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Rossano Sartori Dal Molin
(Org.)
científica digital
UM OLHAR PARA AS CONDIÇÕES SOCIAIS,
CULTURAIS, DE GÊNERO E DE SAÚDE
A TRANSVERSALIDADE NA ASSISTÊNCIA À 
 SAÚDE DA MULHER NO BRASIL
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A
2 0 2 5
Edição © 2025 Científica Digital
Texto © 2025 Os Autores
1a Edição - 2025
Acesso Livre - Open Access
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
T772 A transversalidade na assistência à saúde da mulher no Brasil: um olhar para as 
condições sociais, culturais, de gênero e de saúde / Organização de Rossano Sartori 
Dal Molin. – Barueri-SP: Científica Digital, 2025.
Formato: PDF 
Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader
Modo de acesso: World Wide Web
Inclui Bibliografia
ISBN 978-65-83998-57-6
DOI 10.37885/978-65-83998-57-6
1. Serviços e políticas de saúde voltados para mulheres. I. Molin, Rossano Sartori Dal 
(Organizador). II. Título.
CDD 362.1082
Elaborado por Janaína Ramos – CRB-8/9166
Índice para catálogo sistemático:
I. Serviços e políticas de saúde voltados para mulheres
© COPYRIGHT - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. A editora detém os direitos autorais 
sobre a edição e o projeto gráfico, enquanto os autores mantêm os direitos autorais de seus 
respectivos textos. Esta obra está licenciada sob a Licença Creative Commons Atribuição 
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A catalogação em plataformas de acesso restrito ou com fins comerciais é estritamente 
proibida.
CIENTÍFICA DIGITAL EDITORIAL LTDA
Barueri - São Paulo - Brasil
www.cientificadigital.org - contato@cientificadigital.org
Diagramação e Arte 
Diego Santos 
Diogo Lima
Imagens da Capa 
Adobe Stock - 2025
Rossano Sartori Dal Molin
(Org.)
A Transversalidade na Assistência à 
Saúde da Mulher no Brasil:
um olhar para as condições sociais, 
culturais, de gênero e de saúde
2025 - BARUERI - SP
1ª EDIÇÃO
científica digital
Parecer e revisão por pares 
Os textos que compõem esta obra passaram por avaliação do Conselho Editorial e revisão 
por pares externos (Peer Review), recebendo a devida recomendação para publicação. 
Nota: Esta obra é fruto de um processo colaborativo, configurando-se como uma 
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APRESENTAÇÃO
Esta obra é fruto de um esforço colaborativo que reuniu professores, estudantes 
e pesquisadores cujo envolvimento enriqueceu significativamente as discussões 
neste espaço formativo. Além disso, resulta de iniciativas interinstitucionais e 
ações voltadas ao incentivo à pesquisa, congregando especialistas de diversas 
áreas do conhecimento, vinculados a Instituições de Educação Superior, públicas 
e privadas, em âmbito nacional e internacional.
Seu principal objetivo é fortalecer a integração entre instituições, tanto no Brasil 
quanto no exterior, por meio de redes de pesquisa comprometidas com a 
formação continuada de profissionais da educação. Para isso, busca-se a 
produção e a ampla disseminação do conhecimento em distintas áreas do saber.
Expressamos nossa profunda gratidão aos autores pelo empenho, comprome-
timento e dedicação na concepção e finalização desta obra. Esperamos que ela 
se consolide como um recurso didático-pedagógico valioso, atendendo às 
necessidades de estudantes, docentes de todos os níveis de ensino e demais 
interessados na temática.
Rossano Sartori Dal Molin
SUMÁRIO
Capítulo 01
PARTO (DES) HUMANIZADO: AS CONSEQUÊNCIAS DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA 
EM PUÉRPERAS NA CONDIÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
Janiely Silva Sousa; Felipe Augusto Leques Tonial; Amanda Castro; Giorgia Kretzer Hinckel
 ' 10.37885/250819884 ...................................................................................................................................... 8
Capítulo 02
VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA E O PAPEL DA GESTÃO HOSPITALAR NA PROMOÇÃO 
DE BOAS PRÁTICAS NO PARTO E NASCIMENTO: UMA REFLEXÃO TEÓRICA
Julyanne Maciel Maia Gonzales da Costa; Fernando Gomes Ceccon; Elitiele Ortiz dos Santos; 
Camila Goulart de Bitencourte; Maria Antônia Dutra Fernandes; Bianca do Canto Silva dos Santos; 
Vitória dos Santos de Andrade; Jéssica Olinda Carvalho e Silva; Láisa Emannuele Pereira Knapp; 
Lisie Alende Prates
 ' 10.37885/250920078 ....................................................................................................................................25
Capítulo 03
CIRURGIA DE AFIRMAÇÃO DE GÊNERO EM MULHERES TRANS: PERSPECTIVAS 
CLÍNICAS, ÉTICAS E CIRÚRGICAS DA VAGINOPLASTIA
Bruno Henrique Campos Afonso; Beatriz Modesto Prata Reis; Calebe Pereira Reis; 
Douglas Reis Abdalla
 ' 10.37885/251020333 .....................................................................................................................................37
Capítulo 04
A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA E SUAS MANIFESTAÇÕES, FATORES ASSOCIADOS 
E REPERCUSSÕES NA SAÚDE DA MULHER: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Ana Caroline Borges Lustosa; Aparício dos Anjos Sousa; Bruno Enéas Rolim Paiva; Gabriel Trindade 
de Carvalho; Jaaziel de Carvalho Costa; Jamilly Lima Silva; Keren Araújo Gomes; Maria Isabelly 
Sousa Santos; Sarah Araujo Moura Felix; Suyanne Freire de Macedo
 ' 10.37885/251020359 .....................................................................................................................................47
Capítulo 05
PRÉ-ECLÂMPSIA E ECLÂMPSIA: SINAIS, SINTOMAS E CUIDADOS DE 
ENFERMAGEM NA GESTAÇÃO DE ALTO RISCO
Érika Piana Pontel; Rossano Sartori Dal Molin
 ' 10.37885/251120530 ......................................................................................................................................maio 2025.
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
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' 10.37885/251020333
03
CIRURGIA DE AFIRMAÇÃO DE GÊNERO EM 
MULHERES TRANS: PERSPECTIVAS 
CLÍNICAS, ÉTICAS E CIRÚRGICAS DA 
 VAGINOPLASTIA
Bruno Henrique Campos Afonso
Mário Palmério Hospital Universitário
Universidade de Uberaba (UNIUBE)
Beatriz Modesto Prata Reis
Universidade de Uberaba (UNIUBE)
Calebe Pereira Reis
Mário Palmério Hospital Universitário
Universidade de Uberaba (UNIUBE)
Douglas Reis Abdalla
Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
https://dx.doi.org/10.37885/251020333
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
RESUMO
A cirurgia genital, ou vaginoplastia, é um procedimento fundamental no processo 
transexualizador para mulheres trans, visando alinhar a anatomia genital à iden-
tidade de gênero e atenuar o sofrimento psicológico. Esta intervenção terapêu-
tica demonstra impacto positivo na saúde mental e na qualidade de vida, com 
redução da ideação suicida e melhora no bem-estar geral. A demanda crescente 
por esses procedimentos, tanto no Brasil quanto internacionalmente, evidencia 
a necessidade de expandir o acesso e a capacitação profissional. As principais 
técnicas cirúrgicas, como a vaginoplastia por inversão peniana e o uso de 
enxerto intestinal, evoluíram para oferecer resultados funcionais e estéticos 
satisfatórios, incluindo a criação de um neoclítoris sensível. Apesar da comple-
xidade e dos riscos inerentes, as taxas de satisfação são elevadas e os índices 
de arrependimento, baixos. A abordagem multidisciplinar e o aconselhamento 
pré-operatório são essenciais para o sucesso do tratamento, que se consolida 
como uma intervenção durável e eficaz na afirmação de gênero.
Palavras-chave: Vaginoplastia; Mulheres Transgênero; Disforia de Gênero.
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ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
INTRODUÇÃO
A cirurgia de redesignação genital, também conhecida como vaginoplas-
tia, constitui um procedimento fundamental no processo transexualizador para 
mulheres trans, apresentando primordial objetivo, o alinhamento da anatomia 
genital externa à identidade de gênero. O referido procedimento faz parte de uma 
abordagem terapêutica abrangente que visa atenuar o sofrimento psicológico 
associado à incongruência de gênero e promover o bem-estar biopsicossocial 
das pacientes em questão.
Desta forma, para compreender adequadamente a relevância deste pro-
cedimento, faz-se necessário estabelecer conceitos fundamentais relacionados 
à identidade de gênero e às especificidades da população transgênero.
IDENTIDADE DE GÊNERO
A identidade de gênero está relacionada com o senso interno e pessoal 
de ser homem, mulher, ambos, nenhum ou outra identidade fora do binário 
de gênero, independentemente do sexo biológico atribuído ao nascimento. 
Segundo informações da Associação Americana de Psiquiatria, a identidade de 
gênero é distinta da orientação sexual e reflete a autopercepção do indivíduo 
em relação ao seu gênero.
Segundo estudo de Boucher e Chinnah (2020), que revisaram sobre a 
identidade de gênero, podendo esta ser influenciada por uma interação com-
plexa de fatores, quais sejam: biológicos, ambientais e culturais, mas também 
incluindo evidências de diferenças neuro anatômicas, presença de influências 
hormonais pré-natais que moldam a percepção de gênero. Diante disso, a com-
preensão atual reconhece a identidade de gênero como um espectro, abdicando 
concepções dicotômicas rígidas.
DISFORIA DE GÊNERO
A disforia de gênero é definida como o sofrimento psicológico resultante 
da incongruência entre o sexo biológico atribuídoao nascimento e a identidade 
de gênero do indivíduo (Saleem; Rizvi, 2017; Boucher; Chinnah, 2020). De acordo 
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
com o manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5-TR), 
constitui um diagnóstico clínico que pode manifestar-se em diferentes fases da 
vida, desde a infância até a idade adulta, estando frequentemente associada a 
sintomas como ansiedade, depressão e ideação suicida.
Estudos identificaram quatro conceitos centrais na experiência de dis-
foria de gênero em adultos transgêneros: dissonância entre gênero atribuído 
e experimentado, interação com normas sociais, consequências sociais da 
identidade de gênero e processamento interno de rejeição e transfobia. Estes 
achados evidenciam que a disforia de gênero é intensificada por fatores sociais, 
como estigma e discriminação (Boucher; Chinnah, 2020; Blickensderfer et al., 
2023; Sueters et al., 2023).
MULHERES TRANSGÊNERO
Mulheres transgênero são indivíduos que foram atribuídos ao sexo mas-
culino ao nascimento, mas cuja identidade de gênero é feminina. É importante 
destacar que o termo «transgênero» não implica automaticamente disforia 
de gênero, pois nem todas as pessoas trans experimentam sofrimento clínico 
significativo (Boucher; Chinnah, 2020; Sueters et al., 2023).
Mulheres trans podem buscar diferentes modalidades de intervenções 
de afirmação de gênero, que incluem transição social (mudança de nome, 
pronomes ou expressão de gênero), transição médica (terapia hormonal ou 
supressão puberal) ou transição cirúrgica (como vaginoplastia ou cirurgia de 
feminização facial) para alinhar seu corpo à sua identidade de gênero (Winter 
et al., 2016; Saleem; Rizvi, 2017; Kurth et al., 2022).
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS
No contexto brasileiro, observa-se um aumento significativo na demanda 
por cirurgias de redesignação genital, especialmente após sua inclusão no 
Sistema Único de Saúde (SUS) em 2008, regulamentada posteriormente pela 
Portaria GM/MS nº 2.803/2013. Este marco representa um avanço importante 
no reconhecimento dos direitos de saúde da população transgênero no país.
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ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
Um estudo retrospectivo quantitativo, que analisou dados do DATASUS 
entre 2015 e 2019, identificou 171 cirurgias de redesignação sexual do sexo 
masculino para feminino realizadas no SUS, correspondendo a uma média 
de 3 procedimentos por mês. O ano de 2017 apresentou o maior número de 
operações registradas, totalizando 39 procedimentos (Nascimento et al., 2021).
Apesar do crescimento observado na realização destes procedimentos, a 
oferta permanece limitada, gerando longas filas de espera que refletem barreiras 
significativas de acesso e evidenciam a necessidade de maior capacitação de 
equipes especializadas para atender adequadamente esta demanda crescente 
(Rocon et al., 2019).
No cenário internacional, em especial nos Estados Unidos, a cirurgia de 
afirmação de gênero apresentou crescimento substancial, com aumento de 
aproximadamente três vezes no número de procedimentos realizados entre 2016 
e 2019 (Wright et al., 2023). Segundo Scott e Colaboradores (2022), por meio 
dos dados do National Surgical Quality Improvement Project (NSQIP) demons-
traram que, entre 2015 e 2019, 4.114 pacientes foram submetidos a cirurgias de 
afirmação de gênero, representando um incremento superior a 400% no período 
analisado. Corroborando estes achados, Wright e Cols (2023), identificou 48.019 
pacientes que realizaram procedimentos cirúrgicos de afirmação de gênero, 
sendo que 52,3% apresentavam idade entre 19 e 30 anos, constituindo a faixa 
etária predominante para este tipo de intervenção. A análise epidemiológica 
revela que os procedimentos de redesignação genital não ocorrem de forma 
homogênea ao longo da vida, evidenciando padrões etários específicos para 
diferentes modalidades cirúrgicas.
RELEVÂNCIA CLÍNICA E IMPACTO NA QUALIDADE DE VIDA
Com relação à relevância clínica da cirurgia de redesignação genital vai 
além da adequação da anatomia sexual, mas também impacta positivamente 
na saúde mental e na qualidade de vida. Estudos apontam que o procedimento 
representa uma intervenção terapêutica efetiva para reduzir o sofrimento asso-
ciado à incongruência de gênero.
De acordo com Park et al. (2022), a cirurgia de afirmação de gênero é 
um tratamento durável que melhora o bem-estar geral do paciente, com alta 
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
satisfação, melhora da disforia e redução de comorbidades de saúde mental 
que persistem décadas após a cirurgia. Neste sentido Almazan e Cols (2021), 
apontam que a realização de cirurgia de gênero está associada à melhora do 
sofrimento psicológico, redução do tabagismo e da ideação suicida. Além disso, 
a saúde sexual após a vaginoplastia apresentou melhora substancial, pelo 
aumento na autoconfiança (Kitic et al., 2025).
ASPECTOS ÉTICOS, LEGAIS E REGULAMENTARES
As considerações éticas relacionadas a cirurgia genital em mulheres 
trans estão voltadas aos princípios do respeito à autonomia, beneficência e não 
maleficência. De acordo com a resolução nº 2427/2025 do Conselho Federal de 
Medicina (CFM), a autonomia da paciente é priorizada ao garantir que a decisão 
pela cirurgia seja informada, voluntária e precedida por avaliação adequada e 
acompanhamento multidisciplinar, que apresenta importância para uma ava-
liação composta por profissionais da psiquiatria, endocrinologia e cirurgia, para 
minimizar riscos e assegurar que a cirurgia atenda efetivamente às necessidades 
biopsicossociais da paciente (Bhatt et al., 2022; Jedrzejewski et al., 2023).
Além disso, a ética médica preconiza que o procedimento seja realizado 
em contextos que evitem discriminação, promovendo acesso equitativo a ser-
viços de saúde especializados. Esta perspectiva é reforçada pela Organização 
Mundial da Saúde (OMS) ao classificar a incongruência de gênero como uma 
condição que justifica intervenções cirúrgicas para alinhar o corpo à identidade 
de gênero (Robles et al., 2022; Baleige et al., 2022). Do ponto de vista legal, a 
cirurgia genital no Brasil é regulamentada pelo CFM e pelo Sistema Único de 
Saúde (SUS). Desde 2008, o SUS incorporou o Processo Transexualizador.
TÉCNICAS CIRÚRGICAS PARA REDESIGNAÇÃO GENITAL EM 
MULHERES TRANS
O procedimento cirúrgico de afirmação de gênero é denominado vagi-
noplastia, procedimento este complexo que visa criar uma genitália externa 
feminina (vulva) e um canal vaginal interno (Jiang et al., 2018). 
43
ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
A técnica mais comummente utilizada é a vaginoplastia por inversão 
peniana, considerada o padrão-ouro cirúrgico na maioria dos casos primários (van 
der Sluis et al., 2023). Este procedimento envolve a desconstrução da anatomia 
peniana, utilizando a pele peniana invertida para formar um retalho que reveste 
a neovagina (Shoureshi et al., 2019; Ferrando, 2023). A pele escrotal e perineal 
excedente pode ser utilizada como enxerto de espessura total para aumentar 
a profundidade do canal neovaginal, especialmente em pacientes que foram 
submetidas à circuncisão ou que possuem pele peniana insuficiente. O pro-
cedimento também inclui orquiectomia (remoção dos testículos), penectomia, 
encurtamento da uretra, clitoroplastia (criação de um neoclítoris a partir da 
glande do pênis, preservando o feixe neurovascular dorsal) e labioplastia (criação 
dos pequenos e grandes lábios). Estudos demonstram altas taxas de satisfação 
geral e funcional com esta técnica, com taxas de arrependimento muito baixas 
(Shoureshi; Dugi, 2019; Hontscharuk et al., 2021; van der Sluis et al., 2023).
Para casos em que a pele peniana e escrotal é insuficiente, como em 
pacientes que passaram por bloqueiopuberal (resultando em hipoplasia penos-
crotal), ou em casos de revisão cirúrgica, a vaginoplastia com enxerto intestinal 
surge como uma alternativa (Bustos et al., 2021;van der Sluis et al., 2023; Fer-
rando, 2023). Esta técnica envolve a utilização de um segmento vascularizado 
do intestino (cólon sigmoide), mas também o íleo, permitindo a criação de um 
canal neovaginal. As vantagens incluem a obtenção de profundidade adequada 
(média de 15,3 cm, em comparação com 9,4 cm na inversão peniana), lubrifica-
ção natural e uma menor tendência à contração e estenose, o que pode reduzir 
a necessidade de dilatação pós-operatória contínua (Bouman et al., 2014; van 
der Sluis et al., 2023; Ferrando, 2023). No entanto, é um procedimento mais 
complexo que requer uma abordagem abdominal (aberta, laparoscópica ou 
robótica) e envolve riscos associados à cirurgia intestinal, como fístulas, obs-
trução, e a possibilidade de complicações como colite de desvio e excesso de 
secreção mucosa (Bouman et al., 2014; Bustos et al., 2021). A taxa de satisfação 
com o enxerto intestinal também é elevada, e alguns estudos sugerem uma 
maior capacidade de atingir o orgasmo em comparação com a inversão peniana 
(Bouman et al., 2014).
A reconstrução genital completa é um objetivo central de todas as técni-
cas de vaginoplastia e visa não apenas a funcionalidade para o coito receptivo, 
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
mas também uma aparência estética satisfatória e a resolução da disforia de 
gênero (Bustos et al., 2021; Hontscharuk et al., 2021). Esteticamente, busca criar 
uma vulva com clitóris sensível, grandes e pequenos lábios, e um meato uretral 
posicionado adequadamente. A criação de um neoclítoris sensível, a partir da 
glande peniana e seu feixe neurovascular, é um passo crucial e está associada à 
capacidade orgástica pós-operatória. Da mesma forma, a uretroplastia é funda-
mental para evitar complicações como estenose meatal ou um jato urinário mal 
direcionado (Shoureshi et al., 2019). Procedimentos secundários ou de revisão 
são comuns, sendo a insatisfação com a aparência cosmética a principal razão 
para a reoperação. As revisões mais frequentes incluem labioplastia e recons-
trução do capuz clitoridiano para otimizar os resultados estéticos e funcionais 
(Hontscharuk et al., 2021; Ferrando, 2023).
A satisfação geral com o resultado cirúrgico permanece alta, mesmo 
quando ocorrem complicações. Uma abordagem multidisciplinar e um acon-
selhamento pré-operatório detalhado sobre os resultados esperados, os riscos 
e a necessidade de cuidados pós-operatórios, como a dilatação, são essenciais 
para o sucesso do tratamento (Bustos et al., 2021; Hontscharuk et al., 2021).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A cirurgia genital, ou vaginoplastia, firma-se como um procedimento 
fundamental no processo transexualizador para mulheres trans, sendo uma 
intervenção terapêutica eficaz para o alinhamento da anatomia genital à iden-
tidade de gênero. A relevância clínica desta cirurgia vai além da adequação 
anatômica, impactando positivamente na saúde mental, com redução do sofri-
mento psicológico associado à incongruência e disforia de gênero, diminuição 
da ideação suicida e melhora geral no bem-estar e na qualidade de vida das 
pacientes. Portanto, a vaginoplastia é um pilar essencial na afirmação de gênero, 
promovendo saúde integral e aliviando a disforia de forma duradoura.
45
ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
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' 10.37885/251020359
04
A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA E SUAS 
MANIFESTAÇÕES, FATORES ASSOCIADOS 
E REPERCUSSÕES NA SAÚDE DA MULHER: 
UMA REVISÃO DE LITERATURA
Ana Caroline Borges Lustosa
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Aparício dos Anjos Sousa
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Bruno Enéas Rolim Paiva
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Gabriel Trindade de Carvalho
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Jaaziel de Carvalho Costa
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Jamilly Lima Silva
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Keren Araújo Gomes
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Maria Isabelly Sousa Santos
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Sarah Araujo Moura Felix
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Suyanne Freire de Macedo
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
https://dx.doi.org/10.37885/251020359
48
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
RESUMO
A violência constitui um grave problema social e de saúde pública, e, entre suas 
manifestações, destaca-se a violência obstétrica, caracterizada por abusos como 
a proibição da presença de acompanhantes, a realização de procedimentos 
desnecessários ou sem consentimento, a recusa de analgesia e a violação da 
privacidade. Assim, ela configura-se como uma violação dos direitos humanos 
fundamentais das mulheres. Desse modo, os impactos da violência obstétrica 
ultrapassam o campo físico, acarretando repercussões emocionais. Objetivo: 
identificar os principais fatores que influenciam a violência obstétrica e suas 
consequências no contexto da saúde. Método: A revisão integrativa realizada, 
fundamentada no método de Mendes, Silveira e Galvão (2008), utilizou o modelo 
PICo, para estruturar a pergunta de pesquisa e o protocolo PRISMA para seleção 
dos estudos, resultando em seis artigos que abordaram manifestações, fatores 
associados e repercussões da violência obstétrica. Resultados: Os achados 
evidenciam a naturalização dessa prática nos serviços de saúde, reforçada 
por falhas organizacionais, ausência de recursos, formação técnico-científica 
hegemônica e contexto cultural patriarcal, com prevalência significativa de 
maus-tratos relatados em diferentes países. Observa-se, portanto, a necessidade 
de protocolos assistenciais específicos e de ações intersetoriais que promovam 
uma atenção obstétrica humanizada, segura e respeitosa. Conclusão: O estudo 
atingiu seu objetivo ao sistematizar as manifestações, os fatores associados 
e as repercussões da violência obstétrica, fornecendo subsídios para futuras 
pesquisas e estratégias de enfrentamento.
Palavras-chave: Parto; Trabalho de Parto; Violência Obstétrica.
49
ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
INTRODUÇÃO
A violência configura-se como um grave problema social e de saúde 
pública, caracterizado por ser um fenômeno complexo, uma vez que se mani-
festa por meio de atitudes agressivas em relações opressoras, podendo deixar 
sequelas irreparáveis nos indivíduos (Costa et al., 2022). Nesse contexto, entre 
os diversos tipos de violência existentes, destaca-se, no cenário brasileiro, a vio-
lência obstétrica, que vem ganhando notória visibilidade e gerando discussões 
sobre as violações de direitos das mulheres durante a assistência à gestação, 
ao parto, ao puerpério e ao aborto (Leite et al., 2024).
A violência obstétrica é definida, segundo a Organização Mundial da 
Saúde (OMS), pela ocorrência de abusos, como a proibição da presença de 
acompanhantes, a realização de procedimentos médicos desnecessários ou 
sem o consentimento da gestante, a violação da privacidade, a recusa na 
administração de analgésicos, a violência física, entre outras práticas (Santos 
et al., 2024). Dessa forma, ela decorre de condutas dos profissionais de saúde 
que interferem no processo fisiológico do parto.
Sob essa ótica, a violência obstétrica pode ser compreendida, em termos 
gerais, como uma violação dos direitos humanos fundamentais das mulheres, 
frequentemente invisibilizada nos serviços de saúde e, por extensão, na socie-
dade (Nascimento et al., 2025). Além disso, a negligência diante dos processos 
fisiológicos femininos tem favorecido a consolidação de uma prática assistencial 
centrada em um saber técnico-científico hegemônico e unilateral, suprimindo o 
protagonismo feminino durante o parto. Essa perspectiva institucional, por sua 
vez, legitima condutas violentas e desrespeitosas, muitas vezes desprovidas 
de embasamento científico, que reforçam a despersonalização da mulher no 
contexto obstétrico e evidenciam uma forma de violência de gênero estrutural. 
Ademais, tais intervenções tendem a acelerar artificialmente o curso natural 
do parto, aumentando os riscos de desfechos adversos para o binômio mãe e 
recém-nascido (Melo et al., 2021).
Outrossim, o estudo de Freitas e Aragão (2021) analisa a violência presente 
nos cenários de parto como uma prática incorporada à rotina dos serviços de 
saúde, a qual tende a ser naturalizada e banalizada, a ponto de as gestantes 
não se reconhecerem como vítimas. Os autores ainda destacam que a atenção 
50
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
às parturientes é frequentemente centrada em um modelo curativista, o qual 
enxerga o período gestacional como uma condição patológica que necessita 
ser controlada pelo poder médico, perspectiva essa enraizada na formação dos 
profissionais da saúde desde o contexto institucional.
É notório que a violência obstétrica acarreta não apenas em consequên-
cias físicas, mas provoca impactos profundos, devastadores e multifacetados 
na saúde mental das mulheres, configurando-se como uma causa significativa 
de trauma psicológico durante e após o parto. Neste viés, vivências marcadas 
por desrespeito e abusos contribuem diretamente para o desenvolvimento de 
sentimentos de medo, ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-trau-
mático (TEPT), bem como afetam a capacidade das puérperas de estabelecerem 
vínculos com o bebê (Pereira et al., 2024).
Observa-se, portanto, que a violência obstétrica permeia a experiência 
de milhares departurientes, as quais, frequentemente, não reconhecem tais 
práticas como violência em virtude do desconhecimento acerca do tema, mesmo 
diante da existência de diretrizes nacionais de assistência ao parto normal e 
humanizado. Torna-se evidente, assim, que essas normativas carecem de efeti-
vidade plena para erradicar essa violação de direitos humanos, o que reforça a 
necessidade de desenvolvimento e implementação de protocolos assistenciais 
específicos, capazes de estabelecer parâmetros claros de conduta e promover 
a adesão às boas práticas obstétricas nos cenários de gestação (Andrighetto; 
Reinheimer, 2023).
Logo, a abordagem crítica e aprofundada desse tipo de violência é de 
extrema relevância no âmbito social, ético e da saúde pública, pois trata-se de 
uma problemática que compromete a dignidade humana, perpetua desigual-
dades de gênero e impacta negativamente a qualidade da atenção em saúde, 
exigindo ações integradas e intersetoriais para a promoção de uma assistên-
cia segura, humanizada e equitativa às mulheres. À vista disso, este estudo 
partiu da seguinte indagação: como são descritas na literatura científica as 
manifestações, os fatores associados e as repercussões da violência obstétrica 
na saúde das mulheres? Neste contexto, esta revisão objetivou identificar os 
principais fatores que influenciam a violência obstétrica e suas consequências 
no contexto da saúde.
51
ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
MÉTODOS
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, fundamentada no 
método proposto por Mendes, Silveira e Galvão (2008) com adaptações, com o 
objetivo de identificar e sintetizar as manifestações, os fatores associados e as 
repercussões da violência obstétrica na saúde das mulheres. A construção da 
pergunta de pesquisa seguiu o modelo PICo, utilizado em estudos qualitativos, 
sendo: P (População) mulheres, I (Interesse) manifestações, fatores associados 
e repercussões, e Co (Contexto) atenção obstétrica, especialmente no momento 
do parto. A partir dessa estrutura, formulou-se a pergunta norteadora: “Como 
são descritas na literatura científica as manifestações, os fatores associados e 
as repercussões da violência obstétrica na saúde das mulheres?”
A busca pelos estudos foi realizada na base de dados eletrônica PubMed, 
abrangendo publicações dos últimos 5 anos (2020 a 2025). A estratégia de busca 
utilizou descritores controlados do DeCS/MeSH que são termos padronizados 
para indexação de artigos científicos nas bases de dados de saúde. Os descri-
tores foram empregados no idioma inglês para ampliar os resultados da busca, 
obtendo-se a seguinte estrutura: “obstetric violence” AND “childbirth” OR “labor, 
obstetric”, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, conforme 
a lógica de cada base consultada.
A seleção dos estudos seguiu as diretrizes do Preferred Reporting Items 
for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), contemplando várias 
etapas sequenciais. 
Inicialmente, realizou-se a identificação, que consistiu na busca dos 
estudos nas bases de dados e na organização das referências em um geren-
ciador bibliográfico. Em seguida, ocorreu a triagem, na qual foram removidos 
os registros duplicados e feitas leituras dos títulos e resumos para a exclusão 
inicial dos estudos que não atendiam aos critérios. 
Posteriormente, procedeu-se à avaliação da elegibilidade, que envolveu 
a leitura completa dos textos para aplicação rigorosa dos critérios de inclusão e 
exclusão. Por fim, realizou-se a inclusão, que correspondeu à seleção final dos 
artigos que compuseram a amostra da revisão. Todo esse processo foi cuidado-
samente documentado por meio de um fluxograma PRISMA, o qual apresenta 
52
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
de forma visual o número de registros identificados, excluídos e incluídos em 
cada etapa da seleção.
Foram incluídos artigos originais disponíveis na íntegra gratuitamente, 
publicados em português, inglês ou espanhol, que abordassem a temática 
da violência obstétrica, descrevendo manifestações, fatores associados e/ou 
repercussões na saúde das mulheres. Foram considerados estudos de abor-
dagem qualitativa, quantitativa ou mista. Foram excluídos artigos duplicados, 
dissertações, teses, editoriais, cartas ao editor, revisões de literatura narrativas 
ou integrativas e estudos que não apresentassem relevância ao tema da vio-
lência obstétrica.
Os dados extraídos dos estudos selecionados foram organizados em uma 
tabela, contendo: autor, ano, país, objetivo, tipo de estudo e principais achados 
(manifestações, fatores associados e repercussões). A análise dos resultados 
foi realizada por meio de uma síntese, buscando agrupar os conteúdos por 
similaridades e aspectos recorrentes, de modo a compreender a complexidade 
da violência obstétrica e suas implicações na saúde das mulheres.
RESULTADOS
 A busca sistematizada na plataforma PubMed, conforme descrito na 
metodologia, resultou, inicialmente, na identificação de 136 referências. Após 
a etapa de triagem, foram excluídos 67 artigos, por não estarem disponíveis na 
íntegra, restando 69 estudos para avaliação inicial.
Na análise dos títulos e resumos, 45 artigos foram excluídos por não 
apresentarem relação direta com a temática proposta, conforme os critérios 
estabelecidos. Assim, 24 artigos foram selecionados para a leitura completa e 
avaliação detalhada quanto à elegibilidade.
 Dentre esses, 18 artigos foram excluídos por não responderem à pergunta 
de pesquisa após a leitura na íntegra, totalizando uma amostra final composta 
por **6 artigos** que atenderam a todos os critérios de inclusão. O processo de 
seleção foi conduzido de forma criteriosa e está representado no fluxograma 
PRISMA, que evidencia cada etapa de exclusão e inclusão dos estudos, garan-
tindo a transparência e reprodutibilidade da revisão integrativa.
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 Os seis artigos incluídos foram organizados em uma tabela síntese 
contendo informações como: autor, ano, país, objetivo, tipo de estudo e princi-
pais achados referentes às manifestações, fatores associados e repercussões 
da violência obstétrica na saúde das mulheres. A análise dos dados permitiu 
a identificação de padrões e aspectos recorrentes nos diferentes contextos 
pesquisados, conforme exposto na tabela a seguir. 
Imagem 1 - Fluxograma PRISMA
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
54
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
Tabela 1 – Características e principais achados dos estudos incluídos
Autor 
(Ano) País Objetivo Tipo de 
estudo
Principais achados (manifestações / 
fatores / repercussões)
SILVA-FER-
NANDEZ, 
C. S. 
(2023)
R e v i s ã o 
de estu-
dos inter-
nacionais 
(com foco 
e m d i -
ferentes 
contextos 
de aten-
ção obs-
tétrica)
Analisar a asso-
ciação entre as 
manifestações de 
violência obstétrica 
e o desenvolvimen-
to de depressão 
pós-parto (DPP) e 
transtorno de es-
tresse pós-traumá-
tico (TEPT) durante 
a gestação, o parto 
e o puerpério.
Revisão Siste-
mática
Revisão de 21 estudos; associação 
consistente entre OV e DPP/TEPT; 
manifestações ligadas: procedimen-
tos sem consentimento (episiotomia/
cesariana), tratamento humilhante e 
negligência; fatores de risco: idade 
jovem, baixa escolaridade e vulnera-
bilidade socioeconômica; reforça ne-
cessidade de protocolos humanizados 
e suporte psicológico no pós-parto.
HAKIM, S. 
et al.
(2025)
R e v i s ã o 
global (25 
estudos, 
15 países)
Determinar a pre-
valência global da 
violência obstétrica 
e identificar fatores 
de risco e proteção.
Revisão Sis-
temática e 
Meta Análise
- Prevalência global (pool): 59% (95% 
CI 0.48–0.70; I² ≈ 99.5%).
- Subdomínio mais comum: não-con-
sentimento (37%).
- Outras prevalências: abusofísico ≈ 
28%; discriminação ≈ 20%; detenção 
≈ 2%; episiotomia sem consentimento 
≈ 27%; manobra de Kristeller ≈ 21%; 
pedido de dinheiro (corrupção) rela-
tado em alguns estudos.
- Fatores associados (meta-regres-
são): presença de parteira reduz odds 
de OBV (OR ≈ 0.4); renda média/alta 
reduz odds (OR ≈ 0.5); parto vaginal 
associado a maior risco (OR ≈ 2.08).
- Alta heterogeneidade entre estudos; 
limitações incluem definição não pa-
dronizada de OBV e predominância de 
desenhos retrospectivos. Recomenda-
ções: promover modelos com partei-
ras, padronizar definições/medidas, 
reforçar consentimento informado e 
práticas de cuidado respeitoso.
55
ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
L A U R A 
K AT R I N A 
FRASER et 
al.
(2024)
P r e d o -
m i n a n -
temente 
países de 
alta ren-
d a ( e s -
tudos da 
E u r o p a , 
América 
do Norte 
e Ocea-
nia)
Estimar a preva-
lência de violência 
obstétrica em paí-
ses de alta renda e 
identificar os prin-
cipais domínios de 
maus-tratos relata-
dos por mulheres
Revisão sis-
temática e 
meta-análise 
de estudos 
quantitativos 
e qualitativos
- Prevalência global de VO: 45,3% 
(IC95% 27,5–63,0; I² = 100%).
- Tipos mais comuns: falta de infor-
mação/consentimento, coerção, 
abuso verbal e físico, procedimentos 
dolorosos sem analgesia adequada, 
manobra de Kristeller (30,3%).
- Subanálises: falta de analgesia 
(17,3%), pedidos de ajuda ignorados 
(19,2%), gritos/repreensões (19,7%).
- Estudos qualitativos reforçaram os 
achados: falta de consentimento e 
comunicação deficiente foram temas 
centrais.
- Houve variação entre países: maior 
prevalência em Chile, Alemanha e 
Itália; menor em EUA, França e Aus-
trália.
- Conclusão: mesmo em países de alta 
renda, a VO é altamente prevalente, 
destacando a necessidade de padro-
nização conceitual, fortalecimento 
da humanização e capacitação pro-
fissional
56
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
EL FOUNTI 
KHSIM, I. 
et al.
(2022)
E s t u d o s 
incluídos 
realizados 
em vários 
p a í s e s 
(ex.: Ca-
n a d á , 
E U A , 
Inglater-
ra , A le-
m a n h a , 
S u í ç a , 
Espanha, 
Turquia, 
Irã, Chi-
na, Índia 
e outros)
Identificar fatores 
de risco associados 
ao diagnóstico de 
transtorno de es-
tresse pós-traumá-
tico (PTSD) após o 
parto.
Revisão siste-
mática 
- Principais fatores de risco consis-
tentes: intervenções obstétricas e 
violência obstétrica (ex.: cesárea de 
emergência — OR ≈ 3.79), lacerações 
perineais grau 3/4 (OR ≈ 2.77), mano-
bras obstétricas (ex.: pressão fundal/
Kristeller), admissão neonatal em UTI, 
parto pré-termo.
- Fatores psicológicos/antecedentes: 
depressão e/ou ansiedade durante a 
gravidez, história de doença mental 
prévia, eventos traumáticos prévios 
(incl. abuso sexual), dissociação pe-
ritraumática, expectativas de dor 
intensa.
- Fatores sociais: baixo suporte social 
(OR ≈ 5.56), características sociode-
mográficas (p. ex. não-pertencer ao 
grupo étnico majoritário em alguns 
estudos).
FAHEEM A. 
(2021) Índia
Compreender a 
natureza da vio-
lência obstétrica e 
os contextos orga-
nizacionais que a 
favorecem em ins-
tituições de saúde 
indianas
Revisão siste-
mática
- Forma mais prevalente de VO: abuso 
verbal, seguido de abuso físico e com-
portamentos desumanizantes.
- Mulheres de castas inferiores, co-
munidades muçulmanas e famílias 
de baixa renda são mais vulneráveis.
- VO decorre de falhas do sistema de 
saúde, sobrecarga e falta de recursos, 
além de ambiente institucional abusi-
vo e cultura patriarcal.
- Pedidos de propina, episiotomias 
sem necessidade e ausência de con-
sentimento informado são práticas 
frequentes.
- O ambiente violento gera medo, pio-
ra os desfechos de saúde e desestimu-
la o uso futuro dos serviços de saúde
57
ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
JENKINS, 
H. et al.
(2023)
R e v i s ã o 
q u e i n -
cluiu es-
tudos da 
Turquia, 
P a l e s t i -
na, Hong 
K o n g e 
Nova Ze-
lândia
Explorar as expe-
riências, visões e 
entendimentos de 
mulheres sobre 
exames vaginais 
durante o cuidado 
intraparto.
Revisão siste-
mática e me-
ta-etnografia 
qualitativa
Seis estudos foram incluídos. Identifi-
caram-se quatro construtos principais: 
sofrimento durante o exame, desafio 
à dinâmica de poder, cultura do parto 
centrada no colo uterino e contexto 
do cuidado. Concluiu-se que os exa-
mes são frequentemente dolorosos 
e constrangedores, mas vistos como 
necessários; fatores como ambiente, 
privacidade e modelo de cuidado (ex.: 
continuidade de parteira) influenciam 
positivamente a experiência
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
DISCUSSÃO
De acordo com Dencker et al. (2019), o medo do parto está relacionado a 
múltiplos fatores, como crenças culturais, poder socioeconômico, ausência de 
uma rede de apoio, experiências de traumas e abusos, e saúde mental precária. 
Diante desses possíveis fatores, o medo relacionado a violência obstétrica se 
fortalece, uma vez que, de forma rotineira acomete mulheres em trabalho de 
parto, como por exemplo a tomada de decisão sem o consentimento, omissão 
de informações, realização de procedimentos desnecessários, acarretando em 
diversos problemas na vida das mesmas, como o TEPT, a ansiedade, a depressão 
e implicações em futuras gestações e relacionamentos.
A violência obstétrica pode se manifestar de diversas formas, podendo ser 
através da coerção, da falta de informação, do abuso físico, sexual e/ou mental, 
da falta de privacidade, entre outros. Essa violação tem como consequência, 
uma maior incidência de doenças mentais, desde a gravidez até o pós-parto, 
implicando negativamente tanto na maternidade como na vida pessoal dessas 
mulheres. A depressão pós-parto está associada às violências sofridas pelas 
mulheres durante a gravidez, levando a consequências de desamparo, violên-
cia e falta de atenção ao recém-nascido. É de suma importância o apoio social 
58
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
para a mãe, como fator de proteção para que consiga lidar com essas situações 
(Silva et al., 2023).
Segundo Faheem (2021), esse tipo de situação não ocorre apenas entre o 
profissional de saúde e a paciente, mas também com a questão organizacional, 
onde o ambiente de forma geral corrobora com ações abusivas. Os fatores rela-
cionados ao ambiente podem ser a carência de treinamento dos profissionais, 
falta de medicamentos, falha na infraestrutura e discriminação entre as pacientes. 
Compreende-se que a violência obstétrica não se refere apenas ao ato direto 
para com a mulher, mas sim a uma falha anterior a realização do mesmo, ficando 
evidente que o problema deve ser resolvido desde a organização desse serviço, 
até chegar na paciente, promovendo um atendimento seguro e humanizado.
A definição de experiência do parto feita por Taheri et al. (2018), diz que 
ela é baseada na autoavaliação da mulher, nas memórias de longo prazo do seu 
parto, manifestando o cumprimento de expectativas, confiança e participação 
na tomada de decisões. Uma experiência traumática, acarreta em mudanças, 
muitas vezes, durante toda a vida dessa mulher, ultrapassando as barreiras da 
maternidade. O treinamento de atenção plena a mulheres grávidas que sofrem 
com o medo do parto, tende a diminuir as intervenções obstétricas não urgentes, 
assim como um maior conhecimento sobre seus direitos, sendo uma ferramenta 
importante para combater a violência obstétrica (Veringa et al., 2022). Além da 
experiência traumática, a realização de manobras desnecessárias e dolorosas na 
paciente sem o seu consentimento, como episiotomia e manobra de Kristeller, 
tem um impacto negativo não só mentalmente, como fisicamente, acarretando 
uma experiência do parto negativa e piora nos desfechos de saúde.
Experiências negativas durante o parto, impactamde forma direta na saúde 
mental da mãe, sendo necessárias estratégias para melhorar o apoio materno, 
apoio psicológico durante e após o parto, além de intervenções específicas para 
mulheres que passaram por traumas. Esse apoio é crucial para diminuir os efeitos 
desse impacto nocivo na vida dessas pacientes, como a depressão pós-parto 
(Bagherinia et al., 2025). Um apoio humanizado e personalizado favorece uma 
melhor satisfação em relação aos serviços de saúde, principalmente na gravidez, 
que é um período em que a busca por esses serviços aumenta, alem de ser um 
período de maior vulnerabilidade da mulher. Um relacionamento próximo entre 
o profissional de saúde e a paciente ajuda na tomada de decisão, possui menor 
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ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
necessidade de analgesia e consegue uma melhor satisfação com o serviço. 
Essa troca de informações de forma humanizada promove acolhimento e per-
mite que a mulher possa ter mais autonomia nas decisões durante a gravidez, 
parto e pós-parto (Macpherson et al., 2016).
CONCLUSÃO
Nesse cenário, nota-se que o medo em relação ao parto está relacionado 
a diversos fatores que são fortalecidos pela violência obstétrica, que manifesta-
-se desde verbalizações ofensivas, omissão de direitos e condutas agressivas 
e/ou desnecessárias, repercutindo negativamente no contexto psicossocial da 
vítima e prejudicando o relacionamento materno-infantil na fase puerperal. Não 
obstante, a violência obstétrica também refere-se a fatores ambientais anteriores 
ao parto, mas que o afetarão negativamente, como a infraestrutura precária, a 
falta de insumos necessários e o despreparo da equipe multiprofissional.
Portanto, são necessárias estratégias de apoio materno no período ges-
tacional e no parto, a fim de promover o conhecimento das gestantes acerca 
dos seus direitos, capacitar a paciente e o seu acompanhante para identificar 
situações de violência obstétrica, bem como amparar as vítimas de violência 
no intuito de minimizar as consequências provenientes dos fatídicos eventos.
Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi alcançado, tendo em vista 
que foram elencadas as manifestações, os fatores associados e as repercus-
sões da violência obstétrica na saúde das mulheres, servindo como base para 
posteriores estudos que aprofundem na temática.
Agradecimentos
A equipe escritora agradece ao PET-Equidade (Programa de Educação pelo 
Trabalho), vinculado à Universidade Federal do Piauí (UFPI), campus Senador 
Helvídio Nunes de Barros, pela oportunidade de aprendizado sobre os principais 
temas que afligem à população e proporcionaram a escrita do presente estudo.
60
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
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VERINGA, I. et al. Medo do parto, intervenções obstétricas não urgentes e resultados neonatais: 
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com cuidados aprimorados, como de costume. Nascimento (Berkeley, Califórnia), v. 49, n. 1, p. 
40-51, 2022.
' 10.37885/251120530
05
 PRÉ- ECLÂMPSIA E ECLÂMPSIA: SINAIS, 
SINTOMAS E CUIDADOS DE 
 ENFERMAGEM NA GESTAÇÃO DE ALTO 
RISCO
Érika Piana Pontel
Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)
Rossano Sartori Dal Molin
Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)
https://dx.doi.org/10.37885/251120530
62
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
RESUMO 
Podem ocorrer complicações durante a gravidez que ameaçam a vida tanto 
da mãe quanto do filho. Dessas condições, a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia, nas 
suas formas mais graves, são as principais causas de morbidade e mortalidade 
materno-fetais globalmente. A pré-eclâmpsia é definida como uma síndrome 
hipertensiva relacionada à gravidez, que surge após vinte semanas de gestação, 
com proteinúria acentuada e/ou disfunções maternas. Se não tratada, pode evo-
luir para eclâmpsia — uma condição, às vezes fatal, marcada por convulsões e 
complicações. A enfermagem é um dos fatores mais importantes para acelerar o 
diagnóstico e evitar desfechos negativos numa abordagem em equipe. Portanto, 
o enfermeiro é o profissional de saúde que passa mais tempo com a gestante e 
acompanha de perto a vigilância clínica, identificando sinais de alerta do avanço 
da doença, realizando intervenções em tempo hábil e conduzindo a educação. 
