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SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO P R O F . N A T A L I A C A R V A L H O Estratégia MED Prof. Natalia Carvalho | Síndromes Hipertensivas da Gestação 2OBSTETRÍCIA PROF. NATÁLIA CARVALHO APRESENTAÇÃO: Olá, Futuro Residente! Nesse resumo, irei abordar o tema de obstetrícia mais cobrado nas provas de Residência Médica: os distúrbios hipertensivos da gestação. Você encontrará questões sobre isso em praticamente todas as provas que prestar. Para você ganhar tempo, resumi aqui os principais tópicos desse tema, dando atenção especial aos mais cobrados que são: diagnóstico e conduta. Vamos começar? Os distúrbios hipertensivos são o tema mais cobrado nas provas de Residência Médica, pois são a primeira causa de mortes maternas no Brasil e a segunda no mundo, responsável por 10 a 15% dos óbitos maternos diretos. @profnataliacarvalho @estrategiamed /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed @estrategiamed https://www.instagram.com/profnataliacarvalho https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://t.me/estrategiamed https://t.me/estrategiamed https://www.tiktok.com/@estrategiamed Estratégia MED OBSTETRÍCIA Prof. Natalia Carvalho | Síndromes Hipertensivas da Gestação 3 As principais complicações que desencadeiam as mortes maternas e perinatais estão resumidas na figura a seguir: A maioria dessas mortes, contudo, poderiam ser evitadas com cuidados adequados na gestação, por meio de medidas preventivas durante o pré-natal e o tratamento precoce. • Insuficiência renal • Acidente vascular cerebral • Insuficiênca cardíaca • Edema agudo de pulmão • Coagulopatia • Insuficiência hepática Complicações maternas • Insuficiência placentária • Prematuridade eletiva • Restrição de crescimento fetal • Sofrimento fetal crônico e agudo Complicações fetais Estratégia MED 4 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 SUMÁRIO 1.0 CLASSIFICAÇÃO 6 2.0 HIPERTENSÃO GESTACIONAL E PRÉ-ECLÂMPSIA 9 2.1 ETIOPATOGENIA E FISIOPATOLOGIA DA PRÉ-ECLÂMPSIA 9 2.2 FISIOPATOLOGIA DA PRÉ-ECLÂMPSIA 12 2.3 PREDIÇÃO DA PRÉ-ECLÂMPSIA 13 2.4 PREVENÇÃO DA PRÉ-ECLÂMPSIA 16 2.5 DIAGNÓSTICO DE HIPERTENSÃO GESTACIONAL E PRÉ-ECLÂMPSIA 16 2.5.1 DIAGNÓSTICO DE HIPERTENSÃO GESTACIONAL 19 2.5.2 DIAGNÓSTICO DE PRÉ-ECLÂMPSIA 19 2.5.2.1 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DA PRÉ-ECLÂMPSIA 20 2.5.2.2CLASSIFICAÇÃO DA PRÉ-ECLÂMPSIA QUANTO À GRAVIDADE 22 2.5.2.3 CLASSIFICAÇÃO DA PRÉ-ECLÂMPSIA QUANTO AO TEMPO DE SURGIMENTO 23 2.6 DIAGNÓSTICO DE ECLÂMPSIA 23 2.7 DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME HELLP 24 2.7.1 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DA SÍNDROME HELLP 24 2.8 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 25 2.9 DIAGNÓSTICO DE PRÉ-ECLÂMPSIA SOBREPOSTA 26 2.10 CONDUTAS NA HIPERTENSÃO GESTACIONAL E NA PRÉ-ECLÂMPSIA 26 2.10.1 CONDUTA NA HIPERTENSÃO GESTACIONAL LEVE OU PRÉ-ECLÂMPSIA SEM SINAIS DE GRAVIDADE 27 2.10.2 CONDUTA NA PRÉ-ECLÂMPSIA COM SINAIS DE GRAVIDADE, IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA, ECLÂMPSIA E SÍNDROME HELLP 29 2.11 PREVENÇÃO DAS CONVULSÕES 31 2.12 CONTROLE DA HIPERTENSÃO ARTERIAL GRAVE 33 2.13 CONDUTA OBSTÉTRICA 34 Estratégia MED 5 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 2.14 CONDUTA NA IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA E NA ECLÂMPSIA 37 2.15 CONDUTA NA SÍNDROME HELLP 38 2.16 CUIDADOS NO PUERPÉRIO 38 3.0 HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA 39 3.1 HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA X PRÉ-ECLÂMPSIA 39 3.2 TRATAMENTO 40 4.0 LISTA DE QUESTÕES 43 5.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 44 6.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 44 Estratégia MED 6 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Atenção, Estrategista! Saber classificar corretamente os distúrbios hipertensivos da gestação é essencial para você conseguir resolver as questões sobre esse tema! Os distúrbios hipertensivos da gestação ou síndromes hipertensivas da gestação englobam todas as doenças que cursam com hipertensão arterial na gestação. Essas doenças são classificadas conforme a idade gestacional de aparecimento da hipertensão. 1.0 CLASSIFICAÇÃO Quando a hipertensão é diagnosticada antes de 20 semanas temos o diagnóstico de hipertensão arterial crônica (HAC). Se a hipertensão surge a partir de 20 semanas e desaparece no puerpério, podemos ter o diagnóstico de hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia. Observe o fluxograma abaixo que contém todas essas formas clínicas dos distúrbios hipertensivos da gestação. Distúrbios hipertensivos da gestação Hipertensão arterial ≥ 20 semanas Hipertensão arterialNA IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA E NA ECLÂMPSIA A conduta inicial frente a uma paciente com iminência de eclâmpsia ou eclâmpsia deve ser: chamar ajuda, conter a paciente para evitar trauma, mantê-la em decúbito lateral e colocar protetor de língua para evitar aspiração, fornecer oxigenioterapia e realizar monitorização dos sinais vitais. Somente então deve-se iniciar o tratamento medicamentoso que é feito com sulfato de magnésio. Internação e estabilização hemodinâmica • Chamar ajuda • Conter a paciente para evitar trauma • Decúbito lateral para evitar aspiração • Protetor de língua • Fornecer oxigenioterapia • Realizar monitorização de sinais vitais Eclâmpsia Como já vimos, o sulfato de magnésio é a medicação de escolha na prevenção das convulsões nos casos de pré-eclâmpsia grave, iminência de eclâmpsia e durante o tratamento na eclâmpsia. A convulsão na eclâmpsia é, geralmente, autolimitada; na maioria das vezes, cessa mesmo antes da administração de sulfato de magnésio. Contudo, o sulfato de magnésio é usado não só para controlar a convulsão, mas também para prevenção de novos episódios convulsivos. A dose e os cuidados com a administração do sulfato de magnésio nos casos de iminência de eclâmpsia e eclâmpsia são os mesmos já vistos para pré-eclâmpsia grave. No caso de eclâmpsia com recorrência da crise convulsiva, administram-se mais 2 g de sulfato de magnésio por via endovenosa e utilizam-se 2 g/h de manutenção. Caso esses dois bólus não controlem a convulsão, a droga de escolha é a difenil-hidantoina para o controle da convulsão. Como vimos, a resolução da gestação deve ocorrer em todos os casos de iminência de eclâmpsia ou eclâmpsia depois que a gestante receber o sulfato de magnésio e apresentar estabilização do quadro clínico. Não é indicado manter a gestação, independentemente da idade gestacional, pois os riscos maternos são muito elevados. A administração de corticoterapia abaixo de 34 semanas pode ser realizada, mas não deve ser motivo para adiar o Atenção, Estrategista! O mapa mental a seguir deve ser memorizado, pois engloba o que é mais cobrado sobre esse tema! Internação e estabilização hemodinâmica Convulsões tônico-clônicas > 20 semanas. Sem outras causas Cefaleia, escotomas, turvação visual, alteração do estado mental, hiperreflexia, epigastralgia ECLÂMPSIA OU IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA Hidralazina se PA ≥ 160/110 mmHg Resolução da gestação Sulfato de magnésio Estratégia MED 38 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 2.15 CONDUTA NA SÍNDROME HELLP Diante de uma paciente com síndrome HELLP, a conduta inicial é semelhante ao tratamento da