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DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
INTRODUÇÃO AO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
RELAÇÃO JURÍDICA OBRIGACIONAL
 CONCEITO DE OBRIGAÇÃO – Uma obrigação é uma relação jurídica que irá vincular dois ou mais sujeitos determinados, de modo que um deverá cumprir uma ou mais prestações, sejam essas de dar, fazer ou não fazer. É um vínculo que se forma entre dois ou mais sujeitos que irão manifestar vontade com a finalidade de alcançar interesse próprio (existencial ou patrimonial). Interesse existencial (como, por exemplo, a cessão do direito de imagem), neste caso, há também um interesse patrimonial. 
 OBJETOS – BEM JURÍDICO: Os objetos serão sempre representados por bens jurídicos (um bem da vida). O interesse existencial é um bem jurídico. Assim, como o é também um interesse patrimonial, num contrato de compra e venda de um imóvel. 
 LIVRO I DA PARTE ESPECIAL – O Livro I da Parte Geral – é o livro da pessoa; o Livro II da Parte Geral – é o livro dos bens; o Livro III da Parte Geral – é o livro dos fatos jurídicos; o Livro I da Parte Especial – é o livro do Direito das Obrigações. É a parte mais importante da parte especial. Não é por acaso que ele é o primeiro livro da parte especial. 
 FONTE PRIMÁRIA DAS OBRIGAÇÕES – NEGÓCIO JURÍDICO - Negócio jurídico é a fonte primária das obrigações. 
 SUJEITOS DA RELAÇÃO OBRIGACIONAL. 
- PASSIVO (tem um dever jurídico) – é o devedor. Que é aquele sujeito que tem a obrigação de satisfazer a prestação ajustada. 
- ATIVO (tem um direito subjetivo) – é o credor. Que é aquele que tem o direito subjetivo de receber a prestação ajustada. 
 CONTRATOS BILATERAIS – Os sujeitos são credores e devedores simultaneamente. Ex. Professor é devedor das aulas e credor dos valores referentes à aula. Ele é credor e devedor ao mesmo.
 OBJETO DA RELAÇÃO – O objeto da relação jurídica obrigacional será uma prestação de dar fazer (positiva), fazer (positiva) ou não fazer (negativa). Pode consistir na entrega ou restituição de coisas (na obrigação de dar); pode consistir na relação de uma atividade ou serviços (na obrigação de fazer); podem consistir numa abstenção de algo que lei permitia fazer, mas o credor opta por não realizar (não fazer). 
 RELAÇÃO JURÍDICA REAL X RELAÇÃO JURÍDICA OBRIGACIONAL
- Na relação obrigacional temos dois sujeitos determinados ou determináveis e uma prestação de dar, fazer e não fazer. A prestação é um dever específico que só pode ser exigido daquele devedor específico. Eficácia inter partes. 
- Na relação real temos um dever genérico (porque é imposto pela lei) consistente numa abstenção (deve se abster de atos que venham a violar os direitos do titular do direito real). Pode ser exigido de qualquer pessoa da coletividade que violar aquele direito. A eficácia é erga omnes. Ex. Direito de propriedade. 
 DISTINÇÕES 
- OBRIGAÇÃO – É uma relação jurídica que vincula dois ou mais sujeitos, sendo que um deles deve cumprir uma prestação que entre eles fora ajustada.
- DEVER – É diferente de obrigação. Dever jurídico é comportamento que pode ser exigido de alguém, seja esse comportamento positivo ou negativo. Este dever ele tem como característica a coercibilidade, ou seja, a possibilidade de o Estado impor de maneira coercitiva, aquele determinado comportamento. Isso porque a lei prevê uma sanção, caso haja o descumprimento daquela obrigação. São os comportamentos positivos ou negativos que podem ser exigidos de um determinado sujeito, que se não o cumprir estará adstrito a sofrer uma sanção imposta de maneira coercitiva pelo Estado. O dever é o comportamento para fazer com que a obrigação seja cumprida, ao passo que prestação é a própria coisa. 
A obrigação é algo mais amplo. Numa relação jurídica obrigacional serão estabelecidos deveres jurídicos para as partes. Esses deveres podem ser gerais para todos da coletividade (direitos reais e direitos da personalidade). Podem ser específicos para determinadas pessoas (eficácia entre as partes).
- ÔNUS – temos um comportamento facultado pela lei. Um comportamento que não é exigido, ele é facultado. Normalmente um comportamento positivo. É um comportamento facultado para que o sujeito possa alcançar uma situação jurídica que seja mais benéfica. Ex. Se você quiser adotar esse comportamento será bom pra você. Porém, se o sujeito não quiser (não haverá imposição de uma sanção). O descumprimento do ônus acarretará na aplicação de uma sanção (poderá ter consequências, contudo). A pessoa não alcançará a situação jurídica que lhe seria mais benéfica, porém, não sofrerá qualquer sanção. Ex1. Registro do título no CRI é modo de aquisição da propriedade imobiliária (art.1245 do CC). É um ônus. Se não levar à registro, só não alcanço uma situação mais favorável, que me revestirá da situação jurídica de proprietário. Que não registra não sofrerá nenhuma sanção. Ex2: Citação para se defender, porém, se defender não é um dever. O réu tem um ônus da apresentar defesa. Não apresentada a defesa não alcançará uma situação mais favorável, não afastando a presunção veracidade, haverá imposição do ônus da revelia. Ex3: Recorrer. Ninguém tem obrigação de recorrer. Porém, se não recorrer assumo o ônus de ter que arcar com a decisão de primeira instância. 
- SUJEIÇÃO – Na sujeição existe uma submissão ao poder alheio. Significa que quem está sujeito ao poder de outrem não terá qualquer prestação ou dever a ser cumprido. Quando estou em estado de sujeição (fico de braços cruzados, sujeito ao poder da outra parte com quem eu me relaciono) a outra parte tem o poder de alterar a minha situação, sem que eu possa fazer nada. Não tenho prestação a cumprir. A outra parte é quem decide o destino da nossa relação jurídica. Ele decide se cria, extingue ou modificar a nossa relação jurídica. 
 TEORIA DUALISTA - BRINZ
- HISTÓRICO – Remota ao ano de 1860 (surgiu na Alemanha), criada por Brinz. Ele sugeriu que fosse feita uma divisão na relação jurídica obrigacional. A seria o devedor e B o credor. Ele propõe fazer uma divisão (fração) na obrigação, de modo que possamos enxergar dois momentos na relação jurídica, a saber: 1ª (elemento) relação: débito (“Debitum” ou “Schuld”). 2º (elemento) momento responsabilidade (“Obligatio” ou “Haftung”). 
- DÉBITO (“Debitum” ou “Schuld”) - O débito seria um sinônimo do dever jurídico de se cumprir a obrigação ajustada (seja ela de dar, fazer ou não fazer). É um dever imposto ao devedor. Cumprido o débito teremos o adimplemento e não passaremos ao segundo momento. Não cumprido o débito teremos o inadimplemento. Quando o direito subjetivo de crédito credor é violado nasce a pretensão. Por isso, parte da doutrina chama a responsabilidade de pretensão. É o poder de exigir a prestação, caso ela não seja cumprida.
- RESPONSABILIDADE (“Obligatio” ou “Haftung”). Se o devedor não cumprisse a obrigação ajustada passaríamos ao 2º momento, que é a responsabilização. A responsabilização é a autorização de sanção, dada pelo ordenamento jurídico, para exigir a prestação do devedor por meio da invasão de seu PATRIMÔNIO. 
- RESPONSABILIZAÇÃO PATRIMONIAL - O devedor, via de regra, não poderá sofrer qualquer tipo de responsabilização pessoal (art.5º, LXVII, CF). Salvo a prisão do devedor de alimentos e a do depositário infiel (que o STF entendeu não ser aplicável). Para a doutrina majoritária, o fato de a CF ter permitido as exceções pessoais (prisão civil), a responsabilização é patrimonial. A dívida continua existindo mesmo depois da prisão. A prisão não tem caráter satisfativo. 
- CONTROLE DE CONVENCIONALIDADE – PRISÃO DO DEPÓSITÁRIO INFIEL – O STF (súmula vinculante 25) em controle de convencionalidade proibiu a prisão civil do depositário infiel. 
- Art.389 e 391 do CC – Além do texto constitucional, o art.389 e 391 são claras demonstrações da adoção da teoria dualista de Brinz. O art.389 do CC diz que não cumprido o débito, o devedor responde por perdas e danos. O art.391 do CC diz que não cumprido o débito, respondem todos os bens do devedor (resguardado o patrimônio mínimo). 
Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedoro pagamento, pode o credor exigi-lo imediatamente. CC
B) OBRIGAÇÃO DE EXECUÇÃO DIFERIDA: o pagamento ocorre de uma vez só no futuro. Cumprimento, no futuro, de uma vez só. Exemplo: pagamento com cheque pós-datado. 
C) OBRIGAÇÃO DE EXECUÇÃO CONTINUADA (TRATO SUCESSIVO): É aquela em que o com o cumprimento é feito por quotas periódicas. O cumprimento é por quotas periódicas. Exemplos: salário, aluguéis, alimentos, financiamentos em geral e dívidas condominiais.
OBS: VENCIMENTO ANTECIPADO DAS DÍVIDAS – Quando há risco de não recebimento haverá o vencimento antecipado da dívida. É possível que “B” e “C” se transformem em “A” pelo chamado “vencimento antecipado da obrigação” (CC, art. 333). 
- SITUAÇÕES QUE AUTORIZAM O VENCIMENTO ANTECIPADO (rol exemplificativo - CC, art. 333): I) Falência do devedor ou concurso de credores (inventário). II) Se os bens empenhados (penhor) ou hipotecados forem penhorados em execução proposta por outro credor. III) Cessação ou desaparecimento de garantia pessoal ou real, não havendo reforço. Exemplo: Morte do fiador; perecimento da coisa dada em garantia, etc. Também art.1445 do CC. 
 REGRAS ESPECIAIS DE PAGAMENTO E FORMAS DE PAGAMENTO INDIRETO 
- REGRAS ESPECIAIS DE PAGAMENTO: ATOS UNILATERAIS (DEPENDE DA CONDUTA DE APENAS UMA PESSOA): Divergência na doutrina, Flávio Tartuce entende que as regras especiais de pagamento são atos unilaterais. Tais regras são: Consignação; Imputação; Sub-rogação legal (que é regra especial e ao mesmo tempo pagamento indireto).
- FORMAS DE PAGAMENTO INDIRETO: ATOS BILATERAIS: Já as modalidades de pagamento indireto são atos bilaterais. Tais formas de pagamento indireto são: Sub-rogação convencional; Dação em pagamento; Novação; Compensação; Confusão; Remissão. 
PAGAMENTO EM CONSIGNAÇÃO OU CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO (CC, ARTS. 334 A 345)
 CONCEITO: Trata-se do depósito judicial ou extrajudicial, que é efetuado pelo devedor ou por terceiro, com o intuito de afastar os efeitos da mora ou do inadimplemento absoluto. 
- OBS: É instituto misto ou híbrido: direito material e processual (CPC, arts. 539 e seguintes – depósito extrajudicial: banco[footnoteRef:9]). O correto era que a consignação extrajudicial fosse regulada pelo CC e não no CPC. [9: Art. 539. Nos casos previstos em lei, poderá o devedor ou terceiro requerer, com efeito de pagamento, a consignação da quantia ou da coisa devida. § 1º Tratando-se de obrigação em dinheiro, poderá o valor ser depositado em estabelecimento bancário, oficial onde houver situado no lugar do pagamento, cientificando-se o credor por carta com aviso de recebimento, assinado o prazo de 10 (dez) dias para a manifestação de recusa. § 2º Decorrido o prazo do § 1º, contado do retorno do aviso de recebimento, sem a manifestação de recusa, considerar-se-á o devedor liberado da obrigação, ficando à disposição do credor a quantia depositada. § 3º Ocorrendo a recusa, manifestada por escrito ao estabelecimento bancário, poderá ser proposta, dentro de 1 (um) mês, a ação de consignação, instruindo-se a inicial com a prova do depósito e da recusa. § 4º Não proposta a ação no prazo do § 3º, ficará sem efeito o depósito, podendo levantá-lo o depositante. CPC] 
ROL EXEMPLIFICATIVO DE HIPÓTESE DE CABIMENTO DE CONSIGNAÇÃO – (CC, art. 335) – ADMITE OUTRAS SITUAÇÕES NÃO PREVISTAS EM LEI
- Incisos I e II: mora “accipiendi” ou “creditoris” (no recebimento). 
- Inciso III: incapacidade ((em sentido amplo) ou impossibilidade no recebimento pelo credor (ex. local incerto e não sabido; local perigoso; etc.). 
- Inciso IV: dúvida subjetiva ativa: ocorre nas hipóteses em que o devedor não sabe a quem pagar. Ex. falecimento do credor.
- Inciso V: pende litígio sobre o objeto do pagamento. Exemplo: duas pessoas disputam o imóvel locado. 
Art. 335. A consignação tem lugar: I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma; II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos; III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil; IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento; V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento. CC
 OBSERVAÇÃO DAS MESMAS REGRAS DO PAGAMENTO DIRETO - Para que a consignação tenha força de pagamento, devem ser observadas as mesmas regras do pagamento direto (art. 336 e 337 do CC): Partes; Objeto; Lugar; Tempo; Modo. 
Art. 336. Para que a consignação tenha força de pagamento, será mister concorram, em relação às pessoas, ao objeto, modo e tempo, todos os requisitos sem os quais não é válido o pagamento. Art. 337. O depósito requerer-se-á no lugar do pagamento, cessando, tanto que se efetue, para o depositante, os juros da dívida e os riscos, salvo se for julgado improcedente. CC
 É POSSÍVEL A CONSIGNAÇÃO DE PAGAMENTO PARA DISCUSSÃO DE DISCUTIR CLÁUSULA ABUSIVA NO CONTRATO. O STJ é possível se consignar o valor incontroverso e se discutir a validade de uma cláusula contratual na mesma ação. 
 CONSIGNAÇÃO E RECONHECIMENTO DA EXISTÊNCIA DO DÉBITO - O STJ entende que o devedor que propõe uma consignação extrajudicial ou judicial ele está reconhecendo o direito do credor. Nos termos do art.202, inciso VI, do CC, a consignação importa no reconhecimento inequívoco pelo devedor quando ao direito do credor. 
IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO (CC, ARTS. 352 A 355)
 CONCEITO: “Imputar”: Significar apontar ou indicar. Trata-se da indicação feita pelo devedor, pelo credor ou pela lei de qual dívida está sendo paga, havendo pluralidade de obrigações com mesmas partes. 
O direito de imputar cabe inicialmente ao devedor. 
 ORDEM PREFERENCIAL DE INDICAÇÃO – DEVEDOR, CREDOR E A LEI. Quem indica em primeiro lugar é o devedor, em segundo lugar o credor e em terceiro lugar é a lei. 
- Exemplo. Devedor A que deve 02 obrigações, sendo obrigação 01 de R$1.000,00 e obrigação 02 de R$2.000,00. Credor X. Se o devedor pagar R$1.500,00. A indicação do que está sendo pago ocorre da seguinte forma: 1º DEVEDOR; 2º CREDOR; 3º LEI (imputação legal): Para a lei, o pagamento será da seguinte forma: 1º juros; 2º dívida que venceu primeiro (dívida mais antiga); 3º dívida mais onerosa (em regra, é a de maior valor). 
- OBS: se houver identidade total entre as dívidas (a lei não responde), o pagamento é proporcional. Tinha, antigamente no Código Comercial. Ex. Duas dívidas de R$1.000,00 e paga R$1.000,00 haverá o pagamento de R$500,00 em cada dívida. 
Art. 352. A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um só credor, tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento, se todos forem líquidos e vencidos. Art. 353. Não tendo o devedor declarado em qual das dívidas líquidas e vencidas quer imputar o pagamento, se aceitar a quitação de uma delas, não terá direito a reclamar contra a imputação feita pelo credor, salvo provando haver ele cometido violência ou dolo. Art. 354. Havendo capital e juros, o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros vencidos, e depois no capital, salvo estipulação em contrário, ou se o credor passar a quitação por conta do capital. Art. 355. Se o devedor não fizer a indicação do art. 352, e a quitação for omissa quanto à imputação, esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. Se as dívidas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo, a imputação far-se-á na mais onerosa. CC
PAGAMENTO COM SUB-ROGAÇÃO (CC, ARTS. 346 A 351)
 CONCEITO: A palavra “sub-rogação” quer dizer substituição. Pode aparecer em outras disciplinas jurídicas. A substituição pode ser: 
- REAL (OBJETIVA) quando diz respeito a uma coisa que está substituindo. Ex. Troca de regime de bens no direito de família[footnoteRef:10]; substituição de um bem, etc. [10: Art. 1.639. É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos seus bens, o que lhes aprouver. (...) § 2 o É admissível alteração do regime de bens, mediante autorização judicial em pedido motivado de ambos os cônjuges,apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros. CC] 
- PESSOAL (SUBJETIVA) quando diz respeito a uma pessoa que está sendo substituída. Ela pode ser: SUB-ROGAÇÃO (PESSOAL) ATIVA (CREDOR): se houver substituição do credor. Na Teoria Geral das Obrigações, essa é a modalidade que interessa. OU SUB-ROGAÇAO (PESSOAL) PASSIVA (DEVEDOR): se houver substituição do devedor. 
- CONCEITO: É a transferência da qualidade de credor para aquele que pagou a obrigação (solveu a obrigação). 
- EFICÁCIA TRANSLATÍCIA X SUB-ROGAÇÃO REAL - Efeito ou eficácia translatícios de maneira integral (art.349 do CC). Ocorre a transferência de todos os direitos, ações e garantias para a pessoa que solveu a obrigação. Sub-rogação real ocorre quando houver a transferência de um ônus que recai de um bem para outro bem. 
- SUB-ROGAÇÃO (PESSOAL) ATIVA: É essa que interessa para o nosso estudo. Pelo pagamento com sub-rogação, há a substituição do credor primitivo por outro, MANTENDO-SE OS DEMAIS ELEMENTOS OBRIGACIONAIS (os acessórios da dívida (juros, cláusula penal, garantias e fiança)) (CC, art. 349). 
Art. 349. A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos, ações, privilégios e garantias do primitivo, em relação à dívida, contra o devedor principal e os fiadores. CC
 CLASSIFICAÇÃO DA SUB-ROGAÇÃO - A sub-rogação pode ser assim classificada:
A) SUB-ROGAÇÃO LEGAL, AUTOMÁTICA OU DE PLENO DIREITO (“pleno iure”) (está prevista no art. 346 do CC). É ato unilateral: regra especial de pagamento. Ela não depende de ninguém, por isso, é ato unilateral. Pagou, sub-rogou automaticamente, sem necessidade de intervenção e nenhuma pessoa. 
- TRÊS HIPÓTESES DE SUB-ROGAÇÃO LEGAL, A SABER (ART.346 DO CC): 
INCISO I: de credor que paga a dívida do devedor comum. Exemplo: “D” deve para “C1” (10 mil) e para “C2” (20 mil). “C1” paga para “C2” os 20 mil e, automaticamente, ocorre sub-rogação. Portanto, “C1” poderá cobrar 30 mil. É difícil de acontecer, mas pode acontecer na prática, por exemplo, no caso que o credor 1 queira receber um lote do devedor que vale R$30.000,00.
INCISO II: do adquirente do imóvel hipotecado que paga ao credor hipotecário; bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não perder imóvel (para não sofrer evicção[footnoteRef:11]). [11: Evicção é uma perda, que pode ser parcial ou total, de um bem por motivo de decisão judicial ou ato administrativo (art. 447 do Código Civil) que se relacione a causa preexistente ao contrato. Ex. Pessoa que compra terreno que não verdade não pertence à pessoa que vendeu e precisa devolver o bem por força de sentença judicial. ] 
INCISO III: terceiro interessado que paga a dívida pela qual poderia ser obrigado. Exemplo: fiador que é um terceiro interessado. 
Art. 346. A sub-rogação opera-se, de pleno direito, em favor: I - do credor que paga a dívida do devedor comum; II - do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel; III - do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte. CC
B) SUB-ROGAÇÃO CONVENCIONAL OU CONTRATUAL OU VOLUNTÁRIA (está prevista no art.347 do CC). É ato bilateral: pagamento indireto. Duas hipóteses: 
Inciso I (CREDOR QUE RECEBE DE TERCEIRO E LHE TRANSFERE OS DIREITOS): quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere os seus direitos. Nesse caso, o art. 348[footnoteRef:12] do Código Civil prevê a aplicação das regras de cessão de crédito: o devedor deve ser notificado, sob pena de ineficácia (CC, art. 290[footnoteRef:13]). [12: Art. 348. Na hipótese do inciso I do artigo antecedente, vigorará o disposto quanto à cessão do crédito. CC] [13: Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita. CC] 
Inciso II (MÚTUO – EMPRÉSTIMO DE DINHEIRO PARA PAGAMENTO): quando terceiro empresta ao devedor a quantia para pagar a dívida, ficando convencionada a sub-rogação ao mutuante. Não se aplica o art. 348 do Código Civil. 
Art. 347. A sub-rogação é convencional: I - quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos; II - quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida, sob a condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito. CC
- VEDAÇÃO DE INTUÍTO ESPECULATIVO NA SUB-ROGAÇÃO LEGAL (ART.350 DO CC). A sub-rogação legal não pode ter intuito oneroso ou especulativo. Exemplo: cobrança de juros. 
Art. 350. Na sub-rogação legal o sub-rogado não poderá exercer os direitos e as ações do credor, senão até à soma que tiver desembolsado para desobrigar o devedor. CC
OBS: Questão: e a sub-rogação convencional? Pode caráter especulativo? Duas correntes: Sim (Caio Mário), defendendo uma menor intervenção estatal (caráter mais liberal). De outro lado, a doutrina majoritária (Judith Martins-Costa), defende que não é possível haver caráter especulativo na sub-rogação convencional. Só a cessão de crédito pode ter intuito oneroso especulativo. 
	SUB-ROGAÇÃO
	CESSÃO DE CRÉDITO
	- Pagamento
	- Transmissão das obrigações.
	- Não há a necessidade de notificação do devedor para ser eficaz. Com exceção do art.347, inciso I, CC. 
	- Há a necessidade de notificação do devedor para ter eficácia. 
	- Intuito não especulativo (tem intuito gratuito apenas). 
	- Pode ter intuito especulativo (pode ter intuito gratuito ou oneroso).
