Acima de +2 de De Lee, mas com cabeça insinuada (0 de DeLee) - Pode até ser usado, mas vale mais a pena a cesariana ALTO NÃO MAIS UTILIZADO - Cabeça não insinuada - Proscrito! É melhor fazer cesariana! Condições para Aplicar: MATERNAS - Dilatação total fórcipe é instrumento para PERÍODO EXPULSIVO! Tem que ter dilatação total! - Proporcionalidade da bacia - Canal do parto sem obstáculos (ex: condiloma obstruindo canal de parto é contraindicação) - Reto e bexiga vazios FETAIS - Feto vivo ou morte recente - Cabeça insinuada - Membranas rotas (se for usar e não rompeu espontaneamente, o próprio obstetra rompe. Não é um fator impeditivo!) OPERADOR - Operador habilitado - Obediência técnica - Diagnóstico de certeza da variedade de posição Mnemônico A = ausência de colo (dilatação total) P = pelve proporcional L = livre canal de parto I = insinuação C = conhecer a variedade A = amniotomia R = reto e bexiga vazios Vacuoestrator - Indicações similares ao fórcipe - CONTRAINDICADO COM < 34 SEMANAS risco de hemorragia interventricular - Mais chance de cefalohematoma - Se precisou tracionar 3x, considera como falha - Se falha: CESARIANA (não é para trocar por fórcipe) Indicações maternas e fetais para aplicação do fórcipe Maternas: descolamento de retina, cardiopatia, exaustão, hérnia abdominal... Fetais: SFA, prolapso de cordão, cabeça derradeira, DPP com feto vivo... Complicações maternas e fetais durante a aplicação do fórcipe Maternas: laceração vulvar, vaginal, cervical, retal e vesical, infecção, hematoma Fetais: cefalohematoma, fratura de crânio, hemorragia intracraniana, dano cerebral, sequela neurológica tardia, escoriações faciais. Imagem: pt.termwiki.com Imagem: Force Biomedical Imagem: enfermagem-amoreiracampos.blogspot 25 3. Puerpério Período: 6-8 semanas após o parto Retorno dos órgãos reprodutivos e readaptação do organismo feminino Momento de surgimento de diversos distúrbios Puerpério Fisiológico IMEDIATO: 1º-10º dia (período das grandes hemorragias/infecções) TARDIO: 11º-45º dia REMOTO: além do 45º dia O que é normal? Útero - Na cicatriz umbilical após o parto - Intrapélvico no 10-14º dia - Dimensões pré-gravídicas em 4 semanas - Reflexo útero-mamário (liberação de ocitocina): ↓mais rápida do FU Colo - Até 2 dedos após 2 dias do parto - Fechado em 1 semana - Orifício externo em aspecto de fenda Ovário - Ovulação em 6-8 semanas (sem amamentação) - Menos frequente nas que amamentam Mama - 1º dia: colostro - Até 3º dia: apojadura (“descida”) - 3 etapas da lactação: Mamogênese: desenvolvimento da mama durante a gestação Lactogênese: início da lactação (não depende de estímulo) Lactopoiese: manutenção da lactação (depende de estímulo) Trato Urinário - FPR, TFG e ClCr retornam ao normal nos primeiros 5 dias Vagina - “Crise vaginal” (atrofia) Alterações hemodinâmicas - DC aumenta no puerpério imediato - DC e volume plasmático retornam aos níveis pré-gravídicos em 2 semanas - RVP aumenta imediatamente Alterações Hematológicas - Leucocitose de até 30.000 - Ativação do sistema de coagulação pós-parto Lóquios - Até 4º dia: rubros/avermelhados - Até 2ª semana: róseos - Após 10º-14º dia: alvos/serosos/brancos - Se vermelhos após 2ª semana: restos? - Se odor fétido, febre e pús: infecção? Temperatura Corporal - Aumento relacionado a apojadura - Fisiológico quando dura menos de 48h Distúrbios do Humor - Comuns e transitórios - Disforia pós-parto ou “blues” puerperal - Raramente é necessário medicação Puerpério Patológico Hemorragia pós-parto Infecções puerperais Alterações nas mamas Hemorragias Puerperais Conceito: - Sangramento > 0,5 LITROS NO PARTO VAGINAL ou > 1 LITRO NA CESARIANA, que torna a paciente SINTOMÁTICA/COM SINAIS DE HIPOVOLEMIA - Principal causa de morte materna no mundo! Classificação: - Primária ou Precoce ou Imediata: nas primeiras 24h após o parto - Secundária ou Tardia: após as primeiras 24h e até 12 semanas Causas: Hipotonia/Atonia uterina Laceração de trajeto Retenção placentária Distúrbios de coagulação Placentação anormal Rotura uterina Inversão uterina TÔNUS ATONIA UTERINA Conceitos: - Falha na manutenção da contração miometrial - Principal causa de hemorragia puerperal Fatores de Risco: - CESARIANA/MULTIPARIDADE - HIPOTENSÃO, ÚTERO DE COUVALAIRE - ANESTESIA GERAL: relaxamento da musculatura uterina... - SOBREDISTENSÃO UTERINA (polidramnia, gemelaridade...) - TRABALHO DE PARTO PROLONGADO OU RÁPIDO - ATONIA PRÉVIA, INFECÇÃO, CORIOAMNIONITE Quadro Clínico: - SANGRAMENTO VAGINAL EXCESSIVO E PRECOCE - ÚTERO SUBINVOLUÍDO, FLÁCIDO E DEPRESSÍVEL Conduta: - Medidas gerais: acesso venoso, cateter vesical de demora, reserva de sangue, MASSAGEM UTERINA/MANOBRA DE HAMILTON - Tratamento farmacológico: OCITOCINA IV (1ª linha), METILERGONOVINA (2ª linha/proscrita em pacientes hipertensas não usar, se pré-eclâmpsia), MISOPROSTOL (2ª linha) + ÁCIDO TRANEXÂMICO - Técnicas de tamponamento: BALÃO DE BAKRI, SONDA DE FOLEY - Tratamento cirúrgico: se falha das anteriores = RAFIA DE B-LYNCH, LIGADURA DAS ARTÉRIAS UTERINAS/HIPOGÁSTRICAS, EMBOLIZAÇÃO DAS ARTÉRIAS UTERINAS, HISTERECTOMIA. REGRA DOS 4 T’S TÔNUS: atonia uterina TRAUMA: laceração de trajeto TECIDO: restos placentários TROMBO: coagulopatias Imagem: br.pinterest.pt | Vanessa Masa Imagem: Febrasgo 26 Mnemônico Massagem > Ocitocina (> misoprostol/metilergonovina) > Rafia de B-Lynch > Rafia vascular (ligadura de A. uterina/hipogástrica) > Embolização de A. uterina > Último: histerectomia Prevenção: - 10U DE OCITOCINA APÓS EXPULSÃO FETAL OBS: BALÃO DE BAKRI = útil nos casos refratários à massagem e ocitocina. Serve para atonia uterina e para acretismo, mas é um tratamento temporário (no máximo 24 horas). Complicações: - Anemia, choque, CIVD, IRA, insuficiência hepática, respiratória, síndrome de Sheehan TRAUMA LACERAÇÃO DE TRAJETO Conceitos: - Segunda maior causa de hemorragia precoce Quadro Clínico: - SANGRAMENTO PERSISTENTE - ÚTERO CONTRAÍDO Causas: - Episiotomia extensa - Feto macrossômico - Manobra de Kristeller - Parto operatório/fórcipe Conduta: - REVISÃO DO CANAL DO PARTO + SUTURA DA LACERAÇÃO TECIDO RESTOS PLACENTÁRIOS Conceitos: - Dificulta a contração miometrial Quadro Clínico: - ÚTERO AUMENTADO - COLO UTERINO ABERTO > 7-10 DIAS APÓS O PARTO Diagnóstico: - OUTRAS CAUSAS EXCLUÍDAS: sangramento, laceração... - ULTRASSONOGRAFIA Conduta: - INFUSÃO DE OCITÓCITOS + REMOÇÃO DA PLACENTA* (*) EXTRAÇÃO MANUAL > curetagem > balão de Bakri > histerectomia Outras manobras: Credé e Harvey Evitar tração excessiva risco de inversão uterina aguda! TROMBO COAGULOPATIA - Associação com DPP/consumo de fatores de coagulação Infecções Puerperais Conceitos: - TODO PROCESSOINFECCIOSO APÓS O PARTO! TAX > 38ºC por mais de 48h do 2º ao 10º dia pós-parto. Nas primeiras 24h pode haver febre por REMIT, por isso tem que considerar somente após o 2º dia! Causas: - INFECÇÕES DE ÚTERO E