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Estratégia MED Prof. Natalia Carvalho | Síndromes hipertensivas da gestação 2OBSTETRÍCIA PROF. NATÁLIA CARVALHO APRESENTAÇÃO: Olá, futuro Residente! Neste resumo irei abordar o tema de Obstetrícia mais cobrado nas provas de Residência Médica: os distúrbios hipertensivos da gestação. Você encontrará questões sobre isso em praticamente todas as provas que prestar. Para você ganhar tempo, resumi aqui os principais tópicos desse tema, dando atenção especial aos mais cobrados: diagnóstico e conduta. Vamos começar? @profnataliacarvalho @estrategiamed /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed @estrategiamed https://www.instagram.com/profnataliacarvalho https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://t.me/estrategiamed https://t.me/estrategiamed https://www.tiktok.com/@estrategiamed Estratégia MED 3 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 4 1.0 DOENÇA HIPERTENSIVA ESPECÍFICA DA GESTAÇÃO 5 1.1 ETIOPATOGENIA DA DHEG 5 1.2 DIAGNÓSTICO DA DHEG 7 1.3 DIAGNÓSTICO DE HIPERTENSÃO GESTACIONAL 9 1.4 DIAGNÓSTICO DE PRÉ-ECLÂMPSIA 9 1.5 DIAGNÓSTICO DE ECLÂMPSIA 12 1.6 DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME HELLP 12 1.7 DIAGNÓSTICO DE PRÉ-ECLÂMPSIA SOBREPOSTA 13 1.8 PREDIÇÃO DA PRÉ-ECLÂMPSIA 13 1.9 PREVENÇÃO DA PRÉ-ECLÂMPSIA 15 2.0 CONDUTA NA DHEG 15 2.1 CONDUTA NA HIPERTENSÃO GESTACIONAL LEVE OU PRÉ-ECLÂMPSIA NÃO GRAVE 16 2.2 CONDUTA NA PRÉ-ECLÂMPSIA GRAVE, IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA, ECLÂMPSIA E SÍNDROME HELLP 18 2.3 PREVENÇÃO DAS CONVULSÕES 19 2.4 CONTROLE DA HIPERTENSÃO ARTERIAL GRAVE 21 2.5 CONDUTA OBSTÉTRICA 22 2.6 CONDUTA NA IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA E NA ECLÂMPSIA 24 2.7 CONDUTA NA SÍNDROME HELLP 25 2.8 CUIDADOS NO PUERPÉRIO 26 3.0 HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA 26 3.1 TRATAMENTO 27 4.0 LISTA DE QUESTÕES 29 5.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 30 6.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 30 Estratégia MED 4 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 INTRODUÇÃO Os distúrbios hipertensivos ou as síndromes hipertensivas da gestação englobam a doença hipertensiva específica da gestação (DHEG), que pode se manifestar de diferentes formas (hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, síndrome HELLP, eclâmpsia e pré-eclâmpsia sobreposta a hipertensão crônica), e a hipertensão arterial crônica. Essas doenças são a primeira causa de mortes maternas no Brasil e a segunda no mundo. A maioria dessas mortes, contudo, poderia ser evitada com cuidados adequados na gestação, por meio de medidas preventivas durante o pré-natal e tratamento precoce. Existem diversas classificações para os distúrbios hipertensivos na gestação, cada uma delas utilizando critérios diagnósticos diferentes para definir essas doenças. Daremos ênfase para a classificação mais utilizada no mundo, que é a da ACOG e está resumida na tabela a seguir. Esta classificação cai muito nas provas de Residência Médica e é essencial para você conseguir responder as questões sobre esse tema! Então, preste muita atenção! CLASSIFICAÇÃO DOS DISTÚRBIOS HIPERTENSIVOS NA GESTACÃO (ACOG) Hipertensão gestacional Hipertensão arterial após 20 semanas de gestação em mulher previamente normotensa, sem proteinúria, sem disfunção de órgãos-alvo e a PA volta ao normal após o puerpério. Pré-eclâmpsia Hipertensão arterial após 20 semanas de gestação em mulher previamente normotensa E: - Proteinúria; OU - Disfunção de órgãos-alvo; OU - Disfunção uteroplacentária. Pré-eclâmpsia sobreposta a hipertensão arterial crônica Hipertensão arterial antes de 20 semanas de gestação ou gestante previamente hipertensa E: - Piora dos níveis pressóricos após 20 semanas; OU - Proteinúria; OU - Disfunção de órgãos-alvo; OU - Disfunção uteroplacentária. Eclâmpsia Convulsões tônico-clônicas na gestação na ausência de outras causas. Síndrome HELLP Quadro de plaquetopenia, hemólise e aumento das enzimas hepáticas. Hipertensão arterial crônica Hipertensão arterial prévia à gestação ou detectada antes de 20 semanas. Estratégia MED 5 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 1.0 DOENÇA HIPERTENSIVA ESPECÍFICA DA GESTAÇÃO CAPÍTULO A doença hipertensiva específica da gestação (DHEG) engloba os distúrbios hipertensivos que ocorrem apenas na gestação e no puerpério, sendo eles: hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia (PE), eclâmpsia, síndrome HELLP e pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica. 1.1 ETIOPATOGENIA DA DHEG As principais teorias sobre a etiopatogenia da DHEG estão descritas na tabela abaixo: Tem-se observado que, independentemente da etiopatogenia, o mecanismo final que desencadeia todos os sinais e sintomas clínicos dessa doença é a lesão endotelial vascular, responsável por vasoespasmo, maior permeabilidade plasmática e alterações isquêmicas ou trombóticas. Acredita-se que a