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INFECÇÕES CONGÊNITAS P R O F . N A T A L I A C A R V A L H O E P R O F . H E L E N A S C H E T I N G E R Estratégia MED Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Infecções congênitas 2OBSTETRÍCIA E PEDIATRIA PROF. NATALIA CARVALHO & PROF. HELENA SCHETINGER INTRODUÇÃO: @prof.helenaped @profnataliacarvalho@estrategiamed /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed @estrategiamed As infecções congênitas são aquelas que passam para o feto por transmissão vertical durante a gestação, o parto ou a amamentação, e levam a complicações que podem aparecer na vida intrauterina, no período neonatal ou até mais tardiamente, na infância e na vida adulta. Neste resumo faremos uma visão geral sobre as principais infecções congênitas e em seguida falaremos individualmente sobre cada uma delas, porém algumas doenças estarão em um resumo à parte por serem de extrema importância, como é o caso da sífilis, das hepatites e do HIV. Para você ganhar tempo, ao longo do texto, daremos dicas e conceitos-chave para facilitar o conhecimento e a diferenciação das doenças, no final, você estará pronto para enfrentar qualquer questão sobre esse assunto e arrasar nas provas! Então, venha com a gente e vamos dar mais um passo no caminho de sua aprovação! https://www.instagram.com/prof.helenaped/ https://www.instagram.com/prof.helenaped/ https://www.instagram.com/profnataliacarvalho https://www.instagram.com/profnataliacarvalho https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://t.me/estrategiamed https://t.me/estrategiamed https://www.tiktok.com/@estrategiamed https://www.tiktok.com/@estrategiamed Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 3 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA SUMÁRIO 1.0 INFECÇÕES CONGÊNITAS 4 2.0 HIV NA GESTAÇÃO 6 3.0 HEPATITE B NA GESTAÇÃO 10 4.0 HEPATITE C NA GESTAÇÃO 13 5.0 TOXOPLASMOSE NA GESTAÇÃO 14 5.1 DIAGNÓSTICO NA GESTAÇÃO 16 5.2 TRATAMENTO DA TOXOPLASMOSE NA GESTAÇÃO 19 5.3 TOXOPLASMOSE CONGÊNITA 21 6.0 CITOMEGALOVÍRUS 24 6.1 INFECÇÃO CONGÊNITA POR CMV 26 7.0 RUBÉOLA 27 7.1 RUBÉOLA CONGÊNITA 29 8.0 PARVOVÍRUS B19 33 9.0 HERPES SIMPLES 34 10.0 DENGUE NA GESTAÇÃO 35 11.0 VARICELA CONGÊNITA 39 12.0 TABELA COMPARATIVA DAS PRINCIPAIS INFECÇÕES CONGÊNITAS 40 13.0 LISTA DE QUESTÕES 42 14.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 43 15.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 44 Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 4 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA CAPÍTULO 1.0 INFECÇÕES CONGÊNITAS As principais infecções congênitas são: Toxoplasmose, Rubéola, Citomegalovírus, Hepatites virais, HIV e Sífilis. Além dessas, outras infecções maternas mais raras também podem cursar com infecção congênita, como na infecção por parvovírus B19, herpes simples, varicela-zoster, Zika vírus, dengue e doença de Chagas. T O R C H S Toxoplasmose Outras: Malária, Chagas, Parvovírus B19, Zika Vírus, Varicela Zoster Rubéola Citomegalovírus Herpes Simples, Hepatites, HIV Sífilis As infecções congênitas aumentam a morbimortalidade perinatal, por isso o rastreamento sorológico dessas doenças durante a gestação é importante para o diagnóstico e o tratamento precoce, quando este existir. Não existe um consenso internacional sobre quais dessas doenças devem ser rastreadas durante o pré-natal. No Brasil, o Ministério da Saúde preconiza que seja feita triagem sorológica para todas as gestantes, a fim de prevenir a transmissão vertical das seguintes doenças: sífilis, HIV,hepatite B e C e toxoplasmose. O momento da testagem de cada uma dessas doenças está resumido na tabela a seguir e será detalhado ao longo deste material. O acrônimo TORCH foi inicialmente descrito para agrupar algumas infecções congênitas: Toxoplasmose, Outras (parvovírus, malária, doença de Chagas), Rubéola, Citomegalovírus e Herpes. Posteriormente, esse acrônimo ficou conhecido como TORCHS, acrescentando Hepatite B e C, HIV e Sífilis. Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 5 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Fonte: MS, 2022 Para testagem dessas infecções, dá-se preferência à utilização de teste rápido, pela maior praticidade e rapidez em iniciar as medidas necessárias para diminuir o risco de transmissão vertical. Quando utilizar o teste laboratorial, preconiza-se que o resultado esteja disponível em até 14 dias. As outras infecções congênitas devem ser rastreadas conforme suspeita pelo quadro clínico materno ou fetal. A transmissão vertical depende de diversos fatores, incluindo a imunidade materna, a idade gestacional que a infecção ocorreu e se a infecção é primária, secundária ou reativação. Sabemos que infecções primárias, transmitidas via placenta, no início da gestação são muito mais danosas para o feto do que infecções secundárias transmitidas no final da gestação, afinal, esse é o período da organogênese. Por outro lado, quando a infecção é adquirida tardiamente, a placenta está mais desenvolvida e o risco de transmissão vertical é maior. A figura 1 ilustra a relação entre a transmissão e a gravidade de acordo com a idade gestacional do acometimento materno. Figura 1. Gráfico ilustrativo do risco de transmissão e gravidade das infecções congênitas conforme a idade gestacional. Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 6 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA A maioria das infecções congênitas são transmitidas por via transplacentária, porém, em algumas doenças, ela acontece durante o parto, como é o caso da infecção pelo HIV, hepatite B e C , herpes simples, Coxsackie e malária. Já a transmissão pela amamentação é bem rara e foi comprovada apenas na infecção pelo HIV, HTLV e Hepatite B, no caso de lesão mamária de sífilis ou herpes simples. Embora haja relato de transmissão vertical durante a amamentação, o aleitamento materno só é proscrito nos casos de HIV e HTLV materna. Diversas são as manifestações fetais e neonatais que podem ocorrer diante de uma infecção congênita. Falaremos das manifestações de cada infecção congênita de forma individual, mas aqui vai um resumo para melhor fixação TOXOPLASMOSE • Calcificações intracranianas • Hidro ou microcefalia • Coriorretinite • Retardo mental RUBÉOLA • Retinopatia, catarata, glaucoma • Malformações cardíacas • Perda auditiva ZIKA VÍRUS • Microcefalia • Calcificações intracranianas • Artrogripose • Microftalmia • Perda auditiva SÍFILIS • Anormalidades esqueléticas • Lesões cutâneas • Pseudoparalisia de Parrot • Hepatoesplenomegalia CITOMEGALOVÍRUS • Calcificações periventriculares • Hepatoesplenomegalia • Trombocitopenia • Perda auditiva Então, vamos começar a conhecer cada uma dessas doenças. 2.0 HIV NA GESTAÇÃO A gestação é um momento oportuno para identificar a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). A gestante deve ser orientada sobre os benefícios do diagnóstico precoce, tanto para o controle da infecção materna como para a prevenção da transmissão vertical. O tratamento adequado das gestantes vivendo com HIV e as medidas de prevenção intraparto são capazes de reduzir drasticamente as taxas de transmissão vertical de 15 a 45% para menos de 2%. O HIV é um vírus RNA de cadeia simples, encapsulado, pertencente à família Retroviridae. Existem os subtipos HIV-1 e HIV-2. A infecção pelo HIV ocorre principalmente por sua penetração nas mucosas do trato genital ou retal durante relação sexual. O HIV infecta principalmente os linfócitos TCD4+ e dissemina-se pelos tecidos linfoides, causando a síndrome da imunodeficiência adquirida (sida ou aids),das lesões maternas, da prevenção de recorrência, da indicação de cesariana em caso de lesões ativas genitais no momento do parto e suspendendo o aleitamento se houver comprometimento das mamas. Na gestante, o tratamento é feito com aciclovir, tentando evitar tratamento no primeiro trimestre, apesar de estudos não mostrarem aumento do risco de malformações fetais. A dose para o tratamento das lesões agudas na gestante é de 400mg, 3x ao dia, ou 200mg, 5x ao dia, via oral, por sete a dez dias. CAPÍTULO Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 37 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA A prevenção da herpes congênita deve ser realizada em todas as gestantes que já foram infectadas. Para isso, deve-se utilizar aciclovir por volta da 36ª semana de gestação, mesmo na ausência de sintomas, em gestantes com herpes genital prévia, para prevenir a recorrência no termo e evitar o parto cesáreo. Caso a gestante apresente o primeiro episódio de herpes genital no momento do parto ou até seis semanas antes, é indicado realizar o parto cesáreo, apesar de não haver nenhum estudo randomizado que mostre a efetividade da cesárea em prevenir transmissão de herpes neonatal. Frente à infecção herpética genital recorrente no momento do parto, também é indicado o parto cesárea. Orientar também que pessoas com lesões ativas não devem tocar no bebê. O RN infectado deve ser mantido em isolamento de contato. 