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OAB
EXAME DE ORDEM
DIREITO
CIVIL
Capítulo 03
 
1 
CAPÍTULOS 
Capítulo 1 -– Direito Civil e Constituição. LINDB. Pessoa natural e 
Direitos da personalidade. Pessoa jurídica. 
  
Capítulo 2 – Bens. Fatos, Atos e Negócios Jurídicos. Prescrição e 
Decadência 
 
Capítulo 3 (você está aqui!) – Teoria Geral das Obrigações. Atos 
Unilaterais 
 
Capítulo 4 –Teoria do Contrato. Contratos em espécie.     
Capítulo 5 – Teoria da Responsabilidade civil.  
Capítulo 6 – Posse. Direitos Reais       
Capítulo 7 – Casamento, União Estável e Monoparentalidade. 
Dissolução do Casamento e da União Estável. Parentesco. Poder 
Familiar. Regimes de Bens e outros Direitos Patrimoniais nas relações 
familiares. Alimentos. 
 
Capítulo 8 – Sucessão legítima. Sucessão testamentária e disposições 
de última vontade. 
    
 
 
 
2 
 
SOBRE ESTE CAPÍTULO 
 
Olá, Futuro Advogado! 
A apostila de número 03 do nosso curso de Direito Civil tratou sobre o Direito das Obrigações, 
matéria que é altamente cobrada no Exame de ordem! De acordo com a nossa equipe de 
inteligência, esse assunto esteve presente 12 VEZES nos últimos 3 anos! Não precisamos falar 
que o estudo desse conteúdo é primordial, não é? 
Aqui, a banca costuma seguir o seu padrão: Apresentar um caso hipotético, pelo qual a resposta 
é respaldada na legislação vigente. Por isso, recomendamos a leitura atenta da letra seca da lei, 
dos enunciados, e sempre em companhia de alguma doutrina à sua escolha. 
E o mais importante, responda questões! A resolução de questões é a chave para a aprovação! 
Vamos juntos! 
 
 
 
3 
SUMÁRIO 
DIREITO CIVIL ........................................................................................................................................... 6 
Capítulo 3 .................................................................................................................................................. 6 
8. Teria Geral das Obrigações ............................................................................................................ 6 
8.1 Conceito .................................................................................................................................................................... 6 
8.2 Elementos Constitutivos ..................................................................................................................................... 7 
8.2.1 Elemento Subjetivo ................................................................................................................................................ 7 
8.2.2 Elemento Objetivo (ou material) ...................................................................................................................... 7 
8.2.3 Elemento Imaterial ou Vínculo Jurídico ........................................................................................................ 8 
8.3 Fontes das Obrigações ............................................................................................................................................ 8 
8.4 Classificação das Obrigações ................................................................................................................................ 9 
8.4.1 Obrigação de Dar ................................................................................................................................................... 9 
8.4.2 Obrigação de Fazer ............................................................................................................................................ 14 
8.4.3 Obrigação de Não Fazer .................................................................................................................................. 15 
8.4.4 Obrigações quanto a seus elementos ........................................................................................................ 16 
8.4.5 Outras Modalidades de Obrigação: ............................................................................................................ 24 
8.4.6 Outras Classificações .......................................................................................................................................... 26 
8.5 Espécies de Obrigações segundo a Doutrina ........................................................................................ 28 
 8.5.1 Obrigações Propter Rem ................................................................................................................................. 28 
8.5.2 Obrigações Naturais ........................................................................................................................................... 28 
8.6 Da transmissão das obrigações ................................................................................................................... 29 
 8.6.1 Cessão de crédito (artigo 286 a 298) ........................................................................................................ 29 
8.6.2 Assunção de dívida (Artigos 299 a 303) ................................................................................................... 31 
8.7 Adimplemento das Obrigações ................................................................................................................... 34 
 
4 
8.7.1 Pagamento Direto ............................................................................................................................................... 34 
8.7.2 Formas Especiais de Pagamento .................................................................................................................. 36 
8.7.3 Pagamento Indireto ............................................................................................................................................ 39 
8.8 Inadimplemento das obrigações (Responsabilidade civil contratual) ......................................... 44 
8.8.1 Cláusula penal ..................................................................................................................................................... 46 
8.8.2 Arras.... ...................................................................................................................................................................... 51 
8.9 Extinção das Obrigações ................................................................................................................................. 53 
9. Da Representação e Atos Unilaterais ......................................................................................... 54 
9.1 Da representação ............................................................................................................................................... 54 
9.1.1 Conceito................................................................................................................................................................... 54 
9.1.2 Espécies .................................................................................................................................................................... 54 
9.1.3 Dos representantes ............................................................................................................................................. 55 
9.1.4 Regras do Instituto da Representação ....................................................................................................... 55 
9.1.5 Contrato consigo mesmo (autocontrato – art. 117, CC) .................................................................... 56 
9.2 Dos Atos Unilaterais ......................................................................................................................................... 57 
9.2.1 Conceito................................................................................................................................................................... 57 
9.2.2 Da promessa de recompensa ........................................................................................................................57 
9.2.3 Da gestão de negócios ..................................................................................................................................... 59 
9.2.4 Do pagamento indevido .................................................................................................................................. 60 
9.2.5 Do enriquecimento sem causa ...................................................................................................................... 61 
QUADRO SINÓTICO .............................................................................................................................. 64 
QUESTÕES COMENTADAS ................................................................................................................... 70 
GABARITO ............................................................................................................................................... 70 
QUESTÃO DESAFIO ................................................................................................................................ 81 
GABARITO QUESTÃO DESAFIO ........................................................................................................... 82 
 
5 
LEGISLAÇÃO COMPILADA .................................................................................................................... 84 
JURISPRUDÊNCIA ................................................................................................................................... 86 
MAPA MENTAL ...................................................................................................................................... 89 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................................... 92 
 
 
 
6 
DIREITO CIVIL 
Capítulo 3 
8. Teria Geral das Obrigações 
No âmbito do Direito Civil, as obrigações consistem no vínculo de direito, que subordina 
determinada pessoa (devedor) em benefício de outra (credor) a dar-lhe alguma coisa ou fazer 
ou, ainda, não fazer algo, com abordagem nos artigos 233 a 420 do Código Civil. 
Quanto ao tema, o alemão Alois Brinz desenvolveu a teoria dualista do vínculo dos 
elementos que compõem a obrigação. De acordo com a teoria, a essência da obrigação está na 
responsabilidade, de maneira que o devedor deve ser responsável, com o seu patrimônio, pela 
realização da prestação obrigacional. Para o autor, os elementos que compõem a obrigação são: 
 Haftung: responsabilidade; 
 Shuld: débito, dever. 
Regra geral, a responsabilidade e o dever (haftung e shuld) estão ligados ao devedor, 
o patrimônio do devedor responderá pelas dívidas que eventualmente contrair. 
Excepcionalmente, a responsabilidade sobre o débito recai sobre outra pessoa, como 
nos casos de fiadores, por exemplo. Os contratantes poderão firmar vínculo para exigir 
obrigações de: dar (coisa certa ou incerta), fazer, não fazer e obrigações alternativas. 
8.1 Conceito 
Obrigação é a relação jurídica, de caráter transitório, estabelecida entre devedor e credor 
e cujo objeto consiste numa prestação pessoal econômica, positiva ou negativa, devida pelo 
primeiro ao segundo, garantindo-lhe o adimplemento (cumprimento) através de seu patrimônio. 
 
7 
Ou seja, obrigação nada mais é que o direito do credor contra o devedor; confere-se 
ao credor (sujeito ativo) o direito de exigir do devedor (sujeito passivo) o cumprimento de 
determinada prestação, sendo que no caso de descumprimento poderá o credor satisfazer-se 
no patrimônio do devedor (art. 391, CC). 
8.2 Elementos Constitutivos 
8.2.1 Elemento Subjetivo 
 São os sujeitos (ou as partes) da obrigação: 
 Sujeito Ativo: É o credor, o beneficiário da obrigação; pessoa (física ou jurídica) a 
quem a prestação (positiva ou negativa) é devida, tendo o direito de exigir o seu 
cumprimento. 
 Sujeito Passivo: é o devedor; aquele que deve cumprir a obrigação, de efetuar a 
prestação, sob pena de responder com seu patrimônio. 
 
 
 
Se liga, OABeiro! Em cada um desses polos (ativo ou passivo) pode haver mais de um credor 
ou devedor. Além disso, estas posições nem sempre são estáticas. Ex.: em uma compra e venda 
ambos são credores e devedores simultaneamente: o comprador é credor da coisa, mas é 
devedor do dinheiro; já o vendedor é credor do dinheiro, mas devedor da coisa. 
8.2.2 Elemento Objetivo (ou material) 
 É o objeto de uma obrigação. Para a maioria da doutrina, o objeto da obrigação é a 
prestação imediata, que é sempre uma conduta humana. Esta pode ser positiva (ação: 
obrigação de dar ou fazer) ou negativa (omissão: obrigação de não fazer). 
 
8 
Ainda, há o objeto mediato, que é o bem, propriamente dito. Ex.: “A” deve entregar um 
quadro a “B”. O objeto imediato, que é a prestação, é a obrigação de dar. Já o quadro é o 
bem sobre o qual recai o direito, sendo considerado como o objeto mediato. 
O objeto (prestação), para ser válido, deve ser lícito, possível (física e juridicamente), 
determinado ou determinável e economicamente apreciável. 
 
É admissível a obrigação que tenha por objeto um bem não econômico, desde que seja 
digno de tutela o interesse das partes. 
8.2.3 Elemento Imaterial ou Vínculo Jurídico 
 Trata-se do vínculo que liga os sujeitos ao objeto da obrigação; é o elo que sujeita o 
devedor a determinada prestação (positiva ou negativa) em favor do credor (Ex: um acidente de 
trânsito gera um ato ilícito; um acordo de vontades produz o contrato). 
Abrange o dever da pessoa obrigada (debitum) e sua responsabilidade em caso de não 
cumprimento (obligatio). 
8.3 Fontes das Obrigações 
 São três as fontes das obrigações: 
 Negócio Jurídico Bilateral: duas pessoas criam obrigações entre si. Ex: os contratos 
de uma forma geral (compra e venda; locação, etc.). É a principal e maior fonte de 
obrigação. 
 Negócio Jurídico Unilateral: nestes casos só há uma vontade, ou seja, apenas uma 
pessoa se obriga. Ex: promessa de recompensa. 
 
9 
 Atos Ilícitos: quem comete um ato ilícito (art. 186, CC) fica obrigado a reparar o 
dano (art. 927, CC) dele decorrente. 
 
A doutrina ainda acrescenta a lei como fonte de obrigação, uma vez que em nosso direito 
ela é a fonte primária ou imediata de qualquer obrigação (“Ninguém é obrigado a fazer ou 
deixar de fazer senão em virtude de lei”). 
8.4 Classificação das Obrigações 
8.4.1 Obrigação de Dar 
 É aquela em que o devedor se compromete a entregar alguma coisa (certa ou incerta). 
A obrigação de dar confere ao credor somente o direito pessoal e não o direito real. Isto é, o 
contrato cria apenas a obrigação, mas não opera a transferência da propriedade. Esta somente 
se concretiza com a tradição (entrega - bens móveis) ou pelo registro (bens imóveis). 
 Ela pode ser dividida em: 
 Específica: Obrigação de dar coisa certa (ex: uma joia, um carro, um livro, etc.); 
 Genérica: Obrigação de dar coisa incerta (ex: a obrigação de dar um boi, dentre uma 
boiada). 
8.4.1.1 Obrigação de Dar Coisa Certa 
 O devedor se obriga a entregar uma coisa certa e determinada, perfeitamente 
individualizada (ex: a vaca Mimosa ou a camisa do Pelé), podendo ser móvel ou imóvel. A regra 
básica é a de que o credor não é obrigado a receber outra coisa, ainda que mais valiosa (art. 
313, CC). Abrange a obrigação de transferir a propriedade (ex: compra e venda), ou a de 
entregar a posse (ex: locador ou comodante que deve entregar a coisa). 
 
10 
 Se a coisa a ser entregue tiver um acessório, a obrigação abrange também os acessórios 
(acessório segue o principal), salvo se as partes estipularem de modo diverso (art. 233, CC). Ex: 
vendo a chácara “Alegria”, mas estabeleço que posso retirar todos os bens móveis da chácara. 
 O devedor deve conservar adequadamente a coisa que irá entregar ao credor, bem 
como defendê-la contra terceiros, como se fosse sua. Mas mesmo assim a coisa pode se perder. 
Até a entregada coisa, essa ainda pertence ao devedor. 
Assim, nas obrigações de dar coisa certa, o objeto é individualizado, sendo 
caracterizado pelo seu gênero, qualidade e quantidade. 
Por ser prestação específica, de conteúdo certo, o credor não se obriga a aceitar 
prestação diversa da que lhe é devida (Princípio da identidade física da prestação), ainda 
que de maior valor, sendo sua faculdade decidir se a aceita ou não. 
O cumprimento da obrigação de dar coisa certa, por se tratar de direito pessoal, se 
consuma com a tradição do bem. Diante disso, no caso de haver perda ou deterioração da 
coisa antes da tradição, são possíveis duas soluções: 
 SEM CULPA DO DEVEDOR: não sendo culpado o devedor, poderá o credor resolver 
a obrigação, ou aceitar a coisa, abatida do seu preço o valor que se perdeu.1 
 COM CULPA DO DEVEDOR: se a coisa se perdeu por culpa do devedor, poderá o 
credor exigir o equivalente, ou aceitar a coisa no estado em que se acha, com direito 
de reclamar, indenização por perdas e danos. 
 
 
 
1 Vi de questão 09 
 
11 
 
Sempre que houver o descumprimento de uma obrigação por culpa do devedor, poderá ser 
exigida indenização por perdas e danos. LEMBREM-SE: CULPA → PERDAS E DANOS 
 
 
 
 
 OBRIGAÇÃO DE DAR 
PERDA 
SEM CULPA COM CULPA 
RESOLVE A 
OBRIGAÇÃO PARA 
AS PARTES 
VALOR EQUIVALENTE 
+ 
PERDAS E DANOS 
DETERIORAÇÃO 
RESOLVE A 
OBRIGAÇÃO 
OU 
ACEITA A COISA 
COM 
ABATIMENTO DO 
PREÇO 
 
VALOR EQUIVALENTE 
+ 
PERDAS E DANOS 
 
(Em qualquer dos casos) 
OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR 
PERDA 
SEM CULPA COM CULPA 
RESOLVE A 
OBRIGAÇÃO PARA 
AS PARTES 
VALOR EQUIVALENTE 
+ 
PERDAS E DANOS 
 
12 
DETERIORAÇÃO 
CREDOR RECEBE A 
COISA NO 
ESTADO EM QUE 
SE ENCONTRAR 
VALOR EQUIVALENTE 
OU 
ACEITAR A COISA COM O ABATIMENTO 
DO PREÇO 
+ 
PERDAS E DANOS (em qualquer dos casos) 
 
Assim, na responsabilidade de dar coisa certa se verifica a existência de dois princípios a 
depender da situação: 
 Res perit domino: o dono é o único a sofrer as perdas oriundas de caso fortuito, 
pois neste caso não se constata a existência de culpa. 
 Reparação integral: constatada a culpa ou dolo, deverá a parte causadora reparar 
todo e qualquer prejuízo decorrente de sua atividade. 
8.4.1.2 Obrigação de Dar Coisa Incerta 
 Coisa incerta indica que a coisa não é única, singular e exclusiva, como na obrigação de 
dar coisa certa. O objeto é indicado apenas de forma genérica no início da obrigação. No 
entanto, o objeto deve ser determinável pelo gênero e quantidade, faltando determinar a 
qualidade. Ex: entregar dez bois. A princípio parece ser uma obrigação de dar coisa certa. No 
entanto se eu tenho uma boiada de mil bois e devo entregar dez, quais os dez bois que eu irei 
entregar se eles ainda não foram individualizados? Por isso chamados de obrigação de dar a 
coisa incerta (ou genérica). 
Assim, coisa incerta não quer dizer “qualquer coisa”, mas sim coisa sujeita a 
determinação futura. Observem que já há determinação quanto ao gênero (bois). E também 
quanto à quantidade (dez). Falta individualizar quais os bois que serão entregues. A coisa está 
indeterminada, porém será suscetível de determinação futura. O estado de indeterminação é 
só transitório. 
 A individualização se faz pela escolha da coisa devida, pela média qualidade. Trata-se de 
um ato jurídico unilateral, também chamado de concentração, que se exterioriza pela pesagem, 
 
13 
medição, contagem, etc. A escolha cabe, em regra ao devedor, salvo se for estabelecido de 
modo diverso no contrato (neste caso, por exceção, a escolha caberá ao credor ou a uma terceira 
pessoa estranha ao negócio). 
Neste caso, vigora a teoria da concentração, pois, na escolha, deverá ser observada a 
coisa média, ou seja, não deverá ser escolhida a melhor e nem a de pior qualidade. Realizada a 
escolha acaba a incerteza. A obrigação genérica, inicialmente de dar a coisa incerta, se 
transforma em obrigação de dar a coisa certa, havendo a individualização da prestação, 
aplicando-se todas as regras do art. 245, CC. 
 Segundo o art. 246, CC, antes da escolha não pode o devedor alegar perda ou 
deterioração da coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito (genus nunquam perit - o 
gênero nunca perece). Ex.: Se “A” deve cem laranjas a “B” não pode deixar de cumprir a 
obrigação alegando que as laranjas se estragaram, pois cem laranjas são cem laranjas, e se a 
plantação de “A” se perdeu ele pode comprar as frutas em outra fazenda. No entanto, após a 
escolha, caso as laranjas se percam (ex: incêndio no armazém) a obrigação se extingue, voltando 
as partes ao estado anterior, devolvendo-se eventual preço pago, sem se exigir perdas e danos. 
 
 
 
Na falta de disposição contratual, estabelece a lei que o devedor não poderá dar a coisa pior, 
nem ser obrigado a prestar melhor (art. 244, CC). 
8.4.1.3 Obrigação Pecuniária 
 Obrigação pecuniária ou obrigação de solver dívida em dinheiro é uma espécie de 
obrigação de dar que abrange prestação em dinheiro, reparação de danos e pagamento de 
juros. 
 
