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Tema 4 - Adimplemento, Extinção e Inadimplemento Das Obrigações

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ADIMPLEMENTO, EXTINÇÃO E INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES DESCRIÇÃO Abordagem conceitual e prática dos modos de extinção da relação obrigacional, que ocorrem por meio do adimplemento ou do inadimplemento. PROPÓSITO Compreender que essa é uma das principais matérias das quais resultam demandas discutidas em ações judiciais, sendo, portanto, um assunto de grande viés prático e operabilidade para o exercício das profissões jurídicas que aluno irá exercer no futuro. PREPARAÇÃO Tenha o Código Civil (CC) atualizado em mãos.OBJETIVOS MÓDULO 1 Reconhecer os conceitos básicos de pagamento MÓDULO 2 Analisar as principais regras do adimplemento obrigacional MÓDULO 3 Identificar as modalidades de inadimplemento e suas consequências INTRODUÇÃO Na sociedade contemporânea, as obrigações constituem um tipo de relação de muita intensidade e que são muito comuns. As principais obrigações são aquelas que resultam de contratos e de atos ilícitos e constituem grande número de ações judiciais que visam a discutir tais obrigações ou, então, exigir seu cumprimento. Daí a importância de compreender em detalhes como se dá o cumprimento de uma obrigação (adimplemento) e quando tal cumprimento não ocorre (inadimplemento), pois as consequências sociais e jurídicas podem servir de campo fértil para o desenvolvimento profissional do aluno que está sendo formado. Com o objetivo de colaborar com o futuro exercício da profissão, aqui se pretende apresentar conceitos e demonstrar como eles se aplicam para a solução de problemas que resultam do não cumprimento da obrigação.Para isso, primeiro será apresentado 0 cumprimento natural ou normal de uma obrigação, o chamado pagamento. Em seguida, serão apresentadas modalidades de extinção da obrigação sem que tenha havido o cumprimento das prestações. Por fim, será apresentado regime jurídico do inadimplemento, ou seja, quando fica caracterizado o não cumprimento da prestação e quais as consequências de tal ato. ATOS ILÍCITOS Por meio dos atos ilícitos, exsurge, em função da responsabilidade civil, a obrigação de reparação dos prejuízos e danos causados. Podemos citar como exemplo uma batida de automóveis, em que um deles deu causa ao ocorrido. MÓDULO 1 Reconhecer os conceitos básicos de pagamento CUMPRIMENTO DIRETO DE UMA OBRIGAÇÃO Para uma melhor compreensão deste módulo, especialista Gilberto Silvestre apresentará a distinção inicial entre pagamento direto e indireto.Para assistir a um vídeo sobre assunto, acesse a versão online deste conteúdo. PAGAMENTO A primeira coisa que você precisa saber é que a palavra "pagamento", no Direito Civil, não significa, necessariamente, pagar em dinheiro algo que é dado ou feito em favor do credor. A obrigação é constituída, sempre, por prestações ( dar, fazer e não fazer). pagamento significa o cumprimento das prestações de uma relação obrigacional. DAR Obrigação de dar: está disposta nos arts. 233 ao 246 do CC. FAZER Obrigação de fazer: prevista nos arts. 247 ao 249 do CC.NÃO FAZER Obrigação de não fazer: regulada pelos arts. 250 e 251 do CC. PAGAR SIGNIFICA DAR, FAZER OU NÃO FAZER AQUILO QUE ESTÁ ESTABELECIDO EM UMA OBRIGAÇÃO. Por exemplo, pense em um cantor contratado para realizar uma apresentação em uma festa de formatura. Foto: Shutterstock.com. Ao comparecer ao baile de formatura e fazer (Prestação de fazer.) o show, esse cantor pagou (É chamado adimplemento.) sua prestação e cumpriu a obrigação.Após pagar sua prestação de fazer, receberá cachê ajustado previamente: dono do baile irá dar (Prestação de dar.) uma quantia em dinheiro ao cantor, o que corresponde ao pagamento da sua parte na obrigação. OOL Foto: Shutterstock.com.Foto: Shutterstock.com. Portanto, pagamento é cumprir as prestações e, lembre-se, existem três tipos de prestações: dar, fazer e não fazer. Independentemente de envolver a entrega de uma quantia em dinheiro (dar), também haverá pagamento quando o devedor executa sua prestação de fazer ou não fazer. Os últimos conceitos iniciais para você compreender o assunto são que o pagamento é o cumprimento das prestações, que ocasiona adimplemento. Com o adimplemento, diz-se que a obrigação foi solvida, ou seja, foi executada, atingiu seus objetivos. ATENÇÃO Embora com significados técnicos diferentes, solver, pagar, adimplir, cumprir, quitar são sinônimos de que as prestações foram executadas e a obrigação foi cumprida. Da mesma maneira, solvência, pagamento, adimplemento, cumprimento, quitação indicam fenômeno de que a obrigação foi executada. QUEM DEVE PAGARO cumprimento da prestação devida é a forma natural de extinção do vínculo obrigacional. O adimplemento ocorre com pagamento, que consiste no ato de dar, fazer ou não fazer, cumprindo débito do devedor. Esse pagamento, de acordo com caput do art. 304 do Código Civil, pode ser feito: Pelo devedor Por um terceiro interessado Por um terceiro não interessado Veja, então, que qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor. Nas obrigações impessoais, independentemente de quem pagar, a obrigação será solvida. Assim, a prestação pode ser cumprida por qualquer pessoa, pois o interesse do credor é exclusivamente no objeto da prestação, e não em quem está pagando (cumprindo a prestação). mesmo não ocorre, porém, em se tratando de obrigação intuitu personae (personalíssima ou pessoal), na qual somente devedor pode pagar, e um terceiro (por exemplo, um fiador), no máximo, pagará as perdas e os danos pelo inadimplemento. Em se tratando de pagamento por terceiro: Caso credor se oponha ao pagamento a ser feito, terceiro poderá usar dos meios que devedor tem ao seu dispor para se exonerar da obrigação, como, por exemplo, a consignação em pagamento (arts. 334 a 345 do Código Civil e arts. 539 a 549 