10.0 DENGUE NA GESTAÇÃO A Dengue, uma infecção viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, apresenta desafios particulares durante a gravidez e o pós- parto devido às alterações fisiológicas que podem aumentar o risco de formas graves da doença e de complicações tanto para a mãe quanto para o concepto. Dados do ministério da saúde indicam que o número de casos de dengue em gestantes aumentou mais de 300% em 2024. Gestantes e puérperas até 14 dias pós-parto são particularmente suscetíveis a desenvolver formas graves da dengue, que podem levar a complicações como choque, hemorragias e, em casos extremos, morte. Os riscos perinatais incluem prematuridade, restrição de crescimento intrauterino e morte fetal. A taxa de óbito materno é quatro vezes maior em gestantes com dengue, principalmente no terceiro trimestre de gestação. Dengue é uma doença febril aguda causada por um arbovírus da família Flaviviridae, cujo genoma é composto por RNA. O vírus da dengue é transmitido por meio da picada da fêmea infectada de mosquitos das espécies Aedes aegypti. Sua reprodução ocorre com a deposição de ovos em água parada; por essa razão, essa doença é mais comum em áreas com ocupação urbana desordenada e com más condições sanitárias. CAPÍTULO Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 38 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA A transmissão vertical do vírus da dengue é rara e ocorre quando a infecção materna se dá próxima do parto, com risco de infecção para o neonato. As complicações para o feto, como prematuridade, restrição de crescimento e óbito fetal ocorrem em decorrência do aumento das citocinas pró-inflamatórias na gestante e não pela transmissão vertical. Para a prevenção da Dengue deve-se eliminar os criadouros do mosquito, proteger-se da picada do mosquito e realizar vacinação. A vacina de dengue não é permitida na gestação e durante a amamentação, por tratar-se de vírus vivo atenuado. Dada a falta de tratamento específico e vacinas seguras durante a gravidez, a prevenção da dengue, com eliminação dos criadouros e proteção contra a picada do mosquito, é fundamental. Recomenda-se a adoção de medidas de controle de vetores (eliminação dos criadouros de mosquito). As práticas de proteção individual para evitar a picada do mosquito estão resumidas a seguir: Uso de repelentes - DEET, Icaridina e IR3535 Redes protetoras, ar-condicionado e janelas fechadas Uso de mangas longas e calças compridas de cor clara A infecção da Dengue aumenta a produção de citocinas pró-inflamatórias, levando à trombocitopenia e aumento da permeabilidade vascular, alterações responsáveis pelas complicações maternas e fetais ocasionadas pela dengue, por estimular o útero e aumentar a permeabilidade capilar placentária. A maioria das gestantes com dengue irá apresentar sintomas leves da doença, sendo que somente 5% delas evoluem para quadros graves, com hemorragias, choque e falência de múltiplos órgãos. São reconhecidas três fases clínicas da dengue: febril, crítica e de recuperação. As principais manifestações clínicas da fase febril são: febre, cefaleia, exantema maculopapular, mal-estar, astenia, mialgia, artralgia (normalmente de baixa intensidade), dor retro orbitária, anorexia, náuseas, náuseas, vômitos e diarreia. Na fase crítica surgem os sinais de alarme, que indicam maior evolução para as formas graves da doença. Os sinais de alarme da dengue são: • Dor abdominal intensa e contínua • Vômitos persistentes • Acúmulo de líquidos nas cavidades virtuais • Hipotensão postural e/ou lipotimia • Hepatomegalia • Sangramento de mucosa • Sinais de acometimento do sistema nervoso central • Aumento do hematócrito (>10%) e queda de plaquetas Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 39 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA A dengue grave caracteriza-se por extravasamento plasmático intenso, cursando com aumento de hematócrito e hipoalbuminemia. Pode ocorrer ascite e derrame pleural, evoluir para choque, hemorragias e acometimento de outros órgãos, com coagulação intravascular disseminada, acidose metabólica e disfunção cardíaca e pulmonar. Os sinais de gravidade da dengue são: • Taquicardia • Extremidades distais frias, pulso fraco e filiforme, enchimento capilar lento (>2 segundos) • Pressão diferencialnormal Hemoconcentração ascendente ou sinais de alarme Grupo C Internação hospitalar mínimo 48h Exames complementares Reavaliação clínica após 1h Manter hidratação 10ml/kg/h por mais de 1h Reavaliação clínica e laboratorial após 2h Melhora clínica e laboratorial Sem melhora clínica ou laboratorial • Repetir fase de expansão até três vezes • Manter reavaliação clínica após 1 hora e de hermatócrito em 2 horas • Sem melhora clínica e laboratorial, conduzir como grupo D Critérios de alta • Estabilização hemodinâmica durante 48 horas. • Ausência de febre por 24 horas. • Melhora visível do quadro clínico. • Hematócrito normal e estável por 24 horas. • Plaquetas em elevação. Fase de manutenção 1 fase: 25 ml/kg em 6h 2 fase: 25 ml/kg em 8h Resposição volêmica endovenosa 10ml/kg/h Grupo D: Gestantes e puérperas com sinais de gravidade. Internação leito mínimo 48h Exames complementares Reavaliação clínica a cada 15 a 30 min e hematócrito em 2h Melhora clínica e de hematócrito Resposta inadequada com persistência do choque Hematócrito em elevação Expansores plasmáticos (albumina ou coloides sintéticos) Hematócrito em queda sem melhora do choque Hematócrito em queda com melhora do choque e ausência de sangramento Retornar para fase expansão grupo C Investigar coagulopatias de consumo e hemorragia Observar outros sinais de gravidade Resposição volêmica endovenosa 20ml/kg/ em 20 Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 41 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Com relação aos cuidados obstétricos da gestante com dengue, deve-se suspender o uso de AAS profilático, retornando 1 semana após a remissão da doença. Os anticoagulantes devem ser suspensos quando a contagem de plaquetas for menor do que 30 mil, retornando após a remissão da infecção. A avaliação da vitalidade fetal deve ser feita com ultrassonografia e cardiotocografia. A frequência desse exame depende da idade gestacional e das condições fetais. De maneira geral, faz-se cardiotocografia diária e ultrassonografia a cada 3 a 5 dias para gestantes internadas. A dengue por si só não indica a resolução da gestação e nem modifica a via de parto. O ideal é aguardar o período de viremia e melhora clínica materna para resolução da gestação, quando necessário e possível. A melhor opção de parto para gestantes com dengue é o parto via vaginal, preferentemente com plaquetas acima de 50.000/mm. Nas cesarianas, as plaquetas devem ser mantidas acima de 70 mil. Recomenda-se que a ocitocina profilática universal do pós-parto seja feita por via endovenosa, evitando a via intramuscular nas pacientes com dengue pelo risco de complicações hemorrágicas no local da punção. A inibição do trabalho de parto pré-termo, quando necessária, deve ser feita com atosibana (preferentemente) ou nifedipina e é permitido o uso de corticoide para maturação pulmonar. O sulfato de magnésio pode ser utilizado em gestantes com dengue (sem choque ou hemorragias) com menos de 32 semanas ou nos casos de pré-eclâmpsia grave. O aleitamento materno é permitido e não há transmissão vertical por essa via. Deve-se fazer seguimento do neonato para avaliar a transmissão vertical se o nascimento ocorrer entre 10 dias antes e 10 horas após o início do quadro febril. A dengue congênita é frequentemente subdiagnosticada. No mundo, há poucos casos relatados da doença. Os neonatos podem apresentar plaquetopenia, malformações do tubo neural, prematuridade e baixo peso ao nascer. As manifestações ainda podem mimetizar um quadro de sepse neonatal. 