pré-eclâmpsia grave, ou seja, deve-se internar e estabilizar hemodinamicamente a gestante, fazer a avaliação da vitalidade fetal, administrar sulfato de magnésio para prevenção de convulsões e anti-hipertensivo para controle da hipertensão arterial grave (PA ≥160/110 mmHg). Além disso, os exames laboratoriais precisam ser realizados a cada 6 horas, até estabilização do quadro. Caso haja plaquetopenia abaixo de 50 mil, alguns serviços indicam transfusão de plaquetas e o uso de dexametasona, na dose de 10mg a cada 12h, até 36h após o parto, em mulheres que serão submetidas à cesárea. Não está indicado o uso de corticoide de rotina para o tratamento da síndrome HELLP A resolução da gestação é o tratamento definitivo da síndrome HELLP, por isso o parto deve ocorrer em todos os casos, após administração do sulfato de magnésio e estabilização clínica da gestante. Não é indicado manter a gestação, independentemente da idade gestacional, pois os riscos maternos são muito elevados. A administração de corticoterapia abaixo de 34 semanas pode ser realizada, mas o parto só deve ser adiado para a aplicação do ciclo completo de corticoide se houver estabilidade materna e fetal. A via de parto preferida é a vaginal para diminuir o sangramento. A cesárea está indicada nos casos de hematoma hepático. 2.16 CUIDADOS NO PUERPÉRIO O período pós-parto é extremamente crítico nos casos graves de pré-eclâmpsia, como na pré-eclâmpsia grave, eclâmpsia e síndrome HELLP. Geralmente, há piora do quadro clínico nas primeiras 24h de puerpério em decorrência do sangramento pós-parto, principalmente nos casos de cesárea. Além disso, as complicações hemorrágicas pós-parto são muito mais frequentes nessas pacientes. As complicações da pré-eclâmpsia grave podem aparecer também no puerpério tardio, por isso essas mulheres devem ser acompanhadas de perto nos primeiros dias pós-parto. A PA deve ser monitorizada diariamente nos primeiros 7 dias após o nascimento. Se ela se mantiver ≥ 140/90 mmHg após o parto, é importante continuar com o uso de anti-hipertensivos, com o objetivo de manter a PAD em 85 mmHg. Deve-se evitar o uso de anti-inflamatórios não esteroides no controle da dor. Em mulheres com pré-eclâmpsia grave, é preciso realizar exames laboratoriais com 48-72h do parto e proteinúria com 12 semanas pós-parto. Se a puérpera apresentar doença renal crônica, ela deve receber anti-hipertensivo mesmo se a PA estiver controlada. A utilização de metildopa, captopril e nifedipina são seguras durante a amamentação. Na pré-eclâmpsia, a hipertensão arterial resolve-se em até 12 semanas pós-parto. A persistência dessa condição faz o diagnóstico de hipertensão crônica e a paciente deve ser encaminhada para acompanhamento médico. É importante orientar as puérperas para o risco de complicações a longo prazo: hipertensão arterial crônica, isquemia cardíaca e cerebral, diabetes mellitus 2, doença renal e morte precoce. A pré-eclâmpsia é um marcador de morbimortalidade cardiovascular a longo prazo, por isso, essas mulheres devem ser orientadas a manter hábitos de vida saudáveis, com dieta e exercício físico adequados, evitando tabagismo, obesidade, hiperglicemia, hipercolesterolemia. Estratégia MED 39 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 CAPÍTULO Controle de PA Exames laboratoriais Anti-hipertensivo Primeiros 7 dias pós-parto Resolução com 12 semanas pós-parto Cuidados no puerpério na pré-eclâmpsia 48 - 72h pós parto Proteinúria 12 semanas pós-parto Manter se PA ≥ 140 / 90 Alvo: PAD = 85 mmhHg Metildopa, Captopril, Nifedipina 3.0 HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA A hipertensão arterial crônica (HAC) está associada a complicações maternas e fetais adversas. A presença de HAC aumenta o risco de pré-eclâmpsia sobreposta, acidente vascular cerebral, complicações cardíacas e renais, restrição de crescimento fetal, descolamento prematuro de placenta e prematuridade eletiva. Considera-se hipertensão arterial crônica na gestação quando a gestante já apresentava hipertensão arterial prévia à gravidez ou quando a hipertensão arterial é constatada antes de 20 semanas. Em alguns casos, quando o pré-natal se inicia após 20 semanas, o diagnóstico de hipertensão arterial crônica ocorre apenas 12 semanas após o parto. Hipertensão arterial crônica Hipertensão arterial prévia à gestação OU Antes de 20 semanas OU Não desaparece após 12 semanas pós-parto 3.1 HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA X PRÉ-ECLÂMPSIA Apesar da pré-eclâmpsia e da hipertensão arterial crônica terem, em comum, o aumento dos níveis pressóricos, essas doenças são muito diferentes em relação à fisiopatologia, evolução e tratamento. Quando há dúvidas quanto ao diagnóstico da hipertensão arterial na gestação, se é por hipertensão arterial crônica ou pré-eclâmpsia, exames como ácido úrico e excreção urinária de cálcio podem ajudar na diferenciação diagnóstica. Na pré-eclâmpsia, os níveis de ácido úrico estão aumentados e a excreção urinária de cálcio está diminuída. Ácido úrico acima de 4,5 Estratégia MED 40 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico |2024 mg/dL e calciúria de 24h abaixo de 100 mg sugerem PE. Mais recentemente, tem-se utilizado os marcadores angiogênicos (PlGF e relação sFLt/PlGF) para ajudar na diferenciação diagnóstica entre HAC e PE. Valores reduzidos de PlGF ( 20 SEMANAS • ECG • Ecocardiograma • Fundoscopia • USG rins e vias INVESTIGAÇÃO DE LESÃO DE ÓRGÃOS-ALVOS • Aspirina baixa dose • (a partir de 12 semanas) • Carbonato de cálcio PROFILAXIA PRÉ-ECLÂMPSIA • Pré-natal de alto risco • Controle diário da PA • Dieta com restrição de sal • Redução da atividade física • Evitar ganho excessivo de peso Chegamos ao fim de mais um tema, você conseguiu! Agora, já sabe tudo sobre as síndromes hipertensivas da gestação e está apto para responder a qualquer questão sobre esse assunto! Parabéns pela determinação! Não deixe de resolver as questões sobre esse tema no sistema de questões do Estratégia MED! MAPA MENTAL: Estratégia MED 44 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões peloapp Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://estr.at/3u7KswO 4.0 LISTA DE QUESTÕES https://estr.at/3u7KswO Estratégia MED 45 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 6.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao fim do tema mais importante da obstetrícia para as provas de Residência Médica! Parabéns, Estrategista! Se quiser se aprofundar sobre esse tema, veja nosso livro completo sobre Distúrbios hipertensivos da gestação, lá você vai encontrar mais detalhes e explicações sobre esse assunto! Além disso, recomendo que siga o perfil do Estratégia MED nas redes sociais! Lá você ficará atualizado de todas as notícias sobre as provas de Residência Médica do país. Você também pode seguir meu perfil no Instagram, local que compartilho com alunos e pacientes temas sobre obstetrícia e medicina fetal. Conte comigo nessa jornada! Natália Carvalho. @profnataliacarvalho CAPÍTULO CAPÍTULO 5.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. ZUGAIB. Obstetrícia 4 ed. Manole 2020. 2. CUNNINGHAM, F. G. Obstetrícia de Williams. 24 ed. AMGH editora 2016. 3. FEBRASGO. Pré-eclâmpsia nos seus diversos aspectos. Série Orientações e Recomendações FEBRASGO. N.8, 2017. 4. Gestational Hypertension and Preeclampsia: ACOG Practice Bulletin Summary, Number 222. Obstet Gynecol 2020; 135:1492. 