do Código de Processo Civil). Se aquele que paga, porém, for um terceiro não interessado, terá direito a um reembolso a ser pago pelo devedor, ou seja, devedor deverá reembolsar o terceiro que pagar sua dívida. Se o terceiro adimplir dívida vencida, pode exigir do devedor o reembolso.Há, porém, uma hipótese em que devedor estará desonerado de reembolsar terceiro que paga, que será quando desconhecia ou se opôs ao pagamento por tal terceiro (art. 306 do CC). Mas não basta o desconhecimento ou oposição do devedor. O art. 306 adiciona um terceiro requisito, qual seja, a possibilidade de devedor ilidir a ação. ILIDIR A AÇÃO SIGNIFICA QUE DEVEDOR PODERIA IMPUGNAR DÉBITO, OPONDO, POR EXEMPLO, EXCEÇÃO, COMO A PRESCRIÇÃO. A transmissão de propriedade por meio da entrega de um objeto é chamada de tradição. A tradição somente poderá ser feita por quem tem legitimidade para alienar o bem, ou seja, pode o transferir para outra pessoa. Foto: Shutterstock.com. A QUEM SE DEVE PAGAR pagamento deve ser feito ao próprio credor em pessoa ou como ele estipular (por exemplo, depósito em conta bancária). Também será solvida a dívida se for paga a quem representa o credor, como, por exemplo, seu mandatário ("procurador"), seu preposto, seu tutor ou curador. Caso o pagamento seja feito a terceiro sem prévia anuência do credor, a solvência do devedor dependerá de:RATIFICAÇÃO POR PARTE DO CREDOR credor deverá confirmar recebimento da prestação pelo terceiro, ou seja, aceitar pagamento posteriormente. TERCEIRO REVERTEU QUE FOI RECEBIDO EM FAVOR DO CREDOR Ocorre quando aquele que recebeu pagamento incorpora a prestação recebida ao patrimônio do credor, ou, então, transformou a prestação em algum benefício em favor do credor. Existe o caso, ainda, de o pagamento ser realizado a um "credor putativo", que é alguém que parece ser credor, mas não é. Se devedor pagar débito a um credor putativo, ficará exonerado da obrigação se o fizer de boa-fé. EXEMPLO Indicações com erro no instrumento da obrigação; mandatário que não apresenta o instrumento de revogação; ou cessão de crédito não notificada por escrito. Mesmo que se comprove que aquele que recebe não era credor, o devedor, se não tinha como saber de seu erro, se dá por solvido. Nesse caso, credor verdadeiro deverá cobrar o valor do credor putativo. Se um terceiro portar título de quitação assinado pelo credor (por exemplo, um recibo) há a presunção de que esse terceiro foi autorizado pelo credor a receber o pagamento. Agora, observe o art. 312 do Código Civil, qual se trata do pagamento de crédito penhorado ou impugnado. A situação ali descrita ocorre quando credor que faz jus ao pagamento é devedor em outras obrigações, tendo credores. Por exemplo:Foto: Shutterstock.com. A tem o valor de R$ 25 mil para receber de B, referente à venda de um carro, e deve R$ 20 mil ao Banco C, referente a um empréstimo. No caso de o Banco c penhorar na execução crédito que A tem para receber de B, o devedor B, se notificado de tal penhora (intimado), terá que pagar seu débito não a A, mas ao credor Banco C. Foto: Shutterstock.com.Foto: Shutterstock.com. Tal pagamento poderá ocorrer, por exemplo, com depósito judicial ou diretamente ao executante Banco C, se juiz assim determinar. Se, porém, mesmo notificado da penhora, devedor realizar 0 pagamento diretamente ao seu credor A, não ficará exonerado da dívida penhorada perante executante Banco C.17825245 DO 200 Foto: Shutterstock.com.Foto: Shutterstock.com. Isso significa que terá que cumprir novamente sua prestação, mas agora em favor do Banco C. Terá, porém, o direito de reaver do credor aquilo que indevidamente lhe pagou. OBJETO DO PAGAMENTO credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, mesmo que essa prestação seja mais valiosa (art. 313, CC). Deve-se dar, fazer ou não fazer em favor do credor aquilo que consta na obrigação. Porém, ao credor é dado o direito de aceitar prestação diversa, se consentir expressa ou tacitamente (art. 356, CC). As obrigações podem conter prestação executável de imediato (execução imediata, à vista) ou de trato sucessivo ou a longo prazo. Esta última pode ser: PRESTAÇÃO DIFERIDA pagamento ocorre no futuro, porém, em um único ato, ou seja, uma só vez, integralmente. Nesse caso, a prestação é indivisível. PRESTAÇÃO CONTINUADAO pagamento ocorre no futuro, em duas ou mais partes, ou seja, é pago parceladamente. Aqui, a prestação é divisível. Se acordo da obrigação era pagamento integral de prestação que poderia ser divisível, não podem o credor e o devedor ser compelidos a aceitar e realizar, respectivamente, pagamento parcelado. No caso das obrigações de trato sucessivo, é possível convencionar aumento progressivo das prestações. O credor e o devedor poderão convencionar aumento do valor nominal da prestação em dinheiro. EXEMPLO Reajuste da parcela da prestação com base na inflação. De acordo com o art. 315 do CC, as dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal. Em regra, pagamento em dinheiro deve obedecer a três regras básicas: Valor Vencimento 10/06/11 A exigibilidade se dá no vencimento (exceto no caso do art. 333, CC).100 10 5 A moeda deverá ser a corrente, ou seja, a moeda nacional. Pagamento em moeda estrangeira é proibido (art. 318, CC). valor deve ser nominal (o que consta escrito em um título obrigacional), e não o real (aquele que considera os efeitos da inflação sobre o crédito). Os arts. 316 a 326 podem relativizar essas regras dispostas no art. 315, CC. São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira (art. 318, CC). pagamento de prestação pecuniária deve ser feito em moeda nacional corrente. ouro e amoeda estrangeira podem ser, evidentemente, objeto de uma prestação (por exemplo, compra e venda comercial de barra de ouro). art. 317 do CC prevê a possibilidade de, por motivos imprevisíveis, se sobrevier desproporção entre valor da prestação devida e o valor da prestação a ser pago no momento de sua execução, juiz corrigir, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, valor real da prestação. Trata-se da chamada Teoria da Imprevisão. Quando houver onerosidade excessiva da prestação, que se caracteriza pela desproporção do valor nominal originalmente fixado no título e o valor do momento da execução, a parte poderá propor ação revisional para que juiz ajuste (corrija) referido valor da prestação, para garantir equilíbrio obrigacional. Esses são os elementos caracterizadores da revisão do art. 317 do CC: Objeto da revisão Apenas se revisa o valor da prestação. Resolução Não prevista. Causa da onerosidade Fatores imprevisíveis. Fundamento É um direito do devedor previsto na lei. Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal Quadro: Elementos do art. 317. Elaborado por: Gilberto Fachetti Silvestre. AS DESPESAS DO PAGAMENTO DEVEDOR, EXCETO SE CREDOR ASSUMIU TAL RESPONSABILIDADE (ART. 325). PROVA DO PAGAMENTOO principal instrumento de prova de que um pagamento foi feito se dá pela quitação (art. 319 do CC), que é o documento emitido pelo credor que comprova cumprimento da prestação pelo devedor. É a prova de que foi solvida a obrigação. A quitação deve ser escrita, pois não poderá ser comprovada exclusivamente pela via testemunhal. É lícito ao devedor reter pagamento enquanto o credor não lhe der a quitação a que tiver direito. Requisitos da quitação: Ser escrita (particular ou pública). Conter o valor. Descrever a dívida cumprida e referências à obrigação. Ter o nome do devedor ou quem pagou por ele. Ter a data do pagamento. Indicar o lugar em que foi cumprida a prestação. Ter a assinatura do credor. ATENÇÃO A ausência de um desses requisitos não anula título de quitação. Pode ser que a quitação se dê por meio da devolução do título, como ocorreria, por exemplo, na devolução de um cheque quitado. A inutilização do título perdido pela declaração do credor pode ser aperfeiçoada pela ação especial prevista no art. 259 do Código de Processo Civil (ação de anulação e substituição de títulos ao portador). Quando pagamento for em quotas periódicas, a quitação da última estabelece, até prova em contrário, a presunção juris tantum de estarem solvidas as quotas anteriores (art. 322 do CC).A entrega do título pelo credor ao devedor faz presumir a quitação (art. 324 do CC). Tal presunção é juris tantum, pois o credor pode provar a falta de pagamento em até 60 dias após a entrega do título. LUGAR DO PAGAMENTO Em regra, o local de pagamento é o domicílio do devedor, mas há exceções a essa regra: Convenção das partes. Determinação legal (exemplo: quando se tratar de um imóvel - art. 328 do CC). Natureza da obrigação (exemplo: a contratação de uma agência de viagens, que cumprirá seus deveres na cidade para onde se levará a excursão). Circunstâncias (exemplo: um hotel somente pode cumprir sua prestação na cidade onde estiver situado). Havendo dois ou mais lugares possíveis para o pagamento, é direito do credor escolher local de pagamento se título da obrigação indicar mais de um local possível. Ocorrendo motivo grave para que se não efetue pagamento no lugar determinado, poderá devedor fazê-lo em outro, sem prejuízo para credor (art. 329 do CC): REQUISITO DESCRIÇÃO Situação de risco de dano pessoal ou patrimonial, ou um fortuito, Motivo grave que impossibilita o cumprimento no local devido. Exemplo: o devedor, doente, não pode ir até o domicílio do credor. Não pode cumprimento em lugar diverso causar prejuízo ao Ausência de credor. Exemplo: se a excursão para a Europa não pode ser prejuízo ao realizada, não pode a agência de turismo cumprir sua prestação credor no nordeste brasileiro.Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal Quadro: Requisitos do art. 329. Elaborado por: Gilberto Fachetti Silvestre. BANCO CENTR 100 Foto: Shutterstock.com. pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato (art. 330). Com a finalidade de garantir um comportamento coerente entre as partes, decorrente da boa-fé objetiva (art. 422), pagamento reiterado em local diverso do estabelecido, sem oposição do credor, levará à renúncia em receber local previamente fixado. Trata-se de supressio para credor (extinção do direito, por meio de uma renúncia tácita em razão do comportamento) e de surrectio para devedor (surgimento de um direito de pagar em local diverso do inicialmente fixado). TEMPO DO PAGAMENTO A regra é que, não sendo fixado termo a quo (Data de início.) para o cumprimento da prestação, a execução da obrigação será imediata. Isso significa que sua exigibilidade tem começo desde a conclusão do fato gerador do vínculo obrigacional. Na obrigação condicional suspensiva (aquela que libera a eficácia do negócio), o início do cumprimento da prestação se dá na data da ocorrência do fato condicionante da produção de efeitos.Foto: Shutterstock.com. A emprestará apartamento para caso este seja aprovado no vestibular. Trata-se de uma condição suspensiva, pois somente pode exigir apartamento se ocorrer sua aprovação. Foto: Shutterstock.com.Se for aprovado no vestibular, como não foi fixada qualquer data (por exemplo, em até 30 dias após a divulgação do resultado), tão logo seja divulgado o resultado, tem direito que A lhe entregue imóvel. art. 333 do CC fixa possibilidades de antecipação do vencimento da dívida como forma de garantia ao credor. Em situações de risco de insolvência do devedor (não ter patrimônio para saldar a dívida), é lícito ao credor antecipar o vencimento da dívida nas seguintes hipóteses: Falência do devedor Concurso de credores do devedor Penhora dos bens dados em garantia na execução de outros credores Insuficiência ou extinção de garantias (fiança, aval, hipoteca, penhor, anticrese) Ausência de reforço à garantia insuficiente ou extinta A possibilidade de antecipação não se aplica no caso de obrigação solidária passiva, pois os outros credores podem não incorrer nas hipóteses do art. 333 do CC. VERIFICANDO APRENDIZADO 1. JOÃO TEM VALOR DE R$ 5 MIL PARA RECEBER DE MARIA, REFERENTE A ALUGUÉIS ATRASADOS, E DEVE R$ 40 MIL A LUÍS, REFERENTE A UM EMPRÉSTIMO. JUDICIALMENTE, LUÍS CONSEGUE PENHORAR BENS DE JOÃO, DENTRE ELES CRÉDITO QUE TEM A RECEBER DE MARIA. SOBRE ESSA SITUAÇÃO, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: A) Se, mesmo notificada da penhora, Maria realizar o pagamento diretamente ao seu credor João, solverá sua obrigação, continuando a penhora do crédito entre João e Luís. B) Se, mesmo notificada da penhora, Maria realizar o pagamento diretamente ao seu credor João, deverá pagar novamente valor de sua prestação, mas agora em favor de Luís.C) Se Maria for notificada da penhora, terá que pagar seu débito a João e comunicar a Luís que realizou o pagamento. D) Se Maria for notificada da penhora do crédito, terá solvida sua obrigação para com João se pagar seu débito a Luís, mesmo Luís não sendo seu credor. E) Se Maria não for notificada da penhora do crédito e efetuar pagamento a João, Maria deverá pagar novamente a Luís e depois terá ação regressiva para reaver de João que pagou. 2. SOBRE PAGAMENTO DE UMA DÍVIDA FEITO POR TERCEIRO, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: A) Código Civil não admite que se realizem pagamentos por terceiros, devendo a prestação ser cumprida pelo devedor perante o credor. B) Quando o interesse do credor é exclusivamente quanto ao objeto da prestação, a obrigação será solvida independentemente de quem pagar. C) As obrigações de fazer são intuitu personæ e, como tal, não admitem pagamento por terceiro. D) Se o terceiro adimplir dívida vencida, não poderá exigir do devedor reembolso do que foi pago. E) Se aquele que paga for um terceiro não interessado, não terá direito a um reembolso a ser pago pelo devedor. GABARITO 1. João tem valor de R$ 5 mil para receber de Maria, referente a aluguéis atrasados, e deve R$ 40 mil a Luís, referente a um empréstimo. Judicialmente, Luís consegue penhorar bens de João, dentre eles crédito que tem a receber de Maria. Sobre essa situação, assinale a alternativa correta: A alternativa "B " está correta.A resposta está no art. 312 do Código Civil: "Art. 312. Se o devedor pagar ao credor, apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito, ou da impugnação a ele oposta por terceiros, o pagamento não valerá contra estes, que poderão constranger devedor a pagar de novo, ficando-lhe ressalvado regresso contra credor". Trata-se do pagamento de crédito penhorado ou impugnado. 2. Sobre pagamento de uma dívida feito por terceiro, assinale a alternativa correta: A alternativa "B " está correta. Embora caput do art. 304 preveja que qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá- la, tal não se aplica àquelas obrigações que somente podem ser cumpridas, exclusivamente, pela outra parte. Essas obrigações são chamadas de pessoais ou intuitu personæ, pois não podem ser cumpridas por qualquer um. Exemplo: o show de um cantor famoso só pode ser realizado por este cantor, pois a contratação foi por causa das suas características; logo, cantor não pode ser substituído na hora de realizar o show. Por outro lado, as obrigações impessoais podem ser cumpridas por qualquer pessoa, pois o interesse é no objeto, e não na pessoa de quem cumpre a prestação. É a ela que se refere o caput do art. 304. Exemplo: na compra e venda de um carro, interessa ao vendedor o dinheiro do negócio, qual pode ser entregue por qualquer pessoa. MÓDULO 2 Analisar as principais regras do adimplemento obrigacional AS DIFERENTES FORMAS DE ADIMPLEMENTO Para melhor compreensão do módulo, vamos assistir à breve introdução do especialista sobre pagamento indireto.Para assistir a um vídeo sobre assunto, acesse a versão online deste conteúdo. NOVAÇÃO, COMPENSAÇÃO, CONFUSÃO E REMISSÃO DE DÍVIDA Código Civil contempla algumas formas de solvência da obrigação que, porém, não são caracterizadas pelo cumprimento da prestação (pagamento propriamente dito). A obrigação é considerada adimplida, mas isso não ocorre por meio do cumprimento efetivo da prestação fixada originariamente na obrigação. É o chamado pagamento indireto. A novação, a compensação, a confusão e a remissão de dívida levam à solvência, mas de modo diverso do previamente fixado. AC BOLETOS REAIS Foto: Shutterstock.com. NOVAÇÃOOcorre quando uma nova obrigação é constituída para substituir um débito originário. É ato com caráter duplo: é extintiva, pois resolve a primeira obrigação; e jurígena, pois faz surgir uma nova obrigação. A prestação originária à qual credor fazia jus é extinta, surgindo para ele um novo direito creditório. Somente é possível novar uma obrigação que existe, senão a novação será um contrato novo. Necessariamente, terá que criar uma nova dívida, uma nova obrigação. Assim, haverá um novo direito de crédito para polo ativo (credor), e um novo débito para polo passivo (devedor). Como a novação extingue a obrigação, então também são extintos os acessórios e as garantias da dívida original, afinal, o acessório segue o principal (art. 364, CC). Por exemplo, se o fiador não consentir com a novação, a fiança é extinta (art. 366, CC). Embora a novação permita que haja um novo credor e um novo devedor, não haverá cessão ou assunção do crédito/débito primitivo, mas uma nova dívida. Também não há pagamento do débito por alguém que assume os direitos do credor perante o devedor (sub-rogação). Dependendo do que foi novado, ou seja, objeto da novação, é possível classificar a novação nos seguintes tipos: NOVAÇÃO DESCRIÇÃO Quando se altera a prestação ou objeto da prestação. É a hipótese do inciso I do art. 360 do Código Civil. Exemplos: mutuário toma novo Objetiva empréstimo bancário com a instituição bancária para saldar empréstimo anterior; renegociação de uma dívida, com redução ou desconto de juros ou aumento de parcelas. Subjetiva Uma nova dívida surge e há alteração na titularidade do polo ativo ou passivo. Tem-se: Novação subjetiva passiva: novo devedor. É a hipótese prevista no inciso do art. 360. Novação subjetiva ativa: novo credor. É a hipótese prevista noinciso III do art. 360. Há possibilidade de novação subjetiva mista (ativa e passiva), quando ocorrem simultaneamente as situações dos incisos e III. Exemplos: De novação subjetiva passiva: o familiar que assume perante credor do parente uma nova dívida para saldar a primitiva. Imagine a situação em que o filho toma 100 sacas de café emprestadas e posteriormente fica impossibilitado de devolvê-las e pagar os juros. Seu pai, então, emite uma duplicata em favor do credor (mutuante das sacas de café) assumindo uma dívida para resolver a obrigação do filho para com mutuante. De novação subjetiva ativa: uma determinada instituição financeira pagará o empréstimo de alguém feito com um banco. O mutuário, agora, passará a dever à instituição. De novação subjetiva mista: pai assina duplicata a pagar para uma instituição financeira pagar a dívida do filho com um banco. Quando há mudança do objeto da prestação e do polo ativo e passivo. Mista fazendeiro paga a dívida do seu vizinho de terra com a condição de este cuidar dos cavalos do primeiro. Atenção! Para da tabela utilize a rolagem horizontal Quadro: Espécies de novação. Elaborado por: Gilberto Fachetti Silvestre.Foto: Shutterstock.com. Foto: Shutterstock.com.26.80 67.05 - $7.103 103 2.001 Foto: Shutterstock.com. Fonte:Shutterstock Um requisito para a novação é o animus novandi, que é a vontade de novar, quer dizer, a novação depende de manifestação de vontade em criar dívida nova. De acordo com o art. 361,CC, não havendo ânimo de novar inequívoco, a segunda obrigação criada simplesmente confirma a primeira. A manifestação dessa vontade de novar pode ser expressa ou, então, tácita, esta última quando se presume pelas atividades dos envolvidos. EXEMPLO Um exemplo de animus tácito: pai, que nunca se manifestou expressamente, deposita mensalmente as parcelas da dívida do filho. Quando se tratar de novação por substituição do devedor (novação subjetiva passiva), essa pode ser efetuada independentemente de consentimento do devedor substituído. consentimento até pode ser dado, mas não é obrigatório. Diferentemente da novação do credor, a substituição do devedor e solvência de seu débito podem acontecer com ou sem sua anuência. Existem duas espécies de novação subjetiva passiva: POR EXPROMISSÃO devedor primitivo é substituído sem seu conhecimento e concordância e o terceiro assumirá uma dívida para solver o débito do devedor. POR DELEGAÇÃO Devedor e credor consentem com a substituição do primeiro por um terceiro. A novação operada quanto a um dos codevedores solidários não aproveita aos demais. Extingue débito do devedor primitivo, mas persiste a obrigação para os outros codevedores. credor tem a opção de aceitar ou recusar novo devedor. Se o devedor for insolvente, mas o credor nada opôs à novação subjetiva, não poderá credor exigir o débito do devedor primitivo.Se, porém, devedor primitivo conhecia a insolvência do seu substituto e nada comunicou ao credor (má-fé), terá credor ação regressiva contra ele para haver as perdas e os danos. De acordo com art. 367 do CC, a novação cabe nas seguintes situações: QUANDO A NOVAÇÃO É POSSÍVEL Obrigação já existente Obrigação anulável A novação tem por finalidade solver É possível novar uma obrigação anulável, uma obrigação que já existe, e sobre especialmente para lhe dar validade, por meio ela firmar nova dívida. da confirmação (art. 172). QUANDO A NOVAÇÃO É IMPOSSÍVEL Obrigação já Obrigação ainda Obrigação nula extinta não existente Não se pode O nulo não pode produzir efeitos. Se Uma obrigação já (i)novar uma produziu alguma eficácia, tem que ser solvida não tem obrigação que desfeita (art. 182). Além disso, que é motivo para ser ainda não foi nulo não convalesce (art. 169). extinta porque não constituída porque Obrigação nula é, por exemplo, uma foi constituída. contrato não foi que viole a lei, por exemplo, firmado. estabelecendo trabalhos forçados. Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal Quadro: Cabimento da novação. Elaborado por: Gilberto Fachetti Silvestre.Foto: Shutterstock.com. COMPENSAÇÃO É uma forma de pagamento pela qual dívidas recíprocas entre o devedor e o credor serão extintas por se neutralizarem proporcionalmente aos seus valores. Não há compensação com terceiro ou feita por terceiro (art. 376 do CC). As dívidas a serem neutralizadas devem ser: LÍQUIDAS Valor já determinado, conhecido, sabido. VENCIDAS Ambas já atingiram o prazo do pagamento, ou seja, chegaram ao vencimento e não foram pagas. FUNGÍVEIS Quando o objeto da prestação for bem fungível (substituível). A título de exemplo:1 Imagine, agora, que A é fiador de em uma dívida que este tem com C. Imagine, ainda, que deva um valor a que tomou emprestado anteriormente. 2 Se B for inadimplente perante C, o fiador A terá que saldar a dívida. De acordo com o art. 371, pagando a dívida de para com C, A estará compensando (neutralizando) a dívida do empréstimo que tem com 3 É a compensação pelo fiador: se fiador pagar a dívida do afiançado (devedor), estará compensando dívidas que tenha para com ele. Não se procederá à compensação se as partes livremente a ela renunciarem (art. 375) bilateralmente (feita por ambas as partes) ou unilateralmente (uma parte, previamente, declara não aceitar uma compensação futura). art. 377 assim dispõe sobre a oposição do devedor à compensação: Devedor notificado da Ocorre uma espécie de "preclusão": devedor não cessão de crédito poderá opor a compensação perante terceiro compensável entre seu cessionário (aqui, "opor" tem sentido de alegar e credor e terceiro e que exigir). Assim, deverá cumprir seu débito em favor do não se manifestou cessionário e exigir do cedente o crédito a que faz jus contrariamente a tal receber deste. Por que o credor-cedente faria isso? cessão (aqui, "não se Pode ser uma estratégia maliciosa para prejudicar opôs" está no sentido de devedor originário em caso de inadimplência: receberá tentar impedir). um valor do cessionário para reverter em outras vantagens e benefícios e não cumprir seu débito paracom devedor. Nem sempre poderá caracterizar fraude contra credores porque pode não haver consilium fraudis entre ele e cessionário. Poderá opor (no sentido de alegar e exigir) a Devedor não notificado da compensação perante terceiro cessionário: seu débito cessão de crédito que a será resolvido para com seu antigo credor. Assim, o outra parte fez a terceiro. cessionário deverá se entender com cedente quanto aos seus possíveis prejuízos. Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal Quadro: Sistematização da oposição do devedor à cessão de crédito compensável. Elaborado por: Gilberto Fachetti Silvestre. Pode ser que exista um problema para a compensação, qual seja, as dívidas terem pagamento em lugares diversos. Nesse caso, as despesas da operação em outro lugar são deduzidas do valor a compensar, ou seja, também são compensadas (art. 378). É preciso observar restrições à compensação (art. 380): Se a compensação prejudicar terceiro: por exemplo, a compensação deixará uma das partes inadimplente pera um terceiro, do qual é devedor (art. 168). Penhora do crédito compensável: não há compensabilidade após ocorrer a penhora. Foto: Shutterstock.com. CONFUSÃOOcorre quando, no âmbito de uma mesma obrigação, devedor se torna seu próprio credor, ou o credor se torna seu próprio devedor. Essa situação resolverá a obrigação por causa da confusão patrimonial e também porque ninguém é obrigado perante si mesmo. EXEMPLO Uma empresa X deve a uma empresa Y. Contudo, X incorpora ou se funde com Y, assumindo as obrigações uma da outra. Tonar-se devedora de si própria. A confusão poderá ser: TOTAL Diz respeito a todo o débito, caso em que resolve a obrigação e as partes se darão por solvidas. PARCIAL Quando somente parcela do débito é extinta. Nesse caso, a obrigação persiste quanto à parcela não confundida. Caso a confusão seja desfeita, a obrigação é restabelecida, inclusive no que diz respeito a seus acessórios. Foto: Shutterstock.com.REMISSÃO DE DÍVIDAS É quando o credor perdoa débito do devedor, ou seja, dá por solvida a obrigação sem cumprimento efetivo da prestação (art. 385, CC). credor não receberá seu crédito. É uma desoneração do devedor. CREDOR QUE PERDOA É CHAMADO DE REMITENTE E DEVEDOR PERDOADO É REMIDO. Se a remissão for representar um prejuízo a terceiro (por exemplo, alguém que seja credor do credor-remitente ou do devedor-remido), não produzirá efeitos. A remissão precisa do consentimento do devedor, que se não aceitar o perdão, persistirá débito. Uma forma de desoneração ocorre pela devolução do título (art. 386, CC) que representa a obrigação. A remissão pode se dar sobre a garantia da dívida, situação em que se mantém débito. EXEMPLO Remissão da fiança, do aval, do penhor. No caso de penhor, sua característica principal é a posse do bem dado em garantia, que será entregue ao credor pignoratício. Se o credor que tem a posse do bem devolver a coisa do devedor, presume-se a remissão da garantia (penhor), e não do débito principal (a dívida permanecerá). Quando se tratar de pluralidade passiva, ou seja, dois ou mais devedores, a remissão em relação a um dos codevedores não solve o débito, que persistirá proporcionalmente para os demais devedores. Fala-se em proporcionalmente porque será abatida do débito total a parcela que competia ao remido. VERIFICANDO APRENDIZADO1. A MODALIDADE DE SOLVÊNCIA DE UMA OBRIGAÇÃO CARACTERIZADA PELO SURGIMENTO DE UM NOVO CREDOR PARA EXIGIR NOVO CRÉDITO CONSTITUI A: A) Novação B) Sub-rogação C) Confusão D) Compensação E) Remissão 2. ANA TEM UM CRÉDITO PARA RECEBER DE JOSÉ. ELE VEM A FALECER E SUA HERANÇA DEVE SALDAR A DÍVIDA PARA COM CREDORES. OCORRE QUE ANA É HERDEIRA DE JOSÉ, E DEVERÁ SALDAR AS DÍVIDAS QUE ELE DEIXOU NOS LIMITES DE SUA HERANÇA. NESSE CASO, A OBRIGAÇÃO ENTRE ANA E JOSÉ É CONSIDERADA SOLVIDA PORQUE OCORREU A: A) Compensação B) Novação objetiva C) Novação subjetiva D) Remissão E) Confusão GABARITO 1. A modalidade de solvência de uma obrigação caracterizada pelo surgimento de um novo credor para exigir novo crédito constitui a: A alternativa "A" está correta.Na novação, constitui-se um novo débito, que poderá: 1) ter mesmo credor e o mesmo devedor da obrigação primitiva; 2) ter um novo credor para exigir novo crédito perante o devedor primitivo; ou 3) manter credor primitivo, que tem direito de exigir nova dívida perante um novo devedor. 2. Ana tem um crédito para receber de José. Ele vem a falecer e sua herança deve saldar a dívida para com os credores. Ocorre que Ana é herdeira de José, e deverá saldar as dívidas que ele deixou nos limites de sua herança. Nesse caso, a obrigação entre Ana e José é considerada solvida porque ocorreu a: A alternativa "E " está correta. Ana se tornou credora de si própria. A confusão ocorre quando, no âmbito de uma mesma obrigação, o devedor se torna seu próprio credor, ou o credor se torna seu próprio devedor. MÓDULO 3 Identificar as modalidades de inadimplemento e suas consequências INADIMPLEMENTO DE UMA OBRIGAÇÃO Para melhor aproveitamento dos conhecimentos transmitidos ao longo desse módulo, assista à explicação do especialista Gilberto Fachetti acerca da distinção inicial entre as modalidades de inadimplemento. Para assistir a um vídeo sobre assunto, acesse a versão online deste conteúdo.INADIMPLEMENTO Inadimplemento é ato ilícito obrigacional, ou seja, quando dever da prestação não é cumprido. Desse descumprimento resulta um prejuízo ao credor, de natureza patrimonial, que poderá exigir a reparação de tal dano. INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES credor pode exigir cumprimento extemporâneo da prestação, se houver possibilidade e interesse. Com base no art. 475, é possível verificar que, ante o inadimplemento, credor tem dois direitos: RESOLVER A OBRIGAÇÃO E EXIGIR PERDAS E DANOS A obrigação será extinta, mas devedor deverá indenizar o credor no prejuízo sofrido pela insolvência total da obrigação e por outros prejuízos do atraso. credor somente poderá resolver a obrigação no caso de inadimplemento absoluto, que é quando a prestação não pode mais ser cumprida ou não há interesse no seu cumprimento extemporâneo. EXIGIR CUMPRIMENTO DA PRESTAÇÃO Se houver interesse e possibilidade, credor pode exigir que devedor cumpra e prestação, mesmo que extemporaneamente. Nesse caso, o credor poderá exigir as perdas e os danos inerentes a esse atraso. Existem três tipos ou modalidade de inadimplemento, isto é, formas de descumprimentos dos deveres de uma obrigação. Antes, porém, é preciso identificar as duas modalidades de deveres de um complexo obrigacional: DEVERES PRESTACIONAIS DEVERES ACESSÓRIOS OU ANEXOSDEVERES PRESTACIONAIS São os deveres típicos da obrigação, ou seja, a prestação em si (o dar, fazer e não fazer); e (observe que é "e" e não "ou") DEVERES ACESSÓRIOS OU ANEXOS art. 422 do Código Civil determina que as partes devem agir com boa-fé na execução do contrato. Quer dizer, ao pagar a prestação, os obrigados não apenas deverão cumprir o dever principal da obrigação (prestação), mas também deveres de probidade, confiança, honestidade, coerência, informação, cooperação, verdade, para correto cumprimento da prestação. Assim, não basta cumprir a prestação; é preciso cumpri-la de modo cooperativo, para que ambas as partes alcancem suas finalidades. A título de exemplo do descumprimento desses deveres impostos pela boa-fé, tem-se: Médico que não informa e não utiliza tratamento menos doloroso em seu paciente, tão eficaz quanto os tradicionais, mas sofríveis.Cantor que faz um show sentado em uma mesa. Alimento entregue excessivamente salgado. A partir disso, identificam-se três modalidades de inadimplemento: DEVER INADIMPLEMENTO DESCRIÇÃO DESCUMPRIDOQuando a prestação (dar, fazer ou não fazer) não é cumprida e não há mais possibilidade e interesse do credor no cumprimento extemporâneo dessa Principais Absoluto prestação. Consequência: a obrigação (prestacionais) se resolve e devedor deverá pagar o valor equivalente da prestação, mais as perdas e os danos, juros e a multa pelo seu não cumprimento. Quando a prestação (dar, fazer ou não fazer) não é cumprida no momento, local ou maneira estabelecidos na obrigação. Mas aqui há possibilidade e interesse do credor no cumprimento Principais extemporâneo dessa prestação. Relativo ou mora (prestacionais) Consequência: a prestação será cumprida posteriormente ao inadimplemento (após vencimento), acrescida dos valores de perdas e danos, juros e multa pelo seu não cumprimento na data do vencimento. Violação positiva Acessórios ou Quando a prestação (dar, fazer e não do contrato anexos (boa-fé) fazer) é cumprida, porém em desacordo com os deveres de cooperação estabelecidos pela boa-fé e de honestidade impostos pela probidade. A prestação é cumprida, mas com prejuízo ao credor porque o devedor não agiu com a diligência necessária para que a obrigação fosse benéfica à outra parte. Esse inadimplemento dos deveres anexos échamado de violação positiva do contrato. É positiva porque a prestação principal foi cumprida, quer dizer, não há inadimplemento absoluto ou relativo; e é violação porque seu cumprimento se deu em desacordo com a boa-fé e a probidade, causando prejuízos ao credor, apesar de ter sido cumprida a prestação. Consequência: o devedor deverá indenizar os prejuízos que o credor sofrer pelo cumprimento incorreto da prestação. Aliás, se a prestação se tornar desinteressante ao credor, poderá resolver a obrigação e exigir perdas e danos. Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal Quadro: Modalidades de inadimplemento. Elaborado por: Gilberto Fachetti Silvestre. Sendo o inadimplemento um ato ilícito obrigacional, sua consequência é a responsabilidade civil, caracterizada pelo dever de reparar dano causado. Tal dano é patrimonial, ou seja, representa perdas e danos. Havendo inadimplemento, são devidas ao credor as seguintes verbas: Perdas e danos: arts. 402 a 405, CC Juros: arts. 406 e 407, CC Multa (cláusula penal): arts. 408 a 416, CC Perda das arras: arts. 417 a 420, CC Todas essas verbas se submetem à correção monetária. inadimplemento nas modalidades de obrigação se configura da seguinte maneira: OBRIGAÇÃO INADIMPLEMENTOA partir do dia em que a coisa deveria ser entregue e não foi, ou então a partir do momento em que a quantia deveria ser paga e não Dar foi. termo inicial do inadimplemento é o dia seguinte ao do vencimento. Quando o ato não é executado pelo devedor no dia ajustado. O Fazer termo inicial será dia seguinte ao do vencimento. Desde momento em que devedor praticou o ato que não deveria praticar. Não há data de vencimento nesse caso. Pode haver termo Não fazer final da prestação, mas não vencimento. Por isso, inadimplemento se inicia tão logo devedor começa a fazer algo que deveria se omitir de realizar. Quando a prestação não é executada pela pessoa que foi a causa Intuitu do vínculo obrigacional. Ainda que prestada por outra pessoa, personæ haverá inadimplemento da prestação. Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal Quadro: Caracterização do inadimplemento em cada modalidade de prestação. Elaborado por: Gilberto Fachetti Silvestre. Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor (art. 391). Trata-se do princípio da responsabilidade patrimonial do devedor. Não há penalidades a serem aplicadas ao devedor de um débito não pago além da responsabilidade civil. É o patrimônio do devedor que responderá por suas dívidas. art. 392 cria a seguinte diferença entre a responsabilidade das partes por inadimplemento: CONTRATOS BENÉFICOS Parte a quem contrato aproveite Parte a quem contrato não favoreçaSegundo artigo, responde por simples culpa. Significa que se beneficiário agir Irá responder perante beneficiário com dolo não irá responder? Óbvio que apenas se agiu com dolo, isto é, fez não. Então, na verdade, dispositivo diz negócio consciente do prejuízo que que beneficiário responde até por culpa causaria à outra parte. A leitura "nas simples, ou seja, responde no mínimo por entrelinhas" do artigo implica em ler que culpa simples. Assim, responde por culpa ele responder por, no mínimo, dolo. leve, por dolo e por culpa grave (que se Considerando que a culpa grave se equipara ao dolo). equipara ao dolo, pode-se dizer que Exemplo: comodatário, ao devolver o também responde por culpa grave. carro ao comodante, esquece de acionar Exemplo: doador transfere ao o freio de mão na ladeira, que faz com donatário um bem que se encontra que o carro desça e seja abalroado em penhorado após sua intimação. um muro. comodatário indenizará comodante no dano sofrido. CONTRATOS ONEROSOS Ambas as partes (credor e devedor) Nesse caso, ambas as partes respondem, seja por dolo seja por culpa (de qualquer grau). Exemplos: para todos os casos abaixo considere um contrato de compra e venda de um carro: Culpa do vendedor: responde pelos prejuízos do comprador se alienou carro antes de ser intimado da penhora ou se esqueceu de entregá-lo na data ajustada. Culpa do comprador: não pagou uma das parcelas da prestação do carro porque estava viajando e esqueceu o número da conta bancária do vendedor para depósito.Dolo do vendedor: aliena carro do qual não é dono, sabendo dessa situação (venda a non domino), ou então aliena carro que não existe. Dolo do comprador: compra e não paga porque se encontra insolvente (o famoso "devo não nego, pago quando puder"). Culpa do vendedor e do comprador: comprador atrasa pagamento por mero esquecimento e vendedor também se esquece que é último dia do prazo para entregar o carro. Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal Quadro: Sistematização do art. 392. Elaborado por: Gilberto Fachetti Silvestre. Há duas maneiras de se dar incumprimento da prestação e, por causa disso, fala-se em dois tipos de inadimplemento: Foto: Shutterstock.com. Inadimplemento voluntário ou inadimplemento culposo: Decorre de culpa do devedor (dolo ou culpa em sentido estrito), quer dizer, quando devedor poderia evitar inadimplemento porque está consciente da situação, tendo controle sobre a prestação.Foto: Shutterstock.com. Inadimplemento involuntário: O incumprimento acontece sem culpa do devedor, por razões que impedem de adimplir. Tais razões são fatores sobre os quais devedor não tem controle. Os fatores que art. 393 do CC considera como fora do controle do devedor são caso fortuito e a força maior. O caso fortuito e a força maior têm um ponto em comum: a inevitabilidade, ou seja, a impossibilidade de evitar pode ocorrer por causa da imprevisibilidade (quando sua ocorrência não se pode prever) ou, mesmo que previsível, não será possível impedir que os malefícios de seus efeitos. Veja as diferenças:Foto: Shutterstock.com. CASO FORTUITO É acontecimento originado da conduta humana que impede cumprimento da prestação. Exemplos seriam as greves, as paralisações, as manifestações, os assaltos, os atos ilícitos, ataque de animais domésticos. Foto: Shutterstock.com.FORÇA MAIOR São circunstâncias alheias à conduta humana, como eventos naturais. Exemplos: enchentes, raios, granizo, ataques de animais selvagens, erupções vulcânicas, terremotos, tsunamis, ressacas marítimas, doenças, morte natural. Em ambos os casos, haverá exclusão de responsabilidade do devedor perante credor. Isso significa que devedor não responde por prestação, perdas e danos resultantes do incumprimento causado por caso fortuito e de força maior. credor sofrerá os prejuízos. Mas a exclusão, apesar da ocorrência do caso fortuito e da força maior, poderá não ocorrer em duas hipóteses: devedor expressamente assume a responsabilidade ainda que tais excludentes ocorram: ele responde por perdas e danos porque assume esse compromisso. devedor expressamente assume a responsabilidade ainda que tais excludentes ocorram: ele responde por perdas e danos porque assume esse compromisso.IZA CAIXA caso fortuito ou de força maior não é verificado no fato necessário: significa que as excludentes atingem situações que não impedem a ocorrência do adimplemento. Fato necessário é aquele que é único que permite cumprimento da prestação. Assim, não pode o devedor alegar caso fortuito para não pagar perdas e danos por causa de greve dos bancários se as casas lotéricas recebem o pagamento de contas. O caso fortuito ou de força maior não é verificado no fato necessário: significa que as excludentes atingem situações que não impedem a ocorrência do adimplemento. Fato necessário é aquele que é único que permite cumprimento da prestação. Assim, não pode devedor alegar caso fortuito para não pagar perdas e danos por causa de greve dos bancários se as casas lotéricas recebem o pagamento de contas. Se caso fortuito e a força maior atingirem a prestação durante a mora do devedor, não haverá a exclusão de responsabilidade. Há uma exceção no art. 399: se o devedor conseguir provar que caso fortuito ou a força maior atingiriam o objeto da prestação mesmo se ele tivesse realizado pagamento, então sua responsabilidade será excluída. Exemplo: devedor está em mora na entrega de um cavalo, que morre por causa de uma doença. Se provar que cavalo morreria mesmo se tivesse entregue ao credor, não precisará pagar as perdas e os danos. A mora, ou o inadimplemento relativo, é o incumprimento da obrigação em razão de: Não ter sido cumprida a prestação no tempo correto (até vencimento ou prazo assinado pelo credor).

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