11.0 VARICELA CONGÊNITA A infecção congênita é pouco frequente e observada principalmente no segundo trimestre de gestação. CARACTERÍSTICAS-CHAVE DA VARICELA CONGÊNITA LESÕES CUTÂNEAS + MALFORMAÇÃO DE MEMBROS O principal aqui é lembrarmos que neonatos filhos de mães que adquiriram a doença em até dois dias antes do parto ou até cinco dias depois devem realizar a imunoglobulina anti-varicela-zóster em dose única. O tratamento em caso de infecção confirmada deve ser realizado com aciclovir. CAPÍTULO Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 42 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 12.0 TABELA COMPARATIVA DAS PRINCIPAIS INFECÇÕES CONGÊNITAS Características Toxoplasmose Citomegalovírus Rubéola Parvovírus Zika vírus Etiologia Toxoplasma gondii-protozoário. DNA herpesviridae. RNA vírus togavirus. Parvovirus B19- DNA vírus. Arbovírus do gênero Flavivírus. Transmissão Ingestão de oócitos em comida, água ou solo contaminado ou ingestão de cistos em carnes cruas ou malcozidas. Contato com fluidos corporais infectados. Contato interpessoal íntimo e prolongado por gotículas da nasofaringe. Via respiratória e sanguínea. Picada do mosquito Aedes aegypti e via sexual. Transmissão vertical Via transplacentária, raramente no parto e na amamentação. Via transplacentária, raramente no parto e na amamentação. Via transplacentária. Via transplacentária. Via transplacentária. Manifestação clínica Febre, mialgia, linfadenomegalia cervical, rash, coriorretinite. Quadro mononucleose- símile. Eritema maculopapular centrífugo, febre, cefaleia, conjuntivite, coriza, tosse e linfadenomegalia. Eritema infeccioso na infância, adultos assintomáticos , aplasia eritrocitária. Doença exantemática, febre, mialgia, artralgia, conjuntivite, cefaleia, prurido. Manifestação congênita Tétrade de Sabin: Coriorretinite, hidrocefalia/ microcefalia e calcificações intracranianas, retardo mental. Surdez, restrição de crescimento, microcefalia, ventriculomegalia, calcificações intracranianas periventriculares. Surdez, defeitos cardíacos, alterações oculares e alterações neurológicas. Anemia, hidropisia fetal não imune. Microcefalia, microftalmia, pé torto congênito, artrogripose, hidropisia, restrição de crescimento. Características Toxoplasmose Citomegalovírus Rubéola Parvovírus Zika vírus CAPÍTULO Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 43 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Diagnóstico materno Sorologia IgM positivo, teste de avidez abaixosua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://estr.at/J9Xs https://estr.at/J9Xs https://estr.at/J9Xs Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 45 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA CAPÍTULO 14.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical do HIV, Sífilis e Hepatites Virais, 2022. 2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), 2020. 3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Protocolo de Notificação e Investigação: Toxoplasmose gestacional e congênita. 2018. 4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico Especial. Vigilância em saúde no Brasil 2003-2019. 2018. 5. Universidade Federal da Bahia. Protocolo de infecção na gravidez. 2016. 6. FEBRASGO. Guia prático: infecções no ciclo gravídico-puerperal. 2016. 7. Zugaib obstetrícia 4 ed. Manole 2020. 8. Neu N, DuchonJ, ZachariahP. TORCH infections.Clin Perinatol 2015;42:77. 9. FEBRASGO. Coleção FEBRASGO Medicina Fetal. Elsevier 2012. 10. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico Especial. Síndrome congênita associada a infecção pelo vírus Zika. 2018. 11. Pena LT, Importância do teste de avidez da imunoglobulina G ( IgG) anti- Toxoplasma Gonddi no diagnóstico da toxoplasmose em gestantes. Rev Inst Adolfo Lutz. 2013; 72(2):117-23 12. Kieffer F, Congenital toxoplasmosis. Handbook of Clinical Neurology, Vol. 112 (3rd series) 13. Tratado de Pediatria da Sociedade Brasileira de Pediatria – 5a Edição. 14. Nelson textbook of pediatrics – 21ª edição. Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 46 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 15.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Lembre-se de que aqui, no Estratégia MED, temos o Fórum de dúvidas! Se você tiver qualquer dúvida ou dificuldade, tanto com a teoria quanto com a resolução das questões, você pode comunicar-se com a gente sempre que achar necessário e estaremos a postos para ajudá-lo. Pensamos em tudo para que você consiga entrar nas melhores Residências Médicas do País! Estudando nosso material com muita dedicação e disciplina, temos certeza de que você será aprovado e cada esforço terá valido a pena! Além disso, recomendo que siga o perfil do Estratégia MED nas redes sociais! 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Natália Carvalho Helena Schetinger CAPÍTULO Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 47 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA http://med.estrategia.com/ 1.0 INFECÇÕES CONGÊNITAS 2.0 HIV na gestação 3.0 HEPATITE B NA GESTAÇÃO 4.0 HEPATITE C NA GESTAÇÃO 5.0 Toxoplasmose na Gestação 5.1 Diagnóstico na gestação 5.2 Tratamento da Toxoplasmose na Gestação 5.3 Toxoplasmose Congênita 6.0 CITOMEGALOVÍRUS 6.1 Infecção congênita por CMV 7.0 RUBÉOLA 7.1 Rubéola congênita 8.0 PARVOVÍRUS B19 9.0 HERPES SIMPLES 10.0 DENGUE NA GESTAÇÃO 11.0 VARICELA CONGÊNITA 12.0 Tabela comparativa das principais infecções congênitas 13.0 LISTA DE QUESTÕES 14.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 15.0 CONSIDERAÇÕES FINAISpor levar a uma redução dos linfócitos T CD4+. A transmissão vertical do HIV pode ocorrer intraparto, na forma intrauterina ou durante o aleitamento materno. A principal via de transmissão vertical do HIV é intraparto (75% dos casos). A transmissão intrauterina ocorre principalmente no fim da gestação e é responsável por 25% dos casos de infecção congênita pelo HIV. O aleitamento materno está associado ao acréscimo do risco de transmissão vertical de 7 a 22%. CAPÍTULO Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 7 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Os principais fatores de risco para a transmissão vertical do HIV são a carga viral elevada e a ausência de tratamento com TARV. Sendo assim, as principais medidas para reduzir a transmissão vertical do HIV são: • uso de terapia antirretroviral ao longo da gestação; • zidovudina parenteral anteparto em pacientes com carga viral detectável; • zidovudina xarope para o recém-nascido; • contraindicação à lactação, independentemente da carga viral. Todas as gestantes devem ser testadas para HIV na primeira consulta de pré-natal, no início do terceiro trimestre, no momento do parto/aborto e em situações de exposição de risco ou violência sexual. Realizar testagem para HIV Pré-natal 1° cosulta do pré-natal, idealmente no 1° trimestre da gestação Maternidade parto/ aborto Início do 3° trimestre da gestação (28ª semana) Sempre que houver história de exposição de risco/ violência sexual Os testes rápidos são os métodos preferenciais para o rastreamento e diagnóstico do HIV, pois permitem o resultado rápido, com início precoce da TARV e diminuição da transmissão vertical. Para o diagnóstico de HIV, devemos sempre fazer dois exames. Podem ser feitas as seguintes combinações para diagnosticar a infecção pelo HIV: Dois testes rápidos com amostra de sangue (de fabricantes diferentes). Um teste rápido usando fluido oral e outro teste rápido usando sangue. Um imunoensaio de 3ª ou 4ª geração e um teste molecular (carga viral). Um imunoensaio de 3ª ou 4ª geração e um western blot ou imunoblot rápido. Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 8 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Se ambos os testes forem positivos, temos um diagnóstico confirmado de infecção pelo HIV. Se os testes forem discordantes, temos que fazer um 3º teste diferente dos anteriores. Após confirmação diagnóstica na gestação, devemos solicitar carga viral (CV), contagem de células CD4+, genotipagem e iniciar a terapia antirretroviral (TARV). A genotipagem é importante para rastrear possível resistência à ação das medicações e deve ser realizada para toda gestante vivendo com HIV. A contagem de células CD4+ deve ser realizada na primeira consulta de pré-natal e a cada 3 meses em gestante em início de tratamento. Se a gestante já fazia uso de TARV e está com CV indetectável, dosar somente na primeira consulta e com 34 semanas de gestação, juntamente com a CV-HIV. A CV-HIV é um dos fatores mais importantes na avaliação do risco de transmissão vertical, por isso auxilia no acompanhamento e na definição da via de parto. A taxa de transmissão vertical é 1000 cópias ou desconhecida CV > detectávelsangue periférico para realização de CV-HIV (apenas para maiores de 2500g) Iniciar profilaxia antirretroviral (de preferência nas primeiras 4 horas de vida) Orientar a não amamentação E qual a quimioprofilaxia indicada para o neonato? Vai depender do risco de exposição e de sua idade gestacional. Primeiro, vamos indicar o risco. ALTO RISCO Mães sem pré-natal, OU Mães sem TARV durante a gestação, OU Mães com indicação de profilaxia no momento do parto e que não a receberam, OU Mães com início de TARV após 2ª metade da gestação, OU Mães com infecção aguda pelo HIV durante a gestação, OU Mães com CV-HIV detectável no 3º trimestre, recebendo ou não TARV, OU Mães sem CV-HIV conhecida, OU Mães com Teste Rápido (TR) positivo para o HIV no momento do parto (sem diagnóstico e/ou seguimento prévio). BAIXO RISCO Mães em uso de TARV desde a primeira metade da gestação E com CV-HIV indetectável a partir da 28ª semana (3º trimestre) E sem falha na adesão à TARV. Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 11 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Com isso e com sua idade gestacional, definimos a medicação indicada. RISCO IG AZT 3TC RAL NVP BAIXO RISCO QUALQUER IG SIM - - - ALTO RISCO TERMO SIM SIM SIM - 34 A 37 SEMANAS SIM SIM - SIM 2.000 UI/mL e ALT 1,5x o limite superior da normalidade (LSN)*, mantida por 3 a 6 meses. No caso de gestantes com infecção crônica pelo HBV e que já estejam em terapia antiviral, deve-se levar em consideração a gravidade da doença materna e o potencial risco/benefício para o feto. Interferon e entecavir estão contraindicados na gestação e devem ser substituídos por tenofovir. A profilaxia com tenofovir está indicada quando a gestante apresenta HBeAg reagente ou carga viral ≥ 200.000 cópias. Quando o HBeAg é reagente, não há necessidade de realizar carga viral, pois já indica níveis elevados de CV-HBV. A terapia profilática com tenofovir deve ser feita a partir de 24-28 semanas até 30 dias após o parto. A dose de tenofovir é de 300 mg, via oral, 1x ao dia. Gestantes com carga viral desconhecida entre 24 e 28 semanas também devem receber profilaxia com tenofovir. Puérperas devem ser monitoradas após o parto com avaliação mensal de ALT nos primeiros 3 meses e depois no 6º mês, pois há risco de reativação viral com exacerbação da doença hepática materna no puerpério. A profilaxia para a infecção por HBV tem um impacto significativo no número de novos casos, principalmente na redução da transmissão vertical. Ela pode ser ativa (vacina) ou passiva (imunoglobulina específica anti-HBs). A vacina para a hepatite B é produzida a partir de vírus inativo, com HBsAg recombinante, sem risco dedoença vacinal. O esquema de vacinação para a hepatite B deve ser feito em todos os indivíduos não imunizados, independentemente de idade ou situação de vulnerabilidade, com 3 doses, a segunda 1 mês e a terceira 6 meses após a primeira, com administração intramuscular. Está inserida no Calendário Nacional de Vacinação e é a melhor forma de prevenir a infecção pelo HBV. O esquema vacinal para hepatite B está recomendado durante a gestação, desde o primeiro trimestre para todas as gestantes não vacinadas ou com esquema vacinal incompleto. A imunização passiva com a administração de imunoglobulina hiperimune específica anti-HBs (ou HBIg) está indicada em algumas situações específicas, como na profilaxia da transmissão vertical e pós-exposição ao HBV. Gestantes expostas ao HBV em qualquer trimestre, por relação sexual ou acidente com material biológico devem receber vacina e HBIg. Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 14 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Para a profilaxia da transmissão vertical, todos os recém-nascidos de mães HBsAg positivo devem receber imunização passiva e ativa nas primeiras 12 horas de vida, de preferência ainda na sala de parto, por meio da administração intramuscular da imunoglobulina hiperimune específica anti-HBs (HBIg) e da vacina, em diferentes grupamentos musculares. Essa estratégia foi capaz de reduzir a transmissão perinatal em cerca de 90%, porém, quando a mãe apresenta carga viral elevada, infelizmente a eficácia cai em até 70%. Por isso, quando a gestante apresenta HbeAg positivo ou HBVDNA > 200.000 Ui/mL, é preconizado, além do uso de vacina e HBIg, o uso do tenofovir profilático, mesmo que a gestante não tenha indicação de tratamento pela hepatite B, a partir de 24 a 28 semanas de gestação (terceiro trimestre) até, pelo menos, 30 dias ou 4 semanas após o parto, como mencionado anteriormente. Apesar de o maior risco de transmissão ocorrer no momento de passagem do bebê pelo canal vaginal, não há evidências do benefício da cesariana. Portanto, a via de parto deve ser decidida por motivos obstétricos, e não pela presença da infecção pelo HBV, independentemente de carga viral ou qualquer outro fator. Embora o vírus da hepatite B seja detectado no leite materno, o aleitamento não está contraindicado e deve ser incentivado se as medidas de profilaxia da transmissão vertical forem realizadas. Via de Parto - indicação obstétrica Aleitamento materno - liberado Profilaxia - vacina + imunoglobulina em até 12 horas após o parto Mãe com alta viremia (HbeAg positivo ou HBVDNA > 200.000 Ui/mL) - tenofovir no terceiro trimestre O fluxograma a seguir resume a conduta em gestantes vivendo com hepatite B: HBsAg 1ª consulta Não reagente Vacinar se necessário Tratamento com TDF Reagente HBeAg Reagente OU CV-HBV ≥ 200.000UI/ml Profilaxia com TDF 24-28 semanas HBeAg não reagente OU CV-HBV 30 anos E HBeAg reagente OU CV-HBV ≥ 200.000UI/ml e ALT>1,5x por 3 a 6 meses Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 15 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 4.0 HEPATITE C NA GESTAÇÃO Hepatite C é uma infecção comum em nosso meio, sendo considerada uma das principais causas de cirrose hepática e indicação de transplante hepático no Brasil e no mundo. O vírus da hepatite C (HCV) é um vírus de RNA, pertencente à família Flaviviridae, com transmissão parenteral, ou seja, a partir de sangue e fluidos corporais contaminados. A maioria das transmissões dá-se por via sanguínea, principalmente em pacientes transfundidos, hemofílicos e usuários de drogas. A hepatite C é assintomática em 75% dos adultos. A taxa de cronificação é alta, variando de 50% a 80%. Dos portadores crônicos, 20% evoluem para cirrose; e, entre os cirróticos, 20% desenvolvem hepatocarcinoma. As taxas de transmissão vertical da hepatite C variam entre 3% e 10%, e os principais fatores associados são a viremia materna alta, a coinfecção por HIV e a rotura de membranas prolongada. A principal via de transmissão vertical é periparto, sendo rara a contaminação intraútero. O risco de transmissão perinatal é maior de acordo com a gravidade da doença, se a carga viral estiver elevada ou caso haja a presença de coinfecção com HIV. O rastreamento da hepatite C deve ser feito para todas as gestantes na primeira consulta de pré-natal, por meio de testes rápidos que detectam anticorpos anti-HCV. O objetivo de identificar gestantes portadoras de HCV é encaminhar as mulheres e os recém-nascidos para serviço de referência e evitar situações que aumentem o risco de transmissão vertical, como os procedimentos invasivos. Para o diagnóstico, na presença de imunoensaios ou testes rápidos reagentes para anticorpos anti-HCV, deve-se confirmar a infecção com testes moleculares que identificam partículas virais. A assistência ao pré-natal de gestantes vivendo com hepatite C está voltada aos cuidados individuais, uma vez que o tratamento está contraindicado na gestação e não há medida eficaz para diminuir a transmissão vertical, exceto evitar procedimentos invasivos e tratar a coinfecção pelo HIV. O ideal é que a mulher em idade fértil seja tratada para a hepatite C antes de engravidar, já que as medicações são potencialmente teratogênicas e proscritas durante a gestação. Após o tratamento, deve-se esperar, no mínimo, seis meses para engravidar. Se a mulher estiver em tratamento quando descobrir uma gestação, as medicações devem ser prontamente suspensas. Diante do diagnóstico de hepatite C, deve-se solicitar transaminases, gama-GT, fosfatase alcalina, bilirrubinas, proteínas totais e frações. Gestantes com hepatite C apresentam maior risco de diabetes gestacional, pré- eclâmpsia, restrição de crescimento intraútero e hemorragia pós-parto. A evolução da hepatite C não costuma ser afetada com a gestação, mas pacientes com hepatite C apresentam risco maior de colestase intra-hepática. A via de parto é de indicação obstétrica, não sendo indicada cesariana nesses casos. O aleitamento não está contraindicado, pois não é associado ao aumento da transmissão vertical, a menos que haja lesões mamilares importantes, com sangramento. Via de Parto - indicação obstétrica Aleitamento materno - liberado Profilaxia - não há Tratamento - contraindicado na gestação CAPÍTULO Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 16 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 5.0 TOXOPLASMOSE NA GESTAÇÃO Nas provas de Residência Médica, a toxoplasmose é uma das infecções congênitas mais cobradas, perdendo apenas para sífilis e HIV. Em um levantamento feito pelas equipes de obstetrícia e pediatria do