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1 (ECG) Eletrocardiograma normal → Posição do Coração no Tórax O ventrículo direito ocupa a maior parte da área cardíaca quando visto de frente (RX PA); já o ventrículo esquerdo, câmara que detém a maior quantidade muscular, pode ser visto no RX lateral: é possível observá-lo atrás do ventrículo direito. Pelo ventrículo esquerdo ser a porção cardíaca com maior quantidade de massa muscular, o vetor médio da despolarização (também referida como resultante das forças) se dirige para a esquerda, para baixo e para trás (o ventrículo esquerdo fica atrás do VD). → Teoria do Dipolo (despolarização e repolarização) ● Despolarização Toda vez que a despolarização segue do polo negativo de uma derivação para o polo positivo, cria-se no traçado eletrocardiográfico uma onda de deflexão positiva, como observado abaixo. Quando esse impulso elétrico se propaga, afastando-se do eletrodo positivo e indo em direção ao eletrodo negativo, será gerada uma onda de deflexão negativa. Em outras palavras, na despolarização: se foi em direção ao eletrodo positivo, onda positiva. Se foi em direção ao eletrodo negativo, onda negativa. ● Repolarização Toda vez que a onda se propaga em direção ao eletrodo positivo, cria-se uma onda negativa. Quando a onda segue em direção ao eletrodo negativo, cria-se uma onda positiva. GRAVAR DESPOLARIZAÇÃO. PENSAR NA REPOLARIZAÇÃO COMO O OPOSTO. → Determinantes da amplitude das ondas no ECG 1. Quanto maior a célula miocárdica (quanto mais hipertrofiada a massa muscular), maior o vetor e maior a amplitude das ondas. 2. Orientação espacial: Ao pensar em orientação espacial, deve-se ter em mente o plano frontal do coração. Esse plano é representado por 6 derivações, chamado sistema hexaxial (o centro do círculo abaixo é o nódulo AV). 2 Quanto mais o vetor for paralelo com a derivação de escolha (olho observacional), maior será a sua amplitude no traçado eletrocardiográfico. Quanto mais o impulso elétrico (vetor) coincide (fica paralelo) com a direção do ponto de observação (derivação) escolhido (p. Ex.: DI ou aVF), mais ampla é a deflexão dessa onda no registro eletrocardiográfico. Se esse mesmo vetor fosse oblíquo em relação a derivação em questão, a onda registrada também seria positiva, mas com menor amplitude. Por convenção, a inscrição negativa no traçado significa que o vetor (impulso) está se distanciando do ponto de observação (que é a extremidade positiva da derivação). Da mesma forma, a inscrição positiva no traçado do ECG significa que o vetor (impulso) está se aproximando do ponto de observação (derivação, p. Ex.: D1). Na repolarização isso se inverte. → As ondas do ECG ● A onda P representa a despolarização atrial ○ Inicia-se a partir do nó sinoatrial (marcapasso fisiológico) ● Em seguida, o segmento PR, uma pequena linha reta após a onda P ○ Trata-se de uma pausa fisiológica que ocorre no nó atrioventricular ○ O impulso elétrico está parado, por isso se chama isoelétrico ○ A pausa se dá para que ocorra o enchimento ventricular ○ O intervalo PR compreende a onda P e esse pequeno segmento ■ Todo intervalo é a junção de um segmento e uma onda ● O complexo QRS representa a despolarização ventricular ○ Note que a repolarização atrial se encontra “escondida” nesse complexo ● A onda T representa a repolarização ventricular Observações: 1. Se uma despolarização traçar os eletrodos perpendicularmente, será isoelétrica (ou isodifásica), onde a resultante das forças é próxima de zero, ou seja, a positividade é igual a negatividade. 2. A ponta da seta indica onde está a positividade da derivação, ou seja, onde está o eletrodo positivo. 3 → Despolarização atrial: onda P O sentido que os átrios despolarizam segue sempre o trajeto fisiológico das ondas elétricas: do nó sinoatrial em direção ao átrio direito e esquerdo, assim como em direção do nó atrioventricular. → Despolarização ventricular: complexo QRS O complexo QRS nem sempre se dá da forma tradicional. A primeira onda negativa do QRS é chamada de Q, a primeira onda positiva de R e a segunda onda negativa (ou a primeira negativa depois de uma positiva) é chamada de S. Não necessariamente estarão presentes todas as ondas. A grafia minúscula e maiúscula devem ser dadas de acordo com a amplitude das ondas (utilizar as próprias ondas do QRS como referência). Independentemente de seu padrão, esses complexos indicam a despolarização ventricular. Lembre-se: essas variações acontecem em detrimento das diferentes derivações. A despolarização ventricular se inicia na parede septal (impulso que descende do nó A-V), afastando-se da resultante das forças (portanto forma uma onda inicialmente negativa, representada pelo Q) afinal o ramo esquerdo é responsável pela despolarização de ⅔ do septo interventricular, o que cria um vetor que se distancia da resultante das forças (que é o polo mais positivo). Logo em seguida, o vetor vai em direção da parede livre do ventrículo esquerdo, que coincide com a resultante das forças, formando uma onda positiva R. Por último, o vetor segue em direção à parede posterolateral do ventrículo esquerdo (base do coração), distanciando-se novamente da força resultante (que é para baixo, esquerda e para trás), formando uma onda negativa S. 4 Atente-se na direção das setinhas de cada etapa e na localização do eletrodo explorador (quando a resultante é contrária a localização do eletrodo explorador, cria-se uma onda negativa e quando a resultante vai a favor do eletrodo explorador, cria-se uma onda positiva): → Posição dos eletrodos bipolares BD- ↔ BE+ = derivação D1 (0º) BD- ↔ PE+ = derivação D2 (60º) BE- ↔ PE+ = derivação D3 (120º) → Posição dos eletrodos unipolares BD+ → avR (-150º) BE+ → avL (-30º) PE+ → avF (90º) A soma dos eletrodos bipolares e unipolares forma as 6 variações do plano frontal (sistema hexaxial). Todos esses são posicionados nos membros (braços e pernas). → Plano horizontal (precordial) V1: quarto espaço intercostal paraesternal direito V2: quarto espaço intercostal paraesternal esquerdo V4: quinto espaço intercostal linha hemiclavicular esquerdo V3: ponto médio entre o V2 e V4 V5: quinto espaço intercostal linha axilar anterior V6: quinto espaço intercostal linha axilar média V3r: hemicorpo oposto, mesma posição V4r: hemicorpo oposto, mesma posição 5 Esses eletrodos formam 6 variações do plano precordial. Seu posicionamento é no tórax; todos são positivos. Se somarmos todas, existem 12 variações (plano frontal+precordial). → Repolarização ventricular: porque a onda T é positiva Durante a despolarização, o vetor segue em direção ao epicárdio; na repolarização, o vetor segue em direção ao endocárdio. Tendo isso em mente, sabe-se que a repolarização ventricular cria a onda T positiva, afinal está se distanciando da resultante das forças (polo positivo), que fica no epicárdio. Na repolarização, quando o vetor se aproxima do polo negativo, cria uma onda positiva (oposto da despolarização, que se torna negativa ao se aproximar do polo negativo). → Despolarização ventricular no plano precordial O complexo QRS tende a ser negativo em V1 e V2 quando ocorre a despolarização ventricular. Isso se dá porque o vetor segue em direção à resultante das forças, que tem sentido oposto (para baixo, para a esquerda e para trás) a esses eletrodos (que são posicionados no tórax e são positivos). Portanto, se o vetor se afasta do eletrodo que é positivo, a onda formada será negativa. Observe na imagem abaixo que em V3 o QRS se torna isodifásico, pois o vetor o cruza perpendicularmente (forma um ângulo de 90º e tem a resultante próxima de zero). A partir de V4, as ondas do QRS passam a ser positivas, e isso se dá porque o vetor (grande seta vermelha) segue em direção a resultante das forças (para baixo, para a esquerda e para trás), que começa a coincidir com o mesmo sentido de V4 (em V1 e V2 o vetor seguia em sentido oposta), portanto se aproxima da positividade. Conforme o vetor se torna cada vez mais paralelo com V5 e V6 a amplitude positiva das ondas aumenta. 