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SOFRIMENTO FETAL AGUDO E CRÔNICO : 
→ SOFRIMENTO FETAL AGUDO: 
O sofrimento fetal agudo é aquele que ocorre principalmente durante o trabalho de parto, 
sendo caracterizado pela queda brusca e intensa das trocas materno-fetais. 
➔ Possui causas uteroplacentais (como hiperatividade uterina) e feto placentárias 
(como, prolapsos de cordão e insuficiência placentária crônica). 
De maneira geral, o SFC é causado por algum insulto crônico que resulta em um estado 
de hipóxia, desencadeando respostas simpáticas e parassimpáticas que, por fim, 
diminuem a frequência cardíaca e a pressão arterial fetal. 
➔ O diagnóstico é realizado pela cardiotocografia e pelo perfil biofísico, ocorrendo 
principalmente no trabalho de parto das gestações de alto risco
No pré-natal, o diagnóstico pode ser realizado a partir da monitorização dos movimentos 
fetais (em condições de hipóxia há redução), a partir do 2o semestre, ou da 
microanálise do sangue fetal (baixa sensibilidade e dificuldade de realização). 
I. Parâmetros de movimentos fetais: Após refeição ou atividade leve (momentos de 
maior atividade fetal)→ paciente em decúbito lateral → contagem dos MF→em 1h 
deve haver 5-10 MFs.
➔ Registro dos MF durante atividades diárias usuais→padrão de normalidade: pelo 
menos 10 MF em 12H. 
II. Parâmetros da microanálise: pH > 7,25 ou lactato < 4,2 = feto saudável. Ph entre 
7,20 e 7,25 ou lactato de 4,2-4,8= repetir após 30 min. Ph <7,20 ou lactato > 4,8= 
comprometimento fetal( interromper gestação). Ph < 7,20 durante fase ativa e 
<7,15 na fase expulsiva=sinais de SF. 
O perfil biofísico fetal (PBF) é um dos métodos utilizados na avaliação do bem-estar 
fetal e utiliza-se de 4 parâmetros para predizer a acidemia fetal. 
Analisa parâmetros fisiológicos + cardiotocografia + ultrassom com FC: movimentos fetais, 
frequência respiratória, líquido amniótico e tônus fetal, com 2 pontos cada, total de 10. 
➔ Agudos: movimentos respiratórios fetais, tônus fetal, movimentos fetais e 
reatividade e variabilidade da frequência cardíaca fetal. São quadros que refletem 
uma resposta adaptativa à hipóxia com redistribuição reflexa do fluxo cardíaco 
para órgãos preferenciais (cérebro, coração e rins). 
➔ Crônico: correspondem a alteração do volume de líquido amniótico. A redução do 
volume de líquido amniótico na presença de membranas íntegras e trato 
geniturinário anatômico e funcionalmente normal é evidência de comprometimento 
fetal, visto que o rim é o maior contribuinte para a formação do líquido amniótico 
após a metade da gestação. 
A avaliação da frequência cardíaca fetal também pode ser utilizada no diagnóstico do 
sofrimento fetal agudo. Esse parâmetro é constituído da ausculta fetal intermitente 
(sonar-Doppler) que, no baixo risco, deve ser feito em intervalos de 1h (fase latente), 30 
minutos (fase ativa) e 15 minutos (período expulsivo). 
➔ Considera-se sofrimento fetal quando há bradicardia persistente (<110 bpm), por 
pelo menos 50% da duração de 3 contrações consecutivas. 
Outro elemento é a cardiotocografia que consiste em um método não invasivo de 
monitorização dos batimentos cardíacos fetais, cujo objetivo primário é a avaliação da 
vitalidade do concepto (oxigenação) e consiste no registro grá co simultâneo da FCF, dos 
movimentos fetais e das contrações uterinas. 
➔ Parâmetros avaliados na cardiotocógrafo: frequência cardíaca fetal basal (FCF) 
que corresponde a linha de base, oscilações da frequência cardíaca fetal que é a 
variabilidade da FCF, aceleração da frequência cardíaca fetal e desacelerações da 
frequência cardíaca fetal.