5. BROWN, M.A.; MAGEE, L.A.; KENNY, L.C. et al. Hypertensive Disorders of Pregnancy: ISSHP Classification, Diagnosis, and Management Recommendations for International Practice. Hypertension 2018; 72:24. 6. VISINTIN, C.; MUGGLESTONE, M.A.; ALMERIE, M.Q. et al. Management of hypertensive disorders during pregnancy: summary of NICE guidance. BMJ 2010; 341:c2207. 7. DEKKER, G.A.; SIBAI, B.M. Etiology and pathogenesis of preeclampsia: current concepts. Am J Obstet Gynecol 1998; 179:1359. 8. NICE Guideline [NG133]. Hypertension in pregnancy: diagnosis and management. June 2019. https://www.nice.org.uk/guidance/ng133/ chapter/Recommendations (Accessed on October 03, 2019). 9. Peraçoli JC, Costa ML, Cavalli RC, de Oliveira LG, Korkes HA, Ramos JGL, Martins-Costa SH, de Sousa FLP, Cunha Filho EV, Mesquita MRS, Correa Jr MD, Araujo ACPF, Zaconeta AM, Freire CHE, Poli-de-Figueiredo CE, Rocha Filho EAP, Sass N. Pré-eclampsia – Protocolo 2023. Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão na Gravidez (RBEHG), 2023 10. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atencão Primária à Saúde. Departamento de Acões Programáticas. Manual de gestacão de alto risco [recurso eletronico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Atencão Primária à Saúde. Departamento de Acões Programáticas. – Brasília: Ministério da Saúde, 2022. https://www.uptodate.com/contents/preeclampsia-clinical-features-and-diagnosis/abstract/2 https://www.uptodate.com/contents/preeclampsia-clinical-features-and-diagnosis/abstract/3 https://www.uptodate.com/contents/preeclampsia-clinical-features-and-diagnosis/abstract/3 https://www.uptodate.com/contents/preeclampsia-clinical-features-and-diagnosis/abstract/6 https://www.uptodate.com/contents/preeclampsia-clinical-features-and-diagnosis/abstract/6 https://www.uptodate.com/contents/preeclampsia-clinical-features-and-diagnosis/abstract/22 Estratégia MED 46 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 https://med.estrategia.comEclâmpsia Convulsões tônico-clônicas na gestação na ausência de outras causas Síndrome HELLP Quadro de plaquetopenia, hemólise e aumento das enzimas hepáticas HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA Hipertensão arterial crônica não complicada Hipertensão arterial prévia à gestação ou detectada antes de 20 semanas Hipertensão arterial crônica complicada Hipertensão arterial prévia à gestação ou detectada antes de 20 semanas E - DHEG sobreposta - Insuficiência renal - Insuficiência cardíaca Estratégia MED 9 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 2.0 HIPERTENSÃO GESTACIONAL E PRÉ-ECLÂMPSIA CAPÍTULO A hipertensão gestacional e a pré-eclâmpsia (PE) com suas diferentes formas clínicas são os distúrbios hipertensivos da gestação que ocorrem exclusivamente no período gravídico-puerperal, por isso eram conhecidas previamente como DHEG. A hipertensão gestacional e a pré-eclâmpsia têm em comum o aumento dos níveis pressóricos a partir de 20 semanas de gestação, que desaparece depois de 12 semanas após o parto, distinguindo-as da hipertensão crônica, que se inicia antes da gestação ou é diagnosticada antes da vigésima semana, e não se resolve após o puerpério. Hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia => aumento dos níveis pressóricos a partir de 20 semanas de gestação que desaparece depois de 12 semanas após o parto. 2.1 ETIOPATOGENIA E FISIOPATOLOGIA DA PRÉ-ECLÂMPSIA As principais teorias sobre a etiopatogenia da pré-eclâmpsia envolvem a deficiência da invasão trofoblástica, os fatores imunológicos, a disfunção endotelial associada a alterações inflamatórias, a predisposição genética, os fatores nutricionais e o estresse. Teorias relacionadas à etiologia da pré-eclâmpsia Deficiência de invasão trofoblástica Fatores imunológicos Disfunção endotelial e alterações inflamatórias Fatores nutricionais Estresse Acredita-se que a placenta tenha um papel de destaque na etiopatogenia da pré-eclâmpsia, uma vez que se observa a resolução da doença e a redução dos sintomas com a retirada da placenta. A presença de tecido placentário é necessária para o desenvolvimento da doença, mas a presença de feto não. Logo, a principal etiopatogenia deste grupo de doenças envolve uma placentação deficiente decorrente da invasão trofoblástica inadequada da musculatura média das arteríolas espiraladas do útero. A placentação normal inicia-se no primeiro trimestre com a primeira onda de invasão trofoblástica que atinge os vasos da decídua. No segundo trimestre, ocorre a segunda onda de invasão trofoblástica, quando o sinciciotrofoblasto atinge a camada muscular média das artérias espiraladas do endométrio, diminuindo a resistência vascular e aumentando o fluxo sanguíneo placentário. Esse processo depende do balanço entre fatores genéticos, imunológicos, ambientais e inflamatórios. Com a placentação deficiente e invasão inadequada do trofoblasto, as artérias espiraladas não se modificam e apresentam camada muscular média com diâmetro menor e alta resistência, o que resulta na redução do fluxo sanguíneo no espaço interviloso e alteração da perfusão placentária. A alteração na perfusão placentária pode levar à lesão endotelial seguida de vasoespasmo, aumento da permeabilidade capilar e ativação da coagulação, principais mecanismos fisiopatológicos da pré-eclâmpsia. Estratégia MED 10 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Invasão trofoblástica inadequada da musculatura média das arteríolas espiraladas do útero Fatores genéticos Diâmetro menor e alta resistência Redução do fluxo sanguíneo no espaço interviloso Perfusão placentária diminuida Vasoespasmo (hipertensão arterial, oligúria, convulsões) Aumento da permeabilidade capilar (edema, proteinúria e hemoconcentração) Ativação da coagulação (plaquetopenia) Alteração endotelial Fatores inflamatórios Placentação deficiente Fatores imunológicos Fatores ambientais Além do desenvolvimento de pré-eclâmpsia, observa-se que a placentação inadequada pode provocar parto prematuro, restrição de crescimento fetal e/ou descolamento da placenta. Os fatores imunológicos também parecem influenciar na etiopatogenia da doença. O excesso de carga antigênica fetal e a ausência de antígenos bloqueadores levam à ativação da imunidade inata e das citocinas pró-inflamatórias, e ao predomínio de fatores antiangiogênicos (fator solúvel tipo tirosina quinase- sFLt-1 e endoglina) em relação aos angiogênicos (fator de crescimento placentário – PIGF e fator de crescimento endotelial – VEGFs). Na prática, observam-se níveis circulantes de sFLt-1 e PIGF alterados várias semanas antes das alterações clínicas da pré-eclâmpsia. Estratégia MED 11 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Excesso de carga antigênica fetal e ausência de antígenos bloqueadores Fatores imunológicos Aumento dos fatores antiangiogênicos (fatos solúvel tipo tirosina quinase - sFLt-1 e endoglina) Diminuição dos fatores angiogênicos (fator de crescimento placentário - PIGF e fator de crescimento endotelial - VEGFs) Ativação da imunidade inata e das citocinas pró-inflamatórias Prostaglandinas vasodilatadoras (Prostaciclinas - PGI2) Aumento da relação TXA2/PGI2 Prostaglandinas vasoconstritoras (Tromboxano - TXA2) Lesão endotelial Ativação da coagulação Sensibilidade de infusão da angiotensina II e de endotelinas Vasoconstrição O sFlt-1 em quantidade aumentada é um receptor que se liga ao VEGF e ao PlGF, impedindo a ligação correta ao seus receptores no endotélio e inibindo a ação vasodilatadora desses fatores angiogênicos. Isso também leva à diminuição do óxido nítrico e da prostaciclina (PGl2). A endoglina solúvel (sEng) inibe o VEGF aumentando ainda mais a disfunção endotelial. Os fenômenos inflamatórios e oxidativos decorrentes do aumento dos fatores antiangiogênicos estão relacionados à lesão endotelial, ao vasoespasmo arteriolar, ao aumento da permeabilidade capilar e à ativação da coagulação, que desencadeiam as alterações sistêmicas presentes nessa doença. Acredita-se que as alterações inflamatórias e endoteliais sejam uma consequência da invasão trofoblástica inadequada. A lesão endotelial promove a diminuição das prostaglandinas vasodilatadoras (prostaciclinas – PGI2) e a ativação plaquetária leva a um aumento das prostaglandinas vasoconstritoras (tromboxano – TXA2). O aumento da relação TXA2/ PGI2 favorece o aumento da sensibilidade de infusão da angiotensina II, que acarreta vasoconstrição. O TXA2 é um vasoconstritor potente, que promove a agregação plaquetária e a contração uterina, diminuindo, com isso, o fluxo sanguíneo uteroplacentário. O PGI2, por outro lado, é um vasodilatador, que inibe a agregação plaquetária e a contratilidade uterina, promovendo aumento da circulação uteroplacentária. Na gravidez normal temos uma maior concentração de PGl2 e menor de TXA2 e na Sabe-se que há predisposição genética para o desenvolvimento da pré-eclâmpsia, uma vez que filhas de mães com pré-eclâmpsia apresentam um risco entre 20 a 40% de desenvolver a doença, entretanto não se conhece o mecanismo dessa herança. Além disso, fatores ambientais podem aumentar a chance de surgimento da PE, como a baixa ingestão de cálcio, a presença de doenças prévias associadas (obesidade, diabetes, doença renal e cardiovascular) e o estresse. Estratégia MED 12 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 2.2 FISIOPATOLOGIA DA PRÉ-ECLÂMPSIA Agora que você já aprendeu sobre a etiopatogenia da pré-eclâmpsia, vamos entender como todo esse processo leva às manifestações clínicas e laboratoriais da PE. A pré-eclâmpsia pode cursar com alterações em praticamente todos os órgãos e sistemas. Como já discutido, independentementeda etiopatogenia da pré-eclâmpsia, a lesão endotelial, o vasoespasmo e a isquemia são responsáveis por praticamente todas as alterações clínicas e laboratoriais que ocorrem nessa doença. A lesão endotelial leva a um aumento da permeabilidade capilar ocasionando extravasamento do plasma materno para o meio extravascular, originando edema, hemoconcentração e proteinúria. Com isso, há um aumento da viscosidade sanguínea, que gera fenômenos tromboembólicos e isquemia em diversos órgãos. A lesão endotelial também desencadeia plaquetopenia e diminuição dos fatores de coagulação, culminando com coagulação intravascular disseminada. O vasoespasmo, por sua vez, provoca hipertensão, diminuição da perfusão renal e da perfusão cerebral, principais órgãos acometidos na pré-eclâmpsia. A diminuição da perfusão renal leva à redução do fluxo plasmático renal e da filtração glomerular, aumentando os níveis de ureia, creatinina e ácido úrico. A lesão glomerular é a principal lesão renal que ocorre na PE, sendo a endoteliose glomerulocapilar a alteração mais específica, relacionada à ocorrência de proteinúria significativa. Essa lesão é reversível e desaparece após o parto. É muito importante que você guarde para as provas de Residência Médica que essa é a principal lesão renal da PE. A elevação abrupta e grave da pressão arterial pode ocasionar vasoconstrição reflexa e a quebra do mecanismo de autorregulação da circulação cerebral, desencadeando edema cerebral, infarto cerebral e encefalopatia hipertensiva que culminam na eclâmpsia. Pode ocorrer hemorragia cerebral, responsável pela maior morbidade nesses casos. A lesão endotelial e a adesão plaquetária são responsáveis pela hemólise microangiopática, que se manifesta por níveis elevados de desidrogenase láctea (DHL) e pela presença de esquizócitos, esferócitos e reticulócitos no sangue periférico. Pode ocorrer também hemorragia periportal e necrose hemorrágica periportal em consequência do vasoespasmo e da isquemia, culminando com a elevação dos níveis séricos de transaminases. Essas lesões podem evoluir para sangramento intenso, com formação de hematoma subcapsular, culminando com ruptura e hemorragia intraperitoneal, que é geralmente fatal. A presença de vasoespasmo associado à infusão de cristaloides ou coloides sem monitorização pode levar ao edema pulmonar e à insuficiência respiratória. Além disso, as convulsões podem ocasionar pneumonia aspirativa, que também desencadeia o edema pulmonar. A lesão endotelial, o vasoespasmo e a isquemia provocam o comprometimento da circulação uteroplacentária. Observa-se o aumento da resistência das artérias uterinas e da artéria umbilical em decorrência da invasão trofoblástica deficiente, diminuição do fluxo interviloso e vasoconstrição das arteríolas vilosas. Estratégia MED 13 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 O mapa mental abaixo resume todas as alterações sistêmicas e uteroplacentárias que ocorrem na PE: Lesão endotelial Alterações renais Alterações hepáticas Alterações cerebrais Alterações hematológicas Restrição de crescimento Sofrimento fetal Óbito fetal Descolamento prematuro de placenta Vasoconstrição Isquemia Aumento da permeabilidade vascular Ativação da coagulação Alterções maternas sistêmicas Diminuição da filtração glomerular Aumento do ácido úrico Endoteliose glomerular Proteinúria Aumento das transaminases Aumento das bilirrubinas Hematoma subscapular Rotura hepática Alterações hemodinâmicas Vasoespasmo Edema Convulsões Hemorragia intracraniana Alterações uteroplacentárias Trombocitopenia Hemólise CIVD Hipertensão arterial Hemoconcentração Edema 2.3 PREDIÇÃO DA PRÉ-ECLÂMPSIA Predizer quais são as gestantes que desenvolverão pré-eclâmpsia é de extrema importância, uma vez que existem medidas de prevenção dessa doença para mulheres que apresentam um risco maior. A principal forma de identificar as gestantes com risco de desenvolver pré-eclâmpsia é por meio da avaliação dos fatores de risco. Considera-se gestação de alto risco para desenvolver pré-eclâmpsia quando há um único fator de risco alto ou dois fatores de risco moderados. RISCO ALTO* RISCO MODERADO História pregressa de pré-eclâmpsia Gravidez prévia com eventos adversos (descolamento prematuro de placenta, prematuridade e baixo peso ao nascer > 37 sem.) Obesidade (IMC > 30) História familiar de pré-eclâmpsia (mãe e irmã) Hipertensão arterial crônica Nuliparidade Diabetes tipo 1 e tipo 2 Idade materna ≥ 35 anos Doença renal Intervalo interpartal > 10 anos Doenças autoimunes (lúpus, SAAF) Tratamento de reprodução assistida Gestação múltipla *Adaptada da ISSHP, FIGO, ACOG e MS Estratégia MED 14 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Recentemente, marcadores biofísicos (Dopplervelocimetria das artérias uterinas) e bioquímicos (sFlt-1, s-Eng, PIGF, VEGF e PAPP-A) têm sido utilizados para o rastreamento e a predição da pré-eclâmpsia, isoladamente ou em associação com os fatores de risco maternos. Sabe-se que quanto menor for a concentração de PlGF e de PAPP-A (proteína plasmática associada à gravidez) e maior for o índice de pulsatilidade da artéria