Estratégia MED, encontramos questões sobre toxoplasmose nas principais provas de Residência e os principais tópicos abordados sobre esse tema foram: diagnóstico, tratamento e características do neonato acometido. A toxoplasmose é a doença causada pelo Toxoplasma gondii, protozoário intracelular obrigatório. Esse protozoário possui um ciclo de vida com dois hospedeiros: os felídeos como hospedeiros definitivos (aloja o parasita adulto, em sua forma reprodutiva) e homem, aves ou mamíferos, como hospedeiros intermediários (aloja o parasita na forma jovem ou de reprodução assexuada). Além disso, apresentam um ciclo evolutivo com três formas principais: Figura 2: Toxoplasma gondii na forma de taquizoítos. As setas indicam os taquizoítos. • Taquizoítos: presentes na fase aguda ou na reagudização da doença, apresentam altas taxas de multiplicação e são capazes de infectar sistema nervoso central, olhos, músculos e placenta. • Bradizoítos: encontram-senos tecidos dos seres humanos e de todos os hospedeiros intermediários, apresentam baixa atividade de replicação. Em hospedeiros imunocomprometidos, podem transformar-se novamente em taquizoítos. • Esporozoítos: encontram-se dentro dos oócitos , formados exclusivamente no intestino dos felinos e são eliminados pelas fezes, infectando o hospedeiro intermediário. É a forma mais resistente do parasita e pode permanecer no ambiente por anos. A transmissão do Toxoplasma gondii para o ser humano pode ocorrer pela ingestão de oócitos (esporozoítos), presentes em comida, água, solo contaminado, ou pela ingestão de cistos teciduais (bradizoítos), presentes em carnes cruas ou malcozidas. Chamamos essa transmissão de “oral”. Além disso, pode ocorrer a transmissão por meio dos taquizoítos durante a infecção aguda, por transfusão sanguínea, contato com secreções e excreções ou via transplacentária. O ciclo evolutivo e transmissão do Toxoplasma gondii está representado na figura abaixo: CAPÍTULO Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 17 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Figura 3. Ciclo evolutivo e transmissão da toxoplasmose. Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 18 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA A transmissão vertical ocorre principalmente por via transplacentária durante a infecção materna aguda, através da passagem de taquizoítos pela placenta. Além disso, também pode haver transmissão vertical durante o parto e a amamentação se a mulher estiver na fase aguda da doença. Apesar de a transmissão transplacentária ser rara em quadros de reativação da infecção materna, esta pode ocorrer se a gestante apresentar imunossupressão grave. Apesar de ser possível a transmissão vertical durante o parto e a amamentação, como o risco de transmissão é muito baixo, os benefícios do parto normal e da amamentação superam esse risco e por isso não são contraindicados nos casos de toxoplasmose aguda. Conforme falamos anteriormente, a transmissão transplacentária é maior quanto maior for a idade gestacional. No primeiro trimestre, a taxa de transmissão é de 14%, chegando a 60% no terceiro trimestre. Por outro lado, a gravidade da doença é maior quando a transmissão vertical ocorre no início da gestação. Como a taxa de transmissão diminui em torno de 50 % nas gestantes tratadas durante a gestação, é de fundamental importância a prevenção, o rastreamento e o diagnóstico dessa doença, a fim de evitar as complicações da toxoplasmose congênita. Lembre-se de que tanto a toxoplasmose na gestação, como a toxoplasmose congênita são doenças de notificação compulsória. Deve-se, portanto, notificar todos os casos suspeitos, prováveis e confirmados de toxoplasmose na gestação e toxoplasmose congênita. A prevenção primária da toxoplasmose é feita evitando a ingestão de bradizoítos presentes em carnes de animais (hospedeiros intermediários) contaminados e oócitos (esporozoítos) presentes em frutas, verduras, solo ou água contaminadas com fezes de gatos contaminados (hospedeiros definitivos). As principais medidas de prevenção primária da toxoplasmose são: • Higienização correta das mãos antes das refeições, após manusear lixo, ter contato com animais e manipular alimentos e carnes cruas. • Manusear terra ou solo com luvas e higienizar as mãos após o término. • Consumir apenas água filtrada ou fervida. • Higienizar corretamente frutas e verduras (deixar de molho em solução clorada por 10 minutos). • Congelar carnes antes do consumo. • Não consumir carnes cruas, malcozidas ou malpassadas. • Não consumir leite e seus derivados crus. • Evitar contato com animais de rua. • Alimentar gatos com ração e não deixar que façam a ingestão de carne crua ou caça. • Evitar manipulação da caixa de areia dos gatos domésticos e o contato com as fezes dos gatos. Não há vacina disponível contra a doença. 5.1 DIAGNÓSTICO NA GESTAÇÃO Como a infecção aguda na gravidez geralmente é assintomática, o rastreamento da toxoplasmose deve ser feito por meio da solicitação de sorologia (IgG e IgM) para todas as gestantes, conforme orientação do Ministério da Saúde. A periodicidade do rastreamento varia conforme o perfil epidemiológico de cada região, porém a sorologia para toxoplasmose deve ser feita pelo menos no primeiro, segundo e terceiro trimestres para gestantes susceptíveis. Nas regiões onde há altas taxas de toxoplasmose, a sorologia deve ser realizada a cada dois meses em gestantes susceptíveis. Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 19 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA A tabela 2 mostra as possíveis sorologias com seus respectivos diagnósticos e condutas no primeiro trimestre: Tabela 2: Interpretação da sorologia para toxoplasmose na gestação IgG IgM DIAGNÓSTICO CONDUTA Negativa Negativa Susceptível Medidas de prevenção Positiva Negativa Imune Pré-natal habitual Negativa Positiva Falso positivo Repetir sorologia em 2 semanas Infecção aguda/muito recente Espiramicina e investigação fetal Positiva Positiva Avidez baixa- infecção aguda/recente Espiramicina e investigação fetal Avidez alta- infecção antiga Pré-natal habitual Gestantes suscetíveis (podem adquirir a infecção na gestação) têm resultados negativos para os anticorpos IgG e IgM específicos para toxoplasmose e o acompanhamento deve ser feito com sorologia seriada (1-2 meses) e orientações preventivas, a depender do perfil epidemiológico da região. Se a gestante apresentar IgG positiva e IgM negativa, ela será considerada imune e não precisará repetir a sorologia durante o pré- natal, a não ser que seja imunocomprometida. Por outro lado, quando a gestante apresenta IgM positiva e IgG negativa pode ser toxoplasmose aguda ou um caso de falso positivo. Por isso, deve-se introduzir espiramicina e repetir a sorologia em 2 semanas. Se a IgM se mantiver positiva com IgG também positiva, trata- se de um caso de toxoplasmose aguda com soroconversão na gestação. Se o IgG não positivar, trata-se de IgM falso positivo e deve-se suspender a espiramicina. Se a gestante apresentar IgM e IgG positivas no primeiro trimestre, deve-se realizar o teste de avidez para IgG, a fim de determinar se a infecção é recente (baixa avidez) ou tardia (alta avidez), uma vez que os títulos de IgM podem permanecer positivos por até 1 ano e o de IgG por vários anos. Sabe-se que a capacidade de ligação e avidez da imunoglobulina aumenta com a maturação da resposta imunológica, por isso avidez baixa sugere infecção recente (menos de 4 meses) e avidez alta sugere infecção há mais de 4 meses. Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 20 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Quando a gestante apresenta IgM e IgG positivas após 16 semanas, sem sorologia prévia, o teste de avidez para IgG não distingue de maneira segura se a infecção foi adquirida antes da gestação ou durante a gestação, isto é, não dá para ter certeza se a infecção é recente ou antiga. Por isso, considera-se infecção indeterminada e deve-se iniciar o esquema tríplice após 16 semanas e fazer investigação fetal, independentemente do teste de avidez. Entretanto, se a gestante apresenta IgM e IgG positivas após 16 semanas, com sorologia no primeiro trimestre IgM e IgG negativas, considera-se infecção aguda/recente com soroconversão materna. Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 21 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 5.2 TRATAMENTO DA TOXOPLASMOSE NA GESTAÇÃO A toxoplasmose materna aguda pode levar à transmissão vertical, causando toxoplasmose congênita. Por isso, o tratamento da toxoplasmose deve ser instituído se há suspeita ou confirmação de infecção aguda na gestação. O tratamento precoce em até 3 semanas da infecção materna diminui| Resumo Estratégico | 2024 26 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA O tratamento indicado é o esquema tríplice: sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico e tem duração de um ano. Caso a criança apresente sinais de coriorretinite ou proteinorraquia, acrescentamos corticoterapia. Pronto, agora que você é expert em toxoplasmose, vamos partir para mais uma infecção, citomegalovírus! 