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Doença hipertensiva na gestação Objetivos ● Compreender definição: critérios diagnósticos da pré -eclâmpsia. ● Reconhecer os fatores de risco e sinais clínicos ● Conhecer as complicações associadas ● Manejo e tratamento Pré eclâmpsia ● Doença do ciclo gravídico puerperal ● Síndrome multifatorial e multissistêmica ● Etiologia- desconhecida ● Fisiopatologia complexa e em esclarecimento ● Início desde a implantação do ovo - Manifestação clínica na segunda metade da gestação - Manifestação clínica variável - dependente do órgão alvo. Epidemiologia ● Hipertensão 10% das gestações no mundo ● Pre- eclampsia: - Mundo: 1,5-16,7% - BR: 7,5% ● Alta morbimortalidade materna e fetal - Mortalidade materna: 15-20% - No BR: ¼ das mortes maternas; Principal causa de prematuridade eletiva. ● Complicações cardiovasculares futuras na mãe e bebê Classificação e definição Classificação mais difundida ● Hipertensão arterial crônica - Hipertensão reportada pela gestante ou identificada antes das 20 semanas da gestação. ● Hipertensão gestacional - HAS em gestante previamente normotensa - Iniciada após 20 semanas e sem sinais de PE - Deve desaparecer até 12 semanas pós parto - Ficar atento a possibilidade de evolução desfavorável de casos inicialmente diagnosticados com hipertensão gestacional, até 25% desses pacientes apresentarão sinais e ou sintomas relacionados a PE , alterando portanto seu diagnóstico ● Pré-eclâmpsia - Hipertensão arterial identificada após 20 semana de gestação, associada a proteinúria ou disfunção de órgão-alvo ● Pré-eclâmpsia sobreposta à Hipertensão Arterial Crônica, estabelecida quando: - Após 20 semanas de gestação ocorre aparecimento ou piora da proteinúria já detectada na primeira metade da gravidez - Quando necessitam de incremento das doses terapêuticas iniciais ou associação de anti-hipertensivos - Na ocorrência de disfunção de órgãos-alvo ● Eclâmpsia - Ocorrência de crise convulsiva tônico-clônica generalizada em pacientes portadora de PE. ● Hipertensão arterial crônica sobreposta por P.E Recentemente Sociedade internacional de Estudo sobre hipertensão e gravidez admitiu ● Hipertensão do jaleco branco ● Hipertensão mascarada Diagnóstico Hipertensão arterial ● Medida seriada dos níveis pressóricos durante o pré natal ● PAS > 140 mmHg ou PAD > 90mmHg - Em duas medidas, considerando a segunda. Etiologia Permanece desconhecida, o que dificulta prevenção primária ● Em 1916, “doença das teorias” Invasão trofoblástica anormal ● A invasão trofoblástica e uma das principais teorias para explicar a pré-eclâmpsia. ● O trofoblasto é a camada externa do blastocisto, que se implanta no útero e forma a placenta. ● Em condições normais, o trofoblasto invade profundamente o endométrio, estabelecendo uma conexão vascular entre a mãe e o feto. ● Na pré-eclâmpsia, a invasão e o que impede a formação adequada da placenta podendo levar a uma serie de complicações. Disfunção endotelial ● Aumento da permeabilidade - proteinúria ● Vasoespasmo - hipertensão ● Distúrbios de coagulação - agregação Fisiopatologia Alterações/ repercussão Cerebrais ● Edema cerebral vasogênico - Cefaleia, diplopia, visão turva, escotomas e cegueira cortical . - Sd de encefalopatia posterior reversível (PRES) ● Convulsões eclampticas ● AVC - Principal causa de óbito materno na gestante hipertensa. Hematológicas ● Hemoconcentração progressiva - Extravasamento de plasma para o interstício (edema) ● Trombocitopenia - Agregação / deposição ● Hemólise/ CIVID Renais ● TFG diminuída em 30-40% ao nível não gravídicos - AUmento da creatinina, ureia e ácido úrico - Hipocalciuria (maior reabsorção tubular) - Proteinúria ● Alteração anatomopatológica - Endoteliose glomerular ● A intensidade da proteinúria se relaciona ao edema generalizado, mas não apresenta relação com a gravidade da doença. Hepáticas ● Dano tecidual pela isquemia ● Distensão da cápsula hepática (Glisson) - hematoma subescapular - Sintoma clássico de dor no QSD abd ● Lesão hepática comumente identificada - Necrose hemorrágica periportal Uteroplacentarias ● Circulação e reduzida (40-60%) -Infartos placentários , CIUR, DPP ● Atividade uterina aumentada com maior sensibilidade a ocitocina Fatores de risco Pré-eclâmpsia ● Precoce 34 semanas Biomarcadores para diagnóstico ● Dosagem de biomarcadores (produzidos pela placenta) podem