6 → Na imagemabaixo é possível entender como se criam as ondas durante a despolarização. O vetor segue em direção a extremidade positiva de D1 (a ponta da seta indica positividade) portanto cria uma onda positiva. Em relação a D3, o vetor está se dirigindo à extremidade negativa, portanto a onda é negativa. Em relação a D2, está perpendicular (forma um ângulo de 90º), portanto a onda é isodifásica (ou isoelétrica). → Frequência cardíaca Cada quadradinho do ECG possui 1mm. A velocidade que o papel corre (ou a velocidade que a caneta registra as ondas elétricas) é de 25mm/s; portanto, o registro de 1mm (1 quadradinho) leva 0,04s ou 40ms (milissegundos). Um quadradão tem 5mm, portanto leva 0,2s (ou 200ms) para o ECG registrar uma onda deste tamanho. Ao contar quantos quadradinhos existem entre 2 Rs, você pode aplicar esse valor nessa fórmula: 1500/RR (1500 dividido pela quantidade de quadradinhos). Ao fazê-lo, você obterá a frequência cardíaca. Existe um esquema para facilitar a contagem da frequência em casos de bradicardia (onde os Rs estão muito distantes e a contagem de quadradinhos pode gerar confusões). Se o próximo R for 1 quadradão de distância, 300bpm. Se for 2 quadradões de distância, 150bpm e assim sucessivamente. Valores de normalidade: Onda P: < 0,12s (deve ser menor que 3 quadradinhos) PRi: 0,12 a 0,20s (deve ter de 3 a 5 quadradinhos) QRS: < 0,12s (deve ser menor que 3 quadradinhos) 7 → Ritmo sinusal (onda P) O ritmo é sinusal porque o batimento se originou do nó sinoatrial (sinusal). Definição: 1. Deve existir uma onda P 2. A onda P deve preceder o QRS 3. A onda P deve ser positiva em D1 (0º), D2 (60º) e avF(90º) ou em pelo menos duas dessas três derivações a. Isso se dá porque o eixo normal da despolarização atrial varia de 0º a 90º. 4. A onda P deve ser igual (morfologicamente) quando avaliada na mesma derivação Se a onda P não satisfizer essas condições, mas ainda assim existe, trata-se de um marcapasso ectópico atrial (mas não é oriundo do nódulo sinoatrial). Em relação ao avR, por exemplo, o impulso elétrico está se afastando da positividade dessa derivação durante a despolarização, o que cria uma onda P negativa no traçado. → Eixo cardíaco normal O eixo normal da despolarização ventricular (QRS) varia entre -30º e 90º. As patologias podem criar desvio à esquerda, desvio à direita e desvio extremo. Uma patologia comum que pode criar desvio à direita é a hipertensão pulmonar causada por TEP; isso se dá porque na hipertensão pulmonar ocorre hipertrofia do ventrículo direito, e o eixo se desvia para a direita (o eixo se desvia para o local de maior massa muscular). Portanto, quando observar desvio à direita, pode-se suspeitar desta patologia. A mesma coisa acontece quando ocorre infarto da parede lateral do ventrículo esquerdo. As células que sofreram necrose dessa região deixam de despolarizar, portanto não possuem mais vetor. O eixo desvia para a direita novamente (para o local onde existem células); da mesma forma que infarto de parede inferior faz o eixo desviar para cima. Quando ocorre hipertrofia de uma região cardíaca, a resultante das forças (vetor médio do QRS) se desloca para essa região. Quando há infarto, o vetor se afasta dessa região. O eixo existe para nos orientar nas possibilidades diagnósticas. Exemplos abaixo: Um eixo normal não significa que o é ECG normal, mas um ECG com eixo desviado pode significar a possibilidade de uma patologia. 8 → Como localizar o eixo do QRS ● Definir a polaridade de D1 e avF, localizando o quadrante do eixo. 1º quadrante: esquerda superior 2º quadrante: esquerda inferior 3º quadrante: direita inferior 4º quadrante: direita superior ○ A positividade de D1 vai de +90º a -90º (uma parábola), ou seja, todo o lado esquerdo (para o lado que a ponta da seta dessa derivação aponta); ○ Logo, sua negatividade fica na outra extremidade; ○ Da mesma forma, a positividade de avF é de 0º a 180º. A ponta da seta aponta para a parábola (para baixo); ○ Logo, sua negatividade fica para cima. ● Avalie qual a derivação com complexo QRS mais isodifásico (ou isoelétrico). O eixo será perpendicular a essa derivação (D2/avL, D3/avR,D1/avF). ● Caso a mais isoelétrica seja D1, o eixo é avF (comum dos longilíneos); caso a mais isoelétrica seja avF, o eixo é D1 (comum nos brevilíneos). → Áreas de visão (informação adicional) ● Átrios: V1, V2, D1 e avR ● Parede septal: V1 e V2 ● Parede anterior do ventrículo esquerdo: V3 e V4 ● Parede lateral alta: D1 e avL ● Parede lateral baixa: V5 e V6 ● Parede inferior: D2, D3 e avF ● Ventrículo direito: V1, V2, V3r, V4r e avR