14 
Segundo o art. 315, CC, o pagamento em dinheiro será feito em moeda corrente. Deve 
ser realizado no lugar do cumprimento da obrigação e pelo seu valor nominal, ou seja, em 
real (que é nossa unidade monetária atual). São nulas as convenções de pagamento em ouro 
ou em moeda estrangeira, salvo os contratos e títulos referentes à importação e exportação 
(art. 318, CC). 
 Outras formas de pagamento (ex: cheque, cartão de crédito ou débito, etc.) são 
facultativas, podendo o comerciante (fornecedor) optar em não os receber. 
8.4.2 Obrigação de Fazer 
 Obrigação de Fazer consiste na prestação de uma atividade (prestação de um serviço 
ou execução de uma tarefa) positiva (material ou imaterial) e lícita do devedor (ex: trabalho 
manual, intelectual, científico ou artístico, etc.). Assim, enquanto que na obrigação de dar o 
objeto da prestação é uma coisa, na obrigação de fazer o objeto da prestação é um serviço (ex: 
professor ministrar uma aula, cantor fazer um show, pedreiro construir um muro, etc.). 
 
 
 
Imagine a seguinte situação: Se eu quero comprar um quadro e encomendo a um artista, a 
obrigação será de fazer ou de dar? Se o quadro já estiver pronto a obrigação será de dar, 
porém se ele ainda for ser confeccionado a obrigação será de fazer. 
 A impossibilidade do devedor de cumprir a obrigação de fazer, bem como a recusa em 
executá-la, acarretam o inadimplemento contratual (não cumprimento do contrato). Nos 
termos do art. 248, CC, se não houver culpa (força maior ou caso fortuito) resolve-se a 
obrigação sem indenização. Ex: cantor que ficou afônico, mercadoria que deveria ser entregue 
não é mais achada no mercado, etc. Repõem-se as partes no estado anterior da obrigação. Por 
outro lado, se o próprio devedor criou a impossibilidade, ele responderá por perdas e danos. 
A recusa voluntária induz culpa do devedor. 
 
15 
 As espécies de obrigação de fazer são: 
8.4.2.1 Obrigação de Fazer Fungível 
 Fungível quer dizer que a prestação do ato pode ser realizada pelo devedor ou por 
terceira pessoa, sem prejuízo para o credor (ex: obrigação de pintar um muro – em tese 
qualquer pessoa pode pintar um muro, por isso é uma obrigação fungível). 
Se houver recusa ou mora (que é o atraso, a demora) no cumprimento da obrigação, 
sem prejuízo da cabível ação de indenização por perdas e danos, o credor pode mandar 
executar o serviço à custa do devedor. O credor está interessado no resultado da atividade 
do devedor, não se exigindo capacidade especial deste para realizar o serviço. Trata-se da 
aplicação do art. 249 do Código Civil. 
8.4.2.2 Obrigação de Fazer Infungível (personalíssima ou intuitu 
personae) 
 A prestação só pode ser executada pelo próprio devedor ante a sua natureza (aptidões 
ou qualidades especiais do devedor) ou disposiçãocontratual; não há a possibilidade de 
substituição da pessoa que irá cumprir a obrigação, pois esta pessoa, contratualmente falando, 
é insubstituível. Ex: contrato um artista famoso para pintar um quadro; ou um cirurgião 
especialista para realizar uma operação, etc. 
A recusa ao cumprimento da obrigação resolve-se, tradicionalmente, em perdas e danos 
(art. 247, CC), pois não se pode constranger fisicamente o devedor a executá-la. No entanto, 
atualmente, admite-se a execução específica da obrigação. Isto é, pode ser imposta pelo Juiz 
(e somente pelo Juiz), uma multa periódica (chamada de astreinte). 
8.4.3 Obrigação de Não Fazer 
 Obrigação de não fazer é aquela pela qual o devedor se compromete a não praticar 
certo ato que até poderia livremente praticar se não houvesse se obrigado. Seu conteúdo é 
uma omissão ou abstenção, um ato negativo. Ex: proprietário se obriga a não construir um muro 
 
16 
acima de certa altura para não obstruir a visão do vizinho; inquilino se obriga a não trazer 
animais domésticos para o cômodo alugado, etc. Estas obrigações podem ser bem variadas, 
mas é evidente que as imorais e antissociais, ou que sacrifiquem a liberdade das pessoas são 
proibidas. 
 Além disso, pode haver um limite temporal para a obrigação. Se a pessoa praticar o 
ato que se obrigou a não praticar, tornar-se-á inadimplente e o credor poderá exigir o 
desfazimento do que foi realizado. 
Entretanto há casos em que somente resta o caminho da indenização. Ex: pessoa se obriga 
a não revelar um segredo industrial. A obrigação de não fazer é sempre uma obrigação pessoal 
e só pode ser cumprida pelo próprio devedor (personalíssima e indivisível). Por isso se “A” se 
comprometer a não elevar o muro a certa altura e depois de algum tempo ele vender a 
propriedade, quem comprou não terá essa obrigação (a menos que se faça um novo contrato). 
8.4.4 Obrigações quanto a seus elementos 
 Obrigações Simples (ou Singulares): são as que se apresentam com um sujeito 
ativo, um sujeito passivo e um único objeto, destinando-se a produzir um único 
efeito. 
 Obrigações Compostas (Complexas ou Plurais): são as que apresentam uma 
pluralidade de objetos (obrigações cumulativas ou alternativas) ou uma pluralidade 
de sujeitos (obrigações solidárias – ativa ou passiva). 
 Obrigações Cumulativas (ou Conjuntivas): São as compostas pela 
multiplicidade de prestações; o devedor deve entregar dois ou mais objetos, 
decorrentes da mesma causa ou do mesmo título (ex: obrigação de dar um carro 
e um apartamento). O inadimplemento de uma prestação envolve o 
descumprimento total da obrigação; o devedor só se desonera dela cumprindo 
todas as prestações. 
 Obrigações Alternativas (ou Disjuntivas): Também são compostas pela 
multiplicidade de prestações, porém estas estão ligadas pela disjuntiva “ou”. 
Assim, embora a obrigação tenha duas ou mais prestações, apenas uma delas 
 
17 
será cumprida como pagamento. O devedor se desonera com o cumprimento 
de qualquer uma delas. Ex: obrigo me a entregar um touro ou dois cavalos; 
vendo a casa por cem mil ou troco por dois terrenos na praia. 
 Obrigações Facultativas: São variantes das obrigações alternativas, aceitas pela 
doutrina, mas não previstas em lei. A obrigação inicialmente é simples (há 
apenas uma prestação), mas há a possibilidade para o devedor em substituir o 
objeto. Exemplo: agência de viagens que oferece determinado brinde, mas se 
reserva no direito de substituí-lo por outro. 
 
 
 
Na obrigação facultativa (ao contrário da alternativa), o credor nunca terá a opção, só 
podendo exigir a prestação principal; somente o devedor é pode optar pela prestação 
facultativa. 
 Obrigações Solidárias: Ocorrem quando há pluralidade de credores ou 
devedores (ou de ambos), sendo que eles têm direitos e/ou obrigações pelo 
total da dívida. 
Havendo vários devedores cada um responde pela dívida inteira, como se fosse um 
único devedor. O credor pode escolher qualquer um e exigir a dívida toda. Mas, se houver 
vários credores, qualquer um deles pode exigir a prestação integral, como se fosse único credor 
(art. 264, CC). Nota-se, portanto, três espécies de obrigações solidárias: 
8.4.4.1 Solidariedade Ativa: 
Ocorre quando há pluralidade de credores. Ex.: mandato outorgado a vários advogados, 
sendo que qualquer um deles poderá exigir os honorários integralmente do cliente. 
Nas obrigações solidárias ativa, cada um dos credores solidários tem o direito de exigir 
do devedor comum o cumprimento da prestação por inteiro, assim, enquanto alguns dos 
 
18 
credores solidários não demandarem o devedor comum, o devedor poderá pagar a qualquer 
um dos credores (artigos 267 e 268, do Código Civil). 
Porém, importante destacar que tal regra aplica-se apenas antes de haver uma demanda 
judicial, podendo, assim, o devedor pagar para quem quiser e como quiser. Contudo, após o 
ingresso de demanda judicial por qualquer dos credores, o pagamento deve ser feito àquele 
que demandou, afim de prevenir judicialmente a dívida. 
Uma característica muito importante é que as condições da obrigação solidária são 
divisíveis, sendo possível, portanto, estabelecer condições diferentes para um ou alguns dos 
credores. 
Segundo o art. 269, do Código Civil, o pagamento feito a um dos credores solidários 
extingue a dívida até o montante do que foi pago. Porém, mesmo quem recebeu parcialmente, 
pode cobrar o restante da dívida, já que a relação externa entre credores e devedor é una. 
Ainda, conforme dispõe o art. 272, do Código Civil, é possível que o credor que tiver 
remita, ou seja, perdoe a dívida do devedor, e sendo assim, ou recebendo o pagamento, este 
credor responderá perante os outros pelas quotas correspondentes. Isso ocorre porque a 
relação interna entre os credores é fracionável (presunção de divisão igualitária). 
Pelo que dispõe o art. 270 do Código Civil, se um dos credores solidários falecer 
deixando herdeiros, cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que 
corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível. Assim, em caso 
de falecimento, haverá o desaparecimento da solidariedade em relação àquele que faleceu 
(refração do crédito), permanecendo, porém, entre os credores sobreviventes. 
 
 
 
19 
 
Não há transmissão da solidariedade por herança nas obrigações divisíveis, uma vez 
que, nesse caso, os credores/devedores que falecerem deixando herdeiros, cada um deles só 
poderá exigir e receber/pagar a quota do crédito correspondente ao seu quinhão 
hereditário. 
Essa regra, porém, não se aplica quando se tratar de obrigação indivisível, pois, em se 
tratando de obrigação indivisível, lembre-se que não há como fracionar a prestação e, 
portanto, deve-se cumpri-la de maneira integral. Ex.: a obrigação é de entregar um animal. Nesse 
caso, não pode ser dividida em relação às quotas da herança, devendo qualquer um deles 
cumprir a prestação na integralidade (entregar o animal). 
Outra característica importante da solidariedade ativa, é que, conforme previsto no art. 
271 do Código Civil, convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, para todos os 
efeitos, a solidariedade, se diferenciando, assim, da indivisibilidade. 
Nas obrigações solidárias ativas, não há oponibilidade das exceções pessoais, ou seja, 
não é possível arguir defesas personalíssimas. Ademais, o julgamento contrário a um dos 
credores solidários não atinge os demais, contudo o julgamento favorável aproveita-lhes, sem 
prejuízo da exceção pessoal que o devedor tenha direito de invocar em relação a qualquer 
deles (credores). 
8.4.4.2 Solidariedade Passiva: 
Ocorre quando há pluralidade de devedores. Ex.: art. 585, CC: “Se duas ou mais pessoas 
forem simultaneamente comodatárias de uma coisa, ficarão solidariamente responsáveis para 
com o comodante”. 
 
20 
Nas obrigações solidárias passiva, o credor tem direitoa exigir e receber de um ou de 
alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum, normalmente, ingressando a 
cobrança contra quem tem mais patrimônio, para garantir a dívida. 
Aqui, na mesma proporção que na solidariedade ativa, se o pagamento tiver sido parcial, 
todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto. Ademais, não há 
renúncia da solidariedade no caso de propositura de ação pelo credor contra um ou alguns 
dos devedores, visto que o mesmo tem a possibilidade de exigir de qualquer um dos credores. 
Portanto, mesmo aquele devedor que paga uma parte da dívida pode ser cobrado pelo 
restante, pois, na solidariedade passiva, a relação externa é una, conforme dispõe o art. 275, 
caput e parágrafo único, do Código Civil. 
 
 
 
 
Enunciado 348, da IV Jornada de Direito Civil do STJ: O pagamento parcial não implica, 
por si só, renúncia à solidariedade, a qual deve derivar dos termos expressos da quitação ou, 
inequivocamente, das circunstâncias do recebimento da prestação pelo credor. 
Enunciado 349, da IV Jornada de Direito Civil do STJ. Com a renúncia da solidariedade 
quanto a apenas um dos devedores solidários, o credor só poderá cobrar do beneficiado a 
sua quota na dívida; permanecendo a solidariedade quanto aos demais devedores, abatida do 
débito a parte correspondente aos beneficiados pela renúncia. 
Assim, o credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos 
os devedores, portanto, se o credor exonerar da solidariedade um ou mais devedores, 
subsistirá a dos demais, devendo abater a quota do beneficiado pela renúncia à solidariedade. 
Ademais, o beneficiário não fica exonerado da sua obrigação junto ao credor, podendo ser 
cobrado apenas nos limites da sua quota parte, transformando-se em devedor fracionário. 
 
21 
 
 
 
Não confundir renúncia à solidariedade com remissão (perdão), porque, neste último 
caso, o beneficiado com fica totalmente liberado do vínculo obrigacional, conforme dispõe o 
art. 388, do Código Civil: 
A remissão concedida a um dos co-devedores extingue a dívida na parte a ele 
correspondente; de modo que, ainda reservando o credor a solidariedade contra os 
outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida. 
 
No caso de solidariedade passiva, se um dos devedores solidários falecer deixando 
herdeiros (refração do débito), cada um destes será obrigado a pagar a quota que 
corresponder ao seu quinhão hereditário, neste caso, extingue-se a solidariedade, até os 
limites da herança, conforme dispõe art. 1.792, do Código Civil. 
 
Exceção (art. 276, CC): se a obrigação for indivisível, poderá ser exigida por inteiro; e os 
herdeiros reunidos serão considerados um só devedor solidário em relação aos demais 
devedores. 
Em caso de pagamento parcial feito por um dos devedores e em caso de remissão 
obtida por um deles, tal situação aproveita aos outros devedores, até à concorrência da quantia 
paga ou perdoada. 
 
22 
Em caso de impossibilidade de cumprir a prestação por culpa de um dos devedores 
solidários, subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente à prestação; mas pelas 
perdas e danos só responde o culpado, diferenciando-se da indivisibilidade2. 
Por fim, o devedor que satisfaz a dívida por inteiro pode exigir dos outros codevedores 
as suas quotas, já que há a presunção relativa de divisão igualitária. Assim, na solidariedade 
passiva, a relação interna entre devedores é fracionável. Em sentido contrário, caso a dívida 
solidária interessar exclusivamente a um dos devedores, ele responderá por toda a dívida para 
a quem pagar. 
o Solidariedade Mista (ou recíproca): Neste caso há uma pluralidade de 
devedores e de credores. 
 
 
 
 
Regra básica: “A solidariedade não se presume, resultando da lei (solidariedade legal) 
ou da vontade das partes (solidariedade convencional)” (art. 265, CC). Ex.: o fiador em relação 
ao devedor principal quando convencionar a solidariedade com o afiançado, já que, em regra o 
fiador é devedor subsidiário (benefício de ordem previsto no art. 827, do Código Civil c/c art. 
828, do Código Civil). 
Vejamos, então, esquematicamente, as características das obrigações solidárias: 
CARACTERÍTICAS 
 
RESPONDEM COMO SE 
FOSSEM UM SÓ SUJEITO 
Qualquer um dos credores pode exigir a dívida por inteiro a 
qualquer um dos devedores, que têm o dever de pagar a 
dívida toda, a qualquer um dos credores, havendo solidariedade 
em ambos os polos da relação. 
 
2 Vide questão 08 
 
23 
NÃO PRESUNÇÃO DA 
SOLIDARIEDADE 
A solidariedade só pode resultar da LEI (solidariedade legal) ou 
da AUTONOMIA DA VONTADE (solidariedade convencional). 
 
PAGAMENTO INTEGRAL 
EXTINGUE A DÍVIDA 
Se for realizado por qualquer um dos credores, extingue-se até 
o valor que foi pago. Assim, caso haja o pagamento parcial, o 
credor poderá cobrar o restante da dívida a qualquer um dos 
devedores, inclusive do devedor já pagante. 
NÃO TRANSMISSÃO DA 
SOLIDARIEDADE POR 
HERANÇA NAS 
OBRIGAÇÕES DIVISÍVEIS 
Nesse caso, os credores/devedores que falecerem deixando 
herdeiros, cada um deles só poderá exigir e receber/pagar a 
quota do crédito correspondente ao seu quinhão hereditário. 
CONVERSÃO EM PERDAS E 
DANOS 
Permanece a solidariedade para todos os efeitos, ao contrário 
das obrigações indivisíveis, que perderão tal característica, 
tornando-se divisíveis. 
 
 
REMISSÃO DA DÍVIDA 
Aquele credor que perdoou ficará responsável em pagar, aos 
demais credores, o valor de suas quotas correspondentes e 
aquele que obteve o perdão não extingue aos demais, que 
deverão pagar o valor restante, caso o pagamento tenha sido 
parcial. 
 
NÃO OPONIBILIDADE DAS 
EXCEÇÕES PESSOAIS 
As defesas de mérito existentes contra determinado sujeito 
apenas vinculam a este, ou seja, são personalíssimas, não 
podendo abranger os demais. Nesse sentido, as exceções que 
podem abranger os demais são aquelas comuns a todos, a 
exemplo da prescrição da dívida. 
PRINCÍPIO DA 
RELATIVIDADE DOS EFEITOS 
CONTRATUAIS 
Impossibilidade de agravar a posição dos credores/devedores 
sem o consentimento dos demais, gerando efeitos apenas inter 
partes 
CULPA NA 
IMPOSSIBILIDADE DE 
CUMPRIMENTO DA 
OBRIGAÇÃO 
Subsiste para todos os devedores solidários o encargo de 
pagar o equivalente, mas apenas o DEVEDOR CULPADO será 
obrigado a pagar as perdas e danos. 
 
RENÚNCIA À 
SOLIDARIEDADE 
A solidariedade pode ser renunciada de maneira parcial, em 
favor de apenas um devedor, por exemplo, subsistindo em 
 
24 
relação às demais, ou total, de modo a exonera-los da 
solidariedade. 
 