6.0 CITOMEGALOVÍRUS Nas provas de Residência Médica, essa doença é pouco abordada pelas bancas de obstetrícia, mas bastante frequente na pediatria. Em um levantamento feito pelas nossas equipes, os principais tópicos abordados sobre esse tema foram: manifestações congênitas e diagnóstico. A infecção pelo citomegalovírus (CMV) tem importância na obstetrícia devido ao risco de transmissão para o feto, pois leva a efeitos deletérios para o concepto, principalmente no sistema nervoso central e é a causa mais comum de infecção congênita viral no mundo. O citomegalovírus (CMV) humano é um vírus DNA da família Herpesviridae e tem no ser humano seu único hospedeiro. Esse vírus apresenta capacidade de latência, isto é, não é eliminado pelo organismo e por isso pode reativar em casos de modificação da resposta imunológica, como na gestação, no uso de medicação imunossupressora e em pacientes com HIV. Além disso, pode ocorrer reinfecção por novas cepas virais. CAPÍTULO Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 27 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Não há vacina disponível. A infecção por citomegalovírus (CMV) em pacientes imunocompetentes é, na maioria das vezes, assintomática ou apresenta-se como um quadro de mononucleose-símile, com febre, astenia mialgia e linfadenopatia cervical. A transmissão materna ocorre pelo contato interpessoal com fluidos corporais infectados, como saliva, sangue, urina e secreções genitais. Já a transmissão vertical dá-se principalmente por via transplacentária, mas pode ser transmitida durante o parto se houver contato com secreção contaminada e durante a amamentação, pois o CMV é excretado pelo leite materno. Apesar de ser possível a transmissão vertical durante o parto e a amamentação, como o risco de transmissão é muito baixo, os benefícios do parto normal e da amamentação superam esse risco e, por isso, não são contraindicados nos casos de citomegalovirose aguda. Sabemos que a primo-infecção materna durante a gestação aumenta o risco de transmissão vertical, que pode alcançar até 40% e levar a grave comprometimento fetal. Além disso, mais uma vez, quanto maior for a idade gestacional, maior é o risco de transmissão vertical e o risco de acometimento fetal é inversamente proporcional à idade gestacional. Por outro lado, a infecção materna recorrente tem efeitos menos devastadores para os fetos e, nesses casos, a maioria encontra-se assintomático no momento do nascimento. O diagnóstico da infecção materna por CMV é feito pela sorologia com a pesquisa de anticorpos específicos IgG e IgM. Porém, o rastreamento sorológico na gestação é controverso e não é recomendado pelo Ministério da Saúde como a triagem de rotina, pois a imunidade não protege o feto de reinfecção ou reativação e não há tratamento efetivo durante a gestação. Sendo assim, os testes sorológicos para CMV são preconizados na gestação caso haja alguma alteração ultrassonográfica sugestiva de infecção congênita. Se a gestante apresentar sorologia IgG e IgM negativas, ela é susceptível a infecção primária e deve tomar um cuidado maior com medidas de higiene. Agora, gestantes com sorologia IgG positiva e IgM negativa, não apresentam imunidade permanente, pois pode haver reinfecção ou reativação na gestação. Quando a sorologia é IgG e IgM positiva, e não há sorologia prévia negativa para se comprovar a soroconversão, deve-se solicitar o teste de avidez para IgG a fim de avaliar se a infecção é recente (menos de quatro meses se a avidez for baixa, 60%). Diante de soroconversão materna, na suspeita de infecção recente (avidez baixa) ou na suspeita ultrassonográfica de infecção fetal, o diagnóstico de infecção fetal deve ser feito pela pesquisa do DNA por PCR em amostra de líquido amniótico, colhido na amniocentese após 18 semanas de gestação. Caso seja confirmada a infecção fetal, deve-se fazer acompanhamento ultrassonográfico seriado. Verifica-se que, até o momento, não existe tratamento eficiente para infecção fetal por CMV durante a gestação. O uso da globulina hiperimune não demonstrou eficácia na redução da taxa de transmissão. O tratamento com valaciclovir tem se mostrado promissor, embora de custo elevado e ainda não disponível na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Tem sido recomendado na dose de 2 g via oral de 6 em 6 horas, a partir da confirmação diagnóstica até 21 semanas de gestação, além de controle a cada 4 semanas de hemograma, creatinina, ureia e enzimas hepáticas. Quanto às gestantes com soroconversão no segundo ou no terceiro trimestre, o tratamento não é recomendado. Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 28 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 6.1 INFECÇÃO CONGÊNITA POR CMV A infecção congênita por citomegalovírus também costuma ser assintomática, aqui, em 90% dos casos. Os sintomáticos geralmente foram infectados no primeiro trimestre de gestação. Eles podem apresentar manifestações sistêmicas, neurológicas, oftalmológicas e auditivas. Os sinais mais prevalentes ao nascer são icterícia colestática, petéquias e hepatoesplenomegalia. A surdez neurossensorial pode manifestar-se ao nascimento ou mais tardiamente, essa é a principal sequela da doença. Aliás, o citomegalovírus é a causa infecciosa mais comum de surdez na infância. Mais uma vez, como esses sinais são comuns a outras doenças congênitas, os examinadores geralmente a diferenciam através da presença de calcificações intracranianas periventriculares. Também é comum o examinador trazer associado a perda auditiva e as petéquias. Atenção, não confunda com a toxoplasmose congênita, que traz calcificações intracranianas difusas! CARACTERÍSTICAS-CHAVE DA CMV CONGÊNITA! CITOMEGALOVIROSE CONGÊNITA Calcificações intracranianas periventriculares. Surdez neurossensorial. Petéquias. Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 29 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Aqui, a sorologia não é um bom método, e sim a pesquisa do vírus em líquidos corporais. Os pacientes infectados secretam os vírus em líquidos corporais por anos após a infecção. A presença do citomegalovírus na urina ou na saliva do neonato até as primeiras três semanas de vida fecha o diagnóstico de infecção congênita. A avaliação complementar, baseada na busca dos sinais, deve ser realizada com hemograma, testes de função hepática, exames de imagem neurológico, coleta de líquor, fundo de olho e triagem auditiva. O tratamento é controverso na literatura. O Ministério da Saúde indica o tratamento com ganciclovir, por 6 semanas, no RN com infecção confirmada, sintomáticos e com evidências de envolvimento do SNC, alteração auditiva e/ou coriorretinite. A Sociedade Brasileira de Pediatria indica o tratamento para doença moderada a grave (multissistêmica e/ou alterações neurológicas) e refere que não há benefícios nos assintomáticos, na doença leve (uma a duas manifestações isoladas e transitórias) e nem na perda auditiva isolada. O esquema de tratamento pode ser feito com Valganciclovir oral por 6 meses ou Ganciclovir por 14-21 dias, seguido de Valganciclovir até completar 6 meses. Fechamos mais uma doença, pronto para a próxima? 7.0 RUBÉOLA Nas provas de Residência Médica, esse tema é pouco abordado pelas bancas e os tópicos cobrados sobre esse tema foram manifestações congênitas e diagnóstico. Então,aqui você encontrará o que precisa saber sobre esse tema para as provas de Residência. A rubéola é uma doença exantemática aguda de alta contagiosidade que acomete principalmente crianças e adolescentes. A importância da rubéola dá-se, sobretudo, pela ocorrência da síndrome da rubéola congênita (SRC) que atinge o feto e o recém-nascido de mães infectadas durante a gestação e, por isso, é uma doença de notificação compulsória nacional. Devido à exaustiva vacinação de toda a população, essa doença está erradicada no Brasil desde 2008, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e não faz mais parte do rastreamento obrigatório durante o pré-natal. O agente etiológico da rubéola é um RNA vírus da família Togavírus e o homem é o único hospedeiro conhecido. A transmissão materna ocorre pelo contato interpessoal íntimo e prolongado, por meio de gotículas de secreção da nasofaringe. Já a transmissão vertical acontece por via transplacentária durante a primo-infecção materna, ocorrendo o acometimento fetal extremamente grave quando a infecção se dá no primeiro trimestre. Após 20 semanas de gestação, não há relatos de manifestações compatíveis com SRC. A rubéola é assintomática em mais de 50% dos adultos infectados. Quando sintomática, os principais sintomas são: eritema maculopapular de distribuição centrífuga, febre baixa, cefaleia, anorexia, conjuntivite leve, coriza, tosse e linfadenomegalia. A prevenção da rubéola ocorre pela vacinação feita em crianças e adultos, fornecendo imunidade por toda a vida. Por sua vez, a vacina não deve ser feita em gestantes, crianças menores de 12 meses e imunossuprimidos, por tratar-se de vírus vivo atenuado. Sendo assim, deve- se aguardar um mês para engravidar depois de receber a vacina para rubéola. Gestantes vacinadas inadvertidamente no primeiro trimestre devem ser informadas que a possibilidade de teratogenicidade é apenas teórica e não há indicação de interrupção da gestação. CAPÍTULO Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 30 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA A vacina é disponibilizada para crianças aos 12 meses, dentro da tríplice viral e aos 15 meses na tetra viral. Adolescentes e adultos até 29 anos não vacinados deverão receber duas doses e, para indivíduos dos 30 aos 59 anos, é necessário apenas uma dose. O diagnóstico de rubéola na gestação é feito pela sorologia com a pesquisa de anticorpos específicos IgG e IgM. A sorologia deve ser solicitada em caso de suspeita de rubéola na gestação ou de contato com pessoa suspeita. Se as gestantes apresentam sorologia IgG e IgM negativas, elas são susceptíveis e devem receber a vacinação ainda no puerpério. Quando a gestante susceptível entrar em contato com algum indivíduo com rubéola, ela deve receber imunoglobulina hiperimune até seis dias do contato. Vale ressaltar que o uso da imunoglobulina hiperimune pode atenuar as manifestações clínicas da rubéola, mas não evita a viremia e tampouco a transmissão vertical. Já as gestantes com sorologia IgG positiva e IgM negativa apresentam imunidade permanente e devem seguir o pré-natal de rotina. Quando a sorologia é IgG e IgM positivas para rubéola no primeiro trimestre, mas há dúvidas se a infecção é recente (não sintomática), deve-se solicitar o teste de avidez para IgG para esclarecer o diagnóstico. Se a avidez for baixa, a infecção é recente (menos de três meses se a avidez 60%). Na presença de infecção materna recente ou na suspeita ultrassonográfica de infecção fetal, o diagnóstico é feito pela pesquisa do RNA por PCR em amostra de líquido amniótico, colhido pela amniocentese, ou pela pesquisa de IgM no sangue fetal, colhido por cordocentese. Caso seja confirmada infecção fetal, deve-se fazer acompanhamento ultrassonográfico seriado. Até o momento não existe tratamento para a SRC e a interrupção da gravidez não é permitida, em nosso país, para esses casos. Como não se observa transmissão vertical durante o parto e a amamentação, não são contraindicados. Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 31 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 7.1 RUBÉOLA CONGÊNITA A rubéola congênita é o que chamo de “doença do coraçãozinho”. Isso porque, apesar de ser assintomática na maioria dos casos, tem como característica-chave a presença de cardiopatia. CARACTERÍSTICA CHAVE DA RUBÉOLA CONGÊNITA! Mas, não é só isso, quando o autor chamar de síndrome da rubéola congênita, ele quer dizer que há associação de cardiopatia, catarata e déficit auditivo neurossensorial bilateral. Quanto ao diagnóstico, a presença de anticorpos IgM confirma a infecção, mas, mais uma vez, a ausência não o descarta. Também podemos isolar o vírus em secreção nasofaríngea, líquor e urina. Além disso, os exames complementares e a história clínica fecham o diagnóstico. Não se esqueça de realizar um ecocardiograma! Infelizmente, nesse caso, não há tratamento específico para a infecção congênita, ele deve ser voltado para as complicações da doença. Seguindo agora para um tema que esteve bastante presente em 2019 a 2020, mas que cada vez menos têm sido cobrado nas provas. Nas provas de Residência Médica, esse tema vem sendo abordado dentro das questões de obstetrícia em relação às manifestações congênitas e o diagnóstico diferencial. Nas de pediatria, apenas como diagnóstico diferencial. Aqui, coloco tudo o que você precisa saber sobre esse tema para as provas de Residência. Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 32 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA O vírus Zika é um arbovírus (transmitido pela picada de mosquitos) do gênero Flavivírus e apresenta comportamento benigno, baixa virulência e baixa letalidade. Sabe-se que a principal via de transmissão do vírus Zika é por meio da picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue, chikungunya e febre amarela. Além disso, foi verificada transmissão por via sexual e o vírus já foi identificado no sangue, sêmen, urina, saliva e leite materno. Desde 2015, confirmou-se a transmissão vertical do Zika vírus por via transplacentária (figura 7). Desde então, a suspeita ou confirmação de infecção pelo Zika vírus na gestação e a síndrome congênita pelo Zika vírus (SCZ) são de notificação compulsória no Brasil. Ainda não há relatos de transmissão durante o parto e o aleitamento materno. O Zika vírus causa infecção assintomática em 80% dos casos. Quando sintomática, apresenta doença exantemática em 90% a 100% desses casos. Pode ocorrer também febre baixa, mialgia, artralgia leve a moderada, conjuntivite, cefaleia, prurido, hipertrofia ganglionar e acometimento neurológico. A síndrome da infecção congênita pelo Zika vírus (SCZ) pode manifestar-se com microcefalia, microftalmia, pé torto congênito, artrogripose, hidropisia, restrição de crescimento fetal, abortamento e óbito fetal. Observa-se que os principais achados ultrassonográficos durante a gestação são: microcefalia, calcificações periventriculares, ventriculomegalia, microftalmia, pé torto congênito e restrição de crescimento fetal. CARACTERÍSTICAS-CHAVE DA ZIKAVIROSE MICROCEFALIA + PÉ TORTO CONGÊNITO Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 33 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA A microcefalia é definida por um perímetro cefálico com mais de dois desvios-padrão abaixo da média para idade gestacional ou sexo. Porém, desde 2016, após o surto de Zika virose, o Brasil definiu como microcéfalo o menino com medida igual ou inferior a 31,9 cm e a menina 31,5 cm. ULTRASSOMpelo tecido nervoso e a microcefalia ocorre principalmente quando a infecção se apresenta no primeiro trimestre. Ademais, o prognóstico fetal pode ser feito conforme o grau de microcefalia, pois quanto mais grave a microcefalia, maior o comprometimento neuropsicomotor. As principais medidas de prevenção individuais da transmissão do Zika vírus na gestação relacionam-se a evitar a picada do mosquito Aedes aegypti, são elas: Na primeira consulta do pré-natal, ou no diagnóstico de HIV na gestação Quatro semanas após a introdução ou mudança da TARV, para avaliar a resposta ao tratamento Na 34ª semana de gestação, para indicação da via de parto. Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 34 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Durante a gestação, não há indicação de exame para triagem universal da infecção pelo Zika vírus. Entretanto, diante da presença de doença exantemática na gestação, deve-se solicitar teste rápido para dengue, Chikungunya e PCR para Zika vírus até o 5º a 7º dias dos sintomas. Além do mais, deve-se fazer o diagnóstico diferencial com outras doenças exantemáticas (TORCHS, varicela-zóster, parvovírus B19). Sabe-se que a sorologia para Zika vírus apresenta baixa especificidade, uma vez que os anticorpos IgM apresentam reatividade cruzada com outras doenças, como dengue. Estabelecido o diagnóstico de infecção pelo Zika vírus, deve- se fazer o estudo da morfologia e da vitalidade fetal, além de exames ultrassonográficos seriados mensais, a fim de identificar o comprometimento fetal pelo Zika vírus. Por outro lado, a gestante pode não apresentar sintomatologia e a suspeição de infecção congênita pelo Zika vírus ocorrer pelo diagnóstico de microcefalia na ultrassonografia de rotina. Nesses casos, recomenda-se realizar sorologia IgG e IgM para Zika vírus, dengue e Chikungunya e afastar outras causas de microcefalia (sorologia para sífilis, toxoplasmose, rubéola, CMV e varicela-zóster), além de uma avaliação com geneticista. Sorologia para Zika vírus PCR para Zika vírua Afastar outras causas de microcefalia Afastar outras doenças enxantemáticas Sífilis Toxoplasmose Rubéola Citomegalovírus Varicela Zoster Dengue Chikungunya TORCHS Varicela Zoster Parvovírus B19 Doença enxantemática na gestação Microcefalia na gestação Diante do diagnóstico de síndrome congênita pelo Zika vírus, a gestante deve ser encaminhada para centro terciário. Não há tratamento para a síndrome congênita pelo Zika vírus, assim, o parto e o puerpério mantêm rotina normal e a amamentação não é contraindicada nesses casos. Frente a uma suspeita da doença, a criança fará uma avaliação audiológica, neuroimagem e sorologias de outras infecções congênitas para diagnóstico diferencial. A confirmação pode ser feita pela detecção do RNA (RT-PCR) e/ou sorologia IgM por ELISA. Mais uma vez, não há tratamento específico e ela deve ter acompanhamento multiprofissional para estímulo precoce e diminuição da perda do desenvolvimento neuropsicomotor. Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 35 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 8.0 PARVOVÍRUS B19 Nas provas de Residência Médica, esse tema é pouco abordado pelas bancas. Encontramos apenas questões sobre parvovirose na gestação em algumas poucas provas do estado de São Paulo e os tópicos abordados sobre esse tema foram: manifestações congênitas, diagnóstico diferencial e tratamento. Não encontramos esse tema nas provas de pediatria dos últimos anos. O parvovírus B19 é um vírus de DNA fita simples que tem tropismo por células de rápida divisão celular, como as da medula óssea. Esse vírus é transmitido por via respiratória, sanguínea e transplacentária. A passagem transplacentária ocorre em torno de 25% dos casos de infecção durante a gestação e é mais grave quando se dá na primeira metade da gestação. Em crianças, o Parvovírus B19 causa o eritema infeccioso, doença autolimitada que se caracteriza por febre eritema malar (face esbofeteada) e exantema de troncos e extremidades. Em adultos, a infecção é geralmente assintomática. Também pode ocorrer aplasia eritrocitária e infecção crônica na medula óssea de imunocomprometidos. A infecção aguda durante a gestação pode levar à transmissão transplacentária para o feto, mas, na maioria das vezes, não há manifestações fetais. Porém, em alguns casos, ocorre citotoxidade na eritropoiese fetal, resultando em anemia fetal, hidropsia fetal não imune, perda gestacional precoce e óbito fetal. Apesar disso, esse quadro pode resolver-se espontaneamente ainda intraútero, quando as manifestações não forem severas. O diagnóstico de infecção materna na gestação é feito pela sorologia para Parvovírus B19, avaliando-se os anticorpos IgG e IgM, diante de um caso suspeito de parvovirose na gestação, por exposição recente ao vírus ou por sintomas compatíveis com infecção aguda. Quando a gestante é IgM e IgG negativos, é susceptível e deve ser aconselhada a não ter contato com pessoas com sintomas sugestivos de parvovirose. Se IgM negativo e IgG positivo, a gestante é imune e não há risco de infecção fetal. Por outro lado, IgM positiva indica infecção aguda na gestação e a gestante deve ser encaminhada para avaliação ultrassonográfica fetal, com Dopplervelocimetria seriada semanal a partir do segundo trimestre. O pico de velocidade sistólico da artéria cerebral média (PVS-ACM), avaliado pela Dopplervelocimetria, é o método que identifica indiretamente anemia fetal. Quando o PVS-ACM estiver acima de 1,5 múltiplos da mediana (MOM), deve- se fazer cordocentese para confirmação da anemia e realizar transfusão sanguínea fetal. Suspeita de parvovirose IgM positivo para parvovírus B19 Anemia fetal grave Cordocentese e transfusão fetal Avaliação indireta da anemia fetal 1 a 2 x/semansa PVS-ACM > 1,5 MOM para idade gestacional CAPÍTULO Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 36 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA A suspeita de Parvovírus B19 na gestação também ocorre pela presença de hidropisia fetal não imune, caracterizada pelo excesso de água no corpo do concepto, em pelo menos duas cavidades serosas (ascite, derrame pleural, e pericárdico) ou no tecido subcutâneo. A presença de hidropisia leve a moderada pode se resolver espontaneamente, já a hidropisia severa pode levar à insuficiência cardíaca e óbito fetal, assim, a transfusão fetal está indicada. Nesses casos, o parto deve ocorrer em centro terciário, pois o feto necessitará de suporte ventilatório e outros procedimentos neonatais. A infecção pelo Parvovírus B19 é o principal diagnóstico diferencial de hidropisia imune (por aloimunização materna), pois também causa a anemia fetal grave diagnosticada pelo aumento do PVS-ACM e, do mesmo modo, é tratada com transfusão fetal intraútero nos casos graves. A partir daqui, as infecções foram vistas em menor frequência, geralmente como diagnóstico diferencial, então vamos apenas pincelar o que temos de mais importante nelas, para que você consiga resolver as questões de provas. 9.0 HERPES SIMPLES A infecção intrauterina é muito rara e não há rastreio sorológico no pré-natal. A maior parte dos casos é transmitida durante o parto pelo contato do neonato com lesões no trato genital materno. O mais importante aqui é saber que a doença é SEMPRE sintomática e pode manifestar-se como doença localizada, neurológica ou disseminada. CARACTERÍSTICAS-CHAVE DA HERPES SIMPLES CONGÊNITA LESÕES CUTÂNEAS + HIPEREMIA CONJUNTIVAL O melhor método diagnóstico é o isolamento e cultura viral em tecidos e sangue. Exames complementares devem ser solicitados para avaliação clínica. O tratamento é feito com aciclovir. Mais importante que o tratamento é a prevenção! Ela deve ser realizada em todas as gestantes infectadas, por meio de tratamentosua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://estr.at/J9Xs https://estr.at/J9Xs https://estr.at/J9Xs Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 45 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA CAPÍTULO 14.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical do HIV, Sífilis e Hepatites Virais, 2022. 2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), 2020. 3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Protocolo de Notificação e Investigação: Toxoplasmose gestacional e congênita. 2018. 4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico Especial. Vigilância em saúde no Brasil 2003-2019. 2018. 5. Universidade Federal da Bahia. Protocolo de infecção na gravidez. 2016. 6. FEBRASGO. Guia prático: infecções no ciclo gravídico-puerperal. 2016. 7. Zugaib obstetrícia 4 ed. Manole 2020. 8. Neu N, DuchonJ, ZachariahP. TORCH infections.Clin Perinatol 2015;42:77. 9. FEBRASGO. Coleção FEBRASGO Medicina Fetal. Elsevier 2012. 10. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico Especial. Síndrome congênita associada a infecção pelo vírus Zika. 2018. 11. Pena LT, Importância do teste de avidez da imunoglobulina G ( IgG) anti- Toxoplasma Gonddi no diagnóstico da toxoplasmose em gestantes. Rev Inst Adolfo Lutz. 2013; 72(2):117-23 12. Kieffer F, Congenital toxoplasmosis. Handbook of Clinical Neurology, Vol. 112 (3rd series) 13. Tratado de Pediatria da Sociedade Brasileira de Pediatria – 5a Edição. 14. Nelson textbook of pediatrics – 21ª edição. Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 46 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 15.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Lembre-se de que aqui, no Estratégia MED, temos o Fórum de dúvidas! Se você tiver qualquer dúvida ou dificuldade, tanto com a teoria quanto com a resolução das questões, você pode comunicar-se com a gente sempre que achar necessário e estaremos a postos para ajudá-lo. Pensamos em tudo para que você consiga entrar nas melhores Residências Médicas do País! Estudando nosso material com muita dedicação e disciplina, temos certeza de que você será aprovado e cada esforço terá valido a pena! Além disso, recomendo que siga o perfil do Estratégia MED nas redes sociais! 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Natália Carvalho Helena Schetinger CAPÍTULO Prof. Natalia Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Resumo Estratégico | 2024 47 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA http://med.estrategia.com/ 1.0 INFECÇÕES CONGÊNITAS 2.0 HIV na gestação 3.0 HEPATITE B NA GESTAÇÃO 4.0 HEPATITE C NA GESTAÇÃO 5.0 Toxoplasmose na Gestação 5.1 Diagnóstico na gestação 5.2 Tratamento da Toxoplasmose na Gestação 5.3 Toxoplasmose Congênita 6.0 CITOMEGALOVÍRUS 6.1 Infecção congênita por CMV 7.0 RUBÉOLA 7.1 Rubéola congênita 8.0 PARVOVÍRUS B19 9.0 HERPES SIMPLES 10.0 DENGUE NA GESTAÇÃO 11.0 VARICELA CONGÊNITA 12.0 Tabela comparativa das principais infecções congênitas 13.0 LISTA DE QUESTÕES 14.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 15.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS