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Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Curso de Direito- Direitos reais Profª Ronaly Cajueiro de Melo da Matta Alunos: Luciana Nilo de Santana Santos Valor: 30 pontos (7,5 pontos cada questão) Carlos, servidor público aposentado, adquiriu em 2010 um imóvel urbano em Belo Horizonte mediante contrato particular de compra e venda firmado com João, que se dizia proprietário do bem. O contrato não foi levado a registro no Serviço de Registro de Imóveis, entretanto, Carlos passou a residir no imóvel desde então, de forma mansa, pacífica e ininterrupta, realizando acessões e benfeitorias, pagando os tributos e contas de consumo regularmente. Ocorre que João havia comprado o imóvel de Maria em 2008, por meio de outro contrato particular, igualmente não registrado. Maria, por sua vez, havia herdado o imóvel de seu pai, Antônio, mas nunca formalizou o inventário e nem providenciou o registro de um formal de partilha junto ao Registro de Imóveis. Logo, o imóvel continuava registrado em nome de Antônio, falecido em 1999. Em 2022, Pedro, filho de Antônio e irmão de Maria, ajuizou ação com pedido de abertura de inventário dos bens deixados pelo pai, incluindo o imóvel. Após o encerramento do inventário, foi requerida a expedição do formal de partilha, de modo que cada irmão ficou com uma fração ideal. Em posse do formal de partilha, Pedro o registrou junto ao Registro imobiliário. Em 2024, ao tomar conhecimento de que Carlos morava no imóvel, Pedro ajuizou ação reivindicatória, alegando ser um dos legítimos proprietários registrais e que Carlos ocupava o imóvel sem título há mais de uma década. Carlos, por sua vez, precisa apresentar contestação e procura vocês no escritório. Respondam às dúvidas de Carlos. 1. Poderia Carlos levar a registro o contrato particular de compra e venda entre ele e João? Justifiquem sob a ótica da aquisição da propriedade imobiliária pelo registro do título. Justifiquem sua resposta a partir dos princípios registrais. R: Carlos não poderia registrar o contrato, pos jõao não era proprietário registral e o título não atendia aos princípios da legalidade e continuidade. 2. Carlos poderia adquirir a propriedade imobiliária pela usucapião? Se sim, indiquem em qual modalidade e seus requisitos, explicando cada um deles. R: Carlos poderia adquirir a propriedade pela usucapião ordinária que é posse contínua, mansa e pacífica por 10 anos, com justo título (contrato particular) e boa - fé subjetiva e animus domini. 3. Considerando que Pedro conseguiu registrar o formal de partilha e figura como proprietário, ele poderia se valer da ação reivindicatória? Ele pode ajuizar sem a participação dos seus irmãos no pólo ativo (litisconsórcio facultativo/necessário)? Quais requisitos para o ajuizamento da ação reivindicatória? Expliquem. R: Pedro, como proprietário registral, tem legitimidade ativa. Quanto ao litisconsórcio é facultativo, pois qualquer condômino pode reivindicar a totalidade em beneficio de todos, conforme o entendimento STJ. 4. Pode ser alegada a usucapião em defesa do direito de Carlos, neste caso, se acatada, estaria ele desincumbido de ajuizar ação com pedido de usucapião? O que Carlos poderia ter feito para evitar esta possibilidade de arguição? Justifiquem. R: Carlos pode invocar a prescrição aquisitiva em sua contestação, se reconhecida, não precisa propor ação autônoma, a ação tem efeito declaratório do domínio, para evitar o litígio, o ideal seria ter ajuizado previamente a ação de usucapião e obtido o registro assim, consolidando a situação dominial. Pontif í cia Universidade Cat ó lica de Minas Gerais Curso de Direito- Dire i tos reais Prof ª Ronaly Cajueiro de Melo da Matta Alunos: Luciana Nilo de Santana Santos Valor: 30 pontos (7,5 pontos cada quest ã o) Carlos, servidor p ú blico aposentado, adquiriu em 2010 um im ó vel urbano em Belo Horizonte mediante contrato particular de compra e venda firmado com Jo ã o, que se dizia propriet á rio do bem. O contrato n ã o foi levado a registro no Servi ç o de Registro de Im ó veis, entretanto, Carlos passou a residir no im ó vel desde ent ã o, de forma mansa, pac í fica e ininterrupta, realizando acess õ es e benfeitorias, pagando os tributos e contas de consumo regularmente. Ocorre que Jo ã o havia comprado o im ó vel de Maria em 2008, por meio de outro contrato particular, igualmente n ã o registrado. Maria, por sua vez, havia herdado o im ó vel de seu pai, Ant ô nio, mas nunca formalizou o invent á rio e nem providenciou o registro de um formal de partilha junto ao Registro de Im ó veis. Logo, o im ó vel continuava registrado em nome de Ant ô nio, falecido em 1999. Em 2022, Pedro, filho de Ant ô nio e irm ã o de Maria, ajuizou a çã o com pedido de abertura de invent á rio dos bens deixados pelo pai, incluindo o im ó vel. Ap ó s o encerramento do invent á rio, foi requerida a expedi çã o do formal de partilha, de modo que cada irm ã o ficou com uma fra çã o ideal. Em posse do formal de partilha, Pedro o registrou junto ao Registro imobili á rio. Em 2024, ao tomar conhecimento de que Carlos morava no im ó vel, Pedro ajuizou a çã o reivindicat ó ria, alegando ser um dos leg í timos propriet á rios registrais e que Carlos ocupava o im ó vel sem t í tulo h á mais de uma d é cada. Carlos, por sua vez, precisa apresentar contesta çã o e procura voc ê s no escrit ó rio. Respondam à s d ú vidas de Carlos. 1. Poderia Carlos levar a registro o contrato particular de compra e venda entre ele e Jo ã o? Justifiquem sob a ó tica da aquisi çã o da propriedade imobili á ria pelo registro do t í tulo. Justifiquem sua resposta a partir dos princ í pios registrais.