placenta tenha um papel de destaque na TEORIAS RELACIONADAS À ETIOLOGIA DA PRÉ-ECLAMPSIA Deficiência de invasão trofoblástica Fatores imunológicos Disfunção endotelial e alterações inflamatórias Fatores nutricionais Estresse etiopatogenia da DHEG, uma vez que se observa a resolução da doença e a melhora dos sintomas com a retirada da placenta. Logo, a principal etiopatogenia desse grupo de doenças envolve uma placentação deficiente decorrente da invasão trofoblástica inadequada da musculatura média das arteríolas espiraladas do útero. Estratégia MED 6 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 Invasão trofoblástica inadequada da musculatura média das arteríolas espiraladas do útero Fatores genéticos Diâmetro menor e alta resistência Redução do fluxo sanguíneo no espaço interviloso Perfusão placentária diminuida Vasoespasmo (hipertensão arterial, oligúria, convulsões) Aumento da permeabilidade capilar (edema, proteinúria e hemoconcentração) Ativação da coagulação (plaquetopenia) Alteração endotelial Fatores inflamatórios Placentação deficiente Fatores imunológicos Fatores ambientais Os fatores imunológicos também parecem influenciar na etiopatogenia da doença. O excesso de carga antigênica fetal e a ausência de antígenos bloqueadores levam à ativação da imunidade inata, das citocinas pró-inflamatórias e ao predomínio de fatores antiangiogênicos (fator solúvel tipo tirosina quinase- sFLt-1 e endoglina) em relação aos angiogênicos (fator de crescimento placentário – PIGF e fator de crescimento endotelial – VEGFs). Acredita-se que as alterações inflamatórias e endoteliais sejam uma consequência da invasão trofoblástica inadequada. A lesão endotelial promove a diminuição das prostaglandinas vasodilatadoras (prostaciclinas–PGI2), e a ativação plaquetária leva a um aumento das prostaglandinas vasoconstritoras (tromboxano-TXA2). O aumento da relação TXA2/PGI2 favorece o aumento da sensibilidade de infusão da angiotensina II que acarreta vasoconstrição. Sabe-se que há predisposição genética para o desenvolvimento da DHEG, uma vez que filhas de mães com pré- eclâmpsia apresentam um risco entre 20 e 40% de desenvolver a doença, entretanto não se conhece o mecanismo dessa herança. Além disso, fatores ambientais podem aumentar a chance de surgimento da DHEG, como a baixa ingestão de cálcio, a presença de doenças prévias associadas (obesidade, diabetes, doença renal e cardiovascular) e o estresse. A DHEG pode cursar com alterações em praticamente todos os órgãos e sistemas, e a lesão endotelial, o vasoespasmo e a isquemia são responsáveis por praticamente todas as alterações clínicas e laboratoriais que ocorrem nessa doença. O mapa mental a seguir resume todas as alterações sistêmicas e uteroplacentárias que ocorrem na DHEG: Estratégia MED 7 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof.Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 1.2 DIAGNÓSTICO DA DHEG As patologias que envolvem a DHEG têm em comum o aumento dos níveis pressóricos a partir de 20 semanas de gestação, que desaparece depois de 12 semanas após o parto, distinguindo da hipertensão crônica ou hipertensão arterial sistêmica, que se inicia antes da gestação ou é diagnosticada antes da vigésima semana e não se resolve após o puerpério. Lesão endotelial Alterações renais Alterações hepáticas Alterações cerebrais Alterações hematológicas Restrição de crescimento Sofrimento fetal Óbito fetal Descolamento prematuro de placenta Vasoconstrição Isquemia Aumento da permeabilidade vascular Ativação da coagulação Alterções maternas sistêmicas Diminuição da filtração glomerular Aumento do ácido úrico Endoteliose glomerular Proteinúria Aumento das transaminases Aumento das bilirrubinas Hematoma subscapular Rotura hepática Alterações hemodinâmicas Vasoespasmo Edema Convulsões Hemorragia intracraniana Alterações uteroplacentárias Trombocitopenia Hemólise CIVD Hipertensão arterial Hemoconcentração Edema O sinal comum a todas as formas clínicas da DHEG é a hipertensão arterial na gestação com aparecimento após 20 semanas. Na obstetrícia definimos hipertensão arterial quando a pressão arterial sistólica (PAS) é igual ou superior a 140 mmHg ou a pressão arterial diastólica (PAD) é igual ou superior a 90 mmHg, medida com a paciente sentada e confirmada após 4 horas de repouso. Se a PAS é maior ou igual a 160 mmHg ou a PAD é maior ou igual a 110 mmHg, espera-se apenas 15 minutos para confirmar a presença de hipertensão arterial. HIPERTENSÃO ARTERIAL PAS ≥ 140 ou PAD ≥ 90 em duas ocasiões com intervalo de 4 horas OU PAS ≥ 160 ou PAD ≥ 110 confirmada após 15 minutos. mailto:natalia.carvalho@estrategiamed.com.br mailto:natalia.carvalho@estrategiamed.com.br Estratégia MED 8 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 O edema na gestação, por sua vez, é sinal de alerta para um possível desenvolvimento de DHEG, principalmente na presença de inchaço de mãos e face. Além disso, o aumento de peso na gestante