auxiliar no diagnóstico e seguimento de casos suspeitos de P.E; ● Auxiliam no diagnóstico oportuno, pois seus níveis sanguíneos se alteram antes dos exames clássicos, além de ser fundamental em casos de diagnóstico diferencial como LES, HAS crônica e nefropatias. ● O uso baseia-se na fisiopatologia. • Razão sFLT-1/PLGF ● ≤38: excluir o diagnóstico por pelo menos duas semanas. (VPN >99%) ● >85/110 (≤34s/>34s): Chamar atenção para o diagnóstico. (S 88%, E 99,5%) ● >38 e 95 ● Bioquímico - Marcadores sanguíneos (sFlt-1; PIGF PAPP-A) Prevenção PE AAS ● AAS 100mg 1x/dia, à noite ● Pacientes tem indicação quando 1 critério maior ou 2 moderados ● Iniciar antes da 16a semana (antes da 2a onda) e interromper após 36a semana. ● Causa aumento da produção de prostaciclina e diminui a produção de tromboxano, além de diminuir a taxa de agregação plaquetária Cálcio: ● Revisão sistemática 2018: - Redução 55% risco PE - Efeito maior em mulheres com dieta pbre em calcio - 74% - Risco elevado para PE- 78% ● Carbonato de cálcio (1-2 g/dia) ou Citrato de cálcio (2-4 g/dia), em doses fracionadas. ● Iniciar a partir da 12a semana. Perda de peso: ● Estudos em pacientes que realizaram cirurgia bariátrica reduziram significativamente o risco de pré -eclâmpsia. Outro com mulheres com pré eclâmpsia constatou que a perda de peso entre as gestações reduziu o risco de PE recorrente. Atividade física Sulfato de Magnésio ● Melhor que os anticonvulsivante tradicionais ● Evita progressão para formas graves ● Reduz em 57% o risco de eclampsia e diminui o risco de morte materna sem efeito deletério sobre o feto ● Mecanismo incerto: bloqueio de receptores NMDA?Vasodilatação cerebral ?; Barreira no endotélio cerebral contra substâncias causadoras do edema e atividade convulsiva ● Antídoto: Gluconato de cálcio 1g EV ● Avaliar: reflexo patelar, frequência respiratória ; diurese ● co da gestação ● Internar x acompanhamento ambulatorial - No hospital risode morte fetal e menor ; - RN com IG maior e maior peso ao nascer. Tratamento não farmacológico : ● Dieta: - Dieta normal, sem restrição de sal (não muda desfecho) ● Repouso: - Redução da atividade física pode contribuir para melhora no fluxo uteroplacentário e prevenir exacerbação da hipertensão. Sem evidências para repouso absoluto. ● Acompanhamento laboratorial: - Pelo menos 1x/semana ou conforme acontecimento (crise hipertensiva/sinais de iminência de eclâmpsia). - Solicitar: Hemograma c, ácido úrico, creatinina, TGO/TGP, EQU, proteína/creatinina urinária Terapia anti-hipertensiva ● Indicação: PA > 160x110 ● Objetivo: manter PAs 140-155 e PAd 90-100 Crise: Manutenção: ● Metildopa/Clonidina VO ● Hidralazina VO ● Anlodipino/Nifedipino VO ● Metoprolol/Carvedilol/Pindolol VO ● Evitar: Diuréticos, IECA/BRA e propranolol Conduta obstétrica Vias de parto ● Antes do parto, é essencial a estabilização clínica!!! ● Via de parto preferível será a vaginal diante da vitalidade fetal preservada e estabilidade hemodinâmica ● Pré-eclâmpsia sem sinais de deterioração, gestação no termo, colo uterino desfavorável, pode-se promover o preparo do colo com Misoprostol, Ocitocina e Sonda Foley. ● Situações de pré-eclâmpsia com deterioração clínica e/ou laboratorial com colo desfavorável: cesárea. ECLÂMPSIA E SÍNDROME DE HELLP ● Estabilização clínica e resolução da gestação (24-48h) ● Via de parto- obstetrica ● Cuidados na cesárea devido a Síndrome de Hellp - Solicitar coagulograma - Anestesia geral - Repor plaquetas no ato operatório h - Realizar hemostasia cuidados - Deixar dreno sentinela Cuidados no Puerpério ● Manter monitoramento da PA: Hipertensa após 12 sem pós-parto -> diagnóstico de HAS. ● Controle da dor com AINEs: Atentar para pacientes com comprometimento renal. ● Caso uso de sulfato de magnésio, manter medicação por 24 horas: - Caso apresente PA de difícil controle ou iminência de eclâmpsia no puerpério, sulfatar. ● Iniciar anti-hipertensivos se necessário: Pode iniciar IECA. ● Crise ou emergência hipertensiva: Mesmas recomendações. ● Atentar para deterioração clínica e/ou laboratorial. ● Pacientes HAS prévia que faziam uso de medicação e tinham bom controle: ▪ Retomar pós-parto, se não houver contraindicação quanto à amamentação. ▪ Prefere-se, porém, não introduzir diuréticos no puerpério, pois pode haver redução do volume vascular e comprometimento da amamentação. Prognóstico ● Prognóstico PE