8.4.5 Outras Modalidades de Obrigação: 
 Obrigações quanto ao Conteúdo 
 Obrigações de Resultado (ou de fim): quando só se considera cumprida com 
a obtenção de um resultado, geralmente oferecido pelo próprio devedor. Ex: 
contrato de transporte (levar o passageiro a seu destino são e salvo); a doutrina 
costuma também citar o exemplo do médico especialista em “cirurgia plástica-
estética”. Na obrigação de resultado o devedor responde independentemente 
de culpa (há, portanto, responsabilidade objetiva). Porém, é possível a 
demonstração de que o resultado não foi alcançado por fator alheio à atuação 
do devedor (ex: caso fortuito, força maior, culpa exclusiva do credor, etc.). 
 Obrigações de Meio (ou de diligência): quando o devedor só é obrigado a 
empenhar-se para conseguir o resultado, mesmo que este não seja 
alcançado. Ex: o advogado em relação ao cliente; ele não se obriga a vencer a 
causa, mas trabalhar com empenho para ganhá-la. Se o resultado visado não for 
alcançado só poderá ser considerado o inadimplemento do devedor se se provar 
a sua falta de diligência (ou seja, a sua culpa – responsabilidade subjetiva). 
O mesmo ocorre com um médico para salvar a vida de um paciente. 
 Obrigações de Garantia: seu objetivoé uma estipulação em um contrato de 
uma garantia pessoal (ex: fiança). 
 
 Obrigações quanto à Divisibilidade 
 Obrigações Divisíveis: são as que comportam fracionamento, quer quanto à 
prestação, quer quanto ao próprio objeto, sem prejuízo de sua substância ou de 
seu valor. Havendo pluralidade de credores ou devedores será feito um rateio 
(ou concurso) entre eles (“as partes se satisfazem pelo concurso”). 
 Obrigações Indivisíveis: são aquelas em que a prestação é única. Devido à 
convenção das partes (ex: pagamento à vista) ou, dada a natureza do objeto (ex: 
 
25 
um cavalo, um touro), não admitem cisão na prestação. Ainda que o objeto seja 
divisível (ex: dinheiro), não pode o credor ser obrigado a receber em partes, se 
assim não se ajustou. 
 
 
 
 
Vejamos, esquematicamente, a diferença entre Solidariedade e Indivisibilidade: 
SOLIDARIEDADE INDIVISIBILIDADE 
A solidariedade se caracteriza quando, na 
mesma obrigação, concorrer mais de um 
credor ou mais de um devedor. 
A obrigação é indivisível quando uma coisa ou 
um fato não seja suscetível de divisão. 
 
Solidariedade não se presume, sendo 
decorrente da lei ou da vontade das partes. 
Havendo mais de um devedor, se a obrigação 
for indivisível, todos respondem por sua 
integralidade. 
Na solidariedade, cada um dos credores 
solidários poderá exigir o cumprimento da 
prestação por inteiro. 
O devedor que paga a dívida sub-roga-se nos 
direitos do credor em relação aos outros 
coobrigados. 
Se um dos credores solidários falecer 
deixando herdeiros, cada um destes só terá 
direito de exigir a quota do quinhão 
correspondente ao seu quinhão hereditário, 
salvo se a obrigação for indivisível. 
Havendo pluralidade de credores, cada um 
destes poderá exigir a dívida toda, se 
responsabilizado quanto ao ressarcimento dos 
outros. 
As exceções pessoais de um credor, não 
podem ser opostas aos outros. 
Se um dos credores extinguir a dívida, aos 
outros remanesce o direito, mas deverá ser 
abatida a quota do credor que desobrigou o 
devedor. 
Na solidariedade passiva, o credor poderá 
exigir de qualquer dos devedores o 
cumprimento da obrigação, não 
A obrigação indivisível não se converte em 
perdas e danos. Assim, convertendo-se a 
 
26 
importando renúncia à solidariedade o 
ajuizamento de ação em face de apenas um 
ou alguns dos devedores solidários. 
obrigação em perdas e danos ela perderá a 
qualidade de indivisível. 
No caso de falecimento do devedor 
solidário, os herdeiros só respondem pelo 
quinhão correspondente à dívida deste, 
nos limites da herança, salvo se a obrigação 
for indivisível. 
A indivisibilidade decorre da natureza da 
prestação, o que a distingue da solidariedade, 
que apenas é resultante de lei ou da vontade 
das partes. 
Todos os devedores solidários respondem 
pelos prejuízos de mora, mas o culpado 
será responsável pelo acréscimo do 
aumento pago pelos outros. 
 
Convertendo-se a obrigação em perdas e 
danos, subsiste para todos os efeitos a 
solidariedade. 
 
8.4.6 Outras Classificações 
 Quanto aos Elementos Acidentais 
 Obrigações Puras e Simples: são as que não estão sujeitas a nenhum 
elemento acidental, como a condição, o termo ou o encargo. 
 Obrigações Condicionais: são as que contêm cláusula que subordina seu 
efeito a evento futuro e incerto para atingir seus efeitos (ex: ganhar um carro 
quando passar no vestibular). 
 Obrigações a Termo: são aquelas que contêm cláusula que subordina seu 
efeito a evento futuro e certo (ex: ganhar um carro quando completar 18 anos). 
 Obrigações Modais: são as oneradas de um encargo, um ônus, à pessoa 
contemplada pela relação jurídica (ex: dou-lhe dois terrenos, mas em um deles 
deve ser construída uma escola). 
 
 Quanto à Independência 
 Obrigações Principais: são as que independem de qualquer outra para ter 
validade (ex: compra e venda, locação, etc.). 
 
27 
 Obrigações Acessórias: são as que têm sua existência subordinada a outra 
relação jurídica (ex: a fiança é uma obrigação acessória em relação ao contrato 
de locação; da mesma forma a multa contratual é acessória em relação a uma 
obrigação qualquer, etc). 
 
 
 
 A extinção, ineficácia, nulidade ou prescrição da obrigação principal reflete-se na 
acessória. Lembre-se da regra segundo a qual o acessório segue a sorte do principal (princípio 
da gravitação jurídica). O inverso, porém, não é verdadeiro, pois se houver algum vício na 
obrigação acessória, em nada afetará a principal. 
 
 Quanto à Liquidez 
 Obrigações Líquidas: são aquelas certas quanto à existência e determinadas 
quanto ao objeto. Ex: entregar uma casa; entregar R$1.000,00, etc. Nelas se 
acham especificadas, de modo expresso, a quantidade, a qualidade e a natureza 
do objeto devido. O inadimplemento de obrigação positiva e líquida constitui o 
devedor em mora. 
 Obrigações Ilíquidas: são aquelas incertas quanto à sua quantidade; 
dependem de uma apuração prévia, posto que o montante da prestação ainda 
é indeterminado. 
 
 Quanto ao Momento Para o Cumprimento 
 Obrigações Instantâneas: são as que são cumpridas no momento em que o 
negócio é celebrado (ex: compra e venda à vista). 
 Obrigações Fracionadas: quando o objeto do pagamento é fracionado em 
prestações. A obrigação de pagar o preço é uma só, mas a execução de cada 
uma delas é feita ao longo do tempo (ex: compro um terreno por 10 mil, 
pagando mil por mês, durante dez meses). 
 
28 
 Obrigações Diferidas: quando a execução é realizada por um único ato, em 
momento posterior ao surgimento da obrigação (ex: compra e venda com 
pagamento à vista, mas a entrega da coisa se dará em 30 dias). 
 Obrigações de trato sucessivo (ou periódicas ou execução continuada): são 
as que se resolvem em intervalos de tempo (regulares ou não). Ex: compra e 
venda a prazo ou em prestações periódicas; obrigação do inquilino em pagar 
aluguel; do condômino em pagar as despesas condominiais. Quando uma 
parcela é paga a obrigação está quitada. Mas neste instante inicia-se a formação 
de outra prestação que deverá ser paga no fim do próximo período. 
8.5 Espécies de Obrigações segundo a Doutrina 
8.5.1 Obrigações Propter Rem 
 São obrigações híbridas, ou seja, parte direito real, parte direito pessoal. Elas recaem 
sobre uma pessoa (daí ser um direito pessoal), mas por força de um direito real (como por 
exemplo, a propriedade). Ex: obrigação de um proprietário de não prejudicar a segurança, 
sossego e saúde dos vizinhos; a do condômino de contribuir para a conservação da coisa comum 
ou de não alterar a fachada externa do edifício; adquirente de imóvel hipotecado de pagar o 
débito que o onera, etc. 
O exemplo mais comum é o das taxas de condomínio. Segundo entendimento sumulado 
do STJ, “as obrigações ambientais possuem natureza propter rem, sendo admissível cobrá-las 
do proprietário ou possuidor atual e/ou dos anteriores, à escolha do credor” (Súm. 623 do STJ). 
8.5.2 Obrigações Naturais 
 Também chamadas de imperfeitas ou incompletas, são aquelas em que o credor não 
possui instrumento judicial para exigir a prestação do devedor. A dívida existe: há um credor 
e um devedor, mas falta a garantia jurídica por meio da qual o devedor seria compelido a pagar. 
O devedor só paga se quiser, pois não há um direito de ação protegendo o credor. 
No entanto, tais obrigações podem gerar efeitos, pois, se o devedor capaz pagar a dívida, 
o pagamento é considerado válido e irretratável, não podendo pedir de volta o que foi pago. 
 
29 
Ex.: dívida prescrita; dívidas resultantes de jogo e apostas não permitidas legalmente (arts. 814 
e 815, CC: não é obrigatório o seu pagamento; mas se o devedor pagar é considerado válido). 
 
 
 
“A cobrança de dívida de jogo contraída por brasileiro em cassino que funciona legalmente 
no exterior é juridicamente possível e não ofende a ordem pública, os bons costumes e a 
soberanianacional”, segundo entendimento do STJ (REsp 1.628.974-SP, Info 610), por força 
da aplicação do art. 9º da LINDB (aplica-se à obrigação constituída no exterior a legislação do 
pais em que aquela se constituiu), em homenagem ao princípio da boa-fé e da vedação ao 
enriquecimento ilícito. 
8.6 Da transmissão das obrigações 
8.6.1 Cessão de crédito (artigo 286 a 298) 
O credor poderá ceder seu crédito a outro, se isso não opuser à natureza da obrigação, 
à lei ou à convenção com o devedor, podendo configurar tanto alienação onerosa quanto 
alienação gratuita. 
Por se tratar de transferência de crédito, não se sujeita à anuência do devedor para se 
consumar, mas este deverá ser comunicado, sob pena de adimplemento, pelo pagamento 
putativo. O devedor poderá ser comunicado por escrito, público ou particular. 
São sujeitos na cessão de crédito: 
 Cessionário/Terceiro: a quem o credor transfere sua posição na relação 
obrigacional, independentemente da anuência do devedor, é estranho ao negócio 
original; 
 Cedente: credor que transfere seus direitos; 
 Devedor/Cedido: não participa necessariamente da cessão, que pode ser 
realizada sem a sua anuência. Deve ser, no entanto, comunicado da cessão para 
 
30 
que possa solver a obrigação ao legítimo detentor do crédito. Só para esse fim se 
lhe comunica a cessão, uma vez que sua anuência ou intervenção é dispensável. 
O contrato de cessão é simplesmente consensual, pois torna-se perfeito e acabado com 
o acordo de vontades entre cedente e cessionário, não exigindo a tradição do documento para 
se aperfeiçoar. 
São espécies de cessão de crédito: 
 Quanto à origem: 
 Convencional: a cessão de crédito resulta, em regra, da declaração de vontade 
entre cedente e cessionário. 
o Título oneroso: hipótese em que o cedente garante a existência e 
titularidade do crédito no momento da transferência; 
o Título gratuito, em que o cedente só é responsável se houver procedido 
de má-fé (CC, art. 295)11; 
o Total, abrangendo a totalidade do crédito; e 
o Parcial, em que o cedente retém parte do crédito, permanecendo na 
relação obrigacional, salvo se ceder também a parte remanescente a 
outrem. Caso o crédito seja cedido a mais de um cessionário, dividir-se-á 
em dois, independentes um do outro. 
 Legal: opera-se por força de lei, como no caso do devedor de obrigação solidária 
que satisfez a dívida por inteiro, sub-rogando-se no crédito (CC, art. 283), ou do 
fiador que pagou integralmente a dívida, ficando sub-rogado nos direitos do 
credor (CC, art. 831).3 
 Judicial: a transmissão do crédito é determinada pelo juiz, como sucede na 
adjudicação, aos credores de um acervo, de sua dívida ativa e na prolação de 
sentença destinada a suprir declaração de cessão por parte de quem era 
obrigado a fazê-la. Ex.: art. 298 do Código Civil. 
 Quanto à responsabilidade do cedente em relação ao cedido, a cessão de crédito 
pode ser: 
 
3 Vide questão 05 
 
31 
 Pro soluto: o cedente apenas garante a existência do crédito, sem responder, 
todavia, pela solvência do devedor; 
 Pro solvendo: o cedente obriga-se a pagar se o devedor cedido for insolvente. 
Assim, o cedente assume o risco da insolvência do devedor. 
 Desta forma, o cedente será responsável pela existência e legalidade do crédito, mas não 
será responsável pela solvência do devedor (cessão pro soluto), salvo estipulação em 
contrário (cessão pro solvendo). Caso decidam pela responsabilidade do cedente, na hipótese 
de insolvência do devedor, a responsabilidade será auferida apenas pelo quantum recebido no 
momento da cessão, acrescidos das despesas que o cessionário houver feito com a cobrança. 
Havendo diversas cessões de créditos, prevalecerá a que se consumar com a entrega do 
título do crédito cedido. 
8.6.2 Assunção de dívida (Artigos 299 a 303) 
A lei autoriza que terceiro assuma a obrigação do devedor, desde que haja 
consentimento expresso do credor. Neste caso, o devedor primitivo será extinto da obrigação, 
salvo se era insolvente à época da assunção e o credor ignorava. 
Trata-se, conforme dispõe a doutrina, de um negócio jurídico bilateral, por meio do qual 
o devedor, com anuência expressa do credor, transfere a um terceiro, que o substitui, os 
encargos obrigacionais, de modo que este assume sua posição na relação obrigacional, 
responsabilizando-se pela dívida, que subsiste com os seus acessórios. 
Por se tratar de débito, o silêncio do credor, caso não se manifeste no prazo designado, 
não importará aceitação. O silêncio é interpretado como recusa. 
 
 
32 
Há uma hipótese excepcional de consentimento tácito previsto no art. 303 do Código Civil, 
em que se admite a aceitação tácita do credor: “O adquirente de imóvel hipotecado pode 
tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido; se o credor, notificado, não impugnar 
em trinta dias a transferência do débito, entender-se-á dado o assentimento.” 
Com relação às garantias concedidas pelo devedor originário, após a assunção de dívida, 
estas se consideram extintas, exceto no caso de acordo distinto com o credor. 
O novo devedor não poderá opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao 
devedor primitivo. 
São espécies de assunção de dívida: 
 Expromissão: contrato entre o terceiro e o credor, sem a participação ou anuência 
do devedor; 
 Delegação: mediante acordo entre terceiro e o devedor, com a concordância do 
credor; 
Por sua vez, tanto a expromissão e delegação podem ser: 
 Liberatória: se houver integral sucessão no débito pela substituição do devedor 
na relação obrigacional pelo expromitente/delegado, ficando exonerado o devedor 
primitivo, exceto se o terceiro que assumiu sua dívida era insolvente e o credor o 
ignorava. 
 Cumulativa: quando o expromitente/delegado ingressar na obrigação como novo 
devedor ao lado do devedor primitivo, passando a ser devedor solidário, mediante 
declaração expressa nesse sentido (CC, art. 265), podendo o credor, nesse caso, 
reclamar o pagamento de qualquer um deles. 
São efeitos da assunção de dívida 
 Substituição do devedor na relação obrigacional: o principal efeito da assunção de 
dívida é a substituição do devedor na relação obrigacional, que permanece a 
mesma. Há modificação apenas no polo passivo, com liberação, em regra, do devedor 
originário. 
 
33 
 Extinção das garantias especiais: extinção das garantias especiais originariamente 
dadas pelo devedor primitivo ao credor, salvo assentimento expresso daquele (CC, 
art. 300). As garantias especiais, prestadas em atenção à pessoa do devedor, como as 
dadas por terceiros sob a modalidade de fiança, aval e hipoteca, que não são da 
essência da dívida, só subsistirão se houver concordância expressa do devedor 
primitivo e dos referidos terceiros. No entanto, as garantias reais prestadas pelo 
próprio devedor originário não são atingidas pela assunção e continuam válidas, a 
não ser que o credor abra mão delas expressamente. 
 Anulação da substituição do devedor: se a substituição do devedor vier a ser 
anulada, restaura-se o débito, com todas as suas garantias, salvo as garantias 
prestadas por terceiros, exceto se este conhecia o vício que inquinava a obrigação”. 
 Não impugnação do credor hipotecário à transferência do débito: o adquirente de 
imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido; se o 
credor, notificado, não impugnar em trinta dias a transferência do débito, entender-
se-á dado o assentimento”. Com efeito, se a assunção do débito pelo terceiro 
adquirente do imóvel possibilita a permanência da garantia real, pouca ou nenhuma 
diferença fará ao credor se o devedor será este ou aquele nos casos em que o valor 
da hipoteca for superior ao débito. Se, no entanto, não for esta a hipótese, ou seja, 
se o referido valor for inferior à dívida, haverá interesse do credor em impugnar a 
transferênciade crédito nos trinta dias de sua ciência para manutenção do devedor 
primitivo na relação obrigacional 
 
 
 
Enunciado 352 das Jornadas de Direito Civil: "352 – Art. 300: Salvo expressa concordância 
dos terceiros, as garantias por eles prestadas se extinguem com a assunção da dívida; já as 
garantias prestadas pelo devedor primitivo somente serão mantidas se este concordar com a 
assunção." 
 
34 
8.7 Adimplemento das Obrigações 
8.7.1 Pagamento Direto 
 Pessoas envolvidas: Solvens (é a pessoa que deve pagar) e accipiens (é a pessoa 
que recebe). 
 Objeto e Prova do pagamento: Quitação 
 Lugar do pagamento: Regra é no domicílio do devedor. Exceção é no domicílio 
do credor. 
 Tempo: Vencimento fixado pelas partes. 
Assim, qualquer interessado na extinção da dívida poderá pagá-la. Ao terceiro não 
interessado também é garantida a faculdade de realizar o pagamento, contudo, se realizado, 
não se sub-rogará nos direitos do credor. 
A dívida paga pelo terceiro, antes do vencimento da obrigação, só se torna exigível 
após o seu vencimento. Na eventualidade de terceiro realizar o pagamento de dívida, que o 
devedor tinha possibilidade de elidir, não poderá cobrar deste pelo adimplemento que realizou. 
O pagamento feito a credor putativo é válido, mesmo que comprovado que depois que 
o sujeito que recebeu não era credor. 
 