A) Frequência cardíaca basal ⇒ Normal – 110 a 160 bpm. Corresponde a linha de base. 
➔ Taquicardia – maior que 160 bpm. No geral, é causada por variáveis maternas 
como hipertermia, ansiedade, tireotoxicose e uso de drogas, por infecção 
intrauterina, por hipóxia fetal, por doenças cardíacas do concepto, de fatores 
constitucionais. 
➔ Bradicardia – menor que 110 bpm. Pode decorrer de hipóxia fetal, doenças 
cardíacas do concepto, da ação de drogas usadas pela mãe, de fatores 
constitucionais. 
B) Oscilação da frequência basal ⇒ representa a variação entre a maior e a menor FCF 
no intervalo de um minuto de exame, em no mínimo de 10 minutos de exame para o seu 
julgamento.
➔ Há o padrão sinusoidal, no qual há presença de padrão ondulatório que mimetiza 
ondas senoidais com variabilidade de 3-5 batimentos por minuto que persiste por 
20 minutos ou mais. Esse padrão pode ser observado no feto gravemente 
anêmico. 
C) Aceleração a movimentação ⇒ São aumentos periódicos da FCF induzidos por 
atividade motora do concepto ou por contrações uterinas que ocorrem pois todo 
concepto hígido, quando se movimenta, acelera sua FCF (amplitude > 15 bpm, duração > 
15 segundos). Além disso, qualquer aceleração que dure mais do que 10 minutos deve ser 
considerada como uma mudança na linha de base. 
D) Desacelerações ⇒ Quando presente a contração uterina, as desacelerações podem 
ser classificadas como: DIP não periódicas (precoces ou tardias) e periódicas (I, II e III). 
➔ Desacelerações tardias (quando ocorre após o pico da contração uterina) são 
altamente sugestivas de comprometimento da oxigenação do concepto.
➔ Nas desacelerações precoces, o pico e a recuperação da FCF basal são 
coincidentes com o início e o pico das contrações uterinas. Essas desacelerações 
estão normalmente associadas com a compressão da cabeça fetal durante o 
trabalho de parto (cardiotocógrafo a intraparto). Em geral, são consideradas como 
benignas.
➔ As desacelerações variáveis não têm relação com a contração uterina. São 
comumente associadas à compressão do cordão umbilical. Elas podem ser 
divididas em dois grupos: complicadas e não complicadas.
Desacelerações variáveis não complicadas consistem em rápida desaceleração da FCF 
precedida por aceleração inicial e seguida por rápido retorno à linha de base com 
aceleração secundária da FCF. 
Já as desacelerações variáveis complicadas são as desacelerações em que a FCF atinge 
valores abaixo de 70 batimentos por minuto com duração superior a 60 segundos, perda 
da variabilidade da FCF durante a desaceleração, desaceleração bifásica, aceleração 
prolongada secundária (incremento de mais de 20 batimentos por minuto e/ou duração 
de mais do que 20 segundos após-desaceleração), regresso lento à linha de base em 
nível inferior ao presente antes da desaceleração ou em nível de taquicardia ou 
bradicardia fetal. 
➔ Cardiotocografia regular ⇒ O padrão de normalidade de uma cardiotocografia: 
FCF basal entre 110-160 bpm; presença de variabilidade de curta duração, 
variabilidade de longa duração entre 6-25 bpm e ausência de desacelerações 
patológicas, podendo ocorrer àquelas transitórias.
→ SOFRIMENTO FETAL CRÔNICO: 
Condição que é sinônimo de insuficiência placentária, em que ocorre uma diminuição 
progressiva da perfusão placentária resultando em um comprometimento fetal lento e 
início de mecanismos compensatórios. 
➔ Manifesta-se clinicamente por alterações do crescimento fetal e alterações do 
volume de líquido amniótico. Porém, o seguimento pré-natal deve ser atencioso, 
pois a clínica pode ser inexpressiva. 
➔ O diagnóstico é feito pelo Doppler da artéria umbilical. 