ANEXOS - INFECÇÕES DA FERIDA OPERATÓRIA - INFECÇÕES DA MAMA - INFECÇÕES EM OUTROS SÍTIOS: ITU, BCP... Fatores de Risco: - CESARIANA (PRINCIPAL!) - Outros: RPMO, corioamnionite, doenças maternas, baixo nível socioeconômico, trabalho de parto prolongado, retenção placentária, trauma no canal de parto, toques frequentes, etc. ENDOMETRITE (forma mais frequente/início do processo) Fatores de Risco: - CESARIANA (!) - ANEMIA - DESNUTRIÇÃO - RPMO Quadro Clínico: - ÚTERO SUBINVOLUÍDO, DOLOROSO, AMOLECIDO - COLO ABERTO COM LÓQUIOS PURULENTOS - FEBRE ALTA Etiologia: - POLIMICROBIANA - Se > 10º dia: pensar em clamídia Profilaxia: - ATB NA CESARIANA (indução anestésica ou após clampeamento), BOLSA ÍNTEGRA, EVITAR MÚLTIPLOS TOQUES, ASSEPSIA Complicações: - Parametrite, salpingite, peritonite, abscesso pélvico, tromboflebite pélvica séptica Tratamento: - CLINDAMICINA (900mg IV 8/8h) + GENTAMICINA IV (1,5mg/kg IV 8/8h) ATÉ 72H AFEBRIL E MELHORA DO QUADRO CLÍNICO (+ ampicilina, metronidazol = opcionais) - Se até 72h afebril e assintomático: libera para casa - Se febre persistente apesar de ATB e massa pélvica: ABSCESSO Tratamento: DRENAGEM + ATB - Se febre persistente e USG que não mostra massa pélvica: TROMBOFLEBITE PÉLVICA SÉPTICA Diagnóstico de exclusão Formação de coágulos nos vasos pélvicos relacionada a infecções Tratamento: ATB + HEPARINA Obs: se for para pedir algum exame para o diagnóstico, pedir doppler de artéria ovariana. Imagem: bvs.br | Felipe Lage Starling 27 Alterações Mamárias INGURGITAMENTO MAMÁRIO - Estase láctea repentina - Hipertermia local e sistêmica + desconforto mamário - Associado a pega inadequada, sucção ineficiente - Conduta: ESVAZIAMENTO DAS MAMAS FISSURA MAMÁRIA - Erosões em torno dos mamilos - Associada a pega inadequada, sucção ineficiente - Predispõe a mastite (porta de entrada) - Conduta: ORIENTAÇÃO da amamentação/pega, lubrificação das mamas com leite, evitar uso de pomadas MASTITE PUERPERAL - Principal agente: S. AUREUS - Fatores de risco: ingurgitamento mamário, estase láctea, fissura mamilar, primiparidade, episódio anterior de mastite - Quadro Clínico: MASTALGIA + SINAIS FLOGÍSTICOS + FEBRE + TURGÊNCIA MAMÁRIA - Tratamento: AINES/ANALGÉSICOS, ESVAZIAMENTO DAS MAMAS/ORDENHA (MANTER AMAMENTAÇÃO) E ATB (cefalosporina de 1ª geração/cefalexina). ABSCESSO MAMÁRIO - Pode amamentar (exceto: pús ou incisão próximo à papila) - Tratamento: DRENAGEM, ordenha e ATB (cefalosporina 1ª) ABSCESSO SUBAREOLAR RECIDIVANTE - Relacionado ao FUMO! - Tratamento: RESSECAR (não é drenar) e interromper o tabagismo. Inversão Uterina Aguda Conduta? MANOBRA DE TAXE (com a mão espalmada colocamos o fundo do útero na palma da mão e empurramos o útero para cima) > CIRURGIA DE HUNTINGTON (laparotomia, pinça do FU com a pinça de Allis e puxa o útero para cima) Distúrbios do Humor Acontecem principalmente no puerpério! DEPRESSÃO PÓS-PARTO Conceitos: - Episódio de DEPRESSÃO maior, que pode acontecer, na verdade, em qualquer momento da gestação, mas geralmente NAS PRIMEIRAS 4 SEMANAS DE PUERPÉRIO. Quadro Clínico: - Humor depressivo, falta de interesse/prazer, distúrbios do sono, fadiga, disfunção cognitiva, sentimento de incapacidade ou culpa Fatores de Risco: - Adolescentes, história prévia de depressão/ansiedade, eventos traumáticos na gravidez, RN em UTI neonatal, eventos adversos obstétricos graves, pouco suporte social Diagnóstico Diferencial: - O principal é o “BLUES PUERPERAL” CARACTERÍSTICA BLUES PUERPERAL DEPRESSÃO PÓS- PARTO HUMOR Flutuante Depressivo IRRITABILIDADE Sim Sim ANSIEDADE Sim Sim/Não CUIDADOS COM O BEBÊ Sim Não CUIDADOS PESSOAIS Sim Não PRECISA MEDICAMENTO Não Sim IDEAÇÃO SUICIDA Não Casos graves PSICOSE PUERPERAL Conceitos: - Ocorre nas PRIMEIRAS 4 SEMANAS PÓS-PARTO (metade na 1ª semana) - Risco maior em pacientes com história de BIPOLARIDADE prévia Quadro Clínico: - Humor depressivo ou exaltado, agitação, irritabilidade, confusão mental, desorientação, delírios, alucinações auditivas, RISCO DE INFANTICÍDIO E SUICÍDIO Tratamento: - Não permitir que a mãe fique sozinha com o RN - ANTIPSICÓTICOS TAXE HUNTINGTON Imagem: brunagrazi.com Imagens: slideplayer | Zugaib, Obstetrícia 28 Tromboembolismo Venoso (TEV) Conceitos: - Gravidez e puerpério são fatores de risco (↑5-20x) - Causa importante de morte materna Fisiopatologia: - A gestação contempla os 3 componentes da tríade de Virchow: ESTASE VENOSA, HIPERCOAGUBILIDADE e LESÃO ENDOTELIAL Fatores de Risco: - HISTÓRIA PRÉVIA DE TVP (principal) - CESARIANA (4-5x maior o risco em relação ao parto vaginal) - Gestação múltipla - Hemorragia - Trombofilias (ex: SAF) Quadro Clínico: - Dor, edema, eritema, calor - Sinal de Homans - Em gestantes, A TVP COSTUMA SER MAIS PROXIMAL (ex: ilíaca), podendo tornar as manifestações clínicas mais “pobres” - Pode haver TEP em 25% dos casos Diagnóstico (Particularidades): - Como a incidência de trombose em veia ilíaca, por exemplo, é maior, a ANGIORNM (ou TC) DE VASOS ILÍACOS se faz importante no manejo da paciente com suspeita de TVP. - D-DÍMERO AUMENTA FISIOLOGICAMENTE NA GRAVIDEZ NÃO É USADO COMO SCREENING! Tratamento: - ANTICOAGULAÇÃO PLENA IMEDIATA! ESCOLHA: ENOXAPARINA 1mg/kg/12h MANTIDA por TODA A GESTAÇÃO E 6 SEMANAS PÓS-PARTO (se a causa for a gravidez ou situação reversível) WARFARINA: apenas na amamentação DOACS: contraindicados na gravidez e na amamentação Via de Parto: - Preferência por VAGINAL - Se for utilizar anestesia de neuroeixo, não esquecer de SUSPENDER A HBPM (12h: profilática | 24h: terapêutica/plena) Profilaxia: - Pacientes com HISTÓRICO DE TVP PRÉVIA (PRINCIPALMENTE SE RELACIONADO A ACO OU GESTAÇÃO) devem receber PROFILAXIA COM ENOXAPARINA 0,5MG/KG/DIA MANTER POR TODA A GESTAÇÃO ATÉ 6 SEMANAS PÓS-PARTO. FIXAÇÃO DO CONTEÚDO SOFRIMENTO FETAL AGUDO Momento que ocorre Trabalho de parto Forma mais frequente de avaliação Ausculta/CTG FCF normal 110-160bpm Variabilidade normal 6-25bpm DIP fisiológico DIP I ou cefálico DIP sempre patológico DIP II ou placentário SOFRIMENTO FETAL CRÔNICO Método diagnóstico Ultrassonografia Tipo de CIUR mais comum Assimétrico (tipo II) Medidas do líquido amniótico ILA, MBV Valor normal do PBF 10 (5 parâmetros) Centralização no doppler Relação U/C > 1 FÓRCIPE Mais utilizado Simpson Aplicação em transversa Kielland Parto pélvico Piper Aplicação proscrita Fórcipe alto Pegada ideal Biparietomalomentoniana PUERPÉRIO Causa mais comum de hemorragia puerperal Atonia uterina Tratamento farmacológico de 1ª linha Ocitocina Causa mais comum de infecção puerperal Endometrite Tratamento Clinda + Genta Principal agente da mastite S. aureus 29 1. Diagnóstico da Gravidez Lembrando alguns conceitos... Após a fecundação: Fecundação ocorre na AMPOLA TUBÁRIA 3º dia: MÓRULA 4º dia: BLASTOCISTO 6º dia: NIDAÇÃO (pelo blastocisto) marca o início da gestação DIAGNÓSTICO LABORATORIAL HCG - Glicoproteína