Teoria da imprevisão (artigo 317): se, por motivo imprevisível, sobrevier desproporção 
manifesta entre o valor da prestação e do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, 
a pedido da parte, assegurando, na medida do possível, o valor real da prestação. 
 
 
 
35 
 
 
 
A teoria da imprevisão prevista no Código Civil difere-se da autorização prevista no 
Código de Defesa do Consumidor sobre a revisão das cláusulas contratuais. O CDC, pois, adotou 
a teoria da base objetiva do negócio jurídico. Assim, não exige que o fato seja imprevisível para 
que haja a modificação do contrato. 
O pagamento será feito no domicílio do devedor, salvo se outro local foi estabelecido 
pelas partes ou se o contrário resultar da lei ou da natureza da obrigação. Sobre o tema, é 
importante destacar que, quando o pagamento é realizado reiteradamente em determinado 
lugar, diferente do estabelecido pelas partes, presume-se a renúncia do credor relativamente 
ao local estabelecido no contrato. 
Neste caso, configuram-se dois institutos que são muito cobrados em prova: 
 Surrectio: amplia o negócio jurídico diante da expectativa criada na parte diante 
do sentimento de direito expressamente não acordado. Assim, trata-se do 
surgimento de um direito que não foi previamente acordado pelas partes. 
 Supressio: que consiste na perda de um direito pelo decurso do prazo. 
 
DESDOBRAMENTOS DA BOA-FÉ OBJETIVA 
 Venire contra factum proprium: consiste na vedação do comportamento 
contraditório, uma vez que não é razoável admitir-se que uma pessoa pratica 
determinado ato ou conjunto de atos e, sem seguida, realize conduta diametralmente 
oposta. 
 
36 
 Supressio: consiste na perda (supressão) de um direito pela falta de seu exercício 
por razoável lapso temporal. Assim, na tutela da confiança, um direito não exercido 
durante determinado período, por conta desta inatividade, perderia sua eficácia, não 
podendo mais ser exercitado. Nessa linha, à luz do princípio da boa-fé objetiva, o 
comportamento de um dos sujeitos geraria no outro a convicção de que o direito 
não seria mais exigido. 
 Surrectio: é o outro lado da moeda da supressio. O instituto da surrectio se configura 
no surgimento de um direito exigível, como decorrência lógica do comportamento 
e uma das partes. 
 Tu quoque: a aplicação do tu quoque se constata em situações em que se verifica 
um comportamento que, rompendo com o valor da confiança, surpreende uma 
das partes da relação negocial, colocando-a em situação de injusta desvantagem. 
Um bom exemplo é a previsão do art. 180 do CC/2002, que estabelece que o “menor, 
entre dezesseis e dezoito anos, não pode, para eximir-se de uma obrigação, invocar 
a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se, no 
ato de obrigar-se, declarou-se maior”. 
8.7.2 Formas Especiais de Pagamento 
8.7.2.1 Pagamento em Consignação: 
Devedor deposita a coisa devida, liberando-se de obrigação líquida e certa. Se a dívida 
for em dinheiro o depósito pode ser extrajudicial (estabelecimento bancário oficial – art. 890, 
§1º, CPC). 
Contudo, se, em sede de ação consignatória, for constatada a insuficiência do depósito 
realizado pelo devedor, o pedido será julgado improcedente, pois o pagamento parcial da dívida 
não extingue o vínculo obrigacional, segundo tese fixada em sede de julgamento de repercussão 
geral pelo STJ (Tema 967 – Resp 1.108.058-DF). Ocorre nas seguintes hipóteses: 
 Se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar 
quitação na devida forma; 
 
37 
 Se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição 
devidos; 
 Se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir 
em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil; 
 Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento; 
 Se pender litígio sobre o objeto do pagamento (única causa objetiva para a 
consignação) 
Há possibilidade de levantamento do depósito pelo devedor, a depender do momento 
em que ele pretender realizar tal ato, em busca de retornar ao status quo ante. Assim: 
 Antes da aceitação ou impugnação do depósito: o devedor total liberdade para 
levantar o depósito, uma vez que a importância ainda não saiu do seu patrimônio 
jurídico. 
 Depois da aceitação ou impugnação do depósito pelo credor: o depósito só poderá 
ser levantado com a anuência do credor, que perderá a preferência e a garantia que 
lhe competia sobre a coisa consignada, com liberação dos fiadores e co-devedores 
que não tenham anuído (art. 340). 
 Julgado procedente o depósito: o devedor já não poderá levantá-lo, ainda que o 
credor consinta, senão de acordo com os outros devedores e fiadores (art. 339). 
8.7.2.2 Pagamento com Sub-rogação: 4 
Substituição na obrigação de uma pessoa por outra, com os mesmos ônus e atributos 
(avalista que paga a dívida). A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos, ações, 
privilégios e garantias do primitivo, em relação à dívida, contra o devedor principal e fiadores. 
A sub-rogação acarreta, necessariamente, dois efeitos: 
 Liberatório: pela extinção do débito em relação ao devedor original; 
 Translativo: pela transferência da relação obrigacional para o novo credor. 
São modalidades de sub-rogação: 
 Sub-rogação legal/de pleno direito (pleno iure ou automática) 
 
4 Vide questão 01 
 
38 
 É a sub-rogação do credor que paga a dívida do devedor comum (art. 346, CC). 
 Do adquirente do imóvel hipotecado que paga a dívida; bem como do terceiro 
que paga a dívida para não perder o imóvel (afastar a evicção). 
 Do pagamento por terceiro interessado na dívida. Ex.: fiador. 
 Sub-rogação convencional (pagamento indireto) terceiro desinteressado 
 Quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere 
os seus direitos: aplicam-se as regras de cessão de crédito (art. 348, CC). O 
devedor não precisa concordar, apenas ser notificado (eficácia). 
 Quando terceira pessoa empresta dinheiro ao devedor para ele pagar a dívida 
ficando convencionada a sub-rogação. Ex.: mútuo. 
8.7.2.3 Imputação do Pagamento: 
Pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, líquidos e vencidos, a 
um só credor, tem o direito de escolher qual deles está pagando. 
A indicação é realizada pelo devedor, pelo credor ou pela lei, sucessivamente nessa 
ordem (favor in debitoris), sendo a ordem de imputação legal a seguinte: 
 Juros precede capital. Dívida líquida e vencida primeiro. 
 Dívida mais onerosa (maior custo de manutenção): de maior valor (em regra). 
 
 
 
Havendo igualdade total entre as dívidas, a imputação do pagamento será proporcional. 
 
39 
8.7.3 Pagamento Indireto 
8.7.3.1 Dação em Pagamento 
Acordo de vontades entre credor e devedor, com o objetivo de extinguir a obrigação, no 
qual o credor consente em receber coisa (móvel ou imóvel) diversa da originalmente devida. 
Assim, e a entrega de uma coisa por outra, e não a substituição de uma obrigação por 
outra. Em certas situações especiais, a dação é vedada pelo ordenamento, por se travestir em 
cláusula comissória (art. 1428 do CC). 
Trata-se, ainda, de datio pro solvendo, desta forma, não há que se confundir a dação 
em pagamento com a dação pro solvendo, cujo fim precípuo não é solver imediatamente a 
obrigação, mas sim facilitar o seu cumprimento. 
8.7.3.2 Novação 
Criação de obrigação nova e extinguindo a anterior, modificando o objeto (objetiva ou 
real) ou substituindo uma das partes (subjetiva = ativa – substituição do credor; passiva – 
substituição do devedor). Não podem ser objeto de novação as dívidas extintas ou nulas. 
Trata-se de modo extintivo não satisfatório, tendo natureza jurídica negocial, não a 
podendo ser imposta por lei. 
Assim, ocorre quando: 
 Devedor contrai com credor nova obrigação para substituir a anteriormente 
estabelecida; 
 Quando novo devedor sucede ao antigo ou quando há substituição do credor 
por outro, decorrente de nova obrigação. 
São requisitos da novação: 
 Obrigação anterior (novada): existência da antiga obrigação; 
 Obrigação nova (novadora): totalmente nova; 
 Animus novandi: expresso ou tácito, mas sempre inequívoco (art. 361, CC). 
 
40 
São modalidades da novação: 
 Novação objetiva ou real: substituição da prestação; 
 Novação subjetiva ativa: substituição do credor; 
 Novação subjetiva passiva: substituição do devedor; 
São espécies da novação: 
 Delegação: acontece com o consentimento do antigo devedor. 
 Expromissão: ocorre sem o consentimento do antigo devedor (art. 362, CC). 
Possível. 
Caso ocorra a novação subjetiva por expromissão, mesmo sendo o novo devedor 
insolvente, não tem o credor ação regressiva contra o primeiro devedor. Ocorrerá a novação 
por expromissão (art. 362, do Código Civil) quando um terceiro assume a dívida do devedor 
originário, substituindo-o no polo passivo da obrigação, sem o seu (do devedor) 
consentimento, mas com a anuência do credor. 
Na novação subjetiva, não basta a alteração dos personagens da relação jurídica, 
devendo haver, ainda, a alteração simultânea da própria relação obrigacional, assim, sempre 
exigirá a criação de uma nova relação obrigacional e extinção da originária. 
São efeitos da novação: 
 Liberatório: a extinção da primitiva obrigação, por meio de outra, criada para 
substituí-la; 
 Extinção dos acessórios e as garantias da dívida: exceto em caso de 
aquiescência do terceiro fiador ou proprietário dos bens dados em garantia, pois 
conforme o art. 366 do CC, importa exoneração do fiador a novação feita sem 
seu consenso como devedor principal (art. 366); 
 
 
 
 
 
41 
 
 
 
Súmula 214 do STJ: “o fiador na locação não responde por obrigações resultantes de 
aditamento ao qual não anuiu” 
 Em caso de obrigação é solidária, a novação concluída entre o credor e um dos 
devedores exonera os demais, subsistindo as preferências e garantias do crédito 
novado sobre os bens do devedor; 
 Em caso de solidariedade ativa, extingue-se a dívida perante os demais 
credores, devendo estes se entenderem com o credor operante; 
 Em caso de obrigação indivisível, por impossibilidade da prestação parcial, a 
novação acaba beneficiando os demais devedores; 
 Em caso de novação objetiva, o perecimento do objeto não dá ao credor o 
direito de perseguir o da antiga; 
 A anulabilidade oponível à antiga obrigação não cabe após a novação (na 
verdade, um dos principais préstimos da novação é justamente confirmar 
obrigações anuláveis). 
 
 
 
 
A novação é nova obrigação! Assim, extingue os acessórios e garantias da dívida 
primitiva, salvo estipulação em sentido contrário. O mesmo ocorrerá com a fiança, na hipótese 
de o fiador não ter concordado com a nova obrigação. 
 
42 
8.7.3.3 Compensação 
Duas ou mais pessoas são ao mesmo tempo credoras e devedoras umas das outras; 
somente se compensam coisas fungíveis entre si. O art. 373, CC afirma que as dívidas podem 
ter causas diferentes, o que não impede a compensação, exceto se: 
 Se provier de esbulho, furto ou roubo. 
 Se uma se originar de comodato, depósito ou alimentos. 
 Se uma for de coisa não suscetível de penhora. 
Os prazos de favor, embora consagrados pelo uso geral, não obstam a compensação, ou 
seja, havendo prazo de moratória, não impedirá compensação. Outra impossibilidade de 
compensação é quando as partes, por mútuo acordo, a excluírem, ou no caso de renúncia prévia 
de uma delas. 
O devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe dever; mas o fiador 
pode compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado. 
Modalidades de compensação: 
 Quanto à extensão: 
 Total: as duas dívidas são extintas. 
 Parcial: uma dívida é extinta e a outra compensada. 
 Quanto à origem: 
 Legal: decorre da norma jurídica e ocorre ainda que uma das partes não queira 
a extinção das dívidas. Ainda, não comporta compensação a obrigação natural, 
retroage à data em que a situação de fato se configurou (eficácia ex tunc). 
Assim, deve haver (art. 369 e 370, CC): 
o Reciprocidade; 
o Dívidas líquidas; 
o Dívidas vencidas; 
o Coisas fungíveis; 
o Mesma qualidade). 
 
43 
 Convencional: decorre do acordo entre as partes, ou seja, não deve seguir os 
rígidos requisitos da compensação legal, bastando a reciprocidade. 
o Compensação judicial: decorre de decisão judicial constitutiva, pelo qual 
o juiz estabelece que o crédito é liquidável, apesar de, originariamente, ser 
ilíquido, contudo, não é conhecível de ofício, possuindo, efeitos ex tunc. 
8.7.3.4 Confusão 
Incidência em uma mesma pessoa das qualidades de credor e devedor. De acordo com 
art. 383, a confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação 
até a concorrência da respectiva parte no crédito, ou na dívida, subsistindo quanto ao demais a 
solidariedade. Assim, a lei afirma que ocorre confusão parcial na solidariedade ativa ou passiva. 
Ainda, cessando a confusão, para logo se restabelece, com todos os seus acessórios, a obrigação 
anterior. 
Ocorre a confusão imprópria quando se reúnem na mesma pessoa as condições de 
garante e de sujeito (ativo ou passivo). Assim, ocorre quando: 
 Unidade da relação obrigacional; 
 Reunião, na mesma pessoa, das qualidades de credor e devedor; 
 Ausência de separação de patrimônios. (Se o crédito e o débito, ainda que atinentes 
a mesma pessoa, estão posicionados em patrimônios distintos, não há confusão) 
8.7.3.5 Remissão 
A remissão é forma de pagamento indireto efetivada pelo perdão do credor, que deve 
ser aceito pelo devedor (ato bilateral). Pode ser total ou parcial. Além disso, pode ser expressa 
ou tácita. 
São características da remissão: 
 Efeitos inter partes, não admitindo prejuízo de terceiros; 
 Previsão legal, não se presume; 
 
44 
 Pode ser revogada unilateralmente, desde que não tenha ainda gerado um direito 
contrário; 
 Não pode ser acompanhado de prestação do devedor; 
 Atinge somente as obrigações patrimoniais de caráter privado; 
 Se concedido ao devedor principal, extingue a obrigação dos fiadores, libertando as 
garantias reais; 
 Havendo vários os devedores, a remissão concedida extingue a obrigação na parte 
respectiva, contudo, sendo indivisível, os demais credores somente poderão exigir a 
prestação com desconto da parte relativa ao remitente; 
8.8 Inadimplementodas obrigações (Responsabilidade civil 
contratual) 
 Não cumprida a obrigação, responderá o devedor pelas perdas e danos decorrentes do 
inadimplemento, cumulado com juros e honorários advocatícios. Quando os juros não forem 
estipulados pelas partes, serão estipulados segundo as taxas estabelecidas para os pagamentos 
em mora de impostos devidos à Fazenda Pública (1% ao mês, nos termos do artigo 161 do 
CTN). 
 O devedor será considerado em mora quando não efetuar o pagamento. Por outro lado, 
se o credor se recusar a recebê-lo no tempo e forma estabelecidos no contrato, constituir-se-
á este em mora. Se depois de constituída a mora, a prestação se tornar inútil ao credor, este 
poderá exigir a satisfação por perdas e danos. 
 Assim, a mora será: 
 Mora do devedor (Solvendi, Debitoris)5 
 Ex re: é também denominada de mora automática, depende de um fato previsto 
em lei ou no contrato. Trata-se, assim, de uma obrigação positiva e líquida 
com data determinada, de modo que não precisa ser notificado para se 
constituir em mora. Ex: dia do vencimento do aluguel. 
 
5 Vide questão 04 
 
45 
 Ex persona: é também denominada de mora pendente, depende de uma 
providência do credor. Assim, exige a notificação do devedor, judicial ou 
extrajudicial, para constituição da mora, pois não há data/termo certo para o 
cumprimento da obrigação. Está prevista no parágrafo único, do art. 397, CC. 
Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação judicial ou 
extrajudicial. Ex: comodato sem prazo – notificação com prazo de 30 dias. 
 Mora do credor (Accipiendi, Creditoris): Recusa (do credor) em aceitar o 
cumprimento da obrigação. 
 Os juros de mora são contados desde a citação inicial, devendo observar, quanto às 
obrigações extracontratuais, a súmula 54 do STJ, que dispõe que “Os juros moratórios fluem a 
partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual. ” 
 O devedor purgará a mora quando oferecer a importância cumulada com os prejuízos 
causados. Por outro lado, será purgada pelo credor quando se oferecer a receber o pagamento 
e sujeitando-se aos efeitos da mora até a data. 
 As perdas e danos serão apuradas pelo valor que compreendem além o que já era de 
direito da parte, os que efetivamente deixou de ganhar. 
 
TEORIA DA PERDA DE UMA CHANCE: “Segundo esta teoria, se alguém, praticando um 
ato ilícito, faz com que outra pessoa perca uma oportunidade de obter uma vantagem ou de 
evitar um prejuízo, esta conduta enseja indenização pelos danos causados. Em outras palavras, 
o autor do ato ilícito, com a sua conduta, faz com que a vítima perca a oportunidade de obter 
uma situação futura melhor.” 6 
 
6 http://www.dizerodireito.com.br/2013/07/teoria-da-perda-de-uma-chance.html 
 
46 
 De acordo com o Superior Tribunal de Justiça, a teoria da perda de uma chance, para 
ser reconhecida, deve fazer com que o sujeito perca um direito que tinha chances atuais, sérias 
e reais de êxito na situação futura esperada. Logo, a mera expectativa não possibilita o seu 
reconhecimento. 
O quantum devido, quando do seu reconhecimento, será apurado levando-se em conta 
não a integralidade do direito, mas a proporção de possíveis chances de ganho, pois, como 
não ocorreu, por mais que as chances fossem reais e sérias, não há como se garantir a certeza 
da obtenção. 
Tem direito a ser indenizada, com base na teoria da perda de uma chance, a criança que, 
em razão da ausência do preposto da empresa contratada por seus pais para coletar o material 
no momento do parto, não teve recolhidas as células-tronco embrionárias. 7 
O simples fato de o advogado ter perdido o prazo para a contestação ou a interposição 
de um recurso não enseja a aplicação da teoria da perda de uma chance. É absolutamente 
necessária a ponderação acerca da probabilidade – que se supõe legal – que a parte teria de 
se sagrar vitoriosa. 8 
8.8.1 Cláusula penal 9 
Trata-se de obrigação acessória que as partes poderão estipular pena ou multa 
destinada a evitar o inadimplemento da obrigação principal ou o retardamento do seu 
cumprimento. Há duas funções, portanto, para a cláusula penal: intimidação ou ressarcimento. 
8.8.1.1 Cláusula penal moratória 
É estipulada para sancionar o devedor quando houver mora no cumprimento da 
obrigação. Neste caso, o credor poderá exigir o cumprimento da obrigação e o adimplemento 
 
7 Resp. 1.291.247-RJ. 2014 
8 Resp. 1.190.180 - RS 
9 Vide Questão 10 
 
47 
da obrigação e ainda, de acordo com o STJ, poderá requerer indenização correspondente às 
perdas e danos decorrentes da mora. 
8.8.1.2 Cláusula penal compensatória 
As partes acordam que, no caso de inadimplemento total da obrigação, a parte 
devedora será responsabilizada pelo pagamento da cláusula penal compensatória, que tem o 
intuito exatamente de compensar o inadimplemento ou substituir o adimplemento quando 
descumprida parcialmente a obrigação. 
 Neste caso, a cláusula não poderá ser exigida com a cumulação de indenização 
suplementar decorrente da mora, pois esta já é a sua natureza, sendo enriquecimento ilícito a 
“dupla cobrança”. 
 
Em um contrato no qual foi estipulada uma CLÁUSULA PENAL, caso haja o 
inadimplemento, é possível que o credor exija o valor desta cláusula penal e mais as perdas 
e danos?10 
 Se for cláusula penal MORATÓRIA: SIM. 
 Se for cláusula penal COMPENSATÓRIA: NÃO. 
A cláusula penal também pode ser chamada de multa convencional, multa contratual ou 
pena convencional. 
 
10 https://www.dizerodireito.com.br/2017/12/informativo-comentado-613-stj.html (STJ. 3ª Turma. REsp 1.335.617-SP, Rel. Min. 
Sidnei Beneti, julgado em 27/3/2014.) 
 
https://www.dizerodireito.com.br/2017/12/informativo-comentado-613-stj.html
 
48 
 Natureza jurídica: trata-se de uma obrigação acessória, referente a uma obrigação 
principal. Pode estar inserida dentro do contrato (como uma cláusula) ou prevista em 
instrumento separado. 
 Finalidades da cláusula penal: a cláusula penal possui duas finalidades: 
 Função ressarcitória: serve de indenização para o credor no caso de 
inadimplemento culposo do devedor. Ressalte-se que, para o recebimento da 
cláusula penal, o credor não precisa comprovar qualquer prejuízo. Desse modo, 
a cláusula penal serve para evitar as dificuldades que o credor teria no momento 
de provar o valor do prejuízo sofrido com a inadimplência do contrato. 
 Função coercitiva ou compulsória (meio de coerção): intimida o devedor a 
cumprir a obrigação, considerando que este já sabe que, se for inadimplente, 
terá que pagar a multa convencional. 
 Multa moratória = obrigação principal + multa. 
 Multa compensatória = obrigação principal ou multa. 
Em um contrato no qual foi estipulada uma cláusula penal MORATÓRIA, caso haja o 
inadimplemento, é possível que o credor exija o valor desta cláusula penal e mais as perdas 
e danos? 
SIM. A cláusula penal moratória não é estipulada para compensar o inadimplemento 
nem para substituir o adimplemento. 
Assim, a cominação contratual de uma multa para o caso de mora não interfere na 
responsabilidade civil correlata que já deflui naturalmente do próprio sistema. Logo, não há 
óbice a que se exija a cláusula penal moratória juntamente ao valor referente aos danos 
emergentes e lucros cessantes (perdas e danos). 
 No caso de mora, existindo cláusula penal moratória, concede-se ao credor a faculdade 
de requerer, cumulativamente: 
 O cumprimento da obrigação; 
 A multa contratualmente estipulada; e ainda 
 Indenização correspondente às perdas e danos decorrentes da mora. 
 
49 
Exemplo: o promitente comprador, no caso de atraso na entrega do imóvel adquirido,tem 
direito a exigir, além do cumprimento da obrigação e do pagamento do valor da cláusula penal 
moratória prevista no contrato, a indenização correspondente aos lucros cessantes pela não 
fruição do imóvel durante o período da mora11. 
Em um contrato no qual foi estipulada uma cláusula penal COMPENSATÓRIA, caso haja o 
inadimplemento, é possível que o credor exija o valor desta cláusula penal e mais as perdas 
e danos? 
NÃO. Não se pode cumular multa compensatória prevista em cláusula penal com 
indenização por perdas e danos decorrentes do inadimplemento da obrigação. Enquanto a 
cláusula penal moratória manifesta, com mais evidência, a característica de reforço do vínculo 
obrigacional, a cláusula penal compensatória prevê indenização que serve não apenas como 
punição pelo inadimplemento, mas também como prefixação de perdas e danos. 
A finalidade da cláusula penal compensatória é recompor a parte pelos prejuízos que 
eventualmente decorram do inadimplemento total ou parcial da obrigação. Não é possível, pois, 
cumular cláusula penal compensatória com perdas e danos decorrentes de inadimplemento 
contratual. 
Com efeito, se as próprias partes já acordaram previamente o valor que entendem 
suficiente para recompor os prejuízos experimentados em caso de inadimplemento, não se pode 
admitir que, além desse valor, ainda seja acrescido outro, com fundamento na mesma 
justificativa – a recomposição de prejuízos. 
 
 
Assim, importante lembrar: 
 
11 Foi o que decidiu a 3ª Turma do STJ no REsp 1.355.554-RJ, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 6/12/2012 (Info 513). 
 
50 
MORATÓRIA 
(compulsória) 
COMPENSATÓRIA 
(compensar o inadimplemento) 
Estipulada para desestimular o devedor a 
incorrer em mora ou para evitar que deixe de 
cumprir determinada cláusula especial da 
obrigação principal. É a cominação contratual 
de uma multa para o caso de mora. (multa 
contratual) 
Estipulada para servir como indenização no 
caso de total inadimplemento da obrigação 
principal (adimplemento absoluto). 
Funciona como punição pelo retardamento 
no cumprimento da obrigação ou pelo 
inadimplemento de determinada cláusula. 
Funciona como uma prefixação das perdas e 
danos. 
Ex1: em uma promessa de compra e venda 
de um apartamento, é estipulada multa para 
o caso de atraso na entrega. Ex2: multa para 
o caso de o produtor de soja fornecer uma 
safra de qualidade inferior ao tipo “X”. 
Ex: em um contrato para que um cantor faça 
um show no réveillon, é estipulada uma multa 
de 100 mil reais caso ele não se apresente. 
A cláusula penal moratória é cumulativa, ou 
seja, o credor poderá exigir o cumprimento 
da obrigação principal mais o valor da 
cláusula penal (poderá exigir a substituição 
da soja inferior e ainda o valor da cláusula 
penal). 
A cláusula penal compensatória não é 
cumulativa. Assim, haverá uma alternativa 
para o credor: exigir o cumprimento da 
obrigação principal ou apenas o valor da 
cláusula penal. 
Art. 411. Quando se estipular a cláusula penal 
para o caso de mora, ou em segurança 
especial de outra cláusula determinada, terá 
o credor o arbítrio de exigir a satisfação da 
pena cominada, juntamente com o 
desempenho da obrigação principal.12 
Art. 410. Quando se estipular a cláusula penal 
para o caso de total inadimplemento da 
obrigação, esta converter-se-á em alternativa 
a benefício do credor. 
 
 
12 Vide questão 06 
 
51 
8.8.2 Arras 
É o sinal que se dá por ocasião da celebração do contrato, quando uma das partes 
oferecer, à título de arras, dinheiro ou outro bem móvel, com a finalidade de garantir o 
cumprimento do contrato. 13 
As arras podem ser dividias em arras confirmatórias e arras penitenciais. 
 Arras confirmatórias: possuem uma tríplice função: confirmar o contrato que passa 
a ser obrigatório, antecipar o pagamento e fixar, previamente, eventuais perdas e 
danos. A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior 
prejuízo, valendo as arras como taxa mínima. 
 Arras penitenciais: ocorrem sempre que as partes, no contrato preliminar 
concederam-se o direito de se arrepender. Assumem, portanto, uma função de pena 
pelo arrependimento injustificado de uma das partes. Nestes casos, as arras terão 
função unicamente indenizatória, assim, quem as deu perdê-las-á em benefício da 
outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. 
Em ambos os casos, não haverá direito a indenização suplementar. 
Quando o contrato é cumprido integralmente, as arras poderão ser devolvidas ou 
compensadas do valor a ser pago pela execução da prestação. Por outro lado, se descumprido 
o contrato por parte de quem ofereceu as arras, a parte prejudicada poderá retê-la em seu 
benefício. 
Na eventualidade de o contrato ser descumprido por quem recebeu as arras, a parte 
inadimplente deverá restituí-la, em dobro, a quem as pagou. 
 O STJ entende que se a proporção entre a quantia paga inicialmente e o preço total 
ajustado evidenciar que o pagamento inicial englobava mais do que o sinal, não se pode 
declarar a perda integral daquela quantia inicial como se arras confirmatórias fosse, sendo 
legítima a redução equitativa do valor a ser retido. 14 
 
13 Vide questão 02 
14 Resp. 1.1513.259 - MS 
 
52 
 
Teoria do adimplemento substancial (substantial performance): a origem da teoria está 
no direito anglo saxônico do Século XVIII. A doutrina do adimplemento substancial sustenta que 
a atividade do devedor, embora não haja sido perfeita, aproximou-se substancialmente do 
resultado final esperado15.16 
Aliás, este Superior Tribunal, à luz dos princípios da função social e da boa-fé objetiva, 
tem aplicado a teoria (REsp 1051270-RS). Acontece quando o descumprimento é ínfimo ou de 
menor monta, não cabendo a extinção contratual. Em outras palavras, a mora do devedor, sendo 
de escassa importância, não autoriza a resolução do contrato, por atentar contra o princípio 
da boa-fé objetiva17. 
 Requisitos para a aplicação da teoria do adimplemento substancial18 
 Existência de expectativas legítimas geradas pelo comportamento das partes; 
 O pagamento faltante há de ser ínfimo em se considerando o total do negócio; 
 Deve ser possível a conservação da eficácia do negócio sem prejuízo ao direito 
do credor de pleitear a quantia devida pelos meios ordinários. 
 Enunciado 361 da IV Jornada de Direito Civil: Arts. 421, 422 e 475. O adimplemento 
substancial decorre dos princípios gerais contratuais, de modo a fazer preponderar a 
função social do contrato e o princípio da boa-fé objetiva, balizando a aplicação do 
art. 475. 
 
15 Vide enunciado 361 da IV Jornada de Direito Civil e o Noticiário STJ 09.09.2012 
16 Vide questão 03 
17 Info 500, STJ 
18 STJ. 4ª Turma. REsp 1581505/SC, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 18/08/2016 
 
53 
 Não se aplica a teoria do adimplemento substancial aos contratos de alienação fiduciária 
em garantia regidos pelo Decreto-Lei 911/69.19 STJ. 2ª Seção. REsp 1.622.555-MG, Rel. Min. 
Marco Buzzi, Rel. para acórdão Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 22/2/2017. 
8.9 Extinção das Obrigações 
 Sem Pagamento: acontece nos casos de remissão (perdão), prescrição ou 
decadência, advento do termo. 
 Judicial: por meio de execução forçada – Ações judiciais (Processo Civil). 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 Info 599 do STJ 
 
54 
 
9. Da Representação e Atos Unilaterais 
9.1 Da representação 
9.1.1 Conceito 
Trata-se de uma relação jurídica pela qual certa pessoa se obriga diretamente perante 
terceiro, por meio de ato praticado em seu nome por um representante. Este instituto está 
diretamenteligado com o direito das obrigações, já que uma pessoa passa poderes para um 
terceiro perante uma relação obrigacional, e, também, com a teoria dos negócios jurídicos, já 
que a pessoa em nome de quem ele atua e que fica vinculada ao negócio é o representado 
Assim, trata-se de atuação jurídica em nome de outrem, podendo os direitos serem 
adquiridos por ato do próprio interessado ou por intermédio de outrem. 
9.1.2 Espécies 
De acordo com o art. 115 do CC, existem duas formas de representação, a legal, de modo 
que os seus requisitos e os efeitos da são os estabelecidos nas normas respectivas, e a 
convencional/voluntária, regido pelas regras previstas na Parte Especial Código Civil. 
 Representação legal: trata-se de um munus, visto que o representante exerce uma 
atividade obrigatória, prevista em lei. Neste caso, a lei exige o suprimento da falta 
de capacidade do representado, tendo caráter personalíssimo e indelegável o seu 
exercício. Ex: como a deferida pela lei aos pais, tutores, curadores, síndicos, 
administradores. 
 Representação voluntária: objetiva auxiliar uma pessoa na defesa ou 
administração de interesses alheios, mediante um acordo de vontades, intervindo 
na conclusão de um negócio com outra pessoa que não o interessado direto e 
imediato. Esta modalidade se relaciona diretamente com os contratos em espécie, 
 
55 
mediante a outorga de procuração (mandato). Pode ser revogada a qualquer tempo 
pelo representado. 
9.1.3 Dos representantes 
Há três espécies de representantes: 
 Legal: é o que decorre da lei, ou seja, aquele a quem a lei confere poderes para 
administrar bens e interesses alheios. Ex.: como pais, em relação aos filhos menores, 
tutores, no que concerne aos tutelados, e curadores, quanto aos curatelados; 
 Judicial: é o nomeado pelo juiz para exercer poderes de representação no processo. 
Ex.: inventariante, o administrador da empresa penhorada e o da massa falida; 
 Convencional: é o que recebe mandato outorgado pelo credor, expresso ou tácito, 
verbal ou escrito, com poderes expressos, gerais ou especiais. Ex.: alienar, receber, dar 
quitação etc. (art. 661). 
9.1.4 Regras do Instituto da Representação 
De acordo com o art. 116 do CC, a manifestação de vontade pelo representante produz 
efeitos em relação ao representado, nos limites de seus poderes. Ou seja, significa dizer que 
o representante atua em nome do representado, devendo agir, portanto, na conformidade dos 
poderes recebidos pelo representado. Se por acaso o representante ultrapassar tais poderes, 
haverá excesso de poder, podendo ser responsabilizado, conforme dispõe o art. 118. Ademais, 
enquanto o representado não ratificar os referidos atos, será considerado mero gestor de 
negócios. 
Art. 118. O representante é obrigado a provar às pessoas, com quem tratar em nome do 
representado, a sua qualidade e a extensão de seus poderes, sob pena de, não o fazendo, 
responder pelos atos que a estes excederem. 
Assim, conforme dispõe o art. 119, é anulável o negócio concluído pelo representante 
em conflito de interesses com o representado, se tal fato era ou devia ser do conhecimento 
de quem com aquele tratou, de modo que tal anulação deve ser arguida no prazo decadencial 
de cento e oitenta dias, a contar da conclusão do negócio ou da cessação da incapacidade. 
 
56 
Não se admite, assim, que, estando de boa-fé, seja ele prejudicado por ato danoso do 
representante. Resta ao representado, portanto, valer-se do disposto no art. 118 para se ressarcir 
dos danos eventualmente sofridos. 
O conflito de interesses ocorre nos seguintes casos: 
 Abuso de direito: atuação do representante com falta de poderes (falso procurador), 
quando a representação é exercida segundo os limites dos poderes, mas de forma 
contrária à sua destinação; 
 Excesso de poder: o representante ultrapassa os limites da atividade representativa. 
Em ambos os casos, o negócio é celebrado sem poder de representação, podendo ser 
anulado pelo representado se o conflito de interesses era ou devia ser do conhecimento de 
quem com ele tratou 
9.1.5 Contrato consigo mesmo (autocontrato – art. 117, CC) 
De acordo com o art. 117 do Código Civil, é anulável o negócio jurídico que o 
representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo, exceto se 
previsto de forma diferente por lei ou o representado por meio de convenção. Para esse efeito, 
tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em quem os 
poderes houverem sido subestabelecidos. 
Assim, trata-se de representação que o representante atua em nome de apenas uma das 
partes do negócio jurídico no qual intervém. Ocorre de diversas formas: 
 Dupla representação: hipótese de ambas as partes se manifestarem por meio do 
mesmo representante, que não se envolve no negócio jurídico; 
 Dupla qualidade: hipótese em que o representante seja a outra parte no negócio 
jurídico celebrado, participando de sua formação como representante, ao atuar em 
nome do dono do negócio, e como contratante, por si mesmo; 
Assim, como dispõe o art. 117 do CC, trata-se de negócio anulável, inclusive, se ocorrer 
de maneira indireta, ou seja, conforme explica Carlos Roberto Gonçalves20: 
 
20 Carlos Roberto Gonçalves, p. 517 
 
57 
Quando o próprio representante atua sozinho declarando duas vontades, mas por meio 
de terceira pessoa, subestabelecendo-a (ato pelo qual o representante transfere a outrem 
os poderes concedidos pelo representado a terceira pessoa) para futuramente celebrar 
negócio com o antigo representante. Ocorrendo esse fenômeno, tem-se como celebrado 
pelo representante o negócio realizado por aquele em que os poderes houverem sido 
subestabelecidos. 
9.2 Dos Atos Unilaterais 
9.2.1 Conceito 
 Os atos unilaterais são as declarações unilaterais de vontade, fontes do direito 
obrigacional que estão previstas no Código Civil, caso da promessa de recompensa, da gestão 
de negócios, do pagamento indevido e do enriquecimento sem causa. 
 Nas declarações unilaterais de vontade ou atos unilaterais a obrigação nasce da simples 
declaração de uma única parte, formando-se no instante em que o agente se manifesta com 
a intenção de assumir um dever obrigacional. Sendo emitida a declaração de vontade, esta se 
torna plenamente exigível ao chegar ao conhecimento a quem foi direcionada. 
 O Código Civil em vigor consagra expressamente os seguintes atos unilaterais como 
fontes obrigacionais: 
9.2.2 Da promessa de recompensa 
 Enuncia o art. 854 do CC que: 
“Art. 854. Aquele que, por anúncios públicos, se comprometer a recompensar, ou 
gratificar a quem preencha certa condição ou desempenhe certo serviço, contrai 
obrigação de cumprir o prometido”. 
A pessoa que cumprir a tarefa prevista na declaração, executando o serviço ou 
satisfazendo a condição, ainda que não esteja movida pelo interesse da promessa, poderá exigir 
a recompensa estipulada. Esse dispositivo valoriza a eticidade e a boa-fé objetiva, merecendo 
comentários a título de exemplo. 
 