E) Crescimento intrauterino restrito ⇒ Ocorre quando: feto apresenta peso inferior ao 
percentil 10 ou 3 para a idade gestacional, a depender do doppler OU o peso fetal 
encontra-se menor que dois desvios-padrão da média para a IG (OMS). 
➔ Possui causas maternas (como, hipertensão arterial e diabetes mellitus com 
vasculopatia), causas placentárias (como, descolamento prematuro de placenta 
crônico) e causas de desenvolvimento fetal (como, alterações cromossômicas e 
infecções). 
A medida mais importante para o diagnóstico do crescimento intrauterino restrito é a 
idade gestacional. Deve-se sempre atentar-se à ultrassonografia na gestação de alto 
risco: início da gestação + 20 semanas + entre 30-32 semanas + quando houver 
suspeição de alteração do crescimento.➔ Através da US encontram-se medidas como determinação do Diâmetro Biparietal 
(DBP) ou Circunferência Cefálica (CC), da circunferência abdominal (CA) e do 
comprimento do fêmur (CF) que são determinantes na IG e em possível 
crescimento restrito. 
O crescimento restrito possui três classificações: 
01. CIUR tipo I (segundo trimestre): DBP e CC encontram-se consistentemente abaixo 
dos limites inferiores da normalidade. Nesse caso, devido a alguma alteração no 
início da gestação, o feto cresce normalmente, porém mantém-se pequeno por 
toda a vida, pois não atingiu o número de células ideal. 
➔ Causas = exposição a substâncias químicas, infecções congênitas e anomalias 
congênitas. 
02. CIUR assimétrico (terceiro trimestre): Feto apresenta-se alongado e emagrecido, 
com a cabeça relativamente grande em relação ao abdome (CC e CF são 
inicialmente poupados dos efeitos da deficiência nutricional). O aumento da 
relação CF/CA indica esse quadro. As alterações são mais bem observadas a 
partir do terceiro trimestre e estão associadas à insuficiência placentária. 
03. CIUR misto (assimétrico precoce): Se caracteriza pela associação dos tipos 
simétrico e assimétrico (raro). A agressão se inicia na fase de hiperplasia celular, 
a qual se perpetua na fase de hipertrofia, sendo associado a alterações 
cromossomiais ou infecções congênitas. 
F) Oligodramnia ⇒ Associa-se ao sofrimento crônico por insuficiência placentária. O 
diagnóstico ocorre quando há útero pequeno para idade gestacional com confirmação por 
meio de ultrassom (lâmina < 2 cm). A baixa quantidade de movimentos fetais também 
pode se associar ao quadro. 
Por fim, a avaliação do bem-estar fetal é observada em 3 parâmetros diferentes: 
cardiotocografia, perfil biofísico fetal e perfil hemodinâmico fetal. Este último parâmetro 
consiste na dopplerfluxometria fetal. 
➔ Esse exame faz diagnóstico já na fase compensada da doença (antecedente), ou 
seja, antes mesmo do CTG se alterar. 
➔ É realizado de 24 a 26 semanas, idealmente a partir de 28 semanas. 
De maneira geral, o exame analisa a resistência vascular ao fluxo, o que é feito através 
da razão entre as ondas de velocidade de fluxo, como forma indireta de avaliar a função 
placentária. 
Na avaliação Dopplervelocimétrica da artéria umbilical, o índice de pulsatilidade (IP) tem 
estrita relação com o pleno funcionamento da placenta, refletindo a proporção de 
vilosidades coriais que desempenham corretamente as suas funções de trocas gasosas 
entre mãe e feto. 
Já com a dopplerfluxometria da artéria cerebral média consegue-se caracterizar os 
primeiros sinais defensivos fetais frente ao sofrimento intrauterino. A centralização é 
um mecanismo de defesa temporário que permite ao feto sobreviver por períodos 
prolongados sob um aporte reduzido de O2 e nutrientes. 
➔ Este mecanismo só ocorre quando o baixo 
fluxo incomoda o feto, ou seja, o feto está 
se adaptando, porém está sofrendo.
O uso do Doppler em gestações de baixo risco não 
se mostrou efetivo, causando aumento do número 
de cesáreas e intervenções desnecessárias.

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