de mais de 1kg em uma semana também ajuda na identificação de As relações proteína/creatinina e albumina/creatinina foram adicionadas recentemente aos protocolos internacionais para definição de proteinúria na pré-eclâmpsia, tendo como vantagem o diagnóstico preciso de proteinúria apenas com a coleta de amostra isolada de urina. Fique atento, pois isso tem caído nas provas de Residência! Outros exames laboratoriais que devem ser solicitados quando há suspeita de DHEG são: EXAMES PARA INVESTIGAÇÃO DE DHEG Proteinúria 24h ou relação proteína/creatinina Uréia e creatinina Hemograma completo DHL ou esquizócitos Transaminases e bilirrubinas Ácido úrico Dopplervelocimetria obstétrica Proteinúria Proteinúria de 24h ≥ 300mg OU Relação proteína/creatinina urinária ≥ 0,3 OU Relação albumina/creatinina: ≥ 8 mg/mmol OU Amostra isolada de urina ≥ +2 ou 1 g/l de proteína edema na gestação. A proteinúria é diagnosticada na gestação quando há 300mg ou mais de proteína excretada pela urina no período de 24h. Esse critério diagnóstico pode ser determinado pelos seguintes exames: mailto:natalia.carvalho@estrategiamed.com.br mailto:natalia.carvalho@estrategiamed.com.br mailto:natalia.carvalho@estrategiamed.com.br Estratégia MED 9 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 Alguns sintomas indicam gravidade da doença, por isso devem ser valorizados, são eles: cefaleia, epigastralgia, dor em hipocôndrio direito, oligúria, alterações visuais, alteração do estado mental e convulsão. Diante da suspeita diagnóstica pelo quadro clínico e laboratorial, classificamos a DHEG em suas diferentes formas, conforme veremos a seguir. 1.3 DIAGNÓSTICO DE HIPERTENSÃO GESTACIONAL A hipertensão gestacional é definida, segundo a ACOG (American College of Obstetricians and Gynecologists), por: HIPERTENSÃO GESTACIONAL Hipertensão arterial (≥140/90mmHg) após 20 semanas que normaliza após o puerpério E Ausência de proteinúria E Ausência de disfunção de órgãos-alvo A hipertensão gestacional é considerada leve quando a PAS é 150.000 109/L - DHL > 600 UI/L - CIVD - Transaminases 2x - Dor hipocôndrio direito - Epigastralgia - Creatinina sérica > 1,1 mg/dL - Duplicação da creatinina basal - Edema Pulmonar - Cefaléia - Turvação visual escotomas, cegueira - Alterção do estado mental - Derrame ou convulsão E HIPERTENSÃO ARTERIAL > 20 semanas de gestação ≥ 140/90 mm/Hg DISFUNÇÃO DE ÓRGÃOS-ALVO hematológica, hepática, renal, pulmonar ou neurológica DISFUNÇÃO UTEROPLACENTÁRIA restrição de crescimento fetal, alteração doppler, morte fetal PROTEINÚRIA ≥ 300 mg/24h, relação prot/creat ≥ 0.3 mg/dL OU OU Sendo assim, quaisquer das seguintes disfunções de órgão-alvo materno ou disfunção uteroplacentária associadas a aumento dos níveis pressóricos após 20 semanas já fazem o diagnóstico de pré-eclâmpsia, mesmo sem proteinúria: Estratégia MED 11 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 Fique atento! As sociedades internacionais (ACOG e ISSHP), desde 2013, não consideram mais obrigatória a presença de proteinúria para o diagnóstico de pré-eclâmpsia, como acabamos de aprender. Basta ocorrer hipertensão arterial na presença de disfunção de órgãos-alvo ou disfunção uteroplacentária para constituir pré-eclâmpsia. A pré-eclâmpsia pode ser classificada como pré-eclâmpsia grave ou não grave, a depender dos sinais e sintomas que acompanham essa doença, assim como dos exames laboratoriais e ultrassonográficos dessa gestante. A pré-eclâmpsia é considerada grave quando a gestante apresenta hipertensão arterial grave (PAS ≥ 160mmhg e PAD ≥ 110 mmHg) não responsiva a tratamento OU sinais e sintomas de disfunção significativa de órgãos-alvo ou uteroplacentária: • Trombocitopenia (plaquetas 1,1 mg/dl ou uma duplicação da creatinina basal na ausência de outra doença renal); •Disfunção hepática (elevação das transaminases para duas vezes o normal ou dor severa persistente em hipocôndrio direito ou epigástrio, náuseas e vômitos sem outros diagnósticos); • Edema pulmonar; • Cefaleia intensa (não responsiva a medicação e não explicada por outros diagnósticos), sintomas visuais (turvação visual, fotofobia, escotomas, cegueira temporária); • Disfunção uteroplacentária (restrição fetal severa, alterações Dopplervelocimétricas ou morte fetal). Atenção, Estrategista! Nível alto de proteinúria não é mais critério de gravidade para pré-eclâmpsia, então, uma vez confirmada a proteinúria, não há necessidade de ficar repetindo o exame. Além disso, oligúria também não faz mais parte dos critérios de gravidade para pré-eclâmpsia para a maioria das instituições! CLASSIFICAÇÃO DA PRÉ-ECLÂMPSIA QUANTO AO TEMPO DE SURGIMENTO Pré-eclâmpsia precoce Antes de 34 semanas Alteração do Doppler das artérias uterinas, restrição de crescimento fetal e pior prognóstico materno e fetal Pré-eclâmpsia tardia Após 34 semanas Menor comprometimento fetal e melhores resultados materno-fetais Por outro lado, se a gestante apresenta hipertensão arterial 600UI/L, esquizócitos EL- elevação das enzimas hepáticas (enzyme of liver): 2 x o nível superior LP- plaquetopenia (low platelets): plaquetas 1,2 mg%). A síndrome HELLP é chamada de completa quando os três critérios diagnósticos laboratoriais estão presentes e de parcial quando estão presentes apenas dois deles. 