produzida pelo trofoblasto - Subunidade alfa: semelhante a outros hormônios (ex: TSH/FSH/LH) - SUBUNIDADE BETA É ESPECIFICA Detectada 8-11 dias após a concepção (antes do atraso menstrual) DUPLICA A CADA 48-72H Marcador da atividade trofoblástica Pico do HCG: 8-10/12-14 semanas TESTES IMUNOLÓGICOS TIG: anticorpos contra hCG humano na urina. Dosagem qualitativa TESTES RADIOIMUNOLÓGICOS Competição do hormônio com traçador Dosagem quantitativa SOROLÓGICO-ELISA Hormônio ligado a enzima, produto colorido Dosagem quantitativa (especificamente a fração beta) Beta-HCG > 1.000: confirma gestação em 95% dos casos DIAGNÓSTICO CLÍNICO SINTOMAS INICIAIS Náuseas e vômitos (**atenção para hiperêmese gravídica)Sensibilidade mamária Polaciúria Constipação intestinal Tontura/Sonolência/Fadiga SINAIS DE GESTAÇÃO PRESUNÇÃO “percebido pela mãe/mama/sistêmico” Atraso menstrual (10-14 dias) Alterações cutâneas (estrias, cloasma gravídico) Alterações mamárias TUBÉRCULOS DE MONTGOMERY: hipertrofia de glândulas sebáceas REDE DE HALLER: rede venosa mais evidente SINAL DE HUNTER: aréola secundária Aumento do volume abdominal e percepção MATERNA de movimentos fetais Aumento do volume uterino: 12 semanas: púbis 16 semanas: entre púbis e umbigo 20 semanas: umbigo 40 semanas: apêndice xifoide IG e FU: concordam entre 18-30 semanas (*) HIPERÊMESE GRAVÍDICA Quadro Clínico: - VÔMITOS INCOERCÍVEIS - PERDA DE PESO (> 5%) - DESIDRATAÇÃO Laboratório: - HIPOCALEMIA + ALCALOSE METABÓLICA HIPOCLORÊMICA - CETOSE/CETONÚRIA Conduta nos casos graves: - HIDRATAÇÃO VENOSA + REPOSIÇÃO DE TIAMINA - PROGRESSÃO DE DIETA - ANTIEMÉTICOS PARENTERAIS - CORREÇÃO DE DISTÚRBIOS HIDROELETROLÍTICOS Complicações: - ENCEFALOPATIA DE WERNICKE-KORSAKOFF - SÍNDROME DE MALLORY-WEISS SINAIS DA GESTAÇÃO PROBABILIDADE “útero/vagina/vulva” SINAL DE HEGAR: amolecimento de útero-istmo SINAL DE HARTMANN: sangramento na implantação SINAL DE OSIANDER: pulso da artéria vaginal SINAL DE HOZAPFEL: peritônio rugoso SINAL DE PISKACEK: assimetria uterina SINAL DE NOBILE-BUDIN: útero globoso preenchendo o fundo de saco vaginal REGRA DE GOODEL: amolecimento do colo uterino SINAL DE JACQUEMIER (CHADWICK): coloração violácea da vulva SINAL DE KLUGE: coloração violácea da mucosa vaginal SINAIS DE GESTAÇÃO CERTEZA “sentir ou ouvir a gestação” Ausculta dos batimentos fetais Sonard (> 10-12 semanas) Pinard (> 18-20 semanas) Percepção dos movimentos fetais (pelo MÉDICO) após 18 semanas SINAL DE PUZOS: sinal do rechaço fetal (a partir de 14 semanas) Avaliação Inicial da Gestação Imagens: slideplayer.com.br Imagem: brasil.babycenter.com Imagem: cynthiarios.amamentacao Imagem: brasilescola.uol.com.br @ casalmedresumos 30 Organizando cronologicamente... 4 semanas Atraso menstrual 5 semanas Náuseas Congestão Mastalgia 6 semanas Polaciúria Sinal de Hegar Sinal de Piskacek Sinal de Nobile Budin Alterações cervicais Alterações na vulva e vagina 8 semanas Tubérculos de Montgomery 10 semanas Ausculta de BCF com Sonar 12 semanas Aumento do volume uterino 14 semanas Sinal de Puzos 16 semanas Percepção materna dos movimentos fetais Rede de Haller 18 semanas Percepção dos movimentos fetais pelo médico Palpação de partes fetais Ausculta de BCF com Pinard 20 semanas Sinal de Hunter DIAGNÓSTICO ULTRASSONOGRÁFICO 4 semanas: SACO GESTACIONAL 5 semanas: VESÍCULA VITELÍNICA 6/7 semanas: EMBRIÃO E BCF+ Obs: se USG abdominal = 1 semana depois! Medida mais fiel para cálculo da IG: USG 6-12 SEMANAS pelo COMPRIMENTO CABEÇA-NÁDEGA Correlação com o Beta-HCG: Beta-HCG USGTV 1.000mUI/ml Saco gestacional 7.200 Mui/ML Vesícula vitelínica 10.800Mui/ML Embrião, BCE ATENÇÃO! LIMITE DISCRIMINATÓRIO DE GESTAÇÃO: BETA-HCG > 1.500Mui/ml A partir desse valor, é garantida a VISUALIZAÇÃO DO SACO GESTACIONAL! Abaixo disso, não é garantido. Se o Beta-HCG está maior que 1.500 e o saco gestacional não está no útero, tem que procurar: pode ser gestação ectópica. COMO CALCULAR A DATA PROVÁVEL DO PARTO (DPP)? REGRA DE NAGELE A partir da DUM... Somar 7 ao número de dias Diminuir 3 (meses posteriores a março) OU Somar 9 ao número do mês Exemplo: DUM 09/10 Dia: 9 + 7 = 16 | Mês: 10 – 3 = 7 | DPP: 16/07 Exemplo: DUM 28/10 Dia: 28 + 7 = 4 | Mês: 11 – 3 = 8 | DPP: 04/08 2. Modificações do Organismo Materno Osteoarticulares: - Lordose acentuada - Dores lombares e cervicais - Alarga a base (marcha anserina) - Frouxidão das articulações (principalmente pelve) Metabólicas: “estado diabetogênico” - Hipoglicemia de jejum, hiperglicemia pós-prandial e hiperinsulinemia - 2ª metade da gestação: ↑lactogênio placentário - ↑Lipólise + uso de ácidos graxos e corpos cetônicos como fonte de energia - Edema: justificado por hiperaldosteronismo secundário, redução da pressão oncótica e compressão da veia cava pelo útero. Gastrointestinais: - Relaxamento do esfíncter esofagiano (refluxo) - Aumento do tempo de esvaziamento gástrico (broncoaspiração) Observação: em casos de refluxo na gravidez, é melhor utilizar um pró-cinético em detrimento de um anti-ácido. - Relaxamento da vesícula (aumento do risco de cálculo) Observação: pode ser realizado cirurgia videolaparoscópica na gestação, de preferência no 2º trimestre. É a segunda cirurgia não obstétrica mais realizada (só perde para apendicectomia). - Diminuição da peristalse (constipação), varizes hemorroidárias - Redução da secreção ácida (diminui risco de perfuração por úlcera) AUMENTO REDUÇÃO Pirose Esvaziamento gástrico Peristaltismo Hiperemia/sangramento gengival Contração da vesícula biliar Fosfatase alcalina Tônus do esfíncter gastroesofágico Saturação de colesterol - Cardiovasculares: - Sopro sistólico (se diastólico: investigar cardiopatia) - Diminuição da RVP (“placenta funciona como uma fístula”) - Aumento do débito cardíaco (principalmente por volta de 24 semanas) - Redução da PA (principalmente no 2º trimestre, momento em que a diminuição da RVP é mais significativa que o aumento do DC) - Síndrome hipercinética, síndrome da hipotensão suponha - Risco de congestão pulmonar AUMENTO REDUÇÃO FC (10-15bpm) Resistência vascular periférica Débito cardíaco (40-50%) PAS 3-4mmHg PAD 10-15mmHg Pressão venosa Retorno venoso Pressão capilar oncótica Hematológicas: - Aumento do volume plasmático (50%) e eritrócitos (30%) - Anemia dilucional fisiológica - Melhora de algumas doenças autoimunes (ex: artrite reumatoide) - Leucocitose sem aumento de bastões - Tendência pró-coagulante Tríade de Virchow: hipercoagubilidade (pela tendência pró- coagulante) + estase venosa (pela compressão do útero na cava principalmente no 2º trimestre) + lesão endotelial (principalmente no PUERPÉRIO). Profilaxia de trombose no puerpério: DEAMBULAÇÃO PRECOCE. AUMENTO REDUÇÃO Volume plasmático (40-50%) Viscosidade sanguínea Volume eritrocitário (20-30%) Hematócrito Leucocitose Quimiotaxia Fibrinogênio Sistema fibrinolítico Fator VII, VIII, IX e vW - Imagens: brasil.babycenter.com 31 Renais/Urinárias: - Aumento da volemia em 50% - Aumento da TFG (“filtra por dois”) em 50% - Redução de ureia e creatinina e aumento do clearance - Glicosúria fisiológica - Compressão ureteral a direita (gerando dilatação pielocalicial) - Incontinência e aumento da frequência urinária AUMENTO REDUÇÃO TFG (50%) Ureia e creatinina Diâmetro do ureter e da pelve Reabsorção tubular de glicose Reabsorção de sódio Tônus vesical Respiratórias: - “Dispneia fisiológica” - Hiperventilação (“respira por dois”) - Aumento da expansão do tórax - Aumento do tempo de expiração - Alcalose respiratória compensada AUMENTO REDUÇÃO Volume corrente/ventilação/min Capacidade residual funcional pO2 arterial pCO2 arterial Consumo de O2 Bicarbonato sérico Cutâneas: - Estrias gravídicas - Cloasma gravídico - Eritema palmar, telangiectasias, linha nigrans Corpo uterino: - 12 semanas: púbis - 16 semanas: entre púbis e umbigo - 20 semanas: umbigo - 40 semanas: apêndice xifoide - IG e FU: concordam entre 18-30 semanas Perceba... PROGESTERONA “Deixa tudo lento” Broncodilatação Relaxamento da junção esofagogástrica Retardo de esvaziamento gástrico Diminuição da peristalse Dilatação pielocalicial Vasodilatação 3. Assistência Pré-Natal Rotina de CONSULTAS (MS) - Iniciar o MAIS RÁPIDO POSSÍVEL! - MÍNIMO DE 6 CONSULTAS 1 no primeiro trimestre 2 no segundo trimestre 3 no terceiro trimestre - Idealmente: Mensalmente até 28 semanas Quinzenalmente de 28-36 semanas Semanalmente de 36-41 semanas - NÃO EXISTE “ALTA” DO PRÉ-NATAL!Rotina de EXAMES - Tipagem sanguínea (TS) e RH, hemograma, glicemia de jejum, EAS, urocultura, VDRL (ou teste rápido), anti-HIV (ou teste rápido), HBsAg, toxoplasmose. EXAME QUANDO FAZER Hemograma 1ª consulta, 3º trimestre TS, fator RH 1ª consulta Coombs indireto Se RH negativo + parceiro RH positivo 1ª consulta, 28, 32, 36 e 40 semanas Glicemia de jejum 1ª consulta, 3º trimestre TOTG 75g Entre 24-28 semanas Urocultura, EAS 1ª consulta, 3º trimestre HbsAg 1ª consulta, 3º trimestre Toxoplasmose 1ª consulta, 3º trimestre VDRL (ou teste rápido) 1ª consulta, 3º trimestre Anti-HIV (ou teste rápido) 1ª consulta, 3º trimestre Testes rápidos HIV e sífilis: apenas 1ª consulta OUTROS EXAMES - EPF: se suspeita clínica de parasitose... - Preventivo: aproveitar a janela de oportunidade... - Rastreio de colonização pelo GBS: se disponível - Ultrassonografia: não é obrigatório! Se disponível: fazer 1 no primeiro e 1 no segundo. Se só puder fazer um: fazer no segundo trimestre! - Sorologia para rubéola: NÃO é rotina! - Sorologia para citomegalovírus: NÃO é rotina! - Sorologia para hepatite C: pelo manual de infecções sexualmente transmissíveis, é indicado! Pelo manual do MS (2012), não! Confuso... Mnemônico: T: tipagem e RH (+ CI se RH negativo) E: EAS e urocultura S: sexuais (HIV, HBsAg, anti-HCV* e VDRL) T: toxoplasmose A: anemia (hemograma) e açúcar (glicemia de jejum) R: repetir com 30 semanas (ou 3º trimestre) = hemograma, VDRL, HIV e HbSAg, glicemia de jejum, EAS e urocultura (*) ELETROFORESE DE HEMOGLOBINA: alguns documentos do MS recomendam como parte da rotina! Fique atento em prova! Não é costume, mas pode cair! Imagens: edisciplinas.usp.br Imagem: quizlet.com 32 (*) COMO FUNCIONA O RASTREIO DE TOXOPLASMOSE? Pouca repercussão materna Possível repercussão grave fetal Formas de transmissão: manipulação de jardins ou caixa de areia com fezes de gatos, consumo de comida ou água contaminada, consumo de carnes cruas Risco de transmissão e gravidade são inversamente proporcionais de acordo com a IG gestacional: quanto mais cedo, menor a chance de transmissão e maior a gravidade; e vice-versa. IGG NEGATIVO + IGM NEGATIVO SEM IMUNIDADE/SUSCETÍVEL Pedir sorologia de 2-3 meses Medidas de prevenção: evitar contato com gatos, evitar comer carne crua, leite não pasteurizado, evitar contato com terra, não comer vegetais com casca. IGG POSITIVO + IGM NEGATIVO COM IMUNIDADE Seguir normalmente com o pré-natal Nenhuma medida específica para toxoplasmose IGG NEGATIVO + IGM POSITIVO INFECÇÃO AGUDA OU FALSO POSITIVO Iniciar tratamento com espiramicina (+ investigar o feto) e repetir sorologia em 3 semanas Se IgG positivo: nova infecção Se IgG negativo: falso-positivo OU Solicitar IgA (outro marcador de infecção aguda) IGG POSITIVO + IGM POSITIVO INFECÇÃO AGUDA OU CRÔNICA Se > 16 semanas: tratar a gestante e investigar o feto! Se < 16 semanas: pedir o teste de avidez Se > 60% (alta): > 4 meses (crônica) Se < 30% (baixa): < 4 meses (aguda) = tratar a gestante e investigar o feto NÃO ESQUEÇA! INFECÇÃO AGUDA = TRATAR A GESTANTE E INVESTIGAR O FETO! (1) Investigação do feto: - PCR DO LÍQUIDO AMNIÓTICO (AMNIOCENTESE) com 16-18 semanas - ULTRASSONOGRAFIA MENSAL evidenciando alterações características (hidrocefalia, calcificações, etc) (2) Tratamento: SEM INFECÇÃO FETAL ESPIRAMICINA 1G 8/8H COM INFECÇÃO FETAL OU NÃO É POSSÍVEL DESCARTAR SULFADIAZINA 1,5g 12/12H PIRIMETAMINA 25MG 12/12H ÁCIDO FOLÍNICO 10MG 1X/D ATENÇÃO! Se descobrir infecção materna com mais de 30 semanas de gravidez, e não é possível o rastreio fetal = pode tratar diretamente com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico! (*) COMO FUNCIONA O RASTREIO PARA GBS? - Utilizado para PREVENÇÃO DE SEPSE NEONATAL PELO S. AGALACTIAE - Recomendado pelo CDC - Não é recomendado de rotina pelo MS Rastreamento: - SWAB VAGINAL E RETAL ENTRE 35-37 SEMANAS Válido por 5 semanas Dispensável se: Sepse neonatal por GBS em gestação anterior Bacteriúria por GBS na gestação atual Conduta: SWAB POSITIVO + trabalho de parto ou amniorrexe - AMPICILINA IV 2g (ataque) e 1g 4/4h (manutenção) ou - PENICILINA CRISTALINA 500.000 de ataque ou 25.000 4/4h de manutenção SEPSE NEONATAL PELO GBS EM GESTAÇÃO ANTERIOR BACTERIÚRIA ATUAL PELO GBS Sem Swab, mas COM FATOR DE RISCO: Trabalho de parto prematuro Febre intraparto (> 38º) Amniorrexe > 18 horas SWAB NEGATIVO < 5 SEMANAS (exemplo: colheu com 35 semanas, deu negativo e a bolsa rompeu com 38 semanas há mais de 18 horas. Nesse caso, não precisa fazer a penicilina) NÃO PRECISA PROFILAXIA! (*) Obs: pelo CDC, se houver cultura positiva em gestação anterior e NÃO FOR POSSÍVEL REALIZAR nova cultura na gestação atual, é recomendável a profilaxia. CESARIANA ELETIVA (fora de trabalho de parto, com bolsa íntegra...) CULTURA POSITIVA EM GESTAÇÃO ANTERIOR * (“deixa pra lá o que aconteceu na última gestação”) Rotina de SUPLEMENTOS Ferro Hemoglobina > 11 PROFILÁTICO COM 40MG DE FERRO ELEMENTAR (200mg de sulfato ferroso) DA 20ª SEMANA ATÉ 3 MESES APÓS O PARTO SE HEMOGLOBINA > 11 Hemoglobina entre 8-11 TERAPÊUTICO COM 120-240MG DE FERRO ELEMENTAR NOVA DOSAGEM EM 30-60 DIAS Hemoglobina < 8 ENCAMINHAR PARA O PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO Ácido fólico - Sua deficiência está associada a anemia megaloblástica e defeitos de fechamento do