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DOS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS
1) Considerações gerais
	O processo de conhecimento se desenvolve através de dois procedimentos:
	a) Comum (art. 318 ao 538, CPC)
	b) Especiais (art. 539 ao 770, CPC)
	Portanto, o nosso objetivo é estudar o processo de conhecimento pelos procedimentos especiais, os quais estão consagrados no CPC, mas há também algumas ações de conhecimento de procedimento especial que não estão consagradas no CPC, mas sim em legislações especiais, como o mandado de segurança, o habeas data, a ação popular, ação de despejo, dentre outras, juizado especial.
2) Procedimentos especiais de jurisdição contenciosa consagrados no CPC (taxativo)
	Ação de consignação em pagamento; ação de exigir contas; ações possessórias; ação de divisão e demarcação de terras; ação de dissolução parcial de sociedade; inventário e partilha; embargos de terceiro; oposição; habilitação; ações de família (não alimentos); ação monitória; ação de homologação de penhor legal; ação de regulação de avaria grossa; restauração de outros.
	O novo CPC foi mais técnico ao tratar sobre os procedimentos especiais. O antigo, diferentemente, os procedimentos diferenciam na sua forma e em alguns requisitos, mas de uma forma geral o processo é sempre o mesmo.
	O que determina se o procedimento é especial ou não é a natureza material da ação e não a processual. O que leva em conta é o direito material discutido no processo para atender da melhor forma possível o direito e as suas exigências.
3) Procedimentos especiais de jurisdição voluntária consagrados no CPC
	Notificação e interpelação; alienação judicial; divórcio consensual; testamento; herança jacente; bens do ausente; coisas vagas; da interdição.
AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO
(ART. 539 A 549, CPC)
1) Conceito
	É uma forma especial de pagamento prevista no CPC, uma forma do devedor cumprir a obrigação, se exonerar dela quando por algum motivo o credor não receber o pagamento. Consignar significa depositar e esse depósito pode ser judicial (ação de conhecimento de procedimento especial de jurisdição contenciosa).
	Consignação é um mecanismo previsto na lei civil, de que pode se valer o devedor que queira desonerar-se e que esteja em dificuldade para fazer, seja porque o credor recusa-se a receber ou dar quitação, seja porque está em local inacessível ou ignorado, seja ainda porque existem dúvidas fundadas a respeito de quem deve legitimamente receber o pagamento.
2) Hipóteses de cabimento (art. 335, CC)
	O artigo 335 do CC trás um rol exemplificativo das hipóteses em que se pode aplicar a consignação em pagamento. A consignação será possível sempre que o devedor quiser pagar e o credor por algum impedimento não recebeu o pagamento.
	a) quando o credor se recusa em receber;
	b) impossibilidade de o credor receber porque é incapaz, é desconhecido, está ausente, é incerto.
	c) credor em lugar incerto ou de difícil acesso.
	d) O objeto a ser consignado está em litígio.
3) Espécies
	Os tipos de consignação podem ser de forma judicial ou extrajudicial, o que difere em ambos os casos é a exigência que o devedor faça o depósito em juízo do valor oferecido. No segundo caso o litígio ocorre em um ou mais credores.
	a) Extrajudicial: é um procedimento administrativo consagrado no artigo 539, CPC através do qual o devedor deposita uma quantia em dinheiro em estabelecimento bancário em uma conta aberta para este fim em nome do credor. Neste caso, o credor será notificado para se manifestar sobre o depósito no prazo de dez dias; se ele se recusar a receber a quantia, deverá manifestar por escrito. Quando houver recusa, o devedor não estará livre da obrigação, podendo ingressar com a ação judicial no prazo de um mês. Esse prazo de um mês deve ser observado quando o devedor aproveita o depósito extrajudicial, instruindo a petição inicial com comprovante de depósito. Caso o devedor proponha essa ação no prazo de um mês, o depósito fica sem efeito.
	b) Judicial: o objeto da consignação judicial pode ser uma quantia em dinheiro, pode ser a entrega ou devolução de um bem móvel ou imóvel.
4) Procedimento
	*Petição inicial (art. 319, CPC);
	*Em regra, a citação é feita pelo correio onde o réu é citado para levantar o dinheiro ou apresentar contestação;
	*Depósito em 05 dias;
	*Consignação de prestação periódica até o transito em julgado;
	*Complementação do depósito: 10 dias;
	*Honorários advocatícios não pré-fixados;
	*Consignação em pagamento extrajudicial – Banco;
	*Consignação em pagamento judicial – Ação Judicial;
OBS: se o devedor fez o depósito extrajudicial e na petição inicial ele comprovou o depósito, o réu será citado para levantar o dinheiro ou contestar a ação. Se o devedor propôs ação judicial sem comprovar o depósito, o juiz receberá a petição inicial podendo autorizar que o depósito seja feito no prazo de 5 dias, após o depósito feito, o réu será citado para levantar o dinheiro ou apresentar a contestação.
AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS
(ART. 550 A 553, CPC)
1) Conceito
	Determinadas pessoas as quais houverem sido confiadas à administração ou gestão de bens ou de interesses alheios tem a obrigação de prestar contas quando solicitadas ou de apresenta-las voluntariamente quando necessário.
2) Finalidade
	Existem algumas relações jurídicas das quais resulta a obrigação de um dos envolvidos prestar contas ao outro. Isso ocorre quando um deles administra negócios ou interesses alheios. E por força desse vínculo uma das pessoas tem a obrigação de apresentar de forma detalhada o crédito e o débito de sua gestão.
	O objeto da lide é o acertamento das contas, prestando ao interessado, não importando o resultado.
3) Natureza
	A natureza desta ação é de conhecimento de procedimento especial de jurisdição contenciosa, pressupõe então que haja um conflito entre as partes.
4) Interesse de agir
	Decorre do vínculo existente entre as partes.
5) Procedimento
	a) Petição Inicial: se houver saldo devedor, que o réu seja condenado a pagar esse saldo (pedido secundário). Pedido principal: prestar contas. Deve obedecer também o artigo 550, §1º, CPC.
	b) Citação: em regra, pelo correio. Com a citação o réu poderá prestar contas, contestar ou simplesmente negar (art. 550, §2º).
	Se o réu não se manifestar, o juiz julgará a ação procedente e intimará o réu a apresentar a prestação de contas em 15 dias; se não prestar as contas, não caberá mais impugnação (art. 550, §5º).
	c) Opção do devedor:
		- Reconhecer a obrigação e já prestar contas – apresentar as contas – processo com uma fase. As contas serão enviadas ao autor para a sua manifestação (art. 550, §2º).
		- Permanecer inerte: o réu não apresenta as contas e nem contesta, julgando antecipadamente a lide.
		- Contestação: neste caso o processo tem duas fases. A 1ª fase discute o dever de prestar as contas e através de uma decisão interlocutória de mérito o juiz determina se o réu tem o dever ou não. Se o réu tiver o dever de prestar contas, inicia-se a 2ª fase, momento em que se discutem os cálculos, onde o réu deverá prestar as contas, o autor pode impugná-las. O juiz pode requisitar uma prova pericial e no final proferia a sentença homologando os cálculos.
		- Contestar e apresentar as contas: neste caso o réu reconhece a obrigação de prestar as contas e o processo se limita a discutir somente os cálculos em uma única fase.
	d) O juiz pode decretar os efeitos da revelia, porém sendo o réu intimado a prestar contas (art. 550, §4º).
	e) Julgado procedente, a sentença se torna executável, cobrando os valores, honorários e custas do réu.
OBS: nas ações em que o inventariante, o tutor, o curador tiver que prestar contas, essa ação será distribuída por dependência (art. 573, CPC).
AÇÃO MONITÓRIA – LEI 9.079/95
(ART. 700 A 702, CPC)
1) Conceito
	Nelson Neli Jr. Define o instituto como sendo o instrumento processual colocado à disposição do credor de quantia certa, de coisa fungível ou de coisa móvel determinada, com crédito comprovado por documento escrito sem eficácia de título executivo, para que possa requerer ao juízo a expedição de mandado de pagamentoou de entrega de coisa para a satisfação do seu direito.
2) Espécies
	a) Pura: dispensa o documento escrito, sem força executiva, que comprove a obrigação. Neste caso basta a simples alegação do autor (não é adotada no Brasil).
	b) Documental: exige para o ajuizamento da ação, a obrigação de comprovar do documento que não tenha força executiva (produzir provas, por testemunha).
3) Natureza da ação
	É controvertida onde uns entendem se tratar de um novo tipo de processo, pois não se encaixa nem no de conhecimento, muito menos no de execução. Para a outra parte da doutrina, é apenas um tipo de procedimento especial. A maioria entende que é uma ação que comporta a fase de conhecimento e outra de execução.
4) Requisitos do documento
	a) Escrito: sem a prova, o autor é carecedor da ação. A exceção é a possibilidade de colher prova oral por escrito nos termos do artigo 381.
	b) Idôneos: também serve os títulos extrajudiciais que perderam a sua eficácia, como, por exemplo, cheque, duplicata, promissória. Cuidado com a prescrição destes títulos que ocorrem em 5 anos. O devedor deve ser pessoa capaz.
5) Procedimento
	a) Petição Inicial ( art319 e 320, CPC): nos fatos deve-se explicar a origem do crédito, pois o juiz fundamenta o recebimento de monitória baseado em sua explicação.
	b) Requerer um mandado de pagamento ou entrega de coisa ou para execução de obrigação de fazer ou não fazer (pedido especifico, pois se a outra parte não se insurgir, vira um título executável).
	c) Valor da Causa: determinado em cima do que se pede; sobre isso incide a sucumbência e às custas. Deve-se apresentar uma memória de cálculo. Apresenta-se apenas correção em caso de dinheiro, pois juros passam a correr a partir da citação. Se for um bem, deve-se levar em conta o valor do bem no momento atual.
	d) Juiz quando recebe a inicial tem a decisão inicial com fundamentação com um juízo de admissibilidade “tem indícios suficientes”.
	*Fazer nada – torna título em executável – converte monitória em execução.
	*Cumprir obrigação – isento das custas e paga só 5% honorários.
	*Apresenta resposta em 15 dias com embargos monitórios.
	*Embargos – prazo de 15 dias úteis a partir do 1º dia útil a partir da juntada da ação.
	*Cabe recurso – tem efeito devolutivo (art. 700, §4º, CPC)
	*Sentença terá sempre efeitos condenatórios, cabendo apelação com efeitos devolutivos.
EMBARGOS DE TERCEIRO
(ART. 674 A 681, CPC)
1) Definição
	Há casos em que ocorre uma agressão indevida que provém de um ato de apreensão judicial, onde o terceiro não é parte no processo.
2) Conceito
	Os embargos de terceiro é a ação atribuída àquele que não é parte, para fazer cessar a constrição judicial que indevidamente recai sobre bens do qual é proprietário ou possuidor.
3) Requisitos
	a) Deve haver um ato ou ameaça de apreensão judicial (art. 674, CPC): não é necessário que a apreensão esteja consumada, pois se admite embargos de terceiro preventivo. Ex: basta indicação de penhora.
	b) a apreensão deve ser indevida.
OBS: manifesta-se condição de proprietário ou possuidor.
4) Prazo (artigo 675, CPC)
	Os embargos podem ser opostos a qualquer tempo no processo de conhecimento enquanto não transitada em julgado a sentença e, no cumprimento de sentença ou no processo de execução, até 5 (cinco) dias depois da adjudicação, da alienação por iniciativa particular ou da arrematação, mas sempre antes da assinatura da respectiva carta.
5) Procedimento
	a) Competência (art. 676): os embargos serão distribuídos por dependência ao juízo que ordenou a constrição, como um processo autônomo (competência funcional absoluta). Se o processo estiver em grau de recurso, os embargos deverão ser propostos no juízo de 1º grau.
	Se carta precatória (art. 676, P.U.) os embargos deverão ser propostos: 1º) se a carta já foi com o pedido de penhora de um bem determinado, deverá ser proposto no juízo deprecante; 2º) se a carta for com pedido de constatação e penhora de qualquer bem, deverá ser proposta no juízo deprecado, salvo se a carta já houver sido devolvida ao juízo de origem.
	b) Polo Ativo: é o terceiro que se arrogue na condição de proprietário do bem ou possuidor.
	c) Polo Passivo (art. 677, §4º): em regra é o exequente; porém se o executado indicou o bem ele também irá entrar no polo passivo, como um litisconsórcio.
	d) Petição inicial (art. 677, CPC): prova sumária de sua posse ou de seu domínio (na hora); qualidade de terceiro (garantidor e fiador não são terceiros).
	e) Liminar (art. 678, CPC): a liminar pode ser atendida, desde que seja requerida pelo embargante. O juiz poderá condicionar a ordem da liminar à prestação de caução pelo requerente (art. 678, p.u.), salvo se a parte for hipossuficiente.
	f) Citação (art. 677, §3º): a citação será pessoal, porém se o embargado tiver procurador constituído à citação será a ele (intimação com efeitos de citação).
	g) Contestação (art. 679, CPC): prazo para contestar é de 15 dias úteis, seguindo assim o procedimento comum. Não se admite pedido de reconvenção na contestação. Não apresentou a contestação será decretada a revelia.
	h) Instrução probatória: não é obrigatória, fica a critério do juiz. Se não houver necessidade o juiz irá fazer o julgamento antecipado (art. 681, CPC). Com isso, procedente o pedido dos embargos, o juiz irá cancelar a constrição, reconhecendo o domínio e devolvendo o bem. Com isso o réu será considerado culpado e condenado em custas e honorários de 10%.
INVENTÁRIO E PARTILHA
	Com a morte termina a personalidade civil da pessoa, inicia a sucessão e ocorre à transmissão aos seus herdeiros, sejam os legítimos ou testamentários dos bens deixados. A transmissão ocorre no momento do falecimento (art. 1784, CC).
	Espólio: é a soma dos ativos e passivos do de cujus que se compõe em uma massa indivisível. Não tem personalidade jurídica, mas a lei atribui a capacidade de ser parte. Isso perdura enquanto não ocorrer a partilha. Ocorrendo a partilha não quer dizer que não possa continuar existindo o condomínio entre as partes.
1) Exceção ao inventário judicial (art. 610, §1 e §2, CPC)
	Requisitos:
	*Todos os herdeiros de acordo.
	*Todos os herdeiros forem capazes.
	*Necessário advogado para acompanhamento e assinatura da escritura.
2) Conceito de Inventário
	O inventário consiste na enumeração e descrição de todos os bens e obrigações que integram a herança, para que oportunamente possa ocorrer a adjudicação ou partilha de sucessores.
3) Natureza do Inventário
	É um processo de conhecimento de jurisdição contenciosa e de procedimento especial, destinado a catalogar os bens deixados pelo falecido e identificação de seus herdeiros.
4) Finalidades do Inventário
	a) Elencar os bens, direito e obrigações deixadas pelo falecido;
	b) Isolar tais bens da meação do cônjuge;
	c) Elencar quem são os herdeiros e os legatários;
	d) Verificar se a herança tem força para pagamento das dívidas;
	e) Estabelecer a forma que esses pagamentos (dívidas) serão feitos;
	f) Dispor sobre a forma pela qual será realizada a partilha.
	g) Permitir que seja regularizada a situação dos imóveis perante o CRI.
	h) Permitir que o MP fiscalize interesse de incapazes.
	i) Permitir que sejam regularizados os aspectos tributários.
	j) Permitir que as disposições de última vontade do de cujus sejam respeitadas e cumpridas.

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