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Edgar Luiz

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Objetivo 1 — Formação da placenta: porção materna 
A placenta é formada por duas porções principais: uma fetal e outra materna. À 
formação da porção materna da placenta, que deriva diretamente do 
endométrio materno, mais especificamente da chamada decídua basal. 
Após a implantação do blastocisto no endométrio, o trofoblasto começa a 
invadir o tecido uterino. Essa invasão ocorre principalmente pelo 
sinciciotrofoblasto, que libera enzimas proteolíticas capazes de degradar o tecido 
endometrial e permitir a fixação do embrião. Como resposta à implantação, o 
endométrio sofre profundas modificações hormonais e estruturais, processo 
denominado reação decidual. 
Nesse momento, o endométrio transforma-se em decídua, que pode ser 
dividida em três regiões: decídua basal, localizada abaixo do embrião; decídua 
capsular, que recobre o concepto; e decídua parietal, correspondente ao restante 
do útero. A porção materna da placenta é formada especificamente pela decídua 
basal. 
Segundo Langman e Moore, a decídua basal torna-se altamente vascularizada e 
rica em glicogênio e lipídios, fornecendo suporte imunológico, nutricional e 
vascular ao desenvolvimento embrionário. Conforme o trofoblasto invade o 
endométrio, o sangue materno passa a preencher os espaços intervilosos, 
estabelecendo a circulação útero-placentária. 
Com o avanço da gestação, septos placentários originados da decídua basal 
projetam-se em direção à placenta fetal, subdividindo-a em cotilédones. Esses 
cotilédones são unidades anatômicas importantes para as trocas materno-fetais. 
Além disso, as artérias espiraladas do útero sofrem remodelamento vascular 
promovido pelo trofoblasto extraviloso. Esse remodelamento reduz a resistência 
vascular e aumenta o fluxo sanguíneo para a placenta. Quando esse processo 
ocorre inadequadamente, podem surgir patologias obstétricas como pré-
eclâmpsia e restrição de crescimento fetal. 
Portanto, a porção materna da placenta não é apenas um tecido de sustentação. 
Ela participa ativamente da nutrição, da imunotolerância materno-fetal e do 
suprimento sanguíneo necessário para o desenvolvimento adequado do feto. 
3 fatos curiosos 
• A placenta é o único órgão humano formado por células de dois indivíduos 
diferentes ao mesmo tempo. 
• As artérias espiraladas maternas literalmente perdem parte de sua 
musculatura durante o remodelamento vascular. 
• Após o parto, a eliminação da placenta ocorre justamente pela separação 
da decídua basal da parede uterina. 
 
Objetivo 2 — Malformações fetais associadas à artéria umbilical única 
Normalmente, o cordão umbilical possui três vasos: duas artérias umbilicais e 
uma veia umbilical. No caso clínico, a ultrassonografia identificou apenas uma 
artéria umbilical, condição chamada artéria umbilical única. 
Essa alteração pode ocorrer por agenesia primária de uma das artérias ou, 
mais frequentemente, por atrofia e regressão secundária de um vaso 
previamente formado. Embora muitos casos sejam isolados e sem 
repercussões graves, a artéria umbilical única possui grande importância 
clínica porque pode estar associada a malformações fetais. 
 
Porque as artérias umbilicais são responsáveis por levar sangue pobre em 
oxigênio do feto para a placenta. Quando existe apenas uma artéria, pode 
haver alteração do fluxo sanguíneo fetal durante o desenvolvimento 
embrionário. 
Além disso, a artéria umbilical única pode resultar de falhas vasculares 
embrionárias que ocorreram no mesmo período da formação de outros órgãos, 
aumentando a chance de malformações associadas, principalmente 
cardíacas, renais e cromossômicas. 
 
As anomalias mais frequentemente relacionadas envolvem os sistemas 
cardiovascular, renal, gastrointestinal e musculoesquelético. Entre as 
cardiopatias congênitas, podem ocorrer comunicação interventricular, 
tetralogia de Fallot e defeitos do septo atrial. Já no sistema urinário, destacam-
se agenesia renal, hidronefrose e rim multicístico. 
Segundo Rezende e Moore, também existe associação com alterações 
cromossômicas, especialmente trissomia 13, trissomia 18 e, menos 
frequentemente, trissomia 21. Por isso, quando a artéria umbilical única é 
identificada no ultrassom, é fundamental realizar investigação morfológica 
detalhada. 
Outro ponto importante é que a presença da artéria única pode estar 
associada à restrição de crescimento intrauterino, parto prematuro e baixo 
peso ao nascer, provavelmente por alterações hemodinâmicas placentárias. 
Entretanto, no caso apresentado, não foram encontrados outros achados 
clínicos ou malformações associadas. Isso caracteriza uma artéria umbilical 
única isolada, situação que geralmente possui prognóstico favorável quando 
acompanhada adequadamente no pré-natal. 
Assim, a importância clínica dessa alteração está principalmente na 
necessidade de rastrear malformações associadas e monitorar o crescimento 
fetal durante a gestação. 
3 fatos curiosos 
• Aproximadamente 1% das gestações apresentam artéria umbilical única. 
• A alteração é mais comum em gestações gemelares. 
• Em muitos casos, o bebê nasce completamente saudável mesmo com 
apenas uma artéria no cordão. 
Referências: 
• Sadler, T. W. Langman – Embriologia Médica. 14ª ed. 
• Moore, Persaud & Torchia. Embriologia Clínica. 11ª ed. 
• Rezende Obstetrícia. 
 
 
Objetivo 3 — Conceito de idade gestacional e idade embrionária 
Na obstetrícia, é fundamental diferenciar idade gestacional de idade 
embrionária, porque esses conceitos possuem significados diferentes e 
aplicações clínicas distintas. 
A idade gestacional corresponde ao tempo contado a partir do primeiro dia 
da última menstruação, chamada DUM. Esse é o método padrão utilizado na 
prática obstétrica, porque a data da fecundação geralmente não é conhecida 
com precisão. Assim, a gravidez é contabilizada antes mesmo da fecundação 
ocorrer. 
Já a idade embrionária, também chamada idade concepcional, corresponde 
ao tempo real de desenvolvimento do embrião desde a fecundação. Em média, 
ela é cerca de duas semanas menor que a idade gestacional, considerando um 
ciclo menstrual regular de 28 dias. 
No caso clínico, a DUM foi em 21/07/2025. A partir dessa data, calcula-se a 
idade gestacional e também a data provável do parto. Esse cálculo é essencial 
para acompanhar o crescimento fetal, interpretar ultrassonografias e definir se 
o parto é pré-termo, termo ou pós-termo. 
Segundo Moore e Rezende, durante as primeiras oito semanas utiliza-se 
preferencialmente o termo embrião, fase marcada pela organogênese. Após 
esse período, o concepto passa a ser chamado de feto. 
A ultrassonografia do primeiro trimestre é o método mais preciso para 
confirmar a idade gestacional, especialmente pela medida do comprimento 
cabeça-nádega. Quando há discrepância significativa entre a DUM e o 
ultrassom precoce, a idade gestacional pode ser corrigida. 
Compreender essa diferença é extremamente importante porque várias 
decisões clínicas dependem da idade gestacional correta, como interpretação 
do crescimento fetal, avaliação da viabilidade neonatal e definição de 
condutas obstétricas. 
3 fatos curiosos 
• Quando uma mulher “descobre” a gravidez com 4 semanas, o embrião 
geralmente possui apenas cerca de 2 semanas reais de desenvolvimento. 
• A idade gestacional é universalmente usada mesmo sabendo que ela não 
representa o tempo real desde a fecundação. 
• Bebês extremamente prematuros atualmente conseguem sobreviver com 
cerca de 22 a 24 semanas de idade gestacional em centros especializados. 
 
Objetivo 3 — Conceito de idade gestacional e idade embrionária 
A idade gestacional e a idade embrionária são conceitos fundamentais na 
obstetrícia e na embriologia, porém possuem significados diferentes. 
A idade gestacional corresponde ao tempo de gravidez calculado a partir do 
primeiro dia da última menstruação, conhecida como DUM. Esse método é 
utilizado na prática clínica porque, na maioria das vezes, não é possível saber 
exatamenteo dia da fecundação. Por isso, a contagem da gestação começa 
antes mesmo da formação do embrião. 
Já a idade embrionária corresponde ao tempo real de desenvolvimento do 
embrião, contado desde a fecundação. Assim, ela normalmente é cerca de 
duas semanas menor que a idade gestacional em mulheres com ciclo 
menstrual regular de 28 dias. 
Por exemplo, quando uma gestante possui 6 semanas de idade gestacional, o 
embrião geralmente apresenta aproximadamente 4 semanas reais de 
desenvolvimento. 
Segundo Moore e Langman, essa diferença ocorre porque a ovulação e a 
fecundação normalmente acontecem cerca de 14 dias após o início do ciclo 
menstrual. Dessa forma, a idade gestacional inclui o período anterior à 
fecundação. 
Na prática obstétrica, a idade gestacional é a mais utilizada, porque serve como 
padrão universal para acompanhar o crescimento fetal, calcular a data provável 
do parto e interpretar exames obstétricos. 
Além disso, durante as primeiras oito semanas o concepto é chamado de 
embrião, fase marcada pela intensa organogênese. Após esse período, passa a 
ser denominado feto. 
Portanto, enquanto a idade embrionária representa o desenvolvimento 
biológico real do embrião, a idade gestacional representa o método clínico 
padronizado utilizado no acompanhamento da gravidez. 
3 fatos curiosos 
• A gravidez é contada antes mesmo da fecundação ocorrer. 
• Quando a mulher “descobre” a gravidez com 4 semanas, o embrião 
geralmente possui apenas cerca de 2 semanas reais. 
• A ultrassonografia do primeiro trimestre consegue estimar a idade 
gestacional com erro médio de apenas 3 a 5 dias. 
 
Ultrassonografias recomendadas durante a gestação 
A ultrassonografia é um dos principais exames utilizados no acompanhamento 
pré-natal, porque permite avaliar o desenvolvimento fetal de forma não invasiva 
e segura tanto para a mãe quanto para o feto. 
Durante a gestação, existem ultrassonografias consideradas fundamentais. A 
primeira é a ultrassonografia do primeiro trimestre, idealmente realizada entre 
11 semanas e 13 semanas e 6 dias. Ela é importante para confirmar a gestação 
intrauterina, determinar a idade gestacional com maior precisão, avaliar a 
vitalidade fetal e medir a translucência nucal, marcador importante para 
rastreamento de aneuploidias. 
A segunda ultrassonografia essencial é o ultrassom morfológico do segundo 
trimestre, geralmente realizado entre 20 e 24 semanas. Esse exame avalia 
detalhadamente a anatomia fetal, permitindo identificar malformações 
estruturais, além de analisar placenta, líquido amniótico e cordão umbilical. 
Foi justamente nesse exame que o caso identificou a presença de apenas uma 
artéria umbilical. Isso demonstra a importância do ultrassom morfológico como 
ferramenta diagnóstica de alterações fetais e placentárias. 
No terceiro trimestre, a ultrassonografia é utilizada para avaliar crescimento 
fetal, posição do feto, quantidade de líquido amniótico, maturidade placentária 
e Dopplerfluxometria, quando necessário. 
Segundo Rezende, gestações de risco habitual não exigem ultrassonografias 
excessivas, mas exames seriados podem ser indicados em situações de alto 
risco, restrição de crescimento fetal ou suspeitas de alterações vasculares 
placentárias. 
Além do diagnóstico fetal, o ultrassom também auxilia no planejamento 
obstétrico e no acompanhamento da vitalidade fetal ao longo da gravidez. 
3 fatos curiosos 
• O ultrassom utiliza ondas sonoras de alta frequência, não radiação 
ionizante. 
• O coração fetal pode ser visualizado batendo já por volta da 6ª semana 
gestacional. 
• O exame morfológico do segundo trimestre consegue identificar grande 
parte das malformações estruturais fetais.

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