DAÇÃO EM PAGAMENTO (“DATIO IN SOLUTUM”) (CC, ARTS. 356 A 359)
 CONCEITO: Forma de pagamento indireto em que as partes convencionam a substituição da prestação por outra, mantendo-se os demais elementos obrigacionais. É ato bilateral, porque decorre de convenção das partes. 
- Ocorre dação em pagamento quando o credor consentir em receber objeto diverso do pactuado com o devedor. 
- MANUTENÇÃO DOS DEMAIS ELEMENTOS OBRIGACIONAIS - Na dação em pagamento, os acessórios da dívida são mantidos, em regra (juros, cláusula penal e garantias). Porém, há uma exceção, pois a fiança é extinta (CC, art. 838, III[footnoteRef:14]). [14: Art. 838. O fiador, ainda que solidário, ficará desobrigado: (...) III - se o credor, em pagamento da dívida, aceitar amigavelmente do devedor objeto diverso do que este era obrigado a lhe dar, ainda que depois venha a perdê-lo por evicção. CC] 
– Exemplos de dação em pagamento:
	
	ENTRA
	SAI
	
	DAR
	Coisa (carro)
	Coisa (casa)
	
	DAR
	Coisa (carro)
	Dinheiro
	
	DAR
	Dinheiro
	Coisa (imóvel)
	Neste caso, não é dação, mas sim compra e venda (art.357[footnoteRef:15] do CC) [15: Art. 357. Determinado o preço da coisa dada em pagamento, as relações entre as partes regular-se-ão pelas normas do contrato de compra e venda. CC] 
– SE A COISA DADA FOR TÍTULO DE CRÉDITO – REGRAS DA CESSÃO DE CRÉDITO – É CONSIDERADO DAÇÃO EM PAGAMENTO. A coisa dada também pode ser um título de crédito do qual o devedor é credor (CC, art. 358) (“datio in solutum”). Serão aplicadas as regras da cessão de crédito.
Ex. Dou um cheque de X substituindo a entrega de uma casa. 
Art. 358. Se for título de crédito a coisa dada em pagamento, a transferência importará em cessão. CC
DIFERENTE DE DATIO PRO SOLVENDO: se o próprio devedor dá um cheque seu para pagamento da prestação original, haverá dação em função de pagamento (“datio pro solvendo”). Se o cheque for devolvido sem fundos o credor deve executar a obrigação primitiva e não o cheque.
 EVICÇÃO DA COISA E RETORNO DA SITUAÇÃO ANTERIOR (ART.359 DO CC) Evicção da coisa dada em pagamento (perda) por sentença ou decisão administrativa: retorna à prestação primitiva, ressalvados os direitos de terceiros (CC, art. 359). Haverá repristinação ou uma ressurreição (reestabelecimento) da obrigação originária. 
Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-se-á a obrigação primitiva, ficando sem efeitoa quitação dada, ressalvados os direitos de terceiros. CC
Ex. Pessoa deve uma casa e dá um carro em pagamento. Porém, esse carro é perdido por decisão judicial, o devedor continua tendo obrigação de entregar a casa. Se a casa foi vendida a terceiro de boa-fé ela não volta, devendo o devedor responder por perdas e danos.
NOVAÇÃO (“NOVATIO”) (CC, ARTS. 360 A 367)
 ETIMOLOGIA - Origem da palavra: “nova” + “obrigação” = novação. 
 CONCEITO: É forma de pagamento indireto em que as partes substituem uma obrigação antiga por uma nova, através da substituição dos seus elementos. É formada uma nova obrigação. 
- EXTINÇÃO DOS ELEMENTOS ANTERIORES - a novação, em regra, gera a extinção de todos os elementos da obrigação anterior, inclusive os seus acessórios (juros, cláusula penal, garantias e fiança) (CC, arts. 364 e 366). 
Art. 364. A novação extingue os acessórios e garantias da dívida, sempre que não houver estipulação em contrário. Não aproveitará, contudo, ao credor ressalvar o penhor, a hipoteca ou a anticrese, se os bens dados em garantia pertencerem a terceiro que não foi parte na novação.
Art. 366. Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com o devedor principal.
- NOVAÇÃO PARCIAL - É possível a novação parcial (art.364 do CC). É aquela em que há substituição parcial dos elementos obrigacionais. Não é muito comum. Ex. Vai ser extinta a cláusula penal, juros, mas permanece a hipoteca dada em garantia, por exemplo.
 REQUISITOS DA NOVAÇÃO: 
a) Obrigação antiga: dívida novada. DÉBITO DO CHEQUE ESPECIAL
b) Obrigação nova: dívida novadora. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO
c) Ânimo de novar (intenção de novar): “animus novandi”. VONTADE DE NOVAR
- AUSÊNCIA DE ANIMUS NOVANDI E CONFIRMAÇÃO DA PRIMEIRA OBRIGAÇÃO PELA SEGUNDA: conforme o artigo 361 do Código Civil, não havendo intenção de novar, expressa ou tácita (inequívoco), a segunda obrigação só confirma a primeira.
Art. 361. Não havendo ânimo de novar, expresso ou tácito, mas inequívoco, a segunda obrigação confirma simplesmente a primeira. CC
Exemplos:
- Instrumento particular de novação: novação com intenção de novar expressa. 
- Simples concessão de moratória não implica em novação. Ex. Autorizo o pagamento posterior. CONCEDER PRAZO MAIOR PARA PAGAMENTO
- Dar cheque em pagamento de duplicata não gera novação (não há ânimo de novar tácito). É uma dação em função de pagamento ou datio pro solvendo. 
- Trocar duplicatas por cheques gera novação, havendo ânimo de novar tácito. Aqui haverá a novação. O devedor pega o cheque e entrega a duplicada. 
OBS: em casos de dúvidas, não há novação, pois essa deve ser inequívoca.
 CLASSIFICAÇÃO DA NOVAÇÃO (CC, ART. 360): 
Art. 360. Dá-se a novação: I - quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior; II - quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor; III - quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído ao antigo, ficando o devedor quite com este. CC
a) Novação objetiva ou real: É aquela que se dá pela substituição da prestação. PROMESSA DE ENTREGAR UM CARRO X EM 30 DIAS. DEPOIS, ACORDO (NOVO CONTRATO) EM QUE ENTREGARÁ UMA MOTOCICLETA 20 DIAS. 
b) Novação subjetiva ativa: é aquela que se dá pela substituição do credor. 
c) Novação subjetiva passiva: pela substituição do devedor. É subclassificada em duas modalidades: 
c1) Por delegação: é aquela que ocorre com o consentimento do antigo devedor. O antigo devedor delega a alguém o encargo de pagar. Ex. o antigo devedor indica uma terceira pessoa para o pagamento e todos concordam. DEVEDOR EVANDRO ENTREGAR CARRO PARA DAIANE (CREDORA). NOVO CONTRATO, PAVEPE (DEVEDOR) DEVE ENTREGAR O CARRO PARA A DAIANE. 
c2) Por expromissão (CC, art. 362): é aquela que ocorre sem o consentimento do antigo devedor. O expromitente entra na obrigação sem ser convidado e assume a posição do devedor. Ex. Pai que assume a dívida do filho, criando nova obrigação (não é sub-rogação, porque lá há substituição do credor e o vínculo obrigacional não é extinto (permanece o mesmo). Aqui temos novação subjetiva passiva (que cria novo vínculo obrigacional). 
Art. 362. A novação por substituição do devedor pode ser efetuada independentemente de consentimento deste.
 CC, art. 367: as obrigações nulas ou extintas (prescritas, por exemplo) não podem ser novadas. As obrigações anuláveis podem ser novadas (convalidação). 
Art. 367. Salvo as obrigações simplesmente anuláveis, não podem ser objeto de novação obrigações nulas ou extintas. CC
- É a criação de uma nova obrigação com a INTENÇÃO de extinguir uma obrigação anterior que não seja nula. Ela pode ser anulável, mas nula não. São requisitos para a novação: 
a) ALIQUI NOVI (art.360 do CC0 – criação de uma obrigação substancialmente nova. Não pode ser a mesma obrigação. Terá uma mudança nos seus sujeitos (novação subjetiva). 
b) OBLIGATIO NOVANDA – Significa que a obrigação a ser extinta não poderá ser nula. As obrigações não se convalidam. Isso seria uma forma de convalidação. Porém, a obrigação meramente anulável pode ser novada, porque ela pode se convalidar (art.367 do CC). 
c) ANIMUS NOVANDI (art.361 do CC) – A intenção de novar. Ela pode ser expressa ou tácita (estes credores celebram essa negociação, extinto todas as anteriores). 
COMPENSAÇÃO (CC, ARTS. 368 A 380)
 CONCEITO – É forma de pagamento indireto que gera a extinção de dívidas mútuas ou recíprocas até o ponto em que se encontrarem. 
- Fundamento: princípio da economia (material e processual). Em regra, a dívida é compensável. Excepcionalmente não é poderá ser compensada. 
- É a extinção que se dá através da atração de direitos opostos, quando dois sujeitos forem ao mesmo tempo credores e devedores uns dos outros.
 OBRIGAÇÕES INCOMPENSÁVEIS (CC, ART. 373): 
- Dívidas decorrentes de atos ilícitos: esbulho, furto e roubo. 
- Comodato e depósito (contratos personalíssimos) e dívida de alimentos (CC, art. 1.707[footnoteRef:16]). [16: Art. 1.707. Pode o credor não exercer, porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos, sendo o respectivo crédito insuscetível de cessão, compensação ou penhora. CC] 
- Dívidas relacionadas a bens impenhoráveis. BENS IMPENHORÁVEIS
Art. 373. A diferença de causa nas dívidas não impede a compensação, exceto: I - se provier de esbulho, furto ou roubo; II - se uma se originar de comodato, depósito ou alimentos; III - se uma for de coisa não suscetível de penhora. CC
 CLASSIFICAÇÕES DA COMPENSAÇÃO
A) QUANTO À EXTENSÃO: 
A1) Total ou extintiva: É aquela em as duas dívidas são extintas por serem de mesmo valor. Ex. Eu te devo R$10.000,00 e você me deve R$10.000,00. Ninguém deve nada para ninguém. 
A2) Parcial ou propriamente dita: uma dívida é extinta e a outra é compensada, pois seus valores são distintos. 
B) QUANTO À ORIGEM: 
B1) Compensação legal: deve seguir os rígidos requisitos previstos em lei (CC, arts. 368, 369 e 370): 
✓ Reciprocidade. (Uma pessoa que deve a outra).
✓ Dívidas líquidas (certas quanto à existência e determinadas quanto ao seu valor). 
✓ Dívidas vencidas (termo final). 
✓ Coisas fungíveis (substituíveis). Geralmente as dívidas em dinheiro. 
✓ Mesmo gênero e qualidade (rigidez): identidade total. Muito difícil de acontecer, se não for em dinheiro. 
Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem-se, até onde se compensarem. Art. 369. A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis. Art. 370. Embora sejam do mesmo gênero as coisas fungíveis, objeto das duas prestações, não se compensarão, verificando-se que diferem na qualidade, quando especificada no contrato. CC
B2) Compensação convencional: decorre do acordo entre as partes. Observações: 
✓ Não precisa seguir os rígidos requisitos da compensação legal. 
✓ Pode ser afastada ou renunciada pelas partes (CC, art. 375). 
Art. 375. Não haverá compensação quando as partes, por mútuo acordo, a excluírem, ou no caso de renúncia prévia de uma delas. CC
B3) Compensação judicial: decorre de decisãoou sentença. Segundo o STJ, a compensação pode ser alegada em defesa em contestação (REsp n. 1.524.730/MG). 
 COMPENSAÇÃO NÃO É EXCEÇÃO PESSOAL (CC, art. 371). Embora haja divergência, não é exceção pessoa, porque o devedor pode compensar com o credor o que este lhe dever. Porém, o fiador pode compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado. 
Art. 371. O devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe dever; mas o fiador pode compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado. CC
Exemplo: o locatário está devendo aluguéis no valor de R$ 30.000,00 e o locador deve R$ 10.000,00 para o locatário (em razão de benfeitorias). O locador entra com ação contra o fiador. O fiador pode compensar o débito o valor que é devido ao locatário. 
 OS PRAZOS DE FAVOR NÃO OBSTAM A COMPENSAÇÃO (CC, art. 372): os prazos de favor (moratória), embora consagrados pelo uso geral, não obstam a compensação. Fundamento: boa-fé objetiva (“tu quoque”: “até tu?”). Não faça com os outros o que faria com você mesmo. 
Ex. A deve para B R$10.000,00. B deve para A R$1.000.000,00. B pede moratória de 01 ano para A que concede. B entra na outra semana cobrando os R$10.000,00, A poderá compensar nesse caso. Violação da boa-fé objetiva. 
Art. 372. Os prazos de favor, embora consagrados pelo uso geral, não obstam a compensação. CC
 DEDUÇÃO DAS DESPESAS DE OPERAÇÃO PARA COMPENSAÇÃO, QUANDO NÃO FOREM PAGÁVEIS NO MESMO LUGAR - CC, art. 378: a compensação somente é possível com a dedução das despesas para a operação quando as dívidas não são pagáveis no mesmo lugar.
Art. 378. Quando as duas dívidas não são pagáveis no mesmo lugar, não se podem compensar sem dedução das despesas necessárias à operação. CC
Ex. A que vive em SP e B que vive em BH. B vai até SP e gasta para fazer a compensação, suas despesas deverão ser deduzidas. 
 HAVENDO VÁRIAS DÍVIDAS APLICA-SE AS REGRAS DA IMPUTAÇÃO (CC, art. 379): sendo várias as dívidas compensáveis, serão observadas as regras relativas à imputação do pagamento. 
Art. 379. Sendo a mesma pessoa obrigada por várias dívidas compensáveis, serão observadas, no compensá-las, as regras estabelecidas quanto à imputação do pagamento.
 CC, art. 380: a compensação não poderá ser feita em prejuízo de terceiros de boa-fé. A boa-fé vence a compensação.
Art. 380. Não se admite a compensação em prejuízo de direito de terceiro. 
CONFUSÃO (CC, ARTS. 381 A 384)
 A confusão a ser estudada é a obrigacional e não se confunde com a confusão real (confusão real é a mistura de líquidos – CC, art. 1.272). 
- CONCEITO: Forma de pagamento presente quando, na mesma pessoa, confundem-se as qualidades de credor e devedor (art.381 do CC). CREDOR E DEVEDOR PASSAM A SER A MESMA PESSOA
Art. 381. Extingue-se a obrigação, desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor. CC
- É a forma de extinção pela reunião no mesmo sujeito das qualidades de credor e devedor. 
 EXTENSÃO - Quanto à extensão, a confusão é assim classificada (CC, art. 382): 
Art. 382. A confusão pode verificar-se a respeito de toda a dívida, ou só de parte dela. CC
- Confusão total ou própria: diz respeito a toda a dívida. Ex. Filho que deve R$500.000,00 para o pai. O pai morre e aquele único filho (e único herdeiro) terá dívida extinta em razão da confusão total. 
- Confusão parcial ou imprópria: atinge parte da dívida. Exemplo: solidariedade (CC, art. 383). Ex. Pai e tio que são credores solidários no valor de R$500.000,00 em desfavor do filho. Se o pai morre, haverá confusão parcial no percentual do pai ou seja, em R$250.000,00.
Art. 383. A confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito, ou na dívida, subsistindo quanto ao mais a solidariedade. CC
- Exemplo decidido pelo STF e STJ: Quando a defensoria pública litiga contra o Estado do qual é órgão não cabe honorários, por é a mesma pessoa. Haverá confusão. 
- CESSANDO A CAUSA DA CONFUSÃO A OBRIGAÇÃO SE RESTABELECE INTEGRALMENTE - CC, art. 384: cessando a causa da confusão, a obrigação é reestabelecida com todos os seus acessórios. 
Art. 384. Cessando a confusão, para logo se restabelece, com todos os seus acessórios, a obrigação anterior. CC
Exemplo: o pai não morreu e reaparece. 
REMISSÃO DE DÍVIDA (CC, ARTS. 385 A 388)
 PERDÃO DA DÍVIDA - Remissão é o perdão da dívida. Não se confunde com a remição que é um resgate pelo pagamento (Resgatar um bem dado em garantia. Muito utilizado no processo civil, no sentido de salvar bens que foram penhorados). SS=PERDÃO
- Ao perdoar um credor abdica do direito de cobrar aquele débito. 
- ATO BILATERAL – Portanto, deve ser aceita pelo devedor (art. 385, CC)
Art. 385. A remissão da dívida, aceita pelo devedor, extingue a obrigação, mas sem prejuízo de terceiro. CC
- Terceiro prejudicado pode entrar com ação pauliana ou revocatória para anular a remissão dado em seu prejuízo. 
 CLASSIFICAÇÕES DA REMISSÃO 
a) QUANTO À EXTENSÃO (amplitude), a remissão pode ser: 
a1) Total - Perdão de toda a dívida
a2) Parcial – É perdão de apenas parte da dívida. Exemplo: solidariedade (CC, art. 388). 
Art. 388. A remissão concedida a um dos co-devedores extingue a dívida na parte a ele correspondente; de modo que, ainda reservando o credor a solidariedade contra os outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida. CC
b) QUANTO AO MODO, a remissão pode ser: 
b1) Expressa - instrumento público ou particular. 
b2) Tácita – Decorre de comportamento. Exemplo: devolução de instrumento particular (CC, art. 386). 
Art. 386. A devolução voluntária do título da obrigação, quando por escrito particular, prova desoneração do devedor e seus co-obrigados, se o credor for capaz de alienar, e o devedor capaz de adquirir.
- Obs: é diferente da devolução do título de crédito ao devedor que gera a presunção de pagamento nos termos do art.324[footnoteRef:17] do CC. [17: Art. 324. A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento. CC] 
- DEVOLUÇÃO DO OBJETO EMPENHADO GERA RENÚNCIA A GARANTIA - Devolução de objeto empenhado (penhor) não gera remissão da dívida, mas apenas renúncia à garantia (CC, art. 387). Ex. CEF devolve joias dadas em penhor[footnoteRef:18], não há remissão da dívida. [18: Penhor é garantia real sobre bem móvel, nos termos do art.1431 do CC.] 
Art. 387. A restituição voluntária do objeto empenhado prova a renúncia do credor à garantia real, não a extinção da dívida. CC
- Obs: A renúncia é diferente da remissão, porque a renúncia é unilateral ao passo que a remissão é bilateral e depende da aceitação da parte contrária. 
Observação final quanto à teoria do pagamento: 
Transação e compromisso, no Código Civil de 1916, eram formas de pagamento indireto. No CC/2002, esses institutos são tratados como contratos que geram a extinção da obrigação. 
- Transação (art. 840 ao 850, CC): é o contrato que gera a extinção obrigacional por concessões mútuas ou recíprocas. Deve haver concessões mútuas e recíprocas. 
- Compromisso (art. 851 a 853, CC): contrato que conduz à arbitragem. Convenção de arbitragem. 
TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES (ART.286 AO 303 DO CC)
 OBRIGAÇÕES - TRANSMISSÃO (MÓVEL) A obrigação não traduz um vínculo jurídico imóvel. Haverá a transmissão para novos personagens que não estavam presentes quando a instituição daquela relação jurídica obrigacional. A transmissão se dá pela cessão. 
- CONCEITO DE CESSÃO: Cessão, em sentido “lato sensu”, é a transmissão negocial, a título oneroso ou gratuito, de uma posição na relação jurídico obrigacional. 
- Por se negócio jurídico, deve se analisar a existência, validade e eficácia. Ex. A cessão de crédito que já foi pago é inexistente por ausência de objeto. Assim, para ser válido deve observar os requisitos gerais de validade do art.104 do CC e do art.286 e 299 do CC. Deve ser eficaz também, sobretudo, no que diz respeito a notificação do devedor. 
- NÃO É FORMA DE EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO – A obrigação originária continua existindo, mudando apenas as partes na relação obrigação. MODALIDADES DE TRANSMISSÃO - No Código de 2002, há três institutos que envolvem a transmissão das obrigações: 
a) Cessão de crédito – transfere a posição de credor. 
b) Cessão de débito ou assunção de dívida – transmissão da posição de devedor. 
c) Cessão de contrato ou cessão de posição contratual (crédito e débito cedidos ao mesmo tempo). Não é tratada na teoria geral das obrigações. 
CESSÃO DE CRÉDITO – ART.286 AO 296 DO CC
 CONCEITO: negócio jurídico bilateral, gratuito ou oneroso, pelo qual o credor (sujeito ativo da obrigação) transfere a outrem, no todo ou em parte, a sua posição na obrigação. 
 PARTES NA CESSÃO DE CRÉDITO. São partes na cessão de crédito:
a) CEDENTE: aquele que transfere a sua posição. 
b) CESSIONÁRIO: aquele que recebe o direito cedido (beneficiado pela cessão). 
c) CEDIDO: devedor. Cedido não é recomendado porque deixa parecer que é a pessoa, sendo que a pessoa não pode ser cedida (não é objeto). 
Observação: Prof. Bruno Zampier não considera o devedor como parte na cessão de crédito. Ele diz que a cessão de crédito é ato bilateral que não depende do consentimento do devedor. 
 TRANSMISSÃO DE TODOS ELEMENTOS OBRIGACIONAIS (ART.287 DO CC) - em regra, todos os elementos obrigacionais são transferidos ao cessionário, o que inclui os acessórios da dívida (juros, multa e garantias). 
Art. 287. Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangem-se todos os seus acessórios. CC
 TRANSMISSIBILIDADE DA OBRIGAÇÃO (ART.286 DO CC). Em regra, há a transmissibilidade da obrigação. Há a possibilidade de cessão de crédito, se a isso não se opuser a lei, a convenção entre as partes ou a natureza da prestação. 
Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação.
Exemplos situações de intransmissibilidade das obrigações: 
- CC, art. 11[footnoteRef:19] – Direitos de personalidade. [19: Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. CC] 
- CC, art. 1.707[footnoteRef:20]- Obrigação de alimentos. [20: Art. 1.707. Pode o credor não exercer, porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos, sendo o respectivo crédito insuscetível de cessão, compensação ou penhora. CC] 
- CC, art.298[footnoteRef:21] - Crédito penhorado, sob pena de configurar fraude à execução. Se o devedor não tinha conhecimento não há que falar em fraude à execução. [21: Art. 298. O crédito, uma vez penhorado, não pode mais ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora; mas o devedor que o pagar, não tendo notificação dela, fica exonerado, subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiro. CC] 
 CLÁUSULA PROIBITIVA DE CESSÃO NÃO PODE SER OPOSTA A TERCEIRO DE BOA-FÉ SE NÃO CONSTAR NO INSTRUMENTO DA OBRIGAÇÃO (ART.286, parte final) - A cláusula proibitiva de cessão não poderá ser oposta contra terceiros de boa-fé. A boa-fé vence a proibição de cessão. Ex. Contrato em que se proíbe a cessão do crédito a terceiro. Ao mesmo tempo, foi colocada uma cláusula de confidencialidade da cessão. Sendo cedido para terceiro, não poderá ser oposta ao terceiro. 
 EFICÁCIA INTER PARTES DA CESSÃO – PARA AFETAR TERCEIROS DEVE OBSERVAR O ART.288 DO CC - Em regra, a cessão terá eficácia “inter partes”. Para ter eficácia perante terceiros (CC, art. 288), deve: 
a) ESCRITO - ser feita por escrito – Instrumento público ou particular; e 
b) INSTRUMENTO PARTICULAR - REQUISITOS PREVISTO NO ART.654, PARÁGRAFO 1º, CC – o instrumento particular de cessão para ser eficaz contra terceiros, deve preencher os requisitos do art. 654, §1º, CC (os mesmos requisitos do mandato), a saber: Lugar; Qualificação das partes; Data; Objetivo; Designação e extensão da obrigação transmitida. 
- Enunciado 618, VIII Jornada de Direito Civil: o devedor não é terceiro para fins de aplicação dessa regra. Em relação ao devedor basta a notificação para que seja eficaz a transmissão em relação à ele. 
Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrar-se mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1 o do art. 654. CC
Art. 654. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. § 1 o  O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. CC
 DIREITO DE AVERBAÇÃO DA CESSÃO NA HIPÓTESE DE OBRIGAÇÃO HIPOTECÁRIA. Cessão de crédito hipotecário (cessão de crédito garantido por hipoteca). O cessionário tem direito de fazer averbar a cessão no registro de imóveis para assegurar seus direitos. 
Art. 289. O cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer averbar a cessão no registro do imóvel. CC
 NOTIFICAÇÃO (CIÊNCIA) DO DEVEDOR (ART.290 DO CC). Há a necessidade de notificação do devedor ou cedido sobre a cessão efetuada. Ele não precisa consentir. 
- EFICÁCIA DA CESSÃO - A cessão será inoponível ao devedor quando ele não for notificado. Trata-se de fator de eficácia. Não envolve validade. 
- OBJETIVO - É para que o devedor saiba a quem pagar a dívida. 
- JUDICIAL OU EXTRAJUDICIAL - Pode ser judicial ou extrajudicial (Ex. Carta com AR; meio eletrônico; Via Cartório de Títulos e Documentos, etc.). Não precisa de formalismo, o CC se preocupa com a substância (ser efetivamente notificado). 
- Além da notificação judicial ou extrajudicial é possível na notificação presumida, que ocorre quando o devedor se declara ciente por instrumento público ou particular. Pode ser feita, incidentalmente, em documento que trata de outro assunto. 
- NOTIFICAÇÃO PODE SER FEITA PELO CEDENTE OU CESSIONÁRIO. O importante é fazer a notificação não importa qual deles o fez. 
Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita. CC
 AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO NÃO ISENTA O DEVEDOR DO PAGAMENTO E NEM IMPOSSIBILITA INSCRIÇÃO NOS ÓRGÃO DE PROTEÇÃO – STJ (EFEITO VINCULATE – 2ª SEÇÃO) - A ausência de notificação não tem o condão de isentar o devedor do pagamento da dívida, tampouco de impedir o registro do seu nome no cadastro de inadimplentes, conforme jurisprudência do STJ (2ª SEÇÃO DO STJ - AgRg no EREsp 1.482.670/SP[footnoteRef:22]) [22: “EMENTA - AGRAVO REGIMENTAL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. DANO MORAL. CESSÃO DE CRÉDITO. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO. EFEITOS. ACÓRDÃO EMBARGADO EM CONSONÂNCIA COM A ORIENTAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 168/STJ. 1. Consoante entendimento pacificado no âmbito da eg. Segunda Seção, a ausência de notificação da cessão de crédito não tem o condão de isentar o devedor do cumprimento da obrigação, tampouco de impedir o registro do seu nome, se inadimplente, em órgãos de restrição ao crédito. 2. (...) .” (AgRg no EREsp 1.482.670/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, Segunda Seção, julgado em 26/08/2015, DJ e 24/09/2015)] 
 O CESSIONÁRIO PODE PRATICAR ATOS DE CONSERVAÇÃO DO DIREITO, MESMO SEM A CIÊNCIA DO DEVEDOR (art.293 do CC) - O objetivo da notificação é informar ao devedor quem é o seu credor. A sua falta não destitui o novo credor de proceder aos atos que julgar necessários para a conservação do direito cedido (AgRg no AREsp. 104.435/MG). Ex. Ação de arresto; inscrição do nome no SPC. 
Art. 293. Independentemente do conhecimento da cessão pelo devedor, pode o cessionário exercer os atos conservatórios do direito cedido. CC
 A FALTA DE NOTIFICAÇÃO NÃO PROIBE A EXIGIBILIDADE DO DÉBITO - A falta da notificação não significa que a dívida não possa ser exigida, especialmentequando o devedor é citado em ação de cobrança do novo credor (REsp 936.589/SP[footnoteRef:23]). [23: “EMENTA - DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. CESSÃO DE CRÉDITO. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO AO DEVEDOR. CONSEQUÊNCIAS. I - A cessão de crédito não vale em relação ao devedor, senão quando a este notificada. II - Isso não significa, porém, que a dívida não possa ser exigida quando faltar a notificação. Não se pode admitir que o devedor, citado em ação de cobrança pelo cessionário da dívida, oponha resistência fundada na ausência de notificação. Afinal, com a citação, ele toma ciência da cessão de crédito e daquele a quem deve pagar. III - O objetivo da notificação é informar ao devedor quem é o seu novo credor, isto é, a quem deve ser dirigida a prestação. A ausência da notificação traz essencialmente duas consequências: Em primeiro lugar dispensa o devedor que tenha prestado a obrigação diretamente ao cedente de pagá-la novamente ao cessionário. Em segundo lugar permite que devedor oponha ao cessionário as exceções de caráter pessoal que teria em relação ao cedente, anteriores à transferência do crédito e também posteriores, até o momento da cobrança (inteligência do artigo 294 do CC/02). IV - Recurso Especial a que se nega provimento”. (REsp 936.589/SP, Rel. Ministro SIDNEI BENETI, Terceira Turma, julgado em 08/02/2011, DJE 22/02/2011). ] 
PLURALIDADE DE CESSÕES DO MESMO CRÉDITO (CC, ART. 291)
 VÁRIAS CESSÕES DO MESMO CRÉDITO – PREVALECE A QUEM HOUVE A ENTREGA DO TÍTULO (art.291 do CC) - Prevalece a que se completar com a tradição do título do crédito cedido. Ex. A cede para B, C e D. Porém, entrega o cheque para D. O devedor deverá pagar para D, tendo em vista a teoria da aparência. 
Art. 291. Ocorrendo várias cessões do mesmo crédito, prevalece a que se completar com a tradição do título do crédito cedido. CC
 DESONERAÇÃO DO DEVEDOR QUE PAGOU AO CREDOR PRIMITIVO ANTES DE SER NOTIFICADO (art.292 do CC) - Fica desobrigado o devedor que, antes do conhecimento da cessão, paga ao credor primitivo - Boa-fé e teoria da aparência. O cedente e cessionário deve se resolver internamente. 
Art. 292. Fica desobrigado o devedor que, antes de ter conhecimento da cessão, paga ao credor primitivo, ou que, no caso de mais de uma cessão notificada, paga ao cessionário que lhe apresenta, com o título de cessão, o da obrigação cedida; quando o crédito constar de escritura pública, prevalecerá a prioridade da notificação. CC
 O DEVEDOR PODE OPOR AO CESSIONÁRIO AS EXCEÇÕES QUE LHE COMPETIREM (ART.294 DO CC). O devedor (cedido) pode opor ao cessionário as defesas que lhe competirem (exceções comuns e pessoais). Ex. prescrição, pagamento da dívida. 
- Além disso, pode opor as exceções que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente (exceções comuns e também as pessoais). As exceções pessoais que tinha contra o cedente pode opor contra o cessionário. Ex. Compensação, erro, dolo, etc. Isso ocorre em razão do princípio da boa-fé objetiva, porque a pessoa que tiver um credor e um valor a compensar com o devedor pode ceder o crédito para terceiro para não ter que compensar. 
Art. 294. O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente. CC
CLASSIFICAÇÕES DAS CESSÕES DE CRÉDITO
CLASSIFICAÇÃO DA CESSÃO DE CRÉDITO QUANTO À ORIGEM: 
a) CESSÃO LEGAL. É aquela que decorre da lei. Ex. acessórios da dívida (art. 287, CC). 
b) CESSÃO JUDICIAL. É aquela que decorre de decisão judicial – Ex. decisão judicial que atribui a um herdeiro um crédito do falecido. 
c) CESSÃO CONVENCIONAL (mais comum). Decorre de acordo firmado entre cedente e cessionário – Ex. “factoring”. O crédito é vendido por valor menor. 
 CLASSIFICAÇÃO DA CESSÃO DE CRÉDITO QUANTO ÀS OBRIGAÇÕES QUE GERA: 
a) CESSÃO GRATUITA – é aquela que equivale a uma doação. É comum a confusão com a sub-rogação. Havendo a mera transferência teremos cessão gratuita. Já a sub-rogação é modalidade de extinção da obrigação. 
b) CESSÃO ONEROSA – assemelha-se a um contrato de compra e venda. Aqui tem um intuito especulativo e financeiro. Ex. “factoring” = faturização. (Direito de empresa, venda de crédito)
- O faturizado (credor) transfere para o faturizador (quem compra o crédito) no todo ou em parte crédito decorrente de suas atividades mediante o pagamento de um valor, ou seja, vende o crédito por um valor menor, assumindo o faturizador o risco pelo adimplemento. Não está regulamento pelo CC e nem pela legislação extravagante, mas pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional. O REsp 1.439.749/RS[footnoteRef:24] e REsp 1.343.313/SC[footnoteRef:25], confirmar que o factoring é uma cessão de crédito. [24: “(...) O sacado pode opor à faturizadora a qual pretende lhe cobrar duplicata recebida em operação de factoring exceções pessoais que seriam passíveis de contraposição ao sacador, ainda que o sacado tenha eventualmente aceitado o título de crédito. Na operação de factoring, em que há envolvimento mais profundo entre faturizada e faturizadora, não se opera um simples endosso, mas a negociação de um crédito cuja origem é - ou pelo menos deveria ser - objeto de análise pela faturizadora. Nesse contexto, a faturizadora não pode ser equiparada a um terceiro de boa-fé a quem o título pudesse ser transferido por endosso. DE FATO, NA OPERAÇÃO DE FACTORING, HÁ VERDADEIRA CESSÃO DE CRÉDITO, e não mero endosso, ficando autorizada a discussão da causa debendi, na linha do que determina o art. 294 do CC, segundo o qual: "O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente". (...).”(REsp 1.439.749/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Terceira Turma, julgado em 02/06/2015, DJe 15/06/2015). ] [25: “(....) 1. SE A EMPRESA DE FACTORING FIGURA COMO CESSIONÁRIA DOS DIREITOS E OBRIGAÇÕES ESTABELECIDOS EM CONTRATO DE COMPRA E VENDA EM PRESTAÇÕES, DE CUJA CESSÃO FOI REGULARMENTE CIENTIFICADO O DEVEDOR, É LEGÍTIMA PARA RESPONDER A DEMANDA QUE VISA À REVISÃO DAS CONDIÇÕES CONTRATUAIS. 2. (...).” (REsp 1.343.313/SC, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Rel para Acórdão Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, Quarta Turma, julgado em 01/06/2017, DJe 01/08/2017). ] 
 CLASSIFICAÇÃO DA CESSÃO DE CRÉDITO QUANTO À EXTENSÃO: 
a) Cessão total – O cedente transfere todo o crédito objeto da relação obrigacional (CC, art. 287). 
b) Cessão parcial – transferência de parte do crédito. O credor retém algo. Não é comum. Ex. Ceder apenas parte da dívida. 
 GARANTIA AO CESSIONÁRIO DE EXISTÊNCIA DO CRÉDITO (art.295 do CC) - O cedente deve garantir ao cessionário, no momento que a cessão do crédito é feita, a existência do crédito. É chamada de cessão pro soluto. É aquela em que o cedente garante ao cessionário a existência do crédito. É a regra na cessão onerosa.
Art. 295. Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize, fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu; a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito, se tiver procedido de má-fé. CC
 CLASSIFICAÇÃO DA CESSÃO DE CRÉDITO QUANTO À RESPONSABILIDADE DO CEDENTE EM RELAÇÃO AO CEDIDO (art. 296 e 297 do CC) 
a) CESSÃO “PRO SOLUTO” – Regra geral (art. 296, CC) – é aquela em que não há responsabilidade do cedente pela solvência do cedido. É aquela que confere quitação plena e imediata do débito do cedente para com o cessionário. O cedente está exonerado. O cedente não tem qualquer responsabilidade sobre a solvência do débito. 
Art. 296. Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do devedor. CC
b) CESSÃO “PRO SOLVENDO” – Cláusula pro solvendo - Exceção: deve estar convencionada (art. 297, CC) – Nela fica estipulada a responsabilidade do cedente pela solvência do cedido. O cedente responde pelo débito. 
Art. 297. O cedente, responsável ao cessionário pela solvência do devedor, não responde por mais doque daquele recebeu, com os respectivos juros; mas tem de ressarcir-lhe as despesas da cessão e as que o cessionário houver feito com a cobrança.
- Em regra: a responsabilidade do cedente é subsidiária, ou seja, deve cobrar primeiro do devedor. No caso de o devedor não ter patrimônio, executará o cedente. É possível se convencionar responsabilidade solidária, porém, deve ser expresso. 
CESSÃO DE DÉBITO OU ASSUNÇÃO DE DÍVIDA – ARTS. 299 AO 303 DO CC
 AUSÊNCIA DE PREVISÃO NO CC/16 - Não estava prevista no CC/1916. 
 ASSUNÇÃO DE DÍVIDA – É a melhor terminologia, porque é a utilizada pelo CC/2002. 
 A assunção prevista dos art.299 ao 303 do CC é a assunção liberatória, porque a assunção cumulativa não está prevista em lei.
	
 CONCEITO: negócio jurídico bilateral, pelo qual o devedor, COM A ANUÊNCIA do credor e de forma expressa ou tácita, transfere a um terceiro a posição de sujeito passivo da obrigação (CC, art. 299). 
Art. 299. É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava. CC
 PARTES DA ASSUNÇÃO DE DÍVIDA
a) Cedente: antigo devedor 
b) Cessionário: que é o novo devedor (ou terceiro assuntor) 
c) Cedido: credor 
 POSSIBILIDADE DE ASSUNÇÃO CUMULATIVA – De acordo com o enunciado 16[footnoteRef:26] do CJF o art. 299 não exclui a possibilidade de assunção cumulativa da dívida. A assunção cumulativa da dívida ocorre quando dois ou mais devedores se tornam responsáveis pelo débito (coassunção). Assim, é possível que dois novos devedores se responsabilizem ou o antigo devedor continue responsável em conjunto com o(s) novo(s) devedor(es). Para saber se a responsabilidade é fracionária ou solidária é necessário verificar o instrumento de assunção de dívida. Em regra, a responsabilidade fracionária. [26: O art. 299 do Código Civil não exclui a possibilidade da assunção cumulativa da dívida quando dois ou mais devedores se tornam responsáveis pelo débito com a concordância do credor. Enunciado 16 do CJF] 
- ASSUNÇÃO LIBERATÓRIA – Na liberatória o assuntor passa a ser sozinho o novo devedor. O devedor originário ficará liberado isento de qualquer responsabilidade. Está prevista do art.299 ao 303 do CC. 
 Requisitos da assunção liberatória: Consentimento expresso do credor (art.299 do CC); excepcionalmente o consentimento poderá ser tácito, quando o credor já estiver resguardado por algum tipo de garantia forte (ex. garantia real, art.303 do CC); solvência do devedor ao tempo da assunção; 
 SOLVÊNCIA DO DEVEDOR – Se no momento da assunção da dívida o assuntor já estava numa situação de insolvência, esta assunção não terá eficácia em relação ao credor. 
 A ASSUNÇÃO DA DÍVIDA TEM CLASSIFICAÇÃO EQUIVALENTE À NOVAÇÃO SUBJETIVA PASSIVA. Vejamos:
a) ASSUNÇÃO POR EXPROMISSÃO: terceira pessoa assume espontaneamente o débito da outra, sendo certo que o devedor originário não participa da operação (aplica-se o art. 362[footnoteRef:27], CC, por analogia). Não é necessária a participação do devedor antigo. Essa assunção por expromissão pode ser liberatória e cumulativa. [27: Art. 362. A novação por substituição do devedor pode ser efetuada independentemente de consentimento deste. CC] 
a1) Liberatória: o devedor primitivo se exonera. 
a2) Cumulativa: o expromitente (novo devedor) entra na obrigação ao lado do antigo devedor. 
b) ASSUNÇÃO POR DELEGAÇÃO: o devedor originário (delegante) transfere o débito a terceiro (delegatário), com a anuência do credor (delegado). Todos participam da operação. 
 EXTINÇÃO DAS GARANTIAS ESPECIAIS DADAS PELO DEVEDOR ORIGINÁRIO (art. 300, CC). Regra geral, devem ser consideradas extintas todas as “garantias especiais” dadas pelo devedor primitivo ao credor.
Art. 300. Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor. CC
- EXTINÇÃO DA RESPONSABILIDADE DOS TERCEIROS GARANTIDORES, SALVO SE ANUIREM (Enunciado 352[footnoteRef:28], IV JDC). Salvo expressa concordância dos terceiros, as garantias por eles prestadas se extinguem com a assunção da dívida; já as garantias prestadas pelo devedor primitivo somente serão mantidas se este concordar com a assunção. Isso significa que o que está no artigo 300 se aplica para terceiros que deram garantia em favor do devedor primitivo, por isso, havendo assunção de dívida deixam de serem responsáveis, salvo se concordarem. A mesma regra se aplica para o devedor primitivo. [28: Salvo expressa concordância dos terceiros, as garantias por eles prestadas se extinguem com a assunção da dívida; já as garantias prestadas pelo devedor primitivo somente serão mantidas se este concordar com a assunção. Enunciado 352 do CJF] 
- GARANTIAS ESPECIAS SÃO TODAS AS GARANTIAS (PESSOAIS OU REAIS) DADAS PELO DEVEDOR OU POR TERCEIROS (Enunciado 422[footnoteRef:29], V JDC): a expressão “garantias especiais” se refere a todas as garantias (pessoais (também chamadas de fidejussórias (ex. fiança, por exemplo)) ou reais (ex. hipoteca, penhor, etc.), sejam elas prestadas pelo próprio devedor ou por terceiro. [29: A expressão "garantias especiais" constante do art. 300 do CC/2002 refere-se a todas as garantias, quaisquer delas, reais ou fidejussórias, que tenham sido prestadas voluntária e originariamente pelo devedor primitivo ou por terceiro, vale dizer, aquelas que dependeram da vontade do garantidor, devedor ou terceiro para se constituírem. Enunciado 422 do CJF.] 
 ANULAÇÃO DA ASSUNÇÃO (HIPÓTESES DE NULIDADE RELATIVA) (art. 301 DO CC). Havendo anulação da assunção, restaura-se o débito com o devedor primitivo e todas as garantias, menos as garantias de terceiro. 
A (devedor primitivo-cedente) cede o débito para B (cessionário – novo devedor), que possui uma garantia dada por C (fiador). D é o credor do débito. Sendo a assunção for anulada por dolo de A e C sabia do vício, continuará responsável pelo débito. 
Art. 301. Se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com todas as suas garantias, salvo as garantias prestadas por terceiros, exceto se este conhecia o vício que inquinava a obrigação. CC
- APLICAÇÃO DA SISTEMÁTICA PARA O NEGÓCIO JURÍDICO NULO - Enunciado 423, CJF. Toda essa sistemática se aplica ao negócio jurídico nulo e ao anulável. 
 NOVO DEVEDOR NÃO PODE OPOR EXCEÇÕES PESSOAIS DO ANTIGO DEVEDOR - Não pode o novo devedor opor ao credor as exceções pessoais que detinha o devedor primitivo (art.302. Ex. dolo, coação, incapacidade, etc. Havendo coação do credor em relação ao antigo devedor, não poderá o novo devedor (assuntor) opor essa exceção pessoal). 
Art. 302. O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor primitivo. CC
 ASSUNÇÃO TÁCITA POR COMPRADOR DE IMÓVEL HIPOTECADO QUE ASSUME O DÉBITO (DEPOIS DO PRAZO (30 DIAS) DO CREDOR SE MANIFESTAR). ART.303 DO CC. O adquirente de imóvel hipotecado pode assumir a dívida garantida pela hipoteca. Se não for impugnada a transferência do débito pelo credor, no prazo decadencial de 30 dias, será entendido que houve consentimento. A doutrina chama essa assunção de tácita. Em regra, a assunção deve ser expressa, nos termos do art.299, parágrafo único[footnoteRef:30], do CC. [30: Art.299 (...)Parágrafo único. Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa. CC] 
Art. 303. O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido; se o credor, notificado, não impugnar em trinta dias a transferência do débito, entender-se-á dado o assentimento. CC
- RECUSA DO CREDOR DEVE SER JUSTIFICADA (Enunciado 353, CJF). Estabelece o enunciado 353 do CJF que a recusa do credor, quando notificado pelo adquirente do imóvel hipotecado, deve ser justificada. 
- O PAGAMENTO REITERADO FEITO PELO COMPRADOR DO IMÓVEL HIPOTECADO PRODUZ OS MESMOS EFEITOS DA NOTIFICAÇÃO(Enunciado 424, CJF). De acordo com o enunciado 424 do CJF, a comprovada ciência de que o reiterado pagamento é feito por terceiro (que comprou o imóvel hipotecado), no interesse próprio, produz efeitos equivalentes à notificação prevista no art. 303, 2ª parte. Ex. B compra imóvel hipotecado e paga mensalmente em seu nome o débito, nesse caso, presume-se a notificação e consequentemente a assunção tácita da dívida (aplicação da supressio). O art.111[footnoteRef:31] do CC também permite essa interpretação de que quem cala consente. [31: Art. 111. O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa. CC] 
CESSÃO DE CONTRATO OU DA POSIÇÃO CONTRATUAL
- Não está regulamentada especificamente no CC/2002. Entretanto, pode se enquadrar no art. 425[footnoteRef:32], CC, como contrato atípico. [32: Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código. CC] 
- Tem tratamento em institutos espalhados pela legislação. 
- Conjugação das regras de cessão de crédito e de débito (necessidade de autorização ou concordância da outra parte). 
 CONCEITO: A cessão de contrato pode ser conceituada como a transferência da inteira posição ativa ou passiva da relação contratual, incluindo o conjunto de direitos e deveres de que é titular determinada pessoa. 
Exemplos: Locação e sublocação; Mandato e substabelecimento; Compromisso de compra e venda: contrato com pessoa a declarar[footnoteRef:33] (art. 467 a 471, CC). [33: ] 
 “CONTRATO DE GAVETA DE IMÓVEL FINANCIADO” - Criação prática – No “contrato de gaveta” o comprador cede a outra pessoa a sua posição, sem a ciência ou concordância do vendedor e do agente financeiro. 
Temos o cedente (devedor originário); Gaveteiro = cessionário (devedor novo que compra o imóvel). 
- LEGITIMIDADE PARA DISCUTIR JUROS - O gaveteiro tem legitimidade para a revisão do negócio? 
*Sim – julgados anteriores do STJ (REsp 705.231/RS e REsp 769.418/PR[footnoteRef:34]). [34: “EMENTA - ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. SISTEMA FINANCEIRO DA HABITAÇÃO. FCVS. CESSÃO DE OBRIGAÇÕES E DIREITOS. "CONTRATO DE GAVETA". TRANSFERÊNCIA DE FINANCIAMENTO. AUSÊNCIA DE CONCORDÂNCIA DA MUTUANTE. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. 1. A jurisprudência dominante desta Corte se firmou no sentido da imprescindibilidade da anuência da instituição financeira mutuante como condição para a substituição do mutuário (precedente: REsp n.º 635.155 - PR, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, Primeira Turma, DJ de 11 de abril de 2005). (...)5. Deveras, consoante cediço, o princípio pacta sunt servanda, a força obrigatória dos contratos, porquanto sustentáculo do postulado da segurança jurídica, é princípio mitigado, posto sua aplicação prática estar condicionada a outros fatores, como, por v.g., a função social, as regras que beneficiam o aderente nos contratos de adesão e a onerosidade excessiva. (...) (REsp 769.418/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 15/5/2007, DJ 16/08/2007, p. 289).] 
*Posição atual: depende: SFH e garantido FCVS: somente há essa legitimidade para contratos celebrados até 25/10/1996. Para os contratos posteriores, não (REsp 1.150.429/CE[footnoteRef:35]). [35: “EMENTA - RECURSO ESPECIAL. REPETITIVO. RITO DO ART. 543-C DO CPC. SISTEMA FINANCEIRO DA HABITAÇÃO. LEGITIMIDADE ATIVA DO CESSIONÁRIO DE CONTRATO DE MÚTUO. LEI Nº 10.150/2000. REQUISITOS. 1.Para efeitos do art. 543-C do CPC: 1.1 Tratando-se de contrato de mútuo para aquisição de imóvel garantido pelo FCVS, avençado até 25/10/96 e transferido sem a interveniência da instituição financeira, o cessionário possui legitimidade para discutir e demandar em juízo questões pertinentes às obrigações assumidas e aos direitos adquiridos. 1.2 Na hipótese de contrato originário de mútuo sem cobertura do FCVS, celebrado até 25/10/96, transferido sem a anuência do agente financiador e fora das condições estabelecidas pela Lei nº 10.150/2000, o cessionário não tem legitimidade ativa para ajuizar ação postulando a revisão do respectivo contrato. 1.3 No caso de cessão de direitos sobre imóvel financiado no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação realizada após 25/10/1996, a anuência da instituição financeira mutuante é indispensável para que o cessionário adquira legitimidade ativa para requerer revisão das condições ajustadas, tanto para os contratos garantidos pelo FCVS como para aqueles sem referida cobertura. 2. Aplicação ao caso concreto: 2.1. Recurso especial parcialmente conhecido e nessa parte provido. Acórdão sujeito ao regime do artigo 543-C do Código de Processo Civil e da Resolução STJ nº 8/2008.” (REsp 1.150.429/CE, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Corte Especial. Julgado em 25/4/2013, DJe 10/05/2013). ] 
INADIMPLEMENTO OBRIGACIONAL (CC, ARTS. 389 A 420)
 A teoria do inadimplemento é a base para a responsabilidade contratual. Diferente da responsabilidade extracontratual que está em outro tópico. 
 Haverá responsabilidade contratual quando existir um contrato entre as partes. A responsabilidade contratual pressupõe inadimplência. Ao passo que responsabilidade extracontratual pressupõe um ilícito civil. Inadimplemento e responsabilidade contratual são termos simbióticos. 
 A CULPA NO INADIMPLEMENTO. Sempre que existir inadimplemento haverá uma situação de culpa lato sensu (dolo e culpa estrito sensu). O devedor deveria ter cumprido a obrigação, mas não o fez. Para que impute ao devedor o inadimplemento deve ter uma situação de culpa em desfavor do devedor. 
- IMPOSSIBILIDADE DA OBRIGAÇÃO/PRESTAÇÃO - Se não tiver culpa do devedor, é possível falar em inadimplemento, mas ele se assemelha a impossibilidade da obrigação. O nome mais técnico é impossibilidade da obrigação. Ex. Proibição de aulas presenciais em razão do Covid19 (decretos do Poder Público proibiram aulas presenciais). Não é descumprimento contratual. Neste sentido: Art.389[footnoteRef:36] do CC. (A não cumprida, deve ser lida com não cumprida culposamente). Art.393 do CC. Art.396 do CC. [36: Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado. CC] 
 ART.475 DO CC – TUTELA ESPECIFICA DA OBRIGAÇÃO – Obrigação de dar, fazer ou não fazer. 
Art. 475. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos. CC
 ART.497 DO CPC - TUTELA INESPECÍFICA DA OBRIGAÇÃO – ASSECURATÓRIA
Art. 497. Na ação que tenha por objeto a prestação de fazer ou de não fazer, o juiz, se procedente o pedido, concederá a tutela específica ou determinará providências que assegurem a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente. CC
 TUTELA REPARATÓRIA – PERDAS E DANOS – art.475 do CC e art.499 do CPC
Art. 475. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos. CC
Art. 499. A obrigação somente será convertida em perdas e danos se o autor o requerer ou se impossível a tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente. CPC
- Cumulação de tutela reparatória com astreintes (art.500 do CPC)
Art. 500. A indenização por perdas e danos dar-se-á sem prejuízo da multa fixada periodicamente para compelir o réu ao cumprimento específico da obrigação. CC
 RESOLUÇÃO PELO INADIMPLEMENTO 
 ESPÉCIES DE INADIMPLEMENTO
A) MORA – Cumprimento imperfeito em razão do tempo/lugar/forma.
B) INADIMPLEMENTO ABSOLUTO – Não há cumprimento da obrigação. Seja porque o devedor se recusou, obrigação perdeu a utilidade, etc. 
C) VIOLAÇÃO POSITIVA DO CONTRATO – Não cumprimento dos deveres anexos impostos pela boa-fé objetiva. Alguns também chamam de adimplemento ruim. Ex. Dever de cooperação, informação, etc. 
 INADIMPLEMENTO RELATIVO OU MORA – Para verificarse há mora é necessário analisar o critério da utilidade da prestação. Só há mora, se a prestação ainda for útil ao credor. Ex. Contratei um motorista para me levar num baile de formatura ou fotógrafo para tirar fotos. Se não cumprido no tempo se torna inútil, assim, não haverá mais possibilidade de se falar em mora, mas sim em inadimplemento absoluto. 
- NÃO HÁ MORA NAS OBRIGAÇÕES NEGATIVAS – Elas têm um caráter totalitário, ou seja, não existe meio termo (8 ou 80). Se faço aquilo que me obriguei a não fazer já estou inadimplente. Não há mora na obrigação de não fazer, ou se absteve é está adimplente ou não se absteve e está inadimplente (art.390 do CC). 
 ESPÉCIES DE MORA – MORA SOLVENDI (DEVEDOR) X MORA ACCIPIENDI (CREDOR)
	MORA SOLVENDI – REQUISITOS CUMULATIVOS
	EFEITOS
	- Subjetivo (culpa do devedor que não cumpriu a obrigação conforme pactuado). Dolo e negligência.
	Responsabilidade patrimonial (art.395 do CC)
	- Objetivo - Cumprimento imperfeito em relação ao lugar, tempo e forma.
	Pagamento do valor principal + perdas e danos + juros moratórios + correção monetária + honorários advocatícios[footnoteRef:37]. [37: De acordo com o CJF só terá que pagar advogado se tiver a atuação de um causídico. ] 
Ampliação de responsabilidade (art.399[footnoteRef:38] do CC) – pode haver uma responsabilização integral em razão da mora. Ex. Pessoa que não entrega o veículo no tempo certo e ele se perece em razão da uma árvore que caiu no veículo. O devedor será responsabilizado mesmo por eventos inevitáveis, salvo se provar que o dano ocorreria de toda forma. Ex. Apto que não foi entregue no prazo e prédio cai em razão de terremoto. [38: Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada. CC] 
 PURGAÇÃO OU EMENDA DA MORA SOLVENDI– significa limpar seus efeitos. Alguns dizem que a pessoa deve se submeter aos efeitos para conseguir limpar. Art.401, inciso I, do CC.
Art. 401. Purga-se a mora: I - por parte do devedor, oferecendo este a prestação mais a importância dos prejuízos decorrentes do dia da oferta; CC
 MORA ACCIPIENDI (CREDOR)
	REQUISITO OBJETIVO – MORA ACCIPIENDI
	EFEITOS – ART.400 DO CC
	- RECUSA INJUSTA (exige apenas o requisito objetivo). 
	1º Subtração dever de guarda e conservação pelo credor. Significa que se o devedor tem o dever de guarda a coisa até a entrega, depois da mora do credor. O devedor se exime dessa responsabilização, salvo se agir com dolo.
2º Indenização das eventuais despesas
	
	3º valor mais favorável ao devedor - Se houver variação de valor entre a data prevista para pagamento e data efetiva do recebimento. O credor deverá se submeter ao valor mais favorável ao devedor. 
- A consignação em pagamento não é requisito necessário para a configuração do requisito (mora do credor). Qualquer meio de prova lícito será admitido para provar a recusa injusta (ex. mensagem zap, testemunha, etc.).
 PURGAÇÃO OU EMENDA DA MORA ACCIPIENDI – art.401, inciso II, do CC.
Art. 401. Purga-se a mora: (...) II - por parte do credor, oferecendo-se este a receber o pagamento e sujeitando-se aos efeitos da mora até a mesma data. CC
 CESSAÇÃO DA MORA DIFERENTE DE PURGAÇÃO DA MORA – A cessação é um pedido de remissão dos seus efeitos. Ex. Elisangela pedindo para tirar juros e multa em razão do inadimplemento. O credor perdoa os efeitos deletérios da mora. 
 MORA PRESUMIDA – ART.398 DO CC- Diz respeito à responsabilidade extracontratual. Todos nós temos um dever de abstenção em relação ao patrimônio ou personalidade alheia. E toda vez que violar esses direitos tenho que reparar os danos desde o momento em que causei o dano. A mora presumida é mora existente na responsabilidade extracontratual e ficará em mora desde o momento em que pratica o ilícito. 
 INADIPLEMENTO ABSOLUTO - Não cumprimento da obrigação por 03 fatores:
a) recusa voluntária do devedor: tutela específica ou reparatória. De acordo com a doutrina a tutela específica só será possível quando o objeto se mantiver íntegro e útil ao credor. 
b) perda total culposa do objeto: tutela inespecífica ou reparatória
c) caráter transformista da mora (perda da utilidade da prestação). Ocorre quando a mora se transforma em razão da perda utilidade da prestação: tutela inespecífica ou reparatória. 
 VIOLAÇÃO POSITIVA DO CONTRATO OU ADIMPLIMENTO RUIM – Decorre da função integrativa da boa-fé objetiva. A boa-fé trás os deveres anexos ou laterais. Assim, as partes tem que cumprir os deveres principais (dar, fazer ou não fazer), mas deve cumprir também os deveres anexos (derivados a lei – art.422 do CC). Dever de cooperação, proteção, informação, etc. 
- É uma violação positiva, porque violou pagando, mas pagando de modo inadequado.
- Não cumprimento pode gerar a resolução do contrato acrescido da devida tutela reparatória. 
 CLÁUSULA PENAL OU MULTA CONTRATUAL, PENA CONVENCIONAL OU PENALIDADE (ART.408 AO 416 DO CC). 
- É uma cláusula contratual que a eficácia dependerá do inadimplemento obrigacional. Alguns autores dizem que ela fica dormindo no contrato e será acordada quando vier a ocorrer uma das modalidades tradicionais de inadimplemento. Ela se manteve inerte, dormitando. 
- FUNÇÃO PREVENTIVA E REPARATÓRIA – Preventiva, ou seja, a inserção de cláusula penal visa evitar o inadimplemento contratual. Reparatória porque é forma de pré-fixar as perdas e danos. As partes já estão dizendo de antemão, qual o valor deve ser pago a título de perdas e danos. Não apurar em juízo. Não precisa alegar prejuízo para cobrar a cláusula penal. 
 ESPÉCIES DE CLAUSULA PENAL
- CLÁUSULA PENAL MORATÓRIA - É aquela que resguarda os efeitos da mora. Ex. Multa moratória de 2% sobre o valor porque não pagou a conta no dia certo. Ela tem natureza complementar (prestação + cláusula penal moratória). 
- CLÁUSULA PENAL COMPENSATÓRIA – Vai resguardas as partes dos efeitos do inadimplemento absoluto. Tem natureza substitutiva. É cobrada a prestação ou a cláusula penal compensatória. 
 TETOS DA CLÁUSULA PENAL
- CLAUSULA PENAL MORATÓRIA – Teremos percentuais moratórios previstos em lei. Ex. Contrato 10%, etc. O STJ diz que onde não está regulamentado em lei deve se utilizar o percentual de 10% do valor do contrato. 
- CLAUSULA PENAL COMPENSATÓRIA – é um valor fixo, sempre no valor da própria obrigação ajustada (art.412 do CC).
 PERGUNTAS DE CONCURSOS
- É possível cumular a cobrança de cláusula penal moratória e compensatória. Sim, desde que por causas distintas (STJ). Ex. Contrato de locação. Se devolver o imóvel antes do prazo de 36 meses, pagarei a multa prevista no contrato, geralmente 03 meses. Além disso, devo devolver com pintura nova, conforme previsto no contrato. O cumprimento imperfeito em relação a esse item de pintura.
- é possível que o juiz reduza o valor da cláusula penal de forma excepcional, quando o valor for excessivo ou quando o contrato já tiver sido cumprido em parte (art.413 do CC). Alguns dizem que é um dever do juiz, por ser uma norma de ordem pública. 
- Para se cobrar o valor prevista na cláusula penal não é necessário comprovar o efetivo prejuízo. Art.416 do CC. Precisa provar apenas a ausência da prestação ajustada. 
- A parte pode optar por não executar a cláusula penal e cobrar perdas e danos? Executar a cláusula penal do contrato é uma faculdade do credor, porque ele não precisa prova prejuízo. Se optar por entrar com ação reparatória terá que provar o prejuízo numa ação reparatória. 
- A parte prejudicada pode exigir indenização suplementar? Sim, desde que expressamente prevista essa possibilidade no contrato (art.416, parágrafo único, CC). Neste caso, a cláusula penal será um piso mínimo, sendo que as demais perdas e danos devem ser comprovados. 
- é possível cumulação de cláusula penal moratória e lucro cessante? Discussão de 2018 no STJ. A pessoa compravaum imóvel na planta que não era entregue no prazo certo. Informativo 651 (STJ, 2019) diz que parte pode optar por uma ou por outra, porque os dois tem natureza indenizatória. 
- RR – tema 971 do STJ – No contrato entre construtora e comprador em que cláusula penal apenas para o comprador, deve ser utilizado também para indenizar o comprador (caso o construtor tenha descumprido o contrato). 
INTRODUÇÃO. MODALIDADES DE INADIMPLEMENTO
 INADIMPLEMENTO ABSOLUTO E INADIMPLEMENTO RELATIVO - Na visão clássica, que remonta ao Direito Romano, existem duas modalidades de inadimplemento: 
a) Inadimplemento absoluto: 
- Descumprimento total. 
- Não pode ser mais cumprida pelo devedor. 
- Tornou-se inútil ao credor. 
b) Inadimplemento relativo ou mora: 
- Descumprimento parcial. 
- Pode ser cumprida pelo devedor. 
- Ainda é útil ao credor. 
 MORA NÃO É O DESCUMPRIMENTO APENAS PELA DEMORA. Não diz respeito apenas a questões temporais, pode ser descumprimento em relação ao tempo, lugar, modo ou forma. A mora do BGB alemão era relacionada apenas a demora. Ele influenciou a legislação civil brasileira que antes definia mora apenas como demora. Entretanto, hoje, pelo Código Civil/2002, três são os critérios da mora (CC, art. 394): Tempo; Lugar (ex. entregou no lugar errado); Forma ou modo. 
Art. 394. Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer. CC
 ALEMANHA - DEBATE SOBRE A EXISTÊNCIA DE OUTRAS 02 MODALIDADE DE INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES ALÉM DO ABSOLUTO E DO RELATIVO. CUMPRIMENTO IMPERFEITO E VIOLAÇÃO POSITIVA DO CONTRATO. Hermann Staub (advogado na Alemanha), mostrou que o BGB tinha problemas no início do séc. XX e criou a tese da violação positiva da obrigação ou violação positiva do crédito. De acordo com ele, haveria inadimplemento quando a obrigação fosse cumprida, mas não da maneira esperada (chamado de cumprimento imperfeito, cumprimento inexato ou inadimplemento ruim) e também haveria violação positiva quando ocorresse quebra da boa-fé objetiva. A tese dele foi vencedora na Alemanha. 
 NO BRASIL O CUMPRIMENTO IMPERFEITO É MORA[footnoteRef:39] - No caso brasileiro, o cumprimento inexato, cumprimento imperfeito ou adimplemento ruim da obrigação, em regra, é mora (pode ser também inadimplemento absoluto, a depender do caso), pois pode dizer respeito ao modo de cumprimento da obrigação. O descumprimento inexato pode gerar também o inadimplemento absoluto. Ex. Comprei um pacote para o nordeste com hotel 05 estrelas. Porém, quando cheguei lá o hotel era só 04 estrelas. Nesse caso temos mora (descumprimento do modo ou forma) e consequentemente a possibilidade de indenização. Por outro lado, se não tivesse hotel ou avião no lugar, seria descumprimento total (inadimplemento absoluto). Os vícios do produto ou serviço (CDC) e os vícios redibitórios (art. 441, CC – são vícios que atingem a coisa desvalorizando-a ou torna-a imprópria para o uso) são exemplos de mora. [39: Alguns autores defendem que o cumprimento inexato seria uma terceira modalidade de inadimplemento da obrigação (Marcos Catalan). Porém, Prof. Flávio Tartuce entende que não é, pois diz respeito a mora (e pode se relacionar ao modo ou forma de execução da obrigação, gerando o cumprimento ruim ou imperfeito). ] 
 VIOLAÇÃO POSITIVA DO CONTRATO OU DA OBRIGAÇÃO (DO CRÉDITO). É terceira modalidade de inadimplemento. Hermann Staub e Karl Larenz (Alemanha); No Brasil: Clóvis do Couto e Silva, Judith Martins-Costa e Enunciado n. 24 do CJF. 
- QUEBRA DOS DEVERES ANEXOS INERENTES À BOA-FÉ OBJETIVA: Haverá violação positiva quando ocorrer a quebra de um dos deveres anexos ou laterais de conduta, inerentes à boa-fé objetiva. São deveres anexos inerentes aos contratos: Dever de cuidado; Dever de respeito; Dever de informar; Dever de colaboração/cooperação; Dever de lealdade; Dever de transparência; Dever de confiança; Dever de agir honestamente. 
- Nos termos do enunciado n. 24 do CJF o descumprimento dos deveres anexos gera a responsabilidade objetiva (ou seja, independentemente de culpa). 
Enunciado 24 do CJF. Em virtude do princípio da boa-fé, positivado no art. 422 do novo Código Civil, a violação dos deveres anexos constitui espécie de inadimplemento, independentemente de culpa.
- Trata-se de uma terceira modalidade de inadimplemento por duas razões, a saber: 1ª: a parte pode cumprir os deveres principais e violar um dever anexo. 2ª essa quebra pode ocorrer nas fases pré e pós-contratual. Exemplo: fase pós-contratual (retirada do nome do SPC em 05 dias após o pagamento[footnoteRef:40] - Súmula 548[footnoteRef:41] do STJ. [40: A lei não estabelece quem deve tirar o nome dos órgãos de proteção (diferente da lei do protesto que estabelece que o devedor é quem tem que tirar o nome dos órgãos proteção). Assim, o STJ a partir da interpretação do art.43 do CDC e baseado nos deveres anexos de cooperação estabelece que deverá ser retirado em 05 dias pelo credor. ] [41: Súmula 548 do STJ - Incumbe ao credor a exclusão do registro da dívida em nome do devedor no cadastro de inadimplentes no prazo de cinco dias úteis, a partir do integral e efetivo pagamento do débito.] 
- Fundamentos dos deveres anexos: Eles decorrem das 03 funções da boa-fé objetiva. (Art. 113[footnoteRef:42], 187[footnoteRef:43] e 422[footnoteRef:44], CC). [42: Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. CC] [43: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. CC] [44: Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé. CC] 
 
REGRAS QUANTO AO INADIMPLEMENTO ABSOLUTO (CC, ARTS. 389 AO 393)
 CONCEITO: É descumprimento total da obrigação, que gera inutilidade para o credor. 
- PERDAS E DANOS + JUROS + CORREÇÃO MONETÁRIA + HONORÁRIOS DE ADVOGADO (art.389 do CC) – Havendo o descumprimento de obrigação positiva (dar e fazer), o devedor responde por perdas e danos, mais juros, correção monetária e honorários de advogado. Há divergência sobre quais honorários (se são contratuais ou de sucumbência), prevalece que são contratuais (REsp n. 1.134.725/MG (2011), Resp 1.354.856/ MG(2015)). Existem julgados em sentido contrário, dizendo que não cabe a restituição dos honorários contratuais, contudo, tal decisão foi relacionado ao reembolso de honorários na justiça do trabalho, onde prevalece o jus postulandi ((EREsp 1.155.527/MG (2012), que trata de honorários na justiça do trabalho)
Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado. CC
 INADIMPLEMENTO DE OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER OCORRE NA DATA DA PRÁTICA DO ATO - (art.390, CC): descumprimento de obrigação negativa (não fazer). O inadimplemento se dá quando o ato é praticado. Já as obrigações positivas o descumprimento ocorre na data que o ato não é praticado. Ex. Pessoa que tem contrato de confidencialidade e conta o segredo, o termo inicial do inadimplemento é data da prática do ato.
Art. 390. Nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplente desde o dia em que executou o ato de que se devia abster. CC 
 PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL (art. 391, CC) – De acordo com o princípio da responsabilidade patrimonial, o devedor responde com seus bens, salvo os impenhoráveis (CPC, art. 833[footnoteRef:45]). [45: Art. 833. São impenhoráveis: I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução; II - os móveis, os pertences e as utilidades domésticas que guarnecem a residência do executado, salvo os de elevado valor ou os que ultrapassem as necessidades comuns correspondentes a um médio padrão de vida; III - os vestuários, bem como os pertencespor perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado. (...) Art. 391. Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor.
- A lei estabelece em diversas passagens um patrimônio mínimo capaz de resguardar a dignidade da pessoa humana. O art.789 do CPC também manifesta a teoria dualista de Brinz, porém, é mais atualizado do que o CC, porque resguarda o mínimo existencial. A lei 8009 é uma hipótese de ressalva, o art.833 do CPC também é. 
Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei. CC
TEORIA DUALISTA – CLASSIFICAÇÃO – OBRIGAÇÃO PERFEITA E IMPERFEITA
 A partir da teoria dualista surgem duas classificações (obrigação perfeita e imperfeita). 
 OBRIGAÇÃO PERFEITA - Perfeita é aquela obrigação na qual existe o débito e a responsabilidade, sendo que esses elementos recaem sobre o mesmo devedor. 
 OBRIGAÇÃO IMPERFEITA: Imperfeita é aquela obrigação em que pode ter a presença de um débito, mas sem a consequente responsabilidade (débito sem responsabilidade). Ou ainda pode ter uma responsabilidade sem que o débito recaia sobre quem é responsável (responsabilidade sem débito). Pode ser: 
A) DÉBITO SEM RESPONSABILIDADE (“Debitum sine obligatio” ou “Schuld ohne Haftung”). Ex. Obrigações naturais ou incompletas, porque o débito existe, mas não há pretensão ou responsabilidade. Por isso, que o CC as chama de obrigação judicialmente inexigível. Dívida prescrita (art.882[footnoteRef:1] do CC). Ex2. Dívida de jogo ou aposta (está regulamentado no art.814[footnoteRef:2] do CC – nas espécies de contratos). A aposta é lícita, porém, temos o débito, mas não teremos responsabilidade. [1: Art. 882. Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível. CC] [2: Art. 814. As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento; mas não se pode recobrar a quantia, que voluntariamente se pagou, salvo se foi ganha por dolo, ou se o perdente é menor ou interdito. CC] 
	CLASSIFICAÇÃO DO JOGO E DA APOSTA – Jogos permitidos são aqueles regulamentados por lei. São, portanto, obrigações perfeitas. Isso porque possuem débito e responsabilidade. São os chamados concurso de prognósticos (conforme a CF) Ex. Loterias; corrida de cavalos no Jóquei. 
- Jogos proibidos são aqueles qualificados pela lei como ilícitos. Pode ser que haja também o enquadramento penal ou não. Não são obrigações. Logo, não cabe qualquer tipo de classificação entre perfeita ou imperfeito. O objeto é proibido. Ex. Rinha de galo e pit bul (crimes ambientes); jogo do bicho. Os jogos tolerados segundo a doutrina e o STJ, que se enquadram como obrigações imperfeitas. 
- Jogos tolerados são aqueles que não são proibidos e nem se qualificam como permitidos. São jogos e apostas que estão no art.814 do CC.
- Dívida de jogo contraída no exterior pode ser cobrada no Brasil (STJ – informativos 566 e 610), desde que no lugar da celebração do contrato o jogo seja regulamentado (art.9º da LINDB). 
B) RESPONSABILIDADE SEM DÉBITO - (“Obligatio sine debitum” ou “Haftung ohne Schuld”). Garantia prestada por terceiros. A pessoa é responsável sem que a dívida (débito) seja sua. Se o fiador pagar, sub-roga-se nos direitos do credor. Exemplo: fiador.
TEORIA DA OBRIGAÇÃO COMO PROCESSO
- KARL LARENZ – IDEIA INICIAL - O CC trabalha a obrigação como um processo. No séc. XX, Karl Larenz (Alemanha) criou a ideia de obrigação como processo. Sendo essa teoria aplicada no Direito Brasileiro, por Clóvis do Couto e Silva no livro “Obrigação como Processo”, na década de 1970. 
- CLÓVIS DO COUTO E SILVA (NO BRASIL) - Foi um dos juristas que participou da Comissão de Elaboração do CC/02. Participou na Comissão de Direito de Família. Agustinho Alvim foi nomeado para Comissão de Direito das Obrigações. Miguel Reale era o Presidente da Comissão. Agustinho Alvim adotou a teoria de Clóvis do Couto (Obrigação como Processo).
- PROCESSO - É um conjunto de atos encadeados com a finalidade a se alcançar um determinado resultado. Esse conjunto de atos surgem de alguma fonte e visa alcançar uma finalidade. 
 PROCESSO OBRIGACIONAL
- MOMENTO PRÉ-INICIAL - Antes do início temos as fontes das obrigações: a primeira é o exercício da autonomia privada (manifestação de vontade – negócio jurídico). A segunda fonte é o ato ilícito decorrente de violação à lei ou do abuso do direito (art.186 e 187 e 927 do CC). A terceira fonte é o enriquecimento sem causa (art.884 do CC), desiquilíbrio patrimonial injustificado, teremos ações que procuram combater o desequilíbrio (ações restitutórias). A quarta fonte será a lei (lato sensu). 
- INÍCIO – Tudo que nasce se reveste de características próprias. Cada processo obrigacional será revestido de suas próprias características ou modalidades (todo o processo obrigacional terá um dar, fazer ou não fazer. Poderá ainda ser alternativa/cumulativa/facultativa. Pode ser divisível/indivisível ou solidária) (título I).
- FIM DO PROCESO OBRIGACIONAL – O fim do processo obrigacional é o cumprimento do débito. O adimplemento é a finalidade desejada no âmbito do processo obrigacional (o adimplemento polariza a obrigação). O fim é buscado tanto pelo credor, quanto pelo devedor (não deve ser visto de forma antagônica a finalidade dos dois). O credor sonha em receber e o devedor sonha em pagar. O devedor objetiva pagar sob pena de sofrer os efeitos patrimoniais decorrentes do não pagamento. Eles são parceiros na busca do adimplemento obrigacional. Entretanto, excepcionalmente, pode ocorrer o inadimplemento.
- FASE INTERMEDIÁRIA (TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES – título II) – Pode haver a transmissão da obrigação. Isso pode ocorrer com a cessão de crédito (modificação do credor) ou assunção de dívida (substituição do devedor). 
- ADIMPLEMENTO (título III) – Pagamento direito ou indireto e formas especiais de pagamento. 
- INADIMPLEMENTO (título IV) – Que é a forma patológica de finalização das obrigações. 
- O título I, II, III e IV regula o que a doutrina chama de Teoria Geral das Obrigações (TGO). Os contratos estão no título V (não é um livro a parte), VI contratos em espécie, VII atos unilaterais), etc. 
PRINCÍPIOS OBRIGACIONAIS
 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DO PAGAMENTO – Significa que as regras do direito das obrigações são feitas para que seja alcançado de forma mais simples e imediata o adimplemento da obrigação (Se a pessoa estiver diante de uma situação em concreto de não saber qual regra a ser aplicada, deve imaginar qual a solução que alcança com mais facilidade o pagamento da obrigação). Decorre da obrigação como processo. A finalidade do processo obrigacional é alcançar o adimplemento. A obrigação é um processo que busca o adimplemento da obrigação pelo pagamento. 
- EX: OBRIGAÇÃO ALTERNATIVA - é a aquela na qual o devedor se desobrigará pagando uma outra obrigação. Quem escolherá a obrigação? Pelo princípio da primazia o pagamento, o que é mais fácil em busca do adimplemento é o devedor escolher. Via de regra, a escolha será do devedor, para facilitar a busca do pagamento. 
- TERCEIRO (estranho a relação obrigacional) pode pagar? Sim, em razão do princípio da primazia do pagamento. 
- LOCAL DO PAGAMENTO – Domicílio do devedor (art.327 do CC), em razão do princípio da primazia do pagamento. A obrigação em regra é quérable. 
 PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA - Estabelece um modelo de comportamento esperado, adequado (que o legislador tem a expectativa que as partes observarão, respeitarão. 
- É um manto que recairá sobre todo o processo obrigacional, desde a fase pré-contratual, contratual e pós-contratual. 
- TRÍPLICE PERPECTIVA. Auxilia o legislador no momento da criação da norma jurídica. Na cessão de crédito, em respeito ao dever de informação e de cuidado, o credor deve informar o devedor a cessão de crédito. 
 PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA – Embora alguns falem em enriquecimento ilícito, ode uso pessoal do executado, salvo se de elevado valor; IV - os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as remunerações, os proventos de aposentadoria, as pensões, os pecúlios e os montepios, bem como as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e de sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal, ressalvado o § 2º ; V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício da profissão do executado; VI - o seguro de vida; VII - os materiais necessários para obras em andamento, salvo se essas forem penhoradas; VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família; IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória em educação, saúde ou assistência social; X - a quantia depositada em caderneta de poupança, até o limite de 40 (quarenta) salários-mínimos; XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos por partido político, nos termos da lei; XII - os créditos oriundos de alienação de unidades imobiliárias, sob regime de incorporação imobiliária, vinculados à execução da obra. § 1º A impenhorabilidade não é oponível à execução de dívida relativa ao próprio bem, inclusive àquela contraída para sua aquisição. § 2º O disposto nos incisos IV e X do caput não se aplica à hipótese de penhora para pagamento de prestação alimentícia, independentemente de sua origem, bem como às importâncias excedentes a 50 (cinquenta) salários-mínimos mensais, devendo a constrição observar o disposto no art. 528, § 8º , e no art. 529, § 3º . § 3º Incluem-se na impenhorabilidade prevista no inciso V do caput os equipamentos, os implementos e as máquinas agrícolas pertencentes a pessoa física ou a empresa individual produtora rural, exceto quando tais bens tenham sido objeto de financiamento e estejam vinculados em garantia a negócio jurídico ou quando respondam por dívida de natureza alimentar, trabalhista ou previdenciária. CPC
] 
Art. 391. Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor. CC
 RESPONSABILIDADE CONTRATUAL, EM REGRA, É SUBJETIVA - A responsabilidade civil contratual, que decorre do inadimplemento obrigacional, em regra, é subjetiva (art. 392, CC). A lei pode definir situações de responsabilidade objetiva, como por exemplo, no caso de responsabilidade do transportador. 
- Nos contratos gratuitos (benéficos), responde por dolo a parte a quem o contrato não favoreça (aquele que não tem benefício) e, por culpa, aquele que tem o benefício. Exemplo: comodato (empréstimo de bem infungível): Comodante: só responde por dolo (ato intencional). Assim, não responderá pelo atraso na entrega do imóvel, porque o pintor se atrasou. Comodatário: responde por simples culpa (dolo ou culpa em sentido estrito). Assim, terá que pintar a casa quando for devolver, caso tenha estragado a pintura. 
- Nos contratos onerosos (prestação + contraprestação), cada uma das partes responde por culpa (“lato sensu”). Exemplo: compra e venda. 
Art. 392. Nos contratos benéficos, responde por simples culpa o contratante, a quem o contrato aproveite, e por dolo aquele a quem não favoreça. Nos contratos onerosos, responde cada uma das partes por culpa, salvo as exceções previstas em lei. CC
 CONFIRMAÇÃO DA REGRA DA RESPONSABILIDADE SUBJETIVA - A responsabilidade contratual subjetiva, como regra geral, é confirmada pelo artigo 393 do Código Civil, pois o devedor, em regra, não responde por caso fortuito ou força maior. 
Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. CC
- Distinção entre caso fortuito e força maior (doutrina majoritária defendida por Orlando Gomes, Sérgio Cavalieri, Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona): Caso fortuito é o evento totalmente imprevisível. Ex. Queda de uma ponte. Força maior é o evento previsível, mas inevitável. Ex. Tempestade, inundação, etc.
REGRAS QUANTO AO INADIMPLEMENTO RELATIVO OU MORA (CC, ART. 394 A 401)
 CONCEITO: É descumprimento parcial da obrigação, que ainda pode ser cumprida pelo devedor (não ocorreu a perda utilidade, porque se ocorrer houve o inadimplemento absoluto). O inadimplemento parcial ou mora diz respeito ao descumprimento em relação ao tempo, lugar, forma/modo, nos termos do art.394 do CC.
Art. 394. Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer. CC
 CLASSIFICAÇÃO DA MORA E SEUS EFEITOS
A) MORA “ACCIPIENDI” OU “CREDITORIS”.
- É a mora no recebimento da obrigação ou mora do credor. 
- Não exige culpa do devedor, que não quer receber a obrigação. 
03 efeitos da mora “accipiendi” (art.400 do CC), a saber:
1) O devedor só responde por dolo (intenção) se a coisa se perder. Não responde por culpa em sentido estrito e nem caso fortuito ou força maior. 
2) O credor deve ressarcir o devedor pelas despesas de conservação da coisa. 
3) Se o valor da coisa oscilar, o credor é obrigado a recebê-la da maneira mais vantajosa ao devedor. 
Ex. A tem que entregar o cavalo para B. B se recusa a receber. Se o cavalo morreu por algum descuido do devedor A, A não responderá, porque só responde no caso de dolo (intenção de matar o cavalo). 
4) Quarto efeito: O devedor tem o direito de consignar a coisa (art. 334 do Código Civil). 
Art. 400. A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à responsabilidade pela conservação da coisa, obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas em conservá-la, e sujeita-o a recebê-la pela estimação mais favorável ao devedor, se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação. CC
B) MORA “SOLVENDI” OU “DEBITORIS”
- É a mora no pagamento ou mora do devedor. 
- Em regra, exige culpa (CC, art. 396). 
Art. 396. Não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este em mora. CC
- Subclassificação: Existe três modalidades de mora do devedor, a saber:
B.1) MORA “EX RE” OU AUTOMÁTICA (art. 397, “caput”, CC). Essa mora independe de notificação do devedor pelo credor, aplicando-se a máxima “dies interpellat pro homine” (o dia do vencimento interpela a pessoa). Ocorre em caso de obrigação positiva e líquida no termo final/vencimento. Ex. Venceu num dia e no outro já está em mora. O credor não precisa fazer nada, porque a mora é automática. 
Art. 397. O inadimplemento da obrigação, positiva e líquida, no seu termo, constitui de pleno direito em mora o devedor. CC
B.2) MORA “EX PERSONA” OU PENDENTE (CC, art. 397, parágrafo único): é aquela que depende de notificação do devedor pelo credor (interpelação judicial ou extrajudicial). 
Art.397 (...), parágrafo único. Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial. CC
- Pode ser feita em local distinto do domicílio do devedor (Enunciado 396 do CJF). No mesmo sentido REsp 1.283.834/BA (STJ).
- Enunciado 619, CJF. A interpelação pode ser feita por meio eletrônico (além de outros meios, como Cartório de Títulos e Documentos e Correios (AR)).
- Obrigação positiva, líquida, mas sem termo final. Ex. Contrato de comodato por prazo indeterminado. 
B.3) MORA PRESUMIDA OU IRREGULAR (CC, art. 398): nos casos de atos ilícitos (responsabilidade civil extracontratual) considera-se o devedor em mora desde a prática do ato. Ex. Acidente de trânsito em que uma das partes causa prejuízo à outra.
Art. 398. Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora, desde que o praticou. CC
 EFEITOS DA MORA “SOLVENDI”
 RESPONSABILIDADE PELOS PREJUÍZOS DECORRENTES DA MORA (CC, art. 395). O devedor em mora responde pelos prejuízos que sua mora der causa, mais juros, mais correção monetária e mais honorários de advogado (existe a mesma divergênciado tópico anterior, se são contratuais ou sucumbenciais). 
Art. 395. Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, atualização dos valores monetários segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado. CC
 PERDA DA UTILIDADE AO CREDOR - CONVERSÃO DA MORA EM INADIMPLEMENTO ABSOLUTO (CC, art. 395, parágrafo único). Conversão da mora em inadimplemento absoluto pelo critério da utilidade ao credor. Se a prestação não for mais útil ao credor, teremos o inadimplemento absoluto. Ex. Viagem para hotel 05 estrelas, porém, chega no local não tem nenhum hotel ou todos estão ocupados.
Art.395 (...)Parágrafo único. Se a prestação, devido à mora, se tornar inútil ao credor, este poderá enjeitá-la, e exigir a satisfação das perdas e danos.
- Enunciado n. 162 CJF: critérios para a utilidade são: a) MANUTENÇÃO DO SINALAGMA (equilíbrio), ou seja, manutenção da equivalência da prestação (que visa a conservação do negócio jurídico). B) Boa-fé objetiva, e não o mero interesse subjetivo do credor. 
A inutilidade da prestação que autoriza a recusa da prestação por parte do credor deverá ser aferida objetivamente, consoante o princípio da boa-fé e a manutenção do sinalagma, e não de acordo com o mero interesse subjetivo do credor. Enunciado 162 do CJF
- EXEMPLO: TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL (“substantial performance”, direito inglês[footnoteRef:46]): se o contrato for quase todo cumprido, sendo a mora insignificante, não caberá sua extinção, mas apenas outros efeitos como a cobrança. O STJ aplicava nos contratos de alienação fiduciária, porém, agora não aplica mais. [46: Tem previsão também no Direito Italiano, denominado Mora de Escassa Importância (art.1455 do Código Civil Italiano)] 
 DEVEDOR RESPONDE POR CASO FORTUITO E FORÇA MAIOR, SALVO SE PROVAR QUE DE TODA O PREJUIZO OCORRERIA (CC, art. 399). O devedor em mora responderá por caso fortuito ou força maior, em regra. Porém, não responderá se provar que a perda da coisa ocorreria (o dano ocorreria) mesmo se não houvesse o atraso (mora). 
Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada. CC
 MORA RECÍPROCA OU BILATERAL OU SIMULTÂNEAS. É mora é do credor e do devedor ao mesmo tempo. Como ninguém pode se beneficiar da própria torpeza, nenhuma das partes poderá alegá-la (aplica-se o art. 150 do CC por analogia).
- É uma criação doutrinária. 
- Moras simultâneas: “compensação dos atrasos”
 PURGAÇÃO DA MORA (ou emenda da mora) (CC, art. 401): A purgação da mora, neutraliza os efeitos da mora. Ocorrerá purgação da mora quando:
a) O devedor paga diretamente a obrigação. Ex. pagamento de aluguel atrasado com todos os acréscimos legais (juros, multa, etc). 
b) Quando o credor receber a prestação. 
Art. 401. Purga-se a mora: I - por parte do devedor, oferecendo este a prestação mais a importância dos prejuízos decorrentes do dia da oferta; II - por parte do credor, oferecendo-se este a receber o pagamento e sujeitando-se aos efeitos da mora até a mesma data. CC
- PURGAÇÃO X CESSAÇÃO DA MORA - Se houver uma regra especial de pagamento ou forma de pagamento indireto, estará presente a CESSAÇÃO da mora. De acordo com a doutrina a purgação da mora só ocorre nas hipóteses do art.401 do CC, ou seja, quando o devedor em mora paga ou quando o devedor em mora recebe. Se o credor receber em consignação em pagamento não haverá a purgação, mas sim a cessação da mora, de acordo com a doutrina.
DA MULTA OU CLÁUSULA PENAL (CC, ART. 408 A 416)
 CONCEITO: trata-se da penalidade instituída por lei ou pela vontade das partes para os casos de inadimplemento absoluto ou relativo da obrigação. 
 MODALIDADES OU CLASSIFICAÇÃO DE MULTA OU CLÁUSULA PENAL
A) QUANTO À ORIGEM: 
a.1) Multa legal. É aquela instituída por lei.
a.2) Multa convencional. É aquela instituída por convenção entre as partes.
B) QUANTO AO INADIMPLEMENTO – ART.409 DO CC
b.1) Multa moratória. É aquela que decorrente do descumprimento relativo da obrigação. 
b.2) Multa compensatória (inadimplemento absoluto). É aquela que decorrente do inadimplemento absoluto da obrigação. 
Art. 409. A cláusula penal estipulada conjuntamente com a obrigação, ou em ato posterior, pode referir-se à inexecução completa da obrigação, à de alguma cláusula especial ou simplesmente à mora. CC
 NATUREZA JURÍDICA DA CLÁUSULA PENAL (CARACTERÍSTICAS) 
A) NATUREZA ACESSÓRIA: 
- Não pode existir sozinha. É um acessório da obrigação principal.
- Não pode ser superior à obrigação principal (CC, art. 412[footnoteRef:47]). [47: Art. 412. O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal. CC] 
- Tudo o que ocorrer na obrigação principal repercute na multa (ou cláusula penal). Ex. se o contrato principal for nulo a multa também será nula. Porém, a recíproca não é verdadeira, porque se cláusula penal for nula, não haverá necessariamente a nulidade da obrigação principal.
B) NATUREZA SANCIONATÓRIA E PUNITIVA (divergência doutrinária)
- PENA (PUNIÇÃO) Isso porque ela visa ao cumprimento da obrigação principal, servindo de pena (punição) nos casos de inadimplemento. 
- DIVERGÊNCIA NA DOUTRINA QUANTO À NATUREZA SANCIONATÓRIA - Não é toda a doutrina que aceita a natureza sancionatória ou punitiva da cláusula penal. Limongi França e Nelson Rosenvald entendem que tem natureza sancionatória. Já Otávio Luiz Rodrigues e José Fernando Simão entendem que não tem natureza sancionatória, tendo natureza indenizatória. 
- EXIGE CULPA DO DEVEDOR - Conforme artigo 408[footnoteRef:48] do Código Civil, em regra, exige culpa do devedor. [48: Art. 408. Incorre de pleno direito o devedor na cláusula penal, desde que, culposamente, deixe de cumprir a obrigação ou se constitua em mora. CC] 
C) NATUREZA INDENIZATÓRIA. Funciona como antecipação das perdas e danos. Por isso, em regra, para se exigir a multa não é necessário alegar e provar o prejuízo (CC, art. 416). 
Art. 416. Para exigir a pena convencional, não é necessário que o credor alegue prejuízo. Parágrafo único. Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal, não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi convencionado. Se o tiver sido, a pena vale como mínimo da indenização, competindo ao credor provar o prejuízo excedente. CC
LIMITES DA CLÁUSULA PENAL/MULTA
 LIMITES LEGAIS - Alguns limites são impostos por lei em normas de ordem pública: 
a) Multa moratória em dívidas condominiais: 2% (CC, art. 1.336, § 1º[footnoteRef:49]). [49: Art.1336 (...)§ 1 o O condômino que não pagar a sua contribuição ficará sujeito aos juros moratórios convencionados ou, não sendo previstos, os de um por cento ao mês e multa de até dois por cento sobre o débito. CC] 
b) Multa moratória em contratos de consumo: 2% (CDC, art. 52, § 1º[footnoteRef:50]). [50: Art.52 (...) § 1° As multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu termo não poderão ser superiores a dois por cento do valor da prestação. CDC] 
c) Multa moratória nos contratos civis: 10% (Dec.-Lei n. 22.626/33, art. 9º - Lei de Usura[footnoteRef:51]). Ex. Contrato de locação (divergente, porque alguns dizem que o valor da obrigação principal, porém, a doutrina majoritária entende que é de 10%) [51: Art. 9º. Não é válida a cláusula penal superior a importância de 10% do valor da dívida. Lei de Usura (Decreto 22626/1933)] 
d) Multa compensatória (inadimplemento absoluto) nos contratos civis: será de 100% do valor da obrigação principal (CC, art. 412). 
e) Multa compensatória (inadimplemento absoluto) nos contratos de consumo: o CDC não prevê. Por analogia, aplica-se o artigo 412 do Código Civil: 100%. 
Art. 412. O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal. CC
 REDUÇAO EQUITATIVA DA CLÁUSULA PENAL PELO JUIZ (ART.413 DO CC). Em todos oscasos citados anteriormente, caberá a redução equitativa da cláusula penal pelo juiz, desde que observados alguns requisitos, a saber: a) Obrigação tiver sido cumprida em parte (Já tinha o art.924 do CC/16); ou b) se multa for exagerada (onerosidade excessiva, tendo em vista a função social do contrato).
Art. 413. A penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio. CC
- NORMA DE ORDEM PÚBLICA - O artigo 413 é considerado norma de ordem pública. Sendo assim, não cabe renúncia ao seu teor (Enunciado 355, CJF) e a redução é de ofício pelo juiz (Enunciado n. 356, CJF). Ademais, a redução não deve ser proporcionalmente idêntica ao percentual adimplido (Enunciado n. 359, CJF). 
- JULGADOS QUE ADOTARAM ESSAS PREMISSAS (fazer leitura)
➢ Caso Celso de Freitas x Globo (2014): Ele saiu da Globo e foi para rede Record. REsp 1.186.789/RJ.
➢ Caso Latino x Rede TV (2017) - REsp 1.466.177/SP.
➢ Critérios para a redução (2017) - REsp 1.641.131/SP 
➢ Aplicação do art.413 do CC para contratos de consumo, reduzindo a multa para 20% - REsp 1.580.278/SP
“LEI DOS DISTRATOS IMOBILIÁRIOS” – Lei 13.786/2018 (art. 67-A[footnoteRef:52]) – Trata do descumprimento dos contratos imobiliários. A Lei alterou as Leis n º 4.591, de 16 de dezembro de 1964, e 6.766, de 19 de dezembro de 1979, para disciplinar a resolução do contrato por inadimplemento do adquirente de unidade imobiliária em incorporação imobiliária e em parcelamento de solo urbano. [52: “Art. 67-A
 . Em caso de desfazimento do contrato celebrado exclusivamente com o incorporador, mediante distrato ou resolução por inadimplemento absoluto de obrigação do adquirente, este fará jus à restituição das quantias que houver pago diretamente ao incorporador, atualizadas com base no índice contratualmente estabelecido para a correção monetária das parcelas do preço do imóvel, delas deduzidas, cumulativamente: I - a integralidade da comissão de corretagem; II - a pena convencional, que não poderá exceder a 25% (vinte e cinco por cento) da quantia paga. § 1º Para exigir a pena convencional, não é necessário que o incorporador alegue prejuízo. § 2º Em função do período em que teve disponibilizada a unidade imobiliária, responde ainda o adquirente, em caso de resolução ou de distrato, sem prejuízo do disposto no caput e no § 1º deste artigo, pelos seguintes valores: I - quantias correspondentes aos impostos reais incidentes sobre o imóvel; II - cotas de condomínio e contribuições devidas a associações de moradores; III - valor correspondente à fruição do imóvel, equivalente à 0,5% (cinco décimos por cento) sobre o valor atualizado do contrato, pro rata die; IV - demais encargos incidentes sobre o imóvel e despesas previstas no contrato. § 3º Os débitos do adquirente correspondentes às deduções de que trata o § 2º deste artigo poderão ser pagos mediante compensação com a quantia a ser restituída. § 4º Os descontos e as retenções de que trata este artigo, após o desfazimento do contrato, estão limitados aos valores efetivamente pagos pelo adquirente, salvo em relação às quantias relativas à fruição do imóvel. § 5º Quando a incorporação estiver submetida ao regime do patrimônio de afetação, de que tratam os arts. 31-A a 31-F desta Lei, o incorporador restituirá os valores pagos pelo adquirente, deduzidos os valores descritos neste artigo e atualizados com base no índice contratualmente estabelecido para a correção monetária das parcelas do preço do imóvel, no prazo máximo de 30 (trinta) dias após o habite-se ou documento equivalente expedido pelo órgão público municipal competente, admitindose, nessa hipótese, que a pena referida no inciso II do caput deste artigo seja estabelecida até o limite de 50% (cinquenta por cento) da quantia paga. Lei 13.786/2018.] 
- Multa de 25% de cláusula penal; 
- Multa de até 50% - patrimônio de afetação. 
- Flávio Tartuce entende que o art. 413 do Código Civil pode ser aplicado para a redução dessas penalidades. Ver artigo da autoria de Flávio Tartuce e do Des. Marco Aurélio Bezerra de Melo: https://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI293842,71043-Primeiras+linhas+sobre+a+restituicao+ao+consumidor+das+quantias+pagas;
EFEITOS DA CLÁUSULA PENAL
 MULTA MORATÓRIA (MULTA + OBRIGAÇÃO PRINCIPAL). Multa moratória (CC, art. 411): é a multa pelo inadimplemento relativo. O credor poderá exigir a multa + obrigação principal. 
Exemplo: locação. O locador exige a multa locatícia mais os aluguéis.
Art. 411. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora, ou em segurança especial de outra cláusula determinada, terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada, juntamente com o desempenho da obrigação principal. CC
 
 MULTA COMPENSATÓRIA MULTA OU OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - Multa compensatória (decorre do inadimplemento absoluto) (CC, art. 410): o credor deve optar entre a multa ou obrigação principal (perdas e danos) – “alternativa em benefício do credor”. 
Art. 410. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação, esta converter-se-á em alternativa a benefício do credor. CC
- MULTA DISPENSA DE PROVA DO PREJUÍZO (ART.416 DO CC) - Para exigir a multa compensatória, não é necessário provar o prejuízo (CC, art. 416). Já as perdas e danos devem ser provadas (CC, art. 403). 
Art. 416. Para exigir a pena convencional, não é necessário que o credor alegue prejuízo. CC
Art. 403. Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual.
- NÃO CABE CUMULAÇÃO DE MULTAS COM PERDAS E DANOS, SALVO CONVENÇÃO EM SENTIDO CONTRÁRIO - Em regra, não cabe cumulação (multa com perdas e danos), se isso não foi convencionado (É possível que se estabeleça indenização suplementar – art.416, parágrafo único, 1ª parte, CC). Se o tiver sido, a multa vale como mínimo de indenização devendo a parte provar o prejuízo excedente (CC, art. 416, parágrafo único).
Art.416 (...) Parágrafo único. Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal, não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi convencionado. Se o tiver sido, a pena vale como mínimo da indenização, competindo ao credor provar o prejuízo excedente. CC
 
JUROS NO CÓDIGO CIVIL DE 2002 (ARTS. 406 E 407)
 FRUTOS CIVIS - São os juros de inadimplemento das obrigações. Conceito: são frutos civis (rendimentos). Valores devidos pela utilização de capital alheio. Eles tem clara função punitiva, porque não há necessidade de provar o prejuízo para exigi-los (art.407 do CC)
- CORREÇÃO MONETÁRIA – Os juros não se confundem com a correção monetária, porque ela visa atualizar os valores, segundo índices oficiais, em razão do passar do tempo. Visa evitar o enriquecimento sem causa da parte devedora. A parte devedora deve pagar juros e correção monetária.
CLASSIFICAÇÃO DOS JUROS: 
➢ QUANTO À ORIGEM: 
- Juros legais (art.406 do CC). São aqueles que decorrem da lei. 
- Juros convencionais. São aqueles que decorrem de contrato. 
➢ QUANTO AO INADIMPLEMENTO: 
- Juros moratórios (art.406 do CC). Que dizem respeito à mora (inadimplemento relativo)
- Juros compensatórios. Que dizem respeito são devidos para casos de inadimplemento absoluto. 
 CC, art. 406: juros legais moratórios. De acordo com o CC, os juros legais moratórios serão fixados conforme a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de valores devidos à Fazenda Nacional. Art. 406. Quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional.
- Existem duas correntes sobre a expressão “valores devidos à Fazenda Nacional”, a saber:
1ª CORRENTE – Diz que os juros legais moratóriossão de 1% ao mês e de 12% ao ano (CTN, art. 161, § 1º) (Enunciado n. 20 – I Jornada de Direito Civil). 
2ª CORRENTE – De acordo com a outra parte da doutrina os juros moratórios legais seriam a taxa SELIC (Banco Central) (Selic tem juros e correção, porém, é menor do que 1%). 
- Tem julgados no STJ nos dois sentidos, e a Corte Especial ainda não decidiu o tema. 
	INÍCIO DOS JUROS DE MORA
	Mora “ex re” (ocorre automaticamente)
	O termo inicial é o do vencimento da obrigação. Enunciado 428 CJF e STJ – EREsp 1.250.382/RS (2014 – Corte Especial)
	Mora “ex persona” (é aquela que depende de notificação)
	Citação inicial do processo, nos termos do art.405 do CC. Essa citação pode acontecer antes da propositura da ação, por meio de notificação judicial, ou na ação de cobrança. “Art. 405. Contam-se os juros de mora desde a citação inicial. CC”
	Mora presumida ou irregular
	É contado a partir do ato ilícito, nos termos da súmula 54 do STJ.
	
	
ARRAS OU SINAL (CC, ARTS. 417 A 420)
 CONCEITO: É o valor pago ou a coisa entregue, em antecipação, quando da celebração do contrato preliminar com o intuito de torná-lo definitivo.
- Exemplo: venda de imóvel (1 milhão). Arras ou sinal: 100 mil (valor que será descontado ao final). 
Art. 417. Se, por ocasião da conclusão do contrato, uma parte der à outra, a título de arras, dinheiro ou outro bem móvel, deverão as arras, em caso de execução, ser restituídas ou computadas na prestação devida, se do mesmo gênero da principal. CC
 NATUREZA JURÍDICA: similar à da cláusula penal: porque tem natureza acessória, sancionatória (punitiva) e indenizatória. Por isso, a doutrina e jurisprudência: defendem que o artigo 413 do Código Civil aplica-se às arras, se elas forem exageradas (função social das arras). Pode haver a redução do valor das arras. Nesse sentido: Enunciado n. 165 CJF e STJ (REsp n. 1.513.259/MS (2016))
 MODALIDADES DE ARRAS E SEUS EFEITOS
a) ARRAS CONFIRMATÓRIAS (regra) (“no silêncio”). Neste caso, não há cláusula de arrependimento. No silêncio do contrato, em regra, as arras serão confirmatórias. Assim, se houver inadimplemento, a parte prejudicada pode exigir o valor das arras + perdas e danos. 
Art. 418. Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado. Art. 419. A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo, valendo as arras como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo as arras como o mínimo da indenização. CC
b) ARRAS PENITENCIAIS (exceção) – FUNÇÃO INDENIZATÓRIA: Neste caso, deve haver cláusula expressa de arrependimento. Sendo exercido o direito constante desta cláusula, a outra parte somente pode exigir as arras. Sem perdas e danos. (Súmula 412, STF[footnoteRef:53]) [53: Súmula 412, STF: “No compromisso de compra e venda com cláusula de arrependimento, a devolução do sinal, por quem o deu, ou a sua restituição em dôbro, por quem o recebeu, exclui indenização maior, a título de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os encargos do processo.” ] 
Art. 420. Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar. CC
image1.pngCC fala sem causa. É o enriquecimento sem justa causa. A pessoa pode ser enriquecer, desde que tenha uma causa lícita. 
- Fiador que paga a conta do afiançado tem direito de regresso. Isso em razão do princípio da vedação ao enriquecimento sem justa causa. A sub-rogação e a compensação são institutos que visam evitar o enriquecimento sem causa. 
 PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL – Trabalha com a perspectiva da tutela externa do crédito. Toda relação jurídica obrigacional transcende o interesse das partes envolvidas. Vai para além das partes envolvidas, ou seja, toda a coletividade (terceiros) deve respeitar uma relação jurídica obrigacional em curso. Traz uma blindagem para a relação jurídica em curso. 
MODALIDADES OBRIGACIONAIS – TITULO I
 Título que é mais cobrado historicamente em prova de concurso.
 São classificações das obrigações.
 Capítulo I – Dar; Capítulo II – Fazer; Capítulo III – Não fazer; Capítulo IV – Alternativas; Capítulo V – Divisíveis e indivisíveis; Capítulo VI – Solidárias
 OUTRAS MODALIDADES DECORRENTES DA AUTONOMIA PRIVADA - Essas são as principais modalidades obrigacionais, as quais o legislador optou por inseri-las no CC. Porém, existem outras classificações, tais como de meio, de resultado, obrigações facultativas (posso fazer ou não fazer), etc. As novas modalidades podem surgir da autonomia privada (as partes poderão estabelecer novas modalidades de obrigações, desde que não proibidas pelo ordenamento jurídico). 
 DAR, FAZER E NÃO FAZER OBRIGAÇÕES OBRIGATÓRIAS - As obrigações de dar, fazer e não são obrigatórias, porque todas as obrigações vão envolver um dar, fazer ou não fazer. Todos os contratos terão uma ou mais dessas prestações. 
OBRIGAÇÃO DE DAR – TITULO I – CAPÍTULO I – ART.233 AO 246 DO CC
 CONCEITO: A obrigação de dar consiste no compromisso do devedor em realizar a entrega ou restituição de coisas. Ex. Obrigação de dar quantia certa.
 CLASSIFICAÇÃO
- OBRIGAÇÃO DE DAR COISA CERTA – Também denominada de obrigação específica. E aquela obrigação em que o bem é delimitado quanto ao seu gênero, qualidade e quantidade. Ex. Entrega do veículo X, placa Y. 
- OBRIGAÇÃO DE DAR COISA INCERTA – Também chamada de obrigação genérica ou dívida de gênero. Nessa modalidade o bem da vida também é delimitado pelo gênero e pela quantidade, faltando apenas a designação de sua qualidade. Falta a qualidade do objeto que será adimplido. Ex. Combino que entregarei 02 filhotes de cachorro, sem dizer qual a qualidade. A coisa não precisa ser a melhor, mas também não pode ser a pior coisa. 
- ESCOLHA DA COISA INCERTA PELO DEVEDOR (princípio da primazia do pagamento) - A escolha da coisa incerta pertence ao devedor se o contrário não resulta do título da obrigação. (Art.244[footnoteRef:3] do CC). [3: Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes; se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos. CC] 
- CONCENTRAÇÃO (ART.245[footnoteRef:4] DO CC) – momento da escolha da coisa incerta. Em algum momento a qualidade deverá ser escolhida pelo devedor, salvo se o contrato dispuser em sentido contrário. Depois que há escolha a obrigação passa a ser de dar coisa certa. A partir do momento em que a escolha é feita a obrigação deixa de ser genérica e a passa ser uma obrigação específica, aplicando-se as regras da obrigação específica. [4: Art. 245. Cientificado da escolha o credor, vigorará o disposto na Seção antecedente. CC] 
 OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR - A obrigação de restituir é uma obrigação de dar coisa certa, porque o devedor deverá devolver ao credor o exato bem que já pertence.
- Ex. Livro com anotações que empresto para alguém (comodato); Contrato de locação com a devolução do imóvel; 
- OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR E DEVOLUÇÃO DA POSSE X OBRIGAÇÃO DE DAR TRADIÇÃO DA COISA - A restituição que é de uma coisa certa é apenas da posse. Enquanto na obrigação de dar coisa há uma tradição, na restituição há uma devolução da possa direta dos bens. Embora o CC utilize a expressão tradição para falar de restituição, não há propriamente uma tradição, mas apenas devolução da posse direta do bem. 
 PERDA DO OBJETO NA OBRIGAÇÃO– O direito serve para resolver litígios (prevenindo ou solucionando). A perda do objeto é um cenário conflituoso que merecerá ser resolvido. Várias das regras trabalharam a perda do objeto com a intenção de solucionar o conflito. 
 PERDA DO OBJETO NA OBRIGAÇÃO DE DAR COISA CERTA 
– Trata-se de uma crise, um litígio, que o direito civil terá que resolver. 
- Elementos para estudo da perda. 
I) QUANTO AO MOMENTO
- Deve-se analisar o momento da perda. Foi antes ou depois da tradição. 
- Res perit domino – a coisa perece para o seu atual proprietário. Se o veículo se perde antes da entrega, o prejuízo deverá ser suportado pelo vendedor. 
II) QUANTO A EXTENSÃO
- Perda total – perecimento da coisa
- Perda parcial – deterioração da coisa
- Perda parcial, nasce o direito de o credor escolher o que fazer (direito potestativo). Se quer receber a coisa, com abatimento do preço. 
III) QUANTO À RESPONSABILIDADE POR AQUELA PERDA
- Perda sem culpa do devedor – o devedor não será punido. 
- Perda com culpa do devedor – o devedor responderá por perdas e danos. 
 ART.234 DO CC – PERDA TOTAL DA COISA - PERDA SEM CULPA RESOLUÇÃO DA OBRIGAÇÃO. PERDA COM CULPA PERDAS E DANOS. Quando CC fala fica resolvida, significa que volta ao status quo ante. 
Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes; se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos. CC
 ART. 235 DO CC – PERDA PARCIAL – O DEVEDOR DECIDE O QUE QUER. Perda sem culpa, credor poderá resolver a resolução da obrigação ou aceitar a coisa, abatido o preço que perdeu. Havendo perda com culpa, poderá o credor resolver a obrigação com perdas e danos. Poderá também aceitar a coisa pedindo perdas e danos (art.236 do CC). 
Art. 235. Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a obrigação, ou aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu. Art. 236. Sendo culpado o devedor, poderá o credor exigir o equivalente, ou aceitar a coisa no estado em que se acha, com direito a reclamar, em um ou em outro caso, indenização das perdas e danos. CC
 PERDA DO OBJETO NA OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR
- Não há transmissão da propriedade.
- A qualquer momento o bem sempre pertence ao credor. A coisa é sempre do credor. Não há transmissão da propriedade. 
- No que tange a extensão e responsabilidade é importante saber.
 ART.238 DO CC – PERDA TOTAL SEM CULPA – Se coisa perecer antes da tradição (devolução), sem culpa do devedor, o credor sofrerá perda, ressalvado do direito até o dia da perda. A coisa perece para o dono. 
Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda. CC
 ART.239 DO CC – PERDA TOTAL COM CULPA –
Art. 239. Se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos. CC
 ART.240 DO CC – DETERIORAÇÃO DA COISA 
Art. 240. Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor, recebê-la-á o credor, tal qual se ache, sem direito a indenização; se por culpa do devedor, observar-se-á o disposto no art. 239. CC
 PERDA DO OBJETO NA OBRIGAÇÃO DE DAR COISA INCERTA
- É IMPOSSÍVEL O DEVEDOR ALEGAR PERDA DA COISA (art.246 do CC) – GENUS NON PERIT. é impossível alegar o perecimento da coisa ainda não certa, porque o gênero nunca ira perecer.
- Antes da concentração (escolha) da coisa. Na obrigação genérico o devedor não poderá alegar perda do objeto antes da escolha ou concentração (antes da definição da qualidade). 
- Depois da escolha a obrigaçãopassa a ser obrigação de dar coisa certa. 
Art. 246. Antes da escolha, não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito. CC
OBS: OBRIGAÇÃO QUASE GENÉRICA (ou dívida de gênero limitado) – REGRAS DA OBRIGAÇÃO DE DAR COISA CERTA E NÃO DO ART.246 DO CC. Alguns gêneros são amplos. Ex. Queijo Minas da Região do Serro. (Tem da Canastra, da Região das Vertentes). O queijo Minas do Serro pode ser de uma qualidade maior e menor (pode ser o mais top ou mais fuleiro). Se, por exemplo, por determinação de uma autoridade sanitária a produção de queijo minas do serro for interrompida. Ocorreu uma perda, sem culpa do devedor. A doutrina informa que a perda do objeto na obrigação quase genérica deve ser solucionada nos termos descritos no CC para a obrigação de dar coisa certa. 
OBRIGAÇÃO DE FAZER – TITULO I – CAPÍTULO II – ART.247 AO 249 DO CC
 CONCEITO: Consiste no compromisso do devedor em realizar uma determinada atividade ou serviço em prol do credor. 
 CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER – FUNGÍVEL X INFUNGÍVEL
- FUNGÍVEL - Na fungível aquela atividade ou serviço poderá ser executada por qualquer devedor. Não há exigências especiais para o aquele devedor. Não foco na pessoa, mas no serviço (atividade). Admite execução por terceiro. 
- INFUNGÍVEL (PERSONALÍSSIMA OU INTUITU PERSONAE) – Existem qualidades atributos especiais do devedor, que pode derivar da natureza do devedor ou do contrato. Não admite execução por terceiros, portanto, irá se extinguir com a morte do devedor (não é transmissível). 
 PERDA DO OBJETO – OBRIGAÇÃO DE FAZER – Ex. Pedreiro que tem acidente e não pode executar a tarefa. Perda do objeto sem culpa do devedor, resolver-se a obrigação. Havendo culpa, responderá por perdas e danos. 
Art. 248. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação; se por culpa dele, responderá por perdas e danos. CC
 AUTOTUTELA (AUTOEXECUTORIEDADE) – ART.249 DO CC. Em caso de URGÊNCIA, o credor poderá mandar executar o serviço às custas do devedor. Poderá ser feito, independentemente de autorização judicial e somente nas situações de urgência. 
Art. 249. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da indenização cabível. Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor, independentemente de autorização judicial, executar ou mandar executar o fato, sendo depois ressarcido. CC
OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER – TITULO I – CAPÍTULO III – ART.250 AO 251 DO CC
 CONCEITO: Consiste numa abstenção voluntária (não é imposta por lei, a pessoa quem quis se abster), por parte do devedor em relação a uma atividade que a lei lhe permitia executar. Ex. Cláusula de exclusividade para ser professor exclusivo do Supremo. Convenção de Condomínio que prevê não ter animais domésticos que possam perturbar a saúde, segurança e sossego dos vizinhos. 
 OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER INFUNGIBILIDADE - a obrigação de não fazer sempre terá um caráter de infungibilidade. Significa que a obrigação de não fazer sempre será intuitu personae, terá um caráter de infungibilidade, por isso, só pode ser prestada pelo devedor. 
 MORA NAS OBRIGAÇÕES DE NÃO FAZER - Mora é o cumprimento imperfeito da obrigação em razão do tempo, lugar ou forma. A figura da mora é incompatível com a obrigação de fazer. Se você praticou a atividade que se comprometera a não fazer, automaticamente será inadimplente. Não existe mora, mas inadimplemento absoluto. Ele será inadimplente (descumprimento absoluto), desde o dia que praticou o ato
Art. 390. Nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplente desde o dia em que executou o ato de que se devia abster. CC
 Art.250 do CC – Pode público me obriga a cumprir um muro que tinha assumido o compromisso de não fazer, haverá resolução da obrigação. 
 Art.251 do CC – Descumprimento da obrigação
- Se for possível poderá exigirá o desfazimento da obrigação + perdas e danos
- AUTOTUTELA DAS OBRIGAÇÕES NÃO FAZER, SE POSSÍVEL (art.251, parágrafo único, do CC). Em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou mandar desfazer às custas do devedor. 
OBRIGAÇÃO SIMPLES E OBRIGAÇÃO COMPOSTA – TITULO I
 Simples é a obrigação com unicidade de sujeitos e/ou unicidade de objetos. Ex. A devedor se compromete a entregar uma motocicleta a B que é o credor. 
 OBRIGAÇÃO COMPOSTA (COMPLEXA OU MÚLTIPLA) – Já na obrigação composta teremos pluralidade de sujeitos e/ou objetos. Obrigação subjetivamente composta. Obrigação com pluralidade de objetos. 
- OBRIGAÇÕES OBJETIVAMENTE COMPOSTAS – Dentro desse gênero temos as alternativas, cumulativas e facultativas.
- OBRIGAÇÕES SUBJETIVAMENTE COMPOSTAS – temos a obrigação divisível, indivisível e as solidárias.
OBRIGAÇÃO ALTERNATIVA – TITULO I – CAPÍTULO IV – ART.252 AO 256 DO CC
 CONCEITO: É aquela na qual o devedor se desobrigará pagando um dos objetos previstos no contrato. A obrigação alternativa tem caráter disjuntivo (presididos pela conjunção alternativa OU). A parte se desobriga em caráter disjuntivo, ou seja, cumprindo uma prestação ou outra. 
 ESCOLHA DO DEVEDOR, SALVO DISPOSIÇÃO EM SENTIDO CONTRÁRIO (ART.252, CAPUT, CC). Na obrigação alternativa haverá um momento de escolha ou concentração. A escolha cabe ao devedor (princípio da primazia do pagamento). 
Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou. CC
 DESIGNAÇÃO DE TERCEIRO PARA ESCOLHER (ART.252, PARÁGRAFO 4º, DO CC) - As partes podem indicar um terceiro para escolher. Se o terceiro se recusar ou não puder as partes devem deliberar por comum acordo. Se não chegarem num acordo o juiz deverá decidir. 
Art.252 (...) § 4 o Se o título deferir a opção a terceiro, e este não quiser, ou não puder exercê-la, caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes. CPC
 HAVENDO PLURALIDADE DE OPTANTES A DECISÃO DEVERÁ SER UNÂMINE. Não havendo consenso entre o juiz é quem decidiram (art.252, parágrafo 3º do CC) 
Art.252 (...)§ 3 o No caso de pluralidade de optantes, não havendo acordo unânime entre eles, decidirá o juiz, findo o prazo por este assinado para a deliberação. CC
 PERDA DO OBJETO DA OBRIGAÇÃO ALTERNATIVA –
- art.253 do CC – Concentração da obrigação no objeto restante, se não tiver culpa do devedor. Ex. Casa e apto objeto da obrigação alternativa, havendo a perda de um dos dois objetos (explosão por exemplo), o que não pereceu será entregue.
- art.256 do CC - Havendo o perecimento dos dois, sem culpa do devedor, resolve-se a obrigação. 
 A ESCOLHA EM REGRA SERÁ EXERCIDA PELO DEVEDOR (art.254 do CC). 
- Nesse caso, se a perda ocorreu por culpa do devedor, e a escolha era do devedor era poderá entregar o outro bem.
- Porém, havendo o perecimento dos dois, responderá por perdas e danos. Deve-se analisar a coisa que pereceu por último (sobre a última calcula o equivalente mais perdas e danos). 
 SENDO A ESCOLHA DO CREDOR (ART.255 DO CC)
- Perecimento da coisa por culpa do devedor, o credor poderá escolhar se quer o que não pereceu ou se quiser o objeto que perdeu (equivalente mais perdas e danos).
- Perecimento dos dois objetos, o credor poderá reclamar o valor de qualquer uma das coisas para cobrar (equivalente mais perdas e danos). Poderá escolher a situação mais vantajosa. 
OBRIGAÇÃO CUMULATIVA
 O devedor só se desobriga quando adimplir todas as prestações. Conjunção aditiva “E”. Ex. Obrigação de entregar 01 carro, 01 moto e dinheiro. 
 Inadimplemento parcial é comum nas obrigações cumulativas.
 Na obrigação cumulativa se um das obrigações se perder as outras continuam sendo exigíveis. Em relação aos obrigações que se perderam, aplicam-se as regras das obrigações de dar, fazer e não fazer. 
OBRIGAÇÃO FACULTATIVA
 Chamada também de obrigação com faculdade alternativa de cumprimento. Ex. João se compromete a entregar à Pedro 01 cavalo ou 01 motocicleta. A obrigação de entregar um cavalo será a principal e a de entregar a motocicleta é secundária, subsidiáriaou acessória. Quem escolhe o que pagar é o João. Ele terá um direito potestativo enquanto devedor. Pedro não tem direito de exigir a obrigação secundária.
 DIREITO POTESTATIVO DO DEVEDOR DECIDIR O QUE PAGAR - Na obrigação facultativa a prestação secundaria só existe em prol do devedor. É direito potestativo dele definir o que vai pagar. 
- Se o devedor não pagar o credor tem direito de exigir a obrigação principal. Não poderá exigir a obrigação secundária. 
- A obrigação facultativa é objetivamente composta para o devedor e simples para o credor. 
- Havendo o perecimento da prestação secundária, o devedor não terá mais o direito facultativa de decidir o que pagar. Deverá pagar o objeto principal. 
- Não está expressamente prevista no CC. A única que está prevista expressamente no CC é a obrigação alternativa. 
- Exemplo obrigação alternativa no CC é o contrato estimatório ou contrato de consignação de bens móveis. É um contrato típico previsto no art.534 e seguintes do CC. 
Art. 534. Pelo contrato estimatório, o consignante entrega bens móveis ao consignatário, que fica autorizado a vendê-los, pagando àquele o preço ajustado, salvo se preferir, no prazo estabelecido, restituir-lhe a coisa consignada. CC
- O consignatário pode pagar o preço do carro ou devolver o carro. E terá responsabilidade mesmo que o bem se perca por fato não imputável a ele. Assim, se o consignatário de um carro terá responsabilidade mesmo que ele pereça por uma enchente. 
- DIFERENÇA ENTRE OBRIGAÇÃO ALTERNATIVA X OBRIGAÇÃO FACULTATIVA - A obrigação alternativa tem multiplicidade de objetos e todos são devidos até que se entregue um deles, mas apenas um será cumprido como pagamento. Já a facultativa é aquela cujo objeto da prestação é único, mas confere ao devedor o direito excepcional de substituí-lo por outro.
- OBRIGAÇÃO ALTERNATIVA- a obrigação é de entrega do objeto A ou do objeto B, de forma que a perda de um deles faz com que o outro se torne devido automaticamente.
- OBRIGAÇÃO FACULTATIVA- a obrigação de é entrega do objeto A, mas o devedor, a seu critério, tem a faculdade de entregar o objeto B. Perdido o objeto A, resolve-se a obrigação, ou seja, o credor não pode exigir o objetivo B (que é mera faculdade do devedor).
 
OBRIGAÇÕES SUBJETIVAMENTE COMPOSTA
OBRIGAÇÃO FACULTATIVA
Brocardo latino que orienta as obrigações facultativas, a saber: concursu partes fiunt. Significa que teremos o fatiamento do objeto da obrigação, de acordo com o número de sujeitos. 
É aquela em que objeto da obrigação será dividido (fracionado), conforme o número de sujeitos presentes (envolvidos) naquela obrigação. 
OBRIGAÇÕES SOLIDÁRIAS[footnoteRef:5] – ART.264 AO 285 DO CC [5: Material todo baseado no entendimento e no livro do Professor Flávio Tartuce.] 
 CONCEITO: nos termos do art. 264[footnoteRef:6] do CC, existe solidariedade quando, na mesma obrigação, concorre uma pluralidade de credores ou devedores, cada um com direito ou obrigado a toda dívida. [6: Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda.CC] 
- IN SOLIDUM – Significa que todos os credores e todos os devedores (SOLIDÁRIOS) são tratados como um só. 
 POSSIBILIDADE DE CONDIÇÕES, PRAZOS, ETC DIFERENTES NA OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA - Elas não precisam ser idênticas entre os devedores ou credores solidários (art.266 do CC). 
 FONTE DA SOLIDARIEDADE: Lei ou convenção entre as partes (art.265[footnoteRef:7] do CC). [7: Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes.] 
 SOLIDARIEDADE ATIVA E PASSIVA
- A solidariedade pode ser ativa, quando há pluralidade de credores (art.267 do CC).
- Solidariedade passiva, ocorre quando há pluralidade de devedores (art.275 do CC). 
- É uma técnica excepcional de ampliação. Ativa (possibilidade de recebimento) ou passiva (responsabilidade pelo pagamento).
 SOLIDARIEDADE EXTERNA
- Não é possível haver solidariedade internamente, ou seja, dentro mesmo polo. Internamente a obrigação não é solidária. Ela será fracionária ou divisível. Assim, se A, B e C devem 300 para D. Se D cobrar de A, A poderá cobrar 100 de B e C. Não poderá cobrar 300 dos outros, sob pena de gerar um ciclo vicioso. 
SOLIDARIEDADE ATIVA (ART.267 AO 274 DO CC)
 PODER DE EXIGIR INTEGRALMENTE O DÉBITO - A principal característica da solidariedade ativa é que qualquer dos credores poderá exigir do devedor a prestação por inteiro, repassando a quota dos demais credores (obrigação é fracionada, porque a solidariedade é externa (de um polo para outro)).
 EXEMPLOS DE SOLIDARIEDADE ATIVA - Uma vez que solidariedade não se presume, resultando da lei ou da vontade das partes, quanto a solidariedade ativa, temos os seguintes exemplos: 
- art. 2º da Lei do Inquilinato (solidariedade ativa legal). 
- Contrato bancário, celebrado com dois bancos credores solidários (solidariedade ativa convencional)
 REGRAS DA SOLIDARIEDADE ATIVA – FLÁVIO TARTUCE
1ª REGRA (PREVENÇÃO): Na solidariedade ativa, cada um dos credores poderá exigir a prestação por inteiro. Enquanto alguns dos credores não demandar o devedor comum, a qualquer um dos credores poderá o devedor pagar (art. 267 e 268, CC). 
Art. 267. Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro. Art. 268. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a qualquer daqueles poderá este pagar.
- Princípio da Prevenção (art.268 do CC) - Bruno Zampier diz chama o art.268 do CC de princípio da prevenção. Isso porque num primeiro momento prevalece a liberdade de se pagar qualquer credor. Porém, a partir do momento que um demandar ele fica prevento para receber. 
2ª REGRA: O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até o montante do que foi pago (art. 269, CC). Assim, qualquer um dos credores (inclusive o que recebeu parcialmente) pode cobrar o débito remanescente. 
Art. 269. O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até o montante do que foi pago.
3ª REGRA: Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, cada um destes (herdeiros) tem direito de exigir e receber a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível (art. 270, CC). Princípio da refração do crédito, ou seja, só pode cobrar o que for proporcional ao quinhão hereditário. Não podem cobrar a dívida toda, salvo se for indivisível. 
Art. 270. Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível. CC
4ª REGRA (PERDA DO OBJETO): Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, para todos os efeitos, a solidariedade (art. 271, CC). 
Art. 271. Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, para todos os efeitos, a solidariedade. CC
- Diferente da obrigação indivisível perde a qualidade de indivisível (art.263 do CC), no caso de haver perda do objeto. Já na solidaria subiste a solidariedade para todos os fins. 
5ª REGRA (REMISSÃO DE DÍVIDA): Explica a relação interna (entre credores). O credor que tiver remitido (perdoado) a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pelas partes que lhes caibam (art. 272, CC). Na solidariedade ativa, existem duas relações, a saber:
✓ Relação externa: credores e devedor (una ou não fracionável). 
✓ Relação interna: entre credores (fracionável). 
Art. 272. O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba. CC
- Quem é credor solidário poderá cobrar ou perdoar a dívida por inteiro. Porém, os outros credores podem cobrar daquele que perdoou a sua dívida. Se perdoar sem ter como pagar os outros credores, configura fraude contra credores (deverá ser proposta ação pauliana para declarar a ineficácia daquele perdão – art.158 do CC). 
- É mais uma distinção entre a solidária e a indivisível (art.262 do CC).6ª REGRA (ARGUIÇÃO DE EXCEÇÕES): A um dos credores solidários não pode o devedor opor as exceções pessoais oponíveis contra os outros (CC, art. 273). 
OBS: exceções pessoais são defesas existentes somente contra determinadas pessoas. Exemplos: alegação de incapacidade ou de vícios do consentimento (DOLO, COAÇÃO, ERRO, ETC).
Art. 273. A um dos credores solidários não pode o devedor opor as exceções pessoais oponíveis aos outros. CC
- Bruno Zampier - Exceções é algo que excepcional a eficácia daquela pretensão. Elas são legalmente classificadas em duas formas, a saber: 1º) Exceções comuns que são defesas que podem ser apresentadas contra qualquer credor (ex. quitação do débito, prescrição da pretensão, novação da dívida (extinguiu a obrigação anterior e constituição de uma nova obrigação), etc.); 2º) Exceções pessoais que são aquelas defesas que só poderão ser deduzidas contra um credor específico (ex. uma compensação). 
- As ações pessoais não podem ser apresentadas contra a pessoa que não seja a específica. Porém, se for exceção comum pode ser apresentada contra todos. 
7ª REGRA (COISA JULGADA NA SOLIDARIEDADE ATIVA): O julgamento contrário a um dos credores solidários não prejudica os demais; o julgamento favorável a um dos credores aproveita aos demais. Entretanto, nos dois casos, o devedor pode opor exceção pessoal contra qualquer um deles (CC, art. 274, alterado pelo CPC/2015). 
Art. 274.  O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais, mas o julgamento favorável aproveita-lhes, sem prejuízo de exceção pessoal que o devedor tenha direito de invocar em relação a qualquer deles. CC
- Bruno Zampier – NORMA PROCESSUAL - é um norma heterotópica, porque é uma norma de processo que está dentro do direito material (Código Civil). 
- LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA – Quanto aos seus limites subjetivos a coisa julgada terá uma eficácia inter partes. Porém, poderá excepcionalmente ser ultra partes (afetando terceiros, que não participaram do processo). Ex. Quando MP entrar com ação tutelando direitos individuais homogêneos, tais como defeito de fabricação do Toyota Corola XEI 2014. Poderá ter eficácia erga omnes, ou seja, eficácia contra todos da sociedade. Mesmo quem não foi parte poderá se beneficiar. Ex. MP tutelando interesse difuso, relacionado ao meio ambiente. 
- Secundum Eventum Litis – Na situação ultra partes a coisa julgada poderá ser segundo o resultado da lide. Se a parte ganhar o limite subjetivo pode ser um. Se perder o limite pode ser outro. Regra da vida: Quem é vitorioso tem muita gente querendo se aproveitar. E quem perde, perde sozinho. Não tem ninguém que quer participar da derrota. No artigo 274 do CC aplica-se essa regra de eficácia ultra partes secundum eventum litis. 
- Ex. Se tem credores A, B e C. Devedor D. Se o devedor alegar prescrição, porém, se o credor A tiver morado no exterior a serviço da União, pode alegar suspensão. Porém, de acordo com a doutrina só poderia cobrar a sua quota-parte na dívida, sob pena de enriquecimento sem causa. 
SOLIDARIEDADE PASSIVA (ART.275 AO 285 DO CC)
 QUALQUER UM DOS DEVEDORES PODE SER COMPELIDO A PAGAR - Na solidariedade passiva, a teor do art. 275, qualquer dos devedores poderá ser compelido a pagar toda a dívida. 
 EXEMPLOS DE SOLIDARIEDADE PASSIVA – LEGAL OU CONVENCIONAL
- Legal – exemplos: locatários (Lei n. 8.245/91, art. 2º) e comodatários (CC, art. 585). 
- Convencional – exemplo: fiador em relação ao devedor principal. 
 REGRAS DA SOLIDARIEDADE PASSIVA
1ª REGRA: O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum. 
- PAGAMENTO PARCIAL OS DEMAIS DEVEDORES CONTINUAM RESPONSÁVEIS PELO RESTO DO DÉBITO (art.275, caput, CC) - Se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores (inclusive o que pagou parcialmente) continuam obrigados solidariamente pelo resto da dívida. 
- AUSÊNCIA DE PRESUNÇÃO DE RENÚNCIA PELA PROPOSITURA DE AÇÃO CONTRA APENAS UM DOS DEVEDORES - Não implica em renúncia à solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores (art. 275, parágrafo único, CC). 
Art. 275. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto. Parágrafo único. Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores.
- AUSÊNCIA DE PRESUNÇÃO DE RENÚNCIA PELA RECEBIMENTO PARCIAL DO DÉBITO (ENUNCIADO 348 DO CJF)
- Enunciado n. 348 – IV Jornada de Direito Civil: “O pagamento parcial não implica, por si só, renúncia à solidariedade, a qual deve derivar dos termos expressos da quitação ou, inequivocamente, das circunstâncias do recebimento da prestação pelo credor”. 
2ª REGRA: RENÚNCIA À SOLIDARIEDADE (exoneração da solidariedade): permanece a solidariedade dos demais (art. 282, CC). Não é renúncia à dívida. O devedor sairá da condição de devedor solidário, mas continuará como devedor divisível. Caso o devedor renuncie a solidariedade em favor de um dos devedores, permanece a solidariedade em relação aos demais devedores, porém, deverá deduzir a quota do beneficiado com a renúncia. A, B e C são devedores de X no valor de R$30.000,00. Se X renuncia a solidariedade em relação à A, poderá cobrar de B e C solidariamente o valor de R$20.000,00. O devedor A continua devedor de R$10.000,00.
Art. 282. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos os devedores. Parágrafo único. Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais devedores, subsistirá a dos demais. CC
- DIFERENTE DE REMISSÃO DE DÉBITO EM RELAÇÃO A UM DOS DEVEDORES (ART.388 DO CC). No caso de renúncia a solidariedade o favorecido pela renúncia continua devedor de sua quota parte, ao passo que no caso de remissão (perdão da dívida), o devedor é perdoado e não deve mais nada ao credor.
Art. 388. A remissão concedida a um dos co-devedores extingue a dívida na parte a ele correspondente; de modo que, ainda reservando o credor a solidariedade contra os outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida. CC
- Na renúncia o credor renuncia apenas ao direito de cobrar de todos de forma solidária. Pode cobrar de forma fragmentada. O devedor perdoado não deve mais nada para o credor. 
3ª REGRA: Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, cada um destes (herdeiros) será obrigado a pagar a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário (até os limites da herança). Ocorrerá a refração do crédito, salvo se a obrigação for indivisível.
Art. 276. Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, nenhum destes será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível; mas todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores. CC
- Os herdeiros reunidos serão considerados um só devedor em relação aos demais devedores. 
4ª REGRA: O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida aproveitam aos outros devedores até a quantia paga ou perdoada (art. 277, CC).
 Art. 277. O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não aproveitam aos outros devedores, senão até à concorrência da quantia paga ou relevada. CC
5ª REGRA (PERDA DO OBJETO): Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos devedores solidários, subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente à prestação; mas pelas perdas e danos só responde o culpado (art. 279, CC). Apenas o culpado responde pelas perdas e danos.
Art. 279. Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos devedores solidários, subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente; mas pelas perdas e danos só responde o culpado. CC
- Bruno Zampier – Havendo perda do objeto, subsiste para todos os encargos de se pagar o equivalente, mas pelas perdas e danos o responde o culpado. É semelhante à obrigaçãoindivisível (art.263, parágrafo 2º do CC). 
6ª REGRA: O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as comuns (exemplos: pagamento, prescrição, compensação, etc). Não poderá, entretanto, opor as exceções pessoais de outros devedores (CC, art. 281). A exceção de outro devedor, cabe ao outro devedor alegar se for o caso. Ex. Dolo contra do devedor C, cabe apenas a C alegar. Não pode o devedor A alegar o dolo contra C. 
Art. 281. O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as comuns a todos; não lhe aproveitando as exceções pessoais a outro co-devedor. CC
7ª REGRA: O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito de exigir dos demais as suas quotas, havendo presunção relativa de divisão igualitária (CC, art. 283) (relação interna). Porém, se a dívida solidária interessar exclusivamente a um dos devedores, responderá este por toda a dívida para com aquele que pagar (CC, art. 285). Ex. Situação em que o fiador de contrato de locação pagou o débito do devedor principal (locatório), poderá cobrar a integralidade do débito do devedor principal. 
Art. 283. O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos co-devedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se o houver, presumindo-se iguais, no débito, as partes de todos os co-devedores. Art. 285. Se a dívida solidária interessar exclusivamente a um dos devedores, responderá este por toda ela para com aquele que pagar. CC
DIFERENÇA ENTRE SOLIDARIEDADE PASSIVA E SUBSIDIARIEDADE - Na solidariedade passiva, o credor pode cobrar a dívida integralmente de qualquer um dos devedores solidários, independentemente de se observar uma ordem de preferência. Já na subsidiariedade, todos os devedores respondem pelo débito, porém, há um ordem de preferência, em que o devedor principal deve ser chamado em primeiro lugar para pagar. No caso do devedor principal não ter patrimônio é que o devedor subsidiário será chamado a arcar com o débito num segundo momento.
Ex. Fiador de um contrato de locação, porém, ele pode renunciar ao benefício de ordem e ser devedor solidário (art.827 e 828 do CC).
CC, art. 827: “O fiador demandado pelo pagamento da dívida tem direito a exigir, até a contestação da lide, que sejam primeiro executados os bens do devedor. Parágrafo único. O fiador que alegar o benefício de ordem, a que se refere este artigo, deve nomear bens do devedor, sitos no mesmo município, livres e desembargados, quantos bastem para solver o débito”. 
CC, art. 828: “Não aproveita este benefício ao fiador: I - se ele o renunciou expressamente; II - se se obrigou como principal pagador, ou devedor solidário; III - se o devedor for insolvente, ou falido”. 
 RATEIO DA QUOTA DO DEVEDOR INSOLVENTE (art.283 do CC) – insolvente é aquele que não tem mais patrimônio para honrar com suas dívidas. Se a pessoa não tem patrimônio, qualquer credor poderá pedir a declaração de insolvência da pessoa. Em sendo a pessoa insolvente, sua quota será rateada com dos demais devedores solidários. 
Art. 283. O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos co-devedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se o houver, presumindo-se iguais, no débito, as partes de todos os co-devedores. CC
- Quem foi favorecido pela remissão não participa do rateio. Quem foi apenas exonerado da solidariedade deve participar do rateio da quota do insolvente (art.284 do CC). Isso porque ele ainda é devedor (indivisível)
Art. 284. No caso de rateio entre os co-devedores, contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo credor, pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente. CC
OBRIGAÇÕES DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS
- CONCEITO: As obrigações divisíveis são aquelas que admitem cumprimento fracionado da prestação, já as obrigações indivisíveis só podem ser cumpridas por inteiro (art. 257 e 258, CC). 
Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetível de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico. CC
- OBRIGAÇÃO DIVISÍVEL E PROPORCIONALIDADE ENTRE OS SUJEITOS – 
Art. 257. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível, esta presume-se dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores. CC 
Ex. Na obrigação divisível de dar 120 sacas de café a 03 credores. Cada credor terá direito a 40 sacas.
OBRIGAÇÕES INDIVISÍVEIS
- CLASSIFICAÇÃO - Na doutrina, a indivisibilidade é assim classificada:
a) Pela natureza da coisa: ex. entrega de um cavalo;
b) Derivada da própria lei – indivisibilidade legal: ex. módulo rural.
c) Derivada da vontade das partes – indivisibilidade convencional: as partes podem convencionar que o objeto será indivisível. 
- REGRAS DAS OBRIGAÇÕES INDIVISÍVEIS
1ª REGRA: Havendo pluralidade de devedores, cada um será obrigado pela dívida toda. O devedor que paga a dívida sub-roga-se nos direitos do credor em relação aos demais devedores (CC, art. 259). 
CC, art. 259: Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela dívida toda. Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados. 
2ª REGRA: Havendo pluralidade de credores, cada um destes poderá exigir a dívida inteira. Porém, o devedor ou devedores se desobrigarão pagando (CC, art. 260): 
I – A todos os credores conjuntamente. 
II – A um dos credores, dando este caução de ratificação dos outros credores (garantia de que os outros credores concordam que o pagamento integral seja feito a um só dos credores). 
Art. 260: Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a dívida inteira; mas o devedor ou devedores se desobrigarão, pagando: I - a todos conjuntamente; II - a um, dando este caução de ratificação dos outros credores. CC
- Caso tenha sido prevista também a solidariedade ativa este documento é logicamente desnecessário.
3ª REGRA: Havendo pluralidade de credores, caso um só receba a obrigação, deverá pagar aos outros a respectiva quota em dinheiro. 
Art. 261: Se um só dos credores receber a prestação por inteiro, a cada um dos outros assistirá o direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total. CC
4ª REGRA: Se um só dos credores remitir (perdoar) a dívida, a obrigação não ficará extinta quanto aos outros credores; mas estes só poderão exigi-la descontada a quota do remitente (CC, art. 262). Assim, se a obrigação, por exemplo for de um touro reprodutor que vale 30 mil, deverá o credor que perdoou um dos devedores, depositar a quota perdoada para receber o touro. 
Art.262. Se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta para com os outros; mas estes só a poderão exigir, descontada a quota do credor remitente. CC
5ª REGRA: Perde a qualidade de indivisível, a obrigação que se resolver em perdas e danos. Passa a ser divisível (diferente da solidariedade) (CC, art. 263). 
- Havendo culpa de todos os devedores, responderão em partes iguais. 
- Se houver culpa de só um dos devedores, ficarão exonerados os outros, respondendo só o culpado por perdas e danos (art.263, parágrafo 2º do CC e enunciado 540 do CJF). 
CC, art. 263: “Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos. 
§ 1o Se, para efeito do disposto neste artigo, houver culpa de todos os devedores, responderão todos por partes iguais. 
§ 2o Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros, respondendo só esse pelas perdas e danos.” 
Enunciado n. 540, VI Jornada de Direito Civil: “Havendo perecimento do objeto da prestação indivisível por culpa de apenas um dos devedores, todos respondem, de maneira divisível, pelo equivalente e só o culpado, pelas perdas e danos”. 
- DIFERENÇA ENTRE OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA E OBRIGAÇÃO INDIVISÍVEL
	OBRIGAÇÃO INDIVISÍVEL
	OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA
	Decorrem da natureza da prestação. 
	Decorrem da lei ou da vontadedas partes. 
	Origem objetiva (COISA)
	Origem subjetiva (PESSOAS). 
	Se convertidas em perdas e danos, a indivisibilidade é extinta. 
	Se convertidas em perdas e danos, a solidariedade permanece. 
OBRIGAÇÃO NATURAL
- OBRIGAÇÃO NATURAL: A obrigação natural, também considerada “imperfeita” é aquela desprovida de exigibilidade jurídica. Ex. dívida de jogo, art. 814 do CC, dívida prescrita. 
A doutrina reconhece que, embora judicialmente inexigível, a obrigação natural gera o efeito da soluti retentio (retenção do pagamento): o credor não pode cobrar a dívida, mas se receber o pagamento poderá retê-lo, ou seja, não precisa restituir o valor que foi pago.
TEORIA DO PAGAMENTO – ADIMPLEMENTO OBRIGACIONAL (ART.304 AO 388 DO CC)
 VISÃO ESTRUTURAL (VISÃO DE CÓDIGO) (Bruno Zampier) – Da Extinção das obrigações – Título III (art.304 a 388 do CC)
- PAGAMENTO: Capitulo I – Teoria do pagamento – Satisfação imediata do credor (art.304 ao 333 do CC). 
- PAGAMENTO INDIRETO – Satisfação mediata dos interesses do credor (art.334 ao 359 do CC). Capítulos II ao IV. É representado a partir de 04 institutos a saber: consignação em pagamento, sub-rogação, imputação do pagamento e dação em pagamento. 
- FORMAS ESPECIAIS DA EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÃO – capítulos VI ao IX. Não haverá satisfação dos interesses do credor. Art.360 ao 388 do CC. (ocorrerá por meio da novação, compensação, confusão e remissão). O credor não receberá nada. 
 CONCEITO: Pagamento consiste no adimplemento ou cumprimento voluntário da obrigação. Respeitável parcela da doutrina (Roberto de Ruggiero, Caio Mario) sustenta que o pagamento tem natureza jurídica negocial, o que explicaria a incidência dos vícios do negócio jurídico, permitindo sua invalidação.
REQUISITOS OU CONDIÇÕES DO PAGAMENTO
QUEM DEVE PAGAR (SOLVENS) – ART.304 AO 307 DO CC
 DEVEDOR, REPRESENTANTE (MANDATO – PROCURAÇÃO) OU TERCEIRO INTERESSADO OU NÃO - A luz dos artigos 304 e 305 do CC, quem tem legitimidade para o pagamento é o devedor (ou seu representante), bem com a lei reconhece essa legitimidade em favor do terceiro interessado ou não.
 TERCEIRO INTERESSADO – SUB-ROGAÇÃO EM TODOS OS DIREITOS DO CREDOR. O interesse deve ser patrimonial (jurídico) e não afetivo ou de outra ordem. O terceiro interessado (é o que tem interesse jurídico) é a pessoa na qual o inadimplemento obrigacional poderá repercutir, a exemplo do fiador (garantia fidejussória). Em tal caso, se o terceiro interessado paga, fará jus não apenas ao direito ao reembolso, mas também se sub-rogará na própria posição de credor, com as garantias que foram instituídas (Exemplo: garantias reais) – SUB-ROGAÇÃO LEGAL (art.346, inciso III, CC).
Art. 346. A sub-rogação opera-se, de pleno direito, em favor: (...) III - do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte. CC
 TERCEIRO SEM INTERESSE (TERCEIRO NÃO INTERESSADO)- Situação diferente ocorre quando o terceiro não tem interesse jurídico direto na relação. O interesse dele é meramente moral, porque não sofrerá responsabilidade patrimonial. Esse terceiro não tem a amplitude de poderes do terceiro interessado. Assim, caso o pagamento seja feito por um terceiro não interessado, duas situações podem ocorrer:
1ª) PAGAMENTO EM NOME PRÓPRIO – DIREITO À REEMBOLSO DO QUE PAGOU - Se paga em seu próprio nome, terá, pelo menos, direito ao reembolso do que pagou (art.305 do CC); O terceiro não sub-roga-se no direito do credor (CC, art. 349[footnoteRef:8]). [8: Art. 349. A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos, ações, privilégios e garantias do primitivo, em relação à dívida, contra o devedor principal e os fiadores. CC] 
Art. 305. O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-roga nos direitos do credor. Parágrafo único. Se pagar antes de vencida a dívida, só terá direito ao reembolso no vencimento. CC
2ª) PAGAMENTO EM NOME DO DEVEDOR – ATO DE LIBERALIDADE (DOAÇÃO) - Se paga em nome do próprio devedor, não terá direito a nada. Isso é considerado ato liberalidade (doação) – art.304 do CC. Exemplo: Pai que paga dívida em nome do filho. Se superar a legítima pode levar a colação na época da morte do pai. 
CC, art. 304: “Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor. Parágrafo único. Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o fizer em nome e à conta do devedor, salvo oposição deste.” 
*OPOSIÇÃO AO PAGAMENTO FEITO PELO TERCEIRO: nos termos do art. 306 do CC, o devedor pode, fundamentadamente, apresentar oposição ao pagamento feito pelo terceiro. Ex: Terceiro que paga dívida prescrita. 
Art. 306. O pagamento feito por terceiro, com desconhecimento ou oposição do devedor, não obriga a reembolsar aquele que pagou, se o devedor tinha meios para ilidir a ação. CC
QUEM DEVE RECEBER - A QUEM SE DEVE PAGAR - (ACCIPIENS)
 CREDOR OU SEU REPRESENTANTE (MANDATO – PROCURAÇÃO) - Nos termos dos artigos 308 e 309, o pagamento deverá ser feito ao credor (ou ao seu representante com poderes especiais para receber e dar quitação).
Art. 308. O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente, sob pena de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito. CC
 PAGAMENTO FEITO A TERCEIRO. Admite ainda a lei brasileira, que o pagamento possa ser feito ao terceiro, nas seguintes situações:
a) RATIFICAÇÃO DE PAGTO FEITO A TERCEIRO OU PROVA DE REVERSÃO EM PROVEITO DO CREDOR - o pagamento deve ser feito ao credor ou a quem lhe represente. Se feito a terceiro somente valerá após ratificado ou se provar que o valor reverteu em proveito do credor (art.308 do CC).
b) CREDOR PUTATIVO E APARENTE - Na hipótese do credor aparente ou putativo (TEORIA DA APARÊNCIA).
b1) CREDOR PUTATIVO (CC, art. 309). “Putare” significa crer ou imaginar. Ocorre quando o devedor paga a uma pessoa que imagina ser a credora.
Art. 309. O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, ainda provado depois que não era credor. CC 
Exemplo: O locatário sempre pagou para a “Imobiliária X”. O locador rescindiu o contrato com essa imobiliária e contratou a “Imobiliária Y”, mas o locatário não foi avisado e continuou pagando para “X”. Tais pagamentos são eficazes.
b2) CREDOR APARENTE (CC, art. 311). Pela teoria da aparência, a pessoa portadora da quitação está autorizada a receber. 
Art. 311. Considera-se autorizado a receber o pagamento o portador da quitação, salvo se as circunstâncias contrariarem a presunção daí resultante. CC 
OBS: DÚVIDA QUANTO A QUEM PAGAR - CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO - Se o devedor não sabe a quem pagar (ou tem dúvidas), o melhor é consignar, sob pena de aplicação da máxima: “quem paga mal, paga duas vezes” (CC, art. 310: pagamento subjetivamente indevido). 
OBJETO DO PAGAMENTO E SUA PROVA
 OBJETO DO PAGAMENTO – PRESTAÇÃO (DAR, FAZER OU NÃO FAZER): prestação, que deve ser cumprida pelo devedor, conforme especificado pelas partes (princípio da identidade física da obrigação). 
- PRESTAÇÃO ESPECIFICADA PELAS PARTES - O credor não é obrigado a receber prestação diversa, ainda que mais valiosa. Assim, mesmo que seja obrigação em dinheiro, o credor não é obrigado a receber parcelado. 
Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa. CC
- PAGAMENTO INTEGRAL - O pagamento deverá ser feito integralmente, salvo estipulação em sentido contrário. 
Art. 314. Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível, não pode o credor ser obrigado a receber, nem o devedor a pagar, por partes, se assim não se ajustou. CC 
 OBS: EXCEÇÃO PAGTO PARCELADO: moratória legal (art. 916, CPC). Entrada de 30% + 06 parcelas (+ juros e correção monetária).
Art. 916. No prazo para embargos, reconhecendo o crédito do exequente e comprovando o depósito de trinta por cento do valor em execução, acrescido de custas e de honorários de advogado, o executado poderá requerer quelhe seja permitido pagar o restante em até 6 (seis) parcelas mensais, acrescidas de correção monetária e de juros de um por cento ao mês. CPC 
 CLASSIFICAÇÃO DA DÍVIDA. Quanto ao pagamento, a dívida é assim classificada.
A) DÍVIDA EM DINHEIRO: o valor é fixo, devendo ser paga em moeda nacional corrente (R$) pelo valor nominal (CC, art. 315 – princípio do nominalismo, curso forçado). O PAGAMENTO DEVE OCORRER EM REAL (MOEDA OFICIAL DO BRASIL). 
Art. 315. As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal, salvo o disposto nos artigos subsequentes. CC 
- Observação: são nulas as estipulações de pagamento em moeda estrangeira (DOLAR) ou em ouro (cláusula ouro). É a regra (CC, art. 318). Exceção: contratos internacionais (Decreto-Lei n. 857/69). 
Art. 318. São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira, bem como para compensar a diferença entre o valor desta e o da moeda nacional, excetuados os casos previstos na legislação especial. CC
- O pagamento pode ser cotado dessas formas, desde que conste o correspondente em reais (R$). 
- Não são nulas as convenções que utilizam a escala móvel, ou seja, utilize tais moedas estrangeiras ou outras coisas como indexadores, desde que o pagamento ocorra em real. Ex. O valor pode ser estabelecido em dólares, porém, o pagamento deve ser feito em real. Pode utilizar como indexador a saca de soja no Paraná, a arroba de boi no Mato Grosso, grama do ouro, sendo que na época da venda seja feita a conversão e pagamento em real. 
B) DÍVIDA DE VALOR: a quantia é atualizada no tempo (com correção monetária). É exceção no sistema, pois deve estar prevista em lei ou ser estipulada pelas partes. 
➢ É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas (CC, art. 316: cláusula de escala móvel ou escalonamento). 
Exemplos: salário, aluguéis, alimentos, dívidas condominiais e financiamentos em geral. 
Art. 316. É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas. CC
 PROVA DO PAGAMENTO: A quitação é um retrato da teoria do pagamento. A quitação regular (consubstanciada em documento = recibo). É um direito do devedor que paga (CC, art. 319). 
- DIREITO DE RETENÇÃO DO PAGAMENTO – O credor poderá reter o pagamento até ter a prova de quitação regular. Se o credor não ofertar a regular quitação, ele estará em mora (mora accipiendi). A mora será o credor e não do devedor. 
Art. 319. O devedor que paga tem direito a quitação regular, e pode reter o pagamento, enquanto não lhe seja dada. CC
- REQUISITOS DA QUITAÇÃO (não são obrigatórios) (CC, art. 320): 
Partes; Objeto (dívida); Lugar; Tempo; Instrumento particular. 
Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. CC
 QUITAÇÃO TÁCITA (PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO) - Além da quitação por documento (expressa), a prova do pagamento pode decorrer de comportamentos que encerram presunções relativas ou “iuris tantum” (quitação tácita). Hipóteses: 
- PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO – PRESTAÇÕES PERIÓDICAS - CC, art. 322: pagamento em quotas periódicas (obrigação de trato sucessivo). A quitação da última parcela gera presunção de pagamento das anteriores. O recibo pode afastar essa regra. 
Art. 322. Quando o pagamento for em quotas periódicas, a quitação da última estabelece, até prova em contrário, a presunção de estarem solvidas as anteriores.CC
- PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO DOS ACESSÓRIOS – P. DA GRAVITAÇÃO - CC, art. 323: a quitação do capital (principal) gera presunção relativa de pagamento dos juros (acessórios). 
Art. 323. Sendo a quitação do capital sem reserva dos juros, estes presumem-se pagos. CC
- PRESUNÇÃOD E PAGTO PELA ENTREGA DO TÍTULO - CC, art. 324: a entrega do título (de crédito) ao devedor firma presunção relativa de pagamento (com prazo decadencial de 60 dias para impugnação). 
Art. 324. A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento. Parágrafo único. Ficará sem efeito a quitação assim operada se o credor provar, em sessenta dias, a falta do pagamento. CC
DO LUGAR DE PAGAMENTO
 CLASSIFICAÇÃO
A) OBRIGAÇÃO QUESÍVEL OU “QUÉRABLE”: deve ser cumprida no domicílio do devedor (“in favor debitoris”). É a regra (CC, art. 327). Isso facilita a busca do adimplemento. 
Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da obrigação ou das circunstâncias. CC
B) OBRIGAÇÃO PORTÁVEL OU “PORTABLE”: deve ser cumprida no domicílio do credor ou de terceiro. É a exceção (deve decorrer de lei ou contrato). O devedor é quem se desloca para efetuar o pagamento.
OBS1: (CC, art. 327, parágrafo único): havendo previsão (no contrato) de dois ou mais lugares, caberá a escolha ao credor. Esta é a única previsão, na teoria geral das obrigações, de escolha feita pelo credor (“in favor creditoris”)
Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da obrigação ou das circunstâncias. Parágrafo único. Designados dois ou mais lugares, cabe ao credor escolher entre eles. CC
- DOMÍCILIO DE ELEIÇÃO (ART.78 DO CC). As partes podem escolher um domicílio em que se exerçam direitos e obrigações. Chamado de domicílio de eleição. 
Art. 78. Nos contratos escritos, poderão os contratantes especificar domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. CC
 QUEBRAS DO QUE FOI CONVENCIONADO QUANTO AO LOCAL DE PAGAMENTO: 
- CC, ART. 329: FUNÇÃO SOCIAL. Ocorrendo “motivo grave”, o pagamento pode ser efetuado em outro local, sem prejuízo ao credor. 
Art. 329. Ocorrendo motivo grave para que se não efetue o pagamento no lugar determinado, poderá o devedor fazê-lo em outro, sem prejuízo para o credor.
Exemplos de motivo grave: greve, enchente, ataque de grupo armado, manifestação e queda de ponte. 
- CC, ART. 330: BOA-FÉ OBJETIVA. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao que constar no contrato. No mesmo sentido, a regra do art.113, parágrafo 1º, inciso I, do CC. 
“Supressio”: é perda de um direito ou de uma posição jurídica pelo seu não exercício no tempo (renúncia tácita). 
“Surrectio”: é o surgimento de um direito por práticas, usos e costumes. 
Art. 330. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato. CC
Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. § 1º A interpretação do negócio jurídico deve lhe atribuir o sentido que: (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) I - for confirmado pelo comportamento das partes posterior à celebração do negócio; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) CC
TEMPO DE PAGAMENTO
- PAGAMENTO ANTECIPADO - Art.113 do CC (confirmar) – é direito do devedor antecipar o pagamento, em regra. Porém, nos casos que o prazo for dado em favor do credor, aí não poderá haver a antecipação do pagamento. Ex. Entrega de um móvel que deveria ser entregue no futuro para colocar em apartamento que ainda não recebeu as chaves. 
- DIREITO DE DESCONTO DO VALOR DOS JUROS REMUNERATÓRIOS. Terá direito a desconto caso efetue o pagamento antecipado.
- PAGAMENTO À VISTA É REGRA - Regra geral, o pagamento são a vista. O pagamento parcelado é um favor do credor em prol do devedor. 
 CLASSIFICAÇÃO DA OBRIGAÇÃO QUANTO AO TEMPO DE PAGAMENTO
A) OBRIGAÇÃO INSTANTÂNEA OU DE EXECUÇÃO IMEDIATA: É aquela que deve ser cumprida imediatamente. Protege o credor e é regra do art. 331, CC. Exemplo: pagamento à vista. 
Art. 331. Salvo disposição legal em contrário, não tendo sido ajustada época para

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