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INTERPRETAÇÃO CLÍNICA 1 Jaboatão dos Guararapes Paciente, 15 anos, parda, estudante, natural e procedente de Olinda, em união estável, na 32ª semana de gravidez foi para a 5ª consulta pré-natal de rotina, assintomática, na Unidade Básica de Saúde (UBS). Caso Clínico DUM compatível com idade gestacional, ciclos menstruais prévios regulares, nega infecções e intercorrências ginecológicas prévias. G1P0A0, menarca aos 11 anos, sexarca aos 13 anos, relata uso apenas de métodos de barreira (uso esporádico) como contracepção Negou hipertensão, diabetes, cardiopatias e outras doenças. Negou história pessoal ou familiar de doenças hereditárias/malformações Alimentação rica em carboidratos e pobre em frutas, verduras e fibras. Negava tabagismo, negava etilismo, referia sedentarismo. Ao exame inicial, nada digno de nota, exceto por edema de membros inferiores (mole, frio e indolor) 2+/4+ Caso Clínico Pressão arterial 150 x 90 mmHg (confirmada por duas vezes e após repouso). Índice de massa corpórea 28,4 kg/m2. Ao exame obstétrico: dinâmica uterina ausente; feto em situação longitudinal, apresentação cefálica e móvel; batimentos fetais de 136 bpm; altura de fundo uterino de 29 cm. Caso Clínico Quais as principais hipóteses diagnósticas? Quais exames complementares precisam ser solicitados? SÍNDROMES HIPERTENSIVAS NA GRAVIDEZ INTRODUÇÃO ! De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os distúrbios hipertensivos da gestação constituem importante causa de morbidade grave, incapacidade de longo prazo e mortalidade tanto materna quanto perinatal. ! Em todo o mundo, 10% a 15% das mortes maternas diretas estão associadas à pré-eclâmpsia/eclâmpsia. ! Porém, 99% dessas mortes ocorrem em países de baixa e média renda. EPIDEMIOLOGIA !Incidência variando de 1,2% a 4,2% para pré-eclâmpsia e de 0,1% a 2,7% para eclâmpsia !Maiores taxas em países subdesenvolvidos !No Brasil, a pré-eclâmpsia é a principal causa de parto prematuro terapêutico FATORES DE RISCO PARA PRÉ-ECLÂMPSIA Entretanto, recomenda-se, segundo as orientações da OMS e da ISSHP, atenção especial para a adoção dos métodos de prevenção na presença das seguintes condições clínicas: antecedente de pré- eclâmpsia (pessoal ou familiar), hipertensão arterial crônica, obesidade (IMC > 30), diabetes, doenças renais, doenças autoimunes, síndrome antifosfolípide e gravidez múltipla. ETIOLOGIA ! A patogênese envolve placentação deficiente, predisposição genética, quebra de tolerância imunológica, resposta inflamatória sistêmica, desequilíbrio angiogênico e deficiência do estado nutricional. ! Consequências sistêmicas: vasoconstrição e consequente aumento da resistência periférica, alterações na permeabilidade capilar e ativação do sistema de coagulação. DIAGNÓSTICO ! A classificação mais difundida estabelece a possibilidade de quatro formas principais de síndromes hipertensivas na gestação: 1) Hipertensão Arterial crônica 2) Hipertensão gestacional 3) Pré-eclâmpsia 4) Hipertensão arterial crônica sobreposta por pré-eclâmpsia. Recentemente, a ISSHP (International Society for Study of Hypertension in Pregnancy) admitiu a possibilidade da ocorrência também na gestação, assim como se observa na clínica médica, da “hipertensão do jaleco branco”. FORMAS CLÍNICAS 1) Hipertensão arterial crônica Presença de hipertensão reportada pela gestante ou identificada antes de 20 semanas de gestação 2) Hipertensão gestacional: Refere-se à identificação de hipertensão arterial, em gestante previamente normotensa, porém sem proteinúria ou manifestação de outros sinais/sintomas relacionados a pré-eclâmpsia. Essa forma de hipertensão deve desaparecer até 12 semanas após o parto. FORMAS CLÍNICAS : 3) Pré-Eclâmpsia Manifestação de hipertensão arterial identificada após a 20ª semana de gestação, associada à proteinúria significativa ou disfunção de órgãos-alvo. Logo, a presença de proteinúria não é mandatória para o diagnóstico de pré- eclâmpsia. FORMAS CLÍNICAS 4) Pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão arterial crônica - Pré-eclâmpsia em mulher com história de HA antes da gravidez ou antes de 20 semanas de gestação. Estabelecer em algumas situações específicas: 1) quando, após 20 semanas de gestação, ocorre o aparecimento ou piora da proteinúria já detectada na primeira metade da gravidez (sugere-se atenção se o aumento for superior a três vezes o valor inicial); 2) quando gestantes portadoras de hipertensão arterial crônica necessitam de associação de anti-hipertensivos ou incremento das doses terapêuticas iniciais; 3) na ocorrência de disfunção de órgãos alvos. CONCEITOS !Pré-eclâmpsia com sinais e/ou sintomas com deterioração clínica; - Presença de Crise hipertensiva (PAS >= 160 e/ou 110 mmHg) - Proteinúria maior que 3g - Sinais de Iminência de Eclâmpsia - Eclâmpsia - Síndrome HELLP - Oligúria (2 mg/dl) - Dor torácica ou indício de descompensação cardíaca - Edema Agudo do Pulmão SÍNDROME HELLP ! A síndrome HELLP é uma forma de pré-eclâmpsia (PE) cuja disfunção endotelial manifesta-se pela ativação da coagulação e pela disfunção hepática, detectadas através de exames laboratoriais, sendo possível apresentar-se clinicamente com pressão arterial normal e/ou proteinúria. ! É definida pelo acrônimo que sintetiza a presença de hemólise (H), elevação de enzimas hepáticas (Elevated Liver Enzimes) e plaquetopenia (Low Plateless). CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS SÍNDROME HELLP Tipo de Exame Valores de Referência Bilirrubinas totais >1,2 mg/dl Hemólise (esfregaço de sangue periférico) Esquizócitos, pecilocitose, anisocitose DHL > 600 UI/L TGO > 40UI Plaquetopenia