1.8 PREDIÇÃO DA PRÉ-ECLÂMPSIA A principal forma de identificar as gestantes com risco de desenvolver pré-eclâmpsia é por meio da avaliação dos fatores de risco. As diretrizes do NICE (National Institute for Health and Care Excellence) e da ACOG (American College of Obstetricians and Gynecologists) definem como gestação de alto risco para desenvolver pré-eclâmpsia quando há um único fator de risco alto ou dois fatores de risco moderados: RISCO ALTO RISCO MODERADO História pregressa de pré-eclâmpsia Primiparidade Hipertensão arterial crônica Obesidade (IMC >30) Diabetes tipo 1 e tipo 2 História familiar de pré-eclâmpsia Doença renal Idade materna > 35 anos Doenças autoimunes (lúpus, SAAF) Características sociodemográficas (negras, vulnerabilidade socioeconômica) Gestação múltipla Intervalo interpartal > 10 anos Doença trofoblástica gestacional Mau passado obstétrico, baixo peso ao nascer ou pequeno para idade gestacional. Estratégia MED 14 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 Recentemente, marcadores biofísicos (Dopplervelocimetria das artérias uterinas) e bioquímicos (sFlt-1, s-Eng, PIGF, VEGF e PAPP-A) têm sido utilizados para o rastreamento e a predição da pré-eclâmpsia, isoladamente ou em associação com os fatores de risco maternos. Sabe-se que quanto menor for a concentração de PlGF (Placental Growth Factor/fator de crescimento placentário) e de PAPP-A (Proteína Plasmática Associada à Gravidez) e maior Marcadores bioquímicos (PLGF e PAPP-A) Quanto menor a concentração, maior o risco de pré-eclâmpsia Quanto maior for o IP da artéria uterina, maior o risco de pré-eclâmpsia Fatores de risco meternos Marcador biofísico (artéria uterina) PREDIÇÃO DE PRÉ-ECLÂMPSIA for o índice de pulsatilidade da artéria uterina, maior o risco de desenvolver pré-eclâmpsia, principalmente pré-eclâmpsia precoce (e baixa ingesta dietética de cálcio, com redução do risco de pré-eclâmpsia para esse grupo de mulheres. Não existe evidência de que a suplementação de vitamina C, D, E, óleo de peixe, ácido fólico e restrição de sal possam reduzir o risco de pré-eclâmpsia. Estratégia MED 16 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 O primeiro passo diante de uma suspeita de DHEG deve ser avaliar a presença de sinais de gravidade que façam com que seja necessário encaminhar a gestante ao hospital para tratamento de urgência. Caso a gestante não apresente sinal de gravidade, faz-se a investigação diagnóstica ambulatorial a fim de confirmar a suspeita de DHEG e identificar a forma clínica dessa doença. 2.1 CONDUTA NA HIPERTENSÃO GESTACIONAL LEVE OU PRÉ-ECLÂMPSIA NÃO GRAVE Diante de uma gestante com aumento dos níveis pressóricos após 20 semanas de gestação sem sinais ou sintomas de gravidade, é importante solicitar exames laboratoriais que avaliem disfunções de órgãos-alvo (hemograma, ureia, creatinina, proteinúria 24h ou relação proteína/creatinina urinária, transaminases, bilirrubinas e desidrogenase láctica) e realizar avaliação da vitalidade fetal Sendo assim, a conduta efetiva diante de uma gestante com distúrbio hipertensivo depende do diagnóstico correto das formas clínicas dessa doença e da identificação precoce de fatores de gravidade. Como veremos a seguir, o tratamento difere entre as formas graves e não graves e, quanto mais rápida for a introdução dessas condutas, mais efetivo será esse tratamento. (cardiotocografia ou Dopplervelocimetria). Confirmado o diagnóstico de hipertensão gestacional leve ou pré-eclâmpsia não grave, a gestante deve ser encaminhada ao pré-natal de alto risco e seguir as condutas listadas na tabela a seguir: CONDUTAS DA HIPERTENSÃO ARTERIAL LEVE E PE NÃO GRAVE Medidas gerais • Pré-natal de alto risco • Controle diário da PA • Dieta normal sem restrição de sal • Redução da atividade física • Proteína de fita 1 a 2x por semana • Ultrassom obstétrico com Doppler • Exames laboratoriais Tratamento medicamentoso • Anti-hipertensivo oral • Metildopa Conduta obstétrica • Parto com 37 semanas, podendo chegar a 40 semanas em alguns casos • Preferência pela via vaginal Deve-se introduzir anti-hipertensivo oral com o objetivo de manter a PA abaixo de 140x 90 mmHg. É importante tomar cuidado com a redução brusca da pressão arterial nessas gestantes, uma vez que apresentam maior hemoconcentração e reatividade vascular. A droga anti-hipertensiva de escolha para os casos de DHEG não grave é a metildopa. Caso a PA se mantenha alterada mesmo com dose máxima de metildopa, faz-se necessário associar um segundo anti-hipertensivo, que pode ser um bloqueador do canal de cálcio (anlodipina ou nifedipina), um bloqueador beta-adrenérgico (metoprolol ou pindolol) ou