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Desmistificando o aborto Dra. Jéssica Aparecida Marcinkevicius Zorzi 1 Hemorragias do Primeiro Trimestre Abortamento Gravidez ectópica Mola hidatiforme Corresponde a interrupção da gravidez Abaixo de 20-22 semanas OU Feto pesando 500 gramas ou menos. Precoce – quando acontecem até 12 semanas Tardia – acima de 12 semanas Espontâneo – sem ação deliberada de qualquer natureza Induzido – resultante de interferência intensional. ABORTAMENTO Etiologia Os abortamentos ocorrem em cerca de 8- 20% das gestações diagnosticadas, 80% são precoces (antes da décima segunda semana), e destes, 50% decorrentes de anomalias cromossômicas. A mais frequente é a trissomia autossômica – 16,22,21,15,13 e 14. Seguida da monossomia do cromossomo X. A taxa de abortamento aumenta a partir de 35 anos de idade materna, quintuplicando após os 45 anos. Defeitos da fase lútea – produção deficiente de progesterona, levando a implantação em endometrio sem preparação adequada. Fatores de risco Idade materna Tabagismo >10 unidades por dia – vasoconstrição e danos placentários Alcool – efeito teratogênico Cafeína – conflito na literatura Uso de cocaína Uso prolongado de anti-inflamatório Fatores de risco Obesidade – aumento da resistência insulínica e alteração hormonal. Infecções - toxoplasmose, parvovirose, rubéola, herpes simples, citomegalovirose – podem causar lesões de decídua, placenta, membranas ovulares e do concepto. Doenças endócrinas – hipotireoidismo e diabetes melitus tipo I descompensadas (maior tendência a alterações na organogênese embrionária decorrente, entre outras causas, do ambiente hiperglicêmico). Fatores de risco - imunológicos DOENÇAS AUTOIMUNES: Síndrome antifosfolípede (SAF): podem causar alterações tanto no inicio da gestação, causando prejuizos na implantação ou desenvolvimento embrionário, quanto no segundo trimestre pelos efeitos trombóticos. Esta presente em 15 – 20% das mulheres com aborto habitual. Lúpus eritematoso sistêmico. Causas ALOIMUNES: diferenças genéticas entre indivíduos da mesma espécie – causando uma resposta alterada- paradoxal, causando rejeição materna aos tecidos fetais. Fatores de risco - trombóticos Trombofilias hereditárias: Deficiência de antitrombina e das proteínass C s S Mutações do gene da protrombina; Mutações do fator V de Leiden e dos genes da enzima metilenotetraidrofolato redutase. Fatores de risco – Causas Uterinas Sinéquias uterinas – as aderências podem interferir no processo de implantação ovular; Miomas – na maioria das vezes não tem relação causal – porém observar localização (intramurais e submucosos- causar necrose e liberar citocinas); Mal formações uterinas – defeito na fusão dos ductos de Muller Útero bicrono, didelfo, septado, arqueado. Quadro clínico Detalhada anamnese – antecedentes menstruais e uso de contraceptivos; Antecedentes obstétricos; Tipo de sangramento: vermelho- escuro, em borra ou vermelho – vivo, se há presença de coágulos. Se o sangramento é acompanhado de cólicas e sua intensidade. Presença de sinais subjetivos de gravidez – enjoos, vômitos, sonolência e dor nas mamas. Tipagem sanguínea. Diagnóstico Diferencial O B- hcg é detectável na urina materna em torno de 8-10 dias após fecundação – antes do atraso menstrual; De 2000 – 3500 mUI-ml visualiza saco gestacional no USTV; O beta dobra a cada 48horas; Diagnostico de PERDA: Saco gestacional > 25mm sem embrião; Embrião com medida acima de 7mm sem bcf; Ausência de embrião com duas ou mais semanas após US que mostrou saco gestacional sem vesícla vitelínica OU 11 dias após US que mostrou saco gestacional com vesícula vitelínica. Diagnóstico Diferencial Achados SUGESTIVOS: Ausência de embrião > 6sem contadas pela DUM; Vesícula vitelínica > 7mm Saco gestacional pequeno em relação ao tamanho do embrião (diferença menor que 5mm entre o diâmetro médio do SG e do CCN ## Recomenda-se repetir o US em 7 dias antes de orientar qualquer tratamento, principalmente na ausencia de sangramento importante. FORMAS CLÍNICAS AMEAÇA DE ABORTO De 15-20% das gestações; Quadro clínico: sangramento vaginal em pequena quantidade, acompanhado ou não de cólica em região de hipogastro. No toque vaginal colo encontra-se fechado e o tamanho do útero compatível com o atraso menstrual. A presença de hematoma subcotriônico é observada na USG em alguns casos de ameaça de aborto. Aproximadamente 40% das mulheres que apresentam sangramento vaginal no ínicio da gestação irão