58 
 Imagine-se, para ilustrar, um caso em que alguém perdeu um animal de estimação, um 
cachorro. Para recuperar o animal, o dono coloca uma faixa em uma avenida de grande 
circulação, oferecendo uma recompensa. Alguém que conhece o cão e o seu dono, mas que no 
momento desconhece a promessa, encontra o animal e o leva à casa do seu proprietário. Essa 
pessoa terá direito à recompensa, pois agiu conforme os ditames da boa-fé. Também terá direito 
aos valores gastos com o cumprimento da tarefa, como, por exemplo, as despesas feitas para a 
alimentação do animal, cuidados veterinários e transporte. 
 A revogação da promessa de recompensa está prevista no art. 856 do CC, sendo possível 
antes de prestado o serviço ou preenchida a condição e desde que seja feita com a mesma 
publicidade da declaração. Se for fixado um prazo paraa execução da tarefa haverá, em regra, 
renúncia ao direito de revogação na vigência desse prazo. No caso de revogação da promessa, 
se algum candidato de boa-fé tiver feito despesas, terá direito a reembolso quanto a tais 
valores. 
 No caso da execução conjunta ou plúrima, sendo o ato contemplado na promessa 
praticado por mais de um indivíduo, terá direito à recompensa o que primeiro o executou. 
Entretanto, sendo simultânea a execução, a cada um tocará quinhão igual na recompensa, caso 
seja possível a divisão. Se a estipulação tiver como conteúdo um bem indivisível, deverá ser 
realizado um sorteio. Aquele que obtiver a coisa (vencedor) dará ao outro o valor 
correspondente ao seu quinhão. Esse sorteio deverá ser realizado dentro das regras legais, da 
razoabilidade e do bom senso (mais uma aplicação da eticidade, da boa-fé objetiva). 
 No caso de concursos que se abrirem com promessa pública de recompensa, é 
condição essencial, para valerem, a fixação de um prazo, observadas também as regras 
analisadas anteriormente. Nesses concursos, é comum a nomeação de um juiz (ou árbitro), que 
irá avaliar os trabalhos. A decisão dessa pessoa nomeada, nos anúncios, como juiz, obriga os 
interessados. Na falta dessa pessoa designada para julgar o mérito dos trabalhos que se 
apresentarem, entender-se-á que o promitente da recompensa reservou para si esta função. Se 
os trabalhos tiverem mérito igual, proceder-se-á de acordo com as regras vistas para a promessa 
de recompensa: anterioridade, divisão e sorteio. 
 
59 
 Por fim, nos concursos públicos, as obras premiadas só ficarão pertencendo ao 
promitente se assim for estipulado na publicação da promessa (ex. Em regra, nos concursos 
de monografias jurídicas os trabalhos pertencem aos seus autores. Porém, é possível 
convencionar que os direitos patrimoniais de exploração da obra premiada passarão a pertencer 
àquele que idealizou o concurso). 
9.2.3 Da gestão de negócios 
 Na gestão de negócios há uma atuação sem poderes, uma hipótese em que a parte 
atua sem ter recebido expressamente a incumbência. Dessa forma, o gestor, que age sem 
mandato, fica diretamente responsável perante o dono do negócio e terceiros com quem 
contratou. A gestão, pela ausência de orientação dada pelo dono, não tem natureza contratual, 
pois está ausente o prévio acordo de vontades. Dessa forma, poderá a gestão ser provada de 
qualquer modo, eis que se trata de negócio jurídico informal. 
 A posição do gestor é delicada, pois, além de não ter direito a qualquer remuneração 
pela atuação (negócio jurídico benévolo), deve agir conforme a vontade presumível do dono 
do negócio, sob pena de responsabilização civil. 
 Deve-se lembrar que se a gestão for iniciada contra a vontade manifesta ou presumível 
do dono, responderá o gestor por caso fortuito (evento totalmente imprevisível) e força maior 
(evento previsível, mas inevitável), conforme a regra constante do art. 862 do CC. Se os prejuízos 
da gestão excederem o seu proveito, poderá o dono do negócio exigir que o gestor restitua as 
coisas ao estado anterior, ou que indenize o valor correspondente à diferença (art. 863 do CC). 
 Diante do princípio da boa-fé objetiva, que valoriza o dever anexo de informação, deverá 
o gestor de negócio, assim que lhe for possível, comunicar ao dono a sua atuação, 
aguardando a resposta se dessa espera não resultar perigo. Falecendo o dono do negócio, as 
instruções devem ser prestadas aos seus herdeiros, devendo o gestor, mesmo assim, agir com 
a máxima diligência, de acordo com as circunstâncias fáticas do caso concreto. 
 
60 
9.2.4 Do pagamento indevido 
 De acordo com o art. 876 do CC: “Art. 876. Todo aquele que recebeu o que não lhe era 
devido fica obrigado a restituir; obrigação que incumbe àquele que recebe dívida condicional 
antes de cumprida a condição”. 
 Duas são as modalidades básicas de pagamento indevido: 
 Pagamento objetivamente indevido: Quando a dívida paga não existe ou não é 
justo o seu pagamento. Exemplo: a dívida foi paga a mais, com valor maior ao 
pactuado. 
 Pagamento subjetivamente indevido: Quando realizado à pessoa errada. Exemplo: 
pagou-se quem não era o legítimo credor. 
 Desse modo, quem paga indevidamente pode pedir restituição àquele que recebeu, 
desde que prove que pagou por erro. O último é obrigado a restituir, sendo cabível a ação de 
repetição do indébito. 
 Enuncia o art. 878 do CC que aos frutos, acessões, benfeitorias e deteriorações 
sobrevindas à coisa dada em pagamento indevido, aplica-se o disposto quanto ao possuidor 
de boa e má-fé. Assim, se alguém recebe um imóvel alheio, de boa-fé, terá direito aos frutos 
colhidos na vigência da permanência do imóvel. Também terá direito de retenção e indenização 
quanto às benfeitorias necessárias e úteis. Já aquele que recebeu o imóvel, estando de má-fé, 
não terá direito a frutos. Quanto às benfeitorias, terá somente direito de indenização quanto às 
necessárias. 
 De acordo com o art. 879 do CC, se aquele que indevidamente recebeu um imóvel o tiver 
alienado em boa-fé, por título oneroso, responde somente pela quantia recebida. Agindo 
de má-fé, a culpa passa a ser induzida, respondendo a pessoa pelo valor da coisa e por perdas 
e danos. 
 Em complemento, se o imóvel for alienado a título gratuito, em qualquer caso, ou a 
título oneroso, agindo de má-fé o terceiro adquirente, caberá ao que pagou por erro o 
direito de reivindicação por meio de ação petitória. 
 
61 
 O art. 881 do CC expressa que se o pagamento indevido tiver consistido no desempenho 
de obrigação de fazer ou para eximir-se da obrigação de não fazer, aquele que recebeu a 
prestação fica obrigado a indenizar o sujeito que a cumpriu, na medida do lucro obtido. 
 No caso de pagamento indevido não cabe repetição em dobro do valor pago. Na 
realidade, por meio da actio in rem verso poderá o prejudicado, em regra, pleitear o valor 
pago atualizado, acrescido de juros, custas, honorários advocatícios e despesas processuais. 
Havendo má-fé da outra parte, essa induz a culpa, cabendo ainda reparação por perdas e 
danos. 
9.2.5 Do enriquecimento sem causa 
 Esse instituto está baseado no princípio da eticidade, visando ao equilíbrio patrimonial 
e à pacificação social. Nesse sentido, determina o art. 884 do CC que “Art. 884. Aquele que, 
sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente 
auferido, feita a atualização dos valores monetários”. Em complemento, prevê o seu parágrafo 
único “Parágrafo único. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu 
é obrigado a restituí-la, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem 
na época em que foi exigido.” 
 O enriquecimento sem causa constitui fonte obrigacional, ao mesmo tempo em que a 
sua vedação decorre dos princípios da função social das obrigações e da boa-fé objetiva. 
 Várias são as ações que têm como objetivo evitar o locupletamento sem razão, sendo a 
principal a de repetição de indébito no caso de pagamento indevido, que é espécie de 
enriquecimento sem causa. Consigne-se que toda situação em que alguém recebe algo 
indevido visa ao enriquecimento sem causa. Mas, em algumas hipóteses, poderá haver 
conduta visando ao enriquecimento sem causa, sem que tenha havido pagamento indevido (ex: 
A invasão de um imóvel com finalidade de adquirir a sua propriedade). 
 São pressupostos da ação que visa afastar o enriquecimento sem causa, pela doutrina 
clássica: 
 
62 
 O enriquecimento do accipiens (de quem recebe); 
 O empobrecimento do solvens (de quem paga); 
 A relação de causalidade entre o enriquecimento e o empobrecimento; 
 A inexistência de causa jurídica prevista por convenção das partes ou pela lei; e 
 A inexistência de ação específica. 
 Categoricamente, o enriquecimento sem causa não se confunde com o enriquecimento 
ilícito. Na primeira hipótese, falta uma causajurídica para o enriquecimento. Na segunda, o 
enriquecimento está fundado em um ilícito. Assim, todo enriquecimento ilícito é sem causa, 
mas nem todo enriquecimento sem causa é ilícito. Um contrato desproporcional pode não ser 
um ilícito e gerar enriquecimento sem causa. 
 Determina o art. 885 do CC que a restituição é cabível não só quando não existir causa 
para o pagamento, mas também quando esta deixar de existir (ex: a lei revoga a possibilidade 
de cobrança de uma taxa. A partir do momento desta revogação, o valor não pode mais ser 
cobrado, pois, caso contrário, haverá conduta visando ao enriquecimento sem causa, tornando 
possível a restituição). 
 Caso a lei forneça ao lesado outros meios para a satisfação (ressarcimento) do prejuízo, 
não caberá a restituição por enriquecimento, segundo o art. 886 do CC. O dispositivo realça 
o caráter subsidiário da ação de enriquecimento sem causa (ex: Sendo possível a ação de 
reparação de danos, uma vez que alguém recebeu um imóvel indevidamente e que veio a se 
perder, será esse o caminho a ser seguido). 
 
 
63 
 
 
64 
QUADRO SINÓTICO 
DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 
 
CONCEITO 
É a relação jurídica, de caráter transitório, estabelecida entre devedor e credor e 
cujo objeto consiste numa prestação pessoal econômica, positiva ou negativa, devida 
pelo primeiro ao segundo, garantindo-lhe o adimplemento (cumprimento) através de 
seu patrimônio. 
LEMENTOS 
CONSTITUTIVOS 
ELEMENTO SUBJETIVO 
SUJEITO ATIVO É o credor, o beneficiário da obrigação 
SUJEITO PASSIVO É o devedor; aquele que deve cumprir a obrigação 
ELEMENTO OBJETIVO (OU MATERIAL) 
É o objeto de uma obrigação. Para a maioria da doutrina, o objeto da obrigação é a 
prestação imediata, que é sempre uma conduta humana positiva ou negativa. 
 Objeto mediato, que é o bem, propriamente dito 
 Objeto imediato, que é a prestação, é a obrigação de dar. Já 
 Objeto (prestação), para ser válido deve ser lícito, possível (física e 
juridicamente), determinado ou determinável e economicamente apreciável. 
ELEMENTO IMATERIAL OU VÍNCULO JURÍDICO 
É o vínculo que liga os sujeitos ao objeto da obrigação; é o elo. Abrange o dever da 
pessoa obrigada (debitum) e responsabilidade em caso de não cumprimento 
(obligatio). 
FONTES 
São três fontes das obrigações: 
 Negócio Jurídico Bilateral: duas pessoas criam obrigações entre si. 
 Negócio Jurídico Unilateral: nestes casos só há uma vontade 
 Ato ilícito fica obrigado a reparar o dano (art. 927, CC) dele decorrente 
CLASSIFICAÇÃO 
OBRIGAÇÃO DE DAR 
OBRIGAÇÃO DE 
DAR COISA CERTA 
O devedor se obriga a entregar uma coisa certa e 
determinada, perfeitamente individualizada 
OBRIGAÇÃO DE 
DAR COISA 
INCERTA 
O objeto é indicado apenas de forma genérica no início da 
obrigação 
OBRIGAÇÃO 
PECUNIÁRIA 
Abrange prestação em dinheiro, reparação de danos e 
pagamento de juros. 
OBRIGAÇÃO DE FAZER 
Trata-se da prestação de uma atividade (prestação de um serviço ou execução de 
uma tarefa) positiva (material ou imaterial) e lícita do devedor. 
 
65 
OBRIGAÇÃO DE 
FAZER FUNGÍVEL 
Pode ser realizada pelo devedor ou por terceira pessoa, sem 
prejuízo para o credor 
OBRIGAÇÃO DE 
FAZER 
INFUNGÍVEL 
(PERSONALÍSSIMA 
OU INTUITU 
PERSONAE) 
 
A prestação só pode ser executada pelo próprio devedor ante 
a sua natureza (aptidões ou qualidades especiais do devedor) 
ou disposição contratual 
OBRIGAÇÃO DE 
NÃO FAZER 
O devedor se compromete a não praticar certo ato que até 
poderia livremente praticar se não houvesse se obrigado 
CLASSIFICAÇÃO 
OBRIGAÇÕES QUANTO A SEUS ELEMENTOS 
OBRIGAÇÕES 
SIMPLES (OU 
SINGULARES) 
 
Um sujeito ativo, um sujeito passivo e um único objeto 
OBRIGAÇÕES 
COMPOSTAS 
(COMPLEXAS OU 
PLURAIS) 
 
Pluralidade de objetos, pluralidade de sujeitos 
OBRIGAÇÕES 
CUMULATIVAS 
(OU 
CONJUNTIVAS) 
 
Multiplicidade de prestações 
OBRIGAÇÕES 
ALTERNATIVAS 
(OU 
DISJUNTIVAS) 
 
Apenas uma delas será cumprida como pagamento. 
OBRIGAÇÕES 
FACULTATIVAS 
A obrigação inicialmente é simples, mas há a possibilidade 
para o devedor em substituir o objeto. 
 
 
 
 
OBRIGAÇÕES 
SOLIDÁRIAS 
Pluralidade de credores e devedores, há direitos e/ou 
obrigações pelo total da dívida. 
SOLIDARIEDADE 
ATIVA 
Ocorre quando há pluralidade de 
credores. 
SOLIDARIEDADE 
PASSIVA 
Ocorre quando há pluralidade de 
devedores 
SOLIDARIEDADE 
MISTA (OU 
RECÍPROCA) 
Uma pluralidade de devedores e de 
credores 
OUTRAS MODALIDADES DE OBRIGAÇÃO 
OBRIGAÇÕES QUANTO AO CONTEÚDO 
 
66 
OBRIGAÇÕES DE 
RESULTADO (OU 
DE FIM) 
Quando só se considera cumprida com a obtenção de um 
resultado 
OBRIGAÇÕES DE 
MEIO (OU DE 
DILIGÊNCIA) 
Quando o devedor só é obrigado a empenhar-se para 
conseguir o resultado, mesmo que este não seja alcançado. 
OBRIGAÇÕES DE 
GARANTIA 
Seu objetivo é uma estipulação em um contrato de uma 
garantia pessoal 
OBRIGAÇÕES QUANTO À DIVISIBILIDADE 
OBRIGAÇÕES 
DIVISÍVEIS 
Comportam fracionamento 
OBRIGAÇÕES 
INDIVISÍVEIS 
São aquelas em que a prestação é única 
OUTRAS CLASSIFICAÇÕES 
QUANTO AOS ELEMENTOS ACIDENTAIS 
OBRIGAÇÕES 
PURAS E SIMPLES 
Não estão sujeitas a nenhum elemento acidental, 
OBRIGAÇÕES 
CONDICIONAIS 
 
 
Efeito a evento futuro e incerto para atingir seus efeitos 
OBRIGAÇÕES A 
TERMO 
Efeito a evento futuro e certo 
OBRIGAÇÕES 
MODAIS 
São as oneradas de um encargo 
QUANTO À INDEPENDÊNCIA 
OBRIGAÇÕES 
PRINCIPAIS 
Independem de qualquer outra para ter validade 
OBRIGAÇÕES 
ACESSÓRIAS 
Sua existência subordinada a outra relação jurídica 
QUANTO À LIQUIDEZ 
OBRIGAÇÕES 
LÍQUIDAS 
São aquelas certas quanto à existência e determinadas quanto 
ao objeto 
OBRIGAÇÕES 
ILÍQUIDAS 
São aquelas incertas quanto à sua quantidade; 
QUANTO AO MOMENTO PARA O CUMPRIMENTO 
OBRIGAÇÕES 
INSTANTÂNEAS 
São as que são cumpridas no momento em que o negócio é 
celebrado 
 
67 
OBRIGAÇÕES 
FRACIONADAS 
Objeto do pagamento é fracionado em prestações. 
OBRIGAÇÕES 
DIFERIDAS 
Por um único ato, em momento posterior ao surgimento da 
obrigação 
OBRIGAÇÕES DE 
TRATO 
SUCESSIVO (OU 
PERIÓDICAS OU 
EXECUÇÃO 
CONTINUADA) 
 
 
São as que se resolvem em intervalos de tempo 
 
ESPÉCIES 
(DOUTRINA) 
OBRIGAÇÕES 
PROPTER REM 
São obrigações híbridas, ou seja, parte direito real, parte direito 
pessoal 
OBRIGAÇÕES 
NATURAIS 
Também chamadas de imperfeitas ou incompletas, são 
aquelas em que o credor não possui instrumento judicial para 
exigir a prestação do devedor. 
 