a hidralazina via oral, conforme a experiência de cada instituição. A associação máxima recomendada é de três drogas anti-hipertensivas. Os anti-hipertensivos e suas doses estão listados na tabela abaixo. Estratégia MED 17 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 DOSES DOS ANTI-HIPERTENSIVOS ORAIS UTILIZADOS NA GESTAÇÃO Alfa2-Agonista Metildopa 500mg a 2g/dia em 2 a 4 tomadas Bloqueadores B-adrenérgicos Metoprolol 25 a 100 mg/dia, 1x ao dia Pindolol 5 a 30 mg/dia em 1 a 2 tomadas Bloqueadores do canal de cálcio Anlodipina 5 a 10mg/dia em 2 tomadas Nifedipina 20 a 60 mg/dia em 2 a 3 tomadas Vasodilatador arterial Hidralazina 50 a 150 mg/dia em 2 a 3 tomadas O uso de atenolol é contraindicado por causar restrição de crescimento fetal. Ademais, os inibidores da enzima conversora de angiotensina (captopril, enalapril), os antagonistas dos receptores da angiotensina II (losartana) e os inibidores diretos da renina (aliskiren) são proibidos na gestação por provocarem malformação fetal. Já o uso de diuréticos na gestação é controverso, por isso deve ser evitado. A tabela abaixo resume os anti-hipertensivos orais permitidos e proibidos na gestação. ANTI-HIPERTENSIVOS PERMITIDOS ANTI-HIPERTENSIVOS PROIBIDOS Alfa2-agonistas Metildopa, clonidina e prazosina Inibidores da enzima conversora de angiotensina Captopril, enalapril Betabloqueadores adrenérgicos Metoprolol, pindolol Atenolol = proibido! Antagonistas dos receptores de angiotensina II Losartana Bloqueadores do canal de cálcio Nifedipina, anlodipina Inibidores diretos da renina Aliskiren A internação hospitalar deve ocorrer em casos de hipertensão refratária ao tratamento medicamentoso com três anti-hipertensivos em dose máxima, na suspeita de pré-eclâmpsia grave ou para melhor avaliação da vitalidade fetal. Recomenda-se resolver a gestação ao redor de 37 semanas, porém é possível manter a gestação até 40 semanas, monitorando PA, sintomas, exames laboratoriais e vitalidade fetal. Na hipertensão gestacional ou pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, o parto vaginal é a via preferida. Estratégia MED 18 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 Pré-eclâmspia sem sinal de gravidade ou hipertensão gestacional leve (PA etre 140/90 - 160/110 mm/Hg) Pré-natal de alto risco Dieta normal sem restrição de sal. Reduzir atividade física Metildopa Metoprolol Nifedipina Anlodipina Hidralazina - Hemograma - Ureia/creatinina - TGO/TGP - DHL - Bilirrubinas - Proteinúria - Vitalidade fetal Controle da PA e proteína em fita 1 a 2x/ semana Parto ao redor de 37 semanas Manter PAO esquema Pritchard é preferível quando se faz necessário transferir a paciente para hospital de referência, pois a administração é intramuscular. Já durante a internação, prefere-se os esquemas Zuspan e Zuspan modificado, com administração endovenosa, permitindo o melhor controle dessa medicação. A tabela a seguir mostra cada um desses esquemas com suas respectivas doses. Estratégia MED 20 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 É importante saber que existem ampolas com concentrações diferentes de sulfato de magnésio. Preste bastante atenção na concentração disponibilizada para calcular a dose correta da medicação. A tabela abaixo mostra as concentrações mais utilizadas. AMPOLAS DE SULFATO DE MAGNÉSIO: MgSO4 50%: ampola com 10ml contém 5g de sulfato de magnésio. MgSO4 20%: ampola com 10ml contém 2g de sulfato de magnésio. MgSO4 10%: ampola com 10ml contém 1g de sulfato de magnésio. A terapia de manutenção do sulfato de magnésio deve continuar por 24 horas após o parto. Nos casos de eclâmpsia, o sulfato de magnésio deve ser administrado por 24 horas após o episódio convulsivo. A complicação mais temida do sulfato de magnésio é sua intoxicação, que pode levar a depressão respiratória e morte. Por isso, para sua administração segura, deve-se dosar os níveis de magnésio antes da dose de manutenção e a cada 4 horas, além de observar reflexo patelar, diurese e frequência respiratória a cada hora. CONCENTRAÇÃO SÉRICA DE MAGNÉSIO 4 a 7 mEq/L (4,8 a 8,4 mg/dl) Concentração terapêutica 8 a 10 mEq/L Reflexo patelar abolido 12 mEq/L Parada respiratória 25 mEq/L Infarto cardíaco É importante somente administrar dose de manutenção quando houver reflexo patelar presente, frequência respiratória ≥ 16 mov/min, diurese de 25ml/hora e concentração sérica de sulfato de magnésio abaixo de 8 mEq/L. Se a concentração sérica de sulfato de magnésio está entre 8 a 10 mEq/L, já é possível observar reflexos patelares abolidos. Ao alcançar níveis próximos de 12 mEq/L, ocorre parada respiratória, e a partir de 25 mEq/L, há infarto cardíaco. A tabela abaixo resume os efeitos de cada concentração sérica de magnésio. Estratégia MED 21 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 A avaliação dos reflexos patelares e da frequência respiratória são importantes para identificar precocemente a intoxicação por sulfato de magnésio, uma vez