tubo neural (fecha com 10 semanas): espinha bífida, anencefalia, Encefalocele - Populações de baixo risco: PROFILÁTICO com 0,4MG DIÁRIO POR 3 MESES ANTES DA GESTAÇÃO E ATÉ COMPLETAR O 1º TRIMESTRE. - Se alto risco (história de defeito de tubo neural em filho anterior, usuária de anticonvulsivante, história de epilepsia): usar 4-5mg ATENÇÃO! Existe MUITA DIVERGÊNCIA NA LITERATURA quanto a prescrição de ácido fólico e ferro, inclusive com partes confusas no próprio manual do MS. Qual o ganho de peso saudável na gestação? IMC PRÉ- GESTACIONAL IMC (KG/M2) GANHO DE PESO TOTAL DURANTE A GESTAÇÃO (KG) GANHO DE PESO SEMANAL (A PARTIR DA 13ª SEMANA) BAIXO PESO < 18,5 12,5 a 18 0,5 PESO ADEQUADO 18,5 a 24,9 11,5 a 16 0,4 SOBREPESO 25 a 29,9 7,0 a 11,5 0,3 OBESIDADE > 30 5,0 a 9,1 0,2 33 Rotina de VACINAS RECOMENDADAS Tétano (dT) - Completar esquema - Dose adicional de reforço após 5 anos Coqueluche (dTpa) - dT completo, duas doses ou reforço: Uma dose de dTpa a partir da 20ª semana - Uma dose de dT: Uma dose de dT + uma dose de dTpa a partir da 20ª semana - Não vacinada para dT 2 doses de dT + 1 dose dTpa a partir da 20ª semana Obs: se a gestante perdeu a oportunidade de vacinar na gestação, pode fazer no puerpério, o mais precocemente possível. Influenza/H1N1 - Campanha anual Hepatite B - Para todas as gestantes não vacinadas COVID - Realizar Coronavac ou Pfizer - Não é recomendado Jansen ou Astrazeneca RAIVA/MENINGOCOCO - Permitida em situações de risco/exposição HEPATITE A - Permitida em situações de risco CONTRAINDICADAS - Rubéola, sarampo e caxumba - Varicela - Sabin - BCG - HPV - Febre amarela (*exceto em situações de exposição) ROTINA USG Não é obrigatória sua realização pelo MS! USG OBSTÉTRICO TRANSVAGINAL Até 10 semanas Determinação correta da IG e identificação de possíveis gestações múltiplas MORFOLÓGICO DO 1º TRIMESTRE 11 semanas até 13 semanas e 6 dias Medida da transluscência nucal (TN), identificação da onda A e do osso nasal Marcador de risco de anomalias cromossômicas MORFOLÓGICO DO 2º TRIMESTRE 20-24 semanas Avalia morfologia e identifica malformações USG OBSTÉTRICO 3º trimestre (ideal > 34 semanas) Avalia crescimento fetal 4. Aconselhamento Genético Pré-Natal Conceitos: - RASTREAR/IDENTIFICAR ANOMALIAS CONGÊNITAS - Importante para prova: diferenciar exames de rastreamento e exames diagnósticos - Não é recomendado de rotina pelo MS, mas a gestante deve ser orientada- Fatores de risco para anomalias: filho anterior acometido, história familiar positiva, perdas gestacionais de repetição, consanguinidade, idade materna avançada EXAMES DE RASTREAMENTO Exames não-invasivos: - Método de RASTREIO que deve ser oferecido para TODAS as gestantes MÉTODOS BIOFÍSICOS (entre 11-14 semanas) USG TRANSLUCÊNCIA NUCAL normal: < 2.5mm Ducto venoso (onda A positiva) Osso nasal presente Imagens: fetalmed.net OSSO NASAL 34 MÉTODOS BIOQUÍMICOS DUPLO (11-14 semanas): HCG + PAPP-A Feito junto com o teste biofísico Síndrome de Down: aumento de HCG e redução de PAPP-A TRIPLO (15-18 semanas): HCG + ESTRIOL + ALFAFETOPROTEÍNA QUÁDRUPLO (15-18 semanas): HCG + ESTRIOL + ALFAFETOPROTEÍNA + INIBINA-A O que acontece com esses marcadores na síndrome de Down? DIMINUI A “APAE” e AUMENTA HCG ↓ Alfafetoproteína ↓ PAPP-A ↓ Estriol DNA FETAL LIVRE (NIPT) (a partir de 9-10 semanas) - Sequenciamento de DNA fetal livre na circulação materna - Procura: aumento da população de cromossomos 21, 18; redução de cromossomo X, etc. - Não mostra malformação euploide - Não é diagnóstico! É rastreamento! EXAMES DE DIAGNÓSTICO Exames invasivos: - Realizar se RASTREIO POSITIVO ou PRESENÇA DE FATOR DE RISCO (história de anomalia congênita na família, perdas de repetição, consanguinidade) BIÓPSIA DE VILO Entre 10-13 semanas Única confirmatória do 1º trimestre Mais invasiva e arriscada Taxa de perda: 1-2% AMNIOCENTESE Após 14-16 semanas Mais segura Taxa de perda < 0,5% CORDOCENTESE Após 18 semanas Mais difícil tecnicamente Taxa de perda 2% FIXAÇÃO DO CONTEÚDO DIAGNÓSTICO DA GRAVIDEZ Estágio na nidação Blastocisto Doublingtime do hCG 2-3 dias Sinais de possibilidade Sinais sistêmicos, percebidos pela mãe Sinais de probabilidade Modificações uterina, vaginais e vulvares Sinais de certeza Palpação fetal (médico), BCF 1ª estrutura no USG Saco gestacional MODIFICAÇÕES MATERNAS Ação do hPL Resistência insulínica Resistência vascular periférica Diminui Queda da PA Maior no 2º trimestre Hematócrito Hemodiluição Creatinina sérica Diminui Ação da progesterona Relaxamento PRÉ-NATAL Mínimo de consulta Seis Urocultura, EAS 1º e 3º trimestre Rotina de USG Não recomendado pelo MS Tratamento da toxoplasmose sem acometimento fetal Espiramicina Vacinas contraindicadas Microorganismo vivo Swab para GBS Entre 35-37 semanas ACONSELHAMENTO GENÉTICO Métodos biofísicos TN, ducto venoso, osso nasal Momento do rastreamento 11-14 semanas Teste duplo hCG + PAPP-A NIPT Rastreamento Momento da biópsia de vilo corial Entre 10-13 semanas Vantagem da amniocentese Menor perda Imagem: Mendelics BIÓPSIA DE VILO AMNIOCENTESE CORDOCENTESE 35 1. Trajeto Duro Conjunto dos ossos ilíaco, sacro e cóccix que compõem a pequena bacia pélvica. Estreitos Estreito Superior - CONJUGATA OBSTÉTRICA (10,5cm): da face interna da sínfise púbica até o promontório e 1,5cm menor que a conjugata diagonalis - CONJUGATA DIAGONALIS (12cm): da face inferior da sínfise até o promontório Durante o toque, quanto mais difícil de se atingir o promontório, sinal de que a bacia é mais favorável para o parto. Estreito Médio - Plano entre as espinhas esquiáticas (menor diâmetro) - Diâmetro biespinha ciática: 10,5cm - Corresponde ao plano zero de DeLee (insinuação) - Constituem referências para o bloqueio do nervo pudendo interno Estreito Inferior: - Conjugata exitus maior retropulsão o cóccix - Diâmetro anteroposterior: 9,5 à 11cm (o diâmetro aumenta por conta da retropulsão do cóccix durante o parto) - Ângulo subpúbico ideal > 90 graus Tipos de Bacia Ginecoide - Mais comum e mais favorável para o parto e forma ARREDONDADA Estreito superior arredondado Espinhas ciáticas não proeminentes Porção posterior espaçosa e paredes pélvicas paralelas Melhor prognóstico Androide - Mais relacionada à distócias e formato TRIANGULAR (“de coração”) Estreito superior triangular Paredes pélvicas convergentes Espinhas ciáticas proeminentes Ângulo subpúbico estreito Pior prognóstico Antropoide - O maior diâmetro é o anteroposterior Estreito superior elíptico Diâmetro transverso diminuído Espinhas ciáticas não proeminentes Aumento de posteriores e diretas Platipeloide - Mais rara e diâmetro transverso MUITO maior que o anteroposterior Estreito superior ovalado Diâmetro transverso amplo Estreito inferior semelhante a ginecoide Insinuação em transversa 2. Estática Fetal “Relações do feto com a bacia e com o útero” (1) APRESENTAÇÃO - Primeiro pólo que