 
 
TRANSMISSÃO 
 
CESSÃO DE 
CRÉDITO 
O credor poderá ceder seu crédito a outro, se isso não opuser 
à natureza da obrigação, à lei ou à convenção com o devedor, 
podendo configurar tanto alienação onerosa quanto alienação 
gratuita. 
 
 
ASSUNÇÃO DE 
DÍVIDA 
A lei autoriza que terceiro assuma a obrigação do devedor, 
desde que haja consentimento expresso do credor. Neste 
caso, o devedor primitivo será extinto da obrigação, salvo se 
era insolvente à época da assunção e o credor ignorava. 
Por se tratar de débito, o silêncio do credor, caso não se 
manifeste no prazo designado, não importará aceitação. O 
silêncio é interpretado como recusa. 
 
 
 
ADIMPLEMENTO 
PAGAMENTO DIRETO 
 Pessoas envolvidas: Solvens (é a pessoa que deve pagar) e accipiens (é a 
pessoa que recebe). 
 Objeto e Prova do pagamento: Quitação 
 Lugar do pagamento: Regra é no domicílio do devedor. Exceção é no 
domicílio do credor. 
 Tempo: Vencimento fixado pelas partes. 
FORMAS ESPECIAIS DE PAGAMENTO 
 
PAGAMENTO EM 
CONSIGNAÇÃO 
Devedor deposita a coisa devida, liberando-se de obrigação 
líquida e certa. Se a dívida for em dinheiro o depósito pode 
ser extrajudicial (estabelecimento bancário oficial – art. 890, §1º, 
CPC). 
 
68 
PAGAMENTO 
COM SUB-
ROGAÇÃO 
Substituição na obrigação de uma pessoa por outra, com os 
mesmos ônus e atributos (avalista que paga a dívida). 
IMPUTAÇÃO DOPAGAMENTO 
Pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma 
natureza, líquidos e vencidos, a um só credor, tem o direito 
de escolher qual deles está pagando. 
PAGAMENTO INDIRETO 
 
DAÇÃO EM 
PAGAMENTO 
Acordo de vontades entre credor e devedor, com o objetivo 
de extinguir a obrigação, no qual o credor consente em 
receber coisa (móvel ou imóvel) diversa da originalmente 
devida. 
 
 
NOVAÇÃO 
Criação de obrigação nova e extinguindo a anterior, 
modificando o objeto (objetiva ou real) ou substituindo uma 
das partes (subjetiva = ativa – substituição do credor; passiva 
– substituição do devedor). Não podem ser objeto de novação 
as dívidas extintas ou nulas. 
 
COMPENSAÇÃO 
Duas ou mais pessoas são ao mesmo tempo credoras e 
devedoras umas das outras; somente se compensam coisas 
fungíveis entre si. 
CONFUSÃO Incidência em uma mesma pessoa das qualidades de credor e 
devedor. 
 
REMISSÃO 
A remissão é forma de pagamento indireto efetivada pelo 
perdão do credor, que deve ser aceito pelo devedor (ato 
bilateral). Pode ser total ou parcial. Além disso, pode ser 
expressa ou tácita. 
INADIMPLEMENTO 
Não cumprida a obrigação, responderá o devedor pelas perdas e danos decorrentes 
do inadimplemento, cumulado com juros e honorários advocatícios. O devedor será 
considerado em mora quando não efetuar o pagamento. Por outro lado, se o credor 
se recusar a recebê-lo no tempo e forma estabelecidos no contrato. 
MORA DO DEVEDOR (SOLVENDI, DEBITORIS) 
EX RE Também denominada de mora automática, depende de um 
fato previsto em lei ou no contrato. 
EX PERSONA Também denominada de mora pendente, depende de uma 
providência do credor. Assim, exige a notificação do 
devedor, judicial ou extrajudicial 
MORA DO 
CREDOR 
(ACCIPIENDI, 
CREDITORIS) 
 
Recusa (do credor) em aceitar o cumprimento da obrigação. 
 
69 
 
 
CLÁUSULA PENAL 
Trata-se de obrigação acessória que as partes poderão estipular pena ou multa 
destinada a evitar o inadimplemento da obrigação principal ou o retardamento. 
CLÁUSULA PENAL 
MORATÓRIA 
É estipulada para sancionar o devedor quando houver mora 
no cumprimento da obrigação. 
 
CLÁUSULA PENAL 
COMPENSATÓRIA 
 
As partes acordam que, no caso de inadimplemento total da 
obrigação, a parte devedora será responsabilizada pelo 
pagamento da cláusula penal compensatória, que tem o 
intuito exatamente de compensar o inadimplemento ou 
substituir 
ARRAS 
É o sinal que se dá por ocasião da celebração do contrato, quando uma das partes 
oferecer, à título de arras, dinheiro ou outro bem móvel, com a finalidade de garantir 
o cumprimento do contrato. Não haverá direito a indenização suplementar 
ARRAS 
CONFIRMATÓRIAS 
Possuem uma tríplice função: confirmar o contrato que passa 
a ser obrigatório, antecipar o pagamento e fixar, previamente, 
eventuais perdas e danos. 
ARRAS 
PENITENCIAIS 
Ocorrem sempre que as partes, no contrato preliminar 
concederam-se o direito de se arrepender. 
EXTINÇÃO 
SEM 
PAGAMENTO 
Acontece nos casos de remissão (perdão), prescrição ou 
decadência, advento do termo 
JUDICIAL Por meio de execução forçada 
 
70 
QUESTÕES COMENTADAS 
Questão 1 
XXXI EXAME DE ORDEM – FGV – 2020: Jacira mora em um apartamento alugado, sendo a 
locação garantida por fiança prestada por seu pai, José. Certa vez, Jacira conversava com sua 
irmã Laura acerca de suas dificuldades financeiras, e declarou que temia não ser capaz de pagar 
o próximo aluguel do imóvel. Compadecida da situação da irmã, Laura procurou o locador do 
imóvel e, na data de vencimento do aluguel, pagou, em nome próprio, o valor devido por Jacira, 
sem oposição desta. 
Nesse cenário, em relação ao débito do aluguel daquele mês, assinale a afirmativa correta. 
a) Laura, como terceira interessada, sub-rogou-se em todos os direitos que o locador tinha em 
face de Jacira, inclusive a garantia fidejussória. 
b) Laura, como terceira não interessada, tem apenas direito de regresso em face de Jacira. 
c) Laura, como devedora solidária, sub-rogou-se nos direitos que o locador tinha em face de 
Jacira, mas não quanto à garantia fidejussória. 
d) Laura, tendo realizado mera liberalidade, não tem qualquer direito em face de Jacira. 
 
Comentário: 
Laura tem direito a reaver o que pagou, mas não se sub-roga nos direitos do credor, eis 
que é terceira não interessada, conforme o art. 305: “O terceiro não interessado, que paga 
a dívida em seu próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-
roga nos direitos do credor” 
 
 
Questão 2 
 
71 
XXX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019: Lucas, interessado na aquisição de um carro seminovo, 
procurou Leonardo, que revende veículos usados. 
Ao final das tratativas, e para garantir que o negócio seria fechado, Lucas pagou a Leonardo um 
percentual do valor do veículo, a título de sinal. Após a celebração do contrato, porém, Leonardo 
informou a Lucas que, infelizmente, o carro que haviam negociado já havia sido prometido 
informalmente para um outro comprador, velho amigo de Leonardo, motivo pelo qual Leonardo 
não honraria a avença. 
Frustrado, diante do inadimplemento de Leonardo, Lucas procurou você, como advogado(a), 
para orientá-lo. 
Nesse caso, assinale a opção que apresenta a orientação dada. 
 
a) Leonardo terá de restituir a Lucas o valor pago a título de sinal, com atualização monetária, 
juros e honorários de advogado, mas não o seu equivalente. 
b) Leonardo terá de restituir a Lucas o valor pago a título de sinal, mais o seu equivalente, com 
atualização monetária, juros e honorários de advogado. 
c)Leonardo terá de restituir a Lucas apenas metade do valor pago a título de sinal, pois informou, 
tão logo quanto possível, que não cumpriria o contrato. 
d) Leonardo não terá de restituir a Lucas o valor pago a título de sinal, pois este é computado 
como início de pagamento, o qual se perde em caso de inadimplemento. 
 
Comentário: 
Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, 
retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o 
contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária 
 
72 
segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado. É o 
que dispõe o art. 418 do CC. 
 
Questão 3 
XXVII EXAME DE ORDEM – FGV - 2018: Renata financiou a aquisição de seu veículo em 36 
parcelas e vinha pagando pontualmente todas as prestações. Entretanto, a recente perda de seu 
emprego fez com que não conseguisse manter em dia a dívida, tendo deixado de pagar, 
justamente, as duas últimas prestações (35ª e 36ª). 
O banco que financiou a aquisição, diante do inadimplemento, optou pela resolução do contrato 
Tendo em vista o pagamento das 34 parcelas anteriores, pode-se afirmar que a conduta da 
instituição financeira viola o princípio da boa-fé, em razão do(a) 
a) dever de mitigar os próprios danos. 
b) proibição de comportamento contraditório (venire contra factum proprium). 
c) adimplemento substancial. 
d) dever de informar. 
 
Comentário: 
Enunciado 361 da IV Jornada de Direito Civil: 
361 - O adimplemento substancial decorre dos princípios gerais contratuais, de modo a 
fazer preponderar a função social do contrato e o princípio da boa-fé objetiva, balizando 
a aplicação do art. 475. 
O adimplemento substancial ocorre quando há o cumprimento relevante do contrato, com 
mora insignificante, podendo afastar a alegação de exceção do contrato não cumprido. 
 
 
 
73 
Questão 4 
XXVI EXAME DE ORDEM – FGV - 2018: Lúcio, comodante, celebrou contrato de comodato com 
Pedro, comodatário, no dia 1º de outubro de 2016, pelo prazo de dois meses. O objeto era um 
carro da marca Y no valor de R$ 30.000,00. A devolução do bem deveria ser feita na cidade Alfa, 
domicílio do comodante, em 1º de dezembro de 2016. Pedro, no entanto, não devolveu o bem 
na data marcada e resolveuviajar com amigos para o litoral até a virada do ano. Em 1º de 
janeiro de 2017, desabou um violento temporal sobre a cidade Alfa, e Pedro, ao voltar da 
viagem, encontra o carro destruído. 
Com base nos fatos narrados, sobre a posição de Lúcio, assinale a afirmativa correta. 
A) Fará jus a perdas e danos, visto que Pedro não devolveu o carro na data prevista. 
B) Nada receberá, pois o perecimento se deu em razão de fato fortuito ou de força maior. 
C) Não terá direito a perdas e danos, pois cedeu o uso do bem a Pedro. 
D) Receberá 50% do valor do bem, pois, por fato inimputável a Pedro, o bem não foi devolvido. 
 
Comentário: 
A mora é uma alternativa criada pela lei para evitar o imediato inadimplemento, quando 
do atraso do cumprimento da obrigação. Sobre a mora incidem juros legais ou 
convencionais de atraso (que não se confundem com os juros de inadimplemento). Os 
juros legais buscam compensar o credor pelo atraso e os inconvenientes daí percebidos, 
possibilitando a purgação da mora. 
De acordo com o art. 399 do CC, o devedor em mora responde pela impossibilidade da 
prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes 
ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano sobreviria 
ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada. 
 
 
74 
Questão 5 
XXVI EXAME DE ORDEM – FGV - 2018: Paula é credora de uma dívida de R$ 900.000,00 
assumida solidariamente por Marcos, Vera, Teresa, Mirna, Júlio, Simone, Úrsula, Nestor e Pedro, 
em razão de mútuo que a todos aproveita. Antes do vencimento da dívida, Paula exonera Vera 
e Mirna da solidariedade, por serem amigas de longa data. Dois meses antes da data de 
vencimento, Júlio, em razão da perda de seu emprego, de onde provinha todo o sustento de 
sua família, cai em insolvência. Ultrapassada a data de vencimento, Paula decide cobrar a dívida. 
Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta. 
A) Vera e Mirna não podem ser exoneradas da solidariedade, eis que o nosso ordenamento 
jurídico não permite renunciar a solidariedade de somente alguns dos devedores. 
B) Se Marcos for cobrado por Paula, deverá efetuar o pagamento integral da dívida e, 
posteriomente, poderá cobrar dos demais as suas quotas-partes. A parte de Júlio será rateada 
entre todos os devedores solidários, inclusive Vera e Mirna. 
C) Se Simone for cobrada por Paula deverá efetuar o pagamento integral da dívida e, 
posteriomente, poderá cobrar dos demais as suas quotas-partes, inclusive Júlio. 
D) Se Mirna for cobrada por Paula, deverá efetuar o pagamento integral da dívida e, 
posteriomente, poderá cobrar as quotas-partes dos demais. A parte de Júlio será rateada entre 
todos os devedores solidários, com exceção de Vera. 
 
 
Comentário: 
O art. 283 do CC informa que o devedor que satisfez a dívida por inteiro (Marcos) tem 
direito a exigir de cada um dos codevedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a 
do insolvente (Júlio), se o houver, presumindo-se iguais, no débito, as partes de todos os 
codevedores. Art. 284, CC: No caso de rateio entre os codevedores, contribuirão também os 
 
75 
exonerados da solidariedade pelo credor (Vera e Mirna), pela parte que na obrigação incumbia 
ao insolvente (Júlio). 
Questão 6 
XXV EXAME DE ORDEM – FGV - 2018: Em 05 de dezembro de 2016, Sérgio, mediante contrato 
de compra e venda, adquiriu de Fernando um computador seminovo (ano 2014) da marca Massa 
pelo valor de R$ 5.000,00. O pagamento foi integralizado à vista, no mesmo dia, e foi previsto 
no contrato que o bem seria entregue em até um mês, devendo Fernando contatar Sérgio, por 
telefone, para que este buscasse o computador em sua casa. No contrato, também foi prevista 
multa de R$ 500,00 caso o bem não fosse entregue no prazo combinado. 
Em 06 de janeiro de 2017, Sérgio, muito ansioso, ligou para Fernando perguntando pelo 
computador, mas teve como resposta que o atraso na entrega se deu porque a irmã de 
Fernando, Ana, que iria trazer um computador novo para ele do exterior, tinha perdido o voo e 
só chegaria após uma semana. Por tal razão, Fernando ainda dependia do computador antigo 
para trabalhar e não poderia entregá-lo de imediato a Sérgio. 
Acerca dos fatos narrados, assinale a afirmativa correta. 
A) Sérgio poderá exigir de Fernando a execução específica da obrigação (entrega do bem) ou a 
cláusula penal de R$ 500,00, não podendo ser cumulada a multa com a obrigação principal. 
B) Sérgio poderá exigir de Fernando a execução específica da obrigação (entrega do bem) 
simultaneamente à multa de R$ 500,00, tendo em vista ser cláusula penal moratória. 
c) Sérgio somente poderá exigir de Fernando a execução específica da obrigação (entrega do 
bem), não a multa, pois o atraso foi por culpa de terceiro (Ana), e não de Fernando. 
D) Sérgio somente poderá exigir de Fernando a cláusula penal de R$ 500,00, não a execução 
específica da obrigação (entrega do bem), que depende de terceiro (Ana). 
 
 
 
 
76 
Comentário: 
Se trata de mora, inadimplemento relativo, segundo o art. 411: “Quando se estipular a 
cláusula penal para o caso de mora, ou em segurança especial de outra cláusula determinada, 
terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada, juntamente com o desempenho 
da obrigação principal”. 
Questão 7 
XXV EXAME DE ORDEM – FGV - 2018: Arlindo, proprietário da vaca Malhada, vendeu-a a seu 
vizinho, Lauro. Celebraram, em 10 de janeiro de 2018, um contrato de compra e venda, pelo 
qual Arlindo deveria receber do comprador a quantia de R$ 2.500,00, no momento da entrega 
do animal, agendada para um mês após a celebração do contrato. Nesse interregno, contudo, 
para surpresa de Arlindo, Malhada pariu dois bezerros. 
Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Os bezerros pertencem a Arlindo. 
B) Os bezerros pertencem a Lauro. 
C) Um bezerro pertence a Arlindo e o outro, a Lauro. 
D) Deverá ser feito um sorteio para definir a quem pertencem os bezerros. 
 
Comentário: 
De acordo com o art. 237 do CC, Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os 
seus melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não 
anuir, poderá o devedor resolver a obrigação 
 
 
 
77 
Questão 8 
XXIV EXAME DE ORDEM – FGV - 2017: André, Mariana e Renata pegaram um automóvel 
emprestado com Flávio, comprometendo-se solidariamente a devolvê-lo em quinze dias. Ocorre 
que Renata, dirigindo acima do limite de velocidade, causou um acidente que levou à destruição 
total do veículo. 
Assinale a opção que apresenta os direitos que Flávio tem diante dos três. 
 
A) Pode exigir, de qualquer dos três, o equivalente pecuniário do carro, mais perdas e danos. 
B) Pode exigir, de qualquer dos três, o equivalente pecuniário do carro, mas só pode exigir 
perdas e danos de Renata. 
C) Pode exigir, de cada um dos três, um terço do equivalente pecuniário do carro e das perdas 
e danos. 
D) Pode exigir, de cada um dos três, um terço do equivalente pecuniário do carro, mas só pode 
exigir perdas e danos de Renata. 
 
Comentário: 
Conforme preceitua o art. 279 do CC, impossibilitando-se a prestação por culpa de um 
dos devedores solidários, subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente; mas 
pelas perdas e danos só responde o culpado. 
Questão 9 
XXII EXAME DE ORDEM – FGV - 2017: Antônio, vendedor, celebrou contrato de compra e 
venda com Joaquim, comprador, no dia 1º de setembro de 2016, cujo objeto era um carro da 
marca X no valor de R$ 20.000,00, sendo o pagamento efetuado à vista na data de assinatura 
do contrato. Ficou estabelecido ainda que a entrega do bem seria feita 30 dias depois, em 1º 
de outubro de 2016, na cidade do Rio de Janeiro, domicílio do vendedor. Contudo, no dia 25 
 
78 
de setembro, uma chuva torrencial inundou diversos bairros da cidade e o carro foi destruído 
pela enchente, com perda total.Considerando a descrição dos fatos, Joaquim 
A) não faz jus à devolução do pagamento de R$ 20.000,00. 
B) terá direito à devolução de 50% do valor, tendo em vista que Antônio, vendedor, não teve 
culpa. 
C) terá direito à devolução de 50% do valor, tendo em vista que Antônio, vendedor, teve culpa. 
D) terá direito à devolução de 100% do valor, pois ainda não havia ocorrido a tradição no 
momento do perecimento do bem. 
 
Comentário: 
De acordo com o art. 232 do CC , se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, 
sem culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a 
obrigação para ambas as partes; se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo 
equivalente e mais perdas e danos. 
Questão 10 
XXII EXAME DE ORDEM – FGV - 2017: Festas Ltda., compradora, celebrou, após negociações 
paritárias, contrato de compra e venda com Chocolates S/A, vendedora. O objeto do contrato 
eram 100 caixas de chocolate, pelo preço total de R$ 1.000,00, a serem entregues no dia 1º de 
novembro de 2016, data em que se comemorou o aniversário de 50 anos de existência da 
sociedade. No contrato, estava prevista uma multa de R$ 1.000,00 caso houvesse atraso na 
entrega. Chocolates S/A, devido ao excesso de encomendas, não conseguiu entregar as caixas 
na data combinada, mas somente dois dias depois. Festas Ltda., dizendo que a comemoração 
já havia acontecido, recusou-se a receber e ainda cobrou a multa. Por sua vez, Chocolates S/A 
não aceitou pagar a multa, afirmando que o atraso de dois dias não justificava sua cobrança e 
que o produto vendido era o melhor do mercado. Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa 
correta. 
 
79 
A) Festas Ltda. tem razão, pois houve o inadimplemento absoluto por perda da utilidade da 
prestação e a multa é uma cláusula penal compensatória. 
B) Chocolates S/A não deve pagar a multa, pois a cláusula penal, quantificada em valor idêntico 
ao valor da prestação principal, é abusiva. 
C) Chocolates S/A adimpliu sua prestação, ainda que dois dias depois, razão pela qual nada 
deve a título de multa. 
D) Festas Ltda. só pode exigir 2% de multa (R$ 20,00), teto da cláusula penal, segundo o Código 
de Defesa do Consumidor. 
 
Comentário: 
Código Civil: 
Art. 409. A cláusula penal estipulada conjuntamente com a obrigação, ou em ato posterior, 
pode referir-se à inexecução completa da obrigação, à de alguma cláusula especial ou 
simplesmente à mora. 
Art. 410. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da 
obrigação, esta converter-se-á em alternativa a benefício do credor. 
Art. 412. O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação 
principal. 
O valor previsto na cláusula penal equivale ao valor da obrigação principal. Diante do 
atraso de dois dias no cumprimento da obrigação, e já tendo passado a comemoração, houve 
um inadimplemento absoluto por perda da utilidade da prestação, sendo a multa uma cláusula 
penal compensatória, tendo razão a Festas Ltda. em não receber as caixas e cobrar a multa. 
 
80 
GABARITO 
 
Questão 1 – ALTERNATIVA B 
Questão 2 – ALTERNATIVA B 
Questão 3 – ALTERNATIVA C 
Questão 4 – ALTERNATIVA A 
Questão 5 – ALTERNATIVA B 
Questão 6 – ALTERNATIVA B 
Questão 7 – ALTERNATIVA A 
Questão 8 – ALTERNATIVA B 
Questão 9 – ALTERNATIVA D 
Questão 10 – ALTERNATIVA A 
 
 
 
81 
QUESTÃO DESAFIO 
Joana e Letícia firmaram contrato no qual foi estipulada uma 
cláusula penal moratória. Nesse sentido, Letícia incorreu em mora 
por sua parte, razão pela qual Joana ajuizou demanda no sentido 
de buscar os valores referentes à cláusula penal, bem como os 
valores dos lucros cessantes efetivamente sofridos. Em sua defesa, 
Letícia argumenta quanto à impossibilidade de cumulação da 
cláusula penal com os lucros cessantes, já que decorrem do mesmo 
fato. Nesse sentido, é possível afirmar que o argumento de defesa 
de Letícia merece prosperar? 
Máximo de 5 linhas 
 
82 
GABARITO QUESTÃO DESAFIO 
O argumento não merece prosperar, uma vez que cláusula penal moratória não é estipulada 
para compensar o inadimplemento nem para substituir o adimplemento. Nessa toada, o 
STJ já afirmou quanto à possibilidade de cumulação de pedidos dessa natureza. 
Você deve ter abordado necessariamente os seguintes itens em sua resposta: 
 Cláusula Penal moratória não compensa inadimple. 
No caso de mora ou inadimplemento parcial, é denominada multa moratória enquanto, no caso 
de inexecução total obrigacional, é chamada multa compensatória, de acordo com o art. 409 do 
CC. Na esteira da melhor doutrina e jurisprudência, apenas a multa compensatória tem a função 
de antecipar as perdas e danos. Conforme se extrai de julgamento do Superior Tribunal de 
Justiça, “enquanto a cláusula penal compensatória funciona como prefixação das perdas e danos, 
a cláusula penal moratória, cominação contratual de uma multa para o caso de mora, serve 
apenas como punição pelo retardamento no cumprimento da obrigação. A cláusula penal 
moratória, portanto, não compensa o inadimplemento, nem substitui o adimplemento, não 
interferindo na responsabilidade civil correlata, que é decorrência natural da prática de ato lesivo 
ao interesse ou direito de outrem. Assim, não há óbice a que se exija a cláusula penal moratória 
juntamente com o valor referente aos lucros cessantes” (STJ, REsp 1.355.554/RJ, Rel. Min. Sidnei 
Beneti, j. 06.12.2012, publicado no seu Informativo n. 513). (Manual de direito civil: volume único 
/ Flávio Tartuce. 7. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017. 
pág 319). Quanto a norma supra citada (Código Civil): Art. 409. A cláusula penal estipulada 
conjuntamente com a obrigação, ou em ato posterior, pode referir-se à inexecução completa 
da obrigação, à de alguma cláusula especial ou simplesmente à mora. 
 Pode haver a cumulação. 
Já que a razão que dá ensejo a cláusula penal moratória não é a mesma da compensatória, 
não há impossibilidade de cumulação. Ao revés, é esse o entendimento do STJ: DIREITO CIVIL. 
PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL EM CONSTRUÇÃO. INADIMPLEMENTO PARCIAL. 
ATRASO NA ENTREGA DO IMÓVEL. MORA. CLÁUSULA PENAL. PERDAS E DANOS. CUMULAÇÃO. 
 
83 
POSSIBILIDADE. 1.- A obrigação de indenizar é corolário natural daquele que pratica ato lesivo 
ao interesse ou direito de outrem. Se a cláusula penal compensatória funciona como pre-fixação 
das perdas e danos, o mesmo não ocorre com a cláusula penal moratória, que não compensa 
nem substitui o inadimplemento, apenas pune a mora. 2.- Assim, a cominação contratual de 
uma multa para o caso de mora não interfere na responsabilidade civil decorrente do retardo 
no cumprimento da obrigação que já deflui naturalmente do próprio sistema. 3.- O promitente 
comprador, em caso de atraso na entrega do imóvel adquirido pode pleitear, por isso, além da 
multa moratória expressamente estabelecida no contrato, também o cumprimento, mesmo que 
tardio da obrigação e ainda a indenização correspondente aos lucros cessantes pela não fruição 
do imóvel durante o período da mora da promitente vendedora. 4.- Recurso Especial a que se 
nega provimento. (REsp 1355554/RJ, Rel. Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 
06/12/2012, DJe 04/02/2013). 
 
84 
LEGISLAÇÃO COMPILADA 
Teoria Geral das Obrigações 
 CC: Arts. 233 a 420; 
 Súmula Vinculante: 7. 
 Súmulas: 30, 54, 72, 380, 382, 472, 539, 541, STJ; 121, STF 
Representação 
 CC: Arts. 115 a 120; 
Atos Unilaterais 
 CC: Arts. 854 a 886;. 
 
 
Teoria Geral das Obrigações 
 Súmula Vinculante 7 
A norma do § 3º do artigo 192 da Constituição, revogada pela Emenda Constitucional 40/2003, que limitava a taxa 
de juros reais a 12% ao ano, tinha sua aplicação condicionada à edição de lei complementar. 
 Súmula 30, STJ 
A comissão de permanência e a correção monetária são inacumuláveis. 
 Súmula 54, STJOs juros moratorios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual. 
 Súmula 72, STJ: 
A comprovação da mora é imprescindível à busca e apreensão do bem alienado fiduciariamente. 
 Súmula 380, STJ 
A simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a caracterização da mora do autor. 
 
85 
 Súmula 382, STJ 
A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica abusividade 
 Súmula 472, STJ 
A cobrança de comissão de permanência – cujo valor não pode ultrapassar a soma dos encargos remuneratórios 
e moratórios previstos no contrato – exclui a exigibilidade dos juros remuneratórios, moratórios e da multa 
contratual. 
 Súmula 539, STJ: 
É permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior à anual em contratos celebrados com instituições 
integrantes do Sistema Financeiro Nacional a partir de 31/3/2000 (MP n. 1.963-17/2000, reeditada como MP n. 
2.170-36/2001), desde que expressamente pactuada. 
 Súmula 541, STJ: 
A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir 
a cobrança dataxa efetiva anual contratada. 
 Súmula 121, STF. 
É vedada a capitalização de juros, ainda que expressamente convencionada. 
 
86 
JURISPRUDÊNCIA 
Teoria Geral das Obrigações 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1.406.487-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 4/8/2015 
(Info 566). 
A dívida de jogo contraída em casa de bingo é inexigível, ainda que seu funcionamento tenha sido autorizado pelo 
Poder Judiciário. 
A lei exige mais do que uma aparência de licitude, exige autorização legal, o que não se verifica na hipótese em 
tela. Ademais, as decisões liminares, como se sabe, têm caráter precário, correndo por conta e risco do requerente 
os danos decorrentes da reversibilidade da medida, não havendo falar, portanto, em direito adquirido. 
 Informativo 577, STJ: 
Cálculo das arras confirmatórias e desproporção entre a quantia paga inicialmente e o preço ajustado: se a 
proporção entre a quantia paga inicialmente e o preço total ajustado evidenciar que o pagamento inicial englobava 
mais do que o sinal, não se pode declarar a perda integral daquela quantia inicial como se arras confirmatórias 
fosse, sendo legítima a redução equitativa do valor a ser retido. STJ. 
 Informativo 613, STJ: 
Na hipótese de inexecução do contrato, revela-se inadmissível a cumulação das arras com a cláusula penal 
compensatória, sob pena de ofensa ao princípio do non bis in idem. Ex: João celebrou contrato de promessa de 
compra e venda com uma incorporadora imobiliária para aquisição de um apartamento. João comprometeu-se a 
pagar 80 parcelas de R$ 3 mil e, em troca, receberia um apartamento. No início do contrato, João foi obrigado a 
pagar R$ 20 mil a título de arras. No contrato, havia uma cláusula penal compensatória prevendo que, em caso de 
inadimplemento por parte de João, a incorporadora poderia reter 10% das prestações que foram pagas por ele. 
Trata-se de cláusula penal compensatória. Suponhamos que, após pagar 30 parcelas, João tenha parado de pagar 
as prestações. Neste caso, João perderá apenas as arras, mas não será obrigado a pagar também a cláusula penal 
compensatória. Não é possível a cumulação da perda das arras com a imposição da cláusula penal compensatória. 
Logo, decretada a rescisão do contrato, fica a incorporadora autorizada a apenas reter o valor das arras, sem direito 
à cláusula penal. STJ. 3ª Turma. REsp 1.617.652-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 26/09/2017. 
 
 
 Informativo 619, STJ: 
 
87 
Pedido para analisar se existe mesmo o débito não pode ser considerado ato que interrompe a prescrição (art. 202, 
VI, do CC) O pedido de concessão de prazo para analisar documentos com o fim de verificar a existência de débito 
não tem o condão de interromper a prescrição. STJ. 3ª Turma. REsp 1.677.895-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado 
em 06/02/2018 
 Informativo 627, STJ: 
Constatado o caráter manifestamente excessivo da cláusula penal contratada, o magistrado deverá, 
independentemente de requerimento do devedor, proceder à sua redução. Fundamento: CC/Art. 413. A penalidade 
deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante 
da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio. STJ. 4ª Turma. 
REsp 1.447.247-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 19/04/2018 
 Informativo 619, STJ: 
O pedido de concessão de prazo para analisar documentos com o fim de verificar a existência de débito não tem 
o condão de interromper a prescrição. STJ. 3ª Turma.REsp 1677895-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 
06/02/2018 
 Informativo 629, STJ: 
A mera notícia de decisão judicial determinando a indisponibilidade forçada dos bens do réu, no cerne de outro 
processo, com objeto e partes distintas, não possui o condão de interromper a incidência dos juros moratórios. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.740.260-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 26/06/2018. 
 Informativo 651, STJ: 
A cláusula penal moratória tem a finalidade de indenizar pelo adimplemento tardio da obrigação, e, em regra, 
estabelecida em valor equivalente ao locativo, afasta-se sua cumulação com lucros cessantes. STJ. 2ª Seção. REsp 
1.498.484-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 22/05/2019 (recurso repetitivo). 
 Informativo 651, STJ: 
Na dação em pagamento de imóvel sem cláusula que disponha sobre a propriedade das árvores de reflorestamento, 
a transferência do imóvel inclui a plantação. STJ. 4ª Turma. REsp 1.567.479-PR, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 
11/06/2019. 
 Informativo 653, STJ: 
É válida a cláusula penal que prevê a perda integral dos valores pagos em contrato de compromisso de compra e 
venda firmado entre particulares. Para a caracterização do vício de lesão, exige-se a presença simultânea de: a) 
elemento objetivo (desproporção das prestações); e b) elemento subjetivo (a inexperiência ou a premente 
necessidade). Os dois elementos devem ser aferidos no caso concreto. Tratando-se de negócio jurídico bilateral 
celebrado de forma voluntária entre particulares, é imprescindível a comprovação dos elementos subjetivos, sendo 
 
88 
inadmissível a presunção nesse sentido. O mero interesse econômico em resguardar o patrimônio investido em 
determinado negócio jurídico não configura premente necessidade para o fim do art. 157 do Código Civil. 
 Informativo 655, STJ: 
Se o FIDC for cessionário de título de crédito de um banco, ele pode cobrar a mesma taxa de juros porque esse 
fundo se amolda à definição legal de instituição financeira. Os Fundos de Investimento em Direito Creditório - 
FIDCs amoldam-se à definição legal de instituição financeira e não se sujeitam à incidência da limitação de juros 
da Lei da Usura. 
 
 
89 
MAPA MENTAL 
 
 
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91 
 
 
92 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
CAVALCANTE, Márcio André Lopes – VADE MECUM DE JURISPRUDÊNCIA DIZER O DIREITO. Juspodvim. 2017. 
DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. Teoria Geral do Direito. V. 1. 2018. Saraiva: São Paulo. 
GOUVEIA, Mila. INFORMATIVOS EM FRASE. Juspodvim. Salvador, 2017. 
TARTUCE, Flávio. Manual de direito civil: volume único – 8. ed. rev, atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São 
Paulo: MÉTODO, 2018. 
 
	DIREITO CIVIL
	Capítulo 3
	8. Teria Geral das Obrigações
	7.
	8.
	8.1 Conceito
	8.2 Elementos Constitutivos
	8.2.1 Elemento Subjetivo
	8.2.2 Elemento Objetivo (ou material)
	8.2.3 Elemento Imaterial ou Vínculo Jurídico
	8.3 Fontes das Obrigações
	8.4 Classificação das Obrigações
	8.4.1 Obrigação de Dar
	8.4.1.1 Obrigação de Dar Coisa Certa
	8.4.1.2 Obrigação de Dar Coisa Incerta
	8.4.1.3 Obrigação Pecuniária
	8.4.2 Obrigação de Fazer
	8.4.2.1 Obrigação de Fazer Fungível
	8.4.2.2 Obrigação de Fazer Infungível (personalíssimaou intuitu personae)
	8.4.3 Obrigação de Não Fazer
	8.4.4 Obrigações quanto a seus elementos
	8.4.4.1 Solidariedade Ativa:
	8.4.4.2 Solidariedade Passiva:
	8.4.5 Outras Modalidades de Obrigação:
	8.4.6 Outras Classificações
	8.5 Espécies de Obrigações segundo a Doutrina
	8.5.1 Obrigações Propter Rem
	8.5.2 Obrigações Naturais
	7
	8
	8.1
	8.2
	8.3
	8.4
	8.5
	8.6 Da transmissão das obrigações
	8.6.1 Cessão de crédito (artigo 286 a 298)
	8.6.2 Assunção de dívida (Artigos 299 a 303)
	8.7 Adimplemento das Obrigações
	8.7.1 Pagamento Direto
	8.7.2 Formas Especiais de Pagamento
	8.7.2.1 Pagamento em Consignação:
	8.7.2.2 Pagamento com Sub-rogação:
	8.7.2.3 Imputação do Pagamento:
	8.7.3 Pagamento Indireto
	8.7.3.1 Dação em Pagamento
	8.7.3.2 Novação
	8.7.3.3 Compensação
	8.7.3.4 Confusão
	8.7.3.5 Remissão
	8.8 Inadimplemento das obrigações (Responsabilidade civil contratual)
	8.8.1 Cláusula penal
	8.8.1.1 Cláusula penal moratória
	8.8.1.2 Cláusula penal compensatória
	8.8.2 Arras
	8.9 Extinção das Obrigações
	9. Da Representação e Atos Unilaterais
	9.1 Da representação
	9.1.1 Conceito
	9.1.2 Espécies
	9.1.3 Dos representantes
	9.1.4 Regras do Instituto da Representação
	9.1.5 Contrato consigo mesmo (autocontrato – art. 117, CC)
	9.2 Dos Atos Unilaterais
	9.2.1 Conceito
	9.2.2 Da promessa de recompensa
	9.2.3 Da gestão de negócios
	9.2.4 Do pagamento indevido
	9.2.5 Do enriquecimento sem causa
	QUADRO SINÓTICO
	QUESTÕES COMENTADAS
	GABARITO
	QUESTÃO DESAFIO
	GABARITO QUESTÃO DESAFIO
	LEGISLAÇÃO COMPILADA
	JURISPRUDÊNCIA
	MAPA MENTAL
	REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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