que os primeiros sinais de intoxicação por sulfato de magnésio são: frequência respiratória >> Depressão respiratória Suspender e administrar gluconato de cálcio 10% SULFATO DE MAGNÉSIO 2.4 CONTROLE DA HIPERTENSÃO ARTERIAL GRAVE Quando a gestante apresenta níveis pressóricos ≥ 160x 110 mmHg confirmados após 15 min de repouso, considera-se que ela tem hipertensão arterial grave ou crise hipertensiva. O controle da hipertensão arterial grave é importante para prevenir falência cardíaca, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral isquêmico ou hemorrágico. O objetivo é manter a PA entre 140-150/90-100 mmHg, para isso utiliza-se anti-hipertensivos mais potentes do que aqueles utilizados para controle de hipertensão arterial leve. As medicações de escolha para o controle da hipertensão arterial grave na gestação são hidralazina endovenosa e nifedipina oral. No Brasil, a hidralazina é ainda a medicação mais utilizada nos casos de crise hipertensiva na gestação. Caso a hipertensão arterial grave seja refratária a essas medicações, utiliza-se o nitroprussiato de sódio endovenoso em bomba de infusão. Deve-se evitar quedas bruscas de pressão arterial, pelo risco de diminuição do fluxo sanguíneo no território cardíaco, cerebral e placentário. As medicações utilizadas para o tratamento de crise hipertensiva estão listadas da tabela a seguir. ser administrado na dose de 1g EV, 10 ml a 10%. Como o magnésio é quase que totalmente depurado por excreção renal, há mais chances de intoxicação por sulfato de magnésio nos casos de diurese diminuída e creatinina alterada, assim, em pacientes com falência renal (creatinina > 1,0, oligúria 34 semanas • Manter a gestação entre 24 e 34 semanas se ausência de complicações maternas ou fetais*. • Preferir parto vaginal *síndrome HELLP, iminência de eclâmpsia, eclâmpsia,DPP, hipertensão grave refratária, edema agudo de pulmão, TPP, RPM, alteração da vitalidade fetal. Estratégia MED 24 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 2.6 CONDUTA NA IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA E NA ECLÂMPSIA Sulfato de magnésio Prevenção de convulsão Entre 24 e 34 semanas se estabilização clínica Controle laboratorial semanal, vitalidade fetal e corticoide para maturação pulmonar Piora do quadro = resolução 34 semanas Qualquer idade se: Manter gestação Resolução da gestação - Iminência de eclâmpsia - Eclâmpisa - Síndrome HELLP - Hipertensão grave refretária - Edema agudo de pulmão - Diástole reversa da artéria umbilical - Cardiotocografia categoria III - Morte fetal Hidralazina se PA ≥ 160/110 mmHg Internação, estabilização hemodinâmica, exames complementares PRÉ-ECLÂMPSIA GRAVE A conduta inicial frente a uma paciente com iminência de eclâmpsia ou eclâmpsia deve ser: chamar ajuda, conter a paciente para evitar trauma, mantê-la em decúbito lateral para evitar aspiração, fornecer oxigenioterapia e realizar monitorização dos sinais vitais. Somente então se deve iniciar o tratamento medicamentoso, que é feito com sulfato de magnésio. Como já vimos, o sulfato de magnésio é a medicação de escolha na prevenção das convulsões nos casos de pré-eclâmpsia grave, iminência de eclâmpsia e durante o tratamento da eclâmpsia. A resolução da gestação deve ocorrer em todos os casos de iminência de eclâmpsia ou eclâmpsia depois que a gestante receber o sulfato de magnésio e apresentar estabilização do quadro clínico. Não é indicado manter a gestação, independentemente da idade gestacional, pois os riscos maternos são muito elevados. A administração de corticoterapia abaixo de 34 semanas pode ser realizada, mas não deve ser motivo para adiar o parto. MAPA MENTAL: A dose e os cuidados com a administração do sulfato de magnésio nos casos de iminência de eclâmpsia e eclâmpsia são os mesmos já vistos para pré-eclâmpsia grave. No caso de eclâmpsia refratária ao tratamento com sulfato de magnésio, isto é, quando as convulsões se mantêm por 20 min após a administração da dose de ataque do sulfato de magnésio ou ocorrem mais de 2 duas convulsões recorrentes, as medicações alternativas para o controle das convulsões são: amobarbital de sódio, tiopental ou fenitoína, todas de administração endovenosa. Estratégia MED 25 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 Internação e estabilização hemodinâmica Convulsões tônico-clônicas > 20 semanas. Sem outras causas Cefaleia, escotomas, turvação visual, alteração do estado mental, hiperreflexia, epigastralgia ECLÂMPSIA OU IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA Hidralazina se PA ≥ 160/110 mmHg Resolução da gestação Sulfato de magnésio 2.7 CONDUTA NA SÍNDROME HELLP Diante de uma paciente com síndrome HELLP, a conduta inicial é semelhante ao tratamento da pré-eclâmpsia grave, ou seja, deve-se internar e estabilizar hemodinamicamente a gestante, fazer a avaliação da vitalidade fetal, administrar sulfato de magnésio, para prevenção de convulsões, e anti-hipertensivo, para controle