Esta visão abrangente também está intimamente ligada à segurança e saúde 
da mãe e do bebê. Este capítulo consiste em uma revisão narrativa da literatura, 
baseada em fontes científicas recentes, com enfoque descritivo e interpretativo 
sobre os cuidados de enfermagem em gestantes com pré-eclâmpsia e eclâmpsia. 
Ele foi elaborado para sublinhar a importância da pré-eclâmpsia e da eclâmpsia 
nos aspectos clínicos, fisiopatológicos, diagnósticos e terapêuticos, em que a 
enfermagem desempenha papel na prevenção, na detecção precoce e no apoio 
ao cuidado pré-natal e pós-natal. Esta é uma revisão narrativa da literatura, com 
base em achados científicos recentes e publicações oficiais.
Palavras-chave: Eclâmpsia; enfermagem;gravidez de alto risco; pré-eclâmpsia; 
saúde materna. 
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ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
INTRODUÇÃO
Os distúrbios hipertensivos durante a gestação (DHG) continuam a ser 
um dos problemas mais complexos na saúde materno-fetal. A pré-eclâmpsia 
também é um distúrbio especialmente grave e clinicamente complexo, com 
início abrupto de hipertensão, associado a proteinúria, isquemia ou até falência 
de órgãos maternos.
A eclâmpsia, por conseguinte, é o estágio final dos DHG, em que as 
mulheres desenvolvem convulsões tônico-clônicas que não podem ser atribuí-
das a outra doença neurológica. Estas são complicações comuns na gravidez, 
com prevalência de 5–8%, e representam uma das principais causas de morte 
materna no Brasil (OMS, 2022).
Estudos recentes indicam que a suplementação de cálcio, especialmente 
em altas doses, pode reduzir o risco de pré-eclâmpsia e melhorar os desfechos 
maternos e perinatais, especialmente entre as mulheres com baixa ingestão de 
cálcio (KINSHELLA et al., 2022). A ingestão diária de cálcio também reduzirá o 
risco de pré-eclâmpsia em até 55% quando tomada em forma de suplemento, 
acrescenta o Ministério da Saúde.
Pode se desenvolver já a partir da 20ª semana de gravidez e, se não 
controlada, escalar para complicações que ameaçam a vida, incluindo falência 
hepática e renal, descolamento prematuro da placenta (separação da placenta 
da parede do útero) ou restrição do crescimento fetal.
O conhecimento técnico e científico da enfermagem é fundamental para 
prevenir, identificar e enfrentar esses fenômenos. A implementação sistemática 
de protocolos e o treinamento contínuo da equipe de enfermagem estão dire-
tamente relacionados à qualidade do cuidado e à redução de eventos adversos 
(SANTANA et al., 2021). Assim, o reconhecimento precoce e o controle do meca-
nismo da doença são importantes para oferecer cuidados preventivos eficazes.
DESENVOLVIMENTO
A preeclâmpsia (PE) é uma das emergências obstétricas mais temidas e 
letais. Ocorre em mulheres após a 20ª semana de gestação. Este tipo de doença 
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
é grave, imprevisível e responsável por altas taxas de mortalidade materna e 
perinatal (COUTINHO et al., 2023).
CLASSIFICAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO OPORTUNA: UMA QUESTÃO DE 
MONITORAMENTO CLÍNICO
A pré-eclâmpsia é diagnosticada com base na tríade clássica: hiper-
tensão (≥ 140/90 mmHg), proteinúria (≥ 300 mg/24h) e/ou sinais de lesão 
de órgão-alvo como rins, fígado, cérebro, plaquetas. A presente manifestação 
do distúrbio incorpora mudanças no desenvolvimento placentário, levando a 
inflamação sistêmica e dano ao endotélio.
Neste contexto, medir simplesmente a pressão arterial não é o suficiente 
para os enfermeiros. É necessário compreender os sinais e sintomas clínicos 
para formar um julgamento racional e tomar uma atitude. Uma revisão abran-
gente da história médica do paciente e dos cuidados de acompanhamento de 
doenças anteriores — ou a detecção de complicações, como diabetes mellitus, 
hipertensão crônica, doença renal e doenças autoimunes — é essencial para 
identificar grávidas em alto risco.
Outros fatores que contribuem para o aumento do risco incluem gravide-
zes múltiplas, primiparidade, sobrepeso ou obesidade, idade materna avançada, 
baixo nível socioeconômico e cor/raça (FASANYA et al., 2021). Um estudo de 
Johnson e Louis (2022) relatou taxas elevadas de pré-eclâmpsia e mortalidade 
materna entre mulheres negras e pardas, em parte porque disparidades sociais 
dificultam que elas recebam um bom atendimento.
Dor de cabeça intensa e persistente, alterações visuais, dor epigástrica e 
edema súbito, especialmente no rosto e nas mãos, são sinais de agravamento 
significativo do quadro clínico e exigem tratamento imediato. O tratamento 
imediato deve ser administrado caso algum desses sintomas ocorra. A detecção 
precoce é ainda a melhor salvaguarda — contra consequências potencialmente 
sérias, como uma hemorragia cerebral, insuficiência renal que quase sempre 
termina em morte para mãe e filho (KINSHELLA et al., 2022).
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ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
ESTRATÉGIA DE ENFERMAGEM EM AÇÃO: VIGILÂNCIA E CUIDADO DE 
ENFERMAGEM
A necessidade de enfermagem é óbvia. Convencionalmente, a PE envolve 
múltiplos sistemas do corpo humano; por isso, requer uma atitude cautelosa, 
atenta aos sinais mais sutis e pronta para resgatar de quaisquer mudanças 
clínicas. Muitas vezes, isso pode ser a diferença entre uma evolução favorável 
e um evento maior, dependendo de quão rapidamente a equipe o percebe.
A enfermagem é essencial no atendimento clínico. Oliveira (2025) defende 
que o cuidado deve ser dinâmico, individualizado e científico. O enfermeiro serve 
para intercalar o tratamento técnico com hospitalidade, permitindo um cuidado 
abrangente aos pacientes.
As obrigações incluem medições seriais da pressão arterial, avaliação dos 
sinais vitais, acompanhamento de alterações no estado clínico, realização de 
exames laboratoriais e garantia do bem-estar do feto. Além disso, o enfermeiro 
deve administrar quaisquer medicamentos prescritos, como anti-hipertensivos 
e sulfato de magnésio, e preparar para possíveis procedimentos obstétricos. 
Justamente neste momento, quando os pacientes estão mais ansiosos, isolados 
e solitários, precisam de um ouvinte atento e confortador.
A mulher grávida com PE deve receber apoio emocional contínuo, por 
meio de escuta ativa, acolhimento e assistência psicológica. Essas práticas 
reduzem o medo, a ansiedade e a incerteza, fortalecendo o vínculo terapêutico 
e a adesão ao tratamento.
Guiar bem o paciente sobre a doença, seu tratamento e os sinais de 
perigo são essenciais para melhorar as relações terapêuticas e promover a 
conformidade do paciente com o tratamento. A enfermagem eficaz deve fazer 
parte do treinamento contínuo de enfermeiros e parteiras. Profissionais atuali-
zados sobre as novas diretrizes e protocolos clínicos oferecem cuidados mais 
seguros, humanizados e eficazes (OLIVEIRA et al., 2025).
A DETECÇÃO E PREVENÇÃO DESTA DOENÇA
Conhecer os tipos de tratamentos e medidas de prevenção disponíveis 
para pré-eclâmpsia é essencial para proteger a vida da mãe e da criança. Uma 
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
vez diagnosticada precocemente e tratada adequadamente, muitas vezes é 
controlável e não acarreta consequências graves.
O tratamento, portanto, limita-se ao controle rigoroso da pressão alta, 
à terapia medicamentosa adequada e à vigilância clínica contínua. Em casos 
graves, o parto parece ser a única cura conhecida hoje, embora o sulfato de 
magnésio se destaque como um remédio eficaz para prevenir e tratar convul-
sões ou eclâmpsia.
Para prevenção, além de suplementos de cálcio, corrigir deficiências nutri-
cionais (uma falta de vitamina D é uma delas) tem mostrado grande promessa 
(MACEDO, 2025). É também essencial aconselhar a mãe a buscar cuidados 
pré-natais regulares, a evitar maus hábitos, a consumir uma boa alimentação 
em quantidade suficiente e a engajar-se em exercícios de baixo impacto, bem 
como a ensinar-lhe técnicas de enfrentamento.
Além de tratamentos não medicamentosos, o consumo real de sódio na 
dieta também deve ser reduzido. Fazer isso pode gerar lucros importantes na PE: 
ajuda a ajustar a pressão arterial e a eliminar fluidos, promovendo uma saúde 
mais abrangente para gestantes. Reduzir o consumo de alimentos processados, 
orientando as mulheres para alimentos naturais, não só minimizará os danos 
causados pela PE, como também ajudará a eliminar os agentes que a promovem, 
garantindo que nossas futuras gerações prosperem livres desta temida doença.
Espera-se que a enfermagem continue desempenhando um papel 
transformador no cuidado à gestante com pré-eclâmpsiae eclâmpsia. O acom-
panhamento clínico rigoroso, aliado à educação em saúde e à humanização 
do cuidado, é essencial para prevenir complicações e promover a segurança 
materno-fetal. Ao fornecer um serviço humanizado e educativo para o cuidado, 
o enfermeiro capacita a mulher grávida e sua família a tomar o controle de sua 
saúde, verificar sua condição e quaisquer deficiências, detectar complicações 
em estágio inicial e, assim, reduzir o risco de complicações.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pré-eclâmpsia e a eclâmpsia são causas significativas de morbidade e 
mortalidade materna, exigindo atenção cuidadosa também para os bebês. A equipe 
de enfermagem deve monitorar gestantes com rigor e implementar medidas de 
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tratamento adequadas para evitar complicações. A vigilância clínica e a edu-
cação em saúde durante o pré-natal, o parto e o pós-parto, além da prevenção 
por meio da suplementação de cálcio e da adesão a protocolos clínicos, são 
essenciais para consolidar avanços na saúde materna. Reconhecer os fatores 
socioeconômicos que afetam a eclâmpsia e a pré-eclâmpsia é crucial, desta-
cando a necessidade de políticas justas e de qualificação profissional contínua.
Fortalecer cuidados baseados em evidências e práticas centradas 
no paciente é vital para melhorar a saúde materna e reduzir as disparida-
des nos cuidados.
REFERÊNCIAS
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https://doi.org/10.1111/1471-0528.17222
' 10.37885/251120531
06
PERSPECTIVAS DE GESTANTES EM 
PRÉ-NATAL NA ATENÇÃO BÁSICA NO 
CONTEXTO DA PANDEMIA DE COVID-19
Maria Manoela Rodrigues
Centro Universitário Campo Limpo Paulista (UNIFACCAMP)
Matheus Vinicius de Sene
Centro Universitário Campo Limpo Paulista (UNIFACCAMP)
Alfredo Almeida Pina Oliveira
Universidade de São Paulo (USP)
https://dx.doi.org/10.37885/251120531
69
ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
RESUMO
Objetivo: compreender as perspectivas de gestantes sobre a pandemia de 
COVID-19 durante o pré-natal na Atenção Básica. Método: pesquisa qualita-
tiva descritiva e exploratória realizada em Unidade Básica de Saúde no interior 
paulista entre agosto e setembro de 2020. Participaram 15 gestantes de modo 
presencial e com os cuidados de biossegurança. Adotou-se a análise temática 
suportado pelo software on-line Taguette® e a análise lexical de conteúdo por 
meio do IRAMUTEQ. Resultados: emergiram três temas centrais: (1) desafios 
da maternidade na pandemia, (2) efeitos do isolamento social e (3) estratégias 
para enfrentar a COVID-19. Considerações finais: os cuidados durante o pré-
-natal podem incorporar novas formas de lidar com medos, dúvidase desejos 
relacionados à COVID-19 e extrapolar a dimensão individual para propor ações 
coletivas e intersetoriaisbaseados na Atenção Básica.
Palavras-chave: Gestantes; cuidado pré-natal; covid-19; atenção primária à 
saúde; enfermagem; pesquisa qualitativa.
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
INTRODUÇÃO
Garantir um cuidado integral às gestantes e suas famílias torna-se um 
imperativo técnico-científico e ético-político com foco na promoção da saúde, 
na defesa de direitos e no fortalecimento de estratégias para o enfrentamento da 
pandemia de CoronovirusDisease2019 (COVID-19) no Sistema Único de Saúde 
(SUS).Nos últimos dois anos, constataram-se mudanças severas em diversas 
rotinas nos cuidados durante o pré-natal(1–4).
Em particular, o objeto do presente estudo contempla os atendimentos de 
gestantes no pré-natal realizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) como um 
cenário privilegiado para a (re)(des)construção de ações individuais e coletivas 
que promovam a saúde, a solidariedade e o desenvolvimento humano digno ante 
às adversidades impostas pelo novo coronavíruscom foco nas necessidades em 
saúde e no compromisso com mudanças em seus territórios(5,6).
Estudos indicam que a gravidez é uma fase mais vulnerável e requer 
cautelas adicionais para evitar a contaminação pelo novo coronavírus: Severe 
Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 (SARS-COV-2), ou seja, o agente 
etiológico da COVID-19(7,8). Isolamento, imunização de gestantes, repouso 
adequado, cuidados com sono, nutrição, hidratação, suporte emocional sobre 
possíveis contaminações do SARS-COV-2, cuidado personalizado, abordagem 
multiprofissional e atenção com uso de medicamentos são recomendações 
gerais e relevantes para o pré-natal(4,8–11).
No tocante às pesquisas qualitativas sobre gravidez e COVID-19, iden-
tificou-se uma exiguidade na literatura a fim de entender como gestantes, 
enfermeiras eobstetrizes lidam com barreiras de diferentes dimensões em seus 
cotidianos e como se protegem em um cenário de tantas instabilidades sociais, 
econômicas e culturais decorrentes desta pandemia e de outrasepidemias(12).
Para agregar às discussões dessa área, delineou-se o seguinte objetivo: com-
preender as perspectivas de gestantes sobre a pandemia de COVID-19 durante 
o pré-natal na Atenção Básica.
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MÉTODO
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, funda-
mentada na Análise de Conteúdo e que ocorreu em uma Unidade Básica de 
Saúde (UBS), localizada em região periférica de um município do interior do 
Estado de São Paulo.
Com base em 90 gestantes potencialmente elegíveis, definiu-se uma 
amostra oportunística(13) composta por 3 gestantes no teste piloto e 15 ges-
tantesque atenderam os seguintes critérios de inclusão: estar regularmente 
cadastradas na UBS e não apresentar sinais e sintomas de nenhuma doença 
infectocontagiosa.
Os instrumentos de coleta de dados foram um questionário de dados socio-
demográficos e um instrumento com questões abertas sobre os sentimentos e 
percepções das gestantes diante da pandemia de COVID-19 durante o pré-natal.
Durante os meses de agosto e setembro de 2020, sob supervisão de uma 
enfermeira (docente na área de Enfermagem e Saúde da Mulher, especialista em 
Obstetrícia e Mestre em Ciências da Saúde), o pesquisador principal (estudante 
de graduação em Enfermagem) conduziu entrevistas semiestruturadas com 
base em treinamento específico. As gestantes conviveram com ambos durante 
o Estágio Curricular Supervisionado na UBS.
Destaca-se que as entrevistas foram conduzidas após as consultas de 
pré-natal em sala reservada e arejada, sendo que as equipes foram avisadas 
para evitar interrupções. Não houve situações de recusa ou desistência. Em seis 
encontros, as gestantes estavam acompanhadas por filhos, companheiros e ou 
outros familiares.
As respostas foram gravadas com auxílio de aparelho portátil, modelo 
Sony Digital Voice Recorder 4GB-ICD-PX240®, a duração média das gravações 
foi de 7 minutos e 47 segundos e a transcrição verbatim foi realizada pelo 
pesquisador principal. Não ocorreu nenhum tipo de perda de informação ou 
problemas técnicos com as gravações.
Durante as análises de dados qualitativos suportadas por softwares e a 
revisão crítica, um enfermeiro, Professor Doutor – com experiência em pesqui-
sas qualitativas na área de Promoção da Saúde e Educação em Tecnologias 
72
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
– integrou a equipe de pesquisa para promover diálogos e adensamentos com 
o material empírico tratado.
Com base em um processo indutivo, optou-se por uma triangulação de 
modalidades analíticas para compreender as respostas das gestantes conforme 
recomendações de análise temática e lexical conjugadas(14). As notas de campo 
ajudaram a refletir sobre percepções, emoções e atitudes na relação entrevis-
tadas-pesquisador principal.
Para a análise temática do corpus transcrito, cada integrante do grupo de 
pesquisadores trabalhou de modo independente(15), os pesquisadores adotaram 
o software on-line e gratuito Tagguete(16), versão 1.1.1-34-g70c4cf5, por se tratar 
de uma opção com comandos intuitivos e que permite a colaboração on-line.
No tocante à análise lexical, utilizou-se o software Interface de Rpourles 
Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires (IRAMUTEQ) 
0.7 Alfa 2(17,18). Essa etapa foi realizada pelo pesquisador principal e revisada 
pelo Professor Doutor. Dado o aproveitamento de 81,09% do corpus textual(17), 
optou-se por realizar a Classificação Hierárquica Descendente (CHD) para con-
firmar ou infirmar os temas e subtemas obtidos associados a palavras plenas 
(substantivos, adjetivos e verbos)(13).
Adotou-se como critério de saturação: a repetição de ideias semelhantes 
entre as respostas das gestantes e a presença de elementos associados às 
vivências delas durante o pré-natal realizado na atenção básica durante um 
período tão peculiar relacionado à pandemia de COVID-19(19,20). Após 4 reuniões 
on-line, foram definidos os temas e subtemas. As gestantes não tiveram acesso 
aos resultados das análises feitas até o presente momento.
O sigilo dos dados foi assegurado por meio de acesso com senhas 
específicas pela equipe de pesquisadores e pelo uso da letra “G” e um número 
arábico aleatoriamente designado de 1 a 15.
A presente pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pes-
quisa da Faculdade de Medicina de Jundiaí (SP) sob o número de aprova-
ção 4.170.342 e Certificado de Apresentação de Apreciação Ética (CAAE) 
33601320.3.0000.5412. A escrita final foi orientada com base na versão do 
Consolidated criteria for REporting Qualitative research (COREQ) traduzida para 
o português falado no Brasil(21).
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RESULTADOS
A caracterização das 15 gestantes indicou que a média de idade foi 
23 anos, cujas idades variaram entre 20 e 26 anos, sendo que 10 (67%) eram 
multíparas e cinco (33%) eram primíparas. Sobre as etnias, oito (53%) se decla-
raram pretas ou pardas e sete (47%) brancas. Com relação ao estado civil, 10 
(67%) eram solteiras e cinco (33%) eram casadas ou em união estável. Quanto 
ao nível de formação, nove (60%) referiram ter ensino médio completo, oito 
(53%) trabalham no momento, 11 (73%) recebem bolsa família e ou algum tipo 
de auxílio emergencial durante a pandemia de COVID-19 e a média da renda 
familiar foi 1.700,00 reais.
A análise temática do conteúdo identificou três temas centrais e oito 
subtemas (Figura 1): (1) desafios da maternidade na pandemia, (2) efeitos do 
isolamento social e (3) estratégias para enfrentar a COVID-19.
Figura 1 - Temas centrais e seus subtemas relacionados às perspectivas de gestantes atendidas em 
pré-natal na Atenção Básica. Campo Limpo Paulista, SP, Brasil, 2021.
Fonte: Elaborado pelos autores.
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
DESAFIOS DA MATERNIDADE NA PANDEMIA
Esse tema teve 38 destaques e foi associado à necessidade de (re)pensar 
formas de construir uma nova identidade materna, amamentar, planejar e realizar 
o parto. A “amamentação segura” foi um subtema que reforça a promoção do 
aleitamento materno com cuidados de higiene, convívio com distanciamento 
social e consideração das incertezas.
“Eu quero amamentar, meu filho amamentei até um ano e dois meses, 
eu quero amamentar pelo menos um ano, do meu peito, não só do 
outro leite, mas eu sei que tudo depende...”. (G7).
“Eu vou evitar levar ela em alguns lugares. Eu quero amamentar. 
Acho que não, porque é uma relação entre mim e a criança, eu 
quero muito amamentar, mas vamos ver”. (G9).
O planejamento do “momento do parto” ao longo do pré-natal pode 
contribuir para reduzir ansiedades e medos, valorizar aspectos emocionais da 
gestante, defender direitos associados ao partejar, reconhecer fluxos e estru-
turas dos serviços de saúde.
“Como vai ser o parto com a pandemia... então, são vários fatores, 
que a gente fica imaginando e incomodando a gente, porque é 
diferente”. (G10).
“Não parei para pensar ainda, acho que não tive coragem ainda 
para pensar nisso. Acho que vai ser a relação de afeto com as 
pessoas que, na hora que a gente mais precisa, não vão poder estar 
lá presente, dando apoio e carinho”. (G13).
EFEITOS DO ISOLAMENTO SOCIAL
Esse tema apresentou 56 destaques relacionados à condição de ter que 
se isolar ou manter o distanciamento social das pessoas significativas do conví-
vio e das relações das gestantes: familiares, amigos, colegas de trabalho, entre 
outros. As gestantes indicam diferentes “problemas sociais” resultantes dessa. 
“Muito ruim, porque eu casei e minha mãe mora sozinha, para 
gente é muito difícil ficar mais distante, eu não saio tanto como eu 
gostaria de visitar meus parentes, só que com a minha mãe a gente 
tenta dar um jeitinho sempre, para gente se ver sempre, porque é 
complicado ficar longe”. (G1).
75
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“É ruim, porque a gente não pode sair para lugar nenhum, que nem 
meu chá de bebê, não vou ter chá de bebê, então é muito ruim”. (G3).
“Para mim é um pouco perturbador, porque eu não tenho apoio de 
ninguém e cuidar de mais um ainda é mais difícil”. (G15).
As questões financeiras e de inserção no mundo do trabalho foram 
expressas e demonstram a preocupação das gestantes com o atual contexto 
socioeconômico e político, bem como os vínculos empregatícios e condições 
para garantir o direito ao trabalho.
“Coisa boa não, porque você vai ao mercado, os preços estão61
SUMÁRIO
Capítulo 06
PERSPECTIVAS DE GESTANTES EM PRÉ-NATAL NA ATENÇÃO BÁSICA NO 
CONTEXTO DA PANDEMIA DE COVID-19
Maria Manoela Rodrigues; Matheus Vinicius de Sene; Alfredo Almeida Pina Oliveira
 ' 10.37885/251120531 .......................................................................................................................................68
Capítulo 07
CUIDADO AMPLIADO E TRANSVERSAL NA SAÚDE MENTAL MATERNA: UMA 
EXPERIÊNCIA NA APS EM PORTO VELHO
Artur Ramos da Silva Neto; Bianca Espindola; Carlos José Ferreira Júnior; Emile Rafaela Ferreira 
Lisboa Lopes; Flávia Mayáre Freires Thomaz; Giulya Mendes Ohira de Rossi; Pedro Henrique 
Angeli Slemer; Isabela Farias Gualberto Duarte; Arlindo Gonzaga Branco Junior
 ' 10.37885/251220820 .....................................................................................................................................85
Capítulo 08
USO DE PSICOTRÓPICOS NA GESTAÇÃO DE ALTO RISCO: PREVALÊNCIA E 
FATORES ASSOCIADOS
Gabriela Gubert Fernando; Tatiana da Silva Melo Malaquias; Leticia Gramazio Soares; Alexandra 
Bittencourt Madureira ; Maicon Henrique Lentsck; Tatiane Baratieri ; Marília Daniella Machado Araújo; 
Kátia Pereira de Borba; Sidiane de Moura Marochio; Maria do Carmo Fernandez Lourenço Haddad
 ' 10.37885/251220844 .....................................................................................................................................92
SOBRE O ORGANIZADOR .............................................................................................................. 109
ÍNDICE REMISSIVO ..................................................................................................................................110
' 10.37885/250819884
01
 PARTO (DES) HUMANIZADO: AS 
CONSEQUÊNCIAS DA VIOLÊNCIA 
OBSTÉTRICA EM PUÉRPERAS NA 
CONDIÇÃO DE VULNERABILIDADE 
SOCIAL
Janiely Silva Sousa
Centro Universitário Estácio de Santa Catarina (ESTACIO)
Felipe Augusto Leques Tonial
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Amanda Castro
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Giorgia Kretzer Hinckel
Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC)
https://dx.doi.org/10.37885/250819884
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ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
RESUMO
O presente artigo descreve e problematiza as formas de cuidado na assistência 
das mulheres em seus processos reprodutivos, tendo como ponto central a 
violência obstétrica em puérperas em condição de vulnerabilidade social, onde 
são identificadas ações de desumanização na assistência à gestação, parto e 
pós-parto. O objetivo desta pesquisa é, então, identificar as consequências de 
tais violências na vida de mulheres em situação de vulnerabilidade social. Foi 
feita uma revisão sistemática com produções científicas que contemplam o 
tema e que possuem como resultados informações a respeito da existência de 
procedimentos irregulares na atenção da mulher gestante, legitimando a prática 
da violência obstétrica em mulheres que estão em vulnerabilidade social. Com 
isso, possibilitam-se condições de problematizar a intensificação do sofrimento 
ético-político como consequência de tal desrespeito na vida de mulheres negras, 
pobres e negligenciadas pelo Estado e vítimas da violência obstétrica. Assim, a 
violação dos direitos reprodutivos é uma causa que precisa ser vista, discutida, 
enfatizada e confrontada em nossa sociedade.
Palavras-chave: Violência obstétrica; vulnerabilidade social; garantia de 
direitos reprodutivos.
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
INTRODUÇÃO
O Parto humanizado é um direito da mulher gestante que tem como 
finalidade modificar os atendimentos realizados nos hospitais, principalmente 
nos serviços públicos, a fim de garantir que o momento do nascimento do bebê 
seja realizado de forma ética e profissional no cuidado da mãe e do recém-nas-
cido. Na história do parto, entende-se esse momento como sinônimo de dor 
e sofrimento intenso, sendo possível a caracterização de uma cultura da dor, 
onde para se ter um filho(a) é necessário passar por um processo exaustivo que 
exige da mulher força e persistência (FIRMINO et al., 2020).
A dor física perpassa o sofrimento social, que emerge principalmente 
em casos de violência obstétrica, quando a mulher é submetida a imposições 
médicas ou a atos desrespeitosos que são naturalizados. Nesse sentido, a dor 
passa a ser vista como parte do processo e a violência acaba sendo associada 
ao processo de dor, ou/e consequentemente, naturalizada (CARNEIRO, 2015).
O parto é um episódio fisiológico que apresenta fenômenos bioquímicos 
e emocionais, em seu ato, e o nascimento de uma criança representa na sua 
grande maioria um momento de alegria para os pais e familiares que aguardam 
ansiosamente conhecer o novo membro (a) da família. A mulher em seu momento 
de dar à luz deve ser cuidada, respeitada, assistida, na possibilidade de obter 
um parto humanizado. Este cenário muitas vezes não ocorre como esperado, 
considerando as facetas que envolvem o contexto hospitalar em serviços 
públicos, onde a estrutura do local e procedimentos utilizados não favorecem 
a realização de um parto adequado (NAGAHAMA; SANTIAGO, 2008), o que, 
muitas vezes, pode acarretar em violência obstétrica.
O termo “violência obstétrica” tem sido alvo de polêmicas, considerando 
que essa ação descreve a conduta de profissionais de saúde na assistência 
da gestação, no parto e no pós-parto, no qual o tratamento é agressivo com 
práticas desrespeitosas. O significado deste termo refere-se a um conjunto de 
violências que ocorrem na atenção obstétrica, ocasionado por profissionais. 
Tais ações refletem em discussão polêmica, em que atravessam os valores e a 
subjetividades do outro (SENA; TESSER, 2016).
De acordo com Brandt et al. (2018, p.02), “violência obstétrica (V.O.) é o 
termo utilizado para agrupar todos os tipos de violência sofridos pela mulher 
11
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durante a gravidez, parto, pós-parto e abortamento. As agressões acontecem 
de forma verbal, institucional, moral, física e psicológica”. A ocorrência da 
violência obstétrica é frequente, e a responsabilidade desta conduta também 
é uma questão de saúde pública, tendo em vista a constância dos relatos de 
mulheres que sofreram algum tipo de violência no parto ou no abortamento 
(BRANDT et al., 2018).
O Ministério da Saúde instituiu, em 2000, o Programa de Humanização 
no Pré-Natal e Nascimento, através da Portaria/GM nº 569, de 01 de junho de 
2000, propondo como estratégias principais: aprimorar o acesso, a cobertura e a 
qualidade do acompanhamento pré- natal, da assistência ao parto e do puerpé-
rio. Esta política pública de assistência instituída pelo programa tem por base o 
direito à cidadania e à humanização nos serviços de saúde prestados à mulher.
Segundo dados do Ministério da Saúde (2012), o acolhimento na atenção 
básica orienta-se pela integralidade do cuidado, desde o recebimento da mulher, 
a partir da promoção da escuta qualificada até a identificação das condições 
de vulnerabilidade existentes de acordo com o contexto social da mesma. 
Deve-se, portanto, proporcionar um ambiente em que a escuta das preocupa-
ções e angústias da gestante seja possibilitada, permitindo a continuidade da 
assistência através de outros serviços de saúde, e em caso de necessidade, 
produzir vínculo com a equipe profissional.
Um dos aspectos da violência obstétrica diz respeito à sua prevalência, 
tendo em vista um marcador racial e socioeconômico. O racismo e a desigualdade 
econômica dificultam o acesso ao atendimento humanizado e ao tratamento 
adequado para as parturientes negras e com baixa renda, que tem seu plano 
de parto e ações de saúde sob decisão da equipe médica, sendo atravessadas 
por discursos normalizadores, que reduzem sua fala e minimizam suas dores 
(THEOPHILO;um 
absurdo. Você não consegue sair, tudo que você vai fazer o gasto 
parece que é o dobro, é um medo de pegar doença, qualquer gripe 
já fala: estou com COVID(...). A médica estava me afastando, mas a 
empresa não quer considerar”. (G7).
“Fica complicado em questão de serviço, porque eu trabalho com 
público, eu não sou registrada, sou anônima, autônoma, quero dizer. 
Então, querendo ou não, fica complicado por causa disso. Trabalho 
com eventos, então, não pode ter eventos porque você tem contato 
direto com o público, então nesse caso complicou”. (G11).
Mesmo com o uso de tecnologias digitais de informação e comunicação 
associadas a diferentes dispositivos eletrônicos e de telefonia móvel, as ges-
tantes enfatizam a sensação de isolamento e a impossibilidade de promover 
encontros familiares próprios da gravidez induzidas pela “vida em telas digitais”.
“Mudou muita coisa, antes a gente podia sair fazer as coisas, agora 
totalmente, distanciou de todo mundo, só através de WhatsApp a 
gente se comunica”. (G2).
“É bem triste, a gente não pode compartilhar a gravidez com os 
familiares, não poder fazer o chá de bebê, não poder fazer nada, só 
pelo celular, é bem triste, é bem diferente com o que a gente está 
acostumado a viver”. (G13).
ESTRATÉGIAS PARA ENFRENTAR A COVID-19
Com 93 destaques, esse tema aglutinou medidas preventivas individuais 
e coletivas, bem como percepções sobre as fontes de informação e os meios 
de comunicação para buscar formas de cuidar de si e dos outros em tempos 
pandêmicos.As “medidas preventivas” mencionadas pelas gestantes indicaram 
76
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
lacunas sobre a proteção mais efetiva, em especial, nas visitas à família e refor-
çaram a vacina contra COVID-19 como um recurso importante.
“Mas as pessoas têm que continuar se cuidando, usar máscara e 
álcool em gel, porque não é algo que vai passar tão rápido, não tem 
a vacina, quando vier a vacina pelo que eu vi não sabe o tempo que 
vai durar no corpo da pessoa”. (G1).
“Espero não receber muita visita, é muito arriscado, tanto para 
neném, quanto para minha avó que eu moro junto com ela também 
que já é de idade”. (G14).
Contudo, convém indicar que houve falas contrárias ou com um posicio-
namento negacionista de algumas medidas preventivas.
“Horrível, tem que ficar o tempo todo com essa porcaria na cara 
[máscara], eu tenho bronquite, rinite, sinusite”. (G4).
“Deveria acabar logo, sou sincera, porque, eles tentaram isolar tanto 
e olha o tanto de gente que morreu, então se tiver que acontecer, 
vai acontecer, sabe, que esse andar de máscara, vamos ser sincera, 
para quê?”. (G5).
O “uso de máscaras” foi a principal estratégia associada a equipa-
mento de proteção individual contra a transmissão do SARS-Cov-2 destacado 
pelas gestantes partícipes, porém com ressalvas sobre a usabilidade deste 
recurso no cotidiano.
“(...) Usar máscara, às vezes incomoda, tem pessoas que tem rinite, 
essas coisas [problemas respiratórios], não consegue usar máscara 
direito. Tem lugar que, às vezes que você vai, você esquece não 
pode entrar, meio complicado, eu acho”. (G9).
“Pensar que é horrível usar máscara dentro da própria casa para 
amamentar seu filho. Então, acho que vai ser bem complicado”. (G10).
No tocante aos “meios de comunicação”, a televisão representou a 
principal fonte de informação para a maioria das gestantes. As mídias e redes 
sociais configuram outros canais de acesso às informações para compreender 
e lidar com os problemas da COVID-19.
“Celular, jornal, as pessoas comentando, como que é, como a 
evolução é muito rápida dessa doença, muito rápida, ela atinge 
muitos órgãos”. (G8).
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“Na televisão assim, jornais que estão passando bastante e todas 
as redes sociais também. Está tendo [notícias] no Facebook”. (G9).
“Às vezes, eu vejo na televisão. as pessoas veem e conversam e 
acabam falando”. (G11).
Por fim, houve falas que ilustram a positividade sobre a “permanência 
em casa” e que permitem o reconhecimento de potencialidades a serem tra-
balhadas pelas equipes da Atenção Básica, tais como: a proximidade com a 
família, a valorização do estar em casa e a qualidade da convivência com intuito 
de preservar a saúde.
“Eu acho que muitas famílias estão se reunindo mais, por fora 
eu vejo que tem um lado bom, os pais estão ficando mais com 
as filhas, com os filhos, estão passando mais tempo, tendo mais 
aquele convívio”. (G10).
“A gente fica preocupado, querendo ou não, se eu pegar afeta a 
criança também, então tem que tomar todo o cuidado do mundo. 
Em casa, a gente já tem meu pai com diabetes, minha mãe tem 
diabetes, então querendo ou não afeta eles também”. (G11).
Posteriormente, a análise lexical por meio do IRAMUTEQ resultou nas 
seguintes estatísticas textuais associadas à CHD: 15 textos, 275 segmentos de 
texto (ST), 921 formas, 5269 ocorrências, 633 lemas, 536 formas ativas, 89 formas 
suplementares, seis classes lexicais e um aproveitamento de 81,09% do corpus 
total, equivalendo a 223 ST analisados estatisticamente.
Para a construção do Filograma da CHD (Figura 2), selecionaram-se 
os léxicos (palavras ou termos carregados de sentido com base no objeto de 
estudo) com ppromover orientações sensíveis a aspectos físicos, emocionais e socioculturais 
e ao garantir isolamento com monitoramento remoto e ou domiciliar periódico(6).
No contexto nacional, identificou-se apenas um protocolo de pesquisa 
qualitativa no cenário brasileiro com foco nas experiências de mulheres infectadas 
pelo novo coronavírus em um hospital universitário terciário e no levantamento 
de aspectos relacionados ao adoecer pela COVID-19(22).
Em uma pesquisa qualitativa, conduzida remotamente com 15 gestantes 
em hospital da Turquia, contribuiu com a discussão detrês temas centrais: a 
busca de informações confiáveis para enfrentar o “desconhecido” novo coro-
navírus, a reorganização das rotinas dos serviços de pré-natal e a compreensão 
das profundas mudanças no cotidiano e nas relações sociais(23).
Em outro estudo qualitativo, com abordagem fenomenológica, participaram 
19 gestantes vinculadas a centros de saúde pública na região nordeste do Irã e 
expressaram os efeitos comportamentais e emocionais provocados pela pandemia 
na regularidade dos cotidianos das gestantes, o enfrentamento das adversidades 
na gravidez, as limitações para acessar ações no pré-natal, o desenvolvimento 
de posturas resilientes e a adaptação às recomendações sanitárias(24).
Cabe ressaltar que, a pandemia de COVID-19 provocou uma série de 
emoções negativas e um conjunto de informações falsas que prejudicam o 
cuidado adequado durante a gestação, o parto e o puerpério, interferindo nas 
relações das gestantes com os diferentes serviços e profissionais de saúde(7). 
80
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
Portanto, valorizar o papel estratégico de gestantes, enfermeiros e obstetrizes 
na compreensão das epidemias e pandemias por meio de fontes de informação 
fidedignas e de suportes variados com foco na família é essencial a fim de evitar 
a propagação de notícias falsas (fake News) e de estigmas sociais (12).
Apesar do uso de máscaras ter sido mais evocado, as gestantes pouco 
enfatizaram ou não mencionaram medidas preventivas efetivas como a higie-
nização frequente das mãos ou do uso do álcool gel para desinfecção(8,25). 
Incentivar a incorporação de medidas comportamentais para a prevenção da 
transmissão e do contágio do novo coronavírus deve ser abordada pelas equi-
pes de Enfermagem e Saúde na Atenção Básica, (re) pensando estratégias que 
extrapolem a dimensão individual no enfrentamento da pandemia de COVID-19, 
tais como a consulta de Enfermagem com base na clínica ampliada, nas ações 
de telenfermagem, na vigilância em saúde, nos grupos educativos em saúde 
baseados na educação crítica, nas visitas domiciliárias e na articulação de ações 
intersetoriais no território para o enfrentamento de iniquidades.
A permanência em casa manifestada pelas gestantes endossa a recomen-
dação do distanciamento social durante a pandemia de COVID-19, exigindo o 
suporte emocional e social, o uso de plataformas on-line ou via smartphones, o 
monitoramento de sinais e sintomas de modo remoto pelas equipes de saúde e 
a avaliação de parâmetros próprios da gravidez para complementar os cuidados 
no pré-natal presencial(9).
Entretanto, a dimensão do trabalho (ou sua falta ou precarização) também 
devem compor atividades intersetoriais no contexto das Redes de Atenção à 
Saúde (RAS) e foi um ponto de destaque levantado pelas entrevistadas. Tra-
ta-se de um achado relevante para as discussões de uma visão ampliada de 
saúde e de defesa de direitos ameaçados em períodos críticos semelhantes à 
pandemia de COVID-19.
Como limitações do estudo, entende-se que a realização das entrevistas 
em momento posterior à consulta pré-natal e somente pelo pesquisador principal 
pode ter restringido a profundidade das respostas das participantes, tampouco 
explorar certos aspectos emergentes ao longo do diálogo investigativo. A pre-
dominância de mulheres jovens, pretas/pardas, solteiras e com ensino médio 
pode reforçar matizes e nuanças da gravidez e da maternidade que reproduzem 
potenciais equívocos ou visões estereotipadas sobre determinados contextos 
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socioculturais e a pandemia de COVID-19.Por outro prisma, a triangulação de 
técnicas de análises objetivou explorar o corpus de modo mais ampliado e 
superar certas continências.
O presente estudo indica que o pré-natal na Atenção Básica configura 
um cenário com potencialidades para auxiliar as mulheres na construção da 
identidade materna, na valorização de momentos familiares que antecedem o 
parto e o puerpério, no desenvolvimento de competências para a promoção do 
desenvolvimento infantil, na defesa dos direitos da gestante e sua família e no 
esclarecimento de notícias falsas ou equivocadas sobre a COVID-19.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As perspectivas das gestantes atendidas em pré-natal no contexto da 
Atenção Básica podem promover uma abordagem compreensiva com foco 
na garantia de um cuidado sensível às necessidades em saúde das mulheres 
no período gravídico-puerperal e podem permitir a construção de estratégias 
individuais, familiares, comunitárias e intersetoriais para o enfrentamento dos 
desafios da maternidade, a minimização dos efeitos negativos do isolamento 
social e a incorporação adequada de medidas preventivas baseadas nas melho-
res evidências científicas disponíveis.
Evidenciou-se a relevância da ação ativa do enfermeiro no processo de 
pré-natal, como consultas intercaladas com médicos e do protagonismo como 
educador em saúde, favorecendo um acompanhamento contínuo e integrado 
com as equipes multiprofissionais e de Enfermagem que cuidam da gestante e 
seus familiares com o intuito de promover uma rede de apoio para diminuir as 
ansiedades, preocupações e medos referentes ao partejar em tempos pandêmicos.
Em suma, oferecer suporte presencial e ou on-line com intuito de promo-
ver ações que incrementem as redes de apoio e de cuidado às gestantes, suas 
famílias e suas comunidades durante períodos de distanciamento social, que 
desenvolvam boas práticas para a prevenção da COVID-19 e que dialoguem 
sobre a construção contínua da maternidade em um contexto pandêmico global 
e ainda persistente.
82
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
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' 10.37885/251220820
07
CUIDADO AMPLIADO E TRANSVERSAL NA 
SAÚDE MENTAL MATERNA: UMA 
EXPERIÊNCIA NA APS EM PORTO VELHO
Artur Ramos da Silva Neto
Afya Centro Universitário São Lucas Porto Velho
Bianca Espindola
Afya Centro Universitário São Lucas Porto Velho
Carlos José Ferreira Júnior
Afya Centro Universitário São Lucas Porto Velho
Emile Rafaela Ferreira Lisboa Lopes
Afya Centro Universitário São Lucas Porto Velho
Flávia Mayáre Freires Thomaz
Afya Centro Universitário São Lucas Porto Velho
Giulya Mendes Ohira de Rossi
Afya Centro Universitário São Lucas Porto Velho
Pedro Henrique Angeli Slemer
Afya Centro Universitário São Lucas Porto Velho
Isabela Farias Gualberto Duarte
Afya Centro Universitário São Lucas Porto Velho
Arlindo Gonzaga Branco Junior
Afya Centro Universitário São Lucas Porto Velho
Universidade Federal de Rondônia
https://dx.doi.org/10.37885/251220820
86
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
RESUMO
O cuidado à saúde da mulher no Brasil demanda uma perspectiva ampliada, 
capaz de integrar dimensões biológicas, sociais, culturais, emocionais e de 
gênero que influenciam o processo saúde-doença. Entre esses aspectos, a 
saúde mental materna permanece frequentemente negligenciada na Atenção 
Primária à Saúde, apesar de sua relevância para o bem-estar individual e familiar. 
Este capítulo tem como objetivo relatar uma experiência desenvolvida em uma 
Unidade de Saúde da Família em Porto Velho–RO, voltada à promoção da saúde 
mental materna e fundamentada na transversalidade do cuidado. Trata-se de 
um relato de experiência, de natureza descritiva e reflexiva, originado de uma 
ação educativa vinculada à campanha Maio Furta-Cor. A vivência evidenciou a 
importância das ações territorializadas, da escuta qualificada, do acolhimento 
e da educação em saúde na construção de um cuidado integral às mulheres. 
Conclui-se que a transversalidade constitui um eixo essencial para a efetivação 
de práticas equitativas, humanizadas e integradas, fortalecendo a assistência 
à saúde da mulher no âmbito da Atenção Primária.
Palavras-chave: Saúde da Mulher; Transversalidade; Atenção Primária à Saúde. 
87
ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
INTRODUÇÃO 
 Historicamente, a maternidade foi construída socialmente sob o ideal da 
mulher forte, plena e abnegada, sustentada pelo mito do amor materno incon-
dicional e da figura da “boa mãe”. Essa concepção romantizada, amplamente 
difundida ao longo do século XX, contribuiu para a invisibilização do sofrimento 
psíquico feminino no ciclo gravídico-puerperal, ao desconsiderar a complexi-
dade e a diversidade das experiências maternas (Azevedo; Arrais, 2006). Como 
consequência, emoções como medo, insegurança, exaustão e ambivalência 
foram naturalizadas, reforçando a sobrecarga emocional das mulheres.
Somente nas últimas décadas a saúde mental materna passou a ser 
reconhecida como dimensão essencial do cuidado integral, impulsionada por 
evidências científicas que demonstram seu impacto sobre o vínculo materno-in-
fantil, o desenvolvimento da criança e a dinâmica familiar. Estudos indicam que 
até 25% das puérperas podem apresentar sintomas compatíveis com depressão 
pós-parto, frequentemente subdiagnosticados nos serviços de saúde (Fiocruz, 
2025), revelando uma lacuna persistente no cuidado ofertado.
Nesse cenário, a campanha Maio Furta-Cor, idealizada em 2021, surgiu 
com o objetivo de ampliar a visibilidade da saúde mental materna e romper 
com narrativas homogêneas da maternidade. A escolha da cor furta-cor, que 
se transforma conforme a luz, simboliza a pluralidade de sentimentos que 
atravessam essa vivência, legitimando emoções como tristeza, culpa, cansaço 
e ambivalência (Maio Furta-Cor, 2021).
Apesar dos avanços normativos, importantes desafios persistem na Aten-
ção Primária à Saúde (APS). Embora as diretrizes do Sistema Único de Saúde 
(SUS) preconizem práticas baseadas na integralidade, na escuta qualificada, 
no acolhimento e na interdisciplinaridade (Brasil, 2017), muitas mulheres ainda 
enfrentam barreiras de acesso ao cuidado em saúde mental, especialmente em 
contextos marcados por vulnerabilidades sociais, desigualdades de gênero e 
limitações estruturais.
A transversalidade, nesse contexto, emerge como estratégia fundamental 
para integrar dimensões biológicas, emocionais, sociais, culturais e de gênero 
no cuidado à saúde da mulher. Trata-se de um eixo que permite ampliar a 
88
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
compreensão do processo saúde-doença e fortalecer intervenções mais sen-
síveis, equitativas e resolutivas na APS.
É à luz desse referencial que o presente capítulo apresenta um relato 
de experiência desenvolvido em uma Unidade de Saúde da Família em Porto 
Velho–RO, voltado à promoção da saúde mental materna e fundamentado nos 
princípios da transversalidade do cuidado.
DETALHAMENTO DA EXPERIÊNCIA
 Trata-se de um trabalho do tipo relato de experiencia onde a ação de 
promoção da saúde mental materna foi desenvolvida no mês de maio de 2025, 
em alusão à campanha nacional Maio Furta-Cor, em uma Unidade de Saúde 
da Família localizada na cidade Porto Velho, Rondônia. A atividade integrou as 
ações curriculares da disciplina Integração Ensino-Saúde-Comunidade do curso 
de Medicina de uma instituição privada de ensino e foi previamente autorizada 
pela coordenação da unidade de saúde, curso de medicina e acompanhada 
integralmente pelo docente responsável. A escolha do território ocorreu em 
razão do vínculo prévio estabelecido entre estudantes e comunidade.
O público-alvo da intervenção foi composto por gestantes, puérperas, 
familiares e funcionárias que se encontravam na unidade durante o período 
da ação, realizada no dia 16 de maio, das 8h às 11h. A participação ocorreu de 
forma espontânea, mediante convite aberto realizado pela equipe organiza-
dora. A presença de mulheres em diferentes fases do ciclo reprodutivo favore-
ceu o compartilhamento intergeracional de experiências sobre a maternidade.
A metodologia adotada baseou-se na roda de conversa, estratégia dia-
lógica sustentada pelos princípios da educação popular em saúde, que valoriza 
a escuta, o saber das participantes e a construção coletiva do conhecimento. 
Como recurso didático, foi utilizado o flyer oficial da campanha Maio Furta-Cor, 
ao qual se acrescentou uma capa personalizada elaborada pelos estudantes. 
Também foram produzidos banners e camisas alusivas à campanha, ampliando 
sua visibilidade no território (Maio Furta-Cor, 2021).
O ambiente foi cuidadosamente preparado no auditório da USF, com 
decoração em tons furta-cor e disposição circular das cadeiras, de modoa 
estimular horizontalidade e participação ativa. Uma mesa de café da manhã 
89
ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
com alimentos simples foi organizada para acolher as participantes e criar um 
clima de conforto e proximidade.
A intervenção teve início com apresentação da equipe e contextualização 
sobre a campanha Maio Furta-Cor, destacando seu surgimento e relevância 
para a saúde mental materna (Maio Furta-Cor, 2021). 
A dinâmica “Caixa dos Sentimentos” constituiu a estratégia central para 
estimular a participação. Uma caixa contendo palavras representativas de 
diferentes sentimentos foi passada entre as participantes, que liam o conteúdo 
e, caso desejassem, compartilhavam experiências relacionadas. A atividade 
favoreceu a expressão de emoções frequentemente silenciadas e promoveu 
identificação entre as mulheres.
Durante toda a atividade, a equipe realizou escuta qualificada, validação 
de sentimentos e orientações sobre serviços de apoio disponíveis na rede de 
atenção psicossocial, como USF, CAPS e serviços de instituições de ensino 
superior. Quando identificados sinais de sofrimento psíquico, as mulheres foram 
orientadas quanto à importância de buscar acompanhamento especializado. 
Ao final da atividade, realizou-se síntese dos principais pontos discutidos, 
reforçando-se a importância do autocuidado e do fortalecimento de vínculos 
comunitários. A ação foi registrada em diário de campo e documentação foto-
gráfica, respeitando os aspectos éticos. A experiência revelou grande interesse 
das mulheres pelo tema, bem como a carência de espaços de escuta sensível 
e acolhedora no cotidiano da Atenção Primária.
DISCUSSÃO
 A experiência desenvolvida na USF demonstrou a relevância da trans-
versalidade como eixo estruturante do cuidado à saúde da mulher, especialmente 
no que se refere à saúde mental no período gravídico-puerperal. A transversa-
lidade, entendida como articulação entre saberes, setores e práticas, permite 
superar abordagens fragmentadas e promover um cuidado integral sensível às 
condições sociais, culturais e subjetivas das mulheres (Brasil, 2017).
 Na Atenção Primária à Saúde, essa perspectiva é estratégica, pois é 
nesse nível que se constroem vínculos, se reconhecem necessidades e se pro-
movem ações de cuidado contínuo. A atividade evidenciou que a saúde mental 
90
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
materna ainda ocupa um lugar secundário nos fluxos assistenciais, apesar da alta 
prevalência de sofrimento psíquico decorrente de transtornos como depressão 
e ansiedade no ciclo gravídico-puerperal (Azevedo; Arrais, 2006; Fiocruz, 2025). 
 O compartilhamento de vivências durante a roda de conversa eviden-
ciou obstáculos enfrentados por mulheres na busca por cuidado, em especial 
o silenciamento emocional decorrente de uma cultura que idealiza a materni-
dade como experiência exclusivamente positiva. A campanha Maio Furta-Cor 
demonstrou-se potente ao permitir que a pluralidade de sentimentos fosse 
reconhecida como legítima, rompendo narrativas hegemônicas e contribuindo 
para a humanização do cuidado.
 A dinâmica da “Caixa dos Sentimentos” favoreceu a expressão de 
emoções e permitiu que as participantes percebessem que suas experiências 
não eram isoladas. Essa troca afetiva tem valor terapêutico indireto ao reduzir a 
culpa individual e fortalecer vínculos comunitários, alinhando-se aos princípios 
da educação popular em saúde, que preconizam a horizontalidade e o diálogo 
como práticas transformadoras (Liduianee et al., 2019).
 A atuação da equipe organizadora, ao promover escuta qualificada e 
orientar sobre serviços da rede, reafirma o papel da APS como ordenadora do 
cuidado. A vinculação das participantes à USF e aos serviços de apoio psicos-
social possibilita intervenções precoces e construção de projetos terapêuticos 
singulares. A experiência mostrou que, quando acolhidas, as mulheres tendem 
a buscar mais ativamente os serviços de saúde.
 Do ponto de vista pedagógico, a atividade revelou-se potente na 
formação de estudantes da área da saúde. A interação com o território e a 
escuta das vivências das mulheres ampliam o olhar dos futuros profissionais e 
fortalecem competências essenciais, como comunicação, sensibilidade social e 
capacidade de análise crítica do processo saúde-doença. A integração ensino-
-serviço-comunidade emerge, assim, como eixo estruturante para uma formação 
ética e humanizada.
 Apesar dos resultados positivos, desafios importantes foram identifi-
cados, como a limitação temporal da ação, a dificuldade de acompanhamento 
longitudinal e o estigma associado aos transtornos mentais. Tais questões 
reforçam a necessidade de institucionalizar ações permanentes voltadas à 
saúde mental materna na APS.
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ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
 Neste sentido, a transversalidade do cuidado não se reduz a um prin-
cípio teórico, mas se concretiza nas práticas que reconhecem as mulheres em 
sua integralidade, considerando suas condições de vida, vulnerabilidades e 
potências. Promover saúde mental materna é, portanto, promover equidade, 
cidadania e justiça social.
Agradecimentos (opcional) 
 A ação educativa desenvolvida demonstrou que práticas territorializadas, 
sustentadas pela escuta qualificada, pelo acolhimento e pela educação em saúde, 
configuram estratégias potentes para a promoção do cuidado, fortalecimento 
das redes de apoio e redução do estigma relacionado ao sofrimento psíquico no 
ciclo gravídico-puerperal. Além disso, reafirma-se a importância de processos 
formativos comprometidos com uma abordagem crítica, sensível e socialmente 
responsável, capazes de preparar futuros profissionais para reconhecer e atuar 
diante das múltiplas dimensões que atravessam a maternidade.
Por fim, destaca-se a necessidade de fortalecimento de políticas públicas 
que priorizem a saúde mental materna como eixo estruturante do cuidado à 
mulher. Garantir que a transversalidade se materialize no cotidiano dos serviços 
implica reconhecer as mulheres em sua integralidade, promover equidade e 
assegurar que suas vivências e necessidades sejam acolhidas de forma con-
tínua e humanizada.
REFERÊNCIAS 
AZEVEDO, D. M.; ARRAIS, A. R. Saúde mental materna e as representações sociais da maternidade: 
um olhar sobre a depressão pós-parto. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 19, n. 2, p. 269–276, 2006.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.
FIOCRUZ. Campanha Maio Furta-Cor debate saúde mental materna. Fundação Oswaldo Cruz, 2025.
LIDIUANNE, L. et al. A saúde mental na atenção básica: a construção de grupo. UNA-SUS, 2019.
MAIO FURTA-COR. Campanha pela saúde mental materna. Disponível em: https://maiofurtacor.
com.br. Acesso em: 10 jun. 2025.
https://maiofurtacor.com.br
https://maiofurtacor.com.br
' 10.37885/251220844
08
USO DE PSICOTRÓPICOS NA GESTAÇÃO 
DE ALTO RISCO: PREVALÊNCIA E FATORES 
ASSOCIADOS
Gabriela Gubert Fernando
Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro) 
Tatiana da Silva Melo Malaquias
Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro) 
Leticia Gramazio Soares
Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro) 
Alexandra Bittencourt Madureira 
Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro) 
Maicon Henrique Lentsck
Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro) 
Tatiane Baratieri 
Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro) 
Marília Daniella Machado Araújo
Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro) 
Kátia Pereira de Borba
Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro) 
Sidiane de Moura Marochio
Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro) 
Maria do Carmo Fernandez Lourenço Haddad
Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro) 
https://dx.doi.org/10.37885/251220844
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ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.orgRESUMO
Objetivo: Investigar a prevalência do uso de substâncias psicoativas por 
gestantes de alto risco e averiguar as associações com os fatores sociodemo-
gráficos e de saúde. Método: Estudo observacional transversal, no estado do 
Paraná, Brasil, no qual participaram gestantes de risco gestacional interme-
diário ou alto. Os dados foram coletados por meio de questionário sociode-
mográfico e do Alcohol, Smoking And Substance Involvement Screening Test 
(ASSIST). A análise dos dados foi por meio da estatística descritiva e testes de 
associação. Resultados: As participantes foram 20 gestantes com idade entre 
21 e 43 anos, maioria em união estável, com ensino médio completo, renda de 
até 2 salários-mínimos, e possuíam mais de uma gestação. Dentre as patologias 
apresentadas durante a gestação destacaram-se a hipertensão arterial, anemia 
e as infecções de trato urinário. A prevalência do uso de substâncias psicoativas 
foi de 10% para o tabaco e 5% para a maconha. Conclusão: A prevalência do 
uso de substâncias psicoativas pelas participantes neste estudo foi baixa e não 
foram observadas correlações significativas entre o consumo das substâncias 
e os fatores sociodemográficos e de saúde investigados.
Palavras-chave: Gestantes; Psicotrópicos; Prevalência.
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
INTRODUÇÃO
As substâncias psicoativas (SPAs) são compostos químicos que atuam 
diretamente no sistema nervoso central (SNC), alterando a percepção, o humor, 
a consciência e o comportamento dos indivíduos. Elas podem ser classificadas 
em três principais grupos, conforme seu efeito sobre o SNC: depressoras (como 
o álcool, os benzodiazepínicos e os opiáceos), estimulantes (como a cocaína, a 
nicotina e as anfetaminas) e perturbadoras (como a maconha, o LSD e outras 
drogas alucinógenas) (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, 2017).
Globalmente, o uso de SPAs representa um grave problema de saúde 
pública. Segundo o Relatório Mundial sobre Drogas de 2024, mais de 292 
milhões de pessoas usaram drogas em 2022, um aumento de 20% em relação 
à década anterior. Os jovens são os mais vulneráveis ao uso de drogas e os 
mais afetados pelos transtornos associados ao seu uso em várias partes do 
mundo. As substâncias mais prevalentes são cannabis, opióides, anfetaminas, 
cocaína e alucinógenos. A cannabis permanece como a substância ilícita mais 
consumida no mundo, com cerca de 228 milhões de usuários (United Nations 
Office on Drugs and Crime, 2024).
No Brasil, dados do III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas revelam 
que 66,4% da população entre 12 e 65 anos já fez uso de álcool ao menos uma 
vez na vida, enquanto 33,5% já usou tabaco. Entre as substâncias ilícitas, a mais 
consumida é a maconha, seguida por cocaína, crack, solventes e ecstasy (Bastos 
et al., 2017). Além disso, uma análise nacional estimou que aproximadamente 
28,7% das gestantes brasileiras consomem algum tipo de substância psicoativa 
durante a gestação, com destaque para o álcool e tabaco (Lopes et al., 2021).
O uso de SPAs durante a gestação acarreta sérios riscos à saúde da 
mãe e do feto. Substâncias como o álcool, por exemplo, atravessam facilmente 
a placenta, podendo levar ao Transtorno do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF), 
caracterizado por atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, dismorfismos 
faciais e comprometimento cognitivo (Brasil, 2022). O consumo de tabaco está 
associado ao baixo peso ao nascer, prematuridade, descolamento prematuro 
da placenta e morte súbita do lactente (Szulczewski et al., 2025).
Drogas ilícitas, como a cocaína e o crack, aumentam o risco de restrição 
do crescimento intrauterino, asfixia perinatal, aborto espontâneo, infecções 
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congênitas e alterações neurológicas de longo prazo (Batista et al., 2023). Já a 
exposição intrauterina à maconha tem sido relacionada a déficits de atenção, 
problemas de memória e redução das habilidades cognitivas na infância 
(De Genna, 2022). 
Além dos efeitos diretos no bebê, o uso de SPAs compromete a adesão ao 
pré-natal, aumenta o risco de complicações obstétricas e está frequentemente 
associado a fatores psicossociais como violência doméstica, depressão, baixa 
escolaridade e pobreza, o que agrava ainda mais a vulnerabilidade da gestante 
(Marangoni et al., 2022). 
Frente a esse cenário, o Ministério da Saúde lançou o Programa Brasil 
Saudável que prioriza, entre outros objetivos, ações intersetoriais de promoção 
da saúde, prevenção de doenças crônicas e cuidado integral à população em 
situação de vulnerabilidade, como gestantes usuárias de SPAs. Tais ações visam 
garantir maior qualidade na atenção pré-natal, reduzir complicações gestacio-
nais e promover ambientes mais saudáveis para mães e bebês (Brasil, 2025).
Portanto, reconhecer e intervir precocemente no uso de substâncias 
psicoativas durante a gestação é essencial para a promoção da saúde mater-
no-infantil e a prevenção de agravos. Deste modo, este estudo teve por objetivo 
investigar a prevalência do uso de substâncias psicoativas por gestantes de alto 
risco e averiguar as associações com os fatores sociodemográficos e de saúde. 
MÉTODOS
Estudo observacional transversal, norteado pelos preceitos do relatório 
de redação Strengthening the Reporting of Observational studies in Epidemiology 
(STROBE) (Von Elm et al., 2008). 
A pesquisa foi realizada em um Ambulatório Médico de Especialidades 
(AME) de um município do estado do Paraná, Brasil.
O AME é um serviço secundário ambulatorial que compõe a Rede de 
Atenção à Saúde, conta com atendimento multiprofissional às condições com-
plexas de saúde. Entre as principais especialidades presentes no AME estão 
cirurgia geral, neuropediatra, cardiologia, ginecologia e obstetrícia, oftalmologia, 
endocrinologia e pediatra de alto risco.
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
Participaram da pesquisa gestantes, com idade acima de 18 anos, com 
condições de saúde física e mental para responder os questionários, a partir 
do primeiro trimestre de gestação. 
A seleção das participantes foi por conveniência não probabilística. As ges-
tantes atendidas no serviço foram abordadas pela pesquisadora enquanto aguar-
davam as consultas e convidadas a participar da pesquisa. Após o aceite, foram 
orientadas sobre os objetivos do estudo e os aspectos éticos envolvidos. O uso 
de substâncias psicoativas não foi um critério de inclusão.
Os dados foram coletados durante o mês de maio de 2024, em local pri-
vativo e reservado para este fim. As participantes responderam às perguntas do 
questionário sociodemográfico, contendo informações como idade, escolaridade, 
situação conjugal, filhos, profissão, vínculos empregatícios, dados da gestação 
atual e antecedentes obstétricos. Para informações sobre o uso de substâncias 
psicoativas, foi aplicado o questionário de autorrelato Alcohol, Smoking And 
Substance Involvement Screening Test (ASSIST) (Humeniuk et al., 2010) que 
contém informações sobre uso de álcool e outras drogas principalmente nos 
últimos 90 dias. A duração das entrevistas em média foi de 15 minutos.
O ASSIST foi validado no Brasil como Teste de Triagem do Envolvimento 
com Álcool, Cigarro e Outras Substâncias, foi desenvolvido por um grupo inter-
nacional de pesquisadores e profissionais especialistas em dependências em 
resposta a alta carga para a saúde pública associada ao uso de substâncias 
psicoativas no mundo, sob a supervisão da Organização Mundial da Saúde 
(OMS). Ele foi concebido para aplicação no âmbito da atenção primária à saúde, 
onde o uso nocivo ou prejudicial de substâncias entre os pacientes pode passar 
despercebido ou se agravar.
O questionário ASSIST obtém informações dos pacientes sobre o uso 
de substâncias ao longo da vida esobre o uso de substâncias e problemas 
associados nos últimos três meses. Determina um escore de risco para cada 
substância utilizada. O escore obtido para cada substância se enquadra em uma 
categoria de risco (“baixo”, “moderado” ou “alto”), que determina a intervenção 
mais apropriada para esse nível de uso (“nenhum tratamento”, “intervenção 
breve” ou “encaminhamento para avaliação e tratamento especializado”, 
respectivamente).
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Após responderem os questionários e realizado o cálculo do escore, as par-
ticipantes receberam o feedback imediato com as intervenções apropriadas para 
cada risco, estabelecidas pelo ASSIST, com duração aproximada de 15 minutos.
Os resultados foram analisados por meio da estatística descritiva e 
para as associações, o Teste Exato de Fischer. A variável dependente é o uso 
de substâncias (lícitas e ilícitas) e as variáveis independentes foram os dados 
socioeconômicos e de saúde. A pesquisa obedeceu a Resolução 466/2012 e foi 
aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa.
RESULTADOS
Participaram da pesquisa 20 gestantes acompanhadas no pré-natal de 
alto risco no Ambulatório Médico de Especialidade, Paraná, Brasil.
As participantes possuíam entre 21 e 43 anos, 50% residiam no município 
de Guarapuava. A maioria das participantes teve três ou menos gestações (85%), 
e 30% estava na primeira gestação, conforme podem ser observados na tabela 1.
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
Tabela 1 – Caracterização das gestantes de alto risco atendidas no Ambulatório Médico de Especialidades 
(n=20), Paraná, Brasil, 2024. 
N (%)
Es
co
la
rid
ad
e
Ensino fundamental incompleto 4 (20)
Ensino fundamental completo 1 (5)
Ensino médio incompleto 3(15)
Ensino médio completo 7 (35)
Ensino superior incompleto 2 (10)
Ensino superior completo 3 (15)
Re
nd
a
 Menor que 1 salário-mínimo 6 (30)
De 1 a 2 salários-mínimos 9 (45)
De 3 a 5 salários-mínimos 4 (20)
De 6 ou mais salários-mínimos 1 (5)
Co
r/
 ra
ça
Branca 9 (45)
Parda 10 (50)
Negra 1 (5)
Es
ta
do
 C
iv
il Solteira 2 (10)
União Estável 12 (60)
Casada 6(30
Fonte: Autores, 2025
Quanto à idade gestacional no momento da entrevista, uma gestante 
estava abaixo das 12 semanas (5%), 25% das entrevistadas estavam entre as 12 
e 24 semanas, a maioria entre 24 e 36 semanas (60%) e apenas 10% estavam 
acima das 36 semanas. Em relação ao vínculo empregatício, 50% tem vínculo e 
50% em situação de desemprego, entretanto 40% das participantes informaram 
receber algum benefício social, entre eles o seguro-desemprego (5%), Benefício 
de Prestação Continuada (BPC) (5%) e Programa Bolsa Família (30%).
Com relação as patologias apresentadas, 55% relataram não possuir 
nenhuma condição de saúde anterior à gestação. As patologias mais comuns 
apresentadas foram a hipertensão arterial (HA) e o hipotireoidismo (15%), 
seguidas por diabetes mellitus (DM), epilepsia, hipertireoidismo, Síndrome do 
Ovário Policístico (SOP), talassemia e lúpus (5% cada). Entre as patologias 
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desenvolvidas durante a gestação, a mais comum foi a HA, presente em 60% 
das participantes, a segunda patologia mais apresentada durante a gravidez 
foram as infecções de trato urinário, presentes em 25%, seguida pela anemia 
(15%), hiperemese gravídica (10%), eclâmpsia e DM em 5% cada. Quanto ao uso 
de medicações contínuas, 40% utilizavam antes da gestação e 80% relataram 
utilizar alguma medicação durante a gestação. Quanto à saúde mental, 25% 
das gestantes tiveram ansiedade diagnosticada em algum momento da vida 
e 15% com depressão, a maioria (60%) não apresentava distúrbios mentais.
O histórico obstétrico de gestações anteriores apontou grande ocorrência 
de abortos (20%), seguidos por prematuridade e baixo peso ao nascer com 10% 
respectivamente, levantou-se também histórico de polidrâmnio em gestações 
anteriores de uma participante (5%), paralisia cerebral, gestação anembrioná-
ria e gravidez ectópica com 5% cada. A idade gestacional de descoberta da 
gravidez foi variada, 15% das participantes identificaram a gestação antes das 
4 semanas, 35% se descobriram gravidas entre 4 e 6 semanas, 25% entre 7 e 
8 semanas e 25% com 9 semanas ou mais.
Sobre o uso de substâncias psicoativas, somente 15% das gestantes 
referiram nunca terem feito uso de substâncias, enquanto 80% relataram uso 
de álcool, 25% de tabaco, 15% de maconha e 10% de cocaína ao menos uma 
vez na vida. Entretanto, a maioria relatou que pararam o uso durante a gestação 
e apenas uma gestante referiu uso da maconha nos últimos 3 meses e duas 
referiram a não interrupção do tabaco. Deste modo, a prevalência do uso de 
substância psicoativas durante a gestação pelas participantes foi 10% para o 
tabaco e 5% para a maconha, conforme descrito na figura 1. 
Figura 1 – Uso de substâncias psicoativas por gestantes de alto risco (n=20) atendidas no Ambulatório 
Médico de Especialidades, Paraná, Brasil, 2024.
 Fonte: Os autores, 2025
A partir da aplicação do questionário “ASSIST” foi possível obter maiores 
informações sobre o uso das substâncias psicoativas. Entre as duas usuárias que 
relataram o consumo do tabaco e seus derivados nos últimos três meses, uma 
obteve a pontuação de 15 pontos, enquanto a outra 21 pontos no escore final, 
indicando “Risco Moderado” de desenvolver problemas de saúde e de outros 
tipos e podem estar enfrentando alguns desses problemas no momento. Para 
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de gênero e de saúde
este risco, a intervenção indicada foi uma breve intervenção, de 3 a 15 minu-
tos. A intervenção breve consistiu em dar retorno aos pacientes com o cartão 
de feedback do ASSIST através de técnicas simples de entrevista motivacional 
e instruções de autoajuda para diminuir ou parar o uso de substâncias e infor-
mações específicas sobre o tabaco.
Em relação a maconha, apenas uma gestante fez um uso esporádico 
nos últimos três meses, obtendo pontuação 2 no escore final, indicando “Baixo 
Risco”. A intervenção preconizada pelo ASSIST nestes casos é orientar a paciente 
permanecer em abstinência e desincentivar o uso. 
Quanto à associação dos fatores sociodemográficos e gestacionais com 
o uso de substâncias psicoativas, foi realizado o teste exato de Fisher, o qual 
é mais indicado para amostras pequenas. Em todas as análises, não houve 
associação estatisticamente significativa entre as variáveis testadas, o que pode 
ser observado no valor de “p”, do Teste. Por ser uma pequena amostra, não se 
pode generalizar os resultados para outras populações. Também não é possível 
afirmar categoricamente que não existem associações entre as variáveis, pois 
além do pequeno número de participantes, foi coletado dados de apenas um 
local, com um grupo específico de gestantes, em determinado período, conforme 
pode ser observado na tabela 2.
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Tabela 2 – Associação dos fatores socioeconômicos e gestacionais com o uso de substâncias 
psicoativas lícitas e ilícitas pelas participantes (n=20), Paraná, Brasil, 2024.
Uso de substâncias psicoa-
tivas
Sim Não Total P*
União estável Sim 15 3 18 1.000
Não 2 0 2
Baixa renda Sim 5 1 6 1.000
Não 12 2 14
Vínculo empregatício Sim 9 1 10 1.000
Não 8 2 10
Doenças mentais pré-exis-
tentes
Sim 6 2 8 0.537
Não 11 1 10
Doenças na gestação Sim 13 2 15 0.601
Não 1 0 1
Antecedentes de compli-
cações obstétricas
Sim 7 1 8 1.000
Não 10 2 12
*Valor de “P” do Teste Exato de Fisher
Fonte: Os autores, 2025
DISCUSSÃO
Os resultados demonstraram a prevalência do uso de substâncias psi-
coativas em 10% para o tabaco e 5% para maconha pelas gestantes. Este dado 
também foi evidenciado em um estudo em Bandeirantes,PR, que identificou em 
19,2% o uso de drogas de abuso pelas participantes (Silva et al., 2020). A pre-
valência identificada neste estudo pode ser considerada baixa, entretanto foi 
realizada numa amostra pequena. Porém, é um grave problema de saúde pública, 
pois estas gestantes são estratificadas como alto risco e envolve um cuidado 
mais específico (Paraná, 2018).
O uso de substâncias psicoativas durante a gestação pode ocasionar 
danos à saúde materno e infantil, afetando também o crescimento e desenvol-
vimento da criança, além de inúmeros outros problemas sociais e familiares 
que envolverão a mãe e filho (Santa et al., 2020). Observa-se que o álcool e a 
102
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
cocaína tiveram seu uso interrompido durante a gestação, enquanto o tabaco e 
a maconha não. Um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas, 
SP, observou que aproximadamente 57% das usuárias de cocaína interrompe-
ram o uso por conta da gestação, e 50% interromperam o uso do álcool, após 
uma breve orientação sobre os riscos houve redução ainda maior do consumo 
de álcool e maconha, enquanto as tabagistas reduziram o número de cigarros 
consumidos diariamente (Tamashiro et al., 2020).
O uso de substância como cigarro e maconha durante a gestação per-
manece como um desafio significativo de saúde pública, mesmo diante das 
evidências científicas que apontam os riscos associados ao desenvolvimento 
fetal. A persistência desse comportamento entre gestantes está associada a 
uma complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos. A conti-
nuidade do uso dessas substâncias frequentemente se relaciona com o contexto 
socioeconômico e cultural. Estudos indicam que mulheres em situação de vulne-
rabilidade econômica, com menor acesso à educação ou pertencentes a grupos 
onde o uso dessas substâncias é socialmente aceito, têm maior probabilidade 
de continuar o consumo durante a gestação. Além disso, a normalização do uso 
da maconha em algumas regiões, devido à sua legalização ou descriminalização, 
pode minimizar a percepção dos riscos (Marangoni et al., 2022).
Gestantes que fazem o uso de cigarro e maconha frequentemente enfren-
tam altos níveis de estresse, ansiedade ou depressão, associados a fatores 
como gravidez não planejada, violência doméstica ou insegurança financeira. 
Nesses casos, o uso dessa substância pode ser percebido como uma forma de 
aliviar sintomas emocionais ou lidar com situações adversárias (Brasil, 2022). 
Além disso, a gravidez pode agravar questões pré-existentes de saúde mental, 
como transtornos de ansiedade ou depressão, levando ao consumo como uma 
forma de aliviar os sintomas.
Nesse contexto, as diretrizes do Programa Brasil Saudável (Brasil, 2025), 
lançado pelo Ministério da Saúde, reforçam a importância de ações integradas de 
promoção à saúde, prevenção e cuidado integral às populações em situação de 
vulnerabilidade, como as gestantes usuárias de substâncias psicoativas. O pro-
grama propõe a articulação entre atenção primária, serviços especializados e 
políticas intersetoriais, visando a redução das desigualdades sociais e a ampliação 
do acesso a serviços de saúde de qualidade. Dentre suas estratégias, destacam-se 
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o fortalecimento do pré-natal, a qualificação dos profissionais de saúde para o 
acolhimento e manejo dos casos de uso de substâncias, e o estímulo à criação 
de redes de apoio psicossocial para essas mulheres. A implementação efetiva 
dessas ações pode contribuir para a redução do uso de substâncias na gestação 
e para a promoção da saúde do binômio mãe-filho.
Nesse aspecto, destaca-se o papel do profissional enfermeiro junto às 
gestantes vulneráveis, especialmente no âmbito da Atenção Primária à Saúde, 
visto que este é o ponto de atenção mais próximo da população, com responsa-
bilidade pela longitudinalidade e coordenação do cuidado, garantindo atenção 
integral às mulheres. Nesse contexto, considerando o vínculo estabelecido com 
as mulheres no período gravídico-puerperal, o profissional enfermeiro se mostra 
fundamental para identificar agravos e intervir em tempo oportuno, contribuindo 
para a redução de morbimortalidade materna e infantil. 
Quanto aos fatores socioeconômicos das participantes observou-se 
que são mulheres jovens (21 a 43 anos), em idade fértil, com baixa renda (até 
dois salários-mínimos), a maioria com escolaridade até o ensino médio. Outro 
estudo (Bianchini et al., 2018), corrobora com estes dados, onde identificou 
que 90% das participantes estavam em idade fértil, entre 15 e 40 anos, e 30% 
tinham menos de 20 anos. O uso de substâncias psicoativas por mulheres e 
jovens tem aumentado muito nas últimas décadas, favorecendo danos à saúde, 
e maior probabilidade de se tornarem dependentes destas substâncias (San-
tana et al., 2021).
O fato de ser uma gestante dependente de substâncias psicoativas, tor-
na-se um problema de maior relevância, provocando diversas consequências 
de saúde ao binômio mãe-filho, como aborto, parto prematuro, baixo peso ao 
nascer, hipertensão arterial materna, eclampsia, entre outros, além de colaborar 
para o aumento dos índice de morbidade e mortalidade materno e infantil (WHO, 
2016). Verificou-se neste estudo que muitas das participantes já apresentavam 
comorbidades antes da gestação e que várias gestantes desenvolveram outras 
patologias associadas à gestação, sendo 60% HA, 25% infeção urinária, 15% 
anemia, 10% hiperemese gravídica e 5 % eclâmpsia e diabetes mellitus. Essas 
condições de saúde podem ser ocasionadas ou agravadas pelo uso de subs-
tâncias psicoativas.
104
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
Destaca-se que muitos fatores agravantes devido ao uso de substâncias 
psicoativas por gestante trazem consequências à saúde, tais como o abandono 
familiar, falta de condições socioeconômicas para sustentar à família, violência 
e maus-tratos e outros mais. Uma revisão sistemática no qual se verificou as 
consequências do uso de cannabis durante a gravidez e lactação identificou que 
os impactos de longo prazo na saúde psicológica da criança incluem aumento 
nas taxas de sintomas depressivos e ansiedade, bem como delinquência 
(Grant et al., 2020).
Nesse âmbito, a atuação do enfermeiro é fundamental, pois além de fazer 
articulação no âmbito da Rede de Atenção à Saúde frente às comorbidades e 
riscos das gestantes vulneráveis, considerando sua proximidade no contexto 
da Atenção Primária à Saúde, por meio do estabelecimento de vínculos de 
confiança, também atua em conjunto com os serviços de assistência social a 
fim de atender as questões sociais e econômicas, viabilizando a prevenção de 
agravos e redução de riscos às mulheres, crianças e suas famílias. 
As análises das variáveis não demonstraram neste estudo associação 
estatisticamente significativa, entretanto outros estudos apontaram algumas 
associações entre esses dados, como ser casada e ter concluído o ensino médio 
como fatores de proteção para o uso de substâncias psicoativas, enquanto idade 
materna superior a 24 anos foi um fator de risco (Arribas et al., 2021). Outro estudo 
verificou que mulheres com menor renda familiar tiveram associação com o uso 
de tabaco durante a gestação (Curry et al, 2022). Outros estudos corroboram 
com estes dados, onde verificaram que mulheres com menor escolaridade e a 
maior ocorrência de abandono escolar fizeram uso de tabaco, álcool e drogas 
ilícitas durante a gestação (Curry et al., 2022; Kassada et al., 2013; Crisóstomo 
et al., 2022; Porto et al., 2018). 
Um estudo indicou também a associação do tabagismo com a restrição 
de crescimento intrauterino, o etilismo com a anemia e as drogas ilícitas com as 
infecções de trato urinário alto. O uso das substâncias psicoativasapresentou-se 
também associado a menor idade da sexarca e gravidez na adolescência (Curry 
et al., 2022). Alguns estudos também fizeram associação entre o acompanhamento 
da gestante no pré-natal com o uso de substâncias psicoativas, onde averiguaram 
que o número inadequado de consultas de pré natal e ser multigesta aumenta 
em cinco vezes a chance de etilismo, enquanto a suplementação inadequada 
105
ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
aumenta em oito vezes o tabagismo. A participação em grupos de gestantes e 
a orientação de profissionais de saúde quanto ao risco de usar drogas de abuso 
durante a gestação atuaram como fatores de proteção (Kassada et al., 2013; 
Crisóstomo et al., 2022; Porto et al., 2018).
Considerando o exposto, é importante destacar que o instrumento ASSIST 
é um importante aliado durante as consultas de enfermagem para intervir nas 
situações de risco em populações vulneráveis, auxiliando no manejo dos casos 
de uso de substâncias.
Este estudo apresentou como limitação o pequeno tamanho da amostra, 
e foi realizado em apenas um serviço de saúde, restringindo o número de par-
ticipantes. Percebeu-se durante a coleta de dados que muitas gestantes têm 
medo de falar sobre a temática, por receio de perder a guarda do filho e outras 
omitem o uso de substância temendo denúncias ou punições, dificultando que 
intervenções mais efetivas possam ser realizadas. Deste modo, o vínculo entre 
o serviço e a gestante é fundamental para estabelecer relação de confiança 
e credibilidade, oportunizando orientações e a adesão ao plano terapêutico.
Ao identificar a prevalência do uso de substâncias psicoativas pelas parti-
cipantes, a pesquisa fornece dados essenciais para a elaboração de programas 
de prevenção e cuidados específicos. Na prática assistencial, esses achados 
podem orientar os profissionais de saúde, em especial o enfermeiro da Atenção 
Primária à Saúde, por seu vínculo de confiança estabelecido com a população, 
a adotarem abordagens mais eficazes no acompanhamento pré-natal, identi-
ficando gestantes em risco e oferecendo orientações personalizadas sobre os 
danos potenciais à saúde materno-fetal.
CONCLUSÃO
Neste estudo foi possível traçar o perfil socioeconômico das partici-
pantes, que eram mulheres jovens, a maioria em união estável, com ensino 
médio completo e possuíam mais de uma gestação. A patologia predominante 
desenvolvida durante a gestação foi a hipertensão arterial e infecção urinária.
Quanto à prevalência do uso de substâncias psicoativas durante a gesta-
ção, foram identificadas entre as participantes que 10% fizeram uso de tabaco 
106
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
e 5% de maconha. Não foram observadas correlações significativas entre o 
consumo das substâncias e os fatores socioeconômicos e de saúde investigados. 
Durante a gestação, ocorreu a redução do consumo de substâncias psi-
coativas pela maioria das mulheres, prezando por um desfecho favorável para 
mãe e prole. Diante desse cenário, é essencial que políticas públicas, tais como 
o Programa Brasil Saudável, que traz na diretriz: “II Redução das iniquidades e 
ampliação dos direitos humanos e proteção social com ênfase a ações de atenção 
a grupos populacionais específicos em territórios prioritários”, e nos objetivos 
02.5 “Intensificar a atenção a crianças, adolescentes, jovens, mulheres e pessoas 
idosas” e 02.9 “Intensificar a atenção às pessoas usuárias de álcool e/ou outras 
drogas e outros públicos específicos para determinadas doenças e infecções”, 
sejam desenvolvidas com foco na prevenção e no suporte às gestantes. 
A educação sobre os riscos associados ao uso de substâncias psicoa-
tivas, bem como o fortalecimento da saúde mental e da rede de apoio social, 
são estratégias fundamentais para reduzir a prevalência deste comportamento, 
a abordagem deve ser multidisciplinar, envolvendo profissionais de saúde, 
assistentes sociais e educadores.
Evidencia-se que há necessidade de seguimento e estabelecimento de 
vínculo de confiança com as mulheres, em especial na APS, para promover 
intervenções em tempo oportuno e de forma integral, englobando ações aten-
dam aos aspectos biopsicossociais. Nesse contexto, o profissional enfermeiro se 
apresenta como o principal responsável pelo seguimento das gestantes vulnerá-
veis, com importância fundamental para atingir às diretrizes do Brasil Saudável.
Além disso, pesquisas futuras são necessárias para avaliar a eficácia de 
intervenções direcionadas e para compreender melhor as consequências do uso 
de substâncias psicoativas durante a gestação. Estudos longitudinais podem 
oferecer dados valiosos sobre o desenvolvimento infantil em casos de exposi-
ção a substâncias, permitindo que estratégias de intervenção sejam ajustadas 
e aprimoradas. Assim, a discussão sobre o uso de substâncias psicoativas na 
gestação de alto risco deve continuar a evoluir, com o objetivo de promover a 
saúde materno-infantil de forma eficaz e abrangente.
107
ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
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SOBRE O ORGANIZADOR
Rossano Sartori Dal Molin
Obstetra e Sexólogo Clínico, Especialista em Gestão do Trabalho Pedagógico, 
Especialista em Anatomia Funcional, MBA em Gestão de Instituições de Ensino 
Superior, sendo esse último com estágio na University of Turku na Finlândia, onde 
desenvolveu estudos acerca da pedagogia da inovação e o uso de indicadores 
na gestão universitária. Especialista em Pedagogia Empresarial e Educação 
Corporativa e Especialista em Gestão em Saúde. Mestre pela Universidade Federal 
do Rio Grande do Sul - UFRGS, na linha de pesquisa intitulada Estudos e Práticas 
da Saúde da Mulher, Criança e Adolescente. Doutor em Pediatria e Saúde da 
Criança pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS, 
onde desenvolveu pesquisas na temática da asma infantil. Têm experiência na 
área da saúde e educação. Professor da FSG Centro Universitário e Diretor da 
Escola de Saúde Pompéia. 
Lattes: http://lattes.cnpq.br/2340234461009114
ÍNDICE 
REMISSIVO
A
Atenção Primária à Saúde: 69, 86, 87, 89, 96, 
103, 104, 105
C
COVID-19: 68, 69, 70, 71, 72, 73, 75, 76, 78, 79, 80, 
81, 82, 83, 84, 107
Cuidado Pré-Natal: 62, 69
D
Disforia de Gênero: 38, 39, 40, 44
E
Eclâmpsia: 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67, 99, 103
Enfermagem: 23, 24, 34, 35, 36, 60, 61, 62, 63, 
65, 66, 67, 69, 71, 80, 81, 82, 105
G
Garantia de Direitos Reprodutivos: 9, 27
Gestantes: 16, 20, 23, 30, 49, 59, 62, 66, 67, 68, 
69, 70, 71, 72, 73, 74, 75, 76, 77, 78, 79, 80, 81, 82, 
88, 93, 94, 95, 96, 97, 98, 99, 100, 101, 102, 103, 104, 
105, 106, 107, 108
Gestão Hospitalar: 25, 26, 28, 29, 30, 31, 32, 33
Gravidez de Alto Risco: 62
M
Mulheres Transgênero: 38, 40
P
Parto: 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 
22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 33, 34, 35, 36, 
48, 49, 50, 51, 54, 56, 57, 58, 59, 60, 66, 67, 74, 79, 
81, 87, 91, 103
Parto Humanizado: 10, 14, 15, 24, 26, 29, 30, 33, 
35
Pré-Eclâmpsia: 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67
Prevalência: 11, 48, 54, 55, 60, 63, 90, 92, 93, 95, 
99, 101, 105, 106, 107
Psicotrópicos: 92, 93
S
Saúde da Mulher: 22, 26, 27, 47, 71, 86, 87, 89
Saúde da Mulher: 22, 26, 27, 47, 71, 86, 87, 89
Saúde Materna: 23, 35, 62, 67
T
Trabalho de Parto: 19, 23, 36, 48, 57
Transversalidade: 86, 87, 88, 89, 91
V
Vaginoplastia: 37, 38, 39, 40, 42, 43, 44
Violência Obstétrica: 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 17, 
18, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 
33, 34, 35, 36, 47, 48, 49, 50, 51, 52, 53, 54, 55, 56, 
57, 58, 59, 60
Violência Obstétrica: 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 17, 
18, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 
33, 34, 35, 36, 47, 48, 49, 50, 51, 52, 53, 54, 55, 56, 
57, 58, 59, 60
Vulnerabilidade Social: 8, 9, 11, 16, 17, 18
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	01
	PARTO (DES) HUMANIZADO: AS CONSEQUÊNCIAS DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA EM PUÉRPERAS NA CONDIÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
	Janiely Silva Sousa
	Felipe Augusto Leques Tonial
	Amanda Castro
	Giorgia Kretzer Hinckel
	 10.37885/250819884
	02
	VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA E O PAPEL DA GESTÃO HOSPITALAR NA PROMOÇÃO DE BOAS PRÁTICAS NO PARTO E NASCIMENTO: UMA REFLEXÃO TEÓRICA
	Julyanne Maciel Maia Gonzales da Costa
	Fernando Gomes Ceccon
	Elitiele Ortiz dos Santos
	Camila Goulart de Bitencourte
	Maria Antônia Dutra Fernandes
	Bianca do Canto Silva dos Santos
	Vitória dos Santos de Andrade
	Jéssica Olinda Carvalho e Silva
	Láisa Emannuele Pereira Knapp
	Lisie Alende Prates
	 10.37885/250920078
	03
	CIRURGIA DE AFIRMAÇÃO DE GÊNERO EM MULHERES TRANS: PERSPECTIVAS CLÍNICAS, ÉTICAS E CIRÚRGICAS DA VAGINOPLASTIA
	Bruno Henrique Campos Afonso
	Beatriz Modesto Prata Reis
	Calebe Pereira Reis
	Douglas Reis Abdalla
	 10.37885/251020333
	04
	A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA E SUAS MANIFESTAÇÕES, FATORES ASSOCIADOS E REPERCUSSÕES NA SAÚDE DA MULHER: UMA REVISÃO DE LITERATURA
	Ana Caroline Borges Lustosa
	Aparício dos Anjos Sousa
	Bruno Enéas Rolim Paiva
	Gabriel Trindade de Carvalho
	Jaaziel de Carvalho Costa
	Jamilly Lima Silva
	Keren Araújo Gomes
	Maria Isabelly Sousa Santos
	Sarah Araujo Moura Felix
	Suyanne Freire de Macedo
	 10.37885/251020359
	05
	PRÉ-ECLÂMPSIA E ECLÂMPSIA: SINAIS, SINTOMAS E CUIDADOS DE ENFERMAGEM NA GESTAÇÃO DE ALTO RISCO
	Érika Piana Pontel
	Rossano Sartori Dal Molin
	 10.37885/251120530
	06
	PERSPECTIVAS DE GESTANTES EM PRÉ-NATAL NA ATENÇÃO BÁSICA NO CONTEXTO DA PANDEMIA DE COVID-19
	Maria Manoela Rodrigues
	Matheus Vinicius de Sene
	Alfredo Almeida Pina Oliveira
	 10.37885/251120531
	07
	CUIDADO AMPLIADO E TRANSVERSAL NA SAÚDE MENTAL MATERNA: UMA EXPERIÊNCIA NA APS EM PORTO VELHO
	Artur Ramos da Silva Neto
	Bianca Espindola
	Carlos José Ferreira Júnior
	Emile Rafaela Ferreira Lisboa Lopes
	Flávia Mayáre Freires Thomaz
	Giulya Mendes Ohira de Rossi
	Pedro Henrique Angeli Slemer
	Isabela Farias Gualberto Duarte
	Arlindo Gonzaga Branco Junior
	 10.37885/251220820
	08
	USO DE PSICOTRÓPICOS NA GESTAÇÃO DE ALTO RISCO: PREVALÊNCIA E FATORES ASSOCIADOS
	Gabriela Gubert Fernando
	Tatiana da Silva Melo Malaquias
	Leticia Gramazio Soares
	Alexandra Bittencourt Madureira 
	Maicon Henrique Lentsck
	Tatiane Baratieri 
	Marília Daniella Machado Araújo
	Kátia Pereira de Borba
	Sidiane de Moura Marochio
	Maria do Carmo Fernandez Lourenço Haddad
	 10.37885/251220844RATTNER; PEREIRA, 2018). Neste contexto, a violência obstétrica 
surge na antemão da integralidade no cuidado, devendo ser mapeada e discutida, 
para fins de desnaturalização da violência associada à dor do parto e visando 
a promoção à saúde no puerpério, de forma equânime (LANSKY et al., 2019). 
Considerando o exposto, o objetivo desta pesquisa é identificar as consequências 
da violência obstétrica em puérperas na condição de vulnerabilidade social.
12
A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
MÉTODO
Este artigo é uma revisão sistemática, sendo então uma pesquisa biblio-
gráfica de cunho descritivo. Foi utilizada a abordagem qualitativa. Uma pesquisa 
bibliográfica tem como objetivo esclarecer um problema de pesquisa, a partir 
de fundamentações científicas em bancos de dados bibliográficos (TREINTA 
et al., 2014). A elaboração da produção se realiza por meio de levantamento de 
materiais relacionados ao tema, e leitura integral dos artigos selecionados. Para 
obter uma produção concisa e coerente, é necessário constância nas leituras, 
com intuito de ser assertivo no embasamento teórico (LIMA; MIOTO, 2007).
De acordo com Lima e Mioto (2007), a pesquisa bibliográfica possui 
etapas para uma construção sistemática. Entre elas temos, como primeiro 
passo, a definição do percurso metodológico que busca exemplificar as ideias 
relacionadas ao tema. Em um segundo momento é necessário realizar a escolha 
dos procedimentos utilizados, que envolve a elaboração do projeto de pesquisa, 
investigação das soluções, análise explicativa das soluções e síntese integra-
dora. Como terceiro passo, temos a apresentação do percurso da pesquisa que 
contém detalhamento da investigação das soluções, análise explicativa das 
soluções e síntese integradora das soluções.
Uma revisão sistemática refere-se à produção acadêmica original que 
contém rigor metodológico, e utiliza-se de métodos específicos e sistemáticos 
para coleta e análise de dados de forma crítica. Nesse modo de pesquisa, 
sugere-se que seja elaborada em sete passos, sendo eles, formulação de per-
gunta, localização dos estudos, avaliação crítica dos estudos, coleta de dados, 
análise e apresentação dos dados, interpretação dos dados, aprimoramento e 
atualização da revisão (ROTHER, 2007).
Como passo inicial para a seleção de material, foi feita uma pesquisa 
em Banco de Dados (SciElo e BVS-psi), a partir dos seguintes descritores: 
Violência Obstétrica e hospitais públicos, sofrimento e parto, dor e parto (em 
português). No total, foram encontrados 62 artigos no Scielo, e 183 no BVS-
-psi. Em uma segunda etapa, foi realizada uma seleção dos artigos encontrados, 
considerando o ano de publicação de 2000 a 2019 e a assertividade em relação 
ao tema da pesquisa. A partir desta seleção, restaram 23 artigos pelo Scielo, 
e 06 no BVS- psi.
13
ISBN 978-65-83998-57-6 - Vol. 1 - Ano 2025 - www.cientificadigital.org
Discussão: Problematização quanto a Violência Obstétrica
A Violência obstétrica é uma realidade presente no Brasil que ocorre de 
forma naturalizada. Essa ação é frequente na assistência à gestação, parto e 
pós-parto, onde existe uma relação entre sofrimento e um saber que institui 
relações de poder entre os (as) profissionais de saúde e a mulher atendida. Esta 
correlação é estabelecida por um contexto histórico em que caracteriza a mulher 
como objeto de sofrimento, onde seu desejo é anulado (AGUIAR; D’OLIVEIRA, 
2011). “No contexto do parto a mulher é esquecida e tomada como objeto, um 
não sujeito, na medida em que tem a sua subjetividade desconsiderada nesta 
relação” (BARBOZA; MOTA, 2016, p.04). Segundo as autoras:
A violência que ocorre no contexto do parto é uma das formas de violência 
de gênero considerada como parte da rotina dos serviços de saúde, inserida 
aos fluxos das maternidades. Esta violência que muitas vezes é vivenciada pelas 
mulheres de forma silenciosa, por medo ou por opressão, produz angústia num 
momento em que deveria estar ocorrendo acolhimento e cuidado (BARBOZA; 
MOTA, 2016, p.04).
Historicamente, o parto era realizado por mulheres parteiras considera-
das figuras de saber. Neste contexto os cuidados com a mãe e a criança eram 
oferecidos no conforto de sua casa. Com as mudanças dos últimos séculos, o 
cenário do parto modifica-se para o contexto hospitalar: o (a) médico (a) como 
detentor do saber e controle dos corpos (COSTA, 2000).
Deste modo, a mulher deixa de escolher a forma que deseja seu parto 
e passa a responder por imposições no âmbito hospitalar que não são escla-
recidas, nem mesmo a gestante ou acompanhante da mesma são consulta-
dos (DINIZ, 2001).
No momento do parto, em muitos casos, a mulher encontra-se em uma 
situação desconfortável por não possuir voz diante as decisões sobre o seu 
corpo. Nesses casos, a mulher acredita que é incapaz de opinar sobre os pro-
cedimentos obstétricos realizados, considerando que em sua grande maioria os 
(as) profissionais presentes durante o parto hospitalar são do sexo masculino, 
vistos como figuras do poder-saber médico. Neste sentido, é possível constatar 
que há uma predominância da participação masculina nestes espaços, ainda 
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
que, historicamente, a realização do parto esteja associada a figura feminina 
como as parteiras (COSTA, 2000).
Dessa maneira, a violência obstétrica pode estar associada à violência 
institucional caracterizada por práticas discriminatórias em relação ao gênero, 
classe social e raça. A distinção que ocorre entre as mulheres atendidas, está 
relacionada a um conjunto de atributos, como ser mulher, pobre e de baixa 
escolaridade, caracterizando-as como objetos de intervenções médicas. Fatores 
como dificuldades econômicas e estruturais estão presente nos serviços públi-
cos como agravante deste cenário de violências, principalmente, nos hospitais 
públicos (AGUIAR; D’OLIVEIRA, 2011).
Em muitos casos, considerando a realidade socioeconômica de muitas 
famílias, as mulheres que realizam acompanhamento pelo SUS utilizam-se desse 
serviço por ser o único meio de acesso possível. Muitas vezes, durante a gesta-
ção e período de pós-parto, a mulher que adere ao serviço público encontra-se 
fragilizada por não ser acolhida, sendo negligenciada por alguns profissionais 
na omissão de cuidados (DINIZ et al., 2015).
Neste contexto, o desrespeito com as mulheres no atendimento está 
atrelado a uma cultura que estabelece quem é bem atendido e quem “não 
merece” tal assistência, mesmo sendo direito de todos (ASSIS, 2018). Este posi-
cionamento discriminatório expõe um comportamento machista, que defende 
o conceito de que “mulher tem mesmo é que sofrer”, legitimando ações que 
violam profundamente a vida de mulheres em seus diversos papéis sociais, 
sendo mães, filhas, esposas, trabalhadoras, amigas e cidadãs de direitos, que 
devem ser respeitadas (DINIZ, 2001).
Em função disso, novas formas de atender as mulheres na gestação foram 
instituídas no parto e pós-parto, com intuito de assegurar às pacientes atenção, 
acolhimento e um parto humanizado, com procedimentos adequados, onde a 
mulher se sinta parte do nascimento de seu filho ou filha. Desta forma hoje, no 
Brasil, o Parto Humanizado é um direito da mulher gestante, instituído no Brasil 
pela Portaria nº 569/GM, do Ministério da Saúde, levando em consideração os 
seguintes objetivos:
a. Proporcionar à gestante e ao recém-nascido um atendimento 
digno e de qualidade; b. Reduzir as altas taxas de morbimortalidade 
materna, perinatal e neonatal; c. Melhorar o acesso, a cobertura e 
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a qualidade do acompanhamento pré-natal, assistência ao parto 
e puerpério e assistência neonatal; d. Aprimorar a assistência à 
saúde da gestante nos níveis ambulatorial, básico e especializado;SOBRE O ORGANIZADOR
	ÍNDICE REMISSIVOe. Integrar todos os níveis da assistência à gestante, ao parto e ao 
recém-nascido; f. Implantar Centros de Regulação Obstétrica e 
Neonatal nos níveis estadual, regional e municipal, com atendimento 
rápido e qualificado, de acordo com a demanda da população 
específica, ou seja, a gestante e o recém-nascido (BRASIL, 2000, p.01).
No Brasil, o parto humanizado ainda precisa ser disseminado, pois atra-
vés dessa prática pode ser possível a desmistificação quanto ao parto normal 
como um procedimento muito dolorido que acarreta pavor entre as mulheres. 
Segundo Faúndes e Cecatti (1991), nos hospitais privados, o parto normal tam-
bém não é tão acessível às mulheres, em virtude do lucro e ganho de tempo, 
resultantes do procedimento da cesariana. O Brasil apresenta um dos maiores 
índices deste procedimento.
Os autores destacam que, na década de 1980, o procedimento de cesárea 
era realizado com uma taxa de 30,9% com base em uma amostra representativa 
da população em geral. Estes dados revelam que as cesáreas realizadas no 
Brasil possuíam uma ocorrência maior em mulheres que fazem parte de famílias 
com poder aquisitivo e renda mensal considerável (FAÚNDES; CECATTI, 1991).
Com isso, durante o procedimento do parto, seja ele normal ou cesárea, a 
mulher encontra-se assustada, angustiada e fragilizada, sendo necessário rece-
ber acompanhamento e apoio no que diz respeito a suas decisões. No processo 
de gestação, parto e pós-parto, a mulher possui direito ao parto humanizado 
estabelecido pela Portaria nº 569/GM do Ministério da Saúde, que assegura 
o cuidado à gestante em diversos procedimentos, sendo indispensável um 
(a) acompanhante durante todo o tempo em que a mulher estiver no hospital 
(BRASIL, 2000). Neste contexto, o papel do (a) acompanhante possibilita à 
mulher o acolhimento, visto que a atenção aos fatores relacionados ao parto 
podem prevenir ações desrespeitosas, uma vez que a mulher neste momento 
muitas vezes não possui condições de questionar os procedimentos utilizados, 
ou mesmo condições de se defender frente a violências, físicas e psíquicas.
De acordo com Diniz (2001), as mulheres ficam expostas para treinamento 
de técnicas no processo do parto, onde algumas manobras como episiotomia, 
fórceps e cesarianas, são realizadas sem o consentimento e esclarecimento 
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
da necessidade de realização de tal método. Essas ações são frequentes, prin-
cipalmente quando a mulher atendida faz parte de um contexto de pobreza, 
considerando que esses procedimentos são recomendados apenas em situações 
de extrema urgência.
Viver em condição de vulnerabilidade social, já é resultado de uma vio-
lência do Estado, onde os direitos fundamentais e os direitos humanos não são 
assegurados. A vulnerabilidade social pode ser definida por ausências diversas, 
sendo a precariedade no acesso a renda, desigualdade e fragilidade nos víncu-
los afetivos e relacionais como fatores principais (CARMO; GUIZARDI, 2018).
Ao atender este público, o (a) profissional de saúde não possui, em muitos 
casos, a atenção necessária nas informações prestadas. Isso ocorre por consi-
derar que as usuárias do serviço que estão inseridas no contexto da pobreza, 
não são “dignas” de receber um atendimento adequado (DINIZ et al., 2015).
A negligência de cuidados ocorre neste contexto não só pelo fato de ser 
mulher, mas, principalmente, quando se trata de uma parcela da população 
que vivencia diariamente o processo de exclusão. Nesta parcela se incluem as 
mulheres pobres, negras, adolescentes, prostitutas, usuárias de drogas, etc., 
vítimas de discriminação, preconceito e desumanização (DINIZ et al., 2015).
A violência aqui discutida não acontece por fatores isolados, e sim é resul-
tado de um conjunto de crueldades que possui o peso da distinção de classes 
sociais, o preconceito exposto pelo contexto em que vive a mulher, bem como 
por questões de gênero e a notória discriminação racial e de classe (ASSIS, 2018).
Mulheres em vulnerabilidade social estão mais propensas a qualquer 
tipo de violência. Neste cenário de dor e sofrimento, a negligência de cuidados 
é posta de forma explícita, e existente em diversos contextos, sendo comum o 
processo de exclusão a partir de suas características. Essa violência, presente 
na sociedade contemporânea, permite que a mulher seja vista como objeto 
o tempo todo, sendo o contexto hospitalar apenas um dos locais que violam 
constantemente as mulheres (DINIZ et al., 2015).
Outro ponto comum na vida de mulheres gestantes ou puérperas, em 
sua conjuntura social e econômica, é a falta de apoio e fragilidade existente 
no âmbito familiar, sendo a ausência paterna um fator frequente. Em função 
disso, o processo da gestação até o pós-parto é encarado pela mulher como 
algo difícil, e nessas circunstâncias, o puerpério é um momento que pode ser 
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considerado mais sobrecarregado para a mãe, visto que ocorrem mudanças 
significativas na dinâmica familiar com a chegada de um bebê. A mulher se 
encontra vulnerável por não ter com quem contar, e nesse sentido procura 
auxílio nos serviços públicos oferecidos, sendo que grande parte dessas mães 
não conhecem seus direitos e quando são vítimas de violência obstétrica, não 
compreendem o que lhe ocorreu.
A dor e desamparo experienciada por puérperas, provocam um conflito 
de sentimentos quanto à forma que foram atendidas no parto, período em 
que a mulher não consegue assimilar as variáveis causadoras de seu sofri-
mento. O processo de dor durante a gestação e o parto, ocorre por se tratar de 
um fenômeno biológico, porém, a história do parto possui uma naturalização 
da dor que é resultado também de uma construção sociocultural, onde sentir 
dor é normal, e desta forma, a mulher é criticada e julgada por expressar seu 
sofrimento (BARBOZA; MOTA, 2016).
As consequências da violência obstétrica em puérperas em vulnerabilidade 
social
As implicações da desumanização no parto manifestam-se na vida de 
puérperas em vulnerabilidade social de forma velada, sendo comum nessa 
situação a falta de clareza sobre a origem do seu sofrimento (AGUIAR; D’OLI-
VEIRA, 2011). A mulher sente-se envergonhada pela exposição do seu corpo e 
comentários inapropriados quanto a sua vida e o nascimento de seu filho (a). 
Sente-se invadida quanto às técnicas e procedimentos utilizados que lhe cau-
sam dor e desconforto, sente-se humilhada ao receberem frases moralizantes 
expressas pelos (as) profissionais presentes na sala de parto, sente-se inibida 
do seu desejo e angustiada com a contenção do seu corpo, que em algumas 
circunstâncias são amarrados na maca. Por fim, a mulher sente-se abandonada 
(FERNANDES; SÃO BENTO; XAVIER, 2019).
Esse cenário de abusos, onde procedimentos cruéis são utilizados sem 
necessidade, pode acarretar em óbitos. A moralização no momento do parto é 
um indício de não assistência conforme sua necessidade. Este fato ocorre não 
somente em mulheres com gravidez de risco, mas também por extensão do 
status social e econômico da mulher (LEAL, 2014).
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
É importante notar que as consequências da violência obstétrica, apre-
sentam-se na vida de puérperas de forma ativa, pois exercem profundos efeitos, 
como sofrimento que podem ser de curto ou de longo prazo. Após ser submetida 
a uma experiência de desumanização no parto, ao retornar a sua rotina, a mulher 
enfrenta seus dias com um vazio no processo de cicatrização, na tentativa de 
lidar com os conflitos internos e com falta de compreensão do que lhe ocorreu.
Torna-se perceptível que a violência obstétrica produz na mulher uma 
experiência de dor como fator biológico e sofrimento intenso ao passar por um 
processo de desumanização decorrentede questões sociais, fatores existentes 
em um modelo de cuidado que seleciona o público que pode receber cuidados 
e uma assistência adequada. Neste contexto, a mulher em vulnerabilidade social 
não recebe o mesmo tratamento que uma mulher pertencente a uma classe 
social mais elevada, que em geral é branca e com escolaridade superior. Em con-
sequência, vemos que a atenção dos (as) profissionais de saúde às mulheres 
em vulnerabilidade é reduzida se comparada à atenção prestada às mulheres 
de classes sociais prestigiadas em sociedade (BARBOZA; MOTA, 2016).
Neste sentido, percebemos que de fato existe uma dor no momento do 
parto que é de natureza biológica e comum, porém a discussão deste estudo 
contempla também um sofrimento que transcende a dor biológica. O sofrimento 
produzido na mulher em vulnerabilidade é decorrente do que denominamos, 
segundo Sawaia (2001), de sofrimento ético-político, atrelado ao processo 
de exclusão social, sendo de ordem socioeconômica, étnico-racial, gênero e 
geracional. A mulher inserida neste contexto é vista como inferior àquelas que 
estão nos espaços de poder em sociedade.
O conceito de sofrimento ético-político permite compreender as con-
sequências da violência obstétrica como parte de uma questão social consti-
tuída pela desigualdade. Com isso, a mulher em condição de vulnerabilidade 
social, em muitos casos, para além da dor natural e biológica do parto, carrega 
consigo um sofrimento que extrapola essa dor e se configura como parte de 
um processo de exclusão a que este sujeita em sua vida, sofrimento fruto de 
discriminação social.
O sofrimento derivado da violência obstétrica é resultado de injustiças 
sociais em que exclui essas mulheres de serem assistidas, sendo negligenciadas 
e desamparadas. O sofrimento ético-político retrata questões sociais que se 
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repetem historicamente, propiciando o sentimento de inferioridade e levando 
as pessoas nessas condições a acreditar que não possuem valor na sociedade, 
sendo colocadas no lugar de subalterno e inferior (SAWAIA, 2001).
Tentativas de contornar essa prática, a curto e longo prazo
No processo de reconhecer-se vítima, as puérperas enfrentam dificulda-
des em encontrar os recursos necessários para legitimar seus direitos. A cons-
cientização sobre a violação ocorrida desperta um sentimento de impotência 
que dificulta a busca dos recursos cabíveis de forma imediata. Deste modo, 
o não compartilhamento desse crime cometido intensifica o sofrimento da 
mulher, pois o período de silêncio pode durar anos, ou até mesmo toda uma 
vida, tornando-se assim, o desencadeador de processos como transtorno de 
ansiedade, estresse pós-traumático, depressão pós-parto em múltiplos níveis 
(SIPIÃO; VITAL, 2015). De acordo com Barboza e Mota (2016):
Por ser uma violência silenciosa e institucionalizada, os maus tratos às 
mulheres durante o trabalho de parto expressos através da violência 
física e psicológica provocam importante sofrimento psíquico 
nas mulheres, práticas que são naturalizadas e reproduzidas nas 
rotinas dos hospitais de todo o país (BARBOZA; MOTA, 2016, p.03).
A participação ativa dos (as) profissionais na assistência à gestação 
e puerpério é de suma importância na promoção de saúde e bem-estar da 
mulher, que deve receber cuidado integral ao corpo e ao emocional, na prática 
de humanização do parto. Desta forma, possibilita-se a vivência de momento 
de respeito. Contudo, na atuação do profissional de saúde, o processo de 
desamparo também é presente, pois estes não recebem apoio institucional que 
vise qualificar a humanização do trabalho prestado à comunidade. Este apoio 
poderia estar atrelado a rodas de conversas, supervisão de equipe, e acolhi-
mento ao (à) profissional em situações de desequilíbrio emocional, resultantes 
da sobrecarga diária.
Com a possibilidade de acolhida ao (à) profissional de saúde, o cenário 
de humanização do parto obteria potenciais para a efetivação desta ação na 
realidade dos hospitais públicos. De acordo com Barboza e Mota (2016):
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
A humanização no parto é adotada como política oficial no Brasil 
no ano 2000, com o Programa de Humanização no Pré-natal e 
Nascimento (PHPN), que foi lançado com o objetivo de abranger 
centenas de instituições e garantir a equidade/cidadania de todas 
as gestantes, com a efetivação de um atendimento integral e 
completo, como todos os exames preconizados e garantia de vaga 
para o parto, e com estímulos financeiros para os municípios que 
aderissem ao programa (BARBOZA; MOTA, 2016, p.09).
A importância da divulgação sobre o que define a violência obstétrica é 
uma das formas de prevenção que podem atenuar a incredulidade que o assunto 
ainda sofre. A divulgação deste fenômeno pode ser realizada através de meios 
de comunicação como, internet, redes sociais, TV, rádio, palestra em serviços 
públicos, panfletagem, etc.
O (a) profissional como um cidadão, também poderá ter acesso a maio-
res informações sobre a ocorrência deste fato, tendo implicações diretas em 
seu processo de trabalho, como a não omissão de informações sobre o que se 
trata a violência obstétrica. Não prestar informações à população também é 
uma forma de violência. A mulher em seu processo gestacional e de parturição 
deve ser a primeira a ser informada e esclarecida sobre os procedimentos em 
seu corpo (BARBOZA; MOTA, 2016).
Apesar de os meios de denúncias disponíveis não apresentarem a eficá-
cia necessária, as puérperas podem acessá-los como medida inicial. Os meios 
disponíveis, segundo Diniz et al. (2015), estão relacionados em:
Divulgar a Central de Atendimento à Mulher – Disque 180 e capacitá-la 
para receber denúncias de violência obstétrica: casos de violação 
dos direitos das mulheres na assistência ao pré natal, parto, 
pós-parto e abortamento devem ser encaminhados também à 
ouvidoria do serviço e do SUS, e mesmo ao Ministério Público 
(DINIZ et al., 2015, p.06).
Neste sentido, é necessário potencializar os meios de denúncias exis-
tentes, com a implantação de fiscalização pública na área da saúde, que visem 
à garantia de direitos da mulher gestante ou puérpera na prevenção de novas 
vítimas. O combate ao crime de violência obstétrica permite que os órgãos 
responsáveis apresentem medidas urgentes quanto ao enfrentamento desta 
violação dos direitos reprodutivos.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste artigo, pode-se problematizar o fato de que na violência obstétrica 
ocorre um domínio sobre o corpo da mulher. Este domínio caracteriza-se como 
uma relação de poder baseada na relação médico-paciente, tendo em vista o 
conhecimento teórico e técnico que os (as) profissionais de saúde possuem 
e a condição precária de acesso à informação destas pacientes. Assim, estas 
mulheres são colocadas em uma posição inferior ao não tomarem decisões 
sobre seu corpo. O ato de recriminar a mulher em sua fala ou comportamento é 
reflexo de uma sociedade machista que desvaloriza a mulher em seus diversos 
papéis sociais, legitimando ações violentas pautadas nas relações de gênero 
(COSTA, 2000). O sofrimento decorrente deste processo é caracterizado como 
sofrimento ético-político.
Outro dado interessante apresentado nesta pesquisa diz respeito a uma 
grande parcela de mulheres que recebem intervenções dolorosas durante a assis-
tência ao parto, caracterizando-as como população desfavorecida de cuidados, 
atenção e acolhimento, por sua condição socioeconômica. O preconceito em 
relação a este público é fruto de um processo de exclusão naturalizado social-
mente. Isso, por sua vez, submete as mulheres em situação de vulnerabilidade 
a uma situação de inferioridade, humilhação e desumanização no momento do 
parto, sendo este processo atravessado pelo que denominamos de sofrimentoético-político (SAWAIA, 2001).
Considerando o contexto de mulheres que não tiveram acesso à informa-
ção, surgem questões como: O que é a violência obstétrica? Quais os direitos da 
mulher gestante? O que se caracteriza como desumanização no parto? A falta 
dessas informações contribui para que tais ações de violência continuem acon-
tecendo na assistência à gestante, no parto e pós-parto. Ao ampliar tais infor-
mações, torna-se possível a garantia dos direitos reprodutivos, permitindo que 
essas mulheres sejam cuidadas, acolhidas e principalmente respeitadas. Com 
essas ações de cuidado, a mulher sente-se empoderada, segura e amparada 
diante ao seu processo reprodutivo e adquire, então, a autonomia sobre sua vida 
e sobre as intervenções realizadas em seu corpo (SILVA; SILVA; LÉBEIS, 2014).
Desta forma, as consequências da violência obstétrica na vida dessas 
mulheres, deixam marcas do medo, da vergonha e da culpa, em razão das 
violências físicas e psíquicas sofridas, decorrentes da desigualdade social que 
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
institui o merecimento em receber uma assistência adequada, reforçando uma 
já marcada por processos de exclusão.
Falar sobre as consequências da violência obstétrica na vida de mulheres 
é falar sobre a diversidade de negligências que ocorrem no decorrer da vida, 
sejam por parte do Estado, da família ou da sociedade em um sentido mais amplo. 
Cabe, então, ampliar o conhecimento a respeito destas violências, e garantir a 
mulher o direito de ser cuidada, de ser acolhida, e principalmente, respeitada 
(NAGAHAMA; SANTIAGO, 2008), independente da situação social em que esta 
se encontra. Conforme Silva, Silva e Lébeis (2014), a humanização do parto é 
uma forma de devolver a mulher, a autonomia, o poder sobre seu corpo, o prazer 
com a chegada da criança e a confiança no processo e nos (as) profissionais.
O sofrimento das mulheres no Brasil pode ser também consequência da 
violência obstétrica, o motivo que causa sofrimento em suas vidas nem sempre é 
acessível, visto que sofrer no parto é considerado algo “normal” em uma cultura 
de dor e sofrimento (BARBOZA; MOTA, 2016).
Assim, é necessária a conscientização dos envolvidos no processo da 
gestação, parto e pós-parto, sendo os (as) profissionais, usuárias do serviço e 
acompanhantes, encarregados em proporcionar à mulher autonomia na partici-
pação de seu próprio ciclo de vida (SILVA; SILVA; LÉBEIS, 2014). As formas de 
prevenção e promoção da saúde da mulher devem ser realizadas quanto saúde 
pública em espaços comunitários e serviços públicos. Medidas de cuidados 
como palestras, panfletagem, oficinas e grupos de apoio psicossocial devem 
ser adotados em conjunto ao pré-natal desde o início da gestação, visando 
estratégias de enfrentamento ao combate a violência obstétrica, garantindo 
fácil acesso à informação de qualidade, bem como os meios de denúncias na 
conscientização da mulher sobre seus direitos reprodutivos.
Por fim, cabe salientar que em sua atuação, a psicologia contribui com 
ações de inclusão na garantia dos direitos humanos. Dispõe de atenção integral 
ao ser humano, oferecendo escuta qualificada, acolhimento, apoio e empatia, 
estando atenta ao discurso do sujeito em sofrimento, para que não ocorram 
negligências no decorrer deste processo. Em situações em que há violação de 
direitos, é fundamental o acompanhamento e apoio psicossocial, direcionados 
pelos órgãos responsáveis, a fim de legitimar o ocorrido com ações pertinentes 
à garantia de direitos, onde o (a) profissional pode orientar sobre os meios de 
denúncias, a fim de prevenir novos casos de violência obstétrica.
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 VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA E O PAPEL DA 
 GESTÃO HOSPITALAR NA PROMOÇÃO DE 
BOAS PRÁTICAS NO PARTO E 
NASCIMENTO: UMA REFLEXÃO TEÓRICA
Julyanne Maciel Maia Gonzales da Costa
Fernando Gomes Ceccon
Elitiele Ortiz dos Santos
Camila Goulart de Bitencourte
Maria Antônia Dutra Fernandes
Bianca do Canto Silva dos Santos
Vitória dos Santos de Andrade
Jéssica Olinda Carvalho e Silva
Láisa Emannuele Pereira Knapp
Lisie Alende Prates
https://dx.doi.org/10.37885/250920078
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
RESUMO
Esta reflexão teórica teve como objetivo analisar o papel da gestão hospitalar 
na prevenção da violência obstétrica e na promoção de boas práticas no parto e 
nascimento. Apesar de muitas vezes invisibilizada e naturalizada, essa violência 
compromete a qualidade de vida pós-parto, a amamentação e a saúde mental 
das puérperas, gerando medo, angústia e solidão. Nesse cenário, a gestão 
hospitalar surge como elemento estratégico para a prevenção e enfrentamento 
do problema. Seus principais papéis incluem: estabelecer protocolos e diretri-
zes baseados em evidências; promover capacitação e educação permanente 
em comunicação não violenta e parto humanizado; monitorar a qualidade do 
atendimento por indicadores e satisfação das pacientes; criar canais seguros 
de denúncia e acolhimento; e investir em infraestrutura e recursos humanos 
adequados. Destaca-se a Educação Permanente em Saúde como eixo central 
para qualificação contínua e transformação das práticas. Ao estimular uma 
cultura institucional de respeito, empatia e humanização, a gestão não apenas 
cumpre seu dever, mas favorece uma assistência obstétrica de qualidade, 
tornando o parto uma experiência de empoderamento e bem-estar para as 
mulheres. Embora apresente limitações por não abordar especificidades regio-
nais nem a evolução das políticas, esta reflexão oferece subsídios relevantes 
para gestores e profissionais, reforçando a urgência de práticas humanizadas 
no cuidado materno.
Palavras-chave: Violência obstétrica; gestão hospitalar; parto humanizado; 
saúde da mulher.
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INTRODUÇÃO
A violência obstétrica constitui uma violação dos direitos das mulheres, 
com consequências significativas para sua saúde física e mental. Trata-se de 
um tipo de violência exercida por profissionais de saúde durante o atendimento 
à mulher na gestação, parto, pós-parto ou abortamento, manifestando-se por 
ações, omissões ou condutas que provoquem sofrimento físico, psicológico ou 
sexual, além da perda de autonomia e do poder de decisão sobre seu corpo e 
seu processo reprodutivo. Isso inclui desde a negação de direitos básicos até a 
medicalização excessiva do parto (Zanardo et al, 2017; Medeiros; Nascimento, 
2022; Leite et al, 2024).
Para orientar a assistência à saúde da mulher, o Brasil dispõe de políticas 
e diretrizes específicas, como a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde 
da Mulher (PNAISM), que estabelece a promoção da saúde, a prevenção de 
agravos e a garantia de direitos reprodutivos. Além disso, as Diretrizes Nacionais 
de Atenção ao Parto e Nascimento e a Política Nacional de Humanização do 
Parto e Nascimento (PNH) fornecem um referencial para a prática de cuidados 
humanizados, centrados na mulher, respeitando sua autonomia, escolhas e 
protagonismo. Embora essas políticas ofereçam uma base sólida sobre como 
a assistência deveria ocorrer, ainda é necessário avançar na sua efetiva imple-
mentação nos serviços de saúde, garantindo que os princípios previstos se 
traduzam em práticas concretas.
Apesar de frequentemente ser invisibilizada e naturalizada, a violência 
obstétrica pode comprometer profundamente a vivência da maternidade. 
Estudo com 385 puérperas, por exemplo, verificou que a violência obstétrica 
afeta diretamente a qualidade de vida pós-parto, impactando na saúde men-
tal, autoestima e sintomas de estresse pós-traumático (Kohan; Mena-Tudela; 
Youseflu, 2025). A pesquisa “Nascer no Brasil” evidenciou que mulheres que 
vivenciam situações de violência obstétrica podem encontrar menor apoio da 
equipe de saúde no estabelecimento da amamentação. É possível também 
que os efeitos negativos da violência obstétrica estejam associados a um risco 
aumentado de desenvolver depressão e outros transtornos mentais no pós-
-parto, os quais também interferem na prática e continuidade do aleitamento 
materno (Leite et al, 2023).
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
Estudo no Peru com 139 mulheres revelou que todas relataram violên-
cia física e 97,8% violência psicológica durante o parto. Após essas situações, 
relataram sintomas como medo, angústia, ansiedade, frustração e sensação de 
solidão (Marcos-Garces et al, 2025).
Nesse cenário, a gestão hospitalar desempenha um papel estratégico 
e inadiável na prevenção e no enfrentamento dessa problemática. Ao assumir 
seu papel na promoção de boas práticas, a gestão pode transformar o ambiente 
institucional em um espaço de acolhimento, respeito e cuidado humani-
zado. A implementação de protocolos baseados em evidências, a capacitação 
contínua das equipes, o monitoramento da qualidade assistencial e o estímulo 
à cultura do respeito e da escuta são ações fundamentais para garantir o pro-
tagonismo da mulher no processo de parto e nascimento (Souza et al, 2018). 
Diante disso, este trabalho teve como objetivo refletir sobre o papel da gestão 
hospitalar na prevenção da violência obstétrica e na promoção de boas práticas 
no parto e nascimento.
MÉTODO
Este estudo caracteriza-se como uma reflexão teórica, a qual consiste em 
uma abordagem metodológica que possibilita o exame crítico e sistematizado 
de conceitos, práticas e teorias existentes, buscando aprofundar a compreensão 
sobre determinado tema a partir da análise da produção científica, documentos 
oficiais e referências conceituais pertinentes (Minayo, 2014; Gil, 2019).
De acordo com Lakatos e Marconi (2017), a reflexão teórica permite ao 
pesquisador construir um arcabouço conceitual consistente, sem a necessi-
dade de coleta de dados empíricos, privilegiando a revisão crítica de literatura 
e a interpretação fundamentada. Esse método é especialmente indicado para 
trabalhos que buscam problematizar e ampliar o debate em áreas que deman-
dam compreensão contextualizada, como as práticas de gestão hospitalar e os 
desafios na humanização do parto.
Para a elaboração desta reflexão, foram selecionadas publicações cien-
tíficas sobre violência obstétrica, gestão em saúde e políticas de humanização, 
com busca realizada na Biblioteca Virtual em Saúde em junho de 2025. A aná-
lise e a discussão dos conteúdos seguiram os papeis e as ações atribuídas à 
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gestão hospitalar para a promoção de ambientes seguros, respeitosos e éticos 
no cuidado obstétrico (Minayo, 2014).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A gestão hospitalar pode representar elemento estratégico na transfor-
mação do cuidado obstétrico. Além de administrar recursos e infraestrutura, 
pode ser responsável por promover uma culturainstitucional que valorize o parto 
humanizado, o respeito aos direitos das mulheres e a segurança do paciente. 
Entre os principais papeis da gestão hospitalar na promoção de boas práticas 
e na erradicação da violência obstétrica, destacam-se: 1) o estabelecimento 
de protocolos e diretrizes; 2) a capacitação e educação permanente dos pro-
fissionais; 3) o monitoramento e avaliação da qualidade do atendimento; 4) a 
criação de canais de denúncia e acolhimento; 5) o investimento em infraes-
trutura e recursos; e 6) a promoção de um ambiente pautado no respeito e na 
humanização do cuidado.
A implementação de protocolos e diretrizes claras e fundamentadas em 
evidências é fundamental. Tais documentos podem desencorajar intervenções 
desnecessárias, promover a fisiologia do parto e assegurar o consentimento 
livre e informado, conforme recomendam a Organização Mundial da Saúde 
e as Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal (Brasil, 2017; Who, 
2018; Menezes et al, 2020). A pesquisa sinaliza que a utilização de protocolos 
assistenciais padronizados incentiva a realização de intervenções eficazes e 
desencoraja aquelas que se mostram ineficazes ou potencialmente prejudiciais 
(Mehndiratta et al, 2017).
A gestão deve investir também em ações de capacitação e educação 
permanente dos profissionais. A Educação Permanente em Saúde (EPS) é 
um conceito dinâmico e transformador, essencial para a qualificação contí-
nua das práticas profissionais no Sistema Único de Saúde (SUS) e em outros 
contextos de cuidado. Diferente da educação continuada, que se concentra na 
atualização pontual de conhecimentos e técnicas por meio de cursos e treina-
mentos, a EPS se configura como um processo de aprendizagem-trabalho que 
ocorre no cotidiano das instituições e dos serviços de saúde. Ela se pauta na 
problematização do processo de trabalho, na reflexão crítica sobre as práticas 
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de gênero e de saúde
e na construção coletiva de soluções para os desafios enfrentados no dia a dia 
(Brasil, 2004; Ceccim, 2005).
A EPS vai além da qualificação individual; ela busca a reorganização 
dos processos de trabalho e a integração entre ensino, gestão, atenção e 
controle social. Sua finalidade é promover a melhoria da qualidade dos serviços 
de saúde, a humanização do cuidado e o fortalecimento do SUS, garantindo 
que as práticas estejam sempre alinhadas às necessidades da população e aos 
princípios da integralidade, equidade e universalidade (Ceccim; Feuerwerker, 
2004; Gigante; Campos, 2016). Em síntese, a EPS é uma ferramenta estratégica 
para a mudança nas práticas de saúde, impulsionando a inovação e a capacidade 
de resposta dos sistemas de saúde aos desafios contemporâneos.
Nas ações de formação profissional, é importante abordar sobre comu-
nicação não violenta, direitos das gestantes, técnicas de manejo da dor e parto 
humanizado. Ainda deve ser reforçada a importância de escuta ativa e de empatia 
no atendimento às pacientes, além de ações que promovam a autonomia e o 
protagonismo das mulheres (Bohren et al, 2015; Menezes et al, 2020; Pinto et al, 
2021; Adriani et al, 2023; Azevedo et al, 2023; Leite et al, 2024; Yalley et al, 2024). 
A revisão aponta que a falta de capacitação e de educação permanente 
dos profissionais está associada à realização de técnicas inadequadas, configu-
rando-se como um obstáculo à implementação das boas práticas de atenção ao 
parto e nascimento (Oliveira et al, 2020). Portanto, entende-se que a importância 
de investimento institucional para a realização destas ações, pois elas podem 
contribuir para a sensibilização da equipe no reconhecimento e na prevenção 
da violência obstétrica, configurando como aspecto imprescindível no contexto 
da formação de profissionais (Menezes et al, 2020; Cardoso et al, 2023; Leite 
et al, 2024; Mesquita et al, 2024).
Outro aspecto relevante da atuação da gestão hospitalar diz respeito ao 
monitoramento e à avaliação da qualidade do atendimento, considerando 
que a disponibilidade e o uso adequado das informações em saúde são essen-
ciais para subsidiar a tomada de decisões. (Nicolotti; Lacerda, 2022). Para isso, 
podem ser utilizadas estratégias como a criação de instrumentos para verificar 
a satisfação das pacientes e seus acompanhantes, a análise de indicadores rela-
cionados aos desfechos obstétricos (como taxas de cesariana, parto, episiotomia, 
amamentação na primeira hora de vida) e a realização de auditorias internas. 
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Estudo desenvolvido com 78 puérperas em unidade obstétrica demonstrou 
a necessidade de considerar a satisfação das usuárias, visando a melhoria da 
assistência. Os autores consideram que a avaliação da satisfação representa 
um indicador de qualidade da assistência ao nascimento (Queiroz et al, 2007). 
Portanto, infere-se que o monitoramento e a avaliação da qualidade do atendi-
mento podem auxiliar na identificação de fragilidades e na implementação de 
ações direcionadas para a melhoria contínua dos serviços.
Ainda se considera que o monitoramento e a avaliação da qualidade do 
atendimento podem se dar por meio da criação de canais de denúncia e aco-
lhimento. É essencial que os hospitais implementem canais de denúncia que 
sejam seguros e de fácil acesso, permitindo que as mulheres relatem casos de 
violência obstétrica (Leite et al, 2024). Além disso, deve-se oferecer um serviço 
de acolhimento e suporte psicológico às mulheres que sofreram violência obs-
tétrica, garantindo que suas queixas sejam ouvidas, acolhidas e investigadas 
com transparência, imparcialidade e responsabilidade (Aguiar, 2010).
Tese sobre a violência institucional em maternidades públicas destaca 
a dificuldade que as mulheres enfrentam para denunciar casos de violência 
obstétrica e ressalta a importância da criação de espaços de ouvidoria e 
acolhimento para essas situações (Aguiar, 2010). Na mesma direção, revisão 
epidemiológica reforça que a denúncia é uma ferramenta essencial para que 
as mulheres possam expor situações de violência obstétrica ocorridas em qual-
quer etapa do ciclo reprodutivo. Nesse sentido, é fundamental que os serviços 
de saúde estimulem não apenas as mulheres, mas também seus familiares/
acompanhantes e profissionais da área, a relatarem essas situações, garantindo 
a existência de canais de comunicação apropriados, seguros e acessíveis para 
esse propósito (Leite et al, 2024).
O investimento em infraestrutura e recursos também representa uma 
atribuição da gestão hospitalar, sendo essencial para a prevenção da violência 
obstétrica e a promoção de boas práticas no parto e nascimento. A oferta de 
uma infraestrutura adequada, com salas de parto que assegurem conforto e 
privacidade, aliada à presença de recursos humanos em número suficiente 
e com qualificação adequada, são fatores que favorecem a adoção de boas 
práticas e contribuem para a redução da violência.
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de gênero e de saúde
A pesquisa “Nascer no Brasil” evidenciou que muitas instituições hospi-
talares apresentavam escassez de equipamentos e ausência de profissionais 
especializados (Bittencourt et al., 2014). Nessa perspectiva, estudos apontam 
que deficiências na infraestrutura hospitalar, a falta de leitos e a carência de 
profissionais de saúde contribuem para a ocorrência da violência obstétrica 
(Menezes et al., 2020; Leite et al., 2024). Corroborando com esse panorama, 
pesquisa de abordagem qualitativa realizada na região Sul do Brasil com 23 
médicos destacou a necessidade de melhorias estruturais nas instituições como 
estratégia para prevenir práticas de violência obstétrica (Sens; Stamm, 2019).
Logo, considera-se que todos os aspectos mencionados contribuem 
para a promoção de um ambiente pautado no respeito e na humanizaçãodo cuidado. Para isso, é essencial que a cultura organizacional hospitalar seja 
fundamentada em valores como respeito, empatia e acolhimento. Essa postura 
deve se refletir tanto nas relações entre os profissionais da equipe quanto no 
atendimento prestado às pacientes e seus familiares, promovendo um ambiente 
seguro, acolhedor e humanizado (Brasil, 2013; Brasil, 2014).
Estudo destaca que a humanização exige uma postura profundamente 
humana baseada em dignidade, respeito e acolhimento por parte dos profis-
sionais. Os autores destacam que os valores e princípios éticos devem permear 
todas as atividades institucionais para promover um cuidado solidário e humano 
(Backes; Lunardi; Lunardi Filho, 2006). Sob a mesma perspectiva, pesquisa 
aponta que a cultura organizacional pode favorecer a implementação de ações 
voltadas à humanização (Calegari; Massarollo; Santos, 2015).
Diante do exposto, a análise dos estudos permite ponderar que a gestão 
hospitalar se destaca como um elemento fundamental e estratégico para a 
transformação do cuidado obstétrico, atuando não apenas na administração 
de recursos e infraestrutura, mas também na promoção de uma cultura orga-
nizacional pautada em valores essenciais como respeito, empatia e humaniza-
ção. A adoção de protocolos claros, a capacitação contínua dos profissionais, 
o monitoramento rigoroso da qualidade do atendimento, a criação de canais 
seguros para denúncias e o investimento em infraestrutura adequada são ações 
essenciais para prevenir a violência obstétrica e fomentar práticas respeitosas e 
humanizadas. Dessa maneira, o fortalecimento dessa cultura institucional, aliado 
à garantia de condições adequadas para o desempenho dos profissionais, resulta 
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em uma significativa melhoria na experiência das mulheres e seus familiares 
durante o parto, constituindo um compromisso ético e social indispensável para 
a qualidade da assistência obstétrica.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A violência obstétrica é uma violação grave dos direitos das mulheres 
que precisa ser combatida. Nesse cenário, a gestão hospitalar desempenha 
um papel estratégico na sua erradicação, assumindo uma responsabilidade 
ética, legal e social. Cabe às instituições de saúde atuar de maneira proativa, 
implementando políticas efetivas, promovendo a capacitação contínua das 
equipes, monitorando a qualidade do atendimento e fortalecendo uma cultura 
institucional pautada no respeito, na dignidade e na humanização do cuidado. 
Isso inclui a adoção de protocolos claros, a criação de canais eficazes 
para denúncias e a garantia de um ambiente acolhedor e seguro para as 
mulheres. Ao priorizar o cuidado respeitoso à vida, os hospitais não apenas 
cumprem seu dever institucional, mas também contribuem para uma sociedade 
mais justa e para que a vivência do parto se transforme em um momento de 
empoderamento, bem-estar e satisfação para as mulheres.
Esta reflexão teórica pode ser considerada limitada por ter sido produzida 
a partir de estudos secundários, que não contemplam todas as particularidades 
regionais e contextuais das instituições hospitalares, especialmente em um 
país com desigualdades territoriais marcantes como o Brasil. Outra limitação 
refere-se à constante evolução das práticas de saúde e das políticas públicas, o 
que pode tornar algumas referências bibliográficas parcialmente desatualizadas 
diante das mudanças recentes no cenário da atenção obstétrica.
Por outro lado, esta reflexão aborda fatores atrelados aos papeis da gestão 
hospitalar para a promoção do parto humanizado e a prevenção da violência 
obstétrica. Destaca a importância de uma cultura organizacional centrada em 
valores como respeito, empatia e acolhimento, ampliando a compreensão sobre 
o papel estratégico da gestão para além da administração de recursos. Ademais, 
ressalta medidas concretas, como a implementação de protocolos, capacitação 
profissional e canais de denúncia, que podem subsidiar gestores e formuladores 
de políticas na tomada de decisões para a melhoria da assistência obstétrica. 
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A Transversalidade na Assistência à Saúde da Mulher no Brasil: um olhar para as condições sociais, culturais, 
de gênero e de saúde
Assim, contribui para o avanço do debate acadêmico e para a sensibilização de 
profissionais e gestores quanto à urgência de práticas humanizadas no cuidado 
às mulheres durante o parto.
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