uterina, maior o risco de desenvolver pré-eclâmpsia, principalmente pré-eclâmpsia precoce (Sendo assim, utilizam-se apenas os fatores de risco maternos para predizer pré-eclâmpsia e indicar as medidas profiláticas que veremos a seguir. Concentração de PLGF e PAPP-A + IP da artéria uterina + parâmetros maternos Primeiro trimestre Identifica 93% das pacientes que desenvolverão pré-eclâmpsia, mas com 79% de falso positivo PREDIÇÃO DE PRÉ-ECLÂMPSIA Estratégia MED 16 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 2.4 PREVENÇÃO DA PRÉ-ECLÂMPSIA A identificação de gestantes com alto risco para desenvolver pré-eclâmpsia e a realização de medidas para a sua prevenção ao longo do pré-natal é fundamental para se diminuir a ocorrência dessa patologia, principalmente as suas formas graves. Todas as gestantes, independente do risco de pré-eclâmpsia, devem ser orientadas a praticar atividade física durante a gestação e ingerir pelo menos 600 mg de cálcio por dia na alimentação. Essas medidas diminuem o risco de pré-eclâmpsia na população geral. Se a gestante apresenta baixa ingesta dietética de cálcio, deve-se suplementar com pelo menos 500 mg de cálcio por dia. As gestantes brasileiras são consideradas uma população com baixa ingesta de cálcio. Em gestantes com alto risco de desenvolver pré-eclâmpsia, tanto pelo rastreamento combinado no primeiro trimestre como pela avaliação dos fatores de risco maternos isolados, a prevenção primária consiste na administração de aspirina em baixa dose (100-150 mg) diariamente a partir de 12 semanas, podendo ser iniciada em até 20 semanas, mas preferencialmente até 16 semanas, sendo mantida até 36 semanas de gestação. O uso de baixa dose de aspirina antes de 20 semanas de gestação diminuiu o risco de pré-eclâmpsia, principalmente a pré-eclâmpsia precoce ((PAS ≥ 140 mmHg ou PAD ≥ 90 mmHg) em duas ocasiões, com intervalo de, pelo menos, 4 horas, a partir de 20 semanas de gestação em mulher previamente normotensa, sem proteinúria ou disfunção de órgãos-alvo e que retorna ao normal depois do puerpério (12 semanas pós-parto). Hipertensão gestacional Hipertensão arterial (≥140/90mmHg) ≥ 20 semanas, que normaliza após o puerpério E Ausência de proteinúria E Ausência de disfunção de órgãos-alvo 2.5.2 DIAGNÓSTICO DE PRÉ-ECLÂMPSIA Atenção, Estrategista! Saber fazer o diagnóstico de pré-eclâmpsia é fundamental para que você consiga responder adequadamente às questões sobre esse tema! Então, é necessário saber todos os critérios diagnósticos na ponta da língua! A pré-eclâmpsia se caracteriza por uma desordem multissistêmica progressiva, específica da gestação, que cursa com aumento dos níveis pressóricos associado à proteinúria a partir de 20 semanas de gestação, em gestante previamente normotensa. Na ausência de proteinúria, atualmente também considera-se pré-eclâmpsia quando há hipertensão arterial associada à lesão de órgãos-alvo materno ou disfunção uteroplacentária. Além disso, algumas gestantes podem não apresentar nem hipertensão arterial e nem proteinúria e serem diagnosticadas com pré-eclâmpsia pelas lesões de órgãos-alvo sem outra causa aparente. Quando é observado hipertensão arterial no consultório médico a partir de 20 semanas, mas a pressão arterial não se mantém elevada nas medidas posteriores, chamamos de hipertensão gestacional transitória. A hipertensão gestacional é considerada leve quando a PAS é 135 mmHg ou aumento dos níveis de ácido úrico (acima de 5,2 mg/dL) apresentam maior risco de desenvolver pré-eclâmpsia. Caso a gestante permaneça hipertensa por mais de 12 semanas após o parto, ela é diagnosticada com hipertensão arterial crônica. https://pt.wiktionary.org/wiki/%E2%89%A5 https://pt.wiktionary.org/wiki/%E2%89%A5 Estratégia MED 20 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Pré-eclâmpsia Hipertensão arterial (≥140/90mmHg) ≥ 20 semanas E Proteinúria OU Lesão de órgãos-alvo materno OU Disfunção uteroplacentária 2.5.2.1 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DA PRÉ-ECLÂMPSIA O diagnóstico de pré-eclâmpsia é feito quando há hipertensão arterial a partir de 20 semanas de gestação ou no pós-parto, associada à proteinúria. Na ausência de proteinúria, considera-se pré-eclâmpsia quando há hipertensão gestacional a partir de 20 semanas e disfunção de órgão-alvo materno (hematológica, hepática, renal, pulmonar ou neurológica) ou disfunção uteroplacentária. Sendo assim, quaisquer das seguintes disfunções de órgão-alvo materno associadas a aumento dos níveis pressóricos a partir de 20 semanas já faz o diagnóstico de pré-eclâmpsia, mesmo sem proteinúria: • Alterações hematológicas: trombocitopenia (plaquetas 600 UI/L), coagulação intravascular disseminada. • Insuficiência renal: creatinina sérica > 1,0 mg/dL. • Disfunção hepática: elevação das transaminases 2 vezes o normal ou > 40 UI/L ou dor severa persistente em hipocôndrio direito ou epigástrio, sem outros diagnósticos. • Edema pulmonar. • Alterações neurológicas: cefaleia não responsiva à medicação e não explicada por outros diagnósticos, sintomas visuais (turvação visual ou escotomas persistentes ou cegueira), alteração do estado mental, derrame ou convulsão (eclâmpsia). Além disso, gestantes com sinais de disfunção uteroplacentária, associados ao aumento dos níveis pressóricos a partir de 20 semanas, também recebem o diagnóstico de pré-eclâmpsia, independentemente de apresentarem proteinúria ou outras lesões de órgãos-alvo. Os sinais de disfunção placentárias são: • Restrição de crescimento fetal: peso fetal 95, diástole ausente ou reversa • Descolamento prematuro de placenta • Morte fetal Estratégia MED 21 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 O ácido úrico eleva-se precocemente na pré-eclâmpsia e pode estar relacionado à disfunção renal, por isso pode ajudar no diagnóstico precoce dessa doença quando seus valores são superiores a 6 mg/dL, ainda que não faça parte dos critérios diagnósticos da pré-eclâmpsia. Os critérios diagnósticos de pré-eclâmpsia estão resumidos no organograma a seguir: - Plaquetas > 150.000 109/L - DHL > 600 UI/L - CIVD - Transaminases > 40 UI/L ou 2x o normal - Creatinina sérica > 1,0 mg/dL - Edema Pulmonar - Cefaléia - Turvação visual escotomas, cegueira - Alterção do estado mental - Derrame ou convulsão E HIPERTENSÃO ARTERIAL > 20 semanas de gestação ≥ 140/90 mm/Hg DISFUNÇÃO DE ÓRGÃOS-ALVO hematológica, hepática, renal, pulmonar ou neurológica DISFUNÇÃO UTEROPLACENTÁRIA restrição de crescimento fetal, alteração doppler, morte fetal PROTEINÚRIA ≥ 300 mg/24h, relação prot/creat ≥ 0,3 mg/dL OU OU Fique atento! As sociedades internacionais (ACOG e ISSHP), desde 2013, não consideram mais obrigatória a presença de proteinúria para o diagnóstico de pré-eclâmpsia, como acabamos de aprender. Basta ocorrer hipertensão arterial na presença de disfunção de órgãos-alvo ou disfunção uteroplacentária para constituir-se pré- eclâmpsia. A FMUSP, porém, ainda considera obrigatória a presença de proteinúria e edema para esse diagnóstico. Estratégia MED 22 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 2.5.2.2CLASSIFICAÇÃO DA PRÉ-ECLÂMPSIA QUANTO À GRAVIDADE A pré-eclâmpsia pode ser classificada como pré-eclâmpsia com sinais de gravidade ou sem sinais de gravidade, a depender dos sinais e sintomas que acompanham essa doença, assim como dos exames laboratoriais e ultrassonográficos dessa gestante. Classificação da pré-eclâmpsia quanto à gravidade Pré-eclâmpsia grave ou com sinais de gravidade • Hipertensão arterial grave (PAS ≥ 160 mmHg e PAD ≥ 110 mmHg) não responsiva a tratamento. OU • Presença de sinais e sintomas de disfunção significativa de órgãos-alvo ou uteroplacentária. Pré-eclâmpsia não grave ou sem sinais de gravidade • Hipertensão arterial leve (PA 1,2 ou oligúria (tônico-clônicas generalizadas na ausência de outras causas, como epilepsia, aneurisma e isquemia cerebral ou uso de drogas, podendo ser diagnosticada antes, durante ou após o parto. Essa doença é uma importante causa de morte materna e está associada à hipóxia, trauma e pneumonia aspirativa. O diagnóstico de eclâmpsia é eminentemente clínico, com presença de convulsões tônico-clônicas generalizadas, mas raramente pode manifestar-se com convulsões focais ou síndrome HELLP. Algumas vezes, a eclâmpsia pode surgir mesmo antes do diagnóstico de pré- eclâmpsia. Atenção, Estrategista! Todo quadro de crise convulsiva na gestação, na ausência de outras causas, como epilepsia, aneurisma, isquemia cerebral ou uso de drogas, deve ser tratado como eclâmpsia até que se prove o contrário, independentemente de haver hipertensão arterial e proteinúria associada. As convulsões tônico-clônicas generalizadas caracterizam-se por perda da consciência, rigidez em braços, pernas, peito e costas. Após alguns minutos, os músculos começam a tremer e a paciente contorce-se por um a dois minutos. A língua pode ser mordida e expectoração espumosa e com sangue pode sair pela boca. Em seguida, ocorre a fase pós-ictal, quando os movimentos terminam e a mulher fica em sono profundo e vai acordando gradualmente. Podem ocorrer, também, convulsões focais ou multifocais e coma, mas essas manifestações são menos comuns. Quadro clássico de iminência de eclâmpsia: cefaleia, turvação visual e epigastralgia. 2.5.2.3 CLASSIFICAÇÃO DA PRÉ-ECLÂMPSIA QUANTO AO TEMPO DE SURGIMENTO A pré-eclâmpsia pode ser classificada em precoce ou tardia, a depender do tempo de surgimento dos sintomas. Classificação da pré-eclâmpsia quanto ao tempo de surgimento Pré-eclâmpsia precoce Antes de 34 semanas Alteração do Doppler das artérias uterinas, restrição de crescimento fetal e pior prognóstico materno e fetal Pré-eclâmpsia tardia Após 34 semanas Menor comprometimento fetal e melhores resultados materno-fetais Durante a convulsão, geralmente, ocorre bradicardia fetal, que se recupera após o episódio, e o feto mantém taquicardia, desacelerações e diminuição da variabilidade após o quadro convulsivo. Na maioria das vezes, a convulsão é precedida de sinais clínicos que chamamos de iminência de eclâmpsia: cefaleia frontal ou occipital persistente, turvação visual, escotomas, fotofobia, alteração do estado mental e hiperreflexia, epigastralgia ou dor em hipocôndrio direito. Estratégia MED 24 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 As complicações mais frequentes da eclâmpsia são: hemorragia cerebral, edema agudo de pulmão, insuficiência respiratória ou renal e coagulopatias. As principais complicações fetais são hipóxia secundária à convulsão e ao descolamento prematuro de placenta. Diante de um quadro de convulsão na gestação a partir de 20 semanas, até que se prove o contrário, deve-se pensar primeiramente em eclâmpsia. Os diagnósticos diferenciais da eclâmpsia são: acidente vascular cerebral, tumores e abscessos cerebrais, encefalopatia hipertensiva, feocromocitoma, epilepsia, hipoglicemia, hipocalemia, intoxicação hídrica, meningite e púrpura trombocitopênica trombótica. 2.7 DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME HELLP A síndrome HELLP caracteriza-se pelo quadro de hemólise, aumento das enzimas hepáticas e plaquetopenia, sendo uma das formas mais severas da pré-eclâmpsia, com altas taxas de morbimortalidade materna e fetal. Essa síndrome ocorre com mais frequência no terceiro trimestre e no puerpério. O nome “HELLP” é um mnemônico em inglês das alterações que ocorrem nessa síndrome: HE = hemólise, EL = aumento das enzimas hepáticas (enzime of liver), LP = plaquetopenia (low platelets). A hemólise dá-se pela lesão endotelial que leva à destruição eritrocitária quando o sangue passa pelos capilares alterados. Os sinais laboratoriais de hemólise são desidrogenase láctica (DHL) aumentada e aumento dos esquizócitos. A elevação das enzimas hepáticas (TGO e TGP) ocorre pelo vasoespasmo nos vasos hepáticos com consequente necrose das células hepáticas ou hemorragia periportal. A TGP é a enzima mais sensível e específica para lesões hepáticas. Vale lembrar que a TGO está presente em outros órgãos, como o coração e os rins. A plaquetopenia, por sua vez, deve-se pelo aumento da agregação plaquetária no tecido endotelial lesado. Os principais sintomas da síndrome HELLP são: dor em hipocôndrio direito e epigástrio, mal-estar geral, náuseas e vômitos. É importante lembrar que a hipertensão e a proteinúria podem estar ausentes ou serem apenas ligeiramente anormais, por isso recomenda-se avaliação laboratorial para todas as gestantes com alguns desses sintomas. 2.7.1 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DA SÍNDROME HELLP O diagnóstico da síndrome HELLP é laboratorial e feito por meio dos seguintes critérios: H — hemólise: DHL > 600 UI/L, esquizócitos, bilirrubinas > 1,2 mg/dL, haptoglobina 70 UI; LP — plaquetopenia (low platelets): plaquetasde aumento das doses de anti-hipertensivos, lesões de órgãos-alvo ou disfunção uteroplacentária, ela está desenvolvendo pré-eclâmpsia superajuntada ou sobreposta à hipertensão arterial crônica. Estratégia MED 26 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Pré-eclâmpsia sobreposta Hipertensão arterial crônica E (após 20 semanas) Proteinúria/piora da proteinúria OU Necessidade de aumentar anti-hipertensivos OU Lesão de órgãos-alvo materno OU Disfunção uteroplacentária A pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão arterial crônica ocorre em 25 % das gestantes com hipertensão arterial crônica, principalmente na presença de doença renal. Há maior chance de complicações maternas e fetais, tanto decorrentes da pré-eclâmpsia como devido à hipertensão arterial crônica. Por isso, essas gestantes precisam ser acompanhadas de perto, muitas vezes em ambiente hospitalar. 2.10 CONDUTAS NA HIPERTENSÃO GESTACIONAL E NA PRÉ-ECLÂMPSIA A conduta nos distúrbios hipertensivos da gestação é o tópico mais abordado sobre esse tema nas provas de Residência Médica! Você já aprendeu que, quando nos deparamos com o aumento dos níveis pressóricos a partir de 20 semanas de gestação, devemos suspeitar imediatamente de pré-eclâmpsia. O primeiro passo diante de uma suspeita de pré-eclâmpsia deve ser avaliar a presença de sinais de gravidade que demandem encaminhar a gestante ao hospital para tratamento de urgência. Caso a gestante não apresente sinal de gravidade, faz-se a investigação diagnóstica ambulatorial a fim de confirmar-se a suspeita de pré-eclâmpsia e identificar a forma clínica dessa doença. Sendo assim, a conduta efetiva diante de uma gestante com distúrbio hipertensivo depende do diagnóstico correto das formas clínicas desta doença e da identificação precoce de fatores de gravidade. Como veremos a seguir, o tratamento difere entre as formas graves e não graves e quanto mais rápida for a introdução dessas condutas, mais efetivo será o tratamento. Estratégia MED 27 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Aumento PA ≥ 20 semanas Suspeitar de pré-eclâmpsia Presença de sinais ou sintomas de gravidade Encaminhar para acompanhamento ambulatorial NÃO SIM Encaminhar para acompanhamento hospitalar 2.10.1 CONDUTA NA HIPERTENSÃO GESTACIONAL LEVE OU PRÉ-ECLÂMPSIA SEM SINAIS DE GRAVIDADE Diante de uma gestante com aumento dos níveis pressóricos a partir de 20 semanas de gestação sem sinais ou sintomas de gravidade, é importante solicitar exames laboratoriais que avaliam disfunções de órgãos-alvo (hemograma, creatinina, proteinúria 24h ou relação proteína/creatinina urinária, transaminases, bilirrubinas e desidrogenase láctica) e realizar avaliação da vitalidade fetal (cardiotocografia ou Dopplervelocimetria). Confirmado o diagnóstico de hipertensão gestacional leve ou pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade , a gestante deve ser encaminhada ao pré-natal de alto risco e ser acompanhada semanalmente. É essencial fazer controle diário da pressão arterial, ter uma dieta equilibrada, sem restrição significativa de sal, e reduzir atividade física para um melhor controle do fluxo sanguíneo uteroplacentário. Recomenda-se repouso relativo com redução da atividade física e descanso em decúbito lateral esquerdo, a fim de aumentar o fluxo plasmático renal e o fluxo uteroplacentário, e diminuir os níveis de pressão arterial. Lembre-se: pré-eclâmpsia é contraindicação absoluta à prática de exercícios físicos na gestação. A dieta hipossódica não se mostrou benéfica no tratamento da pré-eclâmpsia. Por isso, embora algumas instituições, como a FMUSP, ainda façam essa recomendação, ela não faz parte das orientações gerais preconizadas pela maioria das instituições nacionais e internacionais. Além disso, deve-se introduzir anti-hipertensivo oral para todas as gestantes com PA ≥ 140 x 90 mmHg e o alvo terapêutico é manter a PAD ≤ 85 mmHg. É importante tomar cuidado com a redução brusca da pressão arterial nessas gestantes, uma vez que apresentam maior hemoconcentração e reatividade vascular. Por isso, se a PAD for ≤80 mmHg o anti-hipertensivo deve ser suspendido ou a dose diminuída. A droga anti-hipertensiva de escolha para hipertensão arterial não grave (PAPAD =85 mmHg Conduta obstétrica • Pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade: parto com 37 semanas. • Hipertensão gestacional leve: parto com 40 semanas. Preferência pela via vaginal Estratégia MED 29 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 MAPA MENTAL: Pré-eclâmspia sem sinal de gravidade ou hipertensão gestacional leve (PA etre 140/90 - 160/110 mm/Hg) Pré-natal de alto risco Dieta normal sem restrição de sal. Reduzir atividade física Metildopa Metoprolol Nifedipina Anlodipina - Hemograma - Creatinina - TGO/TGP - DHL - Bilirrubinas - Proteinúria - Vitalidade fetal Controle da PA e proteína em fita 1 a 2x/ semana Parto ao redor de 37 semanas Manter PAD = 85 mmHg Anti-hipertensivo via oral se PA ≥ 140 / 90 mmHg Investigar disfunção de órgãos-alvo e uteroplacentária 2.10.2 CONDUTA NA PRÉ-ECLÂMPSIA COM SINAIS DE GRAVIDADE, IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA, ECLÂMPSIA E SÍNDROME HELLP Diante de um quadro sugestivo de pré-eclâmpsia grave, por aumento dos níveis pressóricos (a partir de 160x110 mmHg) ou suspeita de lesão em órgãos-alvo ou disfunção uteroplacentária, a gestante deve ser encaminhada imediatamente para internação. As primeiras medidas diante de uma suspeita de pré- eclâmpsia grave são: • avaliação dos níveis pressóricos; • avaliação da vitalidade fetal (cardiotocografia e Dopplervelocimetria); • solicitação de exames laboratoriais para investigar disfunção de órgãos-alvo (transaminases, bilirrubinas, hemograma, DHL, ureia, creatinina e proteinúria); • estabilização hemodinâmica da gestante. Caso seja identificado quadro de pré-eclâmpsia grave, iminência de eclâmpsia, eclâmpsia ou síndrome HELLP, a mais importante na conduta é prevenir a ocorrência de convulsões com a aplicação do sulfato de magnésio e fazer o controle da hipertensão arterial grave com anti-hipertensivos potentes. Falaremos de cada uma dessas condutas a seguir. Estratégia MED 30 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 PA ≥ 160/110 mmHg ou suspeita de lesão de órgãos-alvo ou suspeita de disfunção útero placentária Internação de gestante Avaliação PA Avaliação vitalidade fetal Exames laboratoriais Estabilização hemodinâmica Pré-eclâmpsia grave Iminência de eclâmpsia Eclâmpsia Síndrome HELLP Prevenção/tratamento de convulsão sulfato de magnésio Controle da hipertenção arterial grave Pré-eclâmpsia grave Iminência de eclâmpsia Eclâmpsia Síndrome HELLP hidralazina nifedipina O mais importante na conduta da pré-eclâmpsia grave, da iminência de eclâmpsia e da eclâmpsia é estabilizar hemodinamicamente a paciente e aplicar sulfato de magnésio. Estratégia MED 31 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 2.11 PREVENÇÃO DAS CONVULSÕES O sulfato de magnésio é a medicação de escolha na prevenção de episódios convulsivos diante de pré-eclâmpsia grave, síndrome HELLP e iminência de eclâmpsia. Do mesmo modo, durante a eclâmpsia, o sulfato de magnésio é a medicação mais efetiva para o controle das convulsões. Por isso, essa medicação é preconizada para a prevenção e tratamento das convulsões em todos os casos graves de pré- eclâmpsia, conforme protocolos do Ministério da Saúde e da ACOG. Na FMUSP, não se utiliza o sulfato de magnésio para pré-eclâmpsia grave, somente se houver sinais de iminência de eclâmpsia ou eclâmpsia. O sulfato de magnésio apresenta ação anticonvulsivante e neuroprotetora por reduzir a liberação pré-sináptica do neurotransmissor glutamato; bloquear os receptores de N-metil-D-aspartato (NMDA) glutaminérgico; potencializar a ação da adenosina; melhorar o tamponamento do cálcio mitocondrial e bloquear a entrada de cálcio por meio dos canais de voltagem. Existem três esquemas preconizados para o uso do sulfato de magnésio: Pritchard, Zuspan e Zuspan modificado (também conhecido como esquema de Sibai). O esquema Pritchard é preferível quando se faz necessário transferir a paciente para hospital de referência, pois a administração é intramuscular. Já durante a internação, prefere-se os esquemas Zuspan e Zuspan modificado, com administração endovenosa, permitindo o melhor controle dessa medicação. A tabela a seguir mostra cada um desses esquemas com suas respectivas doses: Esquemas Doses inicial Dose de manutenção Pritchard 4g EV (bolus) em 10 a 15 min + 10 g IM (5g em cada nádega) 5g IM profunda a cada 4 horas Zuspan 4g EV (bolus) em 10 a 15 min 1g EV por hora em bomba de infusão contínua (BIC) Zuspan modificado (Sibai) 6g EV (bolus) em 10 a 15 min 2g EV por hora em BIC É importante saber que existem ampolas com concentrações diferentes de sulfato de magnésio. Preste bastante atenção na concentração da ampola utilizada para calcular a dose de sulfato de magnésio de maneira correta. A terapia de manutenção do sulfato de magnésio deve continuar por 24 horas após o parto. Nos casos de eclâmpsia, o sulfato de magnésio deve ser administrado por 24 horas após o episódio convulsivo. O início da infusão do sulfato de magnésio pode provocar mal-estar, náuseas, rubor e cefaleia, pois ocasiona diminuição da resistência vascular sistêmica e da pressão arterial média. Esses sintomas são transitórios e, geralmente, melhoram após 15 minutos de infusão. A complicação mais temida do sulfato de magnésio é sua intoxicação, que pode levar à depressão respiratória e morte. Por isso, para sua administração segura, deve-se dosar os níveis de magnésio antes da dose de manutenção e, a cada 4 horas, realizar sua suspensão, além de observar reflexo patelar, diurese e frequência respiratória a cada hora. Estratégia MED 32 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 O ministério da saúde não orienta a dosagem de magnésio para todas as paciente, mas somente para as com função renal alterada ou com inibição dos reflexos tendinosos. É importante administrar dose de manutenção apenas quando houver reflexo patelar presente, frequência respiratória ≥ 16 mov/ min, diurese de 25mL/hora e concentração sérica de sulfato de magnésio abaixo de 8 mEq/L. Se a concentração sérica de sulfato de magnésio está entre 8 a 10 mEq/L, já é possível observar reflexos patelares abolidos. Ao alcançar níveis próximos de 12 mEq/L ocorre parada respiratória e a partir de 25 mEq/L há infarto cardíaco. A tabela abaixo resume os efeitos de cada concentração sérica de magnésio. CONCENTRAÇÃO SÉRICA DE MAGNÉSIO 4 a 7 mEq/L (4,8 a 8,4 mg/dL) Concentração terapêutica 8 a 10 mEq/L Reflexo patelar abolido 12 mEq/L Parada respiratória 25 mEq/L Infarto cardíaco A avaliação dos reflexos patelares e da frequência respiratória são importantes para identificar precocemente a intoxicação por sulfato de magnésio, uma vez que os primeiros sinais de intoxicação por sulfato de magnésio são: frequência respiratória 1,0, oligúria>> Depressão respiratória Suspender e administrar gluconato de cálcio 10% SULFATO DE MAGNÉSIO 2.12 CONTROLE DA HIPERTENSÃO ARTERIAL GRAVE Medicação Dose Diluição Hidralazina (EV) Medicação de escolha 5 mg, repetir a cada 20 min até melhora Ampola de 20 mg/mL, diluir em 19 mL de água destilada para ter 1mg/ml Nifedipina (VO) (Não utilizar sublingual) 10 mg, repetir 10 mg a cada 20 min até melhora Nitroprussiato de sódio (EV) Última opção, hipertensão grave refratária 0,5 – 10 µg/kg/min em bomba de infusão contínua com proteção à luz Ampola de 50 mg/2 mL diluir em 248 mL de SG 5% para ter 200 µg/mL MAPA MENTAL: Estratégia MED 34 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 O mapa mental a seguir resume a conduta diante de hipertensão arterial grave. Preste bastante atenção! HIDRALAZINA NIFEDIPINA Nitroprussiato de sódio Prevenir: - IAM - AVC Manter a PA entre 140-150/90-110 mmHg Investigar pré-eclâmpsia grave - Hemograma - Ureia/creatinina - TGO/TGP - DHL - Bilirrubinas - Proteinuria - Vitalidade fetal Hipertensão arterial grave/ Crise hipertensiva (≥ 160/110 mmHg) 2.13 CONDUTA OBSTÉTRICA A conduta obstétrica nos casos de pré-eclâmpsia grave vai depender da idade gestacional e da presença de complicações. A monitorização fetal na pré-eclâmpsia grave é feita com cardiotocografia e, se a conduta for expectante, com ultrassom obstétrico com Doppler. A resolução da gestação deve ocorrer, independentemente da idade gestacional, se houver deterioração da condição materna ou fetal, mesmo com o tratamento adequado ou o quadro de pré-eclâmpsia grave evoluir para uma das situações descritas na figura abaixo: MAPA MENTAL: Estratégia MED 35 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 • Síndrome de HELLP • Iminência de eclâmpsia refratária ao tratamento Eclâmpsia • Deslocamento prematuro da placenta • Hipertensão arterial grave refratária ao tratamento com três drogas anti-hipertensivas • Alterações laboratoriais progressivas • Insuficiência renal • Edema agudo de pulmão / comprometimento cardíaco • Hematoma ou rotura hepática • Alteração de vitalidade fetal (diástole zero ou reversa da artéria umbilical, cardiotocografia categoria III, morte fetal) Resolução da gestação Na ausência dessas complicações, a resolução do parto na pré-eclâmpsia grave vai depender da idade gestacional, como veremos a seguir. Em gestações abaixo de 23 semanas, deve-se optar pela resolução da gestação após estabilização hemodinâmica e aplicação de sulfato de magnésio, uma vez que não se deve correr risco materno por uma gestação inviável. Quando a pré-eclâmpsia grave ocorre entre 23 e 34 semanas, a conduta na pré-eclâmpsia grave é controversa na literatura. Atualmente, tem-se optado por tentar manter a gestação até próximo de 37 semanas, caso ocorra melhora dos parâmetros clínicos e laboratoriais, se for possível o monitoramento contínuo intra-hospitalar e a resolução imediata da gestação caso necessário. Após 37 semanas, a resolução da gestação deve ocorrer em todos os casos de pré-eclâmpsia. Por fim, entre 34 e 37 semanas, a conduta na pré- eclâmpsia grave é a resolução da gestação. Caso ocorra melhora dos parâmetros clínicos e laboratoriais, é possível considerar a manutenção da gestação até próximo de 37 semanas, se for possível o monitoramento contínuo intra-hospitalar e a resolução imediata da gestação caso necessário. A via de parto preferida é a via vaginal, mas vai depender das condições maternas e fetais, da idade gestacional, da apresentação fetal, das características do colo uterino e do tempo disponível para o parto. Quanto mais precoce e grave for o diagnóstico, maiores as chances de cesárea e menor a possibilidade de indução do parto. Durante o trabalho de parto, é importante realizar o controle pressórico a cada hora e manter o uso dos anti-hipertensivos. Se a PA estiver acima de 160/110 mmHg, medir a cada 15-30 min. Pode-se considerar cesárea ou parto instrumental no período expulsivo para mulheres com hipertensão severa não responsiva ao tratamento. Vamos relembrar as idades gestacionais de resolução da gestação para cada distúrbio hipertensivo da gestação: A tabela e o mapa mental a seguir resumem todas as condutas na pré-eclâmpsia grave. É importante saber isso na ponta da língua! Hipertensão gestacional 39 6/7 semanas Pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade 37 semanas Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade 34- 37 semanas Eclâmpsia, Iminência de eclâmpsia e Síndrome HELLP Imediata, qualquer idade gestacional Hipertensão arterial crônica 40 semanas Pré-eclâmpsia sobreposta 37 semanas Estratégia MED 36 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Condutas na pré-eclâmpsia grave Medidas gerais • Internação hospitalar • Estabilização hemodinâmica • Exames laboratoriais • Cardiotocografia Tratamento medicamentoso • Sulfato de magnésio • Hidralazina ou nifedipina se PA ≥ 160/110 mmHg Conduta obstétrica • Resolução se complicações ou idade gestacional 34 semanas • Manter a gestação entre 24 e 34 semanas se ausência de complicações maternas ou fetais* • Preferir parto vaginal • síndrome HELLP, iminência de eclâmpsia, eclâmpsia, DPP, hipertensão grave refratária, edema agudo de pulmão, TPP, RPM, alteração da vitalidade fetal Sulfato de magnésio Entre 24 e 34 semanas se estabilização clínica Entre 34 e 37 semanas. Avaliar cada caso Controle laboratorial semanal, vitalidade fetal e corticoide para maturação pulmonar Piora do quadro = resolução 34 semanas Qualquer idade se complicação materna ou fetal Manter gestação Resolução da gestação Hidralazina ou nifedipina se PA ≥ 160/110 mmHg Internação, estabilização hemodinâmica, exames complementares PRÉ-ECLÂMPSIA GRAVE MAPA MENTAL: Estratégia MED 37 OBSTETRÍCIA Síndromes Hipertensivas da Gestação Prof. Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 2.14 CONDUTA