desce na pelve - Mais comum: cefálica - Parto prematuro aumenta a chance de parto pélvico - Se córmica mantida: indicação de cesariana Parto @ casalmedresumos Imagem: researchgate.net 1. Vera Anatômica 2. Conjugata Obstétrica 3. Conjugata Diagonal 4. Diâmetro AP do Estreito Médio 5. Conjugata Exitus Imagem: prenabe.com.br Imagem: fetalmed.net Imagem: researchgate.net Imagem: academiamedica.com.br Imagem: medpri.me 36 (2) SITUAÇÃO - Relação do maior eixo fetal com o maior eixo uterino - Mais comum: longitudinal - Se transversa mantida: indicação de cesariana - Se oblíqua: situação transitória (3) ATITUDE - Atitude: relação das partes fetais entre si - Se apresentação cefálica: Eixo Anteroposterior: FLEXÃO OU DEFLEXÃO Eixo Laterolateral: SINCLITISMO E ASSINCLITISMO - Mais comum: flexão generalizada (ovoide fetal) - Se apresentação pélvica: Pelvipodálica ou pélvica completa: NÁDEGAS, PÉ, COXA Pélvica simples ou incompleta: SOMENTE NÁDEGAS Apresentação Cefálica EIXO ANTEROPOSTERIOR FLEXÃO OU DEFLEXÃO FLETIDA OU OCCIPITAL Referência: lambda É a mais comum É a que apresenta menor diâmetro: suboccipitobregmático Diâmetro: 9,5cm DEFLETIDA DE 1º GRAU OU BREGMA Referência: bregma Se tiver lambda e bregma: considerar lambda (fletida) Diâmetro occipito-frontal: 12cm DEFLETIDA DE 2º GRAU OU FRONTE Referência: glabela É indicação absoluta de cesariana Diâmetro occipitomentoniano: 13,5cm DEFLETIDA DE 3º GRAU OU FACE Referência: mento Se mento posterior: indicação de cesariana Diâmetro submentobregmático: 9,5cm Apresentação Cefálica EIXO LATEROLATERAL SINCLITISMO E ASSINCLITISMO Sinclitismo Assinclitismo Posterior Assinclitismo Anterior SINCLITISMO Não há inclinação lateral Sutura sagital equidistante de pube e sacro ASSINCLITISMO Posterior (ou Litzmann): sutura sagital próxima ao pube Anterior (ou Nagele): sutura sagital próxima ao sacro Pode ser corrigida pelo fórcipe de Kielland Imagem: medpri.me Imagem: blog.casadadoula.com.br Imagem: pt.slideshare.net Imagem: medpri.me Imagem: upenet.com.br 37 Altura da Apresentação PLANOS DE DELLE A altura da apresentação é definida em centímetros positivos quando seu ponto mais baixo está abaixo do plano 0 de Delle e em centímetros negativos quando acima do mesmo. PLANOS DE HODGE (em desuso) Primeiro plano: borda superior do pube e promontório Segundo plano: borda inferior do pube ao meio da segunda vértebra sacra Terceiro plano: delimina-se nas espinhas ciáticas CORRESPONDE AO PLANO ZERO DE DE LEE Quarto plano: é traçada pela ponta do cóccix (4) POSIÇÃO - Relação do dorso fetal com abdome da mãe - A ausculta fetal é feita onde está o dorso (mais ou menos em região escapular) ATENÇÃO conceitos usados em questões: “POLO FETAL VOLUMOSO, DE SUPERFÍCIE IRREGULAR e REDUTÍVEL” = PELVE. “POLO FETAL MENOR, LISO e CONSISTENTE” = CABEÇA. “PEQUENA PARTE FETAL” = DORSO DO LADO CONTRÁRIO. Variedade de Posição Pontos de referência entre apresentação fetal e pelve da gestante Pontos de Referência na GESTANTE PERCEBA! - Se ponto de referência do feto próximo da pube: ANTERIOR - Se ponto de referência do feto próximo do sacro: POSTERIOR - Se ponto de referência do feto equidistanteentre pube e sacro: TRANSVERSO - Levar em consideração o LADO DA GESTANTE para definir entre ESQUERDA X DIREITA Legenda: 1. PÚBIS 2. EMINÊNCIA ILEOPECTÍNEA (variedades direita anterior e esquerda anterior) 3. EXTREMIDADE DO DIÂMETRO TRANSVERSO (variedades direita transversa e esquerda transversa) 4. ARTICULAÇÃO SACROILÍACA (variedades direita posterior e esquerda posterior) 5. SACRO Pontos de Referência no FETO ATITUDE/APRESENTAÇÃO (Referência) SÍMBOLO LINHA DE ORIENTAÇÃO Fletida (ref: Lambda) O Sagital D. 1º Grau (ref: Bregma) B Sagito-metópica D. 2º Grau (ref: Fronte) N Metópica D. 3º Grau (ref: Mento) M Nasal Pélvica (ref: Sacro) S Sulco interglúteo Córmica (ref: Acrômio) A Dorso IMPORTANTE! Se na imagem ver LAMBA E BREGMA CONSIDERAR LAMBDA! Treinamento: Manobra de Leopold - 1º tempo: situação - 2º tempo: posição (importante para ausculta de BCF) - 3º tempo: apresentação - 4º tempo: altura da apresentação/insinuação Sacro Pube Direita Anterior Esquerda Anterior Direita Posterior Esquerda Posterior Direita Transversa Esquerda Transversa Imagem: fetalmed.net Imagem: medpri.me Imagem: MedCel Imagem: bibliomed.com.br Imagem: enfermagempiaui.com.br 38 Pausa antes de continuar... INDICAÇÕES ABSOLUTAS DE CESARIANA DCP absoluta placenta prévia total herpes genital ATIVO apresentação córmica apresentação defletida de 2º grau condiloma obstruindo canal de parto (risco de papilomatose laríngea do RN) cesariana clássica (corporal/era utilizada antigamente). Obs: uma cesárea segmentar não contraindica um próximo parto vaginal, mas uma cesárea corporal, sim! Uma vez cesárea corporal, sempre cesárea corporal. 3. Motor TRÍPLICE GRADIENTE DESCENDENTE Sentido da propagação, intensidade e da duração da contração uterina. As metrossístoles começam e são mais intensas no fundo uterino e se propagam em direção ao colo. Trabalho de Parto Dilatação: 2 a 3 contrações/10 minutos Duração de 30-40 segundos Intensidade de 30-40mmHg Período Expulsivo: 5 contrações/10 minutos Duração de 60-80 segundos Intensidade de 50-60mmHg Indução do Parto Indicações: GRAVIDEZ PROLONGADA (> 41 semanas) RPMO ÓBITO FETAL Contraindicações: GESTAÇÃO MÚLTIPLA DESPROPORÇÃO CEFALOPÉLVICA APRESENTAÇÃO FETAL ANÔMALA HISTERECTOMIA CORPORAL PRÉVIA PLACENTA PRÉVIA SOFRIMENTO FETAL Métodos: PROSTAGLANDINAS (misoprostol, dinoprostone) OCITOCINA DESCOLAMENTO DIGITAL DAS MEMBRANAS: estimula a secreção de prostaglandinas MÉTODO DE KRAUSE: insuflar balão de Folley por dentro do orifício do colo para descolar as membranas e estimular a secreção de prostaglandinas. Geralmente a gestante expele em 24h. AMNIOTOMIA: estimula a contratilidade uterina Qual método escolher? COLO DESFAVORÁVEL colo fechado, posterior, grosso, sem dilatação BISHOP < 6 MISOPROSTOL Contraindicado em caso de cicatriz uterina COLO FAVORÁVEL colo dilatado, apagado, anterior, fino BISHOP > 9 OCITOCINA BISHOP 7-8 Avaliar individualmente Quais os parâmetros do BISHOP? (1) ALTURA DA APRESENTAÇÃO + 4 características do colo (2) DILATAÇÃO (3) APAGAMENTO (4) CONSISTÊNCIA (5) POSIÇÃO Método de Krause Imagem: umcomo.com.br Imagem: jakobi.com.br Imagem: Rezende, Obstetrícia Imagem: meuparto.com 39 Discinecia Quantitativa HIPOATIVIDADE Intensidade inferior a 25mmHg HIPOSSISTOLIA Frequência inferior a 2 contrações/10 minutos HIPERATIVIDADE Intensidade superior a 50mmHg TAQUISSISTOLIA Frequência superior a 5 contrações/10 minutos HIPERTONIA Por taquissistolia Por incoordenação Por sobredistensão (ex: gemelar, polidramnia) Autêntica (ex: DPP) Discinesia Qualitativa INVERSÃO DO TRÍPLICE GRADIENTE Predominância nas partes baixas INCOORDENAÇÃO UTERINA Lembre-se que existem 2 marca-passos próximos do corno uterino, que funcinoam normalmente de forma coordenada! 1º GRAU: ação alternada dos dois marca-passos 2º GRAU: marca-passos ectópicos (fibrilação) Tratamento HIPOATIVIDADE Ocitocina (!) Prostaglandina: + usada na indução Descolamento de membranas HIPERTONIA E HIPERATIVIDADE Parar uterotônico Decúbito lateral esquerdo Analgesia Tocolítico QUALITATIVAS Decúbito lateral esquerdo Ocitocina Analgesia Amniotomia 4. Assistência Clínica ao Parto Período Premonitório - CONTRAÇÕES IRREGULARES/PERCEPÇÃO DE CONTRAÇÕES Não confunda com as contrações de Brachton-Hicks, que ocorrem no 3º trimestre - ↑DAS SECREÇÕES CERVICAIS/PERDA DO TAMPÃO MUCOSO - FASE LATENTE DO TRABALHO DE PARTO 14h em multíparas e 20h em nulíparas 1º Período Clínico DILATAÇÃO - INÍCIO DO TRABALHO DE PARTO ATÉ DILATAÇÃO TOTAL Início do trabalho de parto: 2-3 contrações regulares, rítmicas, em 10 minutos + dilatação de 4-5cm - SÓ SAÍDA DE TAMPÃO MUCOSO NÃO FAZ DIAGNÓSTICO DE TRABALHO DE PARTO - Duração (MS): Primíparas: 10-12h Multíparas: 6-8h - Dieta: PERMITIR LÍQUIDOS CLAROS (águas, chás...) - Deambulação LIVRE - PRESENÇA DE acompanhante É DIREITO - Número de toques: A CADA 2-4 HORAS - Ausculta BCF: 30-30 MINUTOS se baixo risco 15-15 MINUTOS se alto risco Sempre antes, durante e após a contração - Cardiotocografia: NÃO É ROTINA EM BAIXO RISCO EVITAR: Enteróclise Tricotomia. Se fizer, só no momento da incisão Toques vaginais desnecessários Amniotomia: não fazer de rotina 2º Período Clínico EXPULSIVO DILATAÇÃO TOTAL ATÉ EXPULSÃO Contrações 5-10 minutos a cada 50-60 segundos - Duração (MS): Primíparas: até 3h (4h com analgesia) Multíparas: até 2h (3h com analgesia) - Posição ideal: DECISÃO MÉDICO-PACIENTE - Ausculta BCF: 15-15 MINUTOS se baixo risco 5-5 MINUTOS se alto risco Algumas literaturas relatam 5-5min para todos. Não há consenso. - Prestar AUXÍLIO NO DESPRENDIMENTO DOS OMBROS - MANOBRA DE RITGEN MODIFICADA para proteção do períneo - EPISIOTOMIA SELETIVA: se feto grande, parto a fórcipe - NÃO FAZER: episiotomia de rotina, manobra de Kristeller Mediana (ou Perineotomia) Médio-Lateral Lesa menos músculos Menor sangramento e dor Reparo cirúrgico mais fácil Ruim para distância reto- vaginal curta (risco: lesão de esfíncter anal) Escolha para distância reto- vaginal curta, mas maior risco de rotura de 3º e 4º grau 40 3º Período Clínico SECUNDAMENTO DESCOLAMENTO E EXPULSÃO DA PLACENTA Entre 10-20 minutos após expulsão fetal Prolongado se > 30 minutos Medidas rotineiras: OCITOCINA 10U IM pós-expulsão fetal TRAÇÃO CONTROLADA DO CORDÃO MASSAGEM UTERINA APÓS SECUNDAMENTO REVISÃO DO CANAL DE PARTO EPISIORRAFIA/SUTURA DE LACERAÇÕES EVITAR Tração INTEMPESTIVA DO CORDÃO Formas de secundamento: - SCHULTZE (“shining”) Face fetal/brilhosa/membranosa (mais comum) “Sai a placenta e depois vem a hemorragia” - DUNCAN (“dirty”) Face materna/cotilédones/cruenta “Sai placenta e sangue ao mesmo tempo” Manobras comuns no secundamento: - HARVEY: compressão leve na região do segmento uterino inferior após diagnosticado o descolamento placentário. - CREDÉ: expressão uterina visando auxiliar o descolamento placentário deve ser evitada pelo risco de inversão uterina. - JACOB-DUBLIN: torção axial da placenta para diminuir o risco de retenção de membranas. 4º Período Clínico PERÍODO DE GREENBERG - Definição: PRIMEIRA HORA APÓS O SECUNDAMENTO - Hemostasia do sítio de inserção placentário: MIOTAMPONAGEM (ligaduras vivas útero contraído “ligadura viva de Pinard”) TROMBOTAMPONAGEM INDIFERENÇA MIOUTERINA CONTRAÇÃO UTERINA FIXA: “globo de segurança” - Risco de hemorragia (4T): atonia uterina (principal causa), laceração de canal de parto, restos placentários, coagulopatia 5. Mecanismo Tempos Principais Tempos Acessórios Insinuação Flexão Descida Rotação Interna Desprendimento Deflexão Restituição (rotação externa) Desprendimento dos ombros Se pélvico... Cintura pélvica - Insinuação: diâmetro bitrocanteriano em oblíquo- Descida e rotação interna: assinclitismo da crista ilíaca e rotação - Desprendimento: SET ou SDT Cintura escapular - Insinuação: diâmetro biacromial oblíquo - Descida e rotação interna: rotação 45 graus - Desprendimento: espádua anterior, seguida da posterior Cabeça derradeira - Insinuação: diâmetro suboccipitofrontal em oblíquo - Descida e rotação interna: rotação 45 graus - Desprendimento: mento, boca, nariz, occipital E a CESARIANA? - PROCEDIMENTO: retirada do feto através de LAPAROTOMIA E HISTEROTOMIA. - INCISÃO MAIS UTILIZADA: PFANNENSTIEL - INDICAÇÕES MAIS COMUNS: FALHA DE PROGRESSÃO DURANTE O TRABALHO DE PARTO, HISTEROTOMIA PRÉVIA, APRESENTAÇÃO FETAL ANÔMALA, SOFRIMENTO FETAL. - INDICAÇÕES ABSOLUTAS: DESPROPORÇÃO CEFALOPÉLVICA, PLACENTA PRÉVIA TOTAL, HERPES GENITAL ATIVO, CONDILOMATOSE EXTENSA, PROLAPSO DE CORDÃO, MORTE MATERNA (FETO VIVO) - INDICAÇÕES RELATIVAS: GESTANTE HIV POSITIVO, APRESENTAÇÃO PÉLVICA, GEMELAR, CESARIANAS ANTERIORES, PRÉ-ECLÂMPSIA E a cesariana a pedido? Deve ser orientado as vantagens do parto vaginal, riscos do procedimento, etc. Deve ser realizada com IDADE GESTACIONAL DE 39 SEMANAS e ASSINADO TCLE. Ritgen E. Mediana E. Mediolateral Shultze Duncan Imagem: camilavieira.med.br 41 6. Partograma REGISTRO GRÁFICO DA FASE ATIVA DO TRABALHO DE PARTO LINHA DE AÇÃO 4H DEPOIS DA LINHA DE ALERTA LINHA DE ALERTA MARCA DEPOIS DO PRIMEIRO QUADRADINHO Na fase de dilatação... Fase ativa prolongada Parada secundária da dilatação No período expulsivo... Período pélvico prolongado Parada secundária da descida FASE ATIVA PROLONGADA - Dilatação cervical < 1cm/hora - Discinesia uterina? Fazer ocitocina PARADA SECUNDÁRIA DA DILATAÇÃO - Dilatação mantida em 2 horas - Cesárea, se contração boa (provavelmente é desproporção cefalopélvica); ocitocina, se contração ruim PERÍODO PÉLVICO PROLONGADO - Descida é lenta, mas não pára, no período expulsivo - Uterotônico se contrações ruins (exaustão materna), cesárea ou fórcipe ou vacuoextrador. Analisar as variáveis envolvidas! PARADA SECUNDÁRIA DA DESCIDA - Altura mantida por 1h no período expulsivo - Pode ser desproporção cefalopélvica. Conduta: geralmente cesárea (acima de 0 de DeLee) ou fórcipe (a partir de 0 de DeLee) PARTO TAQUITÓCITO/PRECIPITADO - Criança que nasce em menos de 4h após diagnosticada a fase ativa do trabalho de parto - Aumenta chance de hemorragia, danos fetais, laceração de trajeto e atonia uterina puerperal - Causas: iatrogenia com ocitocina, multíparas 42 7. Distócias Distócia de Espáduas - 1ª conduta: CHAMAR AJUDA! - Manobras: MCROBERTS + PRESSÃO SUPRAPÚBICA/RUBIN I (foto abaixo). Segunda linha: WOODS/RUBIN II, JACQUEMIER, GASKIN. Outros: fratura intencional de clavícula, manobra de Zavanelli - Não fazer: KRISTELLER, TRAÇÃO CERVICAL Manobra de McRoberts: hiperflexão + abdução das coxas Woods (saca rolha): mão na clavícula do feto + rotação Rubin II: mão na escápula + rotação Jacquemier: remoção do braço posterior Gaskin: posição de 4 apoios Zavanelli: “empurrar o feto para dentro” e fazer cesariana. Saber que existe. Não é utilizada de rotina. Complicações no Parto Pélvico Braços presos... Desprendimento in situ (“vai com uma mão e tira um braço, vai com a mão e tira o outro braço”) Manobra de Bracht: joga dorso fetal no abdome da mãe Manobra de Rojas: rodar a criança mais de 180º para “sair em espiral” Manobra de Lôvset: idêntica a Rojas. Mas com rotação de até 180 graus Manobra de Deventer-Muller: movimentos pendulares de elevação e descida do tronco fetal, facilitando o acesso aos braços. Manobra de Pajot: liberação dos braços fetais através da introdução da mão do obstetra na vagina, como abaixamento do braço fetal. Utilizada nos casos de braços rendidos. Imagem: Advanced Practice Strategies Imagem: doctorstock.com Imagem: Felipe Lage Starling Imagem: Felipe Lage Starling Imagens: slideplayer.com.br | TEGO, 2003 43 Cabeça presa... Manobra de Bracht: joga o dorso no abdome Manobra de Liverpool: joga o dorso no abdome da mãe e solta Fórcipe de Piper Manobra de Mauriceau: feto apoiado sobre o antebraço do obstetra, que introduz o os dedos médio e indicador na boca do feto, fletindo o pólo cefálico. 8. Parto Prematuro Conceito: - Parto ENTRE 20-22 SEMANAS e ANTES DE 37 SEMANAS Fatores de Risco: - PREMATURO ANTERIOR (!) - SOBREDISTENSÃO UTERINA (polidramnia, gemelar, macrossomia, etc) - RPMO - INFECÇÕES - FATORES CERVICAIS - ANEMIA, DESNUTRIÇÃO Quadro Clínico: - CONTRAÇÕES UTERINAS REGULARES < 37 SEMANAS + - DILATAÇÃO CERVICAL E/OU APAGAMENTO CERVICAL Rastreamento/Predição: MEDIDA DO COLO COM USG (18 e 24 semanas) - Colo < 20-25mm: RISCO MAIOR indicado medida preventiva com PROGESTERONA. FIBRONECTINA FETAL NA VAGINA - “COLA” DO TROFOBLASTO, liberada nas secreções cervicais quando há ruptura da interface materno-fetal - Se normal: pode liberar a paciente (“não nasce em 7 dias”) - ALTO VALOR PREDITIVO NEGATIVO (!) Prevenção: - REPOUSO: pouca eficácia comprovada - TRATAMENTO DE INFECÇÕES - CIRCLAGEM UTERINA: se parto prematuro anterior E colo curto (polêmico na literatura) - PROGESTERONA VAGINAL (!): se colo curto OU parto prematuro anterior. Então... - Colo curto OU parto prematuro anterior: PROGESTERONA - Colo curto E parto prematuro anterior: PROGESTERONA +/- CIRCLAGEM Imagens: slideplayer.com.br | TEGO, 2003 Imagem: fetalmed.net 44 Conduta: - > 34 semanas: PARTO - Entre 24-34 semanas Tocólise Corticoterapia Neuroproteção Profilaxia para GBS TOCÓLISE Tentativa de atrasar o parto. Critérios básicos: (1) trabalho de parto prematuro; (2) idade gestacional 24-34 semanas; (3) membranas íntegras; (4) até 4-5cm de dilatação Contraindicações: SFA INFECÇÃO/CORIOAMNIONITE DOENÇA MATERNA DE DIFÍCIL CONTROLE (HAS grave, DPP). RPMO (relativa) Opções medicamentosas: BETAMIMÉTICOS (salbutamol, terbutalina) Taquicardia, tremores, náuseas... Pouco utilizado atualmente! INDOMETACINA Risco de fechamento do ducto arterioso. Não usar se > 32 semanas. NIFEDIPINA 1ª escolha por alguns autores. É barato, VO e efetivo. ANTAGONISTA DA OCITOCINA (ATOSIBAN) Caro. Poucos efeitos colaterais. ATENÇÃO SITUAÇÕES DE PROVA! - EVITAR BETAMIMÉTICO se EAP, DM - NÃO USAR INDOMETACINA se > 32 SEMANAS (fecha ducto arterioso) - EVITAR NIFEDIPINA se HIPOTENSÃO, ICC - ATOSIBAN: POUCO EFEITO COLATERAL CORTICOIDE - ACELERA A MATURAÇÃO PULMONAR FETAL ENTRE 24-34/36 SEMANAS - BETAMETASONA OU DEXAMETASONA IM POR 2 DIAS: outros corticoides, como prednisona, não funcionam! Outros benefícios da corticoterapia: ↓Doença da membrana hialina ↓Hemorragia intraventricular ↓Enterocolite necrotizante ↓Mortalidade neonatal NEUROPROTEÇÃO - SULFATO DE MAGNÉSIO SE 24-32 SEMANAS (Zuspan). Também possui efeito tocolítico, mas fraco. PROFILAXIA GBS - Indicada em toda paciente com TRABALHO DE PARTO PREMATURO E CULTURA DESCONHECIDA. Escolha: penicilina cristalina. Alternativa: ampicilina. Vimos os detalhes em resumos anteriores! RPMO Conceito: - ROTURA ESPONTÂNEA DAS MEMBRANAS APÓS 20 SEMANAS Antes desse período, consideramos abortamento. Diagnóstico: AMANNESE + EXAME FÍSICO - Padrão-ouro: EXAME ESPECULAR - Métodos auxiliares: TESTE DA NITRAZINA (↑pH vaginal: > 6-6,5). Interferem na avaliação = sangue, sabão, sêmen, secreção, cervicite, vaginose, urina alcalina, etc. TESTE DE CRISTALIZAÇÃO POSITIVO TESTE AMNISURE: ↑S e E, pesquisa a alfa microglobulina placentária, que está elevada no líquido amniótico USG: oligodramnia DOSAGEM DE ALFAFETOPROTEÍNA: enzima produzida pelo fígado fetal que está presente em altas concentrações no líquido amniótico, mas não na vagina de mulheres grávidas. PRESENÇA DE ELEMENTOS FETAIS EM SECREÇÃO VAGINAL: lanugem e células da epiderme fetal/orangiófilas) TESTE ACTIMPROM: detecta a proteína de ligação ao fator de crecimento insulina-like-1 [IGFBP] TESTE DO FENOLVERMELHO: tampão vaginal + gotas do reagente = alteração da coloração de laranja para vermelho Conduta: - Corioamnionite (febre + 2 dos seguintes: leucocitose, taquicardia materna [> 100] ou fetal [> 160], útero doloroso, líquido fétido)? PARTO (independente da IG) de preferência pela via VAGINAL. - Sofrimento fetal agudo? PARTO! - Sem infecção e sem SFA? 24-34 semanas: CORTICOIDE + ANTIBIÓTICO (ampicilina 2g IV 6/6h + azitromicina 1g VO) > 34 semanas: PARTO Não é pra fazer tocólise! IG > 34* semanas Com infecção/corioamnionite Febre > 37,8 + 2 dos seguintes: Leucocitose Taquicardia materna (> 100) Taquicardia fetal (> 160) Sensibilidade uterina Secreção purulenta PARTO Preferencialmente VAGINAL IG 24-34* semanas Sem infecção/corioamnionite **OBS: ZUGAIB e USP(SP) usam como ponto de corte 36 semanas. CONDUTA CONSERVADORA Corticoterapia ATBterapia Parto com 34 semanas (*) Lembre: RPMO é contraindicação (relativa) à tocólise! 45 FIXAÇÃO DO CONTEÚDO TRAJETO E MOTOR Tamanho da conjugata diagonalis 12cm Local mais estreito da pelve Biespinha ciática Pelve mais favorável para o parto Ginecoide Método para indução se Bishop < 6 Misoprostol BISHOP > 9? Ocitocina ESTÁTICA E MECANISMO Tipos de apresentação Cefálica, pélvica e córmica Ponto de referência e linha na cefálica defletida de 2º grau Glabela Sutura metópica Tempos principais do parto cefálico Insinuação Descida Desprendimento Principal manobra no parto pélvico Bracht ASSISTÊNCIA AO PARTO Fases Clínicas Dilatação Expulsão Secundamento 4º período O que não fazer na dilatação Enteróclise Tricotomia. só no momento da incisão Toques vaginais desnecessários Amniotomia de rotina O que fazer no 3º período Ocitocina Tração controlada Massagem Diagnósticos do partograma no 2º período Parto pélvico prolongado Parada secundária da descida PREMATURIDADE E RPMO Predição do parto prematuro USG do colo Fibronectina Prevenção do parto prematuro Progesterona Objetivo da tocólise Corticoterapia Principal diagnóstico na RPMO Anamnese + exame especular Parto na RPMO > 34 semanas Infecção 46