da hipertensão arterial grave (PA ≥160/110 mmHg). Caso haja plaquetopenia abaixo de 50 mil, alguns serviços indicam transfusão de plaquetas e o uso de dexametasona na dose de 10mg a cada 12h em mulheres que serão submetidas a cesárea Internação e estabilização hemodinâmica Hemólise Aumento das transaminases trombocitopenia Exames laboratoriais Exames vitalidade fetal SÍNDROME HELLP Hidralazina se PA ≥ 160/110 mmHg Resolução da gestação Sulfato de magnésio até 36h após o parto. A resolução da gestação é o tratamento definitivo da síndrome HELLP, por isso o parto deve ocorrer em todos os casos após administração do sulfato de magnésio e estabilização clínica da gestante. Não é indicado manter a gestação, independentemente da idade gestacional, pois os riscos maternos são muito elevados. A administração de corticoterapia abaixo de 34 semanas pode ser realizada, mas só se deve adiar o parto para a aplicação do ciclo completo de corticoide se houver estabilidade materna e fetal. Estratégia MED 26 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 2.8 CUIDADOS NO PUERPÉRIO O período do pós-parto é extremamente crítico nos casos graves de DHEG, como na pré-eclâmpsia grave, eclâmpsia e síndrome HELLP. Geralmente há piora do quadro clínico nas primeiras 24h de puerpério em decorrência do sangramento pós-parto, principalmente nos casos de cesárea. Além disso, as complicações hemorrágicas pós-parto são muito mais frequentes nessas pacientes. As complicações da pré-eclâmpsia grave podem aparecer também no puerpério tardio, por isso essas mulheres devem ser Considera-se hipertensão arterial crônica nas seguintes situações: HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA Hipertensão arterial prévia à gestação OU Antes de 20 semanas OU Não desaparece em 12 semanas após o parto Na maioria dos casos, a hipertensão arterial crônica dá-se por hipertensão essencial ou primária (hipertensão arterial sistêmica), mas raramente decorre de hipertensão secundária, principalmente devido à doença renal. Outras causas de hipertensão secundária são feocromocitoma e coarctação de aorta. HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA Não complicada Função cardíaca e renal preservadas Complicada Função cardíaca ou renal alteradas Pré-eclâmpsia sobreposta A hipertensão arterial crônica é classificada em complicada e não complicada. Na hipertensão arterial não complicada as funções cardíaca e renal estão preservadas, já, na hipertensão arterial crônica complicada, há alterações da função renal, da cardíaca ou ainda pré-eclâmpsia sobreposta. 3.0 HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA CAPÍTULO acompanhadas de perto nos primeiros dias pós-parto. Se a PA se mantiver ≥ 140/90 mmHg após o parto, é importante manter o uso de anti-hipertensivos. Em mulheres com pré-eclâmpsia grave, é preciso realizar exames laboratoriais com 48-72h do parto e proteinúria com 6-8 semanas pós-parto. É importante orientar as puérperas para o risco de complicações a longo prazo: hipertensão arterial crônica, isquemia cardíaca e cerebral, diabetes mellitus 2, doença renal e morte precoce. Estratégia MED 27 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 Apesar da pré-eclâmpsia e da hipertensão arterial crônica terem em comum o aumento dos níveis pressóricos, essas doenças são muito diferentes em relação à fisiopatologia, à evolução e ao tratamento. Quando há dúvidas quanto ao diagnóstico da hipertensão arterial na gestação, se é por hipertensão arterial crônica ou DHEG, exames como ácido úrico e excreção urinária de cálcio podem ajudar no diagnóstico. Na pré-eclâmpsia os níveis de ácido úrico estão aumentados e a excreção urinária de cálcio está diminuída. Acido úrico acima de 4,5 mg/dl e calciúria de 24h abaixo de 100mg sugerem PE. A tabela a seguir ajuda na diferenciação entre pré- eclâmpsia e hipertensão arterial crônica. PRÉ-ECLÂMPSIA HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA Hipertensão surge pós 20 semanas Hipertensão desde o início da gestação Desaparece após o puerpério Não desaparece após o puerpério Proteinúria, disfunção de órgãos-alvo ou disfunção uteroplacentária Alterações metabólicas e aumento do risco de eventos cardiovasculares Aumenta acido úrico Acido úrico normal Diminui calciúria Calciúria normal 3.1 TRATAMENTO Gestantes com hipertensão arterial crônica devem ser encaminhadas ao pré-natal de alto risco para acompanhamento e tratamento adequados, uma vez que apresentam maior risco de complicações obstétricas, como pré-eclâmpsia, restrição de crescimento, óbito fetal, infarto, derrame e óbito materno. O objetivo do tratamento da hipertensãoarterial crônica é diminuir as complicações maternas e perinatais. CONDUTAS NA HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA Medidas gerais • Pré-natal de alto risco • Controle diário da PA • Dieta com restrição de sal • Redução da atividade física • Evitar ganho excessivo de peso • Prevenção de pré-eclâmpsia