abortar. Conduta: acolhimento, suporte emocional, acompanhamento ultrassonográfico da gravidez. O uso de progestágenos ainda não há consenso na literatura. FORMAS CLÍNICAS ABORTAMENTO EM CURSO – ABORTAMENTO INCOMPLETO Sangramento moderado ou intenso, acompanhado de dor abdominal, geralmente de forte intensidade. No exame especular pode-se notar saída ativa de sangue, geralmente com restos ovulares. No toque vaginal orifício do colo encontra-se dilatado. No US pode apresentar saco gestacional ou material amorfo em cavidade. Eco endometrial > 15mm e irregular. Conduta: aguardar expulsão -- esvaziamento uterino por AMIU ou curetagem. FORMAS CLÍNICAS ABORTAMENTO COMPLETO Geralmente ocorre nas primeiras 10 semanas de gestação Expulsão completa dos produtos da concepção; Orifício do colo uterino fechado – tende a fechar em poucas horas após eliminação; USG eco endometrial menor que 15mm Conduta: cuidados pós abortamento FORMAS CLÍNICAS GESTAÇÃO ANEMBRIONADA Reabsorção do embrião antes da confirmação diagnóstica OU não há desenvolvimento do embrião. USTV: não há visualização do embrião com diâmetro interno médio do saco gestacional maior ou igual a 25mm. Repetir USTV em duas semanas. SE confirmado aguardar eliminação espontânea da gravidez por 15 dias. FORMAS CLÍNICAS ABORTAMENTO INFECTADO Localizado: sangramento de pequena quantidade com odor fétido, dor intensa com toque vaginal de colo aberto. O beta HCG esta em queda. Conduta: antibioticoterapia (clindamicina e gentamicina) e AMIU. Com repecussão sistêmica: acionar equipe clínica para atendimento de emergência, coletar exames, hidratação, oxigenioterapia, antibioticoterapia. USG: coleções purulentas e abscessos. Material amorfo em cavidade uterina com sinais de comprometimento miometral. FORMAS CLÍNICAS ABORTAMENTO RETIDO Ocorrência de morte fetal embrionária antes de 20 semanas, associado a retenção do produto conceptual por período prolongado de tempo (dias ou semanas); Geralmente não apresentam sintomas gravídicos e o sangramento é em pequena quantidade. O volume uterino é menor que o esperado para a idade gestacional. E no toque vaginal colo uterino fechado. USTV: ausencia de atividade cardíaca em embrioes com CCN maior ou igual a 7mm. Conduta: expectante com controle clínico por 3-4 semana, esvaziamento uterino após. FORMAS CLÍNICAS ABORTAMENTO HABITUAL Ocorrência de 3 ou mais abortamentos consecutivos. Pesquisa de alterações cromossômicas no casal e a presença de fatores imunológicos e trombofilias hereditárias. CONDUTA EXPECTANTE Indicada nos casos de aborto precoce para mulheres sem alterações hemodinâmicas nem sinais de infecção. Na maioria das vezes, a eliminação acontece dentro de duas semanas após o diagnóstico, mas intervalos de até quatro semanas não são incomuns. Apesar desta conduta apresentar chance de eliminação incompleta e necessidade de medicação ou curetagem, não esta associada a maior risco de infecção. O tempo recomendado para resolução é de um mês. Pode-se indicar USTV de controle após a resolução. TRATAMENTO CIRURGICO CURETAGEM UTERINA Complicações: infecção, laceração cervical, perfuração uterina, lesão de orgãos pélvicos e hemorragia. Indicada em situações de urgência, sangramento moderado – intenso AMIU Método preferido no primeiro TRI Complicação: perfuração uterina, porém muito raro. Para preparação cervical para o aborto cirúrgico – usar Misoprostol 400ug via vaginal três horas antes do procedimento. TRATAMENTO MEDICAMENTOSO MISOPROSTOL VANTAGENS: custo acessível, ausência de possibilidadede perfuração uterina e formação sinequial, redução dos riscos de sequelas inerentes à dilatação do colo uterino e eliminação do risco anestésico. DESVANTAGENS: tempo de resolução, algumas vezes até sete dias, os efeitos colaterais até a expulsão do conteúdo da cavidade uterina – cólica, sangramento, náuseas, calafrios, a necessidade eventual de complementação cirúrgica e, principalmente, a ansiedade pela espera. Profilaxia Aloimunização RH Rh negativo e Coombs Indireto negativo – realizar imunoglobulina anti-Rh-D. image1.jpeg image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg image5.png image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image10.jpeg image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg image14.jpeg image15.jpeg image16.jpeg image17.jpeg image18.jpeg image19.jpeg image20.jpeg image21.jpeg image22.jpeg image23.jpeg image24.jpeg image25.png image26.png image27.jpeg image28.jpeg image29.jpeg