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QUESTÕES DISSERTATIVAS - REVISÃO G1 
1. FGV - 2020 - MPE-RJ - Estágio Forense do Ministério Público do Estado 
do Rio de Janeiro (adaptada) Josefina ingressou – desde 2022 - num 
terreno vizinho ao seu, situado na cidade de Pelotas-RS, que estava 
desocupado. Tendo cercado o imóvel, nele plantou um pomar de jacas. 
Vinha colhendo as jacas e vendendo no mercado local até ontem, quando 
recebeu citação e intimação em ação de manutenção de posse movida pelo 
proprietário do imóvel perante a comarca de Rio Grande, sendo 
determinado liminarmente que ela desocupasse imediatamente o terreno. 
Ela, ao receber a citação e intimação, procurou seus serviços de advogado. 
O que você dirá a ela quanto à situação apresentada? Explique. 
Análise do Caso 
Josefina ocupou um terreno vizinho ao seu desde 2022, que estava 
desocupado. Durante esse período, ela: 
1. Cercou o imóvel. 
2. Plantou um pomar de jacas. 
3. Colheu os frutos e comercializou no mercado local. 
No entanto, recentemente ela foi citada e intimada em uma ação de 
manutenção de posse movida pelo legítimo proprietário, que obteve uma 
decisão liminar determinando que ela desocupasse o terreno. 
Possíveis Argumentos a Serem Apresentados 
1. Natureza da Posse de Josefina: 
o Josefina exerceu posse ostensiva e com ânimo de dono, 
demonstrando seu interesse em ocupar e utilizar o terreno de 
forma produtiva. 
o A ação de manutenção de posse movida pelo proprietário 
não implica diretamente que a posse de Josefina seja 
ilegítima, mas obriga a análise sobre a origem e a 
continuidade da posse. 
2. Contestação à Liminar: 
o O advogado de Josefina pode impugnar a decisão liminar, 
argumentando que ela estava na posse do terreno há mais 
de um ano, e sua posse era pacífica, contínua e pública. 
o Em situações de posse prolongada como a de Josefina, é 
possível questionar a liminar sob a alegação de que sua 
retirada imediata sem análise aprofundada pode causar 
prejuízos injustos. 
o 
3. Fundamentação sobre Usucapião: 
4. 
o Embora Josefina ainda não tenha o tempo necessário para 
reivindicar a usucapião (que exige 5 anos em casos urbanos 
ou 15 anos em posse ordinária), o advogado pode 
argumentar que a ocupação foi legítima e teve finalidade 
produtiva. 
o Contudo, o fato de o terreno ser registrado como propriedade 
do autor da ação pode limitar as possibilidades de 
reconhecimento de usucapião, especialmente se Josefina 
não cumprir outros requisitos (como justo título ou prazo 
mínimo). 
4. Defesa Baseada no Código Civil: 
5. 
o O advogado pode basear a defesa nos artigos relativos à 
posse e aos interditos possessórios (artigos 1.196 e seguintes 
do Código Civil), tentando demonstrar que Josefina exerceu 
posse direta e de boa-fé, e que sua atividade econômica no 
local configurava uma relação legítima de posse, ainda que 
não seja a proprietária. 
5. Plano Alternativo: 
6. 
o Caso fique claro que o autor da ação tem direito à posse 
legítima, o advogado pode buscar um acordo ou negociação 
para compensar os investimentos feitos por Josefina no 
terreno (como o cercamento e o pomar). 
Orientação Final 
Josefina deve ser orientada sobre os seguintes pontos: 
• Consequências da Liminar: Ela deve cumprir a decisão até que o 
recurso seja apreciado. 
• Possibilidade de Defesa: É possível contestar a liminar e 
apresentar justificativas para a continuidade da posse. 
• Direitos Residuais: Caso o proprietário obtenha decisão definitiva, 
Josefina pode buscar indenização por benfeitorias necessárias 
realizadas no terreno. 
 
 
 
 
 
 
2. Jorge, em maio de 2023, invadiu um imóvel urbano de propriedade de 
Adão, situado em Novo Hamburgo, com 400 metros quadrados e no qual 
estavam guardados – no interior de um casebre de madeira – algumas 
ferramentas e uma velha motocicleta. Passados seis meses, Jorge 
derrubou o casebre, jogou as ferramentas no lixo e desmanchou a 
motocicleta, vendendo as suas peças a um ferro-velho. Além disso, instalou 
um outdoor para veiculação de propagandas de toda a ordem e o locou à 
empresa JR Marketing. Diante disso, faça uma análise da situação quanto 
aos direitos e possibilidades processuais de Adão, apontando os 
respectivos fundamentos legais. 
 
 
Fatos Principais 
 
• Invasão: Jorge invadiu o imóvel urbano de Adão, situado em Novo 
Hamburgo, em maio de 2023. 
• Danos ao imóvel e bens: Jorge destruiu o casebre, descartou 
ferramentas e desmontou a motocicleta, vendendo as peças. 
• Uso para fins comerciais: Jorge instalou um outdoor e passou a 
lucrar ao locá-lo à empresa JR Marketing. 
 
Direitos de Adão 
 
Adão, como proprietário legítimo do imóvel, tem sua propriedade e posse 
protegidas pela legislação brasileira, principalmente pelo Código Civil e 
pela Constituição Federal. Seguem os direitos aplicáveis: 
 
1. Proteção à Propriedade: 
o O artigo 5º, inciso XXII, da Constituição Federal garante o 
direito à propriedade. 
o A invasão caracteriza um ato ilícito contra o direito de Adão. 
2. Direito de Reintegração de Posse: 
o Adão, como possuidor legítimo, pode ingressar com uma 
ação de reintegração de posse contra Jorge, conforme os 
artigos 1.210 e seguintes do Código Civil. 
o Essa ação visa restituir a posse do imóvel, já que Jorge é 
considerado um esbulhador (aquele que retira a posse de 
forma violenta ou ilícita). 
3. Indenização pelos Danos Materiais: 
 
o Adão tem direito a ser indenizado pelos danos causados ao 
imóvel e aos bens no casebre (ferramentas e motocicleta). 
Jorge será responsável por: 
o 
 Reparar o valor das ferramentas descartadas. 
 Ressarcir o valor de mercado da motocicleta, 
considerando que ela foi desmontada e vendida. 
 Reparar danos estruturais ou alterações feitas no 
imóvel (ex.: demolição do casebre). 
 
4. Direito sobre os Lucros Indevidos: 
o Jorge passou a utilizar o imóvel para fins comerciais (locação 
do outdoor à JR Marketing). Adão pode pleitear a devolução 
dos frutos civis obtidos por Jorge durante o período de uso 
indevido do imóvel. 
 
Possibilidades Processuais de Adão 
 
Adão pode tomar as seguintes medidas: 
 
1. Ação de Reintegração de Posse: 
o Base legal: Artigos 1.210 e 1.228 do Código Civil. 
o Finalidade: Recuperar a posse do imóvel com urgência, 
demonstrando que: 
 É o legítimo proprietário do terreno. 
 Foi esbulhado de forma ilícita por Jorge. 
2. Ação Indenizatória pelos Danos Causados: 
o Adão poderá ingressar com uma ação indenizatória para 
reparar os prejuízos materiais causados por Jorge, 
abrangendo: 
 O valor do casebre demolido. 
 Ferramentas jogadas fora. 
 A motocicleta desmontada. 
 Despesas necessárias para retornar o imóvel ao 
estado anterior à invasão. 
3. Pedido de Restituição dos Lucros Obtidos: 
o Jorge lucrou indevidamente ao locar o espaço para a JR 
Marketing. Adão poderá exigir a restituição desses valores 
por meio de uma ação indenizatória específica. 
4. Pedido de Tutela de Urgência: 
o Adão pode requerer uma tutela de urgência na ação 
possessória para: 
 Reaver rapidamente a posse do imóvel. 
 Impedir que Jorge continue utilizando o imóvel de 
forma indevida. 
 
Fundamentos Legais 
 
Os principais dispositivos que amparam os direitos e as ações de Adão são: 
• Constituição Federal, art. 5º, incisos XXII e XXXV: Proteção à 
propriedade e acesso ao Judiciário. 
• Código Civil, art. 1.210: Reintegração de posse em caso de 
esbulho. 
• Código Civil, art. 1.228: Direito do proprietário de reaver a coisa de 
quem quer que injustamente a possua. 
• Código Civil, art. 927: Obrigação de reparar os danos causados. 
 
 
Conclusão 
 
Adão tem diversas possibilidades processuais para proteger seus direitos, 
principalmente pela ação de reintegração de posse e pela indenização 
por danos materiais causados por Jorge. Ele deve agir de forma célere 
para evitar maiores prejuízos, incluindo a continuidade do uso indevido do 
imóvel para fins comerciais. 
 
 
3. FGV - 2023 - PGM - Niterói - Analista Processual(adaptada) 
Flávio, pescador que vive em uma pequenavila no litoral do Estado, certa 
noite, passando por uma casa que parecia vazia, pulou o muro e pernoitou 
no imóvel, tomando cuidado para que nenhum vizinho notasse sua 
presença no local. Não encontrando resistência, repetiu o mesmo 
procedimento todas as noites por dois meses, aproveitando-se do conforto 
das instalações do imóvel. Passado esse tempo, e percebendo que 
nenhum mal lhe aconteceu, Flávio passou a usar a casa de forma 
ostensiva, também à luz do dia, inclusive convidando amigos e parentes 
para ali permanecerem com ele. Passados seis meses, Flávio veio a 
falecer. No imóvel, permaneceu residindo Jandira, sua única filha. Um ano 
e um mês desde a primeira vez em que Flávio pulou o muro da casa, 
Ricardo, o proprietário do imóvel, que mora em outra cidade e utiliza aquela 
residência apenas esporadicamente, visitou a vila e foi surpreendido pelo 
fato de a filha do pescador estar morando no local. Jandira, por sua vez, 
repeliu Ricardo violentamente, exigindo que ele nunca mais voltasse. No 
mesmo dia, Ricardo procura seus serviços de advogado. Explique a 
situação e seus possíveis desdobramentos a ele. 
 
 
 
Resumo do Caso 
 
• Flávio iniciou a ocupação da casa de forma clandestina, passando 
as noites sem ser notado por vizinhos. Posteriormente, passou a 
usar o imóvel de forma ostensiva. 
• Após o falecimento de Flávio, sua filha Jandira passou a residir na 
casa e, um ano e um mês depois, repeliu Ricardo violentamente 
quando este tentou retomar o imóvel. 
• Ricardo é o legítimo proprietário, utiliza a residência ocasionalmente 
e mora em outra cidade. 
 
 
Análise Jurídica 
1. Natureza da posse de Flávio e Jandira 
Flávio inicialmente exerceu posse clandestina, pois se escondeu e 
ocupou o imóvel sem o conhecimento do proprietário. A posterior utilização 
ostensiva não regulariza essa posse, especialmente por ter sido originada 
de forma ilegítima. 
Jandira, ao suceder a Flávio na posse do imóvel, mantém a mesma 
natureza viciada da posse. Além disso, ao repelir Ricardo com violência, 
ela demonstra esbulho possessório, o que viola diretamente os direitos 
do legítimo possuidor. 
2. Direitos de Ricardo 
 
Como proprietário registrado, Ricardo tem os seguintes direitos amparados 
pelo Código Civil: 
 
• Artigo 1.228: Ricardo pode reivindicar a propriedade do imóvel e 
reaver a posse de quem quer que injustamente a detenha. 
• Proteção possessória: Ricardo tem direito à reintegração de 
posse, considerando que sua posse foi esbulhada por Flávio e 
Jandira. 
• Indenização pelos danos causados: Caso o imóvel tenha sido 
danificado ou depreciado pela ocupação, Ricardo pode requerer 
indenização dos ocupantes. 
 
3. Possibilidades Processuais 
 
Ação de Reintegração de Posse 
 
• Ricardo deve ingressar com uma ação de reintegração de posse, 
alegando: 
o Ele é o legítimo proprietário do imóvel. 
o Foi despojado da posse de forma clandestina e violenta. 
o Jandira permanece no imóvel injustamente, mesmo após 
tentativa de retomada. 
 
Tutela de Urgência 
 
• Ricardo pode requerer tutela provisória na ação possessória, 
pedindo que Jandira seja removida imediatamente do imóvel, para 
evitar prejuízos adicionais e assegurar sua posse. 
 
Ação Indenizatória 
 
• Caso existam danos materiais ao imóvel (estruturas, mobília, etc.), 
Ricardo pode pleitear indenização contra Jandira e/ou contra o 
espólio de Flávio. 
 
Fundamentos Legais 
 
Os principais dispositivos que amparam as ações de Ricardo são: 
• Código Civil, Artigo 1.210: Protege contra esbulho possessório. 
• Código Civil, Artigo 1.228: Confere ao proprietário o direito de 
reivindicar o imóvel. 
• Código de Processo Civil, Artigos 560 e seguintes: Regulam as 
ações possessórias, como reintegração de posse. 
 
 
Desdobramentos Possíveis 
 
• Reintegração de posse: Ricardo deverá retomar sua propriedade 
judicialmente, removendo Jandira do imóvel. 
• Indenização por danos: Ricardo pode buscar reparação dos 
prejuízos causados durante o período de ocupação ilegítima. 
• Responsabilidade criminal: Jandira pode ser responsabilizada 
pela violência contra Ricardo durante a tentativa de retomada do 
imóvel. 
 
Orientação Final 
 
Ricardo deve ser orientado a agir rapidamente, ingressando com as ações 
mencionadas para garantir seus direitos como proprietário. A situação 
apresenta elementos claros de violação de posse, o que justifica medidas 
judiciais imediatas. 
 
	QUESTÕES DISSERTATIVAS - REVISÃO G1
	1. FGV - 2020 - MPE-RJ - Estágio Forense do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (adaptada) Josefina ingressou – desde 2022 - num terreno vizinho ao seu, situado na cidade de Pelotas-RS, que estava desocupado. Tendo cercado o imóvel, nele pl...
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