com AAS e carbonato de cálcio • Exames para avaliar lesão de órgãos-alvo: ECG, Ecocardiograma, fundoscopia e USG rins e vias • Investigação de pré-eclâmpsia a partir de 20 semanas Tratamento medicamentoso • Anti-hipertensivo oral Conduta obstétrica • Ultrassonografia mensal • Parto com 40 semanas sem complicações • Preferência pela via vaginal Estratégia MED 28 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 Muitos anti-hipertensivos são proibidos na gestação pelo risco de teratogenicidade, como vimos anteriormente, por isso é importante adequar a medicação ainda no período pré-gestacional ou assim que a gestação for descoberta. Deve-se investigar pré-eclâmpsia sobreposta acima de 20 semanas se piora dos níveis pressóricos, surgimento de proteinúria, disfunção de órgãos-alvo ou disfunção uteroplacentária. Metildopa Metoprolol Nifedipina Anlodipina Hidralazina Nifedipina Nitroprussiato de sódio - Piora dos níveis pressóricos - Proteinúria - Disfunção de órgãos-alvo - Disfunção uteroplacentária HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA PA ≥ 140/90 mmHg antes de 20 semanas ANTI-HIPERTENSIVO ORAL PA ≥ 140/90 e 20 SEMANAS MAPA MENTAL: Se a gestante apresentar hipertensão arterial grave/crise hipertensiva (PA ≥ a 160/110 mmHg) após 20 semanas, a conduta é internação hospitalar, investigação de pré-eclâmpsia e controle dos níveis pressóricos com hidralazina ou nifedipina. Além disso, deve- se indicar internação na presença de pré-eclâmpsia sobreposta, comprometimento da vitalidade fetal e nas emergências hipertensivas. Estratégia MED 29 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://estr.at/3u7KswO 4.0 LISTA DE QUESTÕES https://estr.at/3u7KswO Estratégia MED 30 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 6.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao fim do tema mais importante da Obstetrícia para as provas de Residência Médica! Parabéns, Estrategista! Se quiser se aprofundar sobre esse tema, veja nosso livro completo sobre Distúrbios hipertensivos da gestação. Lá você vai encontrar mais detalhes e explicações sobre este assunto! Além disso, recomendo que siga o perfil do Estratégia MED nas redes sociais! Lá você ficará atualizado de todas as notícias sobre as provas de Residência Médica do país. Você também pode seguir meu perfil no Instagram, local em que compartilho com alunos e pacientes temas sobre obstetrícia e medicina fetal. Conte comigo nessa jornada! Natália Carvalho 5.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Zugaib obstetrícia 4 ed. Manole 2020. 2. Cunningham, F. Gary. Obstetrícia de Williams. 24 ed. AMGH editora 2016. 3. FEBRASGO. Pré-eclâmpsia nos seus diversos aspectos. Série Orientações e Recomendações FEBRASGO. N.8, 2017. 4. Gestational Hypertension and Preeclampsia: ACOG Practice Bulletin Summary, Number 222. Obstet Gynecol 2020; 135:1492. 5. Brown MA, Magee LA, Kenny LC, et al. Hypertensive Disorders of Pregnancy: ISSHP Classification, Diagnosis, and Management Recommendations for International Practice. Hypertension 2018; 72:24. 6. Visintin C, Mugglestone MA, Almerie MQ, et al. Management of hypertensive disorders during pregnancy: summary of NICE guidance. BMJ 2010; 341:c2207. 7. Dekker GA, Sibai BM. Etiology and pathogenesis of preeclampsia: current concepts. Am J Obstet Gynecol 1998; 179:1359. 8. NICE guideline [NG133]. Hypertension in pregnancy: diagnosis and management. June 2019. 9. Cerdeira AS, O'Sullivan J, Ohuma EO, et al. Randomized Interventional Study on Prediction of Preeclampsia/Eclampsia in Women with Suspected Preeclampsia: INSPIRE. Hypertension 2019; 74:983. CAPÍTULO CAPÍTULO mailto:natalia.carvalho@estrategiamed.com.br mailto:natalia.carvalho@estrategiamed.com.br mailto:natalia.carvalho@estrategiamed.com.br mailto:natalia.carvalho@estrategiamed.com.br mailto:natalia.carvalho@estrategiamed.com.br mailto:natalia.carvalho@estrategiamed.com.br mailto:natalia.carvalho@estrategiamed.com.br mailto:natalia.carvalho@estrategiamed.com.br Estratégia MED 31 OBSTETRÍCIA Síndromes hipertensivas da gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2023 https://med.estrategia.com 1.0 Doença Hipertensiva Específica da Gestação 1.1 Etiopatogenia da DHEG 1.2 Diagnóstico da DHEG 1.3 Diagnóstico de Hipertensão Gestacional 1.4 Diagnóstico de Pré-eclâmpsia 1.5 Diagnóstico de eclâmpsia 1.6 Diagnóstico da síndrome HELLP 1.7 Diagnóstico de Pré-eclâmpsia sobreposta 1.8 Predição da pré-eclâmpsia 1.9 Prevenção da pré-eclâmpsia 2.0 Conduta na DHEG 2.1 Conduta na Hipertensão Gestacional Leve ou Pré-eclâmpsia Não Grave 2.2 Conduta na pré-eclâmpsia grave, iminência de eclâmpsia, eclâmpsia e síndrome HELLP 2.3 Prevenção das convulsões 2.4 Controle da hipertensão arterial grave 2.5 Conduta obstétrica 2.6 Conduta na iminência de eclâmpsia e na eclâmpsia 2.7 Conduta na síndrome HELLP 3.0 Hipertensão arterial crônica 3.1 Tratamento 4.0 Lista de questões 6.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS